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Fisiologia e Anatomia

do Envelhecimento

Dr. Leonardo Piovesan Mendonça

Serviço de Geriatria e
Gerontologia
Envelhecimento Normal
Senescência

Senilidade
Senescência
 Funções fisiológicas começam a declinar,
progressivamente, após os 25 anos de
idade;
 O ritmo de declínio da função orgânica não
é uniforme entre as pessoas. Existe uma
variabilidade interindividual;
 Em um mesmo indivíduo o declínio da
função de seus orgãos também ocorre em
ritmo diferente. Existe uma plasticidade
intraindividual;
Envelhecimento
Cardiovascular
 Pericárdio →
espessamento difuso e
aumento da taxa de
gordura epicárdica;

 Endocárdio →
Espessamento e opacidade,
proliferação das fibras
colágenas e elásticas,
fragmentação e
desorganização destas,
infiltração lipídica,
alterações escleróticas;
Envelhecimento
Cardiovascular
 Miocárdio → acumulo de gordura nos
átrios e septo; degeneração muscular
com substituição por tecido fibroso;

 Depósito de lipofuscina
intracelular → atrofia fosca ou
parda;
 Depósito de substância amiloide
→ amiloidose senil;
Envelhecimento
Cardiovascular
 Valva Mitral → calcificação e degeneração
mucóide;

 Valva Aórtica → Excrecências de Lambi,


Calcificação e Amiloidose;

 Tecido Específico e Sistema de Condução →


Acúmulo de gordura, redução da musculatura e
aumento colágeno, fibrose, atrofia celular,
calcificação, processos esclerodegenerativos;
Envelhecimento
Cardiovascular
 Aorta Senil → Aumento do
calibre, volume e extensão;
maior espessura e rigidez da
parede; desorganização e
perda de fibras da túnica
elástica; hiperplasia
subendotelial;

 Coronárias → tortuosas,
dilatadas e perda das fibras
elásticas e aumento do
colágeno, depósito de lípides;
Envelhecimento
Cardiovascular
 Menor resposta β
adrenérgica;
 ↑ DC → aumento
mecanismo de
Frank Starling com
dilatação cardíaca
e ↑ volume
sistólico;
 ↓ complascência ↑
RVP e ↑ PA e ↑
Pós-Carga;
Envelhecimento
Cardiovascular
Envelhecimento
Cardiovascular
Envelhecimento
Respiratório
 Pulmão → aumento espaço
morto, alargamento e calcificação
das cartilagens traqueais e
brônquicas; Aumento do
diâmetro dos ductos alveolares,
Redução do clearence mucociliar;

 Parede Torácica → Aumento da


Rigidez;

 Redução da elasticidade
pulmonar;

 Redução dos fluxos respiratórios;


Envelhecimento
Respiratório
 Redução da capacidade
vital, aumento dos
volumes residuais;
 Redução da relação
VEF1/CVF;
 Redução da PaO2;
 Redução da taxa de fluxo
expiratório;
Envelhecimento Respiratório
Complacência Pulmonar
• Enrijecimento da caixa torácica.
• Redução das forças musculares que promovem expansão.
• Maior colabamento das vias aéreas.
• Com envelhecimento o diafragma enfraquece até 25%.

Pressão Parcial de Oxigênio


• Declínio linear da pressão PaO2, numa taxa de aproximadamente 0,3%
ao ano;
 PaO2 = 109 - (0.43 idade)
• PaO2 estável em 83 mmHg a partir dos 75 anos. (Ocorre em paralelo com
a redução da força elástica e o aumento fisiológico do espaço morto).
Envelhecimento Respiratório

