Você está na página 1de 13

1ª Experiência - Amplificador Diferencial

2018/1

RIO DE JANEIRO/RJ

1. Introdução
Este trabalho tem como objetivo projetar um amplificador diferencial como
o mostrado na Figura 1. Tem se como objetivo a implementação pratica da
teoria passada em aula, além do levantamento das características de um
amplificador diferencial.
Figura 1 – Amplificador Diferencial a ser projetado

Um amplificador diferencial (fig. 1) é um circuito que tem duas entradas


nas quais são aplicadas duas tensões v1 e v2 e uma saída vo. Considerando
condições ideais, onde v1 = v2 a saída será nula, isto é, um AD é um circuito que
amplifica só a diferença entre duas tensões rejeitando os sinais de entrada
quando estes forem iguais. Essa propriedade neste tipo de amplificador é
responsável por reduzir ou até eliminar qualquer tipo de ruído indesejável no
sinal a ser amplificado. Os amplificadores diferenciais são usados em
instrumentação e em equipamentos onde é necessário obter essa amplificação
com fidelidade e sem distorção.

2. Material utilizado
Utilizou- se no experimento o transistor BC547 mostrado na figura abaixo.
Figura 2 – Transistor BC547

Os materiais utilizados são:

 Fonte de tensão continua


 1 Gerador de funções
 2 transistores BC547
 3 Capacitores
 Resistores de diferentes valores
 1 Protoboard
 1 Multímetro
 Fios.

3. Projeto
Necessitamos projetar um amplificador diferencial (fig. 1) com as
seguintes especificações:

 ∣ 𝐴𝑑 ∣≥ 50
 ∣ 𝐴𝑐 ∣< 1
 Excursões simétricas e máxima em modo diferencial
 𝑅𝐿 = 3,3𝑘𝛺
 T1 e T2 devem ser transistores do tipo BC547 (A, B ou C)

Para o auxílio no projeto foram dadas as seguintes equações:

ℎ𝑓𝑒 𝐼𝐶 𝑞
𝐸𝑆 = 𝑅𝐴𝐶 𝐼𝐶 (1) 𝐸𝐼 = 𝑉𝐶𝐸𝑄 (2) = (3)
ℎ𝑖𝑒 50 𝑚𝑉
Onde ℎ𝑓𝑒 e ℎ𝑖𝑒 são parâmetros do transistor, 𝐼𝐶 𝑞 e a corrente de polarização do
transistor, 𝑅𝐴𝐶 é a resistência equivalente ao paralelo de RC e RL, VCEQ é a
tensão de polarização, entre os terminais do emissor e do coletor do transistor,
e ES e EI são respectivamente as excursões máximas superior e inferior.

 Análise do ganho

A tensão 𝑣0 pode ser definida pela seguinte equação:

𝑣0 = 𝐴𝑑 𝑣𝑑 + 𝐴𝑐 𝑣𝑐 (4)
𝑉1 + 𝑉2
Onde 𝑉𝑐 = e 𝑉𝑑 = 𝑉1 − 𝑉2 . Assim, de acordo com a equação (4) para o
2
cálculo de 𝐴𝑑 , faz-se 𝑉1 = −𝑉2 , enquanto que para o cálculo de 𝐴𝑐 se usa 𝑉1 =
𝑉2.

Realizando a análise do circuito mostrado na figura 1, obtemos então, para os


ganhos Ac e Ad

(5) (6)

Utilizando a equação (3) nas equações (5) e (6), obtemos as seguintes


inequações a serem satisfeitas para o projeto do amplificador

𝑅𝐴𝐶 < 2𝑅𝐸 (7) 𝑅𝐴𝐶 𝐼𝐶𝑄 ≥ 5 (8)

 Excursão Simétrica de Sinal

Para a excursão simétrica do sinal, 𝐸𝑠 deve ser igual a 𝐸1 , ou seja

𝑅𝐴𝐶 𝐼𝐶𝑄 = 𝑉𝐶𝐸𝑄 (9)

 Análise DC:
Figura 3 – Analise DC de um amplificador diferencial

Através da análise da malha de saída do transistor (“caminho” coletor-


emissor), obtemos a seguinte equação para 𝑉𝐶𝐸𝑄

𝑉𝐶𝐸𝑄 = 24 – 𝐼𝐶𝑄 (𝑅𝐶 +2𝑅𝐸 ) (10)

Substituindo o (10) em (9), temos para o cálculo de 𝑅𝐸


12 𝑅𝐶 + 𝑅𝐴𝐶
𝑅𝐸 = − (11)
𝐼𝐶𝑄 2

Como medida de aproximação de projeto, estipulamos a corrente 𝐼1 que


passa pelo resistor 𝑅1 é metade da corrente de 𝐼𝐶𝑄 , e também o β do transistor
é suficientemente grande para aproximarmos 𝐼1 ≈ 𝐼2 e partir dai obtivemos as
seguintes equações

𝑉𝐵𝐵 = 𝑅2 𝐼1 (12) 𝑉𝐵𝐵 = 2𝑅𝐸 𝐼𝐶𝑄 − 11,3 (13)

𝐼𝐶𝑄
Igualando (12) e (13), e considerando 𝐼1 = , obtemos
2

22,6
𝑅2 = − 4𝑅𝐸 (14)
𝐼𝐶𝑄

Temos, então, pelo Thevenin do circuito de base

𝑉𝐵 𝑅2 − 𝑉𝐵𝐵 𝑅2
𝑅1 = (15)
𝑉𝐵𝐵
Onde 𝑉𝐵 terá, em modulo, 12 V, porém com o mesmo sinal do 𝑉𝐵𝐵 encontrado
na equação (13).

