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[1] OS PRINCÍPIOS E ERROS DA


EQUIVALÊNCIA DINÂMICA
(David Cloud, traduzido por Mary Schultze)

Alguns dos principais erros da equivalência dinâmica são os


seguintes. Estes foram copiados diretamente dos escritos de alguns
dos seus promotores.
EQUIVALÊNCIA DINÂMICA TEM O OBJETIVO DE TRADUZIR
PENSAMENTOS MUITO MAIS QUE PALAVRAS

A pedra de esquina da equivalência dinâmica é o seu objetivo de


traduzir ideias em vez de palavras. Eugene Nida disse que “as palavras
são apenas veículos de ideias” (Nida, Bible Translation, 1947, p. 12).

Kenneth Taylor disse a mesma coisa, quando descreveu o seu método


de tradução:

“Pegamos O PENSAMENTO ORIGINAL e o convertemos na linguagem de


hoje. a. ... Podemos ser mais exatos do que a tradução verbal” (Entrevista
com J.L. Fear, Evangelism Today, Dezembro, 1972).

Considerem esta descrição da Versão em Inglês Contemporâneo:


“A Versão em Inglês Contemporâneo difere de outras traduções em que
ela não é uma tradução palavra-por-palavra, nem de sequência-por-
sequência, que reproduza os textos originais”, explicou o Dr. Burke. “Em
vez disso, ela é UMA TRADUÇÃO DE IDEIA-POR-IDEIA no arranjo do
texto bíblico de maneiras compreensíveis ao leitor atual do inglês”
(American Bible Society Record, Junho-Julho 1991, pp. 3-6).

Os que usam a equivalência dinâmica afirmam objetivar uma


transferência da mesma SIGNIFICAÇÃO DO ORIGINAL à língua do
receptor. Eles dizem que as palavras originais são importantes, mas
somente como veículo à significação; portanto, somente a significação
é verdadeiramente importante na tradução.

A verdade é que a significação da Escritura original é importante, mas


não é verdade que se possa traduzir apenas a “significação” sem a
preocupação com as palavras e a forma do original.
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Além disso, quando examinamos as versões em equivalência dinâmica


ou em linguagem comum, invariavelmente, vemos que a significação
foi mudada, bem como a forma das palavras. É impossível traduzir a
exata significação sem o esforço de traduzir as exatas palavras e forma.

Um estudo das versões nessa tão popular equivalência dinâmica em


inglês, como a Good News Bible e a Bíblia Viva o comprova. Os
tradutores destas versões não apenas se afastaram das palavras e da
forma dos textos originais, como, também, se afastaram da exata
significação. Por favor, guardem isto na mente, quando lerem
declarações desses tradutores. Em geral, eles professam continuar fieis
à exata significação do texto original, na obra de tradução, mas é
impossível permanecer verdadeiramente fiel à
Palavra de Deus, quando se usa a equivalência
dinâmica. [realce pela tradutora]

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA TEM COMO OBJETIVO O USO DE


LINGUAGEM E ESTILO SIMPLES, DE CAPA A CAPA

Em 1970, a Sociedade Bíblica da Índia (um membro da United Bible


Societies) começou a produzir uma versão na equivalência dinâmica
(também conhecida como “versão na linguagem comum”) da Bíblia
Punjabi. Este projeto foi completado em 1984. Uma listagem dos
princípios de tradução foi dada no registro editado sobre a liberação
da Nova Bíblia, em 2 de Março de 1985. Um desses princípios era este:
“Do ponto de vista da linguagem, NÃO DEVERIA HAVER UM MODELO
LITERÁRIO MUITO ELEVADO. A linguagem deveria ser usada ao alcance,
tanto das pessoas mais letradas como das menos letradas”. (The North
India Churchman, The Church of North India, Junho 1985, p. 10).

By the Word é um registro da missionária Lynn A. Silvernale sobre a


Bíblia na Língua Comum Bengali. Este foi um projeto da Association of
Baptists for World Evangelism [metade dos missionários Batistas
Regulares do Brasil são da ABWE], e Silvernale foi encarregada da
obra, iniciada em 1966. Em seu registro, Silvernale dá um dos
princípios seguidos nesta tradução:

“Visto como a taxa de alfabetizados em Bangladesh era de apenas 21%,


iniciamos a tradução e visto como esse número incluía muitas pessoas
escassamente alfabetizadas, e muitos leitores novos, NÓS ACHAMOS
QUE O NOSSO NÍVEL DE LINGUAGEM DEVERIA SER AQUELE
PRONTAMENTE ENTENDIDO POR ADULTOS QUE TIVESSEM CURSADO
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[apenas até] O QUARTO OU QUINTO GRAU [das crianças de 9 ou 10


anos]. Este nível seria compreensível às pessoas iletradas, quando
escutassem a leitura, bem como às pessoas que conseguem ler, mas com
uma educação limitada.” (Lynn A. Silvernale, By the Word, pp. 25,26).

Uma olhada prática em como exatamente as versões na equivalência


dinâmica são feitas ao estilo das pessoas pode mostrar o que acontece
com a Bíblia Viva Holandesa.

“Encontramo-nos com o nosso coordenador holandês, Berno Ramaker, e


sua esposa Ruth. Atualmente, eles estão testando as porções da nossa
Dutch Living Bible, a ser brevemente liberada. Grupos escolares estão
sendo indagados sobre quatro diferentes traduções da Bíblia, incluindo a
Bíblia Viva, para dar a certeza do que a nossa edição comunica
efetivamente. ... O Livro de Gênesis foi produzido num formato atraente,
no ano passado, como uma ferramenta de promoção à Bíblia completa.
A aceitação foi entusiástica. Antes mesmo de Gênesis ser liberado, um
garoto de 13 anos de idade, filho de um revisor do projeto, encontrou o
manuscrito sobre a mesa de trabalho do pai. Depois de ler um pouco, ele
foi até o seu pai e disse: “Oi, papai! Eu li o Livro de Gênesis, do primeiro
até o último verso!” (Thought for Thought, Living Bibles International,
Vol. 4, No. 1, 1985, p. 3).

Observem que os tradutores desta versão holandesa da equivalência


dinâmica testaram o seu valor pela atitude de leitores jovens. Ela é
objetivada ao nível de crianças de oito a doze anos e foi testada em
grupos escolares. Nada é dito sobre se essas pessoas jovens [já] eram
salvas ou se tinham algum discernimento espiritual. Quão sem razão é
testar a confiabilidade de uma versão Bíblia pela reação de um jovem
espiritualmente sem discernimento!

Deveria ser maravilhoso se um garoto de 13 anos de idade pudesse ler


todo o Gênesis e o entendesse, mas considerem o que isto significa. A
Bíblia está repleta de coisas de difícil entendimento, até para o pastor
mais amadurecido. Como, então, é possível que um garoto de 13 anos
possa entendê-la perfeitamente? Só foi possível porque a Bíblia Viva
holandesa foi simplificada além da forma e significação do texto
original.

Sim, as versões na equivalência dinâmica são fáceis de se ler, tão fáceis


como o jornal da manhã. Mas, quantas vezes um indivíduo lê o seu
jornal da manhã? Quão intimamente ele pondera cada palavra do seu
jornal da manhã? O fato é que a Bíblia NÃO É um jornal! A simplicidade
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é maravilhosa; porém não é este o objetivo da tradução da Bíblia. O


primeiro e mais importante objetivo é a fidelidade às santas e eternas
Palavras de Deus. O objetivo da missionária da ABWE [metade dos
missionários Batistas regulares do Brasil são da ABWE], Lynn
Silvernale, de produzir uma Bíblia numa linguagem ao nível de
pessoas escassamente alfabetizadas, de Bangladesh, parece um
objetivo louvável. Visto como nós, também, fomos missionários no Sul
da Ásia, entre pessoas até menos letradas do que as de Bangladesh,
simpatizamos prontamente com o desejo de Silvernale de produzir
uma Bíblia que a média dos leitores possa ler e entender. O problema é
que a Bíblia é a Palavra de Deus escrita em palavras escolhidas por
Deus, numa forma literária escolhida por Deus. E, de longe, as
palavras originais e a forma da Bíblia simplesmente não estão em um
nível de grau 4 [da criança 9 anos de um grupo escolar]! No caso de um
tradutor produzir tal Bíblia ele necessita, drasticamente, mudar a
Palavra de Deus, distanciando-a do original.

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA OBJETIVA TORNAR A BÍBLIA


INTEIRAMENTE COMPREENSÍVEL AOS NÃO CRISTÃOS

Novamente, citamos os princípios usados pela Bible Society da India


na New Punjabi Bible: “Ela deveria ser tal que os leitores não cristãos
também pudessem entende-la sem dificuldade alguma”. (The North India
Churchman, June 1985, p. 10).

Nossa resposta a isto é simples. Deus não nos deu autoridade para
mudar a Sua Palavra, não importa a motivação. “Porque eu testifico a
todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se
alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as
pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer
palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da
vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.”
(Apocalipse 22:18,19).
“Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele.
Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas
achado mentiroso.” (Provérbios 30:5,6).

A equivalência dinâmica confunde o trabalho do tradutor com o de um


mestre. O trabalho do tradutor é produzir a obra de
tradução mais exata possível na língua receptora.
Depois disso, o trabalho do mestre é explicar as
Escrituras. [realce pela tradutora]
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O trabalho do evangelista é explicar a Bíblia através da pregação, do


testemunho pessoal, da literatura evangélica, etc., e não diluir a
Escritura para ser lida como o jornal da manhã, uma novela popular ou
um livro de estória infantil.

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA EVITA OS TERMOS


ECLESIÁSTICOS TRADICIONAIS

Novamente, os princípios usados pela Bible Society da Índia ao


produzir a New Punjabi Bible: “Nesta tradução, a linguagem tradicional
deveria ser evitada” (The North India Churchman, Junho 1985, p. 10).

É este o princípio que tem resultado na obliteração [completo


desaparecimento] de termos, tais como “igreja”, “justificação,”
“santificação,” “santo”, “redenção,” “propiciação,” “ancião,” “diácono” e
“bispo”, na Today’s English Version. Estes termos têm sido mudados
para os que pessoas não salvas possam entender, mesmo quando isto
signifique, seriamente, mudança ou enfraquecimento na significação.

