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Direito Processual Civil p/ AJAJ TRE MG

Teoria e Exercícios comentados


Prof. Gabriel Borges – Aula 10

AULA 10: Execução Fiscal. Execução de multa eleitoral (competência e procedimento).


Processo Eletrônico – Lei 11.419/2006.

SUMÁRIO PÁGINA

1. Capítulo XIII: Execução Fiscal. Execução de multa eleitoral (competência e


01
procedimento).

2. Capítulo XIV: Processo Eletrônico – Lei 11.419/2006. 20

3. Resumo 30

4. Questões comentadas 30

5. Lista das questões apresentadas 34

6. Gabarito 36

CAPÍTULO XIII: EXECUÇÃO FISCAL; EXECUÇÂO DE MULTA ELEITORAL

No início desse capítulo trabalharemos as disposições gerais da execução


fiscal (previstas, principalmente, na Lei nº 6.830/80). Veremos que são aplicáveis às
execuções de multas eleitorais de modo subsidiário, ou seja, naquilo que a lei
específica eleitoral não tratar de modo diferente.

Vamos inaugurar o assunto com uma disposição do Código Eleitoral:

Art. 367. A imposição e a cobrança de qualquer multa, salvo no caso das


condenações criminais, obedecerão às seguintes normas:

[...]

III - Se o eleitor não satisfizer o pagamento no prazo de 30 dias, será


considerada dívida líquida e certa, para efeito de cobrança mediante executivo fiscal,
a que for inscrita em livro próprio no cartório eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral já decidiu que o fato de o art. 367, III, do Código
Eleitoral prever a inscrição da dívida em livro do cartório eleitoral não afasta a

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competência da Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrever a dívida


eleitoral ou expedir a certidão de dívida ativa.

Também o TSE se utilizou do art. 3º, § 2º, da Res.-TSE nº 21.975/2004 ao


assinalar plenamente aplicável a determinação de que “para fins de inscrição de
multas eleitorais na Dívida Ativa da União, os Tribunais Eleitorais reportar-se-
ão diretamente às procuradorias da Fazenda Nacional”.

1. A dívida ativa da Fazenda Pública e a Certidão de dívida ativa

Regulada pela Lei Federal n° 6830/80, a execução fiscal deve fundar-se em


título executivo que represente uma obrigação certa, líquida e exigível. Os títulos
executivos podem ter natureza de títulos executivos judiciais ou extrajudiciais.

Entre os títulos extrajudiciais encontra-se a certidão de dívida ativa da


Fazenda Pública. Ela é composta, por qualquer valor, definido como de natureza
tributária ou não tributária, compreendendo, além do principal, a atualização
monetária, os juros, a multa de mora e demais encargos.

O valor devido deve ser inscrito na dívida ativa. A inscrição deve ser feita por
um procedimento administrativo que tem como função apurar a liquidez e certeza do
crédito.

Uma vez instaurado o processo, o devedor será notificado para pagar o valor
devido ou apresentar sua defesa. Caso o pagamento não seja efetuado, a defesa
não seja apresentada ou rejeitada, procede-se ao ato administrativo de inscrição do
valor da dívida ativa.

Após a inscrição, emite-se uma certidão atestando a certeza e liquidez do


débito. A certidão de dívida ativa é o título executivo apto a legitimar a propositura da
execução fiscal. Ela autoriza a propositura da execução fiscal.

Podemos concluir que não havendo a certidão de dívida, não será possível o
ajuizamento da execução fiscal.

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A certidão da dívida ativa é um TÍTULO FORMAL e para


que seja assegurada a ampla defesa do executado, os
elementos da certidão da dívida ativa devem ser bem
caracterizados. Entre os elementos previstos em Lei, a
certidão da dívida ativa deve conter a descrição do fato
gerador ou do fato constitutivo da infração.

Quando há somente a menção genérica à


origem do débito, sem a descrição do fato constitutivo da
obrigação, a certidão da dívida ativa se torna nula, uma
vez que a garantia de ampla defesa do executado é
ferida.

No entanto, caso seja encontrado pequenas


falhas que não comprometam a defesa do executado, a
certidão não deverá ser anulada. Permite-se, neste caso,
o processamento da execução.

Quando há algum vício ou elemento que afaste a liquidez ou a certeza da


certidão da dívida ativa, poderá dita certidão, até a decisão de primeira instância, ser
substituída ou emendada. Ao executado deve-se assegurar a devolução do prazo
para embargos (Lei n° 6.830/80, art. 2°, § 8°).

Em caso de erro formal ou material, a certidão da dívida pode ser, até a


prolação da sentença de embargos, substituída. O que não se admite é a
modificação do sujeito passivo da execução.

- Desde que não haja alteração do executado, a certidão da dívida ativa


poderá ser substituída.

2. A legitimidade ativa na execução fiscal

A execução fiscal será ajuizada pela Fazenda Pública.

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A execução fiscal é privativa da Fazenda Pública. Não


pode ser ajuizada pelas empresas públicas e sociedades
de economia mista, pois não estão abrangidas no conceito
de Fazenda Pública.

3. Procedimento

Inicia-se com a petição inicial, indicando o juízo a quem são dirigidos o


pedido e o requerimento para a citação do executado.

A Fazenda Pública pode produzir provas independentemente de


requerimento na petição inicial, sendo o valor da causa o da dívida constante da
certidão.

A certidão da dívida ativa instrui a petição inicial. Ela poderá constar no


próprio texto da petição inicial – em um único documento, que poderá ser preparado
pelo processo eletrônico.

Em ordem a petição inicial, o juiz irá determinar a citação do executado, a


ser realizada pelos correios com aviso de recebimento. A Fazenda Pública, no
entanto, poderá requerer outra forma de se realizar a citação.

Considera-se feita a citação na data em que foi entregue a carta no


endereço do executado. Caso a data tenha sido omitida no aviso de recebimento,
será considerada feita a citação 10 dias após a entrega da carta à agência postal.

Quando o aviso de recebimento não retorna ao cartório judicial em 15 dias


da data da entrega da carta à agência postal, a citação será feita por oficial de
justiça ou por edital.

Obs.: Apenas será possível a realização da citação por edital quando todas as
demais formas de encontrar o executado forem exauridas de acordo com a Lei,
devendo antes haver as diligências a cargo do oficial de justiça.

Assim, o executado será citado para, em 5 dias, pagar a dívida com


juros e multa de mora, mais os encargos indicados na certidão da dívida ativa.

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Poderá, ainda, caso não pague a dívida, garantir a execução com depósito em
dinheiro, com fiança bancária ou nomeação de bens à penhora.

4. Defesa do Executado

Uma vez feito o depósito em dinheiro, a juntada da prova da fiança bancária


ou havendo a intimação da penhora, o executado terá 30 dias para apresentar seus
embargos.

Assim, o executado terá 30 dias para o ajuizamento dos embargos, contados


do depósito (art. 16, I, Lei n° 6.830/80).

A Lei n° 11.382/06 alterou a sistemática de defesa do executado na


execução fundada em título extrajudicial. Vejamos:

- Os embargos à execução não dependem mais de garantia de juízo. Não é


necessária a constrição de bens pela penhora, depósito ou caução. Assim, citado o
executado, e juntado o respectivo mandado aos autos, já se inicia prazo de 15 dias
para a oposição dos embargos, mesmo que ainda não se tenha feito a penhora de
bens.