 Calculo

Para o cálculo dos valores das resistências do amplificador, estimamos


um valor de resistência 𝑅𝐶 buscando a máxima transferência de potência à carga
𝑅𝐿 . Considerando o parâmetro hoe do transistor muito próximo de zero, a
resistência de entrada do amplificador pode ser aproximada como sendo o
próprio 𝑅𝐶 . Assim, de acordo com o teorema da máxima transferência de
potência, 𝑅𝐶 deverá ser igual a𝑅𝐿 , logo 𝑅𝐶 = 3.3𝑘Ω

A partir disso, o cálculo de 𝐼𝐶𝑄 foi feito através da equação (5), onde
estipulamos uma margem de 10% para o ganho de modo diferencial pedido.
Com o valor de 𝑅𝐶 e 𝐼𝐶𝑄 , calculamos o valor de RE pela equação (11). Por fim,
as resistências 𝑅1 e 𝑅2 são calculadas pelas equações (15) e (14).

Tabela 1: Tabela de Valores de Componentes Calculados

Componente Valor
Calculado
R1 4.92 kΩ
R2 2.28 kΩ
RC 3.30 kΩ
RE 1.12 kΩ

4. Re – projeto
Os valores calculados na seção anterior foram ajustado para os valores
comerciais e os valores recalculados estão nas Tabelas 2 e 3.
Tabela 2: Tabela de Valores de Componentes Recalculados

Componente Valor
Calculado
R1 4.70 kΩ

R2 2.20 kΩ

RC 3.30 kΩ

RE 1.20 kΩ

Os valores recalculados para a Tabela 3 foram calculados de acordo com


este procedimento:

1. ICQ1 = ICQ2 e foram calculados através da equação (13).


2. VCE1 = VCE2 e forma calculados através do resultado de ICQ e da equação
(10).
3. Ad foi calculado através da equação (6).
4. Ac foi calculado através da equação (5).
5. ES e EI foram calculados respectivamente através das equações (1) e
(2).

5. Simulações

As simulações do projeto foram realizadas no Multisim 14.0 utilizando os


valores de resistência recalculados, mostrados na Tabela 2.

Pela Figura 2, podemos adquirir os valores simulados de ICQ1, ICQ2, VCE1 e VCE2.

Na Figura 3, podemos calcular o ganho de modo diferencial, Ad do amplificador.


𝐶ℎ𝑎𝑛𝑒𝑙 𝐴
𝐴𝑑 = .
𝐶ℎ𝑎𝑛𝑒𝑙 𝐵

Através da Figura 4, podemos calcular o ganho de modo comum, Ac do


𝐶ℎ𝑎𝑛𝑒𝑙 𝐴
amplificador. 𝐴𝑐 = 𝐶ℎ𝑎𝑛𝑒𝑙 𝐵

Tabela 3: Tabela de Resultados

Medidas Valores Recalculados Valores Simulados Valores Experimentais


ICQ1 3.11 mA 3.12 mA 2.97 mA

ICQ2 3.11 mA 3.12 mA 3.34 mA

VCE1 6.25 V 6.20 V 6.43 V

VCE2 6.25 V 6.20 V 5.22 V

Ad 51.38 51.79 59.99

Ac −0.69 −0.73 0.6

ES 5.14 V 6.58 V 2.45 V

EI 6.25 V 3.53 V 3V

Zo 3.30 kΩ 2.94 kΩ 3.28 kΩ

Figura 5 – Analise de polarização da simulação

As excursões de sinal ES e EI podem ser adquiridas através das Figuras 5 e


6, respectivamente.
Para o cálculo da resistência de saída do amplificador, Zo, inicialmente
medimos da tensão de saída sem carga, vs, Figura 7, e em seguida a tensão˜ de
saída com a carga RL, vo, Figura 8 sem alterar nenhum parâmetroˆ da simulação.
Com os valores medidos, aplicamos a seguinte formula:

Figura 6 – Simulação do ganho de modo diferencial


Figura 7 – Simulação do ganho de modo comum

Figura 8 – Simulação da máxima excursão superior de sinal


Figura 9 – Simulação para máxima excursão inferior de sinal

Figura 11 – Simulação de saída no amplificador sem carga, 𝑣𝑆


Figura 10 – Tensão de saída no amplificador com carga, 𝑣0

6. Resultados

Montamos o circuito mostrado na figura 1. Com o auxílio de um


multímetro, foram feitas medidas dos valores de VCE1, VCE2, ICQ1 e ICQ2. Depois,
foi aplicada uma tensão de amplitude 101mV na fonte AC 1, enquanto a fonte 2
era um curto com o terra. Nessa configuração, fizemos medições para o ganho
diferencial, como mostrado na figura 11. Após isso, aplicamos o mesmo sinal da
fonte 1 na fonte 2, e assim fazer as medições para o ganho comum, mostrado
na figura 12.

Para a medição das excursões, foi aumentada, gradualmente, a amplitude


do sinal de entrada até que notasse uma diminuição na relação de Vo/Vi ou uma
deformação no sinal de saída. Para o valor, em que isto ocorreu, obteve-se a
excursão superior e a excursão inferior.

Figura 11- Ganho de modo diferencial de um Amplificador operacional

Figura 12- Ganho de modo comum de um Amplificador operacional


Assim como para a medição da impedância de saída, primeiro, mediu-se a queda
de tensão em RL e depois, retirando o resistor RL, mediu-se a tensão em vazio.
Por meio da regra do divisor de tensão foi obtido o valor de Zo.

7. Conclusão