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I CBENS - I Congresso Brasileiro de Energia Solar

ABENS - Associação Brasileira de Energia Solar Fortaleza, 8 a 11 de abril de 2007

AR CONDICIONADO SOLAR POR ADSORÇÃO:


FUNDAMENTOS E ESTADO DA ARTE
Douglas Bressan Riffel – dougbr@gmx.net
Francisco Antônio Belo – belo@les.ufpb.br
Antonio Pralon Ferreira Leite – antpralon@yahoo.com.br
Universidade Federal de Paraíba, Laboratório de Energia Solar

2. Conversão Térmica da Energia Solar

Resumo. Este artigo apresenta uma revisão bibliográfica dos fundamentos da adsorção e das
experiências mundiais com sistemas de refrigeração por adsorção com aplicação no setor de ar
condicionado solar, em especial os sistemas com operação contínua. A indústria da refrigeração
vem passando por uma profunda reforma, como conseqüência dos protocolos de Montreal e de
Kyoto, onde diversas normas e restrições foram estabelecidas quanto aos fluidos empregados. A
tecnologia de sorção se apresenta como uma alternativa aos sistemas convencionais de
compressão a vapor, porque utiliza fluidos com potencial zero de destruição da camada de ozônio
e nenhum efeito no aquecimento global. Essa tecnologia, aliada à utilização de resíduos térmicos
ou energia solar, permite uma efetiva adequação às questões ambientais. Durante a revisão
bibliográfica, verificou-se que, atualmente, o par adsortivo mais utilizado é a sílica-gel/água,
algumas vezes, inclusive, com catalisadores, CaCl2, impregnados. No entanto são os sistemas de
recuperação de calor e de massa, os principais responsáveis pela melhora no desempenho. Por fim,
um gráfico foi elaborado para comparar o coeficiente de performance dos sistemas estudados.

Palavras-chave: Estado da Arte, Adsorção, Ar Condicionado, Energia Solar.

1. INTRODUÇÃO

As diversas aplicações industriais, o acondicionamento de alimentos e o controle do clima em


ambientes fechados servem como exemplo da melhoria na qualidade de vida promovida pela
produção de frio. No entanto, a tecnologia tradicional de refrigeração, a compressão a vapor, apesar
de bem desenvolvida, ainda apresenta alguns problemas relativos aos danos ambientais (efeito
estufa, depleção da camada de ozônio e poluição atmosférica) provocados pelos fluidos
refrigerantes e ao crescente aumento no consumo mundial de energia elétrica e de origem fóssil.
Durante as últimas décadas, pesquisadores procuraram desenvolver tecnologias capazes de
reduzir o consumo de energia ou mesmo o pico de consumo nas horas do rush, sem modificar a
temperatura desejada ou, no caso do ar condicionado, o conforto. Nesse contexto, uma tecnologia
capaz de aproveitar a energia solar ou ainda recuperar resíduos térmicos de baixa temperatura,
como a tecnologia de adsorção sólida, pode ser uma boa alternativa para o uso mais racional da
energia.
O funcionamento dos sistemas de refrigeração por adsorção é baseado na interação reversível
entre um meio poroso (adsorvente) e um fluido refrigerante (adsorvato), com o transporte deste
último, devido a gradientes térmicos podendo ser provenientes de diversas origens, tais como o
calor residual de processos, a energia solar ou o calor da combustão. A tecnologia de adsorção
requerer menos componentes que o ciclo de absorção, não necessitando de dispositivos de expansão
e redutores de pressão, o que resulta em menores custos de operação e manutenção.
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Este trabalho está dividido em duas partes: primeiro, foi realizada uma revisão bibliográfica dos
fundamentos da adsorção, as principais leis e teorias envolvidas no ciclo adsortivo, os pares
adsortivos mais utilizados e o calor isostérico responsável pelo efeito frigorífico, na segunda parte,
um levantamento das experiências mundiais com sistemas de refrigeração por adsorção com
aplicação no setor de ar condicionado solar, em especial, os sistemas com operação contínua.
Na literatura, encontram-se alguns estudos que abordam o assunto, só que com uma abordagem
diferente; segue o resumo dos mais significativos. Dieng e Wang (2001) descreveram os
fundamentos dos sistemas de adsorção solar, enfatizando as diversas alternativas de refrigeração,
utilizando a energia solar, a termodinâmica do ciclo adsortivo e as características operacionais e de
projeto. Sumathy et al. (2003) realizaram um profundo estudo dos princípios adsortivos e da
termodinâmica dos diversos ciclos adsortivos, realçando os principais experimentos em cada um
deles. Uma pesquisa dos principais protótipos de refrigeradores solares, desde a década de 70, foi
feita por Wang e Oliveira (2006).

