X – A nova relação com o saber.

In: CIBERCULTURA – Pierre Levy Segundo Pierre Levy, qualquer reflexão sobre sistemas educacionais deve levar em conta a nova relação com o saber. Diz ele que: pela primeira vez as competências adquiridas por uma pessoa no início da sua carreira profissional estarão obsoletas ao final. A natureza do trabalho não cessa de se modificar. Trabalhar significa cada vez mais aprender, transmitir e produzir conhecimentos. Devemos abrir para uma nova relação com o saber, onde o ensino será organizado de forma aberto, de acordo com contextos e sempre contínuo. O professor será tido não mais como um transmissor, mas como um “animador” de grupos e da inteligência coletiva. Levy entende que o ideal iluminista da Enciclopédia visava o domínio e a totalização do conhecimento. Atualmente este ideal revela-se cada vez mais inalcançável. Levy lembra que: na sociedade oral – anterior à escrita – quando um velho morria era uma biblioteca que se perdia. Com a escrita, o conhecimento não se perdia, uma vez que era armazenado no livro. No ciberespaço ganha ainda mais mobilidade de armazenamento e circulação tornando-se indestrutível. Para Pierre Levy, dentre os novos modos de conhecimentos trazidos pela cibercultura a simulação ocupa um lugar central. A simulação tem papel cada vez mais crescente em experimentos científicos, industriais, além de diversões. Levy conclui que; qualquer política educacional terá que levar em conta a nova dimensão das possibilidades do ciberespaço.

Resumo crítico: Texto de Pierre Lévy...
O texto de Pierre Lévy, Cibercultura, no capitulo X (A nova relação com o saber). Aborda os novos saberes que o ciberespaço produz para construção de novos conhecimentos, em particular no sistema educacional. Segundo o autor qualquer concepção sobre o futuro dos sistemas de educação e de formação na cibercultura deve ser argumentada em uma observação da transformação da relação com saber na contemporaneidade e essa relação está ligada a velocidade de surgimentos e de renovações dos saberes. Devido a esse fato Lévy faz três constatação: a maiorias das competências adquiridas na carreira profissional de um pessoa no final de sua carreira estarão antiquadas; o trabalho significa aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos e o ciberespaço, bastante complexo, suporta tecnologias intelectuais, que amplificam, exteriorizam e modificam diversas funções cognitivas humanas como: memoria, imaginação etc. Essas novas tecnologias intelectuais favorecem as novas formas de acesso à informação como: a navegação por hiperdocumentos etc, e os novos estilos de raciocínios e de conhecimento, tais como a simulação (ocupa lugar central na cibercultura). Lévy, afirma que devido a essas constatações "o que é preciso aprender não pode mais ser planejado nem precisamente definido com antecedência". (pag. 158). A escola não pode continua sendo o único modelo de espaço de conhecimento, como ressalta o autor "Devemos construir novos modelos do espaço dos conhecimentos". Enfatiza a forma linear da prática pedagógica na mesma. Destacando a construção de novos espaço de conhecimentos, abertos, contínuos, em fluxo, não lineares, se reorganizando de acordo com o contexto social que cada um ocupa. Ressaltado a necessidade de duas grande reformas nos sistemas de educação e formação. A primeira é a adaptação do EDA ( ensino aberto e a distância) ao cotidiano e da educação e a segunda diz respeito ao reconhecimento das experiências adquiridas dos alunos, levando em conta as referências que os alunos traz consigo, a escola deve ser uma troca de saberes. Segundo Lévy essa nova relação com o saber, tem início com a invenção de uma pequena equipe CERN, a WORLD, WIDE, WEB (WWW) que se ampliou entre os usuários da Internet, em poucos anos, proporcionando o desenvolvimento do ciberespaço.

Lévy diz " a Web não está congelada no tempo", a complexidade do ciberespaço contribui para que cada reserva de memoria, de cada grupo, cada individuo, transforme, mova, permanentemente esse saberes encontrados na mesma. Numa retrospectiva histórica Lévy relata que no final do séc XVIII, o conhecimento era totalizável, adicionável, isto é, um pequeno grupo de homens dominava o conjunto de saberes (ou ao menos os principais). Já no séc XX, conhecimento passou definitivamente ser intotalizável, indominável "[...] o ciberespaço não significa a forma alguma que "tudo" pode enfim ser acessado, mas antes que o Todo está definitivamente fora de alcance". ( Lévy, pag. 161) Nas sociedades anteriores à escrita, o saber era transmitindo pela "comunidade viva", para o autor " Quando um velho morre é uma biblioteca que queima" (pag. 163). Com surgimento da escrita, o saber é transmitido pelo livro, e a após a invenção da impressão, um terceiro tipo de conhecimento foi incorporado pela figura do sábio e do cientista, o saber era transmitido pela "biblioteca" Observando que a desterritorialização da biblioteca atual, talvez seja o inicio de um quarto tipo de relação com o conhecimento. Destacando que este quarto estilo de saber tem como aspecto a oralidade do primeiro conhecimento, isto é, o saber poderia ser novamnete transmitido pelas "colectividades humanas vivas", porém o portado direito do saber não seria mais a comunidade física e sua memoria, mas , o ciberespaço " região do mundo dos virtuais, por meio do qual as comunidades descobrem e constroem seus objetos e conhecem a si mesmas como coletiva intelectuais". (Lévy pag. 164) Logo, para Lévy o ciberespaço na sua complexidade do saber, destotalizado que flutua na internaconexão em tempo real de todos com todos. Favorece os processos de inteligência coletiva nas comunidades virtuais. Esse ideal da inteligência coletiva passa, pela disponibilização da memória, da imaginação e da experiência, evidenciada na troca dos conhecimentos, novas formas de organização em tempo real. Que segundo Lévy (pag. 167) " o ciberespaço, interconexão dos computadores do planeta, será em breve o principal equipamento coletivo internacional da memoria, pensamento e comunicação" E qualquer "política em educação terá que levar isso em conta"

EDUCAÇÃO E CYBERCULTURA*
Pierre Lévy A nova relação com o saber

Toda e qualquer reflexão séria sobre o devir dos sistemas de educação e formação na cybercultura deve apoiar-se numa análise prévia da mutação contemporânea da relação com o saber. A esse respeito, a primeira constatação envolve a velocidade do surgimento e da renovação dos saberes e do know-how. Pela primeira vez na história da humanidade, a maioria das competências adquiridas por uma pessoa no começo de seu percurso profissional serão obsoletas no fim de sua carreira. A segunda constatação, fortemente ligada à primeira, concerne à nova natureza do trabalho, na qual a parte de transação de conhecimentos não pára de crescer. Trabalhar equivale cada vez mais a aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos. Terceira constatação: o ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que

