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Fundamentos da Administração

01
Sumário
UNIDADE 1 - Conceitos introdutórios e abordagem clássica da administração

Conceitos Introdutórios sobre Administração.............................................................................................07

Abordagem Clássica da Administração.....................................................................................................12

Síntese....................................................................................................................................................23

Referências Bibliográficas.........................................................................................................................24

03
Unidade 1 Apresentação

Nesta unidade você tomará contato com conceitos básicos em Administração e entenderá
como eles influenciam a dinâmica das empresas, o que o ajudará a entender a dinâmica
das situações que aparecem nas organizações em que atuamos. Você também refletirá
sobre como essas definições foram se modificando ao longo do tempo.

Você já ouviu falar na Abordagem Clássica? Conhece os conceitos introduzidos por


Taylor e Fayol e já refletiu sobre as mudanças que eles provocaram nas organizações?
São esses assuntos que você conhecerá nesta Unidade.

Apesar de ser a primeira abordagem sistemática para criar métodos e técnicas para
melhorar os resultados da organização, a Abordagem Clássica tem uma influência
significativa na eficiência de nossas organizações até os dias de hoje. Ao avaliar
cada conceito, você poderá, ao final do seu estudo, fazer uma correlação com sua
aplicabilidade atual. Assim, você constatará que ao estudar Taylor e Fayol estará fazendo
contato com dois futuristas.

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Capítulo 1
Conceitos introdutórios e abordagem
clássica da administração

1.1 Conceitos Introdutórios sobre Administração


O desempenho organizacional depende de administradores e possui papel fundamental,
servindo de indicador para a alta hierarquia, clientes, empregados, fornecedores, acionistas e
comunidade em geral.

Mas, afinal, o que é “administração”? Pode ser entendida como o processo de trabalhar com
pessoas e recursos visando à realização de objetivos organizacionais. Há dois importantes
conceitos relacionados à prática:

• eficácia – alcançar os objetivos;

• eficiência – atingir os objetivos com o melhor uso de recursos.

Exemplo: Implementar um projeto bem-sucedido (eficácia), com uma equipe menos


dispendiosa, com insumos menos custosos e em menor tempo, se comparado às demais
propostas (eficiência).

As organizações viabilizam produtos e serviços para consumo e fazem parte da estrutura social.
Basta um olhar atento para identificar inúmeras organizações à nossa volta.

Exemplo: Empresas de todos os portes, instituições de ensino, partidos políticos, academias de


ginástica, escolas de samba, times de futebol, lojas do varejo etc.

Para simplificar, é possível assumir que administrar é gerenciar eficientemente um conjunto de


recursos orientados para algum fim cuja medida é o desempenho organizacional.

Organização, por sua vez, é um sistema administrado, projetado e operado para atingir
determinados objetivos. E sistema significa um conjunto de partes interdependentes que
processa ou transforma insumos ou recursos gerando resultados que podem ser bens e serviços.

Exemplo: Um call center tem como insumos principais: recursos humanos – que atuam
no telemarketing –, equipamentos especializados e informações prestadas pela empresa
contratante. Estas são analisadas e organizadas e se transformam em scripts, gerando
prestação de serviço aos usuários de uma linha do tipo 0800.

NÓS QUEREMOS SABER!


Pense no cenário nacional ou internacional: você consegue identificar alguns
administradores de destaque? Citamos alguns exemplos: Steve Jobs, cofundador da
Apple, Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, e Luiza Trajano, presidente da rede
Magazine Luiza.

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É importante não confundir um bom administrador com uma pessoa bem-sucedida. Segundo
Bateman e Snell (2006), um indivíduo pode ser bem-sucedido nos negócios, mas ser um
administrador ruim. Um indivíduo bem-sucedido pode ter o mérito de ter empreendido alguma
obra, mas também pode ter usufruído de outros fatores para a obtenção de um resultado
positivo: momento, conjuntura estrutural e econômica, sorte, público ávido por um produto ou
serviço.

Bons administradores não estão representados apenas por destacados Chief Executive
Officers (CEOs) de grandes empresas. Pense também em Joãosinho Trinta, que contribuiu
significativamente para os resultados positivos obtidos pela Beija-Flor durante o período em
que esteve à frente da escola. Ou em Clint Eastwood, que conduz o set de filmagem com
maestria e trabalha com a mesma equipe há anos, que possui um senso de comprometimento
com os resultados desejados pelo diretor.

1.1.1 O papel do administrador

O principal objetivo do administrador é atingir alto desempenho no que concerne aos objetivos
organizacionais pré-definidos. Os objetivos podem variar e, inclusive, serem combinados:

• fornecer bens e/ou serviços aos clientes;

• obter lucros para os proprietários ou acionistas;

• prover nível satisfatório de renda a seus empregados;

• aumentar o nível de satisfação de todos os stakeholders (beneficiários) envolvidos:


clientes, acionistas, sociedade, fornecedores, entre outros.

As funções da administração resumem, de certa forma, as capacidades e habilidades esperadas


dos administradores. Veja a seguir quais são.

