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10/05/2018 A Evangelização dos Índios no Brasil | Cléofas

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A Evangelização dos Índios no Brasil


POR PROF. FELIPE AQUINO 27 DE ABRIL DE 2018 HISTÓRIA DA IGREJA  

O objetivo desta
comunicação é focalizar a
Igreja e a Evangelização
dos índios no Brasil

Ninguém melhor do que


o Papa João Paulo II para
mostrar o autêntico
significado deste
memorável
acontecimento. Assim se
expressou S. S.: “O que a
Igreja se dispõe a
celebrar é a
evangelização: a chegada
e proclamação da fé e da
mensagem de Jesus, a
implantação e o
desenvolvimento da
Igreja, realidades
esplêndidas e
permanentes que não se
podem negar nem
menosprezar. Ela se
dispõe a celebrá-la no
sentido mais profundo e teológico do termo: como se celebra Jesus Cristo, Senhor da História, o primeiro e o maior
Evangelizador, já que Ele mesmo é o Evangelizador de Deus”1.

O tema sobre o trabalho missionário da Igreja junto dos indígenas brasileiros é vasto e complexo. Será aqui abordado nos
seus aspectos fundamentais a partir de fontes históricas fidedignas, objetivando atingir a Verdade histórica.

Através dos séculos continuaram verídicos, sob tantos aspectos, os dizeres de Francisco Xavier de Mendonça Furtado em
carta ao Marquês de Pombal no ano de 1752: a problemática indígena “é matéria tão vasta que nunca se acaba de esgotar,
nem deixará de haver coisas novas e inimagináveis”2.

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Na presente dissertação, por se recusarem, neste ou naquele momento, determinadas posições radicais e eivadas de
prejuízos, não significa isto uma atitude apologética. Trata-se de mostrar a inconsistência de certas assertivas que,
infelizmente, vão denegrindo a obra missionária, agredindo anti-cientificamente a Igreja, deturpando a realidade histórica.

Quando exatamente a História adquire foros de Ciência, surgem falsos cientistas sociais que, baseados em pressupostos
teóricos contestáveis, vão enxovalhando com afirmações inverídicas o desenrolar dos eventos, apresentados numa ótica
preconceituosa. Expressões pré-fabricadas, prenhes de deletéria ideologia, divisões artificiais, interpretações infundadas,
estão a exigir uma tomada de posição daqueles que almejam salvaguardar o prestígio da História, ciência dos atos
humanos do passado e dos fatores que neles influenciaram, vistos na sua sucessão temporal.

Isto a partir de uma metodologia que exclui declarações não documentadas. O método científico supõe o respeito às regras
de uma hermenêutica correta, não sufoca o talento do historiador, nem leva a um positivismo deletério, mas exclui a
distorção dos acontecimentos e as generalizações sempre condenáveis. Apenas assim a consideração equilibrada do
passado ilumina o presente e ajuda a projetar o futuro.

Cumpre sempre fazer justiça aos fatos e aos protagonistas

No que tange ao tema em tela, muitas vezes se esquece a formação histórica de


Portugal, nação que surgiu de árduas lutas sob o signo da invocação do Todo-poderoso.
Isto fez aquele povo empolgar-se pela difusão do reino de Deus, o que Camões contou
nos Lusíadas em instante de pulcra inspiração: “dilatação da Fé e do Império3. Olvida-se,
além disto, o notável zelo missionário da Igreja que sempre impulsou obreiros do
Evangelho para a tarefa realmente heroica de levar a salvação às mais remotas regiões.
Foi a obediência ao preceito de Cristo da pregação do Evangelho por toda a terra4 que
impulsionou centenas de apóstolos para a Terra da Santa Cruz. Aliás o papa Leão XIII
declarou que “a cidade santa de Deus, que é a Igreja, a qual não é limitada por nenhuma
fronteira, recebeu de seu Fundador uma tal força que cada dia alarga o recinto de sua
tenda e estende as peles que cobrem os seus tabernáculos” (Is, 54,2)5.

Ela nunca traiu sua vocação de religião católica nem seu imprescritível dever missionário.

Portugal muito contribuiu, graças à religiosidade de seus reis, para esta tarefa magnífica do anúncio da Boa Nova, que foi
feito com empenho e sinceridade, apesar das naturais falhas humanas.

Sinal expressivo deste senso religioso, no caso específico do Brasil, foi ter sido colocada a expedição de Cabral sob a égide
de Nossa Senhora da Esperança, cuja imagem se achava na nau capitânea.

O que escapa a certos historiadores é o propósito do rei português, o qual, antes de tudo e, sobretudo, almejava dilatar a
fé, o reino de Deus. Daí fazerem da evangelização elemento primordial da conquista de outras terras. Isto é bem mais
profundo do que simplesmente dizer que a religião foi um instrumento de expansão temporal. Na base do processo, o
posicionamento era outro: o Estado é que era instrumento de difusão evangélica. Primeiro a fé cristã a ser levada a outros
povos a serviço da qual estava o Império. Se não se percebe esta distinção, toda a obra evangelizadora no Brasil fica a inicio
deturpada.

Séculos XV e XVI Períodos

No último decênio do século XV e no século XVI, a atividade missionária junto aos indígenas do Brasil pode ser dividida em
dois períodos: antes da chegada dos Jesuítas em 1549 e após a vinda dos epígonos de Santo Inácio de Loyola, cuja atividade
se projetará de maneira notável até meados do século XVIII (1759), numa trajetória bicentenária.

Antes dos inacianos, que aqui aportaram investidos de uma missão oficial educadora, destaque-se que a Terra de Santa
Cruz nasceu sob o signo da catequese. Duas Missas celebradas oficialmente: a primeira no dia 26 de abril de 1500 no ilhéu
da Coroa Vermelha e a segunda a 12 de maio, já no continente. As melhores fontes informam que já na primeira cerimônia
cerca de duzentos índios estavam presentes num incipiente contato com a religião de Cristo.

Durante quarenta e nove anos núcleos esparsos de evangelização pelo litoral iam, embora de forma precária, mostrando
aos aborígenes novos valores espirituais e morais. A partir de 1535 a criação de Paróquias nas Capitanias significou um
progresso na catequização dos nativos.

O testemunho dos que por primeiro entraram em comunicação com os índios, confirmado depois pelos documentos
emanados de jesuítas insuspeitos, como Nóbrega e Anchieta, e por outros depoimentos fidedignos, joga por terra o mito do
“bom selvagem” e de uma existência paradisíaca nas florestas tropicais. Ao lado de aspectos positivos, elementos
profundamente negativos marcavam determinantemente a ética então reinante e o modo de viver era sumamente
atrasado. A antropofagia, a embriaguez, as superstições desumanas, a poligamia e até o comunismo de mulheres, as lutas
intestinas nas quais prevaleciam os mais fortes, a inconstância de propósitos, a influência muitas vezes maligna do pajé e
dos feiticeiros, eram, entre outros desvios, procedimentos inteiramente contrários ao Evangelho e à própria lei natural.

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Necessário se fazia, portanto, moldar-lhes o caráter, purificar suas crenças, morigerar seus costumes, elevar o seu teor de
vida, levar-lhes os benefícios do progresso humano, a que, de fato, nem sempre hoje se salienta é o estágio realmente
primitivo em que se encontravam os silvícolas desta região, ignaros da escrita, ignorantes das conquistas que outros seres
inteligentes tinham incorporado à civilização humana.

É certo que muitos conquistadores desalmados, movidos pela ganância, complicaram ainda mais a triste situação, traindo
vilmente a religião e não se comportando à altura de homens civilizados. Isto, aliás, tornou ainda mais meritória a obra
evangelizadora que se viu obrigada a trabalhar em duas frentes: conversão dos nativos e dos colonizadores ambiciosos e
depravados. Em nossos dias mesmo, uma das mais ingentes tarefas pastorais é a do convertimento de grade parte dos
católicos alheios a seus deveres cristãos.