 Diminuição da FC e FR, em resposta à hipoxemia e


hipercapnia.
 Hiporresponsividade dos quimioreceptores
periféricos e centrais.
Redução do transporte mucociliar.
 Redução do reflexo da tosse.
 Redução da resposta aguda aos antígenos
extrínsecos e da imunidade celular (aumento da taxa
de reativação de tuberculose).
Envelhecimento
Respiratório
 Redução da taxa
de fluxo
expiratório;
 Redução da
difusão
pulmonar de
CO2;
 Redução da
sensibilidade
respiratória à
hipóxia e à
hipercapnia;
Envelhecimento do Sistema
Endócrino
Hormônio Senescência
GH
Secreção de 24h ↓
Prolactina Pouco ↑
TSH Nl
ACTH Nl
LH/FSH ↑
T4/T3 Nl, pouco ↑
Cortisol Nl
DHEA-S ↓
PTH ↑
25 (OH)Vit.D ↓

Testosterona total Nl/ ↓


Testosterona livre ↓
Estradiol ↓
1. Hormônio Antidiurético (ADH)
Níveis séricos basais
DESIDRATAÇÃO
Liberação do ADH após estimulação dos osmorreceptores
(Redução de 20% da
Liberação do ADH após estimulação dos barorreceptores
água corporal total e 8 -
Responsividade renal ao ADH 10% do volume
2. Aldosterona (hipoaldosteronismo plasmático)
hiporreninêmico)
Níveis basais

Liberação de aldosterona após depleção do sódio HIPOTENSÃO


Liberação de aldosterona após mudanças posturais ORTOSTÁTICA

3. Hormônio Natriurético Atrial


Níveis basais
HIPONATREMIA
Liberação após estimulação

4. Sensação de Sede
5. Outros: diuréticos, sudorese excessiva, restrição
HIPERPOTASSEMIA
física, confusão mental, demência, diarréia, etc...
(IRC, diabetes, AINE)
Composição Corporal
Composição Corporal
Alterações na Nutrição

Redução do metabolismo basal: redução de 100


Kcal por década ( massa magra e da atividade
física);
 Aumento da necessidade protêica: síntese e
ingestão;
 Redução da biodisponibilidade da vitamina D:
redução da absorção intestinal de cálcio;
Redução do olfato e paladar;
Alterações na Nutrição
Deficiência da utilização da vitamina B6;
Redução da acidez gástrica: B12, Ferro, Cálcio,
Ácido Fólico e Zinco
Insuficiência do mecanismos reguladores da sede,
fome e saciedade;
Aumento da toxicidade de vitamina lipossolúveis:
vitamina A, D, E, K
Maior dificuldade na obtenção, preparo e ingestão de
alimentos;
Xerostomia;
Redução da água corporal entre 13 e 15%;
Envelhecimento
Oftalmológico
Sistema Auditivo
Audição

OUVIDO EXTERNO OUVIDO MÉDIO OUVIDO INTERNO


Pêlos do trago Estreitamento do espaço Degeneração das células do
(característica sexual articular dos ossículos + órgão de Corti (equilíbrio) e
secundária) se tornam calcificação cartilagem da cóclea (audição):
mais grossos, maiores e articular  degeneração Redução da sensibilidade
proeminentes. articular vestibular
Glândulas da cera se Hipoacusia
atrofiam  cera mais
seca
Atrofia e ressecamento
da pele  prurido
Imunossenescência IMUN ID ADE C ELULAR
Involução anatômica e funcional do timo;
Redução de 20 a 30% dos linfócitos T circulantes (maestro da
resposta imune);
Declínio na reação de hipersensibilidade tipo tardia
Declínio na citotoxicidade e na resposta proliferativa;
Redução na produção de citotoxinas IL-2 (essencial na proliferação e
diferenciação dos linfócitos T) e IL-10; INFECÇÃO

Não há redução quantitativa ou qualitativa na função dos leucócitos


polim orfonucleares

IMUN ID ADE HU MOR AL


AUTOIM UNIDADE
Não há mudança no número de linfócitos B circulantes;Aumento na
produção de auto-anticorpos;Menor produção de anticorpos contra
antígenos específico ( IgA e IgG, IgM  resposta vacinal contra
tétano, influenza e hepatite). Possivelmente quando a imunização
primária é feito na infância, a resposta secundária é mantida por toda
vida. Entretanto, quando a imunização primária ocorre tardiamente (>65 NEOPLASIA
anos), parece haver declínio na resposta secundária;
Menor capacidade de neutralização dos anticorpos;
Maior latência na resposta anticórpica;

