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Sumário

Apresentação ........................................................................................................................................... 3
Aula 01 - Hoje foi o dia mais quente do ano, de novo? ..................................................................... 4
Mudança do Clima e Educação Ambiental: um desafio pedagógico ................................................................4
Tá calor, chove muito, aff...que secura! Quanto custa este mal-estar?.............................................................5
O ar: esse elemento invisível com uma estrutura complexa - fundamental para nossa vida ..................7
Qual a diferença entre tempo, clima e mudança do clima? .............................................................................. 12
Ciclo do carbono ............................................................................................................................................................... 14
Aula 02 - O que os cientistas dizem? .................................................................................................. 19
O Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC): 4º Relatório de Avaliação ....................... 19
Eventos extremos: o que diz o Relatório do IPCC de 2012?.............................................................................. 26
Adaptação e Mitigação: alguns exemplos ................................................................................................................ 27
Novos conceitos: Vulnerabilidade e capacidade adaptativa ............................................................................. 30
Aula 03 - A água, o mar, o ar e a terra conduzem o clima............................................................... 33
As nuvens e o mar ............................................................................................................................................................. 33
Uso da terra e florestas ................................................................................................................................................... 37
Florestas, uma solução! ................................................................................................................................................... 41
A cidade: veículos automotores e emissões de CO2 ............................................................................................ 44
A cidade: aterro sanitário e biogás ............................................................................................................................. 47

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Apresentação

Bem-vindo ao Módulo 01 do curso Educação Ambiental e Mudança do Clima. Em cada aula deste
módulo, abordaremos um tema acompanhado de vídeos, curiosidades, referências bibliográficas, glossário, sites
de pesquisas e ainda conteúdos enriquecidos com poemas.
Ao final de cada aula, vamos praticar nossa aprendizagem no item “coloque em prática”. Ao final do
curso, faremos uma avaliação de conteúdo, além de um questionário de satisfação sobre o curso, dos conteúdos
e da administração. A seguir uma prévia do que será trabalhado em cada aula deste módulo.
Na Aula 01, que tem como título Hoje foi o dia mais quente do ano, de novo?, vamos discorrer sobre
os seguintes assuntos:
Mudança do Clima e Educação Ambiental: um desafio pedagógico.
Tá calor, chove muito, aff... que secura! Quanto custa este mal-estar?
O ar: esse elemento invisível com uma estrutura complexa - fundamental para nossa vida.
Qual a diferença entre tempo, clima e mudança do clima.
Ciclo do carbono.

Na Aula 02, que tem como título O que os cientistas dizem?, vamos introduzir mais
novidades:
O Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC): 4º Relatório de Avaliação.
Vamos conhecer o 5º Relatório de Avaliação do IPCC?
Eventos extremos: o que diz o Relatório do IPCC de 2012?
Adaptação e Mitigação: alguns exemplos.
Novos conceitos: vulnerabilidade e capacidade adaptativa.

Na Aula 03, que tem como título A água, o mar, o ar e a terra conduzem o clima, vamos conhecer
a trajetória dos Gases Efeito Estufa (GEE) relacionando-os aos temas água e florestas, e sua produção em setores
econômicos e nas cidades.
As nuvens e o mar.
Uso da terra e florestas.
Florestas, uma solução!
A cidade: veículos automotores e emissões de CO2.
A cidade: aterro sanitário e biogás.

Esperamos que você compreenda o que é Mudança do Clima – os principais conceitos, as causas e os
efeitos na natureza e nas vidas das pessoas.
Vamos começar? Boa aula!

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Aula 01 - Hoje foi o dia mais quente do ano, de novo?

Mudança do Clima e Educação Ambiental: um desafio pedagógico

“Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.

E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.

Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...”

(Mário Quintana)

Neste módulo, pretendemos mostrar o senso de urgência e a necessidade de transformação imediata


das pessoas e da sociedade, de modo que os impactos resultantes da Mudança do Clima possam ser
minimizados.
Além da produção e disseminação do conhecimento científico e das negociações diplomáticas de
acordos internacionais, esse tema precisa ser inserido de forma crítica nas ações individuais e coletivas. Assim,
cabe a Educação Ambiental (EA) refletir e questionar essa visão hegemônica. Há um esforço dos pesquisadores
e educadores ambientais em efetivar a EA nesse contexto.
Em 2008 e 2009, a International Alliance of Leading Education Institutes (IALEI) – em português Aliança
Internacional das Principais Instituições Educacionais – desenvolveu uma pesquisa sobre o tema: Mudança
Climática e Desenvolvimento Sustentável: a resposta da educação, que envolveu nove países entre eles o Brasil.

Uma das questões estruturais, apontada no relatório foi:

Pode a educação contribuir com o desafio de lidarmos com a necessidade de mitigação e


adaptação às mudanças climáticas? Se sim, como se daria tal contribuição e como esta
influenciaria a educação para o desenvolvimento sustentável e vice-versa?

Para a IALEI, as mudanças climáticas representam, do ponto de vista pedagógico, um desafio para testar
a capacidade de se organizar a aprendizagem em torno de problemas caracterizados por dinâmicas sociais
complexas, conhecimento incerto e riscos. A questão mais desafiadora, portanto, é criar condições para que as
iniciativas educacionais sejam estratégicas para realizar as mudanças necessárias para motivar os cidadãos a
agirem em direção às metas de sustentabilidade.

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A realização de uma pesquisa documental, por Reis e Silva (2016), comprova esse desafio e aponta que
a mudança do clima pode ser consequência tanto de causas naturais como antropogênicas, ou ambos, de forma
desiquilibrada. No entanto, está no campo de conhecimento da EA, proporcionar, como processo educativo,
reflexões sobre a complexidade e as controvérsias inerentes das questões ambientais, que inclui o fenômeno da
mudança do clima.
A construção da EA na esfera da política pública para trabalhar a Mudança do Clima, implica em
processos de mobilização, construção de acordos e de regulamentação e em parcerias que fortaleçam a
articulação dos diferentes atores sociais.
Esse tema, ampliado pela lente da EA, transforma-se em ações educativas cujo foco é a sensibilização
e compreensão a respeito do fenômeno climático para entender a dinâmica dos processos de adaptação, para
desempenhar uma gestão territorial sustentável, para formar educadores ambientais e para produzir e
aplicar ações de educomunicação socioambiental.

Leia a pesquisa do Instituto Datafolha sobre as mudanças no clima.

Segundo o levantamento, realizado pelo Instituto Datafolha, encomendado pelo


Observatório do Clima e pelo Greenpeace Brasil, realizado em março de 2015, 95% dos
cidadãos acham que as mudanças do clima já estão afetando o Brasil.

Para nove em cada dez entrevistados, as crises da água e energia têm relação direta com
o tema, sendo que para 74% há muita relação entre a falta de água e luz e as mudanças
climáticas. Para mais informações (https://secured-
static.greenpeace.org/brasil/Global/brasil/image/2015/Maio/datafolha%20clima.pdf).

Tá calor, chove muito, aff...que secura! Quanto custa este mal-estar?

“É sempre a mesma notícia! Hoje foi o dia mais quente do ano! Fortes chuvas causaram enchentes em
várias cidades causando enormes transtornos para a população.”

Assista ao vídeo intitulado Caixa que foi escrito e concebido por Luciana Eguti como uma
lembrança de que fazemos todos parte do mesmo planeta. O desmatamento e ao
aumento da poluição geram efeitos em cadeia, que prejudicam a sociedade como um
todo. O vídeo tem a intenção de alertar para esta problemática.

(https://www.youtube.com/watch?v=fyuCEQDhFlQ&list=PL1x_JPbKGmcwkg4mbHKCs2xr
QisAcFq4m&index=32%2)

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A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) deu uma alerta dizendo
que janeiro de 2016 foi o mês mais quente desde que os registros começaram a serem feitos em 1880,
ultrapassando o recorde anterior de 2007 em 0,16ºC, e concluiu que a temperatura média na terra e nas
superfícies dos oceanos foi de 1,04°C acima da média de janeiro durante o século XX.
Em fevereiro de 2016, os cientistas iniciaram os alertas sobre uma possível emergência climática, pois
a diferença de temperatura também foi recorde. Segundo os dados da Agência Espacial Americana (NASA), o
clima esquentou mais do que já tinha esquentado em fevereiro de qualquer outro ano. Registrou a
temperatura de 1,35°C mais quente do que a média observada no planeta entre 1951-1980. Trata-se do
mais alto valor para um mês desde que a temperatura do planeta começou a ser registrada, em 1880. Esse novo
recorde foi rotulado pelos cientistas como "chocante" os quais alertaram para uma "emergência climática". E
isto, de novo, repetiu-se em março. Aliás, de novembro de 2015 até maio de 2016, todos os meses bateram
recorde de calor.
O quadro abaixo mostra que os desvios de temperatura de janeiro e fevereiro de 2016 foram os maiores
desde o começo da medição.

Em 2014, o mesmo alerta.


Em 2014, a Organização Meteorológica Mundial (WMO) citou o Brasil na lista de eventos climáticos
extremos ocorridos em algumas partes do mundo desde dezembro de 2013. O órgão destacou a onda de calor
prolongada no país onde partes do Brasil tiveram o janeiro de 2014 mais quente da história. Além do Brasil,
houve um período de calor incomum registrado na Argentina, na Austrália e na África do Sul, fortes chuvas que
provocaram inundações no Reino Unido e ondas de frio e nevascas em grande parte dos Estados Unidos e no
estado da Califórnia.

As populações mais vulneráveis são as que mais sofrem


O relatório, divulgado em 29 de novembro de 2015, “O Custo Humano dos Desastres Relacionados ao
Clima” das Nações Unidas – ONU, alerta que os desastres climáticos mataram 606 mil pessoas em todo o mundo
nos últimos 20 anos. Segundo o relatório, 90% dos principais desastres naturais foram causados por 6.457
enchentes, tempestades, ondas de calor, secas entre outros.
Os especialistas disseram que desde a 1ª Conferência sobre Mudança Climática, COP 1, em 1995, 4,1
bilhões de pessoas ficaram feridas, perderam a casa onde moravam ou precisaram de ajuda de emergência por
causa de desastres relacionados ao clima.
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A Ásia foi o continente a que mais sofreu durante as duas últimas décadas com mais de 330 mil mortes
e 3,7 bilhões de pessoas afetadas pelos desastres naturais causados pelo clima. As enchentes foram responsáveis
pela maioria dos desastres, atingindo 2,3 bilhões de pessoas e deixando 157 mil mortos.
As ondas de calor mataram 148 mil pessoas no mundo, mais de 90% delas em países de alto poder
econômico. A Europa registrou a maioria desses óbitos. As secas afetaram mais a África do que qualquer outro
continente. Foram 136 eventos registrados entre 1995 e 2015. Não se trata apenas de um calorzinho: o
desequilíbrio do clima provoca o aumento de tempestades, secas em algumas regiões e enchentes em outras.
As geleiras dos polos da Terra começam a derreter e provocam uma elevação do nível dos oceanos.
Cientistas preveem que cidades inteiras podem ser engolidas pelas águas, e muitas espécies de plantas e animais
se extinguirão.
Quanto custa tudo isto?
Um estudo divulgado em abril de 2016 na revista científica Nature, mostra que um aquecimento de
2,5°C até 2100 pode colocar em risco US$2,5 trilhões em ativos, o que representa 1,8% da economia global. Se
limitarmos o aquecimento do planeta em 2°C, poderíamos reduzir significativamente esses valores, embora já
se tenha calculado um custo de US$1,7 trilhões para cobrir o risco já existente por conta do clima.