2. FUNDAMENTOS DA ADSORÇÃO

A adsorção ocorre na superfície de contato entre um sólido e um fluido, na qual forças de


coesão agem entre as moléculas de todas as substâncias, sem restrições. Um desequilíbrio nessas
forças causa mudanças na concentração das moléculas, ou seja, a separação de substâncias de uma
fase acompanhada da acumulação em outra. Chama-se de adsorvente a fase que adsorve e de
adsorvato, o material concentrado ou adsorvido.
No campo da sorção sólida, podem-se distinguir os processos químicos e físicos, dependendo
da natureza das forças que provocam a adsorção. Na adsorção química, também chamada de
absorção, essas forças são geradas por forças de covalência, decorrentes de uma reação química
entre o adsorvente e o fluido que resulta em um novo composto, ou seja, trata-se de um processo
irreversível. A adsorção física, neste trabalho, chamado simplesmente de adsorção, ocorre devido às
forças de ligação, que podem ser de origem eletrostática ou forças de dispersão-repulsão (Van der
Waals).
Adsorção é um processo exotérmico, no qual a quantidade de calor liberado, denominado calor
isostérico, depende da natureza do par adsorvente-adsorvato, ou seja, da magnitude da força
eletrostática, do calor latente e da energia de ligação química envolvida. O calor de adsorção é
usualmente 30-100% maior, que o calor de condensação do adsorvato. A adsorção, em geral, é mais
intensa que a condensação para a fase líquida. Muito embora, se um adsorvente puro e um
adsorvato em fase líquida coexistem em um ambiente fechado, o transporte de adsorvato da fase
líquida para o adsorvente ocorre na forma de vapor. A temperatura do líquido se torna menor,
enquanto a temperatura do adsorvente cresce. Os sistemas de refrigeração, incluindo o de ar
condicionado, utilizam esse princípio de funcionamento.

2.1 Equilíbrio Termodinâmico da Adsorção

Para elucidar o processo adsortivo, diversas equações de estado foram propostas para descrever
o equilíbrio termodinâmico, denominado isoterma de adsorção, que correlaciona a temperatura, a
pressão e a concentração da fase adsorvida (massa adsorvida/massa de adsorvente) em um sistema
fechado. As teorias básicas mais conhecidas são: Lei de Henry, válida para processos adsortivos de
baixa concentração em uma superfície uniforme, onde o equilíbrio entre a concentração do fluido e
da fase adsorvida pode ser considerado linear; Modelo de Langmuir, que considera o processo de
adsorção em camadas monomoleculares e em equilíbrio dinâmico, ou seja, a taxa de adsorção das
moléculas é igual à taxa de desorção na superfície; Teoria de Gibbs; que se baseia na lei dos gases
ideais, na qual o adsorvato é tratado como microscópico e bidimensional, ou seja, o volume é
trocado pela superfície e a pressão pela, então chamada, pressão bidimensional; Potencial de
Adsorção, fundamentada nas leis da termodinâmica, que considera um campo de forças,
representado pelos contornos equipotenciais sobre a superfície microporosa do adsorvente. Devido
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à complexidade da estrutura dos sólidos adsorventes, essas equações não podem descrever
completamente o equilíbrio adsortivo, mas formam a base para o desenvolvimento de diversas
equações empíricas ou semi-empíricas.
Para processos de adsorção em materiais microporosos com distribuição polimodal, como o
carvão ativado, Dubinin e Astakhov (1971) propuseram a seguinte equação semi-empírica:
n
⎛ ⎛ P s ⎞⎞
− D ⋅ ⎜ T ⋅ ln ⎜ ⎟⎟ (1)
a W 0 ⋅ρ ( T) ⋅e ⎝ ⎝ P ⎠⎠