Note-se que a própria posse da terra por parte dos índios que aqui viviam é uma questão, por vezes mal posta. Dado o
nomadismo reinante e a total falta de consciência jurídica com relação ao domínio territorial, naquela imensidão de terras,
careciam eles da noção de propriedade. A prevalecer a opinião de certos escritores, os indígenas seriam os maiores
latifundiários do planeta. Faltava-lhes, além disto, a consciência nítida de pertencerem a um todo racial.

Àqueles espíritos rudes, a primeira catequese litorânea pioneira, que se estendeu desde a costa de Pernambuco até Santa
Catarina, trouxe imensos benefícios por parte de missionários do clero secular e dos religiosos franciscanos. Houve,
outrossim, a participação eficiente de leigos, inclusive de silvícolas cristianizados. Adulto van der Vat relata as atividades do
índio Etiguara que, nos idos de 1538, levou a mensagem evangélica aos Carijós de Santa Catarina, possibilitando a primeira
missão organizada entre os índios no Brasil, a de Imbiaça, obra de franciscanos espanhóis 6.

Com a instalação do Governo Geral chegam os jesuítas. Manoel da Nóbrega e seus companheiros iniciam então uma ampla
catequese realmente organizada, um trabalho missionário de vulto, colocando em prática uma notável pedagogia
evangelizadora. a fato deste movimento, logo nos seus primórdios, contar com elementos talentosos era uma garantia do
êxito espiritual e civilizador do nobre empreendimento. Assim, por exemplo, a presença de um insigne pedagogo como o
Pe. João Aspicuelta Navarro, precursor da metodologia moderna, a falar a língua dos íncolas e a difundir o catecismo da
doutrina cristã em idioma aborígene, faz vislumbrar o que seriam as atividades pastorais dos loyolistas dentre os quais
Anchieta irá merecer os títulos de Apóstolo do Brasil e de “Paladino e Precursor da ecologia brasileira”.

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Método Catequético dos Jesuítas

No que diz respeito ao método catequético empregado pelos jesuítas, cumpre ressaltar que duas são as fontes primordiais:
a correspondência, sobretudo com o Provincial, e toda a riquíssima literatura que registra os feitos destes tempos de tão
árduos esforços e, de outro lado, a magnífica obra do Pe. Serafim Leite7 dez volumes, sempre compulsados pelos
estudiosos do assunto. Acrescentem-se as valiosas informações de outros escritos. A base deste método foram as
instruções do papa Gregório I a Santo Agostinho de Cantuária8, entre as quais de destaque a diretriz no sentido de que os
templos dos nativos não deviam ser destruídos, pois cristianização não representa extermínio das culturas, mas seu
aperfeiçoamento, num processo aculturativo de reinterpretação de ritos e de crenças; as diretrizes do papa Paulo III em
1537 nas Bulas Veritas ipsa e Sublimls Deus sendo que, na primeira, condenava a escravidão dos nativos e, na segunda,
declarava herética a opinião de que os índios eram irracionais, incapazes, portanto, de serem cristianizados; o Regimento
de Tomé de Souza no qual consta claro que “o principal fim por que se manda povoar o Brasil é a redução do gentio à fé
católica”10. Prossegue o texto dizendo que “esse assunto deve o governador praticá-lo muito com os demais capitães.
Cumpre que os gentios sejam bem tratados e que, no caso de se lhes fazer dano e moléstia, se lhes dê toda a reparação,
castigando os delinquentes”11; as ideias da época sobre os bárbaros e os povos civilizados. Para o século seguinte serviu
ainda de base o regimento das Missões de 1686 que acentuava a importância do agrupamento das tribos em núcleos de
sentido urbano, preparo técnico em vários ofícios, trabalho disciplinado de fundo agrícola. Os princípios adotados pelos
inacianos foram: premissas morais, visando eliminar instituições incompatíveis com a teologia e ética cristã; a preparação
de agentes interculturais; técnicas de transmissão de novas crenças e valores para quem pouca capacidade tinha para
abstrações intelectuais. Os processos empregados podem ser assim enumerados: segregação dos catecúmenos e recém-
nascidos; combate à poligamia, nudez, antropofagia, embriaguez e outros vícios; neutralização da influência deletéria do
pajé, dos feiticeiros e do velho; contato transitório e seletivo com o colono; reintegração de cultos e danças; combate às

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instituições tribais, visando eliminar o nomadismo e a preparação para a inserção definitiva no meio civilizado. Este método
trouxe os seguintes resultados: não houve conversão em massa; realizou-se intenso trabalho em tribos e aldeias; os
jesuítas se tornaram agentes de assimilação dos indígenas à civilização cristã; a catequese contribuiu para a destribalização;
dada a desumanidade dos predadores, sobretudo durante a invasão holandesa, os índios aldeados foram
preferencialmente presos e escravizados; de certo modo, a catequese colocou o índio sob o controle da ordem civil, exceto
nas reduções; os jesuítas vieram a sofrer as mais terríveis perseguições desde o início de sua obra catequética por
defenderem a liberdade dos índios e a preservação de valores de sua cultura, a experiência dos inacianos tornou-se fonte
de inestimável valor para uma teoria da aculturação.

As críticas feitas ao trabalho evangelizador dos jesuítas tem em Mecenas Dourado um dos mais influentes representantes.
Sua obra, Ensaio Crítico do Diálogo da Conversão do Gentio do Padre Manoel da Nóbrega 12, é um texto eivado de
preconceitos e erros. Nele, infelizmente, se têm inspirado até alguns eclesiásticos nos seus ataques gratuitos à obra
missionária, sendo que muitos até se limitaram a plagiá-lo. Mecenas Dourado ataca o Pe. Serafim Leite, os obreiros do
Evangelho que labutaram entre os silvícolas e outras figuras notáveis do cristianismo. Comete, além disto, erros crassos.

Eis algumas observações a seu livro: o autor, baseado numa teoria antropológica, para ele absolutamente correta, cai em
graves equívocos teológicos e filosóficos; engano primário falar em ateísmo dos índios; a “sojigação” a que se referem os
documentos dos jesuítas não era para a escravidão, pois a sujeição significava a incorporação dos índios ao quadro político
de Portugal, como vassalos, participantes de uma pátria cristã; é certo que uma das causas que impediram uma maior
eficiência da catequese era o pouco preparo espiritual de alguns obreiros do Evangelho, mas é preciso não generalizar; sem
fundamento a conclusão de Mecenas Dourado, afirmando que os jesuítas fracassaram totalmente na obra da conversão do
gentio; catequizar não é sinônimo de converter, sendo que no processo de catequese os loyolistas atingiram as raias do
heroísmo e fizeram o máximo possível dentro do contexto de então, mas a conversão, obra da graça, não pode ser medida
com critérios humanos; teria sido um contra-senso os jesuítas lutarem pela liberdade dos silvícolas, como o prova
sobejamente a História através de farta documentação, e eles mesmos os escravizarem; as causas do fracasso de
aldeamentos o próprio Pe. Serafim Leite as aponta: da parte dos índios, os temores, as epidemias, as fugas e, da parte dos
padres, a escassez de missionários, as dificuldades intrínsecas à própria vida religiosa; grande mérito dos jesuítas foi
compreenderem a situação histórica do Brasil e se aparelharem com excelentes colégios para assistência e formação dos
mestiços; é profunda injustiça reduzir a atividade dos jesuítas a uma mera empresa econômica; descabida a análise que
Mecenas Dourado faz das atividades do Pe. Vieira. Em síntese: a interpretação deste autor é, em vários pontos, unilateral,
anticientífica, incoerente.

