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Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116
http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas

A UTILIZAÇÃO DE ANÁLISE ATRAVÉS DE ÍNDICES PARA UMA


BOA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Rozeli Aparecida Menon1


José Augusto Ianesko2

Aprovado em 16 de novembro de 2006

RESUMO

Esta pesquisa poderá dar subsídio aos administradores no que se refere a


melhor administração financeira dentro de uma empresa, através de análise dos
índices financeiros e capital de giro. A empresa utilizará esses instrumentos para
a sua tomada de decisões, bem como a melhor distribuição dos seus recursos
financeiros e para onde focalizar investimentos do seu capital. Dessa forma, será
mostrado, nesta pesquisa, quais os pontos cruciais de uma má administração
financeira, no que isso pode repercutir e causar danos e endividamentos futuros
da empresa. Pode servir de ajuda aos administradores, esclarecendo as
melhores alternativas para analisar as demonstrações financeiras e o balanço
patrimonial. Com isso o objetivo de garantir estabilidade financeira para a
empresa e cooperar para a rentabilidade e futuros investimentos.
Palavras-chaves: Dar subsídio aos administradores através de análises de
índices, administração de recursos financeiros.

ABSTRACT

This research will be to give Subsidizes the administrators with respect to better
administration financial of a company, through analysis of the financial Index and
capital of turn. The company will use these instruments for its taking of decisions
as well as the best distribution of its financial resources and for where to focus
investments of its capital. Of this form, the crucial points of an bad financial
administration are being shown in this research which, in what this it can re-echo
to cause damages and future indebtedness of the company, can to serve of aid
to the administrators, clarifying the best alternatives to analyze the financial
demonstrations and the patrimonial rocking with objective to guarantee financial
stability for the company and to cooperate to the yield and futures investments.

1
Pós-Graduanda do Curso de Especialização (Pós-Graduação lato sensu) em Gestão e Auditoria
de Negócios da UNICENTRO, 2006.
2
Professor Orientador. Mestre em Contabilidade e Controladoria. Departamento de Ciências
Contábeis .UNICENTRO.

MENON, R.A.; IANESKO, J.A. - A Utilização de Análise Através de Índices para uma Boa
Administração Financeira
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Key words: I to give subsidizes the administrators through analyses of index,


administration of financial resources.

1 INTRODUÇÃO

De acordo com as situações de mercado, os negócios estão se tornando


cada vez mais competitivos, obrigando as empresas a se adaptarem à política
de preços que a concorrência impõe e tal situação interfere na lucratividade
dessas empresas. Com isso, o administrador será obrigado a reduzir sua
margem de lucro e investir em tecnologia, informação e eficiência operacional
para a continuidade do seu empreendimento. Portanto, desenvolver um
planejamento financeiro alicerçado pelo orçamento e controle é imprescindível.
Dessa maneira, as empresas estão tendo uma visão diferente em se
tratando de controle. Estão elaborando um sistema orçamentário mais eficiente,
administrando melhor seu capital de giro para diminuir as necessidades de caixa.
Para isso é preciso utilizar as ferramentas de análise que serão abordadas no
decorrer deste trabalho de pesquisa, incluindo a definição de administração
financeira, finanças, também de como são utilizados os orçamentos, a
elaboração de um planejamento financeiro até as análises dos índices para
medir a situação financeira de uma empresa.
Busca-se sempre a melhoria e estabilidade financeira. Assim o
administrador pode contribuir com uma boa bagagem, analisando os índices a
partir de um plano financeiro com uma base de dados concisa que facilitará a
decisão pela qual a diretoria deseja pra alcançar os seus objetivos.
Além disso, a empresa poderá antecipar possíveis problemas de caixa,
prevenindo as dívidas que acarretarão em dificuldades futuramente.

2 METODOLOGIA

Os métodos utilizados neste trabalho foram o analítico e descritivo


através de pesquisas bibliográficas de áreas como: administração, economia e
contábeis. Dessa forma, buscou-se conceitos sobre administração financeira,
estudos de caso e análise baseados em índices. Pesquisou-se também fontes
de revistas e “sites” de internet, como FAE (Faculdade de Administração e
Economia) e MBA (Master of Business Administration) de Mestrados e Pós-
graduação de diversos artigos publicados sobre esse assunto.
A presente pesquisa é uma forma de reunir conceitos e visões de
diferentes autores bem conceituados num só trabalho, procurando desenvolver
um conteúdo interessante que contribui para uma boa administração financeira,
buscando obter maior rentabilidade e controle financeiro. Objetiva o equilíbrio e
estabilidade financeira futuros das empresas que desejam obter mais

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informações e ferramentas básicas para a melhor administração de seus


recursos financeiros. Observa-se que o assunto tratado tem uma visão ampla ao
definirmos instrumentos na melhoria e no controle financeiro de uma empresa, é
mais viável pesquisas bibliográficas, com conteúdos objetivos e de fácil
absorção.
A obtenção de conteúdos adequados para mostrar a solução de
problemas que as empresas enfrentam em suas administrações financeiras
exige compreensão, interpretação, conhecimento, análise desses instrumentos
e, principalmente, uma boa experiência de todo o processo administrativo de
uma empresa.