De acordo com Didier “os embargos do executado, ofertados na execução


fundada em título executivo extrajudicial, são desprovidos de efeito suspensivo,
podendo o juiz, todavia, conceder tal efeito suspensivo, se o executado assim
requerer e desde que preenchidos os pressupostos genéricos das tutelas provisórias
de urgência: fumus boni júris e periculum in mora.” Ademais, é necessário conceder
efeito suspensivo aos embargos, que o juízo esteja garantido pela penhora, depósito
ou por uma caução.

- os embargos não têm mais efeito suspensivo automático.

5. Suspensão da execução fiscal

A execução fiscal suspende-se nas hipóteses previstas no art. 791 do CPC:

Suspende-se a execução:

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I - no todo ou em parte, quando recebidos com efeito suspensivo os


embargos à execução;

II - nas hipóteses previstas no art. 265, I a III;

III - quando o devedor não possuir bens penhoráveis.

A execução fiscal também será suspensa quando não encontrado o


executado ou não forem localizados bens penhoráveis. Uma vez suspensa a
execução por um desses dois motivos (não for localizado o devedor ou encontrados
bens sobre os quais possa recair a penhora), não correrá o prazo de prescrição.

Quando o juiz determinar a suspensão do curso da execução, será aberta


vista dos autos ao representante judicial da Fazenda Pública. Decorrido o prazo
máximo de 1 (um) ano, sem que seja localizado o devedor ou encontrados bens
penhoráveis, o Juiz ordenará o arquivamento dos autos.

Contudo, sendo encontrados, a qualquer tempo, o devedor ou os bens,


serão desarquivados os autos para prosseguimento da execução, até a época em
que a prescrição seja reconhecida.

6. Dos recursos na execução fiscal

No processo de execução fiscal são admitidos todos os recursos previstos


no Código de Processo Civil. Da sentença que rejeitar os embargos do executado
cabe apelação sem efeito suspensivo (art. 520, V, CPC).

EXECUÇÃO DA MULTA ELEITORAL

As multas previstas nas leis eleitorais, impostas por decisão de que não
caiba recurso, serão recolhidas na forma estabelecida na Resolução TSE nº
21.975/04 e destinadas ao Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos
Políticos (Fundo Partidário), previsto pela Lei nº 9.096/95.

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As multas não satisfeitas no prazo de 30 dias do trânsito em julgado da


decisão serão consideradas dívida líquida e certa, para efeito de cobrança, mediante
executivo fiscal, cabendo aos juízes eleitorais enviar os respectivos autos ao
Tribunal Eleitoral competente, em cinco dias, após o decurso do prazo.

1. Regras específicas de Procedimento à execução de multa eleitoral

As multas previstas nas leis eleitorais, impostas por decisão de que não
caiba recurso, serão inscritas nos termos dos incisos III e IV do art. 367 do Código
Eleitoral (Lei nº 4.737/1965), que assim dispõe:

Art. 367. A imposição e a cobrança de qualquer multa, salvo no caso das


condenações criminais, obedecerão às seguintes normas:

[...]

III - Se o eleitor não satisfizer o pagamento no prazo de 30 dias, será


considerada dívida líquida e certa, para efeito de cobrança mediante executivo fiscal,
a que for inscrita em livro próprio no cartório eleitoral;

Comentários: Portanto, as multas não satisfeitas no prazo de trinta dias do


trânsito em julgado da decisão serão consideradas dívida líquida e certa, para efeito
de cobrança, mediante executivo fiscal.

IV - A cobrança judicial da dívida será feita por ação executiva na forma


prevista para a cobrança da dívida ativa da Fazenda Pública, correndo a ação
perante os juízos eleitorais.

Gravem, sobretudo, o inciso IV desse artigo, ele servirá para compreensão


da competência para execução de multa eleitoral segundo entendimento do STJ.

Principais fases da cobrança de multa eleitoral:

1 - no arbitramento (da multa eleitoral) será levada em conta a condição


econômica do eleitor. A multa pode ser aumentada até dez vezes, se o juiz, ou

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Tribunal considerar que, em virtude da situação econômica do infrator, é ineficaz,


embora aplicada no máximo;

2 - arbitrada a multa, de ofício ou a requerimento do eleitor, o recolhimento


será efetuado em instituição bancária, em moeda corrente ou em cheque;

3- Como vimos, se o eleitor não satisfizer o pagamento no prazo de 30 dias,


será considerada dívida líquida e certa, para efeito de cobrança mediante executivo
fiscal. A cobrança judicial da dívida será feita por ação executiva, na forma prevista
para a cobrança da dívida ativa da Fazenda Publica, correndo a ação perante os
Juízos Eleitorais;

4- os recursos cabíveis, nos processos para cobrança da dívida decorrente


de multa, serão interpostos para a instância superior da Justiça Eleitoral. Em
nenhum caso esse recurso será interposto de ofício;

5- Os juízes eleitorais comunicarão aos Tribunais Regionais,


trimestralmente, a importância total das multas impostas, nesse período e quanto foi
arrecadado. Sendo que idêntica comunicação será feita pelos Tribunais Regionais
ao Tribunal Superior.

2. Competência

Da interpretação conjunta do art. 121 da Constituição Federal, que dispõe


que caberá à lei regular a competência da Justiça Eleitoral, com o art. 367, VI da Lei
nº 4.737/65, Código Eleitoral, que dispõe ser a competência da Justiça Eleitoral
para processar a ação executiva da multa eleitoral, de acordo com o procedimento
definido pela Lei nº 6830/80 (Lei de Execuções Fiscais), não resta dúvida de que
a competência para julgar as execuções das multas eleitorais é da Justiça Eleitoral.
Concluímos que a Constituição recepcionou devidamente o que foi disposto no
código de 1965. Os recursos cabíveis, nos processos para cobrança da dívida
decorrente de multa, serão interpostos perante a instância superior da Justiça
Eleitoral.

A despeito do conteúdo claro do Código Eleitoral em seu art. 367, em


relação à competência para execução de multa eleitoral, o STJ sumulou

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entendimento sobre o assunto para deixar ainda mais evidente a especificidade de


competência para execução da multa eleitoral em relação às regras gerais da
execução fiscal, que preveem competência da Justiça Federal.

Enunciado nº 374 da Súmula do STJ (Órgão


Julgador: Primeira Seção do STJ. Data do
Julgamento: 11/3/2009): "Compete à Justiça Eleitoral
processar e julgar a ação para anular débito decorrente
de multa eleitoral"

A Súmula 374 extrai seu fundamento principalmente:

A) Da Constituição Federal, art. 109 e seu inciso I: "Art.


109. Aos juízes federais compete processar e julgar: I -
as causas em que a União, entidade autárquica ou
empresa pública federal forem interessadas na
condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes,
exceto as de falência, as de acidentes de
trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça
do Trabalho".

Observem que nesse dispositivo o constituinte ressalva


a competência da Justiça Eleitoral.

B) Do próprio Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965):

Art. 367. A imposição e a cobrança de qualquer multa,


salvo no caso das condenações criminais, obedecerão
às seguintes normas:

[...]

IV - A cobrança judicial da dívida será feita por ação


executiva na forma prevista para a cobrança da dívida
ativa da Fazenda Pública, correndo a ação perante os
juízos eleitorais.

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Ainda em relação à competência, o seguinte julgado – que já fora citado por


diversos magistrados devido a seu conteúdo esclarecedor:

Conflito negativo de competência – Juízos das 1ª, 9ª e 10ª Zonas


Eleitorais – Execução fiscal – Multa por infração eleitoral – Juízo competente –
Domicílio do eleitor executado – Inteligência dos artigos 578 do CPC e 1º da
Lei 6.830/80.