telepresença. Ainda que as pessoas aprendam em suas experiências profissionais e sociais. que não pertence nem à dedução lógica. organizadas pela noção de pré-requisitos e convergindo até saberes «superiores». inclusive a hipermídia. a adaptação dos dispositivos e do espírito do aprendizado aberto e à distância (AAD) no cotidiano e no ordinário da educação. O essencial. os aprendizados personalizados e o aprendizado cooperativo em rede. tornou-se necessário doravante preferir a imagem de espaços de conhecimentos emergentes. sobretudo as memórias dinâmicas. em pirâmides estruturadas por «níveis». As ferramentas do ciberespaço permitem considerar amplos sistemas de testes automatizados acessíveis a . o docente vê-se chamado a tornar-se um animador da inteligência coletiva de seus grupos de alunos. Devido ao fato de que essas tecnologias intelectuais. O que deve ser aprendido não pode mais ser planejado. a imaginação (simulações). em fluxos. contínuos. tais como a simulação. não-lineares. porém. Devemos construir novos modelos do espaço dos conhecimentos. exploração contextual por mapas dinâmicos de dados. a percepção (sensores digitais. É verdade que o AAD explora certas técnicas do ensino à distância. A uma representação em escalas lineares e paralelas. que se reorganizam conforme os objetivos ou contextos e nos quais cada um ocupa uma posição singular e evolutiva. Assim sendo. Nesse quadro. reside num novo estilo de pedagogia que favoreça. em vez de um dispensador direto de conhecimentos. fichários digitais [numéricos] de todas as ordens). são objetivadas em documentos numéricos (digitais) ou em softwares disponíveis em rede (ou de fácil reprodução e transferência). abertos. as novas tecnologias da inteligência individual e coletiva estão modificando profundamente os dados do problema da educação e da formação. ao mesmo tempo. as redes interativas de comunicação e todas as tecnologias intelectuais da cybercultura. todos eles. incrementando. o potencial de inteligência coletiva dos grupos humanos. Tais tecnologias intelectuais favorecem novas formas de acesso à informação. o saber-transação de conhecimento. modelização de fenômenos complexos). ainda que a escola e a universidade estejam perdendo progressivamente seu monopólio de criação e transmissão do conhecimento. os raciocínios (inteligência artificial. como: navegação hipertextual. hipertextos. realidades virtuais). novos estilos de raciocínio e conhecimento. assim. caça de informações através de motores de procura. O saber-fluxo. A segundo reforma envolve o reconhecimento do aprendido. uma verdadeira industrialização da experiência de pensamento. inclusive os saberes não-acadêmicos. knowbots. exteriorizam e alteram muitas funções cognitivas humanas: a memória (bancos de dados. nem à indução a partir da experiência. os sistemas de ensino públicos podem ao menos dar-se por nova missão a de orientar os percursos individuais no saber e contribuir para o reconhecimento do conjunto de know-how das pessoas. nem precisamente definido de maneira antecipada. tornam-se necessárias duas grandes reformas dos sistemas de educação e formação.ampliam. agentes de software. singulares e está cada vez menos possível canalizar-se em programas ou currículos que sejam válidos para todo o mundo. elas podem ser partilhadas entre um grande número de indivíduos. Primeiro. Os percursos e os perfis de competência são.

pelos laços que ela lança para o resto da rede. acompanhados por outros estudantes. a título de conclusão. mas a primeira página é um pagus. Ao organizar a comunicação entre empregadores. que as duas páginas de resumo a que eu havia recorrido no papel eram a projeção impressa de páginas da Web. subtítulos. um pacote de informação e um instrumento de navegação. dizendo com um certo mistério: “Aqui está! Trata-se de uma exposição virtual!” Por mais que eu leia seu trabalho sobre os instrumentos musicais digitais. pelos cruzamentos ou as bifurcações que propõe. Talvez isso não expresse mais do que uma tendência provisória. que me remetia para um corpus praticamente infinito. semeado de sinais arraigados. fixado num suporte de celulose. Mas. um dos principais eixos de desenvolvimento do ciberespaço. a outras gotas do mesmo oceano mundial de sinais flutuantes. eu peço para cada estudante apresentar uma exposição de dez minutos. uma filtragem desse corpus. A segunda. espalhadas por todo o planeta. Em vez de um texto localizado. um começo. Em 1995. onipresente. uma parte do estoque e um ponto de vista original sobre o referido estoque. palavras sublinhadas num texto bastante bem articulado. Cada elemento desse incircunscritível novelo é. sujeita às obrigações do caudal nas redes. no lugar de um pequeno território com um autor proprietário. a outra é uma unidade de fluxos. um agente estruturante. a página Web forma a gotinha de um tudo fugidio. instala-nos diante de um terminal. acompanhada de uma bibliografia. certas soluções práticas (as «árvores de conhecimentos»). que por sua vez nos remetem indefinidamente a outras páginas. Mesmo referindo-se a artigos ou livros. as universidades do futuro estariam contribuindo para a animação de uma nova economia do conhecimento. a World Wide Web propagou-se como pólvora entre os usuários da internet para tornar-se. a primeira página está fisicamente fechada. então. Divertido com meu ceticismo. Numa face. apropriado.todo o momento e redes de transação entre a oferta e a demanda de competência. conectanos técnica e imediatamente a páginas de outros documentos. aberto. Este capítulo e o próximo desenvolvem as idéias que acabam de ser expostas e propõem. um deles me entregou suas duas páginas de resumo. Na véspera das exposições. Descubro. leva-me até a sala dos computadores e. um fim. constitui-se também numa seleção organizadora. O mesmo texto mudara de natureza. indivíduos e recursos de aprendizado de todas as ordens. ao contrário. ao mesmo tempo. em poucos anos. não vejo o que o diferencia das sínteses habituais: um título em negrito. devo receber uma síntese de duas páginas. que poderá eventualmente ser fotocopiada pelos outros estudantes que desejem aprofundar a questão. uma bibliografia. A articulação de uma multidão de pontos de vista sem ponto de vista de Deus Em um de meus cursos na Universidade Paris-8. um campo delimitado. eu me via diante de um documento dinâmico. intitulado “Tecnologias digitais e mutações culturais”. margens formando fronteiras. enquanto na outra face propõe um filtro peculiar do oceano de . A partir da invenção de uma pequena equipe do CERN. Fala-se em «página» em ambos os casos.

informações. então. sua irresistível ascensão oferecem uma fantástica imagem da cheia contemporânea de informação. sem unificação superior. Cada reserva de memória. quaisquer que sejam os progressos vindouros das técnicas de navegação. que o conhecimento passou definitivamente para o lado do não-totalizável. Aumenta. cada objeto pode tornar-se emissor e aumentar o fluxo. os “agentes” inteligentes ou a filtragem cooperativa das informações. A partir do século XIX. é muito provável que o ciberespaço conserve sempre seu caráter profuso. instituições. A esse respeito e de maneira colorida. Ainda assim. enquanto as fumaças da revolução industrial começavam a mudar a cor do céu. tudo está no mesmo plano. Não há nenhuma hierarquia absoluta. Roy Ascott fala do segundo dilúvio. Não podemos senão desistir. Novos instrumentos de indexação e pesquisa precisam ser inventados. com a ampliação do mundo. Tornou-se hoje evidente. esse dilúvio não será acompanhado por nenhum refluxo. o projeto de domínio do saber por um indivíduo ou um pequeno grupo tornou-se cada vez mais ilusório. Devemos acostumarmo-nos a essa profusão e a essa desordem. mas que o tudo está definitivamente fora de alcance. aberto. em rizoma. naquele momento de frágil equilíbrio em que o mundo antigo brilhava com suas melhores luzes. O segundo dilúvio e a inacessibilidade do tudo Sem fechamento semântico ou estrutural. tudo está diferenciado. com a progressiva descoberta de sua diversidade. escoando. comunidades. Quando Diderot e d’Alembert publicavam sua grande Enciclopédia. de encaminhamento ou de hierarquização parcial. mexe-se e transforma-se sem parar. Até aquele momento. conforme atesta a riqueza dos trabalhos atuais sobre a cartografia dinâmica dos espaços de dados. O conhecimento ainda podia ser totalizado. a Web articula uma multidão aberta de pontos de vista. . A emergência do ciberespaço não significa em absoluto que “tudo” esteja enfim acessível. com o crescimento cada vez mais rápido dos conhecimentos científicos e técnicos. sem ponto de vista de Deus. cada um o reconhece. Para o melhor ou o pior. essa articulação opera-se transversalmente. Suas inumeráveis fontes. radicalmente heterogêneo e não-totalizável. nem às paisagens estáveis e bem balizadas anteriores à inundação. somado. Todos nós. A não ser alguma catástrofe cultural. O dilúvio de informações. nenhum grande reordenamento. a Web tampouco está parada no tempo. Que esse estado de coisas gera confusão. tangível para todos. cada grupo. O ponto da virada histórica da relação com o saber situa-se provavelmente no fim do século XVIII. O que salvar do dilúvio? O que é que colocaremos na arca? Pensar que poderíamos construir uma arca que contivesse o “principal” seria precisamente ceder à ilusão da totalidade. suas turbulências. Longe de ser uma massa amorfa. um pequeno grupo de homens podia ter a esperança de dominar a totalidade dos saberes (ou ao menos os principais) e propor aos outros o ideal desse domínio. Não obstante. e cada sítio é um agente de seleção. do indominável. nenhuma autoridade central nos levará de volta à terra firme. cada indivíduo. grupos humanos. porém. A World Wide Web está fluindo. Na Web.