3 REVISÃO LITERÁRIA
3.1 A Administração Financeira e sua Evolução
Para BRIGHAM (2001, p. 25-26), “a administração financeira como um
campo separado surgiu por volta de 1900, seu estudo baseou-se em orientar e
legalizar empresas que estavam iniciando no mercado, com o objetivo de
levantar capital através da emissão de títulos de vários tipos.”
Com a depressão dos anos 30, a administração financeira voltou-se para
as concordatas e a reorganização, liquidez das empresas e para a
regulamentação dos mercados de títulos. Nas décadas de 40 e 50, a disciplina
de finanças continuou sendo ensinada como uma matéria descritiva e
institucional, mas somente para estudantes e não gestores de empresas. Na
década de 50, essa visão mudou. As empresas iniciaram um processo de
maximização dos lucros, escolha de seus clientes e busca da melhor utilização
do capital de giro. Começa, então, a era das decisões sobre empréstimos,
financiamentos e/ou investimentos. Dessa forma, na década de 90, a
maximização dos valores da empresa foi sendo o objetivo principal. Contudo,
para se alcançar esse objetivo, criou-se critérios de remuneração, tais como
bônus aos gestores, para que os mesmos trabalhassem em prol da geração de
lucro. Todo esse processo forçou a mudança de visão dos acionistas, também
acarretou o aumento de gestores de carteiras de fundos de pensão e fundos
mútuos. Estes gestores propuseram a compra de grandes quantidades de ações
de empresas, os quais pressionaram essas ações para beneficiarem os
acionistas, com o objetivo da busca da melhoria contínua nos ganhos da
empresa.
O objetivo principal dos administradores financeiros e da alta
administração era o lucro, até a década de 90. Hoje, esse método ainda é
imprescindível, mas o enfoque está sendo direcionado para a maximização da
riqueza da empresa e dos proprietários, visando a estabilidade e controle de
caixa para novos investimentos futuramente.

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Para atingir esse objetivo os administradores estão utilizando medidas


que podem até reduzir o lucro da empresa naquele momento, porém
diversificaram suas tomadas de decisões direcionando-se para as melhorias
tecnológicas e processos produtivos. Dessa forma, os administradores
financeiros estão contratando profissionais em estudos da produção com visão
empreendedora e especialidade em custos de oportunidade de negócios e
economia contínua, também estão investindo em informação. E, toda essa
mudança de visão administrativa está proporcionando resultados positivos, os
quais poderão trazer estabilidade à empresa futuramente, esse processo é
considerado como planejamento a longo prazo.

3.1.1. Finanças: Conceitos e Importância


Finanças é definida da seguinte maneira: a administração do dinheiro e
das reivindicações monetárias. Portanto, a finalidade das finanças é administrar
e dirigir os fenômenos que estudam para algum objetivo, como um campo de
aplicação prática.
Segundo BRIGHAM (2001, p. 27), podemos comentar que as finanças
dentro das empresas interessam-se pela aquisição e uso eficiente dos fundos
exigidos por esta. Ela é útil por definir as funções principais da administração
financeira dentro das empresas, que são:
1) a aquisição dos fundos de que precisa para operar;
2) a distribuição eficiente desses fundos entre os vários usos dentro da
empresa;
3) verificar se há suficientes fundos disponíveis para serem empregados em
projetos que ofereçam lucros.
A área de finanças é fundamental para toda a organização, pois contribui
para o sucesso ou o fracasso da empresa, dependendo de como suas
ferramentas são utilizadas. Praticamente todos os funcionários de uma empresa
utilizam essa ciência, quer seja na vida familiar ou profissional. Portanto, o
administrador financeiro exerce um papel extremamente importante,
desempenha funções com o objetivo da busca de riqueza para a empresa.
Utiliza-se do estudo de finanças para se tomar uma decisão que traz resultados
compensadores.
Segundo VIDAL (www.unitau.br/mba/2000), “a função do administrador
financeiro é obter os fundos necessários mais favoráveis possível através de
diversas condições oferecidas para cada fonte potencial de fundos contra as
circunstâncias específicas de operações de sua empresa. Estes têm
responsabilidades bem diferenciadas que abrange: administração do caixa,
administração do crédito, análise de investimentos e captação de recursos, bem
como previsões financeiras e orçamentos.”

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3.1.2. Orçamento
Para FIGUEIREDO e CAGGIANO (1997, p. 36-37), “orçamento é um
instrumento direcional. Constitui-se de planos específicos em termos de datas e
de unidades monetárias, visando orientar a administração para atingir os fins
específicos em mente, ou seja, os objetivos empresariais”.
Ainda segundo FIGUEIREDO e CAGGIANO (1997, p.36) “...o sistema
orçamentário é um conjunto de informações físicas econômico-financeiros para
um período de tempo futuro, através de políticas, normas e metas em planos
operacionais e conceitos de identificação, mensuração e informações
estabelecidos.” O sistema de orçamento emprega simulações com base em
planos aprovados, é um sistema de informação de apoio à gestão.
Os orçamentos são parâmetros para a avaliação dos planos e servem
para a apuração do resultado por área de responsabilidade com o papel de
controlar os recursos por meio dos sistemas de custos e contabilidade.
Para FIGUEIREDO e CAGGIANO (1997, p. 36), os objetivos do
orçamento são o planejamento, a coordenação e o controle, concentrando
esforços para:
● orientar a execução das atividades;
● possibilitar a coordenação dos esforços das áreas e de todas as
atividades que compõem a empresa;
● otimizar o resultado global da empresa;
● reduzir os riscos operacionais;
●facilitar a identificação das causas dos desvios entre o planejado
e o realizado, propiciando a implementação de ações corretivas.

O sistema de orçamento pode ser classificado como orçamento de longo


prazo e orçamento de curto prazo. O orçamento à longo prazo é necessário,
principalmente se são utilizadas as premissas como crescimento e expansão,
portanto, os objetivos estratégicos da empresa são considerados nessa etapa. Já
o orçamento de curto prazo traduz e quantifica os planos da empresa por meio de
metas operacionais, e determina a utilização correta de recursos, quais os
procedimentos para se fazer e que recursos utilizar. O período considerado é
anual, coincidindo com o ano civil. É adotado o método contábil para efeito de
registro, identificação, classificação e acumulação de dados e informações.
FIGUEREDO e CAGGIANO (1997, p. 37) consideram que:

“As saídas do sistema orçamentário podem ser classificadas em


quatro tipos de relatórios: relatório de análise e desempenho
(resultado do período realizado por área/gestores); relatórios de
análise de resultado (margem de contribuição produto/serviço);
relatórios especiais (decisões de investimentos e despesas
programadas) e relatórios finais (atuação da empresa em seu

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aspecto econômico-financeiro e patrimonial, análise de resultado


dos produtos, análise de resultado global, fluxo de caixa,
balanço). E ainda, o processo orçamentário será sempre definido
com base na identificação do modelo de gestão e do processo de
administração implementado na empresa.”