A Versão em Inglês Contemporâneo é uma das versões mais


recentemente completadas na equivalência dinâmica e sua tradução
das palavras acima ilustra esta tendência. Considerem o seguintes
exemplos desta versão:

A graça de nosso Senhor Jesus


Rev. 22:21—“
Cristo seja com todos vós. Amém” - Se
torna em “Oro para que o Senhor Jesus seja
generoso com todos vocês.”
O termo “graça” significa "gratuitos e imerecidos favor e bênção”, e
contém uma grande porção de significação teológica, quando é
estudado em vários contextos. Mudar esta bendita Palavra da Bíblia
em “generosidade” é diluir a Palavra de Deus e mudar a sua
significação) Efésios. 2:8—“For by grace are ye saved
through faith” (KJV) [“Porque pela graça sois
salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é
dom de Deus.” (Ef 2:8)] becomes “You were saved by faith
in God’s kindness” (CEV) [sois salvos pela fé na
bondade de Deus]. (Novamente, “graça” é mudada para
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“bondade.” Os tradutores da equivalência dinâmica mudaram


também quase tudo neste verso importante).

Filipenses 1:1—“com os bispos e diáconos” (KJV) torna-se “a


todos os oficiais e agentes da sua igreja” (CEV). (Os
termos “bispo” e “diácono” são termos técnicos e importantes,
consistentemente usados na Escritura. Diluir estes termos para um
vago “oficiais e agentes da sua igreja” é inescusável.)

Filipenses 1:1—“os santos em Cristo Jesus” (KJV) torna-se


“todo o povo de Deus que pertence a Cristo Jesus”
(CEV). (O termo “santo” significa alguém separado para Deus,
alguém que é santo. Provém das palavras gregas “santo” e
”santificar”. O termo tem grande profundidade de significação,
quando é estudado em vários contextos, mas os tradutores da
equivalência dinâmica escolheram tipicamente uma das mais fracas
definições e substituíram a palavra teológica escolhida por essa
definição).

Rom. 3:10—“não há um justo” (KJV) torna-se “ninguém é


aceitável a Deus” (CEV). (O termo “justo” significa vida reta,
piedade; com a mudança para “aceitável”, a significação é diluída e
mudada. ´

A verdade é que os pecadores não são aceitáveis a Deus, mas não é


isso que o verso diz. Os tradutores da equivalência
dinâmica interpretaram o verso e deram aos
leitores a sua interpretação, em vez de uma
tradução exata.) [realce pela tradutora]

Romanos 3:24 – “sendo justificados gratuitamente” (KJV)


torna-se “ele nos aceita livremente” (CEV). (O termo
“justificação” significa declarado justo”).

1 Cor. 6:11 - “E é o que alguns têm sido; mas haveis


sido lavados, mas haveis sido santificados, mas
haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus,
e pelo Espírito do nosso Deus. -” (KJV) torna-se “Mas
agora o nome de nosso Senhor Jesus Cristo e o
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poder do Espírito de Deus o têm lavado e tornado


aceitável a Deus”. (CEV). (Neste verso além de muitas
outras mudanças, os gloriosos termos bíblicos “santificado” e
“justificado” foram diluídos para “feitos aceitáveis a Deus”.

Considerem alguns outros exemplos que são dados nas Traduções


da Bíblia Para Uso Popular, por William L. Wonderly. Este livro foi
publicado nos Estados Unidos pela United Bible Societies e é uma
obra padrão sobre os métodos da equivalência dinâmica.
Em João. 1:14 “cheio de graça e de verdade” torna-se
“cheio de amor e verdade”, na versão CL espanhola. (Você
precisa esclarecer que amor não é o mesmo que graça?

The “superabundou a graça” de Romanos 5:20 torna-se “a


bondade de Deus foi muito maior” , na versão espanhola
CL. (Novamente, “graça” significa mais do que mera “bondade de
Deus”.)

Em Romanos 1:5, “pelo qual recebemos a graça e o


apostolado” torna-se “Deus nos deu o privilégio de
ser santos” na versão espanhola CL. (Esta “tradução” é tão
diferente do original que se torna quase irreconhecível.)

Na 2 Cor. 8:6 “esta graça entre vós” torna-se “esta


generosa oferta” na versão espanhola CL.

Em Gal. 2:9 “conhecendo … a graça que me havia sido


dada ” torna-se “reconhecido que Deus me havia dado
esta tarefa especial” na TEV.

Em Atos 13:39 “por ele é justificado todo aquele que


crê ” torna-se “por meio dele é que todos os que crêem
são perdoados de tudo” na versão espanhola CL. (O termo
“justificado” significa muito mais do que meramente “sendo
perdoados”)

Aqui o problema é duplo: Primeiro, os termos escolhidos para


substituir as palavras originais da Bíblia não comunicam
suficientemente a exata significação do original. "E é o que
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alguns têm sido; mas “haveis sido lavados, mas


haveis sido santificados, mas haveis sido
justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo
Espírito do nosso Deus.” - Santos significa mais do que
aqueles que pertencem a Deus. Graça significa mais do que
bondade ou favor, o privilégio. Justificação significa mais do que
perdão.

Segundo, a completa ideia de que estes termos são eclesiásticos, ou


[de uso exclusivo dentro da] igreja, é errônea. São termos pelos quais
Deus escolheu comunicar a Sua verdade. São termos celestiais e
somente tornaram-se termos eclesiásticos, porque foram dados às
igrejas e são mantidos como preciosos pelo povo de Deus. Mudá-los e
diluí-los é um grande mal

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA ADAPTA A TRADUÇÃO À


CULTURA DO POVO RECEPTOR

Ao descrever as teorias da equivalência dinâmica, de Eugene Nida,


Jakob Van Bruggen observa a ênfase em adaptar a mensagem da
Escritura à cultura do povo:

“Conforme os defensores da equivalência dinâmica, a comunicação


real é quebrada , quando a diferença entre a cultura bíblica e a
cultura moderna é considerada. Nida escreve, ‘Igualmente, na
narrativa bíblica, o beijo santo, o uso de véus, mulheres falando na
igreja e a luta com anjos têm todas significações diferentes da
nossa cultura’ (E. Nida, Message and Missions, p. 41). Conforme
Nida, a luta de Jacó com o anjo está sendo interpretada psicanalítica
ou mitologicamente (E. Nida, Message and Mission, pp. 41-42). “Ele
considera a cultura modelo tão determinante que a tradução jamais
deveria ser um mero transmissor das palavras da mensagem. Não
existe equivalência formal entre a mensagem original e a mensagem
traduzida. Do que se precisa não é da equivalência estática, mas de
uma equivalência dinâmica”. (Jakob Van Bruggen, The Future of
the Bible, Thomas Nelson, 1978, p. 70).

Este pensamento tem conduzido a toda sorte de mudanças na


Palavra de Deus. Os que promovem a equivalência dinâmica quase
sempre enfatizam o seu objetivo de serem perfeitamente fieis à
significação do texto original. Mas isto simplesmente não pode ser
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feito quando a metodologia da equivalência dinâmica é usada.


MESMO QUE OS PROPONENTES DA EQUIVALÊNCIA DINÂMICA
AFIRMEM HONRAR A SIGNIFICAÇÃO DO TEXTO BÍBLICO, NA
PRÁTICA ELES NÃO O FAZEM. NA PRÁTICA, ELES MUDAM, TORCEM
E PERVERTEM A ESCRITURA. Gente, eu sei que esta é uma
linguagem áspera, mas é verdadeira e precisa ser dita. A Bíblia é um
assunto muito sério!

Um homem trabalhando na tradução de uma versão na equivalência


dinâmica da Bíblia numa língua tribal falada no nordeste da Índia
assim arrazoou: Esta tribo nunca sacrificou cordeiros, mas
sacrificaram galos aos seus deuses, no passado. Portanto, devemos
traduzir o testemunho de João como segue: “Eis o galo de
Deus, que tira os pecados do mundo”. O evangelista
Maken Sanglir, de Nagaland, nos deu esta ilustração da obra de
tradução da Bíblia no nordeste da Índia.

Outro exemplo de adaptação da linguagem da Bíblia na Linguagem


de Hoje a situações culturais foi-me relatado pelo líder da Bible
Society no Nepal. Ele me contou que um dos projetos da United
Bible Societies que foi feito em uma parte do mundo, no qual as
pessoas nunca tinham visto neve. Os tradutores decidiram assim
traduzir Isaías 1:18 -“Ainda que os vossos pecados, sejam como a
escarlata, eles se tornarão brancos como a neve”, eles se
tornarão brancos como sejam como o miolo do
coco...” O miolo de um coco é igual à neve? Ambos são brancos,
mas a semelhança termina aí. A neve é como perdão de Deus, não
apenas na cor branca, mas também na maneira de cobrir
amorosamente e, provavelmente, em muitos outros aspectos. Até
mesmo pequenas mudanças na Palavra de Deus podem significar
sérias consequências na perda da significação ou até mesmo
compartilha uma errônea significação.

Numa tradução da United Bible Societies na língua ulithiana do Sul


do Pacífico, a “pomba” foi mudada para um pássaro local chamado
gigi (“Mog Mog and the Fig Tree,”Record, Nov. 1987, pp. 6-7).
Exemplos adicionais disto são dados em Translating the Word of
God de John Beekman and John Callow, dos tradutores da Bíblia
Wycliffe:
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Em Mateus 8:20—“raposas” foi traduzido como “coiotes” na


língua Mazahua do México.

Marcos 4:21 - “no velador” foi traduzido “sobre o alto silo


de cereais” na língua kirku da Índia.

Lucas 9:62 - “arado” foi traduzido como “foice” na língua


caribenha da América Central.

Lucas 12:24 - “celeiro” foi traduzida como “cesta” na língua


zapoteca da Villa Alta do México.

Mateus 20:22 - “o cálice” foi traduzido como “dor” na língua


Copainala Zoque do México.

Mateus 10:34 - “uma espada” foi traduzida como “haverá


dissensão entre o povo”, na língua Mazahua do México.

Na tradução Zapoteca do México mudou “a criancinha saltou


no seu ventre”, de Lucas 1:41 para “o bebê brincou”.

Considerem alguns outros exemplos da maneira como estas versões


mudam a Palavra de Deus para ser conformada à sua cultura. As
ilustrações seguintes nos foram dadas por Ross Hodsdon, da Bibles
International, antes com a Wycliffe:
Numa tradução para os esquimós do Alaska “cordeiro” foi
substituído por “filhote de foca.”

Numa tradução na língua Makusi do Brasil, “filho do homem” foi


substituído “irmão mais velho”.