1. O foro do domicílio do réu é o competente para o processamento e


julgamento da ação executiva fiscal.

2. Em se tratando de ação executiva por multa eleitoral, entende-se por


domicílio do réu, para efeito de execução, a zona eleitoral na qual se encontra
inscrito o executado, pelo que é nesta que deve ser processada e julgada.
Interpretação do art. 1º da Lei 6.830/80 e 578 do CPC, de aplicação subsidiária.

3. Conflito negativo de competência conhecido, para declarar competente


para apreciar a lide o Juízo da 1ª Zona Eleitoral. (TRE/Acre. Conflito de
Competência n. 1 – classe 9; rel.: Juíza Denise Bonfim; em 8.7.2009).

Desse modo, vimos que a regra do domicílio do réu é aplicada à execução


de multa eleitoral, sendo considerado domicílio o local da zona eleitoral na qual se
encontra inscrito o executado.

3. Jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral

MULTA ELEITORAL- INSCRIÇÃO NA DÍVIDA ATIVA – COMPETÊNCIA -

PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL.

Execução fiscal. Multa eleitoral. Competência.

1. Nos termos do art. 3º, § 2º, da Res.-TSE nº 21.975/2004, “para fins de inscrição
de multas eleitorais na Dívida Ativa da União, os Tribunais Eleitorais reportar-se-ão
diretamente às procuradorias da Fazenda Nacional”.

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2. O fato de o art. 367, III, do Código Eleitoral prever a inscrição da dívida em livro
do cartório eleitoral não afasta a competência da Procuradoria da Fazenda Nacional
para inscrever a dívida eleitoral ou expedir a certidão de dívida ativa.

Agravo regimental não provido.

(Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 11.227 (38098-


36.2009.6.00.0000), Ourinhos/SP, Rel.: Min. Arnaldo Versiani, julgado em
07.12.2011, publicado no DJE nº 023, em 01.02.2012)

PRESTAÇÃO DE CONTAS – VIOLAÇÃO AO ART. 18, §2°, DA LEI N° 9.504/1997


– SUPERAÇÃO DO LIMITE DE GASTOS INFORMADO – COMINAÇÃO DE
MULTA – FIXAÇÃO ABAIXO DO VALOR MÍNIMO LEGAL – IMPOSSIBILIDADE –
ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SUIPERIOR ELEITORAL - DECISÃO
MONOCRÁTICA

[...]

5. Este Tribunal Superior Eleitoral assentou a impossibilidade de aplicação de


sanção de multa em valor inferior ao patamar mínimo legal.

6. Afirmou também que se aplicam os princípios da proporcionalidade e da


razoabilidade na fixação da multa, desde que o seu valor da multa esteja entre os
limites mínimos e máximos estabelecidos em lei.

Nesse sentido:

"AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2010. ENQUETE.


INFORMAÇÃO DE QUE O LEVANTAMENTO NÃO SE TRATA DE PESQUISA
ELEITORAL. INOBSERVÂNCIA. MULTA. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE
E DA RAZOABILIDADE. NÃO PROVIMENTO.

(...)

3. A fixação da multa pecuniária do art. 33, § 3º, da Lei nº 9.504/97, reproduzida no


art. 17 da Res.TSE nº 23.190/2009, deve levar em conta os princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade, não sendo possível, no entanto, impor sanção
em valor abaixo do mínimo legal.

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4. Agravo regimental não provido"

(Respe 129685-AgR, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, de 22.2.2011).

"PESQUISA ELEITORAL. Infração tipificada no art. 33, § 3º, da Lei nº 9.504/97.


Multa. Fixação em valor abaixo do mínimo legal. Inadmissibilidade.

Agravos improvidos. Precedentes.

Reconhecida a prática da infração descrita no art. 33, § 3º, da Lei nº 9.504/9, não é
admissível fixar-lhe a multa em valor inferior ao mínimo legal."

(Respe 25.489-AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, DJ 1º.6.2006).

6. É fato incontroverso que o ora Recorrido extrapolou o limite de gastos informado


originariamente em R$ 3.310,00 (três mil, trezentos e dez reais).

Assim, a multa aplicada deverá ser de cinco a dez vezes a quantia em excesso,
conforme dispõe o art. 18, § 2º, da Lei n. 9.504/1997.

Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido.

7. Pelo exposto, dou provimento ao recurso especial para aplicar a multa no valor
mínimo legal (art. 36, § 6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral).

[…]

(Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 3631-94.2010.6.00.0000, Rio de


Janeiro - RJ, Rel.: Min. Marco Aurélio, julgado em 27.10.2011, publicado no DJE n°
220, em 23.11.2011)

ELEIÇÃO - NÃO COMPARECIMENTO DE MESÁRIO – JUSTIFICATIVA NÃO


ACEITA – APLICAÇÃO DE MULTA – ESTADO DE HIPOSSUFICIÊNCIA – RENDA
FAMILIA DIMINUTA – IMPOSSIBILIDADE DE ARCAR COM O ÔNUS – CÓDIGO
ELEITORAL, ART. 367, §3° - ISENÇÃO DA MULTA – PREVISÃO LEGAL.
DECISÃO MONOCRÁTICA.

[…]

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A Corte Regional Eleitoral assentou que o recorrente tem "Renda Familiar" (total) de
R$ 600,00, mas não reconheceu seu estado de pobreza, concluindo pela
possibilidade de ele suportar o ônus da multa aplicada, no valor de R$255,00
(duzentos e cinquenta e cinco reais).

Não obstante, creio que, tendo em vista o valor da renda familiar informada, o
recorrente não tem condições de arcar com a multa aplicada, motivo pelo qual, com
base no art. 367, § 3º, do Código Eleitoral, entendo, então, devida a isenção da
multa.

Pelo exposto, dou provimento ao recurso especial, com base no art. 36, § 7º, do
Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral, a fim de reformar o acórdão
regional e declarar a isenção da multa aplicada ao recorrente.

[…]

(Recurso Especial Eleitoral n° 2719-22.2010.6.22.0021, Porto Velho – RO, Rel.: Min.


Arnaldo Versiani, julgado em 08.11.2011, publicado no DJE nº 214, em 11.11.2011,
págs. 26/27)

DECISÃO JUDICIAL – DESCUMPRIMENTO – MULTA – CPC – APLICAÇÃO


SUBSIDIÁRIA

Agravo regimental. Agravo de instrumento. Decisão judicial. Descumprimento. Multa.


Previsão legal. Existência. Código de Processo Civil.

Subsidiariedade. Prequestionamento. Ausência. Decisão agravada.

Fundamentos inatacados. Matéria de fato. Prova. Reexame. Impossibilidade.

Inovação. Inadmissibilidade.

Não há falar em ausência de previsão legal quanto à aplicação de multa que tem
como fato gerador o descumprimento de medida judicial, uma vez que
subsidiariamente se aplica o art. 461 do CPC.

[...]

(Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 8.492/PR, Rel.: Min. Marcelo


Ribeiro, em 02.04.2009.)

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EXECUÇÃO FISCAL – MULTA ELEITORAL – DECRETO-LEI Nº 1.025/69 –


INCIDÊNCIA DECISÃO MONOCRÁTICA

[...]

Em que pese se tratar de multa eleitoral, cuja competência para execução pertença
à Justiça Eleitoral, a disciplina legal aplicável é a da Lei nº 6.830/80, visto que
configura um crédito tributário da União.