domesticar o caos ambiente. com vozes. Quem sabe? A reencarnação do saber As páginas Web expressam as idéias. a interação no ciberespaço não deixa de ser uma forma de comunicação. em devir. Mas. porém. igualmente às páginas de papel. necessitamos construir um significado. diferentes. embora. conforme vimos. Está se tornando cada vez mais evidente — e até tangível em tempo real — que esse saber expressa uma população. para habitar com sua leitura. perpetuamente retomadas pelos coletivos inteligentes que se cruzam. Em contrapartida. as velhas metáforas da pirâmide (escalar a pirâmide do saber). Devemos lembrar sem cansar a inanidade do esquema da substituição. essas zonas apropriadas de significado deverão necessariamente ser móveis. Por outro lado. mutantes. os saberes. da escala ou do curso (já todo traçado) têm aquele cheiro gostoso das hierarquias imóveis de outrora. interativa. por um lado. sem fronteiras e sempre mutante. os turbilhões. Mesmo quando não acompanha algum encontro material. colóquios ou reuniões de negócio. Trata-se ainda de leitura. uma miríade de pequenas totalidades. de acordo com seus próprios critérios de pertinência. Assim. as modalidades da leitura tendam a transformar-se com os hipertextos e a interconexão geral. pois. se chamam. Ainda que os suportes de informação não determinem automaticamente tal ou . pois usamos o telefone para marcar nossos encontros. com um universo de significado que ela contribui para construir. Não resta dúvida de que não podemos encorajar os excessos. providenciar zonas de familiaridade. cada um deve reconstruir à sua maneira totalidades parciais. os desejos. fórum eletrônico. ou outras formas de comunicação por mundos virtuais. as ofertas de transação de pessoas e grupos humanos. abertas e provisórias. que implicam uma capacidade para enfrentar as ondas. como também costumam desembocar numa comunicação direta. ao contrário do que a vulgata mediática deixa crer sobre a pretensa “frieza” do ciberespaço. Ouve-se às vezes. De modo que. o saber não pode mais ser concebido como algo abstrato ou transcendente. a comunicação por mensagens eletrônicas muitas vezes prepara viagens físicas. devemos substituir a flotilha de pequenas arcas. as correntes e os ventos contrários numa extensão plana. à imagem da grande arca. o argumento de que certas pessoas passam horas “frente à tela”. segregadas por filtragem ativa. Não só as páginas Web são assinadas. se chocam ou se misturam nas grandes águas do dilúvio informacional. Da mesma maneira que a comunicação pelo telefone não tem impedido as pessoas de encontrarem-se fisicamente. Mas será que dizemos de quem lê que ele “passa horas diante de papel”? Não. Porque a pessoa que lê não está se relacionando com uma folha de celulose. as metáforas centrais da relação com o saber são a navegação e o surfe. botes ou sampanas. Hoje. isolando-se dos outros. mas está em contato com um discurso. via correio digital. Que o texto esteja numa tela não muda em nada o fundo da questão. No ciberespaço. como os MUDs ou os MOOs.indivíduos. as redes digitais interativas são potentes fatores de personalização ou encarnação do conhecimento. Atrás do grande hipertexto está borbulhando a multidão e suas relações.

Para codificar seus saberes. Pensamos com e em grupos e instituições que tendem a reproduzir suas idiossincrasias impregnando-nos com seu clima emocional e seus funcionamentos cognitivos. Talvez a desterritorialização da biblioteca a que estamos presenciando hoje não seja senão o prelúdio do surgimento de um quarto tipo de relação com o conhecimento. o saber é carregado pelo livro. pelo hipertexto. Aqui a questão não é mais «como?». tabelas. nem «segundo que critérios?». que contém supostamente tudo: a Bíblia. ao contrário. cada ecologia cognitiva favorece certos atores. o saber pôde desvencilharse parcialmente das identidades pessoais ou coletivas. são precisamente os critérios de avaliação do saber (no sentido mais amplo da palavra) que entram no jogo com a extensão da cybercultura. Mais importante talvez do que os gêneros de conhecimentos e os critérios de valor que as polarizam. A Enciclopédia de Diderot e d’Alembert é menos um livro do que uma biblioteca. nós. enquanto é fácil arquivá-las graças às memórias artificiais. números romanos. o saber não é mais carregado pelo livro. O livro. um terceiro tipo de conhecimento vê-se assombrado pela figura do cientista. Ora. mítico e real é encarnado pela comunidade viva. o Alcorão. o saber prático. postos no centro dos processos de assimilação e exploração do saber. indefinidamente interpretável. já observável. eles não deixam de contribuir para estruturar fortemente a «ecologia cognitiva» das sociedades. na participação do corpo e na emoção coletiva. pelo intermédio das ecologias cognitivas que elas condicionam. listas). O saber é estruturado por uma série de remissões. pedras. declínio dos valores vigentes na civilização estruturada pela escrita estática. os clássicos. Confúcio. almejar uma certa objetividade e um alcance teórico «universal». para condensar a memória e garantir um domínio intelectual que a inflação dos conhecimentos já está pondo em perigo. ábacos. mas tornar-se-ão secundários. réguas de cálculo ou calculadoras. Com a ascensão da escrita. Certas representações não podem sobreviver por muito tempo numa sociedade sem escrita (números. Também são. A morte de um velho é uma biblioteca em chamas. Com o advento da escrita. o saber poderia novamente ser carregado pelas coletividades . Nossas faculdades para conhecer trabalham com línguas. a abstração ou o sistema servem. Aristóteles… No caso. no relato. do científico. perderão seu poder de comando. os valores e os critérios de julgamentos das sociedades. números arábicos. No caso. sistemas de sinais e procedimentos intelectuais fornecidos por uma cultura. Nas sociedades anteriores à escrita. os textos sacros. Ao não oferecer as mesmas imagens do mundo. mas «quem?».qual conteúdo de conhecimento. as sociedades sem escrita desenvolveram técnicas de memória apoiadas no ritmo. Não se multiplica da mesma maneira com cordas. assombrado. com o provável. O conceito. Não é que esses valores sejam chamados a desaparecer. tornar-se mais «crítico». mas sim pela biblioteca. único. talvez desde sempre. na identificação. Desde a prensa até esta manhã. transcendente. o intérprete é que domina o conhecimento. os vitrais das catedrais e as telas de televisor não suscitam os mesmos imaginários. Por uma espécie de volta em espiral até a oralidade das origens. então. Não são apenas os modos de conhecimento que dependem dos suportes de informação e das técnicas de comunicação.