Não se poderia exigir dos missionários de séculos passados todos os conhecimentos das Ciências Sociais hodiernas. Eles
agiram dentro das categorias de pensamento e cultura do século em que viviam. O que se esquece, porém, é que a
experiência do passado é sempre fator de progresso, sendo que os inacianos empregaram recursos idênticos a muitos
preconizados pelos antropólogos de nossos dias. Seja dito que um dos motivos alegados para a perseguição aos jesuítas foi
o fato de eles cultivarem e favorecerem as línguas dos índios, o que mostra a preocupação dos loyolistas em penetrar
fundo na cultura aborígene, preservando-lhes o idioma. Observe-se que a moderna antropologia e a psicologia do
comportamento humano chegaram a suas teses por meio de laboriosas pesquisas e estão a ampliar cada dia seu campo de
estudo, por vezes, refazendo princípios que pareciam intocáveis. Adite-se a assertiva de Viotti: “Naquelas circunstâncias, não
passaria jamais pela cabeça de ninguém que os índios devessem permanecer numa espécie de museu etnográfico para
deleite e glória de futuros antropólogos” 13.

Pastoral franciscana

Embora outros religiosos tenham missionado no Brasil desde os primeiros séculos, a saber, carmelitas (1580), beneditinos
(1581), por motivos vários, foram os franciscanos, depois dos jesuítas, os que mais fizeram pela evangelização dos índios.
Antes da chegada de um grupo e discípulos de São Francisco, a 12 de abril de 1585, diversos frades desta Ordem já
trabalhavam entre os índios, como o irmão leigo Frei Pedro Palácios na Bahia e na Penha do Espírito Santo. A praxe
missionária dos franciscanos (1584-1619) não oferece um método pastoral rígido, elaborado a partir de premissas pré-
estabelecidas. Da experiência cotidiana surgiram para tais evangelizadores orientações práticas. Perante a animosidade
indígena os frades opunham o destemor pessoal que muito impressionava os aborígenes, quedos por verem aqueles
servos de Deus confiarem tão só no crucifixo que em mãos traziam. Isto abria o caminho para aceitarem a presença dos
embaixadores de Cristo. Na entrada da aldeia o Cruzeiro era sinal de uma missão estabelecida. Os franciscanos também
faziam das crianças o meio principal para atingirem os pais e demais membros da tribo. Daí o fato de estabelecerem
escolas gratuitas que produziram frutos opimos. Os adultos recebiam instrução religiosa pela manhã e à tarde nos templos.
A correção dos desvios morais era um alvo primordial ao lado da doutrinação sobre os pontos principais da fé. Aculturação
sadia dava-se, pois costumes que não iam frontalmente contra o Evangelho eram prudentemente acatados. Os seguidores
de São Francisco souberam bem aprender o valor que os indígenas davam ao culto dos antepassados e, deste modo, a
devoção às almas do purgatório se intensificou entre os silvícolas que muito apreciavam as cerimônias fúnebres da Igreja.
Como ocorria com os jesuítas, eram os Frades Menores rigorosos na administração do batismo, conferido apenas após
demorada preparação. Muito agradavam aos nativos as cerimônias do Natal e da Semana Santa, cujas representações eram
assistidas com enorme admiração, fixando verdades fundamentais.

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A insistência dos Filhos do Seráfico Patriarca na coerência da vida com os princípios evangélicos os impelia a permitirem a
Primeira Comunhão só após prolongada demonstração de uma existência verdadeiramente cristã.

Foi assim que as missões franciscanas, levadas a efeito, sobretudo no litoral da Paraíba e de Pernambuco, floresceram com
grande proveito dos nativos.

Como aconteceu com os jesuítas, críticas são feitas à evangelização dos seráficos. Os castigos infligidos a crianças e adultos
são objeto de apreciações injustas. Esta prática pedagógica deve ser vista no contexto histórico daquela época. Em nosso
século até em países adiantados como a Inglaterra tais correções eram empregadas 14. Note-se, entretanto, que no
Regulamento para os Missionários no século XVII (1606) há esta norma que demonstra não serem os castigos
indiscriminados: “Nenhum religioso dê palmatória à mulher”. As prisões de índias casadas, outro fato também criticado, foi,
na verdade, uma medida salutar, pois tal detenção era provisória e objetivava dar um tempo para passar a ira dos maridos
que ameaçavam matar as esposas inocentes estupradas por vis colonizadores. Isto gerou interpretações malévolas, sendo
os frades acusados de manterem cárceres privativos, quando na realidade o que eles ofereciam era guarida ante uma
violência emergente. É lamentável que aspectos positivos da ação missionária fiquem obnubilados pela sanha infundada
dos inimigos da religião ou de seus comparsas entre falsos historiadores do meio clerical. Aí está o motivo pelo qual as
falhas humanas ou circunstanciais são o tema predileto dos que intentam denegrir empenhos tão notáveis. Apesar de
todos os seus esforços, os franciscanos, não conseguindo a separação entre índios e colonos, viram tantas vezes sua tarefa
educadora comprometida. Forçados pelo governo os frades tiveram que se envolver em ações civis, tais como as de fazer
parte das Entradas e participar da construção de fortificações. A Província-mãe franciscana de Portugal, além disto, como o
atestam historiadores da Ordem índice não dava o apoio necessário e nem havia um processo de orientação contínua às
Missões da Custódia de Santo Antônio. Apesar de tudo, houve trabalho profícuo, perseverante, paciente dos filhos de São
Francisco que muito fizeram pela instrução e pela promoção social dos indígenas do Brasil. Religiosos de grande
envergadura moral e grande descortínio exerceram liderança saudável e suave conduzindo centenas de aborígenes para o
caminho da salvação do corpo e da alma.

Destaque no Clero Secular

No século XVI cumpre se registre ainda, entre o clero secular, o Primeiro Prelado do Rio de Janeiro, Pe. Or. Bartolomeu
Simões Pereira. A ele assim se referiu Anchieta:’ “Este se mostra afeiçoado e zeloso da conservação dos índios e acode por
eles, muitas vezes, onde falta a justiça secular por serem pessoas miseráveis e que têm particular necessidade do braço
eclesiástico” 16.

Século XVII

No século XVII com as peculiaridades próprias que novos acontecimentos suscitam, prosseguiu a evangelização dos índios
com o mesmo ardor precedente, arrostando dificuldades, superando obstáculos, com o único fito de salvar almas,
concomitantemente oferecendo os benefícios da civilização cristã. O ano de 1676 marca a criação de novos bispados e novo
surto missionário. Até aquela data os jesuítas continuaram seu apostolado nas aldeias indígenas, apesar da luta que
sustentavam contra as invasões. Surgiram, inclusive, novos aldeamentos. No norte se destaca a figura ímpar do Pe. Antônio
Vieira, defensor intrépido dos índios. Chegaram os inacianos até Santa Catarina e daí ao Rio Grande do Sul. Os franciscanos
também não esmoreceram na ingente tarefa. Ressaltem-se neste período os seráficos reformados a atuarem na Paraíba,
em Pernambuco e Alagoas. O maior êxito apostólico dos filhos de São Francisco foi, entretanto, no Maranhão e Grão Pará.
Catequização eficiente dos indígenas, promoção social daqueles seres humano. Capuchinhos franceses em boa hora
aderiram à obra missionária ao ensejo da França Equinocial. A 12 de abril de 1613 seis índios chegavam a Paris com Frei
Cláudio Abbeville, sendo recebidos pelo Rei, por toda a Corte e pelo Núncio Apostólico. Foram batizados solenemente pelo
Arcebispado de Paris dia 24 de junho de 1613. Um dos objetivos desta ida de silvícolas à Europa foi atingido: mais doze
capuchinhos vieram trabalhar junto aos nativos do Forte São Luís e, no Maranhão, ficaram até o fim da presença francesa
naquela região. Presos, quando demandavam’ a Guiné na África, outros capuchinhos em 1641, foram conduzidos pelos
holandeses a Pernambuco. Maurício de Nassau os recebeu muito bem por serem eles franceses e, assim, podia acalmar a
população católica, incomodada com a presença dos protestantes. Deu-lhes total liberdade de ação. Por meio da
Propaganda Fidel receberam os frades as faculdades necessárias para seu múnus apostólico. Mesmo depois da expulsão
dos holandeses, os capuchinhos aí ficaram, sendo que, após 1657,se dedicaram aos índios na região do rio São Francisco e
na Capitania do Rio de Janeiro. Neste século XVII cresceu o empenho do clero secular por um trabalho assíduo nas aldeias
indígenas. Bispos e’ sacerdotes: aqueles crismando, animando, consultando as necessidades mais prementes dos íncolas e
estes, em suas paróquias, com intensa pastoral indígena. Houve até sacerdotes do clero secular que se embrenharam
sertão a dentro para levar a Boa Nova, trazida por Cristo, àquelas populações interioranas. Com os novos bispados que
foram criados, após 1676 o clero regular e secular intensificou ainda mais seu apostolado. Por todo o território brasileiro a
evangelização dos índios se estendeu com grandes frutos também para novas tribos, malgrado a ação perversa de colonos
invasores, prepotentes, guiados pela ganância, expostos à maldade de seus corações. Foi nesta hora que muito valeu a
intervenção firme dos prelados a incentivarem os missionários e coordenando os trabalhos. Isto coibiu em parte a cobiça
dos colonos, favoreceu muito a educação e proteção do índio e suscitou o progresso do Brasil. Maior fora o número dos
que se dedicaram à causa indígena nestas missões e mais relevante ainda teria sido o papel do clero secular. Entretanto,
cumpre sejam ressaltadas, na segunda metade do século XVII, as missões regulares do clero secular no Nordeste. Página

