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DR. o. ILDEFONSO RODRIOUEZ VILLAR

PONTOS.. DK"MEDITAÇAO
~ . ·-
-
' .
SOBRE A
'"'\, N '

VIDA EVIRTUDES DE.NOSSA SENHORA


Tradução revista pelo

PADRE MANUEL VERSOS FIGUEIREDO, S. J.


IDI
(3.• EDIÇÃO)

LlVR.AR.lA FIGUEIR.INHAS - PORTO

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,-.
" .. ..
~

PODé IMPFIM!'R-SE
Porto, 11 de Agosto de 1954.

Mons. Pereira Lopes, Vig- Ger.

DIREITOS ·RESERVADOS

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' r

. ~~ ·t~ RECOMENDAÇÃO
\•j.
.·--:. ~;
. ~ (.

Recomendamos a todos 'mas e:specialmehte às raparigas


da Ac\:ão CatÓlica 'este•'livro de leitura: e medi'taçãa sobre a
Santísszma Virgem, que escreveu o Dr:. D - lldefonso' Rodri~
guez Villar, professor de Filosofia no no~>sa Seminário
Arquidiocesano, Reitor do Sa:ntuádo Nacional ria Grande
Promessa e Assisten!e da União Dioceslána da Ju ventude
Feminina da AcÇãou<1atólica.
Seminário Arquidiocesano, Santuário Nacional da
Grande: Promessa e Juventude Feminina da Acção Católica:
que três campos tão eXtensos e- ferazes para trabalhar pela
implantação e consolidação, difusão e depuc<açãd; enobre:~
cimento e divinização · do Rez1nado do Coração Sácratís!.
simo do Rei Divino!
!Múltiplos e variadíssimos podem ser os trabalhos deste
apostolado; mas sem dúvida um muito principal consiste
em infiltrar nos entendimentos luz e nos corações, fogo
de verdadeira e cabal devoção à Rainha e Senhora ~s
céus e da terra. Para isso pode servir: mruí'to eficazmente
este livro de Meditações cjue recomendamos.
É inegável que a árvore da Acção Católic;a ·não dará
todos os frutos que o Rei divino quer que dê, se as'· ràpfi:.
r:igas da Acção Católica 'não lançam raizes profundas de
devoção SÕlida ~ e amor: puríssimo à _Virgem 'Santíssi"ma.
A árvore poderá ter folhagem esplênilida, mas Deus não

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6 RECOMENDAÇÃO

permita que mereça ser amaldiçoada como a figueira estéril


de qtie nos fala o Sagt1ado Evangelho.
· Lexle todos e fazei ,medita,ção por este livro e conhecei
cad~ vez:.mais. a Rainha dos Apóstolos e amai-a Cada vez
1oom mais intensidade, e isto que digo a todo8, tende prerente,
raparigas da Acção Católíca, que\ a vós principalmente o
digo, para vosso bem temporal e eterno, para vossa salvação
e para a salvação de inúme~alS almas, que Jesus e Maria
querem salvar v.alendo-se de vós como de instrumentos de
redenção e de vida.
Se de-veras vos dais à meditação e ao estudo intelectual
e cordial, da P!uríssima. Virgem; se de-veras vos dais a cul-
tivar nas vossas almas as virtudes da Mulher por exce-
lencia, imitá-l~is, e imitando vós a Rainha dos corações
;;rpostplicos, então verdadeiramente ser_eis Raparigas da
Acção Católica.
E teremos ent~o o gozo e a ufania de ver milhares
e milhares de raparrgas da Acção Católica, que não se
deixarão art:'astar qela cprrente do ,espírito do mwrdo, nem
pela:s suas ·m áximas e critérios nem pelos costumes e lmodas
antrcâstãs, exóticas , e ridículas. Em milhares e milhares
de r:apar{ga.s da Acção Catófica e também naquelas que não
.pertencem à mesma, cessará o império da frivolidade, da
futilidade, 'da desvergonha, e restabelecer-se-á o império do
espír:ito cristão, do pudor mariano, ala modéstia, da can-
dura juv,enil e da castidade angélica.
·Todos estes bens e outros muitos pode produzir este
livro de !Meditações, se as raparig.as da Acção Oatólz'ca o
manuseiam todos os dias, assiduamente, para estar com a
Virgem S.antissima, a M ·ã e dulcíssima · do Rei Divino e Mãe
tambéJm . nossa, todos os dias, um espaço de tempo não
peqp.eno, em trato íntbno, luminoso e afectuoso. Este con-
vívio com tão boa .Mãe ensinare-vos-á a sabedoria celestial.
A sabedoria celestial!, não é sim.plesmente saber, é sabo-
z:ear éJS doçuras da Fé, da Esperança, •da Caridade, as doçu-

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RECOMENDAÇÃO 7

ras de todas as virl>udes, a ambrosia da vida cr:istã plena


e per:feita, o néctar: e o mel que 'clistila a ár:vor:e santíssima
da Cru:;, ao pé da qual e sob cuja sombr:a deVJemo.s todos
viver: e, por: motivos ;m w'to par:ticular:es, as r:apar:igas da
Acção Católica.

V alhcdblid;·~ r6
de Macpo de 1941.
lll D omingo da, Qt.mr:esma.

<' -

Antô nio, Ar:cebispo de Valhadolid.

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:- • · . -

A MODO DE PRóLOGO

As poucas .pretensões do presente trabalho estão cla-


ramente expressas no próprio título PONTOS BREVES
DE MEDITAÇÃO, porque isso e só isso contêm.
Não são meditações explanadas mas só uns RONTOS
que se indicam cdm brevidade deixando o se•ll desenvolvi-
mento ao trabalho do entendimento e da vontade do que
medifla
Não se deve es~uecer que na meditação, este trabalho
pessoal de v-erdadeira assimilação, é absolutamente indis·
pensável_ já que dootro modo, a meditação converter-se-á
em mera leitura piedosa.
E digo trabalho porqu.e julgo que é a palavra mais
adequada para expressar o que deve ser a medz'tação;
muitas almas queixam-se de não saber meditar e é porque
crêem que na meditação lhes hão-de chover do céu as
inspir<.ações, luzes e consolações, sem esforço nenhum da sua
parte, e não se convencem de que estas graças concede~as
ordinàriamente o Senhor em razão directa do nosso tra-
balho, do empenho e fervor que pusemos ao falar com Ele.
Esta é pois a r<azão por que expressamente não quis
dar 'umas meditações completas e desenvolvidas mas sõmente
z'ndicadas em breves pontos, que não dispensam o trabalho
frut.u oso da meditação e que só sirV'am de .guia ou de norma
directiva nela.

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A MODO DE PRóLOGO 9

É pois de notar que por ~ste motivo os pensamentos


que s•-=: prop{5em vão duma forma cortada e separados por
travessões ou por reticências que não são outra cois,a m._ais
do que sinais ·para fazer sobr-essair 'uma ideia, às vezes uma
palavra, em qJ.ie· se. deve · fixar a .atenção.
E ,,.do n1;esmo: modo, visto que sJo pontos cortados e
raciocínios ~ó ivd'icados, não se há-.de passar de corrida
sobre eles, pois se : € verdade que não o muito comer senão
o digerir e asstmilar ê o gue alimenta, assim se há-de pro-
curar mediante a consideração e a aplicação ao caso con-
creto e particular de cada um, assinalar o ponto que se
medita demorando-se todo o tempo que seja necessário,
segundo aquela sábia norma de S. Inácio, «no ponto em
que achar- o que quero, ai descansarei sem ter ãnsia de
passar adiante até que me satisfaça»; e assÍ!m sucederá que
uma só meditação, dará com frequência matêria para
vários dias.
Quanto à disposição da matêria segue-se a ordem
lógic3. dos passos principais da vida da Santíssima Virgem,
mas de tal modo que podem servir ao mesmo tempo para
Novenas de preparação para as suas festas mais impor-
tantes; e assim se distribuem, como pode ver-se no índice,
para os dias das Novenas da !'maculada Conceição, da
Natividade, da Visitação, da Vida de Naza>ê, das Dores
de Nossa Senhora, da Assunção da Santíssima VirgL'"11l e
finalmente da Santa Escr.avidão, que pode valer para a festa
da Anunciação, assim como para todo o mês de !Maio, ter-
minando com as destinadas •a considerar particularmente as
Virtudes de nossa M;;e Imaculada.
Só me testa, para concluir, fazer minhas as palavras
de S. Afonso Maria de Ligório no prólogo da sua magnífica
obra As Glórias de Maria. Se por ventura te parecer que
ao escrever estas meditações me cansei em vão por haver
muitíssimas mais bem expostas e ordenadas, responder-te-ei
com as palavras de um cêlebre escritor eclesiástico. «Lozzvar

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10 A MODO DE PRóLOGO

a Mar:ia é tarefa inexgotável: é como uma fonte abundante


que quanto mais dela se tira mais ela se enche e quanto
mais se enche tanto mais se dilata»: como se dissesse que a
Santíssima ,Vir:gom é tão gr:ande e tão sublime qrue quantos
mais louvores r:ecebe mars lhe ficam por: receber:. E Santo
Agostinho abundando no mesmo sentir>, diz: «que não bas-
tariam par:a louvá-la, como merece, todas as línguas de
todos os homens ainda que todos os seus membros se trans-
formassem em lín'{}uas».

Valhadolid, Festa da Imaculada Conceição do ano


de 1910.

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l PARTE .

VIDA DE NOSSA SENHORA

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1. Maria na mente divina

1.0 - Todos nós existimos desde t~da a eternidad e na


mente de Deus... Deus a todos conhecia per feitamente .. .
em ti pensava dum modo particular e.. . quando faltavam
ainda milhões e milhões de anos oara a tua existência
neste mundo, já' então ele te amava·! . . .
Razão tinha S. João para dizer: «Amemos a Deus por-
que Ele nos a;nou primeiro». - Se isto se diz de todos em
geral e se podes dizê-lo particularmente de ti, que dirás de
Maria·?- Sem dúvida, ela ocupava a mente de Deus no
mais alto grau. Depois da sua essência, que é o pensamento
principal de Deus, o que primeiro seus olhos vêem é Maria ...
a Ela .. . primeiro do que ninguém, e nela vê todos os mortais.
Se Deus pudess·e esquecer-se de todos e deixar de os conhe-
cer, o que é impossível, não poderia deixar de v er e con-
templar em sua mente a Maria, pela participação que nela
há de Deus... pela união em que ela está com Deus.
Enfim, Maria é o pensamento máximo de Deus a seguir
ao que Ele tem de si mesmo.

2.0 - A ideia de M ·aria na criação - Quando um artista


quer traduzir numa obra o ideal que a sua mente co ncebeu,
primeiro faz ·ens.aio.s no barro, para depois modelar a ima-
gem com toda a perfeição ...
Assim aconteceu com a criação... que fo i ~:n ensaio

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Maria na !Mente Divina 13

que Deus fez para depois formar Maria, a obra prima das
suas mãos. Ela é portant0 como que um resumo ou síntese
de toda a criação. - As graças e belezas repartidas pelos
outros seres e ncontram-se acumulados e sublimados em
Maria. - E assí.m, ao formar Deus a sua Mãe parece que
se foi i-nsp irando em tudo o que havia feito para fazê-la
muito .superi0r a 'todas as criaturas.- Inspirou-se nos sera-
fins, para abrasá-:l.ir eín amor, inspirou-se nos anjos, para
a sua pureza... nos patriarcas, como Abraão, para forta-
lecer e robustecer a sua fé. .. em ·Ruth, para a sua modéstia . . .
em Judith, para a sua coragem . .. mas .. . para lhe dar o seu
coração de M ãe, não pôde inspirar-s•e em nada... Não há
nada que possa comparar-se e assemelhar-se com o coração
da Virgem Santíssima... foi necessário que Deus olhasse
para o seu próprio coração para dar-lhe um coração seme-
lhante ao seu... e as·sim com esse coração amasse a Deus
e aos homens, como ele mes.m.o nos amava.
A Igreja aplica-lhe estas palavras magníficas que resu-
mem a mesma ideia: «Antes que o Senhor criasse alguma
'coisa, já eu. estava com ele. Quando ditava a lei aos astros
e aos mares, já eu estav ·a com ele ordenando tudo, regozi•
jando,me continuamente com ele na sua presença».
Por isso podes ver Maria sempre que olhares para
os seres da criação ... ; o azul do céu lembrar-te-á o seu
manto... as estrelas, a orla que o adorna... o sol, a sua luz
sem sombras nem manchas·. . . a lua, a sua plácida for.mo-
sura... as flores, a sua incomparável beleza e aroma ...
e deste modo podes ir discorrendo como verdadeiro devoto
de Maria que em tudo vê a sua imagem, como ela a é
de Deus.

3. 0 - A ideia de Maria em ti. - Deus quis que também


tu a imaginasses nisto.- Ele deseja que essa ideia seja igual-
mente a ideia central do teu •e ntendimento e a que dê calor
e movimento à vida da tua alma. Antes de qualquer cria-

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Maria na LlVlente Divina

.t ura, ela .foi predestinada à graça... à glória... e à d~gni~


dade .. incomparável da Mãe de Deus... mas depois dela,
fomos nó:S .também predestinados à graça que nunca nos
falta.. . à glória, se correspondermos a esta graça.. . e à
dignidade incomparável de nos chamarmos e de sermos
filhos de Deus e ir'Jnãos de Jesus Cristo... M·a s esta altís~
sima dignidade está intimamente ligada com Maria.~ Ela
é •t ua Mãe! .. . Ela te dará o ser de filho de Deus !
Logo, toda a tua dignidade e glória há~e vir de Deus,
mas por meio de Maria, - Compreendes agora a razão pela
qual o Senhor quer que ela seja o pensamento dominante
da .t ua vida? - E . .1. é assim na realidade?... Como realizas
tu este magnífico' plano divino?... Procuras deveras que
Maria seJa a ideia directriz e motriz de todos os teus actos?
Tratas realmente de viver pensando nela ... , vend~a a Ela
em tudo? .. . , procurando acomodar-te a Ela, sendo sua i ma~
gem viva e per~eita conseguida pelo exercício da imitação?
Pede graça ao Senhor e ajuda e protecção a Maria,
para procederes assim daqui por diante .. . pois sendo ela
a tua constante obsessão, não saberás nem poderás nunca
prescindir dela, como é o desejo de Deus.
Oxalá que na tua loucura nunca chegues a destruir ou
a inutilizar este plano de Deus, pelo teu amor próprio ou
por qualquer outra paixão que te estorve de ver ... , conhecer
e amar ... a tua Mãe! ...

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2. · .Mar,ia no Antigo Testamento

Tudo no antigo Testamento são profecias, símbolos e


figuras. O objecto delas era o Messias e juntamente com
ele sua Mãe- Vejamos algumas brevemente.

1.0 - Profecias. - .A profecia é a palavra de Deus


sobre coisas futuras... só Deus pode conhecer com certeza
o futuro... a profecia é sinal da divindade.
A) .A primeira profecia sobre o Santíssima Virgem.
fê-Ia o próprio Deus no Paraíso: «uma mrulh:e.. esmagará
a tua cabeça» - disse à serpente infernal. Procura pene-
trar na beleza destas palavras ; que bondade a de Deus !
castiga e ao mesmo tempo, perdoa ... no próprio instante em
que nos condena à morte, profetiza-nos um Messias liber--
tªdor e uma mulher que pisará o demônio. - Que alegria.
pensar que o demônio estará sempre aos pés de Maria !
Que segurança s-a ber que nem a Ela nem aos seus filhos
poderá nunca prejudicar! Dá graças ao Senhor e parabéns.
a •M aria pelo seu triunfo e pela graça que nos mereceu.
Tira cOiiD.o conclusão que quanto mais a tua alma estiver
unida a Maria, tanto mais o demônio estará a teUSI pés--
Que desespero lhe ·causará o saber que uma mulher .. . ,
todos os outros homens lhe hão-de esmagar a cabeça!
B) Igualmente- se pode considerar a grande profecia
de Isaías que séculos antes disse que da vara de Jessé bro~ -

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16 Maria no : Antigo Testa mento

taria uma flor sobre a qual o Senhor repoisaria ... -Jesus


é o fr t'i"to bendito; M<>.ria, a flor Imaculada.- Noutra passa-
geni- âmitrcia á sua virgindade: E:.s que wma virgem con-
ceberá e dará à luz um filho que se chamara Emmanuel.
- São as duas coroas da Santíssima Virgem: a sua mater-
nidade divina junta com a sua virgindade.
C) Deste modo poderíamos percorrer muitas outras
profecias... bem como livros inteiros, como os Salmos de
David... o Livro dos Cantares... que encerram. profecias
magníficas acerca de Maria, que assim multiplicou Deus
as profecias acerca d"Ela, do mesmo modo que acerca de
.seu Filho.

2." - Símbolos.- São ainda mais numerosos. - 0 Pa-


raíso terreal com a árvore da vida, é imagem da Santíssima
Virgem, :verdadeiro Paraíso onde Cristo- árvore da vida
-habitou. - A arca de Noé, que se salvou do naufrágio.
- A pomba branca que para não poisar na lama da terra,
volta imaculada à arca trazen'do no bico um ramo verde
de oliveira - que lindas imagens de Maria! - A esca-da
de Jacob que une o céu com a terra.- A vara de Aarão
que floresce na obscuridade do tabernáculo e só na pre-
sença de Deus.- A arca· da Aliança de madeira incorruptí-
vel, que encerrava os grandes mistérios. - A sarça arder>.te
que ardia com um fogo divino sem se consumir, rodeada
da majestade de Deus. - Estes e outros santos símbolos
que aparecem na Sagrada Escritura revelam a formosura,
a dignidade, a grandeza, a excelência de Maria... Parece
que Deus tirou partido de todas as coisas, para avivar
nos homens a 1embrànça de sua Mãe e fazer com que
vivessem esperando nela.

3.• - As figuras.- Todas as mulheres célebres do


Antigo Testamento são figuras de Maria. - Eva, mãe da
humanidade, mas para sua perdição. .. Maria, a verdadeira

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Macia. no Ant&go Testamento 17

Mãe que salva a humanidade perdida. -Abigail, que, pela


sua fonnosura, encanta e enamora a David... é figura de
Maria que encanta ao mesmo Deus.- JaeZ que trespassa
com um cravo a cabeça de Sisara, íi:Ji.migo do povo de
Deus... ·é ·· a Santíssima Virgem esmagando a cabeça do
demónie- - ]l.ldit, matando a Holofernes e libertando do
tirano o seu ,p,pvo... é a imagem de Maria que nos libertou
de Satanás. .:::_ Ester, d iante do trono do Rei , inter~dendo
pelo seu povo... significa a Santíssima Virgem que sem
cessar pede e intercede por nós diante do trono de DeUS<.. .
E assim sucessivamente podíamos percorrer todas as gran-
d es figuras do Antigo Testamento e em todas reconhece-
rí amos a Maria.

Abisma-te perante tanto amor que Deus manifesta .a


Maria . .....:... Vê, como, encantado com Ela, se compraz em
falar d 'Ela incessantemente em profecias... símbolos... e
fi.g uras ... - Parece que é o pensamento dominante... a
obsessão de Deus ... E tu , és assim com tua Mãe? - Estás
assim encantado com Ela ? - É Ela o pensamento central
.do teu entendimento? Pensas n 'Ela? . .. falas n'Ela? vé-l'A
em toda a parte ... unes-te a E la .. . vives n'Eia e d 'E ia ?, ..
sabes fazer alguma coisa sem Ela? . . . Reflecte, examina e
.tira a devida consequência de amar assim com , loucura a
tua querida Mãe-

'j ···
...
.J '

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...,..... ;..•.

3. Imaculada Conceição de Maria. - Os seus testemunhos

Chegado o' ditoso tempo fixado por Deus para a saJ.-


vação do mundo, foi concebida a Santíssima Virgem, não
como os demais homens, mas sim pura, sem mancha, sem
contrair o pecado original. Meditemos os testemunhos que
nos asseguram esta consoladora verdade.

1.• _:__Deus-- Lembra-te do pecado de Adão e Eva


e do castigo do Senhor. - Deus amaldiçoa a serpente com
estis palavras: Por:ei inimizades entce ti e a TIUllher:, entre
a tua descendência e a sua. Ela esmagacá a tua cabeça pac-a
sdm;pr:e. - Nestas palavras considera três coisas·:
. .. t.•, que uma mulher prodigiosa e a sua descendência
se vingariam da serpente;
2.", que entre a mulher e a serpente haveria ·inimizade
perpétua;
3.", que o demônio ficaria vencido pelo triunfo dessa
múlher. - Pois bem, se Maria não fosse imaculada e tivesse
sido atingida pelo pecado, não teria sido perpétua essa
inimizade, visto que o pecado é um acto de amizade com
o demônio .. . ; e além disso, não seria ela a vencedora mas
a vencida, pois no pecado, quem triunfa ê o demônio e
quem fica derrotado é o homem.
Nota bem que essa vitória pertence à Mulher e à sua
descendência, isto é, a Jesus Cristo, seu Filho, e a nós , que

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Imaculada Conceiçao 19

somos seus irmãos... e descendência de Maria, pois Ela é a


noo.sa Mãe. - Logo, com Ela e por Ela, devemos ·l utar·
contra o demônio e assim imitaremos melhor a sua pureza
imaculada.

1."- O Anjo.- Naquelas palavras «Ave-Maria, cheia


de graça». o anjo chama claramente à Virgem SantíS$ima,
Imaculada, porque... quando e como foi Maria cheia de
graça? ... ~ Precisamegte na sua Imaculada Conceição. Esta
plenitude é prodigiosa ... é única ... é de sempre. - Se assim
não fosse o anjo não teria pronunciado aquelas palavras,
pois houve santos muito santos e co.m muita graça de Deus,
mas nenhum com essa plenitude. pelo menos no momento
de nascer, por causa do pecado original, não possuíam ·
graça nenhuma. O mesmo não se dá com Maria, que desde
o momento da sua Conceição foi sempre cheia de graça .. . ;
pertanto nunca foi manchada pelo pecado, nem sequer pelo
pecado original.- Logo, o anjo ao chamá-Ia cheia de graça
chama-a Imaculada.
Saboreia estas dulcíssimas palavras e agradece ao anjo
por ter feito este panegírico tão belo da tua Imaculada Mãe.

J.•- A logceja.- Dezanove séculos suspirou a Igreja


por este dogma.- Contempla o magnífico desfile: Ele são
os Santos Padres, os Doutores, os escritores eclesiásticos,
os místicos e os ascetas, os santos todos e em especial o.s
mais <ievotos de Maria os quais ·teceram todos uma coroa
de louvores à Imaculada Conceição. Ele são as Virgens da
Santa Igreja, que, para imitar a sua pureza · imaculada, se
consagraram a Ela, e à sua imitação fizeram voto de vir-
gindade.- Vê quantas são e que formosas... que escol de
almas puras não é o exército branco de Maria Imaculada!
- O povo cristão aclamou-a nos seus cantares pura e .sem
mancha na sua Conceição. -Nunca houve dogma mais
profundamente sentido nem mais universalmente compreen-

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2{) Os ~s testemunhos

dido do que ·este.-E foi então que o Papa Pio IX, recolhend9
todos esses anelos e louvores de dezanove séculos sucessivos
teceu ..com eles a coroa imortal da definição dog.mâtica pa
lmacu1àda Conceição- - Detém-te a contemplar Maria como
objecto dos louvores de toda a Igreja neste mistério ~ vê
cemo 5e cumprem as suas palavras: «todas as gerações me
chamarão bem-aventurada» .. .

4-"--< Maria.- Ela própria confirma as p alav ras in.f~­


líve\s. do Papa.
Nossa Senhora de Lourdes aparece a Bemar>dette e
depois de várias aparições declara-lhe: Eu sou a lmac(.lldda
Conceição. - As fontes milagrosas, 0 s milhares de per~­
gdnos, os doentes inumeráveis, as orações incessantes e os
cânticos perenes de Lourdes, são os ecos destas palavr:as
e u.ma confirmação da definição pontifica! Recorda a história
de . Lourde,s e em espírito une-te a esse coro , de louvon;s
que .ali sem cessar se entoam a Maria Imaculada.

5." - Nós. -Deus, o Anjo, o Papa, a própria Virgem


Maria, são os .t estemunhos, que proclamam este dogma ....
e nós, que faremos? Alegrarmo-nos, regozijarmo-nos com
ele, não basta... Podemos e devemos tomar parte nele ...
·Maria dirige um exército que deve lutar contra a serpen~.
infernal. Temos que nos alistar sob a bandeira de Maria
e lutar contra o pecado em .todas as suas manifestações:
tibieza, ingratidão, amor próprio ... ; só assim seremos irni~
tador.es de Maria Imaculada.
Guerra, pois, ao pecado, por Maria Imaculada i .

:!•

;I;,,,,

"

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4, .. Maria Imaculada - O Mistério

.:

Medita bem o que significa e representa este mistério


e procura aprofundá-lo, pois é muito proveitoso conhecê"lo
a fundo.

1." -Estado da humanidade.- Recorda o que era e ·:o


que seria o homem sem o pecado de Adão! ~ Magnífico
plánó o de Deus! -'Terminada a criação dos outros seT~s.
o Senhor quer criar e nomear um Rei daquela cria~o.
'e ·pensa no homem . .. Com que carinho lhe forma o corpo:·..
com as suas próprias .mãos ... não apenas com a sua palavra,
como fez ao tirar do nada as outras criaturas. ~E; sobre•
tudo, como lhe infunde a alma, espiritual, imortal, imagem
e semelhança da sua divindade! Isto é pouco: Recorda o
paraiso terrestre, lugar de delícias e palácios desse homem."
a vida feliz, sem penas•, sem amarguras, sem dores; sem
lágrimas, etc ... ; não havia sofrimento, tudo era alegria e
satisfação.- Na sua alma infundiu a integridade ou sujeição
das paixões à · razão ... , a ciência para saber tudo sem .t ra"
balho nem estudo, e sobretudo, a graça santificante para
que fosse sempre' santo. ·
Era o destino da humanidade: ser feliz ser santa ser~
v indo e amando a Deus sem cessar.. . ; e depois sem passar
pela .morte, trasladar-se ao céu, para ali louvar a Deus
eternamente! -Magnífico, sublime, só divino o plano de

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22 Afaria Imaculada

Deus! ~Detém-te a meditá-lo, a saboreá-lo como se fos~


real e efectivo.

. -~· 4_, - A queda. - Veio o pecado e com ele todos os


males: -O autor da dor e do sofrimento não foi Deus ...
Ele não nos .criou vpara sofrer• .o ..pecado, ·obra nossa, é qu-e
nos fez .sofrer. O maldito pecado é que é a causa de todo
o .mal. -Contempla as tristezas, angústias, dores e tor-
mentos do coração humano, desde Adão até ao presente ...
vê as doenças asq,uerosas, dolorosas e repugnantes que afli-
gem o homem, e vê sobretudo, a morte com os seus sofri-
uil.entos. e.. agonias, ..cqm as suas humilhações e corrupção do
·s epulcro ... _que . quadro .horrível! -:- Tudo por causa daquele
pecado. -Compara o plano de felicidade ideado por Deus
e o estado lastimoso do homem. São as paixões brutais
que nos assemelham ao.s animais .. _, pecados .de toda a
espécie, ainda . os mais baixos e degradantes... perda dia
santidade, .da imortalidade e da visão de Deu.s ... e depois
ainda o inferno, como fim des~a vida já tão triste, pois
que o .céu fechou-se com o pecado e já a ninguém é perc
mitido lá entrar. Medita bem nisto, e tira por conclusão
o que será o pecado quando Deus, tão justo, assim o castiga.

·3.0 ~Universalidade deste pecado. - O pior mal deste


pecado é ser universal para todo o gênero humano.
· Adão no Paraíso não era uma pessoa pa!'ticular, era
a fonte . da vida que havia de se propagar a .t odos .os
homens .. ., representava à humanidade... nele, estávalii,OS
todos incluídos. Tudo quanto Deus lhe deu, não era só . para
ele, ·senão 1ambém para nós ... havíamos de ser iguais a ele·
Isto não é uma injustiça nem uma crueldade. Se um pai
é.·:rico, ricos .serão os seus .filhos ... , porém se esse pai dissipa
a .sua • fazenda · e fica sem nada, seus filhos, sem terem culpa,
na$éerão na . pobreza.; . é natural! ...
·,.·, rO ·mesmo se . dá .conoosco. Ninguém · houve mais · rico

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O !Mistério 23

que Adão; também o devíamos ser, por determinação de


Deus . ..
Adão, porém, perdeu-nos tudo e por consequência, nós,
seus filhos, nascemos pobres de corpo .e alma. É pena; mas
·é a ve!'da!le-

4.o- Maria lmac.ulada.- Contempla agora a alma de


M aria ao entrar na V ida. Ela devia ser como nós em tudo.
Deus, porém, faz uma excepção única só para Ela ... nasce
tal qual se formoÚ nas mãos do Senhor:... pura... sem
mancha... imaculada. - Detém-te por algum tempo a con~
templar esta · formosura . Felicita~A por ser Imaculada. Vê
os anjos ·acompanhando-A com palmas e celebrando a .sua
entrada neste mundo que não é uma derrota como acontece
connosco, senão um triunfo sobre a · serpente. · . ·.,
Canta com os anjos louvores à ss.m• Virgem, ao· vê-I'A
aparecer neste mundo tão majestosamente bela. - ,Nunca
botive e jamais haverá flor mais branca que a alma de
Maria na sua Conceição. - Pensa, além disso, QUI! sendo
isenta do pecado, não devia sofrer, nem morrer i Deus porém
quis que as.sim fosse à semelhança · de Seu Filho que, por
amor se abraçou à Cruz. Isto é, nela, o sofrimento não ' lhe
era dado por castigo, como acontece connosco, senão que
eriii aceite por amor a Deus, e por ser como Jesus. .. e por
amor dos homens, para nos servir de consolo. - Agr;adece-
-lhe, poi.s, e anima-te a softer com Ela e. à sua imitáção,
a amar a cruz.

,.

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...... _:..:
5. Maria Imaculada - A sua nobreza

Se bem que, por se tratar de um mistério, não podemos


aprofundá-lo, pois nos perderíamos na sua imensidade, no
entanto ·é suave··e· consolador meditar as razões que o noss<>
entendimento fàcilmente alcança, para nos convencermos de
como Maria tinha que ser Imaculada.
1. 0 - Rainha Anjos.- Mari~, como .. Rainha, tinha
dos
direito a . reinar sobre~ os .Anjos, e estes honrar-se-iam e ale-
gra~;-se-iam com tal Soberana; mas como haviam de reconhe-
cer como sua Rainha uma criatura que era menos pura e
perfeita do que eles? uma ériatura que, ainda que por pouco
tempo, tivesse sido escrava do pecado, isto é, escraya dos
outros Anjos que se tinham rebelado contra Deus? ! Isto
não era possível; a razão humana resiste a admitir eSte
absurtlo. Logo, tiramos por conclusão que Maria tinha de
ser pura, santa e imaculada.
z.o -Filha de Deus Pai.- Maria é a Filha predilecta
de Deus e por isso a destinou a uma grandeza que, afora
a sua, não haveria outra igual. - Em tudo quis asseme-
lhá-La à divindade, de tal sorte que sem chegar a ser Deus,
porque não era possível, fosse a que estivesse mais perto
de Ikus. Mas se Deus e o pecado são o que há de mais
oposto, como podia a Santíssima Virgem aproximar-se tanto
de Deus e ter ao mesmo tempo no seu coração o pecado? ...

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Maria Imaculada 25

Outro absurdo que não podemos admitir e que nos demc:ins--


tra a sua Conceição lma·c ulada.

3."- Mãe de Deus Pilho. - Era de Maria que Jesus


tinha de tomar a car-ne e sangue que, . como hóstia pura
e santa, ia· pferecer na cruz pela humanidade. Como ptxle•
ria ser imaculada essa hóstia se tivesse .s ido manchada desde
a sua origem?· Além ddsso, ninguém pode eleger a· própria
·M ãe .. . todos n'és temos a que Deus nos destinou.: . ; porém
com Jesus Cristo não foi assim: Ele é que elegeu e formou
como quis a sua Mãé'. . . Ora bem . Podendo formá-la belís-
sima, pura e santíssima na sua Conceição, preferi-la-ia man;
chada e escravizada pelo pecado?... Impossível! . . . Havia
já muitos séculos que o povo cristão dizia: «Se não pode,
não é Deus; sé pode e não quis, não -é ,Filho; digamos, pois,
qu-e pôde e quis·.. . », is-to é. não era· por falta de poder, pois
Deus tudo pode, e se pôde e não quis nãô mostrou i.un amor
digno de um bom filho a sua Mãe, pois privou-a de uma
beleza e formosura que era precisamente a que Ela mais
amava. Portanto tinha de a fazer Imaculada .

4. 0 - Esposa do Espírito Santo.- A graça santificante


é a vida do Espírito Santo na alma. Deus quis tanto a
Maria que se desposou com Ela. dando-lhe a plenitude da
graça .. . «a cheia de graça». Ele próprio foi o que mis-
teriosamente e com uma operação onde resplandece o poder
e a pureza Infinita de Deus, formou no seio de Maria a
morada para o seu Divino Filho. É possível que uma união
tão perfeita e intima entre Maria e o Espírito Santo... ,
urna operação tão santa e divina como foi a Incamação do
Verbo... tudo isso se vá operar numa carne manchada
pelo pecado? . . . Seria digno de Deus? -David preparou,
para levantar um templo a Deus, o que encontrou de melhor
na terra ... , e o Espírito Santo para for.mar aquela morada
divina do Verbo, não havia de escolher o que houvesse de-

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26 A sua nobreza

melhor no Ou?· - Não podia, portanto, haver nem sequer


a menor .sombra de pecado naquele templo vivo, visto que
isso I'epugnaria e~tremamente no Filho de Deus.

5-~.:.- Nós mesmos. - Se temos amor a Maria não nos


regozijamos ao vê-La Imaculada e não descobrimos nesse
ll'listério um resumo da sua beleza?- Se Deus nos tiVJesse
dado liberdade e poder para dar a ·M aria o que quiséssemos,
não a teríamos .feito assix;?... Imaculada ... puríssima ... e san-
t íssima? . . . Gostaríamos ae a ver manchada pelo pecado? ...
- Diríamos então que a amávamos de-veras? Portanto,
tem a certeza que nem o Pai, nem o Filho, nem o Espírito
Santo poderiam fazer outra coisa senão dar-Lhe a pureza
,que possui.
Termina dando graças a Deus por ter feito assim a tua
lmaculada Mãe. .. felicita a Maria por este privilégio . ..
e . dá os parabéns. a toda a humanidade por ter uma tal Mãe .

..

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6. ·.Maria Imacu.lada - O privilégio

Detenhamo-nos hoje a considerar este magnífico pri-


vilégio que Deus concedeu a Maria na sua Conceição, para
ejue compreendamos alguma coisa do seu valor e do motivo
por que a Santíssima Virgem tanto o estima.

· 1.• -Foi um privilégio único.- Supõe ver o demónio,


a marcar com o selo do pecado todos os homens mal estes
~ntram na vida ....; a todos toca com a sua asquerosa e
imunda baba de serpente infernal... ; assim nascemos todos ... ;
manchados, asquerosos, repugnantes aos olhos de Deus. -
Pensa bem no que significa esta palavra «Todos» li -
Recorda-te dos maiores santos, dos mais amantes e mais
amados d·e Deus ... , repassa pela mente os patriarcas, pro-
fetas, apóstolos, mártires, virgens.... todos têm que diur
eom David: «fui concebido na iniquidade e gerado no
pecado ... »
Que pena! · que dor! que espectáculo triste!
·· Vê como agora .muda a cena. - B o contraste ... Con-
templa essa alma puríssima que brota das mãos de Deus,
e- escarnecendo do demónio entra vitoriosamente no mundo
enquanto os anjos a acompanham e lhe cantam: Toda .sois
f=osa . Maci-a, e em Vós não há mancha. - Repete tu
também mu.itas v<e+es: <<todos, menos Vós, Mãe puríssima ...
onde todos caem, Vós não cais ... quando todos :morrem,

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28 '.Maria Imaculada

V ós viveis ... quando - todos se -~ancham, Vós pcrmaneais


pura e Imaculada». - Privilégio gloriosíssimo por ser único·

2." - Privilégio .grandioso. - Por este privilégio a nossa


querida: Mãe tórna-se . grande aos olhos de Deus, dos anjos
e dos homens·. -i=se todos nós tivéssemos nascido em graça
não encontraríamos neste privilégio de Maria uma das prin-
cipais razões de enaltecer a figura da Santíssima Virgem?
Sem dúvida, Ela referia-se a este privilégio, quando disse
que o S·e nhor tinha operado na sua alma grandes coisas
e que para as fazer empregara toda a força do seu braço
poderbso:
Assim é. Diz a história que Ciro penetrou em Babilônia
desviando as águas do Eufrates e · entrando assim pelo leito
seco do rio. Assim tem de fazer Deus : desviar a corrente
do pecado original que corria pelo leito da geração humana,
para que nele entrasse a Santíssima Virgem sem contami-
nar-se com as ·suas águas.
Além disso; mostrou a sua grandeza ao fazer de Maria
objecto de urna Redenção especial. ~Fomos remidos por
Cristo, eis a nossa glória .. . Maria porém se não pecou, não
foi 'remida; logo, recebemos nós mais de Jesus do que Ela?'. . .
Témos então uma glória superior à d'Eia? -Nada disso !
Há duas redenções: uma, liber:ativa, que levanta os
caídos e dá vida ·aos que estavam mortos pelo pecado :
déste modo fomos nós remidos. A outra é preventiva. a que
previne para que se não caia; esta é a de Maria. Pela
virtude da .Redenção de Cristo e pelos seus méritos divinos,
Ela, Maria, alcançou a graça de não cair. . . A · sua Reden-
ção é pois, mais perfeita do que a nossa; também nisto
nos leva vantagem . .. Como é grandioso este privilégio de
Santíssima Virgem... assim considerado! . . .

3. 0 - Privilégio divino.- Só Deus pôde operar seme-


lhante ·prodígio de formosura e de graça.. . Deus como·

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O privilégio 29

legislador qu.e é, está acima de todas as leis; por isso só


Ele tinha poder para dispor desta lei universal. -Este
privilégio é uma excepção que está fora do poder do homem,
não está ao seu alcance ... Só Deus a pôde fazer. Recorda-te
como por meio de Josué, fez parar o sol; por _Ipeio de Moisés
divid'iu as águas do ·mar. e por meio dos seus anjos impediu
que as chamas do forno de Babilônia causassem dano aos
t rês jovens hebreus . . . ; ·esse mesmo Deus fez que as águas
do pecado se dividissem diante de Maria Imaculada: é um
.triunfo d.e Deus ... é verdadeiramente divino este privilégio,
e uma glória divina da Imaculada Conceição.

4. 0 - O nosso pt:ivilégio. -Nós também participamos


deste privilégio. Nascemos em pecado, porém tivemos a dita
de sermos baptizados e as nossas almas fi caram então puras
e inocentes, semelhantes à de Maria. A graça baptis.m.al
tornou-nos formo.sos perante Deus ... po:r isso ao celebrarmos
com alegria e ao meditarmos com regozijo a Conceição Ima-
cula•da de Maria, devemos celebrar e meditar o nosso nas-
dmento à vida da graça. Perguntemos a nós mesmos diante
deste exemplo magnífico de ·M aria: «Vivo com aquela pureza
imaculada do meu baptismo? Perdi-a? . .. Não a soube
apreciar? » - Pede perdão a Maria e a sua ajuda para viver
sempre a vida de pureza e castidade do seu Puríssimo
Coração.

., . ..
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7. Maria Imaculada ·__ A sua formosura

:M aria em todos os seus mistérios e invocações é sem.pre


a mesma: a Rainha da beleza e da formosura ... , mas é
drum modo especial bela neste mistério da sua Conceição
Imaculada - todos nós consideramos nele assim. -Medi-
temos pois nesta formosura.
Para a ' compreendermos melhor, ajuda percorrer .a s
belezas que Deus espalhou no mundo: a Virgem Santissima
sobrepujará ·todas essas belezas criadas.

1.0 - Focmosuca da tece a. - Vê a beleza da terra ....


Houve tempo em que nada existia ... era o caos, a escuridão,
o nada ...
. Um dia porém disse Deus: fiat e apareceu a luz, Q
firmamento, as flores, as árvores, o sol para o dia e a lua
para a noite, os mares com os peix~s e os ares com as
aves, os bosques, os montes e os vales com toda a espécie
de animais. DetémAe por algum tempo a considerar na
formosura e beleza deste conjunto da natureza ... ; considera
toda a sua variedade em flores, animais ... , a sua ordem
admirável, cada coisa com . seu fim, com seu destino, ainda
que nós o ignoremos.
2. 0 ~ Focmosuca do Paraíso Tecceal.- Tudo quanto
Deus havia criado Lhe pareceu pouco; e então separou na
mesma terra uma parte na qual plantou um verdadeiro

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Mari~ Imaculada 31

paraíso de delícias... magnífico, esplêndido... nele reuni11


todas as belezas da criação, os mais belos matizes em ani~
mais e plantas; os mais doces e sazonados frutos ... ; os rios
mais fecundos e ··mais poéticos ... , enfim todos os bens sem
mal algum ... ,pois _pada havia mau, nada havia que fizesse-
mal ou dano algum.
Representa es te·· quadro na imaginação o melhor que
puderes pois sempre será ~muito inferior àquela magnífica
realidade.

3.• - Da Criaç_ão Insensível.- Tudo isto na criação


sensível. - Mas, na insensível que não vemos? Imagina,
se podes, o que será o céu. Aquele paraíso magnífico que
não é um paraíso terreal; a ·terra comparada com ele não
vale nada.- Lembra-te daquelas palavras de S. Paulo :
nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram ...
Pensa finalmente que tudo o que é da terra é passa~
geiro e que tudo o qUe é do céu é eterno.. . isto, terreno :
aquilo, celestial. .. , aqui é o cárcere e o exílio, lá a Pátria
e o lugar da felicidade e da bem-aventurança. O que será
o . céu! Quantas belezas não terá, mesmo prescindindo da
visão de ,Deus !
Quantas coisas lá haverá que nós nem sequer podemos;
vislumbrar ou imaginar! .. .

-4.•- O Rei da Cr-iação.- E agora pegunta: E tudO.


isto para quê. e para quem é destinado? Toda a criação
para que foi destinada?
A terra foi destinada para o homem e o paraíso terreaf
para o justo e inocente .. . , isto é, para uma criatura que·
bem depressa se ia revoltar contra Ele e contra as suas
ordens ... E o céu, a quem era destinado? ... Aos seus· anjos...
aos seus cortesãos e ministros entre os quais havia de encon-
trar também traidores e ingratos que se revoltariam e deso~
bedeccriam a sua divina Majestade, pretendendo na loucura:

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32 A sua formostUca

da sua sOberba lançar ao Senhor fora do seu trono fazen-:


.do-sê "eles deuse11 .
.:-..;.·A>'1lerra para os homens, o céu para os anjos !

5." -,Beleza de lv'lar:ia.- Continua .perguntando à tua


alma: se Deus para dar gosto aos homens e aos anjos
fez tais <maravilhas, que n~o faria para dar gosto a M a ria
a quem am.a v.a . mais do que a toda a criação? Se para seus
servos criou um -tal palácio, como o mundo, que faria para
habitação e palácio de seu F'ilho que não quis outro paraiso
senão o seio de M aria? - Repara como. Deus trocou o céu
de boa vontad'e para habitar e.m Maria. - Que pureza daria
àquele sangue que havia de correr pelas veias de seu Filho! ...
que carmim não daria àqueles lábios que tantas vezes iriam
beijar as faces de Jesus! ... que brilho não comunicaria a
seus olhos que s·e iriam extasiar contemplando os de seu
Filho! . .'. que mãos as que iriam sustentar o Rei da Criação!. ..
Que pureza, que delicadeza, que tem~ra naquele coração . . .
que excede em :ternura o coração de todas as mães! .. .
Continua contemplando e extasiando-te perante a beleza
de Maria Imac,ulada e verás que toda a formosura terrena
desaparecerá na presença dela .. .

·:: ..
, .,

.·.' ..

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8, Maria Imacu!ada - A Sua Santidade

Tudo quant<Y ontem meditámos reduzia-se à beleza física


da Santíssima Virgem, mas, que comparação pode haver
com a formosura da sua alma?
Detenhámo-nos hoje a considerar a sua formosíssima
alma e tratemos de sondá-la um pouco.

1.0 - A santidade na terra é a graça.- E quem a tem


em tão alto grau corno Maria? - De quem se disse que
a possui na sua pJ.enitude? Urna alma em graça é o mais
belo espectáculo que se pode imaginar na terra ... , é a
imagem da formosura do próprio Deus· - Que santidade a
.de algumas grandes almas que tem havido na Igreja de
Deus! .. . a de Santa ·M ônica que soube formar a de Santo
A:gostinho .. . , Santa Isabel que converteu a Deus todo o
seu reino . . . Santa Teresa de Jesus a quem o Senhor di.sse
que só por ela criaria o mundo com todas as suas mara-
vilhas. - Reco!'da os nomes de Francisco Xavier, Inácio
de Loyola, Paulo da Cruz, Francisco de Assis, Santa Cecília
que conver.s ava diàriamente com os anjos... Santa Inês que
não teve outra mancha .mais que o sangue que derramou nas
aras da vingindade ... e desta .maneira milhares e milhares de
santos e santas que perfumam todos os dias o jardim da
Igreja. Junta toda a santidade e toda a beleza e formosura
dessas almas .. . e compara-a com a de Maria, -Ela na sua

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34 Maria Imaculad:t

Conceição teve mais santidade e graça que todos os santos


juntos: .,, onde os outros acabam, Ela começa. Que mara-
vilhá .. ser.á, Maria? !

2. 0 - Santidade de Ma'T:ia.- A razão é porque todos,


como diz S. João, tivera!IJ que ir lavar: ,as suas vestes no
sangue do Cordeiro. Ah! se tiveram que as lavar é porque
estiveram manchadas, pelo ' menos durante algum tempo . . .
A alma de Maria, porém, não teve neceSSiidade de ser lavada,
porque nunca se manchou nem mesmo ao de leve. - Se
tomamos uma rosa num jardim, ainda que seja a mais.
formosa e aromática... ao examinarmos as suas pétalas,
vemos pó, manchas talvez . . . talvez no seu cálice se esconda
algum insecto, algum verme . ..
No jardim da Igreja acontece o mesm.o .- H á muitas
flores: açucenas de pureza, lírios de candura, rosas rubras
de amor ' divino, violetas de humildade... etc., mas todas
na raiz tí;m o bicho, a baba da serpente infernal..., são flores
de um jardim onde há uma áspide que a todas infecta. -
Maria é a única .flor de pétalas brancas, sem pó e sem
espinhos: rosa de horto fechado ... , mais pura que o próP,rio
sol, que também tem manchas . .. ; por isso d 'Ela diz a Igreja
que «Comparada com a luz é mais pura e brilhante ».
Que formosura a alma de Maria!

3.0 - O amor é beleza e santidade da alma. - A per-


feita beleza da alma só no céu se pode encontrar. O amor
é união, é participação de Deus e, quem a possui em mais
alto grau do que Maria?
Vê como os Anjos, os Querubins e os Serafi ns se
abrasam nesse fogo de caridade e amor .. . Como amarão! ...
Qual será a sua formosura? ! ... Dizem o.s ascetas e santos
que se víssemos a um anjo julgaríamos que era Deus e
adorá-lo-íamos. .. que a sua vista seria suficiente para cau-
sar-nos a morte de alegria ... que poderíamos· só com vê-lo

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A · Sua Santidade 35

ser bem-aventurados por tempo ilimitado sem que nos can-


sássemos de ver aquele espec'táculo. O que será um anjo!
- Contudb, isto não é nada.. . Maria Imaculada participa
de Deus, teil;\ mais fogo de amor que todos eles juntos
porque afiná! de contas eles são servos e escravos de Deus ...
e Maria é 'a Mã'e do Senhor e a Rainha do céu e dos anjos
todos... O que :será Maria! ? . . .
Contempla-a como ,a pintou Murilho depois de muito
orar e comungar. - Projectada num céu azul, envolta em
nuvens de matiz azul também, com as mãos sobre o peito,
c olhar fixo e.m Deus, elevando-se para o céu como a quem
nada pesa o corpo, que a nós tanto nos arrasta para a terra,
pisando docemente a lua, vestida com a brancura da neve
e o azul do céu, pregadas no seu manto as estrelas, e
rodeada de anjos que com palmas e rosas nas mãos con-
templam atônitos aquela beleza; que retrato tão belo! .. .
• e contudo Murilho foi o pintor do rerato. .. , mas o pintor
da realidade não foi Murilho, nem pôde ser outro senão
o mesmo Deus ... e posto Deus com todo o seu poder e
amor a pintar e a aformosear a alma d~ Maria, que quadro
terá feito? . . . O que· será a Imaculada... .
Tota ptzlchra es... diz-lhe .muitas vezes com a alma
extasiada diante d'Ela ... Soi.s toda formosa, minha Mãe ...
E Deus recreia-se todo em tão graciosa beleza ... Concedei-me
o participar dessa formosura... que me enamore dessa beleza
de pureza e virgindade para assim imitar-vos nalguma
coisa ... ; e para isso vos entrego dtesde agora a minha vida
e o m.eiu coraç!'ío ...
Olhai-me com piedade, minha Mãe! . . . e se me permitis
que viva nos vossos braços, participarei da vossa beleza
e convosco irei gozar dela no céu ...

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·,,.~ ';""~~ .. .' . 1
f :;~~·:,~Y.?-: ·• ....

9. Maria lljllaculada - A Redenção

Vejamos hoje finalmente como a ss.m• Virgem tomou


parte na obra da Redenção humana com Jesus Cristo, e
como Ela tornou parte nessa obra, precisamente por ser
imaculada.

J.o - A Obr:a da Reden.,:;.o. - A mais importante de


Deus - muito mais que a criação. - Para criar bastou uma
palavra ... para remir~nos foi necessário que o Filho de Deus
em pessoa baixasse à terra para a realizar. - De que modo?
-do modo mais humilhante para Deus e mais vantajoso
para nós, - porque Deus ao hurnilhar~se na Redenção não
só nos remiu, corno também encurtou a distância qu·e sepa~
rava o homem de Deus, e se fez igual a nós, para lCj;Ue
fôssemos iguais a Ele. - Que bondade! Que amor! Pois
bem, nesta obra tão grandiosa e tão verdadeiramente divina,
de tal modo quis o Senhor associar a SS. ma Vi11gem que
Ela veio a ser a solução dos «dois conflitos divinos», como
lhes chama Santo Agostinho, que pareciam insolúveis à
sabedoria humana.

2.o - Pr:imeir:o conflito divino. - A ofensa do houn.em


tinha sido, em certo modo, infinita na sua malícia, porque
o ofendido era infinito e a of·e nsa depende da pessoa ofen~
d ida. - Portanto só uma obra infinita podia dar a devida

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Maria lm§l.culada 37

satisfação e justa reparação -a este pecado. - Obras infi~


nitas ninguém as pode fazer senão Deus.:.; logo só Ele
podia remir o mundo, Porém a Redenção ühha de efectuar~SJe
por meio do""_sacrifício que é a destruição dé uma coisa
em honra , de Deus, e portanto, se Deus não pode sofrer,
nem morrer, ne;n;, destruir~se, Deus não pode ser a vítima
ou a hóstia desse sacrifício. - ConfHto divino... Impossi~
bilidade absoluta ... : por uma parte a' vítima não pode SJer
senão Deus, por outra, Deus não pode ser vítima... que
fazer? Onde encontrar a solução? '
-Foi necessário ~o do o poder da sabedoria de Deus ... ,
toda a santidade e amor do Espírito Santo - para que por
seu meio se levasse a cabo a magnífica solução-
E com efeito, «nas entranhas puríssimas da. Santíssima
Virgem formou o espírito Santo do puríssimo sangue desta
Virgem um corpo perfeitíssimo», etc ... Medita devagar estas
• palavras do catecismo e verás c;o,ino a solução de tudo, foi
a Santíssima Virgem ·M ãe de Deus, em cujo seio o Verfio
se fez ·carne. - Já Deus tem Mãe; já tem corpo que Ela
Lhe deu, e sangue para oferecer pela redenção do mundo ... ;
já pode efectuar~s·e a Redenção, graças a Maria.

3-0 - Segundo conflito. - Esta vítima porém, tinha de


ser sem pecado, porque ia remir o mundo e pagar pelo
pecado. - Mas se essa vítima tomasse a •c arne e sangue de
Maria, seria uma vítima humana, como nós, e nós nascemos
em pecado. ' Também aquela vítima nasceria como nós em
pecado? -Não pode ser, seria absurdo.
Então como resolver esta dificuldade? - Só há uma
solução. . . que supõe um milagre inaudito, um privilégio
singular ... ; e, como para Deus não há impossíveis... assim
o quis e assim foi... E Maria Imaculada, concebida sem
pecado, é a solução que dá a Deus a carne pura e o sangue
límpido que pode ser vítima santa do sacrifício da Cruz.
- Por Cristo somos remidoS', mas Cristo redime~nos por

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38 A Redenção

rpei.o de Maria Imaculada. Glória ao Redentor! Glória à


ÇQrredentora!
·•.•->>:.c :Por- isso, ·Maria que tão grande parte teve na obra
.da"' Redenção não podia faltar quando se ,levou ao -termo
,na Cruz s:ssa Red~nção divina. E se não estava presente
fOm seu Filho nas pregações ap.ostólicas, se não fo-i teste~
-'llunha de todos os, milagres nem O acompanhou nas suas
.obras de ·triunfo, não faltou na hora do sofrimento, e tão
.unida com Jesus Cristo que, ao sofrer Je.sus a? dores agudas
dos espinhos, dos açoites, o golpe da morte, tudo isso Ela
ali presei;J.te, sofria no seu coração, bebendo com Jesus até
às fezes o Cálice. da Paixão ... , unindo-se com Ele na Ara
da Cruz como duas vítimas de um mesmo sacrifício ... ,
como duas hóstias que se imolam no mesmo altar ... Hóstias
e vítim~s agradáveis a Deus por serem santas, puras.
imaculadas.
· pá graças à Santí~sima Virgem ao vé-la assim coope~
-rando tão eficazmente na nossa salvação ... ·~ ao ver como
,a solução dê tudo, é a sua pureza imaculada, ama cada
vez .mais esta preciosa vir·tude tanto do agrado de Deus
e tão querida da Santíssima Virgem.

r.

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10. Natividade de Maria

1.• ~O nosso nascimento.- É celebrado e festejado


o dia do nosso nascimento como dia de alegria. É costume
de família o alegrar-se com o nascimento duma criança,.. . ,
e com maior razão se é o primeiro filho... que alegria! ~ue
felici tações não recebem seus pais!... e no entanto, quantas
vezes deveriam chorar! Quantas vezes não há mais motivo
de pêsames que de felicitações!- Pergunta diante de um
b erço de uma criança recêm-nasdda, que futuro a espera
e tudo são respostas cheias de dúvidas e incertezas·.. . Uma
-só coisa podes assegurar com certeza e é que terá que
·s ofrer- - Ninguém a ensina a chorar... , e é a única coisa
que aprende sem mestres, e essas lágrimas jamais se secarão
nos seus olhos e no seu coraç-ão.
E na ordem espiritual7 Acontece o mesmo ... : não há
razão para parabéns e felicitações.- Apenas começa a
viver e já é escrava do demónio . .. , manchado pelo pecado
ainda que parê'ç a inocente ... , privado do cêu ... : se naquele
momento morre, o céu não será para ele·
- Receberá o baptismo e com ele a graça; porém .. .
quanto ·tempo -estará em graça? Pode assegurar-se bem
quanto tempo lhe durará a inocência .. . : até que lhe des-
ponte o uso da razao: logo então começará a pecar- -
Já notast-e como se conhece que já tem uso da razão- -
Precisamente porque já tem malícia para pecar ... Que pena!

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40 Natividade de !M ad3
,.
mas é assim. -Pensando bem, não há nada mais triste que
o nascimento de uma criança ... A dor, as· lágrimas, a incer-
teza; o pe,cado... a concupiscência cercam o seu berço ...
· Ond~'' está o motivo de nos alegrarmos? ...

2. 0 - Como procede. a Igreja.- A Igreja procede de


um modo completamente diferente. -Nunca celebra o nas-
cimento de seus filhos como o mundo; pelo contrário,
quando o mundo no dia da morte se veste de luto, ela
alegra-se. Vê como em todos os santos se comemora o
dia da sua morte que é chamado o dia «do nascimento
para o céu» e se estabelece nesse dia a sua festa: ao
contrário, passa em silêncio o dia em que veio ao mundo.
~ Princípios diametralmente opostos. - O mundo con-
si~ra as coisas com olhos terrenos e celebra a entrada na
vid a. -A Igreja atende sobretudo à vida celestial e não
lhe importa o nascimento na ·terra, senão no céu. -Quem
terá pojs mais razão? - Convence-te de que o ponto de
vista da Igreja é o verdadeiro ... ; o dia em que se nasce,
é dia em que começa a dor, a enfermidade e a morte.-
Nascemos condenados a morrer e a padecer.- No dia da
mo:rte começa a vida verdadeira que não terá morte nem
fim ... , nem dores, nem sofrimentos ... , senão uma eternidade
ditosa, feliz e bemaventurada. - Esta, a verdadeira vida.
O nasci,mento para esta vida eterna é o único dia digno
de .s er celebrado.

3. 0 - Nascimento da SS. "'" Virgem.- Essa é a regra


geral. ~ Há porém uma excepção. - A 'própria Igreja a
reconhece. Ela que nunca celebra o nascimento terrestre
de seus filhos, chega a um momento em que , por excepção
extraordinária, se veste de alegria, transforma-se e mani-
festa-se em grandes ·e fusões de tern~ra e contentamento,
que não pode reprimir, e estabelece uma Festa especial para
celebrar um nascimento : o nascimento da Santíss-ima Vir-

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Natividade de Maria 41

gem! - A mulher predestinada para ser Mãe de Deus apa-


rece sobre a terra com a alma santa e imaculada . . . com a
mesma pureza e santidade com que saíu das mãos de Deus . . .
e a sua vida terrena é vida de graça ... , não é só vida
celestial, mas verdadeiramente divina. - Por isso, a Igreja
celebra~ a e convida-nos a celebrá-la com estas palavras:
«Com grande alegria celebramos a natividade da Santíssima
Virgem Marla;· pois o seu nascimento encheu de alegria todo
o univ·e rso». Alegra-te e corre a felicitar a tua querida
Mãe ... , a única que merece ser felicitada em seu nasci-
mento ... , a única que traz com a sua vida terrena o gérmen
da vida da graça para si e para todos nós·

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11. Natividade de Maria

A Natividade da Santíssima Virgem constitui um


motivo de alegria universal para a terra e para o céu. -
Com o s€u nascimento alegram-se Deus, os anjos, os santos
e toda a Igreja.
J.o - Gozo de De:us. - É a obra prima das suas mãos.
- Diz o Génese, que ao ver Deus as coisas que tinha criado
Lhe pareceram muito boas e se regozijou com elas; como
não gozaria ao contemplar Maria!
P enetra mais ainda neste pensamento. - Recorda como
o homem pecou e nele toda a criação transtornando o plano
de Deus. - Já não podia o Senhor ver com gos•to a terra .. . ,
não tinha onde pousar seus olhos ... Por toda a parte se tinha
estendido o reino do pecado.
- Aparece então Maria e tudo muda. Volvidos quatro
mil anos Deus torna a ver bela a criação, a terra, os
homens ... ; já não aparta a sua vista deles com asco e
repugnância. Vê novamente a sua imagem perfei·ta e pura
em Maria e por Ela contempla a sua imagem restaurada nos
homens.
Que motivo de gozo para Deus o nascimento de M aria !
Que alegria ao contemplá-la tão pura, tão santa, tão cheia
de graça!
Vê o Pai Eterno regozijando-se com o nascimento da
sua Filha predilecta . . . ; o Filho ao ver já na terra aquela

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Natividade de Maria 43

a quem ;ria dar o nome suavíssimo de Mãe como a con-


templaria e se regozijaria n'Ela!... O Espírito Santo que
tanto empenho teve em que esta menina ainda pequenina
tivesse já mais graça, formosura, pureza e santidade que
todos os san·to~ juntos, com que imenso carinho e amor foi
colocando ~Jma P,Or uma todas as virtudes TIO coração da
sua Esposa querü;i<;!) - Percorre-as e verás como todas elas
ali) se -encontram.

2. 0 - Gozo dos anjos.- Depois de Deus e juntamente


com Ele. alegra.m.,-se os anjos. - Já nascera a sua Rainha
e Senhora, aquela que depois da divindade, constituirá o
espectáculo mais belo do céu- - Compara essa Menina com
todas as bdezas do céu e reconhece que depois de Deus
nenhuma pode compaprar-se com Ela. Recorda a rebelião
de Lúcifer no céu. Parece que foi por Deus lhes ter feito
ver que um dia teriam de adorar seu Filho feit.o homem,
• e . reconhecer como sua Ra,inha a Mãe desse Filho, que
a soberba de Lúcifer julgou ver-se humíll.lada perante essa
mulher a qu'em considerava inferior, ·e não quis submeter-se
a essa prova, lançando o grito de rebelião que arrastou
tantos outros ~mjos ao inferno. Repara pois no demónio
cheio de raiva e desespero, vendo que ,Maria é inccmparà-
velmente mais formosa do que ele tinha sido; e nota por-
tanto a :alta de razão que teve ao rebelar-se daquele modo.
Por outra parte considera os anjos bons, regozijando-se
agora mais do que nunca de terem sido fiéis a Deus, pois
em prêmio não recebem nenhuma hu.m.ilhação, mas é uma
qlória para eles ter Ma1ria como Rainha. Vê como estão
felizes e impacientes. não podendo conter seu entusiasmo
e baixando em legiões junto do berço de Maria .. . , queren(Jo
todos ser os primeiros a oferecer-lhe suas hcmenagens. -
Ao contrário, ouve os rugidos que lança a serpente infernal
ao sentir sobre a sua cabeça o peso de um pé que a esmaga,
e ao v'"r que esse esmagamento, que tanto a humilha será

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Natividade de Maria

eterno; ela,. c<Ím 'todo o seu orgulho, eternamente esmagada


pelo d:elitado pé de uma donzela. Que vergonha! Que
·· humilhação!
'· '
3.õ:___::'<[;dzo dos santos no Li'm bo.- Pobres almas, aque-
las que estavam encerradas naquele desterro do Seio de
Abraão!- Apesar de serem almas justas e santas, não
podiam gozar da glória do céu-- Vê-as; são as almas dos
grandes Patriarcas, Prof<etas e todas as figuras excelsas do
Antigo Testamento.
- Séculos e séculos passaram e o dia da liberdade não
chegava. Que longas se tornam as horas, que eternos são
os dias quando se espera com anseio uma coisa que não
acaba àe chegar! qual não seria pois a ânsia daquelas a:Jmas!
Pois bem; contempla-as no dia de hoje quando o Senhor
lhes comunica que já chegou à terra a Mulher predestinada .. .
que já nasceu a Mãe do Messias prometido e profetizado .. .
que enfim · já existia aquela 'que com seu Filho havia de
dar-lhes a liberdade. Quem poderá explicar o gozo, os
cânticos dé agradecimento que entoariam ao Senhor e, ao
mesmo tempo, de louvor e de boas-vindas à Santíssima Vir-
g•em? ! - Agora ''sim que ia soar a hora . .. , mais algum tempo
de prisão e em seguida a liberdade eterna... porém essa
liberdade trazida por uma Menina encantadora que acabava
de nascer.
Abrasa1-te de entusiasmo ao ver este gozo tão grande
em Deus, nos anjos e nos justos, e uma vez mais une-te
a eles para juntamente cantares louvores perante · o berço
formosíss·imo ae Maria.

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12. Natividade de Maria

Se é grande a alegria de Deus e a dos anjos no nas-


cimento de Maria, não deve ser menor a nossa, porque
enfim é de nós que está mais perto a Santíssima Virgem
por ser da nossa .mesma natureza e por sermos nós os que
mais havemos de participar dos benefícios do seu ditoso
nascimento.

• J.o- A nossa .a legria.- O nascímento da SS.'"' Virgem


é o fim da triste noite ... , noite de séculos em que jazia sepul-
tada a humanidade.. . Isaías dizia que estava nas sombras
da morte, pois tão triste era essa noite do pecado, que
não há nada com que possa compara<r-se senão com as
negras e terríveis trevas da morte. - Contempla o desfilar
de toda a humanidade, s:em ver nem um só raio de luz ... ,
no meio dessa escuridão. - Como é triste a noite!- Que
seria uma noi·te de muitos dias, de muitos anos, de séculos·! ...
Em meio dessa noite brilhavam como estrelas as almas boas
com resplendores de santidade . . . , porém toda essa luz junta,
era nada... era insufidente para dissipar as trevas.
Vês o que se passa com as estrelas nl.L!Ila noi·te escura? ...
Não é possível com a luz que elas dão fazer nada . .. ; não
podemos dar um passo seguro; tudo tem que ser a tentear
e com muito medo de tropeçar e cair.
Mas se no meio da escuridão vemos a luz da aurora

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46 Nati'vidade de Maria

que se estende cada vez mais e aumenta a sua ciaridade


e a sua luz, ah! então sim, que sentimos a alegria c o gozo
que , traz consigo a aparição da luz e do sol.- Assirr:, assim
apareceu Maria no .meio daquelas trevas de morte ... , como
a aurora de !Jé·us ... , como a suave alvorada depois da qual
viria logo a seguir _a luz do sol divino a alumiar toda a terra-
Ao vir a luz da' aurora 'as feras e as alimárias nocturnas
fogem e escondam-se nos seus covis ao passo que as avezi-
nhas inocentes cantam e trinam, as flores puras abrem os
seus botões e exalam os seus aromas e todas as co:sas SJe
vestem de cores belas.- Assim ao nas:er Maria. os cemó-
nios fogem ... , os anjo.s ca1ntam, as virtudes florescem e todo
o mundo se ilumina e se alegra.- Que belo! Quç poético!
Que magnífico foi esse amanhecer!

2." - A tua <!legria. - E tu em particular não hás-de


participar desta alegria? O que sucedeu no mundo não se
repete no coração de todos os homens? . .. Não o sentes
tu no teu? - Não vês essas· noite.s de pecado... essas som-
bras de morte -inundando o teu coração 7 E não vês a luz
que pode iluminar-te, que pode guiar-te, que é Cristo e que
te vem por meio de Maria?- Não sentes como é Ela a
aurora da tua vida?
Imagina um areal seco, sem flores, sem plantas, sem
vida·... ; mas se n'ele encontramos um oásis depressa surgirá
uma palmeira com os seus ramos e com os seus frutos·
Vê urna videira estéril e agreste que não produz S•2não
uvas amargas ... ; mas se nela enxer·ta um ramo bom
produzirá fruto.s bons- - É assim a tua aLma . .. , um areal,
um sarmento seco ... ; se pode produzir alguma coisa é graças
a estar enxertada em Cristo, por meio de Maria. - Se não
é ·terra estéril, é pela Santíssima· Virgem que semeia no teu
coração esse oâsis dulcíssimo de jesus.
Recorda aquela nuvenzinha de Elias, imagem de Maria
que fecundou aquela terra seca e a fez produzir ... Assim

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Nativülade de Maria 47

fecundou Maria a terra: por meio dela brotaram açucenas


de virgens ... , lírios de castidade .. ., rosas de purís.simo
amor . .. ; e assim brotarão também no reu coração· __, Mas
não o esqueças: só com Ela e por Ela.- Sem Ela, terra
seca ... , areal estéril..., ramo podre.. . Corno deixá r de te
alegrares neste nasct}nento tão glorioso e tão benéfico para
a tua alma? l ·

3. 0 -Antes áe Jesus vem sempre lWaria. - Finalmente


este nascimento recorda-nos esta dulcíssima verdade: que
Maria vem sempre antes de Jesus. Deus quis que nw natu-
reza não nascesse o sol de repente mas que o precedesse
a formosa luz , da . aurora.- O mesmo quis na oroem da
graça:. - Não quis que aparecesse no mundo o Verbo feito
carne, s em que viesse antes como esplêndida aurora, a
menina, Rainha dos anjos, concebida sem mancha. - Não
quer que saia e brilhe o sol de Justiça, Cristo Jesus, sem
que antes nasça nas almas espiritualmente, a Mãe da Graça.
-Não quer enfim estabelecer o seu reino neste mundo -
sem que antes tenha nele .o seu trono, Maria.- Maria,
portanto, é sempre a aurora de Jesus. - Não te lances a
conhecer e a amar a Jesus sernr estudar bem a fundo e amar
com carinho filial a Maria. - Examina-te pois neste ponto
tão interessante ... Vê se realmente e pràticamente fazes tudo
com Meria e por ~.liJeria para dar gosto a Jesus . .. se sabes
imitar a Maria e esvaziando-te de ti, encher-te dela, para
a~ssim poderes revestir-te e encher-te d'a mesma vida divina, .
que Jesus quer dar à tua alma.

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-
.. ~.:.,...~ ~..-3.
13. O nome de Maria -

1. o - l mpor:tância do nome. - ·É um dos primeiros ados


que se rea liza quando nasce uma criança, o dar~lhe um nome.
-Todos lembram com carinho a festa do seu nome e
costuma · celebrar~se com soJ.enidade semelhante, e por vezes
ainda maior, do que a do dia do aniversário natalício.
É uma das. festas da família em que ao celebrar~se o santo
nome do pai ou da mãe, se manifestam mais as suavíssimas
-expansões e alegrias profundas dos filhos.
Recorda estas festas e as que com motivo do santo do
teu próprio nome terás oelebrado . . . ; felicitações, obséquios,
presentes, visitas... etc., -tudo· isto é próprio deste dia.-
Pois bem, hoje meditamos a festa do nome de Maria ... ,
a festa do dia do santo da Santíssima Virgem... Grande
dia, grande festa deve ser para os seus devotos, para seus
filhos amadto.s!
Pensa, além disso, que a importância do nome depende
da conformidade com a pessoa, isto é, que quanto melhor
a representar, mais adequado será aquele nome. - No mundo
muitas vezes dão-se os nomes por capricho dos pais, por
lembranças de família.. . nunca se atende a que seja digno
e represente adequadamente a pessoa· - Porém em Maria
não foi assim. -Não era conveniente que se lhe impusesse
qualquer nome senão um que reunisse todas as graças e
maravilhas que Deus havia encerrado n'EJa.- Por isso

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O nome de Zvl ar ia 19

ninguém podia dar-lhe um nome completo e adequado senão


o próprio Deus. . . E esse nome é Maria !

2. 0 - Grandeza deste nome. - Já se compreende qual


ser a esta grandeza se o próprio Deus . é o autor dele. -
Tanto mais· que Deus nos deu nele como que um resumo
do que é· a Santíssima Virgem· - Quando o Senhor escolhia
a alguéin _para alguma coisa de extraordinario, o que pri-
meiro fazia etig..·mudar-lhe o nome, para que esse novo nome
que Ele lhe dava correspondesse ao altíssimo fim a que
destinava essa pessoa: - Assim mudou o nome de Abraão ... ,
impôs o nome .de lsaac... por meio dum anjo, indica a
Zacarias como se chamará o Precursor e lhe diz que será
João ...
O mesmo J_ Cristo ao fundar a Igreja e ao eleger
entre os Apóstolos o que será sua cabeça e fundamento,
Simão, também lhe muda o nome e lhe chama Pedro. -
Agora pergunta a ti mesmo, que vale a dignidade e impor-
tância do ofício ·c onfiado a Abraão, a Isaac, ao Baptista
e a S. Pedro, em comparação com a dignidade e com o
deMino de Maria? - Quem pode, pois, dar-Lhe um nome
digno desta grandeza senão o próprio Deus?
Nós podemos chamar-nos de muitas maneiras, e como
agora por vontade de nossos pais temos este nome actual.
podíamos ter outro muito diferente. - Porém com a San-
tíssima Virgem não foi assim ... , chamou-a Maria e não
pôde ter outro nome, porque o próprio Deus não encontrou
outro modo melhor de A chamar. - Vê, pois, que magnífico,
que sublime não é este santíssimo e dulcíssimo nome!
Em certo modo pode dizer-se que vale tanto quanto
a própria ss.m· Virgem, pois que a Ela representa ·~ Por
isso o Evangelho que tão poucas palavras diz da vida de
Maria, não omite este pormenor de tanta importância e
expressamente diz: e o nome da Virgem era M ·aria. Ass,'m,
afirma S. Pedro Dalnião que o nome de Maria foi tirado
4

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50 O nome de !Maria

desde to-da ·,á . eternidade dos tesoiros da própria Divindade,


quando no céu for decretada a Redenção mediante a lncar-
nação. do Verbo.

·., ·-:v. :.-.: :.·


Utilid-ade. - Tira pois por conclusão como deve-
mos respeitar e venerar este santíssimo- nome e como depois
do nome de Jesus não há outro nem mais santo, nem mais:
doce, nem mais útil para nós que o nome de Maria.
Se o nome de Jesus é santificador, també.m o nome de
Maria nos $antifica se soubermos pronunciá-lo com o res-
peito e amor que merece.
- E aqui está porque depois do nome de Deus e do·
de Jesus, o nome de Maria é o mais popular de todos. -
As Mães ensinam-no a seus filhos ... , os doentes e atribu-
lados assim A chamam; os: moribundo-s, deste modo A invo-
cam ... Quantas igrejas, quantas ermidinhas levantadas em
todo o mundo em honra do no-me de Maria! ... Que peca-
dores convertidos só com esta invocação! . . . Quantos mila-
gres realizados com a invocação do nome de Maria!
Nada há mais doce às almas santas, nem mais pro-
veitoso às pecadoras, do que juntar estes dois nomes ben-
ditos de Jesus e Maria e pronunciá-los e invocá-los muito.
a miúdo para acostumar-se a tirar deles a imensa utilidade
que a sua frequente repetição traz às almas.
Faz·es assim tu? Procura$ estudar a importância e a
grandeza divina deste santí-ssimo nome? - Di-lo muitas
vezes com verdadeiro fervor, especialmente nas tentações,
dificuldades, contrariedades e desgostos da vida?- Pro-
curas sobretudo tê-lo bem gravado no fundo do teu
coração? ...

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14. O nome de Maria

...
Se este nome não nos pode ser indiferente, antes deve
interessar-nos muito saber conhecê-lo e pronunciá-lo com
fe rvor, é muito importante que nos detenhamos a examinar
e a meditar o que ele significa. - E: difícil acertar com o
seu verdadeiro significado ... Dão-se mais de trezentas signi-
ficações dele, e foi providência do Senhor que significasse
muitas coisas e todas muito boas, para dar~nos a· entender
que na Santíssima Virgem se reunem todas as excelências
e perfeições. - De todas estas interpretações vejamos as
mais prováveis que são as seguintes:

!. 0 - Formosa.- Melhor ainda, «a Formosura», por


excelência, como se quisesse significar que só Ela é «a
formosura» e que qualquer outra fora d'Eia não existe
senão na aparência. - «Formosa como a lua», canta a Igreja;
porque assim como nas trevas da noite, onde tudo é feio
e triste, aparece a luz plácida, serena e bela da lua, real-
çando no meio das trevas e brilhando .mais que ·todas as
estrelas juntas... assim ·M aria destaca-se e eleva-se pela
sua branca formosura e comunica-a a todos os que d'Eia
querem participar.
A Igreja ·também a chama- Tota Pulchra.- Toda
formosa, pois que n'Ela não há nada que não seja formoso:
seu corpo, sua alma, seus olhos, seus sentidos, seu coração ...

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52 ·o nome de Maz-ia

tudo; porque n'Ela não há nada feio, ou manchado com


alguma coisa que embacie essa formosura. - Pensa no que
. o .. m1,!ndo chama formoso e convencer~te~ás de que ele nem
sequer conhece a sombra do que é a formosura. A uma
beleza corporal, muitas vezes artificial, sempre aparente, pois
apenas é uma coisa exterior e nada mais... a isso chama
ele formosura ... ; com essa formosura se contenta ... , não
conhece outra. Ao contrário, olha para Maria e a todo o
momento a verás formosíssima, e Toda Formosa. Que bem
quadra este nome a Maria, se o .s ignificado de Maria
é este!

2. 0 ____. Senho<ra e Dominadora. - E é de facto verdadeira


·S enhora.- Nunca foi escrava, nem serva do demônio ...
do p.e cado .. . das paixões. Escrava só do Senhor ... , e por
isso mesmo Rainha e Senhora. - O povo cristão assim o
entende e por isso a chama Nossa Senhom.- Recorda
como é Senhora dos anjos, que se gloriam de poder ser~
vi~lA. .__ Eles foram muitas vezes seus servos; na Anuncia~
ção, na fugida para o Egipto, na gruta de Belém... no
mesmo 'calvário, anjos de dor foram a ampará~lA e a
chorar com Ela. - E dominadora dos próprios demônios
que a temem só com ouvir~lhe o nome. ~ A este santo
:qome. ajoelham os céus, a terra e os abismos. - O demônio
teme a Senhora, ainda mais do que a Jesus, pois assim
quis Deus para que a humilhação· fosse maior e mais admi-
rável o triunfo de Maria·
E , finalmente, S.enhora dos homens. Mas senhora e
Rainha de ·Misericórdia.- Jesus dividiu o seu reino e o seu
ceptro, e ficando Ele com a justiça, como Juiz que é dos
vivos e dos mortos, deu a Maria o poder da Misericórdia.
- A sua grandeza e majes·tade não ofende, não aterra;
pelo contrário, arrasta amorosamente mas com força ainda
que seja muito suave esta força. - Vê se não sentes em ti
isto mesmo ao prostrar-te aos pés desta grande Senhora.

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O nome de Maria 53

Por isso é Rainha e Senhora dos coraç.ões. - Ninguém senão


Ela, tem direito a mandar nos nosso~ corações.
Examina se é Ela que reaLmente manda e dispõe, como
Senhora- absoluta do teu coração.

3. 0 - M·ar e Estrela do !Mar:. - O mar é o conjunto de


todas as águas da terra e do céu que caiem por meio da
chuva e a ele vão 1 parar.
Assim, diz o Génesis que ao criar Deus a terra, reuniu
todas as águas num ponto e chamou-as- Mar. - Do mesmo
modo sucedeu com Maria; todas as graças que o &nhor
repartiu pelas criaturas, anjos e homens, reuniu-as em Maria
- e por isso, é o mar de ·graças onde se encontram todas
as que queiramos b!,!scar.
Do mar se levantam as nuvens, que logo caiem em
forma de chuva a f.ecundar a terra; assim derrama Maria
do Oceano imenso das suas graças, as que fazem frutificar
as almas em virtude e santidade. As águas do mar são
amargas, como foram amargas as penas do Coração de
Maria, verdadeiro mar de amarguras, pois sofreu mais do
que todos os corações juntos, na Paixão de seu Filho·-
Por isso, se chama a Rainha dos Mártires, por ter padecido
mais que todos eles.
F inalmente, é Estrela do Mar, porque é a luz que guia
os navegantes deste mar do mundo ... , do mar das paixões,
que é no que mais fàcilmente podemos naufragar ... , no qual
navegamos geralmente às escuras, pois que a todo o ins-
tante nos cega o amor próprio ~~ a força da paixão domi-
nante. - Ela é a Es trela que está no alto para que sempre
a possamos ver .. . , para que a possamos encontrar sempre.
- Por isso a colocou Deus tão aJ.to, para que de qualquer
parte a vejamoS'; mas também por isso mesmo, não a pode-
mos ver sem levantarmos os olhos ... , quanto mais os
abaixares para veres as coisas da terra menos a encontrarás.
~ Vês como fica bem à Virgem Santíssima este nome em

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54 O nome de },1] ar-ia

todos e ·em cada um de.stes significados! - Compreendes,


portanto, porque só a Ela convém nome tão excelso?- Tra-
bàlha poJ,". imitá-IA e tê-IA sempre presente, repetindo sem
·• cej!sàr êste dulcíssimo nome, como se gosta de repetir o
nome duma pessoa que se ama.

' 1

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15. Apresentação de Maria
·.- ...

T erno e delicado é este mistério d a vida da Santíssima


Virgem, como sumamente prático pelos grandes ensina-
m entos que encerra para· as nossas almas.

1.0 - .T)rontid:io em seguir a vocação de Deus. ~ Eis


um dos mais admiráveis ensinamentos desta passagem da
vida da SS. "''' Virgem.- Contempla a Virgem Santíssima,
criancinha . na idade de três anos, a desprender-se dos braços
de se us pais, a subir correndo os degraus do Templo, sem
voltar sequer a vista para trás e a oferecer-se ao serviço
de D eus no Santuário. ~Que cena encantadora! Aos três
anos !- A profunda bem isto ... Que pressa tem a SS."'• Vir-
gem em se consagrar ao Senhor! Por um milagre excepcio-
nal, Maria nessa idade, tinha todo' o uso da razão, e com
essa razão , deliberadamente, dando-se conta do que fazia ,
aos três anos! vai a o Templo . - Não tinha perigos em casa.
que era mansão de santos. - Não atende à sua tenra idade
em que s ão ainda tão necessário s os cuidados de um pai
e sobretudo de uma mãe. - Não pensa na dor que vai causar
a seus pais ... nem a preocupa o novo género de v ida que
desconhece. - Tudo isso são razões da prudência humana .. .
Ela o uvi u a voz de Deus e imediatamente corre a segui-la,
q uanto a ntes melhor!- Tudo lhe parece demasiado tarde

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56 Aprésf!:ntação de Ma ria

e por isso, sobe correndo os degraus do santuário. Que


liÇ·i'jo -_9.!!- fervor nos dá esta menina!
Compara-te com Ela e vê se assim serves tu o Senhor.
Que fazeÇ com as inspirações e chamamentos de Deus ? ...
SegÚes com prontidão esses caminhos amorosos? . . . Lan-
ças-te assim às cegas, sem pensar em nada, confiadamente,
sem preocupar-te com nada .. ~ como Maria nos braços do
Senhor e deixando a Ele o cuidado de todas as coi.sas7-
Quando chegaremos a este desprendimento de tudo... até
de nós mesmos ... do nosso modo de ver as coisas ... , do
nos.so próprio parecer... para proceder só como Deus
quer! ...