Em outra tradução Wycliffe, “figueira” foi substituída por


“bananeira.”
[ Acréscimo por Hélio:
Na década de 80, prof. M., do Instituto Bíblico Macedônia,
em Paudalho, PE, pessoalmente me disse, com orgulho, que um
seu colega da Missão Novas Tribos, considerando que os
índios mais velhos de uma tribo não sabiam muito bem o que
era pão e como era feito, e considerando que a principal
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fonte de calorias deles era a mandioca, mudou "Eu sou o pão


da vida" (Jo 6:35,48) para "Eu sou a mandioca da vida."
Isto me chocou, não porque eu tenha nada contra aipim bem
cozido, mas porque Deus não fez João escrever aipim, e eu
comecei a argumentar e cheguei a perguntar-lhe se, para a
tribo onde a mais preferida fonte de proteínas era porco do
mato, já tinham mudado "... Eis o Cordeiro de Deus, que
tira o pecado do mundo" (Jo 1:29) para "... Óia ali u pôico
du mato di Deus, e qui, si comermus, passa a fome e tira a
urucubaca di nóis". Perguntei também "E se o prato
preferido do dia a dia for fritada do besouro Rola-Bosta?"
(O escaravelho rola-bosta alimenta-se de excrementos que
encontra, rolando para a sua toca bolinhas de fezes do
tamanho dele, e lá a comendo ou depositando ovos nela, para
alimento das larvas que nascerem.) M. afastou-se muito
irritado e fazendo-me sinal de desprezo e que eu era louco.
O que me doeu mais foi, um ano depois, G., um membro de
minha igreja batista fundamentalista (o qual Deus havia
convertido numa noite em que preguei, e que depois tornou-
se aluno de Macedônia) passar a defender as mesmas coisas
de M., dizer que não via nada demais nas traduções de que
falei, e passar a me atacar e também me desprezar. Que cega
idolatria das pessoas pelos seus professores e seminários e
organizações em que se abrigam!]

Acreditamos que este tipo de coisa é errado. Quando o


tradutor se afasta do princípio de uma tradução
literal, então a mente do tradutor, a cultura e a
compreensão do povo tornam-se a autoridade, em vez
das verdadeiras palavras das Escrituras. (realce
pela tradutora)

É importante enfatizar que não estamos falando sobre uma literalidade


esculpida em madeira [rígida como um computador, sem um bilionésimo de
flexibilidade], mas sobre um firme compromisso com o legítimo texto da
Bíblia.

Destes poucos exemplos, vocês podem ver quanto a


tradução por equivalência dinâmica fica longe do
texto original. A equivalência dinâmica permite
aos tradutores esta estranha liberdade de mudar,
subtrair e acrescentar na Palavra de Deusa, a tal
extensão que ela nem mesmo pode ser chamada a
Palavra de Deus. (realce pela tradutora)

É fácil ver as não razoáveis finalidades deste


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princípio da equivalência dinâmica. Os que usam a


equivalência dinâmica não temem mudar as Palavras
de Deus, a fim de se relacionarem com as culturas
modernas. (realce pela tradutora)

Devemos nos lembrar que Deus é o Autor da


História. “E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para
habitar sobre toda a face da terra, determinando os termos já dantes
ordenados, e os limites da sua habitação;” (Atos 17:26). O profeta
Daniel sabia disso, quando testificou: “Seja bendito o nome de Deus de
eternidade a eternidade, porque dele são a sabedoria e a força; E ele
muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis;
ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos”. (Daniel
2:20-21).

Deus não foi apanhado de surpresa, quando as Escrituras foram


dadas a um povo, em um certo período da história, dentro de uma
certa cultura.

Deus havia preordenado que Sua Palavra fosse traduzida em cada


situação cultural e histórica, na qual ela fosse dada. Deus criou as
línguas hebraica e grega como veículos para a transmissão da Sua
Palavra eterna ao homem. Além disso, Deus criou a nação de Israel,
para, através dela, Ele entregar as Escrituras do Antigo Testamento. E
Deus criou o Império Romano, durante o qual Jesus Cristo veio, para
ser a expiação e propiciação do pecado do homem, e Deus criou a
igreja para, através da mesma, comunicar os mistérios das Escrituras
do Novo Testamento. Portanto, a terminologia cultural da
Bíblia não é incidental à comunicação da Palavra
de Deus; ela é essencial para essa comunicação.
(realce pela tradutora)

A terminologia cultural da Bíblia, tal como aquela relativa à


agricultura e à escravidão, deve ser
cuidadosamente traduzida do original e, depois,
ser explicada por evangelistas e pregadores. (realce
pela tradutora) Não é obra do tradutor da Bíblia assumir a obra de um
evangelista e pregador. Sem dúvida, o tradutor pode acrescentar notas
explanatórias de rodapé, se ele assim o desejar, e, desse modo, dar
definições das palavras usadas em uma nova versão. Ele também pode
fazer dicionários e comentários a serem usados em conjunção com a
tradução da Bíblia. Isto é, certamente, mais sábio do que tomar a
13

liberdade de mudar a Palavra de Deus, e era este o método seguido


pelos tradutores piedosos da antiguidade.

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA ASSUME QUE A BÍBLIA FOI


ESCRITA NUMA LÍNGUA FACILMENTE COMPREENSÍVEL ÀS
PESSOAS QUE ENTÃO VIVIAM

Este princípio é uma importante admissão básica compondo a teoria


da equivalência dinâmica. Eugene Nida diz: “Os escritores dos livros da
Bíblia esperavam ser entendidos” (Nida, Theory and Practice, p. 7).

Considerem o que foi declarado pela missionária da ABWE, Lynn


Silvernale [missionária Batista Regular em Bangladesh, autora do
horrível The New Testament in Bengali Common Language]:

“A verdade espiritual da Escritura foi originalmente escrita em língua


clara e natural, inteligível a todos os leitores. Sua linguagem se
conformava com o uso idiomático dos faladores nativos do tempo em que
ela foi escrita. Contudo, a obra iluminadora do Espírito Santo foi
necessária, a fim de capacitar leitores originais a captar a verdade
espiritual, porque a verdade espiritual deve ser discernida
espiritualmente. Quando, hoje em dia, as pessoas leem uma tradução da
Bíblia, a única barreira que devem encontrar é a espiritual, não é a
linguística, que procede do uso de uma linguagem não natural e difícil”
(Silvernale, pp. 36,37).

Silvernale está apenas declarando novamente o que ela aprendeu de


um dos principais promotores da equivalência dinâmica - John
Beekman, coordenador dos tradutores da Bíblia Wycliffe. No livro Ao
Traduzir a Palavra de Deus, co-autorado por Beekman e John Callow,
lemos esta básica admissão: “A naturalidade da tradução e a facilidade
com a qual ela é entendida, deveria ser comparada à naturalidade do
original e à facilidade com a qual os recebedores dos documentos
originais os entendiam” (p. 34).

Jakob Van Bruggen nos conta que “Beekman e Callow simplesmente


pressupõem que a forma linguística do original era natural e não difícil.
Eles escrevem que Paulo, Pedro, João, Tiago, Lucas e os outros [escritores
da Bíblia] escreveram claramente e eram entendidos, prontamente, pelos
seus leitores do Século 1” (Jakob Van Bruggen - The Future of the Bible,
14

p. 111).

Vamos ler a declaração de Silvernale e, após íntima investigação,


veremos que ela é uma sutil mistura de verdade e erro. Não é
totalmente verdade que a “Escritura foi originalmente escrita em
linguagem clara e natural, a qual era inteligível aos seus leitores”; nem
que a “sua linguagem se conformava ao uso dos faladores nativos do
tempo em que ela foi escrita”.

Até os próprios escritores da Bíblia nem sempre entendiam o que


estavam falando, conforme a declaração da 1 Pedro 1:10-11. “10 ¶ Da
qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que
profetizaram da graça que vos foi dada, 11 Indagando que tempo ou que
ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava,
anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a
glória que se lhes havia de seguir.” (1Pe 1:10-11)

O Apóstolo Pedro reconhecia que alguns escritos de Paulo eram


“difíceis de entender” (2 Pedro 3:16).

Até a suposição amplamente mantida de que Jesus falava em


parábolas, a fim de tornar os seus ensinos mais simples e claros
para os incrédulos, não é verdadeira. As parábolas do Senhor Jesus
Cristo tinham um duplo propósito - revelar a verdade aos crentes e
esconder as verdades dos incrédulos! “E, acercando-se dele os
discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? Ele,
respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do
reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; Porque àquele que tem, se
dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem
lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo,
não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem”. (Mateus 13:10-13).

Simplesmente não é verdade que a Escritura original fosse [sempre e


totalmente] clara aos faladores nativos do seu tempo.

Também não é verdade que todas as expressões idiomáticas dos


escritos originais fossem as dos faladores nativos, no tempo da escrita.
A Lei de Moisés (com o seu tabernáculo, sacerdócio e sacrifícios) foi
dada por revelação de Deus, no Monte Sinai, e grande parte da mesma
15

era totalmente estranha aos israelitas, no tempo da sua recepção. Estas


eram “figuras das coisas que estão no Céu”” (Hebreus 9:23). Os
detalhes relacionados à Lei, ao sacerdócio, ao tabernáculo e
ao seu serviço NÃO foram adaptados à cultura de
Israel. A cultura de Israel é que foi modelada e
criada pela Revelação! (realce pela tradutora)

A mesma verdade se aplica a outras partes da Escritura. O ensino sobre


a igreja do Novo Testamento é descrito como “mistérios,” o que
significa uma nova revelação do Céu. As pessoas do Século I
não sabiam mais sobre salvação, propiciação,
justificação, santificação, batismo e serviço do
Novo Testamento ou qualquer outro termo da igreja
do que as pessoas do mundo, hoje em dia. Elas
precisaram aprender a significação destas coisas
estranhas, as coisas celestiais, após terem sido
salvas, exatamente como os homens fazem, agora. Até
mesmo às palavras comuns usadas pelos apóstolos sob a inspiração do
Espírito Santo são constantemente dadas novas significações na
Escritura em vez das que eles tinham, na sua vida diária. (realce pela
tradutora)

Estas coisas bíblicas são estranhas às culturas terrenas, porque as


culturas terrenas foram formadas por homens rebeldes, que se
afastaram da Verdade e do Deus Vivo. A Verdade se perdeu desde o
início das culturas humanas e só existe imperceptivelmente, na forma
de sombras permanecendo nos escuros nevoeiros das religiões feitas
pelo homem. Não é surpresa que grande parte da Bíblia permaneça
obscura às pessoas deste mundo, pois “a nossa cidade está nos
céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”.
(Filipenses 3:20).

E, também, “Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no


maligno”. (1 João 5:19). Novamente, Jesus disse aos cristãos, "Não
são do mundo, como eu do mundo não sou " (João 17:14, 16).

A Bíblia tem grande variedade de estilo e doutrina - alguns bastante


simples para até uma criança entender, e alguns tão difíceis até
para o adulto mais letrado; alguns bastante simples para um não
16

salvo captar e alguns difíceis até para o santo mais amadurecido. Os


alunos do primeiro ano de Grego logo aprendem que o estilo da
linguagem do Novo Testamento apresenta grande variedade.
Muitos alunos do primeiro ano de Grego podem traduzir porções do
Evangelho de João com uma considerável exatidão, enquanto aos
mesmos alunos as epístolas de Paulo permanecem, na maioria,
obscuras por causa da grande dificuldade na linguagem, no estilo e
no conteúdo.

