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RESENHA CRÍTICA

Nome: Dieisson Goulart Antunes

Curso: Direito – 2º Semestre Noturno Data: 04/10/2010

Disciplina: Metodologia Científica

RESENHA CRÍTICA

VENTURA, Deisy; Ensinar Direito. São Paulo, Manole, 2004. 111 p.

1 CREDENCIAIS DOS AUTORES

Deisy Ventura é formada em Direito pela Universidade Federal de Santa


Maria, foi secretária de imprensa, presidente do diretório livre de direito,
secretária-geral, presidente do diretório central de estudantes da UFSM,
professora de Direito classificada em 1º lugar em concurso público.

2 RESUMO DA OBRA

O livro é introduzido pelo prefácio escrito pela Doutora em educação


Loussia P. Musse Felix, coordenadora do programa de Pós Graduação em Direito
da Universidade de Brasília que discorre sobre a autora, desde quando a
conheceu até a publicação do livro destacando momentos marcantes de sua
carreira e sobre a abordagem da obra em que procura analisar uma nova
pedagogia para curso de direito e a explorar a relação entre docentes e discentes.
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No capítulo primeiro, na Introdução, Deisy aborda o fato da maioria dos


professores do curso de Direito não possuírem formação pedagógica e elenca
duas conseqüências decisivas no sistema educacional jurídico e as devidas
participações das instituições de ensino neste processo citando o modelo de
ensino e de avaliação na visão dos princípios do controle contínuo e da avaliação
formativa como um princípio para uma didática adaptada ao Curso de Direito,
temas a serem aprofundados nos capítulos seguintes.
O capítulo segundo, Reconhecer-se como educador, trata sobre uma
didática aplicada ao Direito tratando o professor como o enfoque principal, onde
analisa e critica a maneiras atual de ensino – “o de reprodução”, em que sua
própria formação é o centro de suas aulas e o mal estar na receptividade de novas
metodologias o que torna o perfil do profissional indigente, arbitrário e quase
sempre amador.
A autora preocupa-se além dos problemas da pedagogia, os contrapesos
na profissionalização em docência em Direito, como acesso a bibliografias e a
acessos a debates específicos da área, além do fator tempo que prejudica
bastante, a exigência de titulação nos recrutamentos de novos profissionais e o
papel fundamentalmente especial da Pós-Graduação em que nesta fase além de
ser um acréscimo importante no enriquecimento dos conhecimentos é um espaço
especial na formação dos Docentes.
Outra visão discutida pela autora é de as de que as instituições de ensino
vêem os professores do Direito como um profissional do Direito, e não como um
profissional da educação.Essa transformação estrutural começa com o despertar
do profissional em sua consciência de que ele possui um duplo papel, o de Jurista
e o de docente além do desenvolvimento em aptidões para permitir honrar a
posição pedagógica com o oferecimento de um arsenal metodológico e trazer um
ensino jurídico aplicado junto à pedagogia, sendo que esta não fica apenas como
uma teoria da educação e já parte para sua aplicabilidade com recursos didáticos
como manuais, cartilhas, slides ou meios eletrônicos.
O aluno também tem sua consideração neste capítulo, em que ele é visto
como cliente da educação, sendo com dois objetivos que variam conforme o
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método de ensino é empregado. O cliente do serviço educacional em que seu


maior desejo é o conhecimento e o cliente da certificação que quer apenas
concluir o curso e por as mãos em seu diploma. O aluno passará a ser um cliente
de si mesmo, sua própria valorização quando a metodologia aplicada nas aulas de
direito for concertada.
O terceiro capítulo, transpor as quatro paredes, a autora expressa reflexões
sobre a aula expositiva, aulas técnicas práticas, do comentário de sentença, da
dissertação, da nota de síntese, da prova oral de pesquisa e da prova oral
tradicional bem como as atividades de ensino e avaliação como pontos de
sucesso no magistério. Assim, a aula expositiva é o espaço mais importante da
atividade de ensino, sendo a motivação um dos pontos importantes desta jornada,
traz técnicas sobre o olhar, o falar e o corpo do docente. O prazer em ministrar e
planejar suas aulas, motivar seus alunos livrando-os do tédio, contrapõe-se aos
vários docentes que enfrentam a aula como um esforço faz com que os primeiros,
mas que vibram, estão fadados ao sucesso combinado com a atitude com que ele
contribui a construção de um ambiente de solidariedade e a reprodução
inquietante de preconceitos.
A autora discorre sobre os tipos de professores identificados por José
Wilson ferreira Sobrinho nas faculdades de Direito Brasileiras: o cientista,
saudosista, ator, bonzinho, pára-quedista, galã, colunista social, interesseiro e
maledicente e, por conseguinte, o planejamento, a preparação da aula de cada dia
demonstrando técnicas de como montar uma estrutura de aula que convide o
aluno a ser estimulado pela aula.
A utilização de atividades práticas como o de uma investigação empírica
que percuta a um fenômeno contemporâneo em seu contexto na vida real e seu
sucesso depende da leitura atenta do tema e da orientação ao aluno enfocando as
fases mais delicadas do processo como a seleção das informações, os problemas
e as incertezas dos alunos. O caso prático deve servir para emergir soluções e um
balanço crítico do que foi apreciado, avaliando a capacidade do direito de dar
respostas às situações tratadas. Ao preparar atividade prática, o docente deve
levar em conta o quanto desenvolve no aluno a capacidade de perceber e
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desnudar os limites do próprio sistema jurídico.


