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HISTÓRIAS VERDADEIRAS DO BRASIL

HISTÓRIAS VERDADEIRAS DO BRASIL Luiz Guilherme Marques 1

Luiz Guilherme Marques

“Brasileiros, é necessário pesquisarmos, em profundidade, a nossa verdadeira História, para identificarmos os nossos benfeitores e por que chegamos a ser um país onde a corrupção infecta nosso sangue e a falta de nacionalismo nos caracteriza, a ponto de De Gaulle dizer que não somos um país sério. Essa triste realidade, retratada no momento político atual de confronto entre o juiz federal Sérgio Moro, pelo lado do Bem, e Lula e Dilma, representando o Mal, se deve, em última análise, à cultura do escravagismo, implantada pelos colonizadores portugueses a partir do século XVI, o que gerou a aversão ao trabalho e a procura do ganha pão por meios tortuosos, só não sendo o Brasil um país pior, porque, para contrabalançar a mentalidade tacanha dos colonizadores lusos, apareceram elementos franceses, no século XVI, holandeses, no século XVII, e, nos séculos XIX e XX, respectivamente, alemães e japoneses. O Brasil de hoje não se qualifica como uma nação, mas sim como um aglomerado disforme de nacionalidades diversas, que não chegam a formar uma civilização unida. E os mesmos escravagistas do século XVI, representados atualmente por determinados políticos e partidos, conduzem o povo amarrado ao tronco dos escravos, de tal forma que teremos de consumir ainda muitos séculos para formarmos uma nacionalidade sadia, mescla das quatro raças: branca, vermelha, negra e amarela. O Brasil, desde o começo, foi uma terra onde prevaleceu a escravização humana, primeiro a indígena, depois a negra, e, agora, a dos pobres, submetidos à força, pelos estrangeiros, inicialmente portugueses, até a proclamação da Independência em 1822, e, atualmente, por grandes empresas multinacionais, em todos os setores da economia brasileira. Devemos assumir o compromisso de desvendar a nossa verdadeira História e conscientizar o nosso povo a proclamar a nossa independência, que começa pelo amor ao trabalho e à honestidade.”

PARTE I TEXTOS

1 - MARIA MOAÇARA: UMA DAS ÚLTIMAS ICAMIABAS (vide o item intitulado “A Existência das Icamiabas”)

Pesquisar demais provoca situações polêmicas e, talvez, até nem compense, sendo preferível manter o nosso povo na santa ignorância, a qual merece, por não querer conhecer nem a História do país onde nasceu e vive e pensa apenas em futebol, carnaval e uma cervejinha ou cachaça nos finais de semana.

De pesquisador amador da História brasileira, estou quase entregando os pontos e pendurando a chuteira, para nunca mais informar sobre nada que vou descobrindo, sobretudo, acerca do início da civilização branca no Brasil. Mas vou lhes contar esta última, que descobri meio que ao acaso, ao folhear o livro intitulado "História da Companhia de Jesus no Brasil", de Serafim Leite.

Lá pelas tantas, quando afirma a presença de padres jesuítas na região amazônica, no século XVII, o historiador acima referido fala em Maria Moaçara como talvez uma continuadora da civilização das famosas icamiabas, que habitaram aquela região.

Daí parti para a pesquisa sobre essas índias famosas e me deparei com o nome de um autor do século XVI, o padre Gaspar de Carvajal, que escreveu o livro "Relación del nuevo descubrimiento del famoso río Grande que descubrió por muy gran ventura el capitán Francisco de Orellana".

Pois bem, esse padre, que não era nenhum retardado mental e nem doido, afirmou a existência das icamiabas.

Mas os portugueses, querendo apagar os rastros da colonização espanhola na região amazônica, safadamente,

lançaram esses fatos à conta de uma simples e fantasiosa lenda.

É muita cara de pau tentar tampar o sol com a peneira.

História é História e pronto.

Não se deve subestimar a inteligência de outros interessados na verdade e tentar impingir uma mentira em lugar da verdade.

E

a verdade é que as icamiabas existiram nas proximidades

do

rio que era conhecido como Rio Grande.

O

que fez essas icamiabas desaparecerem foi o verdadeiro

genocídio promovido por espanhóis e portugueses na região.

Elas

guerreiro macho.

Acho que é muito cinismo ou burrice dizer que se trata apenas de uma lenda.

matavam como qualquer

eram guerreiras

mesmo

e

O livro de Carvajal está aí para garantir que elas existiram e

eram bravas mesmo.

Pretendo estudar sobre o assunto com mais profundidade e irei informando.

Maria Moaçara foi uma das últimas icamiabas, apenas que se vestia à portuguesa.

2 - PADRE GASPAR MISCH: UM HERÓI PRATICAMENTE ESQUECIDO DA AMAZÔNIA DO SÉCULO XVII

No seu livro "Crônica da Missão dos Padres da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão", editado em 2010, pelo Senado Federal, o padre João Filipe Bettendorff fala muito no seu grande amigo Gaspar Misch, que desempenhou naquele momento histórico do século XVII, o importante papel de conciliador dos colonizadores brancos e dos índios, que, se não fosse sua atuação, juntamente com a do próprio autor do livro e mais a da cacica tapajó Maria Moaçara, além do padre Pedro Luís Consalvi e alguns outros, teria havido uma verdadeira guerra de vastas proporções entre brancos e índios, com a derrota certeira dos índios, num verdadeiro genocídio indígena na Amazônia.

Misch era um homem de um senso de humor extraordinário e, com suas pilhérias e bondade, sabia dissolver os arroubos dos violentos e dos precipitados.

Este pequeno texto é uma tentativa de chamar a atenção dos historiadores para sua importante contribuição.

- AUTORIDADES DE SANTARÉM-PA

Não se trata de querer fazer qualquer imposição ao povo de Santarém, no Pará, mas apenas uma sugestão. Depois de muito pesquisar sobre a História daquela região, no século XVII, cheguei à seguinte conclusão: Maria Moaçara (que foi uma importante cacica tapajó que ali viveu naquele período), e Johann Philippe Bettendorff (padre jesuíta que lhe foi contemporâneo) foram as pessoas que desempenharam os papéis mais importantes para o surgimento e consolidação da comunidade que é o atual município de Santarém. Gostaria de sugerir que as autoridades e a população locais verificassem a veracidade do que estou dizendo a fim de valorizar esses dois personagens e dar-lhes o reconhecimento devido, de maneira a preservar sua memória, que me parece estar um tanto esquecida e, talvez, totalmente ignorada principalmente pelas novas gerações.

ÀS

3

MENSAGEM

AO

POVO

E

Algum dia gostaria de comparecer a Santarém, por exemplo, para a inauguração de algum museu com os nomes deles, escola, biblioteca, praça, monumento ou coisa parecida.

Acho que o que se fez para manter viva a lembrança dos dois nomes é pouco em relação ao muito que realizaram. Solicito que alguém leve esta mensagem ao conhecimento do prefeito, vereadores, professores e demais autoridades de Santarém.

4 - PARINTINS: SEU FUNDADOR E DATA DA FUNDAÇÃO

O fundador de Parintins foi o padre luxemburguês Johann Philippe Bettendorff, em 29 de setembro de 1669, o qual lhe deu o nome de São Miguel dos Tupinambarana, pois que pretendia homenagear o arcanjo Miguel.

Acontece que o redator da rubrica Parintins, da Wikipédia, sequer menciona o nome de Bettendorff. É muito séria essa questão de escrever dicionários, enciclopédias e outras obras desse tipo.

5 - HOMENAGEM A MARIA MOAÇARA COMO COFUNDADORA DE SANTARÉM-PA

Enviei, por e-mail, à Prefeitura e à Câmara de Vereadores, a sugestão de que a cacica tapajó Maria Moaçara, que viveu na segunda metade do século XVII, pelo menos parte da sua vida

no local onde hoje se localiza o bairro Aldeia, em Santarém-

PA, seja considerada como fundadora daquela cidade, sendo que a data comemorativa da cidade é 22 de junho, porque o padre João Felipe Bettendorff teria chegado à aldeia de Maria

Moaçara nesse dia do ano de 1661.

Acontece, meus amigos, que aprofundei a pesquisa sobre aquela época e verifiquei que Maria Moaçara teve tamanha importância na sua nação tapajó, que se estendia por muitos quilômetros, no espaço entre os rios Madeira e Tapajós, chegando até o litoral, sendo que utilizou sua diplomacia para fazer com que seu povo simplesmente não matasse os padres jesuítas, o que já tinha acontecido antes, além de que, para melhor contribuir para a paz social, acabou aceitando casar com um militar português de nome Rafael Gonçalves. Em boa amizade com Bettendorff e os demais padres da Companhia de Jesus, contribuiu decisivamente para que fosse construída a base do que seria futuramente a cidade de Santarém. Entendo que sua ação foi primordial, pois, se não fosse a atuação dela, teria ocorrido o massacre aos jesuítas e posteriormente o revide português e uma verdadeira guerra teria ceifado milhares de vidas em pouquíssimo tempo. Mas há um detalhe que quero esclarecer para os prezados amigos que me concederem sua atenção.

e escrevi um texto, que faço questão de transcrever abaixo,

Li

atentamente o livro de Bettendorff intitulado Crônica

devido à sua importância para que se esclareça que Maria Moaçara foi uma mulher digna e não uma sirigaita, como se fez apresentá-la na falsificação da obra de Bettendorff, exatamente na interpolação que está nas páginas 577/578 da edição do Senado Federal:

"PADRES JESUÍTAS NO MARANHÃO E NO PARÁ DO SÉCULO XVII E MARIA MOAÇARA

A Ordem da Companhia de Jesus foi fundada por Inácio de Loiola no século XVI não para edificar as criaturas na Doutrina do Cristo, mas sim para assumir o poder onde quer que fosse possível.

A dominação que procuraram seus representantes no

Maranhão e no Pará do século XVII só é visível para quem aprofunda as pesquisas, como é o meu caso, que somente tenho compromisso com a verdade histórica. Não pretendo negar o idealismo de três padres jesuítas que ali aportaram: Bettendorff, Consalvi e Misch, mas posso dizer, com toda certeza, que os demais trabalharam pela escravização dos índios e, até, pelo genocídio dos tapajós, que foram a nação mais adiantada da região, quando sob o comando da grande cacica Maria Moaçara.

No meu entender, se não fosse a diplomacia dessa grande

líder, não haveria a possibilidade da fundação da atual cidade

de Santarém.

Por isso, sugiro às autoridades desse município que estendam

a autoria da fundação da cidade a ela, ficando ela e Bettendorff como fundadores.

Como ninguém se preocupou em fazer-lhe o retrato idealizei este, que apresento nesta postagem.

Quero esclarecer outro detalhe, que foi a fraude cometida por algum perverso, que inseriu no livro de Bettendorff uma passagem em que aquela mulher digna e honrada, com a inserção maldosa e covarde, teria aparecido praticamente nua a Bettendorff e agido como verdadeira prostituta. Isso está nas páginas 577/578 do livro de Bettendorff na edição do Senado Federal.

Trata-se de uma fraude, que explico em outro artigo que escrevi sobre o assunto.

Peço às autoridades de Santarém e aos pesquisadores que analisem esta sugestão.

Maria Moaçara foi um verdadeiro ícone, que merece ser destacada na História do Pará e, principalmente, de Santarém. Espero que lhe façam justiça.

6 - RESPONSÁVEIS PELA FUNDAÇÃO DE SANTARÉM: BETTENDORFF E MARIA MOAÇARA

Atualmente, a data de 22 de junho de 1661 é considerada a da fundação de Santarém, porque nesse dia o padre Johann Philippe Bettendorff chegou à localidade onde habitavam os índios tapajós liderados pela cacica Maria Moaçara.

Escolheu-se esse acontecimento, ou seja, a chegada do referido sacerdote jesuíta como a da fundação de Santarém.

O que vou dizer não vai fazer com que as autoridades municipais dessa cidade mudem de entendimento, mas quero lhes dizer, como pesquisador, que a importância de Bettendorff foi muito importante para que o genocídio dos tapajós não ocorresse naquele momento, retardando esse fato lamentável, mas isso somente se fez possível graças à mentalidade pacificadora de Maria Moaçara.

Então, meus amigos de Santarém, sugiro a vocês que façam constar que sejam tidos como fundadores de Santarém Bettendorff e Moaçara, cada um atuando de forma que se fez possível o assentamento da missão portuguesa em Santarém.

Outros padres jesuítas tinham sido trucidados pelos tapajós, anteriormente, e somente graças à diplomacia de ambos pôde a missão ali instalar-se como aconteceu.

7

RELAÇÃO

MOAÇARA (MOACARA)

Tenho sempre falado que minha afeição pela História do Brasil e pela História Universal vem desde meus 12 anos de idade, quando comecei a ler incansavelmente, ininterruptamente, como se o mundo fosse acabar amanhã. Isso foi me dando base para escrever e hoje tenho 167 livros escritos, dos quais muitos são de História, inclusive do Brasil.

Quero aqui fazer um comentário sobre um dos livros que terminei de ler recentemente, cujo nome é "Crônica da Missão dos Padres da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão", publicado pelo Senado Federal, 2010, escrito pelo padre jesuíta João Felipe Bettendorff, que viveu de 1625 a 1698, tendo nascido em Lintgen, Luxemburgo, e morrido no Colégio do Pará, no Brasil.

Quem pesquisa com profundidade, argúcia e vontade firme de descobrir a verdade, acaba vendo que metade das chamadas "verdades históricas" é mentira.

É o que acontece comigo, pois investigo fatos históricos "com um olho no gato e outro no peixe", ou seja, acredito, em tese, nos historiadores, mas, ao mesmo tempo, confiro para ver se estão sendo verdadeiros ou tendenciosos ou até se não houve interpolações, como as há na própria Bíblia. Pois bem, a única personagem feminina destacada pelo autor no seu livro é a cacica Maria Moaçara (ou Moacara), que, no índice onomástico, aparece nas seguintes páginas: 195, 294, 385, 400, 577 e 630.

Aparece no livro como uma grande cacica, mulher honrada, que, ao contrário das outras índias, que não usavam roupas,

EM

MARIA

FALSIFICAÇÕES

À

DA

HISTÓRIA

-

CACICA

TAPAJÓ

vestia-se à moda portuguesa e foi casada, primeiro, com o cacique Roque, tendo ficado viúva pouco depois de um ano, e, depois de nove anos de viuvez, casou-se com um militar graduado português de nome Rafael Gonçalves, o que provocou muito desagrado entre muitos índios, quase gerando uma guerra interna, que foi contornada, e morreu assassinada barbaramente pelo sargento-mor Domingos de Matos.

Um detalhe que me chamou a atenção, por ser muito importante para eu conferir se esse livro foi fraudado, é que o original sumiu, ou melhor, "sumiram-no", sendo que o nosso famoso poeta brasileiro Gonçalves Dias encontrou apenas uma "cópia" manuscrita, cópia esta que foi publicada no Brasil, pela editora do Senado Federal.

Vamos pensar juntos: o manuscrito original sumiu e a edição

se baseou em uma cópia.

Até aí, aparentemente, nada de suspeito.

Mas acontece que, em todas as referências à cacica ela aparece como uma mulher digna, respeitada, líder incontestável dos tapajós, que ocupavam uma extensa área localizada entre os rios Madeira e Tapajós, tendo ela habitado principalmente onde hoje se localiza o bairro Aldeia, em Santarém.

O suspeito é que na referência a ela das páginas 577/578, não

é mais uma mulher respeitável, que andava vestida à moda

portuguesa, mas sim uma mulher de uma vulgaridade de prostituta, que se teria apresentado nua ao padre Bettendorff

e

os acompanhantes dele, quando este foi formalmente visitá-

la

e aos seus índios para convidá-los para morarem perto da

cidade, tendo sido dito que nessa ocasião, além da nudez estranha, ela passou a mão no rosto dele, tentando seduzi-lo, chamando-o de bonito e convidou a ele e seus companheiros

brancos para comerem um tipo de doce na sua cabana, inclusive querendo que o padre historiador se sentasse perto dela na esteira.

Meus amigos, muita gente pode acreditar nessa interpolação, tendo-a como uma afirmação feita pelo padre autor do referido livro, mas essa não colou.

Quem inventou essa mentira não foi inteligente o suficiente, porque, ao tentar desmoralizar a grande cacica e, indiretamente, toda a civilização tapajó, esqueceu-se de fraudar o restante do livro, onde o padre Bettendorff tece elogios às virtudes da cacica, isso sem contar também que a linguagem do incidente inventado pelo fraudador é totalmente diferente do restante da obra.

Seria cansativa para os prezados leitores a comparação literal dos dois estilos, mas a verdade é que a redação superior de Bettendorff não aparece na narrativa interpolada do escrevinhador barato e cafajeste que inseriu a mentira no livro do grande historiador luxemburguês.

Quem lê o livro todo fica embasbacado com a elegância do estilo de Bettendorff, mas assusta-se com a redação pobre, sem qualificação literária e sem ética do interpolador do incidente das páginas 577/578.

É como se alguém resolvesse retocar um espaço do quadro da Monalisa, de Leonardo da Vinci: imaginem a portaria que viraria o quadro

Pois bem, o que isso tem de importante? Simplesmente o seguinte: quem fez a interpolação mentirosa pretendeu desmoralizar a civilização indígena avacalhando a pessoa da sua cacica mais importante de todos os tempos, que foi Maria Moaçara (Moacara).

Os tapajós foram a civilização indígena mais avançada que

existiu no Brasil e literalmente desapareceu depois da morte da grande líder Maria Moaçara (Moacara)

Alguns pesquisadores e paleontólogos estão tentando descobrir pistas que levem ao conhecimento da grandiosidade cultural desse povo, que alcançou seu ponto máximo de evolução justamente na época em que essa cacica era viva, ou seja, no final do século XVII.

Leiam o livro a que me refiro, pesquisem as outras fontes, olhem tudo com olhos de lince e terão alguma ideia da grandiosidade do povo tapajó, que se equipara, em muitos aspectos, aos incas, astecas e maias.

A cerâmica tapajó, por exemplo, é de uma beleza e

complexidade que você, prezado leitor, vai ter o sonho de consumo de adquirir pelo menos uma peça, mesmo sabendo que se trate de mera imitação!

8 - A QUESTÃO DOS ÍNDIOS BRASILEIROS

Eu e minha esposa Vera Lúcia Ribeiro Rodrigues temos uma preocupação especial com os índios brasileiros a ponto de termos escrito um livro chamado "Os Índios do Brasil", editado pela AMCGuedes, o qual foi distribuído gratuitamente principalmente aqui em Juiz de Fora, uma vez que poucas pessoas têm interesse pelo tema e seria até perda de tempo e de dinheiro investir em uma divulgação mais ampla do livro.

Segue

http://www.amagis.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php…

Não sabemos se obtivemos algum resultado prático em favor dessa causa.

