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Volume I: ESTADO, GESTÃO PÚBLICA, DESENVOLVIMENTO E UNIVERSIDADE

Volume II: EPISTEMOLOGIA, METODOLOGIA E TEORIA

Volume III: ESTUDOS ORGANIZACIONAIS CRÍTICOS

Volume IV: RELAÇÕES DE TRABALHO

Referências

Título: Volume III: ESTUDOS ORGANIZACIONAIS CRÍTICOS

Curitiba; EPPEO, 2017.

Organização: Profa. Dra. Camila Brüning

Apoio técnico: Josiane Sassi

APRESENTAÇÃO José Henrique de Faria

Encontra-se disponível, para consulta e/ou download gratuito, no site www.eppeo.pro.br, um conjunto de Quatro Volumes contendo artigos que publiquei em Revistas e Eventos, como autor e coautor, desde 1978. A organização, sistematização e edição foram feitos competentemente pela Professora Dra. Camila Brüning. Os textos escaneados foram pacientemente processados por Josiane Sassi. Agradeço profundamente a elas pelo carinho e cuidado. É um belíssimo presente e também uma oportunidade para reflexão. Os artigos estão organizados em ordem cronológica e divididos em quatro temas: Volume I: ESTADO, GESTÃO PÚBLICA, DESENVOLVIMENTO E UNIVERSIDADE; Volume II: EPISTEMOLOGIA, METODOLOGIA E TEORIA; Volume III: ESTUDOS ORGANIZACIONAIS CRÍTICOS; Volume IV: RELAÇÕES DE TRABALHO. No total são 129 artigos publicados até o ano de 2017. Nesta coletânea estão incluídos 73 artigos considerados os mais relevante nas 4 temáticas acima apresentadas. Além disso , há trabalhos que foram publicados em anais de eventos e posteriormente em periódicos , nestes casos optou -se por incluir apenas a versão publicada em periódicos. Ao voltar a vários destes textos, que ficaram na gaveta da memória, chamou a atenção o fato de que alguns deles já não merecem mais minha aprovação, mas, de certo modo, eles fazem parte do processo de superação conceitual e teórico e tiveram sua importância. Outros apresentam conceitos e concepções repetidas e reelaboradas: entendo que, nestes casos, não se trata de mera repetição, mas dos conceitos procurando sua identidade e seu lugar nas reflexões e na realidade. Quando os conceitos e concepções surgem, inspirados no real concreto, eles nem sempre encontram de imediato sua forma mais elaborada. Em geral, eles permitem certa aproximação, às vezes precária, com a realidade. A necessidade de tensionar o real para superar sua aparência fenomênica exige a movimentação do conceito. Figurativamente, o conceito tem vida ao revelar e se revelar. De fato, conceitos e concepções se defrontam, pela via do pensamento, com o objeto que pretendem representar na consciência do sujeito. Esta tensão

permanente altera o conceito ele mesmo (processo de elaboração), seu lugar na teoria (propriedade de alocação), sua capacidade de representação do real para o sujeito pesquisador (condição de precisão) e sua forma textual (lógica de exposição). Efetivamente, no processo de produção do conhecimento, de elaboração teórica, há um constante movimento dos objetos e do sujeito pesquisador, de maneira que nem aqueles permanecem como estavam, eles mesmos (ontologicamente) e para o pesquisador (epistemologicamente), e nem este é como era (ontológica e epistemologicamente) em sua relação com os objetos. Ambos mudam e, em decorrência, conceitos, concepções e teorias também se alteram. Em síntese: o sujeito não é o mesmo na interação com o objeto e este já não se apresenta do mesmo modo para o sujeito. As alterações, por vezes, são radicais (atingem a raiz do problema), amplas e explícitas; outras vezes são também radicais, mas localizadas e sutis; outras, ainda, são formais e decorrem de uma necessidade expositiva. O pesquisador, quando expõe sua teoria, não necessariamente dimensiona o seu alcance, o que vai se constituindo à medida que o concreto ele mesmo se revela em sua estrutura, ao mesmo tempo em que a consciência dele se apropria como coisa pensada em diferente nível de elaboração. Ao reler os artigos, pude observar, igualmente, que além do processo de produção teórica e de sua exposição, o método de pesquisa também foi se modificando, também foi evoluindo na orientação das relações com os objetos de pesquisa, com o concreto investigado. Não é nenhuma novidade, pois método e teoria são sobredeterminados, o que reforça a tese de que ontologia, epistemologia, teoria e método andam necessariamente juntos na produção do conhecimento científico. Poder-se-ia especular se o pesquisador não seria um tipo de sujeito obsessivo, às vezes compulsivo, em sua relação com o objeto de pesquisa e em sua condição de elaboração teórico-conceitual. O pesquisador busca na produção teórico-conceitual uma inteireza e integridade, uma virtuosidade estética e formal, um rigor definitivo e inquestionável, mas este é um objetivo praticamente inatingível devido à própria dinâmica do concreto. Assim, nem bem um texto está publicado e o pesquisador já dá início a uma espécie de insatisfação crítica com alguns trechos do texto. De um lado, isso constitui o processo mesmo de

desenvolvimento teórico-conceitual e metodológico. De outro, aponta para o paradoxo de que o que está pronto não está acabado e jamais estará. Nada é definitivo na atividade científica, exatamente porque tanto sujeito como objeto se movem contraditória e permanentemente. Estes volumes contêm o registro deste movimento de produção acadêmica e, como dito no início, mesmo que não reconheça mais alguns conceitos, teorias, métodos e concepções, elas fazem parte deste processo. Aqui vale uma metáfora:

na construção de um edifício entram todos os materiais e estruturas, bem como todos os estrados externos que permitem que o edifício seja erguido. Mas, uma vez que o edifício está pronto, para estar disponível ao fim ao qual se destina, é preciso remover aqueles andaimes que foram absolutamente necessários no processo de construção. Assim também é o edifício teórico: os andaimes conceituais são necessários no processo de produção de uma teoria, mas não são essenciais quando esta alcança seu termo, seu desfecho contingente.

Sobre a sistematização desta coletânea:

No período compreendido entre os anos 1978 e 2017 o Prof. Dr. José Henrique de Faria teve um total de 129 artigos publicados em periódicos e anais de eventos. Nesta coletânea estão incluídos 73 artigos considerados pelo Prof. Faria como os mais relevantes dentro de 4 temáticas:

Volume I: ESTADO, GESTÃO PÚBLICA, DESENVOLVIMENTO E UNIVERSIDADE; Volume II: EPISTEMOLOGIA, METODOLOGIA E TEORIA; Volume III: ESTUDOS ORGANIZACIONAIS CRÍTICOS; Volume IV: RELAÇÕES DE TRABALHO. A seguir apresenta-se a lista completa dessas publicações, bem como o encaminhamento que lhes foi dado na sistematização desta coletânea. A lista é apresentada em ordem cronológica, considerando primeiramente os artigos publicados em periódicos, e na sequência, os publicados em anais de eventos.

FARIA, J. H. de; VARGAS DE FARIA, J. R. A Concepção de Estado e a Administração Pública no Brasil no Âmbito do Plano Diretor de Reforma do

1 Estado. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E GESTÃO SOCIAL, v. 9, p. 140-147, 2017. Disponível em:

Volume I

<http://www.apgs.ufv.br/index.php/apgs/article/download/1331/pdf>

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F. K. ; STEFANI, D. Razão Tradicional e Razão Crítica: os percursos da razão no ensino e a pesquisa em

2 Administração na concepção da Teoria Crítica. Revista de Ciências da

Administração, v. 18, p. 140-154, 2016. Disponível em:

<https://periodicos.ufsc.br/index.php/adm/article/download/2175-

8077.2016v18n45p136/pdf>

3 FARIA, J. H. de. Desenvolvimento Socioeconômico e Interdisciplinaridade.

Revista do IMESC, v. 1, p. 5-36, 2015.

FARIA, J. H. de. Epistemologia Crítica do Concreto e Momentos da Pesquisa: uma proposição para os Estudos Organizacionais. RAM. Revista

4 de Administração Mackenzie (Online), v. 16, p. 1-36, 2015. Disponível em:

Volume II

Volume I

Volume II

<http://www.scielo.br/pdf/ram/v16n5/1518-6776-ram-16-05-0015.pdf>

FARIA, J. H. de. Análise de Discurso em Estudos Organizacionais: as

concepções de Pêcheux e Bakhtin. Teoria e Pratica em Administração, v. 5,

5 p. 51-71, 2015. Disponível em:

Volume II

<http://periodicos.ufpb.br/index.php/tpa/article/download/26399/14430

>

6 FARIA, J. H. de. Os Sete Pecados Capitais e o Pesquisador Oficialmente Reconhecido. Revista Posição, v. 2, p. 8-12, 2015.

FARIA, J. H. de. Estudos Organizacionais no Brasil: arriscando 7 perspectivas. Revista de Estudos Organizacionais (Impresso), v. 1, p. 01,

2014. Disponível em: <http://www.sbeo.org.br/sbeo/wp-

content/uploads/2014/07/v1n1_FARIA.pdf>

FARIA, J. H. de; RAMOS, Cinthia Letícia. Tempo Dedicado ao Trabalho e Tempo Livre: os processos sócio históricos de construção do tempo de

8 trabalho. RAM. Revista de Administração Mackenzie (Impresso), v. 15, p. 47-74, 2014. Disponível em:

<http://www.scielo.br/pdf/ram/v15n4/03.pdf>

FARIA, J. H. de. Por uma Teoria Crítica da Sustentabilidade. Organizações e 9 Sustentabilidade, v. 2, p. 2-25, 2014. Disponível em:

<http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/ros/article/download/17796/15

172>

Não

incluído

Volume

III

Volume

III

Volume

III

RAMOS, CINTHIA LETICIA ; FARIA, JOSÉ HENRIQUE DE . Poder e ideologia: o modelo corporativo de gestão por competências em uma

10 indústria multinacional. Perspectiva (UFSC), v. 32, p. 667-701, 2014.

Disponível em:

<https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/download/2175-

795X.2014v32n2p667/30074>

Volume

III

FARIA, J. H. de. Economia Política do Poder em Estudos Organizacionais.

11 REvista Farol Digital, v. 1, p. 58-102, 2014. Disponível em:

<http://revistas.face.ufmg.br/index.php/farol/article/download/2581/1407

>

Volume

III

FARIA, J. H. de; MARANHAO, C. M. S. A. ; MENEGHETTI, F. Reflexões Epistemológicas para a Pesquisa em Administração:

12 Contribuições de Theodor W. Adorno. RAC. Revista de Administração Contemporânea (Online), v. 17, p. 642-660, 2013. Disponível em:

Volume II

<http://www.scielo.br/pdf/rac/v17n6/a02v17n6.pdf

FARIA, J. H. de; BRÜNING,

estudo de caso sobre o conflito de gerações na linha de produção de uma

13 montadora automotiva da Região Metropolitana de Curitiba. RECADM :

O PROBLEMA DOS MAIS NOVOS: um

Revista Eletrônica de Ciência Administrativa, v. 12, p. 6-21, 2013. Disponível em: <http://www.spell.org.br/documentos/download/18841>

Volume

III

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

A Gestão e a Reificação dos Homens

14 do Mar. RAE - Revista de Administração de Empresas, v. 13, p. 01-16, 2012.

Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ram/v13n4/a02.pdf>

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

Burocracia como Organização,

15 Poder e Controle. RAE (Impresso), v. 51, p. 424-439, 2012. Disponível em:

<http://www.scielo.br/pdf/rae/v51n5/a02v51n5.pdf>

BUSHATSKY, Magaly ; FARIA, J. H. de ; BAIBICH-FARIA, Tânia

16 Cuidados paliativos em pacientes fora de possibilidade terapêutica. Bioethikós (Centro Universitário São Camilo), v. 6, p. 399-408, 2012.

FARIA, J. H. de; ANDRADE, L.

As Condições de uma Gestão Social em

17 um Empreendimento Popular. Caderno de Iniciação Científica - FAE

Business School, v. 13, p. 89-107, 2012.

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

Epistemológica em Estudos Organizacionais. Organizações & Sociedade

Dialética Negativa e a Tradição

18 (Impresso), v. 18, p. 119-137, 2011. Disponível em:

Volume

III

Volume

III

Não

incluído

Não

incluído

Volume II

<https://portalseer.ufba.br/index.php/revistaoes/article/download/11141/

8053>

SILVA, Anna P. B. da ; FARIA, J. H. de . Trabalho do Século XIX e do XXI:

19 breve contextualização das patologias e legislação trabalhista brasileira. Caderno de Iniciação Científica - FAE Business School, v. 12, p. 27-38, 2011.

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

Liderança e Organizações. Revista

20 de Psicologia, v. 2, p. 412-420, 2011. Disponível em:

<http://www.periodicos.ufc.br/psicologiaufc/article/download/92/91>

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

estudos organizacionais

(Sem) saber e (com) poder nos

Cadernos EBAPE.BR (FGV), v. 8, p. 38-52, 2010.

21 Disponível em:

<http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/cadernosebape/article/down

load/5141/3875[>

MACHADO, Sellina da R. D. ; CUNHA, Sieglinde K. ; FARIA, J. H. de . Observatório de Redes Sociais em Comunidades Acadêmicas: um olhar

22 interdisciplinar da Teoria Crítica. Caderno de Iniciação Científica - FAE Business School, v. 11, p. 341-356, 2010.

ORTIZ, Alessandra P. Z. ; CUNHA, Sieglinde K. ; FARIA, J. H. de . Observatório de Redes Sociais em Comunidades Acadêmicas:uma avaliação

23 na ANPAD (2005-2009) da Teoria Crítica. Caderno de Iniciação Científica - FAE Business School, v. 11, p. 451-466, 2010.

Não

incluído

Volume

IV

Volume

III

Não

incluído

Não

incluído

FARIA, J. H. de. O Capitalismo Totalmente Flexível: o adeus ao liberalismo

24 e ao keynesianismo clássico e a metamorfose da economia de mercado. Revista Espaço Acadêmico (UEM), v. 94, p. 01-15, 2009.

FARIA, J. H. de. Consciência Crítica com Ciência Idealista: paradoxos da 25 redução sociológica na fenomenologia de Guerreiro Ramos. Cadernos

EBAPE.BR (FGV), v. 7, p. 419-446, 2009. Disponível em:

<http://www.spell.org.br/documentos/download/1038>

FARIA, J. H. de. Teoria Crítica em Estudos Organizacionais no Brasil: o

26 estado da arte. Cadernos EBAPE.BR (FGV), v. 7, p. 509-515, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cebape/v7n3/a09v7n3.pdf>

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

organização burocrática na obra de Maurício Tragtenberg. Gestão e

Gênese e estruturação da

27 sociedade (UFMG), v. 3, p. 167-203, 2009. Disponível em:

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VASCONCELOS, Amanda de. ; FARIA, J. H. de . Saúde Mental no Trabalho:

28 contradições e limites. Psicologia & Sociedade (Online), v. 20, p. 453-464, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/psoc/v20n3/16.pdf>

KRAMER, G. G. ; FARIA, J. H. de . Vínculos Organizacionais. RAE - Revista

29 de Administração de Empresas, v. 41, p. 83-104, 2007. Disponível em:

<http://www.scielo.br/pdf/rap/v41n1/06.pdf>

A "Empresa Revolução": do Movimento

Passe Livre a um Modelo de Negócio Empresarial. Revista de Administração

FARIA, J. H. de; SANTOS, Thaís

30 da FEAD-Minas, v. 4, p. 85-105, 2007. Disponível em:

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FARIA, J. H. de; HOPFER, K.

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Controle por resultados no local de

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FARIA, J. H. de; DJALO, A.

Integração Financeira Internacional e

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33 Universidade e Sociedade (Brasília), Brasilia, v. XV, n.35, p. 13-33,

2005.

Volume I

Volume II

Volume

III

Volume

III

Volume

IV

Volume

IV

Volume

IV

Volume

III

Volume

IV

Volume I

FARIA, J. H. de; KREMER,

trabalho: o mundo do trabalho em transformação. RAUSP. Revista de

Reestruturação produtiva e precarização do

34 Administração, São Paulo, v. 40, n.3, p. 266-279, 2005. Disponível em:

Volume

III

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(inter)subjetivos de uma organização ligada ao futebol. Cadernos da Escola

Ídolos, heróis e mitos: aspectos

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FARIA, J. H. de. Economia Política do Poder: os fundamentos da Teoria Crítica nos Estudos Organizacionais. Cadernos da Escola de Negócios da

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38 FARIA, J. H. de. Ciência, Tecnologia e Sociedade. Cadernos ANDES (Brasília), Brasília, v. 1, p. 36-46, 2003.