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épica foi a conversão dos temidos índios Orises Procases na Serra de Nhumarama no rio São Francisco. Tendo sido preso o
filho do cacique desta tribo pelos índios Caimbés, o Pe. Eusébio Dias Laços de Lima, numa de suas incursões pelo interior,
chegou junto aos Caimbés no momento em que se preparava um banquete antropófago para o qual levariam à morte os
dezenove prisioneiros. A intervenção enérgica do Pe. Eusébio salvou aqueles pobres indígenas e o filho do cacique foi o
trunfo para que os Orises Procases acatassem aquele sacerdote em sua tribo. Foram cinco meses de instrução e o referido
sacerdote conseguiu que abandonassem os maus costumes, batizou-os e os orientou no sentido de melhorarem sua
agricultura 17.

Os jesuítas neste período continuaram suas lides missionárias em quatro missões em Pernambuco, dez aldeias no
Arcebispado da Bahia e quatro no Rio de Janeiro. Em São Paulo continuaram com os antigos aldeamentos e fundaram
novos no Maranhão e Amazônia.

Os franciscanos, após o contratempo da invasão holandesa, reassumiram algumas missões, sendo que em 1700 tomaram a
frente das missões dos capuchinhos franceses nos Campos dos Goitacazes, no Rio de Janeiro. Foram também até à
Amazônia e fundaram dez aldeias.

Na segunda metade do século XVII os carmelitas observantes muito fizeram pela evangelização indígena na Bahia e no
Nordeste, sendo que os carmelitas descalços muito trabalharam na Bahia e iniciaram em 1695 suas atividades na
Amazônia.

No Pará e no Maranhão os mercedários exerceram neste século notável atividade. Adite-se a profícua ação dos oratorianos,
de Olinda, única corporação brasileira composta de sacerdotes seculares, congregados sob a tutela da Sagrada
Congregação da Propaganda Fidei. Estenderam eles suas atividades ao Ceará e intensa foi a catequização dos índios desta
região.

Século XVIII

Durante o século XVIII o empenho maior consistiu sobretudo em manter e aprimorar a evangelização já levada a efeito
anteriormente. Novas áreas, porém, foram, outrossim, atingidas pelos capuchinhos, jesuítas e padres seculares. Obra que
avultou nestas décadas foi a dos carmelitas descalços que, em 1710, chegaram até à região do Solimões e, depois, às
corredeiras do Rio Branco. Criaram os denodados frades as Missões do Uaupés, florescentes até nossos dias, agora sob a
direção dos salesianos. Nem sempre é lembrado nos livros didáticos o quanto ficou o Brasil devendo a estas missões dos
carmelitas no que tange sua expansão territorial na direção dos Andes.

No século XVIII os índios já cristianizados mereceram especial atenção no sentido de seu crescimento espiritual. O fim deste
período, porém, é que marcará surto missionário indígena mais intenso. Foi no século XVII I que a evangelização dos
silvícolas sofreu até então o maior impacto do absolutismo estatal, prosseguindo, além disto, os ataques dos ambiciosos
colonos. Adite-se que muitos aborígenes se embrenharam pelos sertões o que dificultou ainda mais a tarefa missionária.
Houve, entretanto, aspectos favoráveis como ajuda periódica do rei e governantes, fornecendo, por vezes, até instrumentos
agrícolas para os índios via missionários. A Propaganda Fidei enviou capuchinhos italianos e continuou a apoiar os
oratorianos. Leigos e, entre eles, índios convertidos se tornaram ardorosos apóstolos. O monarca português instituiu a
Junta de Missão nas sedes episcopais, reunindo as autoridades locais e superiores das Ordens Missionárias.

Em Minas Gerais os Párocos se fizeram denodados obreiros do Evangelho junto aos indígenas. Surgiu a figura do
Procurador dos índios em todo o território brasileiro, cargo que era exercido normalmente por um eclesiástico talentoso.
Golpe horrípilo foi para a obra missionária e toda a educação no Brasil a expulsão dos jesuítas em 1759.

O motivo real, fundamental, era a questão do índio junto dos quais exerciam influência tal e gozavam de prestígio tanto,
que isto exacerbou os ânimos dos poderosos contra eles. Símbolo macabro desta injusta atitude foi o famigerado Marquês
de Pombal. Como salientam vários historiadores, os obreiros do Evangelho, na sua maioria, aderiram inteiramente à
evangelização missionária e não se fizeram meros funcionários do governo civil. A expulsão dos jesuítas é desta tese uma
prova cabal.

Outro aspecto prejudicial à evangelização foram nesta época os atritos entre bispos e religiosos, estes favorecidos sempre
pelos tribunais do Reino nas suas altercações com os epíscopos. Julgavam-se os religiosos fora da jurisdição episcopal.
Outro complicador foi a medida assaz deletéria do poder civil ao transformar aldeias em paróquias, coagindo índios
dispersos. Por entre estas dificuldades, o que salvou a obra missionária foi o incontestável zelo de párocos que iam
continuando a tarefa dos jesuítas e dos capuchinhos também perseguidos.

Os padres diocesanos inclusive fundaram novos aldeamentos. É de se notar que, como sempre aconteceu, a escolha dos
lugares para as aldeias era feita de acordo com a experiência dos nativos, a saber, sítios arejados, próximos dos rios, terras
mais propícias à plantação.

Na capitania do Rio de Janeiro coloque-se em relevo o nome do Pe. José das Neves Ribeiro a labutar na aldeia de Macaé
desde 24 de dezembro de 176518. Tornou-se ele grande benfeitor dos índios da região. Outro sacerdote, Pe. Francisco
Xavier de Toledo, por trinta anos, trabalhou junto aos índios Puris. Pe. Enrique José de Carvalho interessou-se pelos
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indígenas da aldeia de São Luís Beltrão. Estes alguns, entre muitos outros que se consagraram à nobre causa da
evangelização dos nativos. O mesmo ocorreu nas outras regiões do Brasil.