Só sabemos dizer que eu tenho um amigo pataxó, o qual vende suas obras de artesanato no Parque Halfeld, aqui em Juiz de Fora, e procuro comprar dele o que posso, não só para adquirir aquilo que valorizamos por nós mesmos, como também para que o artista tenha como sobreviver numa realidade onde normalmente se preferem obras industrializadas de arte muitas vezes sem nenhuma beleza, segundo meu ponto de vista, pois prefiro o artesanato normalmente em vez de produtos fabricados em série.

Mas, retornando ao tema desta postagem, que é a questão indígena, tenho a dizer que estive na Reserva Indígena da Jaqueira, localizada em Porto Seguro, Bahia, há uns anos atrás, e, infelizmente, na época, eu ainda não conhecia tanto quanto conheço hoje sobre a maravilhosa Cultura Indígena brasileira.

Recentemente, vim a saber da grande civilização que existiu nas redondezas da atual cidade de Santarém, no Norte

link

para

leitura

ou

download

do

livro:

brasileiro, e que desapareceu misteriosamente no final do século XVII.

Para infelicidade da Cultura do nosso país, o Governo Federal nunca investiu seriamente na pesquisa dessa civilização tão avançada, que foi tratada por alto, mas já é alguma coisa, pelo padre jesuíta João Felipe Bettendorff, nas suas famosas Crônicas, e que teve, naquela época, como figura destacada a cacica que ficou conhecida com o nome de Maria Moaçara.

Pois bem, estudos recentes afirmam que se tratou de uma grande civilização.

Mas as outras etnias indígenas também merecem estudos especiais e precisariam da presença de arqueólogos, sociólogos e historiadores para sua valorização verdadeira perante o povo brasileiro, que, segundo detectamos, quase nada sabe sobre esses brasileiros que, segundo achamos, devem ser tratados com muito respeito, principalmente porque lhes roubamos o território e lhes dizimamos milhões de irmãos no passado e agora deixamos para eles apenas alguns pedacículos de terra, onde eles vivem, ou melhor, sobrevivem do artesanato, que lhes dá o mínimo para morrerem de fome e de doenças que os brancos lhes transmitem, sem contar a corrupção moral que lhes ensinaram, prostituindo-lhes as filhas e ensinando-lhes aos filhos as tortuosidades morais dos brancos.

Não estou exagerando, mas sim dizendo a verdade.

um

Todavia,

documentário que selecionei meio que aleatoriamente sobre o

mundo

https://www.youtube.com/watch?v=7lizWxoi2F4

anexo

a

esta

postagem

índios

um

link

para

dos

do

Brasil:

9 - A CIVILIZAÇÃO TAPAJÓ

Quem valoriza somente o que é estrangeiro deixa de conhecer muitas coisas importantes que existem ou existiram no nosso querido Brasil.

Essas pessoas deveriam se informar, por exemplo, sobre a civilização tapajó, que existiu na região da atual cidade de Santarém, no Pará, e se estendeu pelas adjacências dos rios Tapajós e Madeira, mas que se extinguiu misteriosamente no fim do século XVII e teve como figura mais destacada a cacica que ficou conhecida pelo nome de Maria Moaçara, a qual foi mencionada principalmente pelo padre João Felipe Bettendorff como sendo uma grande líder daquela nação.

A Arte Ceramista, por exemplo, dos tapajós, supera, de muito, a Marajoara em qualidade estética.

Foi uma civilização avançada.

PHILIPP

ÍNDIOS

BRASILEIROS

Os jesuítas, no seu geral, foram os maiores responsáveis pelo genocídio material e cultural indígena no Brasil, não só por iniciativa pessoal, escravizando índios, como também descaracterizando sua cultura e bem assim apoiando o Governo português na chamada "guerra justa", que se iniciou sob o patrocínio do padre Manuel da Nóbrega e que visava matar todos os índios que não se submetessem aos colonizadores e aos padres jesuítas.

BETTENDORFF:

10

PADRE

JOHANN

-

AMIGO

DOS

Essa é a verdade histórica.

Um padre que defendeu os direitos dos índios, inclusive diante da Corte portuguesa, chamava-se Johann Philipp Bettendorff e viveu no século XVII no Brasil.

Morreu em Belém do Pará, depois de ter vivido numa tribo indígena durante um longo tempo.

Esse benfeitor dos índios evitou que ocorresse na Amazônia o genocídio que aconteceu principalmente nas regiões leste e sul do Brasil.

Deveria ser homenageado, mas ficou praticamente esquecido enquanto que os dizimadores de índios, que foram Nóbrega e Anchieta, entraram para a História do Brasil como grandes vultos, que, na verdade, não foram mais do que carrascos vestidos de preto.

Viva Bettendorff, esse grande humanista, cujo retrato sequer subsiste para ser lembrado pelas gerações que o sucederam!

É o Brasil da mentira e dos falsos heróis.

11

A

VERDADE

SOBRE

- AZPILCUETA NAVARRO

JOÃO

DE

A maioria dos brasileiros nunca ouviu falar nesse

personagem, que nasceu em 1521, na Espanha, sendo parente de Inácio de Loyola, Francisco Xavier e Martim de Azpilcueta

Navarro, sendo que o primeiro foi o célebre e questionável fundador da Companhia de Jesus, o segundo uma figura proeminente dentro dessa Ordem Católica e o terceiro um jurista e economista importante na Espanha do século XVI.

Até aqui nada de mais, todavia, vou acrescentar que ele foi professor de Direito Canônico, por um ano, na Universidade de Coimbra, talvez mais por influência do seu parentesco, principalmente do último parente, mas não quis continuar na vida sedentária da Europa e ingressou na Companhia de

Jesus, vindo parar no Brasil, aqui chegando em 1549, ou seja,

na primeira leva de jesuítas, comandada pelo imponente

Manoel da Nóbrega, o qual, diga-se de passagem, não tinha

nenhuma vocação para a religiosidade e tentou ingressar na Universidade de Coimbra como professor, mas foi recusado

por conta da sua gaguez, apesar das insistências do seu mestre

professor Martim, acima referido.

O jovem jesuíta aportou na Bahia com cerca de 28 anos de

idade, portanto, maduro para ter ciência de que encontraria aqui uma realidade muito diferente da europeia.

O que o teria movido a escolher, em primeiro lugar, a vida

eclesiástica e, dentro dela, o Brasil ainda selvagem?

Ninguém faz esse tipo de escolha por acaso, mas sim porque, ates de nascer na existência da época, programou um trabalho específico nessa área.

Era a primeira vez que aquele espírito viveria no Brasil, mas já tinha muita experiência, de outras vidas, nas durezas da vida militar e aguentaria bem as condições adversas do Novo Mundo.

Estava, portanto, preparado para a missão que trouxera:

infiltrado na Companhia de Jesus, fundada em 1540, poderia auxiliar os índios brasileiros e contribuir para neutralizar o escravagismo dos portugueses colonizadores desta terra.

Assim é que, no começo, não se apercebeu da sua missão e achou os habitantes do Brasil, tanto indígenas como brancos, muito estranhos, ou seja, exatamente o contrário do que tinha aprendido na Europa sobre as questões éticas.

Duas coisas lhe chocaram a sensibilidade e a formação cultural: a antropofagia e a liberdade sexual.

Quanto à primeira, lutou de todas as maneiras para incutir na mente dos índios que esse costume era nefasto e que deveria ser abolido.

A respeito da segunda, com o tempo acabou achando que os

índios eram puros e que sua liberdade sexual representava um estilo que os brancos não saberiam nunca compreender e, se adotassem essa forma de proceder, transformariam a espontaneidade em promiscuidade.

A verdade é que a antropofagia foi perdendo espaço, não por

conta da mudança de mentalidade dos índios, mas sim porque ocorreu um verdadeiro genocídio e os poucos índios que sobraram eram insuficientes para se comerem uns aos outros.

Devo dizer, para quem não sabe, que os índios comiam apenas seus inimigos, como ato de vingança e consideravam que

apenas matá-los não seria suficiente para lavar sua honra e dos seus parentes e antepassados.

Os brancos transformaram a liberdade sexual em libertinagem mais descarada, que, a muito custo, a Igreja Católica conteve dentro da maior hipocrisia, o que redundou, depois da invenção da pílula anticoncepcional, na atual promiscuidade tão desabrida quanto era no século XVI, a que me refiro.

Todavia, retomando o fio da meada, tenho a dizer que o padre Navarro, que era conhecido como “Ivituruna” pelos índios, pois era muito alto e usava a batina negra dos jesuítas, foi o primeiro a se interessar em aprender a língua dos índios para melhor interagir com eles.

Aprendeu sobre suas leis não escritas, seus costumes e sua realidade.

Realmente, daquela geração e das posteriores, foi o que mais se integrou na realidade dos índios do Brasil.

Inclusive tornou-se amigo e discípulo do famoso chefe Cunhambebe, que, apesar de habitar na costa do atual Rio de Janeiro, andava por larga extensão do litoral, inclusive nas cercanias da Bahia.

Dedicando-se à chamada “catequese”, na verdade, o padre Navarro gostava mesmo é de estar com os índios, uma vez que lhe aborrecia a hipocrisia dos seus colegas de batina, que fingiam castidade, mas tinham suas escravas índias para resolverem a questão prementemente humana da sexualidade.

Não se fez de rogado quando surgiu a oportunidade de viajar em companhia do grande sertanista Francisco Bruza

Espinoza, também espanhol, que conhecia grande parte do interior do Brasil.

O resultado foi que, em 1553, partiu de Porto Seguro a referida expedição, da qual faziam parte esses dois amigos espanhóis, além de doze portugueses, cujo nome a História, infelizmente, não registrou e mais algumas centenas de índios, muitos dos quais amigos do líder Espinoza e do “Ivituruna”.

Não é dispensável dizer que os brancos, quando se integravam nos costumes indígenas, tinham de andar nus e ficar livres das sobrancelhas, cílios e barba.

Deverá ter sido nessas condições que se embrenharam pela selva e, depois de mais ou menos um mês, chegaram ao Rio Jequitinhonha.

Andaram pela região por mais de um ano e fundaram alguns núcleos humanos, aproveitando a parceria com os índios.

Descobriram ouro e pedras preciosas, naturalmente que com a ajuda dos índios, que conheciam suas próprias regiões.

O “Ivituruna” tinha muita curiosidade em aprofundar suas pesquisas sobre os índios, pois, no fundo, era muito mais um antropólogo do que um religioso.

Passados quase um ano e meio da partida de Porto Seguro, Espinoza anunciou que não retornaria àquela cidade, preferindo ficar no convívio com os índios, mas Navarro retornou, acompanhado dos referidos doze portugueses e um quantidade de índios.

De qualquer maneira, a miscigenação já tinha começado na região do atual Vale do Jequitinhonha, pois todos deixaram filhos havidos com as índias.

Alguém perguntará a vantagem disso, mas a miscigenação

significou o início da verdadeira raça brasileira naquele ponto geográfico, a qual se compõe da mistura de brancos, vermelhos e negros, estes últimos que somente viriam depois,

a partir de 1566, quando determinou o governador-geral

Mem de Sá, sua trazida à força da África, governador esse de triste memória para a História do Brasil, devido aos seus

feitos de escravocrata de índios e de negros africanos.

Mas, chegando novamente a Porto Seguro, Navarro estava combalido, apesar da pouca idade, e, em 1557, ou seja, com 36 anos de idade, faleceu, sendo sua morte muito sentida pelos índios e pouco pelos jesuítas, que o consideravam uma verdadeira “ovelha negra”, devido à sua declarada simpatia pelos índios e aversão à ideologia escravocrata dos jesuítas e dos portugueses.

Somente não se lançou uma pá de cal em cima do seu nome e dos feitos do corajoso sertanista porque era de família destacada e isso lhe valeu ter duas de suas cartas conservadas e que fazem parte da memória jesuítica e histórica do Brasil do século XVI.

Atualmente é lembrado como nome de uma praça em Salvador (Praça Azpicueta Navarro), onde morou durante três anos dos oito que viveu no Brasil.

Sua maior contribuição foi o respeito que impôs aos seus colegas de batina, inclusive Nóbrega, os quais, se não fosse sua amizade aos nativos, teriam mais rápido os transformado em escravos ou os teriam dizimado totalmente.

O Brasil não é afeito a valorizar seus verdadeiros benfeitores,

mas este padre é um desses, que trago dos arquivos do tempo para vocês, prezados leitores, conhecerem.

Se Anchieta, Nóbrega e outros serviram à escravização e mortandade dos índios, este foi defensor dessa raça, que, na certa, deixará de existir daqui a uns poucos séculos, se não houver quem os defenda.

12 - A VERDADEIRA HISTÓRIA DO BRASIL

Os compêndios da História do Brasil registram que Portugal descobriu estas terras em 22 de abril de 1500 e fomos sua colônia, de direito ou de fato, até 7 de setembro de 1822, quando D. Pedro I proclamou a nossa independência.

Mas a verdade é que nenhum país da Europa respeitou, realmente, o Tratado de Tordesilhas, celebrado entre Portugal e Espanha, tanto que a França tentou se apossar do território brasileiro, logo no começo da presença branca neste país, aqui fundando o que chamou de França Antártica e somente não tomou todo o território naquele mesmo século porque estava empenhada em uma guerra civil, que lhe minou as forças e, depois, passou a investir na conquista de outros territórios, localizados, por exemplo, na África e na Ásia, que não vem ao caso aprofundar aqui.

A

Inglaterra também não se interessou em conquistar para si

o

Brasil, pois tinha investimentos altos na colonização de

outras terras, por exemplo, na América do Norte, Ásia e África.

A Holanda investiu pouco na tentativa de conquista do Brasil,

limitando-se ao espaço onde hoje se localiza o estado de

Pernambuco, por intermédio da Companhia das Índias Ocidentais, no século XVII.

Em suma, quando se diz que o Brasil sempre foi colônia de Portugal no período que vai do descobrimento até 1822 não se está afirmando integralmente uma verdade, mas simplesmente dando valor a um povo, que, por razões várias, mas principalmente por falta de opção dos habitantes do país mais pobre da Europa, emigrou em massa para este novo

mundo, acreditando que aqui pelo menos não morreria de fome.

Milhares de portugueses sem chance de sucesso no minguado Portugal vieram para o Brasil, em levas sucessivas ou individualmente, e aqui disputaram com unhas e dentes sua própria sobrevivência com franceses, holandeses e índios, estes últimos sendo seus principais alvos, a ponto de serem praticamente extintos até chegarmos hoje a pouco mais de 300.000 indivíduos, sendo que, na época do descobrimento, eram mais de 5.000.000.

A História é contada pelos portugueses e pelos brasileiros da forma como se ensina nas escolas desses dois países, mas quem aprofundar a pesquisa verá que aconteceu do jeito como está dito acima.

A independência “pro forma” do Brasil aconteceu realmente em 1822, com o consenso dos países que disputavam o Brasil, a qual somente se fez possível com a compra da neutralidade inglesa, sobretudo, a peso de muito ouro, direta ou indiretamente.

Temos de conhecer a realidade: apenas mudamos de donos, como povo, e agora somos colônia dos Estados Unidos, conforme disse Theodore Roosevelt: “A América para os americanos.”, ou seja, o continente americano deve ser dominado pelos estadunidenses, herdeiros espirituais dos ingleses, os quais trazem na sua ideologia a essência da cultura hegemônica romana.

Quem não entendeu vai ficar iludido sempre com os programas de governo de esquerda ou de direita.

Roma continuará dominando uma parte do mundo ainda por muitos anos.

O Brasil permanecerá como sua possessão até que ela entre em colapso e surjam novos valores éticos na Política e na Economia internacionais.

Essa é uma verdade que nós, brasileiros, devemos conhecer para trabalharmos pela nossa verdadeira independência, que ocorrerá quando tivermos conquistado as grandes virtudes do trabalho, da organização, da disciplina, do planejamento e da honestidade.

13 - ESPINOSA, NAVARRO, CUNHAMBEBE, SEPÉ TIARAJU, TIRADENTES E SÉRGIO MORO ALGUNS DOS BENFEITORES DO BRASIL

A História, realmente, é feita de encomenda por quem paga mais, porque o mercenarismo ainda domina, apesar das poucas e louváveis exceções.

Dizer isso pode parecer ofensivo àqueles que, profissional ou amadoristicamente, relatam fatos para conhecimento da posteridade.

A História do Brasil, por exemplo, é um amontoado de mentiras, em que se endeusaram figuras questionáveis como Manuel da Nóbrega, José de Anchieta, Mem de Sá, D. Pedro I e outros tantos, enquanto que os verdadeiros heróis da civilização que ficou neste imenso território originalmente dos índios e agora dos brancos predominantemente são gente como os espanhóis Juan de Azpilcueta Navarro e Francisco Bruza Espinosa, que, ao invés de escravizarem e matarem os índios que encontravam, aprendiam e ensinavam, numa troca salutar, que deveria ser o parâmetro a ser seguido por Portugal; os grandes líderes indígenas Cunhambebe e Sepé Tiaraju, os quais, cada um na sua época, impediram o genocídio indígena respectivamente no litoral do atual Rio de Janeiro e do atual Rio Grande do Sul; Tiradentes, que ensinou, com o próprio destemor, os brasileiros a não aceitarem a exploração estrangeira, o que até hoje não aprendemos e, perdoem-me se discordarem, Sérgio Fernando Moro, que está querendo transmitir aos brasileiros de hoje a velha lição de Capistrano de Abreu de que todo cidadão brasileiro deve ter vergonha na cara.

A História, meus amigos, tem de ser reescrita, para que se

tome conhecimento das perversidades praticadas, sobretudo pelos colonizadores portugueses, conluiados com a quase totalidade dos padres jesuítas que aqui vieram para extorquir ouro, pedras preciosas e tudo que significasse riqueza dos índios e prostituírem as índias em nome do Cristo eles conhecem apenas de raspão.

Verdadeiros conchavos uniam (e unem ainda) religiosos e governantes para, se possível, extinguir a raça vermelha no Brasil e substituí-la pela mão de obra dos negros africanos, que também eram objeto do mesmo tipo de exploração: os homens fortes eram levados a trabalho escravo até que a morte de fome e de excesso de esforço os livrasse da sua vida sofrida.

Quem não tinha pelo menos um escravo era cidadão que sequer podia dizer-se tal, pois um escravo ou uma escrava custavam menos que qualquer burro ou porco.

Assim se desenvolveu a chamada “civilização” brasileira, em que o trabalho passava longe das cogitações dos brancos, que

se permitiam a ociosidade e todos os tipos de vícios, absolvidos pelos párocos corruptos, que vendiam indulgências enquanto eles próprios tinham seus escravos e escravas de cama e mesa.

Com a libertação dos escravos por ordem da digna princesa

Isabel, passaram os homens negros à posição de assaltantes e

as mulheres de prostitutas.