O homem não é livre para simplificar o que Deus não


simplificou! O tradutor que produz uma versão da Bíblia, na qual
as epístolas paulinas se tornam tão fáceis de ler, como o Evangelho de
João, corrompeu a Palavra de Deus. Sei que esta ideia pode parecer
uma heresia para um seguidor da equivalência dinâmica. Muitos
perguntam: “Não é sempre bom tornar a Bíblia
bastante simples para as pessoas entenderem?”
Respondo: “Não, se, fazendo isso, tivermos mudado
a Santa Palavra de Deus!”. Quem é o homem para
tornar simples o que Deus não fez simples? A
Bíblia é o Livro de Deus. Será que o homem decaído
sabe melhor do que Deus o que o homem precisa
ouvir? (realce pela tradutora)

Contrastem o pensamento dos tradutores de hoje com o do fiel


William Tyndale, da antiguidade, o primeiro a traduzir a Bíblia Em
inglês a partir do Grego e Hebraico: “Apelo a Deus para registrar,
para o dia em que aparecermos diante de nosso Senhor Jesus para
dar conta do registro de nossos feitos, de como eu jamais alterei
uma sílaba da Palavra de Deus contra a minha consciência, nem [a
alterei] até este dia, mesmo que tudo que existe na terra, quer seja
prazer, honra ou riquezas possam me ser dados”.
[2] POR QUE REJEITAMOS A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA

(David Cloud / Mary Schultze)

Além do que já vimos, os erros principais do método da equivalência dinâmica nas


traduções da Bíblia são os seguintes:
17

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA FOI CRIADA POR UM FALSO MESTRE

Seria impossível as teorias da equivalência dinâmica serem corretas e escriturais,


pelo simples fato de que foram criadas por um falso mestre. Seu nome é Eugene
Nida. Ray Van Leeuwen observa: “... Se você ler a Bíblia traduzida na segunda
metade do último século [o XX], provavelmente vai ler uma Bíblia influenciada por
Nida” (“We Really Do Need Another Bible Translation,” Christianity Today,
Outubro 22, 2001, p. 29). Em 1947, ele [Nida] publicou o devastador livro “Bible
Translating: An Analysis of Principles and Procedures, with Special Reference to
Aboriginal Languages “ (Londres: United Bible Societies). Desde então, ele tem
publicado muitos outros livros influentes, promovendo aequivalência dinâmica,
tais como:

Customs and Cultures: Anthropology for Christian Missions (New York: Harper &
Row, 1954);

God’s Word in Man’s Language (New York: Harper & Row, 1952);

Message and Mission: The Communication of the Christian Faith (New York: Harper
& Brothers, 1960);

Religion Across Cultures: A Study in the Communication of the Christian Faith


(Passadena, CA: William Carey Library, 1979);

Nida with William Reyburn -- Meaning Across Cultures: a Study on Bible Translating
(Maryknoll, NY: Orbis, c. 1981);

Nida with Charles Taber -- The Theory and Practice of Translation (Leiden:
Published for the United Bible Societies by E.J. Brill, 1974);

Nida with Jan de Waard -- From One Language to Another: Functional Equivalence
in Bible Translating (Nashville: Thomas Nelson, 1986).

Nida foi o Secretário Executivo do Departamento de Traduções da American Bible


Society, de 1946 até 1980. Desde a sua aposentadoria, ele é mantido como um
Consultor Especial Para Traduções. Ele viajou por mais de 85 países e conferiu a
obra de tradução em mais de 200 línguas diferentes. Ele tem influenciado
incontáveis tradutores da Bíblia com os seus escritos. Nida acredita que as
Escrituras eram imperfeitas e que a revelação de Deus não foi a verdade
absoluta, nem mesmo nos originais (Nida, Message and Mission, 1960 pp. 221-
222, 224-228). Ele diz que as palavras da Escritura “são, em certo sentido,
nada em e de si mesmas” (Nida, Message and Mission, p. 225). Ele nega a visão de
que as Escrituras foram escritas “numa espécie de linguagem do Espírito Santo” .
(Nida, Language Structure and Translation, 1975, p. 259). Nida afirma que “A
Bíblia é limitada e relativa” (Nida, Customs and Cultures, 1954, p. 282, f. 22). Nida
concorda em que os modernistas, os quais afirmam que o sangue de Cristo não é
18

a verdadeira oferta pelo pecado, mas uma mera “figura do custo” (Nida,
Theory and Practice, 1969, p. 53, n. 19). Nida afirma também que o sangue de
Cristo foi meramente simbólico da “morte violenta” e que ele não foi uma
oferta propiciatória a Deus pelo pecado (Nida and Newman, A Translator’s
Handbook on Paul’s Letter to Romans, on Rom. 3:25). Nida tem trabalhado
intimamente com Robert Bratcher, o qual mudou, malignamente a palavra
”sangue” para “morte”, na Versão na Linguagem de Hoje. (realce pela tradutora)

Além disso, os maiores promotores da equivalência dinâmica são a apóstata United


Bible Societies, a qual está repleta de modernistas teológicos e também trabalha
intimamente com a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). (Para a evidência da
apostasia da UBS, peça o livro do autor “Unholy Hands on God’s Holy Book: A Report
on the United Bible Societies”, disponível na Way of Life Literature.)

Deus nos deu claramente mandamentos sobre o relacionamento com a heresia.


Vejam, por exemplo, Romanos 16:17; Tito 3:9-10; 2 Timóteo 2:16-21; e 2 Timóteo
3:5.

“E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos


contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles.” (Rm 16:17)
“9 ... 10 Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o,”
(Tt 3:9-10)

“... 19 ¶ Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor
conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se
da iniqüidade. ....” (2Tm 2:16-21)

“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-


te.” (2Tm 3:5)

Amigos, Deus não nos daria a verdade importante através de hereges! Se vocês
desejam saber como se traduz a Bíblia, apropriadamente, não vão aos escritos de
homens tais como Eugene Nida e Robert Bratcher! Deus ordena que o Seu povo
marque e evite a heresia da equivalência dinâmica e dos que a promovem!

A EQUIVALENCIA DINÂMICA NEGA A NATUREZA DA BÍBLIA

Primeiro, a Bíblia é a revelação do céu! Ver Gálatas 1:11-12; 2 Pedro 1:21.


Exemplos: Moisés (Números 16:28), Davi (2 Samuel 23:2), Neemias 9:30), e os
profetas (Jeremias 1:9; 30:2; 36:2; Ezequiel 1:3; Atos 3:21). Deus entregou à Bíblia
a mensagem do céu e ela deve ser tratada assim. Ela é o Livro de Deus, não menos.
Até em cada cultura à qual a Bíblia foi dada, ela foi a escolhida Palavra de Deus e
uma parte integral da Sua revelação.
19

Segundo, a Bíblia é verbalmente inspirada. Ver a 1 Coríntios 2:12-13; Mateus 5:18;


Atos 1:16. Isto significa que as palavras e detalhes da Escritura são tão
importantes como a sua significação. (realce pela tradutora)

Aos escritores da Bíblia não foram dadas simplesmente ideias gerais e, em


seguida, recursos para a sua composição. As palavras e formas pelas quais a
mensagem foi comunicada foram estabelecidas no Céu, desde toda a
eternidade, e purificadas sete vezes. Embora ninguém possa negar que ao se
traduzir a Bíblia deva haver alguma liberdade de mudar a forma do original, a fim
de comunicar apropriadamente a mensagem do original, essa liberdade
definitivamente não se estende às liberdades tomadas pelas traduções na
equivalência dinâmica. (realce pela tradutora)

Terceiro, a Bíblia contém as profundas coisas de Deus. A linguagem bíblica é


suficiente para comunicar a Verdade eterna e divina. “Mas Deus no-las revelou
pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as
profundezas de Deus.” (1 Cor. 2:10). A linguagem da Bíblia não pode ser
comparada com nenhum dos escritos inspirados do homem. Esta é a Revelação
Divina e contém a exata Verdade, sem mistura alguma.
Há os que usam a equivalência dinâmica e, mesmo assim, professam crer na
doutrina das Escrituras, conforme descrevemos, resumidamente, no estudo acima.
Acho isso estranho. A teoria da equivalência dinâmica foi construída por homens
que não mantinham uma elevada visão da Escritura. Quando se considera a
exata natureza da Escritura, é impossível fazer o tipo de mudanças exigidas
pela equivalência dinâmica. (realce pela tradutora)

“Quando a Bíblia está sendo traduzida, sua própria doutrina quanto à sua inspiração
verbal impõe limites à função do tradutor. A Escritura nos ensina que, sendo a
Palavra de Deus escrita, sua forma, bem como o seu pensamento são inspirados.
Portanto, o tradutor da Escritura deve, acima de tudo, seguir o exato texto: Não
é sua tarefa interpretá-lo ou explicá-lo” (Ian Murray, “Which Version? A
Continuing Debate,” in The New Testament Student and Bible Translation, ed. John
H. Skilton, 1978, p. 132). (realce pela tradutora)

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA SUBSTITUI A PALAVRA DE DEUS PELOS


PENSAMENTOS DO HOMENS

O tradutor da equivalência dinâmica faz muitas mudanças nas Escrituras. Ele


simplifica as palavras, remove a “terminologia teológica”, transforma imagens
concretas em abstrações, remove e interpreta imagens e figuras da linguagem,
acrescenta material explanatório muda os verbos, abrevia sentenças, etc.

Vamos repetir alguns dos exemplos disto:


20

Romanos 3:25 - “sangue” (KJV) torna-se “morte” (TEV).


Isaías 1:18—“neve” (KJV) torna-se ”miolo de coco” (United Bible Societies
translation).

Tiago 1:17 – “o Pai das luzes” (KJV) torna-se “Deus, o Criador das luzes celestiais”
(TEV).

Efésios 1:17- “o Pai da Glória” (KJV) torna-se “o glorioso Pai” (TEV).

“Cordeiro” torna-se “filhote de foca” (tradução da Wycliffe em Esquimó).

“Figueira” torna-se “bananeira” (tradução da Wycliffe).

Este tipo de coisa é errado. Quando alguém se afasta do princípio da tradução


literal, a mente do tradutor e a cultura e compreensão das pessoas tornam-se a
autoridade, em vez das palavras das Escrituras.

É importante enfatizar que não estamos argumentando em favor de uma


literalidade esculpida em madeira [rígida como um computador, sem um
bilionésimo de flexibilidade], mas por um firme compromisso com o legitimo
texto da Palavra de Deus.

Destes poucos exemplos vemos quão distanciada a tradução por equivalência


dinâmica tem ficado do texto original.