2. 0 - A consa'!)-ração de 'Maria.- Pene tra no Templo,


oferece-se ao Senhor e a de se consagra para ser toda
sua, e para sempre.~ Como faria a Santíssima Virgem
esta consagração e como se agradaria d'Ela o Senhor !-
Recorda as vezes que tu também tens dito alguma coisa
de semelhante a Deus. . . Quantas vezes te tens consagrado
a Ele!.. . e taml>ém lhe dizes que querias que a -tua alma
fosse toda sua e para sempre. - Porém, que diferença entre
as tuas palavras e as de Maria! - As tuas terão causado
ao Senhor mais de uma vez grande pena, ao ver quão
mal cumpririas o teu oferecimento.- Ao contrário, que
honra para Deus não derivaria deste oferecimento tão per-
feito como foi o da Santíssima Virgem- total e perpétuo !
Considera co.mo encanta a Mar1a este pensamento: ser
de Deus! ... Já o era desde o primeiro instante da sua con-
ceição... Nunca deixou , nem havia jamais de deixar de
o ser ... , l>em o sabia Ela, poi.s não ignorava a graça que
tinha recebido do Senhor... e não obstante, ainda quer. se
é possível, ter mais união com Deus ... , ser mais de Deus.
__.Que exemplo para ti!- Tu que tens mais necessidade
do .que Ela dessa união (porque tens mais miséria ) quão

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Apresentação de Maria 57

pouco a estimas! Quão pouco a procu~as pràticamente !


Quão pouco trabalhas por adquiri-la! _
Ser: de ,Deus!!! Seja este o teu único pensamento, o teu
únic-o anelo. Pede-lho hoje, deste modo a Maria.

3. • - A !lida de ter: v o r:. - Daqui deduzirás que o Senhor


não se contenta• com que o sirvas de qualquer modo, senão
como a SS. "'• Virgefn, com fervor;- ao fervor opõe-se a
tibieza, que é o estado em que insensivelmente se cai, quando
se não fazem esforços na vida espiritual. -Com fazer as
coisas só rotineiramente, sem espírito de abnegação, de
vencimento, etc ... , do descuido, do tédio passaremos fàcil-
mente para a tibieza. - Que enjoe e que repugnância causa
a Deus a tibieza! Diz que ao tíbio o lançará de Si como
se lança com náuseas um alimento que não se toiera. -
Cheg ar a causar náuseas a Jesus! - Provocar-Lhe repug-
nância!- É para ·temer ! Que santo temor deve causar-te
este pensamento!- Estás perto deste estado? ... Vigias bem
o teu procedimento para te encontrares longe dele?
Considera bem o exemplo de Maria. Em' tudo parece
proceder sob a i.mptessão desse temor. - Como 5e houvesse
para Ela perigo, procede com energia, com decisão, com
prontidão, com fervor. - Se Ela pois sem ter nenhum perigo,
assim procedeu, qual deve ser o nosso proi::edimento?-
Não é tempo de dormir. - Basta de tantas graças de Deus
perdidas como se perdem e inutilizam pela .maldita tibieza.
Guerra pois à tibieza, à frouxidão, à rotína para que
chegue deveras a tua alma a ser toda de Deus à imitação
da tua querida -Mãe. ·

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16. Apresentação de Maria

A vida da SS."" Virgem no Templo é .muito digna de


ser meditada, pois é a continuação do seu oferecimento ao
Senhor e portanto também nessa vida podemos encontra r
grandes ensinamentos para nós.

1.0 - Vida de oração.- O Templo é chamado com


razão casa de oração. - Em qualquer parte podemos orar
a Deus, porém, o Templo é o lugar próprio da oração. -
Por isso Maria não se contenta com aquela comunicação que
tinha com Deus em sua casa, .mas queria ir ao Templo para
levar ali uma vida de mais oração. Contempla essa joven-
zinha toda pureza, inocência, candor, prostrada no Templo.
orando e falando com Deus... que trato e comunicacão
ínti.ma e mútua de Deus com Ela e d'Ela com Deus.- Que
fervor de oração !
Examina perante esse exemplo as qualidades da oração:
humildade, atencão, confiança, perseverança; e percorre-as
uma por uma, diante dessa Virgenzinha prostrada por terra
e verás que modelo acabado de oração encontrarás n 'E la.
- Depois põe-te a seu lado. e compara a tua oração com
a sua. - Em que se parece? - Reparas bem que estás na
casa de oração e que para isso é que vais ao Templo .. .
a orar, a tratar com Deus e ünicemente para isso?- Sabes

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Aptl~sentação de Macia 59

orar em companhia da SS. "'" Virgem e tê-IA a Ela por


verdadeira mestra de oração?
Diz: S. Boaventura, que Maria fazia .oração ao Senhor
sete vezes áo dia e que nessas orações fazia sete súplicas:
J.•, amá-lo com todo o seu coração ... , 2.•, amar ao próximo
em Deus 'e por Deus ... 3.•, ter um ódio implacável a todo
o pecado e a toda a imperfeição .. . 4.•, uma humildade pro-
funda, e com ela todas as virtudes, especialmente a pureza
imaculada ... , 5.Ó, a gra'ça de poder conhecer o Messias pro-
metido ... , 6.•. ser muito obediente aos sacerdotes represen-
tantes de Deus, e deixar-se dirigir por eles para assim fazer
sempre a sua divina vontade ... , ?.•, que o Senhor man-
dasse quanto antes o Redentor para a salvação do mundo.
~Não te parece que também tu deves pedir com preferência
alguma coisa de semelhante?- Demora-te a pensar nestas
petições e verás como em todas elas encontras alguma coisa
que pedir ao Senhor, à imitação de Maria ...

2.•- Vida de sentificaç_:i.o.- O Templo é também casa


de santificação. - Deus levou ali Maria para prepará-IA
para o seu altíssimo destino de ser Mãe de Deus· - Mais
tarde Jesus, antes da sua vida pública, também se retirará
ao deserto . .. . deixará a sua casa e se afastará para longe
do mundo. para ali tratar mais a sós com Deus. - Imagina
a vida de recolhimento interior e exterior junta com a prá-
tica da mortificação que levaria a SS."'" Virgem no Templo.
É a imagem da vida interior da alma. - Quanto nos agrada
a vida exterior! - Ainda que esta seja boa, aguarda-nos
mais e julgamos que fazemos mais pela glória de Deus
quando exteriormente .trabalhamos mais, e nos movemos
mais; e no entanto, toda a vida de apostolado que não ·tenha
por fundamento a vida int,erior, é completamente inútil. -
Deus não a abençoa e portanto ela não frutiÍica. - É beio
trabalhar pelos outros, porém temos de trabalhar primeiro
por nós mesmos.

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6J . Apr:_esen'tação de Maria

Pe_de a Maria muito amor ao retiro, à solidão, ao ven-


cimenlo pr9prio e à abnegação de ti mesmo, à .mortificação ...
enfim, à " vida interior da alma.

3.0 - Vida de trabelho.- Em Deus e para Deus. Sem-


pre assim fizera; mas agora no Templo, dum modo especial
todo o seu trabalho seria para Deus.
Vê também esta donzelinha entregue com· afã ao tra-
balho do asseio e limpeza das coisas do culto; que amor
e que devoção não acompanhariam o seu trabalho!
Todas as coisas ainda as mais pequenas, que se fazem
por Deus, têm um valor imenso. - No serviço de Deus
nada é pequeno.- Aprende ' a dirigir a Deus todo o tra-
balho e obras das ·t uas mãos, para que assim aumentes
em amor e em merecimento perante Ele sabendo que nada
disto ficará sem altíssima' recompensa.

4. 0 - A tua vida na igreja.- Lembra-te da passagem


da vida de Jesus Cristo quando expulsou os profanadores
do Templo ... · Ele era a suma bondade e amor, e no entanto
nesta ocasião, com grande energia, até com uma santa ira
e abrasado zêlo, a chicotadas purifica aquela morad:a da
oração que é a Casa de Deus.
A Casa de Deus! Que bem o compreendeu a SS. "''' Vir-
gem! Como soube viver nela dignamente! - Mas tu imitas
sempre a SS."'" Virgem quando estás na igreja? . . . Ou estás
imitando aqueles que tanto · aborrecimento e des•gosto · cau-
saram ao Senhor? . . . Não tens nada a corrigir no teu porte
na Casa de Deus, ou nó teu modo de falar com Ele?-
Fazes, alguma vez, as tuas orações sem atenção, traba-
lhando pouco por afastar as distracções voluntárias que
tenhas? ...
Pensa além disso num outro Templo, no ,d o teu cora-
ção, onde Deus quer sobretudo viver ... , falar éontigo e ser
adorado por ti. -Se está nos outros templos é precisamente

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Apresentação de Maria 61

para morar nestoutros templos vivos das almas, que é onde


Ele mais quer comunicar-se a nós. - Sabes retirar-te à
solidão do sai)tuário da tua alma e aí conversar com Deus ?
Portas-te semp~.:e com a dignidade devida à morada do
Senhor a quem levas no teu coração? Daqui conclui que
deves ter uma g.r_.?nde devoção a este santuário. - Visi ta
muito a Jesus nos seus templos e sacrários .. . , porém não
te esqueças de vis·i tá-10 czom mais frequência no teu coração.

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. ,.;....."'·
... ;;. . ..

17. Apresentação de Maria - A sua virgindade

Não podemos terminar as meditações da Apresentação


da Santíssima Virgem, sem dedicar uma em especial à sua
virgindade, já que foi ne.ste dia e neste momento que Ela
fez ao S,enhor o seu voto de Virgem.

l. • - O voto de virgindade de Maria . - Não é dogma


de fé que tenha feito este voto. - O dogma só nos diz que
Maria foi Virgem antes do parto, no parto e depois do
parto de seu divino Filho.- Não obstante, a Santa Igreja
reconhece com os seus Doutores e Santos Padres que Maria
quis unir-se ao Senhor com este voto. A tradição diz-no.s
que foi no templo quando da sua apresentação aos três
anos. Contempla a cena do melhor modo que puderes .. . :
Maria no Templo ... , diante de Deus ... e de todo o céu, que
atônito admira este espectáculo!- Os anjos ignoram o que
se vai passar, porém adivinham alguma coisa de impo!'tante
quando Deus se demora a contemplar aquela menina .. .
e de repente a pequenina abre os seus lábios, expressão do
seu coração, e pronuncia o seu voto de virgindade. -Que
maravilha, o voto de Maria! Que fariam os anj os!. .. Que cân-
ticos entoariam em louvor daquela bendita menina!-
E Deus, que faria Deus ao ouvir aquele voto?... Tudo o
que pensares é nada para compreenderes as graças que
o Senhor derramaria nesse instante sobre a Santíssima Vir-

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Apres~ntação de Maria 63

gem. Quantos pecados de impureza há no mundo! E ela


pensa em como terão ofendido a Deus ... Que pena tão
profunda não terão causado no seu coração-! . . . No entanto,
maior foi- a . alegria e complacência de Deus no voto de
Maria do que a pena causada pelos pecados de impureza.
Ela sozinha foi çapaz de com este acto lhe dar uma glória
que o compensasse de toda a que lhe tiram os pecadores
com os seus imundos pecados.

2. 0 - Valor da virair.dade. - Daqui conclui o que


v alerá esta mi.steriosa virtude para Deus e para Maria.
Sem conselho. sem incitamento de ninguém, sem exemplo
a imitar, Maria parece adivinhar o que é a virgindade perante
Deus; e sabendo que é do seu agrado e para sua glória,
abraça~a decididamente. - Viu que esta virtude não era
apreciada por ser desconhecida. .. que todas as suas com~
• oanheiras e a sua família a considerariam como uma desonra,
que o ser virgem lhe havia de custar grandes sofrimentos,
desgostos e talvez até desprezos, e ... , apesar disso, não·
hesita. Deus assim o quer e ela também .. , e tudo o mais
entrega nas suas mãos. - Que exemplo de desprendimento
e de generosidade para nós·! Nós damo~nos a Deus a meias
e se é necessário um sacrifício custoso regateamo~lo, quando.
não o recusamos!
Mas o Senhor preparava a recompensa. ~Deus nunca
é vencido em generosidade. - A generosidade corresponde
com nova generosidade e com novos favores e graças.
Maria julgou que tinha renunciado a ser Mãe do Mes~
sias ... , que isso já não era possível nela, como o d isse
depois ao anjo. - E no entanto o prémio daquele voto de
vingindade não foi outro senão o ser escolhida e designada
para Mãe d'e Deus. Como Deus é grande ao premiar! sobre~
tudo quando premeia a virgindade e a pureza! O que será
es'ta virtude quando assim arrasta e encanta o coração de
um Deus!?

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A s!la virgindade

3.• - A t!la pt~reza virginal.- Medita nas grandezas


de.s ta virtude para que vejas as graças que deves dar ao
:, · Senhor por ter - infundido em ti um grande amor dela. -
Ser virgem - é ser anjo na terra .. . , porém com mais mere~
cimento, pois os anjos são virgens porque não têm corpo
.e por isso mesmo não podem deixar de ser virgens ... ,o mas
tu com corpo carnal e corruptível... sujeito a todas as con~
cupiscências ... , no meio de um mundo corro.mpido sobre~
tudo pela impureza ... , com a luta constante das paixõe~ que
o demônio levanta à tua volta._., , e apesar de tudo ... , s'er
alma pura... ser casta ... , ser vírgem ... , ainda que isso
pareça exagero, é ser mais do que anjo ... , é ser imagem
de Maria e o retrato mai.s fiel da sua pureza ... , é ser esposa
do Senhor.
Eis até onde chega a sua predilecção pela virgindade:
<~ma as almas virgens como suas esposas .. . as quais mimoseia
com dons e carícias divinas ... , e lhes reserva um pré.m.to
tão singular no céu que só elas o hão~de gozar ... , elas
formarão a côrte da Virgem das Virgens, seguirão sempre
de perto o cordeiro imaculado cantando o cântico da vir~
gindade que só elas hão~e cantar.
Glória à vingindade! - Glória a Maria que nos ensinou
esta divina virtude e que tão magnificamente a praticou!
Que o entusiasmo por esta virtude e por Maria Virgem
nos ani.me em todas as dificuldades, nos dê forças para levar
a vida de mortificação, de penitência e de fervor necessária
para que a nossa virgindade possa manter~se louçã, sem
manchar~se até ao fim da nossa vida. - Assim seja,
minha Mãe!

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- ..
~· 18. Desposórios de Maria

Maria viveu no Templo dos três aos quinze anos, idade


e m que por disposição d os sacerdotes, segundO' o costume
j udaico, foi desposada com S. José.~ Corno em Maria nada
há de vulgar e tudo nela é para ·nós liÇão, vejamos quanto
temos que aprender, meditar e copiar neste momento da
.s ua vida.

1. o - Confiança em Deus. - Eis a primeira lição!-


Inspirada por Deus tinha feito a Virgem Santíssima voto
<ie virgindade ao Senhor... tinha mesmo renunciado com esse
voto, à possibilidade do matrimônio, e tudo por ser essa
a vontade de Deus... Agora os · sacerdotes em nome de
Deus dizem-lhe que a vontade divina é que .torne um esposo.
- Pensa no que farias em semelhante ocasião. - Como nos
custa render o nosro juízo!~ sobretudo quando estamos
convencidos de que ternos razão!
Vê no entanto a atitude prudente da Santíssima Virgem.
- Ninguém estava mais segura do que Ela de que o voto
<ie virgindade era de Deus . ~ Também não podia duvidar
de ''que, humanamente falando, o matrimônio e o voto eram
coisas completamente impossíveis... Que fazer? . . . Guiar-se
por si mesma? o o oSeguir o seu p-arecer e desprezar o dos
sacerdotes?... ·Maria obedece e confíá. -Era esta a única
solução: urna obediência cega ... , urna confiança ilimitada
5

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66 DesJ?.osór:ios de Maria

no Senhor... Ele fora o autor ... Ele punha dificuldades e até


contradições verdadeiras ... A Ele tocava dar a solução ...
_ Que exemplo tão difícil de praticar e não obstante, que
ma{lnífi<:ô e que agradável ao Senhor! ... Não costumas dis-
cutir ou julgar a teu modo as disposições ou conselhos dos
teus superiores? Vê5 po que te pareces então com a Santís-
sima Virgem.

2. 0 - A •uni4o vir:ginal.- Contudo Deus, a quem nada


é impossível, procurou a solução deste conflito mediante a
união virginal de Maria e de José.- Maria não podia ficar
só e mgito menos .aparecer 0 •Fom .o se~ . Filho, sem .estar
desposada, pois ignorando o mundo a sua conceição mila-
grosa e a obra , do ·Espírito 'Santo, . tomá-la-iam : por Ulll\1
adúftera. :, A sa~edor;ia r5fe pe~s ·encóntra o modo de sajvar
a honra ée Maria, dando-lhe U!p. esposo e .. \lo rnes.mo ternpp
encontra modo de conservar a sua virgindade com um des-
posório virginal. - Como Deus faz bem todas as coisas!
Que .i~finit<t a sua sabedoria! e -que" soberana a sua Provi-
' dênciaJ- Que temeridade e . qwe loucura a 'nossa quando
queremos qué tupo nos. &afa na forma, ,no tempo , e à medida
dos no.s sos, <!estio~, e ~não .s;onfiaÍnos -~o ,desenvolvimento do
plano divit;to qpe, ign~r,amo)s. b. • \ . ._. .
Contempla agora aqueles .dois esppsos. virgens. S. José
fof eleito pelos sace~otes porque ' entre todos os 'aspirantes
à !Ilã? '-de Már·a, ~Ó ele , ~~a vi;!"gi!m ;, a~im o demonstr~:n!_
o Sennor fazendo que florescessem lírios e açucenas na
v ara que com e.ste fim tinham ., colo~ado na Arca da Aliança.
Contud~. não ·..é d.e' crer q_ue S . . José tivess~ feito · voto de
vügindade. ·.. ; nem sequer .o· conheceria . . . Vê corno a San-
tíssiPJ.~ ,Yirgem no) pr:óprio dia:. dos,. desposórios dá conta
a S. ~o.s,é daqm;lEE, v~to que fi;;~ra: ao Senhor e como S. José
admiréllnao_ a ,vj,.z;tude .:purí9sima da ,'{jrge.m. Santís.s.ima não
qi.üs se( menos e à imHação da sua esposa consagrou tam-
bém ao Sen~or a sua v1rgindade: Que p,e nsamento tà() belo

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Desposór:ios de M ar:ia 67

crer que S. José depois de Nossa Senhora foi o primeiro


que fez o voto de virgindade!
Desde então compreendeu qual era o seu destino ... :
ser o guarda fiel da pureza virginal de Maria. - A Arca
da Aliança ·'tinha um véu que a ocultava das vistas curio-
saS'.': . L s., José '-é •a imagem desse. véu cqqe assim. ocultou e
guardou o grande mistério encerrado na Arca do Novo
Te.s tamento que era Maria.
r

3. 0 - Conclusão prática.- Firma-te na confiança do


Senhor. - Pede-lhe perdão das tuas muitas desconfianças.
- Não'1du.vides J.>nunca .porque ainda -que não. vejas o fim
das 't uàs ''provaçõés"e '\sófrimentos a que o Senhor te rsübmetet
issó é o que mais te convém; -<-- Não d e preocupes com
esEJuadrinha J.O~' plarto Deus sobre ·a tua alma.,...,--- Deixa-,te
gÚiar taindauque ' te pare"ça que tucto sai ao revés do que devj~
5-êf. - 'Considera Jcomo S. José se torna mais yirgem à
medida que CSe-·aproxinía de Maria ... ; e .1ião esqueças que
o1har para Mar.ia•... , aproximar~se dela-., abraçar-se e uo:ir1
-se' coín ela ... será também parlf.ti -fonte de: pureza, aumento
de castidade: amor cada vez maior .à virgindade. v_i ·
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19. A Anunciação- A Virgem Santíssima em oração

1.• ~Como ora.- Com santa curiosidade observa pela


janelinha da casa de Nazaré e surpreende Maria em oração.
-Que espectáculo!--< Repara no seu porte exterior:, sem
exageros nem posições .,dramáticas ... ; de joelhos .•. , e pros~
trada com a face em terra ... , as mãos juntas ou cruzadas
sobre o peito ... , os olhos baixos e modestamente recolhidos
ou levantados para fixar a sua vista no céu. Penetra o seu
interior: e vê qual iJ seu fervor; haverá lugar para distracções,
pensamentos importunos, cansaço, tibieza, aborrecimento, etc.?
~ Contempla bem - ~é a ·tua mestra de oração... ; os anjos
e:Kitasiam~se ao assistir à oração de ·M aria. -Deus com~
praz~se nela, comunica~se~lhe com um aumento de ·g raças,
de benefcios e favores feitos ao mundo pela oração de
Maria. - E tu, não aprenderás a copiar em ti alguma coisa
deste fervor de tua Mãe?

2.•- Que pede na or:aç.;io.- Mais tarde Jesus Cristo


ensina~nos o que havemos de pedir: o r:eino de Deus e a sua
justiça; isto mesmo pede Maria ... ; que venha já o Salva~
dor ... , que Deus envie já o Messias ... , que apresse quanto
antes a hora da Redenção. .. e tanto insta que Deus encan~
tado não sabe nem pode negar nada: pela oração de Maria
apressa e adianta a hora. -Recorda o que se passou nas
bodas de Caná. - Ali ·também disse Cristo: Ainda nlio

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A Anunciação 69

chegou a minha hora, mas por intervenção de Maria essa


hora é adiantada e faz o milagre.
Vê como Deus muda o seu plano e adianta a hora de
mandar a seu Filho ... de manifestar-se publicamente em Caná
com o seu primeiro milagre ... , de remir o mundo na cruz ... ,
de ressuscitar lógo · de manhãzinha no Domingo da Ressur-
reição, e tudo ' isto porque Maria o pede na sua oração...

3.•- Porque ora.- PGrque a oração não só é útil


mas necessária.- Maria não tinha necessidade de orar,
como Cristo também não teve ; e no entanto a oração de
Jesus e a de Maria é ininterrupta. - A primeira vez que
os Evangelhos falam de Maria apresentam-na orando.. . ; é na
oração que recebe a visita do anjo ... ; a última vez que os
Evangelistas a mencionam é para dizer-nos que no Cenáculo
era que ensinava os Apóstolos a orar, e a preparar-se pela
oração para a vinda do Espírito Santo. -Maria começa
e termina a sua história em oração . ..
Que exemplo que Deus te dá para imitares!- Mais·.
Pela oração Maria prepara-se para ser Mãe do Messias
e é por isso que durante a oração ela recebe a visita do
anjo.- Toda a obra da Incarnação está relacionada com
a oração de Maria.

4.• - A tua oração.- Na presença deste divino modelo


pensa: a) quão necessária é para ti a oração; as paixões,
os pecados, as imperfeições e misérias próprias lembram-te
estas necessidades; b) que frutos tu poderias conseguir se
fosses alma de oração ... : a comunicação com Deus e o gosto
das coisas espirituais, pois da oração depende a perfeição
e a santidade; c) como oras e como devias orar se te com-
paras com Maria .. . : falta de fervor? atenção interna e
externa? ... rotina? . .. pretexto para deixá-la ou pelo menos
encurtá-la, quando mais falta te faz? ... ; d) examina a tua

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9"0 A Virgem San:íssima em oração

oràção vciê:al: como rezas o pequeno Ofício de Nossa


Senhora ... ; a coroinha. .. o terço... e ·as tuas orações a
Ela, etc. •
" ' • . Pede 'para ti ·um grande espírito de _oração; . e para o
mundo, que pelas orações das almé\s boas, di! o Senhor vida
e forme · muitos filhos de Maria.

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2{).. A Anunc~ação 2 . ~etiro de Maria

'J'

1:· - A vida de recolhinlento. - É a vida que renuncia


a tuào o que é exterior não usando da vida exterior ~is
do que o indispensável, para viver sobretudo interiormente.
) Que desconhecimento prático há da r vid~ . interior!
Quanta confusão de ideias quando se julga que tudo con-
siste em fazer e em trabalhar mui-to, ainda, que seja com
bom fim , porém exteriormente, não dando importância à
vida verdadeira da alma qúe' é ra vida interior! ·
Nunca uma obra exterior é frutuosa nem para ti nem
para os outros se não estiver bem fundada na vida interior.
- 'Nin guém ·dá o que não tem. 1Co'mo poaerás " dar vida,
fervor . santidade a outros se a não te ris para ti? '
Deus só se 'co~unica às almas no retiro, no. recolhi-
mente. A sua voz, diz a Sagrada Escritura, é como o · sibilar
da auroca t~nue e se, .há, muito ruígQ de coisas ex.teriores,
essa \·oz não se ouve. - Por isso n!nguém está mais interes-
sado do que o demônio em alvorotar co.w. algazatra a: alma
para que -se nã6 oiça a voz do, o. Senhor.
Enfim, a vlrtude não cresce ·s enão como as · plantas de
inverno, bem protêgidas dá atmosfera •exterior" que é niu1to
fria e gelada. - Núnca a virtucfJ- '·atingtrá a
perfeição 'no
bulício do miiiú:lb. · '

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72 A Anunciação

. .2 : o -IMaria, nosso modelo. - Que amor ao retiro- da


s~a pequenina casa! Ninguém a vê nem se
dá conta do
c que ela faz ... , mas Deus compraz~se naquele recolhimento
e ;j3-li a vai procurar. - O anjo não lhe aparece nas ruas,
nas praças, nem mesmo no Templo publicamente, mas &im
na soledade, no retiro -de Nazaré. - :E: ali que Ela se sente
toda de Deus e Deus todo d'Eia. Ali se.m. testemunhas é
onde se dão as grandes e íntimas comunicações entre Deus
e Ela. -:E: ali que se realiza· o grande mistério da Incar~
nação.- O seu retiro é perpétuo.- Se sai de casa, é por
caridade, como na Visitação ... ou por espírito de obediência,
como quando vai a Belém, ao Egipto, ao Templo de Jerusa,..
lém, etc .. . Nunca empreende urría viagem por puro recreio
ou passatempo. ·,
Contempla-a na rua
e observa o seu recolhimento
interior, manifestado na modéstia' dos seus olhos e do seu
porte. - Assiste às visitas que <faz por verdadeira neces~
sid'a de. - Que edificação nas conversas e palavras que saiem
de seus , láqios! Persuadida de , que é templo de Deus não
se· deixa dissipar com o . tratQ social; pelo contrário, no meio
do mundo -n ão. aban.dona', o ·seu rftiro interior.
Finalmente contempla~a nas ocupações domésticas,
mesmo nos diasr de ·• maior -trabalho. Co.mo o sabe santificar
com' a presénÇa- d~ "Deus que nem um só instante perdia.
E deste modo tuao ii'Eia contribui para aumentar mais
~ :mais a intensíssima vfá'a interior.
' 11 ..

3. 0 - O teu recolhimento. - Já aprendeste a conversar


-com Deus <' no santuário da tua " alma?-'- Examina a tua
vida interior e exf"e~tior e <Vê se esta se dérrama de tal modo
para fora que sejao à Ycusta da outra. -4 l9ertwra-te a con~
siderar O(r teu amor e.· afeição à tua ca~a. ao teu retiro ou
à rua. Vê que..> Vil)itas e. que çonvers,as· tens_, nel?s ... São .fr~
vola!J ~ ·· ,;, ~tra at carida<;ie? ... Dissipa~as? ... Como vai
o ~eu recolhimento em toda a parte e a ca~a- momento .. •

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Retiro de Maria 73

nas amizades . . . , diversões e passatempos? ... Vê que impor~


tância dás ao dia do Retiro mensal... aos Exercícios Espi-
rituais anuais... Desejas que chegue. esse santo tempo? ...
Tiras algum proveito que te faça crescer cada ,dia mais
na vida interior? ·
Procura fomentar e ,aumentar em ti o que encontrares
de ,bom na tua conduta sobre esta matéria. Corrige ener-
gicamente ..o que há de defeituoso... examina muitas vezes
o aumento. ou a diminuição da tua vida interior.

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21. A :'Anunciação -A Embaixada do anjo

1. o -O anjo diante de Mar ia. - O anjo da Incarnação


é um dos espíritos mais formosos que cercam o trono de
Deus. -Contempla a sua beleza, magnificência e esplendor.
que , no dizer de muitos, nos parecia de Deus mesmo. -
É Gabriel, o anjo da Anunciação. É o próprio Deus quem
o manda porque assim o exige a grandeza da mensagem e a
dignidade de Maria. - O Senhor não encarrega dessa men-
sagem um homem, como o fez noutras ocasiões, em que
foram seus embaixadores Moisés, Elias, Eliseu, os profetas
e patriarcas, etc ... mas é um anjo e dos mais elevados que
ele manda à Santíssima Virgem. - E convinha que a que
era mais do que anjo pela sua virginal pureza, foss.e visi-
tada por um anjo do Senhor.
E de que maneira a visita!- Entra o anjo na habitação
de Maria e faz-lhe respeitosas reverências- ele que nunca
se tinha prostrado senão diante do trono de Deus... ago.r a
prostra-se aos pés de Maria. -Que via o anjo n 'Ela?-
Acostumado a cont•e mplar as belezas do céu ... que maravilha
podia encontrar na terra?... E no entanto ao ver Maria
fica assombrado, cheio ode pasmo e de admiração.- Depois
da beleza de Deus, nunca nem mesmo no· céu, tinha· visto
alguma coisa de semelhante como naquela virgem escondida
no retiro de Nazaré.- E o mundo não a conhecia porque

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A Anunciação 75

para conhecê-la é,' preciso ter olho~ de anjo e não . olhos


da terra.

2. 0 - - A sat.tdação. -Ave, cheia de graça ! O S~nhor


é' -wnvósco, bendita so'is vós entre· as mulhe.t'es. - É o fruto
da sua _p.cjmiração.. . é uma expansão de entusiasmo ... ;
êada frase' -vem a ser uma manifestação ' de . carinho e de
amor. - Co.mo o . .anjo ama a ·Maria! Tudo quanto . lhe diz
par ece- lhe pouco par a a louY.ar. - Essas - palavras em boca
h'úmaha pereceriam uma adulação ridícula _ ou .um exagero
mas um anjo não mente, não adula nem tr exagera. Q que
ser-á. portanto, Maria?. . . ,; ..
'-~ . j. • J -;.l
3 ~0 - A embaixada.- O anjo expõ e o fim da sua '<isita:
a 'conceição e o nascimento 1de um· filho que será o Me.s sias.
-Pede a . ·Maria ·o seu cons.e ntimento. - Toda a criação,
os homens , os anjos .. . , o próprio Deus falam agora pela
boca do anjo. - Todos esperam com ânsia, com impaciência ,
a resposta de Maria ... Momento sublime, grandioso! - Dessa
palavra depende a redenção... a salvação do mundo.-
O anjo v ai esboçando a figura do Messias: chamar-se-á
Jesus . .. , será o santo dos santos ... , será o Filho do Altíssimo
e ao mesmo tempo será o Filho de Maria. -Maria será
verdadeira Mãe de Deus!- Pela primeira vez nesta ocasião
se ouvem os suavíssimos nomes ·de Jesus e de Maria. -
Esta tem sido até agora a donzelinha humilde e escondida
de Nazaré. - Desde este momento será Maria a Mãe de
Jesus.
Nesta embaixada do anjo está encerrada toda a fé ,
todos os desejos, todas as esperanças da humanidade.
E todas as grandezas e toda a riqueza de graças de que
Nossa Senhora se viu cumulada desde a sua Conceição
Imaculada tem a sua explicação nesta embaixada do anjo.
- E por isso ela ficará para sempre memorável na história
da hu manidade.

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76 A embaixad-a do anjo

4.o ·~·A"tua presença diante de Maria.- Apresentas-te


a Ela com o entusiasmo fervor e carinho do anjo?
Sabes, como o anjo, estudar, apreciar, e reverenciar
a tua Mãe?- O anjo falou com Ela, uma vez ... e tu podes
conversar com Ela, muitas vezes. - Procedes assim vivendo
constantemente da sua presença ... , fazendo tudo por Ela
e com Ela? .. . Pensa nas embaixadas que Deus também
de quando em quando te envia por meio dos anjos ... , do
teu anjo da Guarda ... , dos teus superiores ... , da Virgem
Santíssima ... e às vezes dele mesmo directamente .. . Como
recebes estas inspiraçõe,s, chamamentos, toques no coração? ...
Pede a Deus olhos de anjo para conhecer e estudar
bem a tua Mãe ... , para amá-la com loucura ... , para viver
sempre com ;Ela. - Pede-lhe desejos de cooperar com a
graça, recebendo as suas inspirações com espírito de fé,
v enham donde vierem, procurando segui-las em tudo. -
Invoca· o anjo da Anunciação e o teu Anjo da Gua rda .

..

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22. A Anunciação- A Ave-Maria

1.o - Ave. - É a palavra da saudação afectuosa, mas


o anjo emprega-a no sentido de parabém. - A Igreja diz
nos seus hinos que é o cont!'ário de Eva para indicar-nos
que assim como por Eva nos veio a morte, por Mar~é! . nos
virá a vida.- Neste sentido o parabém do anjo deve esten-
der-se a toda a humanidade.
Dá os parabéns a ·M aria .por este passo da sua vida e
regozija-te, pois por Ela neste dia a tua alma foi feita
filha de Deus ...

2. 0 - Cheia de gr:aça.- E bem cheia: a todos os santos


e até mesmo aos anjos. a graça foi-lhes _dada por partes .. .
só a Maria foi dada a plenitude e totalidade da graça .. .
Nesta plenitude é que se diferenciaria ·d outras criaturas. -
Seria necessário compreender o que é a graça para com-
preender estas palavras do anjo. - Pensa o que é a graça
para os outros ... , é uma qualidade divina, alguma coisa
de Deus, que se comunica ao homem para divinizá-lo . pois
realmente lhe dá o título de filho de Deus e ·lhe confere o
direito de herdar do Padre Eterno .. . , porque se é filho de
Deus, é herdeiro do céu.
Reflete agora. Se isto faz a graça nos outros e deste
modo os santifica e divinisa_... , que faria na Santíssima Vir-
gem ao dar-lhe a plenitude ·total e completa da mesma?-


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78 A ' Anunciação

. Se .Elà _a possui toda, a Ela temos de recorrer, se queremos


pa~déipa;..t da graça.
Mas se estava' já cheia como pôde em sua vida aumen-
tar a graça? . ..
É um mistério... Um copo cheio já não pode receber
mais água, nias para Deus nãq , há irupos.sívejs. Deus pôde
dilatar e aumentar a cada momento esse copo pi'eciosíssimo
da sua alma e assim, estando sempre cheio pôde sempre
aumentar a graça que encerra.

3. 0 - O Senhor: é convosco.- E mai.s convosco de que


comigo, dirià "o ~iínjo J! 2e sinais do. que ·com .quàlquer. outra
criatura.' - Está -êof!'vosc_o · f>ossuihdo-v,os .tetalmente. ll:Nãg
há nadà · em cMarta-t que mã01 esteja ~ossuído ,.;el n~o ~~ja
áe-"' DeUS~ ~ J' '-! , ,.. om s c r:1 . . uJ b ....... ,.r or... jl? ~ !. }
Jo Deus ~ t·arilbétri estás co.nnoséot nperém vá meiàs !- ~ão
deixamos _que ele nos domine . completaminte .c omo dejxa:va
Máfia. <Além' disso, f'leus estava ~ •cQpvosca;· desde -tól:la a
eternidade nEm -vós pen's ava,·e·• em' -;vóS"> se eilelicia:va i ainda
antes de criar qualquer outra coisa. - Convosco para sem-
pre, e por isso quer unir-se tão intimamente que sejais vós
a sua' Mãe 'eo Eie .o i'::\io sso Fi.Jho. . >I) J , :) •

~~ --!:.fPensa eb cómôi· Jesus ~qt:Jer , amfrém i&to de"ti e para


isso/!te()p fó·cura ·e ·Ltê 0êhama 1etisé> fune a ti pela g>aça e !I!làis
intimamente' pelàK"comunhão. l. 1 , ' ··ur- Jl u ., Fo. ~
O :.JEr ,)6 f' J • O 19! :; t:Tf'" - ·-.:::~2
4. o - Benâite sois rvós- entre as· mulher:is:i~ff.lorque assim
como porJJufna ·mulhh 'e"n:t~\.i>' no J'i!l undo o .. pecado, por t.V ró s
en'tr.afã a-"gràça e 1ã xédenl;ão. ófodaif láS!<geraçôes se . J·embl'.á.-
rãO' ·de'lEvál para ia' ai1áliliçoé'r? . .~J t0dos s·e lembrarãdrde Vós
para -lvbs~ louvar: Eva .. foil a mãe·bdfsnaturada; e •marlr.asta
que deu a morte a seus filho.s ... Marria é Ca ' veidaáeiTa ?Mãe
que nos tlá lcômO'àmoJti ar vid"a-:i. A l<:hmÍ?anrdá'de mteitéfi con-
c·e;;.frou 'tont'ra2a, mulhêr õ s·eu ódio ; t'ratothi' com d~sprezo
e - crueldade. to...... M~rfà' é a qué re-abiliitfa, e: exalta·<:le tal modo


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A Ave-Maria 79

a mulher que chega a ser a criatura mais elevada e a que


ocupa o lugar mais alto no céu ...

5. 0 ~Bendito o fruto do vosso ventre. - São palavras


não do anjo mas de Santa Isabel, porém tão ligadas às do
primeiro que a Igreja as junta nwna só oração.
Palavras gloriosas. par Maria porque dizem... .o que "é
e será seu filho . .:__ Realmente ela será ditosa e bendita por
causa de seu Filho. - E nesse fruto bendito encontraremos
todos a salvação. -Eva perdeu-nos dando-nos o fruto do
pecado. - Maria salvar-nos-á dando-nos esse fruto de san-
tificação que se chama Jesus.
Reza sempre com ml!iJ:a devoção a _ Ave-~ ar-ia. - Evita
a rotin,a no te~ç~. ~te: :..N ão te~ esf:iueça_.~: de' s_fuclp~ i'l ).Yiaria
com o _ Angefus. - SernpJe que ,o 1 rezares le,!llbra-te deste
grándioso mistério da ~Anunciação' p~de 'i Maria que te e"
encha. de graças:' que o Sehhor ''queiral t~mbéin estar contigo
0
e assim "-te faça p·artfcipante .J'à su'a' ditosa ·l)inção eterna.!
mente. ~ .r '1S ·~ pE?.
,>' .r


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, I l •

23. · A Anunciação - Atitude de Maria- A sua huníildade

~·'

L • - A pertu,bação. -Às p alavras-" do Anjo Maria


responde com certa perturbação. Vê como tem o rosto rubro
·d e pudor: .. , esc;uta , 0. palpitar ~p;essado d~ seu cor~crão ... ,
perretra no desgosto profundo, ,íntimo ..., parece que per;
-gunta a si mesma, como "que assustada: a que virá este
meilsageiro.?- O anjo tinha-Lhe dito a verdade, porém
ferira-A na sua humildade.- Mais tarde Ela reconhecerá
publicamente a certeza das palavras do Anjo, e ainda
repetirá que todas as gerações a chamarão «Bem-aven-
turada» ... , não porém para se engrandecer, senão para
'louvar a Deus.
Mas agora é Ela ... Ela própria, o objecto do· louvor,
por isso natural e espontâneam.ente se assusta e se põe de
·sobreaviso como que esperando uma tentação .. . , como se
pudesse pecar.
Vai pois tu com o Anjo tranquilizá-IA e diz-Lhe : «Não
temais, Maria, não tendes que temer, nem de que vos
assustar perante esses louvores .. . , no entanto, bem está
que vos perturbeis e assusteis para me ensinardes a .maneira
de receber os louvores que me dão os homens ; ensinai-mo
pràticamente, Mãe de toda humildade» ...

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Atit'ade de Maria - A sua humildade 81

i.o- Grandeza desta humildade.- Considera como é


9rande a humildade de Maria precisa~ente neste passo d'a
v ida da- SS. "'" Virgem.
~ Entende-se a ' humildade de Maria em Belém, repe-
lida por todos ... , no Egipto, fugindo dos seus inimigos ... ,
e m Nazaré,--ignorada e escondida naquela casa de operários
pobres e quase miseráveis . . . , na cruz, sendo Mãe dum jus-
t içado ... ; porém a'gora, visitada por um Anjo! . . . procurada
por Deus que pede o seu consentimento e que fica esperando
a sua resposta!... louvada e enaltecida até à mais alta
-dignidade!... Que inconcebível humildade!
A menor honra foram elevados Adão no Paraíso e os
A njos maus no Céu ... E no entanto desvaneceram-se com a
soberba e caíram no abismo. - Maria porém sabe que o
q ue o Anjo lhe diz é da parte de Deus . . . , que um Anjo não
·pode mentir, e por isso mesmo sabe ser verdade tudo o
-que Lhe diz; e longe de se envaidecer .. . , perturba-se e humi-
·lha-se sempre mais. Quão Grande, quão encantador, quão
.atraente é Maria pela sua humildade!
Como Deus sabe por meio desta profundíssima humil-
-dade, reparar bem o pecado que começou pelo orgulho.

3. 0 - Humildade vecdadeira.-A humildade não é ames-


q uinhamento; faz-nos pequenos, sim, a nossos olhos ... ,
porém grandes, muito grandes aos olhos do Senhor. É assim,
Maria nunca foi tão grande aos olhos de Deus como
nesta ocasião. - Finalmente, a humildade não é própria
dos cobardes e dos reles, mas sim dos forte.s e dos magnâ-
nimos.
Contempla Maria... perturbada, aniquilada, perante as
palavras do Anjo ... , conserva porém o seu juízo sereno.
t ranquilo, e .. . estuda, pensa e opera com decisão.- Esta é
a verdadeira humildade: conhecer a voz de Deus, subme-
t er o s·e u juízo e próprio parecer a essa vontade e segui-la.
- E isto, ainda que custe como custou a Maria. Ela bem
6

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82 A Anunciação

sabia os sofrimentos, as dores e espadas agudíssimas que


atormentariam o seu coração... e não obS'tante decide-se a
aceitar a proposta do Senhor.- Humilde, porém magnânima
viril, valente. Isto é que é o fruto da humildade.

4. 0 - A tua hb.mildade. - És semelhante a Maria, na


humildade e na generosidade no sacrifício?- não procuras
afagos, sorrisos, palavras humanas? - Procuras o pior, o
mais custoso, o mais humilhante?- Quando Deus to dá,
conformas-te pelo menos ... ou protestas e desejas evitá-lo?
Pensa muitas vezes no teu nada, pois assim como Deus tirou
do nada as grandezas da criação .. . , do conhecimento do
teu nada brotará a tua grandeza. -;-Conhece a Deus que é
tudo; ·conhece-te a ti mesmo que és nada, e a conclusão
será a humildade.
E·xercita-te em actos de humildade interior e faz muitos
actos de humilhação exterior. Agradece e estima a quem
te ajuda a humilhar~te com desprezos, zombarias, etc ...

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- .··
24. A Anunciação- A Pureza Virginal

1. 0 - Observações de Maáa.- Às palavras do Anjo,


Maria responde com uma observação que indica temor.
Eva no Paraíso teme ao comer o fruto proibido; mas
não é o pecado que ela receia, receia mas é o castigo da
morte. Maria, pelo contrário, o que teme ao ouvir o Anjo
é faltar à palavra dada a D eus. O seu temor é justo,
racional, santo, inspirado no amor de Deus e na virtude.
São assim as tuas observações quando ouveS' a voz de
Deus. . . ou são inspiradas pelo amor próprio que resiste a
submeter-se a essa voz divina?

2. o - A Encarnaçtio pela victude. - Penetra em tão


sublime pensamento e contempla a Deus traçando os planos
da obra grandiosa da Encarnaç.ão tendo J?Dr base a vir-
gindade.
A Redenção do homem tinha duas dificuldades inven-
cíveis, como já dissemos noutra parte ... ; recorda o que
então meditavas - que não era humanamente possível a
Redenção porque toda a humanidade não podia satisfazer
pelo pecado... era necessário que Deus o fizesse; Deus
porém não podia também fazê-lo pois não era possível
sacrificar-se, imolar-se, padecer nem morrer pelo homem;
divinamente era, de igual modo, irrealizável. Deus porém
procura a solução.

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84 A Anunciação

·••· ,:,.Fazer-se homem e ter assim um corpo para sofrer e


morrer. :::- Mas este corpo, não podia formar-se como os
outros, porque nasceria manchado como todos nascem; assim,
seria um corpo concedido em pecado e a este corpo não
se podia unir o Filho de Deus.
A solução deste conflito é Maria Imaculada, sem man-
cha na sua conceição e lv!ar:ia .V;'rgem, sendo Mãe se.m
detrimento da sua virgindade.
Assim, Jesus virgem, santo e puro como Deus, também
o será como homem, porque a sua Mãe será igualmente
santa, pura e virgem. - A Incarnação pela Virgindade!-
Que formosura e que beleza a desta virtude!

3.•- Pr:ef.er:êr.cias de Cristo.- O Senhor teve um


amor ' tão grande de preferência à virgindade, que lhe dedi-
cou .uma das suas bem aventuranças... teve um discípulo
amado e foi.. . o que era virgem; a ele lhe confiou na
Cruz o tesoiro de_, Sua Mãe, como único digno pela sua
virgindade de guardar a Virgem das virgens. -Ficou na
Eucaristia e deu aos sacerdotes poder sobre o seu Corpo
e Sangue, porém exigiu que o seu sacerdócio fosse virgem
. ~ escolheu almas predilectas para suas esposas e estas
são... as virgens. - Enfim, reservou um prêmio especial
que consistirá em acompanhar o Cbrdeiro para onde quer
que Ele vá, e e.m cantar um cântico novo que ninguém,
senão elas, poderão cantar, e estas são ... as almas virgens.

4.0 - A tua virgindade. - Pensa muito na grandeza da


·graça que Deus concede às almas que chama ao estado de
virgindade.
Se tu és uma1 delas, impregna-te profundamente dessa
virtude e procura ser muito agradecida.
Traduz este agradecimento em obras, cuidando prin-
cipalmente e antes de tudo da modéstia interior e exterior
que necessàriamente há-de acompanhá-la, e levar isto até

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A Pureza Virginal 85

ao exagere, nos olhares, curiosidades, atitudes , vesti-


dos, etc . ... ;
- Fomenta, depois, em ti a humildade, base da casti-
dade . . .,; muitos por soberba, caíram em pecados impuros.
Do meSJtl.o modo fomentarás a mortificação e peni-
tência, que sã,o essenciais a esta virtude.. . Com o fim de
a conservar intacta e viçosa, todo o sacrifício te há-de pare-
cer pequeno.
-Em terceiro lugar, pede muito à SS."'" Virgem que
a imites, em especial no seu amor à castidade virginal...
e finalmente que te ajude para com Ela trabalhar por
construir, estabelecer e dilatar por todo o mundo, o sublime
reinado da Pureza.

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25. A Anunciação - A escrava do Senhor

t.• - Resposta de Maria.- Imagina a cena e assiste


a ela em espírito, o mais de perto possível. ..
Terminara já o Anjo a sua embaixada; cumprira a
sua missão e permanece em silêncio ... , espera a resposta de
Maria.
- Lança um olhar sobre todo o universo, fixa o teu
olhar em Deus neste momento soleníssimo... Que emocio-
nante espectáculo!
Aproxima-te de Maria e pede-lhe que não demore a
resposta.... diz,- lhe que todos os infelizes filhos de Eva,
que nascemos escravos do pecado, esperamos a sua palavra
de redenção e de graça ... , que todo o mundo e o próprio
Céu, estão suspensos esperando a sua resposta.
Com efeito, é quebrado o .silêncio ... Maria vai falar ... ,
o Anjo treme de emoção... Maria prostrou-se por terra,
e do fundo da sua alma, brotaram estas simples e sublimes
palavras: Eis aqui a escrava do Senhor ... Agora é o Anjo
que se perturba: com todo o seu entendimento angélico não
chega a compreender tanta humildade, tanta santidade. -
A Rainha das rainhas, a Senhora do céu e da terra, a ben-
dita entre todas as mulheres. . . é urna escrava ... ; assim
Ela o reconhece e crê, sem disso se envergonhar, e sem
o ocultar. Ela mesma o proclama à face de todo o mundo

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A Anunciação 87

e pa rece empenhar-se em que todos nós saibamos que com


toda a sua grandeza é sempre a escrava do Senhor.
Entra agora no coração do próprio Deus: -que sen-
tirá ào ver esta atitude, ao escutar estas palavras? ...
Se aos humildes e pobres de espírito enche de seus bens,
que faria com àquela sua escravazinha? ... Com que prazer
Deus lhe diria:
«Tu fizeste-te escrava? ! E eu faço-te Rainha» .. . ; man-
daria a todos ·os anjos do céu que naquele mesmo instante
a venerassem como tal.
· Faz tu o mesmo e venera tanta grandeza em tão pro-
funda humildade.

2.0 - A verdadeira escravidão.- Mas não te detenhas


nesta escravidão de palavras. Tu também por palavras te
ofereceste e . entregaste a Deus, como escrava; mas depois .. .
como as tens cumprido?- Em Maria porém não é assim ... ,
diz o que sente e procede como diz ... ; por isso acrescenta:
laça-se em mí'm, segundo a vossa palav;a.
M·e dita muitas vezes e saboreia toda a significação
desta palavra faça-se que é a fórmula da verdadeir.a escra-
vidão. ~ Sou escrava e por isso, não tenho nada, nem
posso querer nada fora de Deus.- Tudo há-de vir do
Senhor. nada da escrava. - Portanto essa palavra supõe
uma renúncia total, completa, perfeita, absoluta do seu
ser .. . Nem vontade, nem liberdade, nem querer nada, senão
só o que Deus queira e disponha ... Que escravidão!
Ainda mais . Essa escravidão não deve parar ante o
sacrifício por muito grande e doloroso que seja. - Maria
neste passo, opera conscientemente, isto é, dando-se per-
fei ta conta daquilo a que se vai obrigar ... , opera sem pre-
cipitação ... , pensa, discorre, objecta ao anjo, propõe as
suas razões e soluções, etc ... , sinal claro de que opera com
todo o conhecimento de causa; portanto conhece desde então,
tudo o que há-de sofrer, se for Mãe de Deus ... , sabe que

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88 A escrava do Senhor

a espetam tormento.s que a farão Rainha dos mártires ... ,


· que, , ser~.· um· verdadeiro mar de amarguras; conduto .. .
sabe ser essa a· vontade de Deus, e é quanto lhe basta.
-Até conhecer claramente o que Deus quer, faz obser•
v ações; porém quando percebe o desejo de Deus, não tem
mais que uma palavra: Faça-se.
- Recorda as palavras de Cristo na sua Paixão; tam-
bém diz: Faça-se a tua vontade e não a minha. Não é o
mesmo que o Faça-se da Virgem SS.m"? . .. Que perfeita
coincidência entre o Filho e a Mãe!
Esta é a escravidão, esta é a santidade, esta é a única
solução que podes encontrar ao teu amor próprio.
És tu assim? - Também usas o teu «.Faça-se» prático
sobretudo quando o teu amor próprio se rebela? Pede a
Maria que a imites no cumprimento desta palavra.

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26. A..Anunciação - A Mãe de Deus

J. o - O «Fiat» omnipotente. -Porém este f a;· a-se de


escrava de Maria, é também a expressão prática da sua
omnipotência.- Apenas pronunciado, o Espírito Santo,
como disse o Anjo, a cobriu com a sua so.mbra protectora
e levou a cabo a obra da Incarnação ; naquele momento se
efectuou aquilo que diz S. João: «o Verbo se fe;; carne
e começou a habitar entre nós».
6 palavra de poder imenso!- Pronuncia-a a omni-
potência de Deus e do nada brotaram os mundos. Di-la
Maria no abismo da sua humildade e ainda opera mais
maravilhas que o Criador.- Aquele «fiat» tira do nada
todas as coisas. -Este, tira o próprio Deus do seu Céu ... ,
da sua eternidade .. . , para que sem deixar de ser Deus,
comece a ser homem.
Contempla a Santíssima Virgem e vê como o Espírito
Santo organiza no imaculado sangue de Maria o Corpo de
Jesus Cristo, para que esse Corpo e esse Sangue que
recebe da Virgem SS."'" seja a matéria do sacrifício que
para remir o mundo oferecerá mai.s tarde na Cruz. - Adora
este augusto mistério, e por ele dá graças a Jesus e a
Maria.

2. 0 - A divina matern;eú;de.- Maria neste instaure fi ca


convertida em verdadeira Mãe de Deus.- Dignidade altís-

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A Anunciação

si:na. e maravilhosa.- É infinita porque infinita é a digni-


dade âe -seu· Filho. É u.m parentesco real e físico com o
Filho <f~ Deus.
Desde -este momento Deus, está em Maria, não como
imagem, não com a sua graça, senão com a sua própria
pessoa divina; há entre Deus e Maria uma verdadeira
identidade, enquanto que a carne e sangue de seu Filho,
são carne e sangue de Maria.
É a missão mais íntima e sublime que pode dar-se entre
uma criatura de Deus. - Por ela, Maria, ao .ser Mãe de
Deus. adquire a mais alta autoridade ... , a autoridade de
mandar em seu Filho ... , adquire o mais elevado privilégio . .. ,
o de um direito especial ao amor do seu Filho... e a receber
d'Ele todos os bens de graça e de glória com o poder de
comunicá-los aos outros.
Nesta maternidade divina funda-se a ·verdade de que
Ela é nossa Medianeira - e uma Medianeira omnipotente
- porque participa por graça da omnipotência que Deus
tem por natureza e, além disso, é, por esta maternidade,
a dispenseira de todas as graças, já que se vê claramente
que Deus não quere comunicar-se aos homens directamente,
senão por meio de Maria, como o fez na Encarnação.-
Magnífica. sublime e divina é esta maternidade.
Nunca chegaremos a sondar toda a sua profundeza e
altíssima magnificência. Deus pode criar outros mundos,
outros Anjos, outros seres infinitamente mais perfeitos,
porém não pode fazer uma .mãe superior à Mãe de Deus.

3." - A F ida da .ivlãe de ·D eus. - Era uma vida, nes.se


tempo. de íntima união com Deus - segundo o corpo e
segundo a aima. - A vida íntima de Mãe e Filho. - Urna
só vida. um mesmo palpitar de corações.
Que recolhimento tão intenso e tão profundo para
reconcentrar toda a sua vida no• seu Filho!
Tudo o que fazia era com Ele e por Ele: via com

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A Mãe de Deus 91

os ol hos do seu Filho; amava com o seu coração; os seus


gostos eram os dele. - Daí uma vida · dos mais íntimos,
puros e pêrfeitos sentimentos de amor e gozo para com
Deus a quem tinha em seu seio. - Se o Céu consiste na
posse de Deus, Maria já gozava então desta posse ainda
mais intima ... , · ainda mais perfeita que a de todos os Anjos
e bemaventurados na glória.- Era pois, uma vida toda
divina. toda gloriosa, toda santificadora pela união com o
seu Filho.

-!."-A M.:ie de Deus é minha Mãe. - Tinha igual-


mente união comigo.- Deus quis que a sua Mãe fosse
também minha Mãe e amou-me já desde então como tal. -
Ela desejava ardentemente que o seu Filho já nascesse e
remisse o mundo pensando em mim. Ela já então queria o
mesmo que agora, ter-me a mim como a verdadeiro filho -
-como ao seu Jesus- que eu me unisse com. Ela, como estava
Jesus, para que eu como Jesus ... participasse daquela vid a.
Que dita a minha- ter uma Mãe que mereceu ser
Mãe de Deus!- Por Ela adquirimos um parentesco éom
Jesus.- Jesus e eu somos irmãos. - Pensa muito nisto e
.agradece estas .maravilhas d.e amor à Mãe e ao Filho.
Imita a Maria nesta maternidade divina unindo-te inti-
mamente como Ela se un;u a Jesus.- Torna esta união prá-
tica, unindo-te antes com a Santíssima Virgem para viveres
comple tamente esta vida.- Procura que a tua alma seja
filha verdadeira, de palavra e de verdade de tão grande
Mãe.

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27. A Anunciação - A e:;;cravidão Mariana

1.0 - Conceito da escr:avidií.o. - Devo penetrar bem


no significado estrito desta palavra.
O escravo é um ser que depende de outro de tal modo,
que tudo o que é e tudo o que tem não lhe pertence a ele,
senão ao dono que o possui. - Não dispõe de nada nem de
ningÚém, nem de si mesmo. - Carece de liberdade ... , não
pode fazer senão o que o amo lhe ordena. - Carece de
vontade ... , não pode querer ou não querer, senão acomo-
dando os seus desejos aos do seu senhor.- Carece de per~
sonalidade ... é mais uma coisa do que uma pes.soa ... O senhor
pode fazer dele o que lhe aprouver ... , vendê-lo a outro
dono ... , dá-lo ... , castigá-lo, ainda que sem razão ... matá-lo
ainda que seja por capricho . . ., ninguém poderá pedir-lhe
contas do que fizer dele ... , é seu escravo, pode fazer dele
o que lhe aprouver.
Esta escravidão feita de um homem a outro homem
é brutal, indigna, degradante, proibida por Deus, abolida
por Cristo ... Porém se é .feita a Deus e o homem se entre.ga
como escravo voluntàriamente a Ele, é o acto mais nobre,
mais digno e mais belo que se pode fa zer. - É a prática
perfeita da .mais profunda humildade cuja fórmul a é esta :
«Tudo é de Deus, nada meu» ; logo, «tudo para Deus, nada
para mim». -Assim, o meu corpo com os seus sentidos,
a minha alma com as suas potências~ todos os actos e

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A escravidão Mariana 93

movimentos do meu ser, sensações, pensamentos, afectos,


amores... se falo, se me calo, se rfo, se sofro, se ando,
se dur.mó , se oro, se como. .. tudo por Deus e para Deus.
- Sublime escravidão! - é a mais alta santidade.
Quanto .mais eu viver e operar independentemente de
Deus, mais faltas e .mais imperfeições haverá em mim. -
Quanto mais viver Deus em mim e operar Ele comigo, mais
perfeição terei.

2.•- Escravidão de amor. - A razão de tudo isto é


que, esta escravidão não é forçada senão voluntária e
amorosa.
Suave tirano é o amor, porém é tirano que escraviza.
~ Por isso se é desordenado, a escravidão será às cria-
turas e esta é a primeira escravidão, porém ... se é orde-
nado e dirigido a Deus, é a segunda que nos diviniza.
Ninguém mais escravo do amor do que Jesus Cristo.
-Que divino tirano foi oara Ele o amor! ~ Quantas coisas
e quantos sacrifícios o obrigou a fazer - que sublimes lou-
curas não está fazendo agora mesmo pelos homens .. . , por
mim! O amor essencial é união e imitação. - Se amo a
Jesus, hei-de imitá-lO nesta escravidão de amor. -Por ela
ele se deu todo a mim.- Eu tenho que dar-me todo a Ele .. .
senão, não amo deveras ...
Mas como fazer isto pràticamente?

3.• - Por: Marié!, com Maria, em Maria, pat:a• 'Maria.


- Eis a solução fácil, bela, divina.- Nada há mais fácil
do que amar uma mãe. Que será amar uma tal Mãe?-
Porém, que filho amará mais sua ·M ãe ... , o filho mais velho
que deixa a casa paterna para viver livremente a seu capri-
cho, ou o filho mais novo que depende em tudo de sua
mãe 7 Dela se alimenta, dela aprende as primeiras pala-
vras .. . , fala e pensa no que ela lhe ensina ... , . pela sua mão
dá os primeiros passos ... , para ela vão os seus primeiros

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A Anunciação

sorrisos e canc1as infantis, todos os seus sentimentos e todo


o.;seu~.a.mor: .. ,
a ela corre instintivamente em qualquer- perigo.
- Não e isto uma escravidão?
Eis .qual deve ser a minha para com Maria.- Tenho
que viver como filho que sou, dependendo em tudo d'E!a
de tal modo · que a minha intenção seja sempre a sua (por
Maria) ... , os meios que empregue em todos os meus ectos
serão sempre os seus (com Maria) .. . , hei-de esconder-me
em seu Coração para viver com essa presença como se
realmente vivesse em ·M aria... e, por fim, vivendo deste
modo, dirigirei tudo de tal sorte que redunde não em minha
glória, nem em meu proveito, senão unicamente para sua
glória e serviço (para Maria).

4. 0 - O molde divino.- Isto quer dizer que hei-de mer-


.gulhar"me e perder-me n'Eia, como uma gota de água no
oceano e como a massa no molde.
Maria e o molde de Deus. -Ele quer fazer-nos seme-
lhantes a Jesus e para isso nos dá o .molde. Basta portanto
lançar-nos nele para sermos perfeitas imagens de Cristo,
por sermos semelhantes a Maria. - · Para tal e necessário
adaptar-te bem ao molde esvaziando-te de ti para te enche-
res de Maria e fica per.s uadido de que enquanto não fizeres
assim não serás escravo, nem amarás deveras a Maria.
Pensa enfim no pré.rnio.- Parecer-te com tua Mãe.
parece-te pouco?- Encantar a Deus como Ela O encanta?
- Por ser escrava, foi Ela Rainha e Mãe de Deus; assim
será contigo.- Deus não se deixa vencer em generosidade,
por isso não podemos conceber que prémio dará ao que se
entrega .t odo e tão perfeitamente a Ele, na santa escra-
vidão.
Não penses porém no prémio. - Renuncia a ele. -
Não queiras outro prémio senão amar intimamente a Jesus
e a Maria e conseguir- pareceste-te com ambos.
Começa e continua sem desalentos na prática resta

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A escravidão Mariana

escravidão. - Pede muito a ajuda de Maria. - Ex am;na -te


diàriamente e pergunta a ti mesmo, com frequência , se reêl-
mente vais esvaziando-te de ti.- Lembra-te de Maria nas
ocasiões .em que se manifestar o teu amor próprio. - T!"a::
o exame particular sobre isto.- Renova a presença de
imitação, ao .•5iar a hora. Nunca mais pensar em se te
agrada ou não isto ou aquilo, senão ver unicament e 5e
tua Mãe querida o quer ou não.

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:28. A Anuncia<;ão ~e Maria- À sua Festa

Tudo quanto este mistério da SS. m• Virgem tem de


incomparável e grandioso, se realiza pela embaixada de um
Anjo; será pois muito proveitoso comparar esta embaixada
com as que o Senhor nos envia a nós tão frequentemente.

1. 0 - A Embaixada. - Deus envia o Anjo em forma


visível para anunciar à Santíssima Virgem a sua elevação
à dignidade de Mãe de Deus.- Ao que parece, o Anjo
apareceu em forma humana, como um jovem formoso e
cercado de resplendores celestiais. - Assim convinha para
·o fim tão excelso a que ia destinado ... , a tratar do assunto
mais importante que jamais se tratou entre o Céu e a terra,
entre Deus e os homens.
Deus quer .também tratar muitas vezes connosco alguma
coisa que se relaciona com a sua glória e com o bem das
nossas almas, e trata-o por meio dos seus anjos, ainda que
em forma invisível. - Quantas vezes será o nosso fiel Anjo
da Guarda, o que em nome de Deus nos inspira alguma
-coisa de que não fazemos caso!- se o víssemos visivel-
mente não procederíamos assim!- Por que não o vemos
com a fé? .. .
Com olhos de fé vemos também esses que representando
para nós a Deus nos falam também .. . , como são os supe-
riores ... . directores espirituais ... , pregadores ... , as boas lei-

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A Anunciação de Maria 97

turas e os bons exemplos ... , as próprias humilhações e tri-


bulações ... ; tudo isso que outra coisa são para ti senão
como que embaixadas que o Senhor te envia para comunicar
contigo ?... Co.m.o as recebes?- Examina e me-d ita na
maneira como Maria recebeu o Anjo e .compara com o teu
pro~eder. .

2." :....._A sauda:;:ão do Anjo.- Na saudação do Anjo


considera nãd. ·só os louvores que dirige a Maria, senão tam-
bém as verdades gloriosas e .magníficas que lhe lembra.
Diz~Lhe que é cheia de t;r:aça e que De•us está com Ela,
e finalmente que é éendita. entre todas as mulheres. - Vê
como deste modo o Anjo a quer preparar para que, pela
correspondência a esses favores do Senhor, dê o seu con-
sentimento à sua embaixada e não ponha obstáculos ao plano
de Deus.
-Assim também a nós nos fala o Senhor. Muitas
vezes e de muitas maneiras, especialmente com as suas
luzes interiores, nos fala ao coração e nos faz sentir as
graças que d'Ele temos recebido . .. , a obrigação que temos
-d e corresponder a elas e de trabalhar com elas, e nos alenta
com a esperança dos frutos riquíssimos de graças e de
glória que com esta correspondência podemos conseguir.
IVIas, que fazemos nós? Como recebemos estas inspi-
rações do Céu? E se alguma vez conseguimos afervorar-nos
e trabalhar com mais entusiasmo na nossa santificação, não
é verdade que outras não fazemos nada, perdemos o tempo
porque pràticamente desperdiçamos essas ilustrações e cha-
mamentos do Senhor?

3. 0 - Como Maria a recebe. - Vê como a SS."'" Vir-


·gem assim preparada pelo Anjo ouve claramente a mensa-
gem de Deus no ponto mais principal: «Serás a Mãe de
Deus porque darás à luz o Santo dos Santos». - Maria
escuta e longe de dar logo o .seu consentimento cheia de

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98 A sua Festa

vaidade, com grande prudência e humildade, examina essas


palavras e considera como podem estar conformes com a
vontade do Senhor manifestada antes no voto da sua vir-
gindade.
Aprende e.s sa prudência da Santíssima Virgem. -Vê
com que facilidade cremos que é um Anjo e que é coisa
de Deus, quando se nos oferecem coisas que redundam em
nosso proveito, em nossa glória, e logo vamos atrás do que
nos agrada ...• e talvez não seja. o Anjo -da luz, senão o das
trevas, talvez não seja uma inspiração, senão uma tentação.
Examina, medita e consulta, para que assim acertes.
em tudo e saibas imitar esta prudênci.a da Santíssima Vír-
ge.m.

4. 0 ~O consentimento.- Contempla agora Maria dando·


o seu consentimento, uma vez convencida de que é coisa
de Deus.
Vê bem como procede o Senhor.- Ele podia fazer
tudo isto sem contar com a vontade da SS. "'" Virgem ; e no·
entanto não quer forçar a sua liberdade.
Deste .modo procede connosco. - Deus não quer cora~
ções forçados, nem amor à força. - Quer almas que livre,
voluntária e generosamente se entreguem a Ele. - Para te
criar não precisou de ti, porém para salvar-te e santificar-te,
é necessário que tu dês voluntàriamente o teu consentimento.
- Não te fará santo violentamente e contra tua vontade.
-Ele te dará a sua graça e a sua ajuda, porém... , de ti
depende o santificares-te com ela ou o desperdiçá-la e
rejeitá-la.
Portanto de ti e só de ti (convence-te disto ) depende
que te santifiques ou não. Não te basta este· pensamento
para uma meditação muito proveitosa, especialmente ao
comparar-te com Maria, que agora e sempre deu o seu
livre e generoso consentimento à obra de Deus?
Coragem e genrosídade! - Nunca pois, vacilar perante

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A sua Festa

as inspirações e embaixadas que o Senhor nos envia. -


Não determo-nos perante a voz de Deus, senão para exa-
miná-la com prudência e para não a confundir com as
emboscadas do inimigo, porém... nunca determo-nos por
moleza e cobardia, por amor próprio e soberba .. . , por medo
da humilhação e do sacrifício. - Maria não atende tanto
à coroa de oiro que lhe oferece o Anjo, como à coroa de
espinhos. - Sabe que o ser Mãe de Deus significa ter o
seu coração sempre atravessado com uma espada de dor... ,
e com coragem e valentia se decide aceitá-la: faça-se em
mim segundo a tua palavra.
Pois ben:i, se queres que a tua alma seja deveras filha
de Deus e esposa de Cristo e se aspiras à coroa do Céu,
hás-de amar agora o sacrifício, a mortificação, a crucifi-
cação da carne e das· tuas paixões. - Perante o exemplo de
Maria, R ainha dos mártires, não duvides em seres também
mártir de a.mor . .. , aceita e abraça com generosidade esse
sacrifício por Maria e com Maria.

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~ .
-

29. A Visitação da Santíssima Virgem

É o testemunho que Deus dá para confirmar a con-


ceição milagrosa de ·Maria; por isso é um mistério gran-
dioso na vida da SS. m a Virgem e muito consolado r para
os seus filhos e devotos.

1. • - O Mistério. - Terminado o mistério da Encarna-


ção tem 'lugar imediatamente o da Visitação, porque têm
íntima união entre si. - Parece que na Anunciação é o
Céu que por meio de um Anjo .sauda Maria com a mais bela
e formosa saudação, e reconhece n'Ela a Mãe de Deus e a
Rainha dos Céus. - O Senhor não quere que a terra per-
maneça indiferente perante este facto, e prepara nela uma
saudação que seja um testemunho do reconhecimento da
terra para com a Mãe de Deus.
O Arcanjo falou em nome do Céu... Santa Isabel, em
nome da terra. - As suas palavras de felicitação a Maria,
os seus sentimentos e os seus louvores são nossos em certo
modo. Alegra-te com esta disposição do Senhor, que já
então quis que nós, por meio de Santa Isabel, nos asso-
ciássemos ao júbilo que os Céus e a terra sentiram perante
a Incarnação do Verbo e a Maternidade divina de Maria.
- Supõe, pois, que és tu mesmo que falas e repetes com
todo o entusiasmo e fervor os louvores da sua prima à
SS. mn Virgem.

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A Visitação da Santíssima Virg.zm 101

2. 0 - A Visitação em :Maria. - Foi um acto de cortesia


e de delicadeza. - A Virgem SS. "'" compreendia a felicidade
que teria Santa Isabel quando depqis de tantos anos de
esterilidape, pois já era de idade avançada, Deus lhe
concedia ·a graça de ter um filho. - Que alegria não havia
de encher aquela casa!- Que consolação a de Santa Isabel
quando viú que Deus ouvira a oração constante que fazia
com este fim!- A SS. "'" Virgem be.m. o sabia, e não hesita
em ir participar desta alegria e mais ainda em aumentá-la
apressando-se a dar-lhe pessoalmente os parabéns.
Nunca a cortesia, a urbanidade e menos ainda a d-eli-
cadeza estão em contradição com a ·s antidade.- Nem exa-
geros ridículos e falsos cumpri mentos do mundo ... , nem
também gros.s erias e maneiras de ser egoístas que nos impe-
çam de fazer o que devemos aos outros.
Pensa neste -exemplo tão delicado e tão cortês da
SS. "'" Virgem, e _convencer-te-ás de que a urbanidade e
educação bem entendidas e bem praticadas, são uma grande
parte da santidade, e por vezes confundem-se com ela.
Medita bem nisto e examina o ·teu modo de proceder
à face deste exemplo da SS. "'" Virgem, num ponto tão
prático e tão frequente . ..

3." - Foi ~zm acto de obediência. - A visita não é só


um acto de cortesia, muito menos é ela feita pelo desejo
de se certificar da verdade das palavras do anjo, pois Maria
nunca duvidou nem vacilou em sua fé.- Nem também vai
ver sua prima para comunicar-lhe o mistério que n 'Eia se
efectuou e que a elevou à dignidade de Mãe do Messias.
-Muito pelo contrário, oculta-o e não o revela nem. mesmo
a S. José, a quem não diz nem uma só palavra do segredo
que existe entre Deus e Ela.
Maria, vai pois a casa de Isabel por obediência . ..
é um impulso interior, uma inspiração do Senhor que a isso
a incita, e não he.s ita .. . senão que imediatamente segue essa

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102 A Visitação da Santíssima Virgem

inspiração. -Era ainda .muito jovem .. . . o -caminho longo


. ~ ·custoso .. :, o seu estado muito delicado e ... não obstante,
Ue'6 s' o quer e sem demoras o executa.- Diz o Evangelho:
«levantando-se correu pres.s urosa». . . Que intenso amor à
obediência! . . . Que confiança n'Ela!- Não sabia a San-
tíssima Virgem qual o fim que Deus pretendia com essa
visita. .. ignorava tudo o que se havia de passar naquela
casa e... no entanto o que lhe interessa é confiar-se ao
Senhor e obedecer pronta e cegamente.- Deus sabe aonde
a guia e conduz.

4." - Foi sobretudo um acto de caridade.- É a única


vez que o Evangelho diz que Maria «correu diligente.mente».
Esta pressa parece que não está conforme com a calma
e tr,a nquilidade do seu carácter ... Porque será? ... única-
mente pela sua ardente caridade.- Tem em seu seio vir-
ginal o Verbo que é Deus, que é caridade ... e este fogo
abrasa-a e fã-Ia correr para onde a caridade a chama. -
S. Paulo dizia que a caridade de Cristo o impelia e o não
deixava descansar ... , queria percorrer todo o mundo para
levar a toda a par-te a chama da sua caridade .. . Como seria
então a caridade de Maria?- Que desejo o seu de que
Jesus comunicasse quanto antes a graça e começasse a sua
obra santificadora nas almas. - E assim, corre e voa com
grande pressa para dar um desafogo a essa caridade divina
que a abrasa ...
· Agora pensa, e compara as tuas visitas com esta da
Santíssima Virgem. - São sempre de delicada cortesia, por
obediência ou inspiração de Deus, e sobretudo com espírito
de caridade, procurando fazer com elas bem ao próximo?
Quantas visitas de passatempo em que se perde o tempo
o u se mistura a critica .. . , a murmuração ... , a dissimulação
que nos faz dizer o que não sentimos ... Quanta hipocrisia
em todas essas visitas feitas com espírito do mundo!

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A Visrtação da Santíssima Vir;gem 103

Examina bem quais as tuas conversas nessas visitas


e os seus motivos, promete a Mar:ia edificar o teu pró-
ximo, ·desterrando da tua boca palavras que ofendam os
outros, e tendo sempre presente a lei da caridade praticada
dum' modo tão belo pela SS. "'" Virgem..

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),. ... :-..t;•
.L~.:._. ~X-.

30. Visitação da SS."'" Virgem e Santa Isabel

Três meses esteve a Arca da Aliança em casa de


Obededon e Deus abençoou aquela casa derramando sobre
ela grande chuva de graças e prodígios. Portanto não é
para estranhar que, a casa de Zacarias onde esteve outros
três meses a Arca divina cheia do Maná do Céu. a cumu-
lasse o Senhor de bênçãos .. . Vejamos como aconteceu assim
cc.m Santa Isabel e com S. João.

1. 0 - A Visitação em Santa Isabel. - Como é suave


pensar que por meio da Santíssima Virgem quis Jesus levar
a cabo a primeira santificação das almas, como o fez com
Santa Isabel e seu filho! - Tira poi.s como conclusão que
a santificação da tua al.ma não a levará o Senhor a cabo.
senão na medida em que te entregares a Maria.
Considera depois a recepção que faria Santa Isabel a
sua prima. Que satisfação ! Que Alegria! - Nunca ter i a sen-
tido nada de semelhante. - Imagina que delicadezas não
inventaria para tornar agradável à SS. ma Virgem a sua
estada naquela casa. - Que farias tu em semelhante ocasião 7
-Não te fará santa inveja esta mulher que teve a sorte
de ser a primeira a oferecer os seus obséquios a Maria?
Não será .melhor imitá-la?- A Virgem SS."'" quer tam-
bém visitar o teu coração, morar na tua alma ... lembra-te
também de a receberes com delicadeza e não a de:xes só

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Visitação da SS.'" ·' Virgem e Santa Isabel 105

esquecendo,te que lhe deste hospitalidade no teu coração ...


Se assim te descuidasse.s cometerias uma gz9sseria inca!~
culável. - Atende " a . Maria ...• serve a Maria ... , acompanha
Maria ... , '"serve · á· Maria.- Estar ao serviço de Maria!
Ser útil ã ss.m• Virgem, !
Pensa bem no : que isto significa e verás quão suava
e prático é este pensamento.

2. • - Foi cheia d.o Espírito Santo. -Apenas Maria.


saudou a Santa Isabel logo esta ficou cheia do Espírito
Santo. ~ 6 palavras fecundas de Maria!.. . Como sois efi-
cazes, pois só uma simples saudação sua serve para encher
de graça e santidade aquela alma!- Co.mo as flores derra-
mam por toda a parte o seu aroma, assim Maria derrama
e comunica a quem se chega a Ela, a graça e formosura de:
que ~stá cheia.
Pede-lhe que guarde para ti alguma dessas suas pala-
vras que te santifiquem ... , que não as empregue todas com
outras almas, -ainda que as mereçam e aproveitem melhor
do que tu . . . , que precisamente por tua miséria, necessitas
mais d'Ela ·que outras, e que confias que te não abandonará.
Pensa além disso como hão-de ser as palavras que
sai em da tua boca ... , palavras de edificação e san~ificação
para o próximo ... , nunca palavras ociosas .. . , inúteis .... pre-
judiciais, que desedifiquem ou contribuam para fazer pecar·
ou levar os outros a cometer faltas.

3. • - Louv·or:es de Santa Isabel.- Santa IsabeL cheia


do Espírito Santo, a primeira coisa que fez foi conhe cer a
conceição divina de Maria pela qual era Mãe de Deus, e
depois prorrompeu em louvores a Ela: Bendita és tu entr:e
as mulher:,?s, e bendito o fr:uto do te.u ventr:e.
Vê como a grandeza de Maria se conhece unicamente
ã luz do céu .. . unicamente com a oração.. . ; pedindo muito
ao Senhor chegaremos a conhecer alguma coisa do que é

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106 :· _ Vl~'itação da SS. m• VirQ!?m e Santa Isabel

Mafia . -Sem essa luz apenas poderemos atingir muito ao


d · ieVé a s'ua . formosura e santidade quase infinitas.
Medita. além disso, no mistério dessa exclamação de
Santa Isabel ao ver assim sua prima tão grande e tão
excelsa. -Que teria visto n 'Ela,. para o Evangelho dizer
que não se pôde conter, e exclamou em voz alta, corno quem
dá um grito de surpresa e de gozo que não é possível
r eprimir?
Nota que as palavras que pronunciou são as mesmas
do Anjo : Bendita entre todas as mulheres, e admira esta
coincidência de · bendizer e louvar sobre todas as criaturas
a Rainha dos Céus e da terra . .. ; admiráveis os juízos de
D eus que assim dispõe as coisas! ...
Q ue se passaria no Coração de Maria ao ver des-
coberto por sua pri.ma o mistério da sua Maternidade, e
ao escútar da sua boca as mesma palavras do Anjo? -
O s Anjos e os homens . .. , a terra e o Céu, todos unidos
num mesmo 'louvor! 'É que o autor é o mes.mo ... ; o que
inspirou o Anjo e Santa Isabel, foi o Espírito Santo,
Esposo dilecto de Maria, que assim se vale de todas as
criaturas para A enaltecer e sublimar.

-:1.0 - A sua humildade. - As outras palavras encer-


ram um afecto de profunda e atraente humildade. -De
onde me veio a mim esta dita, que a Mãe do 'meu Senhor
venha- tec comigo? Santa Isabel estava unida a Maria com
laços de parentesco, era mais velha que Ela e além disso,
era muito santa e não obstante... reconhece que não tem
méritos para receber uma visita da SS. ma Virgem... E tu
merece-la? .. . Tens alguma razão para pedir a Maria que
não te deixe e te acompanhe e te visite? .. . Sim; t·e ns uma
razão muito forte e é a apontada já . . ., o ser tão pequeno ... ,
tão ruim . .. , tão miserável é motivo para confiar mais e
mais em Maria, pois como Mãe carinhosa, cuidará com
ma is ~;mero dos filhos débeis, raquíticos, enfermiço.s, e será

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'Visitação da SS."'" Virgem e Santa Isabel 107

maio r a s ua glória , se conseguir dar-lhes a vida de que


necessitam .
. Q ual será a glória de Maria se conseguir, apesar das
tuás faltas. · ingratidões e misérias, fazer de ti uma alma
santa 1 - Confia pois nela e pede-lhe que faça assim.
F ina lmente: Santa Isabel profetiza que Nossa Senhora
será bem-a venturada porque acreditou nas palavras do
Senhor.- Eva não acreditando levou-nos à ruína ... Maria
creu; <! co.m esta fé realizou-se a Encarnação e a nossa
Redenção .
Dá graças à SS.m• Virgem que pela sua fé nos salvou
e pede- Lhe para poderes imitá-la neste mesmo espírito de
fé simples. para seguires as suas palavras e creres sempre
nas suas inspirações, pois essa fé é a humildade e des-
confiança de si mesmo... e ao .mesmo tempo a obediência
e a ent rega à vontade do Senhor com a qual havemos de
reparar a desobediência de Eva e conseguir participar dos
frutos da obediência de Maria . . .

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....
..