Por entre tais esforços coroados de êxito, assinale-se que, neste século XVIII, desde 1759 a Igreja missionária enfrentou as
inoportunas. Determinações da Metrópole quanto à emancipação legal dos índios, contida no Diretório elaborado pelo
governador e capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Além disto, o afastamento dos missionárias da
administração territorial só podia trazer funestos resultados. O fito maligno pretendido por Mendonça Furtado foi
infelizmente atingido: despreparados para gozar tal liberdade legal, mas aparentes, fictícias, foram inúmeros índios
facilmente dominados pelos desalmados colonos. O patrimônio indígena foi usurpado, territórios estes tão arduamente
defendidos pelos pregoeiros do Evangelho.

Século XIX

No século XIX a evangelização indígena sofreu os entraves de uma era das mais conturbadas para a Igreja, sobretudo no
período imperial (1822-1889). O regalismo do Império violentou a liberdade da Igreja, somando-se a isto o posicionamento
do clero envolvido com a maçonaria. Na época colonial, de um modo geral, os soberanos, independentemente das
prerrogativas do Padroado, zelavam pelo bem espiritual dos súditos. Se, às vezes, como foi mostrado, adotavam medidas
que prejudicavam determinadas ações, outras, até propiciavam meios valiosos que impulsionavam as missões. Não
tomaram atitudes no terreno eclesiástico do tipo das intervenções das autoridades civis dos tempos imperiais. Estas, aliás,
foram precedias pelas ações ignóbeis de Pombal e pelas perseguições de D. João VI.

No primeiro Império, índios arredios foram massacrados em Goiás, São Paulo e Minas Gerais. Missionários capuchinhos
foram proibidos de exercer o ministério pastoral19, como por exemplo, aconteceu já na regência, com Frei José Maria de
Macerata que missionou o Mato Grosso. Eleito em 1826 Vigário Apostólico da recém criada diocese de Cuiabá foi destituído
da prelazia pelo Regente Feijó20. As sábias diretrizes de José Bonifácio apresentadas ao parlamento dia 12 de junho de
1823 sob a epígrafe Apontamentos para a civilização dos índios bravos do Império do Brasil não mereceu a atenção dos
Constituintes. Medida salutar, porém, nas alternâncias políticas de então foi, no segundo Império, a permissão da vinda de
capuchinhos italianos, graças ao Decreto de 21 de junho de 184321 e a criação de um diretor-geral dos índios nomeado
pelo Imperador. Tal diretor-geral controlava a catequese de cada Província, devendo insistir na formação católica dos
silvícolas, cuidando de sua educação.

Antes, em 1840, na regência de Pedro Araújo Lima, capuchinhos italianos haviam sido chamados, vindo naquele ano 6
missionários e, em 1842, mais 11, que se beneficiaram com a disposição do governo regencial de lhes dar a passagem. Após
1843 os capuchinhos criaram aldeamentos em quase todas as províncias do Império.
Houve também a presença de franciscanos na Amazônia. Frei Venâncio Willeke com perspicácia analisou o lance que
mostra como tendenciosa era a política indigenista do Imperador. Diz este historiador: “O Pedro 11 desfechou, em 1855, o
golpe mortal à vida claustral interditando definitivamente os noviciados de todo o Brasil. Mas, por contraditório que pareça
o mesmo imperador se viu obrigado a contratar missionários europeus para a evangelização e civilização dos silvícolas”22.
Na verdade, bem revela Willeke, a intenção primeira do governo era política: “Pois queria que os índios, a serem aldeados
pelos missionários, garantissem as zonas fronteiriças contra o perigo da invasão e anexação dos povos vizinhos”23. Seja
como for, porém, e não obstante as dificuldades de toda ordem que surgiram, os índios da província do Amazonas, neste
século XIX, puderam receber o influxo benéfico da presença da Igreja. O trabalho não foi inócuo, dado que no século
seguinte treze prelazias com nove congregações missionárias diferentes aí floresceram.

Acrescente-se a presença dos frades dominicanos em Goiás, após 1881, onde fundaram centros de catequese para os
índios, o que fizeram também no Triângulo Mineiro.

Se houve pelos motivos expostos um arrefecimento na obra missionária neste século XIX, também não faltaram aqueles
que conservaram, na medida do possível, o quanto já havia sido realizado em prol dos índios, ampliando inclusive o campo
de ação. Os momentos mais favoráveis foram bem explorados. Nem se omitiu, outrossim, o clero secular nesta tarefa
missionária, como ocorreu com o Padre Francisco Chagas Lima entre os índios puris da Serra da Mantiqueira e do Rio
Paraíba e entre os caingangues e votorões nos sertões de Guarapuava24. Outro fato notável deste século XIX foi a chegada,
em 1883, dos salesianos ao Brasil e sua imediata dedicação aos bororós no Mato Grosso.

Século XX

Quando a 12 de maio de 1901 foi fundada em São Paulo a Sociedade de Etnografia e Civilização dos índios, de seus 335
sócios, 49 eram eclesiásticos. Assim, logo no alvorecer do último século deste milênio a Igreja demonstrou ainda mais uma
vez seu devotamento à causa indígena, prosseguindo o que fizeram no passado. Uma das comissões desta novel Sociedade
era a de catequese, presidida pelo capuchinho Bernardino de Lavalle.

Neste nosso século sacerdotes seculares dedicados às missões entre os indígenas, se projetaram, como Monsenhor Claro
Monteiro do Amaral. Ele não só estudou línguas indígenas como também nos sertões paulistas se sacrificou na árdua tarefa
de amparo e evangelização dos íncolas.

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O papa Pio X, pela encíclica Lacrimabili statu, de 7 de junho de 1912, revelava suas preocupações com as condições de vida
dos aborígenes americanos. Refere-se ele ao Brasil e ratifica a doutrina da Igreja sobre a dignidade dos primeiros
habitantes destas regiões. Pelas circunstâncias, o miserável estado a que estavam reduzidos urgia maiores providências da
parte de todos a favor das populações indígenas.

Cumpria, de fato, novo surto missionário e prelados eminentes logo se puseram a campo para uma reestruturação das
missões. No Mato Grosso florescem, até hoje, as missões salesianas junto aos Bororós e Xavantes. Os salesianos, com
justiça chamada “Jesuíta do século XX”, na Prefeitura Apostólica do Rio Negro tiveram idêntico sucesso.

Os dominicanos voltaram-se para o interior do Pará com grande êxito.

A Pastoral Coletiva de 1910 recomendou as pias obras da propagação da fé e insistiu nas coletas para a conservação e
difusão do Evangelho entre os nossos índios25.

O Pe. José Vicente César da Congregação do Verbo Divino se destaca entre os indigenistas militantes de nossos dias.
Antropólogo competente, fundador em São Paulo do Instituto Anthropos do Brasil, hoje sediado em Brasília, é um
testemunho vivo do interesse da Igreja pela causa indígena. Ele lamenta que o Serviço de Proteção aos índios (SPI),
instalado a 7 de setembro de 1910, não tenha tido para o seu primeiro diretor-geral, o tenente-coronel de engenharia
Cândido Mariano da Silva Rondon, sucessores à altura do cargo26. Rondon, admirador da obra catequética da Igreja não
poupava elogios e apoio à obra dos missionários.

A lei de 1936 no artigo 45 facultava aos sacerdotes e missionários, sem distinção de culto, a pregação catequética junto aos
índios. Aliás, se registra que, dez anos antes em 1926, D. Leme promovia no Rio de Janeiro uma Semana Missionária que
deu novo impulso à evangelização indígena. Quando da criação em 1969 da Fundação Nacional do Índio, (FUNAI), seus
dirigentes procuraram logo entrar em contato com a Igreja, tendo sido realizado o 1° Simpósio indigenista FUNAI- MISSÕES
RELIGIOSAS. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 1968, promovera em Encontro de Estudos em São
Paulo, reunindo antropólogos e missionários.