Em terceiro lugar, a Bíblia contém as profundas coisas de Deus. A linguagem da


Bíblia é suficiente para comunicar a Verdade divina.“Mas Deus no-las revelou
pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as
profundezas de Deus.” (1 Coríntios 2:10). A linguagem da Bíblia não pode ser
comparada com a de nenhum outro dos outros escritos não inspirados do homem.
Ela é a revelação divina e contém a exata Verdade, sem mistura alguma.

Existem aqueles que usam a equivalência dinâmica e, contudo, professam crer na


doutrina das Escrituras, conforme temos descrito resumidamente no estudo acima.
Acho isso muito estranho. A teoria da equivalência dinâmica foi construída por
homens que não mantêm uma elevada visão da Escritura. Quando se considera a
verdadeira natureza da Escritura, torna-se impossível fazer o tipo de mudanças
que a equivalência dinâmica exige.

“Quando a Bíblia está sendo traduzida, a sua própria doutrina sobre a inspiração
verbal impõe limitações à função dos tradutores. A Escritura nos ensina que, na
Palavra de Deus escrita, sua forma, tanto quanto o seu pensamento, são
inspirados. Portanto, o tradutor da Escritura, acima de tudo, deve seguir o
texto: não é o seu negócio interpretá-lo ou explicá-lo.”(Ian Murray, “Which
Version? A Continuing Debate,” in The New Testament Student and Bible Translation,
ed. John H. Skilton, 1978, p. 132). [realce pela tradutora]
21

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA IGNORA AS ADMOESTAÇÕES DE DEUS SOBRE


ACRESCENTAR OU DIMINUIR A PALAVRA DE DEUS

A equivalência dinâmica ignora as admoestações de Deus sobre acrescentar ou


diminuir algo da Palavra de Deus sendo esta admoestação repetida na Lei
(Deuteronômio 4:2), nos livros poéticos (Provérbios 30:5-6), nos profetas
(Jeremias 26:2), e no final da Bíblia, (Apocalipse 22:18-19).

“Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que
guardeis os mandamentos do SENHOR vosso Deus, que eu vos mando.” (Dt 4:2)
“5 Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. 6 Nada
acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado
mentiroso.” (Pv 30:5-6)
“Assim diz o SENHOR: Põe-te no átrio da casa do SENHOR e dize a todas as
cidades de Judá, que vêm adorar na casa do SENHOR, todas as palavras que te
mandei que lhes dissesses; não omitas nenhuma palavra.” (Jr 26:2)
“18 Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste
livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as
pragas que estão escritas neste livro; 19 E, se alguém tirar quaisquer palavras do
livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e
das coisas que estão escritas neste livro.” (Ap 22:18-19)

Os que seguem a equivalência dinâmica reconhecem estas admoestações e, muitas


vezes, arranjam espertas maneiras de explicar como as desobedecem, em suas
paráfrases. Mas, ao final [das contas], é claro que as advertências são
simplesmente ignoradas. [realce pela tradutora]

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA ROUBA DOS HOMENS AS PALAVRAS DE DEUS

Considerem as seguintes Escrituras, as quais mostram a importância de cada


palavra da Bíblia Deuteronômio 8:3; Mateus 4:4; Lucas 4:4; Gálatas 3:16; João
10:35.

“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não


conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem
não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o
homem.” (Dt 8:3)
“Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem,
mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” (Mt 4:4)
“E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o
homem, mas de toda a palavra de Deus.” (Lc 4:4)
“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendênciA. Não diz: E àS
descendênciaS, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua
descendênciA, que é Cristo.” (Gl 3:16)
22

“Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a
Escritura não pode ser anulada),” (Jo 10:35)

Mesmo assim, os proponentes da equivalência dinâmica deixam o leitor sem acesso


às exatas palavras de Deus. Eles têm os pensamentos gerais do original, em alguns
casos, mas as exatas palavras e a exata e total significação foram roubadas! O leitor
das versões na equivalência dinâmica não pode meditar em cada palavra e detalhe
da Escritura, porque não tem uma tradução exata.

Temos visto muitos exemplos de como as traduções da equivalência dinâmica


roubam das pessoas a Palavra de Deus. Considerem mais um. A Bíblia contém
ambiguidade, significando frases e expressões que podem ter mais de uma
significação. A equivalência dinâmica geralmente interpreta estas frases ou figuras
de linguagem, de modo que ao leitor seja dada somente uma possível significação
[das duas possíveis]. Considerem uma porção de exemplos:

A Bíblia fala do “evangelho de Jesus Cristo” (Marcos 1:1). No mesmo instante, "o
evangelho de Jesus Cristo" pode significar que o evangelho é de propriedade de
Jesus Cristo, como que é proveniente-de Jesus Cristo, como que é sobre Jesus Cristo.
As Bíblias de equivalência dinâmica, como a NIV e a TEV e a NLT mudam isso,
dando uma [só] possível interpretação - “o evangelho sobre Jesus Cristo” e, assim,
substituindo a ampla interpretação original por uma estreita interpretação.

Jesus prometeu bênção a todos os que são ”pobres de espírito”! (Mateus 5:3). Esta
expressão tem uma riqueza de interpretação. Ela se refere à humildade, um
reconhecimento e aceitação da pecaminosidade e indignidade de alguém, sob a
completa dependência de Deus, e outras coisas. A equivalência dinâmica
enfraquece isto, escolhendo uma estreita significação e substituindo a Palavra de
Deus pela interpretação do tradutor. A NLT lê, “Deus abençoa os que verificam a sua
necessidade dele”. A CEV escolhe outra significação estreita:“Deus abençoa os que
dependem somente dele.” A Mensagem a enfraquece, ainda mais, com “você é
abençoado, no final da sua corda”. Uma pessoa pode estar no “final da corda”, sem
depender de Deus, ou sem reconhecer a sua verdadeira destituição espiritual, etc.

O termo “Senhor das hostes” é rico em significação. Ele descreve Deus, o Senhor
das multidões, referindo-se ao Seu poder, Sua soberania, Sua realeza, Sua grandeza,
Sua riqueza, Seu conhecimento, Seu zelo contra os inimigos, e muitas outras
coisas. A NVI muda isto para “Senhor Todo-Poderoso”, o que limita a sua
significação.

O autor do livro Cânticos de Salomão compara os olhos de sua amada com “olhos
de ‘pombas’” (Cântico de Salomão 4:1). Esta metáfora é rica em significação. As
pombas são belas, gentis, pacíficas, macias e ternas. Elas andam em pares; batem
23

as asas como uma mulher mexendo as sobrancelhas, etc. A NLT escolhe apenas
uma destas significações, a da maciez, e substitui o original com esta significação -
“teus olhos são macios como os das pombas”. A TEV acaba com toda a metáfora e a
substitui por uma significação totalmente diferente: “Como os teus olhos brilham
com amor”.

Isto se torna mais assustador, quando consideramos o fato de que a equivalência


dinâmica não é apenas uma técnica usada em traduções de porções da Bíblia, para
distribuição entre os não salvos, na obra evangelística. Este método de corrupção
está realmente (e com rapidez) substituindo o conceito mais antigo da tradução
literal, com as novas versões na equivalência dinâmica sendo produzidas pelas
United Bible Societies e outras sendo geralmente destinadas a SUBSTITUIR as
antigas versões literais.

Muitos dos que usam a equivalência dinâmica imaginam estar ajudando as pessoas,
ao trazer a Palavra de Deus ao seu nível. Realmente, estes são ladrões, que estão
condenando as pessoas a nunca possuírem as verdadeiras Palavras de Deus.
[realce pela tradutora]

“Os leitores de uma Bíblia em inglês não deveriam ficar à mercê da interpretação de
uma passagem feita pelo comitê de tradução. Eles têm o direito de tomarem [eles
mesmos] a responsabilidade de entender o que a passagem significa. Além disso, uma
tradução deveria preservar todo o potencial energético do texto original.... As
Bíblias da equivalência dinâmica nos dão repetidamente, uma Bíblia
unidimensional, quando o original é multidimensional. O resultado é uma perda da
riqueza de significação que o original incorpora, e de um movimento organizado
que mantém os leitores (de fala inglesa) longe do que o original realmente diz.”
(Ryken, The Word of God in English, pp. 194, 195, 209).

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA CONFUNDE A ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL COM O


ENTENDIMENTO NATURAL

Considerem as seguintes Escrituras, as quais ensinam que o homem não é capaz


de entender a Palavra de Deus à parte da assistência divina: 1Coríntios 2:14-16;
João 16:8-13; Mateus 13:9-16; Lucas 24:44-45; Atos 11:21; 16:14; Provérbios 1:23.

“14 Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus,


porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se
discernem espiritualmente. 15 Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele
de ninguém é discernido. 16 Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que
possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.” (1Co 2:14-16)
“8 E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. 9
Do pecado, porque não crêem em mim; 10 Da justiça, porque vou para meu Pai, e
não me vereis mais; 11 E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.
12 Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. 13
24

Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a
verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos
anunciará o que há de vir.” (Jo 16:8-13)
“9 Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 10 E, acercando-se dele os discípulos,
disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? 11 Ele, respondendo, disse-lhes:
Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é
dado; 12 Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que
não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. 13 Por isso lhes falo por
parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem
compreendem. 14 E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo,
ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis. 15
Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com
seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E
ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu
os cure. 16 Mas, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos
ouvidos, porque ouvem.” (Mt 13:9-16)

“44 E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco:
Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés,
e nos profetas e nos Salmos. 45 Então abriu-lhes o entendimento para
compreenderem as Escrituras.” (Lc 24:44-45)

“E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao


Senhor.” (At 11:21)

“E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira,


e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que
estivesse atenta ao que Paulo dizia.” (At 16:14)
“Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei
abundantemente do meu espírito e vos farei saber as minhas palavras.” (Pv
1:23)

A equivalência dinâmica falha em reconhecer a raiz do problema relativo à


incapacidade do homem de entender a Palavra de Deus, o que é cegueira
espiritual e não ignorância cultural ou falta de escolaridade. [realce pela
tradutora]
Vemos um exemplo disso em Atos 13:44-48.

“44 E no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de
Deus. 45 Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e,
blasfemando, contradiziam o que Paulo falava. 46 Mas Paulo e Barnabé, usando
de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra
de Deus; mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis
que nos voltamos para os gentios; 47 Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu
25

te pus para luz dos gentios, A fim de que sejas para salvação até os confins da
terra. 48 E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do
Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.” (At
13:44-48)
Aqui, os judeus, em cujo estabelecimento cultural a Bíblia foi primeiramente
escrita, rejeitaram as Escrituras, que os idólatras gentios aceitaram. Cultura e
língua não eram o problema e isto continua sendo verdade, ainda hoje.