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40 p. 49-73, 2002. Disponível em:

Volume

III

Volume

IV

Volume

III

Volume II

Volume

III

Volume

III

<http://www.anpad.org.br/admin/pdf/eneo2000-04.pdf>

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

A organização e a sociedade

41 unidimensional: as contribuições de Marcuse. Revista Ciência Empresarial,

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FARIA, J. H. de. Poder e participação: a delinqüência acadêmica na 42 interpretação tragtenberguiana. RAE. Revista de , São Paulo, v. 41, n.3, p.

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Volume

III

Volume

III

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Ética e genética: uma reflexão sobre

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III

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Discursos Organizacionais.

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FARIA, J. H. de. Construção e pluralidade. Cadernos ANDES (Brasília),

49 Curitiba, PR, v. 1, n.2, p. 01-10, 1995.

FARIA, J. H. de. A ousadia de transformar. Cadernos de Extensão Perfil da

50 Extensão Universitária, Curitiba, PR, v. 1, n.1, p. 01-08, 1995.

51 FARIA, J. H. de. Universidade pública: que futuro. Cadernos da Escola

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FARIA, J. H. de. A tendência oligárquica nas organizações:será que Michels

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FARIA, J. H. de. A questão tecnológica na indústria de bens de consumo 54 essenciais. RAUSP. Revista de Administração, São Paulo, v. 20, n.1, p. 37-45,

1985. Disponível em:

<http://200.232.30.99/busca/artigo.asp?num_artigo=776>

Volume

IV

Não

incluído

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incluído

Não

incluído

Não

incluído

Não

incluído

Não

incluído

Volume

IV

Volume

IV

Volume

IV

FARIA, J. H. de. Crise do autoritarismo e movimentos operários no ABC

55 paulista: 1978-1980. Revista do IMESC, São Caetano do Sul, v. 3, n.7, p. 16- 31, 1985.

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Volume

III

Volume

III

Não

incluído

Não

incluído

Volume

IV

FARIA, J. H. de. Tecnologia, desenvolvimento econômico e gestão do

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5th Corporate Responsability - CR3 Conference, 2017, Helsinki. 5th CR3 Conference. Helsinki: Hanken School of Economics, 2017. v. 1. p. 01-16.

Volume I

Volume

IV

Volume

IV

Não

incluído

Não

incluído

Não

incluído

FERRAZ, Deise L. da S. ; FARIA, J. H. de . Sequestro da Subjetividade:

compreendendo a essência da produção e apropriação da subjetividade do 65 trabalhador e da trabalhadora. In: Colóquio Internacional de Epistemologia e Sociologia da Ciência da Administração, 2017, Florianópolis. Anais do VI Colóquio Internacional de Epistemologia e Sociologia da Ciência da Administração. Florianópolis: Editora da Universidade Federal de Santa Catarina., 2017. v. 1. p. 01-16. Disponível em:

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FARIA, J. H. de. Poder Real e Poder Simbólico: Retomando o Debate. In: XL

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ANPAD, 2016. v. 1. p. 1-16. Disponível em:

Volume

IV

Volume

III

<http://www.anpad.org.br/~anpad/abrir_pdf.php?e=MjExMjQ=>

FARIA,

J. H. de. Epistemologia e Método em Hegel: A Fenomenologia e a

67 da Lógica. In: XL EnANPAD, 2016, Salvador. Anais do XL

Ciência

Volume II

EnANPAD. Rio de Janeiro: ANPAD, 2016. v. 1. p. 1-13. Disponível em:

<http://www.anpad.org.br/~anpad/abrir_pdf.php?e=MjEzMTI=>

FARIA, J. H. de; WALGER, C.

Materialismo Racional: a Epistemologia

68 Crítica de Gaston Bachelard e os Estudos Organizacionais

In: EnEO 2014,

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69 concepções de Pêcheux e Bakhtin. In: XXXIX EnANPAD 2015, 2015, Belo

FARIA,

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Publicado

posterior

mente em

periódico.

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II.

FARIA, J. H. de. Condições de uma Gestão Democrática do Processo Social

70 de Trabalho. In: XXXIX EnANPAD 2015, 2015, Belo Horizonte. Anais do

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71 Pesquisa: uma proposição para os Estudos Organizacionais

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QUEROL, M. P. ; FARIA, J. H. de . Change Laboratory as a Tool for

72 Transformation Activities of Policy Implementation. In: 8th International Conference: research work and learning, 2013, Stirling. Double Symposium on Activity, Work and Learning, 2013. v. 1. p. 1-16.

Volume I

Publicado

posterior

mente em

periódico.

volume

II.

Não

incluído

RAMOS, Cinthia Letícia ; FARIA, J. H. de . PODER, IDEOLOGIA E

73 ALIENAÇÃO: a construção do real e do imaginário na organização. In:

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de Janeiro: ANPAD, 2013. v. 1. p. 1-16. Disponível em:

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RAMOS, Cinthia Letícia ; FARIA, J. H. de . IMPACTOS FÍSICOS E EMOCIONAIS DA EXTENSÃO DA JORNADA DE TRABALHO NA VIDA

74 DOS GESTORES: estudo de caso em uma indústria multinacional. In:

Volume

III

Volume

IV

XXXVII EnANPAD, 2013, Rio de Janeiro. Anais do XXXVII EnANPAD. Rio

de Janeiro: ANPAD, 2013. v. 1. p. 1-16. Disponível em:

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76 Organizacionais, 2013, Fortaleza. Anais do I CBEO. Curitiba: SBEO, 2013. v. 01. p. 1566-1592. Disponível em:

Não

incluído

Volume

IV

<https://drive.google.com/drive/folders/0BwpfjShmcDhCTlRNS2hHNWlT

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FERRAZ, Deise L. da S. ; HORST, A. C. ; FARIA, J. H. de .Reconhecimento Social, Redistribuição da Riqueza Material e Paridade de Participação

77 Ampliados: Proposição de um Modelo Analítico a partir das Lutas Sociais dos Professores do Ensino Superior Público Federal do Estado do Paraná. In: VII Encontro Nacional de Estudos Organizacionais - EnEO, 2012,

Volume I

Curitiba. VII Encontro Nacional de Estudos Organizacionais - EnEO. Rio de

Janeiro: ANPAD, 2012. v. 01. p. 01-16.

FARIA, J. H. de. Dimensões da Matriz Epistemológica em Estudos em Administração: uma proposição. In: EnANPAD, 2012, Rio de Janeiro. Anais

78 do EnANPAD 2012. Rio de Janeiro: ANPAD, 2012. v. 01. p. 01-01. Disponível em:

Volume II

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RAMOS, Cinthia Letícia ; FARIA, J. H. de . Poder e Ideologia em um

79 Programa de Gestão por Competências: análise crítica do modelo corporativo em uma indústria multinacional de energia. In: EnANPAD, 2012, Rio de Janeiro. Anais do EnANPAD 2012. Rio de Janeiro: ANPAD, 2012. v. 01. p. 01-16.

Publicado

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periódico.

Volume

IV.

80

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82

FARIA, J. H. de; MARANHÃO, Carolina M. S. de A. ; MENEGHETTI, F.

Reflexões Epistemológicas para a Pesquisa em Administração a partir das

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FARIA,

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"O Problema dos Mais Novos": um estudo

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montadora automotiva na RMC. In: XXXV EnANPAD, 2011, Rio de Janeiro.

XXXV EnANPAD 2011. Rio de Janeiro: ANPAD, 2011. v. 1. p. 01-16.

FARIA, J. H. de. O MATERIALISMO HISTÓRICO E AS PESQUISAS EM

ADMINISTRAÇÃO; uma proposição. In: XXXV EnANPAD, 2011, Rioo de

Janeiro. XXXV EnANPAD 2011. Rio de Janeiro: ANPAD, 2011. v. 1. p. 01-16. Disponível em:

Publicado

posterior

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periódico.

Volume

II.

Publicado

posterior

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periódico.

Volume

IV.

Volume II

<http://www.anpad.org.br/~anpad/abrir_pdf.php?e=MTMyNzM=>

83

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FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

Organizacionais. In: VI Encontro Nacional de Estudos Organizacionais, 2010, Florianópolis. Anais do VI EnEO. Rio de Janeiro: ANPAD, 2010. v. 1. p. 01-16.

História Intelectual nos Estudos

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

Poder e Controle. In: XXXIV EnANPAD, 2010, Rio de Janeiro. Anais do

Burocracia como Organização,

XXXIV

EnANPAD. Rio de Janeiro: ANPAD, 2010. v. 1. p. 1-16.

FARIA,

J. H. de; MENEGHETTI, F.

História Intelectual nos Estudos

Organizacionais. In: EnEO 2010, 2010, Florianópolis - SC. Anais do EnEO

2010. Rio de janeiro: ANPAD, 2010. v. 1. p. 01-16.

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

organização burocrática na obra de Maurício Tragtenberg. In: XXXIII EnANPAD, 2009, São Paulo. XXXIII EnANPAD. Rio de Janeiro: ANPAD,

2009. v. 1. p. 01-16.

Gênese e estruturação da

FARIA, J. H. de. A Reificação dos Homens do Mar. In: Encontro Nacional

de Estudos Organizacionais - EnEO, 2008, Belo Horizonte. Anais do V EnEO. Rio de Janeiro: ANPAD, 2008. v. 5. p. 1-15.

Volume

III

Publicado

posterior

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periódico.

Volume

III.

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incluído

Publicado

posterior

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periódico.

Volume

III.

Publicado

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Volume

III.

88

89

BAIBICH, T. M. ; FARIA, J. H. de . Trabalho Docente em Pós-Graduação

Stricto Sensu em Educação. In: VII ANPED SUL, 2008, Itajaí. Anais do VII ANPED SUL - Pesquisa e Inserção Social. Itajaí - SC: Univali, 2008. v. 7. p.

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FARIA, J. H. de. Bacon Versus Tragtenberg: ?(Sem) Saber e (Com) Poder? nos Estudos Organizacionais:. In: XXXII EnANPAD, 2008, Rio de Janeiro.

Anais do EnANPAD 2008. Rio de Janeiro: ANPAD, 2008. v. 32. p. 01-16.

Disponível em:

Não

incluído

Volume

III

<http://www.anpad.org.br/~anpad/abrir_pdf.php?e=OTA4MA==>

90

FARIA, J. H. de. DISCURSO DE EROS E PRÁTICA DE THÂNATOS: o

esconderijo da dor e a Síndrome do Estoicismo Hercúleo. In: XXXII EnANPAD, 2008, Rio de Janeiro. Anais do EnANPAD 2008. Rio de Janeiro:

ANPAD, 2008. v. 32. p. 01-15. Disponível em:

Volume

IV

<http://www.anpad.org.br/~anpad/abrir_pdf.php?e=OTIyNg==>

91

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FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F.

atentado contra a tradição epistemológica nos estudos organizacionais. In:

XXXI EnANPAD, 2007, Rio de Janeiro. Anais do XXXI EnANPAD 2007.

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Dialética Negativa: Adorno e o

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do Trabalhador: Um Estudo de Caso. In: XXXI EnANPAD, 2007, Rio de Janeiro. Anais do XXXI EnANPAD 2007. Rio de Janeiro: ANPAD, 2007. v. 31. p. 01-15. Disponível em:

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FARIA, J. H. de; MATOS, R.

caso de uma organização de transporte coletivo urbano. In: IV Encontro de Estudos Organizacionais, 2006, Porto Alegre. Anais EnEO 2006. Rio de

Janeiro: ANPAD, 2006.

Poder, controle e resistência no trabalho: o

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grupos ligados a uma organização de futebol. In: IV EnEO 2006, 2006,

Porto Alegre. EnEO 2006. Rio de Janeiro: ANPAD, 2006.

Imaginário e Poder: a dinâmica dos

FARIA, J. H. de. Universidade, Produção Científica e Aderência Social. In: X Colóquio Internacional Sobre Poder Local: desenvolvimento e gestão social de territórios, 2006, Salvador. Anais do X Colóquio Internacional sobre

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Publicado

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II.

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FARIA, J. H. de. Consciência Crítica com Ciência Idealista: paradoxos da

redução sociológica na fenomenologia de Guerreiro Ramos. In: X Colóquio Internacional Sobre Poder Local: desenvolvimento e gestão social de territórios, 2006, Salvador. Anais do X Colóquio Internacional Sobre Poder Local. Salvador: CIAGS/UFBA, 2006. v. 1. p. 01-16.

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os percursos da razão no ensino e pesquisa em Administração na concepção da Teoria Crítica. In: XXIX EnANPAD 2005, 2005, Brasília. Anais do XXIX EnANPAD. Rio de Janeiro: ANPAD, 2005. v. XXIX.

Razão Tradicional e Razão Crítica:

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Gestão por Competências no Quadro da

FARIA, J. H. de. A Fase do Colaboracionismo: a nova prática sindical do

United Auto Workers. In: XXIX EnANPAD, 2005, Brasília. Anais do XXIX

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controle social a serviço da organização. In: III Encontro Nacional de Estudos Organizacionais - ENEO, 2004, Atibaia. Anais do III ENEO. Rio de Janeiro: ANPAD, 2004. Disponível em:

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Indivíduo, vínculo e subjetividade: o

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O Discurso e a Prática da Ética nas Relações

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Perspectivas de Análise Organizacional. In: XXVI ENAMPAD, 2003,

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Controle Social no Trabalho e Novas

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Volume

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<http://www.anpad.org.br/~anpad/abrir_pdf.php?e=MjAwMA==>

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Relações de Trabalho. In: XXVI ENAMPAD, 2002, Salvador. Anais do XXVI ENAMPAD. Rio de Janeiro: ANPAD, 2002. Disponível em:

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A Instituição da Violência nas

FARIA, J. H. de. Universidade Pública, Ciência, Tecnologia e Aderência Social: de volta ao tema da indissociabilidade. In: Encontro Nacional sobre Ciência e Tecnologia, 2002, Curitiba. Encontro Nacional sobre Ciência e Tecnologia. Curitiba: APUFPR, 2002.

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O Seqüestro da Subjetividade e as

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Discursos Organizacionais. In: XXV

Ética e genética: uma reflexão sobre

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fundamentals of organizational analisys. In: BaLAS 2001 Conference, 2001. Business Association of Latin American Studies, 2001. v. 1. p. 01-15.

Volume

IV

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Volume I.

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Volume I.

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112 FARIA, J. H. de. Ética, moral e democracia: os paradoxos da práxis organizacional. In: 1. Encontro Nacional de Estudos Organizacionais

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113 Florianópolis. Anais do 24. ENANPAD - 2000. Rio de Janeiro: ANPAD, 2000. Disponível em:

Publicado

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mente em

periódico.

Volume

III.

Volume

III

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Globalização, Estado e Sociedade:

114 Impactos da Economia do Poder Sobre as Organizações. In: 24. ENANPAD, 2000, Florianópolis. Anais do 24. ENANPAD - 2000. Rio de Janeiro:

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FARIA, J. H. de. Poder e participação: a práxis universitária sob a ótica

115 tragtenberguiana. In: Seminário sobre Maurício Tragtenberg, 2000, São Paulo, SP. Maurício Tratenberg. São Paulo, SP: EAESP/FGV, 2000.

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Volume I

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incluído

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incluído

Volume

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FARIA, J. H. de. Trabalho, sofrimento e dor. In: Semana da Tecnologia,

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FARIA, J. H. de. Universidade e Tecnologia da Informação. In: Seminário

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124 FARIA, J. H. de. Políticas Linguísticas para o Mercosul. In: Encontro sobre

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UFPR, 1995. v. 1. p. 1-7.

FARIA, J. H. de. Reforma do Estado, Autonomia e Compromisso Social das

125 Universidades Públicas. In: XII SEURS, 1995, Curitiba, PR. Extensão Universitária. Curitiba: UFPR, 1995. v. 1. p. 1-8.

126 FARIA, J. H. de. Planejamento institucional: a experiência da Universidade. In: 1. Fórum de Administração Pública: Cidade de Curitiba, 1995, Curitiba, PR. Anais do Fórum. Curitiba: IMAP, 1995. v. 1. p. 97-113.

FARIA, J. H. de. Planejamento e Avaliação Institucional. In: Seminário

127 Internacional de Avaliação, 1995, Recife. Seminário Internacional de Avaliação. Recife: UFPe, 1995.

FARIA, J. H. de. Educação, trabalho e desenvolvimento tecnológico. In:

128 Simpósio Paranaense de Educação e Trabalho, 1993, Curitiba, PR. Educação e Trabalho. Curitiba: SENAI, 1993. v. 1. p. 1-10.

