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DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

PROFº. EGBERTO PINTO TAVARES

CAPÍTULO II – MÉTODOS DE PREVISÃO DE CARGA


Índice

II. 1 – Introdução................................................................................................................... 2

II. 2 – Método do Crescimento Histórico........................................................................ 3

II. 3 – Critério de Scheer.................................................................................................... 4

II.4 – Análise Regressiva – Método indireto.....................................................................7

II. 5 – Análise de Regressão pelo Método dos Mínimos Quadrados...........................7

II. 5.1 – Ajustamento de curvas pelo método dos mínimos quadrados...................... 7

II. 5.2 - Equações normais para a linha reta....................................................................11

II 5.3 – Outras Equações ....................................................................................................12

II. 5.4 – Aplicação do método à previsão de demanda................................................. 13

.............Gráfico II. 1................................................................................................................15

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Capítulo II – Métodos de Previsão de Carga

II. 1 – Introdução

A despeito de não se ter controle sobre as características das cargas que são
supridas pelo sistema de distribuição, a previsão do crescimento dessas cargas, ainda que
de forma probabilística, fornece subsídios valiosos aos engenheiros do planejamento,
projeto e operação, possibilitando com isto, prever expansões no sistema, de modo a
entender adequadamente esse crescimento de carga.

Mais recentemente, com o novo Modelo do Setor de Energia Elétrica Brasileiro, o


assunto tomou mais importância, na medida em que todas as Concessionárias de Distribuição
de Energia Elétrica têm que adquirir energia do Pool, e para tal necessitam informar à
ANEEL o quantitativo de energia que necessitam para um horizonte de 5 anos.

Na hipótese de uma Concessionária de Distribuição prever sua carga a maior, ela


ficará com uma parcela de sobra que terá que encontrar um interessado em adquiri-la. No
caso inverso, caso tenha subvalorizado sua previsão de carga, ao chegar ao 5º ano
encontrará na situação de ter que adquirir a energia que falta, mas só que ambiente de
comercialização não regulada, o chamado mercado spot, onde o preço da energia é
costumeiramente muito alto, pois fica ao sabor das condições metereológicas.

Cabe ressaltar que na prática é usual efetuar os cálculos utilizando os vários


métodos e de posse dos mesmos decidir pelo valor a ser adotado. Outro ponto de
importância é que os médtodos descritos a seguir não levam em consideração possíveis
inserções de grandes cargas, tais como shopping centers, grandes prédios, estádios, etc.
Por esta razão o Engenheiro que trabalha na área de Planejamento deve estar em
permanente contato com Prefeituras, Órgãos de desenvolvimento do estado/cidade, no
sentido de saber com antecedência os Planos diretores estaduais e municipais, e com isto
inserir grandes cargas aos seus valores calculados.

Assim sendo, são descritos a seguir os métodos mais usuais para a análise do
crescimento de carga de uma determinada área, a saber:

 Método do crescimento histórico;


 Critério de Scheer;
 Análise Regressiva
 Análise de regressão pelo método dos mínimos quadrados.

II. 2 – Método do Crescimento Histórico

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Denomina-se índice de crescimento histórico, o estabelecimento de uma taxa de
crescimento, levando-se em conta apenas os valores máximos de demanda registrados nos
anos iniciais e finais do período de observações.

Onde:
DM = demanda máxima no último ano de observações.
n
DM = demanda máxima no ano inicial de observações.
o
i = taxa de crescimento anual
n = n°. de anos do período considerado

Sendo:

n
DMN = (1 + i ) , a taxa de crescimento será:
DMO

No gráfico II. 1 estão representadas as diversas retas da equação F = (1 + i) N.

Exemplo 1:

Seja uma subestação que apresenta os seguintes valores:

Ano o = Demanda máxima = 2,68 MW


Ano 9 = Demanda máxima = 5,085 MW

A taxa de crescimento médio será:

Ou seja: i = 7,4% a/a.

O gráfico II. 1 fornece diretamente o valor de i% para a relação

II. 3 – Critério de Scheer

Este método determina a previsão de carga futura em função do aumento de


população e crescimento do consumo “per capita”. É feita uma previsão de consumo e a

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demanda é calculada a partir da hipótese de que o hator de carga, para um dado sistema, se
aproximará assintoticamente até 0,65.
O critério foi desenvolvido com base no crescimento de carga observado em 109
países.

A expressão deduzida por Scheer é a seguinte:

Log C = k – 0,15 log V

Sendo:

C= percentagem de crescimento de consumo de um ano para o seguinte.


K =1,28 + 0,05 P, sendo P a taxa de crescimento da população.
V = consumo per capita (kWh/Hab)

Conhecendo-se a população da área e o consumo em um determinado ano, determina-


se o consumo per capita, e posteriormente calcula-se a percentagem de crescimento de
consumo. De posse deste valor determina-se o consumo do ano seguinte, e com o valor da
população do ano correspondente, projetado a partir do índice demográfico, determina-se o
novo valor para o consumo per capita.
Volta-se novamente á equação para calcular a percentagem do crescimento de
consumo e repete-se o procedimento até o ano desejado.
A demanda de cada ano é deduzida a partir do consumo e do fator de carga
correspondente, originando-se este da expressão.