Depois de um ano, proclamou-se a República, vindo a ocupar os cargos presidenciais vários ditadores, dentre os quais Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, Humberto de Alencar Castello Branco, Artur da Costa e Silva, Ernesto Geisel, João Batista de Oliveira Figueiredo,

Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, num período republicano de 129 somando quase que a metade de ditadura.

Agora, perguntamos: - Somos um país democrático? Os governos militares são piores do que os civis? Nosso povo tem realmente empenho em escolher bem seus governantes ou gosta de vender seu voto? Os poderes republicanos são compostos por cidadãos que amam seu país? A dominação estrangeira deixou de existir? As pessoas se interessam pelos rumos da nação? A corrupção está no sangue dos brasileiros ou só dos governantes? Depois da deposição de um governo corrupto seus sucessores têm sido honestos? Vale a pena lutar pela honestidade ou compensa ser mais um corrupto entre tantos?

Cada um terá sua resposta pessoal, como cidadão que tem vergonha na cara, como dizia Capistrano de Abreu.

Sigamos, brasileiros e brasileiras, os exemplos daqueles que são heróis de verdade e não os que riem da desgraça do povo, da fome, da falta de instrução, das injustiças, porque, na verdade, muitos desses falsos idealistas vivem no luxo, coisa que não aconteceu e acontece com nenhum daqueles heróis de verdade que apontei acima.

DE

ESPINOSA

Navarro, apesar de parente próximo do referido Loyola, não se adequava aos parâmetros delineados pelo fundador da Companhia de Jesus e demais superiores hierárquicos, tendo, inclusive, deixado a cadeira de professor da Universidade de Coimbra, onde lecionou por apenas um ano Direito Canônico e escreveu um livro, preferindo vir para o Brasil, uma vez que não tinha vocação para o Magistério e, ao contrário, era dotado de visível espírito aventureiro, atraindo-o a ideia de ficar livre das peias da hipocrisia e viver livremente, em contato com a Natureza e pessoas menos duras de coração.

Opostamente a Manoel da Nóbrega - que veio para o Brasil decepcionado e desgostoso, porque não logrou ingressar no Magistério na referida Universidade, apesar da intercessão do seu ex-professor Martim de Azpilcueta Navarro, tio do nosso Navarro, devendo-se essa não contratação pelo fato de ser gago - o nosso Navarro pediu autorização para vir para esta terra: não se adaptava, como disse, ao padrão rigorista e formalista da Companhia de Jesus nem ao da Universidade.

Queria conhecer o Brasil, do qual já ouvira falar: era espanhol de família ilustre e parente próximo de três figuras destacadas na Espanha do século XVI: seu tio Martim, conceituado jurista, professor e economista, que se encarregou da sua formação na infância e juventude, Inácio de Loyola e Francisco Xavier, o jesuíta que foi cognominado o “apóstolo da Índia”.

Nos primeiros tempos no Brasil ainda se mantinha um tanto ingênuo sobre a hipocrisia da chamada “catequização” dos índios, conforme se verifica pelo teor da sua carta escrita em

14

A

HISTÓRIA

DE

NAVARRO

E

-

1551. Em 1554 teve oportunidade de sair daquele meio hipócrita e adentrar pelo sertão, na famosa expedição, preferível a ficar querendo transformar os índios, que tinham seu estilo de vida e suas crenças próprias, em europeus adestrados à força.

Quanto a Espinosa, os historiadores apenas informam que era castelhano e que, antes de chegar ao Brasil, tinha feito uma passagem pelo Peru e que veio para o Brasil, indo morar em Porto seguro, onde constituiu família. Mas levei a pesquisa mais adiante e pude concluir que, sendo de família judia (o sobrenome Espinosa é judeu), teve de abandonar sua terra natal, em Castela, por causa da perseguição católica aos marranos (judeus convertidos ao Catolicismo) e foi morar no Peru (que era uma das colônias espanholas (não conseguindo permanecer lá pelo mesmo motivo, e, dali, veio para o Brasil, chegando a Porto Seguro.

Concluí que a missão de chefiar a expedição rumo ao atual Norte de Minas somente lhe foi confiada porque não havia nenhum outro que ousasse tal empreitada e também porque era tido como muito honesto e os índios eram seus amigos. Portanto, ninguém melhor do que ele para procurar ouro e pedras preciosas para entregá-los de mão beijada aos jesuítas e ao Governo português.

Mas a experiência vivida, de perseguição na sua terra natal e no Peru, deve ter servido, pelo que calculo, para sensibilizar o grande sertanista, que foi Espinosa, para a valorização do povo e da Cultura Indígenas,

Em Porto Seguro, onde residiu durante cerca de dez anos, ficou conhecendo Navarro.

Bem mais velho que o jovem padre, que aqui chegou em 1549, portanto, com 27 ou 28 anos, isso não impediu que se tornassem amigos muito chegados e, inclusive, os muitos escritos que Navarro traduziu para o tupi contaram com as ajudas do irmão jesuíta Vicente Rodrigues e do amigo sefardita Francisco Bruza de Espinosa, que, portanto, era um homem culto.

Surgiu a oportunidade da expedição, encomendada pelo Governador-geral de então, da colônia brasileira, rumo às cabeceiras dos rios Jequitinhonha e São Francisco, onde, segundo informações dos índios, havia muito ouro e pedras preciosas. Então, o jovem jesuíta não hesitou em acompanhar o sertanista e, com a autorização do seu superior, que era Nóbrega.

Reuniram-se a eles doze portugueses e algumas centenas de índios e foram de Porto Seguro até a região acima apontada, ora por via fluvial, ora à pé, conforme Navarro narrou em sua carta de 20 de junho de 1555.

A ajuda dos índios foi imprescindível, não só para não

errarem o caminho, como também como garantia contra os

ataques de outros indígenas.

Navarro conta sobre essa viagem, de forma resumida, a qual,

de ida, durou cerca de um mês.

Na verdade, o objetivo real da expedição não era catequisar

os índios, mas sim descobrir ouro e pedras preciosas, por

indicação deles, que enriqueceriam a Companhia de Jesus, o Governo português e os próprios habitantes da colônia que fossem ladinos o suficiente para tirarem proveito da situação.

aonde

e

Navarro

chegaram,

permaneceu

ali

mais

de

um

ano

na

região

aprendendo

muito

da

Cultura

Indígena

colaborando com Espinosa na formação de núcleos humanos, que se desenvolveram entre os índios que eram conhecidos pelos portugueses como botocudos, uma vez que usavam botoques no lábio inferior e nas orelhas.

Esses índios eram muito arredios em relação aos portugueses, que consideravam inimigos, mas aceitaram de boamente a convivência e as orientações, sobretudo, de Espinosa e Navarro.

Ao final de um ano e meio Navarro estava de volta a Porto Seguro, levando consigo nenhum ouro e pedras preciosas, para estranheza de todos, mas, em contrapartida, centenas de índios e todos os doze portugueses sãos e salvos. Todavia, apesar de ainda relativamente jovem, apresentava vários achaques orgânicos, devido às condições precárias durante aquela aventura em regiões totalmente desprovidas de recursos materiais.

Daí a um ano faleceu, conforme conta um seu colega de batina em carta um tanto hipócrita, porque, na verdade, Navarro não era bem visto pelos jesuítas e pelos portugueses, devido à sua grande simpatia pelos índios.

Espinosa não voltou para o mundo “civilizado”, preferindo continuar sua vida, até o final, junto aos seus queridos botocudos.

A história de Navarro é relativamente conhecida, apenas no que se achou conveniente registrar em proveito da doutrina e da atuação jesuíticas, mas foi literalmente apagada no que diz respeito à sua amizade aos índios e sua atuação em defesa deles e da sua Cultura.

Quanto a Espinosa pouco se registrou, mas tenho a opinião de que se tornou um verdadeiro líder branco junto aos

botocudos, que ocupavam todo o vale do Jequitinhonha, com isso preservando por muitos anos aquela região das arremetidas escravagistas dos colonos portugueses.

Infelizmente, a atuação de Navarro em Porto Seguro e Salvador, que foram as duas cidades baianas onde atuou como professor e estudioso da língua tupi, essa atuação foi abafada, sobretudo, pelos seus contemporâneos, liderados por Nóbrega, muito cioso do seu comando, e, quanto ao que realizou diretamente junto aos índios, ele próprio teve o cuidado de manter em segredo, para não piorar ainda mais seu descrédito junto aos jesuítas e aos colonizadores portugueses.

Tenho para mim que ficou conhecendo o famoso cacique Cunhambebe, o qual transitava frequentemente pela costa brasileira a partir do Rio de Janeiro e o jesuíta “sui generistornou-se seu discípulo quanto à Cultura Indígena, bem como adepto na luta pela preservação da raça vermelha.

Posso dizer que, em resumo, esses dois espanhóis contribuíram, e muito, para que o genocídio indígena fosse freado naquele longínquo século XVI.

Eram cerca de 5.000.000 de índios quando Pedro Álvares Cabral aqui chegou em 1500 e agora são menos de 300.000:

um verdadeiro genocídio.

Os historiadores da região do Jequitinhonha valorizam, e muito, os nossos dois personagens, mas quem escreve sobre as entradas, que antecederam as bandeiras, no geral, passa meio que por alto a contribuição dos referidos espanhóis, talvez até por espírito xenofóbico.

Estou apresentando a vocês, prezados leitores, Navarro e Espinosa, dois beneméritos do Brasil indígena, que ousara

desafiar os interesses da Companhia de Jesus e do Governo de Portugal, o qual, principalmente quando Mem de Sá e seu sobrinho Salvador Correia de Sá foram nossos Governadores- gerais, promoveram a morte em massa de indígenas brasileiros e incrementaram a escravidão negra como nunca aconteceu em qualquer outra época da História do Brasil.

Restringi-me aqui à História brasileira do século XVI para lhes apresentar Navarro e Espinosa.

15 - O MAUCARATISMO DOS PADRES JESUÍTAS MANUEL DA NÓBREGA, JOSÉ DE ANCHIETA E ANTONIO VIEIRA E DO GOVERNADOR-GERAL MEM DE SÁ

Quem estuda a História do Brasil até o século XVII apenas por alto talvez tenha guardado uma boa impressão desses três padres jesuítas e desse governador-geral, mas quem aprofunda a pesquisa, na certa que ficará conhecendo a mentalidade perversa que os caracterizou, pois, na verdade, 1) Manoel da Nóbrega não tinha nenhuma vocação para lidar com os índios, uma vez que, sendo gago, em vão tentou conseguir uma vaga de professor na Universidade de Coimbra, somente admitindo a ideia de embarcar para o Brasil porque, na posição de chefe da pequena delegação de jesuítas que chegou em 1549, era um verdadeiro ditador dos próprios colegas de batina e dos colonos, sem contar que virou, a partir de certo ponto, carrasco dos índios, declarando a chamada "guerra justa", que significou o seguinte: os índios que não se submetessem à autoridade dos jesuítas e do governador-geral poderiam ser escravizados ou mortos por qualquer pessoa e sem nenhuma justificativa que não essa; 2) Anchieta, que era um homem adoentado por uma fraqueza generalizada, aportou no Brasil para tentar melhorar a própria saúde, também sem nenhuma vocação para a filantropia e enganou sempre os índios com falsas promessas, sendo o tempo todo o braço direito de Nóbrega e apoiando a perversidade dos brancos contra os índios, em constantes atuações hipócritas, que bem caracterizam a ideologia jesuítica, a qual consiste em exercer o poder como um verdadeiro exército sem fuzis, mas devendo tudo fazer para dominar quem quer que ouse contrariar os postulados da famigerada Companhia de Jesus; 3) Vieira foi o protótipo do

jesuíta ambicioso e vaidoso, que se imiscuiu em todos os setores e lugares onde conseguiu, chegando ao ponto de ser preso e apupado pelo povo brasileiro de então, composto pelos colonos brancos e pelos índios, e não encontrou um defensor sequer por causa das suas inconveniências e ânsia de evidência, provenientes do seu complexo de inferioridade por ser mulato; 4) Mem de Sá foi o mais perverso de todos os governadores-gerais do Brasil e determinador da morte de milhares de índios, aqueles que não aceitavam suas arbitrariedades, sem contar a mão forte que deu aos traficantes de escravos negros africanos. Foi aliado dos jesuítas nas perversidades, principalmente de Nóbrega e Anchieta. Meus amigos, quem pesquisa com sincero e persistente desejo

de conhecer a verdade acaba descobrindo que muitos dos

heróis que hoje se homenageiam, na verdade, são vilões, pessoas de mau caráter, enquanto que outros homens e mulheres, que ficaram ignorados ou subvalorizados pela História oficial são os verdadeiros heróis. Entendo como herói quem realiza o Bem com o coração cheio de bondade e com respeito humano.

A Companhia de Jesus (Ordem fundada por Inácio de

Loyola) tinha e tem finalidades perversas e da ideologia do Cristo somente tem o rótulo.

Estudem a fundo e verão isso, mas estudem mesmo, desde sua fundação em 1540, e detectarão pouquíssimos homens de batina jesuíta realmente humanitários e bons.

E na política governamental portuguesa, na época do Brasil colônia, verão em Mem de Sá o mais perverso verdugo do Brasil. Tenho para mim que o pesquisador sério deve, sempre, não só

apontar os verdadeiros heróis, como desmascarar os falsos benfeitores e heróis de araque.

O povo brasileiro tem o direito de saber se está valorizando quem merece, pois os nossos ídolos, em um país que não lê, são impostos pelas elites de sempre e pelos historiadores mentirosos, comprometidos à peso de dinheiro ou favores dos poderosos do momento.

16 - A EXISTÊNCIA DAS ICAMIABAS

Se a gente utilizar o nome “icamiaba” quase ninguém saberá a quem estaremos nos referindo, mas elas nada têm a ver com outra expressão, que é “amazona”, que muita gente associa a elas, aliás, sem nenhuma razão.

As “amazonas” eram as famosas guerreiras da Mitologia grega, enquanto que as “icamiabas” tiveram sua existência confirmada pela primeira vez em 12 de fevereiro de 1542 pelo frei Carvajal, o qual era o responsável pelo registro da expedição espanhola chefiada por Orellana, que adentrou pela Amazônia naquela época.

Esse documento foi levado ao conhecimento do rei espanhol Carlos V, o qual, por simples associação de ideias, chamou as guerreiras de “amazonas”.

A informação de Carvajal consta de um livro de sua autoria e traz detalhes importantes, inclusive o de que uma flechada atingiu-o no rosto, cegando-o de um olho.

Muito se escreveu, fora do Brasil, sobre as “icamiabas”, inclusive que se encontravam anualmente com guerreiros de uma tribo vizinho, formada só de homens, a fim de acasalamento, visando a perpetuação da linha matrilinear das “icamiabas”, de tal forma que, se nasciam meninas, eram conservadas em poder das mães “icamiabas” e, se nasciam meninos, eram entregues aos pais, ou seja, aqueles da tribo vizinha.

Em suma, interessava às “icamiabas” apenas as meninas, que eram treinadas para a guerra, aprendendo, sobretudo, a utilizar o arco e flecha.

No Brasil pouca gente acredita que elas tenham sequer existido, tratando-as como uma lenda de fundo erótico, mas há pesquisadores sérios, que se informaram a respeito e garantem sua existência, pelo menos até há alguns anos atrás, como é o caso de um historiador que realizou um trabalho nesse sentido em 1967.

Vale a pena lembrar que a FUNAI registra atualmente a existência, na região amazônica, de cerca de cem tribos que não têm nenhum contato com o mundo civilizado.

Mas acreditamos poder considerar que o número real é muito maior do que esse, porque duvidamos de que os burocratas da FUNAI se embrenhem pelas matas e que conheçam todos os seus recantos para verificarem quantas são realmente as tribos a que se referem.

Milita em favor da existência passada, ou até atual, das “icamiabas” uma festividade indígena tipicamente feminista, realizada por várias tribos, na qual, anualmente, as índias assumem o comando e impõem aos seus maridos os deveres tipicamente femininos naquele dia, como uma forma de ameaça de abandonarem a tribo e formarem nações “icamiabas”, o que, diga-se de passagem, consegue intimidar os referidos machões.

Quase ninguém sabe dessa realidade e não tem ideia do por que os índios respeitam tanto suas mulheres!

Por ora é o que informo sobre o assunto, ou seja, as “icamiabas”, sobre as quais estou pesquisando.

17 - A INTEGRAÇÃO DAS RAÇAS BRANCA E VERMELHA NO BRASIL DO SÉCULO XVI - Espinosa, Navarro, Cunhambebe e Moreia

INTRODUÇÃO

A segunda metade do século XVI da História do Brasil nunca

foi contada da forma como os prezados leitores verão neste livro.

A maioria das pessoas que recebem informações sobre aquele

período vê, normalmente, as figuras do governador-geral Mem de Sá, dos padres jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta e do colonizador francês Nicolau de Villegagnon e pensa que tudo girou em torno deles.

Vamos focalizar outros personagens, totalmente diferentes,

cuja atuação, segundo pudemos detectar nas nossas pesquisas

e conclusões, visou, não a escravização dos índios para

trabalharem para os brancos, nem sua dizimação, por que se recusavam a desempenhar esse papel, mas sim a gradativa e espontânea integração entre brancos e índios, sem violências e sem prejuízos para nenhuma das partes, podendo todos habitar o imenso território brasileiro, com a condição de cada povo respeitar a cultura do outro e, assim, haver uma convivência fraternal, onde os brancos ensinariam os índios a

não mais praticarem a antropofagia e a poligamia, enquanto que os brancos aprenderiam com os índios a grande Ciência da Natureza e a democracia.

Esse ideal dos nossos quatro personagens foi colocado em prática, enfrentando o poderio do Governo português e da Companhia de Jesus.

Aparentemente esses dois últimos segmentos saíram vitoriosos, mas o que ficou de sementes boas para brotarem

no futuro é o que valeu para formar mentalidades mais arejadas e democráticas do que a dos quatro personagens ditatoriais que mencionamos acima: Mem de Sá, Nóbrega, Anchieta e Villegagnon.

As civilizações, os povos recebem, normalmente, as influências boas e más de personalidades que exercem a liderança, como o trigo e o joio da parábola evangélica, sendo essa ainda a realidade humana.

Os personagens que retratamos neste livro são o trigo e os outros quatro o joio.

Os prezados leitores têm o direito de entender o contrário, se

o quiserem, mas, se o Brasil é hoje uma nação confusa,

desorganizada, vítima de ditadores etc., devemos isso aos

quatro escravagistas e outros que os sucederam.

Podem notar que o que os índios tinham para aprender, aprenderam de verdade, que foram a abolição da antropofagia e da poligamia, mas o que os brancos

precisavam assimilar não o fizeram e, assim, até hoje não têm

a mínima consideração pela Natureza e desconhecem a

democracia, apesar da quantidade de leis que tratam dos dois assuntos.