... #

31. Visitação da SS!'"''' Virgem e S. João

Se os efeitos causados em Santa Isabel com a visita


de sua prima foram admiráveis, e imensos os dons e graças
que por Ela récebeu, não o foram menos o.s que chegaram
até ao filho das suas entranhas. - Por isso hoje havemos
de meditar na Visitação de Maria considerada em S. João.

t.•- Os seus efeitos. - O primeiro efeito causado no


Percursor ao sentir dentro do seio de sua mãe a presença
da SS.'"" Virgem, foi de uma íntima alegria, até chegar a
manifestá-la de um modo prodigioso, mediante aqueles sal-
tos que sua mãe sentiu que o .menino dava cheio de alegria
e de gozo extraordinário.- O espírito de Deus é paz.
alegria e gozo do coração. -Poderás sofrer, ter desgostos.
e sofrimentos muito custosos e talvez bem dolorosos . . . ,
porém com Jesus ... , na sua presença e na de tua Mãe que-
rida... tudo se suavisará. -Não procures felicidad e e ale-
gria fora de Jesus, nem mesmo neste .mundo a poderás:
encontrar noutra parte.
Além disso, este gozo do menino ao ouvir a YOZ de
Maria e ao sentir perto de Jesus, significa a alegria do des-
pertar do mundo com a vinda do Redentor. - A noite é
sempre triste ... , o despertar da natureza é alegria , a vida
é inefável poesia. - Contempla .mais uma vez o mundo
submerso na noi te eterna do pecado ... ; vê-o poré m a des-

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Visitação da Sant;ss.ima Virgem e S. João 109

perta r ..,.; já· .passou a noite . .. , já chegou o dia, e o doce


despertar de tão horrível sono, causa à humanidade, uma
profunda felicid ade. e alegria. - É o que significam os saltos
de gozo que deu S. João.
São os primeiros saltos de uma alegria que será eterna,
p ara todos os homens que queiram aproveitar-seJ da vinda
de Jesus Cristo.
Pensa num encarcerado que está num triste e obscuro
calaboiço, carregado de cadeia_s e condenado à morte .. .
como receberá ele o amanhecer do dia da sua liberdade,
em que se quebrarão as suas cadeias e viverá vida de luz
e alegria 7 •••
Foi assim que S. João, representante da humanidade,
recebeu o gozo de todos os homens que por Jesus Cristo
haviam · de chegar à vida do Céu ...

2. 0 - Santif:'caç~o de S. João.- É este o fim principal


deste mistério. - Deus queria santificar o seu Precursor e
como Jesus não podia ir por si mesmo, vai portanto no seio
puríssimo de Maria. - Nota os pormenores importantíssimos
nesta misteriosa santificação. - Só nesse caminho as almas
O podem encontrar.- Quando trabalhares ne.s se sentido,
então poderás dizer que vais com Jesus.
Medita uma vez mais na prontidão e pressa que deve
haver e.m servir e entregar-nos a Deus. - Nem delongas ... ,
nem deixar as coisas para mais adiante .. .• -tudo isso é des-
leixo e frieza. - A Deus só se serve com diligência e só
se pode ir pelo seu caminho de santidade avançando sem-
pre e correndo sempre. - Longe a ideia de parar ou, menos
ainda, de recuar.
-Vês o exemplo de .santidade em S. João?- Que
rápido anda Jesus em fazê-lo santo!. .. Ainda não nasceu·
e já quer que seja santo! - Oh! que dita! - Se pudéssemos
dizer o mesmo de nós! Porém já que não nos foi conce-
dida esta graça çle nascermos santificados, não é este mais

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-'

110 Visitação da Santíssima Virgem e S. Joi,o

um motivo para .não perdermos o tempo que par;; i~so se


nos concede?
O tema da pregação do Baptista será aquela magnífica
exclamação: Eis o Corde~ro de Deus, que tira os pecados
do mundo. Como pronunciaria estas palavras aquele- que foi
o primeiro a sentir a verdade destas mesmas palavras, pois
que desde o seio de sua Mãe lhe tinha perdoado o seu
pecado e o tinha santificado? - Bu não sou digno de desa-
ta; a correia dos seus sapatos, diria também mais tarde ;
isto é, eu não sou nada perante Ele, pois tudo c que sou,
o sou não por mim mesmo, senão unicamente por Ele.
Aplica isto a ti e ficarás convencido desta verdade . . .
Fora d'Eie não és .rn.ais que podridão e J+]i&éria . . .
Sem Ele nada haveri.a de agradável na tua alma . . . Tudo
o que somos é só por Ele ... .Se há algum bem, alguma
coisa de digno e grande em nós, é unicamente por Ele. -
O Precursor é a primeira experiência vitoriosa que Jesus
faz do seu poder e bondade.- Depois repetirá isto em
todas as outras almas .. .

3. 0 - Tudo por Maria . - Lembra porém uma e muitas


vezes e penetra no sentido destas palavras: - tu do isto
fez-se no Precursor e faz -se .nas almas por: Maria. - É neste
mistério que aparece pela primeira vez como o instrumento
das maravilhas de Deus ... , exercendo a sua altíssima funç ão
de Medianeira de todas as graças. A primeira libertação
da alma de S. João dá-se com Maria e por Maria.
É ao proferir as suas palavras, no próprio mom ento
em que fala com sua prima, nem antes nem depois , que se
efectua esta primeira libertação de S. João do podH do
demônio. - As palavras da SS."'" Virgem foram como que
uma sentença de perdão... e de vitória sobre Lúcifer. -
Podia o Senhor ter operado esta santificação de um modo
mais oculto e silencioso; quis porém revelar que M aria
era a Medianeira dessa graça de .santificação e 5alvação.

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Visitação da Santíssima Virgem e S. João J 11

Jesus pois, será sempre o manancial, e Maria, o canal por


onde corre atê nós a água da graça.
Portanto; S. João Baptista foi o primeiro filho de Mari a
pela graça. - A sua imitação queremos e devemos sé-lo
também, como o foram todas as almas santas. - Quando
nos convenceremos pràticamente que só nos faremos santos
quando adiantarmos be.m no amor e ha imitação da San-
tíssima Virgem? ! - Pede-Lhe isto hoje por meio de S. João
Baptista para que assim seja não só o Precursor de Jesus,
senão também o precursor de Maria ...

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32. O cântico do «Magnificat»

Foi a resposta que a SS."'" Virgem deu aos louvores


.com que a elogiara Santa Isabel; por isso este sublime
cântico é .muito digno de ser meditado e conhecido por
todos os devotos de Maria.

1.• - Excelência e sublimidade do M agnificat. - Bas-


taria saber que tinha brotado dos lábios virginais da nossa
Mãe, para que não nos fosse indiferente ... , porém muito
menos o há-de ser se considerarmos as suas circunstâncias.
-Trata-se dum cântico que Maria, cheia de Espírito Santo
e de alegria divina de que se sentia possuída ao ver-se
Mãe de Deus, dirigiu ao Senhor, para o louvar.
Disse-se que é o cântico de louvor à Redenção. -
Quem poderia cantar a Redenção melhor do que Maria?
-Fora de Deus ninguém havia mais capaz de enaltecer
e sublimar esta obra... a ma~s excelsa do Senhor ... ; nem
os mesmos Anjos do Céu... Por isso foi a SS. ma Virgem que
de uma maneira pública e oficial apregoou a todas as gera-
ções o poder e o amor que na Redenção humana o Senhor
tinha acumulado.

2.• - É cântico de amoc e de egcadecim:;:nto de Miaria.


- Como o seu coração palpitaria de profundíssima emoção
ao ir expressando com os seus puríssimos lábios o que

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O cântico do «Ma,gnifioat:> 113

enc'.!rra:va na '-sua alma!- Como se contempla uma JO!a


riquíssima guardada em cofre de imenso valor ... , como se
admiram as ..reliqtiias milagrosas dos ·santos guardadas em
sepulcros sumpíuos·ós e_ venex:ados ... do mesmo modo deves
·c ontemplar e admir<;~r esta jóia, relíquia que Maria guardava
em seu coração e que hoje descobre à humanidade neste
cântico.
Nunca poderemos chegat a compreender toda a' força
de expressão que Ela s6ube dar a estas palavras.
Quanto mai.s meditares nelas mais tesoiros encontra~
r ás ... , não julgues porém que chegarás a entender todo
o seu formosíssimo significado. - Seria necessári ::> amar
como só Maria sabe • e pode ·amar. .. teríamos que conhecer
os mistérios que só Ela chegou a penetrar.- Vê com
quanto fervor e devoção deve.s frequentemente repetir este
cântico, pois bem sabes que- é o 'desabafo do coração san~
tíss imo de Maria e a síntese do seu agradecimento a Deus.
- Especialmente quando tiver.es de dar graças ao Senhor
por alguma graça ou beneficio particular que te haja con~
cedido, poderás fazê-lo com -outras palavras mai.s expres~
si v as do que estas mesmas do «Magnificat» ?- Haverá
cântico que mais ag-rade ao Senhor do que este que Lhe
recorda o amor intenso de quem o compôs e que pela pri~
me ira vez o pronunciou.? ...

3. 0 - É o cântico que enc-ert:a a szibl~ oraçiio de


Maria. - Quantas vezes terás · desejado saber como ora'ria
a SS. m" Virgem!... Aqui tens então um exemplo mana vi~
lhoso da sua altíssima oração. Nisto não há suposições
nem imaginações ... , são as mesmas palavras d'Ela com as
quais nesta ocasião falou com Deus ... porém em voz alta
para que d'Ela aprendêssemos a expandir o nosso coração
na - presença do Senhor.
Um dia os Apóstolo.s, pediram ao Mestre que os ensi~
nasse a orar, e Jesus compôs,lhes a oração do «Pater Noster».

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111 O cântico do «M agnificat»

-Por isso não 'í1á oração alguma que se compare com esta,
pois foi feita pelo próprio Deus.- Supõe que pedes a M aria
alguma coisa de semelhante; e Ela, Mestra da or ação, te
ensina e te canta o seu belíssimo <<J.l(JJ.agnificat».- De maneira
que se o Pater Noster é a oração de Jesus, o Magnificat-
é a oração de Maria.
Portanto, depois do «Peter: Noster:» e da «Aue-hlaria»
não deve haver para ti nenhuma oração melhor cio que
a mesma oração de Maria, a do seu cântico ào «Magnificat» ...

4.0 - P alaures de \Mar:ia. - Neste cântico, temos, fin al-


mente, o maior número de palavras de Maria. O EYangelho
apenas nos cita algumas soltas; são porém tão poucas . . . que
não satisfazem os seus filhos e devotos. -Mas no «Magnifi-
c::at» temos não um extracto ou uma ideia senão as suas
mesmas palavras e além disto todas as que Ela pronunciou.
Não foi sem profundíssima razão que tudo i.sto se
fez, pois parece que nos quis indicar de.s te modo quão
parca era em palavras quando falava com os homens e até
com os próprios Anjos, não perdendo tempo em dizer
palavras ociosas, senão as necessárias e convenientes.
E ao contrário, vê corno prolongou o tempo quando
se pôs a falar com Deus. - Aqui não mede o tempo, nem
as palavras, senão que deixa ao . coraç~o expandir-se quanto
quiser. - Medita na reserva e prudência que supõe a ati-
tude tomada no primeiro caso e no amor e fervor que supõe
a tomada quando falava co.m Deus.
Imita-a na reserva em falar com os homens, assim
como no amor ao tratar com Deus, e longe de a encurtares ,
prolonga a tua oração com Ele, e aprecia mais a sua con-
versação do que as da terra. - Pede-lhe enfim, que esta
oração . e este cântico, te seja infinitamente querido por ser
d'Ela e por ter sido inspirado pelo Espírito Santo, para
que assim o digas também com aquele fervo r e devoção
com que E la o disse diante do Senhor .. .

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33. ~b «Magnificat» -

São tão admiráveis e cheias de senÚdo as palavras


do Magni[icat, encerram U..'ll. conjunto tão maravilhoso de
louvores, de agradecimentos e de virtudes práticas, que não
é possível passá-las por alto e é de grande conveniência
determo-nos a saborear a.s suas doçuras e a estuda: os
seus ensinamentos.

1."- A minha alma e:c.gr:ar.âece ao Senhor:.- É o fim


do homem ... louvar e engrandecer ao Senhor. Dulcíssima
obrigação, .mas obrigação. - Deus criou tudo· para a sua
glória, -mas, pràpriamente a glória na terra só lha pode dar
o homem ... A glória é um conhecimento seguido de louvor. ..
não podemos iouvar o que não conhecemos. E como as
outras criaturas não têm conhecimento parece que nos encar-
regam a nós, de ne-las vermos e conhecermos a Deus, para
que em seu nome O louvemos. - Eis o nosso ofício ... :
recolher essas notas de bondade, sabedoria, poder, formo-
sura e caridade, que Deus depositou nas criaturas e com
elas formar um hino de gratidão que devemos entoar em
louvor de Deus. - Ofício Magnífico e sublime! Como o
cumpres?
Nós, o mais que fazemos muitas vezes é engrandecer
a Deus com a língua, porém não com todo o nosso ser. -
Quando pecamos, ainda que seja só venialmente, demi-

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116 O «M agnificat»

nuimos a D.eus em nós ... ; e quando pecamos mortalmente


como qu; ó~· fazemos desaparecer da nossa alma.
Todos os santos engrandeceram a Deus com as suas
obras, e cada dia o engrandeciam mais com a sua santi-
dade; mas, nem sempre ... , também eles tiveram faltas e
imperfeições . .. , também algumas vezes amesquinharam o
Senhor em seus corações. -Só ·M aria é a única, que nem
um só momento deixou de O engrandecer e sempre . . . se.m
cessar ... foi crescendo e engrandecendo a Deus.
Sabes louvar a Deus?- Trabalhas por conhecê-lo para
melhor o amar? - Pensa que quando não fazes assim faltas
ao teu dever ... , és uma nota discordante que desafina horri-
velmente nesse concerto de louvores ... ; por tua culpa e
ignorânci a não sabes interpretar o cântico que toda a cria-
ção te confia. ~E por tua culpa . .. - que vergonha!
Repara em Maria. - As suas primeiras palavras são
para recolher os louvores e grandezas que Santa Isabel lhe
diz para os dirigir a Deus... a Ele só a ~!ária e a honra . ..
Que belo o princípio deste magnífico cântico!
Vê além' disso como Maria engrandece ao Senhor com
toda a sua alma e coração~ em sua puríssima ·alma. -
Por isso Lhe disse no tempo presente: «A .minha alma
engrandece», não disse engrandeceu ou engrandecerá . . .
·senão agora e sémpre engrandece. - Parece ser essa a sua
ocupação perpétua, o seu principal ofício ... , como se não
tivesse outro ...
Mergulha o teu espírito neste ·exemplo e pensa em ti
comparando-te com Maria. - Oh! se sempre engrandecês-
semos ao Senhor, ou a~ menos, se nunca o deminuíssemos
em nós, qual não seria já a nossa santidade?
Pouco podemos e pouco valemos, mas com esse pouco
e do modo que podemos proponhamos louvar e engran-
decer ao Senhor, co.mo- Maria ....

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O «LVlagnificat» 117

2.0 - E o me.u, espírito se alegt"ou em Deus meu Sal~


vador.- Maria alegra-se e regozija-se, ou antes, encontra-se
mundada dum gozo perene. - Com que se regozija?- Não
com coisas t"!!rrt!nas. :. nem com coisas materiais. - É um
gozo íntimo, espiritual· que tem o próprio Deus por objecto.
-Regozija-se e alegra-;se em Deus . .. na posse plena e per~
feita do Senhor. .)J .-
Santa Isabel recoi da,Lhe as grandes graças e privilé-
gios, e ainda· que sejam motivo suficiente para alegrar-se
e regozijar-se neles, no entanto parece que não liga tanta
importância aos dons, como ao autor e dador dos mesmos
dons. - Santo Agostinho dizia ao Senhor : Não me dés tbas
coisas, mas d4-me a Ti mesmo ... isto é o que com maior
razão a Santíssima Virgem nos indica nestas palavras. -
Não sabemos procurar a Deus e por isso não conseguimos
regozijar-nos ~ n'Ele.
Que doçuras não tem comunicado sempre àqueles ·que
O amam! - Quais comunicaria então à Santíssima Virgem ? !
---: Que é pois de estranhar que a sua alma santíssima sal-
tasse de gozo e de alegria divina?
Repara porém que não diz que o seu gozo está sõmente
em Deus, senão em Deus Salvador. - Esta é a raiz e
fundamento da alegria espiritual e do gozo eterno que espe-
ramos .. . , o facto de Deus ser o nosso Salvador.- Está-
vamos condenados às tristezas e eternas amarguras do
inferno. - Gracas ao nosso Salvador converteram-se em
alegria sempite~na ... Que alegria para a alma ver ali o seu
Criador ... mas sobretudo ao ver o seu Salvador e Santi-
ficador! . . . Pois, que valeria ter-nos criado se não nos tivesse
salvado e santificado?
Regozija-te com a Virgem SS.m" neste pensamento e
alegra-te por teres um tão grande e sublime Redentor e
Salvador.- Repara bem que este gozo há-de ser no espírito,
isto é, um gozo puríssimo, sem mistura de coisa alguma
carnal e portanto deves fomentá-lo por ser um gozo ver-

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118 O «lvJagnifécat»

dadeiro. Ainda que o corpo sofra com a penitência e mor-


tificação, ·•Se o espírito se regozija e se alegra, isto é o que
importà:. ::.'·· •.
Finalmente, reflecte que o gozo de Maria não foi em
si mesma, senão em Deus só ... , qu<>r dizer, nada de um
gozo egoísta, que procura a sua comodidade e complacência,
senão um gozo de amor. .. , que se alegra de amar e ver
amado o objecto do seu amor ainda que por este amor
sofra e padeça. - Maria. via-se a si mesma e em si via a
Jesus nas suas próprias entranhas e esta vista causava-lhe
o seu gozo em Deus.
Também podes ver a D eus dentro de ti, e no teu cora-
ção O deves encontrar ... ; quanto mais o vires deste ,modo,
mais felicidade sentirás. - Aplica também este pensamento
à Sagrada Comunhão. -Não tens Jesus dentro de ti como
O tinha Maria?~ Sabes vê-lo como Ela? ... - Sabes apre-
ciar o gozo e a alegria da sua presença real? ... Vê-lo assim
deste modo <\ILUitas vezes ao dia?
Pede à SS."'• Virgem que te ensine a ver Jesus .:.,
a estreitar amorosamente a Jesus contra o teu peito . . .• a
deleitar-te com as doçuras divinas de Jesus ... , em cuja
comparação são ama(gas todas as doçuras da terra . ..

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,·,
34. O «Magnificat»

1." -Porque olhou pa>a a pequenez ou humildade da


sua serva. - É admirável a lição ·prática de humildade que
aqu i "os dá a SS."'" Virgem. - Acaba de ser saudada por
um An jo da parte de Deus ... , acaba de ser elevada à digni-
dade de sua Mãe ... , acaba de ser proclamada bendita entre
todas as mulheres, como lhe disse Santa Isabel... e Ela.
empen hando-se em abismar-se no mais profundo da sua
humildade... reconhece que não é mais que uma simples
escrava do Senhor.
Com isto diz-nos que tudo o que n 'Ela há é de Deus,
pois tudo provém de Deus ter posto os olhos n'Ela... e
«olha r.-. na linguagem bíblica significa olhar com bons olhos
e amar ... E assim, tudo procede desse olhar de amor de
Deus para Ela ... , pois . de contrário, não teria sido senão
uma de tantas filhas de Eva.
Medita muito nestas palavras e impregna-te desta ver-
dade. que se se aplica a Maria, .muito mais se pode aplicar
.a ti. Que és tu? ... e sobretudo, que. és diante de Deus? .. .
que tens de teu e que tens d'Ele?... Se Deus te pedisse
quanto te tem dado e que por isso lhe pertence, na ordem
da natureza e da graça ... , bens físicos e espirituais . .. , dons
i nterio res e exteriores .. . que te ficaria? ... apenas uma coisa:
o pecado ... esse é exclusivamente teu. - Tudo o resto é de
Deus.- Portanto, não podes dizer que Deus te v iu com

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120 O «Magni[icat»

bons olho.s .e que por isso te cumulou de bens e te deu


quanto P9&.~uis]
Vê pois ~~.mo com maior razão que a SS.m" Virgem,
deves não só reconhecer, senão praticar a humildade, já que
isto é a única coisa justa e racional que te fica bem.
Além disso considera como Maria nos ensina que o
fundamento de todos o.s bens do. Senho.r e de todas as
graças que d 'Ele recebemos, é exactamente a humildade .. .
e por isso diz que louva ao. Senhor e se regozija em D eus
seu Salvador porque olhou para a humildade da sua serva.
-Desta .maneira estarás muito longe de te louvares a ti
mesmo, como fez o fariseu do Evangelho que a tribuí a aos
seus méritos todas as suas boes obras ... ; pelo contrá rio, a
cada instante :reconhecerás a bondede e misericórdia de
Deus, que te levant~ do pó e da miséria, à altura da san-
tidade ... , e tanto mais alto te levantará o S enhor quanto
tu mais . te empenhares em viver uma vida ebatida ·e escon-
dida na tua húmildade.

2. 0 - Eis porque todas as gerações :me chamarão bem-


-aventurada. - É uma confirmação das palavras anteriores.
O humilde encanta o coração de Deus, e Deus não repara
em meios para o levantar e o exaltar.- Quanto não áal-
tou e .sublimou a todos os santos! - Mas sobretudo a Maria!
- Quem mais humilde do que Ela? ... Por isso mesmo, todas
as gerações A chamarão bem-aventurada.. . Ela humilha -se
e Deus exalta-A.
Contempla esta divina porfia. Maria procurando rebai-
xar-se diante de Deus ... e levantando-A acima de todos os
homens ... , de todos o.s Anjos ... e a introduzi-la nos mes-
mos segre<:los altíssimos da divindade. - Ninguém tão
humilde como Maria ... , e ninguém mais elevado do que Ela !
Perder~e-ás no exame da sua hu.mildade porque não che-
garás ao fundo do seu abatimento ... .Se meditas na sua
exaltação igualmente a não compreenderás, porque quem é

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O «Magnificat» l : .1

capaz de a seguir no seu voo para Deus ajudada e elevada


pelo mesmo Deus?
O que será a humildade?. . . Que verá Deus nela, para
que seja cçmdição .indispensável para lhe agradar?- Se
Maria se não tivesse feito escrava, não seria agora Rainha,
Senhora, e Mãe do próprio Deus.
Portanto, a soberba e a vaidade não são só contra a
ra;:;ão .. . , mas, sob o ponto de vista de um santo egoísmo,
são completamente inúteis e infrutuosas. O soberbo nada
consegue ... e o humilde tudo alcança.- Compreendes agora
como, até por conveniência própria, deveríamos trabalhar
por adquirir esta mat:avilhosa virtt1de>.. e desterrar todo o
assomo da .asquerosa soberba?-Com quanta razão S. Ber-
nardo chamou ao «M'lgnilicet>> o «êxtase da humildade »
de Maria! ... , pois dessa virtude, fez brotar todas as suas
grandezas e maravilhas ...
Vê, finalmente, que estas palavras encerram uma pro-
Íecia ... ; Ela disse: que «a chamariam bem-aventurada ... ~>
Fala de um futuro que devia desconhecer e não obstante,
com toda a .segurança afirma que será assim.
Como é suave, para nós, ver o exacto cumprimento
destas palavras!- Reune os títulos de ·• Maria ... , os seus
santuários e templos .. . ; conheces alguma igreja que não
tenha um ou vários altares em sua honra?... Haverá povoa-
ção, por grande ou pequena que seja, que não possua alguma
i.magem da SS. "'" Virgem e que não celebre a sua festa
com alegria e esplendor? ...
Recorda o mês de Maio ... , pensa no dia da Imaculada
Conceição . .. lembra as principais festas da SS."'" Virgem ...
e verás que o povo cristão corre a ajoelhar-.se aos pés de
Maria.- Sobe ao Céu e vê a todos os santos reconhecendo
a santidade da Virgem Santíssima. . . e a todos os Anjos,
que juntamente com os homens não cessam de a proclam ê.r
«Bem-aventurada».. . Que esplêndida confirmação a desta
profecia! ...

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35. O «Magnificat»

! .O- Porque o To:io-Podecoso fez em mim grandes


coisas e o seu santo nome. -Como compreendemos mal a
humildade!... Jui gamos que çonsiste exteriormente em dizer
mal de nós ..., em não reconhecer o bem que fazemos... e em
não v er as graças que o Senhor no.s concede . .. e nada disto
é a humildade.
Escuta Maria: T.O:ias as gerações me chamarão.. Be!m-
-aveturada.- O Todo-Podecoso fez em mim grandes coi-
sas .... e no entanto, isto é humildade.- Não esqueças que
a humildade é a verdade, simplicidade e sinceridade.
Reconhece pois o bem que em ti há, não porém para
te louvares ... ; então será soberba. _ , Compreende a gran-
diosa e v asta obra de Deus no teu coração .. . ; que isto
porém te sirva para o louvares mais e mais ... , para corres-
ponderes melhor. .. , para cada dia o amares com maior
fervor e entusiasmo, co.mo consequência natural do teu
agradecimento.
A que coisas se referia a SS. "'" Virgem ao dizer que
Deus tinha operado n'Ela grandes maravilhas? ... Em que
pensaria quando dizia estas palavras? - Pensa e trabalha
por adi vi nhá-lo, percorrendo como Ela percorria os favores ·
e dons aue do Senhor tinha recebido.
Lembra-te da sua predestinação desde a eternidade ... ,
da sua <!Xistência na mente divina gratíssima para Deus.

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O «Magnificat» 123

E lemb ra-te a seguir do inefável privilégio da sua Concei-


ção Imaculada, .com todas as graças inerentes a esse privi-
légio ... : passariam pela sua imaginação e teria presentes
todas as · maravilh?s que em seu coração quis o Senhor
acumula r, e recordél!'·.Se-ia da saudação do Anjo .. . , do mis-
tério da Incarnação · do Verbo .. . e então, aparecer-lhe-ia
dia nte dos olhos o milagre dos milagres .. . : que Ela· cria-
tura ! . . . escrava do Senhor ! . . . fosse ao mesmo te.mpo sua
Mãe 1 • • • e como para isso foi necessário fazer uma coisa
extraordinária e desconhecida no Céu e na terra, isto é.
o ser !.'vlãe sem deixar de ser Virgem. - Por isso. extasiada
ao ver tudo isto ... , penetrando no valor e significação de
tudo. com grande fervor excla!]la: O T odo Poderoso fez
em mim grandes çoisas.
V és bem? Tudo, tudo atribui ao poder de Deus... ao
Todo-Poderoso!. . . à santidade de Deus!... ao seu santo
nome ! ... - Deus, com a sua santidade, bondade e divina
misericórdia, determinou fazer tudo isto... e fê-lo com o
seu poder i'n Jinito.
f a: uma aplicação destas palavras à tua alma.- Não
poderás também dizer que fez em ti grandes coisas o poder,
e sobretudo, a bondade de Deus?.. . Não é um efeito da
sua liberdad~... (sem mérito algum da tua parte ... ) tudo
quan to o Senhor te tem dado generosamente?- Demora-te
a recordar tudo desde o teu nascimento· até ao momento
presente . .. ; recorda, sobretudo, as vezes que te te.m per-
doado os pecados ... ; que te tem transformado dum abismo
de misérias que eras num abismo de graças e formosura. -
Reconhece isto assim, que não é soberba... Mas louva-o
a E le como Maria.
Bendiz o seu poder... Glorifica a sua bondade .. . ,
venera com o amor o seu santo nome.

2. 0 - «E a stta miser~"córdia. se estenderá de {}!!?tE' ação


e'm gera;ão para com todos os que o temem ». - Eis outra

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,,
~12~4~--------------·0
=-~«~~~~nif~ic~m
~·-»________________~

face~a '<l~licadissima da humildade. - Maria regozija-se em


estender·"<ios eutrcs· esta misericórdia do Senhor, que usou
para com Ela.
Quanto Deus fez de grande em sua alma, fá-lo-á com
todos os que O temem ... ; não quer ser a única ... ; com-
praz-se em publicar a participação que todos podem ter
nesta bondade de Deus. - Ah! Como é humano querer ser
dos primeiros! . . . e muito mais ainda sermos os únicos!-
A verdadeira humildade, não é exclusivista ... , nem ambi-
ciosa... muito menos, invejosa ·do bem alheio ... ; isso é
demasiado humano .. . , e Maria é divina! Por jsso não é
assim, nem mesmo assim pensa ...
Além disso esta misericórdia e bondade é para os que
O temem. -Não se refere ao temor servil, próprio dos
servos, senão ao temor reverencial e filial dos bons filhos.
- É aquele santo temor de Deus, de que fala a Sagrada
Escritura, que ·é o princípio de toda a Sabedoria ... e· por
isso mesmo, o princípio da santidade e o fundamento do
amor. - Teme, e ama! ... são duas coisas inseparáveis para
Deus... Deves pois .temer com amor, e deves amar com
temor. - Temor de ti..., dos teus pecados e recaídas ... ,
da tua miséria . .. , da tua pouca gratidão e correspondência .. .
Como Deus é bom para com os que O temem! :. . Que será
para com os que ~~ amam! - Teme a sua justiça, mas
sobretudo ama a sua bondade .. . , confia na sua' misericórdia,
e verás como se cumprirão em ti as palavras de Maria.
Regozija-te de teres um Deus tão misericordioso, que
não nega a sua misericórdia a ninguém, e trabalha com ·toda
a tua alma por estender, com a tua oração . .. , com a tua
penitência ... , com o teu amor, este reino da bondade e da
misericó rdia, ·n ão só em tua alma, senão em todo o mundo,
como Deus quer . . . ·em todos os justos ... , nos tíbios ... e até
nos grandes p ecadores para os quais não brilha ainda
esta infinita misericórdia do Senhor.

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36. O ·« Magnifica.t»
J.

1." - C om o seu bcaço [Tez obras magníficas . - •Aqui


exalta a SS. m u Virgem o poder de ·Deus, que se manifesta
especialmente nalgumas das suas obras. - São todas fru to
desse poder infinito de Deus, porém nalgumas manifesta-se
mais claramente essa omnipotênda. Olhãria a ss.m• Virgem
para o Céu e veria nele as estrelas im·e nsas.. . luminosís-
si.mas... incalculáveis no seu número... com uma vida e
movimento incessantes ... no meio duma ordem admirável.
Que bela obra a do Céu com as suas estrelas, para
.se ver nela a omnipotência de Oeus!-----' E a terra? ... , com
as suas plantas e animais ... , com os seus rios e mares ... , etc.
PercorPe pois tudo is.to com a imaginação e pergunta
a ti mesmo : não é isto obra do braço poderoso de Deus?-
Qu_e.m, senão Ele, podia conceber, ou fazer coisas seme-
lhante?
Depois, veria também o homem ... , o.s anjos ... e toda
a brilhante corte que cerca o trono de Deu.s ... , e sobretudo
ver-se-ia a si mesma... Onde, poderia descobrir melhor a
força do braço poderoso de Deus senão no seu coração e na
sua alma puríssima e imaculada?·
Pensa be.m no que isto quer dizer. - Ao fazer Deus
todas as suas obras, parece que as fez sem <;sf9rço algum .. . ,
bastou a sua palavra . .. , o .seu querer ... , porém na obra da
In carnação, ao nosso modo de entender, não é certo que

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126 O <::M agnificat»

não - ~ "j3õdemos explicar senão como obra em que Deus


teve que pôr toda a sua omnipotência e fazer, se assim se
pode dizer, um grande esforço.
Para a criação não teve nenhuma resistência a v e:Jcer _.. ,
tudo foi feito do nada. - O esforço é tanto maior, quanto
maior é a resistência que se opõe ao nosso trabalho. -
Se pois na criação, a resistência não existia porque as coisas
jaziam no nada ... , na Encarnação não foi assim ... Teve pri~
meiro que violentar, por assim dizer, a divindade ... Teve
de fazer-se violência a Si mesmo para deminuir, tornar
pequeno e aniquilar o próprio Deus! ... , e assim poder
encerrá~lo num corpo humano e no seio de Maria.
E teve de fazer esta obra única e jamais repetida,
de escolher uma mulher e fazê-la sua Mãe... e torná-la
por isso receptáculo dos prodígios e maravilhas de toda a
criação ... ·e fazê~la Imaculada ... e Virgem e Mãe ao mesmo
tempo. "~
Tudo isto não supõe um imenso esforço do braço pode~
raso de Deus?
Foi tão grande este esforço, que chegou a esgotar,
se assim se pode dizer, todo o seu poder ... Deus pode criar
milhares de murrdbs ... milhares de seres ... , milhõe.s de anjos
e céus mais belos ... , mais esplendorosos, que os actuais. -
Porém, não pôde fazér uma obra de .maior grandeza que
sua Mãe ... , pois era impossível que houvesse Mãe superior
à Mãe de Deus.
Não .podes aplicar isto mesmo à Sagrada Comunhão? ...
Não é 'Outro esforço do 'seu braço? ...
Não esgota aí também à sabedoria- e o poder e até o
amor de Deus? ... Com ser o.mnipotente ... , Deus pode dar-te
alguma coisa maior do que a Sagrada Comunhãó?

2." - «O:onf:undiu os so!ler!..--os nos pensamentos dos seus


corações». - Eis outra prova do poder do seu braço. -
A sua omnipotência -manifesta-se nas obras da misericórdia

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O «M agnificat» 127

e da bondadi: .. . , e também nas da sua justiça. - E assim


como vai para os humildes toda a sua misericórdia. assim
a sua justiça descarrega-a sobre os soberbos. - Como sE:
lembraria a ss.m• ·· Virgem da diferença da sua exaltação até
ao trono de Deus, para ser ·R ainha e Imperatriz do Céu,
com a estrondosa queda de Lúcifer das alturas até ao mesmo
inferno! - Ela .subiu pela humildade, este caiu pela sua
soberba ...
E nota bem que Ela diz: «aos soberbos de inteligência
c de coração»... Cristo refere-se, claramente, à soberba
interna, não precisamente à externa, que é uma faLta de
tino . .. A interior é mais refinada . .. , isto é, parecer humilde
no exterior, e interiormente ·ter entronizada a soberba· no
coração e na mente. - E o pior desta soberba é que é tão
subtil e tão fina, que penetra até ao mais íntimo sem darmos
conta.
Fixa-te nesta distinção : sober:ba de espír:ito . .. é o pró-
prio parecer ... o não querer ceder ... o desejar que nos dêem
sempre razão .. . , o não sofrer uma contradição ... , enfim,
é o não condescender especialmente· quando julgamos ter
razão ... ; e depois repara na soéer:ba de coração .. . ; que
há-de ser esta .soberba senão o terrível amor próprio _q_ue
tão pr:ofundamente se enraíza no nosso coração ? _
Pede à SS. m• Virgem te liberte desta dupla soberba,
do espírito, e do coração, e assim, pela sua mediação, te
vejas livre da ju$1:iça divina, que, segundo a própria V ir-
gem ss.m•, tão duramente há-de castigar esta soberba
interna ...

., .

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t~"' ;. )(

' "
37. O «Magnificat»

J'

1. • - Depôs do tmno os poderosos ê exaltou os humil-


des. - Assim ccomo no verso anterior expôs ·o que o Senhor
faz sempre com os soberbos de espírito e de coração, assim
agor'a nos fala da manifestação dessa soberba por meio da
vaidade, do orgulho, da fome de mandar ... ; estes são os
poderosos da terra ... -os que mandam e não ·gostam de
obedecer.- Eis porque a obediência é irmã inseparável da
humildade.- A uma e a outra convém esse espírito de .sub-
.missão e ·de simplicidade que tanto agrada a Deus. Quantos
poderosos não havia então na terra?!... ; com luz vinda do
Céu a SS. ma Virgem via-os a todos gozanqo nos seus
palácios . .. , mandando em seus servos e escravos que perante
eles se prostravam como se fossem deuses ...
Es cuta porém a frase enérgica de Maria ... : a esses o
Senhor os porá fora dos seus -tronos,..,e das suas cadeiras
de vaidade, e com desprezo os abandonará. - Estas expres-
sões parecem não condizerem com a doçura e compaixão
de Maria!. .. Nós não podemos compreender quanto Deus
detesta toda essa presumida vaidade da terra: - Nem
sequer para ela olha, nem lhe tem alguma consideração. -
Para procurar Maria, não a procura entre os grande.s da
terra. senão entre os humilde ... ; e quando nasce em Belém,
m anda aos anjos anunciar a grande nova aos pastorinhos
simples.. . e dos grandes e poderosos nem se lembra... Como

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O «.M agnificat» 129

deve ser terrível este desprezo de Det..s! . . . Que imenso


castigo Maria anunciou por palavras -tão fortes!
Examina se tens esse espírito mundano em qualquer
das suas manifestações ... , nalgum dos seus graus, ainda
que te pareça muito pequeno, e se queres ver quão distante
estás desta pre·s umida .soberba e vaidade, vê em que estado
te encontras e em que alturas estás quanto à obediência ... ,
.submissão e humildade ... , e assim compreenderás a que dis·
tância te encontras do grande prêmio que Maria anuncia
para os humildes. - Para estes, a exaltação, o engrande-
cimento .. ., um trono muito levantado no céu. - Compara
essas duas expressões da ss.m• Virgem: a do castigo do
desprezo para os poderosos ... , a da exaltação gloriosa dos
:humildes e simples.

2. o - «Cumulou de bens aos famintos e despedia os


ricos de mãos vazias». - Mas... ainda mais? - Não acaba
.a SS. "'" Virgem de exaltar a humildade. Quanto a ama!
Porque estas palavras são uma confirmação ou repetição
das anteriores.
Aqui fala de outra manifestação da humildade, que é
a pobreza .... e da soberba, que é a abundância e as como-
didades. -A pobreza real e actual.. ., a pobreza de espírito.
-Jesus quis nascer, viver e morrer abraçado a, ela.-
Se soubéssemos quanto esta virtude agrada a Jesus, como
a apreciaríamos!
-Ao menos, havemos de procurar e desejar a pobreza
de espírito.- Não apegar-se a nada ... , não desejar nem
invejar nada ... , não querer o bem-estar e comodidades das
riquezas ... , ter gosto em que nos falte alguma coisa, e que
nem tudo saia à medida do nosso desejo... E enfL'll, no
afã de despojarmo-nos de tudo ... , despojarmo-nos de nós
próprios.
Só um coração despojado do amor carnal, do amor de
si mesmo pode agradar a Deus. Nosso Senhor quer que nos
9

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130 O «Magnificat»

revestimos d'Ele, .mas para isto temos de despojar-nos de


nó.s mesmos.
Quando deitamos massa num molde, se quisermos que
ela chegue a .todas as formas e desenhos, é preciso que
o molde esteja bem limpo de tudo ... ; quaisquer aderências
que tenha, impedirão que s·e imprimam perfeitamente todas
as suas linhas.- Pois bem: Maria e Jesus querem moldar-se
·no teu coração . .. , para que este seja uma cópia exacta
d'Ele.s.
Porém não admitem companhia, porque não há nenhuma
digna de Jesus e de Maria ... :É necessário, e a todo o custo
indispensável, que limpes bem o coração . .. , que o desprendas
e arranques dele ainda que seja com violência ... e com dor,
tudo o que não seja Jesus e Maria. - Pensa nisto, em modo
particular na ocasião da comunhão e não esqueças que tu
e Jesus não cabeis juntos no coração ... Se queres que Ele
entre, terás que sair tu ... Ele só é bem capaz de o encher.
- Esta é a fome de que fala Maria. - Vai com verdadeira
fome receber a Jesus, e sentirás a verdade destas palavras:
«aos. famintos cumulou-os de bens». - Porém aos outros ... ,
a esses ... , deixa-os sem nada... que é o que lhes pertence.

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38. O «Magnificat»

1. 0 - «Tr atou ou socorre(u a Israel, seu servo· recor~


dando-se da sua misericórdia». - Aqui recorda a SS. m n Vir~
gem a grande misericórdia usada com Israel. -Era um
povo escravizado pelos Faraós, a quem o Senhor milagro-
samente tirou daquela escravidão e os conduziu através do
deserto ... ; ali alimentou-os com o maná do Céu; depois de
os livrar triunfantemente dos seus inimigo.s levoUrOs à terra
opulenta da promissão.- Enfim, tomou-o como coisa sua . . . ,
fê-lo seu povo escolhido . . . , e tratou-o como a um membro
de família, com carinho e providência admiráveis.
Aplica tudo isto, ponto por ponto, ao que Deus tem
feito contigo e verás aí uma sombra da realidade. - Tirou-te
do cativeiro do demônio, infinitamente pior que o dos
Faraós . . . , protege~te .sem cessar no deserto desta vida . . .,
alimenta-te com o verdadeiro maná divino do seu próprio
Corpo e Sangue. . . e c011duz~te carinhosamente pela sua
mão à terra prometida que é o Céu.
Mas, há mais ainda: a Israel deu-lhe o título de seu
servo ou doméstico - grande favor, sem dúvida, servir a
Deus!- porém a ti chama-te e dá-te o título de honras de
íilho . . . , de irmão de Jesus Cristo ... , de herdeiro do seu trono ...
Que sublime e magnífica realidade! Não duvides de que
ainda que Maria fala apenas da misericórdia de Deus com

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132 O «Magni[icat»

Israel, ' ~n~avà fambém na que usaria contigo e tinha-a


bem pr.e sente.
O que não diz a SS. ma Virgem é a correspondência de
Israel ao Senhor ... ; bem na sabes: dureza de coração ...
desconfiança d'Ele no deserto... um total esqueci.mento de
Deus nas delícias da terra da promissão, chegando a pro-
curar outros deuses para os adorar ... e, finalmente, expul-
sando a seu Filho quando veio a salvar-nos, dando-lhe
morte cruel na cruz ...
E is o que Deus recebeu da misericórdia usada para
com aquele povo. - Mas... também nisto será figura de ti?
- Também .terás imitado neste ponto a Israel, na sua negra
e enorme ingratidão? . . .
Poderá também dizer de ti o Senhor que da sua vinha
eleita, que era Israel, não tirou mais do que uvas silves-
tres, azedas, . amargosas... Pelo menos nalgumas ocasiões,
reconhece com humildade e com santa vergonha que assim
tem sido ... , mas promete firmemente que já não será assim
p ara o futuro .. .

2." - «Como tinha prometido a Abraão e aos seus


descendentes, por todos os séoulos dos séculos». - Como
Deus é fiel à sua palavra! - Assim o prometera a Abraão,
e a seus filhos, os outros grandes Patriarcas do Antigo
Testamento ... , e como o prometeu .a ssim o cumpriu. - Ele
não ignorava o que aquele povo ia faz·er dos seus bene-
fício.s, e apesar disso ... , não volta atrás e não desfaz a
sua promessa. - Como o Senhor é fiel !
Mas nota, como, segundo as palavras da Santíssima
Virgem, esta fidelidade e exaotidão de Deus, é por todos
os sécitdos ... , isto é, que como cumpriu o prometido então,
também o cumprirá no que prometa depois.
E efectivamente, segundo S. Paulo, esta fidelidade de
Deus manifesta-se em três coisas: a) em não permitir ao
demónio que nos tente mais do que nós podemos resistir,

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O <<Magnificat» 133

pois é bem claro que se o deixasse, ninguém o venceria ... ,


tanta é a sua astúcia! tanto o seu poder e sabedoria I
b) é fiel E:.m não abandonar-nos durante a tentação ... ; não
é como as amizades terrenas, que nas provas e dificuldades
da vida, em especial _na mais terrível, a da morte, nos
deixam sós e nos abandonam .. . , não nos servem para nada.
-Mas o Senhor não é assim; quanto maior for a tentação
e a necessidade tanto mais nos assiste com a sua ajuda e
com a sua graça ... , de tal modo, que nos dá esta na medida
daquela, sem que nunca nos falte ... , apesar de tantas vezes
nós o deixarmos; c) ·enfim, é fiel em dar-nos um prêmio
eterno, se soubermos, com a sua graça, lutar e vencer. .. ;
esta fidelidade de Deus, é o -f undamento da nossa espe-
rança ... , o Céu! ... , a posse de Deus! ... e isto, com certeza,
pois Ele não falta à sua palavra.. . Que consolação e que
alento nos dá na vida este olhar para D eus ... , para o Céu ... ,
para. a coroa que nos espera! ...
Vê o que deves- dizer ao Senhor perante este seu
exemplo de fidelidade que te recorda a SS. ma Virgem. -
Que pena e que vergonha que tenhas sido tantas vezes
infiel e inconstante nas tuas palavras e promessas feitas ao
Senhor!~ Se tivesses cumprido só metade das coisas que
tantas vezes tens prometido, qual não seria a tua santidade
a esta data? Pede a Maria a graça da exactidão ... , da
fidelidade ... , da constância no cumprimenti das tuas
palavras.

3.0 - Res,umo e conclusão. - Como é sublime o cântico


do Magnificat! - Que formosíssima a oração de Maria. -
Quantas coisas não encerra! - É o cântico da gra-t idão da
sua alma a Deus! - o cântico da :Redenção, em que publica
as maravilhas e ·grandezas que nesta obra fez o braço
poderoso do Senhor e a sua misericórdia! - Enfim é o cân-
tico da humildade!- Assinala-nos o caminho que temos de
seguir ... , não há outro ... Nem Ela nem Jesus encontraram,

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134 O «M.agnificat»

e , menos ainda seguiram outro . . . , Lança-te generosamente


por.· e) e !_ .. :· a imitar a Jesus e a Maria na sua humildade! ...
Portanto--·procura · uma devoção terna e fervorosa a este
sublime cântico e repete-o diàriamente na comunhão para
dar graças ao Senhor... , ao mesmo tempo, que te deves
examinar da tua fidelidade na promessa que hoje lhe fazes
de segui-lo na humildade.

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39. A Expectação

A Igreja celebra a Expectação da SS.m• Virgem com


urna festa especial que lhe dedica no santo tempo do
Advento. - É uma festa genuinamente espanhola, estabe-
lecida, provàvelmente por Santo Ildefonso, o qual nas mati-
nas da meia-noite desta fe.s ta, mereceu ser revestido pela
SS. "'' Virgem de uma preciosa casula que os anjos trou-
xeram do Céu.

1. 0 - A IZida da SS. mo Virgem durante este tempo. -


Considera esta vida sob dois aspectos: um interior e outro
exterior.. . Sob o aspecto interior a vida de Maria é uma
absoluta identificação com seu Filho. - Mãe e Filho não
viviam uma vida semelhante, mas uma única e .mesma vida.
uma só vida. - Não se pode conceber maior dependência
que a de Jesus no seio puríssimo de Maria. - D'Ela· recebia
toda a vida ... Que mistério! Deus depender de uma cria-
tura! .. .
Penetra no .mais profundo dessa intimidade divina entre
Maria e seu Filho e aprende: o recolhimento com que Maria
concentrava em Jesus, sem cessar, todo o seu ser... ; ·a Pervor
e o amor, com os quais vivia unicamente para Jesus ... Ela
via mais com os olhos de seu Filho, do que com os seus
próprios... amava com o Coração de seu Filho e todo o

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136 A Expectação

seu g(jsto era qar-lhe gosto a Ele.- Que amor tão perfeito
e tão · puz'õ· sentiria pelo Deus que encerrava no seu seio! ... ,
a vida de gozo e de alegria. inefáveis, porque todas as coisas.
divinas causam gozo e dão a felicidade e - sobretudo a
posse de Deus, como a tinha então a Santíssima Virgem ...
Nada pois tinha que invejar da glória dos bem-aventurados
do Céu .. .
Aprende, finalmente dela a ter uma vida de desejos
e de ânsia. infinita, que a levava a estar sempre em oração,
fazendo violência a Deus para que apressasse quanto antes
a hora de revelar-se. ao mundo.- A hora da . Redenção ...
é isto sobretudo, o que mais caracteriza este momento da
vida de Maria. - Como é doce pensar que em virtude
desta sublime e fervorosa oração, o Padre eterno adiantou
a hora da . Redenção do mundo e . nos enviou o seu próprio
Filho para nos salvar! ...

2. 0 - A sua. vida exterior. - Como a SS.'"" Virgem é


admirável e.m tudo! . . . Com uma vida interior tão intensa
e tão divina como levava então, não deixava transparecer
nada no exterior. --'- Exteriormente uma doce calma, uma
simpática simplicidade, uma amável serenidade.- Ninguém
suspeitava o que se ia passando no seu interior. .. ninguém ,
nem sequer São José ...
Que santa avareza a de Maria!
Como guarda para si o tesoiro e o não confia a n'n-
guém! - Nem a ambição, nem a soberba nem o amor p~ó­
prio, nem o desejo dos louvores, a levam a comunicar seja
a quem for o seu segredo ... , ne.m a dar-se importância
diante dos demai.s, julgando-se superior a todos, ainda que
o era na verdade ...
Que humildade prática! Que bela simplicidade! . .. Quan-
tas vezes o nosso merecimento se e.vapora, porque o derta-
pamos diante dos outros e não, sabemos guardar as nossas

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A Expectação ~ 37

coisas só para Deus ... ; pelo menos pômo-Io é.m perigo , por-
que imprudent.e mente o expomos aos olha·res dos homens,
procurando ..májs ou menos directamente algum louvor. .. ,
algu.ma· estima deles ...

3. 0 - A vida do Filho. - Contempla neste momen to a


vida de Jesus ... , oculta e escondida como num sacrário,
no seio de Maria.- Que obscuridade e silêncio nesta vida
de Jesus! ... Que fraqueza e debilidade a de Jesus! ... Tudo
espera e tudo recebe de sua ·Mãe ... e contudo dali mesmo
está dirigindo o mundo . . . , está sendo a alegria dos Anjos
e, sobretudo, está dia a dia santificandq, mais e mais com
a sua presença, com o seu contacto, - ~ sua querida Mãe.
Que mistério! ... , que vida activa a de Maria com o seu
Filho e a do Filho com sua Mãe! .. . ; contudo é vida de
actividade interior ...

4. 0 - A tua vida. - Esta é que deve ser a tua vida.


Isto é que é viver ... viver para Jesus, dando tudo a Jesus
como Maria lhe deu. - Nisto é que está a verdadeira
doçura, o encanto, a perfeição que encerra a vida interior ...
Aprende e pede a Jesus e a Maria que te dêem esta vida.
- Examina como te encontras co.m relação a esta vida. -
Vê se gostas do silêncio dela ... , da sua obscuridade ... ,
da sua simplicidade exterior de que anda acompanhada .. .
vê se desenvolves no teu interior o fervor, e o amor de
Maria, que via sempre e tratava com Jesus no mais íntimo
da alma.
Principalmente depois de comungares, porque é que o
contacto com Jesus e a sua presença semelhante à que Ele
teve no seio de sua ·M ãe, não produzem em ti a santidade
que produziram n'Ela? Para o conseguires tens de vigiar
os sentidos, as potências, mortificando-os sem cessar. con-
centrando-os no interior, para que vejam aí a Jesus e se

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138 A E:cpectação

acostumem a tratar com Ele, precisamente no mais íntimo


do .cor.açiío.- _ .
.l?or ~ultimo, vê wmo aqui tens um modelo perfeitíssimo
d~ escravidão Mariana. - Jesus é o primeiro escravo de
Maria. - D 'Ela depende toda a sua vida ... Assim deve ser
a tua .. .. urna vida completamente entregue a Maria sem
nada poderes fazer sem Ela ...

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40. Jt.. caminho de Belém

1." - O ,ecenseamento. - · Este serve de ocas1ao para


a viag~:n a Belém e para exercitar as mais belas e difíceis
virtudes na Santíssima Virgem, como são, a submissão e a
obediência. -Contempla a Maria na companhia de S. José
na sua pobre casa de Nazaré ... , pobre, mas nada falta.-
Ela andou pi"eparando com todo o carinho todos os porme-
nores. para o nascimento de seu Filho que se aproxima ... ,
o bercinho feito por S. José, os paninhos que Ela mesma
confeccionou .. . ; em tudo há pobreza mas muito carinho
e amor... e o amor supre e inventa muitas coisas para
melhor receber ao seu querido Filho.
De repente ouvem um rumor, primeiro, e pouco depois,
confirma-se esse rumor ... : todos têm que ir a recensear-se
no lugar da sua origem, e Ela e José descendem de David
e da real cidade de Belém ... Que contratempo! ... Como iam
eles agora a fazer a viagem naquelas circunstâncias ...
quando de um dia para o outro Nossa Senhora esperava o
nascimento do Menino Deus?... E tudo isto pelo capricho
e soberba de um homem, de um tirano que assim o ordena ...
Não haveria meio de impedir tal disposição ... ou pelo .menos
de diferi-la?... Porque não esperar um pouco de tempo até
que passe aquele dia ditosíssimo? ...
E , contudo a Santíssima Virgem não fala nem critica
nem protesta... Com o coração ferido, acata a divina von-
tade ... , confia no Senhor ... , lança-se nos seus braços e

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14:0 A caminho de Belém

imedi~t~~e-riie · obedece. - Quem teve alguma -.;·e:: maior


desculpa para não obedecer do que nesta ocasião a San~
tíssima Virgem?- Se te tivesse rebelado e não tivesse
obedecido, quem a poderia tachar de imperfeita?... Não
diríamos que havia procedido muito bem... e que teria sido
uma imprudência o pôr~se a caminho naquela ocasião? . . .
Não obstante isto, Maria não atende à prudência da carne ... ;
antes de tudo e.stá o obedecer, sem pensar em mais nada .. .
Que submissão de vontade e de juízo!
Nota bem isto que é a parte mais difícil da obediência .. .
A Maria sobravam-lhe razões para não obedecer. .. , mas
obedece antes de tudo e por cima de tudo ... , e é que diante
da obediência não existe para Ela mais nada ... Que lição
difícil, penosa e prática nos dá Maria! ...

2.• - A · via'[Jem.- É longa, umas cinco jornadas ... ;


é dura, por causa do caminho mau e por ter de percorrê-lo
todo a cavalo ... ; é incômodo, pela época ... , em Dezembro,
com frio, ventos desagradáveis, chuvas e até neve.- Acom~
panha uns instantes a Santíssima Virgem: vai abrigada com
um manto preto e com um véu lançado por diante do seu
rosto. - S. José a seu lado não se descuida um memento
e procura que a jumentinha vá pela parte melhor do cami~
nho ... ; ele adivinha aquele rosto que vai escondido sob o
véu ... , todo ele pureza, modéstia, recolhimento ... , beleza e
formosura celestiais e .sobretudo ... , santidade.
Outros viajantes passam junto d'Eies, fazendo o cami-
nho mais rápido e comodamente. Que diferença!- Todos
iriam criticando e maldizendo a ordem de César. - Maria
vai como que transfigurada, como que extasiada, pensando
no tesoiro que leva consigo ... ; não lhe interessa a vida
exterior que a rodeia.- Em viagem e em casa vive com
Jesu.s e spam Jesus.
Que oração faria a Santíssima Virgem. neste caminho !
Vê como os anjos se disputam a honra de acompanhá-la

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A caminho de Belém 141

e tu também demora-te a acompanhá-la o .melhor que pude~


res nestas jornadas... Agora ajuda-a a descer da jumen ~
tinha... coloca~a debaixo de qualquer palmeira, leva-lhe
água ... , qualquer · coisa que Ela te peça ... , põe~te ao seu
serviço, e pede~lhe que ainda que muitas vezes o faças
mal, não te despreze, mas que te admita na sua companhia .. .
Não lhe negues nada, que tudo merece.

3.0 - Belém. - Chegaram por fim ... é hora de descan~


.s ar.- José vai em busca do melhor sitio, segundo lho per~
mite a sua pobreza ... , .mas, outra vez a mão do Senhor,
·que os prova com o sofrimento da mais dura mortificação.
- Nem hospedarias, nem amigos, nem ninguém lhes abre
as portas. Que horrível! Depois de cinco dias de caminho ...
e em vésperas de dar à luz a seu divino Filho... não há
-onde hospedar~se ... Não é para perder a paciência e para
murmurar e para dar lugar a todos os nervosismos a que
nós nos entregamos? . . . "Não é isto já demais?
Sem dizer nem uma palavra, outra vez se lança nos
braços de Deus e... esperar o que Ele quiser. - Se final~
mente a sua vontade há~e triunfar sempre, porque não
a aceitamos com mai·s resignação e alegria, sobretudo quando
'IlOS prova com alguma coisa mais desagradável?- Vê como
Maria entra naquele curral de animais ... ; a sua delicadeza ... ,
<> seu amor maternal impressionar~se~iam.
Que repugnãncia! . .. Ali ia Ela passar a noite! ? .. .
Ali ia Ela dar à luz a seu Filho!? .. . Que domínio o seu! .. .
É essa a vontade de Deus? ... Pois essa é também a sua .. .
Ajoelha~te aos pés desta Virgem puríssima e pede~lhe
perdão da tua soberba, do teu amor próprio, com o qual
tantas vezes te opuseste à vontade de Deus... e pede~lhe
.u ma submissão e obediência como a sua, para obedecer
·sem réplica e submetendo até com alegria não só a von~
tade mas também o juízo aos teus superiores ainda quando
julgues que tens razão de sobra.

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41. O Nascimento do Menino Jesus

J.•- Ingratidão dos seus. - Vê como se cun:prem à


letra aquelas palavras: «veio para os seus e os s.e~:s não
o receberam».- Que ignorância das coisas de Deus ! Se
eles soúbessem o que ia passar-se naquela noite! . . . Mas
aí está . o mérito da submissão e resignação nas mãos de
De~us ... , iiJ.ão pensar no porquê nem no para quê d'.spõe
Deus as coisas deste ou daquele ~do.
Por outra parte aqueles puderam ter desculpa da sua
ignorância ... , mas nós não temos milhares de provas para
conhecermos as coisas de Deus e sabermos quem é Ele e
onde se encontra?
Pedir perdão ao Senhor das muitas vezes que quis
entrar no nosso coração e nós não o admitimos ... ; das mui-
tas vezes que Ele desejou fazer alguma coisa... talvez
alguma coisa de grande connosco e nós o impedimos. -
Enfim temamos e tremamos, pois não sabemos a responsa-
bilidade que nisto temos e a conta que havemos de dar a
Deus por isso.

2.•- O Nascimento.- Se o esquecimento, o abandono


e o desprezo foi o modo como os seus receberam a Jesus,
contempla agora a Maria ... , penetra no interior do presépio
e ... olha com santa curiosidade para tudo o que ali se passa.
- Iluminada pelo Espírito Santo, compreendeu Maria que

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O Nascimento do Menino Jesus H3

o momento do nascimento de seu Filho tinha che{Jado ...


e naturalmente, ainda que cansada da penosa viagem, não
quer descansar.
Mais do que nunca entrega-se agora à oração ... Os seus
ardentes anelos · e fervorosos suspiros fazem uma violência
irresistível ao coração de Deus ... que se deixa vencer pela
oração de Maria; e quando esta chegou ao grau mais
elevado daquele êxtase de amor, o Espírito Santo faz com
que de repente ... , de u.m mÕdo milagroso ... , ao abrir Maria
os seus olhos, se encontre entre as dobras do seu manto ... ,
branco como um floco de neve ... , mais belo ' do que os
anjos ... , o Filho de Deus e o 5eu filho. ~ Maria Virgem
antes do parto, é virgem sem mancha no parto ... : como·
o raio de sol sai por um cristal, sem o quebrar e sem o
manchar ... , assim nasceu o Filho de Maria.
Aproxima-te bem, sem medo nenhum. e contempla
aquela cena. - Jesus vai a receber a primeira adoração
e com ela as primeiras carícias de uma mãe ... Maria adora
ao seu Deus, vivo ali ... real e fisicamente presente ... , .mas
como mãe julga-se com direito a tomar aquele mepjno e
,a imprimir nas suas faces delicadas os seus primeiros bei-
jos... Que beijos mais carinhosos ! ... Que abraços mais
efusivos! . . . Que carícias mais ternas! . . . Desperta bem a
tua imaginação, que tudo será nada para pintar esta cena.
Jesus não sente a pobreza do estábulo ... , nem o frio
da noite ... , porque a primeira coisa que viram seus olhos
ao abri-los à luz deste mundo, foi o rosto de sua Mãe. -
Lembra o encanto de uma criancinha quando sorri ao con-
templar qualquer coisa agradável aos seus olhitos e pensa
no que seria o sorriso de Jesus ao ver a sua Mãe tão pura ... ,
tão bela ... , tão formosa. -Mãe e Filho parece que não se
fartam de contemplar-se mutuamente ... e este olhar de Maria
é consol·a ção e alegria para Jesus ... e o olhar de Jesus. é
aumento de graça e santidade para Maria.
Com que respeito e devoção e ao mesmo tempo com

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,.
1-!~ b nascimento do !Menino Jesus

.que t~,g.ur~ .a deli_c adeza ina a . Santíssima Virgem envol~


vendo aquele corpmho de seu F1lho nos brancos e pobres
paninhos ... e com que dor e pena tão profundas, o colocaria
nas palhas do presépio. .. Ela foi a primeira que meditou
nesta verdade que tinha diante dos olhos ... : Deus num
presépio! . . . Deus abraçado tão estreitamente com a pobreza,
que nem casa nem habitação tem para nascer! . . . Que será
a pobreza quando assim aparece tão unida ao Filho de
Deus ! Pede a Maria que ta dê a conhecer, para que ames
esta virtude.

3. 0 - O Filho Primogén:to. - Diz o Evangelho que


Maria deu à luz o seu Filho Primogénito... Se foi o pri~
.mogénito, isto é, o primeiro, é porque depois devia ter
outros; e assim é, feli zmente para nós. - Jesus é o pri~
meiro ... , é o irmão mai.s velho ... , mas logo a seguir vimos
nós, que também somos filhos de Maria. - A Mãe de
D eus é nossa Mãe! . . . Jesus é nosso irmão... Irmãos de
Cristo ! . . . Já pensaste bem nisto? Demora~te a considerar
·O que isto significa da parte de Deus e da tua parte?-
Da parte de Deus é o cúmulo da bondade e do amor para
contigo ... , da tua parte é a maior glória e dignidade a que
podes aspirar... é o título dulcíssimo que nem aos anjos
quis dar... Maria é a rainha dos anjos, mas não é Mãe
deles como o é de nós. - Deste modo, diante do berço
-de Jesus ... , em presença desta Mãe, medita e saboreia estas
.dulcíss!.mas verdades.

4. 0 - Antes de terminar aproxima~te de ·M aria e pede~


-lhe que por uns instantes te deixe ter nos braços a seu
-divino Filho ... , recreia~te com Ele ... , abraça~o e cumula-o
de toda a espécie de carícias.. . e sobretudo estreita~o ao
.teu peito de tal modo que o metas no mais profundo do
teu coração. - Suplica~lhe que troque o seu berço e o seu
presépio pelo teu coração, que aí lhe darás mais abrigo

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O Nascimento do Menino Jesus 145

e calor.- Por fim pede ao Menino Jesus que te ensine a


amar a sua Mãe .. , Pede à Mãe que te ensine a amar a Jesus.
Repara em . que a vida de Jesus começa olhando para
Maria e... também na cruz .termina olhando para Maria ...
Não quererá dizer~ie · com isto que Ele quer que toda a
tua vida se passe também sob o olhar de Maria?... Que
doce não é pensgr que assim vivemos alumiados e conso~
lados com a luz dos olhos de Maria! . . . Aprende a olhar
para Maria e a recordar que Ela olha para ti sem cessar...

10

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~·.... -~=-.
:J..I.·

12. Primeiros adoradores

1.0 - Os pastores. - São eles os eleitos por Deus como


representantes da humanidade, para fazer~lhes a primeira
manife;;tação de Jesus. - A sua simplicidade foi a razão
de serem escolhidos para tal favor... Jesus Menino comu~
nica~se aos corações simples, como os das crianças -A sim-
plicidade encontra a Deus pelos caminhos mais simples e
directos. ~ A simplicidade é fé que tudo crê, como nos pas-
tores ... , é obediência cega como a deles.
Os pastores ne.m sequer se desvaneceram com o pri~
vilégio singular... : ouvem a voz do anjo e aceitam com
simplicidade o convite ... ; é tudo ao contrário do amor pró-
prio, que tudo quer pensar e calcular a seu modo. - Supõe
a dose de amor próprio do teu coração, no coração dos
pastores, e com certeza não teriam ido a Belém ... : iam talvez
rir-se deles ... , e era capaz de ser mentira ... etc. Assim fala
o amor próprio. - Que diferença da fé, da obediência e da
humildade próprias da simplicidade! - Como vai esta vir-
tude no teu coração? ...

2. 0 - Alegria da Virgem Santíssima. - Que alegria rece-


beria a Santíssima Virgem quando os viu e ouviu o que
lhe contaram!- Em prêmio da sua fé e da sua simplicidade,
Maria toma a Jesus, mostra-lho ... e dá-lho ... para que se

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Primeiros adoradores 147

recreiem com o Menino. - Que prêmio · o da simplicidade


e o da obediência !- Possuir · a Jesus !
Mas nota que quem dá a Jesus é Maria.
É a primei.ra manifestação de Jesus e quer que sela;
por meio de sua Mãe ... É a p'rimeira entrega que faz de sí
mesmo aos homens e fá~la por meio de Maria. - EV:il;
comeu o fruto proibido; .. , mostrou~ a Adão ... , deu~lho ' 'e
perdeu~nos.. . Maria mostra o fruto · c,!o seu seio purissim6,
aos pastores... e neles a todos os homens; dá~lho · e sal,; ._,
va-nos.
Jesus é o Salvador, mas por meio de Maria ... , nem
o recebemos senão por meio de Maria... nem hâ outro'
caminho para chegar a Ele senão Maria ... Nunca se ' encCYT~-­
tra a Jesus sem Maria, como diz S. Boaventura. - E p6t~·
tanto, não é p<;>ssivel isolàr a Jesus de Maria. Acharemos a
Jesus nos braços de Maria, como os pastores · e ao pros~
trar~nos, como eles, aos pés de · Jesus, também nós prostra)
remos ao mesmo tempo ,aos pés de Maria... ' ·'

3.•- Os Reis Magos. - Uma revelação especial ·os


leva a Belém ... , uma estrela aparece no céu e uma, inspi~
ração soa no seu coração... e dóceis a este chamamento
põem~se a caminho. - Vê que ·dccilidade e que prontidão·
na sua obediência... Lógo deixam tudo ... : pátria, · casa,•
família, comodidades, para empreender u.rna viagem longa'
e penosa.- Humanamente, isto· era uma loucura ... •ConvênC'
ce~te, de uma vez, que para b ,mundo e para a pru9-ênda da'
carne, parecem loucuras as coisas de Deus... ê contudo
tu deves amar e buscar estas divinas loucuras. ___:.Recordá
o momento em que se ocultou a ·estrela ... Que· dúvidas!':: '. ·
que vacilações! ... Ter~se~iam enganado? ... Não seria melhor'
volt?lr para trás? Pensa o que seria dos Magos se assim
tivessem feito. Que pena·!... Estar às portas de conseguir
o seu destino e no fim da súa viagem e perder tudo isso'
voltando atrás ... Que imagem perfeita da tua inconstância! '.'.:

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Primeiros ador-adores

. ~--· -N ão te esqueças que só triunfa quem persevera e que


a constância é distintivo do amor ...

4.• - C heg ada a &lém. ~ Contempla-os já em Belém.


Ó triunfo é completo ... , a estrela voJ.ta a aparecer e guia-os
a té à . mesma cova onde ~;e encontra o Menino Jesus. -
O utra dificuldade. Eles, Reis, que buscam um Rei , vão
a gora a entrar numa cova de animais? ! vão adorar a um
M enino que não tem outro berço senão um presépio? ! -
A.i .e stá o merecimento da fé: não se guia por aparências
e. crê no que não v ê. - Através daquela pobreza os Magos
?gscobrem a d ivindade e adoram-na.
. Contempla-os no momento em que oferecem os seus pre-
sen tes e medita no significado deles... Aqui .tudo fala de
~acrifício e tudo nos anima a ele... Sacrifício .por amor,
representado no oiro... Sacrifício pela oração, simbolizada
no incenso ... Sacrifício pela mortificação e -penitência exte-
r ior significada pela mirra. - Só pelo sacrifício -s e encontra
a Jesus. - O sacrifício é o único presente que agrada a
Jesus.

5.• - A Mãe com o Filho. - Diz o Evangelho : e encon-


traram ao Menino com sua Mãe. - Não desprezemos este
por menor ... Outra vez o Evangelho nos recorda: «o Menino
e.'1tá com sua Mãe ... » Maria aparece aqui instruindo aos
gentios pela primeira vez... Por Ela entram os Magos,
e com eles o mundo pagão, no cristianismo.
A Ela devemos a nossa fé ... Aprendamos a adorar e a
a mar a Jesus sempre nos braços de sua Mãe e por meio
d ela o fereçamos hoje ao Menino Jesus os nossos dons
e o nosso coração.
Reparemos que também para nós há uma estrela . .. , uma
v ocação que temos de seguir apesar de todas as dWcul-
~ades . .. a inda que chegue a ocultar-se e não vejamos o termo
aonde vamos parar. Sejamos fiéis em seguir essa vocação

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Primeiros adGra:dores 149

e constantes a toda a prova. Não resistamos. a nenhuma


in,spiração dos céus que tantos bens nos pode trazer.
Finalmente reparemos que para nós há também outra
estrela que 'Sempre brilha e que nunca se esconde... e que,
se queremos, sempre podemos seguir. Essa estrela é M aria,
nossa querida Mãe. - Ela nos guiará e nos alentará nos
momentos difíceis. - Não tens mais a fazer do que levantar
os olhos e olhar para Ela e sempre a verás alumiando os
passos da tua vida e guiando os movimentos do teu coração :
«Olha sempre para a Estrela, chama por Maria», diz S. Ber~
nardo.

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43. Purificação de Nossa Senhora

Esta passagem da vida da Santíssima Virgem é uma


das mais !!>elas pois nela resplandece de um modo ad.mira-
bilíssimo a heroicidade das suas virtudes.

f.• - O recolhimento.- Assim mandava a lei, que as


mães estivessem recolhidas quarenta dias nas suas casas
antes da sua purificação legal... Que prazer não teria a
Santíssima Virgem em cumprir esta parte da lei! - Que amor
o seu ao recolhimento e à oração mas sobretudo agora que
tinha consigo a seu Filho! ... Que podia Ela apetecer e
buscar fora da sua casa se nela tinha tudo?... Pensa em
que alguma coisa de semelhante se deve passar contigo ... ;
trabalha por ter a Jesus no teu coração e depois de o ter,
que mais queres ... que mais desejas? Logo, se apeteces
alguma outra coisa é sinal que não tens a Jesus e que não
sabes gozar da sua presença ...

2.• - A pureza. - Recorda que Maria foi concebida


sem mancha ... , que sempre foi pura e mais limpa do que
o sol..., que nunca manchou com a mais pequena imper-
feição a sua beleza e formosura imaculada... e, contudo
aqui aparece purificando-se! - Que exemplo para ti!. .. Ela,
a que não tem mancha, qt.e não tem nada que purificar,
quer purificar-se. - Isto quer dizer que ama tanto a pureza

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Purificação de Nossa Senhora 1.51

de coração que parece que ainda não está contente e deseja.


se pudesse ser, purificar~se cada vez mais.- Ah! Amas tu
assim a santa . pureza?... Com esse espírito proc!lras tu
frequentar o sacramento da penitência e os outros meios
que a Santa Igreja te dá para santificar~te e purificar~te? ...
E se Ela não está contente, por assim dizer, com a sua
pureza, e desejaria ser ainda mais pura, estás tu contente
com a tua?... Estará contente Maria com a tlla pureza e
com a limpidez da tua alma? . . . Encontrará aí a pureza que
Ela deseja? . .. Medita multo nisto, envergonha-te e pede a
Maria este amor a virtude tão delicada e preciosa como
é a virtude da pureza, até chegares a apaixonar-te pela sua
beleza. camo Maria o estava.

3.• - A o~diência. - Não estava obrigada a esta lei.


- Ela bem o sabia. - Toda a conceição e parto milagrosos
tinham sido obra do Espírito Santo. - Ela tinha sido sau-
dada como a «bendita entre todas as mulheres», e de si
mesma tinha dito que «todas as gerações a chamariam bem-
-aventurada» pelas maravilhas que nela operaria o Todo-
~.poderoso... e apesar de toda esta grandeza, não se con-
sidera exceptuada da lei. - .Não quer privilégios quando
se trata de obedecrer... e, obediente como uma mulher qual-
quer .. . como se nela não houvesse nada de extraordinário ... ,
submete-se gostosamente, à lei comum, e assim, passados os
quarenta dias, com toda a presteza . põe-se a caminho de
Jerusalém, para ser com seu Filho modelo de obediência.
Vê como este exemplo nos confunde... Que diferença
entre este modo de obedecer e o nosso! .. . Quantas vezes
sem razão nos julgamos dispensados de obedecer e isso
mes.mo quando a obediência não nos exige nem· humilha-
ções nem sacrifícios .. , como os que exigiu a Maria nesta
ocasião . .. , porque o que fez heróica esta obediência de
Maria foi o sacrifício tão humilde que tanto l!,e custou.
como vamos ver.

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152 Purificação de Nossa Senhora
~ .... ~ ."..f'
4. 0 - A humÚdéide. -Aqui está o principal e o mais
incompreensível . deste mistério. -Maria é em tudo extraor-
dipária e por isso também devia s·e r éxt!'aordinária a humil-
dade. ·
Lembra o àmor de Maria à sua virgindade : diante
do anjo do Senhor esteve disposta a deixar de ser Mãe
'a ntes do que a deixar de ser virgem ... ; ser virgem ·é para
Ela o ideal mais precioso da sua vida... e . contudo agora
pela humildade chega a sacrificar até as aparências da sua
virgindade... aparecendo · 'corno urna .mulher manchada que
necessita de ser purificada. -Parece que por amor à humil-
·dade se despoja de tudo, até do · conceito e glória exterior
da sua virgindade... e hurnilha~se até ao ponto de não
aparecer como Mãe de Deus, nem como Virgem . .. , senão
como uma mulher manchada ... Que admirável e que sublime
não é esta vi!'tude em Maria! Que obediência mais humi-
lhante pela Ela! e contudo, com que alegria obedece! Com
que satisfação se humilha!
Contempla-a bem: tanto maior quanto .mais humilde!
- Contempla~a confundida com todas as outras mulheres
e corno uma d'e tantas ... , mas olh.a corno Deus não a con-
funde ... ·e como a distingue bem ... : é o lírio de candura
mas ao mesmo tempo a violeta escondida da mais sublime
humildade... Quanta glória não receberia o Senhor com o
exercício destas virtudes! Quanto se deliciaria n'Eia !
Medita profundamente... compara-te co.m. Ela ... depõe
a seus pés a tua soberba ... , o teu orgulho . . . , o teu amor
próprio ... , trabalha por imitá-la ...

'5. 0 - A s,ua pobreza. - Não pode levar a oferenda de


um cordeirinho que todas levavam e só às mais pobres se
permitia que levassem duas pombinhas ... ; a pobreza sem-
pre é humilhante mas muito rnaís quando aparece diante
dos outros. -Maria não· se envergonha de ser pobre nem
de que a tenham por tal nem de que a desprezem C:omo S'e

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Puri[íc ação de N assa . Senhor a 153

despreza aos pobres... Que felizes .se teriam considerado


aquelas pombinhas se soubessem o fim a que eram desti~
nadas!... Deviam ser a oferenda do sacrifício de Maria!
Ofereée-te tu a Maria como oferenda do seu sacrifício.
-Diz~ lhe que queres consagrar-te a Ela ... , mas para- que o
teu sacrifício valha alguma coisa, hás~de ser como Ela,
imitá-la a Ela. - Dedica-te a copiar estas virtudes no teu
coração ... e especialmente as que mais custam ... , as mais
humihantes ... , as de mais sacrifício.- Exerci ta-te :nuito
nelas.

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.a,..,.... .:.:.-~- ...

44. A Apresentação do Menino Jesus no Tempio

1. 0 -}daria entra no Tem[!lo. - Já foi purificada e já


é digna de entrar no Templo. Com que respeito e devoção
entraria nele! Sabia que era o lugar da oração, onde Deus
se comunica com as almas ... , a morada do Senhor ainda
que ali só estava em símbolo e em figura... e, não obs~
tante, Maria reverenceia e admira aquele templo, onde resi~
dia a majestade de Deus mais do que em qualquer outra
parte ... Que .t eria feito se tivesse entrado nos nossos tem~
pios?... Que lição para as tuas faltas de respeito tão fre~
quentes nas igrejas! Ao Ela entrar com seu Filho nos braços
santificou aquele lugar.- Nós vamos ao Templo a santi~
ficpr~nos... Ela foi com seu Filho a santificar o próprio
Templo.
Que recordações para Ela! naquele mesmo Templo foi
apresentada por seus pais aos três anos de idade... ali
passou os primeiros anos da sua infância... ali fez, depois
de longo tempo de oração, o seu voto de virgindade ao
Senhor ... Quantas coisas não dizia aquele templo a Nossa
Senhora!
E a ti, não te diz nada? Não te lembras das graças ... ,
dos sacramentos ... , das inspirações ... , das comunhões que
recebeste na igreja? ... Esqueceste~te que diante do altar da
Santíssima Virgem recebeste tantas manifestações do amor
que Ela te tem?- Ama, ama muito a igreja·: deve ser para

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A Apt-esentaç_,jo do Menino Jesus no Templo 155

ti o lugar mais desejado de todos ... ; em nenhuma parte


encontraste a Deus como aí.- Tem · sim, muito amor à
igreja ruas ao mesmo tempo reverenceia-'a. - Não consintas
em ti qu~lquer coisa que desdiga da santidade dela ...

2.• - Sacrifício de Maria.- Mas o Templo é sobre-


tudo o lugar por excelência do sacrifício e ali vai Maria
oferecer ao Senhor o mais belo e o mais· penoso dos sacri-
fícios ...
Segundo a lei, haviam de oferecer-se ao Senhor todos
os filhos primogénitos e resgatá-los mediante a esmola de
cinco sidos de prata.- Jesus e Maria não se julgam livres
desta lei e cumprem-na. - Jesus é apresentado a seu Eterno
Pai e resgatado por sua Mãe... Que · simplicidade e que
beleza neste mistério tão sublime! Mas mistério todo ele
de sacrifício... Não te esqueças, o sacrifício é inseparáv.:;!
de Jesus ... , o Menino Jesus oferece-se voluntàriamente a seu
Pai como vítima de expiação ... Hoje 'repetiria as palavras
do Salmo: «visto · que não te agradaram os sacrifícios de
animais . aqui me tens a mim» .
Mas éste sacrifício não é Ele só que o faz ... , com
Ele está sua Mãe e é Ela que o apresenta ao Eterno Pai
para o sacrifício.
Recorda o sacrifício de Abraão disposto a imolar a seu
Filho para cumprir a vontade de Deus. - Dizem alguns que
esta ordem se deu ao pai e não à mãe porque ela seria
incapaz de fazer este sacrifício... Pois bem, aqui é a mãe
que conscientemente e dando-se inteira conta do que fazia ...
compreendendo todo o significado e alcance desta cerimó-
nia ... oferece a seu Filho para um sacrifício que mais tarde
se havia de consumar. Este é o ofertório daquela .primeira
Missa que Cristo disse depois na cruz. Quantas vezes no
dia na sua Paixão e .morte se lembraria a Santíssima Vir-
gem deste dia e deste momento! ...
Ot.:e bem aceitou o Padre Eterno este sofrimento e

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J56 A .Apresentação do Menino Jesus no Tempío

como não se contentou, como no caso de Abraão, com a


intenção senão que exigiu o seu cumprimento exacto até
ao fim! ... Que generosidade e que amor da parte de Maria
e de Jesus!
Agradece~lhes este oferecimento pois a ele devemos a
nossa salvação. - Oferece-te tu também para o 11acrifício,
seja ele qual for ... , oferece-te como vítima de expiação e
de amor ... e alegra-te se o Senhor se digna aceitar-te este
oferecimento e quer que te consumas sacrificando-te. Tem
muita generosidade em prometer e depois em cumprir o que
prometes, como Maria e Jesus ...

3.0 - A Mediação de Maria . - Vê neste mistério uma


confil;mação da .mediação universal de Maria.- Jesus tomou
carne humana no seio de Maria.- Na cruz será imolado
em união com Maria.- Na Apresentação há alguma coisa
mais: Quer Jesus que Maria o leve e que Ela mesma no
Templo o ofereça para o sacrifício. - Quer dizer que aqui
aparece a Santíssima Virgem como o sacerdote que toma
a hóstia nas suas mãos para sacrificá-la. ----'Ela é o altar
do sacrifício, onde se imola o seu próprio Filho ... ; o seu
coração e os seu.s braços, são a ara onde se consome a
vítima... Quão grande e quão magnífica é esta cooperação
de Maria na obra da Redenção! Qual não será a confiança
que deve inspirar-nos poi.s a ve.mos deste modo unida com
Deus e na obra maior de Deus que é a Redenção l
Imita-a no sacrifício do teu coração. .. e nesse altar
imola tudo o que lhe desagrade, para· que assim não haja
nada desordenado nele ...

4. 0 - O Resgate de Jesus. - Medita por fim na última


parte da cerimônia que é o resgate. Jesus é resgatado por
sua Mãe, não para Ela ... , não para gozar de seu Filho ... ,
mas para ·criá-lo e educá-lo para servo e escravo nosso ... ,
que por nós algum dia daria a vida. -Quer isto dizer

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A Apresentação do Menino Jesus no Templo 157

que em nenhuma ocasião podemos notar na Santíssima


Virgem e em . seu Filho sinal algum de amor próprio ...
tudo é amor puro e desinteressado que não atende a si e
que só atende aos outros... Ela sabia muito bem que todos
os trabalhos que havia de ter com a sua criação não seriam
para seu benefício mas para benefício nosso... e contudo
oferece-se ao trabalho para dar-nos a nós este bem. - Quão
grande não deve ser a gratidão para com Jesus e para com
Maria ! e que ensinamentos não deves colher para o teu
egoísmo, que sempre se intromete nas tuas acções!
Buscar a Deus e ao próximo e nunca a ti mesmo.
Este deve ser o teu ideal.. .