Só que. ao serem exteriorizados e reificados. Ora. o raciocínio expert). e sobretudo. Além disso. enquanto teorias e sistemas suscitavam antes a adesão ou o conflito. A simulação: um modo de conhecimento próprio da cybercultura Entre os novos gêneros de conhecimento carregados pela cybercultura. É impressionante constatar que certas experiências realizadas nos grandes aceleradores de partículas mobilizam tantos recursos. eles definem a nova norma do conhecimento. sobre a interconexão em tempo real da comunidade científica. a região dos mundos virtuais pelo intermédio dos quais as comunidades descobrem e constroem seus objetos e se conhecem como coletivos inteligentes. negociem e refinem modelos mentais comuns. Delas participam uma multidão de cientistas de todos os países. Ora. de outra maneira que não a possibilidade de reprodução. do que por suportes separados. a imaginação. que formam uma espécie de microcosmo ou de projeção da comunidade internacional. trata-se de uma tecnologia intelectual que decuplica a imaginação individual (aumento da inteligência) e permite que grupos partilhem. o carregador direto do saber não seria mais a comunidade física e sua memória carnal. espaço. Os sistemas e os conceitos estão doravante cedendo terreno aos finos mapas das singularidades. Assim. porém. ao contrário da oralidade arcaica. astrofísica. são tão complexas e difíceis de interpretar que elas mal ocorrem mais de uma vez. a informática exterioriza parcialmente essas faculdades em suportes numéricos.humanas vivas. sua participação cooperativa nos eventos que lhe concernem. A universidade apóia-se. a simulação ocupa um lugar central. servidos por intérpretes ou cientistas. essas experiências continuam universais. Mas. o cálculo. Ainda assim. esses processos cognitivos tornam- . graças aos instrumentos de comunicação e processamento do ciberespaço. o contato direto com a experiência praticamente desapareceu em proveito da produção em massa de dados numéricos. Os bancos de dados de imagens. Numa palavra. pois. dessa vez. esses dados podem ser consultados e processados num grande número de laboratórios espalhados. qualquer que seja a complexidade de tais modelos (aumento da inteligência coletiva). genoma humano. Tomemos todos os grandes projetos tecnico-científicos contemporâneos: física das partículas. dos fenômenos da vida ou das matérias humanas. nanotecnologias. à descrição detalhada dos grandes objetos cósmicos. relegada ao segundo plano. acompanhamento das ecologias e dos climas… estão todos suspensos ao ciberespaço e às suas ferramentas. Cada experiência é quase que singular. as simulações interativas e as conferências eletrônicas permitem um melhor conhecimento do mundo do que a abstração teórica. Ou melhor. mais do que sobre a depreciação do evento singular que caracterizava a antiga universalidade das ciências exatas. o conjunto da comunidade científica pode participar dessas experiências muito particulares. Isso parece contradizer o ideal de reprodutibilidade da ciência clássica. as quais são outros tantos eventos. tais ferramentas permitem uma eficaz coordenação dos produtores de saber. Para incrementar e transformar certas capacidades cognitivas humanas (a memória. mas sim o ciberespaço.

mas também para o jogo e a diversão (em especial os jogos interativos na tela). a maneira de industrialização da experiência de pensamento – a simulação – é um modo especial de conhecimento. as tecnologias intelectuais devem ser pensadas em termos de articulação e postas em sinergia. não substituem os raciocínios humanos. de aprendizado. representarmos clara e distintamente mais de uma dezena de objetos em interações.se partilháveis. mas em permitir a formulação e a rápida exploração de um grande número de hipóteses. O grau de resolução da imagem mental não é suficiente. Hoje em dia. Tanto no plano cognitivo quanto na organização do trabalho. possui. capacidades muito limitadas. nossa memória de longo prazo tem a capacidade para armazenar uma quantidade muito grande de informações e conhecimentos. por exemplo. no entanto. Para chegar a esse nível de detalhe. etc. reforçando. As técnicas de simulação. na substituição da experiência. graças à qual poderemos efetuar novas operações cognitivas: contar. mais do que de acordo com o esquema da substituição. . A eficiência. de gestão. os processos de inteligência coletiva… desde que as técnicas sejam utilizadas com discernimento. em particular as que envolvem imagens interativas. ela permite a colocação em imagens e a partilha de mundos virtuais e de universos de significado de uma grande complexidade. a compatibilidade ou a interpolaridade planetária. textos ou tabelas de números. em mapas alimentados em tempo real pelos fenômenos do mundo e em simulações interativas. a simulação exerce um papel crescente nas atividades de pesquisa científica. nem em fazer as vezes de realidades. mas prolongam e transformam as capacidades de imaginação e pensamento. Em teoria. necessitamos de uma memória auxiliar externa (gravura. Até os sistemas experts (ou sistemas baseados em conhecimentos). ao contrário. Embora possamos evocar mentalmente a imagem do castelo de Versalhes. comparar. A simulação é uma ajuda para a memória de curto prazo que envolve não imagens fixas. Está presente. Sob o ângulo da inteligência coletiva. e sim dinâmicas complexas. em experiência. tradicionalmente postos na categoria «inteligência artificial». a fecundidade heurística. evidentemente. Para nós é impossível. Doravante. seu principal interesse não está. próprio da cybercultura nascente. deveriam ser considerados como técnicas de comunicação e mobilização rápida dos knowhow de práticas nas organizações. Nossa memória de curto prazo. medir. fotografias. o respeito de padrões ou formatos. Com efeito. a pertinência temporal e contextual dos modelos estão suplantando os antigos critérios de objetividade e universalidade abstrata. que contém as representações mentais às quais prestamos deliberadamente nossa atenção. os saberes são codificados em bancos de dados acessíveis em linha. portanto. não conseguimos contar suas janelas «em nossa cabeça». pintura). o poder de mutação e bifurcação. A capacidade de fazer variar facilmente os parâmetros de um modelo e observar de imediato e visualmente as conseqüências dessa variação constitui-se numa verdadeira ampliação da imaginação. mais do que como duplicações de experts humanos. de concepção industrial. uma forma mais concreta de universalidade pela capacidades de conexão. Na pesquisa.

das rigidezes institucionais. Esse ideal da inteligência coletiva passa evidentemente pela colocação em comum da memória. graças a que o indivíduo vê-se menos desprovido frente ao casos informacional. conforme critérios humanistas. Em muitos países. Num plano puramente quantitativo. Mais precisamente. dar um pulo e penetrar em cheio na nova cultura. os novos atores na produção e no processamento dos conhecimentos. imaginações e energias intelectuais. suas reservas de imagens. Com efeito. ao contrário. diversidade e velocidade de evolução dos saberes. daqui a algumas décadas. que oferece remédios específicos para os males que a mesma gera? É certo que a interconexão em tempo real de todos com todos é a causa da desordem.Da interconexão caótica à inteligência coletiva Destotalizado. interconexão dos computadores do planeta. o saber flutua. isto é. flexíveis e em tempo real. Os dispositivos de formação . quanto um homem). tende a tornar-se a maior infra-estrutura da produção. em inteligência coletiva. Com esse novo suporte de informação e comunicação. Mas ela é também a condição de possibilidade das soluções práticas para os problemas de orientação e aprendizado no universo do saber em fluxo. Toda e qualquer política de educação deverá levá-lo em consideração. critérios de avaliação inéditos para orientar o saber. suas simulações interativas. mas sim a inteligência coletiva. do pensamento e da comunicação. Mutações da educação e economia do saber Aprendizado aberto e à distância Os sistemas de educação estão sofrendo hoje novas obrigações de quantidade. As universidades estão mais do que lotadas. a maioria de uma classe etária é que recebe um ensino de segundo grau. Em suma. sua irreprimível profusão de textos e sinais serão o mediador essencial da inteligência coletiva da humanidade. constituirá o principal equipamento coletivo internacional da memória. essa interconexão favorece os processos de inteligência coletiva nas comunidades virtuais. Deveremo-nos crispar nos procedimentos e esquemas que garantiam a antiga ordem do saber? Não devermos. da gestão. suas comunidades virtuais. dos grupos humanos. Embora as novas técnicas de comunicação favoreçam o funcionamento. Donde vem um violento sentimento de desorientação. a utilização otimizada e a colocação em sinergia das competências. independentemente de sua diversidade qualitativa e de sua localização. da imaginação e da experiência. o ideal mobilizador da informática não é mais a inteligência artificial (tornar uma máquina tão inteligente. por novas formas. por uma prática banalizada do intercâmbio de conhecimentos. jamais foi tão maciça a demanda por formação. o ciberespaço. A defesa de poderes executivos. cabe repetir que elas não o determinam de maneira automática. O ciberespaço. Em breve. a inércia das mentalidades e das culturas podem evidentemente levar a utilizações sociais das novas tecnologias muito menos positivas. a valorização. estão emergindo gêneros de conhecimentos inéditos. da transação econômica. mais inteligente até. de organização e coordenação.