onde a é a concentração (massa adsorvida por unidade de massa adsorvente); W0 é a capacidade


máxima de adsorção; ρ é a massa específica do adsorvato; D é o coeficiente de afinidade e n um
parâmetro característico do par adsortivo. Essa equação é uma generalização da equação de
Dubinin-Rudshkevich (DR), onde um parâmetro empírico foi acrescentado, n, e se mostrou
adequada em carbonos fortemente ativados com uma maior heterogeneidade dos poros. Existem na
literatura diversas teorias que descrevem a adsorção de gases e vapores abaixo da região de
condensação capilar, como a Freundlich, Langmuir-Freundlich(Sips), Toth, Unilan, além da
clássica equação de Brunauer, Emmett e Teller (BET).
Sumathy et al. (2003) fizeram uma pesquisa em diversos modelos, ressaltando o par adsortivo
e as equações utilizadas, para descrever o equilíbrio adsortivo e o calor adsortivo.

2.2 Fluidos Refrigerantes e Adsorventes

Para aplicações de refrigeração, o adsorvente deve ter uma alta capacidade adsortiva na
temperatura ambiente a baixas pressões e uma baixa capacidade de adsorção na temperatura e
pressão elevada. Existem diversos pares de fluidos refrigerante-adsorventes, utilizados na adsorção
sólida e cada qual apresenta características capazes de torná-los aptos a determinada aplicação,
dependendo fundamentalmente da temperatura esperada no evaporador e da faixa de temperatura da
fonte energética disponível.
Nesse sentido, o adsorvente ideal possui as seguintes características:

• alta capacidade de adsorção e desorção, para aumentar a potência frigorífica;


• boa condutividade térmica, para reduzir o ciclo de adsorção;
• baixo calor específico;
• quimicamente estável com o fluido refrigerante;
• baixo custo e abundante.

Da mesma forma, o adsorvato deve possuir:

• alto calor latente por unidade de volume;


• as dimensões moleculares devem ser pequena, suficiente para facilitar a adsorção;
• alta condutividade térmica;
• boa estabilidade térmica;
• baixa viscosidade;
• baixo calor específico;
• não tóxico, não inflamável, não corrosivo;
• quimicamente estável na faixa de temperatura de trabalho.

Baseado nos critérios ótimos supracitados, alguns dos pares mais utilizados são: zeolita-água,
zeolita-refrigerantes orgânicos, gel de sílica-água e carvão ativado-metanol.
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2.3 Calor Isostérico de Adsorção

A equação que determina o calor liberado durante o processo adsortivo, o calor isostérico de
adsorção é obtido através da combinação da derivada da equação de Dubinin-Astakhov e da função
de Gibbs, como descrito por Leite (1998):
1− n
⎛ P s ⎞ α ⋅R⋅T ⎛ ⎛ P s⎞⎞ (2)
q st L + R⋅T ⋅ln ⎜ ⎟+ ⋅⎜ T ⋅ln ⎜ ⎟⎟
⎝ P ⎠ n ⋅D ⎝ ⎝ P ⎠⎠
com
∂ ⎛ρ⎞
α W 0⋅ ln ⎜ ⎟ (3)
∂T ⎝ a ⎠
onde α representa o coeficiente de expansão térmica do adsorvato líquido; L é o calor latente de
mudança de fase; R é a constante de adsorvato gasoso e Ps é a pressão de saturação. O primeiro
termo dessa equação representa o calor liberado na condensação; o segundo e o terceiro
correspondem à energia de ligação das moléculas do fluido no adsorvente, ou seja, a adsorção
propriamente dita.

3. DESCRIÇÃO DO CICLO ADSORTIVO

O ciclo de adsorção é extensamente debatido na literatura e pode ser dividido em duas fases: 1.
adsorção: consiste na refrigeração do adsorvato, resultante da evaporação do fluido refrigerante no
evaporador; nessa fase, o calor sensível e o calor de adsorção são consumidos pelo meio,
normalmente o ar ou a água; 2. desorção ou regeneração do adsorvente: dissociação do adsorvato
devido ao aquecimento do adsorvente e à condensação do fluido refrigerante no condensador.
Pode-se, ainda, dividir o ciclo termodinâmico ideal em 2 processos isobáricos e 2 processos
isostéricos, ou seja, processos com concentração de fase adsorvida constante, que ocorrem de forma
alternada. Dessa forma, observa-se que um sistema composto por um único adsorvedor possui um
funcionamento intermitente.