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45. Profecia de Simeão

1.0 - Simeão era um varão justo, diz o E vangelho;


temente a Deus e que esperava a consolação de Israel. . .
Deste modo com a santidade da sua vida preparara-se e
tornara-se digno de ver e conhecer ao Messias ... O Espírito
Santo tinha-lhe prometido interiormente no seu coração que
não morreria sem que assim acontecesse ... Só esta promessa
foi o suficiente para estimulá-lo a ser santo... Não te bastam
a ti as suavíssimas promessas de Jesus para o mesmo fim? ...
Não sabes que com a santidade possuirás a Jesus e a Maria
na vida e na morte e na eternidade? ... Que mais queres? ...
Que outro bem maior podes apetecer? ... Portanto, porque
te não decides a ser santo, como fez Simeão, só por mere-
cer a dita de ver e ter em seus braços a Jesus e conhecer
a sua Mãe Santíssima?

2. • - A Revelação. - E chegou de facto o dia. -


Iluminado Simeão pela luz do céu, naquela mulher, con-
fundida com as outras, reconhece a Mãe do Senhor, e no
Menino que leva nos braços, o Messias verdadeiro. -
Repara bem: por Maria conhece a Jesus.... pela Mãe ao
Filho ... ; sempre, sempre o mesmo ... : nunca Jesus sem
Maria
Então Simeão adianta-se e pede o Menino a sua Mãe .. .
Com que respeito tomaria em seus braços o Menino Jesus! .. .

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Profecia de Simeão 159

Co.m que fervor o contemplaria e o ·e streitaria em seus.


braços ·e nquanto a sua alma se mergulhava na mais pura
alegrià ~ amor! Vê aquele santo velho sustentando em
seus braços ~q1,1ele que com os seus sustenta toda a cria-
ção ... Por muito bem empregada deu toda a sua vida de
austeridade e santidade, pelo prazer deste momento!... só
com isto se dava por bem pago... e por isso entusiasmado
entoa aquele cântico belíssimo de agradecimento ao Senhor:
Nunc ddmittis... «Senhor, agora já podeis dispor do vosso
servo quando qúiserdes» ...
DePois de ver a ·M aria e de ter a Jesus, já não quer
mais neste mundo ... , está certo que :o.ele não há nada que se
assemelhe a isto ... ; já tudo o cansa, já .t udo o enfastia ... ;
nada .mais quer ver e só deseja morrer.
E tu, que vês com a fé a Jesus e diàriamente o tocas
e te alimentas com Ele porque .t ens gosto doutras coisas
que não são Ele? . .. porque não morreste para todas as
coisas, inclusivamente para ti mesmo, para viver só d'Ele
e só para Ele?

3.• - A Profecia.- E então cheio do Espírito Santo,


dirigindo-se a Maria diz-lhe: Eis que este será causa de-
mina e de ressurreição para muitos em Israel, e sinal l:te
contradíçiio... Que efeito causariam estas palavras na San-
tíssima Virgem! Como as ·meditaria para compreender bem
o seu íntimo e misterioso significado, pois via claramente-
que eram palavras ditadas pelo mesmo Deus!- Trata d~
compreender tu como Maria, este último significado ... Jesus,
causa de ruina e de salvação para muitos!... quer dizer,
desde agora ele será a única razão de salvação e <:onde-
nação da humanidade... Todo o que se salve será por
Jesus ... ; todo o que se condene será por ir contra Jesus.
Portanto é salvação e vida para que.m. o deseja... Ele
chama a todos ... , a todos busca ... , por todos morre e der-
rama o seu sangue ... , para todos funda a sua Igreja e nela

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160 :.,'. '- Profecia de Simeão

deposita os seus sacramentos, fontes de vida e salvação . ..


Ele é por conseguinte, o único Salvador do mundo.
Todas as almas que se santificaram . e adquiriram a
posse gloriosa do céu ... , todas o conseguiram por Ele ... ;
nem uma só o poderia ter feito por si mesma.
Mas, por outra parte, todo aquele que não quiser apro-
v eitar--se do sangue precioso de Jesus perder-se-á irreme-
diàvelmente; e esta será a razão da perda eterna dos maus.
Penetra no coração de Maria e procura saber o que
se passaria por Ela ao ouvir estas palavras .. . ; aquele cora-
ção viu de repente tudo o que Jesus estava a fazer e ia a
.fazer 'por todos os homens ... , viu-o a esvair-se em sangue
na c~uz, morrendo por todos... e ao mesmo tempo via a
imensa maioria dos homens sem se aproveitarem desses
méritos e graças de Jesus ... ; viu como risavam o seu san-
gue... e viu como esse sangue eternamente clamaria vin-
gança contra eles e eternamente pesaria sobre as suas
cabeças.
Dá graças a Jesus e pede-lhe que seja salvação e não
ruína para ti, e ao mesmo tempo procura sentir pena e dor.
como a Santíssima Virgem, à vista de tantas almas para
as quais Jesus será a sua perdição.
1.0 - S ine.l die contí-adiçJo.- Finalmente, Simeão acres-
centa: e secá sinal de contradição. Diante de Jesus não há
meios termos : ou por Ele ou contra Ele. - Vê-se já isto no
seu nascimento... Pastores e reis adoram-no, mas Herodes
busca-o para o matar ... ; a sua presença não é nunca indi-
feren~e ... : sempre provoca ou amor apaixonado ou ódios
rancorosos.
A história da Igreja confirma nos seus vinte séculos
esta verdade ... ; sempre houve discípulos fiéis que o seguem
até à morte e fariseus que o caluniam e procuram persegui-lo
com ódio implacável... Quantas almas enamoradas de
Jesus ! ... E quantas almas desgraçadas que não vivem senão
para ultrajá-lo! ...

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Pmfecia de Simeão ' 161

Convence-te desta verdade... Não há realmente meio


termo: o que não é por Ele é contra Ele. ~ Fora pois,
daudicações, tibiezas e inconstâncias ... ; abraça~te a Ele
e jura-lhe um amor intenso e eterno. - Pede à Santíssima
Virgem que to dê assim a sentir e ... sobretudo a praticar,
p ara que toda a tua vida seja um contínuo -acto de amor
a Jes us.

11

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,'

''I I ..... ~:

·, ,_ i: ) ~ ~6. Profecia de SJmeão sobre Maria

1."'- A espada de dor.- Si.meão acrescenta para Maria


estas espantosas palavras: e téN/Tbém a ti uma espada te
trespassará a alma... Eis aqui profetizada a parte que
corresponde a Maria nos sofrimentos e dores de seu Filho... :
Uma espada de dor que constantemente há-de atravessar
de lado a lado o seu coração!
Já na Anunciação a Santíssima Virgem ao ouvir a pro~
posta do anjo teve revelação dos sofrimentos terríveis que
acompanhariam a dignidade de Mãe de Deus ... e não obs~
tante isso, valente e generosa pronunciou o seu Fiat com
o que aceitou tudo o que o Senhor quisesse enviar~lhe ...
Que sentiria ao ver quão depressa ia a realizar~e esse
Fiat! . . . A espada de dor via~a não como qualquer coisa
distante e futura senão como uma coisa bem presente e
que já a penetrava intimamente e a começava a fazer sofrer.
- Penetra juntamente com esta espada ... , por essa .mesma
ferida... até ao mais íntimo desse coração puríssimo. .. e
trata de averiguar a intensidade daquela dor profundíssima ...

2. 0 ~ Dor: profunda. - E considera que esta dor é


tanto mais profunda quanto é mais prevista... Se Deus
tivesse ocultado a Maria esta espada e esta dor... e só
tivesse pennitido que ela sofresse quando chegasse o
momento do Calvário... ao menos teria passado trinta e três

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Profecia '{k · Simeão sobre Maria

anos trar11}uiJa, gozandÓ sem temor algum da ': CJiVína pre~


sença de ~eu ·FlThÓ. - Mas· o Senhor quis que tam~m inj!::
tasse nisto a seu ·Filho. · ' ··
Jesus não havia de sofrer ·só na 'Cruz ... ; a Redenção
começou já em Belém, e por isso desde o presépio atê ã
stia morte· no Calvário, não terá um momento sem oofri;:
mento... Assim devia ·ser também com Maria· e par~ isso
crava-lhe a espada hoje mekno e j'á não deixará um ins~
tante de' atravessar t> seu'-1 coração.
) t1
· ., ·. · '' '
. '')
Contínuos iam a ser os pecados dos homen~···, ,Qu\!.
estranho que fossem cont~nuos ~ constantes ?s sof~im~tos'
de Jesus e de Maria?!... ' Pensa nisto muitas ve'z'es... Eles
não deixam de sofrer porque os homens não deixpm de
pecar... · · ·
' '
· 3." - Dor incessimte . ..:._ Uni mal previsto e ' certo 'ê
suficiente par à azedar' todas ai alegrias... O doente desen:.·
ganado, afnda' que Se~a longa a sua doença e tenha momen~·
tos sem dore~,' não ' o~ tem sem sofrimentos ... Só o ver-sé'
iocurãvel ' e desti'thdo à inorte,' já é suficiente para nãÓ'
g~i~ de . nad~, nem ter a mínima alegria. - Se nós n~o,
té_n;~m'?S :}lan,re, do p~nsal?ento (la no;S-Sa morte~ é porq1;1~,
nao nos convencemos de que temos de morrer depressa.
e ' considerâmos . á mÓrte múlto. distante. ''' · n:
Mas não foi aSsim coni Maria. :. 'Ela não 'sé·' é:squeciã)
e
t'ím .só instante deste dia deste pensamento... e 'por issd;1
já desde agora, não terá um único prazer .. . (......:._ ainda · qu~
sejá tão legítimo e tão santo como' os que tinha com Jesus) ...
que .'não S!'!j'a ' amargi.Jra'do' COnl esta , recordação.·---..! Côf:í~·:
têmpla·)·à Maria ein · Belém : .~· em Nazaré ... no Egipto.. : i'
pinta no teu coração quálquer qessas cenas , delic'a das ~i:
temas entre Mãe e Filho... e quando Vires que',.a ,Mãe· se'
extasia na ;beleza, nos enc'a ntos e da fo'r mosurâ t;té)i;sus ...'.!
quando mais se delicia co.m 'Ele ... de ·repente, "uniá !em'.!_'·
brança ... : à êspa-da e as ·pa.l avrad de Simeão. ·1' ' · :., . '

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Profecia de Simeão sobre IV!at:ia

..: ··; E=/-ássim, sempre: ao abraçá-lo contra o seu peito ... ,


ao 'pentear-lhe a sua linda cabeleira ... , ao sentá-lo à mesa e
ào · dar-lhe de comer .. " ao contemplar a delicadeza daquele
rosto formosíssimo e a luz encantadora daqueles olhos ...
e_ o carmim precioso daquelas faces, que horror ... Como
veria Ela os escarros, as bofetadas, os açoites, os cra-
vos, etc., que o feririam tão bàrbaramente.
E 'isto um dia e outro dia; e até em sonhos de noite,
quantas vezes a imaginação a atormentaria com estas
c:enas! ... Com grande generosidade oferece-te a sofrer renun-
Çiando aos mesmos prazeres espirituais, se Jesus assim o
qúer, co.mo 'M aria renuncia a eles toda a sua vida.

4. 0 - Dor sem alívio. - Pensa por fim que não havia


nada qile a aliviasse da dor desta espada ... , nem o tempo
que tudo cura ... , nem a esperança de que não chegaria a
realizar-se. -Era a vontade de Deus e sabia que tinha
que cumprir~se necessàriamente e por isso ·c ada dia que .pas-
sava, longe de cicatrizar a ferida aumentava-a cada vez
mais, po~s via aproximar-se o momento do sacrifício.•.
: E apesar disso, longe de acobardar-se também Ela
generosi:ssimamente, de dia para dia, aumentava o desejo
de que chegasse esse instante, não só por ser essa a von-
tade de Deus, mas também pelo nosso bem. - A sua dor
e , as suas penas são muito grandes mas ainda é maior a
~ua caridade e o ·seu amor ... ; quanto mais sofre por nós
~J~ais nos ama !
Adora os juízos de Deus e as suas divinas disposições
que assim quer com o sofrimento provar aos seus e às
v.ezes quando menos se imagina. Maria foi ao templo cheia
de gozo em seu Filho...•; este gozo aumenta ao ver a reve-
lação magnífica que Deus faz d'Ele por meio de Simeão,
chama!ldo-lhe «a luz e a salvação dos homens» ... e quando
mais embebida está neste dulcíssimo prazer e divino con-
tentamento.... a espada de dor por meio das palavras de

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Profecia de Simeão sobre Maria 165

Simeão, crava-se no seu coração... Pobre Mãe! Já não


vê e.m Jesus o seu filho ... já não vê mais do que uma
vítima que será destinada· ao sacrifício .. . , o cordeiro de
Deus que será imolado pelo mundo!- Aproxima-te de
Maria... diz-lhe palavr(ls de consolação e promete-lhe não
aumentar co.m os teus pecados as suas dores... mas sjm
aliviar com o desagravo e reparação do amor a sua pene-
trante espada de dor.

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47. ·Os Santos [oocentes

Este facto é a primeira prova da profecia de Simeão.


- Passam poucos dias, talvez poucas horas, e já Jesus
aparece publicamente como sinal de contradição ... Herodes
busca-o para a morte.- A espada de dor crava-se no cora-
ção de Maria causando-lhe dores indizíveis .. . Meditemos
neste passo ...

1.• - Herodes.- Quem era? Um tirano crudelíssimo,


célebre pelas matanças que fez... só na sua família, matou
a esposa e a dois dos seus filhos ... , dois tios seus ... e, cinco
dias antes de morrer, quando estaca corroido .de bichos,
manda matar a um seu terceiro filho. - E: um exemplo claro
do que é uma alma vítima de uma paixão. .. Herodes era
escravo da sua ambição... e tudo lhe parecia pouco para
con.servar a sua coroa e sustentar-se no seu trono. - Ape-
nas ouve que nasceu um Menino Rei, concebe logo a ideia
de matá-lo, e ao ver-se enganado pelos Magos dá a ordem
espantosa de matar a todos os meninos de menos de
dois anos.
Escuta os gritos e lamentos daquelas mulheres ... , ima-
gina as cenas de dor, de raiva e de desespero que se dariam
ao levar-se a cabo esta ordem pelos soldados de Herodes ... ;
contempla o sangue daqueles meninos inocentes ... e corre
a ver a angústia e sobressalto de Maria. - Como estreitaria

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Os Santos Inocentes 1'67

E la contra o seu coração o seu querido Filho, · comó .se


quisesse g uardá-lo e escondê-lo nele! sobretudo quando
ouvisse os .gritos das outras mães e ·visse que a màtança
já tinha CG!i1~çado ... Quem poderá compreender as horas
de angústi a que passaria o seu coração?.
Pois bem ;. , ;'lnte este espectáculo de sangue e de dor
pensa o que é uma paixão... , até onde ela pode chegar. :. ,
que efeitos lamentáveis e espantosos pode produzir. - Que
má é uma paixão que se desborda! .. . , cega por completo
e a rrasta ao precipício... , faz que se tema aquilo que não
tem que temer-se, e que não se tema o que deve temer-se.
Vê .como Herodes teme um Menino pequenino e pobre,
e não teme a crueldade ·e o pecado que comete. - A .paixão
a rras ta o homem a tudo até ao .. crime, e nunca se detém
nem ·d iz jamais basta. ~Além disso, quando se satisfaz
não co nsegue nada e não nos dá nada ... nem dita, nem feli-
cidade. - Que conseguiu Herodes com esta ordem? ...
Pensa bem nisto, na infrutuosa que é sempre a paixão;
e contudo como nos deixamos arrastar fàcilmente por ela !
- Examina se alguma quer desbordar-se na tua alma e
sujeit?-a bem .. . , domina-a para que ela te não domine
a ti ...

2.<· - Os Meninos. - .Que si.m.páticos e atraente.S apa-


recem es te.s meninos, primícias dos mártires ... ; humanamep.te
falando são dignos de lástima mas olhados com olhos . :de
fé, que d itosos são! Apenas nascem e já são santos. -
A Ig reja canoniza-os e celebra a sua festa nos dias de
Natal. - São al.rnas inocentes que gozam no céu de todos
os prémios concedidos à inocência ... ; à virgindade ... e ao
martírio.
Num · momento ·a espada do tirano segou as · suas vidas,
mas Deus deu-lhes outra melhor que ninguém lhes poderá
tirar .. , e tudo; porquê? ... Porque morreram po·r Jesus .. . ,
e.m · ve z; de Jesus ... , por causa de Jesus ... ;· essa é a razão

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168 Os Santos Inocentes

da sua ..dita, · como é a razão de toda a felicidade.- Tra..:


balh&r... ~ 'sofrer... , .Sacrificar-se .... , e até morrer por Jesus
eis aí a única coisa grande ... , a única ·coisa que pode
fazer~nos felizes agora e sempre.
Que teria sido', ·d estes meninos se não tivessem morri do
por Jesus? · .. Não · teriam sido santos nem teriam sido glo-
rificados com coroa· alguma... Provàvelmente ·seriam ope~
rários ... ; pastores ... , soldados ... , .talvez verdugos dos que
tornaram parte. na Paixão de Jesus.;., isso teriam sido ... ;
mas -n a realidade vê o que são, só . por se apaixonarem de
Jesus e- da Santíssima Virgem. -Como esta os veria! Não
.guarda~ia no seu coração uma lembrança e um carinho e
um agraÇecimento especial . para com aquelas vítimas que
morriam pelo seu Filho? ... Como esquecer-se jamais deles?
Ouve bem e g(ava profundamente na memória: Se
queres que a Virgem SS. ma se lembre de ti e nunca te
esqu~Çi!, e se queres que Jesus te premeie .. . , aproxima-te
dele, amç.-o e sofre e sacrifica-te por Ele .. .

3. 0 - O Menino Jesus.- Jesus ensina-nos aqui como


os planos do.s homens .são nada diante do seu poder e
sabedoria ... , como inutiliza tudo o que Herodes concebe
e ordena.
Também nos ensina, ao rodear o seu berço de lamentos
e gritos de dor. . .dos meninos inocentes. que a mortificação
é inseparável da sua vida... e que todos, ainda· os mesmos
inocentes, devem ir .p or esse caminho ... , de sorte · que a
mesma inocência deve i!! acompanhada da penitência.
Vê co.mo tudo muda num momento; o que era dor e
desgraça· muda-se em alegria e glória. _:_ Ele sempre triunfa
ainda que seja perseguido ... Quem não se anima a segui-lo
pois vemos nas suas ' mãos ·pequeninas o poder para jogar
com o destino dos ·homens·. ainda que sej'am perversos 7
Ter.mina pedindo à Santíssima Virgem lúz para conhe-
cer as tuas .paixões ... e forças e ene·rgias para dominá-las ... ,

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Os Santos Inocentes J69

não para mátá-las, que as pa1xoes podem ser muito boas.


-Vê o exemplo de Herodes ... , com que decisão obra e se
lança a tt.ido ... , como não retrocede diante de nada . .. Se
tivesse feito tudo ' isto pelo bem, que santo não teria sido!
- Ninguém mais apaixonado do que Je.sus e Maria! . ..
Procura dirigir- para Eles as tuas paixões e deste modo
ama-os com paixão . .. , com loucura .. ., com ambição . .. , com
santa inveja dos outros... e verás que fãcilmente vences
as dificuldades que se encontram no caminho da santi-
dade .. .

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48. A fugida para o Egipto

[ .• - A ocdem de partida. - Deus vale-se da cruel-


dade d~ Herodes para preparar à Sagrada Família uma
prova dolorosíssima... É assim que acontece sempre, mas
não o advertimos. - Tudo procede da mão de Deus ... ou o
permite para nosso bem, ainda que nós o não vejamos
então ... Que difícil é quando não se vê o fim duma prova
ou de uma tentação resignar-se a gente a ela! ... Vê o exem-
plo da Sagrada Família.
Estão no melhor da noite .. . , descansando das fadigas
d9 dia. que numa casa pobre não seriam poucas nem peque-
nas... S. José tinha que trabalhar todo o dia para ganhar
o pão ... ; a Santíssima Virgem sem poder ter o luxo de
uma escravazita que a ajudasse tinha de fazer tudo por
si mesma .. . ; assim que, ao chegar a noite cairiam na cama
rendidos e cansados de tanto trabalhar ... Tinham ganhado
bem aquele descanso .
. Contempla a cena e vê como naqueles pobres leitos
colocados no chão, descansam os personagens mais emi-
nentes que houve na terra ... , as almas mais santas. - Tal-
vez, Maria durma com sobressalto ... , o mais pequeno ruído
a desperta ... e ·ainda que confiada na providência do Senhor.
o seu coração vela com cuidados... não pode esquecer o
que ouviu de Herodes e até em sonhos a imaginação pin-
ta-lhe as cenas de horror que já começaram ... ou ao menos

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A fuga para o Egipto 171

hão-de começar no dia ·seguinte com a matança dos


meninos.
Ela, é claro, não deixa o seu ... , dorme abraçada a Ele ;
e que confiada e tranquilamente do_rme Jesus nos braços de
Maria ! ... : ni:jo · há berço mais brando nem mais apetecido
para Ele... Que bem se deve estar nos braços de Maria !
Porque não tratas de experimentá-lo?
Mas eis que de repente um anjo vem perturbar~lhes o
sono ...>_.desperta a José e da parte de Deus dá-lhe a ordem
de partir para o ·exílio.- S. José" aceita as disposições da
divina providência, mas -treme ao ter que comunicar tudo
à Santíssima V irgem. - Esta recebe com nova resignação
a ordem do .S~nhor e dando um abraço mais forte e um
beijo mais carinhoso a seu ; divino Filho, dispõe-se a obe-
decer imediatamente.
Procura compreender o desgosto, a contrariedade e a
pena que este doloroso despertar produziu em Maria e ...
contudo, que domínio! nada de aborrecimentos nem de pro-
testos. -Que exemplo para ti!... Pensa bem nisto ...

2. 0 :_Pormenores da fll'fJida.- Apesar -de ser tão dura


esta prova ·não quer o Senhor suavizá-la, mas pelo contrá-
rio, vista nos seus pormenores ainda aparece mais penosa
e difícil...
Levanta-te, e agora mesmo, sem esperar que amanheça
nem que o tempo passe ... , e sem teres tempo para pensar
no caso... ·Deus o quer, . não há nada que esperar nem
nada mais· a fazer do que cumprir r a sua santíssima von-
tade. - Toma o Menino e sua Mãe ... , a fugida é penosa
e difícil mas é-o mais quando se .tem que fugir !=Om outras
pessoas. - Não. basta fugir ele só, há-de ser co.m a Mãe
e com o Menino e isto aumenta extraordínàriamente' as difi-
culdades ... e foge, como se fossem malfeitores que se ,apro-
·v eitam da escuridão para se esconderem.- Não haviá outro
meio ma is do que o fugir? .. : Não podia Deus ocultar o

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172 A fuga para o Egipto

Menino doutro modo? Não salvou Ele a Moisés de uma


ordem semelhante sem recorrer à fuga?
: · ,-~)i'at~ce que Deus busca o mais penoso e o mais dolo-
roso para os seus. V:aí para o Egipto... Humanamente
falando isto é um disparate: - O Egipto está muito distante,
uns dez dias de caminho ... ; nesse tempo· os soldados de
Herodes podem muito bem descobrir o Menino e acabar
'com Ele ... ; é também uma região desconhecida e até idó-
latra e portanto ali não poderiam estar ... Não haveria outra
região que reunisse circunstâncias mais favoráveis? - E, por
fim, por quanto tempo?... E também não se lhes diz: fica
lá até que eu te avise! isto é terrível. - Se fosse para poucos
dias, levariam só o mais necessário, mas se vai a durar
talvez anos, o que é que vão levar? . . . Que dúvidas e que
incertezas a aumentar a sua dor! - Talvez Maria não
pudesse conter as suas puríssimas lágrimas, mas não perde
a serenidáde .. . , a tranquilidade ... , nem, menos a inda, a con-
formidade com Deus.

3."- A obediência.- Demora-te a considerar esta


sublime obediência. Com que rapidez!- Imediatamente se
põem a caminho. Vê a diligência em cumprir a vontade de
Deus, e ao mesmo tempo a humildade, sem pôr nenhum
reparo... nem fazer a mínima observação. - Além disso
obedecem com grande constância . .. ; em todos os dias
que dura o caminho procedem da mesma maneira ... , não
se cansam, não ·Se lmpacientam... E tudo porquê? Pois
porque ·em tudo vêem a vontade de Deus ... , sabem que
é ordem sua e· basta-lhes.
A Providência de Deus é sábia e é justa e é bondosa
e sabe muito bem o que manda ... Que admirável 'l ição :' de
humildade, de submissão, e de paciência em tÓdas as con-
trariedades! ... Que · sublime exemplo de obediência ! ... não
digas que não tens um anjo ·q ue te diga claramente a von-

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A fuga para o Egipto 173

tade de Deus... Sabes que não é verdade ... ; esse anjo é


para ti o teu superior ... , o teu Director espiritual, que em
nome de Deus te fala... Porquê, quando não te agrada ... ,
quando não vês a razão do que te dizem ... quando crês que
está enganado, obedeces tão mal?... Qual será de facto
o que !><! equiyoca, ele ao mandar ou tu ao deixar de
obedecu ? Olha para Maria neste passo e responde ...

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j.• . .
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49. No Desterro

1.0 ~ lacomodiclades ckJ caminho. - Considera as in~


comodidades do caminho ... tão longe e tão difícil..., talvez,
nos primeiros dias ao menos, não se atreveriam a viajar de
dia e esperariam a noite para não ser vistos. - Vê a San~
.tíssima Virgem abraçada a seu Filho de quem não se separa
nem um só instante, cheia de temores e de sobressaltos,
ocultando-se nalguma cova com S. José, durante as horas
de luz, e aproveitando a escuridão da noite para fugir ...
Quão pouco e quão mal descansariam nestes dias!
Recorda a viagem a Belém cheia de incomodidades ...
.mesmo assim era uma viagem em paz... agora é uma via-
gem de fuga... e de perseguição de morte. -Quantas vezes
ao teres um contratempo ou um incómodo passaste noites
sem dormir! Como te pareciam essas noites e temas! As
horas não passavam... Compara isso com as noites da San-
tíssima Virgem na sua fugida para o Egipto com tantas
incomodidades ...
Demora-te a pensar no que poderiam comer visto que
as provisões não abundariam. em casa nem se abundassem
teriam tido tempo para as levar... Se ao menos lhes .tives-
sem dado um dia para preparar a vi'agem! E onde dormi-
riam? ... , no chão duro? . .. , debaixo de alguma árvore? ... ,
dentro de alguma cova suja e cheia de bichos? ...
Compara a tua moleza com o que agora sofre a San-

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No Desterro 1i5

·Ü ssim~· Vir-gem ... , muito mais delicada do que tu. Diante


déla ·vê ' se' te atreves a queixar~te quando te falta alguma
coisa ... , quando nem tudo te sai bem ou quando·· tens
de
sofrer··. algum incómodo... ·

2. 0 -No Egipto. - Chegaram finalmente; aonde? Não


se saBe. É · de supor que não se instalariam ao acaso na
primei'ra· povoação ... esperariam alguns dias para se orie?~
tarem e para se ínformareni. acerca da gente ...
Talvez · Deus na oração tivesse revelado a Nossa
Senhora ·o'u a S. " José a terra onde deveriam ficar .... ou
então' deixou Deus à prudência deles a escolha, como faz
mtíitas · vezes, ·para que o ' homem exercite esta preciosa
virtudé~ Por fim instalam-se nos arredores de Heliópole,
onde havia algumas famílias de judeus ...
· :Contemplá demoradamente aquelé alojamento... Em
Belém apesar da pobreza, tinham a sua casa e a oficina de
S. José ... , mas agora, nada ... ; tinham de mendigar tudo. -
'Vê 'a Virgem Santíssima a mendigar tudo... carecendo de
fudo, tudo haviam de pedir.
Provàvelmente co'n tariam a sua desgraça e a ' perse-
'guição de Herodes de que fugiam àquelas ·famílias de
judeu;S... ·e algunia delas; comovida com os factos , rece-
bê~lo~la; em sua casa até que encontrassem 'm elhor alo~
jarnento. - Depois a pouco e pouco c6n.Seguiriam .eStabe-
1ec~r a sua casa e a· 'o ficina de ·s. Jos'é .. : e come.ç arlam a
vivei' ·:do trabalho deste. · ·
· Oferece uma: vez· ~ mais o teu coração . para- albergue . e
.morada· da" Santíssima Virgem ...• ·e tem inveja daquela boa
<gente · qa-e ! assim ajudou é con'solou 'a · Sagrada · ·F amília
<ttaquel~ tribulação... Porque não 'a spiras · tu a · dar ' ·esta
consolação a Jesus, Maria e José quando agora 'buScam
também almas para se albergarem e não as encontram? ...
Não vês que ao mesmo tempo isso seria a maior felicidade
do teu coração?

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17ó No Desterm

Por fim, nota ce:mo Deus com os sofrimentos lhes dá


tamb~m grandes consolações ...• trabalham, sofrem, mas com
alegria e confiança em Deus. .
· Durou a estada no Egipto ~ários anos. - É evidente
que ali manifestou Jesus os primeiros encantos da sua infãn-
da ... , ali balbuciou as primeiras palavras ... , ali chamou pela
primeira vez à Santíssima :Virgem com o nome -de Mãe ... ,
ali rezou as primeiras orações que ela lhe ensinou... e corno
se extasiaria a Santíssima Virgem ao ver seu Filho juntar
as mãozinhas e rezar com fervor e devoção! , ..
Ali ·vestiu a primeira túnica infantil..., ali jogou os seus
primeiros jogos.. . ali brincou criancinha junto às margens
do Nilo .. . Quantas vezes traria à Santíssima Virgem flores
de loto, que ali crescem e em paga receberia dela um beijo
cheio de amor .maternal... Que consolações não dá o Senhor
aos que por ele se sacrificam ! . . . Que Mãe sofreu mais?
Mas também quem mais feliz do que esta Mãe?

3. ~ - A volta. - E um dia · aparece outra vez o anjo e


manda-os voltar. - Morreu H erodes e acabou tudo... Por-
que não pensar que tudo passa e que tudo acaba? - S. José
prudentemente não quer voltar a Belém, não aconteça que
Arquelau, o filho de Herodes, seja corno seu pai. .. Outra
vez lhe aparece um anjo e lhe diz que procedeu bem e que
fiquem em Nazaré... ,
Nunca a prudência é inimiga da obediência.- Expõe
humildemente os teus desejos e até as tuas dificuldades
se as tens... e depois espera com .indiferença, como S. José.
a resposta. - Mas não te empenhes em levar sempre a
tua por diante ... nem te desgO!>tes quando não te dão
razão.- Prudência, sim ... , .mas ao mesmo tempo submissão
e obediência.

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50. Vida em Nazaré

1. o - Importância desta vida. - É uma vida aparente-


mente ordinária ... , oculta . . . , sem valor nenhum. - Nada
há nela que chama a atenção da gente.- Passa desperce-
bida a toda a povcoação de Nazaré. - Não busques o que
faz barulho ... , o que chama a atenção ... , o que dá que falar.
A obscuridade, o silêncio... o vulgar é a condição normal
desta vida .. . mas fica sabendo que Nazaré é a escola da
santidade... que a modesta casa de Nazaré é a oficina
onde se formam todas as virtudes ... , e é o que há de mais
belo na .terra aos olhos de Deus.- Todos os santos foram
a Nazaré a aprender estas lições e não é possível viver
vida de perfeição sem estudá-las ou imitá-las.
Por outra parte, foi nesta vida que Nosso Senhor
viveu mais tempo. Ele é o nosso mestre e o nosso Modelo ...
Como Mestre esteve três anos. .. como Modelo - trinta!
- Quis ensinar mais com a prática do que com a pregação.
Nada pois te deve ser tão familiar e conhecido como
a vida de Nazaré .. . aí deves encontrar a solução de tudo
e para tudo. - Examina se é assim que fazes ... , se te lem-
bras muito da vida oculta de Nazaré . .. , se conseguiste
encantar-te dela.... se pensas finalmente todos os dias e
muitas vezes no dia na vida de fervor que reinava naquela
casa . ..

2. o - Vida de ordem. - Isto é o primeiro que se deve


considerar: a ordem que reinava naquela família. Contempla
12

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178 Vida em Nazaré
-----------------
a Santíssima Virgem niodelo de ordem ... ; competia a S. José
ganhar o pão com o suor do seu trabalho ... mas a Nossa
Senhora correspondia dirigir e ordenar tudo ... e que bem
o fazia!
A ordem consiste em q1,1e cada coisa ocupe o seu lugar
e todas as acções se achem reguladas e sujeitas a um fim .. .
Não é ordem guiar-se a gente pelo gosto ou desgosto, mas
sim fazer tudo em seu devido .tempo com. prazer ou com
cansaço.. . quando agrada ou quando desagrada, atendendo
só ao que se deve fazer. -- Se segues as tuas inclinações
e te guias pelas tuas impressões, um dia terás grande fer-
vor ... e farás tudo muito bem ... noutro dia, se te falta essa
sensibilidade, não terás vontade de nada e nada farás ...
ou farás tudo mal e de má vontade ... Não te acontece isto
com frequência? Repara no exemplo da Santíssima Virgem
e contempla-a vítima do seu dever... cumprindo com per-
feita exactidão em todo o momento, seja o que for ...
3.• - A constância. - Daqui se deduz a necessidade da
virtude da constância ou da perseverança ... A inconstância
brota precisamente da falta de ordem ... , de não cumprir
o ordenado e regulamentado. Tens a convicção de que a
constância é o elemento essencial do amor? . . . Um amor de
dias... de temporadas ... , de só quando temos gosto... não
é amor.
Vê pois co.mo te encontras com respeito à constância
e verás como te vai o amor ... , e compreenderás que a tua
constância dependerá da tua ordem e do .teu regulamento,
que deves cumprir com fidelidade .. .
4.• ~A rotina. -- Contudo tem de se evitar uma difi-·
culdade ... Se a falta de ordem .gera a inconstância, o pro-
ceder sempre com ordem pode originar a rotina ... , isto é ,.
o fazer as coisas por costume... mecânicamente... maqui-
nalmente... e isto leva à indiferença ... , à tibieza espiritual.
porque fazem-se as coisas sem gosto e sem proveito.

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Vida em Nazar:é 179

Não confundas portanto a ordem com a rotina ... , o


regulamento com o costume mecânico.- Quanto aprovei-
tarias se o que fazes segundo o teu regulamento o fizesses
com verdadeiro fervor!- A rotina é a traça da vida espi-
ritual.- Deita .tudo a perder ... , grande parte do valor e às
vezes todo o valor das tuas obras evapora-se pela maldita
rotina.
Repara na Virgem Santíssima em Nazaré . .. : ordem,
método, regulamento, com grande exactidão, com perfeita
constância, mas sem rotina de nenhuma espécie. E porquê 7
Porque tudo fazia na presença de Jesus. - A presença de
Deus ... , a presença de Maria . .. , são o grande remédio para
combater a rotina.

5. 0 - Vantagens. - Pondera brevemente as vantagens


da ordem. - «Guarda a ordem e a ordem te guardará a ti »,
dizia S. Agostinho. - Portanto, toda a tua vida espiritual
dependerá da ordem e do método em todas as tuas coisas.
~ Além disso na vida de ordem exercitam-se sem querer
as mais formosas virtudes: a obediência, não fazendo a tua
vontade senão o ordenado e disposto ... ; a humildade, por-
que ao amor próprio repugna-lhe dobrar-se às ex1genClas
da ordem ... ; a vida de sujeição porque procedes sem liber-
dade, sendo escravo do teu dever ordenado . .. ; e finalmente
a mortificação e penitência, pois é a maior de todas ...
Recorda-te daquilo de S. João Berchmans: A vida
comum, isto é, a da ordem e do re.gulamento, é a minha
maior penitência», e como prémio da vida de constância e
de perseverança . . . , a vida do verdadeiro amor.
Perante o exemplo de Maria vê quanto .t ens a fazer
nesta matéria ... ; pede-lhe que te dê a conhecer a sua enorme
importância e implora a graça de imitá-Ia nessa exactidão
ordenada em Nazaré, que transforma a vida ordinária e
vulgar em fonte de grande santidade.

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51. A Casa de Nazaré

1.0 - Vida de obediência.- É uma consequência da


ordem.·- Quando todos .mandam e ninguém obedece não
pode haver nada ordenado ... ; portanto onde tem de haver
vida verdadeiramente ordenada e regulada é necessária a
vida de obediência. - Nazaré, modelo de ordem é-o também
de obediência.
A importância de.s ta vida mostra-no-la o Evangelho ...
Quase não diz nada da vida de Nazaré . .. , foi a maior
parte da vida de Jesus e toda ela se resu.me em duas pala-
vras . .. , mas nestas palavras põe sobretudo em relevo a
obediência.- Jesus estava sujeito a seus pais... Maria a
José ... José à vontade de Deus. - De modo que ali todos
obedeciam e nem um momento faziam a sua própria von-
tade senão a de Deus por meio da obecüência.
Penetra be.m neste pensamento e pede à Santíssima
Virgem um conhecimento prático dele : que só com a obe-
diência poderemos cumprir a vontade de Deus.- O nosso
fim é servir a Deus ... ; o que serve deve fazer a vontade
do seu senhor. . . ; logo temos que fazer sempre a vontade
de Deus.
Mas esta vontade de Deus às vezes é obscura e difícil
de conhecer . .. ; outras vezes é o demónio que se empenha
em obscurecê-la com tentações e astúcias diabólicas para
assim nos apartar da fonte e causa da santidade, que é

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A Casa de Nazaré 181

o cumprimento da vontade de Deus. - Que fazer então?


Onde buscar a solução?... Como acertaremos com o que
Deus quer? Só com a obediência. - Com ela não se cum-
pre a vontade de um homem senão a de Deus, que por
ele nos manda.

2. 0 - O modelo. - E a grande lição· prática é Nazaré ...


Jest:.s e Maria não vêem na obediência qualquer coisa de
acidental e de efêmero mas sim de essencial e permanente .. .
e por isso toda a vida de Jesus será modelo de obediência .. .
Antes de tudo e sobretudo, obedecer ... ; esse era o seu
plano e o seu programa de vida. - E no entanto quem
era ele? . . . e a quem obedecia 7 ... Agora aos seus pais , os
quais ainda que muito santos, distavam infinitamente da
sua santidade... Muito melhor sabia ele o que havia de
fazer e contudo não quer saber mais do que o que lhe
manda a obediência! E a Santíssima Virgem com tal modelo
em frente, que faria ante os desejos e disposições de seu
esposo? . . .
Fica um dia inteiro a viver naquela casa e verás desde
pela manhã até à noite, uma paz inalterável. .. , uma tran-
quilidade celestial... Pois bem, tudo isso é conseguido pela
obediência.- Que espectáculo para os anjos do céu que
estariam extáticos e pasmados ao ver esta submissão dos
mais superiores aos mais inferiores! . . . E, contudo, que
dependência mais completa, total e absoluta da vontade do
que representava a Deus ainda que fosse inferior! ...

3. o --Qualidades desta obedi'ência. - Como se obedecia


ali? . . . Com prontidão exterior e com alegria exterior. -
Não esqueças estas duas partes da obediência ... ; não basta
fazer exteriormente o que te mandam .. .. é indispensável o
espírito de submissão interior ... , o render do juízo e a
submissão da vontade.
Além disso na nossa c?.sa de Nazaré obedecia-se em

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18? A Casa de Nazaré

tudo: nas coisas agradáveis e nas desagradáveis, nas coisas


grandes e importantes e nas coisas pequenas... até nos
mais pequenos pormenores.- Na obediência tudo é impor-
tante ... : um único pormenor pode desvirtuá-la. Tens de
obedecer totalmente sem que ao obedecer ponhas alguma
coisa da tua própria vontade .. . Pensa nisto: quantas vezes
obedeces a teu modo.. . quando tu queres . .. ; quando a ti
te parece .. . , quando a ti .te agrada?. .. Queres obedecer,
mas ao mesmo tempo fazer a tua vontade . . . , cumprir a
vontade de Deus, mas sem deixar de fazer a .t ua. . . Que
pena! que obediência tão pobre! quão pouco agrada a
Deus! Olha para Jesus .. . , olha para Maria e aprende.
Finalmente, a obediência deve ser sobrenatural. com
espírito de fé, vendo a Deus na pessoa que manda e não
ao homem. - Vê no superior uma imagem de Cristo e quer
esta imagem seja formosa quer seja ·g rosseira isso não te
deve importar .. . ; não obedeças por simpatias ... por afecto
e por amizades . .. , por agradecimento ... , por não desgostar
ao superior que te manda . .. ; .tudo isso é muito humano .. .
Obedece a Deus, só a Deus .. . nunca aos homens como tais,
senão enquanto representam a Deus e tanto quanto repre-
sentam a Deus.

4 .0 - Frutos da obedi5ncia. - 1. 0 A glória de D eus ... ,


pois pela obediência a alma vai directamente a Deus.
2. 0 O sacrifício e a mortificação que supõe ... ; não há nada
mais meritório do que este sacrifício no qual ofereces a Deus
a tua liberdade e a tua vontade. 3.0 A posse de Deus ... ;
assim é que Deus te possui e é teu dono e senhor; doutro
modo serás tu o que te po.~suis e não é ele que te possui.
4.° Com a obediência vêm muitas outras virtudes: a humil-
dade ... ; o venci.mento próprio ... , a vida de fé ... , a alegria
e a paz da consciência tranquila são frutos da confiança
em Deus que traz consigo a obediência. ·

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A Casa de N azaré 183

5." - A tua obediência. - Examina agora diante de


Jes us e de Maria a tua obediência ... Também procedes
como S<! a obediência fosse na tua vida algo acessório e
passageiro.:. obedecendo às temporadas... quando calha ...
ou te v em a jeito ... ou te dá na vontade ... ou .te agrada
o que te mandam?... Ou pelo contrário fazes da tua obe-
diência o mais essencial e permanente na tua vida espiritual,
obedecendo sempre . . . , em tudo ... , nos pormenores ... , pron-
tamente ... , com submissão de juízo e de vontade ... , com
espírito de fé?- Obedeces com alegria, desejando que te
mandem alguma coisa, ainda que te custe, e dando assim
liberdade ao teu superior para que te mande? . . . Como
se atreveriam Nossa Senhora e S. José a .mandar a Jesus
se não vissem o prazer e a alegria que lhe causava o
obedecer ?
Pede à Santíssima Virgem que, visto quereres ser, como
ela. a escrava do Senhor, compreendas que este ideal se
realiza antes de mais nada por meio da vida de obediência ...
não o bedecendo uma ou outra vez mas por meio da vida
de obi'diência . .. da obediência por toda a vida.

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52. Vida de Nazaré

Outra característica da casa de Nazaré foi a sua humi!~


dade e a sua obscuridade e por isso se chama a esta vida
a vida oculta de Jesus.

1. 0 - A soberba com todos os seus derivados: o orgu~


lho, a vaidade, o amor próprio, a ânsia desordenada com
que buscamos tão fàcilmente o louvor e a glória dos
homens. .. tudo isso é inato e.m. nós. Todos sofremos da
mesma doenç a ... A quem não agrada ser estimado e !ou~
vado? ... A quem não desagrada, sobretudo nalguns casos, o
desprezo ... , a indiferença ... , a frieza com que é recebido
pelos outros?- Recorda casos práticos da tua vida e verás
quantas vezes sentiste isto... e tanto mais quanto mais
direito tinhas de esperar o contrário ...
É consequência do pecado original. . . ; a todos nos man~
cha e a .todos nos deixa feridos com a mesma ferida. -
Começa por persuadir~te que sabes muito bem tudo isto
e que te encontras já bastante libertado da soberba . .. e é
então que te achas mais mergulhado na .s oberba e na ambi~
ção.- Deves pois convencer~te pràticamente da nec ess i ~
dade que tens de corrigir e de curar esta doença, realmente
ridícula.
A soberba leva~nos a buscar a estima e o louvor dos
homens; mas isto que é e o que vale? -Não vês quantas

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Vda de Nazaré 185

vezes os horner;s se enganam nos seus JUIZOS .. . . corno julg am


om paixão ... , com preconceitos e até com hipocrisia? ...
Quanta falsidade no coração humano! Quão poucos dizem
co.m sinceridade e nobreza o que de ti sentem ! . . . E é isto
o que tanto buscas e que tanto te agrada ? . . . Que louco és
em dar importância a esta vaidade que não é mais do que
palavras ... , fumo e nada! . . .

2. 0 - 0 exemplo de Nazaré.- Sobre esta matéria


podes receber proveitosa lição na casa de Nazaré. Corno
nela se despreza tudo isto! . ..
Jesus esconde-se e oculta-se em Nazaré, povoação des-
conhecida ... , até este momento nunca se falou dela na
Sagrada Escritura.. . Jerusalé.rn. era urna grande cidade ...
Belém, a cidade de David . .. , mas Nazaré não era nada:
uma aldeia de quatro casas, miserável e desconhecida de
todos ... Ali viveu Maria ... , ali vive agora o Filho de Deus.
E escondido e oculto mais ainda pelas condiçõe.s de
seus pais que eram pobres ... , que não chamavam a atenção
de ninguém, como humilde aldeões que eram e que não
tinham cargo algum em Nazaré.
Jesus esconde-se também por meio das suas ocupações
que eram as de urna casa pobre onde os filhos têm de fazer
os recados . . . ajudar os seus pais, etc ... ; já rnaiorzinho, não
se dedicou a estudos ou a alguma outra ocupação elevada
senão aos trabalhos de um operário ... de um carpinteiro .. .
e de um carpinteiro que não faz coisas preciosas mas coisas
rudes e vulgares.
Fixa bem a figura divina de Jesus ocultando-se e
escondendo -se.. . Vê bem a Virge.m Santissima com toda a
sua formosura e santidade, enterrada naquela povoaçãozita
onde ninguém a conhecia: estimada sem dúvida pelas vi zi-
nhas e nada mais . Contempla-a ocupada nas coisas mais
baixas e ordinárias .. . ; é a pérola que se oculta no fund o

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186 Vida de Nazaré

do mar. -Parece que Deus com .m~do que lha roubassem


assim a escondia e guardava ...

3.•- Tempo que dur-a. - Recorda além disso o tempo


que esta vida dura ... até que foi necessário sair e pregar... ;
senão ali teriam passado toda a sua vida... Que lição tão
prática! O Filho de Deus não tem pressa em deixar o seu
abrigo e só o deixa pela obediência e pela glória de seu
Pai.- Não te parece que humanamente falando estava ali
a perder o seu tempo? ... . Não teria sido melhor se em vez
de três anos houvesse pregado seis, dez ou quinze? ...
Quantas almas não teria convertido! Quantas coisas não
teria ensinado ao mundo! Mas ali em Nazaré que fazia
tanto tempo?... Não era incompatível com a sua obra da
Redenção o deixar passar assim os dias? .. . Parece até
indigno do Messias Redentor passar .trinta anos sem fazer
nada aparentemente do seu ofício de •R edentor ... , que era
o fim que o trazia a este mundo. - Contudo a sabedoria
de Deus não pensava deste modo. - Queria dar-nos a lição
suprema da humildade, ensinando-nos pràticamente a com-
bater <'! nossa soberba e vaidade ... Que lição tão austera e
quão pouco a aproveitamos! ...

4. 0 - Obsourichde e silêncio.- Compreende bem diante


de Deus o valor da obscuridade e do silêncio. - À vista de
Jesus e de Maria assim abraçados com ela, o teu coração
não deve desejar outra coisa.
O demónio deseja que as tuas coisas se vejam para
que o ladrão tas roube ou para que o seu mérito se eva-
pore... Um perfume destapado perde a sua força ... ; um
imprudente que exibe sem cuidado as suas jóias e riquezas,
fàcilmente as perde ... ; todos procuram esconder o seu
dinheiro ... ; não se publica nem se diz a ninguém o que se
tem... Porque não proceder com esta prudência na vida
espiritual?

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Vid.a de Na:ar:é 187

É árduo e áspero o trabalhar em silêncio ... , sem que


ninguém nos veja ... , sem que ninguém se dê conta . .. , é duro
fazer o bem sem esperar recompensa ... ou agradecimento .. .
Recorda como isto te custou alguma vez e corno por este
motivo sofrestes desgostos ... É enfim muito doloroso ver-nos
isolados ... , não compreendidos nem estimados ... ; mas olha
para Nazaré ... , contempla a Jesus naquela vida que só
interrompe pela pregação e que continua agora na Euca-
ristia ... : soledade ... , silêncio ... , obscuridade, essa é a sua
vida. - Contempla a Maria e pede-lhe que te conceda par-
ticipar da formosura desta vida e dos encantos que encerra . ..
para as almas que encantadas com ela querem ocultar-se
aos olhos dos homens para viver só para Deus.

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53. Vida de Nazaré

Vida de trabalho. - Consequência da vida de pobreza


da Sagrada Família é a vida de trabalho que ali tinha de
reinar . .. : eram pobres e não tinham mais remédio senão
comer do seu trabalho; S. José, no seu ofício . . . , Maria nas
suas ocupações domésticas ... , e Jesus ajudando a ambos ... ,
todos ali trabalhavam. Meditemos, que alguma coisa nos
querem ensinar com o seu trabalho.

1. 0 - O trabalho é uma lei da criação, é portanto natu-


ral ao homem... A preguiça, a ociosidade é completamente
irracional. .. O homem nasceu para trabalhar como a ave
para voar, diz Job na Sagrad_a Escritura.- Mes.mo no
Paraíso quis Deus que o homem trabalhasse e foi para isso
que Deus lho deu. - Mas o trabalho tem também o carácter
de castigo e por isso causa cansaço ... ; e este cansaço é que
é pràpriamente o castigo do pecado e não o trabalho em si.
-Todos pecámos, logo ninguém pode estar isento desta
pena. Trabalhos físicos e .morais . .. , no corpo e na alma . ..
para comer e para conservar a vida e até para gozar,
sempre temos que trabalhar.
Convence-te que este é o teu dever e que não podes
deixar de cumpri-lo.. . Quanto mais trabalhares, mais racio-
nal serás ... , mais semelhante a Deus que é a me,s.ma acti-
vidade por excelência ... , a maior, a que mais produz.

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Vl'da de Nazar:é 189

2." - A virf,u:de. - O tra balho é sobretudo uma virtude:


a) porque o trabalho é uma penitf;ncia verdadeira; ... e uma
penitência .muito santa e muito bela, porque fo( escolhida e
imposta pelo mesmo Deus ... e porque além disso é universal
para todos e em cada momento. - Talvez possas livrar-te
doutras penitências mas de trabalhar, não . .. ; mesmo o
doente de uma forma ou de outra, está trabalhando; b) por-
que se a ociosidade é a mãe de todos os vícios, o tr:abalho
é a mãe de todas as vir:tudes ... ; é evidente que ao ocioso
tenta-o muito mais e melhor o demônio ... ; o trabalho quanto
mais duro e penoso melhor . . . ; serve admiràvelmente para
prevenir as tentações ... , para debilitar as paixões ... , para
tirar ocasiões ao inimigo que se desconcerta diante duma
pessoa ocupada; c) fina!.mente é uma virtude de expração
ou r:epar:eç.ão . .. Satisfazer pelos pecados . .. , adquirir grandes
méritos ... preservar-te das quedas eis aí os grandes frutos
do trabalho.
Dá graças a Deus que numa coisa tão necessária como
.esta pôs tantas vantagens com que nos estimula.. . e ao
mesmo tempo suaviza a pena deste castigo. - Quem cha-
~mará castigo a uma coisa tão proveitosa como esta? Quem
não se abraçará gostoso com o trabalho, se há-de servir-
-lhe de fonte de graças e merecimentos incalculáveis? .. .

3. 0 - 0 tr:abelho em Nazar:é. - Por isto mesmo não é


possível que falte o trabalho em Nazaré ... , e o trabalho no
seu sentido mais escrito ... não só é trabalho a ocupação ... .
o não perder tempo .. . , .mas o trabalho é sobretudo coisa
laboriosa ... , difícil..., custosa ... , rude .. . , que requer esforço ... ,
suor ... , incômodos grandes. - Assim, assim foi o trabalho
em Nazaré ... ; nada de poesias ou de idílios naquele tra-
balho... Não era um trabalho só para se ocupar .. . , para
matar o tempo ... ; era para comer ... , para viver! - Viviam
do trabalho .. . , eram uns pobres trabalhadores ... uns jor-
naleiros .

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190 Vida de Nazaré

:Repara em S. José e no Menino Jesus ocupados :10 seu


trabalho monótono... pesadíssimo ... , aborrecido, duma car~
pintaria e de uma carpintaria de aldeia ... onde não se fazem
senão coisas toscas... ordinárias... vulgaríssimas. - Repara
também na Santíssima Vir9em... Também ela depois dos
trabalhos da casa ainda os mais baixos e vis ... la var. v ar~
rer, esfregar, etc., tomaria o ·fuso para fiar e fiando ganhar
também o seu jornal. - Pensa e medita. Nossa Senhora
a jornal ! . . . Não se ocupa em lavores primorosos .. . ; as suas
finas e delicadas mãos não bordam em oiro e sedas . .. ,
nem .trabalham em rendas ... , senão em trabalhos ásperos
e mortifica ti vos ...

4:. o -O teu trabalho. - Assim. deve ser o teu trabalho.


~Evitar a ociosidade é bem, -t endo sempre alguma ocupa ~
ção, mas ·n ão te esqueças que nem toda a ocupação é
trabalho. - Distingue duas espécies de trabalho em que
hás~de exéitar~te: o espiritual e o corporal. - O trabalho
espiritual há~e consistir em vencer as paixões ... , dominar
o gemo e o carácter ... esmagar o a."Uor próprio ... em fazer
esforços para não te distraíres na oração e tirares dela
fruto ... , em exercitares~ te na prática das virtudes ... , em.
levares uma vida intensamente espiritual... e sobretudo em
seres constante e perseverante nela. Tudo isto é trabalho
e sem ele nada se pode fazer. - P ropõe trabalhar deveras
neste trabalho ainda que te venha a ser pesado e incômodo.
O -c orporal consistirá em cumprires os teus deveres ... ,
e.m não buscares só aquilo que mais te agrada ou te distrai,
mas aquilo que deves, segundo a vontade de Deus e para
a maior glória de Deus.
Finalmente, aplica tudo isto às tuas obras de zelo e de·
apostolado. Buscas as que mais luzem e brilham o u as que
mais proveito causam nas almas?... Também nestes tr a b a~
lhos buscas as tuas comodidades?... Também aqui te guias

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Vida de Nazaré 191

pelo que te agrada ou desagrada? ... Também és inconstante


neste trabalho? Vê a Jesus ... vê a Maria ... trabalhando
tantos anos! e aprende essa lição ... , segue esse exemplo.
- Pede-lhes graça para fazer: com eles essa penitência pre-
ciosíssima do trabalho ... diário ... , custoso ... , aborrecido ... ,
monótono ...

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54. Vida de Nazaré

1." - Vida de o!'ação.- A oração consiste na união


da alma com Deus . .. : na comutação e no trato com ele.
Por isso não há nada mais essencial: Deus é tudo e tu és
o nada. Ele é o dono e o senhor imensamente rico ... , pode-
roso . .. , ch eio de bondade ... : tu, o pobre... miserável.. ..
reduzido à .maior impotência. - É natural. é indispensável
que acudas a ele, pois sem ele nada terás, nada poderás
faze ;•.
O acudir a ele, o p edir-lhe o que necessitas, é a ora-
ção. Que amor tão grande o do Senhor ao dar-te um remé-
dio tão fácil... tão simples... tão eficaz para remediar as
tuas fraquezas e misérias!- Se os doentes tivessem um
remédio tão fácil que só com ir ao médico já se curassem,
haveria porventura doentes neste mundo?
Pensa na loucura imen.sa que é o não apreciarmos no
seu devido valor o meio divino da oração, não a utilizando
como devíamos nem recorrendo a ela com a frequência
necessária. - Não houve santo nenhum se.m. oração ... e a
maior espírito e vida de oração corresponde sempre maior
santidade. - Poderá haver santos sem grandes e extraor-
dinárias coisas de milagres ... , profecias . .. , austeridades ...
êxtases e raptos... mas não sem oração.- Não repares
porém agora nos santos ... ; entra na escola de oração onde
todos aprenderam. na escola de Nazaré.

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Vid~ de Na:z:,aré 193

2. 0 - Oração contínua.- Ali vivia-se uma vida con-


tínua de oração. - Por cima de todas as virtudes sobres-
saía esta, ou .melhor, . esta é que dava vida e carácter a
todas as outras. -Em muitas casas há pobreza como em
Nazaré. :. há obscuridade . . . há trabalho . .. mas o que não
há em nenhuma é isso junto com aquele espírito de oração.
-Tudo se fazia em virtude da oração e como fruto dela ... ;
e é por isso que em Nazaré se orava sem cessar . . . Como
a oração .s antificava as coisas mais pequenas! ...
Tudo deixa de ser pequeno e indiferente quando se faz
com este espírito de oração.- O comer ... , o dormir ... , o
jogar e o divertir-se ... , o sofrer ou o gozar . .. , o trabalhar
e o descansar, é então uma verdadeira oração. - E - como
esta suaviza todas as coisas amargas da vida!
Contempla Maria solícita ... , cansada ... , suada ... , e tudo
para apenas poder dar de •comer a seu Filho querido ... ,
para não sair da pobreza nunca . .. ; mas não se enfada . . . .
não se i.mpacienta . .. ; é essa a vontade de Deus; aceita-a
não só resignada mas gostosa e contente .. . , satisfeita,
alegre .. . ; tudo faz com Deus e por Deus ... , quer dizer tudo
faz orando ... , tudo converte em oração. - Por isso é feliz;
com ninguém trocaria a sua sorte .. . , por nenhumas rique-
zas e comodidades deixaria a sua pobreza... Ah! Se conhe-
cêssemos bem como tudo se transforma com a oração!

3. 0 - Oração fervorosa.- Mas repara ainda mais na


Santíssima Virgem nos momentos especialmente dedicados
à oração. - Não só interrompe o seu trabalho para levan-
tar o seu coração a Deus, purificar a sua rectíssima intenção
e renovar a sua incessante presença de Deus, senão que
várias vezes ao dia dedicava à oração e contemplação tem-
pos determinados. - Olha para ela e examina-a bem; que
porte interior e exterior teria a Santíssima Virgem na sua
oração! . . . Levanta a tua imaginação e o teu espírito ao
céu e ali verás toda a corte celeste e especialmente Deus

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194 Vida de Na:.ar:é

deliciando-se na oração de Maria ... , recebendo a glória


que esta oração lhe dá ... , comunicando-se com ela e aumen-
tando as suas .graças e merecimentos. - Será assim a tua
oração?... Também darás co.m ela glória a Deus? .. . ale-
gria aos anjos e merecerás que se comunique contigo e te
dê as suas graças e o que necessitas? Porque tiras tão
pouco fruto da oração.?... Não devias já ter muita sant-
dade 7 ... A tua oração é como a de Maria , fervorosa ... ,
humilde e constante? ...

4. 0 - Oração em comum.- E não só Maria .mas todos


naquela casa o~avam ... e oravam em particular e em comum.
-Que espectáculo tão belo o da Sagrada Família em ora-
ção! . . . Quanto agrada ao Senhor a oração em família! ...
a oração em comum... Persuades-te bem disto 7 O mesmo
Jesus. depois de assim ter procedido e.m. Nazaré e mais tarde
com os seus discípulos claramente no-lo ensinou e acon-
selhou ... : onde há d'ois ou ma.is reunidos em meu nome aí
estou eu.
O homem é social por natureza.. .. tudo fez com os
outros ... , há-de viver co.m. a família ... , com a sociedade ...
porque não santificar essa vida com a oração?- Se tens
amizades para tratar e conversar com elas ... , porque não
levar-nos mütuamente a Deus? . . .
Se se diz que na união está a força e o homem se une
aos outros para conseguir alguma coisa... ou fazer um
esforço que só, não poderia realizar.. . porque não há-d e
ser assim na vida espiritual?
Vê como a Igreja fomenta a oração e a vida espiritual
em comum. - As ordens religiosas não são outra coisa.
- Porque não tratas de fazer assim e, no que possas
fomentar a oração ... , a mortificação ... a conversação e a
vida espiritual na família.... nas amizades ... , na sociedade
que te rodeia? .. .

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55. Vida de Nazaré

1.0 - Vida de crescimento.- Os evangelistas tão parcos


em falar de Nazaré não calam. este pormenor da vida de
Jesus e dizem que o Menino crescia e se desenvolvia . ..
e juntamente com ele havia de crescer sua Mãe. Façamos
reflexão sobre este misterioso crescimento ...
Em qualquer espécie de vida o crescimento é essencial...
Na vida vegetativa, como conheces que u.rn.a planta pegou
bem e tem vida? ... se cresce e aumenta.- Na vida animal,
o mesmo: que seria de um animal..., de um corpo humano
que nascesse e não crescesse nem se desenvolvesse?... Seria
um monstro ou não viveria... O crescimento é sinal de
vida. - Convence- te deste princípio de que o crescimento
é sinal de vida. - Pois bem, a vida espiritual, ainda que
muito interna, é também vida, e por conseguinte requer tam-
bém crescimento.- C rescer é aumentar .. . , é adquirir uma
nova perfeição . . . Por isso na vida espiritual não é possível
parar. - Compreende agora aquilo que se diz que na vida
espiritual o não avançar é recuar ... ; deter-se . . . parar pela
tibieza ou frieza, é retroceder. Não te enganes miseràvel-
.mente: se não avanças, recuas; se não aumentas, perdes
de dia para dia ...

2."- O modelo.- Jesus crescia. - Aparece crescendo


c aumentando ... e é o único que não podia realmente cres-

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196 V ida de N azar é

cer. -Tinha tudo e tudo possuía desde a eternidade em


grau infinito ... ; não era capaz de adquirir novas perfeições.
-No entanto quer s·er nosso modelo e ensinar-nos pràtica-
mente a crescer . .. e assim quis manifestar-se como se real-
.m ente crescesse.
O sol é sempre · o mesmo; realmente não aumenta ne.m
cresce e contudo desde a aurora até ao meio dia aparece
como se realmente aumentasse e crescesse a sua luz ... Assim
Jesus cada dia aumentava uma perfeição mais . ou um grau
maior delas como se efectivamente nelas crescesse e se aper-
feiçoasse.. . Que será o crescimento para Je.sus quando
sendo o único que não pediu. crescer quis aparecer deste
modo? ...
Não quererá que tu o imites e trabalhes pelo teu cres-
cimento verdadeiro?... E a Santíssima Vir,gem não crescia
tqmbém? . . . se foi ela que mais aproveitou as lições. de
Jesus . .. havia de esquecer esta? ...
É doce pensar e além disso é certo que depois de Jesus
ninguém cresceu tanto em graça e formosura de alma diante
de Deus ·e diante dos homens como ela ...

3. 0 - Em que cr:escia Jesus. - a) no seu corpo: era


o único crescimento de que era capaz. .. O ·c orpo tenro e
delicado do Menino Jesus fortalecia-se e robustecia-se cada
vez mais para ser apto e útil nos trabalhos apostólicos ....
na sua pregação . . . , nos sofrimentos da sua paixão. - Por-
tanto até o seu crescimento físico e natural era para ele
uma coisa que se dirigia ao seu fim Redentor ... , ao melhor
cumprimento da vontade de seu pai..., ao bem das almas.
-Aprende a dirigir a esse fim também a tua saúde ... , as
tuas forças ... , a tua vida toda ainda sob o ponto de vista
corporal e físico ... ;
b) crescia em sabedorí'a.- Esta era dupla: uma
humana com a que aparentava conhecer cada vez mais e

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V ida de N azaré 197

melhor o necessário para a vida ... , para o seu ofício ... ,


para ajudar · a seus pais. - Conhecia também cada dia
melhor o que eram. os homens pelos quaís se ia sacrificar... ,
o que era o coração humano, e este conhecimento fazia-o
sofrer ao ver a sua inconstância ... , o seu egoísmo .. . , a sua
incompreensão do verdadeiro amor... e compararia o cora-
ção de todos os homens e em todos veria sentimentos seme-
lhantes, e também ... no teu! . .. que pena! Outra era a sabe-
doria divina, que cada vez se revelava mais, como se
revelou no templo onde foi a admiração dos doutores .. .
Como aproveitaria a Santíssima Virgem estas lições·! .. .
e tu, como ouves as coisas de Deus e as sua.s inspirações? .. .
c) crescia em santMóllde. -De dia para dia fazia
obras mais do agrado do Pai e mais proveitosas para nós .. .
Que rectidão e pureza de intenç.ão! . .. Sobretudo que amor
nas suas obras!- Embebe-te bem desta santidade crescente
de Jesus, que assim vai crescendo até ao fim da sua vida; . ..
até à Eucaristia ... , até à Cruz ...

4. o ~ O teH crescimento. ~ Crescest>e no teu corpo como


Jesus; mas na tua alma, como cresceste cada dia .. . , cada
mês .. . , cada ano?... Notas que vai.s crescendo e aumen-
tando?.. . Procuras crescer no conhecimento de Jesus e de
sua Mãe?... Trabalhas po·r penetrar no fundo desses dois
corações?... nas finezas desse amor para reproduzi-las no
teu? ... Aumentas deveras em fervor. .. , em amor de Jesus
por meio de Maria?
Se a vida é crescimento, podes dizer que a tua alma
vive? .. . , ou não terás de reconhecer que em vez de crescer
decresceu e diminuiu?... Não era antes mais inocente .. . ,
mais simples ... , talvez mais: fervorosa?- Não foram aumen-
tando cada dia as tuas paixões ... , o teu amor próprio ... ,
o teu génio .. . em vez de crescerem as tuas virtudes?-
Pede muito à Santíssima Virgem esta graça do crescimento ...

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198 Vida de Na::aré

que ela te ensine a crescer tão ràpidamente como Ela para ~


que a tua alma não seja algo de monstruo.so ou esteja a
ponto de morrer. - Insiste muito com ela para que todos
os dias, especial mente na comunhão . .. que é um dos melho-
res meios de se alimentar c de crescer ... , te dê com seu
Filho um pequeno impulso que te faça correr no caminho da
santidade.

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56. Vida de Nazaré

Pecda do Menill.o Jesus. - É o momento culminante


da vida oculta - até parece estar em contradição com ela.
-Jesus escondido... obediente... e submisso, agora mani-
festa-se ... parece independizar-se.- Meditemos os profun-
dos mistérios desta atitude na.s suas relações com Maria.

1."- Ida ao templo.- Jesus fez já doze anos ... Ja não


é uma criancinha... é um belo adolescente que prende com
a sua beleza irresistivel e com o encanto da sua incom-
parável simpatia.- Fixa-o bem. . . contempla-o assim for-
mosi.ssi.mo. .. deixa-te prender por ele. Aos doze anos já
está sujeito à lei e portanto deve já ir a Jerusalém três vezes
por ano a celebrar as festas rituais. - Maria diria isto mui -
tos dias antes ao Menino Jesus e ele começou logo a rego-
zijar-se com a viagem, ainda que ocultou as circunstâncias
da mesma.
C hegado o dia, José e Maria levam o Menino e põem-no
a caminho. Segue-os . .. escuta o que dizem. . . vê o que
fazem . .. Com fervor vão ao templo a orar. . . , a oferecer
o sacrifício do Senhor.
Compara esta viagem com as anteriores.... agora não
há as inquietações e sofrimentos da viagem a Belém ....

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200 Vida de Nazaré

nem os sobressaltos e temores da do Egipto ... ; vão con-


tentes e alegres, e contudo nesta viagem esperavam-nos
amarguras muito maiores do que nas anteriores. -Adora
os desígnios de Deus . . . , respeita a sua vontade santíssima,
que assim prepara a prova da dor para os seus quando
menos se espera.

2.•- No templo.- Repara como che-gam ao t·e.mplo ....


é a casa de seu Pai. .. , é o lugar onde mora Deus e fala
e se comunica às almas ... Que dor lhe causaria ver os abu-
sos que nele se cometiam!... Que pouco respeito da parte
daqueles comerciantes que ali mesmo haviam instalado as
suas tendas! . . . Co.m que vontade faria o que mais tarde
havia de fazer expulsando-o.s a azurragues!.. . Mas não
chegara ainda a sua hora. - Pensa no que faz sofrer a
Jesus qualquer falta que se comete no recinto sagrado.
Uma vez dentro, Jesus primeiro, e com ele Maria e
José pôr-se-iam em oração. . . Era a primeira oração qur
fazia no templo.- Põe-te junto a ele e vê como sua Mãe
não tira dele os olhos para aprender dele a orar e a tratar
com Deus... Que diria a seu Pai?. .. Que fervor o da sua
oração ... ! Como o comunicaria à Santíssima Virgem e esta
se sentiria invadida de um fervor e amor especial.
Depois assistiriam a todas as cerimônias... Com qu e
atenção seguiriam o desenrolar daquela liturgia!- Nada de
curiosidade deslocada ... , nenhuma pergunta desnecessária ... ,
nenhum comentário e muito menos risos ou graças sobre o
que contemplavam... É assim que tu assistes aos actos de
culto? ... Não gostas de comentar e de rir- te quando alguma
coisa te chama a atenção?
E quando Jesus visse o cordeiro pascal e assistisse à sua
imolação vendo os sacerdotes a recolher o seu sangue em
vasos de oiro para derramá-lo sobre o altar dos holocaustos,
que sen,tirda no seu coração? .. . Nenhuma coisa o repres-en-

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Vida de N azaré 201

tava melhor a Ele e ao seu sacrifício de Redentor do que


aquele cordeirinho inocente. - Ele compreendia muito bem
que aquele sangue era muito pobre e insuficiente para tirar
os pecados e desagravar a seu Pai e uma vez mais repetiria:
«Meu Pai, aqui estou e serei eu que farei desaparecer os
pecados do mundo». E a Mãe adivinharia tudo o que pas-
sava por Jesus . .. Estava tão acostumada a ler naquele cora-
ção! . . . E Ela também renovaria com seu Filho o desejo
do sacrifício para a salvação dos homens ...

3." - A perda. - E parece que Deus a ouviu... e lhe


aceitou o sacrifício e quis dar-lhe a beber do cálix da
amargura.- Ao regressar a casa vindos de Jerusalém, o
Menino Jesus perdeu-se ... sem culpa de ninguém, - Maria
confiava em S. José ... S. José não duvidou que o Menino
Jesus iria com Maria, pois sabia que não se separavam
um momento .. . ; o facto foi que o Senhor permitiu que ao
chegarem ao fim da primeira jornada se encontrassem sem
o Menino Jesus ... Que dor tão espantosa! Que impressão
a do coração da Santíssima Virgem !
E quando se fosse convencendo de que nem aqui, nem
ali, nem neste grupo nem naquele se encontrava... e per-
guntando a todas as caravanas que regres.sassem, se per-
suadisse que havia perdido a Jesus . .. Que seria aquele
sofrimento?... 6 espada de Simeão, que bem penetras e
quão duramente feres o coração de Maria! . . . Maria sem
Jesus! ! ! A Mãe sem o Filho! ... Tudo o que penses é nada .. .,
não é possivel que penetres nesta dor. . . Era necessário ter
o amor de Maria ... , saber o que para Ela era Jesus . .. , o seu
Filho ... , o seu Deus ... , o seu tudo .. . Que farias tu em caso
semelhante?... Desabafar contra os outros?.. . Deitar a culpa
aos outros? . .. Maria, nem uma palavra de queixa a S. José ...
Ele procedeu muito bem ... ; ela é que foi a imprudente, a

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202 Vida de Na::an?

confiada demais ... , só em si mesma encontra culpa. - V ê


como chora, se.m exageros dramáticos, mas mostrando a
dor profunda do seu coração.- Corre a consolá-la ... , a ani-
má-la ... promete-lhe tomar parte sempre na sua dor, e ofe-
rece-te para com Ela ir em busca de Jesus ... e promete-lhe
não aumentar com o teu procedimento as suas dores e
sofrimentos pois tudo o que sofre é por ti ...

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57. Vida de Nazaré

1. 0 -Encontro do Menino Jews.- Três dias -demo-


ra ram em encontrá-lo . - Que dias tão compridos ! ... Que
noites sobretudo!- Durante o dia , o ir daqui para ali .. . ,
o perguntar aqui e acolá em certo modo distraia a San-
tí ssima Virgem da sua dor imensa... mas ao chegar a
noite... quando tinha de recolher-se à hospedaria... can-
sada e esgotada pelo sofrimento e cansaço do dia ... , que
faria?.. . em que pensaria ao ver-se só? . . . como correria
a sua imaginação e lhe pintaria a Jesus talvez sofrendo
j á a sua paixão e morte pelos homens! ...
Acompanha nesta noite espantosa à Santfssima Vir-
gem .. . , trata de cc.mpreender a intensidade da sua dor ao
perder a Jesus . . . para imitá-la, se alguma vez te encontrares
em caso semelhante e perderes também a Jesus . .. , ou te pus e-
res em perigo de perdê-lo.
E por fim amanheceu o dia da dita e do gozo. Maria
c José regressaram a Jerusalém e correndo foram ao templo
e aí encontraram a sua vida ao ver a Jesus tranquilamente
entre os Doutores. - Que efeitos tão variados e distintos
no coração de Maria nesta o casião!... de alegria imensa
por haver encontrado a seu Filho são e salvo . .. , de agrade-
cimento ao Senhor que lhe concedia de novo a posse do seu
Je sus ... , de admiração e assombro ao ver o Menino Jesus

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204 Vida de Na"Zaré

sempre tão modesto e humilde agora a disputar publica-


mente e a ensinar aos Doutores da Lei. ..
Que significava tudo aquilo?

2. 0 ~As q•ueixas maternés.- E efectivamente sem


poder conter-se, com um afecto sumamente materno logo
que Maria se encontrou a sós cotn seu Filho pergunta-lhe:
«Porque procedeste assim connosco 7 Não sabias que teu
pai e eu havíamos de sofrer tanto na tua busca?» -Maria
não acabava de sair do ·s eu espanto: tudo naquele dia era
extraordinário. Como é que Jesus .. . o seu Jesus, até então
tão submisso e obediente, ·que nunca lhes causou o menor
desgosto, agora procedeu assim? Não reparara talvez que
com isto eles sofreriam tanto? ... Como explicar tudo isto7
- Adivinha-se fàcilmente o sofrimento e a tortura daquele
coração de Mãe que agora quer desabafar. - E Jesus que
a té então nada dissera , agora , por respeito a sua Mãe, fala
e explica o seu procedimento : «Não sabíeis que devia
ocupar-me nas coisas de meu Pai 7»
São as primeiras palavras que cita o Evangelho de
Jesus ... Que belas e que mistério tão profundo não encer-
ram! ... Tudo o que fez foi ordenado por seu Pai, e ante
aquela vontade divina não há senão obedecer, ainda que a
obediência seja amal'ga e custe sofrimentos como neste caso.
-Bem sabia Jesus a dor de Maria e de José ... ; também o
seu coração sofria ao vê-los• a eles a sofrer .. . , .mas o Pai
assim o queria , e ele também assitn o quis . . .

3. 0 - Nosso modelo.- Jesus dá-nos aqui exemplos de


altíssimas virtudes... ensina-nos a obedecer antes a Deus
que aos homens .. . , a seguir a nossa vocação e os seus divi-
nos chamamentos em todo o momento ·e em todas as circuns-
tâncias ... , ainda que o coração tenha de sangrar.- Temos
que seguir o chamamento de Deus onde ele quiser . .. , quando
ele quiser e na forma que ele mesmo quiser.

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V ida de N azaré 205

Além disso, havemos de obedecer co.m.o Deus merece.


com prontidão ... , com energia ... , com exactidão.- Muitas
vezes para obedecer é necessária uma grande firmeza de
vontade para vencer as dificuldades que se apresentam . . . ;
olha para o modelo e aí verás esse valor e firmeza de que
necessitas.- Jesus não suaviza a seus pais a dor do sacri-
fício ... não dá um passo para ir ao encontro deles ... , quando
já o encontraram não os consola com palavras docinhas e
carinhosas ... ; diz-lhes simplesmente a verdade e expõe-lhes
a vontade de seu Pai, superior a eles e a quem todos devem
obedecer.
·M aria e José compreendem ... , baixam a cabeça e já
não falam nem perguntam mais. Medita muito neste passo
tão extraordinário e pede a Jesus esta firmeza e este valor
para obedecer assim, com toda a exactidão, ao Senhor.
Também Maria é modelo de grandes virtudes. - Como
leva bem na sua dor a dura prova! . . . Pára a considerar
a sua pac1enC1a . .. , a sua submissão à vontade divina ... ,
a sua humildade, julgando-se indigna de ter a Jesus e cul-
pada da sua perda . . . ; a sua perseverança e actividade em
buscá-lo ... ; até ao cabo do mundo teria ido se fosse neces-
sário! . . .

4. 0 - Buscam a Jesus. - Aprende tu também aqui a


buscar a Jesus. Podes perdê-lo pelo pecado .. . , mas às vezes
ainda sem pecado Jesus oculta-se para provar-te, como fez
com sua Mãe . .. É então que o demônio se aproveita da
ocasião para tentar-te co.m o desalento .. . , o cansaço... , a
desconfiança ... , o desespero·. ·M as isso nunca.
Vê como procede Maria .. . não encontra logo a Jesus,
mas não pára a tê encontrá-lo. Assim deves fazer tu ...
O sofrimento e a dor do teu sacrifício não te devem tirar
a coragem para buscar a Jesus ... ; pelo contrário deves antes
suspirar mais por ele, como Maria ... , e como Maria não

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206 Vida de Nazacé

viver nem descansar até .merecer com a tua diligência . .. ,


fervor e perseverança, encontrá-lo.
E quando se encontra assim a Jesus, que contentamento
e alegria para a alma! . . . Como brotam espontâneamente
as palavras do Livro dos Cantares: «encontrei aquele que
minha alma ama ; guardá-"lo-ei bem e nunca mais o soltarei» !
Pede a Maria o saber cumprir bem a vontade de Deus ... ,
o não merecer nunca que Jesus te castigue com o afas-
tar-se do teu coração e ocultar-se de ti ... ; ·enfim que saibas
trabalhar sem descanso na sua companhia para... co.m. Ela
e por Ela, ir sempre a Jesus ... viver com Jesus . . . e buscá-lo
sem cessar até o encontrar.

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58. Vida de Nazaré

1." -Maria e Jes us . - Tratemos de considerar e son-


dar a situação em que durante aqueles trinta anos de vida
oculta esteve Maria com relação a seu F ilho.
A primeira coisa a considerar é que entre Jesus e Maria
existiu uma relação .maternal.. . Maria era a Mãe, e Jesus.
o Filho de Deus, era o Filho de Maria! ... e gostava de ter
com ela as relações de um bom filho com sua mãe. - Maria
teve pois que prestar-lhe os mesmos serviços que uma mãe
presta a seu filho. - E o Menino Jesus, como as outras
criancinhas, teve que depender de sua Mãe, de tal ·Sorte
que a vida dos dois era uma só vida ... , pois Maria vivia
toda para Jesus, e Jesus vivia de Maria, sua Mãe ... Que
dulcíssima é essa compenetração de vida entre Mãe e
Filho!
Não há um só passo na vida de Jesus, que não tenha
repercussão na vida de Maria... Umas vezes será uma
alegria, um anelo .. . , outras vezes um sobressalto, um cui-
dado·, uma carícia ou um esforço e trabalho para alimentá-lo,
vesti-lo e educá-lo tudo igual ao que se pas.s a com outras
mães .. . , só que duma maneira mais carinhosa e cuidados a. -
Ninguém, nem mesmo os filhos de reis e imperadores, rece-
beram alguma vez cuidados mais delicados do que os que
recebeu Jesus de Maria amantíssima.

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208 V.Jda de N azar é

2.• - O Filho de Deus.- Por outra parte Maria via


em Jesus não só o seu Filho .mas também o seu Deus ...
e daí. que todo o seu carinho, com .s er tão grande, esta'l(p
misturado de sumo respeito e veneração. . . Que pensamento
mai·s sublime do que supor que Deus pôs no coração da
Santíssima Virgem todo o amor... todo o carinho. .. toda
a ternura que todos os homens juntos deviam ter para com
Jesus! ... Que Ela só amou mais a seu Filho do que toda a
humanidade inteira! . . . Que Ela já desde então soube reparar
com o seu amor ardente todos os esquecimentos e ingra-
tidões de todos os homens que por ignorância ou malícia
não o queriam receber!- Maria então encerrava e repre-
sentava no seu coração a toda a humanidade ... ; em nome
dela exercia as suas funções de Mãe, pois o seu Filho não
era para Ela mas para todos... a todos nós pertencia
por igual. . .

3.• - Vida íntimé' . - Finalmente, com respeito a este


ofício maternal de Maria. medita bem que as circunstâncias
da sua vida fizeram que este fosse o mais· íntimo que se
pode imaginar. - A sua pobreza não lhes permitia ter pes-
soas ao seu serviço, e portanto Ela mesma teve de cuidar
directa e pessoalmente de seu F ilho, até nos mais peque-
ninos pormenores... Foi providência de Deus que não quis
que outras mãos senão as de Maria, tocassem no corpo de
Cristo.- Vê como Ela vivia dependente de seu Filho .. .
Toda para Ele. - Como se multiplicava para atendê-lo ... ;
não se poupava a trabalhar nem a cansaços para cuidar
dele . . . Ela própria o alimentava ... , o vestia ... , o lavava . .. .
e o levava nos braços. - Ela fazia tudo, e não consentia
que ninguém a substituísse, nem mesmo a ajudasse nestes
ofícios de Mãe . . . E certamente quem os poderia fazer .como
Ela? . ..
Por esta mesma razão de ser a Mãe de Deus, teve a
Santíssima Virgem que cooperar e tomar parte em todos

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Vida de Nazaré 209

os mistérios da vida ocuita.- Antes de mais, nada passava


despercebido para -Ela ... , tudo observava atentamente ... .
tudo gravava no seu coração, como diz o Evangelho .. .
e sobretudo meditava a sós para tirar o fruto devido de
tudo o que via fazer. .. . , falar ou sofrer a Jesus . .. Que medi··
tação :tão proveitosa! . . . Como aprofundaria a sublimidade
daqueles mis~érios ! . .. Que horas de prazer espiritual que ela
passaria a meditar na infância ou vida oculta ·de Jesus! . ..
Quantas coisas não ,saberia Ela ! .. .
D e quant~s não foi Ela a única testemunha! Se não
se apagam fàcibtente do coração de uma mãe as coisa~
de seus filhos, como não se conservariam todas estas coisas
no coração de Maria? . ..