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA CONFUNDE TRADUÇÃO COM EVANGELISMO E


ENSINO

O tradutor precisa traduzir fielmente as palavras e a mensagem do original à


língua do receptor, tão literalmente como possível. Ao fazer assim, obviamente
ele deveria tentar fazer a tradução tão clara COMO POSSÍVEL aos leitores, sem
causar dano às palavras originais e à forma. O tradutor não é livre para
simplificar o que Deus não simplificou. Uma absoluta fidelidade ao original
deveria ser a preocupação maior do tradutor da Bíblia. [realce pela tradutora]

Portanto, é trabalho do mestre e do evangelista explicar essa mensagem às


pessoas. O tradutor da Bíblia, cujo objetivo predominante mudar para ser
tornar a Bíblia clara aos não salvos, torna-se um corruptor da Bíblia. [realce
pela tradutora]

O eunuco etíope estava lendo as Escrituras e não conseguia entender o que lia. O
trabalho do evangelista Felipe foi explicar as Escrituras a este homem (Atos 8:26-
33). Se Felipe tivesse acreditado nas teorias da equivalência dinâmica, ele poderia
ter voltado para casa após esta experiência, e reescrito e simplificado o Livro de
Isaías, que o eunuco etíope estava lendo! Não é óbvio que o etíope sincero, mas não
salvo, não fora capaz de entender a Bíblia? Não é óbvio que muitos outros homens
devem estar na mesma condição deste etíope? Não é óbvio que não existe um
número suficiente de evangelistas para falarem pessoalmente a cada pessoa
perdida, a fim de explicar-lhes a Bíblia? Então, devemos reescrever a Bíblia e
mudar as suas palavras difíceis e antiquadas (o Livro de Isaías tinha já uns 800
anos de idade, quando o eunuco o estava lendo), a fim de que os não cristãos
possam captá-la e “entende-la sem dificuldade?” “Certamente isso iria agradar a
Deus”. É este o pensamento mantido comumente entre os que promovem a
equivalência dinâmica.

Mas, Felipe e os antigos líderes cristãos teriam preferido cortar as mãos, em


vez de rasurar as santas Palavras de Deus. Este Livro é Sagrado! Será mesmo?
É correto escrever “Bíblia Sagrada”, na capa deste livro? Sim, o nome de Deus é
santo e reverendo, conforme nos ensinam as Escrituras (Salmo 111:9), mas
também lemos “engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome“ (Salmo
138:2)! Se o nome de Deus é santo e reverendo e Ele tem reverenciado a Sua
26

Palavra acima do Seu nome, então a Sua Palavra é até mais santa e reverenda
do que o Seu nome! Admirável, mas verdadeiro! Lamentamos sobre os que estão
mudando este Livro absolutamente santo! [realce pela tradutora]

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA REBAIXA A BÍBLIA AO NÍVEL DAS PESSOAS, EM


VEZ DE ELEVAR AS PESSOAS AO NÍVEL DA BÍBLIA

A equivalência dinâmica é uma metodologia de cabeça para baixo [invertida, ao


contrário da vontade de Deus]. Em vez de elevar as pessoas ao nível da Bíblia,
através da educação, ela procura rebaixar a Bíblia ao nível natural da ignorância
espiritual das pessoas. “Em vez de rebaixar a Bíblia ao mais baixo
denominador comum, por que não educar as pessoas, a fim de que elas
alcancem o nível exigido para experimentarem a Bíblia em toda a sua riqueza
e exaltação? Em vez de esperar o mínimo dos leitores da Bíblia, deveríamos esperar
deles o máximo! A grandeza da Bíblia exige o máximo, não o mínimo. ... A Bíblia mais
difícil nas modernas traduções em inglês - a King James - é usada na maior parte por
segmentos da nossa sociedade, os quais têm uma cultura relativamente baixa,
conforme definido pela educação formal. ... a pesquisa tem mostrado, repetidamente,
que as pessoas são capazes de se surpreenderem e até de atingir admiráveis
habilidades no sentido de ler e dominar um assunto que é muito importante para
elas. ... Se os leitores modernos são menos adeptos da teologia do que deveriam
ser, a tarefa da igreja é educá-los, em vez de entregar-lhes traduções da Bíblia,
as quais os privem, permanentemente, do conteúdo teológico que, de fato,
está presente na Bíblia.” (Leland Ryken, The Word of God in English, pp. 107, 109).
[realce pela tradutora]

Isso é exatamente o que dizemos aos que criticam a BKJ, como sendo difícil demais
para os modernos leitores ingleses. A BKJ contém um certo número de palavras [e
construções] "fora de moda", mas o problema não é difícil de se contornar. O seu
vocabulário é até muito menor do que o das versões modernas. A maior parte das
palavras consta de uma ou duas sílabas. Suas frases são curtas e pequenas. Não é
difícil aprender o que “thee, thou, and thine” [tu, ti, e teu] significam. Não é difícil
aprender o que umas 100 palavras antiquadas significam, que “quick” significa
“vivo,” etc. O que se exige? Estudo! E é exatamente isso que Deus exige dos que
“manejam bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15).

Em vez de traduzir a Bíblia, de modo que ela pareça dirigida a um leitor do sexto
ano escolar [11 anos de idade], ou ao nível do jornal da manhã, precisamos traduzi-
la exata e majestosamente, e, depois educar as pessoas, a fim de que elas possam
entende-la. [N.T. – Dificilmente, uma pessoa que lê, regularmente, uma BKJ
continua falando errado!]
27

Nós fazemos isso promovendo ferramentas de estudos bíblicos, tais como


dicionários, comentários e concordâncias. Nada existe de novo neste processo. É
um processo que ainda funciona bem, e falo com a minha experiência de
missionário.

“E quanto aos não salvos?”, você pergunta. A Bíblia, como um todo, não foi
escrita para os não salvos. O seu evangelho é que foi escrito para os não
salvos (Romanos 1:16: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo,
pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do
judeu, e também do grego.”) e podemos tornar o evangelho tão simples como
for necessário aos perdidos (através do evangelismo pessoal, de folhetos, de
áudios e vídeos evangelísticos, de programas de rádio, etc.), sem tentar
rebaixar o nível da Bíblia. Conforme foi visto, traduzir a Bíblia de modo que os
não salvos possam entende-la sem ajuda, é sempre uma impossibilidade, porque
eles não podem entende-la, se não tiverem nascido de novo. “Ora, o homem
natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem
loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”
(1 Coríntios 2:14).

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA CONFUNDE INSPIRAÇÂO COM TRADUÇÃO

A teoria da equivalência dinâmica é que o tradutor deveria indagar: “Como Moisés


e Paulo iriam escrever, se vivessem hoje? Beekman and Callow desenvolvem este
pensamento ao traduzir a Palavra de Deus. Os escritos originais era tanto naturais
na estrutura como significativos no conteúdo. Quando dizemos que as Escrituras são
naturais na forma, estamos dizendo apenas que, tendo sido escritas por narradores
nativos, elas ficaram entre as fronteiras do natural, no Hebraico, Aramaico, ou Grego
Koiné. O uso de palavras e suas combinações; a sintaxe; a morfologia – tudo foi
natural. Esta característica do original deveria ser também encontrada em uma
tradução” (Beekman and Callow, Translating the Word of God, p. 40).

A equivalência dinâmica ensina que os tradutores devem fazer esta pergunta: “O


que diriam os escritores da Bíblia, se estivessem falando hoje?”Este pensamento é
falho. Ele confunde inspiração e autoria com tradução. Um autor tem autoridade
para escrever o que lhe agrada. No caso da Bíblia, o Autor foi Deus e os secretários
foram os vários escritores humanos. Os escritores humanos da Bíblia receberam as
palavras através do processo de inspiração. O tradutor não é outro autor, nem
está um tradutor recebendo a Escritura através da inspiração divina; ele está
apenas traduzindo algo para uma outra língua. O trabalho do tradutor da
Bíblia é traduzir exatamente o que Deus escreveu. Seu trabalho não é
adaptar as imagens da Bíblia à cultura moderna. [realce pela tradutora]

Além disso, o tradutor, além de não ter autoridade para modificar a Escritura,
28

não tem a menor possibilidade de saber o que os escritores da Bíblia iriam


dizer, hoje em dia. A exata ideia de que poderíamos executar esta tarefa é pura
ficção. [realce pela tradutora]

“Os escritores bíblicos não estão escrevendo hoje. Eles escreveram há milênios!
Imaginá-los como escrevendo numa era em que não o estão fazendo, é engajar-
se numa ficção, o que distorce os fatos da situação.... Não queremos uma Bíblia
especulativa. Precisamos de uma Bíblia embasada na certeza. O que é certo é o que
os escritores bíblicos realmente disseram e escreveram”. (Leland Ryken, The
Word of God in English, pp. 98, 99). [realce pela tradutora]

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA TENTA O IMPOSSÍVEL

Temos visto que a equivalência dinâmica tenta reescrever a Bíblia para hoje, o que
é uma tarefa impossível. De várias maneiras, a equivalência dinâmica tenta coisas
impossíveis. Consideremos algumas destas:

A primeira coisa é que a equivalência dinâmica tenta reter a exata


significação do original, conquanto permitindo grandes mudanças ao
adaptar a mensagem bíblica à linguagem e cultura do povo receptor.
Considerem a seguinte declaração feita pelo tradutor da United Bible Societies,
Thomas Headland:

“O objetivo na tradução da Bíblia é fazer uma tradução comunicar-se com a cultura


em vista, sem que ela precise aprender sobre a cultura greco-judaica, embora, ao
mesmo tempo, permanecendo fiel à exclusividade do conteúdo histórico e teológico
das Escrituras. Tarefa não simples!” (Thomas N. Headland, “Some Communication
Problems in Translation,” Notes on Translation, No. 88, April 1982, p. 28).

Headland diz que isso não é uma tarefa simples. Ele está errado, pois é uma tarefa
impossível! Deus escolheu revelar a Sua Palavra dentro de um contexto da cultura
judaico-grega, e quem muda a Bíblia a tal ponto que os leitores possam entende-la,
sem nada conhecer a respeito dessa cultura, corrompe a Escritura.

