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II. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO

O abastecimento de uma instalação predial de água fria pode ser feito pela
rede pública ou por uma fonte particular como as nascentes ou lençol subterrâneo.
A utilização da rede pública é sempre preferencial em função de a água ser
potável, e receber controle do padrão de potabilidade estabelecido pela Portaria
518/2004 do Ministério da Saúde, o que pode não ocorrer em relação as outras
fontes de abastecimento.
A água não potável pode abastecer parcialmente um sistema de água fria,
desde que sejam tomadas precauções para que as duas redes não se conectem,
evitando a chamada conexão cruzada. A água não potável pode ser utilizada para
atender a limpeza das bacias, mictórios, combate a incêndio, lavagem de pisos, etc.
O sistema de água não potável deve ser totalmente independente daquele de água
potável e deve conter avisos alertando a não potabilidade.

2.1 Sistema Direto de Distribuição


A alimentação da rede interna de distribuição é feita diretamente pelo
alimentador predial, ou seja, é efetuado diretamente da rede pública e, portanto, sem
reservatórios. Esta modalidade requer abastecimento público com continuidade,
abundância e pressão suficiente. O sistema direto é uma continuidade da rede
pública, sendo a distribuição ascendente. Através deste sistema, a alimentação dos
aparelhos, torneiras e peças da instalação predial é feita diretamente através da
rede de distribuição, conforme mostra a Figura 2.1.
Pode-se citar como vantagens:
 Água de melhor qualidade devido a presença de cloro residual na rede
de distribuição;
 Maior pressão disponível devido a pressão mínima de projeto em
redes de distribuição pública ser da ordem de 15 mca e,
 Menor custo da instalação, não havendo necessidade de reservatórios,
bombas, registros de bóia, etc.
As desvantagens deste sistema são:
 Falta de água no caso de interrupção no sistema de abastecimento
ou de distribuição;
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 Grandes variações de pressão ao longo do dia devido aos picos de


maior ou de menor consumo na rede pública;
 Pressões elevadas em prédios situados nos pontos baixos da cidade;
 Limitação da vazão, não havendo a possibilidade de instalação de
válvulas de descarga devido ao pequeno diâmetro das ligações
domiciliares empregadas pelos serviços de abastecimento público;
 Possíveis golpes de aríete e,
 Maior consumo (maior pressão).

Figura 2.1: Abastecimento direto

Fonte: Carvalho Júnior (2009)


No sistema direto de um edifício todas as peças de utilização são ligadas
diretamente à rede pública, através de uma rede de distribuição como apresentado
na Figura 2.2.
Figura 2.2: Exemplos de sistema direto de um edifício.
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2.2 Sistema Indireto de Distribuição


Utilizam-se reservatórios internos, comuns ou pressurizados, de modo a
garantir a regularidade do abastecimento. Este sistema que a rede pública ao invés
de dimensionada para a descarga máxima seja projetada para atender à descarga
média. A alimentação dos aparelhos, das torneiras e peças da instalação é feita por
meio de reservatórios. Há duas possibilidades: por gravidade e hidropneumático.

2.2.1 Distribuição por Gravidade


A distribuição é feita através de um reservatório superior que por sua vez é
alimentado, diretamente pela rede pública ou por um reservatório inferior, conforme
mostra a Figura 2.3.

Figura 2.3 Abastecimento indireto por gravidade

Fonte: Carvalho Júnior (2009)

No sistema indireto de um edifício a rede de distribuição é alimentada a


partir do reservatório superior como é mostrada na Figura 2.4.
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Figura 2.4: Exemplos de sistemas indiretos em edifícios.

2.2.2 Distribuição por Sistema Hidropneumático


A escolha por um sistema hidropneumático para distribuição de água
depende de inúmeros fatores, destacando-se os aspectos arquitetônicos e
estruturais, facilidade de execução e instalação das canalizações e localização do
reservatório inferior. Muitas vezes, torna-se mais conveniente a distribuição de água
por meio de um sistema hidropneumático, dispensando-se o uso do reservatório
superior. Além dos fatores anteriormente mencionados, uma análise econômica, que
leve em conta todos os custos das partes envolvidas, fornecerá os elementos
necessários para a escolha definitiva do sistema predial de distribuição de água. A
Figura 2.5 mostra um esquema de uma distribuição hidropneumática.

Figura 2.5: Abastecimento indireto hidropneumático.

Fonte: Carvalho Júnior (2009)


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O sistema hidropneumático é constituído por uma bomba centrífuga, um


injetor de ar e um tanque de pressão. Além desses componentes principais, o
sistema e automatizado por meio do uso de um pressostato. Os aparelhos existentes
na prática variam de acordo com o fabricante, porém, o funcionamento difere muito
pouco. A bomba, com características apropriadas, recalca água (geralmente de um
reservatório inferior) para o tanque de pressão.
Entre a bomba e o tanque de pressão, localiza-se o injetor de ar
(normalmente um Venturi) que aspira ar durante o funcionamento da bomba e o
arrasta para o interior do tanque de pressão. O ar é comprimido na parte superior do
tanque até atingir a pressão máxima, quando a bomba é desligada,
automaticamente pela ação do pressostato. Tem-se, como resultado, um colchão de
ar na parte superior do tanque, cujo volume varia com a pressão existente. Quando
a água é utilizada em qualquer ponto de consumo, a pressão diminui, com
consequente expansão do colchão de ar, até que a pressão mínima seja atingida,
quando pela ação do pressostato, a bomba é ligada.
O ciclo de funcionamento do sistema compreende o intervalo de tempo
decorrido entre dois acionamentos de “liga” da bomba. Conhecendo-se o ciclo de
funcionamento, é possível calcular o número médio de partidas da bomba por hora.
De acordo com a NBR 5626, a instalação elevatória deve operar, no máximo, seis
vezes por hora. A Figura 2.6 apresenta um esquema da instalação de um sistema
hidropneumático.
Figura 2.6: Esquema da instalação de um sistema hidropneumático.
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Na Figura 2.7 é apresentado o esquema do funcionamento de um sistema


hidropneumático. É possível verificar a existência de dois barriletes, um inferior e
outro superior na distribuição de água.