Vamos adotar neste livro uma inversão que será útil para os prezados leitores: pedimos que leiam primeiro os dados biográficos de cada um dos nossos personagens, a fim de terem uma noção melhor de suas ideias e propósitos, de que trataremos na Segunda Parte.

PRIMEIRA PARTE BIOGRAFIAS RESUMIDAS DOS PERSONAGENS

1 FRANCISCO BRUZA ESPINOSA

Consigna a Wikipédia:

Francisco Bruza Espinosa, castelhano, foi dos primeiros desbravadores do sertão da Bahia ainda no século XVI. Seu nome se grafa também Francisco Bruzo Espinosa, sendo ainda encontrado como Francisco Bruza, Bruzza, Brueza de Espinosa, Espinhosa, Espiñosa ou Spinosa.

Em 1553, D. João III ordenou ao governador-geral Tomé de Sousa explorar as nascentes do rio São Francisco, pois fora informado que os espanhóis haviam encontrado ouro e esmeraldas do outro lado da linha deTordesilhas.

A expedição foi encomendada ao castelhano.

Toda região onde está o município de Salinas, originariamente de 3.689 km 2 e abarcando dezesseis distritos e povoados, teve sua colonização iniciada nesta metade do século XVI, quando o desbravador Francisco Bruza Espinosa, seguindo determinação da Coroa, enveredou pelo vale do Rio Pardo com numerosa expedição. Palmilhou os tabuleiros de pastagens naturais

tinha até jazidas de sal, indispensável para o gado e foi sair do território mineiro para a Bahia onde hoje está

a cidade de Espinosa, que ganhou o topônimo em sua homenagem.

Seguido as noticias dadas pela expedição de Espinosa, acorreram à região os chamados vaqueiros baianos tangendo seus rebanhos, deflagrando assim o Ciclo do Couro da Colonização das Gerais. É notório que os povoados surgidos no curso das atividades agropecuárias, curso das atividades agropecuária, notadamente as pastoris, são de crescimento lento.

Os sertões eram habitados pelos índios tapuias por ocasião do descobrimento. Cinquenta anos depois no Governo-Geral de Tomé de Sousa, foi organizada uma expedição à região sob comando do espanhol Francisco Bruza Espinosa. A expedição, da qual fez parte o padre jesuíta João de Azpilcueta Navarro, seguiu pelo sul do

litoral baiano, atravessou o vale do rio Jequitinhonha e atingiu o rio São Francisco. Deixaram Porto Seguro em outubro ou novembro de 1553 e precisaram de ano e meio para percorrer 355 léguas (2.310 quilômetros), pelo rio Jequitinhonha, até a Serra do Mar, alcançando o rio São Francisco, passando ao rio Verde, finalmente descendo o rio Pardo até o mar.

A crônica da expedição está em carta do jesuíta escrita

em Porto Seguro, para os seus superiores em Coimbra,

A ação de colonização aconteceu muitos anos depois,

quando, em 1690, o regente do São Francisco, Antônio Guedes de Brito, se estabeleceu com duzentos homens armados na serra Geral, hoje município do Jacaraci, na Bahia. Ali bem perto formou-se o povoado de Lençóis do Rio Verde denominação que se explica pelos lençóis postos a secar no rio pelas lavadeiras da região. Esse povoado ficava nos arredores de uma antiga capela, mais tarde e a matriz de São Sebastião. Em 1859, criou-se o distrito de Lençóis, ligado ao município de Rio Pardo. Posteriormente, em 1923, sob a denominação de São Sebastião dos Lençóis, é elevado a município, desmembrado de Monte Azul. O nome Espinosa foi instituído depois, em homenagem ao desbravador do local.”

2 JOÃO DE AZPILCUETA NAVARRO Diz a Wikipédia:

João de Azpilcueta Navarro, padre da Companhia de Jesus, dos primeiros a serem catequistas no Brasil, no século XVI.

Teria sido o primeiro que aprendeu a língua indígena e dela se utilizou desde 1550 na pregação aos selvagens. Foi certamente o primeiro basco a pisar terras do Brasil. Seu nome era Juan de Azpilikueta y Sebastian, da nobre família dos Azpilikueta do reino da Navarra e os portugueses, com dificuldade para pronunciar o nome, passaram a 48chamá-lo Navarro, isto é, nascido na Navarra, em homenagem a sua procedência. Pertencia à família de São Francisco Xavier cuja mãe se chamava Maria Azpilikueta Aznares; um dos irmãos do santo, Juan de Azpilicueta (1497-1556), foi senhor de Sotés e se conhecia como Capitão Azpilicueta.

O padre João nasceu no País Basco, na Espanha, em Iriberri ou Burlada, de onde eram naturais seus pais, Juan de Azpilcueta e Maria Sebastiana de Iriberri ou de Javier, entre 1522 e 1523; morreu na Bahia em 1557, ainda jovem. Era sobrinho do humanista Martín de Azpilcueta, o famoso Doutor Navarro, que lecionou naUniversidade de Coimbra. Por isso o padre João frequentou a Universidade entre 1540 e 1549, data de sua partida para o Brasil, vivendo em casa do tio, que o queria como filho. Ingressou na Companhia de Jesus em Coimbra em 22 de dezembro de 1542, mais ou menos aos vinte anos. Foi sempre, com atestam suas cartas, um católico fervoroso. Além do mais, grande estudioso, de estrita moralidade cristã, europeu da Idade Média, seu mundo seria transtornado ao desembarcar no Brasil. Foi ele mesmo quem pediu para embarcar, em 1549.

Em 1544 foi professor de Cânones na Universidade de Coimbra, quando escreveu o livro, que é publicado até hoje, intitulado “Diálogos de las Imágenes de los Dioses Antíguos”.

Seu nome é lembrado na cidade de Diadema SP através de um dos logradouros públicos: Rua Azpicueta Navarro, no bairro Vila Nogueira, e também na cidade de Salvador: Praça Azpicueta Navarro.

No Brasil, após a morte do Donatário da Bahia, Francisco Pereira Coutinho, resolveu instalar um Governo-Geral para todo o país, afastando a cobiça estrangeira. O rei, que foi descrito por Santo Inácio de Loiola como pai e protetor da Companhia de Jesus, enviou com o primeiro governador seis jesuítas comandados pelo padreManuel da Nóbrega. A viagem durou 56 dias e em 29 de março de 1549 desembarcaram na Bahia, com calorosa recepção pelos colonos.

O Padre João ficou três anos em Salvador, ocupado com

a construção do colégio e da cidade e, principalmente,

trabalhou nas aldeias indígenas dos arredores. Era necessário aprender o idioma do gentio para poder catequizá-los. E nisso o padre João era excelente! Meses depois, escrevendo à Europa, Nóbrega conta que ele tinha mais facilidade do que os outros para se comunicar com os índios, e pensava que devia ser por um parecido qualquer entre o euskara que falava desde a infância e o idioma tupi ou abanheenga.

Seus sete anos de estadia no Brasil podem ser divididos em três anos vividos em Salvador, sendo um dos fundadores dessa cidade, três vivendo em Porto Seguro e um ano e meio na viagem ao sertão mineiro.

Viagem ao sertão

Desde 1500, os habitantes de Porto Seguro falavam de uma cordilheira brilhante e preciosa no interior, a serra Verde, serra Negra ou serra das Esmeraldas. Os índios asseguravam que, nas margens da lagoa Vupabaçu (“Lagoa grande”), se encontravam pedras verdes – e os portugueses sonhavam com esmeraldas ou safiras. Em 1553, D. João III ordenou ao governador explorar as fontes do rio São Francisco. Informado de que os espanhóis haviam achado ouro e esmeralda do outro lado da linha imaginária de Tordesilhas, encarregou da expedição o castelhano Francisco Bruza Espinosa. Nóbrega indicou como padre João de Azpilcueta.

Partiram em outubro ou novembro de 1553. Demorariam um ano e meio, como se conta em Entradas e Bandeiras, para percorrer penosamente 350 léguas, ou seja, 2310 quilômetros.

Para Afrânio Peixoto, em A cultura brasileira, pg. 289, Azpilcueta foi o primeiro mestre e missionário do gentio, o primeiro nas entradas evangelizadoras aos sertões, que varou em 1553 em Porto Seguro 350 léguas de périplo, às cabeceiras do rio Jequitinhonha, São Francisco, tornando ali ao litoral pelo rio Pardo.» Antes de partir, em carta aos irmãos deixados em Coimbra, escrita de Porto Seguro em 19 de setembro de 1553, conta ele:

« Fiquei aqui somente por falta de padres e pela necessidade que havia na terra de despertar a gente que estavam e estão no sono do pecado, somente com nome de cristãos, embebidos em malquerenças, metidos em demandas, envoltos em torpezas e sujidades publicamente, o que tudo me causava uma tibieza e pouca fé e esperança de poder-se fazer fruto, contudo meti-me a apalpar, quis Nosso Senhor que alguns se apartassem dos pecados, uns tirando de si, outros casando-se, muitos cediam das demandas e libelos condescendendo a meus rogos, e outros, que me ajudavam, e desta maneira se reconciliavam muitos.» E, adiante, conta de seu pouco entusiasmo em partir terra adentro: «Interim, encomendai-me muito ao Senhor, caríssimos, e porque nunca me achei em tanta necessidade como agora, por ir só entre leigos de diversas mais por terras cobertas e gentes bárbaras que se comem, que com lágrimas vos quisera escrever não a ida, senão meu pouco entusiasmo para tão grande empresa.»

Azpilcueta afirma, em correspondência citada pelo padre Serafim Leite em Novas cartas jesuítas, página 155: «Nesta capitania, achei um homem de boas partes, antigo na terra, e tinha o dom de escrever a língua dos índios, o que foi para mim grande consolação, e assim o mais do tempo gastava em lhe dar sermões do

Testemunho Velho e Novo e Mandamentos, Pecados mortais e Artigos de fé, e Obras de Misericórdia, para tornar em a língua da terra.» Os jesuítas dos estados do Brasil e do Maranhão escreveram numerosos relatórios, cartas e informes com pormenores sobre sua vida diária e seu trabalho missioneiro. Suas cartas, que acabaram nos arquivos de Roma, Lisboa, Évora, Madrid e no Rio de Janeiro, foram consultadas pelo padre Serafim Leite no século dezenove e hoje são material de grande valor para os historiadores. Era acompanhado em suas missões ao interior pelo padre Vicente Pires, de São João da Talha, em Portugal, entrado na companhia aos dezessete anos. Entravam pelo sertão em terrenos inóspitos, visitando aldeias distantes e, diz Navarro, «passamos assaz trabalho e perigos, por nos ser necessário andar de noite algumas vezes e por matos, porque cá não há os caminhos de Portugal, e há neles muitas onças e outras feras.»

Na expedição de 1553, enfrentaram os índios do Jequitinhonha (puris ou aimorés) e as dificuldades naturais do caminho ou da ausência dele, nas terras que os próprios indígenas apelidavam Ivituruna ou «montanha negra», devido à sua estatura elevada e vestir-se com a batina negra da Companhia de Jesus. Enfrentaram tempestades e perda de animais, sempre com muito cansaço. Dos encontros com os índios passavam a construir botes para descer caudalosos rios e, mesmo assim, Azpilcueta pôde se referir à beleza da terra, à sua fertilidade, aos costumes dos índios, à abundância de aves e animais selvagens, sem esquecer jamais de sua missão: encher aquela terra de gente cristã, nativa ou estrangeira.

Ele próprio solicitou de Nóbrega autorização para adentrar o sertão, sendo que viajava sempre descalço por gosto pessoal.

Houve um debate sobre se a expedição conseguiu localizar ouro e pedras preciosas, mas ele nada afirma

sobre o assunto em sua carta de 1555, apesar de que Ambrósio Pires, em carta dirigida diretamente a Inácio de Loiola, lança uma acusação grave contra Navarro dizendo estranhar a expedição, depois de um ano e meio de viagem, não ter obtido sucesso na localização dessas preciosidades.

Navarro trouxe consigo para Porto Seguro muitos indígenas botocudos, com os quais conviveu na sua estadia nas regiões onde esteve, como companheiro de viagem de espino, mas este não retornou a Porto Seguro.

O estado de saúde de Navarro tornou-se crítico após a

referida viagem e veio a falecer em 1957.

A carta em que descreveu a viagem foi escrita em Porto

Seguro em vinte e quatro de junho de 1555. No início de 1556, estava de novo em Salvador. Morreu ali entre quinze e trinta de abril de 1557, tendo dedicado os melhores anos de sua vida à evangelização. Suas cartas

se podem ler em «Cartas jesuíticas»: Cartas do Brasil, Cartas avulsas, periodicamente reeditadas.

Trecho de uma carta de Salvador, agosto de 1551:

Assim, chegamos a uma aldeia onde achamos os gentios todos embriagados, porque aqui têm uma maneira de vinho de raízes que embriaga muito, e quando eles estão assim bêbados ficam tão brutos e ferozes que não perdoam a nenhuma pessoa, e, quando não podem mais, põem fogo na casa onde estão os estrangeiros. Com tudo isto, porque chovia muito e íamos mui molhados, nos recolhemos em outra casa para nos enxugar, e daí a pouco vieram com grande fúria, com espadas e outras

Foi considerado pelo historiador Carlos Affonso dos Santos, no seu livro Navarro, o Primeiro Apóstolo do Brasil, como um respeitável geógrafo, historiador e missioneiro.

armas contra nós

No Brasil, onde viveu de 1549 a 1557, escreveu um livro, que não foi publicado, intitulado Oraciones y Catequesis en la Lengua General del Brasil.”

3 CUNHAMBEBE A Wikipédia informa:

Cunhambebe (? c. 1555) foi um famoso chefe indígena tupinambá brasileiro. Foi a autoridade

máxima entre todos os líderes tamoios da região compreendida entre o Cabo Frio (Rio de Janeiro) e Bertioga (São Paulo). Foi aliado dos franceses que se estabeleceram na Baía de Guanabara em 1555, no projeto da França Antártica. É citado na obra do religioso francês André Thévet Les singularités de la France Antarctique e na obra do aventureiro

que o chefe tamoio, em rituais canibais de sua tribo,

tenha devorado mais de sessenta portugueses.

Etimologia

Segundo o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro, o nome “Cunhambebe” é derivado do termo tupi kunhãmbeba, que significa “mulher achatada, sem seios, de seios muito pequenos”, pela junção de kunhã (mulher) e mbeba (achatado). Seria uma alusão ao peito musculoso e desenvolvido de Cunhambebe. O escritor Eduardo Bueno, baseado em Teodoro Sampaio, diz que “Cunhambebe” significa “o gago” em tupi, mas tal etimologia é considerada fantasiosa por Eduardo de Almeida Navarro.

Noticia-se

.

Biografia

1642

Segundo Capistrano de Abreu, houve não apenas um, mas dois Cunhambebes: pai e filho. O pai teria sido o famoso guerreiro que Hans Staden encontrou na Serra de Ocaraçu (atual conjunto de morros do Cairuçu, ao Sul de Paraty, na região de Trindade). André Thevet também teria conhecido este Cunhambebe. Faleceu de “peste” (provavelmente varíola) após a chegada dos colonos franceses deNicolas Durand de Villegagnon à Baía de Guanabara.

Alguns anos após a morte deste Cunhambebe, o padre José de Anchieta teria encontrado o Cunhambebe filho em Yperoig (atual cidade de Ubatuba) para as negociações que deram origem ao Armistício de Yperoig o primeiro tratado de paz conhecido no continente americano, colocando fim à chamada Confederação dos Tamoios, que ameaçava São Vicente e a supremacia portuguesa no sul do Brasil.

Pacificados os indígenas das proximidades de São Vicente, os portugueses atacaram os franceses que estavam instalados na Baía de Guanabara, dizimando as tribos tupinambás que ali residiam. O fato se repetiu no Cabo Frio, tendo sobrevivido os Tupinambás de Ubatuba, que, fugindo para o sertão ou misturando-se aos colonos em Ubatuba, deram origem aos atuais caiçaras, na região do Litoral Norte de São Paulo.

No início do século XVII, já não havia mais nenhum tupinambá na região do Rio de Janeiro, a não ser os convertidos ao catolicismo e os utilizados como serviçais pelos portugueses.”

4 BELCHIOR DIAS MOREIA Vemos na Wikipédia:

Belchior Dias Moreia (Brasil, 1540 1619), bandeirante brasileiro, tem seu nome ligado à serra de Itabaiana, nos arredores de Aracaju, e ao mito do Eldorado no Brasil. Era ainda conhecido como Belchior Dias Moreira ou Belchior Dias Caramuru, por ser parente de Diogo Álvares o Caramuru. Seria nascido no Brasil por volta de1540, tinha fazendas ou currais junto a serra do Canini, nos sertões do rio Real (hoje município de Tobias Barreto), entre o rio Real e o rio Jabiberi. Considerado notável colonizador do sertão do rio Real, onde teria chegado desde 1599, após haver tomado parte na conquista de Sergipe, como um dos capitães de Cristóvão de Barros, segundo informa a «Enciclopédia dos Municípios Brasileiros».

Ficou famoso por suas buscas do Eldorado, que localizava na serra de Itabaiana. Até hoje há quem creia que haveria ali riquezas em metais e que a área ocultaria um “carneiro de ouro”. O mito surge a partir das expedições deste aventureiro Belchior Dias Moreia, que alardeou a descoberta de uma grande quantidade de prata na região, no século XVI.

Embora nada tenha sido efetivamente localizado, a notícia ajudou a impulsionar outras expedições particulares e governistas, que tomaram os caminhos da Serra nos séculos seguintes. Itabaiana, com sua velha serra, atraiu aventureiros em busca da prata que teria sido achada por Belchior Dias Moreia e durante dois séculos alimentou entre os brasileiros o sonho de riqueza.

As primeiras minas de prata haviam sido descobertas no Brasil por Gabriel Soares de Sousa, que morreu em1592, cronista e explorador. Era primo de Belchior Dias Moreia, que com ele aprendeu a varar os sertões da Bahia e de Sergipe, em busca de ouro e prata, mas estava a serviço dos reis da Espanha. Atraiu com isso o interesse de Belchior, que veio se estabelecer na terra. Após dez anos de pesquisa, anunciou a descoberta das minas de prata. As supostas minas de Itabaiana jamais foram

encontradas. Se foram descobertas, como afirmava ele, o segredo ficou guardado. Pedindo mercês em troca da informação sobre o local das minas, Belchior foi a Portugal e de lá à Espanha, em 1600, para conseguir um título de nobreza. Demorou-se quatro anos, sem sucesso. Voltaria duas vezes à Europa com novos insucessos. Os governadores Luís de Sousa, de Pernambuco, e D. Francisco de Sousa, da Bahia, marcaram encontro com Belchior Dias Moreia e viajaram juntos para Itabaiana, para marcar a localização das minas. Negando-se a mostrar o local enquanto não fosse recompensado com as mercês, Belchior Dias Moreia foi preso e passou dois anos na cadeia.