FARIA, J. H. de. Círculo de Controle de Qualidade: a estratégia recente da

129 gestão capitalista do processo de trabalho. In: 3. Seminário de Técnicas Japonesas de Administração e Manufatura, 1985, São Paulo, SP. Técnicas Japonesas de Administração e Manufatura. São Paulo, 1985. v. 1. p. 1-12.

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Volume III: ESTUDOS ORGANIZACIONAIS CRÍTICOS

Este volume é composto pelos artigos publicados pelo Prof. Dr. José Henrique de Faria, como autor e coautor, e categorizados por ele como trabalhos que versam sobre o tema “Estudos Organizacionais Críticos”.

Compõem este volume os seguintes trabalhos, aqui apresentados nesta ordem:

FARIA, J. H. de. Estudos Organizacionais no Brasil: arriscando

1 perspectivas. Revista de Estudos Organizacionais (Impresso), v. 1, p. 01, 2014.

FARIA, J. H. de; RAMOS, Cinthia Letícia . Tempo Dedicado ao 2 Trabalho e Tempo Livre: os processos sócio-históricos de construção do tempo de trabalho. RAM. Revista de Administração Mackenzie (Impresso), v. 15, p. 47-74, 2014.

3 FARIA, J. H. de. Por uma Teoria Crítica da Sustentabilidade. Organizações e Sustentabilidade, v. 2, p. 2-25, 2014.

RAMOS, C. L.; FARIA, J. H.de . Poder e ideologia: o modelo

4 corporativo de gestão por competências em uma indústria multinacional. Perspectiva (UFSC), v. 32, p. 667-701, 2014.

5 FARIA, J. H. de. Economia Política do Poder em Estudos Organizacionais. REvista Farol Digital, v. 1, p. 58-102, 2014.

FARIA, J. H. de; BRÜNING, C . O PROBLEMA DOS MAIS NOVOS: um estudo de caso sobre o conflito de gerações na linha de

6 produção de uma montadora automotiva da Região Metropolitana de Curitiba. RECADM : Revista Eletrônica de Ciência Administrativa, v. 12, p. 6-21, 2013.

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, Francis

A Gestão e a

7 Reificação dos Homens do Mar. RAE - Revista de Administração de

Empresas, v. 13, p. 01-16, 2012.

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, Francis

Burocracia como

8 Organização, Poder e Controle. RAE (Impresso), v. 51, p. 424-439,

2012.

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, Francis

(Sem) saber e (com)

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RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014. Estudos Organizacionais no Brasil: arriscando perspectivas José Henrique de Faria

RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014.

Estudos Organizacionais no Brasil: arriscando perspectivas

José Henrique de Faria

Professor Titular do PPGADM - UFPR Tem como principais temas de pesquisa, Economia Política do Poder em Estudos Organizacionais, Epistemologia Crítica, Metodologia e Teoria.

Endereço para correspondência: Universidade Federal do Paraná, Programa de Pós- Graduação em Administração - PPGADM. Av. Prefeito Lothário Meissner, 632 Jardim Botânico 80210170 - Curitiba, PR - Brasil Endereço eletrônico: jhfaria@gmail.com

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RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014. Devo alertar o leitor, desde logo, na linha de Nicos

RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014.

Devo alertar o leitor, desde logo, na linha de Nicos Poulantzas (“O Estado, o poder, o socialismo”. Rio de Janeiro: GRAAL, 1981. p. 12), que “assumo a responsabilidade do que escrevo e falo em meu próprio nome”. O propósito deste artigo é, a partir do que chamo de elementos constitutivos dos Estudos Organizacionais - EOR, arriscar elaborar perspectivas para esta área. Como de hábito, não vou abdicar de eleger categorias (no caso, elementos constitutivos), as quais, naturalmente, encontram-se na realidade e foram apropriadas como concreto pensado. O espaço para estas reflexões é restrito, o que me obriga a considerar, ainda tal como Poulantzas (op. cit. p. 11), “que os problemas atuais [dos EOR] são suficientemente importantes e novos para merecerem um tratamento aprofundado”. A publicação na área de estudos organizacionais enquanto tal inicia formalmente, no Brasil, na década de 1950, como se pode constatar em um texto básico no qual Beatriz M. de Souza Wahrlich (“Uma análise das teorias de organização”. Rio de Janeiro: EBAPE/FGV, 1958) faz uma análise das principais teorias disponíveis à época seguindo a mesma linha de produção acadêmica americana, representada por Selznick, Simon, Barnard, Mooney, entre outros. Wahrlich questiona, já na época, o fato de que o campo teórico de estudos organizacionais é subestimado em favor de seu “aspecto prático” (ou seja, o gerencialismo). Entretanto, a própria Wahrlich utiliza indistintamente os termos organização e administração ao longo da análise, defendendo a ideia de uma teoria generalizada de organizações a partir da possibilidade de interação entre teorias da administração pública e da administração de empresas privadas. Estudos sobre organizações na década de 1950, como, por exemplo, os de Guerreiro Ramos (“Uma introdução à história da organização racional do trabalho”, de 1952; “Relaciones humanas del trabajo”, publicado no México em 1954), ainda não tratavam especificamente da teoria das organizações, mas as tomavam como objeto de análise. Este, talvez, seja o ponto mais importante da história dos estudos organizacionais no Brasil: a organização como objeto de estudo. Desde então, de maneira bem simplificada, os estudos organizacionais no Brasil apresentaram duas linhas elementares distintas de abordagem: (i) aqueles vinculados ao management, ao business, aos princípios de administração pública e privada; (ii) aqueles vinculados às “ciências humanas e sociais” (sociologia, psicologia, filosofia, ciência política, antropologia, educação, etc.), sejam estes disciplinares (sociologia das organizações, psicologia das organizações), multidisciplinares ou interdisciplinares. Em ambos os casos, as dimensões epistemológicas e metodológicas que atravessam estes estudos são de diferentes

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RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014. matizes: positivismo, funcionalismo, estruturalismo, fenomenologia, materialismo

RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014.

matizes: positivismo, funcionalismo, estruturalismo, fenomenologia, materialismo histórico e

pragmatismo.

Mais de meio século após as primeiras publicações na área de estudos organizacionais,

não há dúvida que estes ganharam um corpo teórico relativamente autônomo, atingiram um

nível importante de representatividade acadêmica, caracterizaram-se com alguma ênfase na

multi e na interdisciplinaridade e atualmente apresentam uma forte tendência a se separarem

das teorias de business e management. Neste último caso, há um discurso consistente que

defende a separação dos estudos organizacionais dos estudos de business, como ficou

caracterizado nas diversas intervenções dos participantes do I Colóquio Internacional em

Estudos Organizacionais realizado na EAESP-FGV em Agosto de 2013.

Ao mesmo tempo em que a área de EOR ganha certa autonomia, a criação da

Sociedade Brasileira de Estudos Organizacionais - SBEO em 2012 se dá por iniciativa de

pesquisadores vinculados aos programas de pós-graduação em administração. Ainda que o

propósito da SBEO seja congregar as diversas áreas disciplinares, é na área de administração

que a mesma se consolida. Este fato exige uma reflexão mais acurada sobre as perspectivas da

área que, embora mencione mais adiante, não terei como aprofundar adequadamente.

Uma das propostas do I Congresso Brasileiro de Estudos Organizacionais e que

orienta a apresentação dessa Revista, é a de tentar projetar algumas perspectivas para os

estudos organizacionais no Brasil. Certamente, as avaliações devem divergir, pois não há

como fazê-las sem uma dose de especulação, mas as mesmas são muito oportunas para uma

reflexão crítica.

Permito-me sugerir o que entendo serem elementos constitutivos dos estudos

organizacionais (que também chamei de categorias analíticas), de forma a orientar minha

avaliação sobre suas perspectivas. Os estudos organizacionais devem:

i. Caracterizar-se pela Interdisciplinaridade (com possibilidades para a

multidisciplinaridade): o conhecimento sobre a realidade organizacional

demanda um diálogo permanente entre diversas disciplinas. Os estudos

disciplinares (sociologia das organizações, psicologia organizacional,

economia industrial, gestão organizacional, etc.) tendem a abordar aspectos

muito particulares do fenômeno, restringindo o entendimento de sua totalidade;

ii. Considerar a organização como objeto de pesquisa em sua materialidade: é

preciso superar a tendência à abstração e generalização que tende a extrapolar

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RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014. aspectos de diferentes tipos, formas, contextos históricos e sociais, estruturas

RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014.

aspectos de diferentes tipos, formas, contextos históricos e sociais, estruturas e

finalidades de organizações para toda e qualquer realidade organizacional;

iii. Superar a xenofobia teórica: em uma época na qual o globalismo apresenta-se

como totalização da economia e da sociedade, a concepção de estudos

organizacionais tipicamente brasileiros é retrógada. Não se trata de incentivar a

importação de teorias prontas ou de incorporar teorias sem cuidados, sem

críticas e sem rigor. Trata-se de reconhecer que a ciência e seu

desenvolvimento não podem ficar confinados a escaninhos particulares, como

se isto fosse demonstração inequívoca de autonomia, de independência na

produção acadêmica, de não submissão ao imperialismo científico e coisas do

gênero. O que é preciso, de todo modo, suplantar, não é o uso inadequado de

teorias produzidas fora do Brasil, mas o uso de teorias prontas que são

aplicadas ou testadas aqui como se nossa realidade fosse um mero campo de

provas;

iv. Sobrepujar a prática dos feudos acadêmicos competitivos: há uma prática, com

consequências perversas para o avanço do conhecimento, que consiste em

estabelecer grupos de pesquisa que se esmeram em distinguir-se dos demais

para efeitos de competição, seja por recursos, seja por “prestígio

autoimputado”, sem qualquer esforço pela cooperação na produção da

pesquisa. As distinções teóricas, metodológicas e epistemológicas são

saudáveis e necessárias para a área e não são impeditivas de colaboração e

parceria em projetos acadêmicos. Estes grupos, geralmente vinculados a

programas de pós-graduação, tendem a sobrevalorizar sua pesquisa em

detrimento do avanço do conhecimento do campo 1 .

1 Ao mesmo tempo, muitas universidades praticamente condicionam qualquer apoio aos

professores ao fato de terem ou não registro de grupo de pesquisa, o que pulveriza o número de grupos sem a necessária produção acadêmica, tendo relevância quantitativa nos processos de avaliação institucional sem a correspondente relevância científica.

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RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014. Não tenho nenhuma ilusão quanto à eficácia e à amplitude

RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014.

Não tenho nenhuma ilusão quanto à eficácia e à amplitude destes elementos

constitutivos. Eles são apenas uma tentativa de organizar minhas argumentações e não um

exaustivo tratamento acadêmico ao tema. Considerando, portanto, estes elementos

constitutivos básicos e limitados, é possível alinhavar algumas perspectivas para os estudos

organizacionais no Brasil.

i. Sobre a inter e multidisciplinaridade: a mesma depende e tem grande tendência

a continuar a depender da iniciativa de poucos pesquisadores e grupos de

pesquisa. Embora sejam pesquisadores e grupos promissores e competentes no

avanço deste campo de estudos, os mesmos encontram importantes obstáculos

em seu fazer acadêmico: (a) a estrutura dos cursos de graduação e pós-

graduação aos quais estes pesquisadores se vinculam é predominantemente

disciplinar, dificultando a necessária interação das diversas áreas; (b) as

agências de fomento, com destaque para o CNPq, não abrigam uma área

interdisciplinar, obrigando os pesquisadores e grupos a submeterem seus

projetos à lista disciplinar oferecida, de forma que o julgamento dos projetos

corre o risco de ser feito por avaliadores que nem sempre conseguem ter o

alcance do significado da interdisciplinaridade; (iii) a interdisciplinaridade

ainda é tratada com certo ceticismo e/ou desdém em alguns círculos

acadêmicos, reproduzindo a lógica das corporações de ofício que caracteriza os

conselhos de registro profissional; (iv) a iniciativa da criação da SBEO foi de

pesquisadores da área da Administração, com poucos pesquisadores de outras

áreas, o que vai exigir um esforço político, acadêmico e institucional de

superação do vínculo dos EORs com a Administração, de forma a consolidar a

SBEO como efetivamente uma sociedade de pesquisadores, desvinculada de

estruturas disciplinares e de programas de graduação e pós-graduação; (v) a

interdisciplinaridade não é um passaporte para que se utilizem conceitos de

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RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014. várias áreas (psicanálise, filosofia, direito, medicina, sociologia, etc.) de maneira

RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014.

várias áreas (psicanálise, filosofia, direito, medicina, sociologia, etc.) de

maneira rasa e irresponsável;

ii. Organização como objeto de pesquisa: esta é uma questão pacífica apenas

aparentemente. Há uma discussão nos fóruns, por exemplo, sobre se

Comportamento Organizacional pertence ou não à área de EOR. Trata-se de

uma discussão, em meu ponto de vista, absolutamente irrelevante, a não ser por

uma questão de poder político. Se comportamento organizacional estuda o

comportamento das organizações ou o comportamento dos sujeitos na

organização é também irrelevante. Estratégia organizacional não estuda o

comportamento da organização? Relações de trabalho não estuda o

comportamento dos sujeitos na organização? Relação de poder não estuda

ambos? Poderíamos falar, do mesmo modo, do simbolismo, do imaginário, dos

discursos, etc. É uma perda de tempo e energia prospectar as perspectivas da

área de EOR a partir de discussões deste tipo. Estudos organizacionais são

estudos realizados em organizações e/ou sobre organizações, ou seja, são

estudos que têm as organizações como seu objeto, independentemente dos

temas ou assuntos (gestão, poder, trabalho, comportamento, competência,

simbolismo, etc.), desde que pertinentes, é óbvio. Mas aí habita, há tempos, um

problema. O Estado é uma organização tanto quanto uma empresa, um órgão

público, uma ONG, etc. Se tudo pode ser uma organização, temos uma

hiperárea? Ou não temos nenhum objeto de fato? Para ter a organização como

objeto, os EOR devem estudar o Estado, porém não como Estado; a empresa,

todavia não como empresa; as ONGs, contudo não como ONGs, etc. Parece

uma questão simples, mas a organização precisa ser estudada em sua

materialidade e, portanto, nas suas formas manifestas e em suas essências. As

perspectivas são promissoras, mas é necessário superar limitações

epistemológicas e metodológicas, especialmente quanto ao empirismo, aos

estudos de caso descontextualizados, às generalizações arbitrárias, aos modelos

acabados, aos enquadramentos padronizados, ao raciocínio impermeável, etc.

Finalmente, é preciso superar a escolha da organização pelo comodismo

laborioso: o simbolismo no bar da esquina; as relações de poder na escola em

que o pesquisador trabalha; a gestão por resultados no armazém do bairro; as

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RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014. relações de trabalho na construção do edifício na rua em

RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014.

relações de trabalho na construção do edifício na rua em que o pesquisador

mora, etc.

iii. Xenofobia teórica: embora este assunto teime em voltar à tona, em uma

referência equivocada à crítica de Guerreiro Ramos à importação de conceitos,

este parece ser um elemento com poucas chances de prosperar. A utilização de

teorias produzidas fora do Brasil tem sido muito cuidadosa por parte de

pesquisadores de ponta, suplantando a mera reprodução. Mas o problema

recorrente é que as reproduções existem. Então, aqui, as perspectivas são as de

que é necessário exatamente superar o viés da importação objeto da crítica de

Guerreiro Ramos, ou seja, a importação de modelos, conceitos, teorias,

sistemas, sem rigor e de forma acrítica. Já não se trata de xenofobia, mas de

cuidado com a apropriação inadequada e inconsistente de conceitos e teorias

produzidas no mundo acadêmico, tratando-as como se fossem verdades

absolutas e inquestionáveis, generalizáveis e aplicáveis em qualquer contexto

sócio-histórico por justaposição;

iv. Grupos de pesquisa como feudos competitivos: este é um elemento que por

certo provoca um furor basilar em certos pesquisadores e grupos, que atuam

competitivamente no mundo acadêmico como se este fosse um mercado de

financiamento, e/ou que disputam poder político e prestígio ritualístico e/ou

que se deleitam na autovalorização de si. No discurso cobertura, todos são

favoráveis à cooperação entre pesquisadores e grupos de pesquisa, mas há uma

distância entre intenção e gesto, como diz Chico Buarque em Fado Tropical 2 . É

2

"Meu coração tem um sereno jeito

E

De tal maneira que, depois de feito, Desencontrado, eu mesmo me contesto.

as minhas mãos o golpe duro e presto,

Se trago as mãos distantes do meu peito

É

que há distância entre intenção e gesto

E

se o meu coração nas mãos estreito,

Me assombra a súbita impressão de incesto.