Planejar: especificar objetivos e decidir ações para alcançá-los. Observe um exemplo: quando
foi fundada, a Gol Linhas Aéreas estabeleceu como objetivo ser a companhia aérea que opera
com tarifas mais baratas, mantendo a qualidade dos serviços. Esse objetivo serviu de base para
desenvolver o planejamento para a empresa como um todo. O exercício de planejar também
pode ser empreendido em um segmento, departamento, loja, unidade, equipe, indivíduo, entre
outros, com diferentes perspectivas temporais (curto prazo, longo prazo).

Organizar: coordenar recursos humanos, financeiros, informacionais, físicos, logísticos, entre


outros, para o alcance de metas e objetivos. Para conceber novos espetáculos, a companhia
canadense Cirque du Soleil, por exemplo, busca atrair e selecionar profissionais, especificando
resultados e responsabilidades, alocando recursos humanos e financeiros, criando condições
para obtenção de resultados otimizados em sua sede em Montreal.

Dirigir ou liderar: dar direção, estimular, motivar e mobilizar pessoas para alcançarem melhor
desempenho. O exercício da liderança não é encontrado, necessariamente, no exercício de
um cargo. Nem todo chefe é líder, por exemplo. Podemos concluir, então, que liderança não
corresponde à autoridade burocrática. É, na verdade, um reconhecimento espontâneo de um
conhecimento superior ou estilo gerencial admirável, resultando em autoridade legitimada. O
exercício da liderança ou direção pode ser percebido em vários níveis organizacionais.

Acompanhe um exemplo: homem de fala mansa e discretíssimo, Nildemar Secches, presidente


do conselho administrativo da Perdigão, antes de assumir o cargo em 2007 respondeu pela
diretoria executiva da empresa por 12 anos, posição que assumiu em decorrência do processo de
profissionalização que afastou a família fundadora em um momento complicado. Durante esse

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período, a companhia obteve resultados extraordinários: crescimento médio anual de 24% em
receitas e 13% em volumes. O número de funcionários saltou de 12 mil para 40 mil e o valor
de mercado da empresa cresceu em média 28% ao ano. Secches não escondia seu interesse
em ampliar a capacidade exportadora. Em 2009, a Perdigão, após um processo de fusão com
a Sadia, tornou-se a maior produtora e exportadora mundial de carnes processadas e terceira
maior exportadora brasileira.

Controlar: monitorar o processo e fazer ajustes sempre que necessário. É preciso definir
padrões de desempenho, fornecer feedback sobre o desempenho de pessoas e áreas ou
unidades de negócio e executar ações rápidas para corrigir problemas sempre que os padrões
de desempenho não forem atingidos. Orçamento e sistemas de informações, por exemplo,
constituem ferramentas de controle. O mundo atual, extremamente dinâmico e cada vez mais
competitivo, exige um monitoramento com um nível de constância e atenção superiores. A
compra de qualquer empresa por outra, ou por um grupo, é precedida, em regra, por um
rigoroso processo, intitulado no jargão corporativo por due dilligence, que possibilita uma
avaliação integral e profunda pelo comprador das contas da empresa interessada na venda. O
YouTube, quando foi comprado pelo Google, em 2006, passou por um processo semelhante.

Afinal, para ser um bom administrador é preciso desempenhar todas as funções? Sim, todas as
funções são importantes e é essencial cumpri-las adequadamente. Por outro lado, o grau de
habilidade de um gestor em cada uma das funções varia muito. Uma habilidade maior em uma
função pode compensar uma menor em outra. Além disso, algumas funções são mais exigidas
em níveis organizacionais específicos. É esperado de executivos de alto escalão, por exemplo, o
amplo domínio das funções planejamento e direção.

São três os níveis decisórios em qualquer organização que podem ser representados em uma
pirâmide organizacional, conforme a figura a seguir.

Nível
Executivos estratégico

Gerentes Nível
tático

Nível
Supervisores operacional

Figura 1 – Níveis de decisão e tipos de planejamento.


Fonte: Oliveira (2002).

• Nível estratégico: envolve a alta hierarquia, a definição e formulação de estratégias


e questões de longo prazo, com ênfase em sobrevivência e crescimento.

• Nível tático: traduz os objetivos gerais dos administradores estratégicos em objetivos


e/ou atividades mais específicas.

• Nível operacional: engloba quem supervisiona as atividades operacionais.

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Esses níveis são muito claros em empresas de grande porte. Em pequenas e médias empresas,
os níveis frequentemente se sobrepõem e o mesmo administrador pode acumular funções,
atuando nos níveis estratégico, tático e operacional.

Comumente, a primeira experiência profissional de um administrador é no nível operacional.

Para Katz (1976), o sucesso do administrador depende fundamentalmente de seu desempenho


e da forma como lida com as situações da sua jornada de trabalho. Esse desempenho é
resultante das habilidades que possui e como as utiliza. Para o autor, existem três tipos
diferentes de habilidades a serem utilizadas pelo administrador:

• técnicas – aplicando conhecimentos conceituais e técnicos;

• humanas e interpessoais, evidenciadas no exercício de lidar e liderar pessoas;

• conceituais e decisórias – compreendendo a complexidade organizacional e


decidindo acertadamente.

