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INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO E CONTEMPORANEIDADE


EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS
METODOLOGIA DA PESQUISA EM EDUCAÇÃO
1º PERÍODO 2018/1

BRENA AQUINO DE SOUZA


DOUGLAS NEUMANN

BRINCANDO DE RECICLAR

SANTA TERESA
2018
1. INTRODUÇÃO

A sociedade atual juntamente com suas necessidades transcendera a capacidade

de adaptação do meio ambiente, devido ao alto nível de consumo trazem como uma das

várias consequências o aumento na produção de resíduos sólidos domésticos. Com a

urbanização – em decorrência dos novos hábitos de vida, há uma grande modificação na

produção de resíduos sólidos domésticos, o que faz com que aumente a deposição

inadequada do lixo doméstico. Desse modo, o manejo inadequado dos resíduos sólidos

de qualquer origem gera desperdícios, constitui ameaça constante à saúde pública e

agrava a degradação ambiental, comprometendo assim, com a qualidade de vida das

populações (Araújo e Pimentel, 2015).

Diante dos impactos causados ao meio ambiente pela ação do ser humano, e da

noção de finitude dos recursos naturais, a reciclagem foi uma das alternativas encontradas

na busca por um equilíbrio entre captação, produção e consumo (Lomasso et. al 2015),

através da reinserção dos resíduos sólidos no ciclo produtivo. O reaproveitamento de

materiais “descartáveis” tem um papel essencial no meio ambiente, pois além de diminuir

os acúmulos de lixo nas áreas urbanas e aterros sanitários ainda poupam os recursos

naturais, geram uma grande economia aos fabricantes, um menor consumo de energia,

um menor volume e número de lixeiras e incineradores e consequentemente uma redução

da poluição (Medeiros et. al 2011).

A problemática dos resíduos sólidos domésticos está ganhando maior visibilidade

a cada ano que passa, à medida que a economia se expande incentivando a produção, o

consumismo e o descarte de materiais que deveriam ser reaproveitados. Diariamente,

uma grande quantidade de produtos recicláveis, como garrafas Pet, plásticos, isopores e

uma grande variedade de itens, se somam a um montante cada vez maior de lixo orgânico.
Parte desses materiais “descartáveis” vão para os córregos, rios, e mares, ameaçando a

fauna e flora, e poluindo o meio ambiente.

Neste lamentável cenário, a sensibilização da atual situação ambiental é de

fundamental importância e precisa começar desde a infância, neste sentido, a escola

exerce um papel vital neste processo através da Educação Ambiental, introduzindo nas

crianças e adolescentes o entendimento de que é preciso proteger e preservar o ambiente

em que vivemos. O ambiente escolar é o lugar onde o aluno irá dar sequência ao seu

processo de socialização, no entanto, comportamentos ambientalmente corretos devem

ser aprendidos na prática, no decorrer da vida escolar com o intuito de contribuir para a

formação de cidadãos responsáveis, contudo a escola deve oferecer a seus alunos os

conteúdos ambientais de forma contextualizada com sua realidade (Medeiros et al. 2011).

Assim com as questões ambientais cada vez mais presentes no cotidiano da

sociedade, a educação ambiental torna-se essencial em todos os níveis dos processos

educativos e em especial nos anos iniciais da escolarização, já que é mais fácil

conscientizar as crianças sobre as questões ambientais do que os adultos. Sabemos que a

Educação Ambiental sozinha não é suficiente para resolver os problemas ambientais, mas

se torna condição indispensável para tanto, uma vez que, ela contribui para a formação

de cidadãos conscientes do seu papel na proteção e preservação do meio ambiente e aptos

para tomar decisões sobre questões ambientais necessárias para o desenvolvimento de

uma sociedade sustentável (Silva, 2013).

2. OBJETIVOS

2.1. OBJETIVO GERAL


Apresentar a alunos e professores a importância da coleta seletiva e da destinação

correta dos resíduos sólidos, promovendo o desenvolvimento social, a qualidade de vida,

e o respeito ao meio ambiente.