No comentário de sentença, a autora ressalta a atividade de se discutir no
ambiente escolar as decisões judiciais, pois desperta no aluno a consciência para
uma rigorosa compreensão da jurisprudência e dos limites do poder judiciário, com
o professor demonstrando a interdisciplinaridade do direito na prática ensinando a
partir de uma mesma decisão que é quase sempre possível ensinar princípios de
diferentes ramos do Direito.
A dissertação, diferenciando-a das questões dissertativas, estrutura
logicamente em três etapas: a introdução que permite determinar o significado do
tema em quatro elementos: remissão à atualidade, o interesse jurídico do tema, a
problemática e o anunciado plano; o desenvolvimento situa-se sobre a escolha do
problema e não do plano, tendo normalmente duas partes uma respondendo à
outra, tratando o tema de uma forma analítica exigindo maior rigor e
conhecimentos jurídicos precisos e de uma forma sintética; e a conclusão que
coroa a reflexão empreendida pelo autor.
A síntese é direcionada ao uso profissional no seu dia a dia que requer
eficiência e concisão que desenrole no aluno a capacidade de resumir
informações sobre certo tema.
A oralidade requer uma especial atenção sobre o domínio da fala é uma
das qualidades mais importantes dos egressos do curso de direito e trazem como
trabalhos mais freqüentes os tribunais de júri simulados, a apresentação de
trabalhos onde o professor busca demonstrar ao aluno uma parte das dificuldades
vivenciadas por quem fala em publico freqüentemente e a prova oral tradicional
que requer a definição prévia dos pontos que serão cobrados no dia da prova,
mas sem muita antecedência para evitar que se formule um “modelo” de resposta
e não temas muito ligados ao programa para se evitar a memorização, sendo
recomendável um tema já discutido em aula, sendo este processo uma avaliação
mais sincera e favorecem a avaliação em ambas as partes.
O capítulo quarto, integrar os espaços, a ampliação da docência da sala de
aula, a utilização de outros cenários do conhecimento para uma formação
completa do aluno em diferentes setores extraclasse: na pesquisa de extensão,
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cabendo ao professor despertar no aluno a paixão pelo aprofundamento de seus


conhecimentos através da pesquisa, ocupando com ardor o tempo extraclasse do
aluno para evitar que ele procure estágio não remunerado que lhe dará uma
formação muitas vezes insuficiente; as atividades complementares devem ser
desenvolvidas com grande atenção pelas instituições de ensino superior que além
de promover seus próprios eventos devem incentivar o intercambio com outras
instituições que fomentem eventos nessa área, deve orientar para o cuidado com
a qualidade dos eventos prestigiados cabendo ao professor o incentivo ao aluno
em busca de diferentes experiências; os trabalhos dirigidos que diante da
heterogeneidade de alunos, serve como um mecanismo de nivelamento mais
profundo que trabalha na motivação e no desenvolvimento da inteligência onde o
professor propõe ou organiza eventos para discutir temáticas que contribuem para
a formação do aluno com a utilização de diferentes manifestações culturais como
o cinema, teatro, literatura e música.
O capítulo cinco, a autora expressa suas considerações finais, esboçando
uma última abordagem ao planejamento das aulas, devendo o mesmo ser
dinâmico e integrado à uma análise progressiva dos pontos positivos e negativos
que o docente utilizou para apresentar o referido tema.

3 CONCLUSÃO DO RESENHISTA

A autora utiliza mão de sua experiência como docente e de


conhecimentos discutidos com outros professores e alunos para abordar os
problemas dos cursos de bacharelado em direito, adotando uma postura crítica
para enfocar a relação aluno-professor em sala de aula de um modo geral, de
como o resultado dessa relação forma o profissional em Direito vazio e que
repete somente aquilo que aprendeu, não gera valores vindo à preservar idéias
hegemônicas.

Também em sua obra, Deisy vê o professor como um colega de trabalho,


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pois conhece sua realidade e métodos de trabalho das instituições onde muitos
docentes do Direito são juristas, não possui formação especializada em dar
aulas, transmitir conhecimentos, vindo assim, a compartilhar suas experiências
e indagações. Assim, Daisy estrutura uma educação jurídica, abordando
aspectos recorrentes na sala de aula e orientando a elaboração de um plano de
aula que supera as necessidades dos alunos e que o professor tenha sucesso
no seu objeto de trabalho para que a relação ensinar-aprender tenha uma forma
concreta de satisfação.

Finalmente, deixando claro, esta relação de aprendizado depende muito


do docente, sua motivação em se tornar um profissional capaz de desenvolver
seus próprios valores fazendo assim, a obra mais do que apenas um guia de
técnicas de ensino e avaliação e sim um referencial que necessita da
participação ativa tanto do professor como do aluno.

4 CRÍTICA DO RESENHISTA

A obra forneceu subsídios para se pensar na formação jurídica


disponibilizada atualmente pelas instituições de ensino, da relação professor aluno
apresentada de forma clara e objetiva, que dão sugestões de planos de aula e
avaliação com sólidos conhecimentos das técnicas abordadas com a
apresentação clara e detalhada para se remodelar a forma de se estudar direito.

Com exemplos citados amplamente e refletida no cotidiano do ambiente


escolar, a obra é uma leitura clara que não necessita de conhecimentos
específicos para entendê-la permitindo confrontá-la com as experiências vividas.

Assim, o estudo da obra pode vir a abrir horizontes na forma de ensinar


direito, devendo ser vista como uma crítica às falhas que cometemos e a inércia
de modificar seu aspecto atual inserindo-se como um primeiro passo para a
mudança.
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5 INDICAÇOES DO RESENHISTA

A obra tem por objetivo oferecer sugestões para estudantes e professores


universitários do curso de Direito a fim de que possam melhorar a formação,
utilizando-se de técnicas para o trabalho em sala de aula que vem a ser de grande
auxílio, apresentando fundamentos e exemplos práticos para contribuir na
formação dos novos juristas.
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