Pode-se fazer uma interrelação entre os níveis da estrutura da figura 1 e as habilidades


definidas por Katz (1976), conforme a imagem a seguir.

Habilidades
Nível
Alta Direção Humanas
Estratégico

Nível Tático Gerência Habilidades Técnicas

Nível Operacional Supervisão

Figura 2 – Habilidades do administrador.


Fonte: Chiavenato (2014).

Não são só habilidades que o administrador precisa desenvolver. Também há competências,


um conceito considerado novo e ainda em processo de construção. Há interpretações
ligeiramente diferentes entre estudiosos americanos e franceses e, consequentemente, conceitos
e classificações com algumas distinções. De toda forma, competências gerenciais podem ser
genericamente compostas, como é apresentado a seguir, e seu domínio é fundamental para o
alcance dos objetivos do administrador.

Podemos entender por competência a somatória dos conhecimentos, habilidades e atitudes do


indivíduo no desempenho de sua tarefa (McClelland, 1973). Para Katz (1976) o administrador
precisa desenvolver quatro competências.

• Conhecimentos – saber, ou seja, dominar conhecimentos conceituais e técnicos.

• Perspectiva – capacidade de colocar o conhecimento em ação, transformar a teoria


em ações práticas que gerem resultados. Aplicar os conhecimentos para avaliar as
diversas situações que surgem no dia a dia e buscar soluções para os problemas.

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• Julgamento – saber analisar e avaliar as situações com clareza, buscar informações
para permitir uma análise critica adequada, e a partir do julgamento poder tomar
decisões.

• Atitudes – saber ser. É o modo como são vistos, interpretados e avaliados situações,
pessoas, propostas, objetivos e fatos. Essa competência está intrinsecamente ligada à
postura do administrador no ambiente organizacional.

Algumas dessas competências já fazem parte do perfil do indivíduo e outras podem ser
incorporadas. Em síntese, é importante ter em mente que as competências gerenciais podem ser
adquiridas ou aprimoradas por meio de experiência e estudo.

E quanto à formação do administrador? Qual é mais adequada: uma formação especialista ou


generalista?

A especialização permite um aprofundamento técnico, normalmente desacompanhado


de responsabilidade gerencial. À medida que se evolui na carreira, é natural que as
responsabilidades gerenciais aumentem, pois você passará a liderar uma equipe e necessitará
de uma visão mais clara da complexidade organizacional, de modo a tomar decisões mais
acertadas em situações relevantes.

Você pode, por exemplo, dedicar-se mais a fundo à área de logística ou marketing e colocar-
se no mercado de trabalho ou em uma empresa em uma dessas áreas. Porém, à medida que
se destaca em seu trabalho, você pode assumir a chefia de uma equipe ou de uma unidade
de negócio de uma dessas áreas e necessitará de competências gerenciais ampliadas. Por esse
motivo, é importante ter uma formação híbrida, ou seja, escolher alguma especialização e
aprender conceitos administrativos, de modo a ter a profundidade e a amplitude necessárias
que lhe garantam melhor desempenho.

NÃO DEIXE DE SABER!


Todos os anos a revista Exame publica um volume em que apura os melhores
resultados por setor. A publicação apresenta as empresas que se destacaram e os
fatores que conduziram a esses resultados. A leitura anual da revista é recomendável,
pois permite a compreensão do contexto social, econômico, político e gerencial que
possibilitou e alavancou esses resultados. Veja detalhes em <http://exame.abril.com.
br/negocios/melhores-e-maiores/>.

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PRATIQUE!
Hierarquize os comportamentos de um administrador arrolados a seguir em grau de
importância: atribua “1” para o comportamento mais importante, “2” para o segundo
mais importante, e assim por diante, até “10”, que constituirá, na sua visão, o menos
importante. É necessário justificar suas escolhas.

( ) Comunica e interpreta as políticas e estratégias e repassa à sua equipe.


( ) Toma decisões de maneira rápida e objetiva.
( ) Designa subordinados para tarefas para as quais eles estão melhor preparados.
( ) Encoraja subordinados, promovendo uma competição saudável entre eles.
( ) Busca meios para melhorar as habilidades e competências.
( ) Encoraja os colegas a apresentar em ideias e planos.
( ) Assessora e implementa as políticas da empresa.
( ) Participa de atividades sociais ou comunitárias.
( ) É asseado e tem boa aparência.
( ) É honesto e ético nos assuntos relativos à propriedade da empresa.

Você deve ter encontrado situações de empate ou mesmo dificuldade em hierarquizar


algumas alternativas. O fato é que não importa a ordem hierárquica estabelecida,
todos os comportamentos são desejáveis. O que pode variar são os objetivos
situacionais da organização ou até mesmo o estágio de ciclo de vida organizacional,
e isso, naturalmente, apresenta implicações nos comportamentos mais desejados pelo
administrador.

Conseguiu compreender o que é administração e como deve ser um bom administrador?


Então vamos nos aprofundar mais na teoria. É hora de compreender a Abordagem Clássica.
Siga em frente!