Em 2013, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) divulgou um relatório onde alerta que a
agricultura deverá ser o setor da economia mais afetado pelas mudanças climáticas ao longo do século 21. O
prejuízo do agronegócio com problemas climáticos pode chegar a R$ 7,4 bilhões em 2020 e R$ 14 bilhões em
2070. Até 2030, a produção de soja, por exemplo, pode ter perdas de até 24%.
Além disso, o estudo afirma que as mudanças nos regimes de chuva e a elevação da temperatura média
prejudicará a agricultura principalmente no Nordeste, onde a distribuição de chuvas pode cair até 50%.

O gasto com mudança do clima agora representa economia no futuro.

Por cada US$ 1 investido em prevenção, podem-se poupar de US$ 3 a US$ 12 em


resposta. Fonte: SNIP (Peru).

O ar: esse elemento invisível com uma estrutura complexa - fundamental para
nossa vida

Na figura abaixo, observe uma fina camada que envolve o planeta como se fosse uma gelatina
transparente.

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Uma das grandes revelações da exploração espacial é a imagem da Terra, finita e solitária
acomodando toda a espécie humana por meio dos oceanos, do tempo e do espaço.

(Carl Sagan)

Vamos ver a imagem acima em movimento?

Assista ao vídeo do Planeta Terra visto do espaço:

https://www.youtube.com/watch?v=QjZv2ukqb_g

O ar atmosférico é constituído por uma mistura de diversos gases, como o nitrogênio, oxigênio, gás
carbônico e gases nobres e é distribuído por cinco camadas:
Exosfera
Termosfera
Mesosfera
Estratosfera
Troposfera

Essas camadas protegem o planeta, pois se elas não existissem não suportaríamos o calor emitido
pelos raios solares. Da mesma forma aconteceria o resfriamento da Terra durante a noite, onde perderíamos
todo o calor adquirido pelo sol, sofrendo uma variação muito rápida de temperatura.

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A camada de ar mais próxima da Terra recebe o nome de Troposfera, essa camada se estende até 20
km do solo, no equador, e a aproximadamente 10 km nos polos. É o ar em que vivemos, respiramos e onde
ocorrem fenômenos naturais como chuvas, neves, ventos e relâmpagos. É também na troposfera que se acumula
a poluição do ar. Os aviões de transporte de cargas e passageiros voam nesta camada. As temperaturas nesta
camada podem variar de 40°C até –60°C. Quanto maior a altitude menor a temperatura.
Acima da troposfera está a Estratosfera. Essa camada ocupa uma faixa que vai até 50 km acima do
solo. As temperaturas nesta camada variam de –5°C a –70°C. Os gases que compõem a atmosfera têm efeito
estufa natural e mantém uma temperatura média da superfície da Terra de 15oC possibilitando a existência da
vida no planeta. Sem eles a temperatura seria de -18oC.

Composição da atmosfera: Gases Efeito Estufa (GEE)


A Atmosfera é composta de diversos GEE. Quando este balanço natural é perturbado, a temperatura da
Terra pode ser seriamente afetada. Existe um grupo de gases que estão pesando mais em um lado da balança,
não permitindo a que a radiação retorne ao espaço. Possuem um forte efeito energético e, por inércia,
permanecem na atmosfera um período bem longo.

Um pouco de história
Em 1824, o matemático francês Jean-Baptiste Joseph Fourier calculou quanta radiação chega do Sol
e quanta é remetida pelo planeta. Levou um susto: se dependesse só desse mecanismo de entrada e saída de
energia, o globo seria uma bola de gelo, com temperaturas médias de -15ºC. O francês descobriu que a
atmosfera retinha o calor de maneira análoga à de uma estufa de plantas. Esse fenômeno foi batizado por “efeito
estufa” – era o que permitia a vida na terra, onde a temperatura média é de cerca de quinze graus positivos.
Em 1859, o irlandês John Tyndall verificou o que tinha na atmosfera que retinha a radiação
infravermelha (calor). O oxigênio e o nitrogênio foram inocentados, o vapor d´água retém muito calor, no
entanto possui uma concentração extremamente variável, mas o dióxido de carbono (CO2) se mostrou
extremamente eficiente em absorver o calor. Quando o CO2 retém muito calor aumenta a evaporação na
superfície e aumenta a quantidade média de vapor d’água que por sua vez retém mais calor, ou seja, amplifica
o poder do CO2.

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Assista ao vídeo Mudanças Climáticas que dará uma visão geral sobre a mudança do
clima:

https://www.youtube.com/watch?v=ssvFqYSlMho –INPE

Durante a 1º Guerra Mundial, o matemático sérvio Milliutin Milankovitch concluiu que a


variação orbital da Terra ocorre periodicamente, fazendo com que a radiação solar
chegue de forma diferente em cada hemisfério terrestre de tempos em tempos. Esta
variação provoca os períodos glaciais, que correspondem a longos verões e longos
iinvernos.

A teoria do matemático provou que, em uma escala de tempo de centenas de milhares de anos, havia
três alterações na insolação que a Terra sofre em relação ao seu movimento ao redor do Sol – os chamados
invernos. https://www.youtube.com/watch?v=ssvFqYSlMho –INPE
“Ciclos de Milankovitch”:
Pequenas variações na excentricidade da órbita da Terra em torno do Sol - a forma da órbita da Terra
ao redor do sol (excentricidade) varia entre uma elipse e uma forma mais circular.
Variação na inclinação desse eixo relativamente à elíptica - o eixo da Terra é inclinado em relação ao
sol em aproximadamente 23º. Essa inclinação oscila entre 22,5º e 24,5º (quando a inclinação é maior as estações
são mais extremas - os invernos são mais frios e os verões mais quentes e quando a inclinação é menor as
estações são mais suaves).
Movimento de precessão do eixo da terra - conforme a Terra gira em torno de seu eixo, o eixo também
oscila entre um sentido apontando para a estrela do Norte, e outro apontando para a estrela Vega.

Efeito estufa é fundamental para a vida dos seres vivos na Terra


Efeito estufa é um fenômeno natural de aquecimento térmico da Terra. É imprescindível para manter
a temperatura do planeta em condições ideais de sobrevivência e ocorre da seguinte forma: os raios
provenientes do Sol, ao serem emitidos à Terra, têm dois destinos. Parte deles é absorvido, e transformado em
calor, enquanto outra parte é refletida e direcionada ao espaço, como radiação infravermelha (calor).

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O sistema terra-atmosfera mantém um equilíbrio de energia, pois cerca de 35% da radiação é refletida
de volta para o espaço, enquanto os outros 65% ficam retidos na superfície do planeta, conforme mostra a figura
abaixo:

Quando este equilíbrio começou a ser alterado?


A partir de 1760, marcada pelo início da Revolução Industrial, o homem começou a retirar carvão,
petróleo e gás natural, os chamados combustíveis fósseis, das profundezas da terra e queimá-los em condições
controladas para produzir trabalho mecânico. Assim, a produção industrial, começou a gerar uma quantidade
maior de Gazes de Efeito Estufa (GEE). O excesso de emissões dos gases estufas aumentaram a espessura desta
“manta” que aquecia a Terra, impedindo a saída natural desses gases para o espaço, provocando um
aquecimento acima do normal.
Na década de 1980, ficou claro que a queima de combustíveis fósseis estava aumentando a
concentração de Gases de Efeito Estufa (GEE) relacionados ao processo de expansão do modelo de produção e
consumo empreendido pelos países mais desenvolvidos, a partir da Revolução Industrial. Ou seja, há mais de
três séculos estamos acumulando os GEE na nossa atmosfera provocando uma mudança do clima e,
consequentemente, o aquecimento global no planeta.

Vamos visualizara mais uma vez o Efeito Estufa? Assista:

http://videoseducacionais.cptec.inpe.br/swf/mud_clima/02_o_efeito_estufa/02_o_efeit
o_estufa.shtml - Efeito Estufa - INPEvideoseduc

Agora, vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre o sistema climático: o que é tempo, clima e
mudança do clima.

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Qual a diferença entre tempo, clima e mudança do clima?

Fúria nas trevas o vento


Num grande som de alongar,
Não há no meu pensamento
Senão não poder parar.
Parece que a alma tem
Treva onde sopre a crescer
Uma loucura que vem
Raiva nas trevas o vento
Sem se poder libertar.
Estou preso ao meu pensamento
Como o vento preso ao ar.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro”.

Pesquise na internet a dinâmica dos Gases de Efeito Estufa (GEE). Escolha a


representação gráfica que mais te auxiliou para compreender esse fenômeno.

Vá até a página inicial do curso e clique em Fórum ao lado do Módulo e descreva lá a


representação gráfica que te auxiliou melhor.

O tempo são as condições que experimentamos todos os dias. As previsões do tempo que aparecem
nos noticiários de TV, rádio e jornais.
Trata-se do estado físico das condições atmosféricas em um determinado momento e local sobre a
vida e as atividades do homem.

Assista à animação Bomtempo com direção de Alexandre Dubiela:

https://www.youtube.com/watch?v=yT8Int-7I7Q

Outro exemplo ilustrativo sobre a situação do tempo é mostrado nas figuras abaixo:

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Com a mudança do clima, a climatologia se tornou uma ciência muito importante. Utilizando
tecnologias modernas, principalmente dos satélites, é capaz de oferecer com alto grau de acerto no aumento
ou diminuição persistentes das temperaturas em nosso planeta em longo prazo. Assim, é possível obter dados
e informações cada vez mais precisas sobre chuvas, secas, temporais, furacões, geadas etc.
Além de estudar o clima em um intervalo de tempo, ela também gera inferências que se aplicam ao
passado, ao presente e ao futuro, como: investigar como eram as temperaturas na América Latina antes da
colonização, qual é a divisão climática atual do Brasil ou, ainda, como será o clima da Terra daqui a 50 ou 100
anos.
Podemos dizer que o clima é normalmente compreendido como uma média do tempo de vários anos
para uma determinada região. Abrange maior número de dados e eventos possíveis das condições de tempo
(temperatura, pressão, ventos, umidade, precipitação, correntes marítimas etc.) que perduram durante um
período muito longo e caracterizam uma determinada região. Podemos afirmar que existe uma imensa
variabilidade natural do clima ao longo dos anos ou décadas.
Já a mudança do clima está direta ou indiretamente atribuída à atividade humana que altere a
composição da atmosfera mundial e que se some àquela provocada pela variabilidade climática natural
observada ao longo de períodos comparáveis. A classificação climática se dá em função da latitude,
temperatura e umidade e nem sempre representa uma descrição completa dos climas local e regional.
O clima é modelado por forçantes climáticas que é a diferença entre a quantidade de energia que entra
e sai da atmosfera.
Os paleoclimatologistas* estabeleceram que existem três tipos de balanços energéticos (forçantes
radioativas ou climáticas) para entender a dinâmica do clima:
*Paleoclimatologia é o estudo das variações climáticas ao longo da história da Terra. Para isso, são estudados vestígios
naturais que podem ajudar a determinar o clima em épocas passadas (Wikipédia).