A legalidade da incidência do percentual previsto no Decreto-Lei nº 1.025/69


encontra respaldo na atual jurisprudência do STJ, conforme precedentes a seguir:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AGRAVO


REGIMENTAL. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. REQUISITOS DE VALIDADE.
ENCARGO DE 20% PREVISTO NO DECRETO-LEI 1.025/69. LEGALIDADE.
PRECEDENTES. TRIBUTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE
NÃO CONFIGURADA.

1. O Tribunal a quo, soberano na análise do acervo fático-probatório dos autos,


asseverou que não há nulidades nas CDAs. A revisão de tal entendimento, conforme
pretende a ora agravante, demandaria o revolvimento de matéria fático-probatória,
inadmissível no recurso especial em face do óbice da Súmula n. 7/STJ.

2. A orientação firmada por esta Corte é no sentido de reconhecer a legalidade da


cobrança do encargo de 20% previsto no Decreto-Lei 1.025/69, uma vez que se
destina a cobrir todas as despesas realizadas com a cobrança judicial da União,
inclusive honorários advocatícios.

3. A Primeira Seção do STJ, no julgamento pelo regime do art. 543-C do CPC,


reafirmou o entendimento no sentido de que "a apresentação de Declaração de
Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, de Guia de Informação e Apuração
do ICMS - GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de
constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência
por parte do Fisco"

(REsp962.379, Primeira Seção, DJ de 28.10.2008).

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4. Decisão mantida por seus próprios fundamentos.

5. Agravo regimental não provido. (Acórdão/STJ nº 1.105.633, de 25.5.2009, rel.


min. Benedito Gonçalves; grifei)

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - VIOLAÇÃO AO ART. 142 E 150 DO CTN -


PREQUESTIONAMENTO AUSENTE - INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356 STF
- EXECUÇÃO FISCAL - CRÉDITO DA UNIÃO - TAXA SELIC - APLICABILIDADE -
ENCARGO DE 20% PREVISTO NO DECRETO-LEI 1.025/69 - INCIDÊNCIA -
PRECEDENTES STJ.

1. Não se conhece do recurso especial quando a questão nele suscitada carece do


indispensável prequestionamento (Súmulas 282 e 356 STF).

2. A eg. Primeira Seção deste Tribunal assentou entendimento no sentido da


aplicabilidade da Taxa Selic sobre débitos e créditos tributários.

3. É firme a jurisprudência desta Corte no sentido de ser devido o encargo de 20%,


previsto no Decreto-Lei 1.025/69, nas execuções fiscais da União e que este
substitui, nos embargos, a condenação do devedor em honorários advocatícios.

4. Recurso especial conhecido em parte e, nessa parte, não provido.

(Acórdão/STJ nº 1.074.339, de 27.3.2009, rel. min. Eliana Calmon; grifei)

[...]

(Recurso Especial Eleitoral nº 29.098/SP, Rel.: Min. Joaquim Barbosa, julgadi em


31.07.2009, Síntese de 06.08.2009)

MULTA ELEITORAL – PARCELAMENTO – POSSIBILIDADE

Eleições 2004. Agravo regimental. Agravo de instrumento. Multa eleitoral.

Pagamento. Parcelamento. Prazo. Fixação. TRE. Competência. Matéria de fato.


Reexame. Impossibilidade. Decisão agravada. Manutenção.

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É da competência do TRE, diante das peculiaridades do caso, fixar prazo razoável


para o parcelamento do pagamento de multa. Nesse sentido, o fracionamento
inferior a 60 (sessenta) parcelas não contraria o art. 10 da Lei nº 10.522/2002.

Concluir em sentido diverso ao que decidido pela instância regional demanda o


reexame de fatos, o que encontra óbice na Súmula - STF n° 279. Mantém-se a
decisão agravada, pelos seus próprios fundamentos, quando estes forem
insuficientemente infirmados.

Nesse entendimento, o Tribunal negou provimento ao agravo regimental.

Unânime.

(Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 6.910/MS, Rel.: Min. Joaquim


Barbosa, em 25.06.2009, Informativo nº 21/2009).

MULTA ELEITORAL – LIMITE MÍNIMO – REDUÇÃO – IMPOSSIBILIDADE

Eleições 2008. Agravo regimental. Agravo de instrumento. Enquete.

Veiculação. Esclarecimento. Ausência. Multa. Aplicação. Resolução do TSE.

Competência administrativa. Exercício. Limitação legal. Sujeição. Multa eleitoral.


Limite mínimo. Fixação. Redução. Impossibilidade. Previsão legal.

Inexistência.

A veiculação de enquete sem o devido esclarecimento de que não se trata de


pesquisa eleitoral enseja a aplicação de multa ao responsável pela propaganda.

O TSE, ao expedir a Res.-TSE no 22.623/2007, o fez no exercício do poder


regulamentar, nos limites do CE e da Lei das Eleições. É impossível a redução da
multa aplicada aquém do mínimo legal, por ausência de previsão de mecanismos de
diminuição na legislação específica, tais como existentes no Direito Penal. Nesse
sentido, não é desproporcional a multa aplicada no seu valor mínimo legal. Nesse
entendimento, o Tribunal negou provimento ao agravo regimental.

Unânime.

(Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 11.019/PR, Rel.: Min. Ricardo


Lewandowski, em 18.12.2009, Informativo nº 41/2009)

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VALOR DA CAUSA – INEXISTÊNCIA – MULTA – VALOR – PONDERAÇÃO DO


JULGADOR - DECISÃO MONOCRÁTICA

[...]

Correta também a imposição da multa segundo a ponderação do juízo a quo, uma


vez que inexiste valor da causa no processo eleitoral, conforme precedentes deste
Tribunal Superior (REspe 26.062, Rel. Min. Eros Grau, 12.8.2008; REspe 25013,
Rel. Min. Lopes Madeira, 8.6.2005). Diante disso, exige-se apenas a
proporcionalidade entre o valor aplicado (cinco mil reais) e as circunstâncias do caso
concreto (REspe 24997, Rel. Lopes Madeira,15.6.2005)

[...]

(Recurso Especial Eleitoral nº 35.790-AL, Relatora: Min. Cármen Lúcia, julgado em


26.02.2010, Síntese de 09.03.2010)

MULTA – PROPAGANDA EXTEMPORÂNEA – CONDENAÇÃO –


HIPOSSUFICIÊNCIA – INAPLICABILIDADE - DECISÃO MONOCRÁTICA

[...]

No que concerne à hipossuficiência dos Recorrentes, é essencial esclarecer que não


há amparo legal à isenção concedida, que apenas esvazia o provimento jurisdicional
ao afastar a eficácia da lei. Isso porque o aludido artigo 367, § 3º, do Código Eleitoral
não se aplica ao caso em questão. Referindo-se exclusivamente "o alistando ou o
eleitor, é incabível a extensão a candidato, já que normas de exceção devem ser
interpretadas restritivamente.

Da mesma forma, não é possível suscitar a incidência do artigo 5º da Lei nº


1.050/50, que, ao assegurar o acesso à justiça, visa justamente a garantir a
inafastabilidade do controle jurisdicional. Aplicá-lo para justificar a isenção do
pagamento seria deturpar por completo sua ratio.

Assim sendo, ainda que as declarações dos Recorridos tenham de fato presunção
de veracidade, o que se decorre do artigo 1º da Lei nº 7.115/83, não produzem
qualquer efeito legal, uma vez que a hipossuficiência não isenta os Recorridos do
pagamento da multa judicialmente cominada.