Quando me encontro no calor da luta Ostento a aguda empunhadura à proa, Mas meu peito se desabotoa.

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RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014. fundamental reconhecer que a valorização da produção acadêmica de grupos

RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014.

fundamental reconhecer que a valorização da produção acadêmica de grupos e pesquisadores em EOR (como em outras tantas áreas), no Brasil, tem se apresentado historicamente como uma atividade imperialista de um eixo regional. O reconhecimento prático e histórico da produção fora do eixo é raro. Assim, não é incomum que alguns pesquisadores e grupos do eixo apresentem como sendo originalmente seus, estudos há tempos desenvolvidos em outros centros e que, por conta da visibilidade política da geografia institucionalizada, apropriem-se deles com ares de paternidade. Ao contrário de fazer avançar o campo do conhecimento em EOR, desenvolve-se um movimento de rotação acadêmica. Forma-se, assim, um círculo vicioso: pesquisadores do eixo que são avaliadores de projetos de fora do eixo; composição de conselhos acadêmicos predominantemente do eixo; valorização de periódicos no sistema Qualis com predomínio do eixo. Esta reprodução das condições de perpetuação do poder político na academia deixou de ser um mistério e se encontra exposta na mídia. Perspectivas? A SBEO poderá contrastar esta prática se definir como um de seus objetivos a democratização na distribuição de recursos de pesquisa, a valorização científica de grupos e de pesquisadores por sua produção, a promoção de isonomia na avaliação de periódicos tendo em vista seu impacto social e acadêmico. Por fim, deixo aqui um desafio aos historiadores. Se todos desejam fazer da área de estudos organizacionais um campo de referência, é necessário resgatar sua verdadeira história. Do que tenho lido até o momento, há omissões imperdoáveis de eventos, fatos históricos, produções originais, etc. Há desvalorizações inaceitáveis à boa prática acadêmica quanto à importância de pesquisadores na área e, ao mesmo tempo, marginalização inexplicável de pesquisadores que contribuíram decisivamente para o que a área é atualmente. Há distorções de fatos datados inadmissíveis, especialmente desconsideração de pesquisas relevantes (inclusive premiadas) e de desenvolvimento teórico pioneiro. O problema mais grave é que textos que buscam resgatar a “história dos EOR”, ao promoverem estas distorções e omissões, estão formando uma falsa convicção da realidade histórica, que se vai reproduzindo de texto em texto, replicando as imperfeições, por conta de citações sem críticas e sem confronto com os fatos históricos, criando uma concepção que não é fiel aos acontecimentos, mas que passa a

E se a sentença se anuncia bruta Mais que depressa a mão cega executa, Pois que senão o coração perdoa".

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RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014. ser uma espécie de “história oficial”, ou seja, uma história

RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014.

ser uma espécie de “história oficial”, ou seja, uma história dos contadores de história que se contentam em narrar os eventos segundo suas convicções e interesses. Pesquisadores, e historiadores em particular, precisam superar a prática um tanto cômoda de contar a história dos EOR tendo como única base de dados artigos publicados nos Anais do EnANPAD e em revistas clássicas (RAE, RAC, etc.) e garimpar fontes documentais mais amplas, buscando trabalhos publicados em revistas que nas décadas de 1970/1980 eram referência e que deixaram de ser veiculadas; encontrar livros em editoras de pequeno porte; fazer um levantamento exaustivo de cadernos e publicações patrocinadas por entidades governamentais, etc. Em resumo, fazer um estudo consistente para contar a mais fiel possível história dos EOR no Brasil. A realidade da publicação acadêmica nas décadas de 1970/1980 não tinha ainda, como parâmetro, a síndrome do Qualis Capes, que orienta o pensamento atual restringindo seu alcance. Assim, a história dos EOR foi reduzida a algumas (e, sem dúvida, muito importantes e, ouso dizer, fundamentais) contribuições, como as de Guerreiro Ramos e Maurício Tragtenberg. Contudo, há mais do que isto. A história dos EOR no Brasil é maior do que a que é contada nos encontros, simpósios, fóruns, colóquios, congressos, etc. Maior do que o que registram periódicos que superaram as dificuldades financeiras e se mantiveram em atividade. Maior do que os dados disponíveis nos sites de acesso público (do tipo Google). Como pesquisador desde 1978 convivi com outros pesquisadores, estudei textos que por magia da memória curta das novas e velhas gerações desapareceram das citações como se nunca tivessem existido. Resultados de pesquisas e reflexões originais publicadas nas décadas de 1970/1980 têm sido solenemente ignorados e seus temas resurgem no final dos anos 1990 e nos anos 2000 como novidades (toyotismo, tecnologia e relações de trabalho, autogestão, gestão e subjetividade, para citar alguns exemplos), inclusive com a valorização de pesquisadores estrangeiros que chegaram aos temas anos após pesquisadores brasileiros o terem abordado. O colonizado parece sentir- se sempre devedor do colonizador, não importando sua origem, se francês, inglês, alemão, norte-americano ou brasileiro. Maurício Tragtenberg deixou muitos ensinamentos aos seus discípulos (que ele se recusava a ter, mas que de fato tinha), como Fernando Coutinho Garcia, Fernando Prestes Motta, Antonio Valverde, Antonio Candido, Doris Accioly e Silva, Sonia Marrach, Evaldo Vieira, Lucia Bruno, Liliana Segnini, eu mesmo e muitos outros que partilhamos de sua orientação em longos debates, seminários e conversas de corredor. Um deles, no entanto,

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RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014. ficou gravado em minha memória e orientou minha vida acadêmica:

RBEO, v.1, n.1, jan.-jul. 2014.

ficou gravado em minha memória e orientou minha vida acadêmica: “a crítica é uma das mais poderosas armas dos intelectuais revolucionários”. A crítica não tem compromisso com conluios, com restrições, com conveniências, com reações desconfortáveis, mas com os fatos. Pode ser certeira ou conter equívocos, que sempre podem ser corrigidos, mas deve ser expressa. Como disse Marx, citando Dante Alighieri em A Divina Comédia, no prefácio da primeira edição de O Capital: “segui il tuo corso, e lascia dir le genti!” (“segue o teu curso e deixa a gentalha falar!”). Desta forma, permito-me, no próprio idioma italiano, concluir por mim mesmo que nella scienza, come nella vita, le cose devono avere il senso e il significato. Qualcosa che ha significato, ma non ha senso, quindi senza prospettive come qualcosa che rende il senso, ma che significa nulla (na ciência, como na vida, as coisas precisam ter sentido e significado. Algo que tenha significado, mas não faça sentido, é tão sem perspectivas como algo que faz sentido, mas que nada significa).

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RAM, REV. ADM. MACKENZIE, 15(4) SÃO PAULO, SP JUL./AGO. 2014 ISSN 1518-6776 (impresso) ISSN 1678-6971 (on-line) http://dx.doi.org/10.1590/1678-69712014/administracao.v15n4p47-74. Submissão: 4 mar. 2013. Aceitação: 7 mar. 2014. Sistema de avaliação: às cegas dupla (double blind review). UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE. Walter Bataglia (Ed.) Filipe Jorge Ribeiro Almeida (Ed. Seção), p. 47-74

TT tempo dedicado ao trabalho e tempo livre: os processos sócio-históricos de construção do tempo de trabalho

JOSÉ HENRIQUE DE FARIA

Doutor em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP). Professor Titular do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Rua Prefeito Lothário Meissner, 632, Jardim Botânico, Curitiba – PR – Brasil – CEP 80210-170 E-mail: jhfaria@gmail.com

CINTHIA LETÍCIA RAMOS

Mestra em Organizações e Desenvolvimento pelo Programa de Mestrado Interdisciplinar do Centro Universitário do Paraná. Administradora Plena do Departamento Comercial da Petrobras. Rodovia do Xisto, BR 476, Km 16, Araucária – PR – Brasil – CEP 83707-440 E-mail: cinthialeticia.ramos@gmail.com

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JOSÉ HENRIQUE DE FARIA CINTHIA LETÍCIA RAMOS

RESUMO

O presente ensaio tem como propósito discutir como o tempo de trabalho ultra- passa o tempo formal da jornada de trabalho a partir das três seguintes catego- rias de análise: 1. tempo de trabalho socialmente necessário ou simplesmente tempo de trabalho necessário, 2. tempo dedicado ao trabalho ou tempo dispo- nível e 3. tempo livre (que compreende o chamado “tempo socialmente supér- fluo”, quando se refere ao tempo ocioso, e o “tempo socialmente disponível”, o qual é mediado pela velocidade decorrente das transformações emergentes no mundo contemporâneo). O conceito de tempo empregado neste ensaio parte de uma concepção que possibilita apreender essa categoria como construção social

e histórica, e não como uma categoria abstrata arbitrária. Neste ensaio, serão

tratadas as concepções de construção temporal, tempo de trabalho e tempo livre, com o propósito de entender como a fronteira do tempo de trabalho invadiu sutilmente o tempo livre do sujeito trabalhador, tornando esses tempos fluidos, tensos, urgentes e flexíveis. Tempo aprisionado não por um controle minucioso

da atividade, para adaptar o corpo ao exercício do trabalho, mas por dispositivos que mobilizam o sujeito a partir de objetivos e projetos, canalizando o conjunto de suas potencialidades para fins do capital. Os argumentos desenvolvidos aqui permitem sugerir que o tempo de trabalho necessário corresponde àquele em que o trabalhador produz o equivalente ao seu próprio valor. Tempo excedente

é aquele que extrapola o tempo necessário de trabalho. Dessa forma, o tempo de

trabalho necessário não constitui, no sistema de capital, o tempo de trabalho ou tempo disponível de trabalho, pois este engloba igualmente o tempo necessário

e o tempo excedente de trabalho.

48
48

PALAvRAS-CHAvE

Tempo dedicado ao trabalho. Tempo de trabalho necessário. Tempo disponí- vel. Tempo livre. Jornada formal de trabalho.

RAM, REV. ADM. MACKENZIE, 15 (4), 47-74 SÃO PAULO, SP • JUL./AGO. 2014 • ISSN 1518-6776 (impresso) • ISSN 1678-6971 ( on-line )

tempo dedicado ao trabalho e tempo livre

1

INTRODUçãO

Ao parafrasear o conceito foucaultiano de corpo 1 , Gaulejac (2007, p. 110) é categórico no posicionamento do emprego do tempo regulamentado para fins do capital, substituindo o corpo pela psique como objeto do poder pelas organiza- ções: “É, por boa parte, como força produtiva que a psique é investida de relações de poder e de dominação. A psique só se torna força útil se for ao mesmo tempo energia produtiva e energia submissa”. Ao mudar de objeto “corpo” para objeto “psique”, Gaulejac (2007, p. 110) indica que as modalidades do controle das empresas hipermodernas transfor- maram-se consideravelmente, mas sua finalidade permanece inalterada: “Não se trata mais de tornar os corpos ‘úteis e dóceis’, mas de canalizar o máximo de energia libidinal para transformá-la em força produtiva”. Com isso, Gaulejac (2007) procura mostrar que as técnicas de gerenciamento perdem seu caráter puramente disciplinar. Trata-se não tanto de regulamentar o emprego do tempo

e de quadricular o espaço, mas sim de obter uma disponibilidade permanente

para que o máximo de tempo seja consagrado à realização dos objetivos fixados e,

além disso, a um engajamento total para o sucesso da empresa (Gaulejac, 2007, pp. 110-111). Nesse sentido, o presente ensaio tem como propósito apresentar e precisar as concepções de tempo dedicado ao trabalho e tempo livre, discutindo como

o tempo de trabalho ultrapassa o tempo formal de jornada de trabalho a partir

das seguintes categorias de análise: tempo, tempo dedicado ao trabalho e tempo livre, também chamado de “tempo socialmente supérfluo” (quando se refere ao tempo ocioso), e “tempo socialmente disponível” (Marx, 2008, 2011; Mészáros, 2002), habitualmente denominado “lazer”, o qual é mediado pela velocidade decorrente das transformações emergentes no mundo contemporâneo. É importante ressaltar que o conceito de tempo empregado neste artigo parte de uma concepção que possibilite apreender essa categoria como construção social

e histórica, e não como uma categoria abstrata arbitrária. De fato, o tempo em si mesmo é uma abstração arbitrária, na medida em que possui várias acepções. O tempo universal, o tempo histórico e o clima tempo, por exemplo, são fenôme- nos diversos de uma mesma expressão. A dimensão temporal é uma constru- ção histórica e social, especialmente em sua concepção linear de medida (hora, mês, ano) padronizada. Assim como, por exemplo, as medidas de peso ou massa (quilograma), quantidade ou unidade de capacidade (litro) e de espaço-tempo

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1 “É, por boa parte, como força de produção que o corpo é investido de relações de poder e de dominação [ O corpo só se torna força útil se for ao mesmo tempo corpo produtivo e corpo submisso” (Foucault, 2004, p. 25.

].

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(anos-luz), as do tempo também foram historicamente convencionadas para permitir sua dimensionalidade. Nesse sentido, entender-se-á, aqui, a categoria tempo em sua manifestação concreta, que é representada por uma convenção socialmente aceita, que é a sua medida em hora, com seus segmentos (minutos, segundos) e derivações (dia, mês, ano) 2 . Para tanto, este ensaio se encontra dividido em quatro itens, nos quais serão tratadas as concepções de construção temporal, tempo de trabalho e tempo livre, com o propósito de entender como a fronteira do tempo de trabalho invadiu sutilmente o tempo livre do sujeito trabalhador, tornando esses tempos fluidos, tensos, urgentes e flexíveis. Tempo, conforme apontado por Cardoso (2007), aprisionado não por um controle minucioso da atividade, para adaptar o corpo ao exercício do trabalho, mas por dispositivos que mobilizam o sujeito a partir de objetivos e projetos, canalizando o conjunto de suas potencialidades para fins do capital.

2 A CONSTRUçãO TEMPORAL NAS SOCIEDADES CONTEMPORâNEAS

Segundo Elias (1989, p. 84):

O que chamamos tempo é, em primeiro lugar, um marco de referência que serve aos membros de certo grupo e, em última instância, a toda a humanidade, para

instituir ritos reconhecíveis dentro de uma série contínua de transformações do respectivo grupo de referência ou também, de comparar certa fase de um fluxo

de acontecimentos [

].

Assim, o tempo cumpre funções de orientação do homem

diante do mundo e de regulação da convivência humana.

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Para Elias (1989, p. 23), relógios são invenções humanas já incorporadas no mundo simbólico do homem como forma de orientação e integração de aspec- tos físicos, biológicos, sociais e subjetivos. Porém, quando se esquece de que são invenções humanas e históricas, do como ou por que os primeiros relógios foram construídos e das transformações que sofreram, é provável que tais cons- truções sejam abordadas como se tivessem existência natural, alheia ao homem.

Mas, para Elias (1989, p. 22), “em um mundo sem homens e seres vivos, não haveria tempo e, portanto, tampouco relógios ou calendários”.

2 Os demais casos concretos específicos, como “tempo histórico”, devem ser adjetivados para garantir a precisão da concepção.

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tempo dedicado ao trabalho e tempo livre

Sue (1995, p. 85) salienta que a noção de tempo constitui-se

[

]

de acordo com a consciência histórica dos atores sociais em um dado período.

Apresentando-se como uma trama na aparência objetiva que organiza os fatos sociais, o tempo com isso nos revela, ao contrário, a natureza construída de um

sistema de valores que ele exprime.

Grossin (1991), por sua vez, surpreende-se com a tolerância dos seres huma- nos ao pensar em situações temporais vivenciadas cotidianamente como desa-

gradáveis e até mesmo insuportáveis, ressaltando que um dos motivos dessa complacência é que as atitudes em relação às questões temporais partem de ideias aceitas e interiorizadas, ou seja, não são discutidas e muito menos perce- bidas como construção social. Essa diferença de concepção é resolvida por Demazière (1995) e Maruani (2000), para quem a adoção de um olhar histórico possibilita verificar que cada momento de uma mesma realidade pode ser definido de modos diferentes. Sennett (2000) indica que, na sociedade atual, a ênfase no presente é cada vez mais estimulada, desconsiderando o passado e a história. Ao fazer uma correlação do tempo com as contradições existentes nas rela- ções de trabalho, Greco Martins (2001, pp. 19-21) acentua que quanto mais o esquecimento dessa contradição vai ocorrendo, mais a relação de trabalho e o pró- prio trabalho acabam enviados ao campo da natureza, sendo desvinculados das suas relações sociais e do seu processo histórico, de forma que a subordinação

e a exploração passam a ser compreendidas como parte da natureza: “Assim o

olhar retrospectivo possibilita o reencontro de algo que ficou perdido, recalcado

e escondido nos escombros da história, permitindo a identificação do esquecido e

das contradições presentes nas relações sociais”. Diante dessas breves considerações e entendendo que o tempo, direta ou indiretamente, perpassa transversalmente os argumentos, paradoxos e contradi- ções nas relações entre a sociedade, o trabalho e o sujeito trabalhador, é possível formular as seguintes questões:

Quais mudanças ocorreram no processo sócio-histórico do trabalho, bem como no tempo dedicado ao mesmo?