Dessa forma, é necessário um sistema perfeitamente integrado com a


gestão e a informação para assim a empresa ter mais segurança e confiabilidade
nos dados informados.
O sistema de orçamentos compreende um modelo que avalia e
demonstra através de um sistema contábil, as projeções de desempenhos
econômicos e financeiros por períodos de uma empresa e das unidades que a
compõem, resultando em execução dos planos de ação por ela aprovados.
O sistema de orçamentos associa os dados físicos condizentes ao
volume total de produtos que deverão ser produzidos e vendidos com os
padrões de receitas, custos e despesas, elaborando orçamentos de cada área
de responsabilidade.
Segundo MASAKAZU (2001, p. 358), os principais elementos específicos
que integram o sistema de orçamentos são:
a) orçamento de vendas;
b) orçamento de produção;
c) orçamento de matérias-primas e compras;
d) orçamento de mão-de-obra direta e seus encargos;
e) orçamento de custos indiretos de fabricação;
f) orçamento de despesas administrativas, vendas e financeiras;
g) orçamento de investimentos;
h) orçamento de caixa.
Conforme relacionados acima, o sistema orçamentário serve para
desenvolver um planejamento financeiro eficiente com todos os dados completos
e precisos. A empresa pode utilizar dessas ferramentas para construir com um
sistema financeiro eficaz para suas tomadas de decisões.

3.2. PLANEJAMENTO FINANCEIRO


O processo de planejamento financeiro decorre da necessidade da
empresa em crescer, de forma ordenada, tendo em vista a implantação e a
adequação de padrões, princípios, métodos, técnicas e procedimentos racionais,
práticos e competitivos no tempo. O sistema orçamentário global consiste em:
planejar todas as atividades a serem desenvolvidas para que possam ser
cumpridas; projetar a obtenção de todos os recursos necessários, dentro de
determinado prazo, para fazer o planejamento acontecer na empresa; controlar
as etapas à medida que são executadas; e avaliar periodicamente os valores
realizados com os valores planejados. (ZDANOWICZ, 2001, p. 13)

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O planejamento financeiro tem como finalidade agregar os vários planos


divisionais da empresa em um todo, para assim estabelecer metas concretas e
medir o sucesso para o alcance dessas metas na empresa. Portanto, o resultado
do processo de planejamento financeiro é um conjunto de projetos na forma de
demonstrações financeiras projetadas e orçamentos. (BODIE e MERTON,1999,
p. 421)
Dessa forma quanto mais longe for a projeção menos detalhado será o
plano financeiro, causando assim um resultado de planejamento não muito
consistente.
O planejamento financeiro é uma parte fundamental da administração
financeira, é através deste que são tomadas as decisões das necessidades de
caixa de uma empresa. O planejamento financeiro auxilia e analisa o ciclo
operacional. Dessa forma o administrador financeiro pode conseguir manter
baixos os custos de financiamentos e evitar elevados estoques e excesso de
capacidade produtiva. Com um adequado plano financeiro o administrador pode
conduzir as melhores decisões mesmo com as mudanças na atividade
econômica.
GROPPELLI e NIKBAKHT (1999, p. 17) comentam que:

O planejamento financeiro envolve os prazos adequados dos


investimentos a fim de evitar a expansão excessiva e uso
ineficiente de recursos. O uso ótimo dos recursos disponíveis
significa explorar diferentes opções e selecionar aquela que
resulte no maior valor total. Isso também significa adotar meios
efetivos de determinar quanto captar a fim de reduzir os riscos
financeiros. O financiamento usado para levantar fundos deve
incluir cláusulas de segurança que permitirão aos administradores
refinanciarem a dívida quando as condições de mercado se
tornarem favoráveis.

Planejamento financeiro é um processo de projeções das necessidades


de caixa, de controle de custos, fixação de metas de vendas futuras e lucros, da
decisão da melhor alocação de recursos escassos e do desenvolvimento de
estratégias alternativas para evitar possíveis problemas caso os planos
existentes não funcionem.
Segundo MACHADO (2002, p. 3), “o planejamento e administração da
movimentação de recursos financeiros, é outra tarefa importante exercida pelo
administrador financeiro. Consiste na tomada de decisões fundamentadas em
projeções financeiras para um determinado período futuro (orçamentos).”
É um trabalho que envolve uma série de decisões futuras, para ter maior
eficácia precisa estar embasado em informações confiáveis. As informações de
que se vale o administrador financeiro estão normalmente contidas em relatórios

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e demonstrativos contábeis, e quanto mais exatas forem as informações


apuradas, mais acertadas serão as decisões tomadas.