Antigamente, o rio Orinoco era o ponto preciso e real onde estaria o Eldorado, na cabeça das gentes. A partir de Gabriel Soares de Sousa a perspectiva se transferirá para as cabeceiras do rio São Francisco. Mesmo Domingos Fernandes Calabar (1600-1635), que os portugueses tiveram como traidor, foi guia de uma expedição holandesa a Itabaiana em procura do ouro e da prata.

Belchior Dias Moreya morreu em 1619, deixando um filho Rubério Dias tido de uma índia cariri da aldeia de Geru. Seu neto Melchior Dias Moreia pretendeu posteriormente ter descoberto minas de prata na montanha de Itabaiana. Sem revelar, no roteiro imperfeito que deixou, sua localização.

Por isso mesmo em 1673 a Coroa (era regente o Príncipe D. Pedro, futuro rei D. Pedro II de Portugal) nomeou D. Rodrigo Castelo Branco como administrador-geral das Minas de Itabaiana e editou o Regimento Geral das Minas do Brasil. Era consequência das incessantes buscas de ouro e prata em várias partes do território.

Coube ao neto de Rubério Dias, bisneto de Belchior, buscar os velhos roteiros, a partir das terras do morgado do velho

descobridor e sertanista. Tratava-se do coronel Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya, apelidado o Moribeca. Num engodo, apresentara ao governador Afonso Furtado pedras de marcassita misturadas com amostras de prata que herdara do avô.”

SEGUNDA PARTE INTERAÇÃO PRODUTIVA

1 ANTROPOFAGIA

A maioria das pessoas não tem ideia do em que consistia a antropofagia praticada por várias nações indígenas brasileiras: eram, ao mesmo tempo, uma forma de vingança contra os inimigos e, talvez principalmente, devido à crença de que assim fazendo estavam assimilando as energias de coragem desses inimigos.

Esse hábito era tão enraizado que foi difícil os índios renunciarem a comer os cadáveres dos inimigos.

“O uso do cachimbo realmente faz a boca torta”: a poligamia não foi tão difícil de ficar no passado quanto o foi a antropofagia.

Nos rituais antropofágicos incluía-se até o direito da vítima de engravidar uma índia da tribo e a criança fruto dessa relação era devorada posteriormente.

As próprias vítimas encaravam a morte com desdém e preferiam ser devoradas a morrer de velhice.

Conta Hans Staden no seu livro em que narra suas aventuras no Brasil que Cunhambebe adorava comer portugueses, mas acredito que isso tenha sido mais uma estratégia do grande cacique para intimidar o matreiro amigo dos portugueses, ou seja, Hans Staden, que, por sinal, nem sacrificado foi.

2 POLIGAMIA

Fica para muitas pessoas desinformadas a ideia de que todos os índios eram polígamos, o que não é verdade.

Os casamentos sempre foram levados a sério, como instituição cheia de regulamentos, impedimentos etc.

Apenas os caciques podiam ter muitas esposas, mas tal se justifica, segundo a ideologia indígena, porque dali deveria nascer pelo menos um grande líder.

Não se trata de consagração da promiscuidade, mas sim de expectativa quanto ao surgimento de um líder.

Filho de cacique nem sempre é cacique, pois o que vale mesmo é a capacidade de liderar.

Todavia, liderar não significa “fazer e acontecer” com arbitrariedades e desrespeitos aos membros da tribo:

quem assim procede perde o cargo.

As escolhas se baseiam na real competência dos dirigentes, ao contrário das eleições dos brancos, que são reguladas por uma quantidade enorme de leis e regulamentos, mas acabam vencendo os que compram votos.

3 CIÊNCIA DA NATUREZA

A

Xamanismo.

Vamos reproduzir o que a Wikipédia fala sobre o

Xamanismo, mas o fazemos apenas por uma questão

de facilitação, mas nem tudo que está ali consignado

corresponde à verdade.

Vamos dizer agora o seguinte: o lema principal do Xamanismo é o “somos todos um”, ou seja, todas as criaturas (humanas, animais, vegetais e minerais) têm igual importância do Universo, apenas se diferenciando pela especialização. Todavia, todo ser humano deve respeitar as demais criaturas e aprender a interagir com elas, inclusive para manutenção da saúde física e espiritual.

de

Ciência

da

Natureza

pode

ser

chamada

A maioria dos brancos tem verdadeiro horror ao

Xamanismo, mas trata-se de puro preconceito, justamente porque os xamanistas valorizam todas as criaturas indistintamente, enquanto que muitas pessoas se julgam donas da Natureza e com direito de destruir sob o pretexto de levar o progresso a todos os recantos do mundo.

O resultado dessa devastação está perceptível pelo

desaparecimento de muitas espécies animais e vegetais,

falta de água em muitos lugares antes abundantes nesse aspecto, surgimento de doenças que tinham deixado de existir etc. etc.

O desequilíbrio ecológico aumenta quando umas criaturas desaparecem, fazendo surgir, assim, uma necessidade insatisfeita e uma coisa vai puxando outra.

Observem como a qualidade de vida natural está piorando de uns anos para cá.

“O xamanismo é um termo genericamente usado em

práticas

etnomédicas, mágicas, religiosas (animista, primitiva), e filosóficas (metafísica), envolvendo cura, transe, transmutação e contato entre corpos e espíritos de outros xamãs, de seres míticos, de animais, dos mortos. Essencialmente técnicas de contato com o sagrado ou êxtase e, como analisa Jerome Rothenberg (1951-2010), utilizando uma linguagem, de certo modo precursora, do que conhecemos como poesia, uma criação de circunstancias linguísticas especiais como a canção e a invocação.

A palavra xamã vem do russo tungue saman e corresponde à práticas dos povos não budistas das regiões asiáticas e árticas especialmente a Sibéria (região centro norte da Ásia). Apesar, como assinala Mircea Eliade da especificidade dessas práticas na região (em especial as técnicas do êxtase dos tungues, iacutes, mongóis, turco-tártaros etc.), não existe contudo, origem histórica ou geográfica para o xamanismo como conhecido hoje, tampouco algum princípio unificador. Outros nomes para sua tradução seriam feiticeiros, médico-feiticeiros, magos, curandeiros e pajés.

Antropólogos discutem ainda na definição xamanismo a

referência

a

biopsicossocial do transe e êxtase religioso,

bem como as implicações sociais da definição do xamanismo como fato social. É considerado uma tradição

equivalente à magia enquanto prática individualizada relacionada aos problemas e técnicas e ciência da

experiência

sobrevivência cotidiana (agricultura, caça, medicina, etc.)

ou

normatizador.

Xamã

religioso, abstrato, coletivo,

O sacerdote do xamanismo é o xamã, que geralmente entra em transe durante rituais xamânicos, manifestando poderes incomuns, invocando espíritos, plantas etc., através de objetos rituais, do próprio corpo ou do corpo de assistentes e pacientes. A comunicação com estes aspectos sutis da vida pode se processar através de estados alterados de consciência. Estados esses alcançados através de batidas de tambor, danças, sonhos e até ervas enteógenas.

As variações “culturais” são muitas mas, em geral, o xamã pode ser homem ou mulher, a depender da cultura, e muitas vezes há na história pessoal desse indivíduo um desafio, como uma doença física ou mental, que se configura como um chamado, uma vocação. Depois disto

há uma longa preparação, um aprendizado sobre plantas

medicinais e outros métodos de cura, e sobre técnicas para atingir o estado alterado de consciência e formas de se proteger contra o descontrole. Naturalmente o processo de aprendizagem e as “técnicas” empregadas variam de cultura para cultura.

da

O xamã

natureza humana, tanto na parte física quanto psíquica.

um

é

tido

como

profundo

conhecedor

De acordo com Eliade (o.c.), entre os manchus e os tungues da Manchúria a tradição dos dons xamânicos

costuma ser feita de avô para neto, pois o filho ocupa-se

em prover as necessidades do pai, isso no caso dos amba

saman (xamãs do clã). Os xamãs independentes seguem a sua própria vocação. O reconhecimento como xamã só pode ser feito pela comunidade inteira depois de uma prova iniciática. Ainda segundo esse autor das referências a distúrbios psicológicos (especialmente no processo de formação) o ideal iacuto de um xamã é: um

homem sério, que sabe convencer os que estão à sua volta, não presunçoso nem colérico. Entre os kazak- quirguizes o baqça, guardião das tradições religiosas é também cantor, poeta, músico, adivinho, sacerdote e médico.

Talvez pela experiência do sofrimento antes da iniciação ou experiência de possessão o xamã é confundido com indivíduos portadores de distúrbio mental tipo epilepsia, histeria e psicose, Lévi-Strauss citando os estudos de Nadel e de Mauss na introdução à obra de Marcel Mauss afirma que …existe uma relação entre os distúrbios patológicos e as condutas xamanísticas, mas que consiste menos numa assimilação das segundas aos primeiros do que na necessidade de definir os distúrbios patológicos em função das condutas xamanísticas… afirma ainda, baseado em estudos comparativos, que a frequência das neuroses e psicoses parecem aumentar nas regiões sem xamanismo e que xamanismo pode desempenhar um duplo papel frente as disposições psicopáticas: explorando-as por um lado, mas, por outro canalizando-as e estabilizando-as.

Xamanismo entre os Vikings (Seiðr)

O seiðr, em muitos casos, foi descrito como uma feitiçaria realizada para “ferver” certos objetos imputados de poderes mágicos, sendo basicamente utilizado como um rito adivinhatório ou para assassinato, ou ainda como prescreve Boyer, relacionado a três ações básicas: prever o futuro, aprisionar, causar doenças/desgraças ou matar. A tradução do termo varia segundo os pesquisadores, mas geralmente é interpretada como sendo canto. Tratava-se de um ritual mágico de tipo divinatório e profético, com conotações xamanistas e uma arte mágica criada pela deusa Freyja. Era um tipo de magia extática com transe, êxtase do celebrante e cantos da 62uropeia62e, geralmente realizada durante a noite e praticada sobre uma plataforma chamada de assento para encantamento

(seiðhjallr). A sua realização era conectada com sons mágicos ou encantamentos, e a melodia era considerada bonita para os ouvidos. Também compreendia fórmulas mágicas para chamar tempestades e todos os tipos de injúrias, metamorfoses e predições de eventos futuros. Criada pela deusa Freyja, era praticada especialmente por mulheres chamadas seiðkonur (sing. Seiðkona). Para Neil Price seria antes de tudo uma forma de extensão do espírito e de suas faculdades, enquanto que para Zoe Borovsky a performance do seiðr simbolizaria o modelo

vertical de universo (cosmológico) da árvore Yggdrasill. Como para o xamã, a praticante de seiðr devia descer ao mundo dos mortos para relatar os ensinamentos que buscam os vivos e para efetuar certos malefícios. A magia nórdica era tanto praticada por homens quanto por mulheres, com uma nítida especialização feminina.

As Sagas estão repletas de práticas mágicas, mas maiores

detalhes sobre o ritual do seiðr são desconhecidos.

Xamanismo no Brasil

O xamanismo é constante em diversas manifestações

indígenas brasileiras. A palavra “pajé”, de origem Tupi,

se popularizou na literatura de língua portuguesa em

referência ao xamã. Seu estudo, descrições de caso e comparação, tem sido recomendado para facilitar a implementação de práticas de assistência à saúde

culturalmente adequadas no Brasil a cerca de 4.000 índios pertencentes a 210 povos sob a responsabilidade

da FUNASA Fundação Nacional de Saúde desde

agosto de 1999

Xamanismo ou Pajelança Comunicação com os encantados e entidades ancestrais através de cânticos, danças assim como nos índios Guarani Kaiová e utilização de instrumentos musicais (maracá, zunidores) para captura e afastamento de espíritos malignos tipo mamaés, anhangás. Há também a utilização do jejum, restrições dietéticas, reclusão do doente, além de uma

série de práticas terapêuticas que incluem: o uso do tabaco (o pajé fuma grandes cachimbos) e outras plantas psicoativas, aplicação de calor e defumação, massagens, fricções, extração da doença por sucção/ vômito, escarificação no tórax e locais inflamados com bico, dentes de animais ou fragmentos de cristais

No Brasil rural e urbano, apesar da tradição multi-étnica

dos ameríndios, observa-se a presença dessas práticas

médicas-religiosas em comunhão com rituais católicos e espiritualistas de origem africana. Esse xamanismo é conhecido em algumas regiões como pajelança cabocla, culto aos encantados, toré, catimbó, candomblé de caboclo, em rituais de umbanda, culto a Jurema sagrada.

Atualmente no Brasil existem várias vertentes de neo- xamanismo ou xamanismo urbano, entre estas linhas diversos grupos se reúnem para estudar e trocar conhecimentos sobre o tema.

O Xamanismo, ou como conhecemos (índios)

costumavam se obliterar em cavernas, matas virgens, além de florestas, os rituais com seiva de animais mortos era um costume tanto quanto normal, o Xamanismo vem desde a existência brasileira, e com isso, tem suas apresentações, coloniais realizadas apenas entre eles, e a

diferenciação, de raças.

Uso de plantas psicoativas

Como foi dito algumas práticas xamânicas são marcadas pelo uso de elementos extraídos de fontes naturais que levam o indivíduo a entrar em estados modificados de consciência denominados transe ou êxtase. Esses produtos, tem característica da presença de substancias psicoativas ou enteógenos. Para entender o efeito de tais substâncias não basta analisar a composição molecular e efeito bioquímico, é necessário situar-se no contexto (set) de utilização as expectativas e formas de uso da substância incluindo os mitos ou crenças a seu respeito.

4 DEMOCRACIA

Na Grécia antiga se falou muito em democracia, bem como na Roma antiga, mas, se os brancos observassem os costumes indígenas com a intenção de aprender com eles, teriam implantado a verdadeira democracia no mundo dito “civilizado”, que é onde não há democracia quase que nenhuma.

“A democracia dos povos indígenas

Justiça e igualdade como desafios do cotidiano

Marcy PICANÇO e Paulo MALDOS

Numa manhã, em uma aldeia Guarani, os homens se reúnem para discutir e decidir como irão lidar com um conflito sobre a invasão do seu território por parte de fazendeiros. Os homens se revezam em longas falas, cada um explicitando um ponto de vista, nem todos com a mesma posição diante do conflito. Não longe dali, lavando a roupa no córrego, perto o suficiente da Casa dos Homens para poder ouvir os debates, as mulheres comentam entre si, cada uma logo antes de seu marido falar: “agora ele vai falar tal coisa“, e o marido falava exatamente o que a sua mulher havia antecipado para as amigas. Cada casal havia tido a noite anterior toda para pensar sobre o assunto e definir uma posição.

É assim que a maioria dos povos indígenas vive a sua participação política. Eles não delegam a um indivíduo ou grupo o poder de decidir pela comunidade. Isto é feito por todos, no dia-a-dia da aldeia.

Não podemos afirmar que todos os povos indígenas se estruturam da mesma maneira. Ao contrário, há uma grande diversidade de sistemas sociais, políticos, religiosos, econômicos, como também culturais e 66uropeia66cia, entre os povos indígenas no Brasil e na América Latina. Cada um tão distinto de outro quanto um egípcio de um russo.

Entretanto, quando estes sistemas políticos são comparados aos dos países em que os povos indígenas se encontram, é possível identificar características comuns entre eles, bem distintas das sociedades que os envolvem. Nenhum dos povos indígenas no Brasil criou um Estado; não usam a força coercitiva para manter a “ordem interna” da comunidade, nem têm o exercício do poder como privilégio de um grupo.

Em geral, os homens e os mais velhos têm mais o poder da palavra do que as mulheres e os mais novos. Além disso, algumas pessoas da comunidade se distinguem por suas habilidades, como um xamã, um guerreiro, um caçador, o que não significa uma posição privilegiada. Ao contrário, eles também atuam em função do interesse coletivo e são controlados pela comunidade.

Nas comunidades indígenas, os sistemas econômico, social, político e religioso são intrinsecamente relacionados e perpassam todos os espaços e situações da vida cotidiana. A participação política e o controle sobre o bem-estar da aldeia estão presentes no dia-a-dia de todos. Não é atribuição de alguns poucos especialmente designados para isso e nem necessita de espaços específicos.

Uma pessoa ter liderança em algum aspecto da vida da comunidade não significa que ela detenha algum privilégio ou poder especial em relação aos outros. Um cacique, por exemplo, pode ser um grande

conselheiro ou responsável por diversas atividades; ele pode ter a tarefa de manter o equilíbrio interno, o bem- estar na aldeia, de articular o consenso geral. Para isso, precisa de atributos que o legitimem ante a comunidade, pois ele pode perder sua função caso desrespeite ou desagrade a esta.

Uma das tarefas intrínsecas ao ser cacique pode ser, ao mesmo tempo, uma das formas que a comunidade tem de 67uropeia-lo: o cacique precisa retribuir o que recebe. Existem aldeias em que o cacique é aquele que menos acumulou bens, pois, ainda que receba muitos presentes, deve dar muitos presentes em retribuição.

Na verdade, a economia de redistribuição permanente no interior das comunidades foi a forma encontrada pelos povos indígenas no Brasil de interditar o acúmulo de propriedades e bens e, em 67uropeia67cia, de poder, por parte de indivíduos ou grupos.

De acordo com a tradição indígena, o objetivo da produção não é acumular excedentes, mas sim, compartilhar. Todo o excedente da caça, da pesca e da agricultura é repartido dentro da aldeia ou usado para presentear comunidades vizinhas, geralmente em grandes celebrações. Durante a colonização da América, alguns povos foram impedidos de fazer as festas da partilha da produção, pois isto era visto como desperdício. Esta atitude teve um efeito contrário ao esperado, gerando, muitas vezes, a escassez de alimentos, uma vez que muitos indígenas não viam sentido em trabalhar para fazer estoques, sem as celebrações, que tinham um caráter religioso.

Ao impedir culturalmente esse acúmulo e essa diferenciação interna, os povos indígenas evitaram o surgimento da propriedade privada, a constituição de

classes sociais e a produção do instrumento por excelência de dominação de uma classe por outra: o Estado.

Uma democracia exercida por todos, não só por representantes.

Esta radical igualdade, ancorada na economia, organizada pela cultura e concretizada nas práticas cotidianas, confere um alto grau de autonomia às comunidades indígenas, o que tem como característica a não-adoção de práticas como a de delegação de representação a indivíduos como “representantes” da comunidade. Entre os povos indígenas, simplesmente não existe a prática da representação; o que pode existir são pessoas que vão encaminhar demandas e propostas da comunidade a serviço e sob o controle desta e sempre de forma pontual e específica, não como uma “representação geral”, de “amplo espectro” e sem limites no tempo.