4! - Nosso modelo. - Vê em Maria o modelo que no ~


ensina a conhecer ... , a .es~udar ... , a meditar em Jesus. Con-
templa-a a Ela nesta contínua .meditação.- Jesus absorvia-
-lhe <toda ·a sua actividade .. . levava-lhe toda a sua vida ...
ocupava-a todos os momentos . .. ,e porque não? -Ela tinha
diante dos seus olhos o objecto mai.s querido do seu cora-
ção .. . ; ao ver o rosto de seu Filho via ao seu Deus . . ..
e deli-ciava-se nos -e ncantos daquele menino.... depois, na
beleza daquele jovem, ttodo cheio de ,g raça e simpatia ...
Como se ex~asiaria ao vê-lo dor.rnir plàcidamente no seu
pobr-e bercinho !
Ela pôde fazer com o rosto de Jesus tudo o que quis . .. :
olhá-lo. .. , beijá-lo ... examiná-lo até sabê-lo de cor. - E na-
quele menino pobre e necessitado de tudo via se.mpre o
inEinito e o eterno ... , a omnipotência e a majestade ... a sabe-
doria incriada da divindade.- Ela viu passo a passo, o
desenvolvimento e crescimento daquela santíssima Huma-
nidade .. . e pôde observar como o rosto de Jesus se parecia
cada vez mais com Ela! .. . e todos lho diziam assim . .. e ao
ouvi-lo e ao vê-lo, o seu coração inundava-~e de um gozo
inefável. Oh ! Mãe ditosa , a mais feliz de todas as mães! . ..

14

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Vida de _Na=art?

E . que bem sabia corresponder o seu coração a estas


.deliciosas observações! . . . Como de tudo isto tirava :EIB
_. sentimen.t os de admi~.ação, de gozo, de amor e louvor ~
·Deus porque a Ela, ,s ua escrava a elegera para .ser .a .Mãe
de seu Filho! -Que orações não faria então por todos os
homens e também por ti! -Sem cessar se oferecia a Jesus
..por nós... .oferecia-nos e apresentava-nos a nós diante de
Jesus, e pedia-lhe para no.sso Q.em, milhares de graça.s ...
e enfim oferecia a Jesus ao Eterno Pai pela salvação da
·humanidade!
· · Esta.s foram as ocupações de Maria durante os•.trintil
anos da sua .vida em Nazaré. ---,)Pensa e medita muito nesta
vida ~ão íntima de Mãe e Filho ... .e pede-lheS. um cantinho
para viver com Eles e participar desse silêncio ... , dessa paz
e calma e felicidade d.e' Nazaré. -Pede a Jesus que também
tu te . pareças, como ·Ele, a M aria, porque também és :filho
dela... e que aprendas como ·Ela, a estudá-lo a Ele para
c;:orthecê-lo, amá-lo e servi•lo como Maria, convertendo a
·Jesus .no ún!co objecto que constantemente encha o teu
,entendimento, a tua imaginação e o teu coração .sobr~tudo .

,.

·'

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-59. As Bodas de ~AA

T,er.minada a vida privada d~ Nazar_é, Jesus começou


a sua vid.a pública. . . e a primeira manifestação milagros<J
dela, foi o prodígio obser-v.§!do em Çan,ã por intercessão . .. .
quase pode'mos àizer, por mandado de sua Mãe ...

1. ~- O convite.~ Não .s e sabe com certeza quem eram


aqueles esposos ... , pÇ!rece que eram uns parentes da San-
tíssima Virgem, com os quais sem dúvida tinha Ela estreitas
relações pois lhe pareceu conveniente açeitar o convite de
assistir às suas bodas. Not.a bem como o convite foi feito,
em primeiro 1ugar, à Santíssima Virgem... Jesus foi con-
vidado por causa àe 'M.aria. ~Nunca esqueças esta cir-
cunstância, que Jesps gosta de aparecer sempre acompa-
nhado de sua Mãe. C:oin que prazer entra Jesgs no cor9-çãc
onde sabe que já se encontra sua Mãe! Tem isto p-r esente
sobretudo ao ir comungar... : a melhor preparação é Maria.
!Mas repara ainda noutras circunstâncias-: como Jesus
e ·M aria nos dizem que a·' vir'tude há-de ser sempre amável.·.. .
não rara nem extravagante... Que simpática é esta presença
de Jesus e de Maria num banquete de bodas! - A vida espi-
ritual n.ão se opõe às 'expansões boas . .'. , às diversões san-
tas ... , às festas de família ... , especialmente quando se tem
cuidado em que nelas estejam Jesus e Maria santifiqmdo-as
com -a sua presença : ..

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212 As Bodas de Caná

2.'"- O banquete.- Sentam-se à mesa ... Fixa-te em


Jesus e em Maria .. . Levam os olhares de todos ... , sem exa-
geros ... , sem atitudes pretenciosas, mas que urbanidade e
educação! . . . Que atitudes mais correctas e delicadas as
suas no meio de tanta simplicidade e modéstia! . . . Que boa
companhia da virt1.1de é a urbanidade e a educação! . ..
quando não é ridiculamente exagerada.
Chegou um momento em que faltou o vinho. - Preo-
cupados com o que comiam e bebiam certamente que nin-
guém deu conta de que o vinho faltava. - Foi Maria a
que logo notou o facto . .. Que olhar o seu, fino e pene-
trante! .. . Nada lhe escapava ... ; certamente que os criados
dissimulavam, para que não se visse a falta, mas para os
olhos de Maria não há dissimulação possível.- Também
Jesus notou, mas não fez nem disse nada .... deixou tudo <J
sua Mãe . .. , queria que fosse coisa sua.

3. 0 - As palavras de Maria . - E o coração de Maria


não o pôde sofrer. . . Ela, convidada por aqueles esposos
não iria fazer nada por eles se podia remediá-los naquela
necessidade? . . . O coração de Mari<i! . .. Ninguém lhe diz
nadar e é ela que ao ver um sofrimento e um de.s gosto Sf.'
lança a remediá-lo. -Aprende de Maria esta delicadeza,
esta bondade e misericórdia... e confia ao mesmo tempo
n'Ela, pois também contigo procederá do mesmo modo.
E então voltando-se para Jesus diz-lhe: Não têm
vinho ... Que palavras! ... Que simples e quanto encerram! ...
Não são um mandado, nem mesmo uma súplica, só contêm
a .exposição de uma necessidade. - Ela não duvida de que
Jesus remediará ·tudo.- :Não é necessário que peça .e ordene;
basta que dê a entender o seu desejo e Ele a compreenderá.
O desejo da Mãe é lei e ordem para o Filho! -Jesus no
entanto nesta ocasião parece não a .querer atender e diz-lhe:
«Que temos nós que ver com a questão? »... Como se dis-

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As Bod<ls de Caná 21.3

sesse: «nós não damos o banquete; e portanto n ão é con-


nosco; isso é lá com eles».
Além de tudo o mais, poderia i.maginar-se, esta preo-
cupação de Maria parecia coisa sem importância e sem
razão: já todos tinham bebido até à saciedade e o banquete
estava no fim; ainda se fosse no princípio! depois tratava-se
de uma coisa meramente .material sem proveito espiritual
de espécie algum'!. Para que pois o empenho em conseguir
um milagre? ... E por sobre tudo isto J esu.s acrescenta:
«ainda não chegou a minha hora» ... quer dizer: não é este
o momento propício ... , nem a hora determinada por meu
Pai para fazer milagres e manifestar-me com prodígios . . .

4. 0 - O milagre.- Tudo isto era para fazer desanimar


a Nossa Senhora. As dificuldades que Jesus punha eram
tais que o melhor era calar-se. A.ssim teria procedido quem
v isse as coisas c.om olhos puramente humanos ... Mas Maria
não fez assim e, como se Jesus tives.se mandado tudo ao
contrário, demonstrando estar disposto a tudo o que Ela
queria , põe-se a mandar e chamando os criados, diz-lhes:
Fazei quanto meu Filho vos disser: .. . E com i.sto Jesus fica
comprometido ... ; já não tem mais re.médio senão fazer qual-
quer coisa ... , e, por von~ade de sua Mãe, opera o seu pri-
meiro c gloriosíssimo milagre da conversão da água em
v i:1ho.

5. 0 - O poder de M.aria.- Muito grande fo i o milagre


do vinho , mas .maior é o poder de Maria. - Parece que
Deus não se propôs outra coisa nesta ocasião senão mostrar
a força deste poder de Maria. - Tudo o que Jesus diz .. ..
todas ·as dificuldades que põe, não servem senão para nos
ensinar isto mesmo. É di·gno de nota sobretudo que Deus
parece ter modificado os seus planos por vontade de Maria :
ainda não chegorz a m~nha hora disse Jesus. Que facto mais

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211 As Bodas de Caná

admirável! O que será Maria diante de Deu·s qua·ndo tã 0


grande e d seu pdder 1
A hora da Inearnação adiantou-se pelas orações fer-
vorosas de Maria. . , ; por Ela se adiantou também a hora
do Nascimento, wmo prémio da expeetação e deseJo se!t
de vêt ao Redentor já nascido ... ; agora tiimbem se adianta
a horà da süá manifêstáção pública'. - Se incar:na, e erii
Maria .. . ; sê nasc:!, é do s·eio dê Maria •qu·e nàsce ... ;· se vive
trinta anos oculto, êstá escondido com María .. . ; se C·<>'meça
a süâ vida pública e opera· o seú primeiro milagre, e quan'do
quer Maria... Que é isto, que nada se faz pelo Filho d.:
Deus sem Maria L . Não fe espanta e's ta dtsp'Osição· &
Deus de associar .Maria a todas as suas obras? .. .
Pois se assim e, a -túa mesma salvação e santHicação.
d'Eia dependem . .. , d'Eia hão-de· vir', .. , a' Ela as· deves
C<>nfiat. É com quanta segurança deves tOldo confiar a Ela !
Vê a segurança com quê Ela ·confia em s·e u Filho... Era
o primeiro milagre .. . , àindã nünca o tirlila visto fa ze·r .m.il'a-
gres e contudo, que fé! ... q'uê confiança a stia '. .. Com qt'ic
segurança e confiança c-hama e manda os criados f
Lança-te sem medo oos braços de ~ãe tão poderosa'....
e-xpõe-lhe as tuas misérías.. ... as füás necessidades . .'. qu'c
a que não sofreu a falt a de vínb:o . . . . menos sofrerá a falta
de virtudes no teu coração . se a E.jál arodes e a Ela ~ed'e s
remédio .

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60. Mima• na· vida pública de }bus ·

P~ssada esta cena · das bod~s de-' Cana. a Santíssima


Virgem desaparece do Evangelho pata não aparecer d e
rio v o senão no ttagico desenlace da · vida·' de Cristo na sua
Paixão e morte de cruz ... Não oõstaritei ' este silêncio, medi·
t~!TJ.OS no que nos diz o nosso coração · que'· faria ,a Santíssima
Virgem • durante os trê·s anos que' durt:lu ·a' pregàção de Jesus.

1." - União em:espí~ito ·com sf!U FÚho. · - Não · se podo::


duvidar que antes de tudd ' foi ou coiltimiotl ' seii<lci de união
perfeitíssima com o seu Jesus.
Imagina o momento da separaç~o:.. . .
Que triste e resignada, torira Maria coin Jesus a última
refeição 1... Prepara-lhe os ve'Stidos ... , as sandálias pàra o
caminho .. :, acompanha-o um bom pedaço de caminho .. . ;
mas Jesus não ' quer que o acompanhe mais ... ;: abrilçam-se ·
os dois e sepàra.m.-se .... Que dor .e que amargtlra ' para :
Maria! ... Que soledade a de Nazaré! ... a casa ... , a o fi ..
cina ... , recordavam-lhe tantas coisas, e, agora tudo v'á zio! ...
tu do em siléncio! . . . tudo trist~-! . . . Contudo Maria não se
s'e para definitivamente de 'Jesus .. :; sem Ele não sabe ·viv'er.' .. ;
deixa de vê-lo e -acompanhá-lo ' cbrporalmente mas não e:SP'?-
rltual.mente.- Em espírito · Maria estará dia e noite onde ·
Ele está sem consE'guír pensar· rioutra coisa senão no qúê
Ele ' faz ... no qu~ Ele. p ~nsa ... · rio q'uanto ·se cansa ... s6.fre

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216 fvlar:ia na vida públíca de Jes.us

e trabalha. Que força magnífica a do amor! Faz que nem


a mesma morte possa separar duas almas... É assim o teu
amor a Jesus ... Imitas a ·Maria nesta compenetração com
Ele

2." - Cooperação na sua obr:a apostólica.- Mesmo


desde o seu retiro de Nazaré, Maria cooperou e muito acti -
vamente no apostolado de Jesus. -Enquanto Ele pregav<:.
trabalhava e caminhava ... , Maria orava... . suplicava e
sofria ... e com a sua oração e mortificação contínua, quan-
tas conversões não conseguiria das almas que escutavam a
seu Filho! . . . Se por sua intercessão converteu a água em
vinho, não seriam também feitos por sua intercessão muitos
dos seus milagres... muita.s das suas conversões?
É · cer.to que Jesus não necessitava das orações de sua
Mãe p.ara fazer frutificar a sua pregação ... , mas quis asso-
ciar a Santíssima Virgem e valer-se das suas . orações, para
ensinar-nos que a vida activa deve ir acompanhada da con-
templativa . .. , que muitos dos frutos que conseguem os pre-
gadores da -verdade não dependem tanto das suas palavra;;
co.mo talvez das orações de almas ocultas, que só Deus
conhece ... Que !:>elo apostolado! -Não poderás pregar nem
fazer maravilhas . .. , nem operar milagres, mas podes, como
Maria, mortificar-te, no silêncio . .. , orar.. . , suplicar ... , sofrer
pelas almas . .. e algum dia conhecerás o fruto desse magní-
fico apostolado. -Tem a Maria como o teu modelo. Sob
este aspecto bem pode ser chamada Rainha dos Apóstolos.

3. 0 - Consolações e dissabores. - Toda esta parte da


vida de Maria está cheia de consolações e de dissabores . . .
Afinal de contas essa é a vida do homem: um conjunto ·de
penas e de alegrias. de lágrimas e de sorrisos, mais de
lágrimas do que de. alegrias ... ; assim, foi com Maria.·-
Quais não seriam as suas consolaçôes quando ouvisse os
prodígios que Nosso Senhor obrava.·.. quando Ela . mesma

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Mada na vida pública de Jes~s 217

visse as multidões a segui-lo . ..• escutá-lo ... aclamá-lo . . . ; ao


conhecer os apóstolos e discípulos que o acompanhavam ... •
ao ter notícias dos seus triunfos sobre as almas converten-
do-as ... , dos escribas e fariseus, confundindo-os, etc.
E qual não seria aínda a sua consolação ao ouvir-lhe
Ela mesma algum sermão portentoso! . . . E que prazer não
sentiria a Santíssima Virgem quando Jesus cansado do seu
trabalho se retirava de quando em quando à sua casinha de
Nazaré para descansar! Ela mesma lhe limparia o .s uor do
rosto . . . , lhe serviria a co.mida por suas próprias mãos pre-
parada . . . a sós teriam as suas conversas íntimas repassadas
de amor puríssimo reas intensíssimo.- Que feliz se sentiria
Maria com aquele Filho! ...
Mas, ai! quais não seriam as suas amarguras e os seus
sobressaltos, quando soubesse da inveja, da raiva dos seus
inimigos ... da perfídia nas suas perguntas ... co.mo o vigia-
vam e espiavam sem cessar.... quando o quiseram lançar
do alto de um precipício . . . , quando agarraram em pedras
para apedrejá-lo!. . . Como sofreria ao conhecer a dureza
daqueles corações . . . a .malícia que encerravam ... , a própria
rudeza dos Apóstolos e discípulos que não acabavam de
conhecê-lo! .. .

4."- A vontade de Deus.- A vida de Maria em


Nazaré foi finalmem~ uma vida de cumprimento exacto desta
vontade. - Sem isto não há santidade. - Recorda as duas
vezes que Jesus fala de sua Mãe na vida pública ... Umo
quando lhe dizem qu~ sua Mãe o chama e responde : Quem
é minha mãe? Quem faz a vcntade de meu Pai é que é
minha mãe .. . , meus irmãos e meus parentes. Outra quando
uma mulher lhe diz: Bem~.cwenturado o seio que te trouxe ... .
e Ele responde: ll.fais bem-aventurado é quem mzve a pa/a ..
vra de De•us e a segue. Aprende esta lição. - Isto é a única
coisa que vale para Deus; sua própria Mãe nada valeria
para Ele se não fosse santa . .. Não bastava que Ela o tivesse

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218 Maria na vida pública ele" ]esizs

trazido no seio ... , ne.m que lhe . tive.sse dado o ser qu e


tinha ... ; era necessário que se distinguisse «no cumprimento
exacto da vontade de Deus»; por isso é que Ela é grande_.,
di tosa ... , bem-aventurada.
Isto significam estas palavras ... ; isto te ensinam a u.
- · Não poderás imitar a Maria em ser Mãe de Deus ... ,
mas poderás imitá-Ia em seguir fielmente a vontade divina.
-Pede-lhe esta ·graÇa : luz para conhecer sempre a vontade
de Deus e não a tua , e força para segui-la sem vacilar .. .

('

.,

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...

f.··- A liora: -- Chegou a hora marta dá pelo Pki para


consumar o sacrifício, e o Filho obediente nem um. momento
sequ-er. a atrasa. - Não ignorava o qUe' significava a che-
g·à:da desta hbra e· lohge de fugir cobatdementc, com imensa
afe·gria ao mesmó tempo que· com profunda pl!ha) atira-se
ao' sofrimento· totlo da Paixão.· ~ E . o · primeiro · passo que dft
é' o despedir-se· de· sua Mãe. Impossível pintar oti imagina r
esta· cena.
Jesus chambu' apa rte a Santíssüna Virge m e começou
a expor-lhe a vontad~ de seu Pai ... Escuta estas palavras . ...
adivinha as razões que lhe daria .para explicar a sua decisão
de ir para a morte e para tratar de consolar o seu coração
íerido.- Ó Pai assim o havia decretado ... , era necessário
para satisfazer a justiÇa divina . .. , para remir o mundo ....
para destruir o' império do pecado .. . Q'ue conceito formari~1
do pecado a Santíssima Virgem ~ quando compreendeti· que
tanto ia custar o apagá-lo!
Pen'etra .muito n<-sta razão qtic ê a causa de tudo . ..
Que será o p'etado?! Como irritará o coração de Deus quE"
só se aplaca com o sacrifício de· seu próprio Filho! E, j<i
para preveni-la, já para que Ela tomasse desde _e ntão como
seu's o's sofrimentos que· ia a padecer.. . dar-lhe-ia cont"'
porn'féh'orizada , de toda a Paixão.... da sua pnsao no
ho"rto ... , da t raiçã'o de· {tidas... . das injustiÇas dos tríbu -

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220 Mac-ia e a Paixão

nais ... , das cenas do Pretória ... Impressionado contar-lhe-ia


o tormento horrível da flagelação ... , o da coroação de espi-
nhos ... , o do caminho do C alvário carregado com a cruz .. .
o da crucificação . . . e enfim, como depois de três horas de
espantosa agonia, nela havia de morrer escarnecido ... , insul-
tado até aos seus últimos mom~ntos . . . Quantas horas amar-
gas não teve Jesus que passar na sua Paixão! mas esta nãü
foi uma das menores... Quanto teria que sofrer por ser
Ele o verdugo <JUC assim dilacerava o coração de sua •Mã~
cravando-lhe cada vez mais com cada palavra sua, a espada
de dor .. .

2." - A Santíssz)na Viqpm . - E de facto, qual não


seria a ·dor de Maria quando ouviu tudo o que seu Filho
lhe disse! -Naturalmente estremeceria a cada novo tor-
mento que ouvia ter ele de sofrer... Como havia Ela de o
permitir?! . .. Como o havia de suportar? ! ... Porque não
morrer antes?! ... Como é que o Padre Eterno não lhe faz a
Ela o benefício que fez a S. José, levando-o deste mundo
antes de presenciar estas cenas?
Mas ao mesmo tempo que sentia estes afectos naturais.
sentiria que essa era também a vontade de Deus . .. e ficando
por cima este afecto sobrenatural, não só admitiria resignadi!
tudo o que seu Filho lhe oferecia de dor e de sacrifício ...
mas ainda contente e gozosa abraçar-se-ia já desde este
momento com seu Filho cheio de dores e quebrantlado para
~egui~lo até à morte ... Que dor tão intensa a deste coração
de Mãe ! Mas ainda admira mais a fortaleza e valor com
que se a tira ·a ~ofrer, à imitação de seu FiÍho.
Pensa, pensa mui fio nisto ... ; diante deste exemplo medita
nas tuas cobardias em frente de qualquer sofrimento qu~
se te apresenta ... , envergonha~te .. . , pede perdão.. . pede
·graça para te modificares e te!'es .grande 9enerosidade . .. e
participares desta fortaleza da Mãe e do Filho ...

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Maria e a Paixão 221

3. • - A bênção.- Depois, Jesus pede de joelhos a su<~


Mãe a bênção para ir sofrer. Considera as circunstãncias
que fazem mais penosa a separação de dois corações e
verás que nunca houve despedida semelhante.
O amor e a união de corações eram em Jesus e Mari a
tão extraordinários que não podiam ser mais ... ; e portanto
como se arrancariam e despediriam um do outro nesta peno-
- .
stsstma ·- 7....
ocastao
Por outra parte a separação era para ir a sofrer e a
padecer.- E o cúmulo deste . sacrifício foi não só aceitar
resignada e.sta dor e quebrando. senão o consentir nela e
admit>i-la com alegria e satisfação . .. e por isso Jesus pede
que mostre este seu beneplácito dando-lhe a sua bênção ...
Como tremeria a mão da Santíssima Virgem, de emoção,
ao levantá-la para abençoar a seu Filho por saber que com
ela lhe dava licença para entregar-se aos tormentos e à
própria morte!

4."- A tua hora.- Pensa em que também tu terás a


tua hora , que também para t>i chegará a hora do sofri -
mento ... , da prova ... , da dor ... , e depois a hora da morte .. .
Como t•e preparas para -e stas horas decisivas da tua vida? ... ,
e especialmente para a última hora? ... -Vives realmente
para aquela hora? Desperdiças agora as que o Senhor te dá
para .santificar-te ainda que seja à custa de sacrifícios? ...
És cobarde e foges deles?
Olha para Jesus e :para Maria e aprende deles o cami-
nho do sacrifício e da mortificação.- Não esqueças o por-
menor de Jesus ao pedir a bênção a sua Mãe. -Ele quer
que tu t>ambém peças a bênção e o beneplácito ~ quem deves.
para não fazer nunca , nem sequer no sacrifício, a tua pró-
pria vontade. Quanta:; veze.s não será isso a maior .morti-
ficação!. . . a que talvez .mais te humilde. .. a que mais :e
custe.. . e portanto a que Jesus mais te pede e a que mais
deseja de ti! ...

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62. ·Maria e .a ·Eucaristia

Não sabemos que -parte ·tomou ·Maria na instituição da


Eucaristia, .nem se esteve no Cenáculo aquela noite, nem se
comungou ou .não com os Apóstolos; apesar disso são muito
intimas as relações que existem entre Maria e a Eucaristia..

J.• - O dom de Maria.- A Eucaristia é o dom de


Maria por excelência. - O homem tem necessidade 1\bsoluta
de Deus.- Por inst-into natural ·busca a Deus e quando o
não encontra fabrica-o -por suas mãos, como fazem os
pagãos, cem os seus ídolos .... Deus concedeu-nos a nós a
graça de satisfazermos esta necessidade ... , primeiro por meio
da Incarnação e depois pela 'Eucaristia..
Deus baixou do céu à terra para 'fazer-se como -um de
nós, para assim o podermos ver, conhecer e amar... Mas
isto pareceu-lhe ainda pouco .. . Ele queria -mais e por isso
quis humilhar-se até ao -ponto de o podermos tocar ... comer...
e alimentar-nos d'Eie . . . e isto não uns dias ... nem um certo
-tempo, mas sempre. - Pela Incarnação tomou um corpo
humano e viveu entre os ·h'omens, mas por -pouquíssimo
tempo.- Só viveu na ·Palestina e só uns trinta e três anos . . .
Mas que era isto para toda a humanidade? ...
Por isso inventou um modo de estar com -todos c
cada um -realmente presente, intimamente unido ... , co.rn. a
união mais perfeita que existe que é a do alimento por meio

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'i\iacia e a Eucaristia 223

do qual Ele se faz uma só coisa connosco .. . e ist o para


sempre. . . até ao fi.ru dos séculos. - Portanto a Eucaristia
é uma Incamação continuada. . . é a aplicação prática da
IncarnaÇão a, todos e a cada um dos homens ... , é o modo
que Deus tem de satisfazer a necessidade que .todos temos
d'Ele.
Agora pergunta a ti mesmo : E esse dom da lncarnação,
quem no-lo deu? ... O Eterno Pai, mas por meio de Maria .. .
Jesus incamou e nasceu por meio de Maria ... Ela foi a que
deu ao mundo a Jesus... Portanto se a Eucaristia é a
continuação da Incarnação, está claro que é a continuação
do dom de Maria. - Ela continua dando-nos diàriamente
a Jesus como um dia no-lo deu no presépio de Belé.m. -
Adão perdeu-nos por comer o fruto que Eva lhe deu:
«a mulher que me deste. por companheira ofereceu-me o
fruto e eu comi» .. . Assim pecou Adão. Nós podemos dizer
o mesmo: «Senhor a mulher que nos destes e como Mã ~
deu-nos e está dando-nos o bendito fruto do seu seio e
por isso vivemos ... , d 'Ele nos alimentamos » ...

2." - O Sacramento de :Maria.- Assim se pode cha-


mar à Eucaristia. - Nos outros Sacramento s não tem E la
parte nenhuma. - Neste tem-na e principal. -->A carne de
Cristo não é senão a carne ,virginal de Maria, diz. S. To.más.
- F oi Ela portanto que nos proporcionou a matéria divina
deste Sacramento. - A Virgem Santíssima com o seu Fiat
atraiu o Fllho de Deu.s do seio divino ao seu seio ima-
culado.. . O sacerdote na consagração repete um m ilagr~
semelhante e às suas mãos desce o mesmo Filho de Deus.
mas já feito Filho de Maria. "':7 As palavras do sacerdote
são po rtanto como que uma repetição das de Maria ...
0 .prodígio que elas operam é como o prodí·g io e a conti-
nuação das maravilhas de Nazaré. E por isso se disse que
a Eucaristia é uma continuação da obra de Maria.
'Esta obra consistiu em amar e em adorar ao seu Jesu:;

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224 :Maria e a Eucaristia

corno a seu Filho e a seu Deus. -Jesus fez-se menino para


arrastar-nos co.m. o seu .encantto e amor ao amor de Deus.
-Mas de facto quantos conheceram e . amaram àquele
Menino Deus?-·- Maria foi o modelo das almas enamora-
das de Jesus. Ela amou-o com intensidade e com que inten-
sidade! -Agora na Eucarisüa Jesus faz-se pão e alimento
dos homens ... Para quê? . . . Também para buscar o nosso
amor.- Aniquilou-.s:! ao fazer-se ho.mem . .. ; mas ainda se
aniquila mais ao parecer-se com pão . .. e neste aniquilamento
pouco mais carinho e amor tem do que o de sua Mãe. -
Só esta com o seu amor é capaz de compensá-lo desta
humilhação e aniquilamento:- Ao amar a Jesus na Euca-
ristia pensa que estás continuando a obra de amor que
Maria começou em Belém. . . Agora. co.mo então, a maior
parte dos · homens não o conhecem... nem o amam... nem
lhe agradecem tudo o que ele ; faz por ele.s. Agora, co.rno
então, faltam aqueles que supram essa ingratidão. .. essa
enorme falta de amor.- Então foi Maria que a supriu . .. ,
agora deves ser tu com Ela e à imitação d'Ela que a deves
..suprir. ..

3.'' - A consolação de Maria.- Que tristeza não pro-


duziria tudo isto no coração de Maria Santíssima! ... quando
Ela visse aquele Menino encantador, desconhecido de uns
c desprezado de outros . . . e até perseguido no próprio
berço ... quando ela visse em seu 'Filho o Filho de Deus ...
que sofrimento não seria o seu ao vê-lo assi.m. -tão escon-
dido que ninguém. lhe dava o culto de adoração que merecia?
É evidente que Jesus nem na sua vida privada ... nem
na sua vida pública . . . e menos ainda na sua Paixão e morte
recebeu as honras divinas a que tinha direito... e a San-
tíssima Virgem teria nisso um verdadeiro tormento. - Pois
bem, -a Eucaristia é que pode consolar a Santíssima Vir-
gem ... , aqui pode Jesus ser honrado naquele corpo .. ..
naquela mesma carne e .s angue que tomou de Maria ... ;

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Maria e a Eucarist~a 225

agora a Santíssima Virgem já fica satisfeita e consolada


quando vê as almas aproximarem-se para honrar ... adorar
e a.mar a Hóstia sacrossanta dos nossos altares. - Não
quererás dar esta consolação a tua Mãe e ao mesmo tempo
esta honra devida a Jesus? ... Julgas que na tua vida euca-
rística assim fazes? ... Estás contente com a tua vida euca-
rística? ...

4. 0 - A Comunhão de Maria. - Se não é certo que


Maria comungou no dia da última ceia, não se pode duvidar
<ie que pelo menos depois, muitas vezes, comungasse das
.mãos de S. João. - O Apóstolo virgem dando a comunhão
à Vir.gem das Virgens! . . . Que espectáculo mais sublime! ...
Que Comunhão! ... Com que praz;er en~raria Jesus na alma
de Maria! . . . Que bem se encontraria ali!... Se já antes
escolhera seu puríssimo seio para nele incarnar... , como
não escolheria agora o seu coração para morar nele? -
E a Santíssima Virgem, como se prepararia?... Que acção
de graças! ... Se um S. Luís Gonzaga passava toda a semana
a pensar na comunhão e empregava três dias em prepa-
rar-se e outros três em dar acção de .graças ... que não faria
a Santíssima Virgem? Imita-a no seu fervor . .. , comunga tu
também --< com d'vf~aria e como Maria. Passa assim a tua
vida metido em cheio na ·Santíssima Eucaristia ...

15

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63. Maria e a agonia no Horto

1.• - A caminho do Monte Olivete. - Jesus t-erminou


Ja os mistérios sacrossantos e inefáveis do Cenáculo.-
Dentro de pouco aproxima-se a hora; e, valente e decidido,
sai em direcÇão a Getsemani. - Bem sabe que não voltará
mais. - Pode. contar as horas que lhe restam de liberdade.
- É questão de poucos momentos: está para começar o
drama sangrento. ~ E porque sabe isso muito bem, sofre
amarguras indizíveis no seu coração. - Tr:iste, muita triste
está a minha alma at!é à mor:te ... e razão tinha para esta
imensa tristeza. . . Via os judeus tratando da sua venda,
co.mo se tratasse de uma coisa vil e desprezível. . . ; via em
especial a Judas levando até ao fim a sua traição ... ; via
tudo o que o esperava e, ainda que era Deus ... , era também
homem e por isso sofria amarguras indescritíveis no seu
amoroso e terno coração.
Também as sofre Maria. - Sua Mãe acompanha-o em
espírito e participa dos seus sofrimentos... dos seus tre-
mores .. . , das suas amarguras ... ; provàvelmente teve reve-
lação do que Judas tramava ... , provàvelmente teve conhe-
cimento de co.mo estavam decididos a dar naquela mesma
noite o golpe decisivo... e o seu coração despedaçava-se
de dor, ao saber e contemplar cada uma destas coisas. -
Estava apartada de Jesus corporalmente, mas que unida em

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Marla 1e a aJgonia no Horto 227

espírito! . . . Quão admiràvelmente não penetrava Ela na


razão e na causa da tristeza daquele divino Coração!

2. • _.!. A orâção. -Chegado ao Horto, Jesus deixa os


seus Apóstolos e retira-se sõzinho a uma gruta para fazer
oração. - Todo o peso daquela triste noite cai sobre Ele.
- Contempla-o prostrado por terra ... , caído e oprimido
por uma carga que não pode suportar... São os pecados
de todos os homens ! . .. São os teus pecados! .. . Quanto pesam
sobre Jesus! ... E produzem-lhe uma angúsia tal que redunda
em verdadeira agonia de morte. .. Que luta a que se tirava
no seu coração! . . . Olha bem para Ele e procura penetrar
alguma coisa ao .menos nos seus horríveis sofrimentos.
Depois olha para o longe, para a casa de Betânia ...•
ou para o próprio Cenáculo .. . .e aí verás uma cena seme-
lhante. - A Santíssima Vir.gem t!ambém caiu prostrada em
oração... o seu coração pulsa a uníssono com o de seu
Filho ... e não pode fazer outra coisa diferente do que Ele
faz ... Que noite mais terrível! Que longas são as suas
horas!... Não é possível dor.mir . .. , nem intentar sequer
descansar ... : é noite de luta.s e de agonias ... , é noite de
oração... Que oração fervorosa. .. terna... cheia de amor
para connosco, a oração de Maria! - Não pede ao Eterno
Pai que perdoe a seu Filho, nem recusa o cálice do sofri-
mento ... pede sõmente o cumprimento da sua vontade, que
Ela aceiúa ainda que seja tão penosa. - Pede para o mundo
perdão ... , pede por todos e por cada um de nós ... ; pede
que aqueles sofrimentos de .s eu Filho que já começaram não
sejam inúteis para as almas ... , que saibamos aproveitar-nos
da sua Paixão e da sua morte e das grandes graças que com
ela nos mereceu ...
E Jesus continua na sua agonia .. . o seu coração já
não suporta tanta dor... e o sangue, da dor, ensopa-lhe
os ves ~idos ... o s.eu suor frio e abundante da agonia trans-
forma-se em suor de sangue ... , sangue divino! ... que corre

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228 Marta e a éllgonia no Horto

em abundância pelo seu corpo ... , impregna os seus vestidos


e chega até à terra.
Contempla os anjos do céu atônitos diante desta cena .. . ,
.mas contempla sobretudo a Maria. - Ela também vê tudo ... .
adivinha a seu Filho cadavérico ... a ponto de morrer de dor
e de amargura, e derramando à força de tanta dor o pri-
meiro sangue da sua Paixão ... Que faria a Santíssima Vir-
9em? ~ No meio da sua dor de .Mãe, reconhece naquele
sangue o sangue de um Deus e corr·e a recolhê-lo devota-
mente ... , a beijá-lo .... , a adorá-lo. Ela é a primeira que se
aproveita daquele divino sangue... Tudo o que recebeu ....
a sua pureza imaculada .. . , a plenitude da sua graça ... , a sua
imensa santidade ... tudo foi em virtude deste sangue divino.
Os Apóstolos dormem na oração ... Maria não dorme .. . ,
não desperdiça estes momentos tão proveitosos ... não aban-
dona o seu Jesus nem u.m instante. - Jesus poderá queixar-se
de ·que na sua agonia nenhum dos seus amigos mais predi-
lectos o acompanhou, mas não poderá dizer isso de Maria,
de sua M:ã e .. . -Lá do seu retiro acompanha passo a passo
o desenrolar desta cena ... e roma parte na amargura de
Jesus, bebendo com Ele o cálix da dor ...

3. 0 - Pr:isão. - Acabou já a oração e Jesus, decidido ...


valente, generoso ... chama o.s Apóstolos e diante deles, sai
à busca dos seus inimigos, não para fazer-lhes frente e defen-
der-se ... mas sim para entregar-se nas suas mãos.
Vê a Jesus atado violentamente ... , fortemente, pelos
seus verdugos ... , penetra no seu interior e contempla aí um
outro verdugo que é o amor, atando-o ainda com .maior
violência ... ; esses sim que eram laço.s fortes! ... pois Ele era
vítima e escravo desse amor ... Quanto nos amou! ... Ao vê-lo
assim atado a Santíssima Virgem, aumentaria a ansiedade
no seu coração ... Que ia a ser d'E le? ... Que iam a fazer
com o seu Jesus? ... Contempla-o tu também assim abado e
preso por ti ... , fixa-te be.m no que isto significa, por ti'! ... ;

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Maria e a agonia no Horto 229

isto significa que não só se deixa manietar para sofrer por


ti. .. , em v.ez de ti ... por causa de ti. .. mas ainda quer dizer
que és tu também que lhe atas as mãos. - Não cais na
conta desta verdade?
Não há nada que tanto ate as mãos a Jesus .como a
ingratidão . .. , a frieza . . . , a tibieza . .. , a falta de correspon-
dência às suas graças... enfim, o pecado! -Calcula, se
podes, as muitas vezes que Jesus terá querido dar-te grandes
graças ... , novos favores e benefício.s ... , e tu com o teu pro-
cedimento lhe atavas as mãos .. . Ele queria santificar-te e tu
não o deixavas .. . , punhas-lhe dificuldades. - Ata-te pois
de pés e mãos a Ele pelo amor ... ; ata-te com laços amo-
rosos para nunca o perder e repete aquilo do Livro dos
Cantares: Encontrei já aquele a quem minha alma ama,
segurá-lo-;ei bem e não o largarei mais. Suplica à Santís-
sima Virgem que assim to conceda.

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64. Maria nos tormentos da Paixão

1. o- Na flagelação.- Passada a noite em oração ...


confortada e alentada nela ... , com os olhos marejados de
lágrimas e com o .semblante de dor .. . ao ser já de dia sai a
Santíssima Virgem do seu retiro para ir à busca de seu
Filho..- Não lhe sofre o coração assistir aos seus sofri-
mentos de longe... quer ir com Ele para onde Ele for.-
Não ·sabemos porrr;enores deste passo, nem quando nem
onde encontrou a seu divino Filho. Foi já na casa de
Pila tos? ... Talvez ao ir ou ao voltar de Herodes? .. . Quando
o preferiam a Barrabás? - Fosse quando fosse, o certo é
que foi um encontro violentíssimo para o seu coração. -
Já co.m dificuldade !'econhecia a seu divino Filho; parecia-
-lhe mentira que em tão poucas horas pudesse ter perdido
tanto, desfigurado como estava.
A cara inchada pela horrível bofetada em casa de
Anás ... .e pelos golpes que durante a noite lhe d'eu a sol-
dadesca, não deixava entrever a beleza divina do mais belo
dos filhos dos homens.
E estava-se ainda no começo ... ; os tormentos horríveis
e bárbaros começaram na flagelação. - Consta por revoela-
ções particulares, por exemplo a Santa Brígida, que a San-
tíssima Virgem assistiu pessoalmente a este tormento.
Pára e demora-te a considerar o que esta cena disser ao
teu coração. e <mtes de tudo pergunta-te a ti mesmo: que
sentiria a Santíssima Virgem quando ouviu a sentença dos

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Maria nos tormentos da Paixão 231

.açoites? ... quando viu os preparativos para executá-Ia ime-


diatamente e quando ouviu os grites selvagens daqueles
carrascos a animarem-se uns aos outros ... e fazerem apostas
sobre quem o havia de açoitar melhor e mais bàrbaramente?
Coloca-te junto da Santíssima Virgem ... ; vê-a intensa-
mente pálida ... , co.m o coração a querer saltar do peito pela
violência com que pulsa ... , apartando os olhos para não
ver aquilo. .. e abrindo-os sem conseguir deixar de olhar
para o que tanto a interessava... para aquele em que se
concentrava toda a sua vida.
E de facto vê trazer no meio de empurrões e maus
tratos a seu divino Filho e com violência e desvergonha
inauditas começarem a despi-lo. - Nunca chegarás a com-
preender o que se passou então no coração de Maria. -
Seria necessário que soubesses o que era para Ela a modés-
tia e a pureza ... para que pudesses vislumbrar alguma coisa
do que sentiu ao ver a seu Filho nu diante daquela multi-
dão .. . e se por cima de tudo, ao vê-lo assim, o insultaram.
se riram e troçaram d'Ele... e acompanharam tudo com cha-
laças grosseiras e soez-es.. . imagina o que sentiria a San-
tíssima Vir.gem e como aumentaria a sua dor!
Já está atado à coluna ... e os verdugos de cada lado.. . ,
a um sinal começam um depois do outro a descarregar gol-
pes com toda a força. - Je-s us estre...m.ece ... , aperta os· seus
lábios para não soltar gritos de dor ... , levanta os seus
olhos ao céu com um olhar de indizível sofrimento... e Maria
vê tudo ... e já não pode mais.
Segundo as revelações, aos primeiros golpes, caiu des-
maiada .se.m sentidos... Aproxima-te d'Eia ... , ampara-a nos
teus braços. mas ao mesmo tempo não deixes de olhar para
Jesus e admira-te de não desmaiares tu também e de não
morreres de pena ao veres isto.- Já realizaram a sua tarefa
horrível dois . .. quatro... seis verdugos ... ; já se cansaram
de açoitar a Jesus .... já o S·eu corpo é uma chaga horrorosa
e contínua .. . já se vêem os ossos .. . Olha, olha bem para esse

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232 Maria. nos tormentos da Paixão

corpo desfeito e pensa: porquê? . .. e por qU:evn está assim


Jesus?
&ecorda os pecados de impureza e pergunta-te a ti
mesmo: quem merecia este castigo? ... sobre quem devia ter
descarregado esta espantosa e duríssima disciplina?

2. 0 - Coroação de espinhos.- Jesus procura descansat·


e tomar algum alento, mas... não era dia de descanso e
tinha que sofrer ainda muito mais. O inferno inspira
àqueles soldados a farsa da sua coroação.- Ouve as :gar-
galhadas com que é aplaudida a id.eia, e vê como todos se
apressam a pô-la em prática ... IU.m traz um pedaço de púr-
pura sujo e esfarrapado ... , outro prepara o ceptro de cana ... •
os outros tecem a coroa.. . e outra vez despem a Jesus.
Contempla-o sentado naquela pedra ... , com o trapo
de púrpura sobre os ombros e a cana nas mãos. - Chegou
o momento de coroá-lo ... Co.m. brincadeiras e chalacas infer-
nais, colocam-lhe com grandes cerimônias a coroa na ·cabeça ...
e depois apertam-na fortemen:~e e dão-lhe com paus na
cabeça ... O que seria aquilo! ... Jesus instintivamente fecha
e aperta os olhos e deles brotam lágrimas misturadas com o
sangue que por toda a cara e cabeça corre com grande
abundância... É possível imaginar tormento mais atroz?
Agora contempla a sacrílega comédia que fazem com
Ele .. . : está coroado de Rei. . . Tem que se lhe prestar home-
nagem ... e dobram os .seus joelhos diante de Jesus e uns
lhe dão uma bofetada ... , outros lhe cospem na cara ... este
puxa-lhe pelo manto e lhe diz um gracejo asqueroso ...•
aquele enfim tira-lhe a cana e lhe dá com ela na cabeça ...
Assistiria a Santí~si.ma Virgem a esta cena?. .. Teve, pelo
menos, conhecimento do que se estava fazendo com Jesus? ...
Como tinha coração para sofr.e r estas coisas?... Foi sem
dúvida um milagre que não morresse de dor.
Peló menos deve ter presenciado a cena do Ecce homo.
- Assiste tu a ela com a Santíssima Virgem. - Imagina

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fvfaria nos tormentos da Paixão 233

como seria . . . , o que se passaria naquela praça à vista de


Jesus ... e ouve a gritaria da multidão que o pede para a
morte.- Fala com Santíssima Virgem... Que lhe dizes
tu:.?...

3. ~ - A condenação . - E efectivamente Pila tos acede


a estes pedidos e gritos e condena-o à morte. - A multidâo
ouve a sentença e aplaude . .. Maria ouve-a ... , tu ouve-la
também... e que fazes 7... Jesus condenado a morrer! -
Ele morre e tu podes viver? . . . Como receberiam J-esus e
Maria esta sentença?.. . Como a recebes tu, sabendo que
dela depende a t~la salvação 7 •. . Que -sentimentos de gratidão
e de imensa alegria, e ao mesmo tempo de profunda dor,
devem encher o teu coração!
Olha para Jesus que sem poder ter-se em pé faz um
esforço supremo. . . e lança-se com avidez ao encontro da
cruz que lhe trazem os verdugos.- Vê bem como se abraça
a ela, como se fosse u.ma coisa muito desejada e querida.
·-Não quer não, que ninguém lha leve e Ele mesmo a
carrega sobre os seus ombros ... Que .generosidade, que amor
o seu tão verdadeiro! ... Escuta o que a Santíssima Virgem
te quer dizer ... porque ela fala-te com c.e rteza; ouv e pois
bem o que Ela te diz : que reconheças po·r teu Rei a Jesus ....
que ele seja o único que reine no teu coração .... que nin-
guém, nem tu mesmo, ocupe o lugar que .s ó a Ele corres-
pende ... ; que tenhas generosidade no sacrifício.. . , que não
só aceites mas l:.usques e ames a cruz ... , pois que só ela
será a rua felicidade ... ; que a leves com constância e
até ao fim ... que Ela te ajudará. - Diz-te finalmente que
vejas o que é o pecado ·e que re.pare.s os teus com a peni-
tência e com o fervor ao mesmo tempo que desagravas a
Jesus pelos pecados de todo o mundo. - Que a tua alma
não seja cobarde ... , ingrata .. . , infiel, perante um amor
como o de Jesus ... Ouves bem? ... Compreendes bem? ...
E que lhe respondes? ...

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65. Na Rua da Amargura

1. 0 ~ J1~3i.ls com a cruz às costas.- Jesus torna de


novo a tomar os seus vestidos, deixa a púrpura e a cana
mas não a coroa. - É Rei e como Rei vai a morrer; oor
isso a sua coroa não lhe cai da cabeça.- Já tomo~ a
cruz· e abraçou-se com ela ... , e o cortejo põe-se em marcha.
-Rodeado de soldados e d.e verdugos que o insultam . ..
e maltratam sem cessar ... , de uma multidão imensa que o
maldiz e se goza em o ver so-frer ... e de dois ladrões cri-
minosos, assim cnminha Jesus.
Contempla-o .. . : essa respiração cansada que ouves é
a d 'Ele ... , não po-de .mais .. . O regueira de sangue que deixa
no caminho diz como leva o seu corpo... todo feito uma
chaga p elos açoite.s ... A cruz é muito pesada ... ; não é o
peso material dela ... mas tudo o que com ela carregou sobre
si... é o peso de todos os pecados de todos os homens! ...
Que peso mais espantoso! ... - Também os teus pecados
vão naquela cruz oprimindo a Jesus ... e não pode com esse
peso ... Que admira, se é tão grande!
Não obstante, ninguém o- alivia... Olha para todos os
lados e não encontra uma só pessoa que o alivie da sua
cruz. __, Ele olha para ti a ver o que fazes diante deste
quadro e ao sumo, encontra palavras bonitas ... belos dese-
jos ... ; mas pràticamente, que fazes por aliviar o peso da
cruz de C risto? -Lembras-te disto nas tuas quedas? ...

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Na Rua da Amargura 235

nas tuas faltas frequentes?.. . Olha para a Santíssima Vir-


gem; Ela foi a única que não lançou o peso dos seus pecados,
que nunca teve, sobre a cruz de seu Filho. ~Ela foi a
única que pôde e .soube consolá-lo ... , aliviá-lo e ajudá-lo.
- Coloca-te junto dela ... , imita-a e pede-lhe que te ensine
a consolar e a aliviar a Jesus.

2. 0 - O acompanhamento que leva Nosso Senhor.


A) Uns são os que lhe fazem mais pesada a cruz: os
judeus, os fariseus, os soldados e os verdugos.- Também
eles. levam a sua cruz ... , a cruz dos seus pecados.- Não
há remédio: ou se leva a cruz de Cristo ou a cruz de Sata-·
nás que é mais ignominiosa e mai.s pesada. B) Outros levam
a cruz com Cristo, c são os ladrões, mas não a levam por
Cristo, nem por amor a Cristo, mas à força, com raiva e
com desespero. C) Em terceiro lugar, está o Cirineu que
leva a cruz de Cristo e carrega co.m. ela... Que feli-
cidade a deste homem! .. . Não a conheceu a princípio ...
e por isso também a não aceita voluntàriamente ... , mas
foi-se pouco a pouco conformando e acabou por levá-la com
gosto e alegria, e isto santificou-o. ~Assim que, a cruz
ainda que seja involuntária e imposta à força, pode servir
para santificar-nos.
D) Outro grupo é o das piedosas mulheres ... Estas
acompanham a Cristo, compadecem-se d'Ele ... ; quereriam
aliviá-lo e tirar-lhe aquele peso, se pudessem ... , mas sua
compaixão é incompleta por ser simplesmente humana ...
Vêem em Cristo homem infeliz ... , não vê.em n'Ele a Deus
que sofre ... ; por isso não penetram nem compreendem a
causa por que sofre. - Jesus diz-lhes: são os vossos pecados,
chorai por eles ... , assim consolar-me-eis ... e só assim.
E) Por fim olha para o grupo que acompanha a San-
tíssima Virgem. ·- Esta sim que sabe levar a cruz com
Cristo e como Cristo .. . Que parte não toma Maria na sua
dor e na sua pena! ... Que sofrimento mais semelhante o dos

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236 Na Rua da Amargur:a

dois corações! ... Semelhante em tudo: na intensidade que


já não pode ser mais ... , no motivo que são os nossos peca-
dos, que a ambos tanto afligem e tanto custam ... ; no
modo, que é por puro amor ... , divino e infinito amor que
se reflecte, tudo quanto _pode ser na 1M ·ãe.
Escolhe: -Tens que levar a cruz ... ; tens que acom-
panhar a Cristo no caminho do Calvário . . . ; não podes esca-
par-te a esta obrigação . .. ; só tens liberdade para escolher
a forma e o modo de levar a cruz... Em que grupo queres
figurar?- Pede à Santíssima Virgem que te admita no seu
em companhia daquelas santas mulheres. - Põe-te junto a
Ela ... muito perto d'Ela .. . e agora, a sofrer... , a levar a
cruz que Deus te dê. - Nunca a leves só ... , não conse-
guirias levá-la, porque seria sumamente penoso... A seu
lado todas as cruzes são pequenas.. . todas as dor·es se
tornam suaves.

3. 0 - O encontro. - Contempla em silêncio este devo-


tíssimo passo. - Não é possível exprimi-lo com palavras ... ;
deixa que fale e que sinta, o mais que puder, o neu coração.
- Repara no sentimento daquela Mãe que anela por apro-
ximar-se de seu Filho .... que quer vê-lo de mais perto ... ,
trocar com Ele um olhar ... , uma palavra . . . , uma manifesta-
ção de afecto e carinho maternal. - E , no meio da rua· da
Amargura, sai-lhe ao encontro .. . , estende-lhe os braços ...
quereria arrancá-lo dali , se fosse possível, e levá-lo consigo.
-Jesus levanta os olhos e vê a sua Mãe ... ; os dois olhares
encontraram-se ... Quantas coisas se não diriam nesses olha-
res ! . . . Que bem se entenderiam! Os corações compene-
traram-se e cada um aumentou mais a sua dor com a dor
do outro. - Be.m o sabia Maria e contudo não foge ao
encontro.- Talvez não julgasse ver tão desfi.gurado o seu
divino F ilho... Quão grande não seria a sua dor ao con-
templar aquele rosto divino tão asquerosamente tratado

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Na Rua da Amargura 237

~ tão horrivelmente desfigurado. Só Ela com o seu olhar de


Mãe o pôde reconhecer. Aprende a generosidade perante o
facto de ver a Maria sair ao encontro de Jesus, que tanta
<lor lhe havia de causar. - Não hesites ... , não vaciles ... ,
sai generosamente ao encontro da dor ... , do sofrimento .. .
que aí te espera Jesus ... , aí encontrarás certamente a Jesus.

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66. No .Calvário - A Crucifixão

1. 0 ---< Preparativos da Crucifixão. - Contempla a c he~


gada ao Cálvário. - Esgotado .. . , pálido, ensanguen~
tado . .. , Jesus chegou sem vida depois da sua dolorosíssima
Via-Sacra, na .qual oprimido de dor e de cansaço várias
vezes caiu por terra.- Também chegaram os verdugos que
sem perder tempo começam a preparar o necessário para
a crucifixão de Cris-to; e depois, os ladrões. -Repara
sobretudo na sua querida Mãe. - Ela também subiu ao
cimo do Calvário!. . . Sabe muito bem o que a espera;
mas, valente e decidida abraça-se com tudo. - A cena de
justiçar a um ho.mem, por mais criminoso que seja, é sempre
uma coisa horrivelmente impressionante... Que seria no
coração da Santíssima Virgem que era ao mesmo tempo
a sua Mãe! ... - Não te apartes d'Eia ... ; deixa a imensa
.multidão que por ódio ou por curiosidade úambém sobe ao
Calvário ... : muito perto da Santíssima Virgem, para que
escutes todas as pulsações do seu coração, assiste ·a e.ste
espectáculo.
Os verdugos despojam bruúalmente a Jesus de todos os
seus vestidos .. ., renovam as suas feridas que uma vez mais
manam sangue em abundância e fica as.sim despido à vista
de toda a gent·e ... Que vergonha para Jesu~! .. . Ouve as
risadas e as grosserias com que os soldados e os verdugos
e ainda o seu mesmo povo o saudariam ao vê-lo assim. - ·

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No Calvário 239

Como escutaria tudo isto a Santíssima Virgem? - Que pas~


saria pelo seu puríssimo coração ao ver deste modo ao seu
Jesus?
A seguir o seu corpo é repuxado com violência sobre a
cruz ... ; agarrando~ lhe com força uma das mãos, descarregam
nela a pri.Tneira marnelada ... Olha para o estremecimento do
corpo de Cristo ao sentir uma dor tão atroz ... ; olha para os.
seus lábios, que se apertam para conter o gemido que deles
se escapa ... ; os seus olhos que não podem conter as lágrí~
mas, elevam-se ao céu .. .,; olha para seu Pai e o seu pensa~
mente díríge~se para ti e diz~te: «Por ti!». Depois, outra e-
outra martelada... e assim por diante até que cravam as
duas mãos e os dois pés à cruz ... Não vês o coração da
Santíssima Virgem completamente trespassado?... Todos os
golpes caíram igualmente sobre Ela ... ; não ouviu as mar~
teladas, sentiu-as do mesmo modo que seu Filho .. . Também
Ela estremecia, também olhava para o céu .. . , também pen-
sava em ti... E tu, em quê e em quem pensas? ... Que sen-
tes? ... Que dizes?... Que fazes ao ver assim a Jesus e a
Maria? ...

2. 0 - Na cruz. - Já pregado, é levado ou arrastado


na cruz até à cova onde se há-de levanflar. - ·Levantam a
cruz e deixam-na cair chocando violentamente. - A dor
de Jesus é indizível.. . ; agora é todo o peso do seu corpo
que pende dos cravos, mas o choque da cruz, ao cair na
cova, ainda a tomou maior. - Jesus estremece convulsí-
vamente e o sangue corre por toda a cruz a torrenfles. .. .
Nem um só movímerrto passa despercebido a sua Mãe .. .
nem uma só dor de seu Filho se lhe escapa ... Tudo vê . . .
tudo compreende ... tudo, como seu Filho, sofre e.m. silêncio.
Uma ve-z mais com ·M aria e junto a Maria contempla
este quadro ... Eis aí o fleu Rei! suspendido entre o céu e a
terra ... crucificado como um criminoso entre dois deles ... ,
abandonado do seu mes.mo povo que se goza em vê-lo

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240 A Crucifixão

sofrer... Olha bem para Ele. - Diz à Sarrtissima Vir·gem


que to mostre para que saibas contemplar a Cristo cruci-
ficado. Contempla aquela fronte divina que se inclina• sob
a dor insuportável da coroa de espinhos ... , aqueles olhos
cegos pelo sangue que os inunda ... , aquele peito que se
levanta oprimido pela fadiga que o afoga ... , aquele corpo
todo desconjtintadó ... , dolorido... aquelas mãos e pés ma-
nando rios de sangue... Olha bem para Ele. - t É Jesus.
O teu Jesus! ... O teu Rei! ... O teu esposo! O teu Salvador!

3.• - Os ins<ultos. - E contudo parece que não houve


ninguém dos que rodeavam a Jesus, que não presenciasse
este e.s pectáculo sem uma alegria e 'g ozo satânicos, que se
exteriorizaram nos mais horrendos e inconcebíveis insul!Jos ...
Que mais queriam os seus inimigos? - Haviam triunfado
·por completo ... Tinha a Jesus na cruz a ponto de expirar...
. e contudo querem aproveitar aqueles momentos de agonia
para o fazer sofrer ainda mais ... , até à última ... , insultando-o
sem cessar... Que tirania a da paixão quando escraviza o
coração do homem!.. . Nunca se satisfaz ... , sempre exige
mais ... , ainda que seja brutal, inumana, completamente irra-
cional. .. ; as paixões não têm entranhas.
Assim foi aquela multidão ... , aqueles judeus ... , aqueles
sacerdotes apaixonados contra Cristo.- Não lhe perdoam
ne.1n mesmo na sua agonia, e cevam-se nele com os mais
grosseiros insultos... troçam dele como profeta, que havia
dito que destruiria o templo e que em três dias o edificaria ... ;
·COmo Filho de Deus, já que assim se tinha chamado ... ;
-como Messias e Rei, que tivera poder para salvar a outros,
mas não a si mes.mo ... , e acrescentavam: «Se desceres da
cruz creremos em ti. .. » Quão dolorosas foram para Jesus
aquelas troças naqueles soleníssimos momentos ... , vendo
além disso a ingratidão e o desprezo de Deus que elas
.supunham!
E Jesus calava-se . .. e sofria, saboreando no seu coração

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No Calvál"io 241

a amargura infinita da sua tristeza e das suas dores. -


E para Maria que seriam aqueles insultos? Não é possível
expressá-lo nem compreendê-lo... Que coragem a sua! -
Junto à cruz ... , o mais perto possível de .seu filho ... perma-
nece de pé Stabat Mater! Direita e imóvel, com as mãos
cruzadas sobre o peito, como que contendo o coração que
queria saltar de dor ... com os olhos fixos em Jesus ... não
pode olhar para outra parte . .. , é muito o que tem que ler
naquele livro do s.e u corpo, escrito com o .seu próprio sangue.
Contempla a morte que pouco a pouco se vai apro-
ximando já dele ... , e Maria mais forte do que a morte não
foge senão que permanece sem .mover-se... Stabat Mater!
- Ouv e as blasfêmias... os insultos daqueles tigres que
não respeitam a dor de uma mãe q11e vê morrer seu
Filho ... ; de.s ejaria bradar-lhes e dizer-lhes: «Já basta, feras!
Deixai-o já; é meu Filho . .. , tende piedade da minha dor».
- Mas cala-se co-mo Jesus ... ; afoga no seu coração a
angústia . . . , e ainda que toda a natureza se comova . . . e as
pedras se partam e a terra trema . . . Ela ali estará: Stabat.
- Medita isto muito e promete a tua Mãe ser fiel aos teus
-deveres . .. , não te desviares deles nunca, ainda que sejam a
tua cruz ... ainda que suponham para ti o maior sacrifício...•
q ue também de ti se possa dizer: Stabat ...

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67. No Calvário - A terceira palavra

1. 0 - Ma ria e a agonia de Jes,us. - Vê aquele grupo de


piedosas mulheres que junto à cruz querem acompanhar
Jesus até à morte.- É .sem dúvida a maior prova de amor
segui-lo até à Cruz ... , crucificar-se com ele . . . , morrer com
ele. - Entre todas elas predomina 'M aria. Talvez que sem
ela as outras .mulheres se não atrevessem a subir ao Cal-
vário . .. talvez não tivessem tido coragem par a assistir àquela
espantosa cena ... Maria com o seu exemplo conforta-as e
anima-a.s ... Porque é que tu nos teus sofrimentos não olhas
para Maria para aprender dela a estar ao pé da cruz?
Entretanto, Jesus entrou na sua última agonia.- Pouco
tempo lhe resta já e quer aproveitá-lo, para cumprir, como
sempre, com toda a perfeição, todas as obrigações do seu
ofício. É Rei e desde a cruz reparte coroas eternas, como
o acaba de fazer com o bom ladrão. - É Pontífice e Sumo
Sacerdote e por isso pede pelos seus inimi.gos e pede e
alcança perdão dos seus pecados. - É filho de M 1aria e como
filho olha por ela não a abandonando naquela hora. -
É Mestre e olha pelo discípulo que ali está... e até pelos
outros que cobardemente o abandonaram.
Que exemplo o de Cristo! .. . Nesses mo.mento.s de dor ... ,
de sofrimento inaudHo ... , de crucifixão e de morte . .. , quando,
já posto na agonia, parece que só devia lembrar-se de si
mesmo... é quando olha por todos e de todos se lembra.

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No Calvário 243

- Compara o teu egoismo co.m esta caridade tão despren-


dida .. . 1Como procedes tu nas tuas enfermidades, nas tuas
dores ... , nas tuas aflições? ... Buscas consolações, queixas-te
de que te não atendem, etc.
Aprende, além disso, a fidelidade às tuas obrigações ...
Nem mesmo então Jesus se dispensa de cumprir com as suas
obrigações ... Que vergonha! Quantas vezes a mais pequena
indisposição já é suficient.e para tu abandonares as tuas . ..

3. 0 ~Eis aí teu Filho. ---< Foi então que Jesus, o.Jhando


para sua Mãe, disse estas palavras, indicando S. João e nele
a todos nós. - Penetra no coração da Santíssima Virgem
e sente o estremecimento de dor que ela sentiu ao ouvi-las ...
Pobre Mãe! Quando sofre! . . . Aquelas palavras são já uma
despedida. - Jesus vai-se . .. e.. . para sempre ... ; por isso
essas palavras são um adeus supremo a sua "Mãe . . . Jesus
que ·e ra a sua vida e o seu todo vai desaparecer ... , vai
perdê-lo, não como quando era menino para tomar a encon-
trá-lo, senão para sempre neste mundo... Será dentro em
pouco uma Mãe sem filho . . . ; o seu coração ficará vazio.
Mas Uesus dá-lhe outro filho: «Eis aí teu filho »...
Mas isto, l~nge de a consolar, atormenta-a mais ... Uma mãe
não quer por filho senão o seu filho verdadeiro . . . , não o
troca por nada nem por ninguém... Mas ... muito menos
quando há tanta diferença de um a outro. . . João era o
discípulo fiel e amante mas afinal era discípulo, e seu Filho
era o Mestre ... João era filho de Zebedeu e o seu Filho era
o ·Filho de Deus ... João não era o seu Je.sus.
Finalmente, ela vê que com João e com o mesmo direito
que ele, lhe dão por filhos todos os discípulos .. . , os cobar-
des, os egoístas que no momento supremo fogem e deixam
só o Mestre . .. , e além disso, todos nós·. .. Que bela
herança que Jesus lhe deixa! ... Que carga tão pesada! ...
Que maternidade tão humilhante! - Olha para o teu cora-

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244 A terceira palavra

ção, compara-o com o de Jesus e compreende a dor de


Maria nesta troca.
No entanto, não a rejeita.- Para ser Mãe de Deus
pediu-se-lhe o seu consentimento ... Jesus não lhe pe!'gunta
se quer ou não quer ller mãe nossa . . . Conhece o seu cora-
ção e basta-lhe... Não hesita em carregar sobre Ela este
peso de ser mãe de todos os pecadores. - .R epara na humil-
dade de Maria repetindo com imensa dor ao pé da cruz
as palavras que um dia dissera com inefável alegria: «Eis
aqui a e.s crava do Senhor ... Faça-se em mim, segundo a
vossa palavra» ... , e assim aceita tudo o que o Senhor lhe
manda. - Ah! Se deixássemos sempre as mãos livres a Deus
para qu(! dispusesse de nós à sua vontade, e aceitássemos
tudo o que Ele amorosamente nos manda! . . . qual não seria
o nosso adianta.tnento na .perfeição! .. .

4. 0 - Eis aí a ~ua Mãe. - Tudo o que têm de penoso e


de doloroso as primeiras palavras para Maria, têm de doce
e de consolador as segundas.- Já temos Mãe... e que
Mãe! ... e Mãe para sempre, sem que ninguém no-la possa
tirar.
Deus pôs no mundo a mãe .para que seja a incarnação
mais expressiva da sua Providência .. . O homem necessita
de mãe ... A mawr desgraça que nos pode acon:tecer neste
mundo é perder a mãe... Sem ela tudo é triste .. . , tudo
vazio ... , ninguém pode substituir uma mãe.
Jesus abraçou-se na cruz com todas as penas, mesmo
com a separação de sua Mãe, mas deu-ta a ti para que
nunca 'te falte. - E esta bendita mãe nunca falta ... Como
isto é verdade! . . . sobr.e tudo quando perdida a mãe da terra,
se senre mais a necessidade da sua maternidade.--< Quando
poderemos a·gradecer a Jesus o que nos deu ao pé da cruz? . ..
Que generosidade a sua! ... Ao ladrão dá-lhe um reino, a
nós, a sua própria Mãe! . .. Que sentiria S. João ao ouvir
isto? - O Calvário converteu-se num paraíso. - Que bem

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No Calvário 215

lhe pagou Jesus a sua fidelidade em amá-lo até à cruz!


Subiu ao Calvário como discípulo ... e desceu filho de Ma-
ria ... e irmão de Jesus . .. Com que satisfação entraria na
posse de herança tão rica! que nem no céu a tem Deus
maior!
E isto .podes tu aplicar a ti mesmo. - A :fv.fãe de Dl?:us
é minha mãe!, podes dizer. E como a palavra de Deus é
eficaz, faz o que diz, Maria é na verdade a tua mãe, e
ama-te com um amor igual ao de Jesus. - Tu também deves
ser filho de Maria a valer ... , mas para isso hás-de amá-la
como Jesus a amava... É assim? - Tens obrigação de
parecer-te com Jesus para ser digno filho de tal mãe ... ,
para ser seu irmão ... , pois é natural que os irmãos sejam
parecidos. - Compara-te com Jesus . .. e com humildade e
vergonha pede-lhe perdão das vezes que não amaste a Mãe
dos dois ... , que a desonraste com o teu proceder ... e pede
a esta Mãe que. ainda que alguma vez te esqueças de ser
seu filho ... , Ela não se esqueça de que é tua Mãe e nunca
te abandone . ..

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68. Maria e a morte de Jesus

1. 0 - úlamas palavras. A) Era perto do meio-dia


quando crucificaram Jesus . .. e, não obstante, as trevas
cobriram a Terra ... O Sol obscureceu-se para não iluminar
aquela espantosa cena do Calvário . .. E é então que Jesus.
no meio daquele silêncio e daquelas trevas, abre os seus
lábios e lança este grito: «Meu Deus, meu Deus, porque
.me abandonaste 7» - Escuta bem estas palavras ... , procura
que ressoem no mais fundo do teu coração e pede à San-
tíssima Virgem, a cujo lado estás, que te faça compreender
o misterioso significado deste abandono de Jesus.
Demora-te um bom pedaço a meditar nele e pensa . ..
Jesus abandonado-! . . . Jesus só! ... Que desolação a sua ao
ver-se só no Calvário ... e no Sacrário .. . e em tantas almas
onde se lhe não liga importância nenhuma! . . . És tu uma
dessas? Que impressão receberia a Santíssima Virgem ao
escutar esta amorosíssima queixa de seu Filho? ! - Tu não
podes queixar-te, por maiores que s-e jam os teus sofrimentos:
nunca a tua alma está só. - Jesus quis ser abandonado para
que tu o não fosses. - Pelo seu abandono, Deus não te
abandonará nunca... apesar das razões que teria para is.s o
ao ver a tua inconstância... as tuas caídas e recaídas ... ,
a tua falta de amor! ----1 Abraça-te à Santíssima Virg-em junto
à cruz, e pede-lhe por seu Filho que nunca, nunca te aban-

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Maria e a morte de Jesus 247

<ione ... nem te deixe .. . e promete-lhe nunca deixar Jesus


e ter grande devoção e.m. acompanhá-lo nas suas soledades.
BJ À medida que passam os instantes, crescem as
dores de Jesus, mas uma há que lhe arranca uma queixa
especial... Não se queixou na flagelação .. . , nem na coroa-
-ção de espinhos .. . nem s.e quer na mesma crucifixão .. . , e, não
-obstante isto, queixa-se da sede. «Tenho sede»! . .. Como
s eria este tormento! ... e qual seria o de sua Mãe ao escutar
·estas palavras! . .. Não água mas todo o sangue das suas
veias lhe teria dado, mas ... , não pode ... , só por vê-lo
sofrer e sofrer com EJ.e. ~ Mas ainda faltava mais.- Entre
troças e escárnios vomitados da brutalidade daqueles car-
rascos, atrevem-se a dar-lhe como alívio da .s ua sede! !
fel e vinagre! ! . . . Espreme o teu coração e diz com toda a
franqueza: Que encontra Jesus nele? ... Sangue limpo de
egoísmo e impregnado de puro amor? ... ou fel amargo
de ingratidões e vinagre repugnante de tibiezas ... friezas .. . ,
e incon~tâncias ... etc? ...
CJ" Aproxima-se o momento supremo.- A Santíssima
Virgem que não ce.ssa de fixar seu Filho, viu no seu rosto
'OS sinais da morte próxima .. . ; estremece ao ver que o
desenlace se aproxima .. . E então vê Jesus levantar peno-
samente os seus olhos pela última vez e exclamar: ,T udo
está consumado ... e depois, num supremo esforço de energia,
.gritar: Pai, nas tuas mãos /en..i-rego o meu espírito. . . Que
p alavras! .. . Se todas a.s palavras de Jesus se gravavam no
{:oração de sua Mãe, como penetrariam estas, por serem
·tão .magníficas e por ser-e m as últimas que pronunciou? ! .. .
O Mestre termina o seu ensino com uma li cão sublime .. .
-e depcis fechou o livro da sua vida. - Que fe!Ícidade poder
entregar a alma a Deus dizendo: «tudo está consumado» ... ,
t udo o que me encarregaste neste mundo . .. , tudo o que
pretendias de mim ... , tudo o que tinhas direito a esperar
da minha alma . .. , tudo enfim, as minhas obrigações todas ....
cumpri-as e consumi a minha vida até ao fim, no teu ser-

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248 Maiia e a morte de Jesus

viço ... , para tua glória! Por que não há-de ser assim, se S<!
assim deve ser?
Termina este ponto pedindo à Santíssima Virgem te
ajude a consumar deste modo a vida ... , a terminar assim
a tua carreira ... , para que, no fim dela, possas, sem te enver-
gonhares, colocar o teu espírito... , toda a tua· alma, nas
mãos de Deus por meio de .M aria.

2. 0 - A 'morte de Jesus. - E assim, com a majestade e


dignidade próprias de um Deus, 'Jesus inclina a cabeça,
e .. . morre. ~ No mesmo momento a terra estremece ... ras-
ga-se o véu do templo ... , as pedras partem-se, abrem-se os
sepulcros ... e ressuscitam muitos para dar testemunho da sua
divindade ... e no meio daquela trágica e espantosa comoção
da criação inteira, a Santíssima Virgem, serena.. . firme .
corajosa ... , não se assusta ... , não corre ... , não foge ... .
abra'ça-se à cruz e deposita no.s pés de Jesus morto o beijo
.mais puro ... , mais doce ... , mais terno, que jamais uma mãe
depositou no cadáver de seu filho.
Abismada de dor, havia seguido os passos todos da
sua agonia ... e agora ao vê-lo morrer, longe de acabar-
dar-se e cair oprimida sob o peso da sua dor, levanta-se,
sustida pela graça, até dar o seu consentimento ao sacrifício
espantoso ... , e abraçando e beijando a cruz que tanto a
fazia sofrer, oferece ao Eterno Pai a imolação daquela
vítima divina, r-ela salvação de todos o.s pecadores do
Mundo.
Penetra bem no coração dorido daquela •M ãe ... , a mais
aflita de todas as mães... e verás nele o altar vivo onde
se imolou c Cordeiro divino, à força de dores e de sacri-
fícios espantosos ... e, apesar de tudo, aquele coração despe-
daçado está tranquilo cumprindo e.m todo o momento a
vontade de Deus que lhe exigiu este sacrifício. - Não esque-
ças nunca: ninguém se verá livre da Cruz ... Não pr~tendas
voltar-lhe as costas, que se te fará ainda mais pesada ...

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Maria e a morte de Jesus 249

Abraça-te a ela... e quanto mais dolorosa e pesada seja ...


beija-a com mais carinho ... Tem generosidade com quem a
santificou com a sua morte. .. e morre tu mesmo cruci-
ficando-te com coragem na cruz que Deus te enviar ... , pois
ela e só ela te santificará... conforme aqueles versos, que
nunca hás-de esquecer e que deves repetir quando chegue
a ocasião:

«Sem cruz não há rglória nenhuma,


nem com cr-uz eterno pranto.
Não há cruz que não tenha santo
nem santo sem cruz alguma» . ..

3. 0 - Jesus feri'do no se>u coração. - ~esus já tinha


morrido. - Mas ali estava sua Mãe que podia continuar
a sofrer por Ele. - E a~sim foi. - Um dos soldado.s enter-
rou a lança no lado de Cristo, para certificar-se mais da
sua morte... e o golpe foi tão forte que atravessou o seu
coração.- Aquele golpe já não atormentou o Filho; mas
quanto não fez .sofrer a Mãe ao sentir no seu coração que
a lança o atraves.s ava juntamente com o de Jesus! ... Com
que amor recolheria ela aquele sangue! . . . o do coração de
seu Filho! ! ... o último que lhe restava! ... o último que der-
ramava pela salvação dos homens!
O lado aberto de Cristo é para nós um mistério suma-
m ente consolador. - Por aquela ferida, como por uma porta
amplíssima, podemos entrar, como o fizeram as almas
amantes ... , a esconder-nos dentro do Coração de jJesus ...
e ali estabelecer a nossa .morada. - Esta bendita." ferida
rasga o véu que o ocultava ... e aquele divino coração ... que
tanto amava os homens, ficou descoberto ... , patente a
todos . .. , para que o vi.ssemo.s ... , o adorássemos ... , para que
nele, de uma vez para sempre, aprendêssemos toda a lição
sublime do amor. É impossível saber o que é amar sem

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250 Marra e a morte de Jesus

penetrar no mais íntimo desse coração ... Aquilo é que é


amor! ... essa é a única escola!. .. Esse é o único modelo! ...
Podemo supor que a Santíssima Virgem cheia de dor,
.ao contemplar aquela ferida atroz, mas mais cheia ainda
de admiração, ficou extática... ao ver, Ela antes de mais
ninguém, aquele coração... Nunca o tinha visto e agora
contempla a sua formosura encantadora. - Com certeza
caiu de joelhos logo ali para adorá-lo e desagravá-lo por
todos os que ali mesmo e por todo:s os séculos o haviam
de ultrajar.- Foi este o primeiro acto público de devoção
e culto ao Coração de Jesus . .. , e Maria a primeira adora-
dora e reparadora do Sagrado Coração. ~ Aprende dela
esta devcçiío salvadora e santificadora. - Maria é a depo-
sitária dos tesoiros deste coração... Ela tem a chave. --
Pede-lhe que te introduza lá bem para dentro e que feche
bem a porta, para que nunca saias daquele Coração onde
os tíbios se fazem fervorosos, e os fervorosos chegam a ser ,
santos ...

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69. Soledade de Maria

J.• - Jesus morto nos braços .de sua .M &. ~Põe diante
da tua imaqinação aquele qua·dro. - Pendente da cruz o
cadáver de Jesus .... cheio de grandes .manchas de sangue
coalhado ... , coberto de fer idas ... , materialmente desfeito ... ,
sem beleza nem formosura ... , quase sem figura humana ... ;
lábios exangues ... , olhos sem vida . .. ; aquilo que não é mais
·do que isso, um cadáver! .. . e é o Filho de Deus'! ! ! Que
mistério!
Aos pés da cruz, um •g rupo de almas boa.s chora sem
cessar.- Grande, muito grande é a sua dor .. . , mas como
compará-la com a daquela •M ãe que chora a perda de seu
Filho! . . . Pobre Mãe! ! ! ... Que vai fazer agora sem o seu
Filho? Talvez no meio da sua dor, começou a preocupár-la
a sepultura de seu Filho . .. , mas, como e onde? .. . Se ela
não -tinha sepultura ne.m. meio.s para comprá-la! . . . se os
seus amigos, uns se haviam o cultado... e outros haviam-se
feito seus inimigos! A quem acudir? Quem descerá o
seu Jesus da Cruz? . . . Que consolação no meio da sua
pena, quando vê aqueles santos varões cumprir este piedoso
ofício! . . . Que agradecimento não conservaria ela no seu
coração!!
E efectivamente com grande cuidado o descem da cruz
e depositam o Són~o corp o nos braços de Maria. - Pros-
tra-te em espírito junto a essa Mãe, e medita com ela .. .

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252 Soledm:le de :Maria

porque, que meditação faria então a Santíssima Vingem! ...


Como iria recordando ante a vista daquele corpo todos e
cada um dos tormentos da Paixão? - Agora recorda todo
o passado . . . , as cenas de Belém ... , os idílios de Nazaré ... ,
os dias felizes em que ela cuidava do seu Filho, como
nenhuma Mãe o fez jamais. - Agora entende, de u.m a vez,
o que significava a espada de Simeão que toda a vida levou
atravessada no seu coração. -Agora compreende o que
era ser Mãe nossa ... Mãe dos pecadores! que assim puse-
ram o seu Filho ... E precisamente a esses ia ela amar?! ...
A e.sses querer como a filhos quando assim tinham feito
sofrer o seu Jesus? !. .. Oh! Que dolorosa maternidade! ...
E contudo, beijando uma a uma aquelas feridas, iria repe-
tindo: Sou a escrava do Senhor. .. , façia·S~ em mim a sua
divina vontade.
Faz tu esta piedosíssima meditação com Maria ...•
imagina-te a tirar com Ela aqueles espinhos um a um ... ,
com muito cuidado, cc-mo se ainda sofresse com eles Jesus . . .
Limpa aqueles olhos e aquele rosto afeado com tantos escar-
ros ... e sangue ... ; toca aquelas mãos e pés trespassados ...
e beija . .• beija aquele lado aberto ... e não apartes os teus
olhos daquele coração que se vê pela ferida, sem vida ...
sem latejar já . . . , sem movimento ... , mas não sem amor. ..
e em cada ferida recorda os teus pecados... e vê o que
fizeste com eles.
2. 0 - O santo enterro. - Os santos varões Nicodemos
e Jo.sé de Arimateia juntamente com as piedosas mulheres e
com a Santíssima Vir-g em, começaram a ungir e a enfaixar
aquele corpo sacrossanto. - Contempla este embalsamen:to
e vê quão amorosa e delicadamente vão limpando aquelas
feridas e ungindo-as com bálsamo e perfumes. .. A Santís-
sima Virgem talvez reservas.s e para si o limpar e ungir
a sagrada cabeça... e Ela mesma cobriria aquele rosto
divino com o pano mais fino ... Que dor a sua ao lançar
o seu último olhar sobre aquele rosto que Ela conhecia

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Soledade de !Macia 253

'tão bem... Quanto não se tinha encantado na sua con~


tempiação! ...
Preparado ilSSim o cadáver, é levado à sepultura. -
For.rna tu pa•rte daquele tristíssimo préstito, que já quase
de noite acompanha pela última vez o corpo de Cristo...
Como iria a Santíssima Virgem! Que doloroso é o momento
de arrancar o cadáver de uma pessoa querida, de casa
para levá~ lo a enterrar! .. . Por uma parte deseja acabar~se
com aquele tristíssimo momento ... , por outra teme~se que
chegue esse momento... da separação total..., do último
.adeus ... Qual seria o sofrimento do coração daquela Mãe
nestes momentos!
E, quando já colocado no sepulcro, a pedra foi fechando
a entrada e ocultando o santo corpo, quem poderá explicar
o que ia passando pela alma da Santíssima Virgem? ... Agora
sim, que ficou definitivamente sem Filho... Quem a arran~
caria daquele lugar, se Ela não podia viver sem Ele? -
Também tu não tenhas pressa de te ir embora .. . Detém-te
·demoradamente, e ali ante o sepulcro do teu Jesus, em
companiJia da Virgem Santíssima, tua Mãe, pensa no termo
de todas as coisas que é o sepulcro - Cristo quis passar por
esta humilhação, para servir~nos de exemplo na nos.sa morte
e na nossa sepultura.
Mas não, não é humilhação a morte, se é como a de
Cristo... nem humilhante o sepulcro, ainda que o corpo se
desfaça .e ntre bichos, se é semelhante ao de Jesus - Mc·rte
.gloriosa! .. . Ditoso sepulcro o das almas santas! .. . Por que
não aspirar a isso? ...
.Recorda, além disso, que todos o.s dias sepultas Jesus
no teu coração... e não te esqueças que ele quis que o seu
sepulcro fosse novo .. . , limpo .. . e onde ninguém tinha sido
colocado senão Ele. Compara e examina estas circunstâncias
para que vejas se é assim o teu coração. - Pensa se nele
encontra Jesus aqueles arc.mas e perfumes de virtudes,
simbolizados naqueles que ungiram o seu corpo e com os

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254 Soledad'e de :Maria

quais ele agora quer recrear-se na tua alma... e pede à-


Santíssima Virgem que seja ela a que supra a tua pobreza
miserável, e te ensine a guardar e a sepultar, enquanto
dure a tua vida, Jesus no teu coração ... , para que nunca
a sua presença falte nele ...