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Admitir que a hipossuficiência econômica dos candidatos possa importar na isenção


do pagamento de multa legal e juridicamente imposta, sendo esta a sanção última
de diversos ilícitos eleitorais, equivale a legitimar sistematicamente a impunidade de
todos os candidatos que aleguem pobreza".

Colho, ainda, o seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido (fls. 49-50):
Como bem pontua a D. Procuradoria Regional Eleitoral em seu parecer, não há, no
caso em tela, em que se aplicar o disposto no artigo 367, § 3º do Código Eleitoral,
bem como o artigo 5º da Lei 1.060/50, uma vez que o primeiro refere-se,
exclusivamente, ao “alistando" ou ao “eleitor" e, portanto, incabível ao candidato. Já
o segundo não deve ser aplicado de forma a isentar pagamento de multa.

Vale observar que a hipossuficiência não isenta o condenado no seu dever de


pagamento de multa judicialmente estipulada.

[...]

(Agravo de instrumento nº 11.491/RJ, Rel.: Min. Arnaldo Versiani, julgado em


02.08.2010, publicado no DJE em 09.08.2010)

MULTA DIÁRIA – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE – APLICAÇÃO

DECISÃO MONOCRÁTICA

[...]

Tendo em vista a reduzida gravidade do ilícito eleitoral perpetrado, a multa diária de


R$ 5.000,00 fixada pelo juízo singular, de fato, é desproporcional ao ilícito.

A propósito, a jurisprudência do STJ é de que a cominação de multa diária deve


seguir os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. A Corte entende que a
resistência no cumprimento de uma obrigação não pode ser punida de forma
desmesurada, atingindo patamar milionário, sob pena de ferir a lógica do razoável.
Além disso, é pacífico o entendimento de que a revisão do valor da multa diária não
viola a coisa julgada. Nesse sentido,os seguintes precedentes:

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"AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. OFENSA AO ART. 535


DO CPC. AFASTAMENTO. ASTREINTES. REDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
ADEQUAÇÃO. RAZOABILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO NÃO PROVIDO.

1. Se as questões trazidas à discussão foram dirimidas, pelo Tribunal de origem, de


forma suficientemente ampla e fundamentada, deve ser afastada a alegada violação
ao art. 535 do Código de Processo Civil.

2. A jurisprudência desta Corte está pacificada no sentido de que a multa diária


aplicada com base no art. 461, § 6º, do CPC pode ser revista, sem implicar ofensa à
coisa julgada, para ajustá-la aos parâmetros da razoabilidade e da
proporcionalidade. Precedentes.

3. Agravo regimental ao qual se nega provimento". (AgRg no Ag nº 960.846/RJ, Rel.


Ministra Maria Isabel Gallotti, DJe 11.11.2010) (destaquei)

"CIVIL E PROCESSUAL. AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO. MULTA.


ALTERAÇÃO DE VALOR ABSURDO. AGRAVO IMPROVIDO.

I. Esta Corte já firmou o entendimento de que a multa pelo descumprimento de


decisão judicial deve e pode ser alterada quando fixada, na origem, em valor
excessivo ou insuficiente (Artigo 461, § 6º, do Código de Processo Civil).

II. Agravo improvido".

(AgRg no Ag 1032856/SP, da minha relatoria, DJe 13.10.2009)

Na espécie, a multa diária de R$ 5.000,00, liquidada em R$ 1.155.000,00 (um


milhão, cento e cinquenta e cinco mil reais) pelo juízo monocrático, assim como o
montante de R$ 290.000,00 (duzentos e noventa mil reais) fixado pelo Tribunal a
quo, representam um desvirtuamento da cominação, ferindo a lógica do razoável.

[...]

(Agravo de instrumento nº 2544-05.2010.6.18.0000/PIRJ, Rel.: Min. Aldir Passarinho


Junior, julgado em 31.03.2011, publicado no DJE em 15.04.2011)

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CAPÍTULO XIV: LEI N° 11.419, de 19 de dezembro de 2006.

A regra no processo civil brasileiro é o registro escrito dos atos e termos do


processo, formando autos ou caderno processual. Em 2006, com a Lei n° 11.419/06
o processo eletrônico espalhou-se para todos os órgãos e procedimentos do
Judiciário.

Antes de fazer mais considerações acerca do tema, devemos saber o


conceito de meio eletrônico expresso pela referida Lei: qualquer forma de
armazenamento ou tráfego de documentos e arquivos digitais. Essa mesma Lei
ainda define o que é transmissão eletrônica, dizendo: é toda forma de comunicação
à distância com a utilização de redes de comunicação, preferencialmente a rede
mundial de comunicação.

Essa Lei amplia o uso de meios eletrônicos nos processos judiciais. No


entanto, para que isso de fato ocorra, cabe aos Tribunais regulamentar, conforme o
art. 154, CPC: os tribunais, no âmbito da respectiva jurisdição, poderão disciplinar a
prática e a comunicação oficial dos atos processuais por meios eletrônicos,
atendidos os requisitos de autenticidade, integridade, validade jurídica e
interoperabilidade da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP – Brasil.

Cumprida essa etapa, devemos esclarecer os aspectos da assinatura,


manuscrita ou eletrônica, meio que atribui a autenticidade e validade a qualquer
declaração, ato jurídico, inclusive, ao ato processual.

Vejamos o art. 219, CC e o art. 10, §1° da MP 2.200-2/2001:

As declarações constantes de documentos assinados presumem-se


verdadeiras em relação aos signatários (art. 219).

Consideram-se documentos públicos ou particulares, para todos os fins


legais, os documentos eletrônicos de que trata esta Medida Provisória (art. 10).

As declarações constantes dos documentos em forma eletrônica produzidos


com a utilização de processo de certificação disponibilizado pela ICP-Brasil

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presumem-se verdadeiros em relação aos signatários, na forma do art. 131 da Lei


no 3.071, de 1° de janeiro de 1916 - Código Civil (§ 1°).

Vale ressaltar que a admissão de assinatura eletrônica também é definida na


Lei n° 11.419/06. Assinatura eletrônica é reconhecida como as seguintes formas de
identificação inequívocas do signatário: a) assinatura digital baseada em certificado
digital emitido por Autoridade Certificadora credenciada, na forma da lei específica;
b) mediante cadastro de usuário no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos
órgãos respectivos.

Nesse último caso (b), o credenciamento no Poder Judiciário será realizado


mediante procedimento no qual esteja assegurada a adequada identificação
presencial do interessado. A Lei também permite a criação de um cadastro único
para o credenciamento, ou seja, para o reconhecimento das assinaturas eletrônicas.

Uma vez realizado o cadastro do signatário junto ao órgão do Poder


Judiciário, qualquer ato processual poderá ser realizado por meio eletrônico. Os atos
processuais eletrônicos consideram-se feitos no dia e hora do seu envio ao sistema
do Poder Judiciário, devendo este fornecer o protocolo eletrônico.

Quando a petição eletrônica for enviada para atender prazo processual,


serão consideradas tempestivas as transmitidas até as 24 (vinte e quatro) horas do
seu último dia. Se o Sistema do Poder Judiciário se tornar indisponível por motivo
técnico, o prazo fica automaticamente prorrogado para o primeiro dia útil seguinte à
resolução do problema.

Essa mesma lei regula a comunicação eletrônica dos atos processuais.


Citações e intimações poderão ser realizadas por meio eletrônico, assim como as
cartas, meio de comunicação entre os juízos.

As cartas precatórias, rogatórias, de ordem e, de um modo geral, todas as


comunicações oficiais que transitem entre órgãos do Poder Judiciário, bem como
entre os deste e os dos demais Poderes, serão feitas preferentemente por meio
eletrônico (art. 7°).