FC = 65,00 – Y (65,00 – Z)

Onde Z é o fator de carga do ano inicial (em %) e y um parâmetro que para cada ano
assume valores de tal maneira que, em 16 anos, a diferença entre 65,00% e o fator de carga
do ano inicial se reduza à metade. Os valores de y na tabela II.1.

A aplicação direta da equação de Scheer deve ser feia com restrições onde há
influência considerável de cargas com comportamento peculiar. Num sistema complexo, onde
a influência de um grande consumidor dilui-se na composição das cargas que originam a
demanda máxima, a equação fornece resultados bastante próximos da realidade, conforme
já foi constatado. Num sistema de proporções menores, todavia, os valores encontrados
devem ser criticados, observando-se a influência de grandes cargas concentradas e
procurando-se avaliar seu desenvolvimento separadamente.

QUADRO DE VALORES DE Y

Ano após o Início Y


O 1,00
1 0,96
2 0,92
3 0,88

4
4 0,84
5 0,80
6 0,77
7 0,74
8 0,71
9 0,68
10 0,65
11 0,62
12 0,60
13 0,57
14 0,55
15 0,52
16 0,50

Tabela II.1

EXEMPLO 2:

Utilizando o método de Scheer, e conhecendo-se a população nos anos de 2008 a 2019 bem
como o consumo no ano inicial, determinar:

a) Consumo e demando ano a ano.


b) Taxas de crescimento do consumo e da demanda.

FATOR
ANO POPULAÇÃO CONSUMO V C DE DEMANDA
(GWh) (Kwh/hab) % CARGA % MÁX. MW
2008 168,6 86,5 22,2
09 173,7
10 178,9
11 184,3
12 189,8
13 195,5
14 201,4
15 207,4
16 213,6
17 220,0
18 226,6
19 233,4

OBSERVAÇÃO: Para a determinação do fator de carga do ano inicial:

Fc = MWh / 8760. MW.0,9

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Considera-se que somente 90% da energia liberada nas subestações é vendida aos
consumidores, sendo 10% perdida na distribuição.

II.3 - Análise Regressiva – Método Indireto

Pelo método indireto da análise regressiva, a demanda é calculada para cada ano ,
dentro do horizonte de Planejamento, pela fórmula:

D= ( Ct + P ) / 8760.FC

Onde:
D = demanda máxima anual em kW;
Ct = consumo total da área, obtido pela soma dos consumos de todas as
classe de consumidores, em kWh;
P = perdas de energia elétrica, em kWh;
8760 = número de horas do ano;
FC = Fator de carga anual

EXEMPLO 3:

Utilizando o método da Análise Regressiva, e conhecendo-se os valores do Fator de Carga,


do Consumo total, e das Perdas, determinar a demanda máxima anual para os valores
apresentados a seguir. Em seguida, pede-se concluir sobre os valores resultantes.

1ª situação:
FC= 44,5%; Ct = 86500 MWh; P= 20%

2ª situação
FC= 44,5%; Ct = 86500 MWh; P= 15%

II. 5 – Análise de Regressão pelo método dos mínimos quadrados:

II.5.1 Ajustamento de curvas pelo método dos mínimos quadrados:

Seja um conjunto de pontos (x1, y1), (x2, y2) etc. obtidos experimentalmente.
Locando estes pontos, verifica-se que eles estão quase em linha reta:

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Surge então, o problema de se determinar qual a reta que melhor se ajusta ao
conjunto de pontos obtidos. A solução deste problema constitui o objeto do método dos
mínimos quadrados.

Sendo a equação da reta:

y = ax + b (1)

Tem se que a cada valor de x observado, correspondem dois valores de y:

1°) O valor de y observado


2°) O valor determinado por (1): ax + b.

Denomina-se desvio à diferença:

d =y – (ax + b) (2)

Cada desvio mede o quanto o valor determinado por (1) para y se afasta do valor
observado y.

O conjunto dos desvios: d1 = y1 – (ax1 + b)


d2 = y2 – (ax2 + b)
dn = yn – (axn + b),

dá uma idéia do bom ou mau ajustamento da reta (1) em relação aos dados obtidos
experimentalmente. O ajustamento é perfeito somente se todos os desvios forem nulos.
Isto em geral não acontece.
Tem-se, então, que determinar a reta que melhor se ajusta ao conjunto de pontos
dados, o que é feito da seguinte forma.
Para a reta (1) que melhor se ajusta aos pontos P1, P2....... PN, alguns desvios serão
positivos e outros negativos. Mas os quadrados dos desvios serão sempre positivos e na
expressão

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Um desvio positivo (+d) e um desvio negativo (-d) são contatos iguais.