3."- A volta do Calvário.- O Salvador ficou ali no


sepulcro descansando ... , .mas Maria não podia descansar,
nem sossegar. .. considerava-se só . . . , órfã. . . desampa-rada
e desterrada . .. , sem família, sem lar. .. , e assim, acompanhada
daquelas almas piedosas, mas sentindo no seu coração a
frieza da .mais espantosa s·oledade, empreendeu o regresso.
a sua casa.
Todos os que a acompanhavam, com o coração opri-
mido, pensavam, contudo, no coração esmagado daquela
Mãe· que voltava só ... , sem o seu Filho! - >Trilhemos co.m
ela este caminho de dor.
Tornou a subir o Calvário para empreender a volta . ..
Que sentiria à vista da cruz nua ... , vazia ... , manchada de
sangue de um De us? ... Vê-a ajoelhar-se diante dela . .. e
abraçá-Ia ... , e adorá-Ia.
Já não é o instrumento do suplício ... , já não é uma
coisa odiosa... horrível... maldita. - Vê nela a árvore da
vida de que se desprendeu maduro o fruto da salvação .. .
É a chave do céu . .. é a espada que vencerá todos os
inimigos de Cristo que a seus pés irão despedaçar-se ...
é a arma de combate de todos os cristãos ... , é a loucura de
todos os santos que não poderão viver sem ela, nem longe
dela ... senão subidos ... , abraçados ... , crucificados nela ... ;
é, enfim, a balança onde se pesarão as acções de todos os
homens e a causa e a razão da sua condenação ou da sua
salvação - Oh Cruz bendita!... Oh cruz divina! . . . Que
louvores de amor lhe não teceria a Santíssima Virgem! . ..
Como se expandiria em dulcíssimas lágrimas e em abraços
terníssimos a ela 1 Abraça-te tu também a ela e apai-

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Soledade de !Maria 255

xona-te por aquela cruz, regada com o sangue de Cristo e


com as lágrimas da •M .ã e. ~Que seja para ti, como para
S. Paulo, a tua .maior glória e felicidade.
E levantando-se continuou o seu caminho ... Que recor-
dações ao chegar à cidade maldita!. .. , a cidade deicida! .. ..
As suas ruas ainda manchadas com o sangue de seu Filho ! .. .
Quantas vezes se pro.staria a beijá-lo!... Como iria recor-
dando todos os passos da paixão! ... Aqui, as quedas ... , ali.
a rua da Amargura, onde o encontrou ... ; mais longe, o sítio
donde saiu com a cruz às costas•.. . ; entre sombras, o palácio
de Herodes. onde o trataram como a um louco... . e mais
além, o de Pila tos .. . , a praça onde gritava a multidão ... ,
o balcão do Ecce homo .. .• o pátio da flagelação... Pobre .
Mãe! . .. •C omo iria recordando um a um estes passos! -
Acompanha muitas vezes a Santíssima Virgem ne.sta devota
meditação e toma muito gosto em fazer muito bem a Via-
-Sacra com frequência e aCO)Ilpanhando a Santíssima Vir~
gem ... Ela é o teu modelo nesta devoç.ã o tão cristã .. .

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70. Mater Dolorosa

J.• - A rainha dos mártU.es. ~A dor é a lei universal


que abrange todos os homens sem excepção. - A criança
sem que ninguém a ensine geme e chora e entre prantos e
gemidos é que deslizará a sua vida._, Não podemos fugir da
dor .. ., ela espera-nos onde menos o julgávamos ... , talvez
quando são maiores os nossos gozos e alegrias ... ; geral-
mente e.s tas são prelúdios das lágrimas. -Quando recebes
:alguma alegria muito grande pensa nalguma dor forte física
ou moral..., do corpo ou da alma ... , de dentro ou de fora ...
que te há-de vir. - É loucura querer alegrar a vida fugindo
da dor. - Os S ·~us espinhos magoam menos quando nos
abraçamos a Pia generosamente ... , quando lhe saímos
ao encontro ... , tendo-lhe grande amizade ... , sobretudo san-
tificando toda.s as dores e sofrimentos.
·Jesus quis ser o Hom~n das dores e sua Mãe a Rainha
dos mártires. - Estes são os modelos... os únicos que
aliviam com o seu exemplo os nossos sofrimentos e nos
ensinam a santificar-nos com eles.- Bendita seja a dor!
-Assim disse Cristo: «Felizes os que choram ... , os que
.sofrem .. . , os que padecem» ... Não tenhas pena do que sofre
muito, mas tem pena do que não sabe sofrer. -Cristo asso-
dou sua Mãe a todas as suas glórias e grandezas e por isso
fê-la companheira de todos o.s seus sofrimentos. - A quem
Deus mais ama .mais faz sofrer, para elevá-lo como sua

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Mater Dolorosa 257

Mãe, depois, a maior glória e grandeza. - Quanto sofreu


Maria ao pé da cruz I. .. Mas quão grande não é Maria
precisamente ao pé da cruz! Que pérola faltaria na sua
<oroa se não tivesse a dor! PoTtanto foi necessário, visto
que era rainha, que fosse rainha da dor e do martírio. -
Se foi rainha da dor teve de sofrer mais do que ninguém. ..
O seu martírio durou toda a sua vida.
A nós envia-no.s Deus. as dores uma a uma e oculta-nos
as futuras .... ; só sofremos as presentes. - A Maria r.e velou-lhe
logo desde o princípio tudo o que havia de -sofrer para não
l he poupar sofrimentos .. . e quis que aquela espada a ator-
mentasse durante toda a vida.
Pen.sa nas sua.s dores: quando sofreu com a, ingratidão ... ,
a traição. . . , o abandono.. . , o desamor de que foi obj.ecto o
seu Filho. - Belém .. . , Egipto ... , Nazaré ... , Jerusalém ... .
o presépio e o Calvário... , o templo ... , o palácio de Herodes
e de Pila tos .. . , são tudo lugares onde o seu coração se
despedaçou tantas vezes! Até quis sofrer a perda de Jesus ...
para ensinar-nos a nós a sofrer e a buscá-lo se o perdermos
pelo pecado. - Pára a enumerar e a ponderar estas dores.

2. 0 - Dor l~umana e na~ural.- Em todas estas dores


considera a sua parte natural e humana. - A medida de
toda a 'dor é a intensidade do amor. - Só nos dói deixar ou
perder o que amamos. - A .maior amor, maior dor. - O:lm
-esta regra trata de medir a dor de Maria ... Era um amo~
.de Mãe e com isto está dito tudo . .. É o amor mais pum.. .
mais nobre ... , menos egoísta que na terra exisóe, o amor de
1.!ma mãe! - Por isso Deus não quis que tivéssemos mais
do que uma .. . ; ela só basta para encher toda a nossa
-existência de carinhos inefáveis ... , de beijos terníssimos ... ,
de um amor que enche plenamente o nosso coração... Como
ama uma mãe! - E como amaria a Santíssima Virgem a
.seu Filho! - De.a s quis juntar no seu coração todas as
ternuras de todas as mães para que com esse amor amassê
17

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258 ~ater JJolorosa

a seu Filho. - Não merecia menos o Filho de Deus ...


e o que quis chamar-se por excelência o Filho do homem.
E portanto, qual não seria a sua dor . .. , o .seu sofrimento
na perda de seu Filho?
Pensa além disso que o Filho que perdia era o seu
Filho único, era o melhor de todos ... , que amava a ·Sua .mãe·
como nenhum filho amou a sua.. . Por outra parte sendo
inocentíssimo como era, perdia-o como se fosse um crimi-
noso. .. ; que não era uma enfermidade . .. , um acidente-
infeliz ... , senão uma traição . .. , uma ingratidão ... , uma
enorme e horrível injustiça a que lhe tirava a vida ... e que
isso se levava a cabo no meio de atrocíssimos tormentos ...
e na sua· mesma presença.
Pensa naquela íntima união que existe entre Jesus e
Maria a tal ponto que em verdade o Filho era a vida ....
e o tudo da Mãe... e compreende por aqui, um pouco, a
intensidade da sua dor de Mãe.
Além disso é certo que a sensibilidade tem muitos
graus . . . , que não é igual em todas a.s pess;oas... e que a
maior sensibilidade corresponde maior intensidade de dor.-
Maria era uma finíssima delicadeza ... , de um organismo
perfeitíssimo e por isso de uma sensibilidade extraordinária . . .
Qual não seria pois a dor do .seu coração ao pôr-se em
contacto cem a ingratidão ... , com a injustiça ... , etc.? •Recorda
o que a ti estas coisas te fizeram sofrer, ainda que num
grau muito inferior e daí deduz o que se passaria pela
alma da Virgem Santíssima. - Demora~te em cada uma
destas circunstâncias... Medita muito devagar cada um
destes motivos . .. e convencer-te-ás de que com muita razão a·
Santíssima Virgem pode aplicar a si aquelas palavras de
Jeremias: «Pensai e vede se há dor semelhante à minha».

3. 0 - Dor divina e sobrenatural. ___. Não podemos abarcar·


a intensidade ca dor humana e natural da Santíssima
Virgem ... Como podemos pois formar uma ideia, ao menos.

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!VIater !Dolorosa 259

aproximada, da sua dor sobrenatural? -Maria so.fria ao


perder aquele que era o seu Filho . . . , ao vê-lo padecer e
morrer . .. , mas sofria sobretudo porque nele via o seu Deus.
Quem conheceu corno ela a Deus·?. .. Quem o amou corno
ela?
·Recorda os incêndios de amor de tantas almas santas ... ,
dos próprios anjos e ser afins ... ; tudo é nada em comparação
do amor de Maria ao seu Deus. - Corno sentiria portanto
as ofensas ... , os insultos... , os torrnento.s que os homens
lhe deram? Se, cc.mo M.ãe, todas se repercutiam no seu
coração .. . , que seria corno Mãe de 'Deus? Consta que houve
almas que morreram com a de'!" do.s seus pecados considerando
quanto com eles ofenderam a Deus. - Corno não morreria
pois de dor Maria à vista daquelas ofensas gravíssimas
que o povo escolhido fez a Cristo na sua Paixão?
Além disso, Maria sofreu todo.s estes tormentos indizíveis
sem consolação espiritual de espécie alguma... Os mártires
sofriam com alegria abraçados ao crucifixo... A vista de
Jesus crucificado alentava os penitentes e os anacoretas nas
suas austeridades ... , mas para Maria a vista de Cristo
crucificado, era precisamente o seu maior tormento . ..
O rne..srno que ia consolar a outros, era o verdugo do coração
da Mãe. - As suas dores não foram físicas .. . , mas por
isso mesmo, foi mais intensa a sua dor por ser toda ela
interna ... puramente espiritual! .. .
Finalmente o cúmulo da dor da Virgem .Santíssima foi
não .só o assistir ... o autorizar com a sua presença o sacrifício
de seu Filho, senão que teve de chegar a desejá-lo.- Dois
filhos tinha Maria: o filho inocente e o filho pecador, que
somos nós. -Se queria que vivesse o filho inocente, não
podia salvar o filho pecador.. . ; se queria a salvação deste,
devia desejar o sacrifício do outro... Que fazer? -Corno
Mãe devia quer.::r-nos tanto co.mo a Je.s us... e teve que
chegar a querer-~os mais do que a ele .. . , porque sabendo
que essa era a vontade de Deus, o qual não perdoou a seu

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260 Matec Dolorosa

próprio Filho ... , também foi a sua, e por isso também Eh


lhe não perdoou. - E assim, ali esteve ao pé da cruz, morta
de dor ... , desejando ... , e gozando--se até na morte de Cristo
para .salvar-nos a nós ... Quanto amor! ... mas também ~qu·anta
dor! Quanto custãmcs a Maria ser filhos seus!
E se o que custa é o que se apreda e ama, quanto nos
amará agora, pois a fizemos sofrer tanto?- Mas já basta ...
basta já de ingratidões ... , não faças sofrer mais a tua Mãe,
mas ama-a ainda à custa dcs teus sofrimentos e da tua
própria vida.

'!

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71. Maria e a Ressurreição de Jesus

1. 0 - Sepulcro •glorioso. - Pelo pecado entrou a morte


no mundo ... ; todos os homens têm de morrer porque são
pecadores. ~ Só Jesus e Maria estiveram isentos desta lei
e contudo quis Deus que passassem pela humilhação da
morte . . . , mas não podiam ficar no sepulcro ... , nem podia
ali corromper-se uma carne tão sem mancha.
Além disso, Crisóo morreu mas não foi vencido pela
morte ... antes pelo contrário, a morte converteu-se em prin-
cípio de vida. . . e de vida eterna para que todos os que
morressem em Cristo·, não morressem deveras senão que
passas.s em à vida da imortalidade. - Por isso O< seu triunfo
sobre a morte havia de manifestar-se necessàriam.ente com a
ressurreição gloriosa do seu corpo. - Ele que predissera
tanta~ vezes a 5ua morte... outras tantas predisse a sua
ressurreição. - Tinha que demonstrar a sua divindade e
pôr o selo à sua pregação com esse domínio sobre a vida
e a morte, próprio e exclusivo de Deus.
Todas as grandezas humanas vão a parar a um sepul-
cro .. . , por maior que seja o poder de um hom.em, um dia
cairá sobre ele a lolsa de um s,epulcro que diga: «aqui jaz» ...
«aqui está». - Mas há um sepulcro gloric·so que triunfou da
morte e onde se lêem estas palavras: «Ressuscitou, não e.s tá
aqui». - Que magnífi ca a glória de Cristo na sua Ressur-
reição! ... Que triunfo o seu sem precedentes e sem i·gual! ...

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262 Maria e a Ressurreição de Jesus

Só Ele o podia ter. - Mas esta glória de Je.s us tem que ser
também glória de M .aria. Nada de quanto a ele se refere é
alheio a sua Mãe. - Esteve associada a ele no Calvário ... ;
as dores do Filho foram dores de Mãe ... Justo era. que os seus
gozos, triunfos ... e alegrias, fossem também para a Santíssima
Virgem. - Como deve consolar-nos o triunfo da Ressur-
reição de ~esus Cristo! .. . Se não tive.s se !'essuscitado a nossa
fé seria inútil. .. ; os inimigos teriam triunfado definitiva.m.ente
dele ... , da sua vida e da sua obra.- Mas com a sua
Ressurreição dá-nos o a11gumento mais firme da nossa fé ... ,
a razão mais sólida da nossa esperança.
Também nós have.m.os de morrer ... , também nós havemos
de ressuscitar. - Mas como ? Será a nossa morte santa ... ,
o nosso sepulcro glorioso ... , a nossa ressurreição triunfante?...
A estas perguntas só tu podes e deves responder .. . , de ti
sõmente depende.- Pede a Jesus e a Maria que seja assim ... ,
diz-lhe que assim o esperas dos seus méritos .. . que queres
agora associar-te às suas dores, para participar um dia dos
seus triunfo.s.
2.•- Aparição de Jesus a sua !Mãe. - Não é de fé nem
consta do Evangelho, .mas é certo. ~ A natureza· e a graça
exigem este encontro entre a Mãe e o Filho. - Não podemos
duvidar de que a Santíssima Vir.gem assim o esperava cem
uma fé viva e inquebrantável.- Os Apóstolo.s chegaram a
duvidar de Ressurreição ... Maria esperava com uma certeza
infalível o cumprimento das palavras de seu Filho. - Por
isso ela não foi ao sepulcro ... , sabia que era inútil e que ali
não estava Jesus.
Reflecte agora na santa impaciência, qu.e, particularmente
ao começar o terceiro dia , invadiria o coração da Santíssima
Virgem. - Os minutos parecer-lhe-iam eternidades ... ; o seu
coração de Mãe dizia-lhe que seu Filho já se apro-ximava,
e o coração de uma mãe nunca se engana .e.m coisas de seus
filhos.- Lembra-te da mãe de Tobia.s que saía todos os
dias ao caminho para ver se seu filho voltava. - É neces-

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Maria e a Ressu:rr·eição de Jesus 263

sário conhecer o coração de uma mãe e sobretudo o daquela


Mãe para compr·e ender o desejo e impaciência de Nossa
Senhora por ver o Filho ressuscitado.- Não será doa
para a nossa devoção pensar que também agora com os
.seus desejos veementes ... , com as suas fervorosas orações . .. ,
fez com que se apressasse a hora da ·RessurreiÇão, como
.acontecera com a Ir.carnação... e nas bodas de Caná, ao
.adiantar o tempo da manifestação pública de Je.sus?
Finalmente chegou o instante ditoso que não é possível
jmaginar.- Contempla a Virgem Santíssima ainda na sua
soledade . .. , sumida no oceano das tristezas·... Os seus olhos
inchados e vermelhos pelo pranto já não têm lágrimas qui!
chorar.- E de repente, uma explosão de luz divina .. ., um
corpo gloricsissimo com vestidos mais brancos do que a
neve .. . e sobretudo uma voz dulcíssima ... , muito conhecida.
que chama e repete mil vezes: Mãe! ! ! - Que língua poderá
explicar estas efusões entre Mãe e Filho naqueles instantes? ...
Deixa que o teu coração as sinta, se perca e se abisme nest•:
mar de felicidade .. .• de glória verdadeira ... Que bem é Jesus
para os que o amam! -Um pouco de padecer e sofrer com
Ele e logo a seguir quanto gozo e .satisfação sem fim! -
Compara cem esses gozos e alegrias as que o mundo· oferece
e verás se merecem sequer este nome as mentiras que ele
nos dá.
Aplica também aqui a regra do amor e da dor: qual o
amor, assim a do.r ... , e qual a dor, assim a alegria depois.-
Como Seria a aleg ria da Santíssima Vil'gem que assim amava
o seu Filho? ... Se sofreu tanto na sua morte, qual não seria
a sua alegria ao vê-lo agora glorioso ... , triunfante ... ,
ressuscitado para nunca mais moner? - Agora de novo iria
Maria percorrendo as feridas do seu corpo... , e adorá-las-ia
com a felicidade que sentia ao vê-las tão gloriosas.-
Recorre-as também tu com Ela e uma vez mais demora-te
naquele lado .. ., r. aquele coração ... Que forno! ... Que vulcão

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264 Maria e a Ressuueição de Jesus

de fogo!? ... Entra bem dentro e ali abrasa-te . . . , consome-te


em santo amor de Deus.

3. 0 - Efeitos desta aparição. - A) Uma alegria tão


grande e tão viva que foi milagl'e que a Virgem Santíssima
não tivesse morrido. - Uma alegria espiritual e divina, da
qual nunca se saciava a alma de Maria, semelhante à de· céu
que nunca chega - a cansar. BJ Uma compenetração mais
intima e profunda que Deus lhe concedeu, com o seu divino
Filho, como o prêmio da sua generosidade e fidelidade no
sacrifício ... ; de tal sorte que se.m chegar a converter-se em
Deus foi a participação maior que da divindade pode dar-se
a uma criatura. C) Um conhecimento ainda mais claro . ...
uma contemplação ainda mais sublime do que era seu Filho
e da sua obra grandiosa da R·e denção. - Sem dúvida Jesus
lhe revelou então. altíssimos segredos .. . , os seus planos e
·projectos .. . , a sua Ascensão aos céus dai a alguns dias .. ..
.a fundação da sua Igreja e a parte que Ela devià ter em
tal obra ... , enfim, grandes segredos do céu e as muitas
almas que iam entrar nele.
Também tu te hás-de alegrar com este grande triunfo
de Jesus ... e com esta felicidade de tua Mãe. - Repete-lhe
a felicitação da lgre'ja: Regina coeli, laetare, alleluia ...
Pede-lhe que te dê uma partezinha da sua felicidade, se não
agora, pelo menos algum dia no céu .. . , e por fim , não te
esqueças, que, segundo S. Paulo, da Ressurreição de Cristo.
havemos de tirar grande desprezo e fastio das coisas da
terra que não podem nem merecem encher o nosso coração ...
Busquemos as coisas do alto... suspiremos pela outra vida,
vivendo aqora desapegados desta ... O espírito de fé ... , a
vida de fé. .. sobrenatura.Jize os nossos actos tod·os, para
dar-lhes um valor que por si mesmos nunca teriam!. .. e que
deste modo chegarão a constituir a glória da nossa coroa
no céu.

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72. Maria e a Ascensão do Senhor

!." - Prelúdio da Ascensão.- Jesus ressuscitado já não


devia permanecer neste mundo. -Como Deus, nunca deixou
o céu, a sua morada ... , mas, como homem, tinha direito à
posse do trono que tinha ganhado com a sua Paixão, com
a sua morte e com o seu triunfo sobre o pecado·.__, A Ascen-
são é o complemento da sua glorificação, poi.s cem ela devia
adquirir a plenitude da glória ao entrar no céu. ·- O pecado
tinha fechado as pontas ao céu. .. Cristo devia abri-las de
novo. -Só a Ele lhe correspondia esta honra. __, Para isso
havia descido do céu.- A obra já estava terminada.
A Redenção estava consumada.- Os homen.s já podiam
tornar a olhar rara o céu como para a sua verdadeira
pátria.- O mundo não é mais do que um perfeito des-
terro. - O céu, nosso fim. .. nossa meta... nosso descanso.
\Já tinham passado os quarenta dia.s de preparação para
esta solenidade. - Cristo tinha feito múltiplas aparições
para confirmar a fé dos seus discípulos e a realidade da sua
Ressurr·e ição. - Quantas veze.s nestes quarenta dias não visi-
taria a Santíssima Vir.gem! -Já não convivia com Ela
como antes de morrer.... Mas que consolação para Nossa
Senhora receber talvez diàriamente a visita de seu Filho.!
Como se renovariam todos o.s gozos e alegrias do dia da sua
Ressurreição! ... Quantas graças lhe não concederia seu.
Filho e quantas coisas lhe não ensinaria naquelas visitas!

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266 Macia e a Ascensão do Senhoc

Pede à Santíssima Virgem que tu também saibas visitá-la


assim ... , para acompanhá-la e consolá-la.
Pede-lhe que te ensine alguma dessas coisas que
ela sabe e que a ti te convém ... , que te presenteie com
alguma daquelas graças que lhe deu seu Filho naqueles dias ...

2." ~ Re,alização da A5censão.- Jesus aparece pela


última vez aos seus Apóstolos e discípulos e leva-os ao
Monte das Oliv~iras.- Ali começou a sua Paixão ... , ali
julgará u.m dia o mundo ... , ali quis que se efectuasse a sua
Ascensão. - Que recordações traria a todos aquele lugar! -
Que pensaria a Santíssima Virgem então?! Que mudança
tão grande! Que cena a de há quarenta dias e a que tinha
ag·ora em frente! - Se aquelas pedras testemunhassem da
sua agonia . .. e do seu suor de sangue ... se aquelas oliveiras
que presenciaram a sua prisão pudessem falar, que diriam
agora? Nunca esqueças isto nas tuas lutas . .. , do.res e sofri-
mentos ... ; tudo passa e depressa... e muitas vezes o que
foi instrumento e causa da nossa dor, é-o da nossa alegria .. .
e sê-lo-á sempre do ncs.so triunfo ... , da nossa glória e feli-
-cidade no céu.
Diante pois de todos os que o acompanharam e da
Santíssima Virgem, da qual se despediria de um modo
especial... fazendo-lhe ver com mais clareza que os outros
quão conveniente era que fosse para o céu... começou a
transfigurar-se ... o seu rosto resplandeceu como o sol.. .,
os seus olhos brilharam cheios de amor ... , as suas mãos
1evant~ram-se solenes para abençoá-los, e das suas chagas
formosíssimas e ,glorio.síssimas começou a sair um suave
perfume que lhes confortaria o coração. - Todos se despe-
diram dele ... , talvez beijando as chagas das suas mãos e dos
seus pé.s ... A Santíssima Virgem adiantar-se-ia a tocar e a
beijar pela última vez ;;, dulcíssima chaga do seu lado...
e assim suavemente ... lentamente. .. com movimento ao
princípio quase imperceptível~ .. , com os olhos fixos em seu

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M at:-ia e a Ascensão do Senhoc 267

Pai que o chamava ... , começou a elevar-se da terra e a subir


aos céus.
Contempla o.s apóSII:olos extáticos diante daquele espectá-
culo ... ; parecem ignorar no que aquilo vai parar ... , mas
sobr(!tuào contempla a Santísima Virgem seguindo com os
seus olhos o seu divino Filho... Com que ânsia! ... Com que
doce inveja ficaria a contemplá-lo! . . . Uma nuvem luminosa
envolveu-o e os Apóstolos não o viram mais. -Para Maria
não haveria nuvens ... Os .s eus olhos maternais atravessariam
todas as que se interpusessem ... , salvariam todas as distân-
cias ... , e veria a entrada triunfal de seu Filho no céu, entre
o tropel das almas tiradas do Limbo dos {Justos... e o
cântico glorioso de todos os anjos. - Alegra-te com este
triunfo de Jesus do qual participa a Santissima Virgem e
suplica-lhe pela sua int.e rcessão e pelos méritos de seu Filho
que .também tu participes do mesmo no céu.

3. 0 - E feitos da Ascensão.- A) Na Santíssima Vic-


gem: um gozo intenso ... , uma alegria imensa . .. , uma satis-
fação como só Ela, Mãe de Deus, podia sentir ... , um amor
cada vez mais intenso a Deus ao ver completa e terminada
a obra da Redenção. -Qual não seria o seu agradecimento
a Deus! - Mas ao mesmo tempo, que pena e que tristeza a
sua ao ver-se separada de Jesus! Não só deixaria de viver
com ele, senão que não tornaria a vê-lo ... , nem a receber as
suas visitas ... Que pesada se lhe não tornaria a vida! ... Que
longo e insuportável o desterro! . . . E esta separação deveria
durar anos e anos .. . sem aquele Filho por quem tão terna-
mente tinha vivido... Só quem ama pode apreciar eSII:e
sacrifício da Santíssima Virgem. ~ Mas .ela sujeita-se a ele
generosamente ... como havia feitlo no Templo e no Calvário.
- Mais uma vez agradece esta caridade da Santíssima
Virgem em nosso favor.
B) Nos Apóstolos: Os efeitos foram de admiração e
de gozo imensc. - Não se fartavam de olhar para o· céu ...

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~68 Maria e a Ascensão do Senhor:

Esta vista infundia-lhes gozo e coragem ao mesmo tempo ...


Quantas vezes !lOS seus trabalhos e sofrimento""'s esta vista
do céu os alentaria!
Além disso, a sua fé aumentou grandemente ao ver o
fim glorioso que tinham tido as coisas d o Mestre. - A Jora
começavam· a conhecer qual era e onde estava o seu reino ...
Igualmente a sua esperança confirmou-se com a promessa do
Espírito Santo e com a palavra que lhes deu de levá-los:
aonde ele ia. - Enfim, a caridade dilatou-se, aumentando no
Eeu coração o apreço e o amor que lhe tinham pois agora
é que .s e convenceram quanto os tinha amado o seu Mestre.
C) Em nós. - P.ede à Santíssima Virgem algo de
semelhante no teu coração; pede-lhe que te firmes na, fé .. . ,
na esperança do c-éu ... , na caridade e amor para com fesus.
-Que te ensine a olhar para o céu como os Apóstolos .. .
sobretudo nas coisas árduas da vida.. . e que te ajude a
despertar-te de tudo o que é terreno, pondo o teu coração
só em Deus e no céu. . . que é a única coisa que o deve
encher. - Isto animar-te-á ao trabalho ... , ao sacrifício.. . à
exactidão no cumprimento do teu dever... e encher-te-á de
santa alegria, pois, como diz Kempis: «0 que pensa e
espera no céu não pode ter na terra um só momento de
verdadeira tristeza».

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73. Maria e a vinda do Espírito Santo

1.• - Preparação.- Os Apóstolos e discípulos reti-


raram-se ao Cenáculo para ali se prepararem com a Santís-
sima Virgem para a · vinda do Espírito Santo. -Examina
esta preparação:
A) Pcimeiro, retiram-se, porque o retiro e a .soledade
é onde Deus se comunica às almas. - A Deus não agrada
falar no meio das coisas do mundo .. . e se fala, com esse ruído
não é ouvido ou não se entende bem a sua voz. - Ama muito
o retiro ... , o silêncio . .. , a soledade da tua alma onde o Senhor
quer falar-te. - Por isso esta soledade não só há-de ser
exterior... , senão também interior fazendo calar outros
pensamentos . .. , negócios ... , impressões. .. assuntos que tragas
entre mãos. - Reoara se não será essa muitas vezes a razão
das tuas faltas n~ oração, e no pouco proveito da mesma ...
Sabes retirar-te ext<>rior e interiormente? . . . Sabes impor
silêncio em tua alma a tudo o que seja estranho· à oração?
BJ Retiraram-se a orar: todos à uma. - A oração é a
solução para tudo. - Je.s us Cristo nunca se dispensav a dela.
- Orou no Cenáculo .. ., no horto ... , na cruz mesmo.
- A orar encontrou o Anjo a .Santíssima Virgem na sua
Anunciação. - Os Apóstolos por indicação da Santíssima
Virgem, retiram-se a orar. - T ambém a ti te chama dià-
riamente... Como respondes? . .. És alma de oração? .. .
Recorres a ela a buscar a luz . .. , consolação . .. , força? .. .

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270 Maria e a vida do Espírito Santo

C) Bm companhia a13 Santíssima Virgem. - Que


ditosos os Apóstolos que puderam orar juntos com a Santís-
sima Virgem! . . . Ela dirigia a oração .. . Ela "daria exemplo
de fervor ... Só co.m. olhar para ela se dis.s iparia. o cansaço .. . ,
a ·t ibieza ... , as distracções. - Mas, se quiseres, tu pedes
fazer a .mesma co usa. Porque não oras com Maria . . . olhando
para 'M aria . . ., aprendendo de Maria? Examina-te um pouco
e vê se ao começar... e ao continuar. .. e ao concluir a
oração a fazes com a Santíssima Virgem. - Aprende aqui
também a ter devoção à oração em comum ... Como agrada a
Deus -e quão proveitosa ela não é!
DJ Finalmente, fi'xa-te!, na constância . ~ O Espírito
Santo não desceu sobre eles senão depois de dez dias passados
em oração contínua.- Depressa nos cansamos de orar.-
Queremos conseguir tudo depressa ... e se não o conseguimos.
vem o -desânimo.. . , a desilusão.- Que falta de perseverança!
- Pede-a à .Santíssima Virgem. Que a tua o'!"aÇão seja
fervorosa não um diã, nem dois, senão sempre; e assim será
eficazmente santificadora . ..

2. 0 - A vinda. - E quando assim estavam preparados


é que veio o Espírito Santo no dia de Pentecc·stes, em form a
de fogo. - Penetra no Cenáculo e contempla o espanto dos
Apóstolos ao ouvir aquele vemo impetuoso ... ao ver que a
casa toda tremia e parecia vir a terra ... , ao perceber aquela
chuva misteriosa de línguas de fogo que poisavam sobre a
cabeça <ie cada um deles. . . e depois, o gozo imenso ao
sentirem-se cheios do Espírito Santo e do& seus dons e
graças.. . e sobretudo do amor ardente abrasador que é o
divino Espírito Santo.
E que sentiria a Santíssima Virgem? .. . Ela roi a pri-
meira a compreender a chegada do Espírito Santo·... e
sem se assustar com aqueles sinais violentos que a acom-
panharam, recolheu-se fervorosamente no seu interior para
melhor o receber.- Que · prazer não receberia, por assim

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M ar:ia e a vida do Espírito Santo 27t

dizer, o Espírito Santo ao encontrar uma alma tão bem


disposta como a de Maria! ... Se já lhe tinha dado antes a
plenitude da sua graça ... que mai.s podia fazer com Ela a
Espírito Santo r: este dia? - Milagrosamente aumentaria a.
sua capacidade .. . , dilataria o mais possível o seu coração ... ,
para ter a satisfação de ·tornar a ·e nchê-la de novas graças ...
de no-vos privilégios ... , de novo e mais abrasado amor ...
Ajoelha-te diante da tua querida Mãe e admira essa
grandeza imensa ... , quase infinita e divina de que a vês reves-
tida hoje ao receber o Espíri·to Santo... Vê-a hoje mais
pura; se é possível, mais branca ... mais resplandecente .. .•
mais santa ... , mais cheia do amor de Deus e dos homens. -
Se agc1'a lhe aparecesse o Arcanjo com certeza emudeceria .. .
pois na sua linguagem angélica não encontraria expressões
para saudar dignamente a Maria. - Salte de gozo o teu
coração ante este pensamento e pede a tua Mãe um pouqui-·
nho do que ela tem e possui.

3. o - Efeitos.- A) Ficaram todos cheios do Espírito


Santo. Com que •generosidade se nos dá o que é chamado
«Aitís.si.mo dom de Deus» ! E que transformação causa nas·
almas! Vê os Apóstolos mudados num instante noutros
homens... são os mesmos que fugiram há uns dias cobar-
demente... ou negaram a Cristo como S. Pedro .. . ou
duvidaram das palavras do 1M.estr.e, como os discípulos de-
Ematis e S. Tomé. -Mas agora de cobardes, to·rnaram-s~
animosos e valentes ... , de fracos e miseráveis, fortes e
invencíveis .. . , de ignorantes e rudes, dóceis e muito sábios ... ,
de invejosos que não aspiravam .s enão aos primeiros postos,
corações cheios de ardente caridade. Oh! que mudança
extraordinàriamente milagrosa!
B) ... e logo a seguir começaram a falar ... Isto é, a
pre.gar ... , a trabalhar pelas almas ... a comunicar-lhes o fruto·
do dom que tinham recebido. ~ É próprio da caridade do
Espírito Santo difundir o bem por toda a parte.~ Mas

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272 ,lvTa.ria e a vida do Espírito Santo

compreende bem que essa actividade para ser frutuosa, há-de


ser inspirada e dirigida pelo Espírito Santo; se assün nlo for,
será completamente ir,útil e até às vezes prejudicial.
C) ... Diziam louvores a Deus. As almas cheias de
Deu.s não sabem falar doutra coisa. - E de que é que iriam
falar os Apóstolos assim abrasados e impelidos pelo Espírito
Santo? - Examina se te agrada falar de Deus . . . , se nessas
conversações encontras complacência? . .. , e por aí deduzirás
a quantidade que tens de espírito de Deus porque cada espírito
move a falar segundo ele é .. . : o mundo, de cc·isas mundanas
e terrenas . . . ; o espírito carnal, de coisas baixas e rasteiras ... ;
o espírito próprio, das coisas pessoais de cada um, do· ett tra-
zido à baila a cada passo ...
4.• - .0 Espícito Santo em ti.- Não esqueças que tu
ta.mbém recebeste o Espírito <Santo no Baptismo, que .te fez
filho de Deus ... na confirmação ao confirmar-te na fé e ao
tomar-te sob a sua protecção ... , em todos os sacramentos
mediante a infusão da vida divina pela graça santificante ...
Não esqueças também que o Espírito Santo habita nas almas,
co.mo no seu templo vivo, e portanto que o tens muito
perto... , no teu próprio coração ... , que é ele que te sustenta...
e ajuda e ilumina e guia, como pela mão, no caminho da
perfeição. - Agradece-lhe a sua caridade inex.gotável, que
não se cansa de ti. .. , nem das tuas ingratidões. - Promete-lhe
corresponder melhor aos seus dons divinos ... , trabalhar mais ...
e cooperar com mais interesse na obra da graça.- Enco:m.enda
isto à Santíssima Virgem, para que seja ela que prepare o
teu coração, como preparou o dos Apóstolos ... fazendo mais
frutuosa e perene a vinda do Espírito Santo.

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74. últimos anos de Maria

Não sabemos nada de certo, mas é fácil adivinhar qual


s eria a vida da Santíssima Virgem nos seus últimos anos.

,J.•- Vida de oração. - Vida de oração sempre a teve


a Virgem Santíssima visto que nunca perdeu a presença de
Deus, nem antes nem depois da Incamação. - Mas no fim
da sua vida esta oração teve que ser ainda mais intensa,
se é possível. - Como poderia ela estar um momento sem
pensar em seu divino Filho? Não se _recordaria dele sem
cessar? . .. Não e~taria recordando-se incessantemente das
suas palavras ... , dos seus mila.gres ... , da sua pregação.. .
da sua Paixão e morte .. . , da sua Ressurreição e Ascensão ... ,
do seu amor, enfim, para com os homens?
'Di;; o Evangelho que M.aria guardava tudo o que
dizia Jesus, já desde Menino, no fundo do seu coração e que
a sós o meditava consigo... Seria portanto possível que
vivesse agora sem esta meditação, Ela que não vivia senão
de Jesus e para Jesus?'
Por outra parte, já havia terminado as suas obrigações
de Mãe... as ocupações da casa já lhe não levavam tempo ... ,
vivia cuidada com todo o carinho na casa de S. João. -
Portanto todo o tempo o empregaria em falar e conversar
com seu Filho e com o seu Deus. - É muito natural supor
que com frequência, talvez diàriamente visitaria os lugares
santificados por seu Filho. - Acompanha-a nestas visitas
e vê-la-ás entrar no Jardim das Oliveiras e a.Ji passar longo
18

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274 últimos anos de Maria

tempo recordando c contemplando a agonia de Jesus naquela.


cova ... Depois vê~a subir ao Calvário percorrendo u.m.a a tíma
as estações da Via~Sacra, e prostrar~se no lugar da cruci~
fixão ... e beijar a loisa do santo sepulcro·... e voltar uma
vez mais, por aquele mesmo caminho de amargura, que no·
dia da sua soledade Ela percorreu.
Pede à Santíssima Vil'gem que te deixe subir com ela
e segui~ la nestes passos... especialmente quando fazes a
Via~Sacra cu meditas na Paixão. ~ Pensa pois quão devota
e amorosa seria esta oração da Santíssima Virgem! e enver~
gonha~te da tua ... , tu, que tens muito maior necessidade de
orar e àe meditar do que Ela! .. .
2. 0 ~ Vida de fervor. - Se não há santidade sem
fervor. .. , qual seria o da Santíssima Virgem, viste que a
sua santidade foi tão elevada? ... Concebes sequer a possibi~
!idade de Nossa Senhora fazer alguma coisa de qualquer
.maneira ... , sem vontade nenhuma ... , à força . .. , tibiamente?
- É para ver como se esforça a cada instante por servir a
Deus como verdadeira escrava sua, cada vez mais e
melhor . . . , aumentando a sua caridade .. . , a sua rectidão de
intenção ... , o seu empenho sumo em cada obra.
Na vida de perfeiç.ã o o parar já é voltar atrás . . .
Imagina pois o contínuo cre.s cimento das virtudes na Santís~
si.ma Virgem e como correria pelo cumo altíssimo da santi~
dade! ... Envergonha ~te diante dela e pensa: Ela sempre
pura ... , sempre santa ... , sempre cheia de graça .. . aspi ra
contudo a mais e a melhor, sem deter~se e sem dizer nunca
«basta» ... E tu, que fazes? . . . Responde com franqueza o que·
te diga o coração ...
3. 0 - Vida Eucadstica.- Certamente que a sua vida
teve que ser, nestes anos, eminentemente eucarística ... Quem
poderá comungar como ela comungava?! Se a comunhão é a
união mais íntima da alma com Deus, como a faria Ela? ...
Não lhe pareceria que de novo se renovava a incarnação . .•

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últimos anos de Maria 275

e que ao recebê-lo na comunhão outra vez. sentia a presença


efectiva, real e verdadeira de seu Filho? ~Não duvides de
que nem um só dia deixou de comungar ... de que a comunhão
seria para ela o acto central de cada dia e . .. que as horas
todas lhe pareciam poucas para s.e preparar e para dar a
acção de graças.
E se a comunhão bem feita basta para fazer santos
que faria na alma da Santíssima Virgem? -Calcula os
efeitos que produziu em tantas almas boas .. . Quantas não
houve loucas de amor pela Eucaristia! ... e compreende, se
podes, o que seria a Santíssima Virgem. -Tu também deves
centralizar toda a tua vida na Eucaristia.- A comunhão ... ,
a visita ao Santíssimo ... devem ser os a c tos mais importantes
dela .... mas lembra-te da Santíssima Virgem ... , imita-a .. .
pede-lhe ... , faz-lhe suave violência para que te não deixe
e te ensine a comungar com fervor ...

4." - Vz1da de sacrifído. -A) . Na ob2diên'Cia, não só


à lei evangélica mas a tudo o que S. Pedro e os Apóstolos
ordenavam para bem da Igreja._.., Nunca se exceptuou ... ,
nem se julgou dispensada de nada ... , a primeira em obe-
decer e em sujeitar-se a tudo .. . , vendo nos que mandavam
os representantes de Deus ... , e nos seus mandatos a vontade
divina.
B) Na pobreza, vivendo de esmola, como seu Filho
tinha vivido, e conter.tando-se com o que os Apóstolos distri-
buíam às v iúvas e aos demais fiéis ... , sem consentir que se
fizesse com ela distinção de espécie alguma.- Muitos
crêem que amou tanto a pobreza, que vira praticar com
tanto fervor e amor por seu Filho, que foi a primeira a
fazer voto da mesma ... , sendo o modelo das almas que
depois, a imitação... sua, escolheram voluntàriamente este
medo excelente e santificador de vida.
C)< Na mortificaÇão, guardando a temperança: e a
abstinência de modo admirável e celestial, como diz

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276 últimos anos de Maria

S. Ambrósio.. . tomando sempre comidas ordinárias e ajnn~


tando sempre frequentes jejuns e penitências, como Ela
mesmo revelou a Santa Isabel. - Do mesmo modo consta
que dormia só o indispensável para viver passando grande
parte da noite de veia, para poder entregar~se mais à oração.
- Em cada um destes pontos faz um pouco de COJ!lparação
entre a tua vida e a sua... e compreenderás quão pouco
espírito de mortificação tens. .. e como te enganas quando
julgas ter feito muito com os teus pequenos sacrifícios.
5.0 - Vida de plpreza e castidade virginal.- Sempre
Virgem., parece que no fim da sua vida quis mostrar~se
ainda mais amante desta flor virginal. - Como se nela
quisesse deixar~nos a recordação mais perfumada das suas
virtudes .... o seu testamento mais querido e mais digno de ser
imitado por nós.- A nossa Mãe é . . . , «a Virgem das
Virgens» ... ; a Igreja em coro chama~ lhe «a mesma Virgin~
dade» quando diz : «Santa e imaculada Virgindade, não sei
com que palavras te posso louvar dignamente». Imita em tua
Mãe aquela modéstia exterior no& seus olhos ... , nas suas
palavras .. . , em todo o seu semblante . .. e com essa modéstia
esconde avaramente no fundo da tua alma o tesoiro da tua
pureza e castidade ...
6. - Vida de caridade e amor às almas. - Pedindo por
todos e em especial pelos pecadores ... , não se deveriam
a estas orações aquelas primeiras conversões milagrosas que
realizaram os Apóstolos?.. . Como pediria pelos persegui~
dores?... Come pediria por Saulo para fazer dele um
S. Paulo?... Além disto e.ste amor às almas manifestava~se
ajudando a todos com as suas palavras . .. , ensinando os
mistérios da fé que Ela tão bem conhecia . .. e animando aos
fiéis, em especial com o seu ex•e mplo . .. Que pregação mais
eficaz para todos a da sua vida!. .. Por que não é assim a tua?
Suplica à Santíssima Virgem que se interesse por ti... e
peça ao Senhor por ti, para que ·te alcance o saber imitá-la
nalguma coisa da sua vida santa, pura e imaculada.

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75. Morte de Maria

1.• ___,Realidade da sua morte.- Maria morreu real~


mente apesar de não estar sujeita à morte. -Esta é castigo
do pecado e por isso não podia ser castigo da alma santíssima
e puríssima de Maria. -Ela não teve nem pecado ori·ginal.. .,
nem actual. .. , nem mancha da .mais pequena imperfeição. -
Contudo Deus quis que morresse ... , para imitar assim
a seu Filho que também morreu . . . ; para aumentar ainda
mais o s seus merecimentos, passando por essa humilhação
tão terrível e repugnante que não merecia ... ; sobretudo para
servir-nos de modelo e consolação na nossa morte.
Foi muito conveniente que Cristo morresse para satisfazer
abundantemente por nós .. . , para vencer com a sua morte
a morte do pecado . .. , para mostrar~nos que era verdadeiro
hcmem, igual a nós, capaz de sofrer ... , de sentir ... , de
padecer ... , de morrer ... , como os outros ... , para experimentar
em si as angústias da morte e servir-nos de exemplo admirável
de fortaleza e paciência na nossa agonia. - Portanto, se foi
conveniente que Cristo morresse, não o havia de se·r que
morresse também sua Mãe? ... Se morre o Redentor não havia
de morrer também a Corredentora?
Pensa, perante a realidade da morte de Maria, na
realidade da tua ... Tu sim, que realmente tens que morrer .. . ,
necessàriamente tens que morrer ... , pois se a morte entrou
no mundo pelo pecado ... , os teus pecados mereceram mil

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278 Morte de .Maria

mortes ... Com ela deves satisfazer a Deus pelos pecados que
cometeste ...

2.• - 1Vl.orte de àmor. - Maria mor!'eU de amor. Esta fo!


a doença de toda a sua vida. Santa Teresa de Jesus morria
porque não morria de amor.. . A beata I.melda morreu num
êxtase de amor ... E assim outros santos não podendo resistir
à força do fogo do amor que os abrasava, ·tiveram que
morrer... E que seria então com a Santíssima Virgem? ...
Só é para admirar que tivesse podido viver ... isso era um
.milagre contínuo. . . porque naturalmente devia morrer.
Nunca viste árvores carregadas de frutos sem poder
com eles? ... Assim foi a .Santíssima Virgem ... , árvore riquís-
Si\lla que não pode sustentar o fruto daquela preciosíssima
alma que, carregada desde o primeiro instante com a pJenitud.:
da graça, foi crescendo e aumentando sem cessar em todos
os momentos da sua vida... Como pôde aqu•ele corpo ainda
que tão puro... , .tão santo ... , tão imaculado ... , sustentar
aquela alma, que já desde a sua conceição se elevava com
força irresistível até ao céu?
Além disso qual .seria a dulcíssima e ao mesmo tempo
. violentíssima força com que Jesus atrairia a alma de sua
Mãe? . .. E qual não seria o desejo desta branquíssi.ma pomba
de voar para o seu Jesus?----'Não há dúvida de que para ela se
·e screveram aquelas palavras: Ai! quanto se prolonga o meu
destr~rro! . .. Qu anto tempo vivi com os habitantes de Cedar
e a minha aPma andou peregânan:do nesta vidla! ... Outras
vezes com mais ardor do que David .e xclamaria: Como o
cervo corre para a fonte das águas, assim minha alma te
des<lja a ti, meu Deus. Q.uando m;~ partfc'ZJi e (me apresentarei
diante de li?... Enfim falando com os anjos dir-lhes-ia
aquilo do Livro dos Cantares: Conjuro-vos, moradores da
celestial Jerusalém, que, si? encontrardes o meu ama'do, lhe
di'{Jais que estou doente oh amor. ..
E assim se foi abrasando cada vez mais aquele vulcão

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Morte de Maria 279

·q ue ardia em sua alma até chegar a consumi-la pc·r com-


pleto. . . Não desejarias o mesmo? ... Por que não amar assim
•O teu Deus? Por que não deixar-te abrasar por Ele, se ele
quer acender na tua alma este fogo divino? ... Que vergonha
pensar que tudo depende de ti ... , que a culpa de que assim
não seja está em ti... e só em ti. ..

3.0 ~Agonia srravíssima. - Deus não pôde resistir


mais e resolveu condescender com estes amorosos de.s ejcs.-
.Segundo a tradição, mandou o anjo S. Gabriel com esta
mensagem amabilíssima: «Ave, cheia de graça, muito mais
de que no dia da Anunciação... O Senhor ouviu os teus
anseios e manda-me dizer-te que !!e disponhas a deixar a
terra porque quer já coroar-te no céu... Eia! Prepara-te
depressa pmque todos os anjos suspiram por ter em sua
companJ:lia a sua Rainha e Senhora».- Contempla de novo
a Vir.gem Santíssima a ouvir com toda a humildade esta
mensagem... Outra vez se prostra em terra... e outra vez
repete: Eis aqui a esc<aV'a do Senhor; faça-se em mim
segundo a vossa .palavra.
Agora contempla o discípulo amado ... Notou bem que
Maria vai para o céu ... , e só o pensar nisso o impressiona ...
Que fará se lhe tiram aquela jóia? . . . Acostumado àqueles
-olhares maternais ... , àqueles carinhos amorosíssimos ... , como
poderá viver ... Difícil é compreender qual seria a sua dor ...
Ele que a recebeu como um tesoiro no Calvário ... e que
como um avaro a guardara com toda a solicitude ... , com
·c uidados e desvelos diários ... e agora a morte ia arrebatar-lhe
tudo! ...
Junta a isto a dor dos outros Apóstolos e discípulos ... ,
a dor dos cristãos todos e em particular a das santas mulheres
em cuja companhia tinha vivido.---< Triste, muito triste fo i
para todos esta agonia.. . Só para Ela foi suavíssima... e
procuraria suavizá-la aos da'!l.ais, dizendo-lhes: «Não choreis
porque vos convém que eu me vá, para esperar-vos no céu ...

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280 Morte de Maria

Eu estarei convosco até à consumação dos séculos» ... Que


promessa tão consoladora para nós! e como é verdade que
Maria está sempre connosco! .. .

4. 0 -<·Mor-te felicíss~f1U1.- A Jgreja não se entristece


ne.m celebra exéquias neste aniversário da morte de Maria.
- Veste-se de gozo e alegria e celebra com grande solenidade
esta morte como uma magnífica festa... É preciosa a morte
dos Santos, como diz a Sagrada Escritura. - E então que
diremos de Maria? -S. João Damasceno diz que o próprio
Cristo lhe deu a última camunhão, dizendo-lhe: Recebe, Mãe
e Senhora minha, de minhas mãos o cor-po que tu tr.l! deste
e qUe em teu preciosíssimo se.io se for-mou... E que a
Santíssima Virgem responderia.- Meu Filho, em tuas mãos
entrego o meu espírito ... E o Senhor então fez sair do corpo
aquela benditíssima alma ... tomou-a em suas mãos , ao mesmo
rempo que a deliciava com aquelas palavras: Veln, quer-ida
minha! vem, minha pomba, vem, que já passou o in"verno
deste vale de lálgrimas; vem do Líbano e serás coroa:fia.
Assim morreu Maria .. . , e só assim podia morrer-... , com
a morte do amor, ·c om a qual «morreriam os anjos &e estes
fossem mortais», como diz S. Francisco de Sales. Quem nos
dera uma morte semelhante!... Não esqueças que a morte
é a imagem da vida. -Queres morrer como Maria... ; mas
vives como Ela? ... Da sua parte não te fa ltará ajuda e
prctecção ... ; que não falte da tua devoção constante e verda-
deira à Santíssima Virgem, que te assegure uma morbe santa
e suave. Pede isto com fervor diàriamente à t ua querida
Mãe ...

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76. Sepultura e Ressurreição de Maria

I.• - Sepulcro. - O triunfo de Maria não terminara


com a sua santíssima e invejável morte. ~ Semelhante a seu
Filho em tudo, também devia sê-lo na glória do seu sepulcro
e no triunfo da sua Ressurreição. - O homem, ao morrer,
cai vencido pelo poder inexorável da morte que o leva a
corromper-se e a desfazer-se num sepulcro. - Por isso é
tão frio ... tão triste ... , tão humilhante para nós o sepulcro.
- Mas não foi as.sim para Maria . .. ; o seu sepulcro não teve
nada de repugnante e pepulsivo. - Se é muito corrente sentir
gosto em estar junto do cadáver de uma pessoa que morreu
e.m odor de santidade, o que seria estar junto do corpo morto,
sim, mas sempre virgem e imaculado da Santíssima Virgem? ...
Imagina como melhor puderes a cena que se passaria no
enterro da Santíssima Virgem. -Que pena e que descon-
consolação para todos, ao ver fechados aqueles suavíssimos
olhos ... , emudecidos aqueles lábios que tantas palavras de
consolação proferiram ... , imóveis aquelas mãos virginais
que tantas bênçãos e graças haviam repartido ... , e ao mesmo
tempo que consolação... , que satisfação ... , que prazer não
receberiam todos an~e a placidez... e o fulgor espiritual
daquele cadáver. .. , com o perfume que exalava ... , com o
aroma que despedia e que tudo embalsamava!
Vê como os Apóstolos e todos os ali presentes beijam
reverentes aquelas mãos e aqueles pés... e despedindo-se

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282 Sepultura e Ressurreição de Mati1a

.daqueles sagrados despojos a acompanham ao lugar da


sepultura ... , acendem fachos ... , queimam perfumes... espa~
lham flores ... , enquanto os anjos fazem ouvir os seus cânticos
celestiais, não de luto: .. , nem de pranto ... mas de glória
triunfal.
E assim colocada·, como seu Filho, num sepulcro novo
.a deixaram os Apóstdos, ficando como guardas do mesmo
-os anjos do céu. - Fica tu também a acompanhar o santo
.corpo... e toma parte nos coros dos anjos para cantar com
.e les os louvores de .tua Mãe. - Pede~lhe que também cem
-os anjos os possas cantar um dia no céu ...

2. 0 - lncorr:upção do corpo nmaculado. - o triunfo de


Maria sobre a morte exigia a incorrupção do sepulcro. -Esta
graça singular concedeu Deus aos corpos de muitos santos ...
e poderia negá~ la a sua Mãe? ... Com muita razão diz S. João
Damasceno: «Como poderia entrar a corrupção num corpo
.donde brotou a vida 7».
Disse~se que Maria é Cristo começado. Portanto como
oé que Ele ia pe=itir, Ele que: já estava no céu ... sentado
:à direita do Pai. .. rodeado de majestade da glória divina ...
·que aquele corpo que era alguma coisa sua fo.sse invadido
pela corrupção do sepulcro?
Além disso, a corrupção do corpo tem a sua razão de
ser no pecado·... ; este é a semente daquela.. . Por con~
seguinte ... Maria cor;cebida sem pecado original. .. preservada
.de toda a mancha e até da sombra do pecado, teve de carecer
da .mais pequena corrupção ... e -sobretudo- como poderia
unir~se a pureza virginal daquele corpo imaculado com essa
suja e asquerosa corrupção? .. . Não merecia um prêmio espe~
<:ia!, ainda aqui na terra, aquele corpo que foi o primeiro a
oeonsagrar~se a Deus com o voto de virgindade? - A Arca
<lo testamento foi fabricada de madeira incorruptível... e
aquilo era só uma figura ... A realidade é a alma e o corpo
incorruptível de Maria ... , Arca verdadeira do Novo Testa~

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Sepultura e Ressurreição de Man'a 283

mento. Pede a Maria que te Jaça participante dessa incor-


ruptibilidade do pecado, que é a que a ti mais .te importa ...

3. o - .4. Ressurreição. -Mas a própria incorrupção era


ainda pouco para rematar o triunfo definitivo da Santíssima
Virgem. O complemento não podia ser outro senão a nova
vida de uma ressurreição gloriosa ... , de uma imortalidad~
comunicada pela alma ao seu corpo... para viver uma vida
que fosse como a de Cristo ... , para nunca mais morrer. -
Se dissemos que Maria é um começo de Cristo ... e que por
isso não é permtido separar a esta Mãe do seu Filho . .. era
natural que Cristo terminasse com aquele estado de violência,
por assim diz'er, em que Ele se encontrava com relação a
Maria ... ao estarem separados os dois, fazendo que ressus-
citasse quanto antes... e que de novo se juntassem no céu
os que tão intimamente haviam vivido. unidos aqui na terra.
Além disso, o corpo da Santíssima Virgem não foi nela
como em nós, ocasião de pecado . .. nem nele se desbordaram
nunca as paixões . .. , nem finalmente houve nele a mais pequena
rebeldia contra o espírito ... Que harmonia! Que conjunto, tão
ordenado e perfeito formaram sempre o corpo e a alma de
Maria! ... Que submissão tão completa a daquela carne purís-
sima àquele espírito cheio de Deus! . . . Portanto era justo
que não estivessem separados agora ... senão que, em prêmio
dessa sujeição, Deus os tomasse a unir para que juntos
continuassem a servir e a louvar ao Senhor.
Imagina pois aquele ditosíssimo instante em que p·e la
virtude e omnipotência de seu divino Filho, o corpo da San-
tíssima Virgem, recebendo da sua alma uma vida nova, se
l evanta vivo ... , glorioso ... , triunfante do sepulcro•.. . Que
radiante estaria de alegria aquele santíssimo corpo vendo-se
unido já inseparàvelmente àquela benditíssima alma! .. .
Qual não seria a sua formosura . . . , se já antes era tão
formosa no seu corpo! - Contempla a admiração dos Apósto-
los quando de manhã, segundo costume daqueles dias, foram

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284 Sepultura_
::..:...::c_ _ _...::..__;'--_ e _.:...
Ressurreição
_ ___;_..!..,;__de
_Marta
_ _ ______ ~_

a visitar o sepulcro e se encontraram só com o perfume que


o seu corpo ali havia deixado... Como se renovaria neles
a impressão da Re.sSurreição de Cristo! . . . Como se alegra-
riam de que assim houvesse ressuscitado a sua Mãe! -
Alegra-te tu também ... , dá os parabéns ao Filho e à Mãe,
e ped~-lhes de novo a participação naquela sua união
inseparável... e eterna .. . prometendo-lhes que não te apar-
tarás nunca deles nem nas penas nem nas alre grias ... , nem
na luta nem no triunfo.

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77. A sua Assunção gloriosa

1.•- A [maculada Conceição e a Assunção.- São dois


mistérios da Santíssima Virgem que têm entre si íntima
relação. - A igreja assinala os dois e realça-os sobre todos
-os outros conservando o dia santo destas festas depois de
.ter suprimido outros da Santissima Virgem. - A !maculada
Conceição e a .Z\ssunção são o princípio e o termo da vida
da Santíssima Virgem na terra .. . e este.s dois extremos estão
~ão unidos entre si que um vem a ser como que a causa ou
a razão do outro... Se é Lmaculada não pode ficar no
sepulcro ... necessàriamente há-de subir ao céu.-A Conceição
jmaculada é um privilégio. .. uma excepção do pecado com que
todos nascemos... A Assunção é outra excepção da regra
9eral que todos tt>mos de seguir na nossa morte. - Por isso
Maria mais do que morrer, o que faz é deixar a sua morta-
lidade no sepulcro ... e assim como foi concebida para a graça
foi concebida para a glória através da morte do corp-o, mas
vencendo a morte. - Nunca foi escrava do pecado nem na
sua Conceição; por isso foi Imaculada ... ; não pôde ser
escrava da morte nunca; por isso foi levada ao céu em
corpo e alma... Deste modo a Assunção da Santíssima
Virgem é o complemento necessário da sua Conceição
Imaculada.

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286 A sua Assunção gloriosa

2. 0 - A verdade da Assunção.- A Igreja ja celebrava


esta festa como uma das suas grandes solenidades. No dia 1
de Novembro de 1950, Pio XII satisfazendo os anseies de
toda a Igreja proclamava finalmente como do•gma a Assunção
de Nossa Senhora ao céu. ---< Para o coração cristão não havia
possibilidade de dúvida. - A Ascensão de Jesus aos céus
tem relação directa com a sua Paixão ... Pois bem, se a paixão
dolorosa acabou para Jesus na glória da .sua Ascensão ... , para
Maria, que tão unida esteve a seu Filho no Calvário, havia
de acabar no triunfo da Assunção.
Todos havemos de pessuscitar ... e esperamos na sua
graça que havemos d;; subir ao céu .. . Mas não era justo que
Mai-ia se adiantasse e como Mãe nos preparasse a nossa
morada e casa de filhos no céu?. . . Foi a primeira na
graça ... , na santidade ... , na pureza ... , no voto de virgin~
da de ... ; portanto que coisa mais natural que o fosse também
na Ressurreição e Assunção?
Se assim não fosse, poderíamos dizer que C risto teria
procedido injustamente com sua Mãe negando-lhe as honras
que concedeu aos corpos mortos dos outros santos . .. Onde
e.stá o corpo de Maria ... , onde as suas relíquias ... , onde o
sepulcro magnífico ... , a urna riquíssima em que se ·guardam
os seus restos? -Não existe nada disto . .. , nem pode
existir .. . Conclui pois com um acto de fé nesta verdade ....
certa e indubitável da Assunção em corpo e alma ao ·céu da
tua querida Mãe. - Dá p<Ír isso graças ao Senhor. .. ,
parabéns à Virgem Santíssima, visto que pela Assunção
ocupa o lugar que lhe corresponde no reino de Deus.

3. 0 - A glória da Assu11!Ç'ão.---< Contempla pela última


vez aquele sepulcro, donde vai a brotar de repente como
uma explosão de luz no meio das trevas, a vida triunfante
da morte. -Nos três dias que aquele corpo imaculado
e.s teve no sepulcro, foi guardado e custodiado pc·r anjos
enviados por Deus desde o céu, como escolta de honra

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A sua Assunção gloriosa 287

a que ia ser dentro em pouco coroada como rainha de .todos


eles. - Ouve aquelas músicas celestiais que, para honrar
aquele corpo virginal. entoariam os anjos sem cessar.-
Escuta aquelas exclamações com as quais fariam doce
violência ao Senhor ao !'epetir sem cessar as palavras do.
salmo, que parece escrito para esta ocasião: Levanta-te:~
Senhor, vem para o lugar do teu descarrso, 1}1 e a Arca da
tua santidade . . . Levanta-te às alturas do teu trono ... , senta-te
à direita de teu Pai, que é o lugar que te corresponde .. . ,
mas leva contigo a Arca Sagrada onde estiveste 'e ncerrado ... •
onde foi depositado o infinito tesoiro da tua santidade .. . ;
glorifica já essa carne bendita e esse sangue puríssimo que
serviram para formar o teu sacratíssimo corpo.. . e te deram
matéria para ofertar a teu Pai a hóstia de reparação e
santificação pelos pecados do mundo inteiro.
E com efeito, chegou o momento ditoso em que Deus:
quis dar execução a estes desejos do céu.. . e por ordem
sua desceu a alma de Maria a unir-se de novo com o seu
corpo... e aquele corpo, assim vivificado com a vida da
imortalidade, começou a subir ao céu, segundo diz a Igreja,
como naturalmente sobe às alturas a nuvem de fumo do
incenso.
Pára a contar o número sem número de anjos que em·
legiões cerradas descem do céu para acompanhar o •triunfo de
Mnria ...·; as suas músicas e qs seus hinos de glória fendem
os ares com as mais doces e suaves hai'monias... O gozo
que experimentam é inexplicável. - Deus aumentou hoje a
sua glória e felicidade ... Que cortejo tão formo.s íssimo! -
Todos brilham .:om nova luz neste dia e . .. contudo, no meio
deles ... , como a lua entre as estrelas, sobressai o brilho...•
o esplendor .. . , a puríssima formosura da Santíssima Virgem,
a qual, pela mão de seu Filho 1(que quí.s vir em pessoa a
buscá-la e fazer cem a sua presença mais solene ... , mais:
grandioso o triunfo de sua :M ãe) . . . vai lentamente deixando
a terra ... pisando as nuvens . . . e atravessando as mais altas.

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288 A sua Assunção gloriosa

~sferas .. . chega às mesmas portas do céu, onde novos anjos


impacientes saem a esperar aquela magnífica procissão que
.sob da terra ao céu.
Assim acaba a cena da terra e começa a glória do céu.
Reúne na tua imaginação .tudo quanto de grande e esplêndido
possas imaginar, porque tudo será nada em comparação com
a sublime e grandiosa realidade ... - Vê-te com tanta peque-
nez ... , com tanta miséria ... , diante da grandeza da tua
Mãe ... e levanta-te com ela, .sobre as coisas da terra ... Trata
em especial de imitar a humildade que teve nesta vida, para
que depois, com Ela e como ela . . . seja a tua alma exaltada
e sublimada na outra.

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18. A sua coroação no céu

J.• ----< A entrada no céu. - Quem po·derá desde este


mundo conhecer o que ali se passaria ao entrar Nossa Senhora
no céu 7 -Recorda-te de Judite quando com a cabeça de
Holofernes nas mãos chega a Betúlia e todos em tropel correm
ao seu encontro ... , acendem fachos em sinal de alegria ... e
em alta v oz a aclamam e a bendizem, dizendo: Foste aben -
çoada pelo Senhor mais do qut~ todas as mlzlher:es da ter:r:a
e bendito seja o Senhor que. te fez tão grande com esta
façanha: nunca os louvores faltairão em tua hom·a·... Esta
é a figura. .. Muda agora Judite por 'M aria ... , a Betúlia
pelo céu, os seus habitantes pelos anjos .. . , as suas vo·z es
e aclamações pelas dos espíritos bem-aventurados... e deste
.modo dar-te-ás conta da realidade daquela magnífica entrada.
Imagina escutar à sua chegada outra vez aquele diálogo
que se estabel-eceu entre os anjos quando da As·censão do
Senhor: Abri, ordenariam os anjos que a acompanhavam.
abri as vossas portas, príncipes da glória... e vós, portas
eternas, levantai-vos e dal passagem à Rainha do cé:ú...
E imedia·tamente as portas s-z franquearam todas .. . e então,
com inexplicável pompa e majestade.. . entraria ·naquela
gloriosa corte a nova Soberana.
Vê como todos os cortesãos do céu correm à porfia a
contemplar a nova Rainha e ao vê-la tão formosa pergun-
tariam uns aos outros ... : Qu•em é esta que vem do 'deserto

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19
290 A sua coroação no céu

do mundo, lugar de abrolhos e de espinhos, se lav.anta a estãs


alturas, não sustentada por mãos de anjos, mas apoiada nos
braços do mesmo Deus ... ? E outros I'esponderiam: «É a mãe
do nosso Deus e do nosso Rei. .. , a santa dos santos ... , a
puríssima e imaculada .. . , a obra mais formosa da criação
inteira .. ., a que vai ser coro ada como nossa Rainha». Escuta
como então tom:,ndo todos nas suas bocas angélicas as
palavras do arcanjo S. G abriel, responderiam num coro
uníssono .. . , formidável que faria vibrar de emoção e de
entusiasmo a. todo o céu, dizendo-lhe: «Ave, cheia de graça . . .•
benvinda sejas a esta morada da glória que vens perfuma r
com a tua formosura e santidade . . . porque tu sempre estás·
com Deus e Deüs contigo. .. ; por isso és a· bendita entre
todas as criaturas e vais agora sentar-te no trono mais.
alto. . . no trono mais perto de Deus». Une-te aos anjos ... ,
alegra-te com eles ... , mais ainda do que eles porque. se eles.
A chamam Rainha ... tu podes chamá-I'A Mãe ... ; e tem um
santo orgulho ao ver assim a tua Mãe, mais esplendorosa
do que a aurora . .. , mais bela do que a lua ... , mais resplan-
decente do que o sol. . . temível como um exército •em orderr.
de batalha ... , aclamada por todas as jerarquias e coros.
angélicos na sua entrada triunfal na glória . . .

2." - A coroação. -Apesar de tudo isto ser já muit o


belo não era senão o começo. A grande apoteose verificou-se
quando o Deus do céu saindo ao seu encontro A convida
2 sentar-se no trono que correspondia à sua dignidade
de Mãe de Deus ... e a ser coroa·da como Rainha. Vem
e serás coroa!da dir-lhe-ia, com a coroa ;preparada desde
toda a etem"idade. - Recorda as palavras de S. Paulo
quando falando do céu dizia que nem os olhos viram,
nem os ouvidos ouviram, nem o coração do homem
podia chegar a compreender o qul~ Deus tinha prepf!rarlo
para os que o a:mam ... Quem poderá pois imaginar o que
teria preparado para Aquela que desde o primeiro instante

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A sua coroação no céu 291

da sua Conceição, já O amou mais do que tcdos os santos e


anjos juntos? - E, por isso, diz a Igreja que foi exaltada
sobre os coros c!os anjos e d'os santos de tal sorte que não
haja .trono mais devado do que o Seu ... , for.mando por si Só
uma jerarquia à parte ... , a maior ... , a mais sub!ime de
todas ... , a que mais glória dará a Deus por toda a eternidade.
Pensa além disw que Deus dá o prémio segundo os
méritos ... , qu,e conforme for o grau de santidade de uma
almn, assim será o da glória... e abisma-te no .mar sem
fundo ... , verdadeiramente imenso...·, para nós incomensurável
e infinito das graças e méritos da Santíssima Virgem... e
assi.m. poderás formar uma ideia da imensidade também
incomensurável da sua glória no céu.- Vê como Ela vai
modestíssima ... recolhida no seu interior... como avança ...
levada pelB mão de Deus ... , como sobe OIS degraus do seu
trono . . . e se assenta nele ... e ali é coroada pelo Pai, co.m. a
coroa do poder ... pelo Filho, com a coroa da sabedoria ... ,
e pelo Espírito Santo, com a coroa do Amor. ~ Vê-A
coroada pela pureza mais que angélica do seu coração... ,
do seu espírito ... , do seu corpo imaculado ... ; pela obediência
mais perfeita ... ; pela humildade mais profunda . . . ; finalmente
por aquela sua ardente caridade que A fez viver e morrer
de amor de Deus.

3. a - A homenagem. - E assim coroada recebe as


homenagens de todo.s os habitantes do céu. - O Pai exalta'-A
como a sua filha predilecta, e ·M aria adora-O ... ; o Filho
abraça a sua Mãe <e a Mãe corresponde-lhe com carinhos ... ;
c Espírito Sunto une-se inseparàvelmente com. a sua Esposa
e Muria dá-lhe em reto.rno todo o amor do seu coração ... ,
e a seguir chegariam as Virgen.s e saudá-!'A-iam como· à
Virgem das Virgens ... ; os .mártires saudá-!' A-iam como a seu
modelo, que lhes havia dado o exemplo, ao pé da cruz,
do sofrimento e .martírio . .. ; os profetas como ao objecto das
suas esperanças e santas impaciências ... ; os anjos com todas

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292 A sua coroação no céu

as suas jerarquias como à sua Rainha e Senhora ... , e chega-


riam também Adão e J;:va e haviam de bendizê-I' A P'elo bem
que soubera reparar o seu pecado .. . , pois por Ela haviam
deixado de ser os seus filhos, filhos de maldição ... e a sua
prima, Santa Isabel... e os ~>eus queridos pais, S. Joaquim
e Santa Ana... e o seu próprio esposo, S. José.
Vê como a humildíssima Virgem assim é exaltada e
sublimada, repetindo se.m ces.s ar o seu cântico de agradeci-
mento a Deus: 1\tfagnificat .. . Que bem se entendem agora
aquelas palavras: Porque viu a hr.tm:ildade da sua serv~ . ..
por. isso realizou em mim grandes coisas O que é Todo
Poderoso ... e por z'sso ch&mar..,M,e-ão bem-aventurada· todas
as gerações ...
Não te con.tentes com admirã-I'A no seu glorioso
triunfo ... , nem com cantar o seu poder e grandeza ...
Aproveita-te dela e pede-lhe que te ensine o caminho da mais
profunda humildade e da sua imitação, pois Maria, coroada
no céu, é a incarnação e o cu.mpr.i mento mai.s exacto das
palavras de Deus : Quem se hztmilha será exaltado .. .

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79. A tríplice coroa: AJ A do Poder

M,aria foi coroada com a tríplice coroa do Poder, da


Sabedoria e do Amor . . . - Detenhamo-nos a considerar a
grandeza e formosura desta tríplice coroa.

t.•- Omnipotên'cia de Deus. - Recorda antes de tudo


o poder infinito de Deus . .. Com razão é chamado O.mni-
potente ... Tudo pode ...• não há nada que se oponha à sua
vontade. - Às veze~ parece-nos que os homens também
podem muito. Quantas invenções e quão surpreendentes! ...
Quanto engenho e poder se manifesta nelas! ... E contudo
que rid'ículo não é o poder dos ho.m.ens em comparação com
o de Deus! . . . Quando pa-recem que podem mais é quando
a sua impotência se manife.s ta mais nas dificuldades que
encontram no caminho e que muitas vezes não podem
vencer ... Quantas vezes queremos uma coisa e não podemos
consegui-la! .. . e pelo contrário, quantas vezes a queremos
deter e evitar e é-nos impossível! .. . Diante de um sepulcro
pensa no poder dos homens e rir-te-ás desta palavra ... Não
se pôde deter a morte ... , não foi passível prolongar por um
minuto aquela vida.... não houve forças capazes de evitar
a decomposição daquele cadáver, reduzido agora a um
esqueleto asqueroso . ..
Em contraste com esta impotência vê o poder de Deus
sem limites de nenhuma espécie. - O que quis fê -lo ... , e

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294 A tríplice coroa: A do Pod'Zr

fez tudo quanto quis e como quis... sem mais limitações do


que a sua vontade divina. - Toda a criação não lhe custou
esforço nenhum.. .. não se cansou nem se fatigou o mais
mínimo ...• não necessitou que os anjos o ajudassem... nem
foi preciso muito tempo . .. ; tudo foi de repente . .. , instan-
tâneo ...• do nada fez brotar mundos . .. só com querer ... ; se
quises~e que tornassem a aparecer novos seres maiores ...
mais numerosos do que os actuais. .. bastava sc.mente um
acto da sua vontade.
Tudo Ele conserva ... , tudo está nas suas mãos, de tal
sorte que para reduzir tudo ao nada, nada mais tinha a fazer
.do · que retirar as sua.s mãos . . .• deixar-nos um instante sós.
' - Todo o poder dos homens não é capaz de criar ... de tirar
do nada nem uma erva... nem u.ma formiguinha, nem é
capaz de aniquíiá-la, nem de reduzi-la ao nada. - Por isso os
,.seus anjos rodeiam o seu trono tremendo ante tal poder e
.majestad<>.- Todos lhe obedecem rever!!ntes e estão pen-
.dentes do seu .mais mínimo desejo para executá-lo imediata-
rmente. ~Vê os eiementos todos: que poder o do fogo! ... o
da água .. .• o do 2r! ... Que força tão gigantesca a do mar! . . .
,Que movimentos tão complicados os desses mundos imensos
que se move.m nos espaços! .. . Tudo, tudo ... , a vida e a
,morte ... , a saúde •e a doença ... , o tempo e a eternidade .. ..
t udo lhe está sujeito ... , em tudo domina.... tudo lhe
obedece ...

2.• ~ Omnipotência de Maria.- Ora bem: repara que


esta omnipotência toda foi como que comunicada à Santíssima
,Virgem. - O eterno Pai delicia-.s e em coroar com a coroa
do poder a fronte da Virgem Santíssima ... ; eleva-A à altura
da sua omnipotência ... e fá-I'A participante dos segredos do
.seu poder.- Tem pois a Virgem Santíssima todo o poder
sobre as criaturas do céu, da terra e dos abismos. - Deus
qui.s premiar todos os trabalhos e cuidados com que cuidara
do seu pr<íprio Filho enquanto durou a sua vida neste

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A tríplice coroa: A do Pod::!r 295

mundo.. . e não encontrou nada melhor do que igualá-I' A.


se assim podemos falar, à sua mesma divindade .. . , e este dom
foi o da coroa da suprema potestade ... para que assim como
Deus era omnipotente por natureza, Maria fosse omnipotente
-por graça ou benzvolência de Deus. Agora sim, que A
podemos chamar com toda a verdade Imperatriz do· cêu . ..
Rainha da terra, Senhora de todo o criado. .. Que conso-
Jação para a tua alma pensar em que tua Mãe é uma
Rain)la tão poderosa! . . . Que santo orgulho não deves ter
por isso! . . . Que confiança deve inspirar-te! ...
Porque que adiantarí.a mos com Ela querer ajudar-nos
nas nossas misérias se não pudesse? . .. Não é isto o que
passa mil vezes às mães com os seus filhos?... Quantas e
quantas coisas não sonha uma mãe para o seu filho! Mas
tudo issQ não passa de um sonho porque não pode dar-lho!
Poderia acontecer assim com Maria? ... Como pôr n'Ela a
nossa confiança se duvi~ássemos do seu poder? ... Mas, não;
não duvides: como M'ãe, quer ... , cc.mo Rainha, pode . . .
Logo, não é possí'l'el duvidar da sua ajuda e do seu patrocínio
poderosíssimo.

3. o - Como usa da sua omnipotência. - Repara como


de facto usa sem cessar do seu poder em nosso favo1". -
A sua omnipotência não é somente um título de .glória nem
qualquer coisa meramente de honra ... , s·em vida e sem
utilidade prática ... ; nada di~so . - Nem um só momento está
i:1activo o poder de Maria ... , não abusa do seu poder.. ..
não o emprega caprichosamente ... , mas a sua vontade está
inseparàvelmente unida à vontade divina. - Pode tudo o
que quer mas não pode querer senão o que Deus quer. -
E como Deus quer salvar o mundo ... , quer santificar as
almas ... , nisso sobretudo exercita Ela toda a força imensa
do seu poder. .. Quantos pecadores por Ela se arrepen-
deram ! . . . Quantos santos a Ela deveram a sua santidade!

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296 A tríplice coroa: A do P odJer

Quantas graças não têm dado as .s uas mães aos que n'Eia
têm confiado ! . . . _
Dá graças a Deus por esta magnífica coroa que E ic
colocou na cabeça da Santíssima Virgem, pois se para Ela
é coroa gloriosa, para ti é proveitosissima. ~Aleg ra-te com
a tua querida Mãe ao vê-l'A deste modo exaltada até parti-
cipar do poder do mesmo Deus; e repete muitas v eze.s:
«A Rainha do céu é minha Mãe».- Não te esqueças nunca
mas sobretudo quando tiveres mais necessidade, de que
com Ela nada te fal tará . .. e que para ajudar-te fará tudo
o que for necessário, pois não lhe custa nada hzer a té
milagres c prodígios. - Que esta confiança alente to :la a
tua vida e nunca deixes levar-te do desânimo .. .

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80. Tríplice coroa: B) A da Sabedoria

1. • - O V-erbo dil7ino. - É o Filho de Deus .. . a Segunda


Pessoa da Santíssima Trindade .... a Sabedoria de Deus ... ;
por isso é o Verbo, isto é, a Palavra incriada de Deus.-
Esta é a razão por que a Ele se atribue especialmente o
dom da Sabedoria ainda que este dom seja comum às Três.
divinas Pessoas.
Pois bem, o Filho de Deus é ao mesmo tempo Filho de
Maria... Por conseguinte, que coisa .mais natural se ao
coroar a sua Mãe se apressasse a colocar naquela magnific :ot
coroa o seu dom pnrticular da Sabedoria? ... E o que é e
quanta é essa Sabedoria?... Como responderá o homem a
esta pergunta?. .. O homem mais sábio é aquele que -s e dá
conta e sabe bem quanto ignora .. .·; que sabe que não sabi:
nada ...
Por toda a parte nos rodeia o mistério ... , não só na
ordem sobrenatural, onde sem a revelação nada saberíamos,
senão também na mesma ordem natural... Que pouquinho
é o que sabem os homens! -Olha para um grupo de
médicos ... muito eminentes na sua ciência ... desconcertados
ante o processo duma febre, cujos pequenos micróbios
não são capazes de che-gar a conhecer e menos ainda de
combater... Conhecemos os efeitos de muitas- coisas.... da
luz .... do calor .. . , da elec-tricidade ... , mas a sua essência
verdadeira é, na maioria dos casos. um mistério. - Levanta

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298 A tríplice coroa: A da Sabedoria

-os teus olhos a Deus e contempla aquela sabedoria que tudo


.sabe ... , tudo conhece ... , o passado, o presente e o futuro ...
·O actual e o possível. .. o que será e o que não será ... EJ>cuta
S. Paulo: Todas as coisas ,e stão abertas e .patentes a seus
.olhos ... , ainda os segredos mais ocultos dos corações. E o
Salmista tinha dito antes: Ele conta a multidão das estrelas e
.a cada ~u'ma chama pelo seu nome. - Os pensamentos mais
íntimos e vebzes · do teu entendimento ... , os afectos mais
_profundos do teu coração ... , tudo, tudo vê e sabe perfei-
tamente ... ; lê no nosso interior com facilidade tal, que para
Ele esta leitura é simplicíssima. - Ma.s sobretudo pensa no
.que será esta Sabedoria para a qual a mesma essência divina
.de Deus não nem segredos nenhuns e a qual conhece desde
toda a eternidade... Como poderemos portanto nós vislum-
brar sequer o que é esta divina Sabedoria? ...

2. 0 - Sedes Sapientiae.- Trata agora de abismar- ~e no


:mistério incompreensível da comunicação desta Sabedoria
feit a pelo Verbo divino à Santíssima Virgem.
Um dia presenteou Deus com um átc.mo da sua ,sabe-
-doria a um homem e esse homem foi o mais sábio de todos . .. :
-o grande Salomão... Qual será portanto a Sabedoria da
.Santíss'.ma Virgem depois de admitida ao conhecimento
.dos arcanos da divindade ... De tal modo que para Ela não
há segredos em Deus que Ela não saiba e não conheça .
.enquanto isto se pode dizer de uma criatura? . . . Como
.compreenderia e~ tão o plano divino da criação... e o da
Redenção em todos os seus pormenores! ... Como entenderia
bem agora o porquê de todas as coisas que tinha vivido na
terra... e a razão d!! ser de todos os acontecimentos que
-então se passaram ! ... Como louvaria a Deus ao ver a infinita
Sabedoria que tudo concebera tão magnificamente e que tudo
dispusera com tan ta ordem .. . , tanta harmonia ... , ainda que
não aparecesse muitas vezes aos olhos de pobre entendimento
humano!