Ou seja. Vê-se como o novo paradigma da navegação (em oposição ao do «cursus»). Com efeito. mostra a via de um acesso ao mesmo tempo maciço e personalizado ao conhecimento. cabo. A título de imagem. com o fim de alcançar economias de escala) seria uma resposta «industrialista» à antiga. será necessário decidir-se a encontrar soluções que apelem para técnicas capazes de multiplicar o esforço pedagógico dos professores e dos formadores. Uma resposta ao crescimento da demanda por uma massificação da oferta (mais da mesma coisa. podem ser consideradas e já têm sido amplamente testadas e experimentadas. televisão educativa. escolas e universidades «virtuais» custam menos do que as escolas e universidades que ministram em «presencial». a situação. como também está sofrendo uma profunda mutação qualitativa. inadaptada à flexibilidade e à diversidade futuramente requeridas. Os especialistas da área reconhecem que a distinção entre ensino «em presencial» e ensino «à distância» será cada vez menos pertinente. ou gostaria de estar. fax ou internet… Todas essas possibilidades técnicas. bancos de dados multimídia interativos e em linha) permitem acessos intuitivos rápidos e atrativos a grandes conjuntos de informação. Os correios e as conferências eletrônicas servem para a monitorização inteligente e são postos ao serviço de dispositivos de aprendizado cooperativo. Audiovisual. técnicas clássicas de ensino à distância fundamentadas essencialmente na escrita. As universidades e.profissional e contínua estão saturados. dir-se-á que metade da sociedade está. de uma maior ou menor pertinência conforme seu conteúdo. Tanto no plano das infra-estruturas materiais quanto no dos custos de operação. Sistemas de simulação permitem que os aprendizes se familiarizem de maneira prática e barata com objetos ou fenômenos complexos sem. por isso. na escola. em breve. as escolas de primeiro e segundo graus oferecem aos estudantes a possibilidade de navegar sobre o oceano de informação e conhecimento acessível pela internet. Programas educativos podem ser seguidos à distância pela World Wide Web. O aprendizado à distância tem sido durante muito tempo o «estepe» do ensino e. ao menos a cabeça pesquisadora. em todos os países do mundo. monitorado por telefone. cada vez mais diversa e maciça. tornar-se-á. A demanda por formação não só está passando por um enorme crescimento quantitativo. as necessidades do «aprendiz». Será impossível aumentar o número de professores proporcionalmente à demanda de formação que é. que se está desenvolvendo nas práticas de coleta de informação e de aprendizado cooperativo no seio do ciberespaço. no sentido de uma crescente necessidade de diversificação e personalização. as características do AAD são semelhantes às da sociedade da . Os suportes hipermídia (CD-ROM. «multimídia» interativa. A questão do custo do ensino surge mais especialmente nos países pobres. pois o uso das redes de telecomunicação e dos suportes multimídia interativos está integrando-se progressivamente às formas de ensino mais clássicas (1). cada vez mais. sujeitarem-se a situações perigosas ou difíceis de controlar. Os indivíduos suportam cada vez menos acompanhar cursos uniformes ou rígidos que não correspondem às suas reais necessidades e à especificidade de seus trajetos de vida. ensino assistido por computador. se não a norma.

que aliás traduz a perspectiva da inteligência coletiva no campo educativo. Muitos trabalhos. de informação. a função-mor do docente não pode mais ser uma «difusão dos conhecimentos». de produção de mensagens (textos. professores e estudantes põem em comum os recursos materiais e informacionais à sua disposição. ou sobre os computadores. esse tipo de ensino está em sinergia com as «organizações aprendizes» que uma nova geração de administradores está procurando implantar nas sociedades. Nessa visão — extremamente clássica — a informática oferece máquinas de ensinar. é a do aprendizado cooperativo. Assim sendo. de velocidade. como substitutos incansáveis dos professores (ensino assistido por computador ou EAC). Procura-se menos transferir cursos clássicos em formatos hipermídia interativos ou «abolir a distância» do que implementar novos paradigmas de aquisição dos conhecimentos e de constituição dos saberes. foram realizados sobre a «multimídia». então. etc. Os estudantes podem participar de conferências eletrônicas desterritorializadas. imagens ou som) a serem postos nas mãos dos «aprendizes». Nos novos «campos virtuais».informação em seu conjunto (sociedade de rede. etc. por exemplo. pilotagem personalizada dos percursos de aprendizado.). Certos dispositivos informatizados de aprendizado de grupo foram especialmente concebidos para a partilha de diversos bancos de dados e o uso de conferências e mensagens eletrônicas. O docente tornase um animador da inteligência coletiva dos grupos dos quais se encarregou. enquanto suporte de ensino. de personalização. Fala-se. A direção mais promissora. Rumo a uma regulação pública da economia do conhecimento As reflexões e as práticas sobre a incidência das novas tecnologias na educação têm-se desenvolvido em diversos eixos. Os professores aprendem ao mesmo tempo que os estudantes e atualizam continuamente tanto seus saberes «disciplinares» quanto suas competências pedagógicas. Além disso. de pesquisa. Seguido outra abordagem. O aprendizado cooperativo e o novo papel dos docentes O ponto essencial aqui é a mudança qualitativa nos processos de aprendizado. Sua atividade terá como centro o acompanhamento e o gerenciamento dos aprendizados: incitação ao intercâmbio dos saberes. As últimas informações atualizadas tornam-se fácil e diretamente acessíveis por intermédio dos bancos de dados em linha e a www. em aprendizado cooperativo assistido por computador (em inglês: Computer Supported Cooperative Learning ou CSCL). executada doravante com uma eficácia maior por outros meios. O uso crescente das tecnologias digitais e das redes de comunicação interativa está . A perspectiva aqui adotada também é diferente. (A formação contínua dos docentes é uma das aplicações mais evidentes dos métodos do aprendizado aberto e à distância). mediação relacional e simbólica. de cálculo. os computadores são considerados como instrumentos de comunicação. Sua competência deve deslocar-se para o lado do incentivo para aprender e pensar. nas quais intervêm os melhores pesquisadores de sua disciplina.