3.2.1. A importância do Planejamento Financeiro


Segundo TELÓ (Revista FAE 2001, p. 22), “a empresa mediante o
planejamento financeiro poderá ter diferentes oportunidades de
desenvolvimento, além da possibilidade de analisar e comparar diversos
cenários. Uma das finalidades do planejamento financeiro é evitar surpresas e
desenvolver planos alternativos de providências a serem tomadas caso ocorram
imprevistos.”
Planejamento Financeiro, segundo GROPELLY e NIKBAKHT (1999, p.
364-365) é:

O processo de estimar a quantia necessária de


financiamento para continuar as operações de uma
companhia e de decidir quando e como a necessidade de
fundos seria financiada. Sem um procedimento confiável
para estimar as necessidades de financiamento, uma
companhia pode acabar não tendo fundos suficientes para
pagar seus compromissos, tais como juros sobre
empréstimos, duplicatas a pagar, despesas de aluguel e as
despesas de luz e telefone. Uma companhia está
inadimplente se ela não é capaz de saldar suas obrigações
contratuais, como despesas de juros sobre empréstimos.
Portanto, a falta de um planejamento financeiro sólido pode
causar falta de liquidez e então a falência – mesmo quando
os ativos totais, incluindo ativos não circulantes, como
estoques, instalações e equipamentos, estão excedendo os
passivos.

Contudo, os planos financeiros são essenciais. Uma empresa não


conseguiria seguir no mercado sem um planejamento financeiro eficiente, pois
com isso a empresa consegue medir seus recursos financeiros e decidir se
investe ou se precisa de financiamentos.

3.2.2. Planejamento Financeiro de Longo Prazo


Segundo FIGUEREDO e GAGGIANO (1997, p. 75), “o planejamento
financeiro de longo prazo não é uma simples técnica, é uma tentativa sistemática
de planejar o comportamento da organização em um longo prazo e uma tentativa
de aumentar o crescimento dos lucros da empresa.”

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Os planos operacionais podem ser desenvolvidos para qualquer período


de tempo, mas a maioria das empresas utiliza o período de cinco anos. Este é
mais detalhado para o 1º ano, a partir daí tornam-se menos específicos. O plano
deve fornecer um guia de implementação com base na estratégia da empresa,
para que se possa alcançar os objetivos desejados. O plano explica em detalhes
quem é responsável por qual função, para quando as tarefas específicas devem
ser executadas e assim por diante.
O processo de planejamento financeiro segundo BRIGHAM (2001, p.
533-534) pode ser decomposto em seis passos:

1. Estabelecer um sistema de demonstrações financeiras


projetadas que possam ser usadas para analisar os efeitos do
plano operacional sobre os lucros projetados e vários índices
financeiros. Esse sistema serve para monitorar as operações
depois que o plano tenha sido finalizado e colocado em atividade.
2. Determinar os fundos necessários para suportar o plano de
cinco anos. Isso inclui fundos para a fábrica e equipamentos, bem
como para estoque e contas a receber.
3. Prever a disponibilidade de fundos durante os próximos cinco
anos. Isso envolve estimar os fundos a serem gerados
internamente bem como aqueles a serem obtidos de fontes
externas.
4. Estabelecer e manter um sistema de controles governando a
alocação e o uso dos fundos dentro da empresa, mas, isso
envolve ter certeza que o plano básico está sendo realizado de
forma apropriada.
5. Desenvolver procedimentos de ajuste do plano básico se as
previsões econômicas sobre as quais o plano foi baseado não se
materializarem. Por exemplo, se a economia torna-se mais forte
do que foi previsto, então essas novas condições devem ser
reconhecidas e refletidas em esquemas de produção mais altos.
6. Estabelecer um sistema de remuneração para a administração
com base no desempenho. É importante que um sistema como
esse recompense os administradores por estarem fazendo aquilo
que os acionistas querem que eles façam.

3.2.3. O Fluxo de Caixa – uma ferramenta essencial para o Planejamento


financeiro
ZDANOWICZ (2002, p. 19-23) identifica o fluxo de caixa com sendo:

Uma ferramenta importante para o administrador financeiro, pois


permite planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os

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recursos financeiros de uma empresa para determinado período.


É também o instrumento que relaciona o futuro conjunto de
ingressos e desembolsos de recursos financeiros pela empresa
em determinado período. É o instrumento utilizado pelo
administrador financeiro com o objetivo de apurar o somatório de
ingressos e desembolsos financeiros da empresa, em
determinado momento, prognosticando assim se haverá
excedentes de escassez de caixa, em função do nível desejado
pela empresa.

É através do fluxo de caixa que o administrador financeiro pode tomar


suas decisões, por meio de entradas e saídas de caixa verifica-se a necessidade
ou não de recursos.
Portanto, no processo de planejamento é imprescindível a projeção do
fluxo de caixa. Esta é a 1ª etapa para o planejamento, as empresas que o
utilizam raramente fracassam. É essencial para planejar e controlar suas
atividades operacionais. As dificuldades das empresas que utilizam o
planejamento para elaborar o fluxo de caixa serão menores, pois se elas
soubessem, no início de cada período, quais as necessidades ou excedentes de
recursos financeiros, poderá antecipar suas tomadas de decisões mais
adequadas e solucionar seus problemas de caixa.
No planejamento financeiro, com a utilização do fluxo de caixa pode-se
ter uma base de dados mais concisa, devido este ser real. No fluxo de caixa
estão contidos todos os orçamentos da empresa, inclusive o de longo prazo,
dessa forma o planejamento financeiro é mais completo e confiante para a
tomada de decisões futuramente.
Através do fluxo de caixa o administrador financeiro concilia a
manutenção da liquidez e do capital de giro da empresa, objetivando a
maximização dos lucros sobre os investimentos realizados pelos acionistas.

3.3. Administração do capital de giro na gestão financeira


Para ASSAF e SILVA (1997, p. 13), “o capital de giro é importante no
desempenho operacional das empresas, cobre mais da metade dos ativos
investidos.”
Se a administração do capital de giro não for adequada poderá causar
sérios problemas financeiros, contribuindo para o endividamento da empresa.
É importante ressaltar que a administração do capital de giro trata apenas
dos ativos e passivos correntes como decisões interdependentes. Dessa forma,
os ativos correntes na gestão financeira das empresas são importantes para
viabilizar financeiramente seus negócios e contribuir para o retorno do
investimento realizado.