Quais são as principais características do tempo de trabalho e do tempo de não trabalho?

Por que há sempre a impressão de que existe um tempo único, abstrato e quase natural, e não como resultado da interação humana?

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No intuito de responder a esses questionamentos, torna-se importante compreender como essas categorias se consolidaram em diferentes momentos históricos. Conforme já mostrado por Marx (1983), é a partir do trabalho que o ser social

se distingue de todas as formas pré-humanas. Nesse sentido, o ser social dotado de consciência tem previamente concebida a configuração que quer imprimir ao objeto do trabalho no ato de sua realização. É no trabalho que o ser social, ao pensar e refletir, ao externar sua consciência, se humaniza e se diferencia das suas formas anteriores. Nessa perspectiva, pode-se considerar o trabalho como elemento central da sociabilidade humana. Contudo, na sociedade capitalista, esse trabalho se torna assalariado, controlado, fragmentado por tempos e movimentos, condicionando

à emancipação humana, muitas vezes à precarização e à alienação. Como expres-

são dessa realidade condicionada pelo sistema de capital, Marx (2010, p. 82), nos Manuscritos econômico-filosóficos, já apontava a dialética existente entre riqueza e

miséria, acumulação e privação, possuidor e despossuído:

O

estranhamento do trabalhador em seu objeto se expressa pelas leis racional-

-econômicas, em que quanto mais o trabalhador produz, menos tem para con- sumir; que quanto mais valores cria, mais sem-valor e indigno ele se torna;

quanto mais bem formado o seu produto, tanto mais deformado ele fica; quan-

to

mais civilizado seu objeto, mais bárbaro o trabalhador; que quanto mais

poderoso o trabalho, mais impotente o trabalhador se torna; quanto mais rico de espírito do trabalho, mais pobre de espírito e servo da natureza se torna o trabalhador.

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Nos Grundrisse, Marx (2011, pp. 590-594) argumenta no sentido de que o tempo de trabalho deixou de ser a medida de todas as riquezas, a qual passou a ser o tempo disponível. De um modo simples, Marx (2011) entende que todo o tempo para além do tempo de trabalho necessário à produção e reprodução das condições materiais de existência é tempo livre. Assim, quanto mais se reduzir

o tempo de trabalho necessário, maior deverá ser o tempo livre. Entretanto, sob o

modo capitalista de produção, parte desse tempo livre é apropriada pelo capital,

de forma que o tempo de trabalho deixa de ser apenas o necessário (para a repro- dução da força de trabalho) para se tornar tempo total disponível às necessidades do sistema de capital. Dessa forma, no modo simples de produção,

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tempo dedicado ao trabalho e tempo livre

[

]

a poupança do tempo de trabalho é equivalente ao aumento do tempo livre [

].

O tempo livre, que é tanto tempo de ócio quanto tempo para atividades mais ele- vadas, naturalmente transformou seu possuidor em outro sujeito, e é inclusive como este outro sujeito que então ele ingressa no processo de produção imediato (Marx, 2011, pp. 593-594).

Em outras palavras, sob o modo de produção capitalista, o tempo de trabalho não pertence inteiramente ao dono dele.

O tempo “para além do tempo necessário de trabalho” converte-se em “tra-

balho excedente”. O tempo total disponível é aquele que se encontra à disposição do capital, que o emprega tanto como trabalho necessário quanto como trabalho excedente, ou seja, é a somatória do trabalho necessário com o trabalho excedente

(mais-trabalho). Nesse caso, a fórmula inicial se altera, de maneira que, no modo capitalista de produção, quanto menor o tempo necessário de trabalho, maior é

o tempo excedente. Assim, quanto maior é o tempo excedente, maior é a taxa de

mais-valia. O tempo livre passa a ser, portanto, aquele compreendido para além do tempo de trabalho necessário e de mais-trabalho, aquele que não compõe a

jornada, diferentemente do modo simples de produção, em que todo tempo além do necessário era tempo livre.

A importância dessa concepção é precisamente para indicar que, em prin-

cípio, todo o tempo para além do tempo de trabalho necessário para a produção das condições materiais de existência é tempo livre. Sob o modo capitalista, no entanto, o tempo de trabalho não se reduz ao tempo necessário, mas ao tempo disponível de trabalho para o capital, que é a soma do tempo necessário e do tempo excedente. Na concepção marxista, portanto, o tempo disponível compreen- de tanto o tempo de trabalho necessário quanto o tempo de trabalho excedente. O tempo livre, desse modo, passa a ser aquele que se encontra para além do tempo

disponível. Em outras palavras, tempo livre é aquele que o trabalhador tem para

si e que não está à disposição do capital. Esse entendimento é fundamental para os

argumentos que serão desenvolvidos adiante, porque o tempo livre no sistema de capital contemporâneo não é mais apenas aquele para além da jornada for- mal, pois o tempo disponível para o capital extrapola o tempo formal da jornada de trabalho.

O tempo da jornada formal de trabalho passa a compor a estrutura do tempo

coletivo social, pois este condiciona o uso do tempo livre. De fato, em A revolução urbana, Lefèbvre (1999) aponta a existência de um tempo social urbano, de caráter disciplinador, que se configurou explicitamente a partir da segunda metade do século XIX, período esse em que a industrialização e o advento de novas técni- cas, paralelamente ao crescimento das cidades, produziram uma nova sociedade

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urbana. Segundo Lefèbvre (1999), nesse momento surgiram os relógios urbanos alocados em pontos estratégicos das cidades – estações ferroviárias e de barcos –, bem como os apitos das fábricas demarcando os turnos de trabalho. Esses novos instrumentos visuais e sonoros surgiram, para Lefèbvre (1999), na paisagem urbana com a finalidade de disciplinar o corpo do trabalhador em um novo orde- namento social, caracterizado por grandes contingentes humanos e pela vida cotidiana. Na sociedade contemporânea, esse novo ordenamento, contudo, pre- cisa considerar o tempo de trabalho para mais além do que o tempo dos turnos de trabalho. Ao fazer intervenções substanciais em seu estudo do tempo e da disciplina do trabalho, Thompson (2005) propõe o seguinte questionamento: se a transição para uma sociedade industrial moderna supõe uma severa reestruturação dos hábitos de trabalho, até que ponto tudo isso tem relação com as mudanças na representação interna do tempo? Com base em uma perspectiva materialista, Thompson (2005) entende que existe uma profunda relação entre as diferentes situações de trabalho e as diferentes noções de tempo. Como as práticas mate- riais de produção mudam historicamente (no tempo) e geograficamente (no espaço), a própria noção de tempo e de espaço deve mudar. Nessa mesma linha de argumentação, Harvey (1993, p. 189), ao tratar da compressão tempo-espaço, assevera que “cada modo distinto de produção ou formação social incorpora um agregado particular de práticas e conceitos do tempo e do espaço”. Thompson (2005, p. 7) ainda afirma que a passagem da vida camponesa à vida de fábrica é a passagem de uma orientação temporal baseada na tarefa para uma orientação fundada na prestação de trabalho por hora: “Em uma comunidade do primeiro tipo, relações sociais e trabalho estão interligados – a jornada de traba- lho se alonga e se prolonga conforme as tarefas – e não existe uma grande sen- sação de conflito entre o trabalho e o passar do dia”. Entretanto, os assalariados que tiveram seu trabalho regulado pelo relógio experimentam uma diferenciação entre o tempo de seu patrão e o seu próprio tempo. Thompson (2005) afirma que não era qualquer pessoa que poderia possuir um relógio, em função do seu preço elevado. Assim, o registro do tempo pertencia aos patrões e comerciantes, nunca aos trabalhadores. Como lembra Padilha (2000), somente por volta de 1790 foi promovida a difusão dos relógios de bolso, mais acessíveis, justamente na época em que a Revolução Industrial exigia uma maior sincronização. Para Thompson (2005), com o advento da sociedade industrial, aparece a

necessidade de sincronização do trabalho, o que favorece uma maior atenção ao tempo no trabalho: o “tempo das máquinas” passa a dominar sobre o novo cenário social. Isso não acontecia em relação ao ritmo na manufatura, a qual se manteve numa escala doméstica, pois o grau de sincronização que se requeria era muito menor (Thompson, 2005, p. 258). Ao contextualizar a mudança do

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tempo dedicado ao trabalho e tempo livre

tempo com o uso das máquinas a partir da Revolução Industrial, Attali (1982, p. 199) faz o seguinte relato:

Pouco a pouco, a burguesia se instala no poder e organiza a vida dos outros e

sua própria em uma corrente contínua de eventos datados: o tempo para o traba-

lho, o tempo para o repouso, o tempo para o prazer [

].

Ao mesmo tempo, muda

o

ritmo dos eventos: as notícias se difundem mais rapidamente [

],

a produ-

ção em massa e barata de impressoras a vapor, a partir de 1814, permite um

enorme desenvolvimento da literatura periódica. [

]

Economizar, ter uma renda,

acompanhar o progresso, torna-se uma obsessão das pessoas bem-nascidas deste

século. [

]

O repouso faz temer o desperdício de tempo, a preguiça e a greve. A

ociosidade é ao mesmo tempo útil e perigosa.

 

Segundo Cardoso (2007), as sociedades industriais utilizaram o tempo do relógio como principal referência, um tempo preciso, abstrato, vazio de conteú- do, independente de qualquer evento, fracionado, mensurável e universal. Para Cardoso (2007), essa temporalidade mecânica do relógio se expandiu para os diversos espaços e tempos da vida cotidiana, de forma que a atitude instrumental que consiste em considerar o tempo como um recurso raro não se destinou a limitar e orientar apenas o espaço e o tempo de trabalho industrial.

A

sociedade passa a lidar com o tempo da mesma forma como lida com o dinhei-

ro, atribuindo a ele também qualidades objetivas e impessoais, como, por exem-

plo, a escassez. Como consequência, o tempo pode ser utilizado, pode ser gasto ou rentabilizado (Cardoso, 2007, p. 26).

Cardoso (2007) afirma que o tempo que não é traduzido em dinheiro não recebe consideração social, caso emblemático do trabalho doméstico realizado gratuitamente na esfera não mercantil, ou ainda passa a ser considerado como um tempo perdido. Partindo da mesma equação de que “tempo é igual a dinhei- ro”, Tabboni (2006) sugere que esse é o símbolo mais forte do tempo totalmente transformado em mercadoria, reduzido a uma coisa e totalmente racionalizado, e o tempo das experiências, das relações familiares e das interações afetivas e pessoais, situadas no lado oposto das práticas geradas pelo dinheiro, perde con- sequentemente seu lugar e sua importância social. Além disso, Cardoso (2007) mostra que o trabalho industrial impôs uma nova disciplina temporal e espacial, mediante a progressiva e contundente sepa- ração entre o tempo/espaço de trabalho e o tempo/espaço de não trabalho, isto

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é, entre produção (de mercadorias) e reprodução (da força de trabalho). Com o objetivo de retratar o tempo socialmente dedicado ao trabalho dentro das fábri- cas, Cardoso (2007, p. 28) indica:

Dentro do espaço fechado das fábricas, a crescente divisão das tarefas (exigindo cálculos exatos dos tempos de trabalho e a coordenação precisa entre elas), a uti- lização da mão de obra assalariada, a mecanização do trabalho manual, a adoção de minuciosos estudos dos tempos e ritmos de trabalho conduziram, pouco a pouco, à uniformização da medida do valor trabalho. De forma que o valor de um bem passa a ser medido pela quantidade de trabalho necessária à sua produ- ção, e a duração do trabalho torna-se a medida, por excelência, da quantidade de trabalho. A própria divisão das tarefas estava relacionada à economia do tempo, uma vez que ela implicava a especialização em uma pequena parte do trabalho, permitindo uma diminuição drástica do tempo de trabalho necessário para cada tarefa. Essas inovações que levaram ao cálculo do tempo e da produtividade máxi- ma conseguiram definitivamente estabelecer a medida temporal de cada gesto.

Diante dessas considerações, é possível deduzir que o trabalho na linha de produção fez com que o trabalhador perdesse quase que totalmente sua autonomia em relação ao tempo e ao próprio trabalho. Isso porque, segundo Tabboni (2006), o trabalho está previamente programado pelo funcionamento das máquinas, constituindo a inovação tecnológica mais explícita e mais representativa de todos os aspectos mais penosos do trabalho humano nas sociedades industrialmente desenvolvidas. Atualmente, não é apenas o funcionamento das máquinas que estabelece a programação do processo de trabalho, pois a introdução de equi- pamentos e aparelhos de transmissão de dados e de comunicação via satélite também interfere nessa programação. O controle do tempo de trabalho é também o controle do trabalho. Como já mostrava Braverman (1977, p. 106), ao discutir a degradação do trabalho no século XX, no sistema taylorista:

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Os trabalhadores não apenas perdem o controle sobre os instrumentos de produ- ção como também devem perder o controle até de seu trabalho e do modo como o executam. Esse controle pertence agora àqueles que podem “arcar” com o estudo

dele a fim de conhecê-lo melhor do que os próprios trabalhadores conhecem sua atividade viva.

“arcar” com o estudo dele a fim de conhecê-lo melhor do que os próprios trabalhadores conhecem

Partilhando desse mesmo entendimento, Faria (2004) afirma que uma das consequências imediatas do sistema taylorista de produção foi a precarização

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tempo dedicado ao trabalho e tempo livre

das formas e relações de trabalho, gerando nos trabalhadores sintomas como fadiga, monotonia, sujeição a uma tarefa predeterminada para a qual não agre- gava nenhuma iniciativa, alienando-os do processo de escolha e tolhendo-lhes a liberdade individual.

De acordo com Antunes (1999), desde o advento do capitalismo, a redução do tempo socialmente destinado ao trabalho tem sido uma das mais importantes reivindicações no mundo do trabalho, pois se mostra contingencialmente como um mecanismo importante na redução do desemprego estrutural que atinge grande número de trabalhadores. Cardoso (2007) sugere que esses conflitos se dão justamente porque o trabalho assalariado consiste na utilização, pelo empre- gador, entre outros elementos, do tempo dos trabalhadores em troca de uma remuneração. Dessa forma, seguindo a concepção marxista de valor de uso e de troca, Cardoso (2007) argumenta que, se, no momento que antecede a produção,

o tempo pertence ao trabalhador, ao ser vendido por certo período ao emprega-

dor, este passa a ter o direito de utilizá-lo da forma que lhe convier, guardados os

limites da legislação, do poder dos trabalhadores e de seus representantes. Para Bernardo (1996, p. 46), o problema é mais complexo:

Um trabalhador contemporâneo, cuja atividade seja altamente complexa e que cumpra um horário de sete horas por dia, trabalha muito mais tempo real do que alguém de outra época, que estivesse sujeito a um horário de quatorze horas diárias, mas cujo trabalho tinha um baixo grau de complexidade. A redução for- mal de horário corresponde a um aumento real do tempo de trabalho despendido durante esse período.