Em 1970 na sede do Anthropos em São Paulo patrocinou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com grande proveito,
através do Secretariado Nacional de Atividade Missionária (SNAN), o 2° Encontro de Estudos sobre a presença da Igreja
entre as populações indígenas, com a participação, nos dois primeiros dias, do presidente da FUNAI. A presença de notáveis
antropólogos enriqueceu aquele Encontro no qual ficou claro o fito da Igreja de preparar as populações indígenas para uma
integração harmoniosa na sociedade brasileira27.

Entre outras ações da CNBB, saliente-se a fundação, em 1972, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), destinado a ser o
órgão coordenador da pastoral indígena da Igreja no Brasil. O CIMI se bate pela definição, delimitação e respeito dos
Parques Indígenas, rápida demarcação e respeito a terras legalmente definidas como de indígenas, bem como por novas
áreas para esses habitantes do Brasil. O CIMI propõe um meio termo entre o isolamento total dos grupos indígenas e a sua
excessivamente rápida, tumultuada assimilação, respeitando suas formas de governo, seus valores28. Isto mostra que o
etnocentrismo europeu que missionários dos primeiros séculos, pelas circunstâncias, não superaram, já é uma realidade
neste século XX. Adite-se que hoje está também inteiramente dissociada da evangelização a ideologia da conquista que
moveu, como foi visto, os reis portugueses em sua empresa missionária. A CNBB tem se devotado à causa dos índios,
nunca se omitindo ante as injustiças e perseguições. Firme aposição do atual Presidente da CNBB, D. Luciano Mendes de
Almeida, em tudo que vem envolvendo os índios em nossos dias, como, por exemplo, na defesa intransigente dos povos
Yanomami.29

Deste modo se pode perceber que a Igreja não descurou, neste século XX, a causa indígena. Tem se mobilizado par atender
espiritual e socialmente às comunidades espalhadas pelo imenso território brasileiro. Cumpre seja focalizado o sucesso
ímpar que têm tido os salesianos, sobretudo na Prelazia do Rio Negro com suas escolas profissionais e populares, muito
fazendo também eles para a melhoria das populações no que tange à situação sanitária das mesmas e pela elevação moral
de seus costumes. Poder-se-iam acrescentar inúmeros outros serviços de sacerdotes do clero secular, como os do Pe.
Arlindo Rubert na área indígena de Nonoai no Rio Grande do Sul, desde janeiro de 1979. Sobre este notável trabalho assim
se expressou o bispo diocesano de Frederico Wastphalen, D. Bruno Maldaner: “Ciente da capacidade dos índios Kaingangs e
Guaranis para receber a fé e nela progredir; e convicto de que em suas culturas estão semeadas “Sementes do Verbo” que
facilitam a aceitação do cristianismo, Pe. Arlindo apostou na enculturação do Evangelho, respeitando o seu habitat, seus
costumes, sua índole, sua religiosidade, suas diferenças e valores específicos, e a inviolabilidade de seus bens”30.
Conclusões:

O Trabalho Missionário

São mais de 500 anos de evangelização, cujos momentos chaves, sinteticamente, acabam de ser percorridos e que mostram
o labor dedicado, persistente da Igreja em favor dos índios do Brasil.

Os missionários plantaram a fé na terra de Santa Cruz e ofereceram aos nativos os valores do Evangelho com reta intenção,
disponibilidade, admirável imolação a tão nobre causa. Revelaram espírito de doação, destemor apostólico, zelo

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evangelizador e notáveis aptidões pedagógicas. Empregaram sempre a melhor solução possível no contexto em que viviam.
Além de inegáveis frutos no setor espiritual, muito fizeram para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

Cruz e Espada Tudo isto mostra que houve uma diferença fundamental de mentalidade e de propósitos entre
conquistadores ambiciosos e maus cristãos e aqueles que, obreiros de Deus, visavam a promoção humana e a redenção
dos íncolas. Identificar cruz e espada do mal é procedimento maligno que não se coaduna com a realidade dos fatos.
Enquanto sertanistas gananciosos destruíam as culturas autóctones, os missionários preservavam a língua nativa até
mesmo contrariando prescrições da Metrópole, incorporavam ao culto costumes indígenas empregavam princípios sadios
de aculturação hoje preconizados pelas Ciências Sociais modernas.

Críticas Infundadas – Alteridade desrespeitada Certas afirmações que atingem a obra missionária merecem reparo, como
dizer que: “Nos documentos históricos o indígena” nunca foi “fronteira”, nunca se respeitou (sic) a sua irredutível alteridade,
pois o catolicismo que se “ampliou” ou se “dilatou” (a terminologia, “propagar”, “propagação”, é só do Século XVIII) era
inconsciente das suas fronteiras e só considerava o outro como marginal, nunca como “outro” no sentido pleno da palavra.

Daí o zelo quase fanático dos missionários (sic) em extirpar qualquer vestígio do que era interpretado como idolatria,
barbárie, aberração da verdadeira fé,31. Cumpre observar em primeiro lugar que os termos propagar 32 propagação,
exprimem uma ideia que sempre foi empregada pelos mais antigos escritores do cristianismo, constatando um fato: a
Igreja que se propagava, se espalhava, se difundia. Tertuliano escreve na Apologia33: “Somos de ontem e já enchemos as
cidades, os burgos, os campos, o fórum”. São Justino em seu diálogo com Trifão fala da difusão da Igreja34. É que Cristo
instituiu esta Igreja em estado militante e isto enquanto durar a história. Ele falou aos apóstolos: “Quem vos ouve a mim
ouve, quem vos rejeita a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou”35. É preciso, pois, fazer discípulos
de todas as nações36, inclusive das indígenas. Ora, para se tornar discípulo de Cristo é preciso uma renovação total. É um
ser novo37 que deve surgir, cujo comportamento é radicalmente modificado. O missionário agiu não fanaticamente, mas
seguindo um preceito:

“Quem não crê já está condenado”38. A fé exige uma opção decisiva e radical. São Paulo denuncia o pecado universal dos
homens: em vez de admitir o Criador através de sua criação, trocaram a glória do Deus incorruptível por uma
representação de suas criaturas, obra, várias tribos indígenas adoravam o Sol, que chamavam Guaraci, e a Lua,
denominada Jaci. Outras tinham vaga ideia de um Ser poderoso-Tupã -, que se manifestava através de fenômenos
meteorológicos. Acreditavam em um sem número de gênios ou espíritos. O pajé, adivinho e curandeiro, exercia maléfica
influência sobre a tribo. Anchieta assim se expressou: “nenhum deles comparece diante de nós, porque descobrimos os
seus embustes e mentiras” 41. O missionário aportou na América para libertar através da Verdade 42.

A cultura indígena era quase nula e seria desumano deixar seres racionais num estágio da idade da pedra sem lhes
oferecer o que a inteligência humana obtivera em milênios de árduo progresso, marginalizando-os. Admitir costumes
bárbaros seria anti evangélico. Em carta ao Geral Diogo Lainez43 Anchieta narra como os índios haviam enterrado um
menino recém-nascido, “… porque sendo aquela moça prenhe de um que a havia por mulher, sendo dele deixada, com
outro se casou, de maneira que segundo opinião desta gente, ficava o menino mestiço de duas sementes, e aos tais, em
nascendo, logo vivos os enterram com tão grande bestialidade e crueza, que mui menor sentimento tem por ele sua mãe
que se lhe morresse um cachorro…”. Anchieta conseguiu desenterrar o menino ainda com vida e como nenhum indígena o
quisesse ele mesmo caridosamente o lavou e dele cuidou. Atitude cristã, humana, de missionário abnegado. Vivência de
princípios desconhecidos pelos indígenas. Inúmeras outras aberrações enumera Anchieta nas suas Cartas44.