O valor da soma dos quadrados dos desvios F (a, b) depende da escolha de a e b. Ela nunca é
negativa e será igual a zero somente quando a e b têm valores tais que dão uma reta y = ax
+ b que melhor se ajusta ao conjunto de pontos, obtidos experimentalmente, é aquela para o
qual a soma dos quadrados dos desvios,

é mínima.

A equação (4) representa a superfície

W = F (a, b)

No sistema de coordenadas a, b, w, para a qual se procura determinar os valores de a e b


que dão um ponto de mínimo M.

Para isto, calculando as derivadas parciais

E impondo a condição de nulidade destas derivadas, obtem-se um sistema de equações que


permite calcular a e b.

EXEMPLO 4:

Achar pelo método dos mínimos quadrados a reta que melhor se ajusta aos pontos (0,2),
(2,3), (3,4), (5,4) e (6,5).

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Sendo y e x as coordenadas dadas.

Elaborando uma tabela:

x Y d d2
2
0 2 2 –b 4 – 4b + b
2 3 3 - 2 a -b 9 – 6b + b2 + 4ab – 12a + 4a2
3 4 4 – 3a - b 16 – 8b + b2 + 4ab – 24a + 9a2
5 4 4 – 5a - b 16 – 8b + b2 + 10ab – 40a + 25a2
6 5 5 – 6a - b 25 – 10b + b2 + 12ab – 60a + 36a2

Calculando as derivadas parciais:

Impondo a condição de mínimos, resulta o sistema:

5b + 16a = 18
16b + 74a = 68

Cuja solução é:

a = 26 ; b = 122
57 57

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Daí, a reta que melhor se ajusta aos pontos é:

Y = 26x + 122
57

II.5.2 Equações Normais para a Linha Reta:

Para o ajustamento de uma linha reta pelo método dos mínimos quadrados, pode-se
chegar facilmente ao sistema de fórmula que permitam determinar a e b.

Na equação: (7)

Elevando o trinômio ao quadrado:

Pode – se escrever:

Onde:

nb2 = ∑ b2, para n = nº de observações.

Derivando esta expressão em relação a b e a a e impondo a condição de mínimo:

A aplicação das equações se faz através de tabela.

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EXEMPLO 5:

Refazer o exemplo 3, utilizando o procedimento apresentado (Equações normais para a linha


reta).

OBS: x y x2 xy
1 0 2 0 0
2 2 3 4 6
3 3 4 9 12
4 5 4 25 20
5 6 5 36 30
Soma 16 18 74 68

Utilizando as equações (8):

5b + 16 a = 18
16b + 74 a = 68

Portanto: a = 26 e b = 122
27 57

A simplicidade de cálculo evidencia a vantagem da aplicação das equações normais (8).

II.5.3 Outras Equações:

O método dos mínimos quadrados pode ser aplicado também para equações mais
complicadas que a equação da reta, sendo naturalmente mais trabalhoso. Por exemplo, para a
parábola y= a + bx + cx2, o desvio seria:

D = y – (a + bx + cx2)

As equações normais seriam:

Entretanto, torna-se mais prático aplicar-se uma anamorfose logarítmica à parábola,


utilizando-se a seguir das equações normais da reta (8).

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II.5.4 Aplicação do Método à Previsão de Demanda:

Sendo o crescimento de demanda da forma exponencial, terá a seguinte equação


representativa:
yn = y0 ( 1 + i) n

Sendo:

yn = carga no ano n correspondente

yo = carga no ano inicial

i = taxa de crescimento por unidade

Seja:

Fazendo a anamorfose logarítmica:

Logo:

y = ax + b (reta)

Pode – se, portanto, aplicar-se as equações normais para a linha reta.

EXEMPLO 6:

Na tabela seguinte, os valores de yn são as demandas máximas dos anos correspondentes.


Aplicando o método dos mínimos quadrados, obteve-se os valores indicados.

Ano yn x y xy x2
2008 13,1 1 1,1173 1,1173 1
2009 16,1 2 1,2068 2,4136 4
2010 18,9 3 1,2765 3,8295 9
2011 18,9 4 1,2765 5,1060 16
2012 20,2 5 1,3054 6,5270 25

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2013 20,4 6 1,3096 7,8576 36
2014 21,7 7 1,3365 9,3555 49
2015 23,4 8 1,3692 10,9536 64
SOMA 36 10,1978 47,1601 204
Pede-se o valor da taxa de crescimento da demanda.
Nas equações normais:

10,1978 = 8b + 36a
47,1601 = 36b + 204a

Resolvendo – se o sistema e voltando – se às equações anteriores, obtém-se:

I = 7,2%

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Referências Bibliográficas

- Coleção Distribuição de Energia Elétrica – Planejamento de Sistemas de Distribuição;


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