Sobre esse aspecto, Elias (1989, pp. 21-22) apresenta uma reflexão crítica afirmando que, na era moderna, o tempo exerce, de fora para dentro, sob a forma

de relógios, calendários e outras tabelas de horários, uma coerção que se presta eminentemente para suscitar o desenvolvimento de uma autodisciplina nos indi- víduos, a qual “exerce uma pressão relativamente discreta, comedida, uniforme

e desprovida de violência, mas que nem por isso se faz menos onipresente, e à

qual é impossível escapar”. Esse também é o entendimento de Bessin (1998) ao afirmar que a temporalidade contemporânea envolve todos num sentimento de urgência, em que o sujeito se vê prisioneiro do imediato. Cardoso (2007) argumenta que, do ponto de vista coletivo, os trabalhadores lutaram contra a imposição de um novo tipo de trabalho, como também de um novo tempo a ser dedicado ao trabalho, e o tempo aparece como um dos prin- cipais objetos de disputa entre capitalistas e trabalhadores, entre aqueles que buscam implantar uma nova concepção de tempo, de trabalho e de tempo de

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trabalho e aqueles que tentam resistir a essa concepção. Em complemento a esse argumento, Padilha (2000) assegura que a história da humanidade foi marcada tanto pela intensificação do desenvolvimento tecnológico e pela exploração como pela resistência à exploração e pelo seu enfrentamento. Essas concepções são derivadas das análises de Marx (1978, p. 341) sobre a situação de luta pela jornada de trabalho nos séculos XVIII e XIX: “a instituição de uma jornada normal de trabalho é resultado de uma guerra civil de longa duração, mais ou menos oculta, entre a classe capitalista e a classe trabalhadora”. Na mesma linha de argumentação, Linhart (2005) afirma que, na sociedade contemporânea, o conflito entre o capitalista e o trabalhador é permanente e perpassa por dois lados: a busca da máxima objetivação pela empresa e os traba- lhadores procurando se reapropriar subjetivamente desse tempo. Para Linhart (2005), a contradição reside no momento em que o empregador compra algo de que ele não pode se apropriar totalmente, pois tanto o tempo como as capa- cidades físicas ou psicológicas não podem ser dissociados do trabalhador. Daí a permanente e cotidiana mobilização e pressão da empresa, seja física ou psico- lógica, buscando a máxima objetivação do tempo e da capacidade dos trabalha- dores. Para estes, a tentativa de desassociá-los de seu tempo e de seus gestos de trabalho torna-se fonte de muito sofrimento, frustrações, conflitos, pois é muito difícil renunciar a dimensões que os constituem como sujeitos (Linhart, 2005). Para Antunes (2005), as inúmeras formas assumidas pelas lutas sociais constituíram-se em importantes exemplos de confrontação social contra o capi- tal, dada a nova morfologia do trabalho e seu caráter multifacetado. Antunes (1999) afirma que, na luta pela redução do tempo de trabalho, é possível articular ações efetivas contra algumas formas de opressão e exploração do trabalho, como também contra as formas contemporâneas do estranhamento, que se realizam na esfera do consumo material e simbólico, no espaço reprodutivo fora do tra- balho produtivo. Antunes (1999, pp. 174-175) entende que uma vida desprovi- da de sentido no trabalho é incompatível com uma vida cheia de sentido fora do trabalho: “Não é possível compatibilizar trabalho assalariado, fetichizado e estranhado com tempo verdadeiramente livre”. É preciso, contudo, aditar a essa observação de Antunes (1999) que essa acepção de tempo verdadeiramente livre não é incompatível apenas com o modo capitalista de produção, mas também com qualquer sociedade regida por um modo de produção baseado em classes sociais distintas e antagônicas.

De acordo com Antunes (1999), uma vida cheia de sentidos somente poderá efetivar-se por meio da ruptura das barreiras existentes entre tempo de trabalho e tempo de não trabalho, de modo que possa desenvolver uma nova sociabilidade a partir de uma atividade vital cheia de sentido, autodeterminada, para além da divisão hierárquica que subordina o trabalho ao capital.

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tempo dedicado ao trabalho e tempo livre

Trata-se de formas inteiramente novas de sociabilidade, em que liberdade e necessidade se realizam mutuamente. Se o trabalho torna-se dotado de sentido, será também por meio da arte, da poesia, da pintura, da literatura, da música, do tempo livre, do ócio que o ser social poderá humanizar-se e emancipar-se em seu sentido mais profundo (Antunes, 1999, p. 177). Conforme aponta Cardoso (2007), se, por um lado, faz-se crer que os tem- pos tensos, intensos, urgentes e flexíveis partem de uma realidade temporal neutra e exterior à ação e ao pensamento dos homens de uma sociedade, por outro, torna-se fundamental olhar dialeticamente para essa temática, resgatando o processo histórico e as relações sociais de como o tempo despendido formal- mente para realização do trabalho vem sofrendo contínua intensificação e fle- xibilização. Para Grossin (1991), o tempo imposto pelo capital procura dominar os outros tempos que os trabalhadores tentam inserir e reinserir dentro e fora do local de trabalho, resultando em disputas explícitas e implícitas, coletivas e individuais, pontuais ou estruturais, negociadas ou não. No sentido dado por Grossin (1991), é oportuno mencionar a concepção de que todo o tempo livre é, de fato, tempo dominado pelo capital. Esse entendi- mento decorre da análise realizada por Adorno e Horkheimer (1985), segundo a qual a indústria cultural insere-se na administração do tempo livre. Nesse sen- tido, a organização do lazer como atividade racionalizada e reificada incluída no âmbito do processo de valorização do capital remete o tempo livre para a esfera do consumo e da vida imediata. Contudo, Adorno e Horkheimer (1985) argu- mentam que é necessário considerar que a consciência dos sujeitos não está completamente integrada ao sistema de capital. Além disso, convém observar que a concepção de que todo o tempo é dominado pelo capital, em uma espécie de bloco unificado, tem contra si a impossibilidade dialética do movimento con- traditório e, portanto, da mudança. Aqui convém observar a distinção entre tempo livre e tempo livre dominado pelo capital. Em adição à observação de Adorno e Horkheimer (1985) sobre a consciência dos trabalhadores não estar totalmente subjugada ao capital, é preci- so observar os seguintes aspectos:

Tempo livre dominado pelo capital não é o mesmo que tempo disponível para o capital. É certo, que sob o modo capitalista de produção, o mundo é o mundo das mercadorias. Dos produtos aos serviços em geral, é a lógica do capital que impera nas relações sociais. Entretanto, isso não significa que não exista tempo livre, ou seja, que todo o tempo é tempo disponível para o capital.

A concepção de que não há tempo de fato livre contrapõe-se à própria exis- tência do sistema de capital, pois, em não havendo tempo livre, também não

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há tempo de emprego da força de trabalho a ser vendida (livremente) no mercado de trabalho. Se todo o tempo fosse tempo do capital, este não preci- saria comprar a força de trabalho por um tempo correspondente à produção de mercadorias.

Essas concepções exigem também o entendimento de como a fronteira entre

o tempo de trabalho e o tempo de não trabalho torna-se cada vez mais fluida. Tal

é o propósito dos itens que seguem.

3 TEMPO DEDICADO AO TRAbALHO

Segundo Navarro e Padilha (2007, p. 14) o trabalho tem caráter plural e polissêmico, além de exigir conhecimento multidisciplinar:

A

atividade laboral é fonte de experiência psicossocial, sobretudo dada a sua cen-

tralidade na vida das pessoas: é indubitável que o trabalho ocupa parte importan-

te

do espaço e do tempo em que se desenvolve a vida humana contemporânea.

Assim, ele não é apenas meio de satisfação das necessidades básicas, é também fonte de identificação e de auto-estima, de desenvolvimento de potencialidades humanas, de alcançar sentimento de participação nos objetivos da sociedade. Trabalho e profissão (ainda) são senhas de identidade.

Com base na concepção marxista de trabalho, Dal Rosso (2011) argumenta que a sociedade moderna é a sociedade do trabalho, já que o conceito de tempo de trabalho comporta as seguintes dimensões:

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1. Duração: representa as medidas convencionais de tempo em que o trabalho possui a propriedade de duração, sendo identificado pelas seguintes pergun- tas: “Quanto tempo?”, “Quantos dias” e “Quantas horas?”. O tempo da jor- nada, assim, refere-se ao trabalho que se faz em um dia, podendo também ser empregado em relação à semana, ao mês, ano ou trabalho durante a vida.

2. Distribuição: refere-se a momentos nos quais o trabalho é executado num intervalo considerado. Segundo Dal Rosso (2011), as interrogações “Quan-

do?” e “Em que horário?” mostram a diferença conceitual entre distribuição e duração do tempo de trabalho. Estabilidade ou flexibilidade de horários, trabalho de turnos, compensação de horas, contratos com duração anual e distribuição flexível, idade para início e fim da vida ativa são os aspectos mais representativos para definir a distribuição.

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tempo dedicado ao trabalho e tempo livre

3. Intensidade: representa o esforço físico, intelectual ou emocional emprega- do na execução de uma tarefa no decorrer de uma unidade de tempo. As perguntas que identificam essa dimensão são representadas por: “Quanto esforço exige?”, “Como?” e “Qual é a carga de trabalho?”.

Por oposição, tempo de trabalho diferencia-se de tempo de não trabalho. Contudo, Dal Rosso (2011) argumenta que essa separação está cada vez mais tênue, a exemplo de descanso, lazer e atividades criativas, pontuando que nem todas as atividades de não trabalho carregam o significado positivo, caso do desemprego, carregado de negatividade, por exemplo. Outra questão socialmente relevante diz respeito à quantidade de tempo tra- balhada por uma pessoa e à forma do uso do tempo, a partir do momento em que o trabalho passa a ser controlado por terceiros. Para Dal Rosso (2011), isso ocorre quando as relações de trabalho passam de autônomas para heterônomas, podendo daí emergirem acordos, pressões, imposições, conflitos e resistências. No sistema capitalista de produção, o tempo de trabalho ganha maior dimen- são social e conceitual. Para viabilizar a acumulação, o sistema de capital procura estender o tempo de trabalho para além dos limites praticados nos regimes ante- riores. Os trabalhadores, por sua vez, resistem e tentam submeter o tempo de trabalho a seu controle. Dessa forma, essa temática torna-se um ponto nevrálgico nas relações entre burguesia e proletariado, entre empregadores e empregados (Dal Rosso, 2011). No Brasil, a partir de 1932, o movimento operário obteve a fixação legal da duração da jornada em oito horas diárias, seis dias por semana, acrescidas da pos- sibilidade de complementar a jornada em duas horas extras por dia. A univer- salização da jornada de 44 horas semanais foi oficializada pela Constituição de 1988, resultando na semana de cinco dias, mantendo-se a possibilidade de fazer duas horas extras por dia. Em que pesem a força e o embate dessa discussão – tempo de trabalho – tanto por parte dos movimentos sindicais quanto por parte das organizações capitalistas, observam-se uma descontinuidade de pesquisa e pouco avanço teóri- co do tema por parte das ciências sociais. Diante desse cenário, Dal Rosso (2011) expõe a teoria das duas principais escolas que se propõem a explicar as mudan- ças de jornada de trabalho: a teoria das escolhas e a teoria valor-trabalho.

Teoria da escolha: fundamentada no conceito de utilidade marginal por William Stanley Jevons (1987), economista britânico do século XIX, que interpreta a variação do tempo de trabalho como resultado de decisões racionais tomadas pelos indivíduos, maximizando a utilidade e minimizan- do os custos das ações. Dessa forma, os indivíduos podem decidir alongar

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sua jornada de trabalho mediante a perspectiva de aumentar sua renda ao mesmo tempo que aumentam o número de horas trabalhadas. Esse é o cha- mado efeito renda, que, segundo Dal Rosso (2011), tem como consequência

o aumento das horas de atividade produtiva do sujeito. Contudo, Dal Rosso

(2011) argumenta que há um momento em que o indivíduo não atribui nenhuma utilidade adicional decorrente do aumento da carga horária (efeito substituição) e decide substituir renda por lazer, conduzindo consequente- mente à redução da jornada.

Teoria valor-trabalho: inspirada em Marx (1978), estabelece o trabalho social- mente necessário como lastro do valor das mercadorias, ou seja, a produção de mercadoria consome a capacidade humana (força de trabalho) durante determinado tempo, produzindo os seguintes valores: valor de uso, imedia- tamente visível na utilidade da mercadoria; valor de troca, incorporado no tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-la. O valor de troca confere valor à mercadoria, que é produto do trabalho humano. Seguindo

o argumento de Marx (1978) sobre a subsunção formal e real do trabalho

ao capital, Dal Rosso (2011) afirma que os principais meios de aumento da produção da mais-valia são o alongamento dos tempos e a intensificação das ações e transformação da base técnica da empresa. Ou seja, o tempo de tra- balho emerge como elemento de contradição na relação dos capitalistas com os assalariados. Dialeticamente, a luta que se estabelece entre esses dois ato- res é responsável por uma discussão histórica ante a diminuição da jornada, modernização das estruturas econômicas e intensificação do trabalho. Dal Rosso (2011) sustenta que o fio condutor da análise refere-se à produção de mais-valia. Reduzida a possibilidade de os capitalistas expandirem a mais- -valia absoluta pelo controle das horas de trabalho, eles recorrem à elevação da composição orgânica do capital, mediante a mais-valia relativa. Como já

propunha Marx (1983, p. 479), “a ideia de que a redução da jornada de tra- balho apressa a mudança tecnológica e esta possibilita a intensificação do trabalho é uma brilhante hipótese teórica”.

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Segundo Dal Rosso (2011), um dos efeitos da modernização da estrutura de trabalho é a redução do volume de trabalho socialmente necessário. Assim, para cada avanço tecnológico, menor é a inserção de mão de obra, gerando con- sequentemente um problema de desemprego crônico do sistema capitalista.

Para que uma jornada de trabalho seja reduzida em seu valor médio (número de horas exigidas em média de cada trabalhador), Dal Rosso (2011) exemplifica que é necessária uma transformação social profunda nas relações entre traba- lhadores e empregadores, de forma que os primeiros adquiram o direito a uma jornada menor.

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Contudo, Dal Rosso (2011) afirma que, para acontecerem essas mudanças políticas e sociais, é necessário que essas transformações ocorram também nas condições materiais e tecnológicas que concentram o processo de trabalho. Para Dal Rosso (2011, p. 42),

[

]

esse exercício teórico demonstra que o entendimento da curva da jornada de

trabalho supõe uma categoria teórica capaz de dar conta das transformações e das

mudanças dos fatores necessários à sua transformação, cuja categoria de práxis social responde a essa necessidade.

Ainda segundo Dal Rosso (2011), a práxis social é o processo pelo qual a socie- dade produz, determina e regula padrões de tempo de trabalho. O processo envol- ve as classes sociais e os grupos que detêm força política na sociedade. A identi- dade da noção de práxis social carrega o sentido de resultado de enfrentamentos que não podem ser preditos, mas exercem implicações sobre o curso da história (Dal Rosso, 2011). Como o tempo de trabalho é parte de uma cadeia de articula- ções mais amplas de natureza econômica, social e política, Dal Rosso (2011) afir- ma que o conceito de práxis social abarca esse complexo de relações entre agentes e classes que, por sua vez, resultam nas práxis sociais de tempo de trabalho. Com base nos pressupostos marxistas de que é por meio do trabalho que o homem se torna um ser social, o trabalho deve ser compreendido como momen- to decisivo na relação do homem com a natureza, pois ele modifica a sua própria natureza ao atuar sobre a natureza externa quando executa o ato de produção e reprodução (Navarro & Padilha, 2007). Todavia, na relação capital-trabalho, as contradições sempre se fizeram pre- sentes: se, por um lado, a atividade laboral legitima-se como importante fonte de saúde psíquica, podendo criar condições para a emancipação do sujeito, por outro, essa mesma atividade dialeticamente aliena, reprime, oprime, controla o sujeito e causa muitas vezes doenças físicas e mentais, levando o indivíduo ao afastamento laboral (Navarro & Padilha, 2007). Marx (1989, p. 148) afirma que, sob o capitalismo, o trabalhador decai à condição de mercadoria e a sua miséria está na razão inversa da magnitude de sua produção:

O

trabalhador se torna tão mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais

a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador se torna uma merca- doria tão mais barata quanto mais mercadorias cria. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens.

O

trabalho não produz só mercadorias; produz a si mesmo e ao trabalhador como

uma mercadoria, e isto na proporção em que produz mercadorias em geral.