(a) sistema ideal a quatro temperaturas (b) diagrama de Clapeyron


Figura 1 - Processo de Adsorção

A Fig. 1a mostra o sistema ideal a quatro temperaturas, sendo elas: de adsorção THS, de
regeneração TCS, do evaporador Te e do condensador Tc. Essas mesmas temperaturas são inseridas
no diagrama de Clapeyron, Fig. 1b.

Para um funcionamento contínuo, são necessários dois adsorvedores (sistemas de sorção),


trabalhando em condições opostas, conectados a um condensador e a um evaporador. Quando o
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primeiro está no ponto A, ou seja, esteja saturado (isóstera de maior concentração), o segundo se
encontra no ponto C, ou na isóstera de menor concentração. Em outras palavras, enquanto o
primeiro está adsorvendo (Processo D-A), o segundo está desorvendo (Processo B-C). O efeito
frigorífico é obtido da evaporação do adsorvato, no processo de desorção, que ocorre, quando a
pressão no interior do adsorvedor se iguala à pressão do vapor no evaporador. A desorção, com a
conseqüente condensação do adsorvato, inicia-se quando a pressão do adsorvente alcança a pressão
do vapor no condensador.
No intuito de ampliar o rendimento desses sistemas, diversos artifícios foram desenvolvidos,
surgindo os ciclos com recuperação de calor, com recuperação de massa; o ciclo de onda térmica, o
ciclo de onda térmica convectiva, ciclos com multiestágios e assim por diante. Sumathy et al.
(2003) levantaram a evolução desses ciclos e os principais estudos/experimentos de cada ciclo.

4. AR CONDICIONADO SOLAR POR ADSORÇÃO

Estima-se que a primeira experiência a produzir gelo, utilizando a energia solar, foi em 1872,
conduzida por Pifre em Paris (Lamp e Ziegler, 1998 apud Thevenot, 1979). Alguns anos depois, o
feito foi repetido na Catalunha, mas foi a partir da década de 50 que a tecnologia de refrigeração
solar por sorção tomou forma, com experimentos na USSR e na Austrália. Finalmente, em 1976, os
primeiros experimentos em larga escala foram feitos. Ao todo, foram 500 unidades de ar
condicionado solar instaladas nos Estados Unidos com uma fração solar de 75 - 80%, sendo a outra
fração suprida pela queima de óleo combustível ou aquecedores elétricos. Nessa época, um sistema
solar de aquecimento e refrigeração, utilizando coletores planos foi instalado no Japão. A grande
maioria desses experimentos utiliza a tecnologia de absorção com o par LiBr-H2O e essa proporção
continua até hoje.
Um levantamento das experiências mundiais mais recentes com sistemas de refrigeração por
adsorção, para fins de ar condicionado solar, foi realizado e as principais características são
descritas a seguir.