Neste ponto, precisamos observar que os proponentes da equivalência dinâmica


inevitavelmente afirmam que suas traduções são fieis ao texto original. Todos os
gurus da equivalência dinâmica afirmam isto. Na publicação da United Bible
Societies - Bible Translations for Popular Use, William Wonderly afirma que as
versões na equivalência dinâmica são fieis ao original:

“Nas traduções supra mencionadas, [a TEV, Living Bible, Spanish Popular Version,
French Common Version, e a Today’s Dutch Version, etc.] várias técnicas têm sido
usadas, a fim de produzir uma versão mais significativa para os leitores a quem são
destinadas, PERMANCEDNDO DENTRO DOS LIMITES DA FIDELIDADADE AO
ORIGINAL, DE UM LADO, e com o uso de um estilo aceitável, do outro.” (p. 75).
29

A publicação do tradutor da Wycliffe - Translating the Word of God de John


Beekman e John Callow – também afirma que o objetivo da equivalência dinâmica é
sempre a fidelidade ao texto original:

“O objetivo seria uma tradução que fosse tão rica no vocabulário, tão idiomática no
fraseado, tão correta na construção, tão fluente no pensamento, tão clara na
significação e tão elegante no estilo e que não pareça, de modo algum, com uma
tradução e, contudo, AO MESMO TEMPO, TRANSMITA FIELMENTE A MENSAGEM
DO ORIGINAL”(p. 32).

A Versão no Inglês de Hoje [TEV] afirma o seguinte:

“A Bíblia na Versão no Inglês de Hoje é uma nova tradução QUE ESTABELECE CLARA
E EXATAMENTE A SIGNIFICAÇÃO DOS TEXTOS ORIGINAIS, em palavras e formas
amplamente aceitas por todas as pessoas que usam o inglês como meio de
comunicação” (Foreword, Holy Bible Today’s English Version with
Deuterocanonicals/Apocrypha, American Bible Society, 1978).

A Contemporary English Version [Versão em Inglês Contemporâneo] afirma o


seguinte:

“Toda tentativa foi feita para produzir um texto QUE SEJA FIEL À SIGNIFICAÇÃO DO
ORIGINAL e que possa ser lido e entendido com facilidade pelos leitores de todas as
idades”.(“Translating the Contemporary English Version,”Bible for Today’s Family
New Testament, American Bible Society, 1991).

“Apanhamos o pensamento original e o convertemos à linguagem de hoje. NESTE


CASO, PODEMOS SER MAIS EXATOS DO QUE A TRADUÇÃO VERBAL” (Evangelism
Today, Dec. 1972).

Deveria ser óbvio que tais afirmações nada significam! Temos visto exemplos
destas versões, mostrando que elas são tudo, menos fieis. Até a significação geral
do original é mudada. Não me importo com o que o tradutor diz. Se a sua tradução
é uma perversão da Palavra de Deus, não permito que ele se esconda por trás de
sua afirmação de ser fiel à Bíblia!

Vamos considerar uma segunda impossibilidade da equivalência dinâmica.


Ela diz que os tradutores podem saber o que impressionou os ouvintes da
Bíblia, séculos atrás. Um dos objetivos da equivalência dinâmica é tentar
reproduzir a mesma reação nos modernos leitores de suas versões. Isto se chama
tradução impactante.

Quanto isto é absolutamente impossível! Não podemos saber como os homens,


séculos atrás, ficaram impressionados com a Palavra de Deus, quando esta lhes foi
falada.
30

Além disso, tem havido reações diferentes à mesma Palavra em ouvintes


diferentes. Um lampejo disto é visto em Atos 17, conforme a mensagem de Paulo
aos atenienses. Todos escutaram a mesma mensagem de Deus, naquele dia, mas
alguns zombaram, alguns resolveram protelar a decisão e alguns creram. (Atos
17:32-33).
“32 ¶ E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e
outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez. 33 E assim Paulo saiu do
meio deles.” (At 17:32-33)

O trabalho dos tradutores da Bíblia não é tentar criar uma certa reação no ouvinte,
mas concentrar-se numa tradução fiel das sagradas e eternas Palavras de Deus. A
mente do tradutor deve estar mais especialmente conectada à fidelidade da
linguagem e não aos indivíduos que irão recebê-la. Quando a tradução é
completada e a pregação tem início, os homens vão corresponder de várias
maneiras, como têm sempre correspondido à Palavra de Deus - alguns zombando,
alguns ignorando, alguns protelando a sua decisão e outros crendo.

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA ESTÁ EMBASADA EM MEIAS VERDADES

Como todo erro, a equivalência dinâmica está embasada em muitas meias


verdades. Os escritos dos proponentes da equivalência dinâmica contêm muitas
coisas com as quais concordamos; contudo, eles ultrapassam a verdade.
Considerem algumas das meias verdades da equivalência dinâmica:

Primeira, a equivalência dinâmica diz que uma tradução totalmente literal


não é correta.

Os que promovem a equivalência dinâmica começam, inevitavelmente, dando


exemplos de traduções amplamente impróprias e usando estas como justificativas
à sua metodologia da paráfrase. Eugene Nida faz isso na obra - Every Man in His
Own Language:

“Traduções literais – as mais fáceis e mais perigosas - são a fonte de muitos erros. ...
Uma coisa é falar de ‘brasas vivas sobre a cabeça’ de alguém, quando nos
encontramos numa reunião da congregação, e outra é dizer isso numa parte da
África, onde as pessoas poderão entender erroneamente como sendo um ‘método de
tortura e morte’”. (Eugene A. Nida, God’s Word in Man’s Language, Harper and
Brothers, 1952, p. 17).

[N.T. - Em um bairro de Duque de Caxias (RJ), uma mulher escutou isso numa
igreja pentecostal. Quando o marido chegou em casa, embriagado, e quis agredi-la,
31

ela foi até a cozinha, apanhou brasas no fogão à lenha e as entornou sobre a cabeça
do marido].

Este é um tipo de argumentação conhecida como "argumento por degolar um


espantalho." [Nota da Tradutora: seu adversário defende uma afirmativa ou
posição correta, X, mas você a distorce para Y, depois destrói Y a golpes de espada,
por fim canta vitória com se tivesse destruído X.] Vamos chamar a atenção para as
impróprias liberdades da equivalência dinâmica, que os proponentes usam com
relação à Palavra de Deus. A solução para uma tradução com literalidade esculpida
em madeira [rígida como um computador, sem um bilionésimo de flexibilidade]
não se encontra na equivalência dinâmica, mas numa razoável e espiritual
tradução, que se esforce ao máximo para ser fiel às palavras e formas originais;
sem tomar as liberdades da equivalência dinâmica, antes permitindo que a Palavra
de Deus diga o que ela realmente diz, em vez de mudá-la - mesmo que seja por
amor à simplificação. A metodologia apropriada à tradução da Bíblia tem sido
chamada “uma tradução essencialmente literal” e “uma tradução na equivalência
formal”, como opostas à tradução na equivalência dinâmica.

Segunda, a equivalência dinâmica diz que o tradutor deve interpretar.

É verdade! Um exemplo se encontra em Isaías 7:14, onde é possível traduzir a


palavra hebraica “almah” tanto como “mulher jovem” ou como “virgem.” O
tradutor crente na Bíblia, que honra Cristo, sempre vai escolher “virgem”, porque
sabe que o verso é uma profecia messiânica sobre o nascimento virginal de Cristo.
Este é o resultado da interpretação.

Temos aqui outro exemplo. Na língua do Nepal, não existe qualquer termo
genérico para “vinho”, como existe no Grego e no Hebraico [Nota da Tradutora: no
inglês antigo, a palavra "wine" aplicava-se mais frequentemente ao líquido
fermentado, mas também se aplicava ao não fermentado: Benjamin Marin’s Lingua
Britannica Reformata or A New English Dictionary, publicado em 1748, define
"wine" como "1. the juice of the grape. 2. a liquor extracted from other fruits
besides the grape. 3. the vapours of wine, as wine disturbs his reason." Note que o
primeiro significado aqui dado a "wine" é "o suco da uva," sem qualquer referência
a fermentação.] Portanto, o tradutor deve interpretar a mensagem de João 2,
quando está selecionando uma palavra na língua do Nepal para “vinho”. Ele deve
traduzir como “suco de uva” ou “bebida forte”, etc., dependendo do contexto.

Todos os tradutores encaram isso, mas o fato de que o tradutor tem que
interpretar [entender o significado de] as coisas na Escritura, antes de que elas
sejam traduzidas, não justifica as liberdades extremas que estão sendo tomadas
pelas versões na equivalência dinâmica.
32

Além disso, existe uma vasta diferença entre a necessidade de interpretar


palavras e a de interpretar passagens. Considerem o seguinte, de Leland Ryken,
professor de inglês, no Wheaton College: [realce pela tradutora]

“Sempre que um tradutor decidir que uma determinada palavra inglesa capta
melhor a significação de uma palavra, no texto original, a decisão implica numa
interpretação. Mas, existe uma crucial diferença entre a interpretação linguística
(decisões sobre qual a palavra em inglês que melhor expressem as palavras gregas e
hebraicas) e a interpretação temática da significação de um texto. Deixar de
distinguir entre estes dois tipos de interpretação pode conduzir, tanto à
confusão como ao abuso, numa tradução.... Chegou a hora de convocar uma
moratória sobre a mal dirigida e principalmente falsa afirmação de que toda
tradução é interpretação. [realce pela tradutora]

Para as traduções essencialmente literais, tradução é tradução, e a tarefa do


tradutor é expressar o que diz o original. Somente para as traduções em
equivalência dinâmica, toda tradução é, potencialmente, interpretação – algo
acrescentado ou mudado no original, a fim de produzir o que os tradutores acham
que a passagem significa.”(Ryken, The Word of God in English: Criteria for Excellence
in Bible Translation, 2002, pp. 85, 89). [realce pela tradutora]

Terceira, a equivalência dinâmica diz que as pessoas para quem a tradução


está sendo feita devem ser consideradas.

Novamente, é verdade! Cada tradutor deve ter em mente as pessoas para quem ele
está traduzindo, mas isto não significa que ele deva mudar ”figueira” por
“bananeira”, “sangue” por “morte” ou “graça” por “bondade”, ou “santos” por
“povo de Deus”, ou ”pastores” por “oficiais da igreja”!