Mudanças na atividade solar: afetam a quantidade de radiação solar recebida pela Terra, provocando
aumento ou diminuição da temperatura global.
Mudanças na órbita da Terra: as alterações na órbita terrestre controlam a quantidade e distribuição
de energia solar recebida pela Terra. Estas alterações são cíclicas e chamadas de Ciclos de Milankovitch.
Movimentação nas placas tectônicas: ao moverem-se, as placas são capazes de originar oceanos e
montanhas, que podem alterar o trajeto de correntes oceânicas, assim como perturbar o fluxo atmosférico

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oriundo de atividades vulcânicas, injetando na atmosfera gases do efeito estufa, por exemplo (JACOBI et al.,
2015).

A figura abaixo mostra o conjunto das variáveis que compõe o sistema:

Na tabela abaixo, segue um resumo dos principais conceitos:

Segue um resumo dos principais conceitos:


Tempo: Estado da atmosfera, em um momento preciso, em relação à temperatura, chuvas, ventos
etc.
Clima: O tempo médio, ao longo de um período de tempo (p. ex. 30 anos), em uma região.
Variabilidade Climática: Variações no estado médio do clima, resultantes de causas
naturais/históricas.
Mudança do Clima: (IPCC 2013): mudança no estado do clima (na média e/ou na variabilidade de
suas propriedades) que persiste por um extenso período de tempo (décadas ou mais). Pode ser atribuída à
variabilidade climática ou à atividade humana.
(UNFCCC): mudança de clima que pode ser direta ou indiretamente atribuída à atividade humana, que
altere a composição da atmosfera global e que se some àquela provocada pela variabilidade climática natural
observada ao longo de períodos comparáveis.

Agora, vamos saber também como funciona o Ciclo do Carbono e sua importância para manutenção
da vida no Planeta.

Ciclo do carbono

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Assista a animação do Ciclo do Carbono produzido pela Fundação Nacional do Índio
(FUNAI):

https://www.youtube.com/watch?v=KdEcH1W9KzY

Existem vários ciclos biogeoquímicos que são governados direta ou indiretamente pela energia solar
e pela força gravitacional e representam o movimento dos nutrientes entre os reservatórios orgânicos e
inorgânicos, ou seja, como um elemento ou elementos químicos transitam por meio da atmosfera, hidrosfera,
litosfera e biosfera da Terra.
Apesar da importância dos ciclos biogeoquímicos, vamos comentar agora somente o Ciclo do
Carbono que está mais diretamente relacionado ao aquecimento da Terra.
O Carbono (C) é um elemento químico de grande importância para os seres vivos, pois participa da
composição química de todos os componentes orgânicos e de uma grande parcela dos inorgânicos também. O
gás carbônico se encontra na atmosfera em uma concentração bem baixa, de aproximadamente 0,03%, em
proporções semelhantes, dissolvido na parte superficial dos mares, oceanos, rios e lagos.
A disponibilidade do carbono se deve ao fato que gases contendo carbono – Metano (CH4) e Dióxido
de Carbono (CO2) - escaparam do interior da terra durante idades geológicas.
Por exemplo: o carvão mineral, petróleo e gás natural são energia solar fixada pelas plantas há milhares
de ano e que tem sido explorada pelos homens em forma de combustível fóssil (TONELLO, 2007).
Pois sendo o carbono o elemento que ancora todas as substâncias orgânicas, de combustíveis
fósseis ao DNA, vamos entender como ele funciona nos processos de respiração e fotossíntese, nos
oceanos e nas rochas.

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Assista ao vídeo sobre Ciclo do Carbono, Ciclo do Nitrogênio e Efeito Estufa:

http://videoseducacionais.cptec.inpe.br/

O Ciclo do Carbono (C) se constitui pela absorção do gás carbônico pelos vegetais no processo de
fotossíntese. Metade desse carbono absorvido é liberada para a atmosfera e a outra metade os vegetais utilizam
para produzir açúcares (glicoses). Os vegetais, pelo processo de respiração, também absorvem gás carbônico e
liberam oxigênio, ao contrário dos animais. Ao ingerir as plantas, os animais ingerem juntamente o carbono
para seu organismo, sendo liberado por meio da respiração ou de sua decomposição. Como alguns fungos e
bactérias são responsáveis pela decomposição tanto de animais como a de vegetais, eles ingerem parte desse
carbono, liberando-o para a atmosfera e para o solo.
Além das bactérias, o processo de queimadas também libera o gás carbônico no solo e na
atmosfera. O carbono depositado no solo pode sofrer alterações transformando-se em combustíveis fósseis
como o petróleo e o gás natural, além de formar diamantes, grafites e minas de carvão, entre outros. Assim, o

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carbono se transforma em diferentes matérias pela pressão, temperatura e outros elementos químicos aplicados
em tempos diferentes.
O ciclo do carbono também se estende aos oceanos, onde ocorre a difusão. Quando a temperatura é
baixa, o gás carbônico é capturado pelos oceanos, e quando a temperatura é alta, é liberado pelos oceanos para
a atmosfera. No mar, o carbono serve de alimento para os fitoplânctons, podendo ser ingerido por peixes por
meio da alimentação, ou indo para o fundo dos oceanos para sofrerem o processo de decomposição.

Que pelo menos há 800 mil anos antes da era pré-industrial a concentração de CO2
(dióxido de carbono) jamais ultrapassou 300 ppm (partes por milhão) e, em 2013, a
concentração de CO2 chegou a 400 ppm pela primeira vez.

Em 1958, quando as medições sistemáticas de CO2 na atmosfera começaram a serem


feitas no alto do vulcão Mauna Loa, no Havaí, pelo americano Charles David Keeling, a
concentração era de 315 ppm.

Qual a relação do ciclo do carbono com o aquecimento global?


O ciclo de carbono é caracterizado por um pequeno reservatório atmosférico, porém muito ativo, sendo
vulnerável às perturbações antropogênicas e tem uma estreita relação com o aquecimento global.
O ciclo global do carbono é formado por dois ciclos que acontecem em diferentes velocidades: o ciclo
biogeoquímico e o ciclo biológico.
O ciclo biológico envolve as atividades tanto de micro-organismos como de organismos
macroscópicos, e está intimamente relacionado com o ciclo do oxigênio, pois equilibra o processo de respiração
– uma vez que o carbono é transformado em dióxido de carbono (CO2). O dióxido de carbono é removido da
atmosfera principalmente pela fotossíntese das plantas terrestres, sendo devolvido à atmosfera por meio
da respiração de plantas, animais e microrganismos.
As florestas do mundo não são apenas os principais consumidores de dióxido de carbono em terra,
mas também representam o principal reservatório de carbono fixado biologicamente – formação de biomassa.
Depois de mortos, tanto animais quanto vegetais sofrem a ação dos decompositores. Se a
decomposição de sua matéria orgânica for total, há liberação de gás carbônico, gás metano e água, e se for
parcial, há transformação em material combustível (petróleo e carvão). A matéria combustível, quando
queimada, devolve o carbono à atmosfera na forma de CO2.
No ciclo biogeoquímico é quando ocorre a transferência de carbono entre a atmosfera e a litosfera
(oceanos, rios e solos). O CO2 que é solúvel em água, é trocado entre a atmosfera e a hidrosfera pelo processo
de difusão, essa troca é contínua até o estabelecimento de um equilíbrio entre a quantidade de CO2 na atmosfera
acima da água e a quantidade de CO2 na água.

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O carbono emitido para a atmosfera não é destruído, mas sim redistribuído entre diversos reservatórios
de carbono. O maior reservatório de carbono encontra-se nos sedimentos e nas rochas da crosta terrestre,
contudo, o tempo necessário à sua conversão é tão longo que é relativamente insignificante em uma escala
humana.
A escala de tempo de troca de reservas de carbono pode variar de menos de um ano a décadas ou até
mesmo milênios. Esse fato indica que o tempo necessário para que a perturbação atmosférica causada pela
concentração do CO2 volte ao equilíbrio não pode ser definido ou descrito por meio de uma simples escala de
tempo constante. Para se obter alguns parâmetros científicos, a estimativa de vida para o CO2 atmosférico é
definida em aproximadamente cem anos.

Chegamos ao final desta aula e com ela, aprendemos as noções básicas sobre a Mudança do Clima,
suas causas e seus efeitos na natureza e nas pessoas.

Na Aula 02, O que os cientistas dizem?, vamos trazer mais informações sobre o Painel
Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC). Até lá!

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Aula 02 - O que os cientistas dizem?

Olá, caro(a) cursista!


Antes de iniciarmos a Aula 02, vamos relembrar o que vimos na Aula 01. Lá falamos sobre a mudança
do clima sob a ótica das ciências da natureza apresentando alguns conceitos, as causas e os efeitos do
aquecimento global. Como esse assunto é muito complexo, vamos sempre retomar alguns conceitos e
apresentar outros.
Bom, já nesta aula, vamos conhecer o Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC), a maior
autoridade científica do mundo sobre mudança do clima e as evidências do aquecimento global emitida pelos
Relatórios de Avaliação de 2007 e 2014.

O Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC): 4º Relatório de


Avaliação

“A ciência nunca resolve um problema sem criar pelo menos outros dez”.

(George Bernard Shaw)

Contextualizando...
Em 1985, cientistas britânicos, trabalhando na Antártida, descobriram que uma categoria de gases-
traços – os CFCs –havia causado um efeito gigante na atmosfera: a camada de ozônio sobre o continente, que
protege contra os raios ultravioletas, havia desaparecido!
Nesse mesmo ano, a ONU e o Conselho Mundial de Ciências decidiram estabelecer um comitê para
investigar a questão climática e o papel da humanidade. Em 1988 foi instalado o Painel Intergovernamental
sobre Mudanças Climáticas, o famoso IPCC.
O IPCC é um painel que tem um funcionamento independente da Convenção do Clima da ONU, mas
um dos seus objetivos é atender solicitações específicas da Convenção ou de seus órgãos subsidiários (Órgão
Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico – SBSTA, e Órgão Subsidiário de Implementação – SBI).
Antes de prosseguir, você deve estar se perguntando: qual a relação da camada de ozônio com o
aquecimento global?
O ozônio (O3) é um dos gases que compõe a atmosfera e cerca de 90% de suas moléculas se
concentram entre 20 e 35 km de altitude, região denominada Camada de Ozônio (na estratosfera, lembra?).
A camada de ozônio (O3 ) forma uma espécie de capa responsável por filtrar cerca de 90% dos raios
ultravioletas (UV) que atingem a Terra, emitidos pelo Sol. Sua importância está no fato de ser o único gás que

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filtra a radiação ultravioleta do tipo B (UV-B), nociva aos seres vivos, o que garante a existência da vida, pois se
esse gás não existisse, as plantas teriam sua capacidade de fotossíntese reduzida e os casos de câncer de pele,
catarata e alergias aumentariam. Assim sendo, evitar que quantidades perigosas de radiação cheguem a Terra.
A camada de ozônio começou a sofrer com os efeitos da poluição crescente provocada pela
industrialização mundial. Seus principais inimigos são produtos químicos como Halon, Tetracloreto de Carbono
(CTC), Hidroclorofluorcabono (HCFC), Clorofluorcarbono (CFC) e Brometo de Metila, substâncias controladas
pelo Protocolo de Montreal* e que são denominadas Substâncias Destruidoras da Camada de Ozônio (SDOs).
Essas substâncias reagem com as moléculas de ozônio estratosférico e contribuem para o seu esgotamento.
*O Protocolo de Montreal foi um tratado feito internacionalmente, com o objetivo de fazer os países se comprometerem a
acabar e substituir o uso do CFCs e de outras substâncias que contribuem para a destruição da camada de ozônio.

