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Alegoria Denotação temática: representa a condição Grau/tipo Epistêmico

cognitiva e ética humana e a missão do


filósofo.
Os homens, desde o nascimento, estão Os homens, desde a encarnação, estão dóxa: a opinião é um
acorrentados numa morada subterrânea. mergulhados na penumbra do corpo. A conhecimento relativo, tanto
Caverna representa o mundo dos sentidos, em termos de objeto, que está
as representações sensíveis, o nível da submetido ao devir e à ilusão,
opinião, da conjectura, da crença.
quanto em termos
de sujeito, que não tem certeza
integral sobre ela. Em sua
natureza, é um delírio (mania),
ou seja, uma emoção; uma idéia
difundida.
spélaion: caverna. A caverna
representa o mundo sensível, com
a penumbra do conhecimento
obscuro, do qual as almas só
conseguirão libertar-se pela
purificação (kátharsis) e pela
dialética (dialektiké), para obter o
conhecimento inteligível,
representado pela luz solar.
Eikasia: conjectura; conhecimento
indireto dos objetos sensíveis,
imagens sensíveis.
Aísthesis: faculdade de sentir:
sensibilidade e Ato de sentir:
sensação. Sensação (conhecimento
sensorial de uma qualidade),
percepção (conhecimento sensorial
de um objeto).
pístis: crença; conhecimento
dos objetos sensíveis, convicção
espontânea.

Das realidades exteriores, às quais dão as Eles só conhecem as verdadeiras Realidades phantasía: imaginação.
costas, eles só conhecem a projeção das eternas pelo mundo sensível, que é sombra (Faculdade de criar imagens
sombras na parede. do mundo real (dóxa). A luz do exterior e a imanentes. Phao, luz, indica
da fogueira (graus da verdade) chega aparência)
indiretamente porque há um muro de Pístis.
impede, separa o contato direto.
O prisioneiro liberto é incapaz de se A libertação da alma é difícil e dolorosa: nos
mover no mundo real; fica ofuscado e não primeiros graus da kátharsis, não é possível
pode distinguir os verdadeiros objetos. conhecer as Essências.
Os prisioneiros arrastados para fora Devido a essa dificuldade, a maioria dos
revoltam-se e preferem voltar para a homens rejeita a filosofia.
caverna.
Se eles quiserem realmente ver o mundo Se quiserem realmente ver o mundo
superior, precisarão proceder de modo superior, precisarão passar pela dialética:
sistemático: ver primeiramente as primeiramente, a conjectura (eikasía),
sombras dos homens e suas imagens na depois a percepção (pístis), em seguida o
água, para depois ver os objetos. Em conhecimento das Essências (eíde) e por fim
seguida, verão à o conhecimento do próprio Bem (Agathón).
noite, a lua e as estrelas e, finalmente, o
próprio sol.
Então, eles ficam sabendo que é O sol que Então, o filósofo vê que o Bem é a causa das
governa o mundo sensível, e que ele Essências, assim como do mundo sensível.
também era a causa das sombras na
parede.
Aquele que, habituado à visão do sol, O filósofo só sente indiferença pelo mundo
volta à caverna, fica com os olhos feridos sensível e por seus prazeres: nele só
pela visão. encontra incômodo e desagrado.
Apesar disso, retorna, por piedade pelos No entanto, ele se mistura aos homens para
companheiros de outrora. trazer-lhes a verdade.
Mas estes zombam de sua atitude Mas estes não reconhecem sua santidade e
desprendida e se recusam a segui-lo para se negam à conversão. Preferem livrar-se
o alto. Sentem até mesmo ódio dele definitivamente, como ocorreu com
por ele e procuram matá-lo. Sócrates.