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A importância e o volume do capital de giro para uma empresa são


determinados pelo volume de vendas, sazonalidades dos negócios, fatores
cíclicos da economia, tecnologia e políticas de negócios.
A administração do capital de giro está inserida na decisão das finanças
das empresas que permite entender melhor como as organizações geram,
aplicam e gerenciam seus recursos financeiros. São regras com o objetivo de
preservar a saúde financeira da empresa.
Segundo ASSAF e SILVA (1997, p. 14), “o termo giro refere-se aos
recursos correntes (curto prazo) da empresa, geralmente identificados como
aqueles capazes de serem convertidos em caixa no prazo mínimo de um ano. A
delimitação de um ano costuma ser seguida por empresas cujo ciclo de
produção-venda-produção ultrapasse caracteristicamente este prazo (estaleiros,
atividade rural etc), prevalecendo nesta situação o ciclo operacional para se
definirem os recursos correntes.”
Segundo BODIE e MERTON (1999, p. 420), na maioria dos negócios, é
preciso:

Usar dinheiro para cobrir as despesas antes que quaisquer


quantias em dinheiro sejam coletadas pela venda dos produtos da
empresa. Como resultado, um investimento típico que a empresa
faz em ativos, como estoques e contas a pagar. A diferença entre
esses ativos e passivos circulantes é chamada de capital de giro.
Se a necessidade que uma empresa tem de capital de giro for
mais permanente do que sazonal, ela geralmente procura
financiamento de longo prazo para tanto. As necessidades de
financiamento sazonais são atendidas através de acordos de
financiamento a curto prazo, como empréstimos bancários.

O capital de giro pode alavancar ou impedir o crescimento da empresa,


isso vai depender da forma como for analisado e quais as decisões adequadas
para manter o equilíbrio de caixa. O instrumento mais utilizado dentro das
empresas para gerenciar o capital de giro é o fluxo de caixa, tanto
estrategicamente, quando suporta tomada de decisões, quanto taticamente,
quando ligado ao horizonte mais restrito.

3.3.1. Fatores que influenciam as dificuldades no Capital de Giro de Uma


Empresa
Segundo fonte da TELÓ (Revista FAE 2001, p. 24-25), “os fatores mais
importantes que influenciam as dificuldades de capital de giro numa empresa
são: redução de vendas, crescimento da inadimplência, aumento das despesas
financeiras e aumento de custos. Dentre esses fatores, pode-se dizer que o mais

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freqüente dos problemas de capital de giro é uma redução de vendas, devido à


falta de capital.”
Mas, há algumas alternativas que podem solucionar a questão da crise
de capital de giro que são:
1. formação de reserva financeira – com uma reserva financeira podem
ser enfrentadas mudanças inesperadas nas finanças da empresa. Para
se formular a reserva financeira dependerá do grau de proteção que a
empresa deseja para o capital de giro. Portanto, devido à alta volatilidade
da economia brasileira, a formação de reserva financeira para o capital
de giro deveria ser a prioridade econômica fundamental da empresa.
Além disso, os recursos destinados a essa reserva seriam aplicados no
mercado financeiro, onde as taxas de juros têm sido maiores do que a
taxa de rentabilidade do capital fixo;
2. encurtamento do ciclo econômico – é o tempo necessário à
transformação dos insumos adquiridos em produtos ou serviços – assim
sua necessidades de capital de giro se reduzem. Para a indústria esse
encurtamento é um menor tempo de produzir e vender. No comércio, um
giro mais rápido dos estoques. Em serviços, significa trabalhar com um
cronograma mais curto para executar os serviços. Mas essa alternativa
requer o apoio de funções como produção e operação logística;
3. controle da inadimplência – quando a inadimplência é resultado de
práticas de crédito inadequadas estabelecidas pela própria empresa, a
solução é dar mais atenção à qualidade das vendas, e no caso das
vendas a crédito, será viável reduzir os prazos de pagamentos
concedidos aos clientes;
4. não se endividar a qualquer custo – não é recomendável empréstimo
de curto prazo, de primeiro momento pode resolver o problema imediato
de caixa da empresa, mas cria-se um novo problema – seu pagamento.
Dessa maneira, captar recursos de terceiros não seria viável a curto
prazo;
5. alongar o perfil de endividamento – tentar negociar um prazo maior
para o pagamento das dívidas, é uma forma de adiar as saídas de caixa
e melhorar o capital de giro. Essa melhora provisória precisa ser
suportada pela rentabilidade da empresa;
6. reduzir custos – a redução de custos não trazendo restrições às vendas
ou à execução das operações pode ser positivo para o capital de giro da
empresa. A empresa deverá identificar aqueles itens de gastos que
podem ser cortados sem prejuízos para as atividades da empresa;
7. substituição de passivos – essa política só pode ser aplicada às
empresas de grande porte, pois consiste em lançamentos de ações ou de

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títulos ao exterior. Para empresas de pequeno e médio porte a solução


seria novos sócios, mas este em último caso.
Dessa forma, os problemas de capital de giro podem ser contornados
com uma política adequada de planejamento financeiro e administração
adequada de recursos, visando à possibilidade de investimentos para
maximização da riqueza da empresa.

3.4. ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS


Para que o analista possa fazer uma análise das Demonstrações
Financeiras, precisa conhecer o sistema contábil, os conceitos, as ferramentas,
as contas de cada operação realizada nas diversas atividades da empresa e,
principalmente, saber estruturar essas demonstrações para uma análise mais
precisa.
SILVA (1990, p. 113) complementa sobre as análises da seguinte
maneira:
Entende-se por análise financeira e análise das informações
obtidas através das demonstrações financeiras, com o intuito de
avaliar a situação patrimonial, econômica e financeira da
empresa. Durante muito tempo, investidores e emprestadores de
dinheiro têm-se utilizado da análise dos índices financeiros com o
propósito de avaliarem a saúde financeira das empresas. Outros
usuários, externos ou internos à empresa, encontram nas
demonstrações financeiras valiosas informações para auxiliar seu
processo de tomada de decisão.