4.1 Experiências mundiais recentes

Wave Air Corporation, Estados Unidos. Miles e Shelton (1996) desenvolveram um sistema
de refrigeração, utilizando o par adsortivo carvão ativado/amônia, utilizando uma fonte quente de
230ºC, provida por um aquecedor a gás. Dois leitos adsortivos funcionam pelo ciclo de onda
térmica, para aprimorar a recuperação de calor, que consiste na disposição de dois adsorvedores em
série com o aquecedor entre eles e uma válvula que permite que a água fria ora entre por um
adsorvedor, ora pelo outro. Esse método é muito eficiente, quando existe uma grande diferença de
temperatura dentro do leito adsortivo. O arranjo do trocador de calor foi o tubo-aletado, onde é
alojado o carvão ativado. Para uma temperatura de evaporação a 5ºC e do condensador a 37ºC, o
coeficiente de performance (COP) foi de 0,42.
Instituto de Refrigeração e Criogenia, China. Duas configurações de ar condicionado
adsortivo foram desenvolvidas e testadas por Wang et al. (2001), para uma fonte energética de
aprox. 100ºC (e.g. coletores de tubo evacuado). Dois adsorvedores, funcionando em antiparalelo,
permitem uma operação semi-contínua, fazendo uma parada de 2 min entre os ciclos para
recuperação de calor. Os adsorvedores possuem 26 kg de carvão ativado e utilizam o metanol como
fluido refrigerante. Primeiro, utilizando um trocador de calor do tipo tubo-carcaça, os pesquisadores
obtiveram um COP de 0,15 (3,84 kW) com um ciclo de operação de 30 min, 0,18 (3,92 kW), com
um ciclo de 40 min, e 0,21 (3,03 kW), com um de 60 min; para uma temperatura do evaporador de
aprox. 6ºC. Com o intuito de aprimorar a transferência de calor, foram construídos dois novos
trocadores de calor, agora de arranjo tubo-aletado, com a mesma quantidade de carvão. Nessa nova
configuração, o carvão foi alocado entre as placas, do lado de fora dos tubos. Nos ensaios,
realizados sob as mesmas condições ambientais (sala: 24ºC, água fria: 23,5°C, fluxo de água
gelada: 1,157 m³/h), avaliou-se o desempenho do sistema, variando a duração do ciclo adsortivo, a
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temperatura do evaporador e o fluido de trabalho no trocador de calor (água ou óleo). O COP subiu
para 0,34 (3,46 kW) para ciclos de 40 min. O maior COP foi encontrado foi de 0,4 (3,80 kW) para
uma temperatura de evaporação de 10ºC.
No mesmo instituto. Liu et al. (2005) desenvolveram e testaram um sistema de refrigeração
adsortivo de sílica-gel/água, onde não existem válvulas no ciclo do fluido refrigerante. A retirada
das válvulas aumenta a confiabilidade do sistema, porque diminui as partes móveis, que podem
permitir a infiltração de ar. O leito adsortivo pode ser regenerado por um fluxo de água quente entre
75 e 90ºC. O sistema consiste de duas máquinas térmicas, que operam em antiparalelo, com
adsorvedor, condensador e evaporador independentes, ou seja, esse sistema necessita de um
condensador e um evaporador a mais que o sistema tradicional. Foram 52,8 kg de sílica gel
divididos em dois leitos. Dois protótipos foram construídos. Experiências com o primeiro protótipo
mostraram uma potência frigorífica de 3,56 kW e um COP de 0,26, utilizando a recuperação de
calor e massa nas seguintes condições: 7ºC no evaporador, 28ºC na fonte fria e 85ºC na fonte
quente. O segundo protótipo apresentou menos descontinuidades e partes móveis para reduzir a
infiltração de ar. O condensador foi mudado para prevenir a indesejável evaporação do refrigerante,
que ocorria dentro do primeiro. A configuração do adsorvedor foi alterada do arranjo tubo-carcaça
para o tubo-aletado, a fim de melhorar a transferência de calor e massa. Apesar das dificuldades em
se testar os dois protótipos sob as mesmas condições, realmente, o segundo protótipo se mostrou
mais eficiente, um COP 28% superior. O maior COP medido foi de 0,5 (9,0 kW) para uma
temperatura do evaporador de 13ºC. Agora, para uma temperatura no evaporador de 10ºC, o COP
cai para 0,423 (7,13 kW), mantendo a temperatura da água quente em 80ºC e da fria em 25ºC.
No mesmo instituto. Um outro sistema de refrigeração adsortivo de sílica-gel/água foi
desenvolvido por Wang et al. (2005a). O sistema é composto, além do adsorvedor, de um tanque de