A lei dispõe, ainda, que os órgãos do Poder Judiciário poderão desenvolver


sistemas eletrônicos de processamento de ações judiciais por meio de autos total ou

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parcialmente digitais, utilizando, preferencialmente, a rede mundial de computadores


e acesso por meio de redes internas e externas.

Ressalte-se que o legislador diz “ações judiciais” quando deveria referir-se,


em verdade, aos processos judiciais, já que os institutos são ontologicamente
distintos – da ação e do processo.

Todos os atos processuais do processo eletrônico serão assinados


eletronicamente e todas as citações, intimações e notificações, inclusive da Fazenda
Pública, serão feitas por meio eletrônico. Essas juntamente com as remessas que
viabilizem o acesso à íntegra do processo correspondente serão consideradas para
todos os efeitos legais.

Quando, por motivo técnico, for inviável o uso do meio eletrônico para a
realização de citação, intimação ou notificação, esses atos processuais poderão ser
praticados segundo as regras ordinárias, digitalizando-se o documento físico (papel),
que deverá ser posteriormente destruído.

A distribuição da petição inicial e a juntada de outras petições, como a


contestação e os recursos, podem ser feitas diretamente pelos advogados públicos
e privados, sem necessidade da intervenção de órgãos estatais (ex. o cartório), caso
em que a autuação deverá ocorrer de forma automática, fornecendo-se recibo
eletrônico de protocolo.

Estabelece a Lei que os documentos produzidos por meio eletrônico são


considerados originais. Do mesmo modo, os extratos digitais e os documentos
digitalizados e juntados aos autos pelos órgãos da Justiça, Ministério Público,
procuradorias, autoridades policiais, repartições públicas em geral e por advogados
públicos e privados têm a mesma força probante dos originais, ressalvada a
alegação motivada e fundamentada de adulteração antes ou durante o processo de
digitalização.

A arguição de falsidade do documento será processada eletronicamente,


desse modo, será necessário guardar os documentos originais que foram
digitalizados até o trânsito em julgado da sentença ou, quando admitida, até o fim do
prazo para o ajuizamento da ação rescisória.

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Se, por ventura, os documentos, cuja digitalização seja tecnicamente


inviável (devido ao grande volume ou por serem ilegíveis), deverão ser apresentados
ao cartório ou secretaria no prazo de 10 dias contados do envio de petição eletrônica
comunicando o fato. Os documentos serão devolvidos à parte após o trânsito em
julgado.

Os documentos digitalizados juntados em processo eletrônico somente


estarão disponíveis para acesso por meio da rede externa para suas respectivas
partes processuais e para o Ministério Público, respeitando o sigilo e o segredo de
justiça. Assim, os processos que não tramitam em segredo de justiça poderão ficar
disponíveis para leitura. No entanto, os documentos devem ser protegidos para
evitar que o sistema sofra qualquer ataque de hackers que prejudique o andamento
do processo e a segurança jurídica das partes.

Os autos de processos eletrônicos que tiverem de ser remetidos a outro


juízo ou instância superior que não disponham de sistema compatível deverão ser
impressos, cabendo, nesse caso, ao escrivão certificar os autores ou a origem dos
documentos produzidos nos autos. Além disso, o juiz poderá determinar que sejam
realizados por meio eletrônico a exibição e o envio de dados e de documentos
necessários à instrução do processo.

Lei n° 11.419/2006

O uso de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais, comunicação de


atos e transmissão de peças processuais será admitido nos termos desta Lei.

Aplica-se o disposto nesta Lei, indistintamente, aos processos civil, penal e


trabalhista, bem como aos juizados especiais, em qualquer grau de jurisdição.

 Meio eletrônico, transmissão eletrônica e assinatura eletrônica

Considera-se:

I - meio eletrônico qualquer forma de armazenamento ou tráfego de documentos


e arquivos digitais;

II - transmissão eletrônica toda forma de comunicação a distância com a

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utilização de redes de comunicação, preferencialmente a rede mundial de


computadores;

III - assinatura eletrônica as seguintes formas de identificação inequívoca do


signatário:

a) assinatura digital baseada em certificado digital emitido por Autoridade


Certificadora credenciada, na forma de lei específica;

b) mediante cadastro de usuário no Poder Judiciário, conforme disciplinado


pelos órgãos respectivos.

 Credenciamento prévio

O envio de petições, de recursos e a prática de atos processuais em geral por


meio eletrônico serão admitidos mediante uso de assinatura eletrônica, sendo
obrigatório o credenciamento prévio no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos
órgãos respectivos.

O credenciamento no Poder Judiciário será realizado mediante procedimento no


qual esteja assegurada a adequada identificação presencial do interessado.

Ao credenciado será atribuído registro e meio de acesso ao sistema, de modo a


preservar o sigilo, a identificação e a autenticidade de suas comunicações.

Os órgãos do Poder Judiciário poderão criar um cadastro único para o


credenciamento.

 Realização dos atos eletrônicos

Consideram-se realizados os atos processuais por meio eletrônico no dia e hora


do seu envio ao sistema do Poder Judiciário, do que deverá ser fornecido protocolo
eletrônico.

Quando a petição eletrônica for enviada para atender prazo processual, serão
consideradas tempestivas as transmitidas até as 24 horas do seu último dia.

 Da comunicação dos atos processuais

Os tribunais poderão criar Diário da Justiça eletrônico, disponibilizado em sítio


da rede mundial de computadores, para publicação de atos judiciais e

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administrativos próprios e dos órgãos a eles subordinados, bem como comunicações


em geral.

O sítio e o conteúdo das publicações deverão ser assinados digitalmente com


base em certificado emitido por Autoridade Certificadora credenciada.

A publicação eletrônica na forma deste artigo substitui qualquer outro meio e


publicação oficial, para quaisquer efeitos legais, à exceção dos casos que, por lei,
exigem intimação ou vista pessoal.

Os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que seguir ao considerado
como data da publicação.

As intimações serão feitas por meio eletrônico em portal próprio aos que se
cadastrarem, dispensando-se a publicação no órgão oficial, inclusive eletrônico.

Considerar-se-á realizada a intimação no dia em que o intimando efetivar a


consulta eletrônica ao teor da intimação, certificando-se nos autos a sua realização.

Nos casos em que a consulta se dê em dia não útil, a intimação será


considerada como realizada no primeiro dia útil seguinte.

A consulta deverá ser feita em até 10 dias corridos contados da data do envio da
intimação, sob pena de considerar-se a intimação automaticamente realizada na
data do término desse prazo.

Em caráter informativo, poderá ser efetivada remessa de correspondência


eletrônica, comunicando o envio da intimação e a abertura automática do prazo
processual, aos que manifestarem interesse por esse serviço.

Nos casos urgentes em que a intimação possa causar prejuízo a quaisquer


das partes ou nos casos em que for evidenciada qualquer tentativa de burla ao
sistema, o ato processual deverá ser realizado por outro meio que atinja a sua
finalidade, conforme determinado pelo juiz.

As intimações, inclusive da Fazenda Pública, serão consideradas pessoais para


todos os efeitos legais.

Observadas as formas e as cautelas do art. 5o da referida Lei, as citações,


inclusive da Fazenda Pública, excetuadas as dos Direitos Processuais Criminal e

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Infracional, poderão ser feitas por meio eletrônico, desde que a íntegra dos autos
seja acessível ao citando.