3.4.1. Métodos de Análises Vertical e Horizontal


Esses métodos são necessários para a análise dos índices financeiros e
o analista pode utiliza-los para a análise e dimensionamento do risco da
empresa.
Os objetivos da análise vertical/horizontal segundo MATARAZZO (1998,
p. 255), em termos genéricos são os seguintes:

● análise vertical: serve para mostrar a importância de cada


conta em relação à demonstração financeira a que pertence e,
através da comparação com padrões do ramo ou com
percentuais da própria empresa em anos anteriores, permitir
inferir se há itens fora das proporções normais;
● análise horizontal: serve para mostrar a evolução de cada
conta das demonstrações financeiras e, pela comparação entre
si, permitir tirar conclusões sobre a evolução da empresa.

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Portanto, a análise horizontal do balanço mostra para quais itens do ativo


a empresa precisa dar mais ênfase e de quais recursos adicionais se vem
valendo. Já na análise vertical se aplica na demonstração de resultado, pois toda
a atividade de uma empresa gira em torno das vendas.
Segundo SILVA (1990, p. 123), “as análises vertical e horizontal
aplicadas na Demonstração de Resultados, fornecem os sinais de mudanças na
estrutura e na evolução das receitas e das despesas, cabendo, portanto, ao
analista conjecturar e buscar as causas das variações, tendo em mente que
suas explicações têm de ser coerentes com a estrutura geral apresentada pelas
demonstrações financeiras.”

3.4.2. Índices Financeiros


Índice, segundo MATARAZZO (1998, p. 153-156), “é a relação entre
contas ou grupo de contas das Demonstrações Financeiras, que visa evidenciar
determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. Os
índices são as técnicas mais empregadas de análise. Estes servem de medida
dos diversos aspectos econômicos e financeiros de uma empresa”.
Dessa forma, o importante não é o cálculo de grande número de índices,
mas de um conjunto de índices que permita conhecer a situação da empresa, e
o administrador financeiro poder tomar a decisão correta.
Na visão de GITMAN (1984, p. 219), os índices financeiros podem ser
subdivididos em quatro grupos básicos:

Índice de liquidez, atividade, endividamento e lucratividade. Mas


para uma boa análise financeira incluem no mínimo, a
Demonstração do Resultado e o Balanço Patrimonial. Já os
elementos importantes a curto prazo são liquidez, atividade e
lucratividade, pois as informações em relação a operação da
empresa são mais críticas e a curto prazo. Dessa forma, a
empresa através desses índices poderá saber se sobreviverá a
curto prazo, e fazer um planejamento financeiro a longo prazo.

Os índices financeiros são de grande importância, mas antes de


determinar quais índices utilizar deve-se verificar quais as principais áreas de
interesse:
- liquidez: – a liquidez de uma empresa é medida pela capacidade de satisfazer
suas obrigações a curto prazo, na data de vencimento. As três medidas básicas
de liquidez são: o capital circulante líquido, o índice de liquidez corrente, índice
de liquidez seca.
- atividade: - são usados para medir a rapidez com que várias contas são
convertidas em vendas ou caixa. As medidas de atividade são: giro dos

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estoques, período médio de cobrança, período médio de pagamento e giro do


ativo total.
- endividamento: - indica o volume de dinheiro de terceiros que está sendo usado
para gerar lucros. Assim o grau de endividamento é medido através de duas
medidas: Índice de Participação de Terceiros e Índice Exigível Patrimônio
Líquido.
- Lucratividade: - é importante para a empresa, pois é através desta que a
mesma se torna lucrativa. As medidas para esse índice são: margem bruta,
margem operacional, margem líquida, retorno capital investido, retorno sobre o
patrimônio líquido, lucro por ação.

3.4.3. Estudo de caso da empresa Água Viva S.A..


A empresa Água Viva S.A., precisa fazer um planejamento financeiro e
administrar melhor o seu capital de giro, para isso utilizou-se os índices
financeiros, os quais auxiliarão na melhor alternativa para sua tomada de
decisão, buscando melhorar sua administração financeira. Para isso,
mostraremos a seguir como analisar e qual será o resultado através dos dados
do seu Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado do Exercício:
Quadro 1 - Projeção de Demonstrativo de Resultado do Exercício
(2005-2006)
DRE 2005 2006
Receita Bruta de Vendas 125.000,00 142.000,00
( - ) Devoluções/ Abatimentos 6.000,00 3.500,00
( - ) Impostos 10.000,00 10.500,00
( = ) Receita Líquida de Vendas 109.000,00 128.000,00
( - ) Custo das Mercadorias Vendidas 44.000,00 52.000,00
( = ) Lucro Bruto 65.000,00 76.000,00
( - ) Despesas Vendas 15.000,00 19.000,00
( - ) Despesas Financeiras/ Administrativas 10.700,00 13.800,00
( - ) Outras Despesas Operacionais 7.200,00 8.900,00
( + ) Outras Receitas Operacionais 8.600,00 9.600,00
( = ) Lucro ou Prejuízo Operacionais 40.700,00 43.900,00
( + ) Receitas não Operacionais 2.000,00 4.000,00
( - ) Despesas não Operacionais 8.000,00 7.500,00
( = ) Resultado Exerc. Antes Imposto Renda 34.700,00 40.400,00
( - ) Imposto de Renda e Cont. Social 25.000,00 28.340,00
( - ) Participação Lucros/ Contribuição p/ Instituições 7.345,00 8.650,00
( = ) Lucro ou Prejuízo do Exercício 2.355,00 3.410,00
Fonte: Adaptado de MATARAZZO (1998).
Quadro 2 - Projeção de Balanço Patrimonial (2005-2006)
ATIVO 2005 2006 PASSIVO 2005 2006
ATIVO CIRCULANTE 27.400,00 43.850,00 PAS. CIRCULANTE 9.850,00 18.900,00
Disponível 5.870,00 6.050,00 Fornecedores 2.050,00 3.800,00
Caixa e Bancos 670,00 850,00 Obrigações Sociais 1.330,00 6.750,00
Aplicações Financeiras 5.200,00 5.200,00 Obrigações Tributárias 2.320,00 6.200,00
REALIZ. C. PRAZO 21.530,00 37.800,00 Bancos Empréstimos 4.150,00 2.100,00
Clientes 10.100,00 25.200,00