Doutrinação

Outra ressalva feita aos missionários diz respeito à doutrinação: “Em segundo lugar o discurso dos missionários acerca de
sua missão era doutrinário… Persuadir de quê? Sem dúvida da necessidade de salvação pela audição do evangelho: a
soteriologia da salvação universal ligada à audição física e auricular de vocábulos evangélicos parece estar subjacente a
todo o imenso esforço de doutrinação dos índios e africanos no Brasil. […] instala-se aos poucos uma firme identificação
entre evangelização e doutrinação que nunca mais será posta em dúvida, até aos nossos dias, pelo menos em termos de
Igreja oficial”. – O primeiro aspecto a ser enfocado é que Cristo doutrinou 45. É uma novidade o que Ele pregou e causou
impacto46. Ele refugou a tradição errônea 47. Foi o que o missionário, lugar-tenente de Cristo, fez. Ensinou e não aceitou
uma tradição falha dos índios.

A ordem do Mestre foi clara: “lde e ensinai”48. Rompeu fronteiras. Os apóstolos penetram no mundo judaico e gentio.
Catequese 49 completada, aliás após o batismo. Os didáscalos (didaskaloi – mestres, doutores) eram catequistas
encarregados de fixar e desenvolver para as novas comunidades o conteúdo doutrinal50 que devia ser aceito como regra
de fé51.

Este depósito devia ser transmitido através das gerações cristãs até chegar aos indígenas e africanos que também deveriam
ser doutrinados. Grave omissão não lhes oferecer a Verdade. Deviam persuadir52, pois a doutrina é ministrada para ser
vivida e toda comunicação ou persuade ou foi falha em algum de seus ingredientes Comunicação através de palavras e
vocábulos que são sinais53. Cristo os usou, sendo Ele mesmo a Palavra viva de Deus 54, empregando vocábulos, por vezes,
não entendidos pelos discípulos que eram por Ele doutrinados55. A única Igreja de Cristo, oficial, isto é, segundo o sentido
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original do termo, às ordens de um magistrado que é Cristo, o Mestre56 é que dirige, ordena, conduz por meio daqueles
que Ele constituiu Apóstolos, seus delegados oficiais57 para pregar a palavra58. A autoridade apostólica é exercida a
propósito da doutrina, do ministério e da jurisdição.

São Paulo fazia valer sua autoridade doutrinal59. Era esta a missão dos enviados de Cristo que demandavam a América.
Evangelizar é doutrinar. Cristo foi um doutor e teve que romper fronteiras60. Se a doutrina é ou não aceita e vivida, trata-se
de outra questão. A conversão é obra da graça que opera de maneira invisível. Imperscrutáveis os caminhos de Deus.

Aí o historiador é obrigado a parar. Seu campo de ação terminou. Cristo pregou, doutrinou e, quando deixou este mundo,
poucos os que aceitaram sua pregação. Não se poderia exigir mais dos missionários. Lançaram a semente da fé. A história
da Igreja é teândrica. Este aspecto divino-humano não pode nunca ser olvidado. Desde os primeiros séculos houve
conversões e oposições. Houve o joio e o trigo. Na América não foi diferente. O missionário cumpriu o seu dever:
evangelizou, doutrinando.

Discurso guerreiro Afirma-se, porém, que “atrás deste discurso doutrinário, esconde-se um discurso guerreiro […] O caráter
guerreiro do discurso evangelizador fez também com que os missionários não tivessem interesse real em conhecer e
respeitar a cultura dos “outros” (sic) aos quais foram enviados: africanos e indígenas [00′] A Igreja que evangelizou o
Brasil foi uma igreja “em pé de guerra” (sic)61. Quando se abre o Evangelho se constata que Cristo afirmou que não viera
trazer a paz mas sim a espada62, pois o reino de Deus está sujeito à violência63. O cristão é combatente64. É soldado de
Cristo65. Todo soldado deve ser disciplinado, é óbvio. A catequese desde o início do cristianismo foi organizada, pois a
Igreja foi criada por Cristo para reunir todas as diversidades humanas66, para se adaptar a todas as culturas67 e abraçar o
universo inteiro 68. Isto, porém, não num ecletismo espúrio na aceitação do erro69. Daí um corpo de doutrina haurida do
Evangelho. Os missionários batizaram milhares de gentios. Conseguiram que muitas tribos abolissem a antropofagia. Sobre
ídolos do fetichismo elevaram a cruz do Deus verdadeiro. Tribos nômades foram socializadas.

Populações foram aldeadas. Um trabalho prático e orientado para o bem comum foi implantado. O discípulo de Cristo é luz
e sal70 e nas trevas do politeísmo, de aberrações morais, de crendices estavam imersos os indígenas. Preconceitos infantis
deviam ser erradicados. O que havia de positivo os missionários incorporaram ao patrimônio comum. Com efeito, “foi ao
ouvido do jesuíta que o íncola confiante segredou o mistério das virtudes curativas de suas plantas veneradas. E foi o
jesuíta indômito que segredou estas mesmas virtudes ao ouvido longínquo da civilização que o esqueceu, o desprezou e o
perseguiu”71. Aprenderam a linguados índios e pregaram o Evangelho:

“Por qualquer face que se encare, só pelo lado religioso, sob o ponto de vista político, ou sob o ponto de vista econômico;
ou, finalmente, como método, como sistema, como recurso empregado-a evangelização do Brasil-colônia é uma obra-prima
do Jesuíta”72. Finalizando, uma pergunta dos críticos: “Como saber o que eles obraram em termos de amizade,
sensibilidade pelo outro, abertura para a alteridade dos indígenas ou africanos, amor aos pobres, esperança, caridade, fé”?
73. Não se pode colocar em dúvida que o missionário levou ao heroísmo a prática das mais peregrinas virtudes
e demonstrou um humanismo cristão completo. “Onde o jesuíta acovou as bagas florescentes da catequese, fulge o teto,
mesmo palhiço, de um catre, sobre o qual se debateu, ungido na piedade cristã, o consolo do primeiro alívio temporal.
Onde se detorou o lenho virgem e se urdiu a caliça ainda casta para estearem a lareira do primeiro templo e da primeira
escola, se erigiram as Misericórdias, amassadas no barro que cozeu a telha sagrada dos púlpitos, e, com elas, as
enfermarias para os doentes desprotegidos, os hospícios para as velhices desafortunadas, os orfanatos para os infantes
desvalidos, os recolhimentos para as filhas desviadas”74. Com efeito, “no litoral, como no sertão, a catequese foi a obra da
caridade. E de que outro meio podiam dispor os jesuítas para as façanhas e feitos maravilhosos de que nos falam as
crônicas?”75.

Além disto, acrescente-se que “se de um lado é certo que a obra da catequese não podia ser feita sem brandura, zelo,
devotamento, imolação; de outro lado, não é menos evidente que a obra da civilização brasileira não se teria iniciado senão
muito tarde sem a perseverança dos missionários”76. Todas as beneméritas ordens religiosas que aqui atuaram bem como
o clero secular, entre eles vultos que personificaram as mais exímias virtudes cristãs e em cujas ações rebrilha o mais
genuíno heroísmo, concorreram para o desenvolvimento do país. Catequizaram. Educaram um povo. Fundaram colégios,
escolas, hospitais, institutos pios e de beneficência e tudo isto é fruto opimo de autêntica evangelização.

Atualização

Herdamos este valioso patrimônio espiritual que custou o sofrimento e o sangue dos que nos precederam. Cumpre
aperfeiçoar a obra daqueles que com seu labor missionário evangelizador plantaram e consolidaram a Igreja entre os
índios.

Corrigidas falhas humanas, enriquecida com o avanço das Ciências Sociais, é necessário à geração de hoje valorizar esta
herança e transmiti-la aos pósteros que prosseguirão a árdua caminhada. Eles também perceberam ao vivo o caráter
teândrico da Igreja que, por entre lutas, falhas humanas e conquistas, vai cumprindo a tarefa que o Redentor lhe confiou.

É que a revisão honesta do passado oferece perspectivas frutuosas para o porvir.

