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Processos e materiais geológicos importantes em ambientes terrestres

A atividade humana tem sido, desde sempre, condicionada pela riqueza dos materiais
terrestres.

O Homem utiliza uma grande variedade de produtos obtidos a partir da transformação de


minerais e rochas:

na construção civil e obras de engenharia;

no calcetamento de ruas e passeios e na construção de estradas;

em esculturas e na extração de pigmentos presentes nas tintas dos pintores;

em aparelhos de precisão;

em variadas indústrias;

como combustíveis, por exemplo, o carvão e o petróleo.

Geologicamente, os minerais são corpos sólidos, homogéneos e naturais, inorgânicos e com


estrutura cristalina, e apresentam uma composição química definida, fixa ou variável, dentro
de certos limites. O conceito de mineral não é muito claro e surgem algumas situações de
ambiguidade.

Por exemplo, nas condições normais de pressão e temperatura, a água e o mercúrio são
líquidos, não sendo considerados minerais; também as substâncias produzidas pelos seres
vivos (ou seja, substâncias orgânicas), como o carvão e o âmbar, não são consideradas
minerais.
Em muitas rochas, os minerais podem apresentar dimensões tais que se conseguem observar
individualizadamente. Estes casos ocorrem em determinadas condições, principalmente sob o
efeito da pressão e da temperatura, bem como o tempo.

As rochas são os constituintes naturais da litosfera, apresentam grande diversidade e


distribuição. As unidades básicas constituintes das rochas são os minerais. Uma rocha pode
ser constituída por um só mineral ou pode comportar diferentes minerais em diferentes
proporções.

A Terra caracteriza-se pelos materiais que a constituem e os tipos de rocha condicionam


profundamente a paisagem, desde o tipo de solo até às atividades humanas que são
praticadas num determinado local.

Os variados processos que se desenvolvem em consequência do dinamismo terrestre,


também caracterizam o nosso planeta. Os materiais terrestres não são estáveis e estão em
permanente alteração, transformação e destruição, como é bem evidenciado no ciclo das
rochas.

Minerais

As rochas são constituídas por minerais. Os minerais presentes nas rochas podem ser
herdados ou de neoformação:

minerais herdados – se vieram directamente de rochas preexistentes, através de


fenómenos de desagregação e transporte, sem terem sofrido qualquer alteração
química. Estes minerais vão constituir as rochas sedimentares detríticas. O mais
comum e abundante é o quartzo, mas também estão presentes na fracção detrítica
os feldspatos, as micas (principalmente a moscovite), as anfíbolas, as piroxenas, a
calcite, entre outros;
minerais de neoformação – são minerais novos, formados durante a
sedimentogénese ou a diagénese, resultantes da alteração química ou da
precipitação de outros minerais. São frequentes a calcite, a dolomite, a sílica, os
minerais de argila, a halite e o gesso.

Para se caracterizarem as rochas sedimentares tem que se conhecer a sua composição


mineralógica. A composição química e a organização estrutural da matéria que constitui os
minerais permitem a sua identificação.

Identificação dos minerais

Os minerais são constituídos por átomos. Os átomos e a forma como estes se dispõem
condicionam as características dos minerais. Para se determinarem essas características é
necessário o uso de equipamento de laboratório muito sofisticado e nem sempre acessível.
Para que a identificação dos minerais seja rigorosa, é necessário utilizar técnicas
especializadas de análise química, de observação microscópica e de difracção de raios X.

Mas, como as propriedades físicas e químicas são o reflexo da composição e estrutura dos
minerais, o seu estudo pode ser feito tendo em conta a observação dessas propriedades.

As propriedades dos minerais agrupam-se em dois tipos, as físicas e as químicas.

Propriedades físicas

As mais utilizadas na identificação dos minerais são: as propriedades ópticas, as


propriedades mecânicas e a densidade.

Propriedades ópticas: são a cor, a risca e o brilho.


– Cor:

– é a característica mais evidente na observação dos minerais;

– depende da absorção, pelos minerais, de certos comprimentos de onda do


espectro solar;

– para ser correcta, a observação deve ser feita à luz natural difusa e em
superfícies de fractura recente;

– os minerais, na sua maioria, apresentam-se coloridos;

– quando têm uma cor característica e própria em toda a sua superfície


designam-se idiocromáticos (ídios “próprio” + khrõma “cor”), por exemplo a
magnetite, a malaquite, a galenite e a pirite. Outros minerais
chamados alocromáticos (állos “outro” + khrõma “cor”) não apresentam uma cor
constante, como, por exemplo, o quartzo que pode ter cores muito diversas;

Minerais idiocromáticos e alocromáticos

– a variação da cor nos minerais alocromáticos pode dever-se à mistura de


pequenas quantidades de determinados pigmentos ou pode estar relacionada
com variações na composição química dos minerais;
– como cada cor não é exclusiva para cada mineral e, como pode ser alterada,
esta característica não é muito fiável na identificação dos minerais.