CO-MORBID ADES QU E PREJUD IC AM A RESPOST A IM UNE


Desnutrição, pobreza, poluição, depressão, tabagism o, drogas
(corticóides,...), doença m ental, diabetes m ellitus, álcool, fatores genéticos,
doenças consum ptivas, ...
Termorregulação

• Disfunção Hipotalâmica
• Menor potencial pirogênico
• Maior potencial hipotérmico
•Diminuição da transpiração
 Menor tolerância ao calor
 Desidratação
Envelhecimento Cutâneo
LOCALIZAÇÃO ALTERAÇÕES ANATÔMICAS / REPERCUSSÃO CLÍNICA
FUNCIONAIS (ANAMNESE E EXAME FÍSICO)

Redução do potencial proliferativo


Redução do número de melanócitos FLACIDEZ
EPIDERME e células de Langerhans
Redução da adesão dermato-
epidérmica REDUÇÃO DO TURGOR

REDUÇÃO DA
Redução da espessura ELASTICIDADE
Redução da celularidade e
vascularidade
DERME MAIOR MOBILIDADE
Degeneração das fibras de elastina
Degeneração das fibras de colágeno
RUGAS

SUBCUTÂNEO Redução da gordura e redistribuição PALIDEZ

XEROSE (Pele seca)


Redução das glândulas sudoríparas
Redução do tamanho e função das
glândulas sebáceas PÚRPURA SENIL
ANEXOS Redução do folículos piloso
Redução do rescimento das unhas LEUCODERMIA
Redução da lúnula PUNTIFORME

DISFUNÇÃO DA
TERMORREGULAÇÃO

HIPERPLASIA SEBÁCEA

UNHAS ESPESSAS
(“ranhuras”, onicogrifose,
onicomicose)
Autor: Prof. Edgar Nunes Moraes
Envelhecimento Genito-
Urinário
Capacidade
Trabeculação
Habilidade de adiar a miccção
Fibrose
Contratilidade Risco de infecção do trato urinário
Inervação autonômica
Resíduo pós-miccional Risco de incontinência urinária
BEXIGA Formação de
divertículos Contrações involuntárias

Celularidade Resistência ao fluxo micional Risco de infecção do trato urinário


URETRA Deposição de colágeno Pressão de fechamento Risco de incontinência urinária

Risco de infecção do trato urinário


Irritação de receptores adrenérgicos Risco de incontinência urinária
Hiperplasia
PRÓSTATA Retenção urinária

NOCTÚRIA
Mecanismos: Ingestão noturna de líquidos, redução da complacência
vesical, redução da produção noturna de ADH ( na produção Despertar noturno: INSÔNIA – QUEDAS
noturna de urina – 35%) , ICC, insuficiência venosa, diabetes
mellitus e hiperplasia prostática.

Dispareunia Uretrite atrófica: polaciúria,


Celularidade . Atrofia do epitélio urgência miccional
VAGINA

ASSOALHO
Deposição de colágeno Tecido conjuntivo Fraqueza muscular Incontinência urinária de esforço
PÉLVICO
Envelhecimento Genito-
Urinário
Fluxo sangüíneo renal
 Redução de 10% por década a partir dos 30 anos.
Taxa de filtração glomerular
 Declínio progressivo, caindo 8 mL/minuto/1.73 m2/década após os 40
anos.
 Aproximadamente 30% dos idosos não apresentam redução da taxa de
filtração glomerular.
 Há uma redução paralela da produção de creatinina devido à
sarcopenia. A creatinina plasmática pode permancer estável.
 Para evitar erros recomenda-se a utilização da fórmula de Cockcroft-
Gault:
Clerance estimado = (140 – idade x peso)/ (72 * creatinina)
 (Mulheres: multiplicar por 0,85)
Envelhecimento Digestivo