percepção). de reconhecimento autogerido. novos procedimentos. tampouco. até mesmo antes. tanto no plano da redução dos custos como no do acesso de todos à educação. Como manter as práticas pedagógicas em fase com processos de transação de conhecimento em via de rápida transformação e. mas sim de acompanhar consciente e deliberadamente uma mudança de civilização que está questionando profundamente as formas institucionais. Com efeito. em nossos dias. da qual tentei traçar as grandes linhas neste capítulo. 3) regular e animar uma nova economia do conhecimento. antes deste período. móvel e contextual das competências. A bem da verdade. As novas possibilidades de criação coletiva distribuída. a pontos de entrada no ciberespaço. assim como o ritmo precipitado das . centros de orientação. cada organização sejam considerados como recursos potenciais de aprendizado ao serviço de percursos de formação contínuos e personalizados. Contudo. os seres humanos têm começado a experimentar uma relação com os conhecimentos e os know-how que seus ancestrais desconheciam. na qual cada indivíduo. às vezes até sua natureza. Ora. as tecnologias intelectuais com suporte digital estão redefinindo seu alcance.acompanhando e ampliando uma profunda mutação da relação com o saber. novas técnicas surgiam. a situação mudou radicalmente. cada grupo. É sim a transição entre uma educação e uma formação estritamente institucionalizada (escola. 2) permitir para todos um acesso aberto e gratuito a mediatecas. de ensino da sociedade por ela mesma. não é tanto a passagem do «presencial» para a «distância» e. As desordens da economia. de aprendizado cooperativo e de colaboração em rede propiciada pelo ciberespaço estão questionando o funcionamento das instituições e os modos habituais de divisão do trabalho. o papel do poder público haveria de ser: 1) garantir a cada um uma formação elementar de qualidade (2). seu significado. documentação e autoformação. Saber-fluxo e dissolução das separações Desde o fim dos anos 60 do presente século. notadamente. os papéis de professor e aluno. imaginação. a maior parte dos know-how úteis sutis eram perenes. da escrita e do oral tradicionais para a «multimídia». pois a maioria dos saberes adquiridos no começo de uma carreira estarão obsoletos no fim de um percurso profissional. Ao prolongar certas capacidades cognitivas humanas (memória. Tais competências até eram transmitidas de maneira quase idêntica para os jovens ou aprendizes. as competências adquiridas na juventude via de regra continuavam em uso no fim da vida ativa. densamente divulgados na sociedade? Não se trata aqui de utilizar a qualquer custo as tecnologias. sem negligenciar a indispensável mediação humana do acesso ao conhecimento. inovações que se destacassem num fundo de estabilidade eram a exceção. no futuro. tanto nas empresas quanto nas escolas. Nesse quadro. universidade) e uma situação de intercâmbio generalizado dos saberes. as mentalidades e a cultura dos sistemas educativos tradicionais e. Na escala de uma vida humana. O que está em jogo na cybercultura.

mas sim como um saber-fluxo caótico. que preenchiam funções. a necessidades concretas. No futuro. Dentro desse continuum. bem como o ofício enquanto principal modo de identificação econômica e social das pessoas. e tempos de experiência profissional e social por outro. irão alimentar memórias coletivas. a coordenação dentro de equipes e a gestão de relações humanas ocupam lugares não-desprezíveis. Os empregados de escritório eram identificados por postos. Com a formação contínua. tratar-se-á muito mais de gerir processos. por um lado. manterem e enriquecerem sua coleção de competência ao longo de sua vida. Com o uso da hipermídia. determinam uma aceleração generalizada da temporalidade social. A transação de informações e conhecimentos (produção de saberes. Acessíveis em linha. As competências variadas. sindical. de indivíduos e grupos em situação de trabalho ou aprendizado (é a mesma coisa). Por causa disso é que os indivíduos e os grupos não se deparam mais com saberes estáveis. por sua vez. adquiridas pelas pessoas de acordo com seus percursos particulares. cujo curso é difícil de prever e no qual a questão agora é aprender a navegar. essas memórias dinâmicas em suportes numéricos atenderão. à virtualização das organizações empresas «em rede» corresponderá em breve uma virtualização da relação com o conhecimento. mas diz respeito à massa das pessoas em sua vida diária e em seu trabalho. trajetos e cooperações. das quais cada um possuiria uma coleção singular. na qual a resolução inventiva de problemas. etc. estes últimos ligados a disciplinas. então. está constituindo-se um continuum entre tempo de formação.evoluções científicas e técnicas. dos sistemas de simulação e das redes cooperativas de aprendizado cada vez mais integrados aos postos de trabalho. transmissão) é parte integrante da atividade profissional. o trabalho não é mais a execução repetitiva de uma tarefa prescrita. mas sim uma atividade complexa. Assim. com a transmissão e a produção de conhecimentos não está mais reservado para uma elite. com classificações de conhecimentos herdadas e confortadas pela tradição. um lugar está sendo aberto para todas as modalidades de aquisição de competências (inclusive a autodidaxia). Melhor seria raciocinar em termos de competências variadas. Essa abordagem leva a questionar a divisão clássica entre período de aprendizado e período de trabalho (pois se aprende o tempo todo). O reconhecimento do adquirido . aqui e agora. a participação na vida associativa. a formação profissional das empresas tende a integrar-se à produção. Cabe às pessoas. Os indivíduos reconheciam-se por seus diplomas. está superado o velho esquema segundo o qual se aprende na juventude um ofício que será exercido pelo resto da vida. Para uma parcela crescente da população.. aprendizado. a formação em alternância. A antiga relação com a competência era substancial e territorial. A relação intensa com o aprendizado. Portanto. os dispositivos de aprendizado na empresa. Os indivíduos são chamados a mudar de profissão várias vezes em sua carreira e a própria noção de ofício está tornando-se cada vez mais problemática. que declinavam ofícios.

Graças a esse grande serviço descentralizado e aberto de reconhecimento e validação dos saberes. Uma desregulação controlada do atual sistema de reconhecimento dos saberes poderia favorecer o desenvolvimento das formações alternadas e de todas as formações que conferissem um lugar importante à experiência profissional. Pode parecer banal afirmar que todos os tipos de aprendizado e formação devem poder dar lugar a uma qualificação ou a uma validação socialmente reconhecida. sendo que o sistema de diplomas parece cada vez menos adequado. Simetricamente. todos os processos. monitores e examinadores em linha) poderiam aliviar os docentes e as instituições educacionais clássicas de uma tarefa de controle e validação menos «nobre» — mas ainda necessária — do que o acompanhamento dos aprendizados. serviços públicos que explorassem em grande escala as tecnologias da multimídia (testes automatizados. A evolução do sistema de formação não pode ser dissociada da evolução do sistema de reconhecimento dos saberes que o acompanha e pilota. ao mesmo tempo. exames em simuladores) e da rede interativa (possibilidade de fazer testes ou fazer reconhecer suas aquisições com a ajuda de orientadores. Como os indivíduos aprendem cada vez mais fora das fileiras acadêmicas. Ao autorizar a invenção de modos originais de validação. a aumentar os músculos da instituição escolar e a bloquear o desenvolvimento de seus sentidos e cérebro. Atualmente. não geram hoje nenhuma qualificação. A relação com o saber emergente. Por outro lado. Semelhante evolução não deixaria de gerar interessantes retroefeitos para certos modos de formação de tipo escolar. cabe aos sistemas de educação implantarem procedimentos de reconhecimento dos saberes e know-how adquiridos na vida social e profissional. o que levanta evidentemente o problema de seu reconhecimento ou validação oficial. deve-se admitir também o caráter educativo ou formador de muitas atividades econômicas e sociais. os programas de ensino. o tempo necessário para a homologação de novos diplomas e para a constituição dos currículos que levam a eles não está mais em fase com o ritmo de evolução dos conhecimentos. tal desregulação encorajaria também as pedagogias pela exploração coletiva e todas as formas de iniciativas a meia distância entre a experimentação social e a formação explícita. poderiam ser sancionados por uma qualificação dos indivíduos.Evidentemente. no entanto. freqüentemente bloqueados em estilos de pedagogia pouco aptos para mobilizar a iniciativa. é para esse novo universo do trabalho que a educação deve preparar. Para esse fim. todos os dispositivos de aprendizado. até os menos formais. a jusante. entretanto. traz o questionamento da estreita associação entre duas funções dos sistemas educativos: o ensino e o reconhecimento dos saberes. A título de exemplo. cujas grandes linhas eu esbocei. Um grande número de processos vigentes em curso por meio de dispositivos formais de formação contínua. por orientar-se . estamos muito longe disso. Utilizar todas as tecnologias novas na educação e formação sem nada mudar nos mecanismos de validação dos aprendizados equivale. para falarmos apenas das competências adquiridas durante as experiências sociais e profissionais dos indivíduos. sabe-se que os exames é que estruturam.