2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Sensibilizar alunos e professores sobre a produção desenfreada de resíduos sólidos

em nosso planeta;

 Apresentar as consequências do descarte incorreto do lixo doméstico;

 Orientar os estudantes a diferenciarem o que é lixo orgânico e lixo seletivo;

 Produzir juntamente com os alunos brinquedos a partir de materiais recicláveis;

 Propor que os alunos separem o lixo em suas residências.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.1. LOCAL DE INTERAÇÃO

A interação do projeto “Brincando de Reciclar” ocorreu no Dia do Meio Ambiente

(5 de Junho), com cerca de 60 alunos de duas turmas do 4º ano do ensino fundamental II,

na escola E.E.E.F.M “São Luís” (Figura 1) que está localizada no bairro São Luís do

Município de Santa Maria de Jetibá – ES. Esta instituição tem como missão: Assegurar

um ensino de qualidade, interagir com as famílias garantindo o acesso e permanência do

aluno na escola com sucesso, formando cidadãos críticos e capazes de transformar a

realidade.
3.2. MÉTODOS

As atividades de interação com os alunos do 4º ano do ensino fundamental II

foram divididas em 3 etapas: 1ª Diálogo com os alunos; 2ª Confecção de brinquedos com

materiais recicláveis; e 3ª Gincana de reciclagem.

Na 1ª etapa começamos exibindo um vídeo educativo “Resíduos Sólidos” do

Programa Água Brasil, logo após iniciamos uma pequena apresentação em Power Point

(Figura 2) mostrando as consequências do descarte incorreto dos resíduos sólidos; o

tempo de decomposição dos materiais na natureza; os materiais recicláveis e os não

recicláveis; o que fazer com matérias que não serão mais utilizados; diferença de lixo

seco e úmido; a importância da reciclagem; e os dias que ocorrem a coleta seletiva na

cidade de Santa Maria de Jetibá – ES.

Na 2ª etapa mostramos alguns brinquedos que havíamos confeccionado em casa

(Figura 3), e em seguida juntamente com o nosso auxílio cada criança confeccionou o seu

próprio aviãozinho de pregador e palitos de picolé (Figura 4). Vale salientar que pedimos

previamente que cada criança levasse o seu pregador.

A última etapa realizamos a gincana de reciclagem (Figura 5), nessa brincadeira

havia uma caixa grande com materiais recicláveis e não recicláveis misturados, e mais à

frente colocamos duas caixas menores com as seguintes descrições “materiais

recicláveis” e “materiais não recicláveis”, de modo que houvesse um espaço que desse

para as crianças correrem entre a primeira caixa e as outras duas. Os alunos foram

enfileirados em grupos de 10 crianças e tinham que pegar um material da caixa maior e

levar para uma das caixas menores em que eles julgavam ser adequados, o grupo que

fizessem a maior pontuação de acordo com o tipo de material ganhava a gincana.


3.3. AVALIAÇÃO PROCESSUAL E ANÁLISES DE DADOS

Após a interação com os alunos do 4º ano, no dia 13 de Junho de 2018 foi aplicado

um questionário (Figura 6) que continha oito questões relacionadas aos conteúdos

apresentados no projeto de interação, afim de verificar o nível de aprendizagem e a

consciência crítica dos alunos sobre os impactos de suas ações no cotidiano, visando

favorecer uma postura reflexiva que os leve a adotar novos valores e atitudes em relação

ao lixo produzido, coleta seletiva e reciclagem de materiais.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Aplicamos um questionário com oito questões para os alunos que participaram do

projeto de interação, afim de verificar o nível de aprendizagem e a consciência crítica dos

alunos sobre os impactos de suas ações no cotidiano, visando favorecer uma postura

reflexiva que os leve a adotar novos valores e atitudes em relação ao lixo produzido,

coleta seletiva e reciclagem de materiais.

A primeira questão (Figura 7) que indaga sobre a ação que melhor representa o

reaproveitamento do lixo, 82% dos alunos responderam corretamente e 18% marcaram

opções como: economizar água; evitar desperdício de energia elétrica e fazer o plantio de

novas mudas. Acreditamos que algumas crianças ao responderem essa pergunta ficaram

confusas pois as outras alternativas representam ações que favorecem o desenvolvimento

sustentável, porém o foco da questão era sobre o reaproveitamento de resíduos sólidos.