água quente, para estabilizar a temperatura da água quente, um tanque de 1 m³ para a água fria e um
outro, para a água gelada. Nesse adsorvedor, somente uma válvula a vácuo foi instalada entre dois
leitos adsortivos, para melhorar o rendimento da máquina a baixas temperaturas. Uma análise da
variação do COP com a variação do ciclo e tempo de recuperação de massa foi realizada. Os
resultados experimentais mostraram que esse sistema possui um COP de 0,38, quando opera com
uma fonte de água quente a 84,8ºC, de água fria a 30,6ºC e 11,7ºC na gelada. Observou-se que o
adsorvedor pode operar com uma fonte de água quente na faixa de 65 a 85ºC.
Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio, Japão. Saha et al. (2000)
investigaram experimentalmente um refrigerador adsortivo de duplo-estágio, com quatro-leitos, não
regenerativo, para utilizar energia solar ou resíduos térmicos, entre 50 e 70ºC, como fonte
energética. Os pares de leitos adsortivos de sílica-gel/água são dispostos em série e apresentam a
seguinte operação: quando um leito estiver adsorvendo o outro (em série), estará desorvendo, nesse
momento o outro par de leitos está interconectado. Cada passo tem a duração de 420 s e entre eles
foi estipulado 20 s para pré-aquecimento. A principal vantagem do duplo-estágio frente a um único
é a redução da temperatura máxima da fonte energética, que no caso reduziu em aprox. 15 %. Como
exemplo, com uma fonte quente a 55 ºC (1,2 kg/s) e a fria a 30 ºC (1,2 kg/s no adsorvedor e 0,6 no
condensador), a água gelada que entra a 14 ºC (0,17 kg/s) sai a aprox. 8 ºC, variando em função dos
ciclos entre 6 e 10 ºC. Resumindo, o protótipo produz 3,2 kW de potência frigorífica com um COP
de 0,36.
Universidade de Warwick, Reino Unido. Tamainot-Telto e Critoph (2003) desenvolveram e
construíram um sistema rotacional de ar condicionado por adsorção com e sem regeneração,
utilizando o ar como fluido de trabalho. O sistema é composto por múltiplos módulos, onde cada
módulo possui um adsorvedor, uma seção adiabática e um evaporador/condensador. Essa seção
adiabática é composta de um material inerte, (PTFE) para reduzir a condução longitudinal. O par
adsortivo utilizado é o carvão ativado monolítico/amônia. Do módulo-base, dois outros módulos
foram construídos, onde cada um é composto por dois módulos-base com o adsorvedor e o
evaporador/condensador cobertos por uma camada de alumínio externa, para incrementar a
transferência de calor. Espera-se assim a redução de custos de sistemas de pequeno porte, até 10
kW, não requerendo válvulas de controle e grandes compartimentos pressurizados. Para uma fonte
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de ar quente de 100ºC, temperatura do condensador de 30ºC e temperaturas no evaporador entre -5
e 20ºC, o módulo MODULAR2-0.125 apresentou os melhores resultados, potência frigorífica
específica de 0,6 kW/kg, que é 30% e 60% melhor que os módulos MODULAR2-0.3 e 2-
MODULAR1-0.0, respectivamente. Um COP de 0,2 é obtido sem recuperação, subindo para aprox.
0,5 com recuperação de calor, no protótipo composto por 2 blocos de 16 módulos MODULAR2-
0.125.
Instituto de Tecnologia Avançada para a Energia, Itália. Restuccia et al. (2004)
desenvolveram um sistema de refrigeração, que utiliza como adsorvente o SWS-1L, que consiste de
sílica gel impregnado com CaCl2. Esse material tem uma alta capacidade de adsorção com a água
(mais de 0,7 kg de água por kg de adsorvente seco), que resulta em alta capacidade de armazenar
calor (mais de 2000 kJ/kg). As curvas de equilíbrio do SWS-1L mostraram uma combinação da
adsorção heterogênea, reações químicas com formação de cristais de sais e líquidos absortivos. Na
prática, o comportamento é de uma solução líquida de CaCl2. O protótipo é composto por um leito
adsortivo, conectado a um evaporador e um condensador por meio de válvulas a vácuo. Para
preparar o composto adsorvente, utilizou-se 1,1 kg de SWS-1L, onde os macroporos da sílica gel
são preenchidos por uma solução aquosa de CaCl2. O trocador de calor do leito adsortivo é feito de
finos tubos de aço inoxidável inseridos no adsorvente. Resultados experimentais mostraram um
COP próximo a 0,6 para uma temperatura do condensador de 35ºC, caindo para 0,35, quando o