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A tríplice coroa: A da Sabedocia 299

Pensa ainda como o Senhor Lhe infundiu todo o conhe-


cimento necessário para ajudar a nossa pobre alma ... , de
sorte que Ela saiba a.s ciladas astutas de inimigo . .. , o tempo
e a . força das suas tentações ... , as nossas misérias e necessi-
dades ... , as nossas vacilações e desânimos... e os nossos
bons desejos e intenções rectas. - Se pecamos! que vergonha!
pecamos à vista da nossa '1\.-I;ãe a cujos olhos não há ninguém
que se possa ocultar ... Se procedemos bem é Ela que nos
vê.. . e o toma em conta para premiar-nos algum dia.

3. o - A Mestra da nossa fé. - Por isso a Ela havemos


de acudir a pedir-lhe a lu:z- da fé ... : é a nossa Mestra; já
a ntes de subir ao céu exercitou este ofício com a Igreja
que então nascia no Cenáculo .. . Quantas coisas não ensinou
Ela aos Apóstolos! . . . Quantas dúvidas não dissipou! ...
Quantos pormenores da vida de Cristo não lhes deu a
conhecer! - Como saberíamos se Ela o não tivesse contado,
a.s cenas da Anunciação entre Ela e o Anjo ... , as do Nasci-
mento em Belém . .. , as da fugida para o Egipto e as idílicas
e felizes de Nazaré?. . . Pode-se dizer que os Apóstolos
tiveram conhecimento do mistério da Incarnação por :Maria.
E •e ntão, que fará agora no céu com o conhecimento e a
sabedoria tão claros que te.m de todos os dogmas da nossa
fé? É a nossa Mestra de oração e do trato íntimo com
Deus ... Que bem vivia Ela esta vida na terra! ... Mas como
será a que vive na actualidade ... , agora que está metida,
segundo o nosso modo de entender, na mesma essência de
Deus. quanto é dado a uma criatura?
É a nossa Mestra e.m todas a.s virtudes ... ; sabe muito
bem as dificuldades que nos rodeiam ... , conhece muito bew.
a violência das tentações que temos que sofrer ... a fo.rça
exaltada das nossas paixões que se desbordam . .. , não i'f)nora
a nossa debilidade e miséria .. . ; por isso a Ela temos que
.acudir. -Ninguém melhor nos ensinará o que temos a
fazer ... , o plano de combate ... , a linha da nossa conduta.

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300 A tríplice coroa: A da S abedoria

Que segurança dá aos soldados o saberem-se conduzidos


por um chefe esperto e valente! . . . Assim deves confiar em
tua Mãe e Mestra.
Enfim conhece todas as nossas desgraças ... , os no>sos
pecados .. . , ingratidões e rebeldias .. . , os sofrimentos ·e penas
que isto nos causa ... , os castigos que nos acarreta .. . P ois
vai recordar tudo isso a Ela com grande humildade ... ; não
te desculpes ... , nem procures esconder-lhe nada, porque é
inútil. - Pede-lhe perdão e a graça do arrependimento. -
Q ue te dê um pouco de luz .. . , um pouco da sua sabedoria
e do conhecimento que Ela tem para que te conheças bem . ..
e conheças a Deus .. . e assim, desse conhecimento, brote no
teu coração o agradecimento de uma ardentíssima caridade.

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81. Tríplice coroa: C ) A do Amor

L 0 - Deus é amor.- É a d-ulcíssima e exac tíssima


-definição de Deus.- As.sim o define o discípulo do Amor .. . ,
que deve ter aprendido isto ao ritmo do palpitar do Coração
de Jesus Cristo que ele teve a sorte de escutar na última
ceia. -Tudo o que de Deus se pode dizer parece que se
condensa nessa palavra divina. - É a vida mais es.s encial
de D eus, ou melhor, o ter.mo dessa vida.
Porque a vida de Deus, corno a dos espíritos puros, não
.consiste senão em conhecer e em amar. - Mas em certo
mo do o conhecimento dirige-se ao amor como ao seu l!el"i!llo ...
como ao seu necessário .complemento. - Se Deus é um
entender infinito . . . , eterno .... incessante ... , sem interrupção ... ,
é também e sobretudo o amar por essência. - Ama-se a Si
mesmo porque se conhece ... ; assim quer Deus t ambém ser
conhecido pelos homens.
A uma alma santa disse um dia: Chama-lMe o Senhor ... ,
o Om nipofente ... , o Crtador . .. , mas antes de tudo ch~IY!e
o Amor ...; é o nome C{lue mais me agr-ada e que mais desejo
que ,entendas de Mim. - Repara corno de facto todas as
manifestações da sua vida para connosco, são o-utras tantas
expansões do seu amor.- A Criação ... , a conservação .. ..
a Incamação ... , a Redenção ... , não se entendem nem se
explicam sem o amor.- Portanto, se o amor é a vida de
Deus, necessária e essencialmente se há-de encontrar nas

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302 Tríplice coroa: A do Amor

três divinas Pessoas. - Contudo dá-se este nome especial-


mente ao Espírito Santo ... , porque assim, por via de amor.
procede do Pai E: do Filho.
Pois bem, se o Pai coroa Maria com a sua Omnipotência.
e o Filho fá-I' A participante da sua sabedoria .. . justo era
que o Espírito Santo, ao coroá-l'A, A introduzisse no seio,
que é a origem e a fonte de todo o amor. - Contempla a tua
querida Mãe, formosíssima com a magnífica coroa da
Om.nipotência ... e com a da Sabedoria . .. , mas vê-A agora
como brilha com a força interior do fogo do Amor divino,
que A abrasa com violência semelhante àquela com que as.
três divinas Pessoas se abrasam naquele fluxo e refluxo da&
ondas do amor <.>m que vivem completamente submergidas!·

2. o - Rainha do Amor.~ E agora, constituída Rainh a


do Amor, trata de penetrar no seu coração... e se Deu.s
amor compreenderás à vista do Coração de Maria que é Ela
a que mais se lhe assemelha porque não há ninguém que
ame como Maria.- Recorda o que já foi dito acêrca do seu
amor a Deus na terra que foi a causa da sua morte ditosa .. .
Se já então era tão intenso que ~Será agora?
Deus tinha direito ao amor do coração do homem .. .
e pediu-lhe ·e exigiu-lhe tal amor ... , mas o homem! ingrato t
negou-lho. - Foi neces~ário que Deus buscasse um coração
que o compensasse daquela falta de amor . . . , que eie só o
satisfizesse mais do que todos os corações juntos... e o
amasse com amor mais perfeito e verdadeiro... e esse
coração onde descansa o amor de Deus . .. e encontra as suas
complacências de uma maneira satisfatória e digna, é, depois
do Coração àe }esus, o Coração Imaculado de Maria.
Alegra-te por ver a Deus assim correspondido como
merece pelo amor da Santíssima Virge.m. - ·Dá-lhe a teu
modo os parabéns porque, graças a esse amor, a criação· não
se tornou uma coisa inútil, por assim dizer, visto que não
renderia o fruto devido. - Jtmta todo o amor de todos os.

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Tríplice coroa: A do Amor

santos e anjos do céu ... e à vista desse conjunto formosíssimo,.


diz com a Igreja: Os seus fundamentos encontram-se nos·
montes mais •elevados ... Quer di:ver, tudo isto é nada com-
parado com o coração da Santíssima Virgem... onde todos:
acabam Ela começa ... ; o que para os outros é o cimo, para.
Ela são os alicerces ... Que alegria e que prazer se sent•e ao
pensar que há um coração que assim ama a Deus ! ·
E que diremos do amor que nos tem a nós? ... Ama-nos.
com amor de Mãe e isso basta ....; tudo o que significa ternura
e encantos maternais encontra-se intensificado quase até a().
infinito e.m. Maria.- Contempla ·esse amor natural de Mãe ...
sobrenatur:alizado em .Maria aqui na terra... e agora vé-o·
divinizado pelo Espírito Santo... e compreenderás que é
impossível saber como é este amor. - Envergonha-te a~
pronunciar esta palavra e convence-te que só vendo a Deus
e n'Ele a Maria é que s•e pode saber alguma coisa do que-
este nome significa. ~Compara o teu amor, o amor das
criaturas, cem este amor... A que coisas, meu Deus ,
chamamos nós os homens amor! ...

3. • - Frutos deste amor.~ Antes de tudo a c•e rteza e a·


segurança do seu patrocínio. - Maria já não pode deixar de-
amar-nos ... , ainda que nos veja indignos do seu amor ... ,.
ainda que filhos ingratos a cheguemos a deixar e a desprezar,.
pospondo-a a outros amores terrenos. - O seu amor divi-
nizado atender-nos-á em, todos os instantes difíceis da noss01
existência . . . Não te esqueças de que se tem conhecimento e
sabe perfeitamente todas as nossas necessidades pela sua
coroa de Sabedoria ... , se lhe sobra poder para remediá-las·
com a sua Omnipotência, menos ainda lhe falta a vontade
de fazer assim, pelo seu Amor. --<Repete muitas vezes o
título de Ratnha e Mãe de misericórdia. Se é Rainha, s-abe-
e pode; s~ é Mãe de bondade, quer ajudar-nos e dar-nos
remédio ... ; logo, assim será.- Não sentes que o teu.

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304 Tríplice coroa: A do Amor

coração confirma isto mesmo e te diz que assim foi até


agora?
Depois, Ela com o seu amor ensina-te a dirigir o teu
pzra Deus. Hás-de amá-lo sobre todas as coisas . .. , com uma
intensidade apreciativamente suma . .. , isto é, que prefiras
perdê-las a tcdas antes do que ofendê-lo. - O demónio
procurará com mil .meios e pretextos estorvar o cumprimento
desta dulcíssima obrigação ... Quem te pode ajudar a cum·
pri-la?... Tua Mãe... primeiro, com o seu exemplo que
deves procurar imitar ... ; depois amando-a a Ela pois pela sua
· união com Deus amá-la a Ela é amar a Deus. ~ Não tens
·desculpa para deixar de amar a Deus .. . , mas tê-la-ás para
· deixares de amar tua Mãe e Rainha? ... Faz com que a tua
alma a ame como filha e escrava sua ... e não consintas
que ninguém te leve vantagem neste amor.

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82. Maria, medianeira universal de todas as graças

1. 0 - O que é e em que consiste a Mediação.- Mediação


é servir de meio entre dois extremos ... , como a aurora entre
a luz e as trevas. - É de algum modo participar das duas
partes e representá-las a ambas. - Segundo S. Roberto
Belarmino, é ser juiz e ár:bitr-o, que administra justiça entre
as partes litigantes ... ; é ser mensageiro de paz, propondo os
condiçôes a que devem sujeitar-se os dois inimigos para que
se restabeleça entre eles a antiga amizade ... ; é ser valide
<égio que interpõe o seu valimento junto do monarca, para
conseguir perdão e favor para aquele que ofendeu ao Rei. .. ;
é enfim ser már:tir: da caridade, que imola a sua vida em
justa satisfação à pessoa ofendida.
Aplica estes pontos a Jesus Cristo e verás com quanta
verdade dizia S. Paulo: «Ele é o único mediador entre Deus
e os homens e não temos outro». Cristo pelo seu tríplice
carácter de !Messias ou Enviado do Pai, de Sacerdote Etemo
e Redentor: do mundo, é certamente o verdadeiro Mediado.r.. .•
· o Anjo da Paz, que aplaca a ira de Deus irritado contra
o homem dando Àquele, com a sua vida, plena satisfação dos
pecados deste. - .M as vê também como depois de Cristo . ..
e com Cristo e por Cristo ... Maria considerada não isola-
damente mas em união com Ele, como sua Mãe e como
participante da· sua obra da Redenção , na qualidade de
20

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306 Maria, medianeira 'universal . ..

Corredentora dos homens, é perfeita mediadora entre nós


e Deus.
É Mãe de Deus e Mlãe nossa e assim nela une estes
dois extremos . . : e como Mãe de misericórdia que é resolve e
sentenceia sempre a favor dos pecadores. - É Rainha da
Paz e assim consegue-a sempre para os seus filhos rebeldes
a Deus que - pelo pecado lhe declararam guerra. - É a
Omnipoténcia Suplicante, e por isso diz S. Bernardino de
Sena que todas as coisas estão sujeitas a Maria, até o m12smo
Deus . . . bastando uma só palavra sua para conseguir o que
deseja. - É enfim ,M é.rtir da caridade e Rainha dos mártires:
mereceu este título ao imolar-se juntamente com seu Filho,
ao pé da cruz ... , oferecendo ao Eterno Pai a vítima divina
e constituindo com Ela um único sacrifício ...

2. 0 - Díspensadora de todas as graças.__. Maria é a


que dispensa e administra toda a graça ... , de tal maneira
que no dizer de S. Afonso Maria de Ligório De,us quer que
todas as graças nos venham por Maria... ·e S. Bernardo
exclama: Repara com que afedo q/Uer Deus que honremos
a nossa Rainha ... , pois nela pôs a plenitude de todo o bem
para qu<e todas as graças de esperança e de salvação nos
venham por Ela; - Deus é o autor de 'todo o bem e de toda
a ,graça em todas as ordens ... ; são riqulSSlmos e infinitos
os seus tesoiros ... , mas a chave qlle os encerra entregou-a
a Maria.
Ela é como a Mãe da casa bem administrada e gover-
nada, onde o pai ganha o pão mas onde a mãe é que o
reparte aos filhos. - Não duvides de que todos os bens,
mesmo os temporais, te hão-de v-ir só por meio de Maria.
- A união íntima entre Jesus e Maria 'e xige esta universali-
dade da sua acção mediadora. - S. Paulo chama a Cristo
Segundo Adão, 9 Adão celestial; pois bem, a Igreja chama a
Maria a Segunda E va. - Cristo é cabeça do corpo místico.
mas 'M aria, na frase de Pio X, é o «pescoço» que une a

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Maria, medianeira universal ... 307

cabeça ao corpo... e que transmite toda a vida da cabeça


aos outros membros.
·M as para ser efectiva e prática esta universalidade da
M·e diação requere.m-se três condições: Primeira~ posse total
do dom. Segunda - Vontade de dá-lo. Terceira: poder
para isso.
Pois bem, não se pode duvidar que Maria possua todas
as graças ... : a graça inicial em Maria já foi maior do
que a dos anjos e santos ... ; a graça da santificação com-
pleta, porque é verdadeiramente, segundo o anjo, a cheia de
graça, ao ser feita .Mãe de Deus... ; a graça final em Mana
foi incalculável, visto que não deixou de crescer um só
momento em graça. - Ela é a única que se chama Imperatriz
e é coroada como Rainha dos céus e da terra.
A segunda condição e a terceira é que 'M aria quer e
pode dar-nos todas as graças ... Já dissemos que é evidente,
pois se deduz dos seus dois títulos de Mãe e de Rainha.
-Logo Maria é, por nosso bem, o canal por onde chega
até nós toda a graça de Deus.

3. 0 - A mediação no Ev·a ngelho.- A) Como Corre-


dentora aparece na Incarnação, onde com o seu consentimento.
aceita o sacrifício de ser .a !Mãe dolorosa do Varão das
dores ... ; na Ap!"esentação do Menino Jesus, em que yferece a
seu Filho e renova a sua oblação generosa, ouvindo dos
lábios de Simeão a dolorosa profecia da espada que atraves-
saria o seu coração ... Na cruz associou-se de tal modo a seu
Filho, que ambos foram duas hóstias de um mesmo sacrifício.
B) Como Mediadora que intercede e consegue e reparte
graças, aparece claramente na visita a Santa Isabel, onde
o Baptista é santificado no seio de sua mãe pela presença
da Santíssima Virgem .. . Nas bodas de Caná fez-se o milagre
por petição, e, quase podemos dizer, por imposição de Maria,
chegando a adiantar a hora da manifestação de seu Filho ...
No cenáculo, no dia de Pentecostes, Maria prepara e dispõe

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308 Maria, medianeira <Universal...

os Apóstolos para receberem o Espírito Santo, is.to é,


coopera na obra santificadora da graça na alma dos
Apóstolos ...
4. 0 - Deus o quer. - Conclui pois que é Deus que
claramente manifesta a sua vontade. - Pôde remir-nos sem
Maria e não o quis... Logo, ainda que possa, também não
quer santificar-nos sem Maria. -Grande é a devoção que
devemos ter a Maria por mil razões, mas dificilment•e encon-
traremos uma que tanto nos deva mover a isso como esta ... ,
pois em certo modo, como vês, abarca todas as outras.
-Por amor e gratidão para com esta excelsa Mediadora . ..
até por conveniência e utilidade própria, devemos ter-lhe
-grandíssima devoção. -Sem Ela não conseguiremos apro-
ximar-nos de Jesus .. . não é possível que saibamos falar-lhe ... ,
as nossas súplicas sem ·M aria não podem nem merecem ser
atendidas. - Deus dá-se-nos por meio d"Ela ... portanto por
Ela devemos ir nós a Deus ... ; demo-nos totalmente a Ela
para que Ela nos leve a Deus ... Que caminho tão fácil...,
tão seguro... , tão belo e tão consolador! -Anima-te e de
uma vez para sempre põe-te em suas mãos ... Dá a tua Mãe
as chaves do teu coração ... , para que Ela disponha de ti
como quiser ... , que sempre será como mais te convém.
Pede-lhe isto assim .. ., suplica-lhe te dê alguma parte
das graças que Ela tem . .. , mas em especial, pede-lhe a de
saber amar com Ela e por Ela ao Senhor na vida e na
morte .. . , no tempo e na eternidade...

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li PARTE

VIRTUDES DE NOSSA SENHORA

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312 A Fé da Santísst-ma Virgem

A fé é uma virtude sobrenatural... infundida por Deu&


na al.ma, cujo objecto é o próprio Deus.- Por isso lhe
chamamos virtude teologa1; que nos dá a conhecer a Deu&
não por meios humanc·s ... nem pelas luzes da razão, senão
pela influência ca divina .graça.
Sendo isto a fé não é de estranhar que se encontrasse
em grau tão elevado na Santíssima Virgem. Deus teve com-
placência especial em infundir esta formosíssima virtude em
Sua Santíssima Mãe ... para que ela nos servisse de modelo.
Maria creu sempre na palavra de Deus ... com simplicidade ...
com confiança, sem vacilação nem dúvidas.

2. 0 - Um caso de Fé. - É fácil encontrar exemplos


destes na vida de Maria. - Recorda um deles: o Anjo da
Anunciação põe à prova a sua fé . .. , diz-lhe da parte de
Deus que conceberá e dará à luz um filho... Ela, Virgem,
podia ser Mãe! - Isto era naturalmente impossível... No
entanto não duvida .. . , não vacila ... E quando conhece a
vontade de Deus, crê n'Ela e aceita tudo quanto o Anjo
lhe diz.
Compara a sua fé com a incredulidade de Zacarias ...
quando dias antes lhe aparece este mesmo Anjo e lhe
anuncia a nascimento do Precursor.- Zacarias duvida ... ,
não crê com firmeza no Anjo ... e Deus castiga-o deixando-o
mudo.
Zacarias não tinha outra razão para duvidar mais que
a sua idade avançada .. . Maria tinha a da sua virgindade.
- A Zacarias anunciou-se um filho que será o precursor
do Messias ... , a Maria o próprio Messias, e, no entanto,
Zacarias duvida. .. e Maria crê.
Recorda-te do caso maravilhoso da fé de Abraão.
-Deus diz-lhe que será pai de uma grande descendência ...
E: para isso anuncia-lhe u.m filho, Isaac .. . porém outra vez
ordena-lhe que sacrifique o seu único filho... Como se
multipli cará deste modo a sua descendência? Abraão, apesar

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A Fé da Santíssvma Virgem 313

de tudo, crê sem vacilar na palavra do Senhor. .. , dispõe-se


ao sacrifício... e merece por isso, ser chamado «Pai dos
crentes».
Eis uma imagem da fé de Maria... Deus inspirou-lhe
o voto ... .singular ... desconhecido até então, de virgindade.
Ela sabe que isto significa renunciar à possibilidade de ser
Mãe do ·Messias, que era o anelo santo de todas as mulheres
judias ... Maria, para agradar a Deus, renuncia generosamente
a essa possibilidade 'e faz-se Virgem ... Porém agora o Anjo
anuncia a sua gloriosa Maternidade; e Maria ... , sem duvidar
nem vacilar ... pergunta se essa é a vontade de Deus, e
quando a conhece, abraça-a e crê firmemente em tudo quanto
lhe é dito pelo Anjo. Ela não sabe como isso pode ser ... ,
a sua razão choca com a união da virgindade e da mater-
nidade ... ; submete. porém o seu critério ... , o seu parecer ... .
a sua própria razão •e crê firmemente com simplicidade ...
Que fé tão grande a de Maria! ...

3. 0 - Con.s<?quências. - Diz Jesus Cristo que se tivés-


semos fé transportaríamos montanhas.. . A fé é que faz os
milagres. No Evangelho, parece que o Senhor s•e recr·e ia em
nas fazer ver que a fé é que opera os mila.gres. - E por isso
diz:- Vai, a tua fé te salvou. E outras veze.s: -Fa.ça->Se
como aês. Em Maria então operou o milagre dos milagres .. . ,
a sua fé atraiu o Filho de Deus dos Céus ao seu seio
puríssimo. - Assim o disse Santa Isabel na Visitação: Bem-
-aventurada, porque creste ...
Assim te sucederá a ti. - Uma fé desta ordem será
em ti a fonte das maiores bênçãos ... e das graças extraor-
dinárias do Senhor.- Ele derrama-as em profusão naquele
que deste modo crer ·e n'Ele confiar. - Compreende bem o
valor da fé da Virgem Santíssima e compara-a com a tua ...
Também nisto imitas a tua Mãe? .. . É sincera a tua
fé e crês firmemente não só nos dogmas e verdades reveladas
senão também em tudo o que o Senhor, de uma ou de outra

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314 A F.é da Santíssima Virgem

maneira, te diz?... ou serás do.s que crêem ser coisa de


Deus o que agrada ... e não o ser o que desagrada?
Além disso, Deus falará directamente à tua alma por
meio das suas inspirações... dos ·t eus superiol"es... e dos
seus representantes . .. Ouve~los e crês neles? ... E se acreditas
neles, sabes submeter a tua vontade e o teu próprio parecer
ao seu ... , ainda gue não entendas como há~de ser .. . , nem o
po·r quê do que te diz·em? ---' Imitas a tua Mãe nesta submissão
ao que te dizem da parte de Deus e aceita~ lo ... ainda que
te custe ... , ainda que te humilha?- Termina esta meditação
pedindo à Santíssima Virgem uma fé semelhante à sua e
uma grande docilidade, quando ouvires a voz de Deus que
te cha.ma, para que creias n'Ele e o sigas em qualquer
momento... sem vacilar sequer um só instante.

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2. A Fé da Santíssima Virgem

1.• - Trevas. - Quis Deus rodear a fé de trevas apesar


da sua certeza e infalibilidade, para a tornar mais meritória.
-A fé é certa, com urna certeza que se funda no próprio
Deus ... , que se não 'engana e não pode enganar-nos; mas a
fé, é também obscura ... , tanto que nunca poderemos nesta
vida chegar a compreender as verdades que nos ensina
- Por isso, essas verdades chamam-se mistérios ... O misté-
rio é urna verdade tão inacessível à razão humana que não
pode, sem a revelação divina, conhecer-se sequer a sua
existência ... , e ainda depois de conhecer pela revelação,
a sua existência, não pode chegar a penetrar-se o que é em
si mesma ... , nem explicar-se corno pode ser assim.
'M as há mais... É de tal ordem a verdade revelada,
que em certas ocasiões não só havemos de crer nc que não
ve.mos .. . , senão o contrário do que vemos. - ·R ecorda o
dogma da Eucaristia, onde todos os sentidos te asseguram
a existência do pão; e no entanto, segundo a fé, o pão
já lá não existe, mas unicamente o corpo e c sangue de Jesus
Cristo. - Este é, sem dúvida, o sacrifício mais meritório que
nos exige a fé. - Se assim não fosse, onde estaria o mere-
cimento? . . . Seria .meritório crer no que Deus nos ensina
se fossem coisas fáceis de compreender ... , de ver e V'erificar
com os sentidos ou com a razão?... Pois bem, V'ê agora

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316 A F.é da Santíssima Virgem

Maria - Também a Ela não faltaram as trevas que fizeram


tão meritória a sua fé . ..

2. 0 -No nascimento do Menino ·DeJus.- Aparece Jesus


como um menino em tudo igual aos outros. - •S abia a Santís~
sima Virgem que era o Filho de Deus, porém ... que provas
tinha diante de si? ... · Bem pelo contrário... um menino
pobre ... , fraquinho ... , chorando como os outros . . . , que não
sabia falar ... , nem andar .. ., nem fazer nada por si mesmo ... ,
tendo necessidade de sustento ... , de cuidados . .. , de sono,
como os outros ... , perseguido e abandonado por todos ...•
etc. Tudo isto eram sinais de divindade 7... M:as o Filho de
Deus ia nascer assim? - O presépio ... , o portal..., os animais
que o acompanham, é isto digno de um Deus 7... ·Co,mo pode
ser isto? . . . Não estará enganada 7.. . Não será uma ilusão? ...

3." ~Na vida oculta. - E as trevas continuam para


Maria durante a vida oculta ·e m Nazaré. - Jesus aparece
como um aldeãozinho . .. ignorante, sem dar uma só amostra
do seu poder e da sua sabedoria. Mais tarde será o operário
de uma oficina de carpinteiro, que tem que passar por ser
um simples · aprendiz, que a pouco e pouco há-de chegar, no
cúmulo do seu aperfeiçoamento... a s•er um oficial de car~
pinteiro! ...
Que bela carreira! ... e que posição brilhante para o Rei
do trono de David! ... para o Messias prometido! . . . para o
F ilho de Deus!
E quando o ·M enino Jesus se perdeu, que trevas no meio
das aflições que então atormentaram o coração de Maria! ...
foram tantas estas trE:vas que ainda depois de ter encontrado
o menino e ter escutado as suas palavras, diz o Evangelho
que Maria não as •e ntendeu.

4. 0 - Na vida .pública. - É certo que nela se vêem.


luzes e momentos claros onde aparece clara a divindade· de

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A Fé da Santíssima Virgem 317

Jesus. - M:as por vezes que trevas! Que sombras: por todas
as partes! O povo crê n'Ele e se.gue-0 ... , porém os sábios ....
os sacerdotes e pontífices ... , os fariseus e mestres da Lei
perseguem-n'O de morte... Os discípulos e apóstolos são
.gente completamente ignorante ... , uns pobres homens ...
que, por fim, se env;ergonham de terem sido seus apóstolos,
.abandonam-n'O e renegam-n'O. - Os seus inimigos conse-
-guiram apanhá-I' O ... , e castigam-n'O durament·e.. .. com
.castigos infamantes e próprios de escravos, de ladrões e
.gente vil...; as bofetadas ... , os cuspes, os açoites ... , a coroa
<le espinhos ... , a cruz... e a morte nela, escarnecido ... ,
·desonrado. .. vencido por completo pelos seus inimigos.-
É este o Filho de Deus.? ... Eles próprios o dizem: ~ Se fosse
Filho de Deus baixaria da cruz, e triunfaria de tudo e de todos.

5." - Fé inqueb!'antável. - Apesar de todas estas coisas


capazes de fazer vacilar a qualquer. .. , Maria não duvida
nem sequer um momento .. . crê na palavra do Anjo, e nela
vê a voz de Deus que lhe revela quem há-de ser o seu
Filho ... Adora os mistérios sacrossantos e profundísstmos da
vida e da morte de Jesus ... , procura sondar os -ensinamentos
altíssimos da sua pregação . .. mas ainda que adornada de
•.graças especialíssimas na ordem natural ·e sobrenatural.. . e
.apesar das revelações e luzes tão extraordinárias que só Ela
recebeu, não põde, como criatura que é, compreender os
insondáveis e infinitos abismos da divindade... no entanto
humildemente abraça-se com fé cega, gostosa e alegremente,
com tudo o que ela não vê. e não compreende dentro dos
planos da divina providência.
Admira esta humildade tão atraente e tão natural de
Maria nos seus actos de fé, disposta a todo o memento a
deixar-se guiar pela vontade de Deus, a submeter e a render
o seu juizo com prontidão e essa vontade santa .... ; finalmznte
.admira a sua confiança em Deus, que a fazia entregar-se em

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318 A F.é da Santíssima. Virgem

seus braços ainda que não visse nem entendesse aonde nem
por onde a levava.

6,. •- A nossa Fé. -Vê co:no deve ser também a nossa


fé ... , fruto da nossa humildade .. . , da nossa obediência ...
e da no-ssa confiança em Deus.
Todos os pecados contra a fé brotam de alguma desta3
raízes ... ; a falta destas virtude.s explica a história de 1odas
as her·e sias e erros contra a fé.
Lembra-te disto sobretudo nas trevas ordinárias que
acompanham a fé, e nas extraordinárias que à.s vezes Deus
permite a certas almas.
Se praticares essas virtudes à imitação de Maria, não
duvides de que triunfarás ...
Não esqueças também isto nas dúvidas contra a fé que
terás de sustentar: a soberba ... a confiança em si mesmo ...
o hábito de tudo criticar e juliJar segundo um critério
pessoal... é o que tem cegado a muitos e lhes tem feito
perder a fé.
Pede à Santíssima Virgem, nesta luta tão violenta em
nossos dias, que o seu exemplo te ilumine e te alente nesta
luta para que a tua alma saia vitoriosa e triunfante dela.

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3. A Fé da Santíssima Virgem

1.•- Racionalidade da fé. - Apesar das suas obscuri-


dades, e apesar de exigir de nós o ad,rnitir verdades que não
compreendemos, a nossa Fé é .sumamente racional.- Não
degrada o homem ... , nem o humilha. .. nem rebaixa a sua
dignidade... antes pelo contrário, sublima-c•, dignifica-o·
sumamente, fazendo-o conhecer coisas que sem ela jamais
conheceria.. . Que amplos horizontes... e quão grandiosos
não abre a fé diante dos olhos do entendimento humano! ...
M·e ditando isto, S. Jerônimo exclama: Estas ·c oisas foram
desconhe'cidas para Platão ... , o eloquen·t e Demóstenes igno-
rava-as ...• todos os filósofos e sábios antigos não .p uderam
,'7em sequi?r v islum brã'.,fas um pouco ... e qual<:tluer criança·
das nossas escolas sabe, com o seu catecismo, infinitamente
mais que todos eles }untos.
Não, não é irracional a nossa fé .. . ; é qualqU'er coisa
acima do nosso entendimento, e por isso não chegamos a
compreender tudo o que nos ensina ... ; não é poré.m qualquer-
coisa contra a razão, como os impios. - Deus pede-nos
que admitamos a sua palavra sem hesitações e sem vacila-
ções... por isso havemos de crer cegamente ... , mas não
imprudentemente.
F é pronta e cega, não é uma fé imposta à força e
irracional.

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320 A Fé da Santíssima Virgem

2. 0 ~Causas da obscuridade da fé. - São as seguinteS':


A) -Não nos deve causar admiração o não chegarmos
a compreender o que conhecemos pela fé, porque são verdades
tão profundas ... tão infinitas .. . e tão divinas ... , que natu-
ralmente não podem · entrar no nosso entendimento.
Imagina quão .mesquinho seria o nosso Deus, se pudesse
.ser compreendido pela nossa inteli·gência ... e se abrangêssemos
toda a sua essência com a luz da nossa razão ... -Recorda
·O que dizia Santa Teresa, que «acreditava nas verdades
mais difíceis e cbsc~.<ras, com .mais firmeza e com maior
<Ievoção, porque nelas reconhecia um carácter mais próprio
da grandeza de Deus» ...
Que admiração que essa grandeza seja para nós incom-
preensível! Se havemos de passar a ·e ternidade vendo conti-
nuamente coisas novas na essência de Deus sem esta nunca
se esgotar... como queremos agora entender e abranger
tudo? .. . Isto si.m., é que seria absurdo e irracional...
B) - Por outra parte, Deus não exige que creamos tanto
às cegas que nos seja proibido examinar os motivos e funda-
mentos da nossa fé ... Pelo contrário, este exame é muito do
agrado de Deus, para que assim saiba.mos no que cremos
e porque cremos.
Temos, entre outros motivos, os milagres e as profecias
de Jesus Cristo, que foram feitas em confirmação destas
veràade.s; tais milagres e pro~e cias devemos meditar e estudar
com frequência... pois além da doutrina e consequências
práticas que da sua meditação podemos tirar servem admi-
ràvelmente para demonstrar a origem divina dos dogmas
da Fé que a Igreja nos propõe para crer.
C) - E finalmente, para tornar mais racional o acto da
nossa Fé pens·emos que Deus não nos manda crer sznão
naquilo que com auto-r idade infalível, declarou verdade
dogmática e revelada. pela Igreja C atólica ... , isto é, que
devemos crer porque Deus a revelou... mas sabemos que
Deus a revelou porque a Igreja assim no-lo diz e ensina .. . ;

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Amabilidade de nosso Senhor Jesus Cristo 321

que seja contrário ao amor de Jesus, e tudo o que ames


neste mundo, ama-o nEle, e por Ele. Comecemos já a
amar intensamente aqui aquele que queremos e esperamos
amar na glória por toda a eternidade.

RESOLUÇAO: Meditarei com frequênda em Jesus,


na sua amabtlidaY:Ie, quer dizer, nas suas perfeições e vir-
tudes, que o tomam infinitamente amável. Pedirei instan-
temente o aumento dio divino amor-. Farei actos frequentes de
amor clucante o dia.

JACULATóRIA : Jesus amável, digno de infin'éto


amor, a!Umenta no meu coração o amor por- Ti, e leva-me
ao céu, aonde possa ama<-Te sem imperfeição e sem
mudanças, pOt" toda a eternidade.

21

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CAPÍTULO VI

Amor perfeito e imperfeito; sensível e apréciativo-

Ou amar ou morrer.

Para termos um verdadeiro conceito do amor de Deus,


convém fazer algumas distinções importantes. Este amor
. pode ser perfeito ou lmperfeito. É perfeito quando amamos
a Deus por ser Ele quem é, por ser Ele em Si e por Si
o sumo Bem, digno de ser amado sobre todas as coisas.
Tal amor nasce da consideração sobre as perfeições divinas•
Ao considerarmos à luz da fé que Deus é infinitamente
bom, santo, justo, misericordioso, etc., sentimo-nos inclinados
a amá-Lo, a entregarmo-nos a Ele, a fazer a sua vontade
e dar-lhe glória, só por Ele, ainda que não esperássemos da
sua infinita liberalidade n;.ercê alguma, temporal ou eterna.
É imperfeito quando amamos a Deus principalmente pelO
hem que esperamos dEle, e especia< 1mente para obtermos
a eterna bem-aventuranç-a ; da mesma maneira que seria
perfeito o arr;or de um filho que amasse sua mãe só pela
bondade e boas qualidaJdes que ne-la visse resplandecer;
e imperfeito, se a amasse principalmente pelos prêmios e pelo
bem que dela esperasse conseguir. Este segundo amor para
com Deus Nosso Senhor, ainda que menos excelente que
o primeiro, por ser menos desinteressadb, é bom, sempre

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Amor perfeito e imperfeito 323

que não exclua positivan:.~nte aquele, e nasça da virtude


teológica da esperança. Ambos, sob aspecto diverso, podem
estar juntos·, e de facto estão unidos nas pessoas virtuosas
e santas, se bem que devemos aspirar, quanto é possível
nesta vida, à aquisição do perfeito e puro amor de Deus,
isento do próprio interesse ( 1) •
Em segundo lugar, o amor de Deus pode ser terno e
apreciativo. O .a mor temo o que se reldluz à parte sensível
ou afe.ctiva do coração, é sem dúvida bom e desejável,
e em algumas ocasiões enchia de suave doçul"a o coração
dos Santos; pelo que, se o Senhor se dignar alguma vez
regalar com este amor o teu espírito, ainda que só te dê
a provar do mesmo uma gotinha, deves recebê-lo com
grande estima e agradecimento, e aproveitar tal mercê,
para te estimulares a correr pelo caminho dos mandamentos

( 1) Dizemos nós quanto é possível nesta vida, porque em-


bora s.e possam fazer, e convém que se façam com frequênc'ia,
actos particulares de amor puro e perfeito, nos qua'IS não se
descubra rasto de interes·s e próprio, nem se atenda para nada
à recompensa do céu, ao tormento do iln.ferno mas unieamenie
à bondade e formosura de Deus, infinitamente amável, ao cum-
primento da sua vontade santíssima, e ao desejo de lhe dar
glória, como o fizeram muitas vezes os Santos .e m momentos de
fervor, sem embargo, um estado habitual e contínuo de amor
puro de Deus, no sentido citado, quer dizer, até ao extremo de
que o inferno e o céu nos sejam inteiramente indiferentes, nem
é possível nesta vida, nem constitui um estado de perfeição,
porque afastaria da alma a virtude teologal da esperança,
a ' qual é boa em si, e nos .e stá mandada por Deus, e é absolu-
tamente necessária a todos os adultos para a sua salvação.
Com razão, pois, foi reprovada pelo Papa Inocêncio XII a
seguinte .e xposição tirada do livro de Fenelon Explicação
das Máximas dos Santos sobre a vida interior: «Dá-s e um
estado .h abitual de Amor de Deus, que é a caridade pura e
sem mistura alguma de interesse próprio. Neste estado jâ
não tem lugar nem o temor das penas. nem o desejo das·
recompensas. Nele Deus já não é amado pelo mérito, nem
pela perfeição, nem pela felicidade que s·e encontra em amâ.lo».
(Denzinger, n., 1193).

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324 Amor perfeito e imperfeito

como fazia o .real Profeta David quando Nosso Senhor dila~


tava desta forma o seu coração ( 2 ).
Porém convém que saibas que este amor terno e ~afec~
tuoso, nem sempre está em nós adquiri-lo e conservá~lo,
apesar dos nossos piedosos esforços e da nossa fidelidade
ao Senhor, nem é tão pouco essencial ou ne-cessário, senão
acidental para a · perfeição. O amor substancial, o amor
sólido e ver-dadeiro, que Deus pede e exige de todos nós,
é o que chamam os teólogos aprelciativamente Sl-4'110 ou de
preferência, o qual reside na parte superior do nosso espí~
rito, da nossa vontade, e consiste em estimar mais a Deus
que a tudo o que é criado; em preferi-lo a tudo; em estar
disposto a perder todas as coisas, e a sofrer todos os males,
inclusive a morte, a ofendê-lo.
«De dois modos. diz o sábio e piedoso escritor Garcia
Mazo, poderr.os amar uma coisa mais que outra: ou com
. maior fervor. ou com mais apreço. O que amamos com
maior fervor arrasta mais o nosso coração; o que amamos
com mais apreço segura-o rr:elhor. O amor de fervor é
mais impetuoso; o de apreço é mais firme; e quando estes
dois amores d1sputam a preferência, o de apreço é que
preva-lece. Isto entender-se-á melhor com o exemplo seguinte:
Uma rr.ãe verdadeiramente cristã ama a Deus e ama o
filho que Deus lhe deu, porém de .um modo diferente:
a Deus com maior apreço: ao filho com mais ternura.
Sem pensar encontrar-se-á a cada passo fazendo carícias
ao seu filhinho, estreitand'~ entre os seus braços, beijan-
do-o, e-tc., e esta mãe tão tenra com o seu filho, intentará
amar a Deus, e não experimentará nem um pouco de
ternura; empenhar-se-á. protestará que deseja amá-lo, pedirá
com instância o seu divino amor, ajoelhará a seus sobe~
ranos pés. usará a linguagem maiS terna, dirá e repetirá

(2) Viam mandatorum tuorum cucurri. Psalm. CXVIII, 32.

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Amor perfeito e imperfeito 325

mil vezes: «Deus da minha alma, dono do meu coração,


autor da minha vida, eu vos quero, eu vos amo, eu vos
adoro ... »; tudo isto e mais dirá, e apesar de uma linguagem
tão tema e tão amorosa, o seu coração permanecerá muitas
vezes tão duro como uma pedra, ou tão frio como o gelo.
Porém, tra.tando~se de que esta mãe perca o seu filho ou
o seu Deus ; tratando~ se de que cometa um pecado rr.ortal;
e se é, como se disse, uma verdadeira cristã, quererá perder
mil vezes a seu filho, db que perder o seu Deus, cometendo
um pecado mortal. E, porque assim é? Porque o amor que
tem ao seu Deus é de apreço, e o que .tem ao seu filho é
de fervor; e o amor de apreço prevalece sempre sobre o de
fervor» ( 3) •
Tal é o amor que devemos a Deus: um amor suma~
mente apreciativo e de preferência, que nos disponha a
preferi~lo a tudo, a antes perder todas as coisas do que
ofendê~lo. Sem este ·a mor de apreço, o amor temo e
sensível seria insuficiente e inútil. De que valeria, com
efeito, a um homem avaro, ou lascivo, sentir enternecido
o coração, prorromper em ac.tos de amor de Deus quando
ouve um sermão sobre a paixão de Nosso Senhor Jesus
Cristo. ou quando lê alguma passagem mais comovedora
da sua vida, se depois não se acha disposto a evitar os
pecados de avareza ou lascívia. Se sobrepõe à divina von~
tad'e a sa·tisfação das suas paixões, se prefere, numa pala~
vra, perder a Deus do que perder as riquezas ou renunciar
aos imundos deleites da carne, então repetirr.os: o amor
substancial e necessário, é amor sóHdo e verdadeiro, é
amor apreciativo, embora seja desprovido de fervores e
ternuras sensíveis.
Com este amor, amaram a Deus todOs os mártires, os
quais, renunciando às honras, prazeres e riquezas que os.
tiranos lhes ofereciam se renegassem a fé de Jesus Cristo,

( 3) Cateci-smo explicado, 3.• parte.

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326 _____Amor
.:.._: _ perfeito e imperfeito

escolheram padecer os maiores torrr~entos, e derramar o


seu sangue antes do que serem infiéis ao Senhor. Ao proporem
à Santa Virgem Susana que escolhesse entre apostatar da
sua religião, para dar a sua mão. ao ímpio Imperador
Galério, ou ser sentenciada à morte, replicou, mostrando
em seu rosto uma indizível alegria: «Oh! como serei felrz
se me for conJcedida a graça de dar a mi·n ha vida pelo
meu divino Esposol>> E pouco depois, como continuasse
firme em negar~se às pretensões, e ameaças do Imperador
pagão, a sua alma voava no céu, adornada com a dupla
auréola da virgindade e do marürio, deixando na terra
um belo exemplo de um grande amor que soube s•a crificar
por Deus todas as coisas, até a dignidade imperial. e dar
por Ele a própria vidJa.
Da mesma forma, encontrando~se enca.r cerado o grande
chanceler de Inglaterra Tomás Moro, e tendo~lhe sido con~
fiscados todos os bens por negar~se a obedecer aos ímpios
decretos de Henrique VIU, sua esposa foi à prisão acom~
panhadla de seus dois fi.lhos, e arroj•ando~se a seus pés com
os olhos banhados de lágrimas, suplicou~lhe por piedade
que condescendesse com a vontade do Soberano, para não
os fazer desgraçados e desgraçar~.se a si mesmo. Esta ati~
tude e estas lágrimas não podiam deixar de corr.;over pro-
fundamente Tomás Moro, ferindo as fibras mais delicadas
do seu coração de marido e de :pai. No en~anto o amor
apreciativo de Deus, tinha cavado nele tão fundas raízes,
que torna.ndo,-se superior aos sentimentos da carne e do
sangue, dirigiu~se a sua esposa dizendo: «Por quanto tempo
gozaremos as riquezas da nossa casa, a felicidade do nosso
lar e a graça e amizade do Rei?» «Por vinte ou trinta
-anos, talvez», respondeu ela. «E por vinte ou trinta anos
de vida, replicou Tomás, hei~de perder para sempre a graça
e a:mizade de Deus? Hei-de ofendê~lo com uma vil apostasia,
e hei~de rerrurtciar à eterna bem~aventurança que a fide~
lvd.axle ao seu amor me há,.de proporcionar no cêu? E firme

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Amor perfeito e imperfeito
- - - -- -327
-
e inquebrantável, na sua resolução, com a serenidade dos
mártires, ofereceu mais tarde a sua cabeça ao golpe do
verdugo. O seu amor de preferência para com Deus pre-
valeceu e triunfou do seu amor sensível para com sua esposa
e seus fi.Jhos.
Amamos nós ·a Deus com um amor semelhante, estando
prontos a perder tudo e a sofrer tudo por Ele? É certo que
Nosso Senhor não nos exige no momento actual o sacrifício
da nossa vida, porém pede-nos que sacrifiquemos tudo
quanto seja incompatível com o amor de preferência que
lhe é devido. Examina-te, pois, alma d'evota, e olha se
haverá alguma coisa criada, alguma pessoa, algum objecto,
algurr.a ambição, algum deleite, algum interesse humano,
algum afecto desordenado, alguma paixão que te domine
e que ocupe em teu coração o lugar que pertence só a
Deus; e se assim for, afasta de ti esse ídolo, sacrifica esse
objecto, despreza esse interesse, renuncia a esse delei.t e
ilícito, afoga esse afecto, vence essa paixão, e seja o amor
de Jesus que Unicamente impere na tua alma. Se eu soubesse,
dizia S. Francisco de Sales, que uma só fibr:a do meu coração
não era de Deus, arrancá-la-1''-a imediatamente; e se conhe-
cesse em mim alguma corsa que não estivesse 'dlnida ao
amor de Jesus Cristo, depressa a afastaria de mim (4). A tal
grau chegava nos Santos a perfeição e pureza do amor
divino.
O amor apreciativo ou de preferência admite diversos
graus: o primeiro consiste em querer d'esprezar todos os
bens e aceitar todos os males, até a própria mor.te, do
que ofender a Deus com uma culpa grave; este grau
de amor é necessário e obrigatório, e sem ele não se
cumpre o preceito de amar a Deus sobre .todas as coisas,
nem ninguém se pode salvar. O segundo consiste em pre-
ferir padecer qualquer mal, ou per-der qualquer classe de

(') Espírito de S. Franci-sco de Sales, parte 10, .capítulo IX-

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328 Amor perfeito e imperfeito

bens do que cometer deliberadamente algum pecado venial.


Como se vê, este grau de amor já é mais perfeito que o
anterior. O terceiro é o rr.ais excelente de todos, consiste
em amar a Deus com uma estima e preferência tal. que
estejamos dispostos, ainda que à custa de qualquer tra-
balho e sacrifício, a cumprir a vontade de Deus, não
sõmente evitando todo o pecado mortal ou venial e cum-
prindo o que é de preceito, mas também o que seja mera-
mente de conselho, e tudo aquilo que, dentro do nosso
próprio estado entendamos ser do maior agrado de Nosso
Senhor. Este é o amor que devemos desejar, e ao que
devemos aspirar com tod'a a ânsia do nosso coração.

RESOLUÇÃO : Amarei a Deus com amor perfeito.


por ser Ele quem é, e ·com amor sumamente apreciativo,
preferindo perder tudo antes do C[l'.le 10ferrdê-lo ou afastar-me
do cumprimento da sua vontade.

JACULATóRIA : Dai-me, Deus meu, o verdadeiro e


perfeito amor por Vós, e que eu nada ame senão em Vós
e por Vós.

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CAPÍTULO VII

Amor de complacência e de benevolência

Ou amar ou morrer.

Os actos interiores de amor de Deus, em que nos·


podemos exercitar, consistem principalmente na compla-·
cência e na benevolência. O amor de complacência, segundo
a palavra indica, exercita-se comprazendo-se nas divinas per-
feições, como um filho se compraz nas perfeições de sua
mãe, e um amigo nas boas qualidades do seu amigo.
Ao conterr.plar -a suma bondade de Deus, a sua incom-
parável beleza, a sua santidade, o seu poder, a sua sabe-
doria, a sua prudência, a sua justiça, a sua misericórdia,
a harmonia, enfim, de todos os seus atributos e a perfeição
infinita dos mesmos, a alma compraz-se à vista de tanto
bem, e alegra-se de que Deus seja quem ê , e delei·ta-se
em recordar ·as suas excelências, como faziam aqueles
Serafins que viu Isaías, os quais corr.praziam-se em repetir ·
incessantemente: Santo, Santo, Santo ... , e como fazia a
sagrada Esposa do Cântico dos Cânticos, exclamando rego-
zijada: Que belo é o meu Amado, que formoso é! Todo··
Ele é amável e desejável, e escolhido entre mi.Jhares ( 1 ).

( 1) Cant. I , 15 ; V, 10.

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.330 Amor de complacência e de benevolência

Desta forma , podemos nós também exercitar-nos em


t ais actos de amor, fazendo como que uma lista das per-
feições divinas , e irmos comprazendo-nos nelas; regozi-
jando-nos mais do bem e da felkidade de Deus do que
.do nosso próprio gozo e felicidade. Oh! que excelente maneira
de an;:ar a Deus é a santa complacência!
O amor de benevolência consiste em querer para Deus
o bem exterior, quer dizer, a glória extrínseca, que pode
vir das criaturas. Para melhor compreendermos isto, convém
distinguir em Deus, como diz S. Francisco de Sales, duas
·espécies de bens : uma interior e outra exterior. A primeira
é o próprio Deus, cuja bondade não é na realid!ade dife-
rente da sua essência, como não o são tarr;.bém os outros
atributos e perfeições suas. Sendo, pois, este bem infinito
·em si mesmo, não pode receber o mínimo aumento pelos
serviços nem pelas honras que .Jhe tributemos, como tão
pouc<;> diminuição por causa dos nossos pecados e rebeldias.
Este bem podemos desejar a Deus pela co.'11pla>::ência, como
já dissemos, regozijando-nos de que seja o que é e que nada
se possa juntar à sua grandeza e à infinidade das suas
perfeições. A segunda espécie de bem não está nEle, mas
nas suas criaturas, ainda que realmente lhe pertença. assim
como o tesouro real é do rei , embora esteja em poder dos
seus tesoureiros. Consiste este bem exterior de Deus em
·louvores, honras, obed!iências, serviços e homenagens que
lhe devem e lhe tributam as suas criaturas, visto que todas
·elas estão destinadas à sua glória, que é o fim último da
criação. Estes bens podemos nós, com a ajuda da graça,
querê-los e dá-los a Deus por meio da benevdlência•
e com eles aumentar a sua glória exterior, a qual podemos
também diminuir com os nossos pecados ( 2 ) .

( 2) E spírito d e S. F r anc-isco de Sa~es, par te 14, capít ulo II.


·e parte 1. •, cap . XXVII.

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Amoc de complacência e de benevolência 331

. Assim pois em virtude des·te amor de benevolência, a


alma sente desejo de honrar, louvar, servir e glorificar por
todos os meios possíveis o seu Criador, e faz quanto pode
para o conseguir. Mas ao ver-se impotente para. o realizar
de uma maneira digna da sua infinita bondiade e amabilidade,
não se satisfaz com os seus próprios louvores e homenagens,
mas como o fazia o Seráfico S. Francisco de Assis, convida
as criaturas a que louvem, bendigam, adorem, amem e glori-
fiquem com ela o seu Amado, entoando aquele cântico dos
Livros Sagradbs: «Bene.dicite omnia opeca Domini Domino;
lélll.ldate et supecexaltate wm in saecula.
Obras todas do Senhor, bendizei o Senhor; louvai-o e
exaltai-o por todos os séculos. Sol e lua, bendizei o Senhor;
louvai-o e exaltai-o por todos os séculos. Chuva e orvalho.
]rio e 'calor, neves e geadas, bendizei o Senhor: louvai-o e
.exaltai-o. Montes e colinas. plantas, fontes, rr~ares e rios,
bendizei o Senhor; louvai-o e exaltai-o por todos os sécu.Jos.
Aves, peixes e animais d'a terra. bendizei o Senhor; louvai-o
e exaltai-o por todos os séculos. Criaturas racionais, servos e
.sacerdotes de Deus. espíritos e almas dos justos, louvai-o e
exaltai-o por todos os séculos. Povos e nações do mundo,
.bendizei o Senhor; louvai-o, exaltai-o, engrandecei-o pelos
séculos sem fim» ( s) .
Ainda mais; a alma que se sente ferida por este amor
de benevolênda, levanta-se deste mundo visível e eleva-se
nas asas deste mesmo amor até aos céus, ali une-se aos
espíritos dos bem-aventurados, :aos coros dos Anjos e ao
Coração abrasado de Maria, para cantar o.s louvores do
Verbo encarnado; une-se também ao próprio Coração de
Jesus, para amar e honrar com Ele a Santíssima T .rindade.
não se detendo nas suas ânsias amorosas até unir-se ao amor
e aos louvores com que a Divindade se ama, se honra e
glorifica a si mesma, a.Jegrando-se em repetir: «Glória a<>

( 3) Dan . III; Salm. CXLVIII.

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332 Amor de complacência e de benevolência

Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo, con:::o era no princípio,


e é agora e será sempre e pelos séculos dos séculos.
Amen>> (4 ).
Oxalá se prenda em ti, caro leitor, o fogo do divino
amor! Então compreenderás e gozarás a felicidade inefável
que a alma experimenta exercitando-se nestes santos afectos;
então parecer-te-á desprezível e indigno de louvor tudo
o que é daqui, comparado com a bondade, a formosura e per-
feição infinita de Deus, e suspirarás pelo céu, para te unires
mais intimamente a Ele, e poderes ali melhor contemplar,
amar, bendizer, gozar e glo:rificar essa :perfeição, formosura
e bondade sem limites. Deste amor de benevolência, nasce
o zelo apostólico, que devorou aos Santos: a um S. Paulo por
exemplo; a um S. Domingos de Gusmão a um S. Vicente Fer-
rer, ao B. Diogo de Cadiz, a S. Francisco Xavier e muitos e
muitos mais, que com gosto sofreram toda a espécie de
trabalhos, privações e sacrifícios para ganhar ·almas, a fim
de que· Nosso Senhor Jesus Cristo fosse conhecido, amado,
honrado, servido e glorificado por elas.
Ah meu Deus! ouvia-se a miúdo exclamar o grande
Apóstolo de Chablai.s, S. Francisco de Sales. Quando sereis
conheddo de todos os homens! Quando vos amarão como
mereceis! S. Boaventura, afirmava que consentiria morrer
tantas vezes como pecadores há no mundo, a fim de que
todos pudessem amar a Deus e salvar-se. Santa Maria
Madalena de Pazzis dizia: «Eu invejo a sorte d'as aves,
que podem voar por onde querem. Ah! Se eu tivesse asas
como elas, e sem prejuízo da minha profissão pudesse
abandonar o mosteiro, hoje mesmo levantaria voo e che-
garia até aos confins das índias. Ali reuniria à minha volta,
os filhos daqueles pobres infiéis, e os instruiria nos prin-
cípios da nossa santa Religião, para os pôr em poder de
Jesus e dar-lhe almas que o amassem».

(') S. FmncioSco de Sales; Prátilca do Amor de DeUiS, liv. V.

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Amo; de complacêocia e de benevolência 333

Do mesmo modo Santa Madalena Sofia Barat, Fun~


dadora do Instituto de Religiosas do Sagrado Coração de
Jesus, inflamada no amor de Deus, e ansiosa por comunicar
aquelas chamas ao mundo inteiro exclama: «Se cem línguas
tivesse e por todas as criaturas pudesse ser ouvida, diria:
.Amai o vosso Deus e não vivais senão para o amar e
glorificar»; e ajuntava: «Ah! Se estivesse na minha mão,
n ão vacilaria em ir até às extremidades da terra para formar
.corações plenamente entregues a J~sus e ansiosos por con~
.sumir~se pelo seu amor e glória».
Se os Santos ardiam em zelo, é porque o zelo é como
a chama do •a mor divino. Se tu tens grande amor para
.com Deus, este amor produzirá a chama, e, ainda que não
:sejas nem sacerdote nem missionário, ela fará de ti, de uma ou
de outra forma, uma alma activa. apostólica, zelosa da
glória de Deus e da salvação das almas, e à irrJtação dos
Santos, rezarás e trabalharás quanto possas, segundo te
p ermitam as circunstâncias, para que os pecador,es se
convertam a Deus, o conheçam e o amem, e os justos se
afervorem· mais e mais, e todos cresçam ca.dla dia no arr.or
e serviço de Nosso Senhor Jesus Cristo. É assim que fazes?

RESOLUÇAO : Fa<ei f•equentes &:tos de amor de


-complacência e de benevolênda; e t<abalha<ei com zelo,
.enquanto me seja possível. para que Dws seja; conhet:ido,
:q7lal::1o e glo;ificado.

JAOULAT6RIA: Que formoso sois Amado meu!


Quão amá'vel sois, ó meu Deus! Quando vos aJI'I'Ult"ei, e vos
ama;ão todos os homens como mereceis!

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CAPÍTULO VIII

Amor doloroso e de reparação.


Amor de gratidão e de oferecimento

Ou amar ou morre1·.

É efeito imediato do amor, para não dizer o próprio


amor, a dor: que a a.Jrr~a sente pelos pecados cometidos contra
a divina bondade. A medida que é maior o amor de Deus,
é também maior e mais perfeita a contrição; e esse amor
doloroso e contrito foi sem dúvida o que trespassou o
coração do Real Profeta David depois do seu pecado, e o
que produziu as lágrimas com que Maria Madalena regou
os pés do Salvador, e as que verteu S. Ped!ro na noite
da Paixão, e as que derramou Santo Agostinho durante
toda a sua vida, e as que derramaram, enfim, todos os
Santos penitentes.
Se pecaste. pela intensidade da tua dor poderás conhecer
a intensidade db teu amor a Deus. Se não tens uma grande
dor das tuas culpas, é sinal de que não amas· a Deus com
um grande arr.:or. Convém, no entanto. não esqueças, que
esta dor, como se disse do amor, não é necessário que·
seja uma dor sensível e terna .(aind'a que isto fosse muito
bom, e desejável); basta que haja na vontade, o aborreci-
mento sincero do pecado cometido, por ser ofensa a um

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_:._______
Amor doloroso e de reparação 335·

Deus infinitamente bom, com o propósito firme de não


o vo.Jtar a cometer. Existe em ti esse aborrecimento ver~·
dadeiro, íntimo, profundo de todas as tuas culpas?
Mesmo que estas já te tenham sido perdoadas, convém
que procures na tua alma, durante toda a tua vida, certo·
sentimento habitual de contrição, e que com alguma fre~·
quência te exercites em aJCtos de dor dos teus pecados,
clamando como o Real Profeta: «Lava-me mais e mais,.
Senhor, das minhas iniquidades, e purifica-me da minha
maldade» ( 1) •
O que ama deveras a. Deus não só sente pena pelos
seus próprios pecados, corr.o se af.Jige também com os
pecados alheios, pois sabe que estes são igualmente ofensa
à divina Bondade; e assim se lê de Santa Maria Madalena:
de Pazzis e de Santa Tere.sa de Jesus, que choravam com
copiosas lágrimas os pecados dos cristãos e a cegueira dos·
herejes e infiéis, e impunharm-se rigorosas penitências para·
aplacar •a divina Majestade ofendida, multiplicando ao·
mesmo tempo as suas orações pela conversão daqueles des~­
graçados. Na vida de S. Caetano refere-se que amando-se·
em Nápoles o Santo, durante a grande revolução ocorrida:
no ano de 1647, ao considerar as muitas ofensas que então
se cometiam contra Deus, e o grande número de almas
que por isso se precipitavam no Inferno, experimentou tat
tristeza e abatimento, que morreu de dor. Deste amor dolo-
roso peJas ofensas feitas a Deus, já com os nossos pecados,.
já com os alheios, nasce o amor de reparaçá':>, quer dizer,.
o desejo de reparar e desagravar o Senhor de tais ofensas.
querendo, sendo possível, amá-lo, e honrá-lo tanto quanto·
é desamado, despr:ezade> e ofendido pelas criaturas da mesma
maneira que um bom filho, ao ver que seu pai é injuriado,
sente crescer em si os afectos de amor filial, e deseja
suprir com o seu carinho e delicadezas o desamor e-

(') Salm. L, 4.

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.336 Amor dolOt"oso e de reparação

InJUrias de que é vítima o autor de seus dias. Quão êgra-


.dável é a Deus este amor e este espírito de reparação,
e quanto deseja que o desagravemos de tantas ofensas
que recebe dos homens, especialmente no Santissimo Sacra-
mento do Altar, claramente e em diversas ocasiões o deu
a entender Nosso · Senhor Jesus Cristo a vários Santos, e
-em especial, a Santa Margarida Maria de Alacoque nas
diversas aparições do seu Sacratíssimo Coração. Ouçamos as
:próprias palavras da serva de Deus: «Uma das vezes, diz,
estando exposto o Santíssimo Sacramento, depois de me
·sentir completamente retirada no meu interior, por um
.:recolhimento extraordinário de todos os meus sen-
·tidos e potências, apresentou-se-me Jesus Cristo, meu
divino M·e stre, todo radiante de glória.. . Abriu o seu
peito, que parecia uma fornalha acesa, e mostrou-me o
·seu amantíssimo Coração... e foi então que me descobriu as
'm aravilhas inexplicáveis do seu puro amor e o excesso a
-que o havia conduzido o amor pelos homens, dos quais só
tinha recebido ingratidões, e desprezo. «Isto, disse-me, é-me
muito mais doloroso do que quanto sofri na minha paixão;
tanto, que se me dessem algum amor em troca, tinha em
'!'Ouco tudo o que por eles fiz, e quereria ainda fazer mais,
se fosse possível; porém não têm, para corresponder aos
meus desvelos em procurar o seu bem, senão frieza e repulsa.
Mas tu, ao menos, dá-me o prazer de suprir e reparar
a sua inqratidão. quanto sejas capaz de o fazer». Depois,
disse: «Primeiramente receber-me-ás sacramentado serr..pre
'qUe to permita a obediência, sejam quais forem as morti•
ficações que te advenham, as quais deves aceitar como
provas do meu amor. Também comungarás na primeira
sexta-feira de cada mês, e em todas as noites de quinta
para sexta-feira te farei participante da tristeza mortal,
{jUe tive por bem sentir no horto das Oliveiras» ( 2 )·

( 2) Aw~biogratia da Santa.

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A Esperança. - Os .nus Fundamentos 337

Más além disso, Deus é fidelíssimo em cumpnr o que


promete, e são tantas as coisas que nos prometeu que não
há motivo para desesperar nem desconfiar jamais. - Quando
se despede dos Apóstolos, estes põem-se tristes... acabava-
-se-lhes o motivo da sua esperança. .. temiam o futuro ...
Que seria deles depois? Jesus consola-<>s e anima-os com
as suas promessas ... Pedi, lhes diz, e recebereis ... ·Tfudo o
que pedir:des a meu Pai' em meu ·riom:e, ser:.-vos-á concedidd...
S. Patilo fundando"se nestas palavras acrescenta: Mante-
nhamNnos firmes na nossa esperança,_ porqtJe é fiel quem
nos fez a promessa ... ; e noutra parte: Vendo .as promessas
de · Deus e os seus juramentos, consolemo-nos ao empregar
o ·nosso esforço em alcançar os bens d~ -esperança~. que é
como .uma âncofa firme e segura para aS I"/O.ssas almas ...
Na verdade, quando se consideram as promessàs que Deus
fez - no Antigo Testamento aos Patriarcas ... , ao seu povo
escolhido ... e a exactidão com que se sujeitou a elas consola
vendo a certeza do que nos prometeu: a graça ... , ·o Céu ... ,
a ?asse e o gozo da visão beatífica ... , pois convence-se a
alma de que tudo isto não são meras palavras. senão uma
doce e grandiosa realidade.
Eis porque S. Paulo, ainda em nossas dores e sofri-
mentos, nos lembra esta esperança .. . e nos diz: Não sofrais
como aqueles que não têm: esperBnJ;a... E S. João, quando
fal a disto mesmo, de tal modo nos anima, que teme que
cheguemos a abusar da bondade, generosidade e fidelidade
de Deus, e adverte-nos: nãÓ vos digo ttulo isto, meus filhi<-
nhos, para que pequeis com' mais liberdade, senão para que
~unca desespeneis e saibais que a todo o momento podeis
contar: com Jesus Cristo. que será o nosso melhor ad'vogado
para com o Pai...
3. o Maria, resumo . de toda a esperança. - Ainda quis
tornar mais sensível o fundamento da nossa esperança .. .
e para isso colocou toda a esperança em Sua e nossa Mãe .. .
22

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338 A Esperança. -Os seus Fundamentos

Temos motivo de sobra para confiar e nunca desesperar .. .


ao ver que Deus e nós temos uma única e mesma Mãe I .. .
Se a nossa esperança em Deus se há..de fundar na suà
miserciõrdia, na sua bondade e fidelida.d e ... , não vemos cla-
ramente que em Maria depositou todos estes títulos, para
mais nos animar a recorrer a Ele por meio d'Eia? .. . g grande
a nossa fraquez a ?. .. imensa a nossa miséria? . . . Mas não
ama com mais predilecção o filho doente e desgraçado? ...
Não é assim que Maria se tem manifestado em todas
as ocasiões?... Não foi do coração do povo cristão que
espontâneamente brotou esta saudação de vida, doÇ<Ura,
esperança nossa? Quando se olha para Maria cessam as
dúvidas ... , e os desesperos não têm razão de ser, e o desa-
lento não tem lugar. - g verdade que não devemos abusar
desta confiança maternal que Ela nos inspira... «Fica-te na
Vir~em e não corras» ... , assim costumamos dizer e com
acerto.
-6.onfia n'Eia, porém não julgues que com isso já está
tudo feito: .. com Ela ... e apoiado n'Eia ... trabalha ... , esfor-
ça-te por cooperar com a graça de Deus que te distribui
Maria, e assim, tranquilamente ... , sem pressas... , sem correr,
conseguirás lançar primeiro as bases, e depois edificar
sõ!Jdamente a tua sa!l!tidade.- Fixa-te pois bem nisto:
nos sofrimentos, humilhações, tentações, lutas e vicissitudes,
da vida... um olhar para Maria animar-te-á ... , dar-te-á a
consolação de que necessitares... a1entar--te-á a trabalhar
e a praticar as virtudes, custem o que custarem.

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8. A Esperança. - O seu objecto

1. A gcaça. - O objecto da esperança, é a graça


em todas as suas acepções e em todos os seus graus: -
A graça actual..., a habitual. .. , a final. - :B de fé que nada
podemos. fazer sem a graça... Se Deus nos quisesse perder
não teria mais a fazer do que retirar a sua ~raça ... deixar~nos
com as nossas fracas forças e cairíamos irremediàvelmente.
- .Deus, porém, promete~nos a sua graça ... e dá-no-Ia gene~
rosamente e em abundância ... , muitas vezes até sem a pedir~
mos .. . , e outras sem darmos conta... Quantas graças
recebemos assim, sem nós darmos conta !
Mas o or:linário · é conceder-nos o Senhor as suas
graças pela oração ; a nossa esperança apoia~se nas graças
e - nos auxílios necessários que Deus não nos nega se lhos
pedirmos ... , e que em diversas ocasiões nos enviará, mesmo
sem isso, só por sua bondade e misericórdia. - E é tão
certa esta nossa esperança, que temos obrigação de crer que
Deus quer . sinceramente a salvação de todos os homens ...
e por lsso mesmo, que· a niiJ9'uém nega os auxílios indis~
pensáveis para a conseguir. E entre estas graças, a mais
importante é a graça final.. . ou a graça da perseverança ... •
pois que sabemos que «só o que perseverar até ao fim se
salvará». .. e, por outra pallf:e, é também certo que por isso
.mesmo o demónio redobra os seus esforços para travar a
última batalha naquela hora definitiva... Quantas almas

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340 A Esperança- O seu objecto

nesse momento não sentiram a tentação da desconfiança ....


do desespero. - O demónio, que tantas vezes tirou impor-
tância aos pecado·s quando se cometiam.... agora procura
exagerá-los, no sentido de convencer-nos de que não há
solução ... , que o perdão é impossível... e que não resta
mais do que desesperar e condenar-se. -Aqui está, pois.
um dos objectos mais importantes da esperança cristã.-
O Deus que nos criou ... , que nos rem'iu... e nos assistiu
com tanta bondade durante a nossa vida ... , não nos ·:leixar'â
agora ... , nem nos lançará nos braços de Satanás para que
faça o que quiser de nós. - Sem abusar desta confiança ....
temos de esperar em Deus, que não nos negará então a sua
graça d~rradeira, com a qual sairemos triunfantes de tudo.
2.• O Céu.- E o obj'ecto principal da nossa esperança.
- O Céu! a Pátria I a posse de Deus 1- Disse o Senhor a
Abraão: Bu serei o teu protector e a tua recompensa imene
samente grande... :8. verdadeiramente grande esta recom-
pensa. - Não sabemos o que será possui-la ... , basta, porém.
a sua promessa para que com ela saibamos já dulcificar
todas as amarguras desta vida. -Vê como estas são nume-
rosas e realmente amargas... Toda a vida do homem é um
tecido continuo de sofrimentos... assim o disse Job: Breve
é a vida db homem, mas cheia de muitíssimas misérias. -
Vendo ao homem com olhos terrenos é o ser mais infeliz da
criação. - E verdade que não foi assim criado por Deus ... :
mas depois · do pecado, de facto, não é mais do que um
montão de asquerosa podridão. ---< Com o pecado veio a
morte... e com esta todo o seu triste e fúnebre cortejo de
dores ... , penas ... , amarguras .. ., contratempos. --1 Mesmo
ajudados pela graça. não podemos fazer naia de bom sem
um grande esforço para vencer a nossa inclinação perversa.
que nos arrasta ao mal. ..
Se· considerarmos, porém . .tudo isso como coisa que ràpi-
damente acabará e no fim de tudo havemos de ver a Deus,.
coni cuja posse havemos de gozar por toda a eternidade ....

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A Esperança- O seu obiecto .341

que mudança tão grande na nossa vida!... Agora, uns


momentos de sofrimento ... , depois, ver sempre a Deus tal
qual Ele é, sem nuvens... face a face ... , abismar-nos no
oceano · da sua formosura infinita... unir-nos a Ele com.
laços íntimos e indissolúveis ... , amá-1'0 com amor ardente
e abrasado... e com esse amor gozar de Deus muna dita
inenarrável. .. , como não sentir a alma inundar-se de gozo
perante esta esperança?
Tinha razão S. Paulo quando dizia: Não são· compal"á-
veis todos os sofrimentos desta vida com o mais pequenino
gozo que nos espera no Céu ... , porque ninguém pode ima-
ginar o que aquilo é, pois nem os olhos vicam ... , nem os
ouvidos ouviram.. . nem no cor:ação do homem cabe uma
parcela sequer do que Detus lá iws tem reseroado. - No
entanto, poT muito deliciosa que seja aquela torrente de
delicias em que se saciam os bem-aventuados . .. , o que
mais satisfaz o nosso coração é a esperança de possuir
o próprio Deus---< Dizia Santo Agostinho: Ní!i,o mie dês as
tuas coisas, dá-me a ti mesmo ... , - o meu coração não se
contenta com menos. - Repete do mesmo modo as palavras
de David, quando suspirava e dizia: Como o cervo deseja
as [antes das águas . .. , assim a minha alma te desaja a Ti
e está sedenta 'de Tt meu Deus; quando chegacei a isso ... ,
a gozar-te desse modo 7 ..• Esta era a esperança que alentava
a todos os santos .. . , que animou a todos os mártires ... , que
serviu não só para suavizar, senão para converter em gozo
imenso, o que não era .mais dn que dor e sofrimento.
3." A SantíssiTTU! Virgem. - Também. Ela é objecto
da nossa esperança e não só porque d'Eia também havemos
de gozar no Céu . .. , contemplando a sua encantadora beleza ... ,
a formosura da sua virtude . .. , a alvura da sua pureza... -
mas também, porque d'Eia nos há-de vir a graça de que
necess~tamos ... , a Ela devemos pedir diàriamente ... , fre -
quentemente, a graça da perseverança final... Quão fácil
não é distrairmo-nos neste caminho da vida ... , cansarmo-

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342 A Espersnça ~O seu objecto

.-nos de lutar- e combater... , deixar.mos cobardemente de


seguir a. Jesus Cristo e enredarmo-nos nas malhas dos nossos
inimigos! ...
Porém, e soubermos recorrer à Santíssima Virgem,
então, nos momentos de maiores trevas ... , de vacilação e
cansaço, Ela nos animará e nos alcançará a graça da per-
severança... Quantos · perseveraram por Ela, e sem Ela
quantos caíram! . . . Grande número desses desgraçados, se
A tivessem invocado a tempo, não teriam desesperado!. ..
Se Judas tivesse, depois do seu pecado, recorrido à Santís-
sima Virgem e a seus pés chorado a sua queda ... teria posto
fim ao seu desespero e acabaria como acabou?. .. Vê também
como Maria viveu sempre com os olhos no Céu, sobretudo
depois da ascensão do seu Filho ... ; não vivia senão de
Jesus e para Jesus.
· Pede-lhe que te dê um pouco dessa vida ... , que sintas
·alguma coisa dela, para que as.sim estimes como lodo tudo
o q"ue é da terra, e não vivas senão suspirando pela ver-
"dadeira vida ... , que compreendas bem aquelas palavras de
Santa Teresa: Tão alta vida esper-o .. . que morro porque
não· morro .. .

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9. A Caridade

1. 0 A Vida 'ele Deus.- A caridade é o amor ... e o


amor é, essencialmente, a Vida de Deus.- Deus é amor,
diz S. João - Palavras breves mas quão substancio-sas! .. .
E nelas está encerrado tudo o que Deus é , com a sua
majestade infinita ... , com o seu poder e a sua sabedoria
infinita... Deus é amor! ! ! -Está tudo dito.
Pois bem, M•a ria é isso. -Ela participa igualmente,
quanto é dado a uma criatura, da Vida de Deus ... , mas
dum modo .mais excelente ... , mais perfeito e real do que
nenhum ou tro ser. - Os Anjos, por serem puros espíritos,
não têm outra vida senão conhecer e amar . .. .mas, como não
dependem da matéria, os seus actos são espirituais e per-
feitíss!mos... Sob o ponto de vista da sua natureza, estes
actos dos Anjos deviam ser mais perfeitos que os de Maria ... ,
como mais perfeita é a natureza deles. - Ela,· porém, o que
não teve por natureza, teve-o pela graça... e Deus quis
que ninguém a 'ultrapassasse no seu amor ... , que ninguêm
'irudesse comparar-se com Ela, quanto ao participar da
própria Vida de Deus.. . Só Ela havia de amar a Deus,
mais do que todas as criaturas juntas... mais do que os
Anjos ... , Arcanjos ... , Querubins... e Serafins ... , Só d'Ela
se pode dizer que tambim era amor ...
Aqui está como dev·e ser a tua Vida... Também te foi
dada uma alma inteligente para conhecer a sua bondade ... ,

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344 A Caâdada

e um coração para amar essa bondade ... ; visto que o cora-


ção não pode deixar de amar tudo aquilo· que o entendi-
mento lhe apresenta como bom.
A •tua vida há-de ser também assil!.l ... ; Deus quer qu
participes da sua vida ... e digna-se pôr-se diante de ti , como
objecto do teu amor ... Portanto, tu deves ser também amor ...
Só quando amares a Deus em Si mesmo e ao próximo em
Deus e por Deus . .. , só en,tão poderás diz.er que vives a tua
vida própria . . . ; isto é · que é viver como. homern .. . , isto é
que é viver dum modo racional.
2."' O preceito (lo anwr.- Justamente por ser tão
necessário, este elemento do amor à vida do homem, Deus
o impôs como um preceito ... e pô-lo à frente dos· seus man-
damentos ... e até resumiu n'E le todos os outros mandamen-
tos ... , poi.s, conforme diss•e Jesus Cristo, «N'ele, no amor.
está encerrada toda a lei e os profetas». - Santo Agostinho
dizia, e com muita razão: «Ama e faz o que quiseres».
Mas é estranho que sendo o amor tão neoessário à
nossa vida . .. e alé,m disso tão doce e agradável... e tão
óbvio e natural o amor de Deus, visto que é bondade suma
e formosura infinita... tenha o Senhor necessidade de o
impor como mandamento ...
Que vergonha para nós ! . . . Porque não pôs um man-
damento aos olhos para que vissem ... , aos ouvidos para
que ouvissem... ou aos pulmões para que respirassem? ...
P,orque sabia que todos estes órgãos cumpririam, natural-
mente, com o fim para que foram criados ... , porém, duvidou
do nosso coração, e ainda que tenha sido criado para amar
o que é bom ... , o que é nobre ... , formoso, temeu Deus que
não cumprisse bem com o seu destino... Quanta razão não
teve Deus para temer isto! . . . Pois não deixamos nós, milha-
res de vezes, o bem único e verdadeiro ... , a fonte puríssima
de toda a bondade e formosura ... , para amar bens terrenos ....
bens aparentes, falsos ... - bens fugitivos e passageiros, que
não podiam encher o nosso coração, ne,m satisfazer a sua

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A. Caridade 345

fome e a sua sede de amor? Que humilhação para nós


ter-se Deus visto obrigado a impor-nos como preceito o seu
amor! ...
Houve, porém, uma cria1ura para a qual o amor não foi
u.m preceito ... ; não amou à força ... , senão que n'Eia o
amor foi ·o dulcissimo e naturalíssimo acto de toda a sua
vida . .. , viveu uma vida constante de amor... e morreu
vítima dess-e mesmo amor, que a consumiu totalmente ...
Foi a tua Mãe! . . . Que vida a de Maria! ! Para Ela era
impossível viver um instante que fosse, sem amar a Deus! . ..
Jamais foi capaz de apartar, nem u.m. só momento, o seu
coração do seu Deus.
3. • Como se há-de amar. ~ Maria amou a Deus como
Deus nos tinha ordenado ... , com todo o seu coração ... , com
toda a sua alma ... , com •todas as suas forças ... Eis a medida
que Deus marcou ao nosso amor.
a) · A Santíssima V irge;rrt amou a Deus com tddo o
seu coraç.:io ... , todo!. .. - Com isto está tudo dito acerca
da intensidade do seu amor ... ;•não deu ao Senho-r u.m coração
dividido ... , não reservou nem uma só fibra ... nem uma
pequenina parte para Si mesma ... , nem para a dar a criatura
alguma . .. todo .. . , todo inteiro! . .. , sem. limites nem reser-
vas ... , sem regatear nem hesitar ... todo e S.f!:mpre .. . aquele
puríssimo coração pertenceu completo e absolutamente só
a Deus. - Deus não quer corações divididos. - Dividir
é matar o amor total do coração humano .. . , e, no entanto,
parece que o homem se empenha em regatear esse amor.. .
Divide o seu coração entre Deus e as criaturas ... e muitas .. .
muitíssimas vezes, prefere estas; o melhor é para elas ... e
depc.is o que sobra ... os r estos, para Deus. .. E ainda jul-
g amos que fazemos muito, quando O amamos assim! . . . Que
repugnância não sentirá Deus perante um tal amor! ...
b) Maria amou a Deus com toda a sua alma. - Com
todas as potências, com toda a vida da alma . .. O seu enten-
dimento não se ocupou de outra coisa que não fosse Deus

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346 A Car:idade

ou que não levasse a Deus... A sua memória recordava


continuamente ou fazia-lhe ver os benefícios e graças que
do Senhor tinha recebido... A sua vontade só aspirava a
cumprir, em tudo, a vontade de Deus e a submeter-se a ela,
humilde e alegremente... Nisso punha todas as suas com-
placências. - De facto, pôr as suas delícias e as suas com-
placências unicamente na execução da vontade de Deus,
isso era amá-10 com toda a sua alma. - Por isso, Maria
pôde um dia pronunciar com os seus virginais lábios o que
sentia no seu coração... e não encon•trou outra expressão
melhor do que esta: «A minha alma louva e engrandece ao
Senhor» ... porque na verdade Ela amava a Deus com toda
a sua almà.
c) Maria amou ao Senhor com todas as suas forças.
-'-·É a consequência natural do coração e da alma que ama
a Deus totalmente. - Mas isto quer dizer que era tal a
intensidade deste amor, que nada havia que a fiZJesse retro-
ceder... eS'tava disposta a tudo ... , ao maior sacrifício•, se
fosse necessário, por este amor. - Efecotivamenbe, Deus
exige-lhe sacrJfícios como a ninguém ... e, por amor de Deus,
teve desta maneira que sofrer como ninguém, já que a dor
e o sofrimento estão em razão directa do amor: .. E no
entanto: .. nada disto lhe 'importou ... Foi sempre assim a
vida de Maria ... , nunca se queixou dos seus sofrimentos ... ,
nunca · lhe pareceu demasiado grande qualquei sacrifício .. .
nunca deixou de fazer com prontidão e generosidade nada
do que a vontade de Deus lhe pedia. - Examina, perante
o exemplo da tua Mãe, o teu amor para com Deus ... É assim
que o amas? . . . Podes dizer que cumpres com exactidão o
primeiro e mais importante mandamento?- Pergunta a ti
mesmo de vagar e responde com sinceridade se tu também
podes dizer que amas a Deus com todo o teu coração, com
to.da a tua alma .. . , com todas as tuas forças... e que estás
disposto a deixar tudo antes do que perdê-lO e deixá-lO
a Ele.