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Estoq. Prod. Acabados 8.330,00 9.150,00 EXIG. LONGO PRAZO 11.000,00 8.150,00
Estoq. Matéria-prima 3.100,00 3.450,00 Bco Conta Emprést. 11.000,00 8.150,00
ATIVO PERMANENTE 13.950,00 12.850,00
Investimentos 3.500,00 3.500,00 PATRIMÔNIO LÍQ. 20.500,00 23.600,00
Imobilizados 10.450,00 9.350,00 Capital Social 15.500,00 20.000,00
Terrenos 2.500,00 2.500,00 Reserva Capital 3.600,00 -
Máqs/ Equipamentos 11.702,00 11.702,00 Lucros Acumulados 1.400,00 3.600,00
Depr. Máqs. Equip. (3.400,00) (4.380,00)
TOTAL ATIVO 41.350,00 50.650,00 TOTAL PASSIVO 41.350,00 50.650,00
Fonte: Adaptado de MATARAZZO (1998).

Foram projetados, ali o Balanço Patrimonial e a Demonstração de


Resultado do Exercício baseados nos dados do último exercício. O objetivo
principal da empresa para o próximo exercício é a rentabilidade e a estabilidade
financeira para seu negócio com o intuito de diminuir a participação de capital de
terceiros pois, a mesma, vem sofrendo problemas para melhorar o seu capital de
giro, devido às dívidas de curto prazo.
Portanto, serão utilizadas algumas ferramentas através dos índices que
serão calculados, abaixo, para a análise dos resultados dos dados do Balanço
Patrimonial e a Demonstração de Resultado do Exercício exemplificado acima.
Segue, então, as fórmulas para que possam ser realizadas as análises da
empresa, e assim atribuir um diagnóstico conforme esta necessita:
Quadro 3 Cálculos para a Análise dos Índices
Fórmulas 2005 2006
Capital de Terceiros
C. T. - P. Circ. + P. Exig. L. Prazo 20.850-9.850+11.000 = 107% 20.850 - 9.850 + 11.000 = 73%
Patrimônio Líquido 20.500 23.600
Liquidez Corrente
Ativo Circulante 27.400 = 2,78 43.850 = 2,32
Passivo Circulante 9.850 18.900
Liquidez Seca
Ativo Circulante - Estoques 27.400-11.430 = 1,62 43.850 - 12.600 = 1,65
Passivo Circulante 9.850 18.900
Giro do Ativo
Vendas 109.000 = 2,64 128.000 = 2,53
Ativo Total 41.350 50.650
Margem Líquida
Lucro Líquido 1.400 = 1,28% 3.600 = 2,81%
Vendas 109.000 128.000
Rentabilidade do Ativo
Lucro Líquido 2.355 = 5,7% 3.410 = 6,7%
Ativo Total 41.350 50.650
Rentabilidade do P. Líquido
Lucro Líquido 2.355 = 29% 3.410 = 14%
Patrimônio Líquido 24.300 24.600
Necessidade de Capital Giro -
Ativo Circ. Op. - Passivo Circ. Op. 37.800 – 16.750 = 21.050
Fonte: Adaptado de MATARAZZO (1998).

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3.4.3.1. Análise dos resultados dos índices acima


Observando os índices acima, podemos mostrar o seguinte resultado:
Quadro 4 - Análise dos Índices
200
Índices 5 2006 Análise Resultados
Esse índice mostra que a empresa tomou R$
107,00 de capital de terceiros em 2005 para
Capital de 107 cada R$ 100,00 de capital próprio. Para 2006,
Terceiros % 73% a estimativa é de R$ 73,00 para cada R$
100,00 de capital próprio, nesse caso a
empresa está diminuindo a dependência de
capital de terceiros.
Os índices indicam que a empresa tinha em
2005, 47% de suas dívidas a curto Prazo, para
2006 a previsão é de 70%, aumentando o
Endividamento 47% 70% endividamento da empresa, isso poderá
prejudicar a empresa na qual terá que tomar
mais empréstimos a longo prazo.
Em 2005 a empresa investiu em Ativo
Imobilização 68% 54% Permanente cerca de 68% do Patrimônio
Patrimônio Líquido, para 2006 a estimativa será de 54%.
Mostra nesses índices que a empresa destinou
Imobilização 44% dos recursos correntes em 2005 ao Ativo
Recursos não 44% 40% Permanente, para 2006 esse índice indica
Correntes redução para 40%.
Esse índice mostra que para R$ 1,00 de dívida,
em 2005 a empresa possuía R$ 2,35 de
investimentos realizáveis a curto prazo, ou
seja, ela consegue pagar todas as suas dívidas
Liquidez Geral 2,35 3,02 e ainda dispõe de uma folga financeira de
135%, isso ocorre graças ao capital circulante
próprio. Para 2006 esse índice irá para 28% a
mais, ou seja, 202% de folga financeira.
Portanto, observa-se que a folga financeira, ou
seja, o capital circulante líquido foi de 178% em
Liquidez Corrente 2,78 2,32 2005, mas para 2006 será de 132%, redução
de 46% devido às dívidas de curto prazo.
A empresa conseguiu pagar suas dívidas e
ainda sobrou capital em 2005, e para 2006
esse índice tende a melhorar. Portanto, a
Liquidez Seca 1,62 1,65 empresa estará em boas condições para o
próximo exercício.
Giro do Ativo 2,64 2,53 A empresa vendeu em 2005, R$ 2,64 para
cada R$ 1,00 investido: o volume de vendas

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atingiu 2,64 vezes o volume de investimentos.