condensador está a 40ºC; mantendo a temperatura de evaporação em 10ºC e a de desorção entre 85
e 95ºC. A potência frigorífica específica média ficou em torno de 20 W/kg.
Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar, Alemanha. Um adsorvedor de sílica-
gel/água de 3,5 kW de potência frigorífica foi desenvolvido e testado por Nuñez et al. (2005), onde
cada um dos dois leitos foi preenchido com 35 kg de adsorvente. A máquina foi projetada para
operar com uma fonte quente de 75 a 95ºC, uma fria de 25 a 35ºC e a temperatura da água gelada
(saída do evaporador), na faixa de 10 a 20ºC. Nessas condições, o COP varia de 0,4 a 0,6. Os
pesquisadores compararam o COP e a densidade de potência frigorífica dessa máquina com a
Nishiyodo NAK 20/70 (adsorção) e com a Yasaky WFS SC-10(absorção) a diferentes temperaturas
reduzidas. Resultados experimentais dos primeiros dois protótipos mostraram um COP de 0,5 para
fins de ar condicionado (12 a 15ºC). A máquina está sendo desenvolvida para a faixa de 3 a 8 kW.
Para temperaturas reduzidas abaixo de 0,35, o absorvedor apresentou o melhor COP (cerca de 0,7) e
a maior densidade de potência frigorífica (32 kW/m³), seguido pelo Nishiyodo com um COP de
0,65 e 5 kW/m³ e pelo protótipo com COP de 0,55 e 15 kW/m³. Para elevadas temperaturas
reduzidas, o absorvedor apresentou grande queda no COP e na densidade de potência frigorífica, em
comparação aos adsorvedores testados, demonstrando que o adsorvedor tende a responder melhor
as variações nas temperaturas de trabalho, como ocorre em sistemas solares.
Universidade Nacional de Singapura, Singapura. Wang et al. (2005b) desenvolveram um
refrigerador adsortivo de sílica gel/água, capaz de operar com 2 e 4 leitos adsortivos e utilizando ou
não um sistema passivo de recuperação de calor. Um trocador de calor do tipo tubo-aletado foi
utilizado no leito adsortivo, que possui 36 kg de sílica gel, cada leito. Uma análise experimental,
comparando as operações com 2 e 4 leitos, sob as mesmas condições, demonstrou um COP máximo
de 0,46 ± 0,02 e 0,45 ± 0,02, respectivamente. No entanto, a operação com 4 leitos possui uma
variação temporal menor da temperatura no evaporador, de 6 a 9ºC no, com 2 leitos e de 6 a 7ºC
com 4 leitos. Outra vantagem de se utilizar 4 leitos é a potência frigorífica, específica que varia em
torno de 110 e 130 W/kg, em relação à variação de 70 e 130 W/kg do sistema com 2 leitos. O
sistema passivo de recuperação de calor não envolve bombas ou válvulas adicionais, simplesmente
a água quente que sai de um leito pré-aquece o próximo. Esse sistema demonstrou uma melhora no
COP de 38 e 25% no adsorvedor com 2 e 4 leitos, respectivamente. As condições desses testes
foram com uma temperatura de água quente de 85ºC, de água fria de 29,4ºC e de água gelada de
12,2ºC. Ng et al. (2006) implementaram um sistema de recuperação de massa e os resultados
experimentais demonstraram que, no caso estudado, a utilização da recuperação de calor passivo e
de massa incrementa o COP em 48% sem redução na potência frigorífica.
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Instituto de Pesquisa de Tecnologia Industrial, Taiwan. Um refrigerador adsortivo,
utilizando sílica gel/água, como par adsortivo, foi experimentalmente estudado por Chang et al.
(2005). Para reduzir custos de fabricação e simplificar a construção, um tanque a vácuo foi
projetado para alojar o leito adsortivo e o evaporador/condensador. Um trocador de calor do tipo
tubo plano foi usado para melhorar a transferência de calor. Um estudo da influência das condições
de operação no COP e na potência frigorífica foi realizado, entre as conclusões, ressalta-se que:
uma redução no fluxo da água quente aumenta o COP, e diminui a potência frigorífica; um aumento
no fluxo de água fria aumenta tanto o COP como a potência e o efeito do ciclo de trabalho apresenta
um ponto ótimo, no caso próximo a 6 min. Nas condições padrão de teste (fonte de água quente a
80ºC, de água fria a 30ºC e de água gelada a 14ºC) o adsorvedor apresentou um COP de 0,45 e uma
potência frigorífica específica de 176 W/kg. O COP máximo encontrado foi de 0,53 com uma
redução no fluxo de água quente.

