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conteúdo a seguir foi retirado originalmente do blog National Public Radio 13.7: Cosmos and
Culture e foi traduzido do Inglês original por um serviço de tradução.

Marcelo Gleiser, Já basta com esta "Teoria de Tudo" NPR 13.7: Cosmos & Culture. August 28,
2013, http://www.npr.org/sections/13.7/2013/08/28/216095888/enough-already-with-this-
theory-of-everything

Na semana passada, escrevi sobre alguns dos temas do meu livro “A Tear at the Edge of
Creation” (Uma lágrima no limite da criação, em tradução livre). Hoje, quero mencionar
brevemente as razões pelas quais uma assim chamada "Teoria de Tudo" (TOE, por suas iniciais
em inglês) é uma impossibilidade. Temos que acabar com essa ideia de uma vez por todas.

Primeiro, deixe-me dizer o que uma TOE realmente significa. Ela não é realmente uma teoria de
"tudo". Não inclui biologia, geologia, psicologia ou ciências sociais em geral. Ela nem sequer
inclui química, embora alguns físicos possam (erradamente) dizer que a química esteja contida
na física. Uma TOE foca-se em explicar a composição material do Universo em seu nível mais
fundamental e como essas partes de coisas interagem umas com as outras.

"Material" aqui deve ser compreendido amplamente para incluir não apenas as partículas de
matéria, como elétrons e quarks, mas também as partículas que transmitem as forças entre
partículas de matéria, como o fóton (a partícula da luz, responsável pelas forças
eletromagnéticas). Há outras, mas isso não vem ao caso.

Uma TOE presumivelmente também incluirá mais tipos misteriosos de coisas, como a elusiva
matéria escura (que não é feita de átomos comuns como nós) e a energia escura (um meio
como o éter que preencha o espaço e é responsável por acelerar a expansão do Universo).

Uma TOE combinaria partículas de matéria, partículas de força, matéria escura e energia escura
em uma única teoria descrevendo todas as quatro forças como manifestações de uma única
força. Não vemos essa unidade porque ela só se manifesta em energias extremamente altas,
muito além do que podemos perceber, mesmo com nossos equipamentos mais poderosos. As
quatro forças são como quatro rios que se juntam a montante para se tornarem três, depois
juntam-se novamente mais acima para se tornarem dois e, finalmente, juntam-se mais uma vez
para se tornarem um único rio na Fonte de tudo. Nessa analogia do rio, os físicos que buscam
uma TOE são como os canoístas remando rio acima, em direção à Fonte.

Culturalmente, não há dúvida de que o impulso em unificar segue de mãos dadas com a noção
de unidade encontrada em crenças monoteístas pré-científicas. Na fé judaico-cristã, o único
Deus é responsável por tudo e está além do espaço e do tempo no esplendor sobrenatural.
Mesmo que a maioria dos físicos que buscam uma TOE não sejam crentes, eles são herdeiros
dos antigos ideais platônicos de simetria e simplicidade matemática, os quais mais tarde foram
traduzidos, em particular por São Tomás de Aquino, como atributos da mente de Deus. Não é
de se admirar que a imagem de "conhecer a mente de Deus" continue aparecendo em textos
populares de física, sendo o mais famoso em “Uma Breve História do Tempo”, de Stephen
Hawking.

Não haveria nada de errado nisso se a noção de uma TOE fizesse sentido. Mas não faz.

Tenha em mente que as teorias físicas são impulsionadas por dados, com base em um processo
meticuloso de validação empírica: qualquer hipótese deve ser provada por experimentos antes
de ser aceita. E mesmo quando ela é aceita, e a hipótese é ocasionalmente elevada ao nível de
uma "teoria", como na teoria geral da relatividade, essa aceitação é sempre temporária. Uma
teoria física só pode ser provada errada, nunca correta, pelo menos em qualquer sentido
permanente. Isso ocorre porque toda teoria está necessariamente incompleta, sempre pronta
para atualizações, à medida que aprendemos mais sobre o mundo físico.

O que podemos dizer sobre a Natureza depende de como a medimos; a precisão e o alcance de
nossos instrumentos ditam o quanto "longe" podemos ver. Como consequência, nenhuma
teoria que tenta unificar o conhecimento atual pode ser seriamente considerada uma teoria
"final" ou uma TOE, já que nunca podemos ter a certeza de que não estamos esquecendo uma
grande evidência.

Em outras palavras, nossa visão míope sempre perene da Natureza impede que qualquer teoria
seja completa. A natureza não se importa com o que achamos das nossas ideias.

O melhor que podemos fazer, e que devemos fazer, é continuar procurando por explicações
mais abrangentes dos fenômenos naturais, possivelmente até mesmo alcançando algum nível
de unificação à medida que avançamos (a história da física tem algumas, como a teoria da
gravidade de Newton que reuniu os movimentos terrestres e celestes, e o eletromagnetismo
que, na ausência de fontes como cargas e correntes elétricas, mostra uma bela unificação entre
eletricidade e magnetismo).

No entanto, mesmo se tivermos sucesso na construção de uma teoria unificada das quatro
forças conhecidas (uma proposta difícil de acreditar nos dias de hoje, dada a falta de suporte
observacional após quatro décadas), será apenas uma unificação temporária e incompleta,
nunca uma TOE ou teoria "final".

A ciência, mesmo em seu nível mais fundamental, é um processo de descoberta contínuo que
se alimenta de nós nunca termos todas as respostas.