1.2 Abordagem Clássica da Administração


Embora todos os livros de história do pensamento administrativo ressaltem que a Administração
tem início com a Administração Científica, ou seja, com os estudos de tempos e movimentos
de Frederick Winston Taylor, a humanidade não se desenvolveu em um “vácuo administrativo”.
Várias práticas e conceitos já haviam sido implementados por povos e civilizações antigas. Os
exemplos a seguir evidenciam isso.

Suméria – 5000 a.C.: região da antiga Mesopotâmia, território atualmente ocupado


pelo Iraque e Kuwait (Oriente Médio). Os sacerdotes exerciam a função de organização,
administrando bens e valores, como rebanhos, propriedades rurais e rendas e, posteriormente,
prestavam contas ao sumo sacerdote, colocando em prática a função controle.

Egito – 2550 a.C.: a construção das pirâmides envolveu planejamento, organização, direção/
liderança e controle.

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PRATIQUE!
Procure relacionar cada uma das funções da Administração às diferentes atividades
que envolveram a construção das pirâmides do Egito. Certamente foi preciso um
planejamento, que definiu o tamanho e a localização das pirâmides, bem como o
número de homens envolvidos na logística da construção. Também foi necessária uma
organização de recursos, em especial dos homens envolvidos, implicando definição de
equipes, hierarquia e expectativas de resultado, inclusive temporais. A função direção
também pode ser identificada, pois foi necessário estimular a equipe e dirigir seus
integrantes ao longo da execução da tarefa. Igualmente, foi imprescindível controlar os
resultados das equipes de modo que as diferentes tarefas estivessem alinhadas e que
as entregas prometidas fossem, de fato, cumpridas.

Ao refletir sobre essas questões, que podem ser projetadas em várias outras situações, como
o sítio arqueológico de Carnac (4000 a.C.) na Bretanha (França), a Muralha da China (205
a.C.), ou mais recentemente as estátuas Moais (1300 d.C.) na Ilha da Páscoa (Chile), entre
outros exemplos, percebe-se que as funções se misturam e se sobrepõem muitas vezes, o que
é inerente ao exercício da Administração. Por isso, é importante perseguir constantemente uma
clareza na definição da responsabilidade das funções administrativas.

Babilônia – 2000 a 1700 a.C.: no reinado de Hamurabi, foi criado o código homônimo
(Código de Hamurabi), cujo teor revela o desejo de colocar em prática as funções
administrativas. O código, atualmente em exposição no Museu do Louvre em Paris, define uma
série de questões. Uma delas é a divisão da sociedade, feita hierarquicamente em três grupos:
homens livres, subalternos e escravos, com salários que variam segundo a natureza do trabalho
realizado. As funções organização e controle são claramente identificadas na leitura do código.

China – 1100 a.C.: a Constituição de Chou é um catálogo de todos os servidores civis do


Imperador, desde o primeiro-ministro até os criados domésticos. Descreve poderes, atribuições
e responsabilidades de cada um, evidenciando o conceito de organização e controle.

China – 500 a.C.: A Arte da Guerra, de Sun Tzu, é considerado o mais antigo tratado militar
do mundo e, apesar das mudanças tecnológicas, é bastante atual. A leitura da obra evidencia
claramente as funções de planejamento, organização, direção e controle.

Grécia – 400 a.C.: desenvolveu o governo democrático, definindo as regras e regulamentos


que permitissem seu funcionamento.

Roma – 27 a.C. a 476 d.C.: a expansão do Império Romano foi possível em razão de uma
estrutura governamental e militar de grandes proporções que funcionou durante muitos anos.
O Imperador Diocleciano (284 d.C.) dividiu o império em províncias agrupadas em dioceses,
delegando autoridade para a administração civil. O controle militar, porém, permaneceu
centralizado, garantindo a manutenção do poder.

NÃO DEIXE DE VER...


Nos anos posteriores, várias outras contribuições foram responsáveis pelo
fortalecimento das funções e perspectivas administrativa e organizacional. Alguns
filmes podem ajuda-lo a compreender as organizações militares dos Impérios Romano,
Grego e Macedônico, respectivamente: Gladiador, de Ridley Scott, A Odisseia,
produzida por Francis Ford Coppola, e Alexandre, de Oliver Stone.

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Essas organizações marcaram fortemente as funções de planejamento, organização, direção e


controle. O mesmo se pode afirmar a respeito da Igreja Católica e sua estrutura hierárquica,
sobretudo no mundo ocidental.

Também o período medieval é célebre por evidenciar a organização inerente ao sistema feudal
e o controle exercido pelos ofícios, espécie de sindicatos que regulavam horas de trabalho,
salários, número de aprendizes, territórios de vendas, entre outros. É nesse período (século XV)
que Nicolau Maquiavel escreve O Príncipe. A frase comumente atribuída a Maquiavel , “os
fins justificam os meios”, não é encontrada ipsis litteris em sua obra, entretanto, resume o que
se depreende dela. Maquiavel afirmou que os fins determinam os meios. Em outras palavras,
descreveu com riqueza a função administrativa planejamento, ao esclarecer que é a partir de
um objetivo que deverão ser traçados os planos para atingi-lo.