– Risca ou traço:

– é a cor do mineral quando é reduzido a pó fino;

– é uma característica importante na identificação dos minerais porque, mesmo


que a cor do mineral seja variável, a cor da risca mantém-se normalmente
constante;

– pode ser facilmente determinada friccionando o mineral sobre uma placa de


porcelana fosca;

– a cor da risca pode ser igual à do mineral – como acontece nos minerais
idiocromáticos de brilho vulgar e nos metais nativos –, ou pode ser diferente da
cor apresentada pelo mineral – nos minerais alocromáticos de brilho vulgar a
risca é branca ou quase branca; nos minerais alocromáticos de brilho metálico e
que não sejam metais nativos, a risca é escura ou mesmo preta.

– Brilho ou lustre:

– é o modo como o mineral reflecte a luz natural difusa, quando esta incide sobre
uma superfície de fractura recente;

– normalmente distinguem-se três tipos de brilho:


Propriedades mecânicas: são a clivagem, a fractura e a dureza.

– Clivagem:

– é a propriedade que os minerais têm de, quando aplicada uma pancada, se


dividirem em lâminas ou poliedros limitados por superfícies planas bem definidas
– as superfícies de clivagem;
Clivagem dos minerais

– qualquer plano paralelo ao plano de clivagem é outro potencial plano de


clivagem;

– relaciona-se com a textura dos cristais que resulta do arranjo dos átomos e do
tipo de ligações químicas; nas superfícies de clivagem as ligações são mais
débeis;

– pode ser perfeita, imperfeita ou inexistente.

– Fratura:

– corresponde a uma situação em que o mineral parte em várias direcções não


coincidentes com os planos de clivagem, originando fragmentos com superfícies
mais ou menos irregulares;
– dadas as suas características revela que todas as ligações químicas são
igualmente fortes;

– pode apresentar diferentes aspectos, classificando-se


em concoidal, escamosa, laminar, irregular, fibrosa ou terrosa.

– Dureza:

– consiste na resistência que o mineral oferece à abrasão, ou seja, a ser riscado


por outro mineral ou por determinados objectos;

– é condicionada pela estrutura e pelo tipo de ligações entre as partículas, pelo


que pode ser muito variável;

– a dureza é normalmente avaliada em termos comparativos e sabe-se que um


mineral é mais duro do que outro quando, depois de pressionado, deixa um sulco
no outro mineral;

– a determinação da dureza dos minerais é feita em relação aos termos de uma


escala de dureza, sendo a mais conhecida a escala de Mohs:
Escala de Mohs

– é constituída por 10 termos colocados por ordem crescente de dureza, desde


o menos duro – o talco, até ao mais duro – o diamante;

– qualquer mineral desta escala risca todos os que estão abaixo dele e não é
riscado por nenhum deles;

– se um mineral riscar um determinado termo e não riscar o imediatamente a


seguir, então a sua dureza está compreendida entre os dois termos;

– os termos da escala devem ser percorridos do mais duro para o menos duro;

– esta escala apenas fornece valores relativos, o que se torna desvantajoso,


porque ao contrário do que é observado pela sua aplicação, o aumento da
dureza absoluta faz-se de forma descontínua. Mas a determinação de valores
absolutos é complexa e implica a utilização de aparelhos muito especializados.

– quando não se dispõe de uma escala de Mohs a determinação relativa de um


mineral pode conseguir-se atendendo a que:
Escala alternativa para determinação da dureza

Esta escala pode também ser útil servindo como ensaio preliminar à aplicação da
escala de Mohs. Ao fornecer a delimitação das zonas da escala em que a dureza
de um determinado mineral se deve situar, evita ensaios desgastantes dos termos
de ordem inferior.

– Densidade:

– a densidade absoluta ou massa volúmica de uma substância é a quantidade de


massa por unidade de volume;

– depende de vários factores como a composição química do mineral


principalmente da massa atómica dos seus constituintes, a distribuição dos
átomos na rede cristalina, a pressão a que o mineral se forma e a temperatura;
– pode ser avaliada desenvolvendo um sentido de peso relativo que, com algum
treino, pode dar indicações da densidade bastando pegar na amostra que se quer
analisar;

– pode recorrer-se à balança de Jolly que permite determinar a densidade


através da relação entre o peso de um determinado volume desse mineral no ar e
o peso de igual volume de água.

Propriedades químicas

Podem fazer-se alguns testes químicos que permitem fazer a identificação dos minerais. São
exemplos o teste do sabor salgado para identificar halite, ou o teste da efervescência, que é
uma reacção em que há libertação de dióxido de carbono quando a calcite reage com um
ácido. A efervescência pode ser bem evidente a frio, mas há outros casos em que só se
verifica a quente ou quando o mineral é reduzido a pó.

Pode, ainda, recorrer-se à identificação das propriedades dos minerais através da utilização
de chaves dicotómicas ou de tabelas específicas para o efeito.

Actualmente existem programas de software que tornam mais fácil a identificação dos
minerais através das suas propriedades.

Minerais mais comuns nas rochas