As cartas precatórias, rogatórias, de ordem e, de um modo geral, todas as


comunicações oficiais que transitem entre órgãos do Poder Judiciário, bem como
entre os deste e os dos demais Poderes, serão feitas preferentemente por meio
eletrônico.

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 Do processo eletrônico

Os órgãos do Poder Judiciário poderão desenvolver sistemas eletrônicos de


processamento de ações judiciais por meio de autos total ou parcialmente digitais,
utilizando, preferencialmente, a rede mundial de computadores e acesso por meio
de redes internas e externas.

Todos os atos processuais do processo eletrônico serão assinados


eletronicamente.

No processo eletrônico, todas as citações, intimações e notificações, inclusive


da Fazenda Pública, serão feitas por meio eletrônico.

As citações, intimações, notificações e remessas que viabilizem o acesso à


íntegra do processo correspondente serão consideradas vista pessoal do
interessado para todos os efeitos legais.

Quando, por motivo técnico, for inviável o uso do meio eletrônico para a realização
de citação, intimação ou notificação, esses atos processuais poderão ser praticados
segundo as regras ordinárias, digitalizando-se o documento físico, que deverá ser
posteriormente destruído.

A distribuição da petição inicial e a juntada da contestação, dos recursos e das


petições em geral, todos em formato digital, nos autos de processo eletrônico,
podem ser feitas diretamente pelos advogados públicos e privados, sem
necessidade da intervenção do cartório ou secretaria judicial, situação em que a
autuação deverá se dar de forma automática, fornecendo-se recibo eletrônico de
protocolo.

Quando o ato processual tiver que ser praticado em determinado prazo, por
meio de petição eletrônica, serão considerados tempestivos os efetivados até as 24
horas do último dia.

Se o Sistema do Poder Judiciário se tornar indisponível por motivo técnico, o prazo


fica automaticamente prorrogado para o primeiro dia útil seguinte à resolução do
problema.

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Os órgãos do Poder Judiciário deverão manter equipamentos de digitalização e


de acesso à rede mundial de computadores à disposição dos interessados para
distribuição de peças processuais.

Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos


eletrônicos com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais
para todos os efeitos legais.

Os extratos digitais e os documentos digitalizados e juntados aos autos pelos


órgãos da Justiça e seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus auxiliares, pelas
procuradorias, pelas autoridades policiais, pelas repartições públicas em geral e por
advogados públicos e privados têm a mesma força probante dos originais,
ressalvada a alegação motivada e fundamentada de adulteração antes ou durante o
processo de digitalização.

A arguição de falsidade do documento original será processada eletronicamente


na forma da lei processual em vigor.

Os originais dos documentos digitalizados deverão ser preservados pelo seu


detentor até o trânsito em julgado da sentença ou, quando admitida, até o final do
prazo para interposição de ação rescisória.

Os documentos cuja digitalização seja tecnicamente inviável devido ao grande


volume ou por motivo de ilegibilidade deverão ser apresentados ao cartório ou
secretaria no prazo de 10 dias contados do envio de petição eletrônica comunicando
o fato, os quais serão devolvidos à parte após o trânsito em julgado.

Os documentos digitalizados juntados em processo eletrônico somente estarão


disponíveis para acesso por meio da rede externa para suas respectivas partes
processuais e para o Ministério Público, respeitado para as situações de sigilo e de
segredo de justiça.

A conservação dos autos do processo poderá ser efetuada total ou parcialmente


por meio eletrônico.

Os autos dos processos eletrônicos deverão ser protegidos por meio de


sistemas de segurança de acesso e armazenados em meio que garanta a
preservação e integridade dos dados, sendo dispensada a formação de autos

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suplementares.

Os autos de processos eletrônicos que tiverem de ser remetidos a outro juízo ou


instância superior que não disponham de sistema compatível deverão ser impressos
em papel.

O escrivão ou o chefe de secretaria certificará os autores ou a origem dos


documentos produzidos nos autos, acrescentando, ressalvada a hipótese de existir
segredo de justiça, a forma pela qual o banco de dados poderá ser acessado para
aferir a autenticidade das peças e das respectivas assinaturas digitais.

Feita a autuação, o processo seguirá a tramitação legalmente estabelecida para


os processos físicos.

A digitalização de autos em mídia não digital, em tramitação ou já arquivados,


será precedida de publicação de editais de intimações ou da intimação pessoal das
partes e de seus procuradores, para que, no prazo preclusivo de 30 dias, se
manifestem sobre o desejo de manterem pessoalmente a guarda de algum dos
documentos originais.

O magistrado poderá determinar que sejam realizados por meio eletrônico a


exibição e o envio de dados e de documentos necessários à instrução do processo.

Consideram-se cadastros públicos, dentre outros existentes ou que venham a


ser criados, ainda que mantidos por concessionárias de serviço público ou empresas
privadas, os que contenham informações indispensáveis ao exercício da função
judicante.

O acesso dar-se-á por qualquer meio tecnológico disponível, preferentemente o


de menor custo, considerada sua eficiência.

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RESUMO DA AULA

- Execução Fiscal: multa eleitoral

 Enunciado nº 374 da Súmula do STJ (Órgão Julgador: Primeira Seção do


STJ. Data do Julgamento: 11/3/2009): "Compete à Justiça Eleitoral
processar e julgar a ação para anular débito decorrente de multa eleitoral."

A Súmula 374 extrai seu fundamento:

A) Da Constituição Federal, art. 109 e seu inciso I: "Art. 109. Aos juízes
federais compete processar e julgar: I - as causas em que a União, entidade
autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras,
rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e
as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho".

Observem que nesse dispositivo o constituinte ressalva a competência da


Justiça Eleitoral.

B) Do próprio Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965):

Art. 367. A imposição e a cobrança de qualquer multa, salvo no caso das


condenações criminais, obedecerão às seguintes normas:

[...]

IV - A cobrança judicial da dívida será feita por ação executiva na forma


prevista para a cobrança da dívida ativa da Fazenda Pública, correndo a ação
perante os juízos eleitorais.

QUESTÕES COMENTADAS

01. (TRE ES – Cespe 2011) Caso uma execução fiscal ajuizada para cobrança
de multa eleitoral fixada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Espírito
Santo (TRE/ES) seja distribuída ao juiz eleitoral da XX zona eleitoral de Vitória,
este deverá declinar da competência para uma das varas da justiça federal.

a) Certo
b) Errado

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COMENTÁRIO:
Esta questão avaliou conhecimento já sumulado pelo Superior tribunal de Justiça, no
enunciado de nº 374 (Órgão Julgador: Primeira Seção do STJ. Data do Julgamento:
11/3/2009):

"Compete à Justiça Eleitoral processar e julgar a ação para anular débito


decorrente de multa eleitoral."

Desse modo, a questão erra ao dizer que o juiz eleitoral deveria declinar da
sua competência, uma vez que a competência para execução de multa eleitoral
seria da justiça federal.

A Súmula 374 extrai seu fundamento:

A) Da Constituição Federal, art. 109 e seu inciso I: "Art. 109. Aos juízes
federais compete processar e julgar: I - as causas em que a União, entidade
autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras,
rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e
as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho".

Observem que nesse dispositivo o constituinte ressalva a competência da


Justiça Eleitoral.

B) Do próprio Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965):

Art. 367. A imposição e a cobrança de qualquer multa, salvo no caso das


condenações criminais, obedecerão às seguintes normas:

[...]