O tratado ficou aberto para adesão a partir do dia 16 de setembro de 1987, e entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 1989.
Mais de 150 países aderiram ao protocolo e estipulou-se 10 anos para que diminuíssem de forma significante ou acabassem com o uso
das substâncias (Fonte: Site Camada de Ozônio).
Ao nível do solo, na troposfera, o ozônio perde a sua função de protetor e se transforma em um gás
poluente, responsável pelo aumento da temperatura da superfície, fazendo parte da “quadrilha” dos Gases
Efeito Estufa (GEE):
Monóxido de Carbono (CO)
Dióxido de Carbono (CO2)
Metano (CH4)
Óxido Nitroso (N2O)

O aquecimento global é uma intensificação do efeito estufa, causada pelo acúmulo desses gases na
atmosfera, devido ao aumento das emissões causado pela ação humana ao longo dos séculos (principalmente
após a Revolução Industrial).
O buraco na camada de ozônio é um problema completamente diferente, causado por outros gases. A
camada de ozônio que absorve os raios ultravioletas do Sol é destruída pela emissão de gases CFC que eram
usados em geladeiras e condicionadores de ar até o advento do Protocolo de Montreal, que proibiu seu uso.
Apesar de serem um problema diferente, os CFCs que provocam o aumento do buraco de ozônio, também
contribuem para mudanças no clima, porque também são gases-estufa. Fonte: MMA.

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A radiação ultravioleta, ou simplesmente UV, é a mais energética entre aquelas emitidas pelo sol
e por isso apresenta mais perigos para diversas formas de vida da superfície terrestre. Mas,
felizmente, contamos com uma importante proteção contra os malefícios provocados pela
incidência desses raios, que é a camada de ozônio (O3). A UV é dividida em três partes, de
acordo com a região do espectro de ondas em que se encontra:
Radiação UV-A: não é absorvida pela atmosfera sendo importante a sua medição;
Radiação UV-C: é totalmente absorvida pela atmosfera terrestre e por isso não participa das medidas
feitas na superfície da Terra;
Radiação UV-B: é absorvida na estratosfera pelo ozônio, mas uma pequena quantidade que atinge a
Terra já preocupa, pois o excesso de exposição a essa radiação causa câncer de pele.

Bem, voltando ao nosso tema: qual era a tarefa do IPCC?


Reunir centenas dos melhores cientistas de diversos campos de conhecimento relacionados ao clima e
revisar a melhor literatura disponível sobre o assunto. Essas revisões seriam publicadas de tempos em tempos
na forma de minuciosos relatórios de avaliação.
O IPCC não produz pesquisa original, mas elabora relatórios com participação aberta a todos os países
membros da ONU e da OMM (195 países membros). Esses relatórios contêm informações científicas resultado
do trabalho de milhares de cientistas em todos os países, os quais são aceitos, adotados e formalmente
aprovados. A partir de 1990, o IPCC produziu cinco grandes Relatórios de Avaliação (RA) (Assessment Report
- AR). Os RAs são produzidos para cada grupo de trabalho, seguido de um relatório síntese, que aglutina os
principais resultados do conjunto dos três grupos de trabalho.
O primeiro relatório, feito em 1990, apontava evidências do aumento dos gases de efeito estufa,
fornecendo assim dados para a formulação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima
(UNFCCC), elaborada pelos países participantes da Conferência Eco-92 e ratificada em 1994.
Os segundo e terceiro relatórios, publicados, respectivamente, em 1995 e 2001, tratavam de
fundamentar as negociações do Protocolo de Quioto, que regulamentou a Convenção que entrou em vigor em
2005. Já o quarto relatório lançado em 2007 e o quinto relatório, em 2014, reconhecem e advertem que as
atividades promovidas pela ação humana têm acelerado a mudança global do clima.
Vamos falar agora sobre o 4º e 5º Relatórios de Avaliação do IPCC, os quais contêm informações
mais recentes e mais críveis sobre mudança do clima:
Em fevereiro de 2007, o IPCC lançou o 4º Relatório de Avaliação. As evidências sobre o aquecimento
global sobem da categoria “provável” na conclusão do 3º RA para “muito provável.
Influências humanas discerníveis se estendem, agora, a outros aspectos do clima, inclusive o
aquecimento do oceano, temperaturas médias continentais, extremos de temperatura e padrões do vento.
Uma das conclusões do 4º RA diz que as concentrações atmosféricas globais de dióxido de
carbono, metano e óxido nitroso aumentaram bastante em consequência das atividades humanas desde 1750

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e agora ultrapassam em muito os valores pré-industriais determinados com base em testemunhos de gelo de
milhares de anos.
Os aumentos globais da concentração de dióxido de carbono se devem principalmente ao uso de
combustíveis fósseis e à mudança no uso da terra.
Já os aumentos da concentração de metano e óxido nitroso são devidos principalmente à agricultura.

Cenários
A projeção de cenários de impactos para subsidiar a formulação de políticas públicas abarcou as áreas
essenciais como alimentos e produtos florestais; sistemas costeiros; indústria, assentamento humano e
sociedade no mundo que, apesar de serem distintos, são igualmente preocupantes. Vamos dar uma olhada para
algumas previsões para América Latina:

Até meados deste século estão previstos aumentos de temperatura e a correspondente redução da
umidade do solo. Faz parte desse quadro a possibilidade de substituição gradual da floresta tropical por savana
no leste da Amazônia;
A substituição da vegetação semiárida por vegetação de terras áridas;
Risco de perda de biodiversidade causada pela extinção de espécies em áreas tropicais;
Nas terras mais secas, graves riscos de salinização e desertificação em áreas hoje agricultáveis;
Risco de inundações pela elevação do nível do mar;
Menor disponibilidade de água para consumo humano, agricultura e geração de energia.

Entre as possibilidades de adaptação descritas para o continente estão:

A conservação dos ecossistemas;


O desenvolvimento de sistemas rápidos de alerta;
Gerenciamento de riscos na agricultura;
Gestão nas áreas vulneráveis a inundações e secas;
Aprimoramento dos sistemas de vigilância para doenças.

A falta de informação básica, de sistemas de monitoramento, de capacitação e de estruturas políticas,


associados à baixa renda da população e à existência de assentamentos humanos vulneráveis são alguns
aspectos descritos como responsáveis por diminuir a eficácia das ações de adaptação.
O aquecimento do sistema climático é inequívoco, como está agora evidente nas observações
dos aumentos das temperaturas médias globais do ar e do oceano, do derretimento generalizado da neve
e do gelo e da elevação do nível global médio do mar (IPCC, 4º Relatório de Avaliação).

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Projeções
Para as próximas duas décadas, projeta-se um aquecimento de cerca de 0,2ºC por década para uma
faixa de cenários de emissões do RECE. Mesmo que as concentrações de todos os Gases de Efeito Estufa (GEE)
e aerossóis se mantivessem constantes nos níveis do ano 2000, seria esperado um aquecimento adicional de
cerca de 0,1ºC por década.
O aquecimento antrópico e a elevação do nível do mar continuariam durante séculos em razão das
escalas de tempo associadas aos processos climáticos e realimentações, mesmo que as concentrações de Gases
de Efeito Estufa (GEE) se estabilizassem.
Já conhecemos um pouco o IPCC e o 4º Relatório de Avaliação sobre a mudança do clima. Em relação
ao 4º Relatório, a evidência do aquecimento global passou de “muito provável” (90% de certeza) para
“extremamente provável” no 5º Relatório (significa 95%, de certeza). Como em ciências não existe 100% de
certeza, esta constatação chega muito próximo a uma verdade.

Vamos conhecer o 5º Relatório de Avaliação do IPCC?

“A ciência traz ao homem a incerteza de uma certeza”.

(Adan Fernandes da Silva)

Assista ao vídeo 5º Relatório de Avaliação do IPCC que relata como a Mudança climática
afeta várias partes do Brasil, com Suzana Kahn do Canal Futura:

https://www.youtube.com/watch?v=MSFaz6frNTA

A elaboração do 5º Relatório do IPCC, publicado entre 2013 e 2014, reforça as conclusões do 4º


Relatório, alerta sobre a situação dos oceanos e dá ênfase nos impactos, na adaptação e na vulnerabilidade das
sociedades humanas às alterações no clima global (HUFF POST BRASIL).

Cenários do 5º RA do IPCC
E o que muda em relação ao 4º RA publicado em 2007? Basicamente, temos uma constatação mais
segura de três conclusões:

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A O aquecimento é certo, tem ocorrido e continuará a acontecer enquanto a participação humana
nesse cenário só tem sido mais relevante;
O aquecimento é irreversível em uma escala que deverá atingir séculos ou mesmo milênios;
A ação imediata, mais que urgente, é essencial e em escala global.

O 5º Relatório de Avaliação do IPCC demonstra que as emissões de GEE são a principal causa do
aquecimento global sem precedentes e que as alterações do clima, provocadas por esse aquecimento (ex.
aumento do nível do mar, acidez dos oceanos e redução da extensão e espessura do gelo nos polos), já estão
causando impactos significativos para a vida das pessoas e do ambiente natural, tais como perda de
produtividade agrícola, aceleração da extinção e deslocamento de espécies, ampliação de danos à infraestrutura
e economia por extremos de chuva e seca.
Caro(a) cursista, os cenários utilizados no relatório de 2007 foram substituídos por quatro cenários mais
simplificados, chamados de Representative Concentration Pathways”- (RCPs) em português Cenários
Representativos das Concentrações, a saber: RCP 2.6, RCP 4.5, RCP 6.0 e RCP 8.5.
Eles se referem à quantidade de energia absorvida pelos gases de efeito estufa (GEE). O RCP 8.5 é
considerado o pior cenário, imaginando como será caso a sociedade não tome nenhuma medida para lidar
com o clima. Gradualmente, o RCP 2.6 é o cenário de menor dano, onde o comprometimento da humanidade
para evitar o aquecimento seria máximo. Na previsão mais otimista, a elevação da temperatura sofrerá variação
entre 0,3°C e 1,7ºC, no período 2081-2100. Na previsão mais pessimista, o planeta ficará entre 2,6ºC e 4,8°C
mais quente, como mostra a figura abaixo. É “muito provável” (90% de certeza) que mais de 20% do CO2 emitido
permanecerá na atmosfera por mais de mil anos após as emissões cessarem.
Em muitas regiões, tem-se uma “confiança média” que a mudança de precipitação ou derretimento de
neve e gelo está alterando os sistemas hidrológicos, afetando os recursos hídricos em termos de quantidade e
qualidade. No entanto tem-se uma “confiança alta” que as geleiras continuarão a encolher em quase todo o
mundo, afetando o escoamento de volumes de água a jusante. A mudança climática está causando o
aquecimento e descongelamento do permafrost* em regiões localizadas nas altas latitudes e em regiões de
alta latitude.
*Permafrost: é um solo que fica permanentemente congelado. Encontrado a centenas de metros de profundidade é o tipo
de solo na região do Ártico. A origem da palavra permafrost vem de perma, de permanent (em inglês permanente), e frost (em inglês
congelado) (WIKIPÉDIA).