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Sobre o controle do tempo de trabalho, Grossin (1991) entende que o enqua- dramento do tempo de trabalho delimita um tempo restrito e cerceado. O tempo de trabalho é estruturado de forma que os tempos próprios dos trabalhadores sejam eliminados e substituídos por tempos impostos. O tempo de trabalho é, assim, coletivo, ativo, fracionado e mecanizado, caracterizando-se ainda pela concentração que busca eliminar pausas e dimensionar paradas em função de tarefas e ritmos (Grossin, 1991). Contudo, Grossin (1991) salienta que, mesmo que as sociedades industriais tenham buscado construir a predominância do tempo de produção, é justamen- te a existência de tempos pessoalmente construídos que protege os indivíduos da dominação excessiva dos tempos que lhes são exteriores. Uma exterioridade diante de sujeitos individuais e não concernente às relações sociais. Para Faria (2012), uma vez definida a dimensão temporal como social e his- toricamente construída, pode-se considerar, então, que uma jornada de trabalho representa uma medida social e juridicamente instituída que expressa um tempo determinado de trabalho ao qual corresponde uma retribuição (salário). Assim, ao tempo de trabalho se opõe determinado tempo de não trabalho ou tempo livre. Nessa acepção, Faria (2012) entende que tanto o tempo de trabalho como o tempo livre são vividos pelos sujeitos trabalhadores como uma experiência sub- jetiva. Em outras palavras, as dimensões desses tempos podem ser formalizadas objetivamente, mas não podem ser vividas objetivamente, pois isso significa- ria atribuir aos sujeitos uma condição de absoluta racionalidade, de uma razão plenamente instrumental, destituída de toda subjetividade, de toda emoção, de todos os sentidos e significados. Contudo, para Faria (2012), isso não significa retirar do tempo sua objeti- vidade, subtrair seus parâmetros, negar sua escala de quantificação, tampouco ignorar que as sociedades sempre procuraram definir critérios para o estabele- cimento de medidas. Significa, sim, considerar que como experiência vivida o tempo é, para os sujeitos, subjetivo. O tempo, nesse sentido, pode ser considerado como um exemplo de uma instituição aliada da produção, na medida em que se torna o padrão regulador da conduta ao quantificar a duração, o momento de início e de interrupção da ativi- dade de trabalho. Mas, pelo mesmo motivo, pode ser um aliado do trabalhador, na medida em que define a dimensão de seu valor de uso e de troca e, portanto,

também do tempo que tem para si (Faria, 2012).

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4 TEMPO DE TRAbALHO FLUIDO: DA SUbMISSãO A UMA DISPONIbILIDADE PERMANENTE E “LIvRE”

Em O capital, Marx (1989, pp. 300-301) dedicou um expressivo capítulo sobre a questão da jornada de trabalho, no qual afirma que, na busca pela extração da mais-valia, o capitalista acabou por impossibilitar que o trabalhador pudesse se realizar no seu tempo de descanso:

Fica claro que o trabalhador durante toda a sua existência nada mais é que força de trabalho, que todo seu tempo disponível é, por natureza e por lei, tempo de trabalho a ser empregado no próprio aumento do capital. Não tem qualquer sen- tido o tempo para a educação, para o desenvolvimento intelectual, para preencher

funções sociais, para o convívio social, para o livre exercício das forças físicas e

espirituais, para o descanso dominical [

].

Mas em seu impulso cego, desmedi-

do, em sua voracidade por trabalho excedente, viola o capital os limites extremos, físicos e morais, da jornada de trabalho. Usurpa o tempo que deve pertencer ao crescimento, ao desenvolvimento e à saúde do corpo. Rouba o tempo necessário para se respirar ar puro e absorver a luz do sol. Comprime o tempo destinado às refeições para incorporá-lo sempre que possível ao próprio processo de produção,

fazendo o trabalhador ingerir os alimentos [

]

como se fosse mero meio de pro-

dução [

].

O capital não se preocupa com a duração da vida da força de trabalho.

Nesse mesmo sentido, é possível constatar que, apesar de todas as transfor- mações ocorridas no mundo do trabalho, como a evolução e rapidez com que os avanços tecnológicos foram inseridos no processo da organização produtiva, elas ainda expressam a necessidade constante de reprodução ampliada do capital ao longo de sua história, resultando, em última instância, na intensificação e explo- ração da força de trabalho. Navarro e Padilha (2007, p. 14) apontam uma contradição marcante dessas transformações:

]

enquanto parte significativa da classe trabalhadora é penalizada com a falta de trabalho, outros sofrem com seu excesso. Além da precarização das condi- ções de trabalho, da informalização, do emprego, do recuo da ação sindical, crescem os problemas de saúde, tanto físicos quanto psíquicos, relacionados ao trabalho.

[

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Cabe ressaltar que, no início do capitalismo, essa invasão se caracterizava de forma opressiva, contudo, na reorganização produtiva decorrente da produção flexível, a intensificação do trabalho e o prolongamento da jornada são realiza- dos justamente pela estratégia de flexibilização e de sua gestão. Gaulejac (2007) faz afirmações emblemáticas sobre as relações de trabalho na sociedade con- temporânea, apontando as sutilezas implantadas pelas organizações nas formas de controle, dos corpos à mobilização do desejo. Segundo Gaulejac (2007), em uma interpretação foucaultiana, na fábrica taylorista a canalização da atividade física tem como objetivo final tornar os corpos úteis, dóceis e produtivos. Esse processo se opera, segundo Foucault (1977), pelo controle do tempo, pelo quadri- culamento do espaço por uma maquinaria de poder que canaliza os corpos para adaptá-los aos objetivos de luta (exército), de produção (fábrica), de educação (escola). Para Gaulejac (2007), o poder gerencialista preocupa-se não tanto em controlar corpos, mas em transformar a energia libidinal em força de trabalho. Ou seja, a economia da necessidade canalizada opõe-se à economia do desejo exaltado, passando do controle minucioso dos corpos à mobilização psíquica a serviço da empresa. A repressão é substituída pela sedução, a imposição pela ade- são, a obediência pelo reconhecimento e a vigilância física pela comunicacional (Gaulejac, 2007, p. 110). Gaulejac (2007) entende que, sob o poder gerencialista, certos aspectos da vigilância continuam vigentes, mediante o uso de crachás magnéticos, laptops, computadores e bipes. Embora ela não seja mais direta, incide sobre o resultado do trabalho e gera, consequentemente, uma “pseudoideia” de liberdade. Trata-se não tanto de regulamentar o emprego do tempo e de quadricular o espaço, mas sim de obter uma disponibilidade permanente para que o máximo de tempo seja consagrado à realização dos objetivos fixados, canalizando esforços a um enga- jamento total para o sucesso da empresa. Como os horários de trabalho não bas- tam mais para responder a essas exigências, a fronteira entre tempo de trabalho e tempo livre torna-se cada vez mais porosa (Gaulejac, 2007). A fim de exemplificar esse fenômeno, Gaulejac (2007, p. 111) descreve uma publicidade da Philips de 1996 que retrata perfeitamente seus argumentos:

“Estar acessível não importa onde, não importa em que momento, é a liberdade de estar ligado!”. Dessa forma, a elasticidade com que o tempo é tratado, somada às novas tecnologias comunicacionais e de gestão a serviço do capital, permite uma utilização não multiplicada do tempo, pois todo o tempo socialmente dispo-

nível pode ser preenchido por outra atividade. Ainda segundo Gaulejac (2007), as perdas de tempo ligadas aos trajetos, às esperas, aos contratempos são ocupadas para resolver problemas momentâneos, para fazer algumas ligações, para complementar relatórios, atualizar planilhas, responder a e-mails, entre outros. Se o tempo de trabalho se torna fluido, o espaço

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deve sê-lo igualmente, haja vista a implantação de escritórios virtuais que têm como premissa equipar cada empregado com computador portátil, celular, aces- so a sistemas de gestão, bastando uma “tomada elétrica” para que o sujeito se conecte com o mundo inteiro. O manager hipermoderno é uma das figuras que se “privilegiam” com as possibilidades reais e concretas de se manter plugado 24 horas por dia. Segundo Gaulejac (2007), não há mais necessidade de um escritó- rio fixo, mas sim de um escritório que o manager transporta consigo; não se trata mais de uma disponibilidade obrigatória durante as horas de trabalho, mas de uma disponibilidade permanente e livre. Dessa forma, o tempo da planificação, da exatidão, da programação linear do emprego do tempo é substituído pela policromia, pela urgência e pelo aleatório

na gestão do tempo. Instrumentos de liberdade, as tecnologias permitem liga- ções para além da fronteira entre o profissional e o privado, o trabalho e o afetivo,

o familiar e o social (Gaulejac, 2007).

5 CONTRADIçõES DECORRENTES DO TEMPO DE TRAbALHO E DO TEMPO LIvRE: CONSIDERAçõES ADICIONAIS

Conforme discutido anteriormente, Cardoso (2007) afirma que o tempo de trabalho, na sociedade contemporânea, vem sofrendo contínua intensificação e flexibilização, ao mesmo tempo que o movimento histórico de redução da jorna-

da de trabalho tem evoluído pouco. Para Cardoso (2007), os tempos de trabalho

e de não trabalho são compreendidos como categorias organizadoras da vida

social, cuja construção se processa socialmente e em cada momento a partir das interações entre os diversos atores sociais. Diante dessa perspectiva, é importante analisar as contradições decorren- tes dessa fluidez – tempo de trabalho versus tempo livre –, ressaltando como os mecanismos sutis e sedutores de controle e poder, presentes nas organizações produtivas contemporâneas, atuam nas relações laborais para além do seu tempo formal, invadindo o tempo de não trabalho dos sujeitos trabalhadores. Para Bacal (1988), o entendimento que se tem é que o tempo livre é aquele de que o sujeito trabalhador dispõe após o tempo necessário para a execução de tarefas de trabalho, pressupondo a liberdade de escolha do que fazer ou não fazer, compreendendo tanto o lazer como o ócio 3 . Nessa mesma linha, Dumazedier

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3 O conceito de Bacal (1988), como se pode perceber, difere daquele proposto por Marx (2011) sobre o tempo de trabalho necessário.

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(1999) concebe o lazer como um tempo dedicado ao conjunto de ocupações às quais os indivíduos podem se entregar de livre vontade para repouso, diversão, recreação, entretenimento, desenvolvimento de formação desinteressada, parti- cipação voluntária em atividades sociais e exercício de livre capacidade criadora, após livrarem-se das obrigações profissionais, familiares ou sociais. Não obstan- te as diferenças de concepção entre tempo de não trabalho, tempo livre, ócio e lazer, o problema do tempo que excede aquele dedicado ao trabalho é cada vez mais complexo e menos definido. Cardoso (2007) sugere que, nas sociedades contemporâneas, a estandardi- zação, a sincronização ou ainda a separação clara entre tempo livre e tempo de trabalho estão desaparecendo. A aparente uniformidade do tempo individual de trabalho sutilmente cede lugar para uma grande diversificação de tempos de trabalho (Cardoso, 2007). Já Zarafian (1996) considera que o movimento his- tórico de separação entre o tempo de trabalho e o tempo de não trabalho esta- ria sendo substituído por um movimento contrário, de reaproximação entre os dois tempos, ou seja, a distinção entre esses dois tempos está dando lugar a um tempo contínuo que não diferencia o tempo de trabalho do de não trabalho. Zara- fian (1996) entende que o tempo de trabalho, desenvolvido no local de trabalho, passa a ser caracterizado pela ausência de limites, de contabilidades, a partir de um controle muito mais interiorizado, indireto e impessoal. Diante dessas transformações e partindo de uma análise das vivências tem- porais cotidianas, é possível afirmar que o trabalho não se resume, nem nunca se resumiu, ao local de trabalho. Cardoso (2007, pp. 37-39) exemplifica essas trans- formações destacando: 1. a forte pressão temporal; 2. o trabalho doméstico des- tituído de reconhecimento e naturalmente atribuído às mulheres; 3. o tempo de trabalho remunerado que extrapola o local de trabalho; 4. as horas de sobreaviso; 5. o tempo dedicado às tarefas levadas para casa, que, na maior parte das vezes, ocorrem de maneira informal e não são contabilizadas, sendo sua utilização cada vez mais facilitada em função da criação de diversos instrumentos como e-mail, celular, computador portátil, internet, entre outros que servem para acionar os trabalhadores a qualquer momento e em qualquer lugar. Cardoso (2007) se refere igualmente àqueles tempos nos quais os traba- lhadores passam a buscar soluções para o processo de trabalho, principalmen- te a partir da ênfase dada à sua participação (caixas de sugestão, CCQ, grupos semiautônomos), levando-os a permanecer conectados no trabalho mesmo

estando distante da empresa. Na concepção de Gaulejac (2007), as representações do tempo são prisionei- ras de uma obsessão da medida de um tempo abstrato, de uma concepção entre um início e um fim. Dito de outro modo, elas se encontram, definitivamente, descoladas do tempo da vida humana, obrigando os homens a sofrer um tempo

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tempo dedicado ao trabalho e tempo livre

abstrato, programado, ao contrário de suas necessidades. A temporalidade do trabalho leva a impor ritmos, cadências, rupturas que se afastam do tempo bio- lógico, do tempo das estações, do tempo da vida humana. A medida abstrata do tempo permite desligá-lo das necessidades fisiológicas ou psicológicas: o sono, o

alimento, a procriação, o envelhecimento etc. Ainda segundo Gaulejac (2007), o indivíduo submetido à gestão deve adap- tar-se ao tempo de trabalho, às necessidades produtivas e financeiras. A adaptabi- lidade e flexibilidade são exigidas em mão única: cabe ao homem adaptar-se ao tempo da empresa, e não o inverso. O manager não suporta as férias. É preciso que o tempo seja útil, produtivo e, portanto, ocupado. A desocupação lhe é insu- portável. A abordagem da qualidade ilustra de modo caricatural essas represen- tações que concebem a vida humana em uma perspectiva instrumental e produ- tivista (Gaulejac, 2007, p. 79). De acordo com o que foi exposto neste ensaio, o controle sobre o tempo da jornada, como mecanismo de medida da produção devido ao processo de traba- lho vivo, é mais intensamente exercido (gerido) pelas unidades produtivas do sistema de capital por meio de dispositivos simples, como relógio-ponto e livro- -ponto, ou mecanismos eletroeletrônicos, como crachás ou cartões magnéticos, registradores eletrônicos, óticos ou digitais. Contudo, é necessário acrescentar que a esses dispositivos são agregadas, atualmente, ferramentas computacionais

e de comunicação via satélite (internet), como telefones celulares e Tablet PC, que permitem o controle do tempo de trabalho a distância. Como exposto, a discussão sobre os conceitos de tempo de trabalho necessá-

rio, tempo de trabalho, tempo disponível, tempo morto e tempo vivo de trabalho, tempo de não trabalho, tempo ocioso e tempo livre procede de várias e diferentes interpretações. Essas distintas abordagens exigem uma definição. Este ensaio permite sugerir que o tempo de trabalho necessário corresponde àquele em que o trabalhador produz o equivalente ao seu próprio valor. Tempo excedente é aquele que extrapola o tempo necessário de trabalho. Dessa forma,

o tempo de trabalho necessário não constitui, no sistema de capital, o tempo de

trabalho ou tempo disponível de trabalho, pois este engloba igualmente o tempo necessário e o tempo excedente de trabalho. O tempo disponível também tem sido chamado de jornada de trabalho, mas

é necessário precisar essa concepção. A jornada de trabalho deve ser compreen- dida como tempo formal de trabalho ou jornada formal, que é aquele regulado nos institutos normativos. O tempo disponível, contudo, sendo o tempo em que

o trabalhador está à disposição da unidade produtiva, comporta tanto a jorna- da formal como os tempos extraordinários, regulados ou não juridicamente. O tempo disponível é todo aquele que o trabalhador dedica ao trabalho.

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No sentido exposto, tempo de trabalho pode ser entendido como a forma simplificada de expressão ou referência ao tempo dedicado ao trabalho ou tempo disponível. Ao tempo de trabalho (dedicado ao trabalho ou disponível), portanto, correspondem tanto o tempo da jornada formal de trabalho como o tempo que

a

excede. O tempo de trabalho comporta tanto o tempo de trabalho vivo como

o

de trabalho morto. Tempo de trabalho vivo é aquele em que o trabalhador

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está efetivamente executando suas tarefas, com exceção dos tempos de paradas e interrupções de trabalho. Tempo de trabalho morto é exatamente aquele em que

o trabalhador, estando à disposição para o trabalho na unidade produtiva, não o

executa devido a interrupções no processo de produção. Embora o senso comum não faça distinção entre tempo morto e tempo ocio- so, eles não são equivalentes. Tempo morto, convém insistir, é aquele em que se processam, durante o tempo disponível de trabalho, tanto interrupções téc-

nicas do trabalho vivo (para manutenção de máquinas, reposição de peças etc.) como interrupções físicas ou legais (intervalos para refeições ou descanso etc.). Assim, o tempo morto de trabalho está contido no tempo disponível de trabalho ou tempo dedicado ao trabalho. Não sem razão, as unidades produtivas investem sistematicamente na redução do tempo morto para transformá-lo em tempo de trabalho vivo. A concepção de que o tempo não trabalhado enquanto o trabalhador se encontra à disposição do trabalho é o mesmo que um tempo produtivo ocio- so difere da concepção de tempo morto de trabalho. Esse tempo chamado de ociosidade produtiva, ou simplesmente de tempo ocioso de trabalho, deve ser entendido como o que se refere ao tempo de trabalho interrompido por motivos externos à atividade em si mesma (falta de energia, falta de matéria-prima, medi- das de segurança etc.). O tempo produtivo ocioso não faz parte diretamente do processo de trabalho e das suas necessárias interrupções técnicas e/ou físicas e legais. Também é fundamental esclarecer que tempo ocioso de trabalho não é, igualmente, o mesmo que tempo socialmente ocioso, pois este corresponde à não atividade de trabalho (aposentados que não mais se encontram no “mer- cado de trabalho” e crianças e jovens que ainda não ingressaram no “mercado de trabalho”). De fato, ao tratar da concepção de tempo livre e de tempo de não trabalho, é também necessário pontuar alguns aspectos. Inicialmente, é preciso indicar que

o tempo de não trabalho refere-se tanto ao tempo livre do trabalhador empre-

gado quanto ao tempo de “inatividade imposta” ao trabalhador desempregado, incluindo aqui aquele trabalhador em busca do primeiro emprego. Trata-se, no caso do trabalhador desempregado, de tempo de não trabalho determinado pelas relações de produção, e não de tempo socialmente ocioso. Em seguida, é neces- sário esclarecer a sobreposição entre os conceitos de tempo produtivo ocioso e

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tempo dedicado ao trabalho e tempo livre

tempo livre. A concepção de tempo livre refere-se ao tempo de não trabalho, e não ao tempo produtivo ocioso, porque o tempo livre do trabalhador empregado é o tempo que o trabalhador tem ou dedica para si mesmo, tanto para seu lazer e seu repouso (chamado também de tempo socialmente supérfluo) como para sua pró- pria formação (educação), para atividades lúdicas, artísticas ou culturais e para o convívio familiar e social (tempo socialmente disponível).