O contexto histórico da Revolução Industrial, que começou na Grã-Bretanha em 1760, teve


implicações muito fortes na economia e na sociedade ao longo dos anos que se seguiram.
Alguns estudiosos dividem esse período em três grandes fases e assumem que a terceira fase
ainda está em progresso.

• Primeira fase (1760-1850) – a Inglaterra explora de maneira crescente a energia do


carvão que dá origem ao motor a vapor, impulsionando a produção e exportação de
produtos industrializados e a importação de matérias-primas.

• Segunda fase (1850-1900) – ocorre a difusão dos princípios da industrialização na


Europa, no Japão e nos Estados Unidos, com a expansão do uso de energia elétrica,
petróleo e a substituição do ferro pelo aço.

• Terceira fase (1900 até os dias atuais) – é marcada pelo surgimento de grandes
complexos industriais e multinacionais, pela automação da produção, robótica,
tecnologia, biotecnologia, química fina, globalização e internacionalização dos
mercados.

A Revolução Industrial marcou a evolução da economia de base artesanal para a economia


produtiva e mecanizada e modificou a rede de transportes e de comunicação com o surgimento
da máquina a vapor, das locomotivas e do telégrafo.

Na sequência, ganharam corpo as usinas siderúrgicas e a indústria automobilística. Segundo


Ferreira et al. (2002), as usinas siderúrgicas tornaram-se responsáveis pela contratação de
cerca de 9 mil empregados. Para se ter uma ideia do crescimento exponencial da indústria
automobilística, a Ford, em sua planta em Highland Park (Illinois), contava com 13 mil
empregados em 1914, 33 mil dois anos depois, e 42 mil em 1924. A planta da Ford em River
Rouge (Michigan), no ano de 1924, contabilizava 70 mil empregados, sendo considerada a
maior fábrica do mundo. Para efeito de comparação com a operação atual da Ford no Brasil,
as unidades de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e São Bernardo do Campo (SP) empregavam,
no início de 2009, cerca de 10 mil empregados. Evidentemente, é preciso considerar,
necessariamente, a evolução tecnológica e de automação, o que, de toda forma, fornece uma
ideia do porte daquelas plantas.

Essa escala de operações exigiu o desenvolvimento de métodos novos de Administração. Várias


pessoas contribuíram nessa direção, com destaque para os engenheiros Frederick Winslow Taylor e
Henry Fayol, que desenvolveram trabalhos pioneiros acerca da administração no início do século XX.

O americano Frederick Winslow Taylor deu início à Escola de Administração Científica, cuja
base era o aumento da eficiência na indústria a partir da racionalização do trabalho. O
europeu Henry Fayol estruturou a chamada Escola Clássica com foco no aumento da eficiência
da indústria a partir da sua organização e da aplicação de princípios gerais de administração.

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Embora Taylor e Fayol não tenham se comunicado e tenham desenvolvido suas teorias a partir
de pontos de vista diferentes, mas que se complementam com certa coerência, suas ideias
constituem a chamada Abordagem Clássica da Administração e dominaram as quatro primeiras
décadas da Administração.

Abordagem Clássica
da Administração

Administração
Teoria Clássica
Científica

TAYLOR FAYOL

Ênfase nas Tarefas Ênfase na Estrutura

Figura 3 – Desdobramento da Abordagem Clássica.


Fonte: Chiavenato (2014).

1.2.1 A Administração Científica

Taylor foi um dos primeiros a oferecer o serviço de prestação de consultoria para empresas.
Trabalhou para uma empresa fabricante de bombas hidráulicas, sendo depois admitido na
Midvale Steel, uma siderúrgica. Trabalhou também em uma companhia de papel e em outra
siderúrgica, a Bethlehem Steel (MAXIMIANO, 2006). Em 1911, ele lançou a obra Princípios de
Administração Científica.

Sua experiência permitiu-lhe observar e desenvolver grande parte dos princípios da


Administração Científica. Veja a seguir quais são eles.

• Racionalização do trabalho: dispender menos energia para obter o mesmo


resultado do trabalho, tornando-o mais eficiente.

• Divisão do trabalho: divisão de etapas e tarefas específicas da produção,


contribuindo para a racionalização do trabalho e o aumento da produtividade. Por
exemplo, um único homem era capaz de produzir um sapato: ele modelava, cortava
o couro, costurava e dava o acabamento. A especialização do trabalho permitiu que
diferentes indivíduos se dedicassem a cada uma dessas atividades, considerando suas
habilidades, aptidões e treinamento na função, resultando em eficiência da produção.

• Tempos e movimentos: provavelmente constituiu a primeira abordagem científica


do trabalho. Taylor investigou as atividades dos operários, eliminando os movimentos
inúteis e tornando mais simples e rápidas suas funções, definindo um tempo médio
para a realização de cada tarefa com qualidade. Diminuiu o tempo de produção,
alcançando um resultado eficiente de maneira eficaz.

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• Enfoque mecanicista do ser humano: ao serem fragmentadas as tarefas


desempenhadas pelos indivíduos, o homem pode ser visto como parte integrante de
uma engrenagem, não sendo considerada a sua condição humana.

• Homo economicus: esse conceito tem origem no fato de Taylor julgar que as
recompensas e sanções financeiras eram as mais significativas para o trabalhador.