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A elevação do nível do mar está entre 26 cm no melhor cenário, e 82 cm na pior estimativa,
durante o século 21 (a projeção de 2007 era de aumento do nível do mar entre 0,11m e
0,77m). Essa elevação afetará significativamente os ecossistemas terrestres, as atividades
humanas e a ocupação da zona costeira brasileira. Um alerta: devido à inércia do sistema
climático, mesmo depois da estabilização das emissões de gases de efeito estufa, o nível do
mar continuaria subindo durante vários milênios (FBMC, 2014).

Como parte do CO2 emitido pela atividade humana continuará a ser absorvida pelos oceanos é
“virtualmente certo” (99% de probabilidade) que a acidificação dos mares vai aumentar. No melhor dos cenários
– o RCP 2,6 –, a queda no pH será entre 0,06 e 0,07. Na pior das hipóteses – o RCP 8,5 –, entre 0,30 e 0,32.
Sabemos que a água do mar é alcalina, com pH em torno de 8,12. Mas quando absorve CO2 ocorre a formação
de compostos ácidos. Esses ácidos dissolvem a carcaça de parte dos microrganismos marinhos, que é feita
geralmente de carbonato de cálcio. A maioria da biota marinha sofrerá alterações profundas, o que afeta
também toda a cadeia alimentar.

O relatório afirma que...


A forma mais efetiva de reduzir os riscos é evitar o aquecimento, ou seja, reduzir as emissões de gases
de efeito estufa (mitigar), pois mesmo que as emissões sejam reduzidas drasticamente, ainda há o risco de
ocorrer impactos derivados das emissões históricas acumuladas. A maneira de lidar com esses riscos é aumentar
a resiliência dos ambientes e das sociedades bem como formular e efetivar políticas públicas de adaptação e
mitigação para conseguir manter o clima da terra aos mesmos níveis de hoje.

O Brasil tem um papel muito ativo no IPCC, também realizou seu próprio estudo interno,
focando nas questões brasileiras associadas às mudanças climáticas por meio do Painel
Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC). O PBMC foi estabelecido, nos moldes do IPCC
cuja finalidade é reunir, sintetizar e avaliar informações científicas sobre os aspectos
relevantes das mudanças climáticas no Brasil.

Já vimos no 5º Relatório de Avaliação do IPCC os cenários que o aquecimento global podem trazer ao
planeta. Agora falaremos de outro material de referência do IPCC publicado em 2012 – “Gerenciamento de
Riscos de Eventos Extremos e Desastres para o Avanço da Adaptação Climática (SREX)”.
O relatório chama a atenção para a ocorrência de eventos climáticos extremos, tais como ondas de
calor e recordes de altas temperaturas que desencadeia desastres de ordem social, ambiental e econômica. As
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ações de mitigação e adaptação à mudança do clima representam, nesse contexto, possíveis soluções para
estabilização do clima.

Eventos extremos: o que diz o Relatório do IPCC de 2012?

“Os excessos e os extremos são contra a Natureza que sempre volta a cobrar o equilíbrio
[...] Em qualquer campo

E, às vezes, por preços dolorosos”.

(Álvaro Granha Loregian)

O que diz o relatório?


O relatório, intitulado Mudanças Climáticas (2014): Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, indica que
o risco de eventos extremos aumenta com o aumento da temperatura média global nos cenários de mudanças
climáticas. Aumenta também o risco de eventos singulares de grande escala, ou seja, eventos ainda não
conhecidos como ocorreram no clima mundial entre os meses de janeiro e fevereiro de 2014.
O risco da mudança climática provém de vulnerabilidade (falta de preparo), exposição (pessoas ou
bens em perigo) e sobreposição com os riscos (tendências ou eventos climáticos desencadeantes).

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Entre os anos 2013 e 2015, o Brasil lançou o Plano Nacional de Adaptação ao Clima do Governo
Federal (PNA), cujo objetivo é orientar iniciativas para a gestão e diminuição do risco climático no longo prazo.
O Plano foi elaborado no âmbito do Grupo Executivo do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (GEx-
6 CIM), conforme determinação da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) - Lei nº 12.187/09 - e em
consonância com o Plano Nacional sobre Mudança do Clima.
Já falamos um pouco sobre eventos climáticos extremos - fenômeno relatado no relatório sobre
“Gerenciamento de Riscos de Eventos Extremos e Desastres para o Avanço da Adaptação Climática” do IPCC
publicado em 2012. Vamos nos aprofundar então um pouco mais nesse assunto, que nos acompanhará durante
o curso.

Adaptação e Mitigação: alguns exemplos

Quando a última árvore cair, derrubada; Quando o último rio for envenenado; Quando o
último peixe for pescado. Só então nos daremos conta de que dinheiro é coisa que não se
come.

(Índios Amazônicos)

Assista ao vídeo Árvores se tornam uma solução para mitigar o efeito estufa:

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/videos/t/sustentavel/v/plantacao-de-arvores-se-
torna-solucao-para-mitigar-efeito-estufa/2551956/

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Em 2013, o Observatório do Clima (OC) divulgou uma análise ampliada sobre as emissões
brasileiras de gases do efeito estufa entre 1970 e 2013. A mudança do uso da terra vem
em primeiro lugar, responsável por 35% de emissão de gases estufa, que inclui
desmatamento na Amazônia. A agropecuária aparece como a terceira maior responsável
pelas emissões do Brasil, com 27% do conjunto. Desde 1970, a taxa já cresceu 160%. Os
processos industriais são o penúltimo colocado (6% das emissões totais de 2013) sendo
que os segmentos que mais contribuíram para essa situação foram a siderurgia e a
produção de cimento - corresponde à metade das emissões. O setor de resíduos
responde pela menor parcela de emissões no Brasil com 3% do total em 2013, mas com
crescimento de 300% desde 1970 devido a proliferação dos lixões (OBSERVATÓRIO DO
CLIMA).

A agropecuária aparece como a terceira maior responsável pelas emissões do Brasil, com 27% do
conjunto. Desde 1970, a taxa já cresceu 160%. Os processos industriais são o penúltimo colocado (6% das
emissões totais de 2013) sendo que os segmentos que mais contribuíram para essa situação foram a siderurgia
e a produção de cimento - corresponde à metade das emissões. O setor de resíduos responde pela menor
parcela de emissões no Brasil com 3% do total em 2013, mas com crescimento de 300% desde 1970 devido a
proliferação dos lixões (OBSERVATÓRIO DO CLIMA).
Em uma escala micro – que envolve atitudes individuais e/ou de grupos e instituições – a substituição
de lâmpadas incandescente por lâmpadas led, compras de aparelhos elétricos com selos de eficiência energética
(selos Procel, por ex.) são ações simples que se realizadas a partir das diretrizes de uma política pública, já
contribuem para mitigar as emissões de GEE.

Os principais projetos de mitigação e adaptação realizados no Brasil são:

Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM).


Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento no Cerrado (PPCerrado).
Plano Decenal de Energia (PDE).
Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC).
Plano Setorial de Mitigação da Mudança Climática para a Consolidação de uma Economia de Baixa
Emissão de Carbono na Indústria de Transformação.
Plano Indústria - Plano de Mineração de Baixa Emissão de Carbono (PMBC).
Plano Setorial de Transporte e de Mobilidade Urbana para Mitigação da Mudança do Clima (PSTM).
Plano Setorial da Saúde para Mitigação e Adaptação à Mudança do Clima.
Plano de redução de emissões da Siderurgia.

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Qual a correlação entre mitigação e adaptação?
A adaptação é uma prevenção direta dos danos. São medidas que se tornam imediatamente efetivas
e geram benefícios em curto prazo por reduzir as vulnerabilidades à variabilidade climática. Geralmente, as
políticas ambientais já possuem estratégias de adaptação à mudança do clima, pois evitar o aumento de
emissões de GEE está dentro da perspectiva ambiental, social e econômica.
As ações de mitigação e adaptação são complementares. Por exemplo: se você coloca vegetação em
uma encosta de morro, está realizando as duas ações concomitantemente: uma relativa à mitigação, pois a
cobertura vegetal é um sumidouro de CO2; e outra referente a processo de adaptação, pois a cobertura vegetal
vai proteger o solo de escorregamento provocado pelas chuvas, protegendo as comunidades do entorno e
evitando assoreamento dos rios.

Um estudo internacional sobre a elevação do nível do mar causada pelas mudanças do clima na
cidade de Santos, litoral sul do Estado de São Paulo, resultou em um conjunto de propostas de adaptação,
apresentado em dezembro de 2015 na Associação Comercial de Santos, realizados por pesquisadores,
representantes da sociedade civil, da Marinha e do Exército e entidades internacionais de pesquisa.

A base da discussão foi:


como enfrentar a elevação do nível do mar e suas consequências na maior cidade portuária do Brasil,
ante a perspectiva de aumento da temperatura global acima de 2°C até o final deste século?
A escolha do município de Santos foi devida não só as suas características geográficas e importância
estratégica para o Brasil, mas por reunir os mais completos dados sobre elevação de marés no país, registrados
desde 1945 por marégrafos* e desde 1993 e também por satélite.
*O marégrafo (do francês maré[o]graphe) é o instrumento que registra automaticamente o fluxo e o refluxo das marés em
um determinado ponto da costa. O registro produzido, sob a forma de gráfico, denomina-se maregrama (do francês marégramme).
Fonte: Wikipédia.
As medidas adaptativas incluem obras de infraestrutura, preservação e recuperação de manguezais,
implantação de comportas para controle de marés em rios, a construção de canais de drenagem, o aumento da
faixa de areia na Ponta da Praia e a construção de quebra-mar na orla.
Para a zona noroeste do município, as propostas incluem a dragagem de canais, a criação de um
sistema de comportas e estações de bombeamento e a recuperação de mangues. Na região da Ponta da Praia,
no sudeste santista, a recomendação é que sejam adotadas medidas para engordamento/alimentação artificial
da praia, a construção de um muro de proteção e de um sistema de bombeamento e de melhoria de comporta
de canais.
Com projeções de elevação das marés em 45 cm até 2100, os danos chegariam a R$ 236 milhões na
zona noroeste e passariam de R$ 1 bilhão na região sudeste do município, caso não sejam adotadas as medidas
adaptativas. Com a adoção das medidas, os custos dos danos seriam nulos na orla e cairiam para R$ 64 milhões
na região noroeste.
Fonte: Medidas de adaptação às mudanças climáticas são anunciadas em Santos (Pesquisa FAPESP) 04-
12-2015.

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Já aprofundamos um pouco o conceito de mitigação e adaptação com alguns exemplos. Agora vamos
explorar mais conceitos tais como: vulnerabilidade, exposição, resiliência e outros que estão diretamente ligados
às ações de adaptação.

Novos conceitos: Vulnerabilidade e capacidade adaptativa

Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às
mudanças.