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O Papa e a evangelização no Brasil

“Ressoaram em nossa pátria as sábias e oportunas palavras do papa João Paulo” em


sua visita ao Brasil em outubro de 1991. Falando sobre a ação dos obreiros do
Evangelho, ele a classificou de uma sublime epopeia, citando inclusive nomes
veneráveis de Apóstolos de Cristo que aqui disseminaram a doutrina salvadora do
Filho de Deus entre os indígenas. Consagração apoteótica do Chefe da Igreja a 500
anos de uma obra gigantesca, honra e glória da Igreja missionária de Cristo.

Notas

1. João Paulo II, Roma, 14.06.1991 ao se dirigir à Pontifícia Comissão para a América
Latina.
2. Marcos Carneiro de Mendonça, A Amazônia na era Pombalina, São Paulo, 1963, p. 259.
3. Luís de Camões, Os Lusíadas, Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, Canto 1,2, p. 12.
4. Mateus 28,19.
5. Leão XIII, Sobre as Missões Católicas – Sancta Dei Civitas et Christi Nomen- Petrópolis, Vozes, 1947, p. 1.
6. Arlindo Rubert, A Igreja no Brasil: Origem e Desenvolvimento (Século XVI), Santa Maria, Editora Pallotti, 1981, p. 141.
7. Serafim Leite, História da Companhia de Jesus no Brasil. Lisboa, Portugália, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1938.
8. .11, Epist. 62, apud Rohrbacher, Histoire Universelle de l’Église Catholique, T. IV, Paris, Letouzey et Ané Editeurs, s. d, p.
343-344.
9. Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, A Igreja e a Escravidão: uma análise documental, Rio de Janeiro, Presença,
1985, p. 39-41.
10. Therezinha de Castro, História Documental do Brasil, Rio de Janeiro, Record, s.d., p. 50-51.
11. Idem,ibidem.
12. Mecenas Dourado, Ensaio Crítico e Transcrição integral do Diálogo da Conversão do Gentio do Padre Manuel da
Nóbrega, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, 1968.
13. Hélio Abranches Viotti, Nóbrega e a Conversão do Gentio, São Paulo, p.7.
14. Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, op. cit., p. 73.
15. Frei Venâncio Willeke, Missões Franciscanas no Brasil (1500-1975), Petrópolis, Vozes, 1974, p. 67.
16. Biblioteca de Évora, CXVI, 1-35, f. 45, ss., manuscrito de 1584.
17. Arlindo Rubert, op. cit., volume II, Expansão Missionária e Hierárquica (século XVII), p. 244, cf. José Freire
Montarrio Mascarenhas, Os Orizes Conquistados, Lisboa, 1716.
18. Joaquim Norberto de Souza e Silva, Memória histórica e documentada das aldeias dos índios da Província do Rio de
Janeiro in: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, IHGB, 1854,vol. 17, passim.
19. Fidelis M. de Primério, Capuchinhos em terra de Santa Cruz, São Paulo, 1942, p. 234-237.
20. Heliodoro Pires, Temas de História Eclesiástica do Brasil, São Paulo, 1946, p. 193.
21. Fidelis M. de Primério, op. cit., p. 242.
22. Frei Venâncio Willeke, op. cit., p. 158.
23. Idem, ibidem.
24. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, IV, 1842, p.43-64.
25. n. 1285, p. 373, edição de 1911.
26. José Vicente César, Catequese e Conversão dos índios do Brasil, Brasília, Anthropos do Brasil, 1975, p. 53.
27. Idem, ibidem, p. 47-59.
28. Marina Bandeira, Movimentos Sociais Inovadores promovidos pela Igreja Católica no Brasil: 1950-1990, Alemanha, p. 25.
29. D. Luciano Mendes de Almeida, Em defesa do povo Yanomami in: O Arquidiocesano, Ano XXX, n. 1527, Mariana, Editora
D. Viçoso, 25 dez 1988, p. i: Yanomami in: op. cit., Ano XXXI, n. 1579, 14 jan 1990, p. i: Yanomami, in: op. cit Ano XXXII, n.
1610, 26 ago 1990, p. i.; Esperança para os Yanomami in: op. cito Ano XXXIII, 18 ago 1991, p. i.
30. Arlindo Rubert, A serviço da área Indígena de Nonoai, Passo Fundo, Editora P. Berthier, 1990, p. i.
31. Eduardo Hoornaert et alli, História da Igreja no Brasil: Primeira Época in: História Geral da Igreja na América Latina,
Petrópolis, Vozes, 1977, p.23-29.
32. Propagare de Pro e da raiz PAG, donde pango. Lucr., Cic. Multiplicar, propagar. Propagare genus. In: Claud. Estender,
alargar, engrandecer, aumentar, desenvolver. Propagare Imperium. Suet. Alargar os limites do império, ef. F.R. dos
Santos Saraiva, Novíssimo Dicionário Latino-português, Rio de Janeiro, p. 964.
33. R. Beringer. La prensa y Las Lecturas. Las misiones,. Tomo XVI, Barcelona, 1933, p. 252.
34. Idem, ibidem.
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10/05/2018 A Evangelização dos Índios no Brasil | Cléofas

35. Lucas 10,16.


36. Mateus 28,19.
37. Tito 3,5.
38. João 3,18.
39. Idem 3, 19-21.
40. Romanos 1,18-32.
41. Lopes Rodrigues, Anchieta e a Medicina, Belo Horizonte, Edições Apollo, 1934, p. 137.
42. João 8, 31 s.
43. Lopes Rodrigues, op. cit., p. 197-198.
44. José de Anchieta, Cartas, São Paulo, Loyola, 1984, passim.
45. Mateus, 4,23; João 6,59; João 26,55.
46. Marcos 1,27; 11,18.
47. Mateus 15,1-9.
48. Mateus 28,19 s.
49. Atos 2,22-40.
50. Atos 13,1; Efésios 4,11.
51. Romanos 6,17.
52. Persuadere – persuadir, convencer, induzir, levar a, aconselhar a F. R. dos Santos Saraiva, op. cit., p. 883.
53. Sinal formal, natural: idéia. Sinal instrumental, artificial: termo oral, ou escrito.
54. Hebreus 1,1 s; João 1,4 s., 9.
55. Mateus 13,3. 24. 31.
56. Magistratus – de magister. Magistratura, cargo, emprego, função, dignidade de magistrado. Magister – da raiz MAG,
donde Magnus. O que manda, dirige, ordena, guia, conduz, diretor, inspetor. F. R. dos Santos Saraiva, op. cit. p. 703.
57. Atos 15,22; 11,30; 13,3; 14,26; 15,2.
58. Gálatas 1,8 s.
59. João 9,39 ss.
60. Eduardo Hoonaert et alii, op. cit., p. 26-27.
61. Mateus 10,34.
62. Mateus 11,12.
63. Efésios 6,10 ss; 1 Pedra 5,8 s.
64. 1 Tessalonicenses 5,8; Efésios 6,11, 13- 7.
65. Atos 10,13.
66. 1 Coríntios 9,20 ss.
67. Mateus 28,19.
68. Gálatas 1,8 s.
69. Mateus 5,13 s.
70. Lopes Rodrigues, op. cit, p. 27.
71. Júlio Maria, Memória Histórica, Rio de Janeiro, Agir, 1950, p 94.
72. Eduardo Hoonaert, op. Cit. p. 28.
73. Lopes ROdrigues, op. cit., o. 7.
74. Júlio Maria, op. cit., p. 7.
75. Idem, ibidem p. 90.

Fonte: Revista Communio. ano IX, N°61, jan./fev./mar./1993.p.5-36


*Membro do Instituto Histórico e Geográ co do Brasil, Membro do Instituto Histórico e Geográ co de Minas Gerais,
Professor de História da Igreja. (Nota da Redação).
*Con. José Geraldo Vidigal de Carvalho

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Sobre Prof. Felipe Aquino


O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área
pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é
Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da
Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento
XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova,
apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o
programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em
todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e
Canção Nova.
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