• Abordagem fechada: a Administração Científica não faz referência ao ambiente da


empresa. Em outras palavras, a organização é vista de forma fechada, desvinculada
de seu mercado.

• Superespecialização do empregado: o operário executa tarefas repetitivas e


monótonas, conduzindo-o à alienação.

• Exploração dos empregados: a falta de consideração do aspecto humano dos


operários, reforçada pela ausência, na época, de legislação trabalhista digna,
legitima a exploração da mão de obra em prol de interesses patronais.

Esquematicamente os princípios da Administração Científica podem ser interligados como na


imagem adiante.

Seleção Plano de
científica do Incentivo
trabalhador salarial

Maiores
Estudo de Determinar
Padrão de Supervisão Máxima lucros e
tempos e método de
produção funcional eficiência maiores
movimentos trabalho
salários

Condições
“Lei” da
ambientais
fadiga
de trabalho

Figura 4 – Abordagem microscópica e mecanicista da Administração Científica.


Fonte: Chiavenato (2014).

NÃO DEIXE DE VER...


Para ampliar seus conhecimentos sobre a Administração Científica, assista ao filme
Tempos Modernos, com Charles Chaplin.

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1.2.2 Outros autores que contribuíram para a Administração
Científica

Taylor é considerado o “Pai da Administração Científica”, mas outros estudiosos contribuíram


muito para a consolidação dessa abordagem, como Carl Barth (1860 – 1939), Henry Lawrence
Gantt (1861 – 1919), Harrington Emerson (1853 – 1931), Frank Gilbreth (1868 – 1924), e
Lilian Gilbreth (1878 – 1961).

Henry Ford (1863 – 1947) também foi um desses estudiosos. Ele não era engenheiro, nem
economista, mas um empresário com uma visão bem pragmática. Ford afirmava que o operário
adaptava seus movimentos à velocidade da esteira rolante, adequando-se à velocidade e, por
conseguinte, a um nível de produção predeterminado. Ford se preocupava com a economia
de material e tempo, perspectiva diferente de Taylor, que se preocupava com a economia do
trabalho humano.

Veja quais foram as principais contribuições de Ford para a Administração Científica.

• Integração vertical e horizontal – conceitos adotados até hoje. Integração vertical


significa produção integrada, envolvendo desde a matéria-prima até o produto final
acabado. As esteiras rolantes constituem uma representação da operacionalização da
integração vertical. A integração horizontal se materializa, por exemplo, na criação e
no estabelecimento de uma rede de distribuição de automóveis.

• Padronização – conceito operacionalizado por meio da linha de montagem,


diferente do praticado comumente. Os operários não se locomoviam até o produto
em produção (carro), os produtos (carros) é que se moviam na linha de montagem
até o posto de trabalho do operário. A introdução de maquinário ao longo da linha
de montagem também colaborou com o conceito de padronização, garantindo maior
uniformidade aos produtos.

• Redução de estoques e aceleração da produção – com a introdução da linha de


montagem, Ford conseguiu reduzir o ciclo de produção cerca de 10 vezes, o que, por
sua vez, permitiu a redução de estoques e a necessidade de investimento imobilizado
em produtos. Essas condições permitiram a prática de preços mais competitivos,
tornando os carros acessíveis a um maior número de pessoas.

• Produção em massa (ou produção em série) - tornada possível com a organização


eficiente do trabalho, que consistia na divisão do produto em partes, bem como na
fragmentação do processo em etapas.

• Elevação da produtividade – o aumento da intensidade de produção tornou


possível obter economia máxima de material e de tempo. O automóvel era fabricado
em 84 minutos e vendido antes do pagamento dos salários e dos insumos nele
utilizados.

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NÓS QUEREMOS SABER!


Tornou-se histórica a frase de que o consumidor poderia pedir qualquer carro Ford,
desde que fosse um Thunderbird preto (modelo T ), conhecido como “Ford Bigode”.
Você sabe o que quer dizer essa frase? Ela refletia as características da linha de
produção, que não oferecia muita flexibilidade, não permitindo um número maior
de opções aos consumidores. Muito tempo se passou e a linha de montagem das
indústrias automobilísticas incorporou o conceito de flexibilidade, que varia conforme
a planta. A fábrica da GM, em São Caetano do Sul, é considerada uma das mais
flexíveis do mundo, produzindo na mesma linha de montagem diferentes modelos de
automóveis e uma cartela de cores ampliada. Por outro lado, o Tucson, da Hyundai,
fabricado no Brasil desde 2005 e sucesso de vendas devido ao preço competitivo na
categoria, conta com apenas duas opções de cores disponíveis: bege e preto.

Ford remunerava seu pessoal com elevados salários e se preocupava com problemas que
eles, eventualmente, apresentavam. Por esse motivo é considerado o precursor da Escola de
Relações Humanas. Mas, afinal, os conceitos de Ford eram diferentes dos conceitos de Taylor?
Não. Os conceitos se integraram e, embora Taylor seja considerado o principal representante
da Administração Científica, Ford exerceu um papel preponderante em um conjunto de
perspectivas gerenciais válido até hoje. Analogamente, pode-se afirmar que Taylor abriu um
caminho e Ford o percorreu com maestria.