Time DevoTeD To Work anD Free Time:

Socio-HiSTorical ProceSSeS oF conSTrucTion oF Working Time

AbSTRACT

This essays aims to discuss how working time exceeds the formal working time from the following three categories of analysis: 1. working time socially necessary or simply working times required, 2. time devoted to work or time available and 3. free time (which comprises the so-called “time socially expendable”, when refer- ring to the idle time and “time socially available”, which is mediated by the speed resulting from the emerging transformations in the contemporary world). The concept of time spent in this essay is part of a theoretical design that tries to cap- ture this category as social and historical construction and not as an abstract arbi- trary category. This will be dealt with the conceptions of the temporal structure of working time and free time, trying to understand how the border of working time invaded subtly the spare time of the subject employee, making these fluid times, tense, urgent and flexible. This time trapped not by a thorough control of the activity, to adapt the body to work, but for devices that mobilize the subject from goals and projects, channeling all of their potential for capital purposes. The arguments developed in this essay let suggest that working time must cor- respond to that time in which the worker produces the equivalent to your own value. Over time is the one that goes beyond the time required. In this way, the working time required does not constitute, in the capital system, working time or time available, because this also includes the time needed to produce the worker own value and the work over time.

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KEywORDS

Time dedicated to work. Necessary labor time. Time available. Free time. Formal workday.

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JOSÉ HENRIQUE DE FARIA CINTHIA LETÍCIA RAMOS

TiemPo DeDicaDo al Trabajo y TiemPo libre:

ProceSoS Socio-HiSTóricoS De conSTrucción Del TiemPo De Trabajo

RESUMEN

Este ensayo tiene como objetivo discutir cómo el tiempo de trabajo excede el tiempo de trabajo formal de las siguientes tres categorías de análisis: 1. el tiempo de trabajo socialmente necesario o simplemente las horas de trabajo requeridas, 2. el tiempo dedicado al trabajo o tiempo disponible y 3. tiempo libre (que com- prende el denominado “tiempo socialmente prescindible”, al referirse al tiempo de inactividad, y “tiempo socialmente disponible” que es mediada por la veloci- dad resultante de las transformaciones emergentes en el mundo contemporá- neo). El concepto de tiempo referido en este ensayo parte de una concepción que permite capturar esta categoría como construcción social e histórica y no como una categoría abstracta arbitraria. En este ensayo se tratarán de los conceptos de construcción temporal, tiempo de trabajo y tiempo libre, tratando de compren- der cómo la frontera del tiempo de trabajo sutilmente invadió el tiempo libre del trabajador, haciendo estos tiempos líquidos, tensos, urgentes y flexibles. Este tiempo es aprisionado no por un control exhaustivo de la actividad, para adaptar el cuerpo al trabajo, pero por dispositivos que movilizan el trabajador a partir de los objetivos y proyectos, canalizando todo su potencial para fines del capital. Los argumentos desarrollados en este ensayo sugieren que el tiempo de trabajo debe corresponder al tiempo en que el trabajador produce el equivalente a su propio valor. El tiempo excedente es el que va más allá de los plazos requeridos. De esta manera, el tiempo de trabajo necesario no constituye, en lo sistema de capital, el tiempo de trabajo o el tiempo disponible, porque esto también incluye el tiempo necesario y el tiempo excedente de trabajo.

PALAbRAS CLAvE

Tiempo dedicado al trabajo. Tiempo de trabajo necesario. Tiempo disponible. Tiempo libre. Jornada de trabajo formal.

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REFERêNCIAS

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JOSÉ HENRIQUE DE FARIA CINTHIA LETÍCIA RAMOS

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POR UMA TEORIA CRÍTICA DA SUSTENTABILIDADE In A Critical Theory Of Sustainability Resumo José Henrique

POR UMA TEORIA CRÍTICA DA SUSTENTABILIDADE

In A Critical Theory Of Sustainability

Resumo

José Henrique de Faria 1

Este artigo tem por objetivo propor uma teoria crítica da sustentabilidade. Para tanto,

procurar-se-á

resgatar

as

concepções

mais

usuais

e

universais

sobre

o

tema,

aqui

denominadas de Teoria Tradicional da Sustentabilidade, de forma a localizar sua evolução

teórica e conceitual, inclusive em seu viés crítico. A estratégia a ser utilizada será a de

apresentar a teoria tradicional para, posteriormente, retomá-la através de destaques, de

maneira que dê à mesma um significado que seja capaz de mostrar como estas escondem uma

proposta que atende às necessidades do sociometabolismo do capital (Mészáros, 2002). Isto

será feito a partir da definição dos elementos constitutivos de uma teoria crítica da

sustentabilidade. A argumentação que sustenta a teoria crítica sobre a teoria tradicional da

sustentabilidade tem por base a concepção de que a sustentabilidade deve ser compreendida

não apenas como um processo coletivo da produção das condições materiais objetivas e

subjetivas de existência social, mas igualmente como um processo que valoriza do mesmo

modo seus produtores.

Palavras-chave: teoria crítica, sustentabilidade, teoria crítica da sustentabilidade.

1 Possui doutorado em Administração pela Universidade de São Paulo - FEA/USP, Brasil, e Pós-Doutorado em Labor Relations pelo Institute of Labor and Industrial Relations - ILIR – University of Michigan, EUA. Mestrado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - PPGA/UFRGS, Brasil e a graduação em Ciências Econômicas pela Faculdade de Administração e Economia FAE- PR, Brasil. Professor Titular da UFPR, no Programa de Pós-Graduação em Administração - PPGADM, Brasil, nível Mestrado e Doutorado. Pesquisador e Líder do Grupo de Pesquisa Economia Política do Poder e Estudos Organizacionais - UFPR/CNPq, Brasil. E- mail: jhfaria@gmail.com

Abstract This paper proposes a critical theory of sustainability. To do so, we will retrieve

Abstract

This paper proposes a critical theory of sustainability. To do so, we will retrieve the more

usual and universal conceptions of the subject, hereby called the Traditional Theory of

Sustainability, in order to find their theoretical and conceptual developments, including their

critical bias. We will present such traditional theory and then review it through high lights as

to give it a meaning that is able to show how it hides a proposal that meets the needs of the

socialmetabolism of capital (Mészáros, 2002). This will be done from the definition of the

components of a critical theory of sustainability. The arguments in support of the critical

theory on the traditional theory of sustainability is based on the idea that sustainability should

be understood not only as a collective process of production of objective and subjective

material conditions of social existence, but also as a process that likewise values its

producers.

Keywords: critical theory; sustainability; critical theory of sustainability.

A Teoria Tradicional da Sustentabilidade O conceito de sustentabilidade tem origem em 1987, quando a

A Teoria Tradicional da Sustentabilidade

O conceito de sustentabilidade tem origem em 1987, quando a então presidente da

Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, G. Harlem Brundtland

apresentou para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) o documento

"Nosso Futuro Comum", que ficou conhecido como Relatório Brundtland (ONU, 2007).

Nesse Relatório, o desenvolvimento sustentável foi conceituado como sendo aquele que

atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras

atenderem as suas próprias necessidades. Imediatamente, este conceito deu origem ao de

Sustainability, que é uma ação em que a elaboração de um produto ou desenvolvimento de

um processo não compromete a existência de suas fontes, garantindo a reprodução de seus

meios.

Como consequência, logo se propôs o conceito de desenvolvimento sustentável enquanto

um processo de gerar riqueza e bem-estar, ao mesmo tempo em que promoveria a coesão

social e impediria a destruição do meio ambiente (Santana, 2008). A sustentabilidade passou

a

ser então adjetivada e conceituada de acordo com paradigmas, modelos e critérios.

Esse paradigma tripolar refere-se diretamente à integração entre a economia, o ambiente

e

a sociedade, conduzida e praticada em conjunto por três grupos: empresários, governo e

sociedade civil organizada (Almeida, 2002). Enquanto “modelo colaborador-comunidade”, o

paradigma indicaria que a preocupação central das empresas deveria ir além da produção e

geração de dividendos. Neste sentido, seria de se considerar que deve haver, por parte das

empresas, maior envolvimento com questões que proporcionam o bem-estar dos seus

empregados, associadas à preocupação com a comunidade da qual fazem parte estes mesmos

empregados. Mas entre o modelo e sua prática, há uma distância equivalente à que separa a

intenção do gesto.

Enquanto critério da responsabilidade social, o paradigma remete à busca do desenvolvimento sustentável em que

Enquanto critério da responsabilidade social, o paradigma remete à busca do

desenvolvimento sustentável em que três critérios fundamentais devem ser obedecidos ao

mesmo tempo: equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica (Kraemer, 2005).

Na mesma linha, foram listados os elementos motivadores da sustentabilidade (Hart &

Milstein, 2003).

i. O primeiro relacionar-se-ia com a crescente industrialização e suas

consequências, como o consumo da matéria-prima, poluição e geração de resíduos, sem

perder de vista que o cuidado com essas questões seria crucial para o desenvolvimento

sustentável;

ii. O segundo estaria relacionado à proliferação e à interligação dos stakeholders

(grupos de interesse) 1 que fazem com que as empresas funcionem de maneira responsável e

transparente, objetivando a formação de uma base de stakeholders bem informada e ativa;

iii. O terceiro diria respeito às tecnologias emergentes, na medida em que elas

ofereceriam soluções inovadoras e poderiam tornar obsoletas as bases das indústrias que

usassem energia e matéria-prima de forma intensiva;

iv. O quarto, de cunho social, diria respeito ao aumento da população, da pobreza

e da desigualdade social, que estaria acarretando como consequência a decadência social.

A atenção por parte dos empresários a esse conjunto de motivadores deveria ser vista

como oportunidades para que as empresas tivessem seu valor de mercado aumentado. As

empresas, ao assumirem o desenvolvimento sustentável, contribuiriam para a melhoria das

suas relações com seu ambiente interno e externo e obteriam vantagens nessa ação (Hart &

Milstein, 2003).

Neste sentido, a sustentabilidade estaria baseada em quatro princípios:

1

A

parte

interessada

na

atividade

da

empresa,

como

acionistas,

funcionários,

consumidores, fornecedores, concorrentes e Governo.

comunidades,

ONGs,

Organizações e Sustentabilidade, Londrina, v. 2, n. 1, p. 2-25, jan./jun. 2014. Recebido em 01/04/2014. Aprovado em 13/06/2014. Avaliado em double blind review.

v. 2, n. 1, p. 2-25, jan./jun. 2014. Recebido em 01/04/2014. Aprovado em 13/06/2014. Avaliado em
i. Princípio precatório: determinaria que onde houvesse possibilidade de prejuízos sérios à saúde dos seres

i. Princípio precatório: determinaria que onde houvesse possibilidade de

prejuízos sérios à saúde dos seres vivos, a ausência de certeza científica não

deveria adiar medidas preventivas;

ii. Princípio preventivo: os riscos e danos ambientais deveriam ser evitados o

máximo possível e ser avaliados previamente, com objetivo de escolher a

solução adotada;

iii. Princípio compensatório: compensações para vítimas da poluição e outros

danos ambientais deveriam estar previstas na legislação;

iv. Princípio do poluidor pagador: os custos da reparação ambiental e das medidas

compensatórias deveriam ser assumidos pelas partes responsáveis (ONU,

2007).

As Cinco Abordagens Tradicionais Sobre Sustentabilidade

O conceito tradicional de sustentabilidade apresenta diferentes abordagens. As duas

primeiras (tradicional clássica e tradicional moderna) decorrem da concepção econômico-

liberal de mercado:

i. Concepção Tradicional Clássica: parte do pressuposto de que pressão de

concorrência, crescimento econômico e prosperidade levam automaticamente

ao uso racional dos recursos naturais, ao progresso tecnológico e a novas

necessidades de consumo compatíveis com as exigências do meio ambiente. O

mercado é o melhor mecanismo para garantir a satisfação dos desejos

individuais, inclusive dos desejos ambientais (Dryzek, 1992). À medida que os

consumidores manifestem sua consciência ecológica nas decisões de compra,

o mercado responde a esta demanda com a oferta crescente de produtos e

serviços ecológicos (Mason, 1999).

ii. Concepção Tradicional Moderna: defende a internalização dos custos ambientais (os quais costumam ser avaliados

ii. Concepção Tradicional Moderna: defende a internalização dos custos

ambientais (os quais costumam ser avaliados e calculados de forma monetária)

(Munasinghe, 2002) através da introdução de sistemas de estímulo de

mercado, geralmente com o auxílio de impostos e taxas ambientais ou do

comércio de títulos de poluição. O caráter desta concepção restringe-se à

reivindicação de um crescimento qualitativamente diferente, ou seja, um

crescimento que leve em conta impactos ambientais e sociais. A necessidade

de pagar pelo "direito" de poluir, tende a promover mais ainda o produtivismo

e a competição pelos recursos escassos, deixando as empresas e nações mais

ricas em uma posição bastante favorável na competição sempre mais

globalizada. Além disso, não dá para ignorar que tanto a proposta de títulos de

poluição, e talvez mais ainda as propostas da internalização dos custos

ambientais via tributação ou taxas ambientais, na sua essência já contradizem

o ideário fundamental do liberalismo, visto que tais propostas representam por

si só uma interferência nas escolhas privadas.

iii. Concepção Tradicional Ecológico-tecnocrata: defende a concepção da

sustentabilidade planejada. Esta abordagem parte da ideia de que a superação

dos problemas ambientais é perseguida por meios gerenciais, em uma

perspectiva tecnocrática, geralmente baseada no centralismo do processo

decisório, confiando na capacidade técnica do planejador. A intervenção do

Governo via planejamento, é considerada indispensável para reduzir ou evitar

os efeitos nocivos dos processos de crescimento econômico, ou ainda, para

poder eliminar ou reparar distúrbios e danos já existentes.

iv. Concepção Tradicional Biocêntrica e do Ambientalismo Radical: assume uma

posição holística e apresenta uma pretensão universalista-integrativa. Sua

proposta é de que todas as políticas e atividades sociais sejam subordinadas às exigências da

proposta é de que todas as políticas e atividades sociais sejam subordinadas às

exigências da sustentabilidade da natureza. Esta postura biocêntrica se

encontra também na concepção filosófica da ecologia profunda, em que as

ações se voltam às transformações culturais ocorridas com o fortalecimento do

movimento ambientalista e dos movimentos sociais em geral. Do mesmo

modo, a abordagem do ambientalismo radical rejeita o consumismo

prevalecente nas sociedades modernas visando permitir a inclusão dos

objetivos da satisfação das necessidades econômicas básicas da população e da

justiça social, especialmente no que diz respeito aos países em

desenvolvimento (Naess, 1995).

v. Concepção Tradicional da Política de Participação Popular: a participação é

parte fundamental da política ambiental, indispensável para uma mudança

substancial no atual quadro de políticas públicas. O planejamento deve ser

compreendido não apenas como orientado pelas necessidades da população,

mas também como conduzido por ela. O modelo de imposição de vontade

pública conduzida pela base (que é também defendido pelo movimento

ecológico como ordem política preferencial) aposta antes no confronto do que

na cooperação (princípio norteador do ecodesenvolvimento). Em oposição às