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Perspectivas para a economia da América Latina e Caribe em 2019

José Eustáquio Diniz Alves


Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População,
Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE;
Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

A América Latina e Caribe (ALC) continua apresentando baixo crescimento econômico e deve
enfrentar dificuldades ainda maiores em 2019. O relatório da CEPAL, “Balanço preliminar das
economias da América Latina e do Caribe”, edição 2018, considera que a região enfrenta um
cenário econômico global complexo, no qual se espera uma redução na dinâmica de
crescimento, tanto nas economias desenvolvidas quanto nas emergentes, acompanhada de um
aumento da volatilidade dos mercados financeiros internacionais. Soma-se a isso o
enfraquecimento estrutural do comércio internacional, agravado pelas tensões comerciais entre
os Estados Unidos e a China.

Os dados trimestrais indicam que, no nível sub-regional, o desempenho se mantém


diferenciado, conforme gráfico abaixo. Na América do Sul, o crescimento continua bem abaixo
do desempenho do México e da América Central. Para o ano de 2018, o crescimento econômico
da ALC é estimado em 1,2%, o que implica uma leve desaceleração ante 1,3% de 2017. O
crescimento se reduziu na América do Sul (de 0,8% em 2017 para 0,6% em 2018) como na
América Central, Cuba e Haiti (de 3,4% para 3,2%). Por outro lado, o México cresce a um ritmo
ligeiramente superior, passando de 2,1% em 2017 para 2,2% em 2018. No Caribe a recuperação
do impacto de desastres naturais de 2017 contribui para uma aceleração do crescimento (de
0,2% em 2017 para 1,9% em 2018).

Na verdade o relatório da CEPAL vem confirmar a tendência de baixo crescimento da ALC, já


mostrada pelos dados do FMI. O gráfico abaixo mostra que a ALC e o Brasil cresceram abaixo da
média mundial nas últimas 4 décadas. E o mais grave é que a diferença, em relação à média
mundial, nunca foi tão grande como na atual década. Isto quer dizer que a região está
diminuindo o ritmo e se distanciando do que ocorre no resto do mundo.
Considerando a década 2010-19, o crescimento médio do mundo deve ficar em 3,85% ao ano,
da ALC em 2,34% aa e do Brasil em 1,53% aa. Desta forma, a ALC deve crescer apenas 60,7% do
que cresce o mundo e o Brasil cresce apenas 40%. Indubitavelmente, o desempenho do Brasil
na atual década é tão ruim que puxa a média da ALC para baixo.

Isto fica claro no desempenho diferenciado da renda per capita (em termos constantes em
poder de paridade de compra – ppp) nos diversos grupos de países. Nota-se que Brasil e ALC
possuem renda per capita muito próximas, mas o Brasil que tinha uma renda per capita de US$
11,2 mil acima dos US$ 10,7 mil da ALC, em 1980, ficou abaixo da média do continente desde
2014 e teve uma renda per capita de US$ 14,4 mil contra US$ 14,5 mil da ALC, em 2018.
Mas comparando com as economias avançadas, a ALC e o Brasil estão ficando cada vez mais
distantes. Em 1980, as economias avançadas tinham uma renda per capita 2,2 vezes superior do
que a renda da ALC e passou para 3 vezes em 2018. Já as economias emergentes da Ásia que
tinham uma renda per capita de somente 12% da renda da ALC em 1980, passou para 76,3% em
2018.

Assim, fica claro que a ALC e o Brasil são economias submergentes e estão ficando para trás em
relação ao desempenho médio do mundo. Para 2019, a estimativa do FMI é de uma renda per
capita de US$ 14,7 mil para o Brasil, US$ 14,8 mil na ALC e de US$ 18,7 mil no mundo. Mas o
que estava ruim tende a ficar pior, pois a perspectiva que a economia da ALC tenha um
desempenho mais fraco em 2019 do que em 2018. Só com grandes transformações na região a
ALC poderá romper com o ritmo de marcha lenta e passar a acompanhar o ritmo do resto do
mundo, que também enfrentará dificuldades em 2019.

Referência:
CEPAL. Balance Preliminar de las Economías de América Latina y el Caribe, 2018
https://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/44326/21/S1801134_es.pdf