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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIAS

ANTROPOLOGIA 3
MIRELLA QUEIROZ DE SANTANA PEREIRA

O ENIGMA DE KASPAR HAUSER E NATUREZA E CULTURA (Levi-Strauss)

A partir do filme, que narra uma historia que de fato aconteceu, podemos perceber como é
essencial o convívio social pra não só o desenvolvimento da linguagem, mas também
para compreensão da realidade social e de todos os signos que nos cercam. Kaspar, foi
um homem que durante muitos anos de sua vida foi privado da vida em sociedade e
assim não desenvolveu, não apenas a linguagem, mas também parte de sua capacidade
motora. Kaspar não falava, e não entendia o mundo que o cercava para ele, já adulto o
mundo o qual passou a ter contato não fazia sentido, tudo é algo novo, assim como é
para uma criança.

Para nós que fomos criados em sociedade e temos construído todo processo de
assimilação através do contato com a cultura e com tudo que diz respeito a ela, ao
ouvirmos uma palavra que nomeia por exemplo um objeto, nos vem em mente
automaticamente sua imagem, mas para kaspar não, ele não tem compreensão do
mundo que a partir do momento que passou a viver em sociedade o cercava. Em sua
mente não vem imagem alguma ao ouvir uma palavra, como por exemplo mesa, já que
sua imagem e seu significado não foi aprendido e internalizado por ser privado do
convívio social, isso deixa claro que todo nosso raciocínio bem como todos significados
de tudo que nos cerca só exite pois o construimos socialmente, com o contato com outras
pessoas e a cultura.

Kaspar é atraido pelo fogo da vela, mas ao ser queimado aprende que machuca e passa
a ter medo. Para ele, por exemplo seu quarto era enorme, já que de qualquer ângulo que
olhasse veria as paredes, já a torre não, já que ao sair dela e olhar pra trás ela
desaparece de sua vista. Podemos perceber que a falta de convívio com a cultura
comprometeu toda construção de raciocínio logico, e fica claro perceber que para o ser
humano nada disso é nato, tudo é aprendido e construído.
No texto NATUREZA E CULTURA de CLAUDE LEVI-STRAUSS, é possível ver
que a forma que seria mais simples para a distinção entre estado de natureza e estado de
sociedade e diferença entre o ser biológico e o ser cultural, é fazendo um processo
parecido do que foi feito com Kaspar, seria isolar uma criança recém-nascida e observar
suas reações às diferentes coisas que lhe são apresentadas, porem os mecanismos
fisiológicos ainda não desenvolvidos devido à precocidade da observação e
comprometeriam as conclusões e o único meio de eliminar incertezas seria prolongando
esse período. Mas se corrigido isso prolongando o tempo de observação, o meio que
satisfizesse as condições de isolamento seria tão artificial quanto o meio cultural que
pretende substituir.

Porem no texto também fica claro, que mesmo que uma criança cresça
isoladamente de um âmbito social, não podemos considera-la como criança selvagem.
Pois, como no exemplo de Voltaire, por mais que uma abelha esteja perdida de sua
colmeia e não consiga voltar sozinha para ela, não podemos chama-la de uma abelha
selvagem, porque ela não passa de uma abelha perdida. Caso semelhante ao do
personagem em questão. Entretanto o meio que satisfaz as condições de isolamento não
é menos artificial que o meio cultural ao qual se pretende substitui-lo.

Se não fossemos criados em sociedade envoltos em uma cultura, e


aprendêssemos desde de criança a dar nomes e significado a todas as coisas que nos
cercam, assim como para Kaspar, nada que existe no nosso cotidiano faria sentido, nada
seria lógico. Não exite uma natureza fixa e dada para o homem, ele está sempre se
construindo a partir de seu convívio e de suas relações. O homem é um animal doméstico,
é o único que domesticou a si mesmo.