Muitas vezes, vemos “representantes indígenas” perenes na mídia ou nos espaços do Estado, falando ou negociando em nome “dos povos indígenas” em geral. Esses “representantes” surgem muito mais pela necessidade que o Estado e a sociedade têm de encontrar interlocutores entre os povos indígenas, do que devido a uma legitimidade construída por aqueles junto às comunidades. “Representantes genéricos” dos povos indígenas surgem, portanto, devido a processos “exógenos” às comunidades e não “endógenos”.

Depois da Constituição de 1988, no Brasil, centenas de organizações indígenas vêm surgindo, buscando cumprir um papel de articulação, organização e mobilização dos povos indígenas em torno dos seus direitos históricos. Muitas surgem e, da mesma maneira, morrem, permanecendo aquelas que melhor conseguem refletir os anseios das comunidades

e se transformar em função de uma busca constante de sintonia com as bases.

Essa ausência de delegação da representação faz com que toda a comunidade tenha como responsabilidade cuidar de seu presente e de seu futuro. Isto mobiliza todos os seus membros a exercerem sua palavra e seus gestos na construção autônoma e, ao mesmo tempo, coletiva de sua história, em todos os espaços existentes no cotidiano.

A sociedade brasileira, surgida com a invasão 69uropeia, há 506 anos, assim como as demais sociedades latino-americanas, na sua fase republicana, buscaram na Grécia Antiga as origens de sua ideia de Democracia. Estas ideias originais foram adaptadas para a construção de uma República democrática em nossos países, num contexto de sociedades baseadas na noção da propriedade privada como sagrada e dilaceradas pelos conflitos entre as classes. O resultado desta adequação foi a criação de Estados como instrumento das classes hegemônicas e de nações com fortes desigualdades econômicas e sociais. Tudo isso fez com que nossas “democracias”, controladas pelo poder de classe e nossas “representações políticas” apropriadas por este, ficassem muito longe da promessa de igualdade e justiça.

No contexto de nossas sociedades, absurdamente desiguais e injustas, a democracia se tornou um ritual vazio e a representação política, quase uma farsa. Ao longo da nossa história, os setores populares têm-se esforçado em dar substância às nossas recentes democracias, por meio de mobilizações e de encaminhamento institucional das demandas e propostas dos trabalhadores e dos setores populares, bem como, pelo controle social sobre o Estado e suas

instituições. Esta luta, entretanto, tem um triste histórico de reações das oligarquias e classes dominantes, revelado nos inúmeros golpes de Estado e ditaduras militares que tanto feriram os povos latino- americanos durante todo o século XX.

Hoje, mais uma vez, os povos latino-americanos buscam eleger representantes que realizem, de fato, as suas aspirações de democracia e justiça social. Novamente, os setores dominantes buscam interditar essa experiência, cooptando os representantes eleitos, transformando-os em traidores daqueles que os elegeram; ou ameaçando-os com o desgaste na mídia, com ações num Poder Judiciário classista, com o descrédito na sociedade e, no limite, com novos golpes militares.

Neste difícil momento histórico em que vivemos, nossas democracias têm muito que aprender com os povos indígenas e com suas práticas de vida em comunidade. Seria fundamental que nos dedicássemos a conhecer as diversas formas que nossos povos milenares construíram para viver em comunidades livres da exploração, da dominação, da miséria e da barbárie social.

Certamente, os povos indígenas têm muito a nos ensinar a respeito de como construir democracias verdadeiras, onde a Justiça e a Igualdade estejam inscritas no cotidiano de nossas sociedades, não apenas no preâmbulo de nossas Constituições.

Marcy PICANÇO e Paulo MALDOS

Revista «Porantem», do CIMI”

CONCLUSÕES

1 É reconhecido por todos os historiadores que Espinosa e Navarro eram amigos, que se conheceram em Porto Seguro a partir de 1549, quando Navarro chegou ao Brasil, sendo também certo que traduziram juntos muitos textos para o tupi, apesar de não constar o nome de Espinosa, pois era judeu sefardita, o que desagradaria os católicos. Também é admitido por todos os historiadores que ambos viajaram na famosa expedição de 1553/1555, que saiu daquela cidade em direção às cabeceiras dos rios São Francisco e outros;

2 Nenhum historiador afirma que ambos conheceram Cunhambebe, mas tenho para mim que esse encontro aconteceu até mais de uma vez, porque Espinosa conhecia o Brasil como a palma da mão, inclusive porque chegou a Porto Seguro, por volta de 1539, vindo do Peru, ou seja, para ali chegar atravessou o nosso país na direção oeste-leste andando a pé ou indo pelos rios e seguramente não tinha nenhuma vocação para ficar muito tempo em um lugar só, mas devia viajar muito e, em uma vez pelo menos, deve ter encontrado Cunhambebe, o qual também devia andar bastante pelas costas brasileiras. Quanto a Navarro ficou mais do que reconhecido como um viajante inveterado. Não tinha parada em lugar algum e tenho como certo que conheceu Cunhambebe. Acompanhem meu raciocínio: tanto Espinosa quanto Navarro tinham muito prestígio junto aos índios; as notícias corriam e a população era incomparavelmente menor do que hoje e uns iam falando das novidades para os outros,

inclusive da chegada a Porto Seguro, em 1549, do “Ivituruna”, que era como os índios chamavam Navarro, por ser um homem alto e que usava a batina negra dos jesuítas em ocasiões cerimoniosas; fofocas não faltavam. Desses encontros entre os três devem ter surgido muitas combinações e trocas de ideias. Vejamos também o seguinte: Navarro viveu até 1557, Cunhambebe até 1555 e, quanto a Espinosa, não se sabe quando faleceu, mas, seguramente, depois de 1555. O respeito mútuo devia estar presente sempre nesses contatos entre os dois brancos e o índio. Infelizmente, Navarro não poderia fazer nenhum registro do assunto ou, então, o que relatou foi destruído, pois aos jesuítas não interessava a amizade com os índios, mas apenas sua subordinação e escravização;

3 Segundo informação da Wikipédia, Moreia nasceu por volta de 1540, ou seja, teria de 13 a 15 anos quando da famosa expedição de 1553. Alguém pode achar absurdo supor que o adolescente tivesse participado dela. Mas tenho sérias razões para acreditar na resposta positiva, pois o jovem era neto de Caramuru e primo de quatro sertanistas famosos, portanto, na família era quase que obrigatório as novas gerações seguirem a tradição do avô. Isso sem contar que, quando adulto, Moreia destacou-se como sertanista, como vocês viram na sua biografia, acima. Caramuru morava na Bahia e pode- se deduzir que o jovem neto igualmente. Então estava próximo de Espinosa e Navarro. Na época não havia preocupação em estudar quase nada, mas sim ganhar a vida o mais precocemente possível. O rapaz, com toda essa

hereditariedade e influência familiar favorável, na certa, não pensou duas vezes e embrenhou-se pelo mato junto com Espinosa e Navarro e os demais aventureiros. Apenas a título de satisfazer eventual curiosidade, vamos dizer que Caramuru, seu avô, atuava como uma espécie de aproximador entre brancos e índios.

Diogo Álvares Correia (Viana do Castelo, Portugal Tatuapara, Salvador, 5 de outubro de 1557) foi um náufrago português que passou a vida entre

os indígenas da costa do Brasil e que facilitou o contato dos primeiros viajantes europeus com os povos nativos do

a de Caramuru (palavra tupi que significa lampreia) pelos Tupinambás. É considerado o fundador do município baiano de Cachoeira.

Brasil. Recebeu

alcunha

Alcançou a costa na altura do Arraial do Rio Vermelho como náufrago de uma embarcação francesa, entre 1509 e 1510. Acerca do episódio, afirma-se ]

Viajando para São Vicente por volta

Fidalgo da Casa Real

Álvares naufragou nas

de

1510,

o

Diogo

proximidades do Rio Vermelho, em

na Bahia. Seus

Salvador,

companheiros

foram

mortos

pelos

índios Tupinambás,

mas

ele

conseguiu sobreviver e passou a viver

entre os índios, de quem recebeu a

alcunha

significa moreia.

de Caramuru, que

Esse apelido faz referência ao fato de Diogo ter sido, supostamente, encontrado pelos indígenas em meio às pedras da praia e às algas, como se fosse uma lampreia.

Posteriormente terá recebido a alcunha de filho do trovão ou, segundo outras fontes, homem trovão da morte

barulhenta, o que estará na origem da lenda que afirma que Diogo Álvares Correia, teria recebido o apelido ao afugentar indígenas que o queriam devorar, matando uma ave com um tiro de arma de fogo.

O náufrago português foi bem acolhido pelos Tupinambás, a ponto de, o chefe deles, Taparica, lhe ter dado uma de suas filhas, Paraguaçu, como esposa. De acordo com os roteiros do filme e da minissérie de televisão Caramuru - A Invenção do Brasil, Paraguaçu tinha como irmã a lendária Moema, originariamente citada (sem essa relação de parentesco) no poema "Caramuru" de Frei Santa Rita Durão (1781).

Ao longo de quatro décadas, Correia manteve contatos com os navios europeus que aportavam ao litoral da Bahia em busca de madeira da "Caesalpinia echinata" (pau-brasil) e outros géneros tropicais. As relações comerciais com os franceses da Normandia levaram-no, entre 1526 e 1528, a visitar aquele país, onde a companheira foi batizada em Saint-Malo, passando a chamar-se Catarina Álvares Paraguaçu, em homenagem a Catherine des Granches, esposa de Jacques Cartier, que foi a sua madrinha. Na mesma ocasião, foi batizada outra índia Tupinambá, Perrine, o que fundamenta outra lenda segundo a qual várias índias, por ciúmes, teriam se jogado ao mar para acompanhar Caramuru quando este partia para a França com Paraguaçu.

Sob o governo do donatário da capitania da Bahia, Francisco Pereira Coutinho, recebeu importante sesmaria, tendo procurado exercer uma função mediadora entre os colonos e os indígenas, não conseguindo, todavia, evitar o recontro de Itaparica, onde Pereira Coutinho perdeu a vida.

Conhecedor dos costumes nativos, Correia contribuiu para facilitar o contato entre estes e os primeiros missionários e administradores europeus. Em 1548, tendo João III de Portugal formulado o projeto de

instituição do governo-geral no Brasil, recomendou ao Caramuru que criasse condições para que a expedição de Tomé de Sousa fosse bem recebida, fato que revela a importância que o antigo náufrago alcançara também na Corte portuguesa.

Três dos seus filhos (Gaspar, Gabriel e Jorge) e um dos seus genros (João de Figueiredo) foram armados cavaleiros por Tomé de Sousa pelos serviços prestados à Coroa Portuguesa.

O seu naufrágio e vida junto aos indígenas foram envoltos em contornos de lenda na obra do padre jesuíta Simão de Vasconcelos, em 1680, na qual se inspirou, um século mais tarde, frei José de Santa Rita Durão para compor o poema épico em dez cantos Caramuru (1781).

Em 2001, a sua história foi transformada em um filme brasileiro Caramuru - A invenção do Brasil.

(https://pt.wikipedia.org/wiki/Caramuru)

4 Mas se alguém duvidar que Espinosa e Navarro conheceram Cunhambebe e Moreia isso não faz diferença. Pelas nossas pesquisas foi possível verificar que os dois primeiros batalharam muito pelo respeito devido aos índios. Quanto a Cunhambebe concluí que somente declarou guerra aos portugueses depois que estes passaram a desrespeitar os índios. É sabido que, no início, os portugueses tratavam bem os índios, inclusive pagando salário pelo seu trabalho, mas, a partir de 1530, passaram a escravizá-los e, depois, matá-los quando não aceitavam a escravidão. Moreia foi grande amigo dos índios e é certo que contribuiu para que eles fossem respeitados;

5 Assim, três brancos e um índio tornaram-se amigos de verdade e fizeram de tudo que puderam para que a paz vigorasse. Naquela época a miscigenação das duas raças ocorreu em grande escala, pois não havia praticamente

mulheres brancas no Brasil. Espinosa, Navarro, Cunhambebe e Moreia foram exemplos nobres para brancos e índios seguirem. Infelizmente, hoje seus nomes estão praticamente esquecidos e é essa uma das razões que nos levou a escrever este livro: lembrem-se desse heróis da valentia e da amizade naquele tempo em que a vida valia muito pouco neste imenso Brasil!

6 O nosso país poderia ter seguido outro rumo totalmente diferente, de interação pacífica entre as duas raças, mas os colonizadores brancos queriam, no geral, exterminar os índios para se apropriarem das suas terras e riquezas, principalmente minerais. A antropofagia e a poligamia foram meros pretextos utilizados principalmente pelos jesuítas para decretar a famigerada “guerra justa”, através do que qualquer pessoa podia impunemente matar os índios que não se submetessem às imposições dos brancos.

7 Os colonizadores, no final de tudo, não aprenderam praticamente nada do que os nossos índios tinham para lhes ensinar (a Ciência da Natureza e a democracia) e, hoje mais do que nunca, depredam a Natureza e brigam pelo poder, como está acontecendo, com processos de uns políticos contra os outros e, no final das contas, são uns sujos querendo punir outros mal lavados.

18 - A CIVILIZAÇÃO DOS TAPUIAS

Dedicatória:

- aos 250 membros da tribo Krenak, remanescentes dos tapuias

- a

Marét-Khamaknian e sua mulher Marét-Jikki

INTRODUÇÃO

O objetivo deste artigo é mostrar uma coisa que a maioria das pessoas não reconhece como verdade, ou seja, que 1 - o fato de um povo não morar em habitações construídas e sim no chão e nos galhos das árvores; 2 - não utilizar vestuários de espécie alguma, a não ser algumas tribos, que cobrem a genitália; 3 - alimentar-se de produtos provenientes da caça, da pesca e da coleta de frutas e outros elementos naturais, sem elaborá-los; 4 - não conhecer a escrita e transmitir seus conhecimentos apenas por via oral; 5 - não ter nenhum contato com o chamado “mundo civilizado”; mas, por outro lado, 1 - ter respeito à Natureza e integração com ela; 2 - adotar um estilo democrático de convivência entre seus membros e 3 - seguir uma religiosidade onde o contato com os mortosseja verdadeiro orientador de condutas éticas firmes tudo isso faz com que esse povo deva ser considerado dotado de uma Cultura avançada.

Esse é o caso típico dos chamados tapuias, considerados desde o começo como os piores elementos indígenas pelos colonizadores portugueses e pelos padres.

A primeira referência feita a eles em documento somente aconteceu em 1555, da lavra do padre jesuíta João de Azpilcueta Navarro, enviado para os jesuítas de Coimbra, como competia ao padre fazer, pois que deveria prestar contas do que tinha sido feito pela expedição contratada por Duarte da Costa, tendo como chefe o famoso sertanista e entendido em minerais Francisco Bruza de Espinosa, enquanto que o padre era o capelão daquela expedição.

Fazendo um parêntese quanto a tribos arredias que habitam o território brasileiro atualmente, a FUNAI calcula em uma centena se número.

Podemos fazer as seguintes indagações, que valem quanto aos antigos tapuias e os atuais povos arredios: 1 - Como é seu estilo de vida? 2 - São primários, inferiores etc. ou sua Cultura pode ser até mais avançada do que a dos brancos? Porque, sejamos sinceros, Cultura não se resume a Tecnologia e na nossa predominam, apesar de todo o conforto e tintura de religiosidade, civilidade etc.: 1 - a corrupção ao lado da hipocrisia, 2 a aparência enganosa de documentos escritos, 3 leis elaboradas para facilitar os crimes e ilícitos dos próprios legisladores e seus comparsas, 4 aparência de democracia, mas existência de uma ditadura ora de direita ora de esquerda e 5 obediência ao comando da criminalidade internacional, do crime organizado e de muitas correntes religiosas chefiadas por mafiosos?

Voltando, porém, no tempo, ao século XVI do calendário europeu, vamos verificar que os brancos conseguiram dominar rapidamente os indígenas do litoral brasileiro, para tanto utilizando a doutrinação arguta, capciosa e irresistível principalmente dos jesuítas, que se aliava à força militar dos portugueses, sobretudo, mas também não podemos deixar de levar em conta a contribuição paralela e competitiva principalmente de franceses e holandeses, que disputaram com Portugal a dominação sobre os índios até o século XVII.

Todavia, quando olhamos as tribos do interior do imenso território brasileiro, verificamos que elas ficaram mais tempo imunes à presença e dominação brancas: esses índios foram chamados de tapuias, o que significa bárbaros, primitivos, desprezíveis, mas esse qualificativo lhes dado por quem não conseguiu nem catequizá-los nem escraviza-los ou mata-los facilmente.

Mas era um povo evoluído, como veremos neste estudo.

Podemos dizer que, em princípio, até 1600, o Brasil tinha brancos apenas na região litorânea, mas isso o dizemos em princípio, porque o caso dos tapuias foi uma exceção, uma vez que, mesmo habitando o interior do Brasil, tinham aceito a convivência de um branco, que foi Francisco Bruza de Espinosa.

Esse homem foi diferente dos outros e veremos por que.

Foi um caso à parte em termos de integração e respeito entre índios e brancos.

Se hoje Espinosa ainda é lembrado em muitas cidades do norte de Minas Gerais (sendo considerado fundador de Salinas e Espinosa) e há em Belo Horizonte um monumento na Praça da Estação em que é homenageado, é puro reconhecimento pelo muito que fez pelos índios tapuias,

chefiados,

então,

por

Marét-Khamaknian

e

sua

mulher

Marét-Jikki.

 
 

De

início

desconstituo

a

informação

de

que

eram

personagens mitológicos.

Acredito que viveram na época em que a expedição os

encontrou comando vasto trecho de território do norte de

Minas Gerais e a grandeza de espírito de Espinosa de um lado

e igual mentalidade do casal de caciques tapuias fez com que

dali surgisse uma grande história de preservação da Cultura

tapuia e retardamento do genocídio dos tapuias por alguns

séculos.

Talvez muitos vão duvidar desta versão, mas vou insistir

nela, porque História não vive só de documentos e vestígios

materiais, mas o historiador deve, sobretudo, racionar para

concluir sobre as verdades que estão no passado.

É preciso ter faro de historiador para preencher lacunas

onde a maioria para e formula a interrogação: - O que houve?

Não há dados sobre este assunto etc.

- O que houve? Não há dados sobre este assunto etc. (detalhe do Monumento à Civilização

(detalhe do Monumento à Civilização Mineira, de autoria do escultor italiano Giulio Starace)

O caso dos tapuias é emblemático, pois aceitaram, por muito tempo, somente a presença e convivência de Francisco Bruza de Espinosa e daqueles que Espinosa apresentava como seus protegidos.

Esta tese é minha e não encontrei quem a endossasse, mas tenho minhas razões para acreditar que assim aconteceu, baseando-me em dados concretos a partir dos quais deduzi o que vou expor adiante.

A carta escrita pelo padre Navarro me fornece a base mais sólida para concluir o que lhes afirmo, mas a carta não deve ser lida com pressa de terminar a leitura: deve ser deglutida, mastigada, interpretada.