Na pergunta “O que se pode fazer para reduzir a produção de lixo?” (Figura 8),

novamente 82% das crianças acertaram e 18% responderam as outras alternativas: usar

apenas um lado do papel para escrever ou imprimir; jogar potes de vidro ou plástico fora;
pedir mais de uma sacola plástica ao fazer compra. A porcentagem de acertos mostra que

com a interação do projeto no ambiente escolar as crianças compreenderam que existe

ações que elas mesmo podem fazer para reduzir a produção de resíduos sólidos

domésticos.

A 3ª questão (Figura 9) questionava sobre quais dos materiais em que se

encontravam nas alternativas não eram recicláveis: caco de vidro; isopor; embalagem de

plástico e papel usado. Apenas 25% dos alunos marcaram a opção correta, e os outros

75% marcaram errado ou mais de uma opção. A alternativa isopor era a correta, muitos

marcaram a opção caco de vidro pois não falamos especificamente sobre caco de vidro

durante a apresentação e também não levamos embalagens de vidro para gincana da

reciclagem – onde eles aprenderam a separar o lixo reciclável e não reciclável, pois

ficamos com medo dos alunos se machucarem.

A questão que perguntava qual era a característica do lixo orgânico (Figura 10),

sendo as alternativas: seco; úmido; eletrônico ou perigoso, 55% dos educandos acertaram

a questão e 45% marcaram as outras opções.

A 5ª questão (Figura 11) indagava sobre quais dos materiais que se encontravam

nas alternativas: toco de cigarro; fralda descartável; lata de refrigerante; e pilha era o

reciclável. E assim, 64% das crianças acertaram a alternativa correta, os outros 36%

marcaram as outras opções.

A questão de número 6 (Figura 12) perguntava dentre as alternativas: latinha de

refrigerante; pilha; papel; e garrafa de plástico quais destes materiais não eram

descartáveis. Novamente 64% dos alunos acertaram, e 36% erraram a alternativa correta.

A sétima pergunta (Figura 13) indagava sobre quais dos materiais listados: bateria

de computador; papel higiênico; espelho e sacola plástica, era o material reciclável. 48%

dos alunos acertaram e 52% erraram a alternativa correta ou marcaram mais de uma
opção. Essa questão muitos alunos marcaram as opções papel higiênico e sacola plástica,

acreditando que todos os papéis são recicláveis, apesar de termos falado sobre o papel

higiênico em nossa apresentação nós não colocamos o papel higiênico junto com os

materiais na gincana da reciclagem.

A última pergunta (Figura 14) que indagava sobre o que fazer com o litro de

refrigerante que você tenha tomado em casa, teve um alto nível de acertos. 93% das

crianças que participaram do projeto acertaram essa alternativa e apenas 7% marcaram

uma das outras opções. Acreditamos que essa questão apresentou muitos acertos pois as

outras alternativas eram bem esdrúxulas sobre a questão do que fazer com o lixo

produzido em casa, ou aprenderam realmente sobre o descarte correto dos materiais

recicláveis.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Educação Ambiental pode mudar hábitos, transformar a situação do planeta

Terra e proporcionar uma melhor qualidade de vida para as pessoas (Medeiros et. al

2011). A inserção da EA na formação dos alunos, principalmente nas séries iniciais pode

ser uma forma de sensibilizar os educandos para um convívio mais saudável com o meio

ambiente.

Os índices de acertos das questões mostram que as crianças que participaram da

interação do projeto “brincando de reciclar” compreenderam que existem ações que elas

podem realizar para diminuir a produção de resíduos sólidos domésticos e que os mesmos

podem ajudar separando os materiais recicláveis para a coleta seletiva.

Apesar do pouco tempo de interação que tivemos com os alunos (cerca de 1hora

e 30 minutos), percebemos que a forma prática que aplicamos a intervenção, através da


confecção de brinquedos e com a gincana da reciclagem, fez com que muitos alunos

assimilassem melhor o conteúdo e compreendessem que todos podem fazer a sua parte

para mudar o meio ambiente.