Flammarion. competências são hoje a principal fonte da riqueza das empresas. Ora. das grandes zonas geopolíticas estão em estreita correlação com políticas de gestão do saber. o superior envolvem apenas parte dos jovens. Resenha do texto: A nova relação com o saber / Autor: Pierre Lévy (p. de Sylvain Lourié. muito sabiamente que qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de educação e de formação na cibercultura deve ser fundada em uma análise prévia da mutação contemporânea da relação com o saber.apenas pela sanção final do diploma. tanto na empresa como no nível das coletividades locais. Conhecimentos. Deve-se. paralelamente aos diplomas. os problemas da gestão das competências. Accès à la formatoin à distance: clés pour un développement durable. know-how. Os desempenhos industriais e comerciais das empresas. Neste . Esses fenômenos são particularmente sensíveis nas situações de reconversões industriais ou de atraso de desenvolvimento de regiões inteiras. se não de sua solução. enquanto o ensino do segundo grau e. a comunicação através do ciberespaço pode ser uma grande ajuda. Com efeito. o ensino elementar abarca todas as crianças. 10 a 12 de outubro de 1994. Numa perspectiva ainda mais ampla. tanto no nível de pequenas comunidades como no das regiões. 1993. ela permitiria que todas as forças disponíveis concorressem ao acompanhamento de trajetos de aprendizados personalizados. nem identificadas. das regiões. Critical Success Factors. ao menos de sua mitigação. que custam muito mais do que o ensino elementar. Do lado da demanda. 157-167) Coloca o autor. Ver mais especialmente. são financiados pela totalidade dos contribuintes. um grande número de competências não são nem reconhecidas. Conferência Internacional. [Escola e Terceiro Mundo]. Ed. sobretudo. o segundo grau e o superior públicos. 203 páginas. Existe aí uma fonte de desigualdade particularmente gritante nos países pobres. Editors: Gordon Davies & David Tinsley. Do lado da oferta. mais especialmente entre os que não possuem um diploma. Genebra. (2) Todos os especialistas das políticas de educação reconhecem o papel essencial da qualidade e da universalidade do ensino elementar para o nível geral de educação de uma população. Atas. estarão a caminho. das grandes metrópoles. Uma vez aceito o princípio segundo o qual toda e qualquer aquisição de competência deve poder dar lugar a um explícito reconhecimento social. Além disso. Paris. Ora. imaginar modos de reconhecimento dos saberes que possam prestar-se para uma visualização em rede da oferta de competência e a uma pilotagem dinâmica retroativa da oferta pela demanda. das nações. vive-se hoje importantes dificuldades na gestão dessas competências. adaptados aos objetivos e às diversas necessidades dos indivíduos e das comunidades implicadas. Para tanto. a desregulação controlada do reconhecimento dos saberes aqui referida estimularia uma socialização das funções públicas da escola. observa-se uma inadequação crescente entre as competências disponíveis e a demanda econômica. (1) Open and Distance Learning. Ecole et tiers monde.

retrocedermos um pouco mais anterior a sala de aula e verificarmos que o professor. agora teremos as telas de LCD (Liquid Crystal Display). pois ninguém pode mais apropriar-se da velocidade de aprendizagem imposta pela tecnologia. Surge a idéia de inteligência coletiva. Neste ponto Pierre coloca que pela primeira vez na história da humanidade. como detentor do saber. comentários e pedaços de ficção barata. que a primeira universidade surgiu em 1215 em Paris. Assim o autor vai enumerando aos poucos constatações em relação ao saber e seus profissionais. aspecto com o que concordo plenamente. literalmente refazer é um ato de continuidade e superação necessários a todos que pretendem freqüentar o mercado de trabalho atual e futuro. agora o próprio professor será protagonista de sua formação ou estará tornado-se desnecessário ao processo.. que o professor frente a este aparato precisa estar convencido de suas potencialidades e ter sua idéia de aprendizagem alavancada na possibilidade de que ele agora é apenas um facilitador e não um detentor. vamos nos deter no tocante a educação que constitui sua aula com base num caderninho de páginas amareladas pelo tempo. ou o mestre estava sempre a gente do grupo. novos estilos de raciocínio e de conhecimento. A seguir fala o autor da velocidade de surgimento e de renovação dos saberes e savoir-faire ( um acumulado de pensamentos desgarrados. cita como segunda à nova natureza do trabalho. creio que seja oportuna uma revisão no que seria esta mutação contemporânea da relação com o saber? Se considerarmos que muitas de nossas idéias a respeito de didática para ensinar ainda sejam rudimentos do que Comenius* enumerou como importante no século XVII . quando fala em tecnologias Intelectuais. onde a Igreja comandava a forma e o que ensinar aos poucos que podiam pagar por este ensino . destacando-as como geradoras de novas formas de acesso à informação.momento. ancorada na internet. vamos verificar que até hoje o ensino ainda utiliza muitas destas premissas afim de garantir sua autonomia. Assim fala em saber-fluxo. a simulação surge como fruto do momento. aquele profissional. Como cada autor guarda em . Enfim. a transposição seria simples se considerássemos aqui apenas a mudança de meio. Tudo sito descreve agora uma possibilidade de renovação imposta a todos os presentes no mercado de trabalho. que não advém nem da dedução lógica nem da indução a partir da experiência. Coloca ainda que as tecnologias refletemum componente humano. pois não há mais como ser previamente elaborado. a velocidade imposta pela tecnologia não permite que uma simulação seja pretensamente pensada. imaginação. deveriam ficar a frente do grupo. destacando que o saber não pode mais ser contido nos planos do professor. citando a simulação como sendo a verdadeira industrialização da experiência do pensamento. pois não conseguirá dar conta das constantes modificações impostas pela velocidade do aprender de nossa época.exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas: memória. mas no entanto agora. sua dinâmica. e em terceira fala do ciberespaço que amplificam.e depois cederam aos cadernos. quando grupos humanos compartilham estas tecnologias individuais. a maioria das competências adquiridas por uma pessoa necessitará de atualização. afinal. sendo assim completamente atemporal.). fala da velocidade dos saberes. precisamos saber bem. Se antes os alunos escreviam na lousa . tais quais suas idéias de ensinar. A seleção começa na ponta do processo. percepção e raciocínio... estará fora. onde os mestres.

