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Turma e Ano: Direito Processual Civil - NCPC (2016)

Matéria / Aula: Tutela provisória. Introdução / 110


Professor: Edward Carlyle
Monitora: Laryssa Marques

Aula 110

Tutela provisória:

O CPC/15 trouxe uma abrupta ruptura no tema. No CPC/73, a tutela cautelar e a


tutela antecipada eram tratadas de maneira completamente distinta do que é feito
atualmente.

O legislador parte da ideia de que a tutela provisória está em contraposição à


chamada tutela definitiva.

A palavra “tutela” vem do latim “tutere”, que significa proteção. Portanto, ao


falarmos em tutela definitiva, estamos tratando da proteção definitiva; o mesmo vale para
tutela provisória, que é proteção provisória.

Essa proteção (tutela) pode ocorrer de diversas formas: provisória, definitiva,


cautelar, satisfativa, etc.

No caso da tutela (proteção) definitiva, a pretensão não pode ser formulada


novamente perante ao Estado-Juiz.

O nosso sistema processual, amparado na Constituição - que, em regra, veda a


autotutela -, permite que a pessoa que sinta seu direito lesionado se direcione ao Estado,
apresentando uma relação jurídica de direito material e provocando-o a exercer a atividade
jurisdicional. O Estado, por seu turno, se manifesta uma única vez acerca desta relação
jurídica; do contrário, haveria grande insegurança jurídica.

Na doutrina, a palavra “tutela” é relacionada com o indivíduo que possui direito. Se o


sujeito se dirige ao juízo pleiteando algo e em não havendo certeza de que ele tem direito no
seu pleito, fala-se que ele está pleiteando a atividade jurisdicional. Caso se trate de quem
possui o direito alegado, fala-se que o sujeito pleiteia a tutela jurisdicional.





Tutela (proteção) definitiva:

É a oportunidade em que o Estado examina a relação jurídica de direito material (que


lhe foi levada para conhecimento e decisão) e a decide definitivamente.

A tutela definitiva é baseada em cognição exauriente -> exame todos os argumentos


apresentados no curso do processo e com a profundidade necessária para que o juiz possa
formar sua convicção sobre as alegações do autor e do réu.

Como a cognição exauriente pressupõe uma análise aprofundada de todas as


questões apresentadas no processo pelas partes, ela deve ser realizada com a fiel observância
dos princípios do contraditório e da ampla defesa.

Dessa forma, é natural que a tutela definitiva tenha aptidão para produzir coisa
julgada material.

A doutrina afirma que a tutela definitiva pode se manifestar, processualmente, de


duas maneiras distintas: (i) através de uma tutela satisfativa; e (ii) através de uma tutela não
satisfativa.

Sentença declaratória,
Certificação de um
constitutiva ou
direito
condenatória

Tutela satisfativa

Execução em sentido
Efetivação de um direito
amplo
Tutela definitiva

Garante a eficácia e a
utilidade de outro Natureza cautelar =
Tutela não satisfativa
provimento jurisdicional tutela cautelar
de cunho satisfativo

A tutela satisfativa é uma proteção que efetivamente examina a relação jurídica de


direito material que está sendo apresentada e a decide. Manifesta-se através da (i)
certificação de um direito; ou da (ii) efetivação de um direito.





Na certificação de um direito, há prolação de uma sentença que declara a existência
ou inexistência de uma relação jurídica (declaratória); que cria, extingue ou modifica uma
relação jurídica (constitutiva); ou que condena uma das partes a uma prestação de dar, fazer,
não fazer (condenatória).

Já na efetivação de um direito, concretiza-se o direito definido na sentença


declaratória, constitutiva ou condenatória. São atos realizados com o objetivo de dar
satisfação/efetivação ao direito do credor. Trata-se de uma execução em sentido amplo.

A tutela não satisfativa, por sua vez, trata de determinada providência jurisdicional
que não decide propriamente a relação jurídica de direito material. É uma espécie de tutela
através da qual se protege a eficácia e a utilidade de outro provimento jurisdicional de cunho
satisfativo. É tutela cautelar.

Note que como a tutela cautelar é hipótese de tutela não satisfativa, sem dúvidas, é
hipótese de tutela definitiva.

Diante disso, a tutela cautelar é baseada em uma cognição exauriente, observância do


contraditório e ampla defesa e possui aptidão para formar coisa julgada material.

Cuidado! À luz do CPC/73, era defendido exatamente o contrário.

Características da tutela cautelar:

Como apontado acima, a tutela cautelar não é tutela provisória. Disso decorrem as
características a seguir arroladas.

• Referibilidade -> a tutela cautelar tem como objetivo garantir a eficácia e a utilidade de
outro provimento jurisdicional. Sempre se refere à proteção de um direito material que se
pretende proteger em outro procedimento jurisdicional.
• Temporariedade -> produz efeitos enquanto houver necessidade de se garantir a eficácia
e utilidade de outro provimento jurisdicional.
o Obs.: Provisória x Temporária -> a primeira é aquela em que os efeitos ocorrem
(eficácia) durante determinado período, mas serão substituídos por outro





provimento (conduta)1. A segunda é aquela que também tem eficácia durante
determinado período, no entanto, não será substituída por outro provimento.

Existe mérito na tutela cautelar?

Como é cediço, mérito pode ser tratado como sinônimo de pedido. E é óbvio que
existe um pedido na tutela cautelar. É um pedido no sentido de que o juiz garanta a eficácia e
utilidade de um futuro provimento jurisdicional de cunho satisfativo.

O pedido formulado no âmbito da cautelar é, assim, distinto daquele formado no


processo de cunho satisfativo.

A causa de pedir, no âmbito da tutela cautelar, é comumente tratada como sendo a


presença do fumus boni Iuris (“fumaça do bom direito” -> plausibilidade do direito afirmado)
e o do periculum in mora (dano irreparável ou de difícil reparação por conta da demora na
prestação da tutela definitiva).


1 Ex.: casal mora num flat para aguardar o apartamento ficar pronto -> é provisório. No momento em que o
apartamento em obras for finalizado, eles irão se mudar em definitivo.