Figura 2.7: Esquema de sistema hidropneumático.

A operação de um sistema hidropneumático depende da pressão no interior


do tanque de pressão, conforme mostra a Figura 2.8. Nota-se uma variação da
pressão de 280 para 140 kPa quando o volume de água é reduzido de 73,2 para
57,7% (15,5%). Assim que o volume de água diminui, o ar expande, ocupando o
espaço adicional, caso a pressão de acionamento da bomba seja inferior a 140 kPa
(1,4 atm).
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Figura 2.8: Variação do nível de água no tanque de pressão

Pode-se citar como vantagens dos sistemas de distribuição indireta:


 Fornecimento de água de forma contínua, pois em caso de
interrupções no fornecimento, tem-se um volume de água assegurado
no reservatório;
 Pequenas variações de pressão nos aparelhos ao longo do dia;
 Permite a instalação de válvula de descarga;
 Golpe de aríete desprezível e,
 Menor consumo que no sistema de abastecimento direto.

São elencadas como desvantagens do sistema:


 Possível contaminação da água reservada devido à deposição de
lodo no fundo dos reservatórios e à introdução de materiais
indesejáveis nos mesmos;
 Menores pressões, no caso da impossibilidade da elevação do
reservatório e,
 Maior custo da instalação devido a necessidade de reservatórios,
registros de bóia e outros acessórios.

2.3 Sistema Misto


Trata-se de uma combinação dos dois sistemas mencionados, ou seja, parte
da instalação é ligada diretamente à rede pública, enquanto a outra, ao reservatório
predial. A Figura 2.9 mostra a torneira do jardim e a torneira do tanque recebem
água diretamente da rede pública. As demais peças são alimentadas pelo
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reservatório localizado acima da laje da residência, o qual por sua vez, é alimentado
pelo alimentador predial.
Vantagens:
 Água de melhor qualidade devido ao abastecimento direto em
torneiras para filtro, pia e cozinha e bebedouros;
 Fornecimento de água de forma contínua no caso de interrupções no
sistema de abastecimento ou de distribuição e,
 Permite a instalação de válvula de descarga.

Observação: Geralmente em residências, sobrados, as pias de cozinha, lavatórios,


chuveiros, têm duas torneiras: uma delas, abastecida pela rede pública e a outra,
pelo reservatório. A Norma recomenda como mais conveniente, para as condições
médias brasileiras, o sistema de distribuição indireta por gravidade, admitindo o
sistema misto (indireto por gravidade com direto) desde que apenas alguns pontos
de utilização, como torneira de jardim, torneiras de pias de cozinha e de tanques,
situados no pavimento térreo, sejam abastecidos no sistema direto. A utilização dos
sistemas de distribuição direta ou indireta hidropneumática deve ser
convenientemente justificada.

Figura 2.9: Sistema misto de distribuição.

Fonte: Carvalho Júnior (2009)


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2.4 Estimativa de consumo diário (CD)


O consumo de água pode variar muito, dependendo da disponibilidade de
acesso ao abastecimento e de aspectos culturais da população, entre outros. A faixa
de consumo de água por pessoa pode variar de 150 litros a 400 litros por dia. Sabe-
se quando utilizado racionalmente a água são necessários 200 litros por dia por
habitante para viver confortavelmente.
Na ausência de critérios e informações para calcular o consumo diário de
uma edificação, utilizam-se a Tabela 2.1 que fornece dados que possibilitam a
estimativa do consumo diário de qualquer tipo de edificação.

Tabela 2.1: Estimativa de Consumo Diário (*)


PRÉDIO CONSUMO LITROS/DIA
Alojamentos provisórios 80 per capita
Ambulatórios 25 per capita
Apartamentos 200 per capita
Casas populares ou rurais 120 a 150 per capita
Cavalariças 100 por cavalo
Cinemas e Teatros 2 por lugar
Creches 50 per capita
Edifícios públicos ou comerciais 50 a 80 per capita
Escolas – externatos 50 per capita
Escolas – internatos 150 per capita
Escolas – semi-internatos 100 per capita
Escritórios 50 per capita
Garagens 100 por automóvel
Hotéis (s/cozinha e s/lavanderia) 120 por hóspede
Hotéis (c/cozinha e lavanderia) 250 a 350 por hóspede
Jardins 1,5 por m2
Lavanderias 30 por kg de roupa seca
Matadouros-Animais de grande porte 300 por cabeça abatida
Matadouros-Animais de pequeno porte 150 por cabeça abatida
Mercados 5 por m de área
Oficina de costura 50 per capita
Orfanatos, asilos, berçários 150 per capita
Postos de serviço p/ automóveis 150 por veículo
Quartéis 150 per capita
Residências 150 per capita
Restaurantes e similares 25 por refeição
Templos 2 por lugar
(*) Os valores citados são estimativos, devendo ser definido o valor adequado a cada projeto
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Exercício resolvido
2.1: Determinar o consumo diário (CD) necessário para o atendimento de edifício
residencial constituído de 10 pavimentos tipo, contendo 3 apartamentos por
pavimento e 5 pessoas por apartamento. O consumo per capita é obtido na Tabela
2.1.
apto hab L
CD = 10 pav ⋅ 3 ⋅5 ⋅ 200
pav apto hab ⋅ dia
L m3
CD = 30000 ou 30
dia dia

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