(Leon C. Megginson)

Assista à animação Adaptação à mudança do clima: é hora de decidir!

https://www.youtube.com/watch?v=VW5R_rpDjm0

A ação de adaptação à mudança do clima é um conceito novo nas políticas públicas. Esse conceito
originou outros no vocabulário climático que vamos ver neste tópico: redução da vulnerabilidade, aumento
da resiliência e capacidade adaptativa.

Vulnerabilidade – é o grau de suscetibilidade à mudança do clima e uma incapacidade


para “enfrentá-la”. É uma função da exposição do estresse climático, sensibilidade e
capacidade adaptativa. A vulnerabilidade aumenta com a magnitude da mudança do
clima (exposição), ou com o aumento da sensibilidade e diminui com o aumento da
capacidade adaptativa (MMA, SMCQ/GIZ, 2016).

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Por exemplo, quando uma comunidade se instala nas margens dos rios – Área de Preservação
Permanente (APP), área imprópria à ocupação humana, segundo o Código Florestal – onde deveria ter mata
ciliar para proteger a dinâmica natural das bordas do seu leito, ela se torna vulnerável aos eventos climáticos
extremos, ou seja, a comunidade fica exposta aos perigos de desabamento das casas e de inundações.
As prefeituras devem realizar obras de contenção nos lugares dos quais é impossível remover as famílias
e proibir novas ocupações nas margens e, por meio de recursos disponíveis, obter estratégias para adaptação à
ocorrência de eventos extremos. Chamamos estas intervenções de capacidade adaptativa.

Concluindo:
A comunidade está exposta a um risco climático porque as áreas localizadas às margens dos rios são
sensíveis a alagamentos nos períodos das chuvas o que provoca um impacto potencial para esta população.
Sabe-se que muitos países pobres têm pouca, ou nenhuma, capacidade adaptativa (países Africanos e
Estados Ilhas), em termos de recursos naturais, humanos e tecnológicos. Esses são naturalmente mais vulneráveis
e sofrem maiores impactos. Muitos Estados Ilhas poderão desaparecer com a elevação do nível do mar – eles
são mais vulneráveis que os continentes aos efeitos da mudança do clima.

31
*O Risco Climático é um impacto negativo que um evento climático pode causar a um bem, sociedade ou ecossistema. A
vulnerabilidade e exposição de um local onde pode ocorrer eventos climáticos são fatores determinantes do risco climático.

Outro conceito que você já deve ter ouvido falar é de resiliência - entendido como a capacidade natural
de um sistema voltar à sua forma original, após ter sido submetido a evento climático extremo.
Uma cidade resiliente é aquela que tem a capacidade de resistir, absorver e se recuperar de forma
eficiente dos efeitos de um desastre e de maneira organizada prevenir que vidas e bens sejam perdidos.
Estamos percebendo que para promover o desenvolvimento sustentável nos diversos espaços
geopolíticos é necessário que as sociedades se tornem mais resilientes às crises que são provocadas pelas
mudanças do clima. As políticas públicas para adaptação a mudança do clima não devem ser uma preocupação
pontual, devem ser integradas a todas as políticas públicas locais, nacionais e globais envolvendo os governos,
setores privados e a sociedade.
Chegamos ao final da Aula 02, e aqui percebemos a grande importância do IPCC sobre mudança do
clima e as confirmações do aquecimento global emitida pelos Relatórios de Avaliação de 2007 e 2014.
Na próxima aula, a última do Módulo 01, veremos como o clima dialoga com a água, a terra, as florestas
e o céu.

Até lá.

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Aula 03 - A água, o mar, o ar e a terra conduzem o clima

Olá, cursista, bem-vindo(a)!


Hoje iniciamos a Aula 03 do curso. Aqui, veremos o clima dialogar com a água, a terra, as florestas e o
céu. Vimos que ele funciona como um sistema aberto de entradas, saídas e retroalimentação – um movimento
circular que mantém um equilíbrio perfeito para manutenção da vida.
Equilíbrio este que está sendo alterado e que daqui para frente vai depender de ações de mitigação e
adaptação dos governos e sociedade para tentar estabilizar os efeitos adversos nas zonas rurais e urbanas,
zonas costeiras.
Nesta aula, falaremos da água em forma de nuvens e o papel dos oceanos para entender um pouco
sobre a dinâmica do clima. Vamos iniciar pelo funcionamento do ciclo da água e descobrir seu potencial de
provocar eventos climáticos extremos.

As nuvens e o mar

“A árvore não prova a doçura dos próprios frutos; o rio não bebe suas próprias ondas; as
nuvens não despejam água sobre si mesmas. A força dos bons deve ser usada para
benefício de todos.”

(Provérbio hindu)

Assista ao vídeo: O Ciclo da Água feito pela Agência Nacional de Águas (ANA).É bem
didático! Pense como se fosse uma introdução ao tema.

https://www.youtube.com/watch?v=vW5-xrV3Bq4

33
Temos duas trocas importantes entre os oceanos e a atmosfera que é caracterizada pelo ciclo da água.
Veja a figura:

Assista ao documentário que fala sobre a interação da água com clima:

https://www.youtube.com/watch?v=PPE0ZJxZGEY

As nuvens são gases poderosos!


O aumento da temperatura afeta diretamente o ciclo da água, aumentando a evaporação, alterando a
umidade do solo, o escoamento e também o regime de chuvas e, consequentemente, altera a disponibilidade
da água para consumo humano. Uma vez que o ar quente pode reter mais umidade, vai aumentar a formação
de vapor de água na atmosfera.
O vapor d'água está diretamente relacionado à temperatura. À medida que a temperatura sobe, a
evaporação aumenta e mais vapor d'água se acumula na atmosfera. Como um gás de efeito estufa, o vapor
d'água absorve mais calor, promovendo o aquecimento do ar e causando mais evaporação. Quando o CO2 é
adicionado à atmosfera, por ser um gás de efeito estufa, ele tem um efeito de aquecimento.
Dessa forma, o aquecimento causado pelo CO2 é amplificado. Como o ciclo hidrológico é muito
dinâmico, o vapor de água sobe na atmosfera e com a baixa temperatura, estas moléculas condensam,
transformam-se em nuvens e desaparecem por meio da chuva. O efeito estufa do vapor d’água é mais potente
que o CO2, mas como seu processo é muito instável, alguns autores não colocam esse gás na “quadrilha dos
GEE do mal” (Skeptical Science, [2017], on-line).

34
Da onde vem o vapor d’água?
Cerca de 70% da quantidade de água das chuvas sobre a superfície terrestre retorna à atmosfera pelos
efeitos da perda de água do solo por evaporação e perda de água da planta por transpiração. A
evapotranspiração nada mais é que a soma destes dois fenômenos, fundamentais ao ciclo da água em todo o
planeta: é o processo simultâneo de transferência de água para a atmosfera por evaporação da água do solo e
da vegetação úmida e por transpiração das plantas.

O estrago que as chuvas podem causar!


Nas áreas urbanas a ocorrência de tempestades como eventos climáticos extremos deixa rastros de
destruição e prejuízos sociais, ambientais e econômicos. Nos centros das cidades, devido à pouca área verde
para infiltração; galerias para escoamento da água e grande número de retificação e canalização de corpos
d’água fazem com que ocorram enchentes.

Os oceanos são os maestros na regulação do clima


Os oceanos e a atmosfera estabelecem contínua troca de massa e energia, por meio de gases, água e
calor e, por essa razão, formam um sistema estreitamente integrado. Os oceanos podem armazenar enorme
quantidade de energia solar, liberando essa energia progressivamente, sem que a temperatura da água varie de
maneira sensível durante esse processo. Tal propriedade da água (calor específico) torna o conjunto dos
oceanos, incluindo o “oceano atmosférico” formado pelas nuvens, um grande regulador do clima e dos
fenômenos meteorológicos.
Os continentes, diferentemente dos oceanos têm sua temperatura elevada rapidamente como
consequência da irradiação solar durante o dia e, à noite, quando cessa esta irradiação, perdem calor de forma
rápida, baixando a temperatura também rapidamente, o que faz com que o gradiente térmico dos continentes
seja bastante grande (baixo calor específico do solo e das rochas).
Os oceanos desempenham função primordial como regulador térmico e climático da Terra onde
pequenas alterações podem resultar em consequências dramáticas no clima do planeta.
Na queima de combustíveis fósseis, o excesso de CO2 permanece em parte na atmosfera, elevando as
temperaturas no planeta e outra parte é absorvida pelos oceanos. O excesso de CO2 nas águas reage em forma
ácido carbônico, o que, por sua vez, provoca uma série de novas reações químicas, reduzindo o pH natural da
água.
Na foto abaixo vemos a partir da esquerda, três imagens que mostram o que acontece aos corais
quando as águas em que vivem se tornam mais e mais ácidas.

35
Nossos oceanos estão em perigo e a acidificação é uma das ameaças mais destrutivas.
Assista o vídeo do Greenpeace:

https://www.youtube.com/watch?v=QlQnfT0PRZ8

Se o pH da água é reduzido, certos organismos, com estruturas constituídas à base de carbonato de


cálcio, como algas calcárias, corais e animais com conchas, como os bivalves, são os primeiros prejudicados:
crescem menos e mais lentamente, podem apresentar dificuldade na reprodução e, em casos mais acentuados,
sofrer dissolução de parte de sua estrutura calcária e não se desenvolvem o suficiente para chegar à fase adulta
(LEOTE,[2017],on-line).

O nível do mar pode subir bem mais que o previsto pelos especialistas até o final deste
século, aponta estudo divulgado pela revista britânica Nature.

Segundo relatório, esse aumento pode ser 50 cm maior do que o esperado pelo IPCC
para 2100, o que provocará consequências desastrosas para ilhas e cidades costeiras no
mundo todo. Algumas das principais vulnerabilidades do Brasil estão relacionadas à
ocupação das zonas costeiras devido a possível elevação do nível do mar. Uma das
medidas de adaptação é uma política eficaz de ordenamento territorial para seleção de
locais de expansão urbana e localização de indústrias.

36
Já falamos da contribuição das águas no sistema climático. Formação de vapor d’água, das chuvas no
pequeno ciclo hidrológico. No grande ciclo hidrológico, vimos a participação dos oceanos na regulação do clima
na Terra.
Diferentemente do que ocorre nos países desenvolvidos, no Brasil, o uso da terra e florestas que
corresponde ao setor de agropecuária, desmatamento e queimadas são os maiores responsáveis pela emissão
de GEE.

Uso da terra e florestas

Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no
solo da vida.

Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e
amizade.

(Cora Coralina)

TEIXEIRA, D.V. O Reflexo Dos Discursos Acerca Das Mudanças Climáticas in


MACHADO C. R. SANTOS C. F. Processo formador em Educação Ambiental a Distância:
módulo 5 :Educação ambiental e mudanças ambientais globais no estado do Rio Grande
do Sul: subsídios ao estudo; MEC/SECADI, Universidade Federal Rural de Pernambuco,
Universidade Federal do Rio Grande, 2013. Disponível no curso digital (dentro da
Plataforma de Ensino).

PBMC-Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. Acidificação dos oceanos: um grave


problema para a vida no planeta. Disponível em:
http://www.pbmc.coppe.ufrj.br/es/noticias-es/476-acidificacao-dos-oceanos-um-grave-
problema-para-a-vida-no-planeta

O governo brasileiro já produziu dois Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas


de Gases de Efeito Estufa Não Controlados pelo Protocolo de Montreal:

Primeiro Inventário, lançado em 2004, apresentou informações sobre emissões brasileiras de


gases de efeito estufa para os anos de 1990 e 1994;
Refletir sobre sua prática;
Debruçar sobre temas de relevância para sua realidadEntrar em contato com bibliografias e
informações.