A ARTICULAÇÃO DE NUMEROSOS PONTOS DE VISTA Pierre cita sua experiência na Universidade de Paris. onde cada um deve reconstituir à sua maneira de acordo com seus próprios critérios de pertinência. Não há mais a arca. adicionável. em ambos os caos é um campo demarcado. colocando que embora a EAD faça uso de hipermídia. no entanto. QUEM SABE A REENCARNAÇÃO DO SABER . agora as possibilidade que ocorrem ao sair de A são infinitas. a página. mas essa articulação é feita transversalmente. as redes de comunicação e outros. para salvar o principal. Porém na véspera o aluno deve apresentar por escrito. Assim. contendo bibliografia. não há hierarquiaabsolutapois a web articula uma multiplicidade aberta de pontos de vista. Quando um aluno realizou o trabalho utilizando o recurso da internet. surge a constatação de que página. Muito interessante. agora não mais poderemos fazer uso de esquemas lineares. e assim com a interação de todos. é fechada. impressa em celulose. em rizoma(tipo de caule que cresce horizontalmente). assim coloca que o ciberespaço não significa que tudo possa ser acessado mas sim que o todo está definitivamente fora de alcance. Veja que momento nós estamos presenciando na história: o nascimento de uma cultura. Esta característica aparece aliada ao fato de o professor reconhecer as experiências adquiridas. cita que o essencial se encontra em um novo estilo de pedagogia. ele acontece na ordem de cada um. enquanto a outra bem sabemos de suas potencialidades quando transforma um simplestexto em hipertexto. assim. Cita quando Diderot e d'Alembert publicaram sua Encyclopédie. O autor lembra o final do século XVII. Assim surge um professor animador de inteligência ao invés de um fornecedor de conhecimentos. mesmo sabendo que eles estão presentes em qualquer aprendizagem a diferença está no fato de que dependendo do caminho escolhido pelo aluno eles serão conquistados em diferentes momentos. onde ele pede a cada estudante que faça uma exposição oral de dez minutos. Pierre distingue duas modificações necessárias nos sistemas de educação e formação. num mundo não virtual. não há terra firme. onde o conhecimento lá estava postado totalizável. quando nesse momento frágil no qual o antigo mundo disparava seus mais belos fogos enquanto as fumaças da revolução industrial começavam a mudar a cor do céu. nem paisagens estáveis. O SEGUNDO DILÚVIO E A INACESSIBILIDADE DO TODO Neste dilúvio. se A levapara B( Se A então B). um resumo de duas páginas. Desta forma o autor expressa na contradição de que na web tudo se encontra no mesmo plano e no entanto tudo é diferenciado. pequenas embarcações e as metáforas de nossa época dizem respeito a surfar as ondas do saber e não mais escalar as pirâmides de autrora. perde-se a uniformidade de aprender todos no agora. Passam a existir as totalidades parciais. Agora teremos então miríades. abandonar a idéia de pré-requisito. citando em primeiro lugar a aclimatação dos dispositivos e do espírito do Ensino aberto e a distância.si sua contemporaneidade. afinal o aluno não chega a escola vazio de saberes. Pierre lança uma hipótese de que o irrefreável crescimento do ciberespaço nos indica alguns traços essenciais de uma cultura que deseja nascer. dá ao aluno esta possibilidade. sem o ponto de vista de Deus. construímos o que ele chama de árvores do conhecimento. pois o suporte tecnológico. Este cada um ocupa uma posição singular e evolutiva. sem a unificação sobrejacente.

mas diz ainda que é condição de existência de . relembra que não multiplicamos da mesma forma com pedras. mas precisamos aprender com aquilo que hoje são denominados rudimentos. algarismos romanos. os sistemas e os conceitos abstratos cedem terreno aos mapas finos da singularidade. as tecnologias devem ser pensadas em termos de articulação e de criação de sinergia (trabalhar junto) e não de acordo com o esquema de substituição..de gerenciamento. assim evoluímos. o raciocínio especialista) a informática exterioriza parcialmente essas faculdades em suportes digitais.fala da espiral onde podemos retomar a Possibilidade da oralidade. contudo para estruturar em a "ecologia cognitiva" das sociedades... Quando coloca da frivolidade do esquema da substituição. Coloca muito bem que pensamos junto com e dentro de grupos e instituições que tendem a reproduzir sua idiossincrasia impregnando-nos com seu clima emocional e seus funcionamentos cognitivos. por trás do hipertexto.As páginas da Web exprimem idéias.. UM MODO DE CONHECIMENTO PRÓPRIO DA CIBERCULTURA Ele define a simulação como sendo uma tecnologia intelectual que amplifica imaginação (aumento de inteligência) e permite aos grupos que compartilhem. assim diz que da interconexão caótica à inteligência coletiva o saber destotalizado flutua. Ele qualifica a inteligência artificial não apenas como sendo dublês de especialistas humanos. Cita vários exemplos.. causado coloca ele pela possibilidade de interação de todos com todos.. .. Para aumentar e transformar determinadas capacidades cognitivas humanas (memória. Surgiu daí o intérprete.. sistemas de signos e processos intelectuais fornecidos por uma cultura. cheio de possibilidades ativadas pelos seus links... sendo compartilhados pelos demais através do ciberespaço. aberto. o cientista. apenas facilitou agilizou o contato para que tais encontros ocorressem. Fala em ecologia cognitiva das sociedades. Como é comum em seus textos Pierre coloca que as páginas. Lembra que quando surgiu a escrita o saber foi transmitido pelo livro. mas prolongam e transformam a capacidade de imaginação e de pensamento. mas também nos jogosdiversões. Fala da capacidade da memória de longo prazo e de curto prazo..de onde resulta um sentimento violento de desorientação.. Nossas faculdades de conhecer trabalham com línguas. da transmissão pela comunidade viva fazendo uso do ciberespaço. o calculo.. A SIMULAÇÃO. desejos. ora uma vez que esses processos cognitivos tenham sido exteriorizados e reificados tornam-se compartilháveis e assim reforçam os processos de inteligência coletiva se as técnicas forem utilizadas com discernimento.. Coloca que tanto no plano cognitivo como na organização do trabalho. mas sim como técnicas de comunicação e de mobilização rápida dos saberes práticos nas organizações. saberes.. contribuem..... negociem e refinem modelos mentais comuns. . qualquer que seja a complexidade deles.porém coloco a simulação como um papel crescentenas atividades de pesquisa científica. não coloca esteelemento a ponto de substituir a experiência mas sim de potencializar um número de hipóteses. à descrição detalhada dos grandes objetos cósmicos. ofertas de transação de pessoas e grupos humanos. de aprendizagem. recorda que o telefone não impediu o encontro das pessoas. Coloca ainda quea partir de agora.. Lembra que as técnicas não substituem o raciocínio.. dois fenômenos da vida ou dos costumes humanos. assim surge após o sábio. tais como física de partículas. referindo-se ao que foi citado anteriormente como árvores do conhecimento dizia que embora os suportes de informação não determinem automaticamente este ou aquele conteúdo de conhecimento. as redes interativas são fatores potentes de personalização ou de encarnação do conhecimento.. fala de que experiências como as que envolvem o acelerador de partículas que como constituem eventos caros são realizados uma única vez.a biblioteca supera o livro. assim a comunicação por meio eletrônico não o fará. apenas agilizara tais acontecimentos.

interconexão dos computadores do planeta. Qualquer política de educação tradicional deve levar isso em conta. O ciberespaço. mas sim a inteligência coletiva. . O ideal mobilizador não é mais a inteligência artificial. tende a tornar-se a principal infraestrutura de produção. transação e gerenciamento econômicos.solução prática para os problemas de orientação e de aprendizagem no universo do saber em fluxo. a criação de sinergia entre as competências.

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