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A frustração de discutir com os cristãos.

por Bob Seidensticker

Eu discuto com os cristãos no meu blog e na vida real. É um processo frustrante,


mas aqui vai uma comparação para ilustrar o problema: cristãos falam sobre como
Deus age em nossa realidade como um médico medieval falaria sobre terapia com
sanguessugas.

Imagine tal conversa entre um ocidental moderno e um médico medieval:

Médico medieval - "As sanguessugas são uma maneira importante de corrigir o


desequilíbrio nos humores corporais. Por exemplo, elas podem curar a pneumonia.”

Ocidental moderno - “Como você sabe?”

Médico medieval - “Isto vem de Galeno ( médico romano que viveu entre os séculos II
e III D.C.)! De qualquer forma, eu tive pneumonia no inverno passado, fiz um
tratamento com sanguessugas e olhe para mim agora.”

Ocidental moderno - “Como você sabe que as sanguessugas foram parte da cura? Talvez
você mesmo já tivesse se curado. Talvez as sanguessugas te prejudiquem, e você
ficou bem apesar delas.”

Você pode imaginar como isso continuaria. O médico defenderia a tradição. Ele
citaria outros relatos de supostas curas. Ele poderia explicar a teoria dos quatro
humores na medicina hipocrática. Ele poderia dizer que é assim que eles fazem as
coisas ali, e você deve manter o seu nariz fora dela. Ele poderia dizer que
sanguessugas só encaminham as coisas na direção certa, não que elas são uma cura
garantida. Ele poderia exigir que você provasse que as sanguessugas são inúteis ou
prejudiciais; e assim por diante.

Antes de balançar a cabeça diante da superficialidade do pensamento de nossos


ancestrais medievais, lembre-se de que eles pelo menos tinham uma desculpa. A
ciência moderna não existia e, portanto, ninguém conhecia os benefícios de testar
hipóteses e seguir evidências. Fica mais intrigante quando você compara isso com
uma discussão com um cristão hoje:

Cristão - "Deus responde às orações."

Cético - "Como você sabe?"

Cristão - "Está na Bíblia! Veja bem, permaneci desempregado por meses no ano
passado, e a situação financeira estava ficando desesperadora, mas então eu orei
sobre isso. Consegui um ótimo trabalho duas semanas depois."

Cético - "Como você sabe que Deus estava envolvido? Se era Deus, por que demorou
duas semanas? Você não deveria ter ouvido o telefone tocar com a oferta de trabalho
logo depois de ter dito 'Amém'? Talvez tenha sido todo o trabalho que você teve
buscando emprego que finalmente deu resultado."

Você pode imaginar como isso continuaria. O cristão defenderia a tradição. Ele
forneceria relatos de orações respondidas. Ele poderia explicar como e por que a
oração funciona. Ele poderia dizer que é assim que eles fazem as coisas ali, e você
deveria manter o seu nariz fora disso. Ele poderia dizer que Deus tem sua própria
maneira perfeita de fazer as coisas, e não que a oração sempre funciona como você
gostaria que fosse. Ele pode exigir que você prove que as orações não são
respondidas ou que Deus não existe e assim por diante.

Infelizmente, oração é apenas o começo da história. Você pode ter conversas


medievais semelhantes hoje sobre a mão de Deus em eventos políticos atuais ou
desastres naturais, sobre Deus dirigindo a vida dos cristãos ou ao lado deles
durante as dificuldades, sobre a Bíblia sendo tão notável que só a inspiração
divina explica e assim por diante. Embora essas afirmações sejam geralmente
declaradas com confiança, elas não são apoiadas por evidências convincentes.

Evidência não importava muito para o médico medieval, mas deveria ser importante
para um cristão de hoje, vivendo na sociedade do século 21 e com uma educação
moderna. O problema é que somos os mesmos seres supersticiosos com cérebros
imperfeitos que éramos há mil anos atrás. E se formos doutrinados como crianças,
nosso intelecto adulto geralmente estará focado em defender nossa postura, não
questioná-la.

Em uma época antes da ciência moderna, a religião respondia perguntas, mas apenas
porque era a única opção. Ela existe hoje, não porque forneça respostas úteis (não
fornece - suas respostas são culturalmente específicas e depende de qual religião
está respondendo) mas por causa da inércia. A religião sobreviveu à própria
utilidade.