37
Entrar em contato com bibliografias e informações.

Que um gado pode produzir até 500 litros de metano em apenas um dia, e o Brasil possui
em torno de 200 milhões de cabeças de gado? É fácil estimar os danos ambientais!

O Brasil pode reduzir emissões diminuindo o desmatamento para a agricultura e pecuária.

Assista a um vídeo que mostra uma queimada em área de floresta e o que ela
deposita na atmosfera!

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=DsmEwqfrRR0

Distribuição dos setores responsáveis pela emissão de GEE no Brasil analisados pelo inventário de 2012:

Energia
Emissões devido à queima de combustíveis e emissões fugitivas da indústria de petróleo, gás e carvão
mineral. As emissões de CO2 devido ao processo de redução nas usinas siderúrgicas foram consideradas no
setor de Processos Industriais.

Agropecuária
As emissões são devido à fermentação entérica dos animais, do manejo de seus dejetos, cultivo de
arroz, queima de resíduos agrícolas e emissões provenientes de solos agrícolas. De todas elas, destacam-se as
emissões de CH4 da fermentação entérica do gado bovino e as emissões de N2O dos solos agrícolas.

Mudança no uso da terra e florestas


Variações de carbono, seja na biomassa aérea como no solo. Considera todas as transições possíveis
entre diversos usos, as remoções de CO2 em toda área considerada manejada e emissões de CO2 por aplicação
de calcário em solos agrícolas.

Tratamento de resíduos
Emissões pela disposição de resíduos sólidos (CH4) e tratamento de esgotos (CH4 e N2O) – esgoto
doméstico e comercial, efluentes da indústria de alimentos e bebidas e os da indústria de papel e celulose. Além
das emissões de CO2 pela incineração de resíduos.
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Processos Industriais
Emissões resultantes dos processos produtivos nas indústrias e que não são resultado da queima de
combustíveis. Subsetores: produtos minerais, química, metalurgia, papel e celulose, alimentos e bebidas, e
produção e utilização de HFC e SF6.

Na figura abaixo, vemos a variação das emissões para cada setor econômico de 2005 a 2012. Percebe-
se uma diminuição significativa das emissões do setor de usos da terra e floresta nesse período, mas por outro
lado, houve um aumento de 17% das emissões de CO2 pela agropecuária e de 39% pelo setor energético. As
emissões da agropecuária e usos da terra e florestas ainda representam metade do total das emissões nacionais
(52%).

O solo degradado é consequência da perda de sua capacidade física e química de


continuar produtivo, o que o impossibilita de reter gás carbônico (CO2). O Brasil possui
cerca de 30 milhões de hectares de áreas de pastagens em algum estágio de degradação,
com baixíssima produtividade para o alimento animal.

39
O terceiro inventário de emissões de GEE foi finalizado ainda em 2014 e passou por consulta pública
em janeiro de 2015. O governo anunciou em setembro de 2015, a proposta de compromissos e ratificação para
o Acordo de Paris onde o desmatamento para agricultura e pecuária deve ser um dos principais setores em
que o Brasil deve reduzir emissões.
A versão final do terceiro inventário mostra que as emissões em 2005 foram bem maiores do que
sugerida no segundo inventário: saltaram de 2,2 bilhões para 2,7 bilhões de toneladas de gás carbônico
equivalente (CO2e). Isso colocaria o Brasil na terceira posição entre os maiores emissores globais em 2005,
atrás apenas da China e dos EUA.
No entanto, os dados do terceiro inventário são fundamentais para atualizar e balizar os esforços de
monitoramento de emissões no Brasil. Sem eles praticamente todas as políticas públicas para redução de
emissões perdem eficácia.
Em 2013, a rede de organizações da sociedade civil Observatório do Clima, juntamente com parceiros,
desenvolveram o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) e produziu estimativas
de emissões desses gases para o Brasil para o período de 1990 até 2012, tendo como base metodologia adotada
em inventários nacionais de emissões, definida pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC) e os fatores de emissão aplicados no Segundo Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas
de Gases de Efeito Estufa (GEE).
Com o SEEG, foi possível alocar as emissões de gases de efeito estufa nos Estados conforme mostra a
figura abaixo.

Assista ao vídeo Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil:

https://www.youtube.com/watch?v=5yjArWaXnB4

40
Por meio dos relatórios de emissão dos GEE realizados pelo Governo Federal e pelo Observatório do
Clima, podemos observar que os setores da economia brasileira que mais emitem GEE são aqueles relacionados
ao uso da terra e remoção de florestas.
Agora, vamos ver o papel das florestas para minimizar os efeitos do aquecimento global. As florestas
contribuem com: 1) os serviços ambientais que elas prestam, 2) a formação de rios aéreos (principalmente a
Floresta amazônica); 3) valoração econômica do sequestro de carbono.

Florestas, uma solução!

A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos.

(C.S. Lewis)

O Brasil tem a maior floresta contínua do mundo. As florestas brasileiras desempenham, por meio da
oferta de uma variedade de bens e serviços, importantes funções sociais, econômicas e ambientais. Segundo o
Serviço Florestal, cerca de 60% do território nacional é coberto por vegetação nativa, distribuídas por biomas
com características particulares. Além disso, com avanço tecnológico no campo, está sendo possível preservar
milhões de hectares de florestas nativas que funcionam como sumidouros de CO2.
A Floresta Amazônica representa um terço das florestas tropicais do mundo, além de conter mais da
metade da biodiversidade do planeta. Ela funciona como grandes armazéns de carbono, o qual se encontra
estocado nos tecidos vegetais. Quando é derrubada e queimada, esse carbono é liberado para a atmosfera, o
que contribui para o aumento da temperatura da Terra devido ao efeito estufa (0,7ºC no último século).

Bens e Serviços fornecidos pela floresta,


O conceito de bens e serviços tem origem nas ciências econômicas. Bens são definidos como tudo
aquilo que seja útil ao homem, com ou sem valor econômico - ex.: madeira, alimentos, fármacos, resinas, óleos,
água e outros. Os serviços são prestações de assistência ou realização de tarefas que contribuem para satisfazer
as necessidades humanas, sejam elas individuais ou coletivas.
Os principais bens e serviços que os ecossistemas florestais fornecem são:

Fonte de matérias-primas - madeira, combustíveis e fibras;


Fonte de material genético;
Controle biológico;
Alimento - pesca, caça, frutos, sementes;
Produtos farmacêuticos;
Recreação, ecoturismo e lazer;
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Recurso educacional;
Valor cultural - estético, artístico, científico e espiritual;
Controle de erosão, enchentes, sedimentação e poluição;
Armazenamento de água em bacias hidrográficas, reservatórios e aquíferos;
Controle de distúrbios climáticos como tempestades, enchentes e secas;
Proteção de habitats utilizados na reprodução emigração de espécies;
Tratamento de resíduos e filtragem de produtos tóxicos;
Regulação dos níveis de gases atmosféricos poluentes;
Regulação de gases que afetam o clima;
Ciclagem de minerais.

É importante ressaltar que bens e serviços não são exclusivos de florestas nativas, muitos deles sendo
também fornecidos pelas florestas plantadas. Atualmente, devido às taxas de desmatamento e às preocupações
com mudanças do clima, existe uma forte tendência de valorar e remunerar economicamente esses bens e
serviços, uma tarefa nada simples por seu valor subjetivo (ex.: valor cultural) e pelas limitações metodológicas e
práticas para mensurá-los.

Quanto custa tirar os gases efeito estufa do ar?


Esse assunto é um pouco mais complicado. O importante é saber agora que a capacidade das florestas
de estocar carbono tem um valor econômico.

O conceito de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD),


basicamente, parte da ideia de incluir na contabilidade das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) aquelas
que são evitadas pela redução do desmatamento e a degradação florestal. Nasceu de uma parceria entre
pesquisadores brasileiros e americanos, que originou uma proposta conhecida como Redução Compensada
de Emissões, que foi apresentada durante a COP-9, em Milão, Itália em 2003 pelo IPAM e parceiros.
Segundo esse conceito, os países em desenvolvimento detentores de florestas tropicais, que
conseguissem promover reduções das suas emissões nacionais oriundas de desmatamento receberiam
compensação financeira internacional correspondente às emissões evitadas. O conceito de redução
compensada tornou-se a base da discussão de REDD nos anos seguintes.
Esse mecanismo foi inicialmente concebido para os países em desenvolvimento que detêm florestas
tropicais, permitindo-os participar efetivamente dos esforços globais de redução de emissões de GEE.
Depois de várias negociações e encontros entre as nações, essa discussão evoluiu de um mecanismo
que tinha foco somente no desmatamento evitado (COP 11, 2005), para ser ampliado e incluir a degradação de
florestas (COP 13, 2007).
Hoje, o conceito foi ampliado e é conhecido como REDD+, refere-se à construção de um mecanismo,
ou uma política, que deverá contemplar formas de prover incentivos positivos aos países em desenvolvimento
que tomarem uma ou mais das seguintes ações para a mitigação das mudanças climáticas:

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Redução das emissões derivadas de desmatamento e degradação das florestas;
Aumento das reservas florestais de carbono;
Gestão sustentável das florestas;
Conservação florestal.

De ponta cabeça?
Sim, as florestas formam rios voadores! Mais um serviço ambiental prestado pelas florestas.

Assista ao vídeo Projeto Rio Voadores. É uma animação silenciosa que demonstra a
formação do fenômeno dos rios voadores e os caminhos que seguem pelos céus do
Brasil, trazendo umidade para outras regiões.

O processo para formar um rio voador começa na água que evapora do oceano Atlântico e gera nuvens
que vão para a floresta Amazônica. Quando chove na floresta, só uma pequena parte da água vai para os rios.
O resto é absorvido pelo solo ou pelas árvores. Parte da água que não foi para os rios evapora (do solo ou pela
transpiração das plantas) e forma novas nuvens cheias de vapor.

Assista ao vídeo Projeto Rio Voadores. É uma animação silenciosa que demonstra a
formação do fenômeno dos rios voadores e os caminhos que seguem pelos céus do
Brasil, trazendo umidade para outras regiões.

Assista ao vídeo Os rios voadores que são correntes aéreas que transportam vapor de
água da Amazônia até o Sul do Brasil. São estudados em projeto pioneiro que une
aventura, ciência e educação.

https://www.youtube.com/watch?v=lIuWdRJjRwY

43
Quanto vale uma árvore? Cada árvore pode produzir diariamente em média,
dependendo do tamanho, entre 300 a 500 litros de água. Uma árvore grande pode
bombear do solo e transpirar mais de 1.000 litros de água num único dia. As raízes
chegam até 20 ou 30 metros de profundidade sugando a água da terra. Os troncos
funcionam como tubos. Quando transpiram, as árvores então liberam esse líquido
convertido em vapor, fechando o ciclo que novamente alimentará a corrente no céu - a
evaporação das florestas é transformada em chuvas.

Um carvalho de grande porte pode transpirar 150 mil litros de água para a atmosfera a
cada ano!