• Estomago
Redução Motilidade
pH eleva
• Intestino Delgado
Absorção ?
• Intestino Grosso
Motilidade Reduzida

• Figado
•Redução circulação
•Redução citocromo P450
ALTERAÇÕES ALTERAÇÕES REPERCUSSÃO CLÍNICA
ANATÔMICAS FUNCIONAIS (ANAMNESE - EXAME
FÍSICO)

Presbiesôfago:
20-60% dos Motilidade Engasgos ocasionais
neurônios do esofageana Maior prevalência de dor
plexo Espasmo esofageano esofageana, simulando
mioentérico; angina pectoris

Maior prevalência de
gastrite atrófica Deficiência da absorção de
auto-imune e Acidez gástrica vitamina B12 e ferro
secundária ao H.
pylori

Redução na
mucosa gástrica Maior susceptibilidade a
dos fatores gastrotoxicidade pelos
citoprotetores AINE
Envelhecimento Sistema Digestivo

Redução do tamanho do
fígado (35%) Metabolismo das drogas,
Redução do conteúdo, principalmente do
afinidade e atividade metabolismo oxidativo
das enzimas (Ex.: Fenitoína) Maior meia-vida das drogas 
hepáticas Iatrofarmacogenia
Fluxo Sangüíneo
Hepático (35%)
Intolerância maior a gordurosos Maior prevalência de colelitíase e suas
Litíase biliar complicações

Neurônios do plexo Trânsito Intestinal: idosos


saudáveis (até 3 dias) Constipação intestinal
mioentérico

Maior hipotrofia da parede


Diverticulose Maior risco de diverticulite
colônica

Musculatura abdominal
Hérnias abdominais
Envelhecimento Cerebral

• Evolução ponderal do cérebro


Em kg por sexo e grupo etário
Roessle et Roulet.

20-29 Anos 60-69 Anos 70-79 Anos 80 ou mais

1,389 1,306 1,265 1,170

1,242 1,209 1,150 1,061


Envelhecimento Cerebral

• Redução do peso (10%), fluxo sanguíneo cerebral (15-


20%), dilatação dos ventrículos;
• Redução progressiva e irreversível do número de
neurônios cerebrais (particularmente no hipocampo) ,
cerebelares e medulares;
• Deposição neuronal de liposfuscina; Degeneração
vascular amilóide;
• Aparecimento de placas senis e degeneração
neurofibrilar;
• Comprometimento da neurotransmissão dopaminérgica e
colinérgica.
• Lentificação da velocidade da condução nervosa
Envelhecimento Cerebral

Neurotransmissores
e Enzimas

 ACH, COMT, 5HT,


GlUT, GABA

 MAO
Envelhecimento do Sistema
Osteoarticular
 Músculo Esquelético → diminuição
lenta e progressiva da massa muscular
→ colágeno e gordura;
 Fibras musculares → 20% menor
que adulto, principalmente tipo II;
 Força muscular → diminui 15%
década até a 6a e 7a década; após 80
anos → 30%
Envelhecimento do Sistema
Osteoarticular
 Estatura → 1cm perda por
década;
 Perda do arco do pé;
 Tronco curto e extremidades
longas;
 Marcha → perda do balanço
normal dos braços, diminuição
da rotação pélvica e do joelho,
cadência diminuida e aumento
da altura de cada passo, passos
curtos;
Avaliação da Postura e das Alterações Posturais

Postura Posterior de um Postura lateral de um


homem de 60 anos de homem de 60 anos de
idade, um homem de 78 idade, um homem de 78
anos de idade e um anos de idade e de um
homem de 93 anos de homem de 93 anos de
idade, respectivamente idade, respectivamente
Alterações na Postura
modificações nos constituintes do disco intervertebral

degeneração da capacidade dos ligamentos da coluna vertebral

perda da resistência vertebral relacionada à diminuição da


quantidade de tecido ósseo

alteração na relação geométrica das costelas e da coluna


vertebral

alterações na cartilagem articular

alterações nos músculos pré e pós-vertebrais

alterações tendíneas
Muito
Obrigado!