Repito: em vasta região do norte de Minas Gerais e adjacências, a figura de Francisco Bruza de Espinosa é valorizada e considerada ainda hoje, passados cinco séculos da sua morte, tanto que há um município que lhe recebeu o nome e outros muitos o consideram o primeiro branco ao passar por ali.

Isso é muito importante e vocês, prezados leitores, verão por que.

Sua figura sempre é associada sempre à do padre João de Azpilcueta Navarro, que o acompanhou na expedição que chegou até Diamantina, em Minas Gerais, proveniente de Porto Seguro, num período de viagem e paradas, que perfaze um ano e meio: é um tempo bastante longo para poder ter acontecido muitas coisas que o padre não relatou.

A contribuição principal do padre foi registrar a grande expedição e alguns detalhes (digo, alguns poucos detalhes, pois não lhe interessava falar mais do que falou), sendo que os poucos dados que mencionou deram base para muitas elucubrações e empreendimentos posteriores.

Sem essa carta tudo ficaria esquecido.

Trata-se de um documento sobre o qual me debrucei para interpretar muito mais suas entrelinhas do que as palavras que foram empregadas.

A carta é datada de 1555, como já dito, e, atendia apenas ao dever do jesuíta de relatar o que ocorreu na expedição.

O padre, muito prudente, procura, pelo que me pareceu, mais esconder do que revelar fatos ocorridos, pois, tendo Espinosa não retornado a Porto Seguro, ainda mais sem haver nenhuma notícia de ouro e outras riquezas, não quis o padre contar aos seus companheiros de Portugal quase nada sobre o que tinha acontecido naquela expedição, porque isso iria provocar maiores perseguições aos índios e atiçar a cobiça dos portugueses para as riquezas do interior do Brasil, então em mãos quase que exclusivamente dos tapuias, que, pelo fato de serem numerosos e muito guerreiros, tinham condições de continuar sem a importunação dos brancos, os quais visavam escravizá-los e até matá-los, caso não aceitassem renunciar à própria cultura ancestral e a ceder suas terras aos brancos.

Aliás, esse valoroso padre sempre foi considerado um verdadeiro tropeço para os interesses dos colonizadores e da Companhia de Jesus, pois, tornando-se amigo dos índios tapuias, como já o era dos tupis, protegia-os contra a sanha dos jesuítas e dos portugueses.

Há livros escritos sobre os jesuítas daquele tempo que praticamente nada dizem sobre o valioso trabalho de Navarro, mas isso o engrandece, pois mostra que ele foi bom para os índios, enquanto que, por exemplo, Nóbrega e Anchieta trabalharam em função do desmonte da Cultura multimilenária dos indígenas brasileiros.

e

independência mental, característica, até hoje, dos bascos.

Afeiçoado a Espinosa, a quem ficou conhecendo em Porto Seguro, não simpatizava nem um pouco com a corrente jesuítica, que, principalmente sob o comando ferrenho de Nóbrega e Anchieta, dava mão forte aos governadores-gerais, sendo o mais perverso e corrupto deles Mem de Sá, de quem

Navarro

era

basco,

portanto,

dotado

de

coragem

aqueles dois padres foram aliados de forma vergonhosa, daí surgindo a decretação da “guerra justa”, segundo a qual foi instituída a liberdade de matança de todos os índios que não se sujeitassem aos portugueses e aos jesuítas.

Navarro nunca aceitaria esse absurdo, que foi decretado pouco tempo depois de sua morte, quando já governava o Brasil o tirânico e corrupto Mem de Sá, em nome de Portugal.

Sinceramente, acho que Navarro melhor teria feito se não retornasse a Porto Seguro, mas a verdade é que retornou com todos os que sobreviveram da expedição (menos Espinosa). Alguns historiadores dizem que Espinosa retornou, mas, pela redação da carta, percebi que o capitão, denominação com a qual o missivista se refere a Espinosa, não é relacionado na carta como um daqueles que voltou ao vilarejo de onde provieram,

Seria muito melhor para ele se tivesse feito como Espinosa: deixado de mão seu compromisso de retornar ao mundo civilizado e, ao invés disso, integrar-se aos tapuias, porque ali seria seu verdadeiro lar e não no meio de tanta hipocrisia e perversidade que predominavam nas regiões já dominadas pelos colonizadores portugueses e pelos jesuítas, que só queriam dos índios sua mão de obra e suas terras.

Em Porto Seguro foi questionado do por que não ter trazido sequer notícias de ouro e pedras preciosas e acabou falecendo cerca de dois anos depois.

Aliás, antes mesmo de ter escrito sua famosa carta de 1555, um colega de batina já o tinha denunciado numa carta enviada diretamente a Inácio de Loyola, afirmando estranhar que, depois de gasto mais de um ano e meio pela expedição, o padre nada ter trazido de notícias sobre a procura do ouro e

as

investimento.

pedras

preciosas

que

tinham

motivado

tamanho

A maioria dos colegas de Navarro eram sacerdotes medrosos, que não tiveram a coragem do basco em adentrar o sertão, e ficavam restritos às redondezas, realizando lavagem cerebral nos índios e intimidando-os com suas manobras maliciosas e com o poderio militar português.

Tenho para mim que Navarro deve ter sido envenenado pelos próprios jesuítas.

Sua morte é relatada em uma carta muito hipócrita, em que se enumeram suas virtudes e o sentimento de perda dos que lhe prantearam fingidamente sua morte.

A verdade é que Navarro nunca se adequou ao padrão jesuíta e, pelas suas notáveis realizações, foi tido por muitos historiadores sinceros como o único jesuíta amigo dos índios naquele longínquo século XVI.

Viveu, ao todo, de 1521 a 1557, tendo falecido poucos meses antes da chegada de Mem de Sá ao Brasil.

Pode ter até acontecido de o próprio Mem de Sá, de longe, ter determinado que dessem um fim àquele rebelde, que lhe criaria problemas por ficar defendendo os índios ao invés de prestigiar os interesses imperialistas de Portugal e da Companhia de Jesus.

Teve como um dos mais ferrenhos adversários o padre Francisco Pires, um falsário, que inventou a estória de que a água da fonte do Arraial da Ajuda, onde construiu uma ermida, era milagrosa e a terra ali era santa, naturalmente que vendendo porções da água para o povo crédulo e intimidado.

Navarro teve de conviver com esse estelionatário de batina antes de viajar na expedição, dando para perceber que preferiu embrenhar-se pelo sertão a continuar a viver sob o mesmo teto que o colega sem ética, o qual, diga-se de passagem, entrou para a Companhia de Jesus burlando disposição expressa do regimento da Congregação e foi assumindo, rapidamente, todos os postos de comando em pouco tempo, sempre apoiado por Manuel da Nóbrega.

Mas, voltando aos tapuias, sua fama de guerreiros temíveis fez com que os brancos não ousassem tentar subjugá- los, mas essa situação se deveu, conforme concluo, em grande parte, à permanência de Espinosa entre eles, porque, sozinhos, teriam caído nas garras dos colonizadores em pouquíssimo tempo.

norte

mineiro a esse grande defensor dos tapuias.

Acredito que a tradição oral dos índios, de geração em geração, manteve-se referindo-se elogiosamente ao grande sertanista judeu-castelhano, que os apadrinhou e orientou para se defenderem dos brancos colonizadores, o que fez com que sua memória fosse mantida e a gratidão cercasse seu nome nas muitas cidades mineiras atuais.

É uma história muito bonita esta que estou contando e que mostra o quanto o norte de Minas deve a Espinosa e, em grau menor, a Navarro e, para surpresa até minha, durante esta aprofundada pesquisa, verifiquei o quanto os tapuias daquele tempo eram evoluídos e merecem ser valorizados atualmente nas pessoas dos seus remanescentes, que são os krenaks.

Por

isso, a

gratidão

dos

atuais

habitantes

do

Quanto aos espíritos

Marét-Khamaknian e sua mulher

Marét-Jikki, tenho para mim que, na verdade, foram chefes

da vasta etnia tapuia na época em que Espinosa ali chegou, ou

seja, de 1554 em diante.

Antes

da

existência

profícua

desses

dois

chefes,

os

tapuias não seriam tão adiantados, mas o casal deu um

grande

impulso

naquele

povo

e,

por

isso,

passou

a

ser

lembrado

como

grandes

espíritos,

mentores

dos

tapuias,

milagrosas entidades que viviam no mundo dos “mortos”.

Mas

os

brancos

ajudaram

a

piorar

esse

quadro,

espalhando a mentira de que o casal nunca existiu e de que se

tratava apenas de um mito, sendo essa uma tática quase

infalível dos perversos e mentirosos de apagar a História.

É

uma

forma

desonesta

de

desmerecer

o

valor

de

criaturas respeitáveis, como se fez, por exemplo, quanto às

icamiabas, as índias guerreiras da Amazônia e outras tantas

realidades históricas transformadas em fantasias para a gente

crédula

Assim, concluo que, se não fosse o feliz encontro entre o

casal líder dos tapuias com Espinosa e o relatório de Navarro,

tudo o que daí surgiu de bom teria ficado sepultado no

esquecimento.

Este texto visa contar essa história verdadeira do Brasil

do século XVI.

A MINHA TESE 1 - A CARTA DE JOÃO DE AZPILCUETA NAVARRO

tapuias,

também conhecidos como aimorés, botocudos etc.

me interessou justamente porque vi

informações a respeito da carta já referida, datada de

24/06/1555.

Poucos

O

pesquisadores

escreveram

sobre

os

assunto

Vou basear este artigo principalmente nela.

Vamos à carta, da qual extraí os trechos mais ligados ao tema deste artigo, atualizando e adaptando a redação original para facilitar a compreensão pelos prezados leitores.

A carta, diga-se de passagem, ao mesmo tempo que nos ajuda a conhecer alguns pontos que nos interessam, por outro lado, não responde a todas as perguntas, porque ele não poderia imaginar que quase quinhentos anos depois alguém iria toma-la como ponto de partida para uma tese arrojada sobre os tapuias.

Se a gente ler a carta sem muita atenção para as entrelinhas, ficará com a mesma opinião dos demais jesuítas sobre os tapuias, ou seja, de que realmente mereciam esse qualificativo, porque eram selvagens e nada tinham de bom.

Todavia, lendo-a e relendo-a várias vezes, consegui perceber que, depois de uns primeiros encontros assustadores, passou a haver uma verdadeira amizade entre os homens de Espinosa e os de Khamaknian.

Vou tentar explicar por que cheguei a essa conclusão: a expedição durou mais de um ano e meio e não é possível que tenha se resumido ao contato com tribos mais pacíficas, aliás, poucas, a quem o padre se referiu, enquanto que os tapuias ficariam, durante esse tempo todo espreitando aqueles doze brancos, sem conseguir matar um só que fosse.

Os tapuias comiam carne humana, não porque queriam vingar-se dos inimigos que matavam, mas sim porque gostavam desse tipo de carne, que consideravam um saboroso petisco.

Se nenhum dos brancos foi morto nesse período de um ano e meio foi porque acabaram as agressões a partir de certo momento.

O padre relata um ataque dos tapuias, do qual vários membros das expedições ficaram feridos, mas a todos eles curou com própolis.

Mas vamos por partes.

1.1 OS EXPEDICIONÁRIOS E OS ÍNDIOS QUE OS ACOMPANHARAM

Eram apenas meia dúzia de brancos, sendo chefe o experiente sertanista e especialista em minerais o judeu- castelhano Francisco Bruza de Espinosa, que tinha morado durante dez anos em Porto Seguro.

Proveniente do Peru, conhecia bastante o interior do Brasil, pois fez o difícil trajeto de lá até Porto Seguro: andar no interior das matas e passar por índios ferozes não era nenhuma novidade para esse castelhano.

Podemos ter certeza de que era um corre-mundo, pois, sendo castelhano, em alguma época, atravessou o Atlântico e o Pacífico para chegar ao Peru.

Consegui saber que, aos 26 anos de idade, em 1543, morava em Porto Seguro e foi um dos que denunciou Pero do Campo Tourinho, um poderoso milionário, à Inquisição, demonstrando, com isso, muita coragem, pois se tratava esse

cidadão nada mais nada menos do que do fundador de Porto Seguro e mais uma meia dúzia de vilas.

Portanto, nasceu em 1527.

Consegui me informar de que teve uma filha.

Foi contratado pelo governador-geral Duarte da Costa para chefiar a referida expedição com a finalidade de encontrar e entregar-lhe o máximo de ouro, pedras preciosas, esmeraldas.

Pelo que consegui saber sobre ele, era um homem culto, tendo trabalhado com o padre Navarro na tradução de textos católicos para o idioma tupi, era rico por causa da sua profissão ligada aos minerais de valor.

Quanto ao padre, era membro de importante família basca, de que faziam parte nada mais nada menos que três homens de prestígio: 1 - Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, 2 - Francisco Xavier, que se tornou o missionário jesuíta mais famoso de todos os tempos, e 3 - o professor, economista, jurista e escritor Martim de Azpilcueta Navarro, tio do referido padre.

Se não fosse esse destaque familiar é mais do que certo que os próprios jesuítas do Brasil teriam dado um fim no nosso personagem, que era tido como um verdadeiro adversário infiltrado na Companhia de Jesus, pois, além de não apoiar as maldades praticadas contra os índios, defendia- os e era mais amigo deles do que dos jesuítas e dos colonos.

Nosso padre tinha sido, antes de vir para o Brasil, vinda essa que ocorreu em 1549, professor de Cânones na Universidade de Coimbra, por apenas um ano, porque seu gênio inquieto não combinava com a rotina modorrenta do

magistério numa cidade universitária. Apesar dessa inadaptação, escreveu um livro intitulado “Diálogo de las imágenes de los dioses antíguos”.

Gostava mesmo era da vida nas matas, nas aventuras por terras desconhecidas e se sentia afim dos índios, de que se falava muito na Europa desde 1492, quando Cristóvão Colombo chegou à América.

Aqui no Brasil não deixou de dedicar-se ao trabalho intelectual e foi o primeiro a aprender a língua tupi, facilitando seu entrosamento com os índios do litoral e escreveu um livro na língua tupi, auxiliado pelo referido amigo Bruza de Espinosa, além de ter traduzido, também com o auxílio de Espinosa, muitos textos religiosos para aquele idioma.

Não consta que tenha aprendido o idioma dos tapuias, mas acredito que sim, pois conviveu com eles durante mais de um ano e não iria deixar passar essa oportunidade de aprender mais uma língua, pois a verdade é que tinha muita facilidade para aprender línguas, sabendo o idioma basco (sua língua-mãe), o castelhano, o português, o tupi e o latim.

Outro membro branco que participou da expedição e que vale a pena destacar era um jovem, neto do famoso sertanista Caramuru, sendo também primo de outros quatro sertanistas renomados. Tratava-se de um personagem que ainda viveria até 1619, chamado Belchior Dias Moreia.

Os outros eram apenas ambiciosos sem nenhuma afeição aos índios, que visavam as riquezas naturais das terras ocupadas pelos índios, acabando por se transformar, em várias ocasiões, em problemas sérios para os três primeiros resolverem.

Naturalmente que, durante o período tão longo de duração do contato com os índios, estes perceberam quais brancos eram verdadeiros amigos e quais eram simples mercenários e inimigos disfarçados de amigos, que, cedo ou tarde, quereriam escravizá-los, tomar-lhes as terras e matá- los pura e simplesmente.

Os nomes desses elementos não foram relacionados na carta, na certa porque o padre não viu importância neles e nem era comum escreverem-se muitos nomes nas missivas, inclusive porque o papel era escasso.

Somente Espinosa não retornou a Porto Seguro, preferindo ficar até o fim da vida na convivência com os seus queridos tapuias.

nenhuma

dificuldade, como verão adiante.

Cheguei

a

esta

última

conclusão

sem

Bem, já falei bastante nos expedicionários.

Agora vamos tratar dos tapuias.

1.2 DURANTE GRANDE PARTE DO PERCURSO DE IDA ATÉ DIAMANTINA, PONTO MAIS DISTANTE DA VIAGEM, A EXPEDIÇÃO FOI LITERALMENTE CERCADA E AMEAÇADA SERIAMENTE PELOS TAPUIAS

Apesar de Espinosa conhecer bem seu ofício de sertanista e contar com armas de fogo, que assustavam os índios, a animosidade inicial dos temíveis tapuias foi aterrorizante e, se não fosse, sobretudo, sua coragem e sangue frio, os brancos teriam sido mortos e devorados já no primeiro confronto.

A verdade é que os tapuias nunca tinham visto gente daquela cor e que lhes parecia relativamente frágil em comparação com eles, devido à própria hereditariedade tapuia, sem contar que seu estilo de vida selvagem, no interior das matas, fazia deles imbatíveis guerreiros.

Não desafiavam os adversários de frente, mas utilizavam armadilhas, rastejavam no chão, faziam trincheiras e surpreendiam seus inimigos com flechadas com setas envenenadas, além de terem uma constituição física muito forte.

Mas os brancos tinham como defesa uma coisa que os tapuias não conheciam e que os aterrorizou: armas de fogo.

Como dito, se não fossem as armas de fogo, os brancos não teriam sobrevivido ao primeiro confronto!

Mas também os brancos não eram medrosos, pois, em caso contrário, não teriam se aventurado numa expedição altamente arriscada e qualquer um deles tinha, na certa, fibra suficiente para encarar de frente, mesmo que com sérias chances de derrota, qualquer índio em luta corporal utilizando apenas os punhos e os pés.

Mesmo o padre era corajoso como qualquer sertanista da época.

1.3 OS TAPUIAS ERAM MUITO FEROZES

Essa fama se confirmou “ao vivo e a cores” para os expedicionários.

Como se pode perceber pela missiva, o aperto que passaram foi, no início, muito grande e nenhuma outra etnia tinha tanta gana em matar e devorar aqueles brancos, que

deviam lhes parecer um tipo diferente e saboroso de carne humana.

O cerco aos expedicionários permaneceu durante uma grande parte da trajetória na ida, durante meses seguidos.

Eis abaixo um desenho representando um guerreiro tapuia.

Todavia, vou adiantar um detalhe significativo sobre esses homens aparentemente insensíveis: seu grande cacique, depois venerado como espírito benfazejo, Khamaknian, obrigava-os a trazer consigo, aonde fossem, uma pequena flauta nasal, para, sempre que possível, tocarem suas cantigas, a fim de suavizarem a própria agressividade.

Por essas e outras, fatos que a maioria dos leitores não conhece, posso dizer, sem medo de errar, que os temíveis tapuias eram mais civilizados que muitos brancos colonizadores, que como único instrumento que admiravam só tinham o arcabuz, o facão, as bordunas e outros utensílios de agredir e matar, sem contar que os tapuias seguiam, na sua sociedade, um código de Ética outorgado pelo referido grande cacique Khamaknian, que ficou conhecido por eles como seu grande civilizador.