Com a ajuda dos professores e da Educação Ambiental a criança aprende desde

cedo que os recursos naturais são finitos e que precisamos cuidar e preservar o planeta.

Assim através de pequenas ações individuais, como separar o lixo em casa para coleta

seletiva e reaproveitar alguns materiais, podem fazer a diferença ao serem somadas,

proporcionando assim a transformação do meio em que vivemos.

6. REFERÊNCIAS

GOUVEA, N. Resíduos sólidos urbanos: impactos socioambientais e perspectiva de

manejo sustentável com inclusão social. Ciência & Saúde Coletiva, 17(6):1503-1510,

2012.

HEMPE, C. NOGUERA, J. O. C. A educação ambiental e os resíduos sólidos urbanos.

Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental REGET/UFSM (e-

ISSN: 2236-1170). v(5), n°5, p. 682 - 695, 2012.

LOMASSO, A. L.; SANTOS, B. R.; ANJOS, F. A. S.; ANDRADE, J. C.; SILVA, L. A.;

SANTOS, Q. R.; CARVALHO, A. C. M. Benefícios e desafios na implementação da

reciclagem: um Estudo de caso no centro mineiro de referência em resíduos (CMRR).

Revista Pensar Gestão e Administração, v. 3, n. 2, jan. 2015.


MEDEIROS, A. B.; MENDONÇA, M. J. S. L.; SOUSA, G. L.; OLIVEIRA, G. L. A

Importância da educação ambiental na escola nas séries iniciais. Revista Faculdade

Monte Belo, v. 4, n. 1, 2011.

MUCELIN, C.A; BELLINI, M. Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema

urbano. Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008.

NOGUEIRA, E. C.; SANTOS, J.; ARAÚJO, J.; FORNAZIERO, R. M.; PINTO, S. S.;

MIGUEZ; S. C.; REIS, V. P.; MANGIALARDO, V. C. Projeto de educação ambiental:

reciclar brincando. XII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VIII

Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba.

QUEIROZ, S. T.; LIMA, A. C.; OLIVEIRA, G. Redução, reciclagem e

Reaproveitamento de resíduos sólidos e educação ambiental: Um relato de oficinas

pedagógicas.

SILVA, M. D. Projeto: reciclagem do lixo, Disponível em

<https://pedagogiaaopedaletra.com/projeto-reciclagem-do-lixo/> acesso em: 15 abr.

2018.
7. ANEXOS

Figura 1. E.E.E.F.M “São Luís (local de interação).

Figura 2. Apresentação em Power Point sobre os resíduos sólidos domésticos.


Figura 3. Brinquedos confeccionados com materiais recicláveis.

Figura 4. Crianças confeccionando aviãozinho de palitos de picolé.

Figura 5. Gincana da reciclagem.


Figura 6. Questionário aplicado aos alunos.

Figura 7. Porcentagem dos acertos e erros da 1ª questão.

ERRADO
18%

CERTO
CERTO ERRADO
82%
Figura 8. Porcentagem dos acertos e erros da 2ª questão.

ERRADO
18%

CERTO
CERTO ERRADO
82%

Figura 9. Porcentagem dos acertos e erros da 3ª questão.

CERTO
25%
CERTO
ERRADO
ERRADO
75%

Figura 10. Porcentagem dos acertos e erros da 4ª questão.

CERTO
ERRADO 45%
55% CERTO
ERRADO
Figura 11. Porcentagem dos acertos e erros da 5ª questão.

ERRADO
36%
CERTO CERTO
64% ERRADO

Figura 12. Porcentagem dos acertos e erros da 6ª questão.

ERRADO
36%
CERTO CERTO
64% ERRADO

Figura 13. Porcentagem dos acertos e erros da 7ª questão.

ERRADO CERTO
52% 48% CERTO
ERRADO
Figura 14. Porcentagem dos acertos e erros da 8ª questão.

ERRADO
7%

CERTO

CERTO ERRADO
93%