O casal Frank (1868 – 1924) e Lillian Gilbreth (1878 – 1972) também contribuiu para a
Administração Científica, ao prover conceitos sobre a redução do desperdício e a fadiga do
trabalho. Frank Gilbreth propôs a eliminação dos desperdícios como forma de aumentar a
produtividade. Os desperdícios relacionam-se, sobretudo, ao estudo dos movimentos. Esse
trabalho colaborou com o de Taylor, que se dedicou, sobretudo, à questão dos tempos.

Lillian Gilbreth, oriunda da área de Letras, voltou-se para a Psicologia, desenvolvendo a tese
intitulada The Psychology of Management. Ela contribuiu nos estudos do marido, dedicando-se
à redução da fadiga desnecessária. Assim, a autora deu origem a um dos primeiros estudos
acerca da condição humana na indústria, detalhado na obra Estudo da Fadiga, de 1916.

Henry Gantt (1861 – 1919) também contribuiu para a Administração Científica, sobretudo com
a criação do Gráfico de Gantt, que permite determinar com eficiência a operacionalização
das atividades, o tempo de execução, os custos e as metas. O gráfico permite controlar o
desempenho em relação ao planejado, relacionando-o ao tempo e a outros insumos previstos.
Os pressupostos do gráfico evidenciam as principais preocupações de Gantt: planejamento,
tempo, custo e controle. O gráfico de Gantt ainda serviu de base para técnicas modernas de
Planejamento e Controle de Produção (PCP).

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Figura 5 – Exemplo de gráficos de Gantt.
Fonte: <http://www.papoempreendedorismo.com.br/2011/09/diagrama-de-gantt.html>.

Frank Gilbreth (1880 – 1949) desenvolveu essa perspectiva dando origem, posteriormente, à
Escola de Relações Humanas. Acompanhe um exemplo: para construir uma parede de tijolos,
os trabalhadores se abaixavam para apanhá-los. Ao propor a introdução de uma mesa para
apoiar os tijolos, mantendo-os na altura dos operários, a fadiga dos empregados diminuiu e a
produtividade aumentou.

Joseph Wharton (1826 – 1909) era um dos grandes acionistas da Bethlehem Steel e foi ele
quem contratou Taylor para trabalhar na empresa. Fundou, em 1881, a primeira escola de
Administração, a Wharton School, pertencente à University of Pensylvania e até hoje uma das
instituições com maior destaque no ensino de Administração.

1.2.3 Reflexões e legado da Administração Científica

Alguns aspectos da Administração Científica são passíveis de reflexão e crítica. Por exemplo,
a mecanização proposta por Taylor não considerava o aspecto humano e desestimulava a
iniciativa pessoal. Também o estudo dos tempos e movimentos, levado à última instância,
conduz ao esgotamento físico do operário. Outro ponto crítico consiste na visão estreita de que
aspectos relacionados à motivação circunscrevem-se a incentivos salariais.

De toda forma, Taylor contribuiu enormemente para o desenvolvimento da ciência


administrativa e a grande maioria dos seus conceitos ainda é válida atualmente. Depois
da Administração Científica, outras abordagens e teorias se seguiram, agregando novas
perspectivas aos estudos da Administração e garantindo seu desenvolvimento.

Taylor chegou a ser chamado para depor no Congresso para explicar por que um aumento de
300% na eficiência de um pedreiro correspondeu a aumento salarial de apenas 30%. Ele contra-
argumentou que o dispêndio de energia do pedreiro passou a corresponder a 33% da energia
despendida anteriormente. O veredicto proibiu o uso de cronômetros e incentivos financeiros.

O estudioso deixou seu legado também no Brasil. Na década de 1930, foi fundado, em São
Paulo, o Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort) motivado pelas ideias de Taylor.

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Ebook - Fundamentos da Administração

Você sabia que a influência da Revolução Industrial não se limita às organizações e à


administração? Seus aspectos de repetição dos movimentos e mecanização da produção
impactaram também as artes, mais especificamente o movimento neoimpressionista. Georges
Seurat, pintor francês, é um dos fundadores do movimento, do final do século XIX, e pioneiro
no pontilhismo, técnica de pintura a partir de diversos e repetidos pontos de tinta na tela. Outro
pintor relevante foi Camille Pissarro. Os neoimpressionistas compunham um grupo distinto
dos impressionistas – que evocam impressões da luz do Sol, cores e sombras –, por serem
menos preocupados em pintar espontaneamente e mais focados na preparação e nos aspectos
técnicos de formas e design.

1.2.4 A Teoria Clássica

A intenção dos autores da Teoria Clássica era criar uma teoria da administração calcada na
divisão de trabalho, especialização, coordenação e atividades baseadas em níveis hierárquicos
(linha e staff). Essa teoria concebe a organização como se fosse uma estrutura, provavelmente
influenciada por concepções antigas (militar e eclesiástica) com formatação rígida e
hierarquizada.