Vejam, prezados leitores, como as informações distorcidas pelos jesuítas em geral e pelos colonizadores mostrou uma nação indígena como desprezível, mas não havia como os tapuias serem bonzinhos com os brancos, porque, por exemplo, sabemos que, de 1500 a 1530, tratavam bem os índios e, inclusive, pagavam-lhes salários pelos serviços prestados, mas, a partir dessa época, passaram a entender que os índios deveriam se transformar em seus escravos.

Ora, as notícias correm e, sendo mais corajosos e fortes que a maioria dos outros indígenas brasileiros, os tapuias opuseram forte resistência à aproximação dos padres, que, com sua fala mansa, mas hipócrita, e dos colonos, com suas armas e ameaças, queriam fazer de valentes guerreiros tapuias meros servidores em troca de coisa nenhuma.

Então, aí, meus amigos, a causa da má fama atribuída por Ancieta, Mem de Sá, etc. aos grandes tapuias.

por Ancieta, Mem de Sá, etc. aos grandes tapuias. 1.4 – OS TAPUIAS NÃO UTILIZAVAM NENHUM

1.4 OS TAPUIAS NÃO UTILIZAVAM NENHUM TIPO DE VESTUÁRIO [1]

O clima, como diz o padre mais adiante, era temperado, o que podemos interpretar como quente. Inclusive diz que, durante aquela trajetória que percorreram, fazia muito tempo que não chovia: por isso, os tapuias andavam nus.

Alguns falam que os homens usavam apenas uma proteção para a genitália, enquanto que as mulheres apenas pintavam o corpo, mas, em outras palavras, naquele clima quente, o natural era não pensarem em nenhum vestuário.

Guerreiros não deviam nunca ter outra coisa que não fossem as suas armas, para maior agilidade e nada que lhes dificultasse lutar contra o que quer que representasse perigo.

A nudez dos indígenas não incomodava aqueles expedicionários, que, na certa, viajaram nus, e, inclusive o padre estranhou nos índios brasileiros, desde o começo, a antropofagia e o alcoolismo, esta menos que a primeira.

Fez de tudo para convencer os índios a renunciarem ao costume de matar e devorar gente e, de todos os padres, foi o que mais conseguir mudá-los, justamente porque simpatizava com essas criaturas humanas, as quais eram desprezadas pelos brancos.

Ficou famoso o estilo da oratória de Navarro, que imitava os gestos dos pajés nas suas falas aos índios e isso os conquistava mais facilmente para abandonarem o costume antropofágico.

O padre, aliás, não era nada formal e deve ter deixado uma série de descendentes nas aldeias por onde passou, bem como os outros membros da expedição: assim a mestiçagem passou a ser uma realidade na região que agora é o norte de Minas Gerais e suas adjacências.

Muitos puritanos podem considerar inconveniente esta abordagem, mas temos de considerar que o Brasil atual é uma mistura das quatro raças: vermelha, branca, negra e amarela.

E há um autor que diz que as índias se relacionavam por obrigação com seus maridos índios, por dinheiro com os brancos e por prazer com os negros.

entender como ocorreu a mestiçagem no

Brasil?

Os negros passaram a ser trazidos como escravos para o nosso país desde antes da chegada dos jesuítas e seu número foi aumentado a ponto de ultrapassarem o número de

Deu

para

brancos, enquanto que o número de índios, de cerca de cinco milhões em 1500, agora não passa de trezentos mil.

Os krenaks, remanescentes dos tapuias, são apenas 250.

Havia um plano dos jesuítas e dos colonos de extinguir a raça vermelha no Brasil, porque eles se recusavam a entregar- lhes as terras, que eram suas. Quanto aos negros eram necessários para deixar os brancos viverem ociosamente. Deu para entender?

Para entender porque os expedicionários viajaram nus:

suor, chuva, barro, andar em alagados, não ser usual o banho na época, a não ser pelos índios: tudo isso era motivo e justificativa para os expedicionários andarem do jeito como nasceram.

Nenhum autor trata desse assunto por simples questão de falso moralismo.

Ainda devemos considerar o seguinte: muitas nações indígenas só aceitavam como amigos os brancos que se depilassem dos pés à cabeça para ficarem parecidos com eles, que arrancavam, desde cedo, todos os pelos do corpo, menos os cabelos da cabeça.

Não há notícia, na carta, da presença de mulheres na expedição, mas tenho como certo de que algumas faziam parte da comitiva: podem ter certeza disso.

O falso moralismo é uma das maneiras mais prejudiciais para a História: fato é fato e pronto.

O historiador tem de cumprir seu dever de relatar e pronto.

1.5 OS TAPUIAS HABITAVAM AS MATAS

Na carta, Navarro diz que houve um percurso muito longo dentro de matas fechadas, onde era até impossível enxergar-se o céu.

Não seria ali que encontraram os tapuias, os quais viviam nas matas?

Imagine-se o que é a vida no meio das matas fechadas da época! Tudo, para os tapuias, girava em torno daquele meio ambiente, tanto para caçar, dormir, reproduzir, defender-se etc.

Não dá para imaginar exatamente todos os detalhes daquele estilo de vida, nós que nunca vivemos no interior das matas.

Os expedicionários não tinham nenhum preparo nem experiência para enfrentar aqueles guerreiros nascidos e criados dentro das matas. O sufoco deve ter sido muito grande.

1.6 OS TAPUIAS ERAM BONS CORREDORES

Imagine-se o que é correr dentro das matas! A velocidade deles seria sempre um dado preocupante para os expedicionários!

Espinosa e seus homens devem ter feito das tripas coração para sobreviverem em um ambiente adverso como o eram as matas fechadas e, por isso, entendeu melhor tentar ir adiante por via fluvial, construindo canoas adaptadas, mas, mesmo assim, viam nas margens os tapuias, que, na certa, não tinham canoas, porque viviam nas matas e nada sabiam de como guerrear nos leitos dos rios.

Espinosa e seus expedicionários devem ter logo procurado sair do interior das matas e acredito que a maior

parte do percurso tenha sido feita por água: era a única opção para escapar dos tapuias!

1.7 - USAVAM CABELOS COMPRIDOS

Esse dado pareceu marcante para o padre missivista, pois nunca tinha visto índios com cabelos tão compridos, que ele comparou ao das mulheres, para bem caracterizar esse detalhe, a fim de ser bem compreendido pelos seus colegas de Portugal, a quem endereçou a carta.

É interessante esse detalhe dos cabelos compridos, podendo-se acreditar que nenhum índio aparava os cabelos e chegavam até a cintura nos adultos.

Aliás, há uma crença de que a cabeleira comprida protege o ser humano contra um série de males e lhe dá força, como se vê na história do juiz hebreu Sansão.

Essa crença existiu e existe ainda entre vários povos.

Acredito que a razão de cada índio manter sua cabeleira intacta seja mais por esse motivo místico do que por qualquer outra razão, pois eram muito místicos e não tomavam qualquer iniciativa importante sem ouvirem os pajés, que consideravam orientados pelos espíritos dos antepassados.

Imagine-se um guerreiro forte, rastejando no chão, rápido como um veado (como diz o padre), com uma cabeleira pegando pela cintura e atirando flechas certeiras e envenenadas: era um verdadeiro terror, que somente os arcabuzes poderiam manter à distância!

1.8 - SEU DIALETO ERA DIFERENTE DO TUPI

Navarro tentou conversar com eles na língua tupi, que conhecia razoavelmente, mas não foi compreendido, tanto é

verdade que relata uma situação em que tentou fazer-se compreendido por uma menina tapuia, que ia ser martirizada e devorada, mas ele não entendeu uma palavra, porque o padre só falava, até então, o tupi e a menina só compreendia e se expressava na língua tapuia. Espinosa também conhecia bem o tupi, mas não se sabe se, de início, entendia alguma coisa do tapuia.

Acredito que, dentre os índios que faziam parte da expedição, havia pelo menos alguns que se expressavam bem na língua tapuia.

Espinosa sabia que, no percurso se defrontaria com os tapuias e, certamente, sabia que teria de dialogar com eles por intermédio de intérpretes: como sertanista experiente, esse detalhe nunca seria menosprezado.

Acho que, com paciência e tempo, os tapuias foram cedendo e verificando que poderiam confiar, sobretudo, naquele branco mais imponente, que era Espinosa, o qual, apesar de contar apenas 36 anos, já parecia um velho, por causa da dura vida que levou desde a velha Castela, na Espanha.

Versado em várias línguas, Navarro e Espinosa, na certa, aprenderam bastante coisas da língua tapuia, inclusive com seus intérpretes. Em pouco mais de um ano dá para aprender um tanto de qualquer língua, quando se empenha nessa tarefa e aqueles dois eram verdadeiras sarnas no que tinham como objetivo.

1.9 - ERAM MUITO CARNÍVOROS

Inclusive, como já dito, gostavam de carne humana como alimento, tanto quanto da carne de qualquer outro animal.

Imagine-se um povo vivendo nas matas, se iria utilizar como alimentos somente frutos! Era o que aparecesse pela frente!

Gente branca era apenas mais uma novidade, pois carne de índio era rotina no cardápio dos tapuias!

1.10 SUAS ARMAS ERAM FLECHAS ENVENENADAS

Não consta que usassem tacapes, bordunas etc.

Deviam ser bons artífices, porque, das armas indígenas, as que exigem mais habilidade para sua confecção são o arco e flecha, que têm de obedecer a uma técnica avançada.

O tipo de madeira do arco, seu comprimento, o tipo de

corda, a elaboração das flechas: tudo isso mostra uma técnica apurada, porque significa vitória ou morte nos combates.

Imagine-se um grupo de guerreiros escondidos atrás de árvores ou entrincheirados no solo com uma flecha apontada:

os inimigos morriam flechados sem nem chegarem a dar conta do tinha acontecido!

1.11 - DESPEDAÇAVAM UMA CRIATURA HUMANA EM POUCOS MINUTOS

A rapidez em matar e destrinchar os adversários era

impressionante.

brancos

conseguiram intimidar um pouco aqueles ferozes tapuias.

1.12 - PARA A EXPEDIÇÃO PASSAR POR ELES, OS BRANCOS COLOCARAM À SUA VOLTA OS ÍNDIOS PARTICIPANTES DA EXPEDIÇÃO, E, MESMO ASSIM, CORRERAM MUITO PERIGO

Realmente,

somente

com armas

de

fogo

os

Os tapuias queriam mesmo é experimentar a carne dos brancos.

E os brancos devem ter disparado muitos tiros!

dos brancos. E os brancos devem ter disparado muitos tiros! 1.13 - NO CAMINHO PASSARAM POR

1.13 - NO CAMINHO PASSARAM POR UMA SERRA MUITO GRANDE, QUE FICA NO SENTIDO NORTE-SUL, NA QUAL AVISTARAM PEDRAS QUE PARECERAM SER MÁRMORE. NESSA SERRA NASCEM MUITOS RIOS CAUDALOSOS, SENDO QUE DOIS DELES, PELOS QUAIS PASSARAM, VÃO DAR NO OCEANO, ENTRE PORTO SEGURO E ILHÉUS, UM DOS QUAIS É CHAMADO RIO GRANDE E O OUTRO RIO DAS OURINAS. INDO ADIANTE, CHEGARAM A UMA TRIBO CATIGUZU. DE LÁ FORAM A UM RIO MUITO CAUDALOSO, CHAMADO PARÁ, O QUAL, SEGUNDO OS ÍNDIOS, É O RIO SÃO FRANCISCO, O QUAL É MUITO LARGO. NESSA MARGEM HAVIA UMA TRIBO MAIS FAVORÁVEL AO CONTATO COM OS BRANCOS, NA OUTRA OS TAMOIOS. MAS, POR TODA A PARTE, ESTAVAM OS TAPUIAS.

Depois que saíram do alcance dos tapuias, navegando por rios caudalosos, acabaram atravessando montanhas, localizadas entre rios.

Pode ser até que mais o receio aos tapuias é que recomendasse esse trajeto. Com isso descobriram um tipo de pedra que lhes pareceu ser mármore, mas que de mármore só tinha a aparência.

A expedição encontrou, no percurso de ida, algumas tribos amigáveis, que seriam, talvez, velhas conhecidas dos índios participantes da expedição ou até do próprio Espinosa, que tinha vindo do Peru e possivelmente passado por ali dez anos atrás para chegar a Porto Seguro.

Todavia, um dado que me importa sobremaneira destacar é que, até então, os tapuias eram inimigos de Espinosa e seus companheiros de expedição, tencionando matá-los e devorá-los.

Não consegui saber a partir de qual momento da viagem se tornaram amigos, mas é certo que isso aconteceu.

1.14 - NO TERCEIRO DIA, NUMA ALDEIA DE ÍNDIOS AMIGOS, ACONTECEU UMA FESTA, SENDO QUE TINHAM AMARRADA UMA MENINA TAPUIA PARA SER MORTA E DEVORADA, VINDO MUITOS ÍNDIOS DAS OUTRAS ALDEIAS PARA A FESTIVIDADE ANTROPOFÁGICA. ALI ACONTECERAM CERIMÔNIAS CHOCANTES. DALI PARTIU A EXPEDIÇÃO PARA OUTRAS ALDEIAS, ONDE O PADRE PREGOU, MAS INUTILMENTE, PORQUE NÃO ABANDONAVAM O ALCOOLISMO E A BELICOSIDADE. CORRERAM SEMPRE MUITO PERIGO DA PARTE DOS TAPUIAS.

Havia muitos povos que se tornaram amigos da expedição de Espinosa, tendo sido uma boa oportunidade sua presença à referida festa.

Ficou muito claro que a narrativa se refere ao percurso de ida e que os tapuias ainda estavam no encalço dos expedicionários, sendo seus inimigos até então.

1.15 - HAVIA NA REGIÃO OUTRAS TRIBOS FEROZES.

Não eram apenas os tapuias os guerreiros temíveis. Quanto aos nomes dessas tribos é quase impossível decliná- los, porque não restam nem vestígios de sua existência.

1.16 - AQUELES POVOS NÃO TÊM CHEFES, NO ESTILO

EUROPEU DA PALAVRA, ENTENDENDO O PADRE QUE

EM TODAS AS SOCIEDADES DEVE HAVER UMA HIERARQUIA.

Uma das coisas que mais chamou a atenção nas sociedades indígenas foi o fato de não haver entre os membros das comunidades hierarquia no sentido europeu da palavra.

Nosso padre tinha sido educado e vivido dentro de um estilo altamente antidemocrático, que era a Companhia de Jesus, antes sendo educado pelo tio, que queria fazer dele um professor em Coimbra, seguidor de Inácio de Loyola.

Imagine-se como foi difícil entrar na cabeça de Navarro a noção de que coletividades possam viver bem e harmoniosamente sem juízes, autoridades, confessores e fiscais!

1.17 - QUANDO ALGUM ÍNDIO SE SENTIA OFENDIDO POR ALGUM CRISTÃO, MESMO QUE MINIMAMENTE, OS ÍNDIOS JUNTAVAM-SE EM BANDOS PARA VINGAREM O OFENDIDO. SOMENTE TRATAVAM BEM

OS CRISTÃOS QUANDO TINHAM A INTENÇÃO DE TOMAREM-LHES TUDO, ATÉ AS ROUPAS E, DEPOIS QUE LHE TOMAVAM TUDO, DAVAM-LHES COMIDA, ASSIM MESMO COM A CONDIÇÃO DE ARRANCAREM TODOS OS PELOS DO CORPO E CAÇAREM E PESCAREM COM ELES.

Entendi que esta afirmação se refere aos brancos que, no fundo, menosprezavam os índios, não sendo os casos de Espinosa, Navarro e o jovem Belchior.

1.18 - SEUS PERTENCES PESSOAIS ERAM MUITO POUCOS E ALIMENTAVAM-SE GRUPALMENTE DO QUE PESCAVAM E CAÇAVAM.

Uma verdadeira democracia!

2 KHAMAKNIAN E JIKKY

Sempre tive muito cuidado em analisar as lendas e procurar entender o que está por trás delas.

Concluí que, normalmente, os personagens lendários realmente existiram e, depois de sua morte, foram mitificados, de boa-fé por parte de uns e de má-fé por parte dos detratores.

Acredito que esses dois caciques, sendo um homem e uma mulher, se tornaram amigos de Espinosa, Navarro e Belchior, mas Navarro não quis fazer nenhuma referência a eles para não piorar mais ainda sua situação e a dos companheiros de jornada.

Afinal, o Governo português e os jesuítas queriam apenas ouro e pedras preciosas e nenhuma conversa fiada sobre índios.

Deu para entender?

Assim termino esta breve história sobre os tapuias, que não eram a escória do Brasil, mas sim um povo evoluído, que, por orientação dos referidos líderes indígenas, praticavam a democracia, a religiosidade realmente ética e o amor e integração à Natureza!

Prezados leitores, procurem conhecer mais a História do Brasil!

FIM

2 O ENTROSAMENTO ENTRE ESPINOSA E

MARÉT-

KHAMAKNIAN E SUA MULHER MARÉT-JIKKI

Percebi,

nas

minhas

pesquisas

e

reflexões,

que

esse

entrosamento altamente benévolo para todos baseou-se na

confluência de formas de pensar e de viver sobre os seguintes

tópicos:

1 integração total com a Natureza

2 democracia

3 espiritualidade

NOTAS

[1]

Encontrei uma referência aos tapuias em um texto divulgado na Internet, de autoria de Lara Paiva, intitulado “Diferenças entre os Potiguaras e os Tapuias”, no endereço:

e-tapuias/, que transcrevo a seguir:

“Eles apresentavam-se corpulentos, possuidores de grande força física. A pele queimada, em tons de marrom. Usavam cabelo longo ao sabor do vento. Não costumavam usar roupa, mas cobriam as partes íntimas com peças feitas de materiais rudimentares, extraídos da natureza.

Em contrapartida, as mulheres apresentavam estrutura física pequena, mas a cor era a mesma dos homens. Costumavam manter os cabelos curtos ou longos, de corpos rechonchudos. Também escondiam suas partes íntimas. Adornavam seu corpo com o que encontravam

na natureza. Utilizavam-se de tais enfeites tanto para a prática das danças, como na preparação para a guerra.”

PARTE II DESENHOS

Cacica tapajó Maria Moaçara 108

Cacica tapajó Maria Moaçara

Padre Gaspar Misch 109

Padre Gaspar Misch

Padre João Azpilcueta Navarro e Sertanista Francisco Bruza Espinosa Sertanista Belchior Dias Moreira 110

Padre João Azpilcueta Navarro e Sertanista Francisco Bruza Espinosa

Padre João Azpilcueta Navarro e Sertanista Francisco Bruza Espinosa Sertanista Belchior Dias Moreira 110

Sertanista Belchior Dias Moreira

Cunhambebe 111

Cunhambebe

Homenagem aos tapuias 112

Homenagem aos tapuias