Para 2006 haverá uma leve queda no volume
de vendas, para cada R$ 1,00 que será
investido, a empresa venderá R$ 2,53.
Para cada R$ 100,00 vendidos, a empresa
2,2 obteve em 2005, 2,2% de lucro, para 2006 a
Margem Líquida % 2,7% previsão é de 2,7%, começará o aumento do
lucro a partir deste exercício.
Para cada R$ 100,00 investidos, a empresa
ganhou R$ 5,70 em 2005, para 2006 os índices
Rentabilidade do 5,7 indicam um considerável aumento da
Ativo % 6,7% rentabilidade de R$ 6,70, para cada R$ 100,00
investidos, a tendência será um aumento da
renda da empresa para os próximos exercícios.
Para cada R$ 100,00 de capital próprio
investido, a empresa conseguiu R$ 29,00 de
lucro em 2005. Portanto, a taxa de 29% é
superior ao que oferecem os títulos de
mercado que chegam em torno de 6%. Isso
Rentabilidade do significa que a empresa teve uma boa
Patrimônio 29% 14% rentabilidade neste período e foi positiva. Para
Líquido 2006, haverá uma queda acentuada na
rentabilidade da empresa. Mas ainda está
acima das taxas de rendimentos dos títulos de
mercado. Essa queda é devido as oscilações
por causa dos pagamentos de dividendos e
integralizações de capital.
Necessidade de 21.050, A empresa cobre suas dívidas e ainda fica com
Capital de Giro - 00 folga financeira.
Fonte: Adaptado de MATARAZZO (1998).

Conforme análise dos resultados acima, podemos dizer que a empresa


deve tomar mais cuidado com suas dívidas a curto prazo, pois a tendência para
o próximo exercício é o aumento. Portanto, a empresa terá que captar recursos
a longo prazo para que assim possa elevar seus investimentos e ter caixa
disponível para possíveis eventualidades. Mas, por outro lado observa-se um
aumento nos lucros e consequentemente também em sua renda. A empresa
poderá ter dificuldades em suas vendas, mas a situação está favorável para
2006.

4 CONCLUSÕES

No decorrer desta pesquisa, pode-se constatar que uma administração


financeira eficiente contribui para o crescimento da empresa, principalmente se

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os administradores tiverem as ferramentas corretas de análise. Portanto, pode-


se dizer que através das análises sobre índices financeiros chega-se ao objetivo
principal que é o controle financeiro, através do capital de giro suficiente para
suprir as necessidades de caixa. Dessa forma, dificilmente a empresa terá
dificuldades ou o aumento de suas dívidas.
Atualmente, conforme o cenário da economia apresenta, percebe-se que
as empresas que chegam ao endividamento, nem sempre é devido às forças de
mercado, a maioria não consegue sobreviver por falta de administradores com
visão de analistas, os quais poderão desenvolver um planejamento financeiro
adequado de curto e longo prazos. Com essa ferramenta importante equilibram o
caixa da empresa podendo evitar o seu endividamento.
O planejamento financeiro bem elaborado pode contribuir para o sucesso
da empresa, porém isso só é possível se forem tomadas medidas inteligentes e
criativas com o propósito de encantar o cliente com seu produto e trabalhar a
margem de lucro sobre as vendas. Outro método eficaz é otimizar sua equipe
administrativa, pois com um pessoal altamente qualificado, a empresa
conquistará boas oportunidades frente à concorrência, possibilitando negócios
mais rentáveis.
O objetivo de toda diretoria de uma empresa hoje, não deve estar
totalmente ligado ao lucro, esta visão ficou no passado, observa-se que as
empresas estão buscando renda, equilíbrio em suas contas e estabilidade
futuras. Por isso, a utilização dessas ferramentas de análise com o objetivo de
auxiliar os administradores para que possam tomar as decisões corretas e
usufruir de um resultado futuramente compensador é de fundamental
importância.
Contudo, as empresas deverão observar os instrumentos utilizados para
a análise das suas finanças para que não tenham dificuldades a longo prazo,
mantendo seus negócios viáveis e procurando por novos segmentos.
Acreditamos que com a consistência das análises, os benefícios desejados pelos
empresários poderão ser alcançados.
Os empresários estão procurando eficácia em seus processos de
produção, cortando custos e investindo em informação, buscando por programas
integrados que possam trazer o mínimo possível de erros, onde os dados sejam
seguros e objetivando resultados reais. Assim, as análises financeiras podem
mostrar a realidade da empresa, com os índices esses empresários tomam as
decisões corretamente e conseguem se manter no mercado mesmo com uma
concorrência significativa.
As empresas devem observar seus índices e através disso conhecer
melhor suas finanças para que quando se depararem com as dificuldades,
determinarem quais as melhores ferramentas a utilizar e como analisar a

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alocação dos seus recursos. Isso para, naquele momento, ter o cuidado de não
possibilitar uma crise no futuro.
O caminho para não gerar um endividamento e consequentemente a
falência é planejar e organizar os recursos financeiros. Há essa possibilidade,
mesmo com lucros menores, pois só com essa técnica as empresas conseguirão
aumento em suas rendas e crescimento perante a concorrência. Não
necessitarão de fechar as portas de seus estabelecimentos como exemplo que
nos deparamos todos os dias, sendo que só faltava para estes um planejamento
financeiro.

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