4.2 Gráfico comparativo

Desde a volta do interesse em sistemas de refrigeração por adsorção, nos últimos 20 anos, o
COP e a potência frigorífica específica vêm sendo usados como forma comparativa dos diversos
experimentos. No entanto, como os experimentos são realizados sob diferentes condições de
operação, fica difícil a comparação dos resultados. Nesse sentido, adotou-se a temperatura reduzida,
que, conforme a definição de Nuñez et al. (2005), é a razão entre a diferença de temperatura da
fonte fria e a gelada pela diferença de temperatura entre a fonte quente e a fria.
A Fig. 2 apresenta um gráfico comparativo do coeficiente de performance, COP, em função da
temperatura reduzida, Tred. A grande dispersão dos resultados mostra que a tecnologia de adsorção
ainda não se apresenta suficiente madura, cabendo ainda muita pesquisa. Algumas razões para essa
dispersão são as indefinições da duração ótima do ciclo adsortivo, do período de recuperação de
calor e de massa e do fluxo de água das fontes (quente, fria e gelada).

0,7
0,65
0,6
0,55
0,5
COP

0,45
0,4
0,35
0,3
0,25
0,2
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7
Tred
Figura 2 - Gráfico comparativo: coef. de performance, COP, pela temp. reduzida, Tred.

Legenda:
Nishiyodo NAK 20/70 Miles e Shelton (1996) Saha et al. (2000)
2º Prot. (água) Wang (2001) 2º Prot. (óleo) Wang (2001) T.-T. e Critoph (2003)
Restuccia et al. (2004) Nuñez et al. (2005) 1º Prot.-Liu et al. (2005)
2º Prot.-Liu et al. (2005) Chang et al. (2005) Wang et al. (2005a)
Wang et al. (2005b) Ng et al. (2006) - rec. massa Ng et al. (2006) - completo
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse artigo descreveu os princípios da adsorção sólida e alguns dos principais experimentos de
sistemas de refrigeração por adsorção com aplicação no setor de ar condicionado solar. Atualmente,
o par adsortivo mais utilizado tem sido a sílica-gel/água, algumas vezes, inclusive, com
catalisadores, CaCl2, impregnados na sílica-gel. Mas são os sistemas de recuperação de calor e de
massa os principais responsáveis pela melhora no desempenho. Já os promissores rendimentos
teóricos dos ciclos adsortivos avançados ainda não foram observados experimentalmente,
mostrando, novamente, uma imaturidade tecnológica.
Um gráfico comparativo foi elaborado para comparar o coeficiente de performance dos
sistemas estudados. Entretanto, cabe salientar que essa comparação deve ser utilizada como uma
fotografia do estado da arte dos sistemas de adsorção para aplicações em ar condicionado, fugindo
do escopo desse trabalho uma conclusão definitiva de qual sistema apresenta os melhores
desempenhos.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao CNPq pelo financiamento do projeto No. 504229/2004-4 e à CAPES


pela bolsa de doutorado concedida ao primeiro autor.

REFERÊNCIAS

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SOLAR ADSORPTION AIR CONDITIONING SYSTEMS:


FUNDAMENTALS AND STATE OF THE ART

Abstract. This paper presents a review of the fundamentals and state of the art of the adsorption
refrigeration technology applied to solar air conditioning sector, mainly the continuous systems.
Since the protocol of Montreal and Kyoto, international agreements have been signed to reduce the
emissions of the working fluids that results in both ozone depletion and/or global warming. The
solar energy powered refrigeration sorption system is regarded as a good alternative, which can
solve the pacing problems. In the state of the art review, it is noted that the working pair widely
used is the silica-gel/water, with, sometimes, CaCl2 impregnated. However, the heat and mass
recovery is that the most increment the system performance. Finally, a graphic was made to
compare the coefficient of performance of the studied systems.

Key words: State of the art, Adsorption, Air conditioning, Solar Energy.