IV - A cobrança judicial da dívida será feita por ação executiva na forma


prevista para a cobrança da dívida ativa da Fazenda Pública, correndo a ação
perante os juízos eleitorais;

Gabarito: Errado

02. (PGE AM – FCC 2010) No processo em que se usa meio eletrônico na


comunicação de atos, observar-se-á a seguinte regra:
a) considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da
disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico e os prazos
processuais terão início no primeiro dia útil que se seguir ao considerado

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como data da publicação.


b) os prazos processuais terão início cinco dias após a disponibilização da
informação no Diário de Justiça eletrônico.
c) considera-se como data da publicação o dia da disponibilização da
informação no Diário da Justiça eletrônico e os prazos processuais terão início
no primeiro dia útil que se seguir.
d) as cartas precatórias, rogatórias e de ordem não poderão ser feitas por meio
eletrônico.
e) a publicação eletrônica substitui qualquer outro meio de publicação oficial e
também as intimações ou vista pessoais, que a lei determinar.
COMENTÁRIO:
Regida pela Lei nº 11.419 de 2006 – lei que modificou o CPC, sobre a
comunicação de atos processuais por meio eletrônico é importante destacar que:
Os tribunais poderão criar Diário da Justiça eletrônico, disponibilizado na
Internet, para publicação de atos judiciais e administrativos próprios e dos órgãos a
eles subordinados, bem como comunicações em geral (art. 4º).
§ 1º O sítio e o conteúdo das publicações deverão ser assinados
digitalmente com base em certificado emitido por Autoridade Certificadora
credenciada.
§ 2º A publicação eletrônica substitui qualquer outro meio e publicação
oficial, para quaisquer efeitos legais, à exceção dos casos que, por lei, exigem
intimação ou vista pessoal.
§ 3º Considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da
disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico.
§ 4º Os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que seguir ao
considerado como data da publicação.
§ 5º A criação do Diário da Justiça eletrônico deverá ser acompanhada de
ampla divulgação, e o ato administrativo correspondente será publicado durante 30
(trinta) dias no diário oficial em uso.
Essa é a redação do art. 4º da Lei 11.419/06. Reparem que o examinador
copiou, na letra A, exatamente os parágrafos 3º e 4º da lei.
Gabarito: A

3. (CESGRANRIO – Caixa: Advogado 2012) A empresa M e Y Ltda. é ré em


execução fiscal, tendo sido intimada regularmente da penhora realizada.
Nesse procedimento especial, o prazo para Embargos à Execução
corresponde, em dias, a
a) dez
b) quinze

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c) vinte
d) trinta
e) sessenta
COMENTÁRIO:
Conforme a Lei n. 6830/80: Art. 16 - O executado oferecerá embargos, no
prazo de 30 (trinta) dias, contados: I - do depósito; II - da juntada da prova da fiança
bancária; III - da intimação da penhora. [...]
Gabarito: D

4. (TCE SP – FCC 2011) O Juiz suspenderá o curso da execução fiscal,


enquanto não localizados bens sobre os quais possa recair a penhora e,
a) após decretar a suspensão, abrirá vista dos autos ao representante judicial
da Fazenda Pública.
b) decorrido o prazo máximo de 02 (dois) anos, sem que seja localizado o
devedor ou encontrados bens penhoráveis, ordenará o arquivamento dos
autos.
c) nesse caso, o prazo de prescrição continuará correndo normalmente.
d) decorrido o prazo máximo de 06 (seis) meses, sem que seja localizado o
devedor ou encontrados bens penhoráveis, ordenará o arquivamento dos
autos.
e) nesse caso, o prazo prescricional será interrompido e não voltará a correr
enquanto não forem localizados bens passíveis de penhora.
COMENTÁRIO:

A Lei n. 6830/80 traz resposta à questão, ao prever que sendo suspenso o


curso da execução, será aberta vista dos autos ao representante judicial da Fazenda
Pública:

Art. 40 - O Juiz suspenderá o curso da execução, enquanto não for


localizado o devedor ou encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora, e,
nesses casos, não correrá o prazo de prescrição.
§ 1º - Suspenso o curso da execução, será aberta vista dos autos ao
representante judicial da Fazenda Pública.
[...]
Gabarito: A

5. (TRE BA – Cespe 2010) Considerando que um candidato a cargo eletivo, em


razão de propaganda política irregular, teve imputada pela justiça eleitoral
sanção consistente na aplicação de multa, julgue os item subsequente.

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Qualquer parte interessada no processo eleitoral que resultou na aplicação da


multa tem legitimidade para promover a sua execução.

a) Certo
b) Errado

A multa eleitora será inscrita como dívida ativa. A legitimidade ativa para
promover a execução é da Fazenda Pública, por seu órgão jurídico competente para
tanto – a Procuradoria da Fazenda Nacional. Lei 6.830/80:

Art. 2º - [...]

§ 4º - A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da


Fazenda Nacional.

Gabarito: Errado

QUESTÕES DA AULA

01. (TRE ES – Cespe 2011) Caso uma execução fiscal ajuizada para cobrança
de multa eleitoral fixada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Espírito
Santo (TRE/ES) seja distribuída ao juiz eleitoral da XX zona eleitoral de Vitória,
este deverá declinar da competência para uma das varas da justiça federal.

a) Certo
b) Errado

02. (PGE AM – FCC 2010) No processo em que se usa meio eletrônico na


comunicação de atos, observar-se-á a seguinte regra:
a) considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da
disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico e os prazos
processuais terão início no primeiro dia útil que se seguir ao considerado
como data da publicação.
b) os prazos processuais terão início cinco dias após a disponibilização da
informação no Diário de Justiça eletrônico.
c) considera-se como data da publicação o dia da disponibilização da
informação no Diário da Justiça eletrônico e os prazos processuais terão início
no primeiro dia útil que se seguir.
d) as cartas precatórias, rogatórias e de ordem não poderão ser feitas por meio
eletrônico.
e) a publicação eletrônica substitui qualquer outro meio de publicação oficial e

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também as intimações ou vista pessoais, que a lei determinar.

3. (CESGRANRIO – Caixa: Advogado 2012) A empresa M e Y Ltda. é ré em


execução fiscal, tendo sido intimada regularmente da penhora realizada.
Nesse procedimento especial, o prazo para Embargos à Execução
corresponde, em dias, a
a) dez
b) quinze
c) vinte
d) trinta
e) sessenta

4. (TCE SP – FCC 2011) O Juiz suspenderá o curso da execução fiscal,


enquanto não localizados bens sobre os quais possa recair a penhora e,
a) após decretar a suspensão, abrirá vista dos autos ao representante judicial
da Fazenda Pública.
b) decorrido o prazo máximo de 02 (dois) anos, sem que seja localizado o
devedor ou encontrados bens penhoráveis, ordenará o arquivamento dos
autos.
c) nesse caso, o prazo de prescrição continuará correndo normalmente.
d) decorrido o prazo máximo de 06 (seis) meses, sem que seja localizado o
devedor ou encontrados bens penhoráveis, ordenará o arquivamento dos
autos.
e) nesse caso, o prazo prescricional será interrompido e não voltará a correr
enquanto não forem localizados bens passíveis de penhora.

5. (TRE BA – Cespe 2010) Considerando que um candidato a cargo eletivo, em


razão de propaganda política irregular, teve imputada pela justiça eleitoral
sanção consistente na aplicação de multa, julgue os item subsequente.

Qualquer parte interessada no processo eleitoral que resultou na aplicação da


multa tem legitimidade para promover a sua execução.

a) Certo
b) Errado

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02 A

03 D

04 A

05 Errado

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