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Obtenção de matéria pelos seres

heterotróficos

Membrana plasmática
Os seres heterotróficos
obtêm alimentos ricos em
substâncias orgânicas a
partir dos quais elaboram
as suas próprias moléculas.

Os processos de captação
dos alimentos pelos seres
heterotróficos são muito
diversos.
 Os seres heterotróficos obtêm do meio as substâncias orgânicas de
que necessitam.

 Os alimentos têm de experimentar um processamento digestivo no


qual substâncias complexas são transformadas em substâncias mais
simples.
 É nas células que as substâncias resultantes da digestão vão ser
utilizadas.
 A vida das células depende, assim, do movimento de substâncias
através da membrana celular.
 As células estabelecem um intercâmbio constante de substâncias
com o meio envolvente.

A membrana plasmática mantém a integridade da célula


assegurando duas funções complementares:
• constitui uma fronteira entre o meio intracelular e o meio
extracelular;
• assegura a troca de substâncias, de energia e de informação
entre o meios intra e extracelular.
 A membrana plasmática não é visível ao MO
(a sua espessura é inferior ao poder de resolução do MOC).

 1855, Nageli e Cramer – a célula apresenta uma membrana a envolvê-la.

 Evidências da existência de membrana celular antes da invenção do ME:

• A variação do volume de células


colocadas em meios de diferentes
concentrações → invólucro com
uma certa plasticidade;
• A resistência da superfície celular à
penetração de microagulhas ;
• O extravasamento do citoplasma
quando a célula era lesionada.
• Em 1895, Overton verificou que:

 Quanto mais lipossolúvel for uma substância, maior a sua velocidade


de penetração na célula;

 Os dissolventes dos lípidos e as lipases destroem a membrana.

Concluindo ...

► A membrana é constituída por lípidos.


• Baseando-se nestes resultados, Langmuir propôs o primeiro
modelo estrutural da membrana.

Fosfolípidos

Langmuir (início do séc. XX)


• Em 1925, Gorter e Grendel extraíram os lípidos das membranas
plasmáticas de cerca de 6 milhões de hemácias.

• Determinando a área da superfície ocupada pelas moléculas


extraídas dessas membranas, obtiveram o valor de 1 m2; a área
total das membranas dos glóbulos foi de 0.5 m2, ou seja:

área da superfície ocupada pelas moléculas


2
área total das membranas dos glóbulos

Alterações a propor ao modelo de Langmuir ...


► Estes resultados levaram Gorter e Grendel a propor um modelo
estrutural baseado numa bicamada fosfolipídica com as zonas
hidrofóbicas situadas no interior e as regiões hidrofílicas voltadas
para o exterior.
• Em virtude da elevada atracção das moléculas de lípidos umas pelas
outras, verifica-se uma alta tensão superficial na superfície de camadas
de lípidos.
• Danielli e Davson mediram a tensão superficial de células e obtiveram
valores muito mais baixos do que os correspondentes à interfase
água/lípidos.

► Danielli e Davson admitiram a existência de uma camada de proteínas


(por estas serem substâncias capazes de diminuir a tensão superficial) a
revestir interna e externamente a bicamada fosfolipídica e propuseram
um novo modelo:
• No início da década de 50 do séc. XX, o ME permitiu a observação
da ultra-estrutura da membrana celular.

• Microfotografias da membrana plasmática evidenciam duas


zonas escuras separadas por uma banda clara.

Que ilação se pode tirar relativamente ao modelo de Danielli e Davson?


 As observações ao ME apoiam a estrutura proposta por Danielli e
Davson.
Interpretação das microfotografias de membranas obtidas com a
técnica de fixação por tetróxido de ósmio

• bandas escuras → proteínas e partes hidrofílicas dos fosfolípidos,


que fixam o ósmio;
• banda clara → partes hidrofóbicas dos fosfolípidos.
• Mas, uma camada contínua de fosfolípidos não permite explicar a
passagem de moléculas polares (água, aa e monossacarídeos).
Em 1954, Danielli e Davson introduzem alterações ao modelo inicial.

Substâncias polares  Poros revestidos por proteínas


(passagens hidrofílicas)
Substâncias não polares  Bicamada fosfolipídica.
Mas, a pesquisa continuou e novos dados foram surgindo ...

 Análises quantitativas → as proteínas não revestem toda a superfície


da bicamada lipídica;
 Isolamento das proteínas das membranas → estas apresentam
tamanhos e formas diferentes, variando também na facilidade com
que podem ser destacadas;
 Tratamento de membranas pela fosfolipase → é possível remover a
maior parte do fósforo dos fosfolípidos.
► extensas zonas de lípidos a descoberto e grandes áreas compostas
só por proteínas;
 Relação proteína/lípido varia de célula para célula e nas duas faces da
membrana;
 As proteínas apresentam zonas hidrofóbicas e hidrofílicas. Dispostas
na superfície algumas das regiões hidrofóbicas teriam que estar em
contacto com a água.
 Várias experiências mostram existir um certo dinamismo e mobilidade
na membrana.

A principal conclusão a tirar dos resultados desta experiência ...


► As proteínas membranares apresentam mobilidade.
• Verifica-se que os fosfolípidos têm grande mobilidade lateral,
trocando de posição com outros na mesma camada.
• Ocasionalmente, podem ocorrer movimentos de uma camada
para a outra – movimentos de flip-flop.

Mobilidade dos fosfolípidos


1 e 2 – movimento lateral;
a e b – movimento de flip-flop (raro)

• Algumas proteínas também apresentam mobilidade.


 Todos estes dados levaram ao desenvolvimento de um novo modelo de
ultra-estrutura da membrana, proposto em 1972 por Singer e Nicholson
– o modelo de mosaico fluido.

Semelhanças ...
Mantém a bicamada fosfolipídica.
Diferenças ...
Organização das proteínas e a existência de glicoproteínas e glicolípidos.
Modelo designado por modelo de mosaico fluido visto que ...

• A superfície assemelha-se a um conjunto de pequenas peças


(um mosaico composto por lípidos e proteínas);

• As moléculas (lípidos e proteínas) que constituem a membrana


têm movimento, dotando-a de grande fluidez.
 Na superfície externa de muitas membranas plasmáticas existem
glícidos associados a proteínas e glícidos ligados a lípidos.

 Estas moléculas formam o glicocálix e estão envolvidas em


mecanismos de reconhecimento de substâncias do meio envolvente.
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Os resultados da técnica da criofactura mostraram a existência de partículas em


ambas as faces da membrana, embora com uma distribuição assimétrica.
 Além dos fosfolípidos, a membrana animal também possui colesterol,
constituinte que lhe confere consistência e estabilidade.

Citosqueleto – rede de fibras intercruzadas existente no citoplasma, que


mantém a forma da célula.
Nos seres multicelulares, a membrana possibilita a formação de
tecidos estabelecendo a união entre as células.
 No interior das células existem organitos
constituídos por membranas semelhantes à
membrana plasmática.
 Nos organitos, as membranas têm funções
diversas.
 Os constituintes das membranas apresentam proporções variáveis,
dependendo da sua função.
Embora o modelo de Singer e Nicholson explique muitos aspectos
do funcionamento das membranas, tem vindo a experimentar
modificações com base em novos dados e as pesquisas continuam ...