Vá até a página inicial do curso e clique em Fórum ao lado do Módulo e descreva


os serviços.

Já percorremos as florestas e vimos os serviços ambientais que elas fornecem para mitigar os efeitos
do aquecimento global.
Agora, vamos falar das cidades! Temos muito assunto para falar sobre as cidades como a mobilidade,
consumo, geração e descarte de resíduos, poluição, oferta e consumo de água e energia, ocupação e
impermeabilização do solo, desastres causados por eventos extremos e muito mais. Mas agora, vamos falar de
apenas um dos elementos responsáveis por grande quantidade de emissões de GEE: mobilidade urbana.

A cidade: veículos automotores e emissões de CO2

“Cidadão, num país em que não há nem sombra de cidadania, significa apenas
“cidade grande”.
(Millôr Fernandes)

A cidade não só concentra pessoas, mas também a influência econômica, o poder político e a inovação
tecnológica, além de abrigar a degradação social e a poluição. Trata-se de um cenário complexo e conflituoso,

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onde o comprometimento da qualidade de vida e do futuro sadio, não só nas cidades, mas também no planeta,
apresenta-se, de forma igualmente crescente, como desafio para o Poder Público e para a sociedade civil.
O crescimento das áreas urbanas é um vetor das emissões de GEE, o qual está associado com aumento
de demanda de energia. As áreas urbanas respondem por 67 a 76% do uso de energia e por 71 a 76% das
emissões de CO2 relacionadas com o consumo de energia (UNEP, 2014).
Vamos pensar em uma megacidade, onde sua população ultrapassou, em 2010, os dez milhões de
habitantes, embora já existam mais de 20 megacidades no mundo nas quais a população supera os 20 milhões
de habitantes, tais como:

Mumbai/Índia
Tóquio/Japão
Seul/Coreia do Sul
Nova Iorque/Estados Unidos
Cidade do México/México
São Paulo/Brasil
Karachi/Paquistão
Shanghai/China

A história da urbanização brasileira demonstra uma nítida preferência pelo transporte rodoviário,
mesmo com as grandes distâncias a serem percorridas. As rodovias são a principal opção para o transporte de
mercadorias, representando por volta de 75% do tráfego mundial.
O custo do transporte representa somente 1% a 2% do custo de fabricação dos produtos, pois não são
computados os custos relativos à degradação ambiental (emissão de CO2 e poluição). Não é de se surpreender
que, em todo o Brasil, a frota teve um incremento de 76% entre os anos de 2001 e 2009, resultando em mais 24
milhões de caminhões, carros e motocicletas nas vias.

Em média, os carros particulares ocupam 58% do espaço viário das cidades


para levar 20% das pessoas que se movimentam no espaço urbano. No sentido
oposto, os ônibus transportam mais de 68% das pessoas, ocupando apenas 24%
do espaço.

O transporte rodoviário no Brasil se posta como o segundo maior contribuinte nas emissões dos Gases
de Efeito Estufa (GEE), em torno de 7% a 9% do total (BRASIL, 2010) e, nos grandes centros urbanos a perda de
qualidade do ar e, consequentemente, de qualidade de vida gerando o desconforto e riscos à saúde das
populações.
A relevância do setor para a temática ambiental se revela ainda no fato de que o transporte,
especialmente o urbano, é um serviço em constante expansão, pois se trata de uma necessidade humana básica,
intrínseca ao processo de desenvolvimento.
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A demanda por transporte de passageiros e carga cresce de 1,5 a 2 vezes mais rápido que o Produto
Interno Bruto (PIB) em países em desenvolvimento, sendo que o maior crescimento se dá no modal rodoviário
(MOTA, 2011).
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), mais da metade da população
mundial vive nas cidades e, até 2050, quase 90% dessa, cuja estimativa é de seis bilhões de pessoas, estará
habitando o espaço urbano, com clara reprodução na demanda por transporte. Veja na figura a quantidade de
emissões de GEE feita por carros em relação a outros transportes.

A cidade de São Paulo é de longe o maior exemplo do excesso de veículos


nas ruas, com sua frota de 6,9 milhões ante uma população de 11,2 milhões - uma
média de um veículo a cada 1,6 habitante. Em abril de 2016, o excesso de veículos
fez com que a cidade de São Paulo batesse o recorde de lentidão. A Companhia
de Engenharia de Tráfego (CET) registrou, às 18h do dia 4 de abril, 289 km de
congestionamento na capital. A média para o horário varia entre 119 km e 157 km
de lentidão. O recorde anterior deste ano foi registrado em 23 de março, quando
a CET fez registro de 276 km de filas em toda a cidade, às 19h. O maior índice de
trânsito já registrado pela CET foi de 344 km de lentidão e aconteceu no dia 23 de
maio de 2014, às 19h.

Os desafios da mobilidade nas grandes cidades, no entanto, não são causados só pela multiplicação
dos carros nas ruas. Em Salvador e no Rio de Janeiro, a configuração das vias é espremida entre os morros e
o mar, o que dificulta a fluidez do trânsito e impõe soluções de engenharia distintas (DIÁRIO DO GRANDE
ABC,[2017], on-line).
Como a situação está se tornando insustentável há sinalização dos governantes em investir na
ampliação do transporte público como: ônibus, bicicletas e metros.

Relatos de observação: narre uma experiência desafiadora a respeito da


mobilidade na sua cidade.
Vá até a página inicial do curso e clique em Fórum ao lado do Módulo e narre a
experiência.

Falamos sobre veículos automotores, principal fonte de emissões de CO2 nas cidades, derivados de
petróleo tais como – gasolina, diesel. Agora, vamos falar de outro emissor de GEE que são os aterros sanitários
e “lixões”. Eles emitem o CH4, gás metano, 21 vezes mais potente que o CO2. Vamos conversar um pouco sobre
isto.

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A cidade: aterro sanitário e biogás

O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
(Manuel Bandeira)

O metano é um GEE 21 vezes mais potente que o carbono e também está nas cidades. Claro que é em
menor escala do que nas áreas rurais, pois o campeão nas cidades é o CO2. Mas mesmo assim a sua emissão
tende a crescer, pois sua fonte reside nos aterros sanitários e, em menor quantidade, nos lixões.
Por quê? Por que produzimos cada vez mais resíduos e precisamos descartá-los de alguma maneira,
certo?
As emissões de metano, um gás formado por átomos de carbono e hidrogênio, decorre dos processos
de decomposição de matérias orgânicas. O metano resulta do processo de fermentação da matéria orgânica
armazenada sob a terra. A emissão de metano por parte do lixo é, em geral, proporcional à população.
Nos lixões, nos aterros controlados ou sanitários, o gás metano liberado é queimado por medida de
segurança, pois ele pode pegar fogo caso um raio ou um fósforo aceso venham a atingir essa matéria orgânica.
Se isso ocorrer, há o risco de explodir. No entanto, quando o gás metano é queimado, forma-se o gás carbônico,
que contribui para o aumento do efeito estufa.
Sabemos que o homem moderno produz e consome para sobreviver e, como consequência, gera uma
quantidade imensa de resíduos. A decomposição dos rejeitos orgânicos em lixões e aterros, ao fim do ciclo de
vida de cada produto, gera biogás, uma mistura gasosa com quase 50% de metano, mais uma quantidade
semelhante de dióxido de carbono e uma pequena parte de outras impurezas, como vapores d’água e de ácidos.
O biogás é emitido desde os primeiros meses do aterramento do lixo até mais de cinco décadas depois.
Essas emissões se tornam mais intensas quanto maior a quantidade de restos orgânicos, umidade e temperatura
ambiente.
Considerado um gás 21 vezes mais potente do que o CO2, quando o assunto é a contribuição para o
efeito estufa, o metano está cada vez mais presente no ar que respiramos. Dados da Iniciativa Global do
Metano (GMI) apontam que a concentração do gás aumentou nos países em desenvolvimento nos últimos 260
anos e, principalmente, a partir de 2007 por conta do crescimento da produção e descarte de resíduos sólidos
– entre outras atividades, como a agricultura e pecuária.
47
É paradoxal, mas um lixão a céu aberto emite 60% menos do biogás formado em um aterro sanitário.
No entanto a colonização por ratos, urubus, moscas, entre outros vetores nocivos, potencializa seus danos
ambientais. Converter lixões a céu aberto em aterros sanitários, além de nos livrar de sérios problemas
ambientais, oferece medidas de reaproveitamento do metano gerado para produzir eletricidade.
Caro(a) cursista, vale lembrar que o metano é emitido 24 horas por dia, sete dias por semana, nos
aterros. No entanto, deve-se ter em mente que a produção de energia elétrica por biogás não tem potencial
para ser parte expressiva da nossa matriz. Trata-se de uma boa fonte de energia local.

É sempre bom lembrar...


O metano (CH4) é um gás incolor e sem cheiro, possui pouca solubilidade em água e, quando
adicionado ao ar, pode ser altamente explosivo. Ele é muito conhecido por suas propriedades energéticas e por
ser proveniente das vacas, mas veremos que há diversas outras fontes de CH4, que pode ser muito prejudicial à
saúde humana.
Esse gás está no grupo dos hidrocarbonetos (HC), que são compostos formados por carbono e
hidrogênio, e podem se apresentar na forma de gases, partículas finas ou gotas. Dentro do grupo de
hidrocarbonetos totais (THC), há os hidrocarbonetos simples - metano, e os demais hidrocarbonetos - esses
últimos compreendem os THC, menos a parcela de CH4. Todos têm a propriedade de serem precursores para a
formação do ozônio troposférico e podem ser vetores do desequilíbrio do efeito estufa.
O metano surge na natureza devido aos seguintes processos:
Decomposição de lixo orgânico (aterros sanitários e lixões);
Digestão de animais;
Reservatórios de hidrelétricas;
Processos industriais;
Pecuária;
Metabolismo de certos tipos de bactérias;
Vulcões de lama;
Extração de combustíveis minerais (principalmente o petróleo);
Produção de combustíveis fósseis (gás e carvão);
Queima de combustíveis fósseis (veículos);
Produção de combustíveis fósseis (gás e carvão);

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Segundo o “Atlas Brasileiro de Emissões de GEE e Potencial Energético
na Destinação de Resíduos Sólidos” das Empresas de Limpeza Pública e
Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil tem potencial para produzir mais de 280
megawatts de energia a partir do biogás capturado em unidades de destinação de
resíduos sólidos. O volume seria suficiente para abastecer uma população de
cerca de 1,5 milhão de pessoas (ALVES, 2013, on-line).

No Estado de São Paulo, já existem duas usinas de metano implantadas nos


aterros sanitários Bandeirantes e São João, localizados nas cidades de Perus e
São Mateus. De acordo com o Atlas da Abrelpe, o Brasil conta com 22 projetos
que preveem o aproveitamento energético do biogás, sendo que a maioria deles
é destinado à região sudeste.

Chegamos ao final da última aula, do Módulo 01. E aqui, pudemos conhecer as noções básicas sobre
Mudança do Clima, as causas e os efeitos na natureza e nas sociedades humanas.

No Módulo 02 que tem como título Regime jurídico internacional para lidar com a mudança do
clima, falaremos dos eventos e negociações para o enfrentamento da Mudança do Clima pelas Nações Unidas
(ONU) e pelo Brasil.

Até mais.

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