Henri Fayol, engenheiro francês, lançou a obra Administration Industrielle et Générale,


em 1916, que serviu de base ao que se intitulou Teoria Clássica da Administração. Ele
estava alinhado com o pensamento de Taylor, porém com foco na gestão, sobretudo a alta
administração.

Com a globalização, as informações percorrem longas distâncias em segundos, e um fato


isolado imediatamente se torna de domínio mundial. Naquela época, porém, essa troca
de informações não ocorria com facilidade. Ainda assim, os europeus tiveram acesso aos
princípios de Administração Científica. Já os americanos conheceram a obra de Fayol apenas
em 1949.

Fayol definiu 14 princípios básicos que, combinados com os conceitos de Administração


Científica, constituem as bases da Teoria Clássica.

• Divisão do trabalho – especialização das funções ao longo de toda a estrutura


organizacional, desde a alta hierarquia até os operários, favorecendo a eficiência e
aumentando a produtividade.

• Autoridade e responsabilidade – autoridade é o direito de um superior de dar


ordens e, conceitualmente, ser obedecido. Responsabilidade, por sua vez, é a
contrapartida da autoridade.

• Unidade de comando – um empregado deve receber ordens de apenas um superior.

• Unidade de direção – definição de um plano único para um grupo de atividades


com objetivos comuns.

• Disciplina – normas de conduta e trabalho válidas para todos, indistintamente.

• Prevalência dos interesses gerais – em detrimento dos interesses individuais.

• Remuneração – suficiente para garantir a satisfação dos funcionários.

• Centralização – atividades essenciais na organização devem ser centralizadas.

• Hierarquia – seguindo a cadeia de comando e respeitando a estrutura hierárquica


estabelecida, em função do princípio de comando.

20 Laureate- International Universities


• Ordem – uma posição para cada indivíduo e cada indivíduo em sua posição.

• Equidade – a justiça deve prevalecer na organização, garantindo direitos iguais.

• Princípio da estabilidade dos funcionários – a rotatividade deve ser evitada, uma


vez que tem consequências negativas sobre o moral dos trabalhadores.

• Princípio da iniciativa – capacidade de conceber um plano ou ideia e cumpri-la


efetivamente.

• Princípio do espírito de equipe – capacidade de trabalho conjunto, consciência de


equipe e de classe.

Fayol definiu como funções da Administração:

• planejar: estabelecer objetivos e a forma de alcançá-los;

• organizar: os recursos da empresa (humanos, financeiros e materiais) alocando-os


da melhor forma;

• coordenar: atitudes e esforços de toda a organização, incluindo departamentos e


pessoas;

• comandar: fazer com que os subordinados executem o que deve ser feito;

• controlar: definir padrões e medidas de desempenho de modo a corrigir eventuais


desvios.

As cinco funções da Administração definidas por Fayol transformaram-se em quatro ao


longo do tempo, já que comandar e coordenar se fundiram, assumindo a função atualmente
denominada dirigir, também denominada por alguns autores de liderar.

Chegamos ao fim da primeira Unidade. Reflita sobre o que aprendeu até aqui e certifique-
se de ter fixado todos os conceitos. Se quiser relembrar o que viu até aqui, pratique com o
pequeno exercício a seguir.

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Ebook - Fundamentos da Administração

PRATIQUE!
Complete os espaços em branco utilizando as opções a seguir.

• Frederick W. Taylor.

• Henri Fayol.

• Gerência Administrativa.

• Adoção de métodos racionais e padronizados.

• Máxima divisão de tarefas .

• Produção.

Administração Científica Administração Clássica

Principal
representante

Origem Chão de fábrica.

• Estrutura formal da empresa.


Ênfase • Adoção de princípios
administrativos pelo alto escalão.

Enfoque Gerência.

22 Laureate- International Universities


Síntese Síntese
A evolução conceitual da Administração representa uma grande viagem ao longo do tempo
com o surgimento de correntes de pensamento acerca da administração e de formas para
melhorar os resultados ao longo do tempo. Nem sempre essas correntes do pensamento
administrativo se complementaram, mas podemos afirmar que em toda a sua evolução a
preocupação girou em torno de dois conceitos básicos e primordiais: eficiência (fazer mais
com menos / utilização adequada dos recursos), e eficácia (atingir os resultados planejados).

O grande marco para chegarmos a estas organizações complexas de hoje foi o aparecimento
da Teoria da Administração Científica, capitaneado pelas ideias do engenheiro Frederick Taylor,
com base em conceitos relacionados com racionalização, e Henry Fayol, que desenvolveu a
Teoria Clássica, através da organização da Empresa (estrutura) e da aplicação dos princípios
gerais da administração.

As Teorias do pensamento administrativo da Abordagem Clássica sempre nos reportam ao


ambiente fabril, embora todos os conceitos desenvolvidos possam ser aplicados a qualquer
tipo de organização (fabricas, bancos, lanchonetes, escolas, empresas aéreas, centrais de
distribuição, etc).

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Referências Bibliográficas
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Atlas, 2006.

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revolução digital. 6a. ed. São Paulo: Atlas, 2006.

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OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças. Planejamento Estratégico – conceitos, metodologia,


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TZU, Sun. A Arte da Guerra. 30a. ed. Rio de Janeiro: Record, 2002.

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