Quarta, a equivalência dinâmica diz que algumas coisas implícitas devem ser
transformadas em explícitas

Isso é verdade! Por exemplo, algumas vezes, palavras devem ser acrescentadas à
tradução, a fim de tornar a passagem mais inteligível e/ou para trazer as palavras
implícitas no original. Um exemplo disto é o das palavras que aparecem em itálico,
na Versão BKJ. Estas palavras foram acrescentadas pelos tradutores, mas não se
encontram explicitamente nos textos originais. Esse tipo de coisa é essencial numa
obra de tradução da Bíblia e tem sido feita. Mas, ao contrário deste importante
princípio de tradução, temos a perversão da equivalência dinâmica no seguinte
exemplo de Isaías 53:1, na Versão na Linguagem de Hoje, em inglês:
33

BKJ - “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do


SENHOR?” [realce pela tradutora]

TEV – “O povo replicou, ‘Quem teria acreditado em nosso relatório? Quem poderia ter
visto a mão de Deus nisto?’” [realce pela tradutora]

[NTLH, em português:

<< O povo diz: “Quem poderia crer naquilo que acabamos de ouvir? Quem diria que
o SENHOR estava agindo?>> [realce pela tradutora]

As coisas acrescentadas e mudadas nesta passagem ilustram que a equivalência


dinâmica ultrapassa quaisquer limites de uma tradução fiel. Contra a autoridade da
Palavra, os tradutores da TEV acrescentaram “povo replicou” a esta passagem.
Com que autoridades eles mudaram os tempos dos verbos? Com que autoridade
eles mudaram “o braço do Senhor” para “mão do Senhor”? Tradutores que fazem
este tipo de coisa querem afirmar que estão apenas tornando explícito o que
já está implícito [no texto original]. Mas, na realidade, eles estão
corrompendo a Palavra de Deus. Nenhuma destas mudanças está realmente
implícita neste verso. [realce pela tradutora]

Considerem outro exemplo. Agora, vamos comparar Efésios 3:-2-4 na BKJ, com a
Versão em Inglês Contemporâneo CEV):

BKJ -“Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para
convosco me foi dada; Como me foi este mistério manifestado pela revelação,
como antes um pouco vos escrevi; Por isso, quando ledes, podeis perceber a
minha compreensão do mistério de Cristo.”

CEV - " Você certamente ouviu falar sobre a bondade de Deus em escolher-me para
ajudá-lo. Na verdade, esta carta diz-lhe um pouco sobre como Deus me mostrou os
Seus caminhos misteriosos. Ao ler a carta, você também vai descobrir o quão bem
eu realmente compreendo o mistério a respeito de Cristo."
“You have surely heard about God’s kindness in choosing me to help you. In fact,
this letter tells you a little about how God has shown me his mysterious ways. As
you read the letter, you will also find out how well I really do understand the
mystery about Christ.”

Vemos que as liberdades tomadas pelos tradutores da equivalência dinâmica


ultrapassam quaisquer fronteiras da tradução bíblica. Isso acontece com
praticamente qualquer exemplo que poderia ser dado destas versões.
Simplesmente elas não são fieis. Os proponentes da equivalência dinâmica
não o admitiriam; mas, amigos, é a pura verdade! A equivalência dinâmica
(sob qualquer nome) é uma arrogante metodologia, que os homens de Deus da
34

antiguidade, como William Tyndale e Adoniram Judson iriam rejeitar, com


tremendo desgosto.

A equivalência dinâmica é especialmente perigosa por ser uma sutil mistura de


verdade e erro. Muitos dos que estão seguindo este método de tradução têm
aceitado um bolo amargo da equivalência dinâmica, por causa da mistura
adocicada nele colocada. Seus princípios podem soar tão razoáveis! Mas a
verdade é que a equivalência dinâmica é uma perversão da Escritura.

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA É UMA RESPOSTA IMPRÓPRIA PARA CADA


PROBLEMA REAL

Os promotores da equivalência dinâmica usam exemplos da obra de tradução nas


nações em desenvolvimento entre povos iletrados, para justificar a sua
metodologia. Vejam o que diz a tradutora Lynn Silvernale [missionária Batista
Regular (ABWE) em Bangladesh, autora do horrível The New Testament in Bengali
Common Language]:

“Como falar de ovelha para um povo que nunca escutou uma palavra sobre este
animal? O que usar para ‘vinho’ numa linguagem de um povo que só conhece ‘suco
de uva’ e bebida forte? Como expressar termos e conceitos teológicos, como
‘justiça’,‘justificação’, ‘propiciação,’ que são um grande desafio para a maioria dos
tradutores? Em muitos povos tribais, tais conceitos são estranhos e não existem
termos disponíveis para expressá-los. É preciso gastar meses e anos, a fim de
encontrar um termo adaptável à sua língua, para ideias abstratas, como ‘amor’ e
‘santidade’. Para se ter uma ideia do que está envolvido, tente expressar
“propiciação” da maneira mais breve e com a maior clareza possível para um
tradutor colocar na língua que não tenha estes termos” (Silvernale, By the Word).

Assim declarado, o problema pode fazer com que a equivalência dinâmica pareça
correta e razoável. São estes os problemas que os tradutores e missionários têm
encarado [através de todos os séculos, mas sempre traduzindo com máxima
literalidade e fidelidade, e superando as dificuldades com notas de rodapé,
comentários, explicações, etc.]; mas, somente nos últimos anos, o arrogante
conceito da equivalência dinâmica, com a sua forma de mudar a Palavra de Deus,
tem sido apresentado por homens sem Deus, como uma solução para adaptar a
Palavra de Deus à cultura moderna. Culturas estranhas não representam o único
problema usado para ilustrar a suposta necessidade da tradução em equivalência
dinâmica. As publicações da United Bible Societies estão repletas de problemas
sobre crianças abandonadas e os sem teto, para entenderem as Escrituras.

É verdade que existem tremendos problemas envolvidos na tradução da Bíblia,


para culturas estranhas e pessoas iletradas. Mas, nunca é correto mudar a
Palavra de Deus, a fim de adaptá-la a uma cultura. A solução correta é
35

traduzir literalmente a Bíblia, e explicá-la em notas de rodapé, dicionários e


comentários. [realce pela tradutora]

E quando a língua for primitiva demais [estamos falando hipoteticamente. Não


acreditamos que haja língua tão primitiva] para comportar as Escrituras? Eu digo:
então, não se traduza a Bíblia nessa língua! Posso escutar agora os gemidos dos
que têm a [louvável] atitude mental de Wycliffe. Mas, quem deu ao homem
permissão para mudar a Palavra de Deus? Deus diz: “Toda a Palavra de Deus é
pura; escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras,
para que não te repreenda e sejas achado mentiroso.” (Provérbios 30:5-6). É
isso que Deus diz e eu admito que seja esta a Sua palavra final neste assunto!

À luz da admoestação de Deus para não se modificar [em nada] a Sua Palavra, eu
poderia sugerir que o método apropriado para traduzí-la seria este: Primeiro,
simples porções das Escrituras podem ser traduzidas e usadas na evangelização. À
medida em que o número de convertidos aumentar, dentro de um grupo da mesma
língua, porções da Escritura podem ser traduzidas e usadas para ensinar os novos
cristãos a respeito das coisas de Deus. Em seguida, uma nova tradução das
Escrituras, na linguagem simplificada 'pidgin' local que usam para fazer negócio
[com os "civilizados"], para treinar os líderes da tribo, os quais, por sua vez,
podem ensinar ao seu próprio povo e melhorar o processo. Através destes meios,
depois de um certo tempo, a língua de um grupo pode ser desenvolvida, de modo
que, eventualmente, ela possa ser usada para ensinar toda a Palavra de Deus.
Devemos nos lembrar que a Bíblia precisou de 230 anos para ser aperfeiçoada no
inglês, desde a primeira tradução de Wycliffe, do Latim, em 1380, até a BKJ, em
1611. Durante esse período, a própria língua inglesa estava sendo aperfeiçoada e
amadurecida, a partir das suas raízes: anglo-saxônica, latina, francesa e outras
línguas.

O método acima é o que tem sido usado, sucessivamente, durante séculos, pelos
fieis missionários, que jamais usariam a equivalência dinâmica. A Bíblia deveria
elevar as pessoas em direção ao céu e não abaixar o céu em direção às
pessoas. A equivalência dinâmica é um retrocesso, um modo distorcido de
pensamento. A Bíblia não diz que as Escrituras devem ser traduzidas em cada
língua. Ela diz que o Evangelho deve ser pregado a toda criatura (Marcos 16:15).
Embora o Evangelho possa ser traduzido em cada língua, o mesmo não tem que
necessariamente ser verdade com relação a toda a Bíblia.

Muitos fazem pouco da ideia de se tomar uma linguagem simplificada 'pidgin' local
nascida para as tribos primitivas poderem fazer negócio [com os "civilizados"]
para ensinar as pessoas sobre as coisas de Deus. Eles falam da necessidade de
usar uma “linguagem do coração.” [aquela que o evangelizado mais conhece e usa
mais frequentemente e quando está a sós com as pessoas que mais ama.] Eles
dizem que a língua simplificada para negócios jamais pode alcançar o coração.
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Acho isso errado. Os que entendem uma língua, mesmo não sendo a língua
materna, podem entender as verdades de Deus nessa língua. Sim, seguramente é
sempre melhor se ouvir ensinamentos na nossa língua materna [e que mais
dominamos]. Isto vai bem e é bom. Mas digo: se necessário, seria melhor ensinar
todas as pessoas numa língua simplificada para negócios, a fim de que elas possam
ter uma Palavra de Deus não corrompida, em vez de uma Palavra de Deus
corrompida pela equivalência dinâmica.

A EQUIVALÊNCIA DINÂMICA NÃO TEM UM FIRME CONTROLE SOBRE O


PROCESSO DE TRADUÇÃO

Visto como a equivalência dinâmica permite que o tradutor tome tantas liberdades
com as palavras e a forma da Escritura, não existe um firme controle no processo
de tradução. Considerem o seguinte exemplo da primeira parte da 1
Tessalonicense 1:3. Vamos dar a tradução pela fiel BKJ e mais duas traduções
literais e, em seguida, de três versões na equivalência dinâmica. Veremos que as
traduções literais concordam palavra por palavra, visto como não há nesta
passagem nenhum conflito entre T. Receptus e T. Crítico; mas a [tradução] das
equivalências dinâmicas são dramaticamente diferentes não apenas das versões
literais como também uma da outra:

BKJ “...da obra da vossa fé, do trabalho do amor...”


NASV (New American Standard Version) “... your work of faith and labor of love...”

ESV (English Standard Version) “... your work of faith and labor of love...”
NLB (New Living Bible) “... your work produced by faith, your labor prompted by
love...”
TEV (Today’s English Version) “... how you put your faith into practice, how your
love made you work so hard...”
CEV (Contemporary English Version) “... your faith and loving work...”
AMPLIFIED: “your work energized by faith and service motivated by love”

“A enorme faixa de variabilidade nas traduções deste verso na equivalência


dinâmica mostra que uma vez que a fidelidade à língua original é abandonada, não
existe um controle firme sobre a interpretação. O resultado é um texto
desestabilizado.

Encarando a faixa de traduções por equivalência dinâmica, como um leitor pode


confiar numa tradução deste verso para o inglês? E se é possível traduzir mais
exatamente abandonando as palavras do original em favor de suas ideias, por
que as traduções por equivalência dinâmica sempre terminam em tanta
discordância uma com a outra? Em vez de fortalecer a exatidão, a equivalência
dinâmica subverte a nossa confiança na exatidão da tradução.”(Leland Ryken,
The Word of God in English, 2002, p. 82).
37