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10. A Caridade. -Caracteres do amor

1.• Amor perfeito.- É de grande con~mencia que


nos detenhamos a anal.i sar o amor da Santíssima Virgem a
Deus, para ver nele, claramente expressos, os caracteres ou
qualidades que há-de ter o verdadeiro e perfeito amor. -
Em todos os sentidos que se tome esta expressão, era perfei-
tíssimo o amor de Maria ... isto quer dizer em especial que o ·
seu amor não tinha mistura de egoísmo de nenhuma espécie.
- É quase incompreensível o que isto significa e supõe. -
Todo o amor humano, ainda o mais puro. .. , até mesmo o
amor de Mãe, é difícil que não leve algum egoísmo. - Amar
só por amor. . . , não procurar nem desejar no amor alguma
coisa para si mesmo . .. , como é difícil encontrar na terra
este amor tão puro!
- O puro amor de · Deus é, portanto, um. amor que ama
por ser Deus quem é .. . , digno de ser amado com todo o
amor das criaturas, pois Ele é o sumo bem . .. , é um amor
desinteressado .. . , não ama a Deus pelos bens e dons que
d'Ele espera receber ... , nem sequer por assegurar a própria
salvação eterna. - E certo que este amor não é mau, e
portanto que podemos e devemos amar a Deus igualmente
por estes motivos ... ; não é, porém, menos certo que este
amor é mais imperfeito que o primeiro ... , mais egoísta ... ,
mais interessado ... , menos desprendido.
Maria amou a Deus com um puro e perfeitíssimo -ame-r .. . ;

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348 A C~oâdade. - Caracteres do amor

não O amou pelo que d'Ele tinha recebido ... , nem pelo que
esperava.- Antes do Anjo lhe oferecer a coroa da sua
M aternidade D ivina , já Ela O amava com todo o seu cora-
ção ... e se D eus não tivesse fixado n'Eia o seu olhar, nem
se tivesse lembrado d'Eia para nada ... , sem dúvida não
teria sido Mãe de Deus ... ; mas seria sempre a escrav azinha
que amava ao seu Deus e ao seu Senhor com toda a sua
vontade e com todas as suas forças. E foi precisamen·~e
este amor que tanto encantou a Deus! .. .
2." Amor apreciativamente sumo. - E de absoluta
necessiàade que amemos a Deus <;leste modo... E o que
precisamente diz o catecismo: «que estejamos dispos•tos a
perder tudo antes do que ofender ou abandonar a Deu.s» .. .
E o amor de preferência que coloca a Deus em primeiro
lugar, e o prefere sempre a todos os a.mores... não é um
amor de sentimento, mas de predilecção.- Distingue bem
entre o sentir e o ter amor ... As vezes Deus não nos dá o
.sentir, o gosto do amor; porém, nem por isso se ama menos
do qu.e quando a alma nada nas dulcíssimas delícias do amor.
Não é, pois, necessário experimentar a sensação do amor.
- Pode um .ter .muito amor e no entanto não o sentir... ;
pode h aver um outro que tenha mais amor a uma coisa e
sentir mais afecto a outra ... , porém, a prova do maior e
verdadeiro amor estará em que, che9ada a ocasião de
eleger urna ou outra, se está disposto a sacrificar a que
menos se ama... E evidente que amará mais a coisa que
~scolhe do que a que abandona. - ·Urna Mãe pode sentir
mais amor a sua filha que a Deus ... ; terá mais fàcil.mente
um carinho mais afável a seu filho . . . , porém, não se poderá
dizer que o ama mais que a Deus, se está disposta a sacri-
fi car esse filho, antes do que ofender a Deus.
Eis o que foi o amor da Santíssima Virgem ... Foi um
amor pleno no sentimento e no afecto ... , porém, sobretudo,
foi-o no apreço e na predilecção.. .
Faça-se em mfln segundo a tua palavra. Não vês nesta

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A Caridade.- Caracteres do amor. .349

expressão .a vontade firme, disposta a tudo sacrificar f!


vontade de Deus? :B o total desprendimento do própri~
coração .. . , desapegado de tudo ... , sem compromissos com
na® nem com ninguém ... , o coração que não encontra
atractivp senão em Deus... Ah! E não são meras palavras
e expressões bonHas. - Contempla a Maria junto à Cruz,
e diz-me se o seu amor para com Deus não é apreciativa-
mente sumo: para fazer o que o amor de Deus lhe pedia,
sacrifica tudo, ainda o que po§suia de mais santo e de
mais querido: o seu próprio Filho!
3.• Amor triste e doloroso. - Não é possível haver
um amor grande e intenso que não seja ao mesmo tempo
triste, porque necessàriamente se há-de entristec-er ao ver
desprezado ... , desconhecido ... , injuriado Aquele que se ama.
,.- O Amor de Maria t eve de ser intensamente triste, ao
contemplar a 'C!ureza do coração daquele povo escolhido,
que tão mal corresponclia aos benefícios de Deus.
Medita na sua dor e na sua -t risteza, quando contemplava
a frieza e a tibieza dos judeus no templo, profanando-o
com os 5eus .· negócios ... ; o abuso dos· próprios príncipes
e sacerdotes .. . , dos fariseus ... , dos ·e scribas e rabinos, que
davam ·tanta importância às exterioridades da lei, enquanto
o seu coração es.tava tão longe de Deus ... - Qual não
seria a dor da Santíssima Virgem quando soube da inveja .. . ,
da hipocrisia l'efinada ... , da raiva e do ódio que se escondia
naqueles sepulcros branqueados .. . , e que terminou na per-
seguição rancorosa de que fizeram objecto a seu Filho! .. .
E quando soube que O tinham arrastado à Sinagoga ... ,
que o quiseram apedrejar ... , que intentaram despenhá-10 ...
quantas vezes diria as palavras de Jesus à Samaritana:
«Se conhecêssei-s o dom de Deus ... e quem é este que vos
fala ... que vos prega e faz estes milagres e prodígios! »
Não o conheciam ... , porém, deviam conhecê-lO, e tudo
isto aumentava, mais e mais, a dor e a tristeza do Coração
d e Maria, ao ver o seu Filho desconhecido ... , incompreen-

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350 A Caridade. - Caracteres do amor

di do . . . , põrem, cuipadamente, pois eram cegos . que tinham


olhos, e não queriam ver ... surdos· que tinham ouvidos, e
não queriam ouvir .. .
E da parte dos próprios Apóstolos, quanto não devia
sofrer Maria, ao ver a rudeza daqueles homens que não
acabam de compreender a divindade do seu Filho e a espi-
ri'tualidade do seu reino? ! . . . Ah ! e como • sofreria com
Judas ... , com Pedro... , com os outros que fugiram na
Paixão ou foram tão incrédulos na Ressurreição! ...
Não esqueças, pois, estas notas características do amor,
e por elas mede a intensidade do teu amor a Deus.
Considera os teus próprios pecados, e se os detestas
com verdadeira contrição e sentes grande dor de os ter
cometido, sinal é que amas deveras a Deus ... , pois a con-
trição não é mais que isso, o amor .t riste e doloroso com
que ama a alma enver:\jonhada e arrependida... e mais
ainda, o que deveras ama a Deus há-de sentir dor não só
pelos seus próprios pecados senão pelos do seu próximo,
afligir-se-á por eles, como se fossem seus.
Não podes, portanto: ver com ·indiferença que Det!S
seja desconhecido, e que se trabalhe tão pouco por estudá-lO
e compreendê-lO ... ; que seja ofendido de tan•tos modos ...
e por toda a espêcie de homens. - O maior tormento dos
Santos era ver que Deus não era amado como devia sê-lo
pelos hcimens, e esforçavam-se com o seu carinho e amor,
por· suprir .tantas injúrias, tantos pecados e tanta desonra •..
E. o que tu mesmo deves fa~r em companhia da toa que-
rida Mãe, a Santíssima Virgem, até chegar a conseguir que
Deus se dê por contente com o teu amor, e com o
esquecimento das ofensas dos ingratos ... Como .serás feli:r:
se chegares a fazer alguma coisa de semel!hante com um
Deus que tanto ama os homens !

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11. A Caridade. - Outros caracteres do amor

1. 0 Amor de complacência.- Outros caracteres dQ


amor que devemos a Deus, e que lhe teve a Santíssima Vir-:
gem, -são: A comP.lacênf:ia; e a benevolência, que vêm a sei:
como que os actos in'teriores do amor de Deus, em que q
nossa alma pode e deve exercitar-se quando ama. - O ap:lOl!
de complacência é o amor que Deus se rem a Si mesmo .. :,
ao contemplar a sua própria assência e ver nela a sua infi;
nita santidade ... , a sua imensa bondade .. . , não pode deixaF
de ter uma complacência infinita. -Deus não nos pode
amar a nós com este amor ... , não encontra em nós nada ellj
que se possa comprazer... , nem. sequer a imagem da su~
essência, que nos imprimiu na criação, porque, pelo pecado,
o - homem teve a desgraça de a apagar da sua alma ... Peca,
dos . .. , faltas . .. , misérias ... , eis o que Deus vê em nossas
almas .. . Que prazer ou que espécie de complacência poderá
sentir à vista disto? ! ... Nós, porém, sim, que podemos ~
devemos amar a Deus desta maneira. <
Ainda que visto a tão grande distância, qual ê a que
nos separa de Deus, não podemos deixar de contemplar, pol!
pouco que o vejamos e o estudemos, a sua incomparável for-
mosura . . . , á sua santidade .. . , o seu poder... , a sua sali'e-:
doria ... , a .sua justiça e a sua misericórdia ... - De sorte
que, assi.m como uma Mãe se compraz nas perfeições e boas
qualidades de seu filho , que o se,u amor de ·M ãe muitas

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352 A Caridade.- Outros caracteres do a.mQr

vezes exagera e aumenta ... , assim nós havemos de ter com-


placência especial em admirar reflec·tidas nas criaturas· todas
essas perfeições de Deus ... , deleitando-nos ao ver e con-
teú!lplar a sua grandeza ... · magnificência ... , regozijando-nos
de que seja como é... e extasiando-nos perante a excelên-
cia de todos· os seus atributos e perfeições.
Vê como esta complacência é a que constitui a glória
dos santos e bem-aventurados no Céu, os quais, ao verem
a formosura da essência divina, sentem tal gosto e feJ.icidade
que não podem conter-se sem prorromper, eú!J união com os
Anjos, naquele câ-ntico do Santo... Santo... Santo ... que
há-.:le durar -por toda a eternidade.
Amar, pois, assim a Deus .s erá antecipar na tua alma
a .glória do Céu ... Como é excelente este . modo de amar a
Deus, com o · a.mor da complacência ! . . . Que bem o exerci-
taram os sanrtos, quando viam a Deus em todas as • cria-
turas,. e se extasiavam na contemplação de uma flor .... - das
estrelas ... , do sol..., etc., ven-do em todas elas um reflexo
da beleza de Deus ! ...
J' 2.• Amor de benevolêllCia.- E, CQ!IlO a palav·r a o
explica, o -amor que quer bem;.. e trabalha por fazer bem
a quem ama. - Aqui podemos abismar-no~ ante o amor
infinito de benevolência que Deus nos tem.- Se tudo... ,
•tudo quanto possuímos é d'Ele... se .tudo fiUanto nos -deu
é um bem e para nosso bem, nós, pelo contrário, quão pouco
-amor de benevolência podemos t-er -aos que amamos ... -pelo
menos quão pouco eficaz é o nosso amor! - E tão pouco
o que podemos dar ao nosso prórimo! ... Quiséramos dar-lhe
saúde ... , glória ... , r1quezas ... , gostos ... , comodidades ... , tudo
isto, porém, não .passa de um vão desejo, que não podemos
converter em realidade-... Queremos ... , desejamos ... , porém,
não podemos... Quantas vezes temos de nos contentar com
só mostrar o nosso desejo! . . . · Quantas vezes temos de
agradecer esse desejo que nos é ma~ifestado! Porém, o
extraordinário é que tratando-se de Deus não é assim ...

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A Carrcl8de.- Outcos caracteres do amor 353

Ainda que não pareça verdade, .t ambém podemos e devemos


amar a Deus deste modo. ~ Não só podes desejar o bem
de Deus, senão que lho .p odes dar ... ; podes ser útil a Deus ...
Será isto possível? e se é possível, não será a expansão
mais perfeita do amor . . . , saber que podemos corresponder
ao amor que Deus nos tem e que lhe podemos devolver
alguma ·coisa do muito que nos deu? ... Que ditosos somos ! . . .
Hav erá maior felicidade para um coraç_ã o que ama? ! Abis~
ma~te e regozija~te neste suavíssimo pensamento... E que
podes fazer por Ele? . .. Em que lhe podes ser útil?.. . Que
podes dar a Deus? . ..
a) A glória ·extrínseca que Lhe pode vir das criaturas.
-Deus criou tudo para a Sua glória ... , por isso as criaturas
hão~de dar glória a Deus a seu .modo... , porém, este modo
é muito imperfeilto, visto que elas não têm conhedmento
nem podem louvar a Deu•s, que são. as duas condições para
lhe tributar .glória... Portanto, é o homem que em nome
de toda a criação deve dar a Deus a glória que Lhe é devida
por todas as c-r iaturas. Trabalhar, pois, por honrar .. . , ser~
vir ... , louvar e glorificar a Deus é arná~lO com amor de
benevolência ... , é dar a Deus o que podemos e devemos
dar~Lhe. ~ Naturalmente , com isso não aumentaremos nem
.um só grau da sua glória intrínseca e essencial.. ., o que não
está na mão das criaturas... ; havemos, porém, de aumentar
a glória exterior, que consiste nos louvores ... e homenagens
que deve tributar~Lhe .toda a criação, como a seu Senhor
e Criador ...
b) O zelo é o que em se.gundo lugar também podemos
.dar a Deus ... , isto é procurar almas ... , ganhar almas ... nas
quais Deus seja conhecido ... , amado ... , louvado e glorificado.
Este zelo é tão essencial na vida do amor, especial~
mente do amor de benevolência, que com razão se dil:lse:
«Quem não z·ela, não ama». ___,O zelo é como que a chama
do amor .. . ; se há fogo de amor, haverá chamas de zelo...
era este o zelo que devorava os santos e os levava a supor~

23

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354 A Caridade. -Outros ceracteres do amor

tar os· maiores perigos e mes.mo a morte, contanto que


dessem a Deus almas ganhas com os seus sacrifícios e tra-
balhos.- Não negues a Deus o que podes fazer neste sentido
por Ele... Trabalhar para a sua glória! Fazer que outras
almas também O ·glorifiquem I E , para is.s o, anima-te com
o exemplo dos santos e, sobretudo, com o da tua querida Mãe.
3." O exemplo de Maria. - Que amor de complacência
o seu ! . . . Quem melhor do que Ela conhecia a Deus para
apreciá-lO e amá-lO com loucura, cada vez mais, e com-
prazer-se em suas perfeições infinitas! ... Quem houve jamais
que pudesse ver melhor a Deus.. . e gozar mais d'Ele que
Maria, que em seu Filho via constantemente ao mesmo
tempo o Seu Deus! . . . Por outra parte, ninguém causou em
Deus amor de complacência co.mo Ela.
Dizíamos que Deus não via em nós nada digno de O
comprazer ... , mas em Maria não se dava o mesmo ... ; n'Eia
tudo agradava e contentava a Deus... Que consolação ter
uma mãe assim! . . . Por que não havemos nós de trabalhar
por nos parecermos com Ela... e revestir-nos .ias suas vir-
tudes, para que assim Deus se possa comprazer ao olhar
para nós?!
- E se considerarmos o amor de benevolência ... , ainda
se vê mais claramente em Maria a perfeição do seu amor.
-'Ela deu a Deus o· que nunca ninguém Lhe pôde dar ... ,
nem na terra ... , nem no Céu ....; jamais se deu maior glória
a Deus que a que lhe dava o Coração de sua Mãe Imaculada.
-Lembra-te do Magn.;ficat e diz se houve alguém que
tivesse podido canta.r melhor a glória de Deus que Aquela
sua divina escravazinha. - Finalmente inflama-te ... , abra-
sa-te no zdo que sempre ardeu no seu Coração, pois este
é a fornalha onde sempre foram inflamar-se as almas santas
para no fogo do Coração de Jesus ... , e com ele correr logo
a incendiar e a abrasar toda a terra.

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12. A Caridade.- Amor a Jesus

t.• l/nião perfeita.- Dizemos muitas vezes e com ver~


dade. que Maria amava ternamente a Jesus, porque enfim
era seu Filho ... , mas, ao mesmo tempo, em seu Filho via .. . ,
adorava ... e amava o seu Deus.- Todos os actos de amor
maternal para com o seu Jesus eram actos puríssimos de
amor de Deus... e a união estreití-ssima que como Mãe teve
c9m seu Filho. foi causa da união íntima e perfeita do seu
coração com Deus. - Não esqueças que is to é que é amar... ,
dar-se ao amado ... , é perder-se n'Ele ... , é unir-se e juntar-
-se ... e fundi·r-~Se com Ele de tal modo que seja com Ele
uma mesma coisa ... , uma só vida ... , um só coração... uma
só alma. ~ Tudo isto se cumpriu em Maria de uma maneira
para nós inexplicável... e ininteligível... ; nunca chegaremOIS
a penetrar na intensidade íntima e perfeitíssi.ma da união
entre Maria e Jesus ... , entre Maria e Deus.
Durante o tempo que permaneceu Jesu-s no seu purís-
simo seio ... , por um incompreensível mistério de humildade
e de amor por parte de Deus ... , a vida- de Deus foi a vida
d'e Maria... a própria substância de Mãe nutre e alimenta
o seu F ilho, que 'é Deus e ... Deus transmite a sua Mãe
todas as suas ideias e sentimentos. Que revelações l Que

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356 A Carida,d,.:! - Amor a Jesus

afectos! Que sentimentos! - Que oceano de luz e de amor I


----' Maria Item o próprio Céu no seu Coração ... , não precisa
levantar os olhos para cima para orar a Deus, senão
recolher-se no \SeU interior, porque tudo ali tem .. . ; física
e moralmente, é uma mesma coisa com Jesus . . . Ora com
a oração de Deus ... , vive com a vida de Deus ... , ama com
o amor de Deus... Que coisa mais admirável! Que ven-
turosa união !
Detém-te por largo espaço a contemplá-lA e a admi-
rá-IA, e depois ... pergunta a ti mesmo: não posso aspirar
a alguma coisa de semelhante?- Deus fez-se homem para
unir-se desta maneira só com a santíssima Virgem, sem
dar-nos a nós nenhuma paTticipa•ç ão desse amor . . . , dessa
união? Bem sabes que não .. . Deus chama-nos a essa divina
.IJnião por meio da vida da graça. . . um ~oração ·em graça,
,cj1;1e se entrega sem reservas a Deus; é um ,coração que vive
a vida de Deus. ---'-' Deu;; é que se derrama na alma em
.graça, e a inunda com a sua luz ... com o seu amor ... e é
~le quem trabalha, opera e vive n"Ela .
." ·· · Não é isbo, ainda, o que de uma· maneira real e fisica
~ontece na Comunhão?. . . Que significa Comunhão, senão
união comu.m... , união mútua de vida ... , de afectos e de
:Sentimentos entre Deus e a alma? .. . Não é isto o cumpri~
.m ento exacto daquilo de S. Paulo: Não sou eu que vivo,
m·às é Cristo q;.ze vive em mim?- Se M :a ria em Jesus via
:e· amava a Deus. o nosso amor a Deus também pÔde con-
cretizar-se no nosso amor a Jesus ... e de aí que, a imitação
~e Maria, o perder a Jesus ... , o deixar de O amar . .. , deve
ser para nós a maior desgraça . . .
. . 2. 0 O maior mal que nos pode acon~~ .. . Não foi
·assim para a Santíssima Virgem? - Pôde Deus dar-lhe
maior tor.m~nto que , o que Ela . sofreu com a · perda de
.Jesus? --' Lembra~te do que já meditaste sobre esta pas<sagem
da vida de Maria ... , da ansiedade e tortura que despedaçou
~quele 'coração de Mãe . . . , do seu temor e da;; suas an9ús-

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A CariCÜide - Amor a Jesus 357

tias... Que horríveis dúvidas e incertezas... Que t>eriéÍ


acontecido a seu Filho? . . . Tê~IO~iam roubado ... , maltra~
ta do ... , mo!'to?... Quem sabe?... Segundo S. Afonso Maria
de Ligório, esta foi a maior e a mais amargosa de todas
as dores da Santíssima Virgem ... , ou pelo menos, uma das
maiores .. . Perder Jesus!. .. Viver sem Jesus!. .. Que sentes
diante deste pensamento? ...
Todos os sofrimentos e todas as dores juntas, sofridos
na companhia de Jesus, não se podem comparar com esta
só dor ... Porque, se perdes a Jesus, quem te pode consO:
lar? ... Encontrarás nas criaturas alguma coisa que poss<J
suprir a .Jesus?-Aquelas boas almas que viram as torturas
da Santíssima Virgem também procurariam tranquilizá~IA ... ,
dir~Lhe~iam palavras de consolaç:ão e de alento ... , porém,
tudo isso, de que valia? ... Que Lhe importava o que Lhe
podiam dizer, se a Ela uma só coisa Lhe importava ... saber
onde estava Jesus?
A perda de Jesus ... , da sua graça ... , da sua amizade ... ,
é, não duvides, a maior perda... o maior castigo... Que
maior tormento pode haver que estar privado de Jesus? . . ;
É assim o que sentes?- Pede à Santíssima Virgem que
sintas assim mais e mais, para que deste modo vivas o
mais longe possível de toda a sombra, ainda que pareça
pequena, do pecado; pods com o pecado se perde a Jesus ...
3. 0 A maior diligência. - Po11tanto, a maiorr diligência
será procurar Jesus, se por desgraça O tiverdes perdido ...
Não dedxes passar nem um só momento ... , nem um ins~
tante ... , não durmas sossegadamente sem o teu Jesus: -
Que fez Maria? ... Esperou que ·a manhecesse e dormiu tran~
quilamente naquela noite?... Vê como nem pensa em
comer ... , nem em dormi·r ... , nem em descansar ... ; nada Lhe
importa, nem a própria vida ...
Por isso, imediatamente, regressa pelo caminho andado ... ,
nem repara nas dificuldades ... , não Lhe importa que seja

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358 A Carida::.~!- Amor .a. Jesus

longo o caminho e custosas as jornadas que já percor-reu,


para voltar a fazê-las ... ; e nas praças, ruas e hospedar~as ...
por toda a parte ... e com ttodas as pessoas, mostra a soli-
citude que a martiriza e o afã que A não deixa viver. -
Ela teve que corr-e r .muito, tu, ,porém ... , se quiseres, quão
fàcilmente podes encontrar a Jesus.
Se tens devoção a. Maria, não será fácil que O percas ... ,
porém, se O perderes, Ela 1te ensinará o caminho para O
encontrares. .. Nos braços de Maria encontrarás sempre
Jesus ... Vai a 1ua Mãe com dor ... , com arrependimento ... ,
imita-A .. . , desvia-te do caminho que te levou ao· pecado . .'.,
volta para trás ... , entra pelo caminho da i.rn.itação da San-
tíssima Virgem e verás como depressa encontrarás o que
desejas.
4. 0 A maior alegria. - Enconb"ar a Jesus! sim, será
·essa a maior alegria ... Qual não teria sido a da Santíssima
.Virgem, quando por fim achou no Templo a seu Filho! ...
Como de ·r epente se teria enchido de luz o seu coração
escuro e entenebrecido! Que júbilo para aquele coração de
·M ãe! - Na igreja onde Ele está sacramentado... , onde
Ele tem o seu trono de amor, quer que também nós O
busquemos, e ali O achemos .. . , se é precisamente para isso
que Ele a·Ji está .. . , para esperar-nos ... , para chamar-nos ... ,
para correr para nós a dar-se-nos ttodo, logo que o pro-
curemos ... Que loucura a nossa, viver de costas para Jesus
quando tão fàcilmente O podemos encontrar... , e possuí-lO,
se quisermos! . . . Não O afastes de ti e Ele não se reti-
rará ... não te canses d"Ele, que Ele não se cansará de ti,
se tu não quiseres. - Pede muito isto ao Coração da Santis-
sima Virgem ...
Lê para terminar, e saboreia devagar o Cap1tulo VII
do Livro II da «<mitação de Cristo», em especial estas
expres-sões: Q.uando Jesus está presente, tudo é bom e nada
parece difícil ... , mas quando está ausente, t>trdo é duro. -
Estar sem Jestts é terrível inferno ... , estar- com JesuS; é

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A Caridade -Amor a Jesus 359

\
doce paraíso.- Enquanto Ele estíver contigo, ninguém te
pode causar dano. O que acha a Jesus acha um bom tesa.um
e na vet'dade um bem sobr:e todo outr:o bem. - Ao contr:ár:io,
o que per:de a Jesus per:de muitíssiino e mais do que se per-
desse o mundo. - Quão pobr:e é o que vive sem Jesus e
quão r:ico o que está bem com Ele. - Pensa que mutto
fàcilmente podes desterrar de ti a Jesus e perder a sua
~raça, se te apegas às coisas da terra. - Suplica à Santís-
si.rna Virgem que te dê a conhecer e a sentir bem tudo isto.

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13. A Caridade com o próximo

1.0 O mandamento novo. - O amor ao prox1mo é a


segunda parte do primeiro mandamento da Lei de Deus:
Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como
a nós mesmos. - Bem se pode dizer que é um reflexo do
amor de Deus ... , pois não é possível amar a Deu& sem
amar ao próximo. - A medida do amor a Deus é o amor ao
próximo ... Vê co.mo amas a este e saberás os ~raus do teu
amor para com Deus. - São muito conhecidas as palavras
de S. João: Se alguém disser: que ama a Deus e aborrece
o seu próxbno, é mentiroso ... E dá a razão disso: Porque
se não ·ama o próximo quJ-=: vê, como amará a Deus a quem
não vê? ... Que bem gravado tinha no seu coração este amor
o discípulo que melhor entendia de amor! . . . Por isso, a sua
pregação reduzia-se a inculcar sempre este a.mor... e se lhe
perguntavam por que não variava de tema, respondia: Por-
que o amor ao próximo é um preceito do Senhor, e ~ se
cumpre bem, isso só basta.
Efectivamente, é um preceito do Senhor... promulgado
por Ele em forma totalmente nova ... Na antiga Lei, dizia-se:
Ama ao próximo como a ti mesmo. ~ Porém, agora Jesus.
Cristo diz: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei ...
Que amor tão forte! Havemos de amar ao próximo até ao·
sacrifício ... , até à .morte . .. Assim nos amou Jesus Cristo...
este é o grau do seu amor, que nos manda imitar neste·
preceito. - Tem razão quando diz, que é um mandamento·
novo ... , pois ainda que já antigamente se preceituava esse
amor, é, porém, novo no .modo ... , na intensidade ... , no
grau de amor.

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A caridade com o próximo 361

Por conseguinte, é impossível separar o amor sobre~


natural do próximo, do amor de Deus, porque quem ama
verdadeiramente a Deus não pode deixar de amar •t udo o
que Ele ama ... Quanto não ama Deu& ao homem, se por ele
sofreu ... e morreu ... e derramou todo o seu sangue?- Só
assim se explica que em todos os santos, quanto mais
crescia o amor de Deus, mai& aumentava o amor ao próximo.
Jesus Cristo quis pôr este amor como distintivo dos seus
discípulos: Nisto se conhecerá que sois meus discípulos, se
vos 8§1tél!!"des \uns aos outros ... E isto foi tão perfeitamente
compreendido pelos antigos e fervorosos cristãos, que todos
os conheciam por i&So e os próprios gentios exclamavam:
Vêde como se amam mütuamente ... , até quererem morrer
uns pelos outros ...
2. G Como Maria nos a100. ~ Medita agora no amor
de Maria pelos homens... Se os cristãos se amavam assim,
como não seria o amor de Maria? ... Como nos amará actual~
mente? ... Não se pode compreender o seu amor, senão
comparand~ com o do próprio Jesus Cristo. - Depois
d 'Eie ... e do modo mais semelhante ao d'Ele, ninguém como
Maria nos amou. ~E: amor de Mãe ... ; com isto está tudo
dito, pois não há amor como o das Mães ... , ma& uma tM .ã e
que reune no seu coração todas as ternuras maternais que
Deus repartiu entre as outras mães. - O próprio Jesus
Cristo fez-nos seus filhos aos pés da Cruz... somos filhos
das suas dores e sofrimentos, pois tanto Lhe custámos e
tanto A fiz•emos sc.frer. ~ Somos irmãos de Jesus Cristo ;
como, pois, não nos há--de amar ao mesmo tempo... e da
mesma maneira que a seu Filho?- Maria não pode deixar
de ver quanto Deus nos ama ... Percorre em sua• companhia
os benefícios que d'Eie recebemos: naturais e sobrenatu-
rais ... , a graça ... , a participação da sua vida ... , a adopção
que faz de nós filhos de Deus ... , 1emplos do Espíri'to Santo ... ;
a obra de Jesus Cristo na Incarnação e Redenção ... , a sua
vida ... , o seu sangue ... , a sua divindade ... , os Sacramentos ... ,

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362 A carida!:le com o próximo

a Igreja ... , a Eucaristia ... , a Santa Missa ... , tudo para


nós!. .. Tudo fez única e exclusivamente para nós! ... «'J;udo
fazia pensando em mim», pode dizer cada um. Como é
grande o seu amor! ...
Assim é, portanto, o de Maria... Ela não pode ver
com indiferença mp.a coisa tão sumamente do agrado de
Deus .. . ; só isso bastava, mas mui·to mais quando Ele lho
manda .. . Que vai pois fazer a obedientíssima Maria, senão
abraçar-se com esta cruz da nossa maternidade e começar
a amar-nos com todo o seu coração... como tinha amado
a seu Filho? . . . A Miie de Deus é minha Mãe! . . . logo,
ama-me como ama a Jesus. - Uma boa mãe não faz dis-
tinções entre os seus filhos ... , ama a todos igualmente . . .
se por acaso faz alguma distinção, é com o filho doente ... ,
desgraçado ... , miserável..., com aquele que mais a tem
feito sofrer ... Poderemos dizer aiguma coisa de semelhaillte
de Maria? ... então as suas predilecções serão para nós ....
e assim é na verdade, ainda que pareça incrível.
Em certo modo, podemos dizer que nos ama ainda mais
do que amou a Jesus. - Contempla a Santíssima Virgem
aos pés da Cruz, e ao vê-Ia como sacrifica o Seu Filho ... ,
diz-me se não será verdade esta afirmação... Não duvida
em autorizar . .. , em consentir na morte de Jesus, contanto
que nós vivamos.- Deus fez o coração da Santíssima
Virgem dotado de uma !ternura especial, qual convinha para
amar a seu Filho ... Essa mesma ·delicada ternura tem Maria
por ti. .. , emprega-a a amar-te ... Que felicidade a tua! Que
sorte! Que mais podes desejar cu anelar? . . .
3. • O teu amor ao próximo. - É tua obrigação . .. ,
amar ao próximo como Jesus e Maria te amaram a ti... ·e te
amam agora. - Este amor há-de ser um amor sobrenatural,
quer dizer, não o hás-de amar sômente por simpatias... , nem
repelir ninguém por antipatias... Essa razão é muito baixa
e terrena .. . , seria procurar no amor o teu gosto . . . , a tua
complacência ... , o teu agrado ... ; isso seria buscar-te a ti

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A cacidade com o próximo 363

mesmo ... ; portanto não seria amor ... , porque o amor con-
siste em dar-se e comunicar-se desinteressadamente.
Por conseguinte, hás-de amar o próximo em D eus, quer
dizer, porque é alguma coisa de Deus ... , image.m viva de
Deus. ~ Hás-de amar por Deus, porque E le to ordena e te
ensina com o seu exemplo, .para assim lhe obedeceres e
para melhor O imitares. Hás-de amá-lo para Deu.s, pelo
caminho que assegure a sua posse no C éu.
Além disso, há-de ser um amor universal, isto é, que
não exclui a ninguém .. . , a bons e maus ... , aos que te querem
bem e aos que te odeiam ... , aos conhecidos e amigos, e aos
estranhos e desconhecidos. - Um amor sacrificado, como
o de Jesus ... , como o de Maria ... ; pelo bem do próx;imo,
.especialmente pelo seu bem espiritual; hás-de tudo sacrifi-
car ... ; tudo te deve parecer muito pouco ... , não hás-de
con:tentar~te com fazer o menos custoso, senão o que julgues
mais proveitoso ... ; hás-de pedir e orar po r ele, e se pude-
res, deves fazer .mais ... , deves procurá-lo ... , falar-lhe ... ,
corrigi-lo ... , atraí-lo ... , etc.; enfim, deves praticar aquilo de
S. Paulo: ·«Fazer.ote todo para todos, para levar to:los
para Cristo».
Assim compreenderam esta lição todos os santos. -
Que não fez um S. Francisco Xavier... , um S. Pedro
Claver ... , uma Santa Teresa de Jesus .. ., etc., pelo seu
próximo ... , pelos pecadores ... , pelos herejes e cismáticos e
até mesmo pelos infiéis?... Ouve a S. Paulo que diz:
Queria se< cnátema pelo bem dos meus irmãos... Ouve a
S. Francisco de Sales, que escreve estas sua·v íssimas pala-
vras: Aprendamos de uma vez a ama<-nos ~ste mundo,
como depois nos h~vemos de amar no Céu .. . Oh! quando
chegará o dia em que este!iamos tddos penetrados de doçura
e caridade com o próxl'mo! . .. Amemos a nossos irmãos com
toda a amplidlio dos nossos corações. ~ Estas palavras e
estes afecto·s aprendem-se ünicamente contemplando a Jesus
e na escola de Maria.

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14. A Caridade com o próximo

1. 0 Sentimentos e d,?Sejos. - Para tornar mais práticas


estas medi1tações da caridade, det€nhamo-nos naqueles pontos
em que mais nos parece faltarmos a esta virtude. - E antes
de tudo consideremos e examinemos os nossos afectos e
sentimentos interiores ... ; é muito fácil fa.Jar nestes pontos,
primeiramente fomentando no nosso coração afectos de mur-
muração e inveja para com os ourt:ros.- Que subtil não é
esta tentação! . . . Louva-se o próximo por uma coisa que
fez bem ... , quem sabe até se melhor do que nós ... ; ouvimos
palavras que enaitecem a sua simpatia ... , a sua graça ... ,
o seu talento .. . , a sua beleza ... , a sua habilidade, etc., e
brota espontâneamente o sentimento de emulação e,m nós . . . ;
não queríamos que assim fosse ... , que ninguém nos levasse
a dianteira .. . , que fôssemos os primeiros em tudo ... Como
tudo isto é humano . . . , porém, que miserável!
A Santíssima Virgem foi já feita Mãe de Deus ... , sabe
que Deus concedeu um filho a sua prima ... e esconde a sua
conceição milag·r osa, corre a casa da sua prima a felici-
tá-Ia . . . , a congratular-se com ela... e quando se vê des-
coberta por Santa Isabel, que inspirada no Espírito Santo
prorrompe em louvores de 'M 'aria, esta levanta o coração a
Deus e a Ele dirige, com o seu Magnificat, todo o louvor
e toda a glória. - Eis qual deve ser a nossa conduta, se
virmos no próximo .mais bens temporais ou espirituais ... ,

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A Caridade com o próximo 365

que é mais estimado e honrado ... , que é preferido a nós ... ,


que tem mais talento e mais habilidades ... , etc. - Não nos
entristeçamos, nem tenhamos inveja do que é dele ...,; cor~
ramos, como a Santíssima Virgem, a felicitá~lo .... • sejamos
os primeiros a alegrar~nos sinceramente com ele... ·e lou~
vemos a. Deus pelos bens que derramou sobre essa pessoa.
Devemos igualmente abafar todo o sentimento de
ódio ... , de rancor . . . , de vingança, contra o nosso próximo.
-Se nos ofendem nalguma coisa, devemos ser generosos
no perdão ... ,. não perdoando a meias . .. , senão muito deveras
e. muito do coração. - Não admitas estas expressões qtte
perdoEs, porém, não esqueces... , que T@o guard8SI raa1cor,
que não queres nada com ele ... , que não pretendes vinga•~te,
porém, alegr-as~te com o soo mal . . . ; tudo isso indica muito
pouca caridade ... , muito pouco espiri'to de Jesus Cristo.
-:- Ele perdoou e até amou aos seus inimigos. . .. desculpou
os seus verdugos . .. intercedeu ante o Seu Pai para que
lhes perdoasse. - .Maria, junto da Cruz, também ~;e não
revolta ... , nem os insulta... , nem dirige palavras de vingança
contra aqueles desgraçados que maltratam o seu Filho ... ;
olha~s com pena .. . , lastima~s. e também pede, como vin~
gança, a conversão deles.
·Jesus Cristo quer que amemos aos nossos inimigos . . ..
aos que nos ofendem .. . , aos que nos desagradam. - Este
é o amor sobrenatural próprio dos cristãos.- Amar a quem
nos ama ... , querer bem a quem nos honra e nos es tima ... ,
tratar com carinho a quem nos agrada e atrai pela sua
simpatia ... , tudo isso também fazem ·os pagãos ... , para isso
não nos faz falta a virtude. - Pede, pois, à Santíssima
Virgem este amor de ve rdadeira caridade para com o pró~
ximo, sofrendo os seus defeitos. .. e levando com paciência
o que nele te desagra,dar.
· 2.• Juízos. - Esta é outra forma muito corrente de
faltar . à caridade ... , o bendito juizo temerário, que, por
nossa malícia . . . ou por não passarmos por ·tolos nem ser~

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366 A Caridede com o próximo

mos enganados pelo prox1mo, tão fàcdlmente fazemos dele ...


Deus proibiu-nos tais juízos, quando nos disse: não julgueis
e não sereis julgados ... e S. Paulo acrescenta: quem és tu
para jul91B-r alguém? Se cai ou se está de pé, a ti que te
importa? Isso pertence ao Senhor, ou seja a Deus.
O juízo temerário é · tLI!Ia ofensa contra o próximo, pois
o julgamos sem verdadeira razão ... , ~Sem fundamento certo;
e é uma ofensa directa feita a Deus, pois queremos usupar-
-Lhe o ofício de juiz dos vivos e dos mortos. ~Ele nos
julgará a todos um dia, e então aparecerá claramente o que
cada um foi diante de Deus, e se somos dignos de louvor
ou de vitupério na sua presença. ~ Pensa que o custoso é
saber julgar com rectidão .. . , de sorte que seria uma grande
preocupação, se Deus nos tivesse mandado julgar-nos uns
aos outros.. . ; é tão fácil enganar e enganar-se ... , deixar-~Se
levar das aparências ... , das sdmpatias ... ou antipatias ... Se
Deus, porém, nos manda o que é mais fácil, que é não nos
meter.mos a julga·r, e reserva para Si o mais difícil, por que
somos tão néscios em nos ocuparmos no contrário?
Enfim, já que nos pomos a julgar, por que não o faze-
mos com reotidão e caridade? . .. Porque, ao julgar, não
vamos prevenidos para deitar tudo à boa parte, em vez de
pormos malícia em tudo? ... Porque não nos pomos nós
no lugar do próximo e não nos julgamos então?... Ah!
Como seriam diferentes os juízos! - Que medida tomamos
para nós, e quão diferente para os outros!... O que é nOISso
desculpamo-lo ... , explicamo-lo ... , porém, para os outros não
admitimos atenuantes .. .', senão que julgamos rigorosamente.
-Pois bem, repete muitas vezes: Com a medida com que
me·d~roes, seceis medidos téunb.?m. -Que imaginas· faria a
Santíssima Vkg.e m?... Qual seria a sua medida? .. . Como
julgou a S. Pedro ... aos apóstolos cobardes ... , incrédulos ... ,
etc.?- Suplica-Lhe que te dê entranhas de ca·ridade, para
que assim, com essa medida, meças agora e sejas me'<lido
algum dia.

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A Caridade com o próximo 367
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3. 0 Palavras.- O que não peca por palavras, diz


S. Tiago, é varão perfeito ... Por isso há 1ão poucos perfei~
tos. - Quantos pecados da língua! - S. Frandsco de Sales,
queria ir com um carvão aceso purificando a língua dos
homens, porque, quão poucos seriam os que não necessita~
riam dessa purificação!
Pensa nas conversas e v isitas, onde !tanto se falta à
caridade! . . . Parece impossível sustentar uma conversa sem
se manchar o próximo. - S. Bernardo diz que a murmuração
é uma lança de trés pontas, porque fere a pessoa de quem
se TTijurmura tirando~lhe a fama ... fere ao que murTTIJUra fazen-
do~o pecar .. . , fect! ao que escuta, escandalizando~o e fazen~
do-o cair no mesmo pecado.
Não esqueças que a murmuração é um pecado · de si
mais grave que o furto, pois se este rouba bens ma~eriais ,
a outra rouba a fama , que vale muito mais. - Não se fala
aqui da calúnia, porque esse não é .pecado coll'tra a caridade,
senão contra a justiça . .. , por isso obriga à restituição; mas
sim das críticas .. . , censuras ... , murmurações .. . , etc. - Quanto
se critica e murmura dos superiores ... , até das autoridades
eclesiásticas ... , dos iguais e inferiores! ... É necessário fazer
propósito de não falar de ninguém.. . nem de ouvir com
goS'to conversas deste -gênero... Quando· na tua presença
se murmurar, corta a conversa se pud.e res ... , foge dali se te
é possível. .. , desvia hàbilmente a conversa ... , moS1ra sempre
desagrado para que diante de ti não voltem a murmurar.
Detém-te a recordar a visita da Santíssima Virgem
a sua prima... Escuta a sua conv.ersa... Med±ta as suas
palavras. . . Que modelo de visitas ! . . . Que conversas exem-
plares! .. . Não seria sempre assim? ... Concebes a Santíssima
Virgem .metida em mexericos de comadres ... , falando de toda
a gente?... Porque não a hás~e imitar? Porque Lhe não
pedes que te ajude a ser como Ela, num ponto tão belo e
tão necessário como é este da caridade com o próximo?

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15. Obras de Misericórdia

1.• A sua necessidade. - É nas obras de Misericórdia


que pràlticamente exercitamos a caridade. - Não basta a
:caridade de afectos ... , de sentimentos ... , de juízos e de
palavras ... ; é necessário que também a tenhamos nas obras.
-Assim o disse expressamente S. João: Meus filhinhos,
não amet7!os só com a palavra e com a língua, senão com
obras verdadeiras. - Portanto, o amor há~de consistir mais
nas obras que nas outras coisas.
Por outra parte, o rter praticado com espíri•to cristão as
obras de mise.r icórdia e piedade, ser-nos-á de grande consola-
ção algum dia ... , já que elas, segundo o próprio Jesus Cristo,
decidirão da nossa sorte eterna: Y.inde, benditos de meu
Pai, porque tive fom.e e sede ... , etc., e me destes de comer...
E aos condenados dirá: Ide, malditos, para o fogo etemo,
porque nlío me destes de comer n:E117! de beber ... , isto é ,
porque não quisestes praticar as obras de misericórdia. -
É, por i~Sso mesmo, um dever sacratíssimo... , uma verdadeira
obrigação que Jesus Cristo nos impõe, o compadecermo-nos
dos nossos irmãos e socorrê-los, -sejam eles quais forem.
Recenda a parábola do Bom Samaritano, em que ao
mesmo tempo que retrata o seu coração divino, cheio de
doçura e de compaixão para com os desgraçados, condena
duramente aos que procedem sem misericórdia. ~Se não
procedemos com misericórdia. . . também a não consegui-

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Obras de Misericórdia 369

remoo para nós um dia ... , e como Ele primeiro a praticou


e depois a en~Sinou , foi nisto para nós modelo acabadíssimó.
- Toda a sua vida se reduz a estas palavras: Passou
fazendo bem a todos .. . Esta é a sua história .. . e com isto
está tudo dito. - E co= discípula · de tal Mestre e de tal
escola, a Santíssima Virgem foi t ambém a primeira em
cumprir com este preceito, e o exercitou durante a sua vida
com ' ·g rande perfeição.
S. Vicente de Paulo, falando das obras de caridade,
costumava dizer: Ponhamos diante Jdos nossos olhos, como
nobilíssimo exemplar<, a Mãe de Derus e procedamos con~
forme tão d iyno e soberano mddelo... E assfm, com esse
modelo e com essa máxima, chegou o santo a ser herói
incansável da caridade cristã. - Porém, desçamos a mais
pormenores e vejamos por partes as diversas obras de
misericórdia em que no.s devemoo exerdtar.
2." Obras espirituais. -~Estas obras de .misericórdia
são, sem ·dúvida, as mais · importantes e as mais excelentes.
pois têm relação directa com a alma ... , com a própria
salvação... e, na•turalmente, tudo isto é muito mais esti~
mável que o corpo e a feliddade temporal, que é do que
tratam as obras de misericórdia corporais. - A Santíssima
Virgem, exercitou e exercita actualmente com as a!mas a
sua misericórdia maternal... Não falemos dos pecadores
empedernidos, dos criminosos e perversos.. .. dos que por
Ela obtiveram a graça da sua conversão, porque isto um
dia o saberemos no Céu, já que agora é impossível calculá~Io.
Recorda os perigos em que estiveste ... • as ocasiões que
o demônio te apresentava.... a luta das paixões, por vezes
em forma imprevista ... , quando menos o esperavas ... A quem
deves não teres caído então? Talvez não fosses bem vigilante
e o demônio tratou de ~e surpreender, e Ela foi a que te
-avisou ... , a que te deu força para reagires ... , para vencer ...
Quem te inspirou tão bons afectos.... tão bons propósitos,
etc.? ... Quem te deu luz para co-nhecer a vontade de Deus ...

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370 Obres de Misericórdia

e forças para continuar sem vacilar, ainda que fosse à custa


de .grandes ~X~crifícios?.. . _
M·a téria intermin?vel seria esta, se descorressemoo por
este caminho, pois seria necessário .e numerar todos os santos
do Céu ... , todas as.. almas que se têm salvo ... , todos os
pecadores arrependidos.- Mas, se quiseres, recorda · na Sua
própria vida o que nos diz a Sagrada Escritura... Ela
amparou os Apóstolos depois da Ascensão . . . , preparou-os
admiràvelmente para a vinda do Espírito Santo ... , alentou-os
e confortou-os com o seu exemplo .. . , com as suas palavras
e com as suas víPtudeê ... Foi a Mãe àa Igreja nascente.
Com que carinho receberia os novos cristãos ! . . . Como oo
informaria e confirmaria na Fé! .. . Que catequista admi-
rável!
E quando principiaram as primeiras persegwçoes.. . e
os' Apóstolos foram encarcerados: .. , açoitados ... , persegui-
dos, quem os aconselhava e dirigia . senão Ela? ... A quem
recorriam eles, senão à Santíssima Virgem a procurar con-
solação. .. , ânimo ... , força ... , tudo quanto necessitavam?
Aqui .tens, pois, a magnífica obra de misericórdia que
podes exercitar com o próximo... Trabalhar pela sua alma ... ,
cooperar com Deus na obra da sua salvação ... Há alguma
coisa mais divina? ... Quando não puderes fazer outra coisa,
ora,... , sacrifica-te... , mortifica-te por eles ... , por todos! ... ,
pelos pecadores ... , pelos justos e inocentes . .. , pelos here•
jes . . . , e dsmáticos .. . , pelos infiéis, etc.
3. 0 Obras corporais. -"É fácil de -supor cc.mo a .S an-
tíssima Virgem faria continuamente estas obras... Detém-te
a considerar como receberia os pobres que iam pedir
esmola... Quantas vezes lhes daria da sua mesma pobreza,
tirando a si, não digo já o supérfluo, senão o mais indis-
pensável! . . . Que alojamento daria aos peregrinos, segundo
a lei da hospi.talidade que regia o povo judaico! . . . Que
visitas as suas aos doentes da vizinhança!
Enfim, se queres deixar as suposições, ainda que tão

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Obras de Misericórdia

certas como estas, medita de novo na sua intervenção no


milagre das bodas de Caná... e ali descobrirás uma ternura
maternal..., uma diligência activa ... , uma prontidão incan~
sãvel. - Ela é a única que nota a falta do vinho e a
atrapalhação que esta falta iria produzir... Quão ~ernamente
sentiu Ela o transtorno que isto ia ocasionar aos convi~
dados.. . e a vergonha e confusão aos de casa! - O seu
coração comoveu~se perante aquele aflitivo transe; e sell!tiu~
como se fosse coisa própria. :É sem dúvida este um dos
aotos de delicadeza mais viva e singular da Santíssima
Virgem .. • Por isso decide~ se com grande diligência a prestar
aquele socorro naquela necessidade.. . Serve~se das suas
palavras ... , da sua caridade ... , da sua confiança e da sua
influência para com o seu Filho. .. e foi uma grande conso~
!ação para o seu coração dar àqueles desposados o que
então lhes podia dar. .. Que prazer espiritual e divino o
que sentiu a Santíssima Virgem com aquela agradável sur~
presa que lhes preparou! . . . Assim nós devemos procurar
este gosto ·e este prazer, que sentem as almas boas, quando
remedeiam alguma necessidade ... Nunca o experimentaste? ...
A caridade é engenhosa e aotiva, por isso e!'\ pro~
curará mil meios e ocasiões por dia, para exercitar as obras
de mis·ericórdia corporais. - Vê, no exemplo de Maria,
como aproveitou aquela ocasião . . . ; não a desprezou quando
podia muito bem dissimular e não dar~se por achada. -
A caridade desconhece a dissimulação, procura e aproveita
qualquer oportunidade.
Percorre, uma por uma, todas as obras de misericórdia
espirituais e corporais . . ., examina~ te em todas elas conforme
o que 1tens meditado. .. Envergonha~ te e pede perdão das
vezes que tens faltado . ..
Pede à Santíssima Virgem mais coração perante as
desgraças alheias ... , que as sintas como próprias, e que
te faça a ·graça de saborear o prazer profundo de fazer
bem em toda a parte.

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16. Prudência

•1.0 Excelência desta virtude.----< Penetra, antes de mais


nada, na excelência e necessidade desta virtude da pru-
dência ou discrição. - Bem vês que é a ·que dá valor a
todas as outras. --' Todo o a cto de virtude feito sem pru-
âência deixa por isso mesmo de o ser. - Entre dois extre-
mos viciosos, está sempre a virtude, e a prudência é a que
ensina pràticamente esse meio termo justo· onde a virtude
se baseia. - Bela e necessária é a mortificação e penitência;
porém, praticada imprudentemente, é uma verdadeira tenta-
ção do inimigo. Que coisa maior pode haver que o zelo
da salvação das almas? E, não obstante, quantos danos não
tem produzido o zelo indiscreto I
. A prudência é a companheira inseparável de todas as
virtudes... e mais do que uma virtude é como que a norma
ou guia de todas... S. Tomás chamou-a os olhos da alma,
porque quem obra sem ela obra às cegas como se não
tivesse olhos. - S. Bernardo diz que é como o leme ou
o piloto dum mwio, sem o qual necessàriamente há>-<Ie pere-
cer o.fu naufragar. S. Francisco de Sales diz da prudê.ncia
que é luz ao l'edor da nossa vida, que nos ilumina para não
erraf' o caminho... e sal que pre_.s.erva da corrupção as
demais virtf.J,des. A prudência, pois, é esse juízo prático que
nos diz em cada caso o que convém fazer ou deixar de

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Prudência 373

fazer ... , que nos ensina os meios conducentes ao fim que


pretendemos... , enfim, que nos indica sempr-e quando e como
devemos obrar,--. Não é pois para estranhar que, se é uma
virtude tão excelente e tão necessária, sobressaia tanto na
nossa querida Mãe!. .. A Igreja chama;A Virgem Prudentís-
sima e realmente assim foi; porém, para melhor compreen-
dê-la convém que distingamos duas classes de prudêncià,
2. • Prudência do espírito e da carne. -Assim a chama
S. Paulo: a primeira é a vida e paz verdadeira da alma .. .,
é a verdadeira prudência... e a verdadeira sabedoria ... , a
única que merece chamar-se assim. - A segunda é uma
prudência má ... , falsa ... , inimiga de Deus ... , contrária à lei
de Deus ... , não tem outros fundamentos nem motivos senão
os que dita a carne, e por isso leva seguramente à morte. -
É a prudência do século ou do mundo, diametralmente oposta
ao espírito de Deus ... ; confunde-se cem a dissimulação... ,
com a hipocrisia, com a astúcia... com o cálculo interesseiro
e egoísta, que não olha senão para si.. . e por isso, esta
prudência falsa é medo ... , temor ... , cobardia... , soberba ...
--;Vê quão digna é de reprovação esta maldita prudência
e ... , no entanto ouve a Jesus Cristo, que se lamenta que
sejam mais prudentes os filhos do século ... , isto é, que são
mais... muitíssimo mais, os que seguem esta prudência para
os seus negócios que os filhos da luz, para a salvação
eterna. - Por isso mesmo tanto nos inculca que sejamos
prudentes como as serpentes e ao mesmo tempo simples
como as pombas ... , quer dizer, que t enhamos a prudência
santa, que está cheia de sinceridade e de verdade.
Recorda a parábola das virgens loucas e prudentes .. . ;
estas, previdentes e vigilantes ... , aquelas, confiadas e des--
prevenidas. -Vê bem nisto o que é a verdadeira prudência;
é luz ... , é sabedoria ... , é conhecimento prático das coisas ... ,
inconsiâeração ... , verdadeira ignorância, junta com soberba
e confiança em si mesmo. - Diz o Espírito Santo: &m--
-avenflurado o homem que achou a sabedoria e é rico em

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374 Prudência

prudência. O que é prudente é, na verdade, um grande


.sábio.
3.0 A Virgem prudente. -Aqui tens, pois, porque era
tão prudente a Santíssima Virgem. Discípula aproveiltadís~
sima d 'Aquele que era «a luz do mundo e a sabedoria de
Deus», sempre, e a cada instante, teve esta luz e esta
ciência de Deus, na qual via clarissimamente !todas as coisas,
dando a cada uma seu peso e valor... e, por isso mesmo,
acertando sempre com o mais conveniente e mais prático
em cada caso. - Não A cegavam as paixões que a nós
tantas vezes nos fazem ver as coisas de modo diferente, e
por isso as julgamos ... e apreciamos mal.. . ; a ambição . . . ,
·o s acessos da ira ... , a venda terrivel do amor próprio que
temos nos olhos .. . , a preguiça e descuido na oração, que
é onde Deus comunica às almas a sua luz e a sua ciência., .,
a fa~ta de vigilância para ver como e por onde nos ataca
o inimigo... não é tudo isto e outras razões semelhantes
o porquê das nossas tão repetidas imprudências?
M~ria era humilde ... , era pura . .. , era simples .. . , era
fervorosa . . . , era vigilante ... ; nada A ofuscava.. . nada A
apartava dos olhos de Deus. .. tudo via n'Ele e a1través
d'Ele. . . com luz sobrenatural e divina ... , com espírito de
fé.. .. com amor abrasado de Deus ... Que estranho, pois,
que fosse tão prudente em tudo? ! Que é pois para admirar,
que sempre elegesse o melhor e o mais agradável aos olhos
de Deus?~ Daqui aquela segurança na sua alma, que
não se deixava arrastar por impressões, procedendo sempre
com moderação .e ao mesmo tempo com firmeza .. . , segurança
perante Deus sabendo que acertava sempre com a divina
vontade, ainda nos seus mínimos pormenores ... , estando
certa de que nunca deixava de atender ... , de escutar . . . , de
seguir as moções e inspirações de Deus .. . seg!Urança perante
os homens a quem julgava com rectidão infalível, penetrando
nos seus corações e lendo neles as suas intenções. Junto
com esta segurança, uma paz inalterável e suave, acom~

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Pmcfência 375

panl1ada de íntima umao com Deus, a quem acudia a pedir


luzes ... , a procurar conselho . . . ou solic~tar o conhecimento
e a . sabedoria n~cessária para ace11tar sempre no cumprimento
dos seus deveres. - Esta era a prudência e a madureza
com que a Santíssima Virgem julgava e procedia. . . e os
magníficos frutos que Ela tirava destas virtudes para· a
sua alma.
4. o A tua prudência. -----<Como estás nesta vintud~? .. .
Ah ! quanto necessitas dela ! . . . Estás cercado de dificuldades
por vezes bem difíceis de vencer, de perigos e ocasiões que
te espreitam e que .talvez dsconheças ... , de rudes batalhas
que o demónio te prepara, e quando menos o esperas... Por
oUJtra .parte, não conheces bem a tua fraqueza e miséria,
sobretudo se a comparas com as obrigações que tens que
cumprir... Que fazer então?... como acertar com o caminho
mais prático para assegurar a tua salvação e santificação? ...
Como, po1s, necessitas desta vi.rtude para a tua alma!
Mas •também para outros. -Se os queres ganhar para
Cristo, hás-& .penetrar na sua alma ... , conhecer o seu
temperamento, carácter, paixões, fraquezas, gostos, etc . .. ,
e tudo isto de tal modo que não excites suspei1tas ... , des-
confianças ... , temores .. . , que não julguem que procedes com
curiosidade ... , desconfiança ... , que gostas d~ te me.t~r nas
vidas alheias... Quanta prudência... que tacto não requer
ttudo isto! . . . Um movimento ... , um gesto... , um sorriso de
troça ... , às vezes Uúlla só pergunta... quantos danos não
causam! .. . De facto, muitas vezes num mom~nto se perde
o fruto que já quase se tinha na mão.
Pede à Santíssima Virgem humildade, pois o soberbo
não pode ser prudente... Ped~-Lhe mansidão e paciência,
porque o impaciente e o iracundo proced~m às cegas... Pede-
-Lhe pureza ... e castidade, pois só os olhos .puros vêem a
claridad~ das coisas... Enfim, pede-Lhe trato com Deus ....
frequente ... , demorado ... , saboroso.. . , vida de oração e união

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376 Pnulência

com Deul>, para que nela, te comÚnique a Sua divina sabe-


doria ...• a Sua luz ... , o Seu conhecimento e o Seu amor.
Finalmente, que muitas vezes, ainda fazendo-lhe vio-
lência, L::voques a Maria, sobretudo em ocasiões em que
possas proceder mais imprudentemente .. . ou nas que vejas
que é mais difícil o acertar, dizendo-lhe com a Igreja:
Virgem prudentíssima, rogai por nós.

"I

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17. Prudência nas obras

1. o Antes do na.scímento de Jesus.- Analisa um pouco


algumas das obras da Santíssima Virgem e verás que pru~
dência nelas encontrarás ... Vê~A no caso concreto do Seu
voto de vil'gindade. - Humanamente falando, isso seria uma
imprudência ... , era quebrar com uma tradição secular naquele
povo ... , era ~air do caminho comum e ordinário que todas
as mulheres hebraicas seguiram... Ninguém até então tinha
feito tal voto ... , era uma coisa completamente desconhecida
na terra. - No entanto, Ela não procede inconsiderada~
mente ... ; com a luz especialíssima -que Deus Lhe com uni~
cara, considera a excelência e os frutos da virgindade ... ,
penetra no amor que Deus tem a esta virtude, tanto que
já tinha anunciado que para o Seu Filho escolheria uma
Mãe Virgem ... , e depois de ver e examinar tudo diante
de Deus, com calma e ~uavemente ... , confiando com segu~
rança nas graças que Deus para isso Lhe havia de dar... ,
não duvida nem vacila nem .treme ... ; com uma franqueza
e decisão admiráveis sai da regra comum e geral.., e faz,
assim tão novinha, o seu voto ao Senhor. ·
A verdadeira prudência não é cobarde nem medrooa ... ,
pensa devagar; porém, executa com energia. - Assim é a
Santissi..'Da Virgem ... ; depois do voto escolhe com acerto
e pratica com decisão os meios mais indispensáveis para
conservar esta virtude .. , como se tivesse medo de perdê~lal

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378 Prudência nas obras

- Consigo mesma guarda um profundo recolhimento.. .. uma


modéstia singular ... , uma oração fervorosa ... , uma vigilância
contínua. - Para com os outros, um grande silêncio ... , um
prudentíssimo segredo, guardando o seu voto . . . , não o disse
a ninguém. . .. não o revela nem o comunica a pessoa
alguma ....; sabe que não ·o iriam compreender ... , que ia
excitar m.urmura·ções e falatórios de quem nunca chegaria
a compreender a formosura desta virtude ... , e por isso
guarda o seu segredo para Ela e para Deus. . . Que admirá-
vel e que simpática a prudência!
2. 0 Na Anunciação.- Escuta do Anjo os seus lou-
vores . . . , ouve a sua embaixada... , med~ta e a profunda o
que Lhe é proposto. . . e com grande serenidade decide. -
Não A cega o brilho da coroa da maternidade divina .. .•
nem A seduzem as palavras bonitas e lisongeiras . . . , nem
se acobarda perante os sacrifícios que Ela bem via Lhe
ia custar a sua aceitação ... ; não se adianta pressurosa ... ,
nem corre precipitadamente a admitir o que todas as donzelas
estavam desejando. .. Qualquer delas não se !teria podido
conter de alegria e gozo . .. Ela, no entanto, vê o Anjo . ...
ouve-o . .. e a primeira impressão é de perturbação.. . ; isto é,
põe-se como que em guarda e vigilância, como se temesse
alguma tentação para a sua virtude. .. e quando repara na
importância da embaixada, expõe as suas dúvidas ... , pede
simplesmente explicações .. . e uma vez conhecida claramenlte
a vontade do Senhor, consente com decisão e segurança,
entregando-se a Deus como sua escrava ...
Admira nisto mesmo a sua prudência... Já é Mãe
de Deus ... já é Rainha e Senhora ... e, no entanto, coloca-se
no seu posto ... no único que julga dever o cupar . .. , no das
escravas ... , sem adiantar-se a subir nem a colocar-se em
lugar mais elevado. .. esse cuidado deixa-o a Deus... Como
é difícil imitar esta prudência! .. . e, contudo, quão necessária
não é! ...

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Prudência nas obras 379

3." Durante, a Vida de Jesus. - Tanto na vida pri-


vada co.mo na pública, Maria aparece sempre no seu posto ...
rio que Deus A coloca. .. Que escondida, que recolhida, que
silenciosa na vida privada de Jesus! . . . Que bem Ela sabe
acomodar-se ao carácter íntimo e recolhido desta época
da sua vida! - E quando Jesus sai a pregar, que longe
está de intrometer-se nas coisas de Seu Filho! . . . Com que
prazer O teria acompanhado a todas as partes! . .. Com que
alegria teria presenciado todos os seus milagres· e prodí-
gios! . . . COilll que saJtisfação teria escutado todas as Suas
pregações! Co.m que regozijo teria ouvido os louvores que
dirigiam a Seu Filho! . . . Que sentimento mais natural o
poder dizer a toda a gente: «Esse é o meu Filho» ! . . . Mas
não era esse o posto que Lhe destinara a vontade de Deus ... ;
o Seu posto era o esconder-se ... , era a Sua casa ... ; Ela
não era chamada a pregar às multidões ... , não era essa a
sua vocação nem o seu ofício. .. Aceita com goslto essas
renúncias que o Senhor Lhe impõe . ..• esconde-se prudente-
mente e se no Evangelho ê nomeada alguma vez durante
este período da v da de Jesus, é como que de passagem.
Isto mesmo se podia dizer quando sai, porque Deus lho
manda, do seu recolhimento ... e aparece junto de Seu Filho
no Calvário . .. Vê como Ela assiste e que parte toma então
na Paixão de Jesus Cristo.- Sofre horrivelmente e , no
entanto, não se revolta irritada e furiosa contra aqueles
verdugos . .. ; não diz palavras desesperadas ... , nem dá gritos
lancinantes ...• nem toma atitudes exageradas . . ., nem, enfim,
se expõe imprudentemente às iras e insu1tos daquela populaça
enfurecida.. . Isolada das turbas, assiste àquela cena com
dor profundíssima do seu coração, mas de taJ. modo que
passa despercebida, por vezes, perante os outros ...
4." Depois da Ascensão. - É Ela quem recolhe os
Apóstolos .. .• os anima e conforta e dispõe para a vinda do
Espírito Santo... Ela é a verdadeira M:ãe da Igreja nas-
cente... Tudo é fei 1to por Ela. .. Ela é verdadeiramente, a

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380 Prudência nas obras

alma de tudo com o seu exemplo, com o seu fervor e


virtude .. . , com o seu conselho... , com a sua oração ... , e,
contudo, parece que não faz nada ... Como esconde pruden-
temente toda a sua actividade... Os Apóstolos são os que
dispõem... S. Pedro manda ... , governa .. . , dirige ... , Ela, não
se mete em nada ... é a primeira a obedecer ... a aceitar tudo
o que mandam ... Não protesta ... , não censura ... , não critica
nada... Quer ser a primeira filha obediente da Igreja ...
sendo Ela de facto a que tudo anima... e a que a todos
conforta... sendo o exemplo magnífico dos Apóstolos e
dos fiéis ...
Aprende esta prudência e pede-a a tua Mãe.- Que
nunca saias do teu posto .. . , · que te conserves _onde Deus te
coloca... e aí trabalhes sem desejar meter-re no que te não
diz respeito. - Só assim não terás gue chor~r as inúmeras
quedas que te tem causado a tua imprudência.

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18. Prudência nas palavras

t.• Prudência no seu .Silêncio.~ Merece bem a pena,


ainda que já concretizamo,s a prudência de Maria em alguns
casos da Sua Vida, determo-nos a considerar esta mesma
prudência no uso que faz particularmente da sua língua. -
Cemo Maria foi prudente em' suas palavras! ... Que pruden-
tíssimo o seu ·silêncio! - É admirável a prudência daquele
que fala sempre com oportunidade e discrição... não o é
menos quando sabe calar... e às vezes, quanto mais difícil é
calar que falar a tempo! - Não é verdade que a maior
parte das tuas imprudências as deves à tua língua? ... Quan-
tas vezes te pesa na consciência teres dito o que disseste? ...
Quantas vézes, se pudesses recolher as palavras que pro-
nunciaste, o !terias feito com grande alegria? ...
Olha pois para Maria e aprende... Aprende precisa-
mente a calar ... , a não dizer palavras néscias ... , aprende a
medir o 'que dizes ... , a pensar e a reparar nas tuas pala-
vras ... , a não · falar de tudo o que te vem à boca ... , a não
falar à toa e loucamente. :. Tinha a Jesus diante de si, o
Mestre eloquentíssimo do silêncio ... , o que em Sua Paixão
chegou a causar admiração a Pilatos com a eloquência
divina do seu silêncio... E assim foi iM)aria nisto, como em
~ udo, cópia exacta de Jesus ...
Que reserva a sua, tão discreta no segredo a Ela
confiado sobre o mistério da Incamação! . . . Ninguém pôde

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382 Prudência nas .palavras

suspeitar nada de grande nem de insólito em Maria. -


Depois da embaixada ..:lo Anjo, viram-n' A tão simples ... , tão
modesta ... , tão calada ... , como antes. Deus encarrega-se de
revelar a sua altíssima dignidade a Santa Isabel... a
Sírneão depois ... , à profetisa Ana ... Que o diga e que o
revele Deus quando quiser . e a quem quiser ... ; Ela, porém,
não descobrirá o seu grande segredo.
Nem uma só vez deixou transparecer de alguma maneira
no seu semblante ... , nos seus gestos ... , na sua condu .a ... ,
o menor indício do grande acontecimento operado n'Ela .. .
Como, pois, alguém o adivinharia? ... Como estranharmos
as dúvidas e perplexidades do Santo Patriarca, se Sua
Esposa se calava .. . e a ninguém, nem mesmo a ele, comu-
nicou nada?
' Medita neste assombroso passo da vida de Maria ...
Ela vê ,tudo... compreende tudo.. . S. José vê que a sua
esposa virgem vai ser mãe, e não compreende... A Santís-
sima Virgem penetra no coração . de S. José e é testemunha
dos seus horríveis sofrimentos ... Que confusão! Que deso-
rientação a sua ! Ela podia desfazer tudo aquilo com uma
só palavra ... O seu Esposo castíssimo, acreditá-l'A-ia sem
vacilar... Por outra parte, o Anjo não lhe proibira da pad~
de Deus que o dissesse ... Não era, pois, neste caso, nenhuma
imprudência o falar . . . ; com umas palavras evitaria gravís-
simos males ... Já S. José planeava ausentar-se daquela casa
e abandonar a sua Esposa já que a não compreendia... e
apesar de tudo, Ela cala-se ... , não se julga autorizada a
falar mesmo então... ; pei)Sa bem ... , medita diante de Deus ...
e decide continuar calada e deixar a Deus o desenrolar dos
acontecimentos como E le quiser. ....:.._Que heróico silêncio! Que
m"ar11vilhosa pr,udência a que nos ensina Maria cal~ndo-se!
2.• No falar.- Contudo, nem sempre é prudent~
calar ... O mais prudente é saber calar... e saber falar a seu
tempo. - Nisto Maria é outro Modelo maravilhoso. - Se
quer-es aprender discrição no falar, o que é tão difícil,

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Prudência TU1S palavras 383

estuda Maria .~ Não s só podemos afirmar, no .geral, que


nunca da sua boca saiu uma só palavra da qual tivesse de
se arrepender... , senão que, além de tudo o mais, podemos con-
firmar· is·to mesmo, percorrendo as palavras ,q ue Ela nos dej-
xou, como lembrança e como modelo, na Sagrada Escritura.
· São · muito poucas, na verdade, ~as por isso mesmô
podemos percorrê-la,s com facilidade.
a) As primeiras São.- Com o anjo... Mas nem cpm
ele se demora muito tempq em cplóquio... , diz só o que é
preciso, Il!as ta.mbêm .não cala o que tem a dizer ... : «Como
pocl::: ser isso, se eu mio conheço varão»? .. . Faça-se em mim
segundo a vossa palavra - Nem mais, nem menos ...• ; isto
e só isto ... Não são de mera curiosidade as primeiras palavras
senão de grande necessidade ,para conhecer a vontade de
Deus ... As segundas são de submissão completa e perfeita
à mesma vontade de Deus e também precisas para se realizar
o mistério da Incarnação. - Palavras sempre necessárias,
impregnadas de pureza . . . , de virgindade ... , de obediência . .. •
de amor de Deus. - EspLeme-as e verás como distilam tudo
isto ... Ah! se as túas palavras fossem como as de Maria!. ..
b) . Com sua prima. - Palavras de saudação, ainda que
não sabemos quais foram ... Palavras educadas que não são
precisamente de frios e hipócritas cumprimentos. . . Palavras,
sobretudo, de caridade, como cheia de caridade era aquela
visita que fazia . .. , e, por isso mesmo, palavras de gozo e
alegria com o bem alheio ... , Como são diferentes as palavras
da inveja! . . . I;, logo a seguir bro•tavam as Plllavrqs mais
profundas de Maria ...
c) Com Deus. -Porque a que era tão breve ao falar
com os homens ... e ainda com os próprios anjos, parece rque
não sabe terminar quando fala tom Deus... Que sublime e
que encantador .,o magni[ica·t de Maria!... Já o meditaste
noutra ocasião. .. Recordá que era o hino da gratidão.. . da
glorificação . .. do qmor intenso a Deus. - São estas sempre
as palavras de Maria .. . : palavras de caridade com sua

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384 Prudência nas palavras

prima ... , palavras de agradecimento e amor a Deus no seu


cântico .. .
d) Palávras de Mãe: !Meu Filho, 'por que procedeste
assim? ... Teu '. pai e eu procurávamos-te com grande dor ...
São palavras à e mãe... e Maria era mais Mãe que todas as
Mães... e na dor mais profunda que uma ·M ãe pode ter,
que é a perda do seu Filho. - Era necessário falar assim ... ,
-senão pareceria que não era como as outras ... , que não amava
nem sentia ... , nem sofria como as outras Mãe.s. - Foram
palavras à e intenso carinho maternal.. .. de amorosíssima
queixa. - Não é ·~:~em pode ser imprudência ir desabafar os
nossos sofrimentos ... queixar-nos a Jesus ... Pelo co-n trário,
é bem na,tural... O coração necessita expansão... Onde nos
havemos de expandir? ? Vê Maria ... , nada diz aos h=ens ...
desabafa com o Seu Filho ... , com o ' Seu Deus.- Faz tu o
mesmo e verás que diferença há em procurar a consolação
nas criaturas e em procurá-la em Jesus ...
e) · Pal-avras de Mã,e nossa: Não têm vtnho ... fazei
o que Ele vos disser. - Era necessário que Maria revelasse
também, nas suas palavras, que era nossa .M!ãe ... , que se
ocupava de nós ... , que estava disposta a remediar todas
as nossas necessidades espirituais e mesmo materiais. -
Assim o vemos nestas palavras. - São palavras de amorosa
-compaixão para com os esposos de Caná ... e de confiança
e de poder assombroso com seu Filho... Como eram con-
venientes estas palavras de Maria para exciltar em nós a
-confiança n'Ela e em Je.sus!. .. Foram sempre assim as palavras
da Santíssima Vir.gem ... Conhecemos só estas, que indicamos;
porém, !todas as outras deveriam ser semelhantes ... ; palavras
ditas sempre a propósito.. . no devido tempo e lugar... ,
procurando unicamente a glória de Deus e o bem das almas.
• J Pede à Santíssima Virgem que seja a tua Mestra no
falar, · para que saibas ser prudente nas tuas palavras e
aprendas a difícil ciência de saber falar... e de saber calar
quando se deve.

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19. Justiça

1. • O que é? ... É uma virtude moral que nos manda


dar a cada um o que é seu .. • Todos queremos que nos dêem
o que nos pertence ... ou que respeitem o que é nooso ... ,
a nossa fama.... a nossa honra ... , os nossos interesses .. .
Porém, gostamos igualmente de proceder assim com os
outros?... Como gostamos de exigir direitos mais ou menos
certos e verdadeiros que temos!... Mas pelo contrário.. .
quão fáceis scmos em quebrar os direitos dos outros! .. .
Isto é a injustiça ... , atropelar o direito alheio ... , fahar
às nossas obrigações. - Lembra-te que todo o direito supõe
um dever ... Portanto, se os outros 1têm direito ao seu, tu
tens o dever de lho dar ou de respeitar. - Isto é a
justiça. .. e esta a obrigação que nos impõe. - Quer dizer
que esta virtude não é uma vintude de conselho que serve
.para adornar a alma ... , senão uma virtude necessária e
obrigatória que a todos os homens, e a todo o memento nos
obriga... e nos exige o seu exacto cumprimento.
Podemos distinguir ~rês espécies de obrigações que nos
impõe a justiça: para com Deus ... , para com o próximo...
para connosco .mesmo... A todos havemos de dar o que é
seu ... ; assim no-lo diz Jesus Cristo: «Dai a César o que
é de César e a Deus o que é de Deus» . .. Isto é, dai a cada
um o que lhe corresponde e issc é proceder com rectidão ....
23

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386 Justiça

com sentido de justiça. ~ A Santíssima Virgem teve que


ser necessàriamen1te modelo acabado nesta virtude, já que,
não sem razão, na Sagra.ia Escritura se confunde a justiça
com a santidade ... chamando-se varão justo ao que é santo ...
Qual seria, pois, a justiça que brilhou em todos os
actos de Maria se foi como sabemos à sua santidade? ...
A Igreja não duvida em chamar-Lhe Espelho de; )justiça
onde \Se refleCII:e a justiça... e para onde havemos de olhar
para cumprir exactamente com ela. - Vejamos, pois, esta
justiça da Santíssima Virgem nas suas diversas obrigações ...
e aprendamos os seus ensinamentos.
2. o justiça par-a com Deus. __,Esta justiça reduz~se
a conhecer a Deus como Nosso Senhor ... e a nós como obra
das Su,a s· .tp.ãos... Portanto, Ele tem direito completo...
total..., absoluto ... , inalienável..., sobre nós e sobre todas
as nossas coisas ... , e nós a obrigação de O reconhecer como
tal e assim viver, como quem não se pertence a si mesmo ... ,
senão que pertencemos e sempre pertenceremos a Ele.
Temos por dever crer nas suas palavras ... , porque é a
verdade infalível. .. e obedecer aos seus mandamentos, seguir
as suas inspirações com docilidade, porque é infinita a sua
omnipotência... Devemos dar-Lhe todo o nosso coração
sem reserva alguma ... , porque é a Bondade inefável e fonte
de todo o bem. -É, numa palavra, nossa obrigação viver-
mos para Ele ... , e não para nós mesmos ... ; darmo~nos
totalmen'te a Ele e ao seu divino serviço ... , procurarmos em
tudo a Sua Glória ... , nunca a nossa ... ; enfim, louvá-lO,
servi-lO e a.m.á-10, sem limites.
Portanto, quando assim fazemos ... , quando nos con-
sagramos a Ele em corpo e alma e nos oferecemos para o
seu serviço ... , · nada fazemos de extraordinário... , estamos
cumprindo simplesmente com os deveres da mais estri~a
justiça ... ; e ao contrário, sempre que de uma ou outra
maneira vivemos para nós mesmos... ou nos buscamos

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Justiça 387

a nós ... ou nos glorificamos .. . estamos abusando de Deus ... ,


espezinhamos os seUs direitos ... , faltamos aos nossos deve~
res... e procedendo com notável injustiça.
A San't.íssima Virgem nunca assim foi... A sua vida
sintetizou~se sempre nestas palavras: Eis aqui a escrava do
&nhor ... Viver sempre como escrava ... , entregue ao s~rviÇo
do Seu Deus e Seu Senhor como escrava... , fazer em tudo
a vontade divina sem liberdade nem vontade própria, como
uma perfeita escravazinha... este foi o seu ideal ... , esta a
sua vida. .. Poderá haver vida mais cheia de justiça e de
rectidão e . de santidade, que a daquele que vive assim
submisso a Deus, como viveu Maria? ! - Isto é entender
e praticar a justiça para com Deus... um cumpri~nto
exacto dos seus deveres ... , um rendimen1o total de juízo•.. ,
uma sujeição completa da vontade ... , um holocausto per~
feito, e contínuo da tua razão e das tuas energias... Eis
o que te ensina a tua Mãe... , eis o que itens de fazer sempre,
se ·A queres imitar.
3. 0 Para com o próximo. - Esta justiça obriga~nos a
dar a cada um o que lhe corresponde ... , a não defraudar a
ninguém em coisa alguma .. . , a não desejar o que lhe
pertenc~. - Temos de respeitar tudo o que é propriedade
legítima do próximo e nem com palavras ... , nem - com
obras ... , nem com desejos, podemos atentar contra ela.
Pensa quantas vezes se falta a isto ... , com juízos teme~
rários ... , com· palavras de crítica ... , murmuração... , ironia ... ,
falsos tes.temunhos ~ ..• com torcidas e maliciosas interpre~
itàções. ..:_.:A falta que nisto cometemos não é já contra
a ·caridade; a maior parte das vezes é contra a justiça.
. Contempla a conduta da Santíssima Virgem com todos
Ós que a rodeiam e vê como se coloca no lugar que Lhe
correspondia e respeitava os dos outros·. - Ela era a M1'íe
de Deus ... , porém, S. José era a cabeça da casa, o pai de

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388 Justiça

família .. : e M:laria presta~lhe a mais pronta, sub.mi.ssa e


perfeita obediência ... Não discute ... , não se revolta contra
as suas disposições ... A Ela pertence-lhe obedecer, e obedece
sem protestar, .seja no que for: agora a Belém... , depois
ao Egipto ... , a. Nazaré ... , a Jerusalém ... Quantas viagens ...
Qua!lltas fádigas! .. , Não podia ir ele só? Ou ir de outra
maneira? . . . Maria cala~se e obedece; esse é o seu dever
com S. José e assim o cumpre exactamente.
E como cumpriu os seus deveres de Mãe de Jesus? .. .
Não lhe consagrou a mais constante e tema solicitude
maternal·?·... Não viveu toda por Ele... unicamente para
Ele?- Do mesmo modo procedeu com os seus parentes e
conhecidos... Lembra-lte como se portou com Santa Isabel. ..
Aàmíra e pede imitar esta exactidão nos teus deveres ... .
em saber viver no teu lugar... e em respeitar os direitos
dos outros.
4.• Para con:nosco. - Devemos a nós mesmos um amor
bem compreendido e bem ordenado ... , pois o que é mais
triste é que ninguém nos ama e nos quer pior do que nós
mesmos. - Devemos !ter-nos um amor conforme em tudo
aos ditames da razão e da fé ... , segundo os quais devemos
4ar, como antes dissemos, a CéS!BZ' o que é ck Crésar, e a
Deus o que é de Deus .. . Mas o facto é que compreendemos
bem o primeiro ... , e oxalá déssemos sõmente o que devíamos
a César! .. , Isto é, às coisas temporais ... , e a Deus, em
compensação, quão abandonado o deixamos ! Pensa, por
~xemplo, se dás c mesmo valor ... , e importância .... a uma
doença corporal e a uma espiritual.. ., se cuidas do mesmo
modo da alma, e do corpo ... , se te importas . igualmeD!te
.com o temporal e cem c eterno, etc .. .. , e verás, com ver~
gonha, que notável diferença!.. . Que injustiça só a com-
paração entre estas coisas tão distintas! .. . Qual será.
pois, a preferência que dás às coisas baixas e terrenas, ·e às
que são espirituais ... , às da tua alma e às de Deus!

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justiça 389

Vê a Santíssima Virgem amando-se com este amor ver-


dadeiro, com o qual dirigia a Deus todos os seus actos e
fazia que todos contribuíssem a melhor servi-lO e a melhor
amá-10. ~Sempre que procuras algum bem espiritual ... .
algum aumento de virtude, estás amando-te deveras e
cumprindo em ti com a justiça ... , e pelo contrário, que
injustiça cometes contigo mesmo quando pecas ... , quando
desprezas as graças de Deus, etc. ! . . . Pede à Santíssima
Virgem que to dê assim a conhecer.

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20. Fortaleza

1.0 A sua importância. -:É muito grande e muito


ímpontante a virtude da fortaleza: - Não é possível que
se sustente uma virtude .. . , nem que a vida espiritual perse-
vere numa alma sem a fortaleza .. .
A prudência, dizíamos, é a luz e guia, é a norma
reguladora das virtudes .. . , porém a fortaleza é o seu apoio
e sustento. ---< Toda a vida cristã ... , e ainda mais a vida de
perfeição e santidade... , é vida de coiiJtínua luta de inimi-
gos ... , exteriores e interiores ... ; umas vezes temos que nos
defender dos seus ataques .... em ocasiões tão terríveis e tão
frequentes ... ; noutras convirá tomar a ofensiva e atacar
e combater o inimigo para lhe tirar forças e prevenir as suas
tentações ... Temos que vigiar continuamente para não ser-
mos surpreendidos.
Tudo isto não se faz sem a fortaleza.- Nesta luta
incessante fàcilmente há cansaços, desalento, sobretudo se
houve quedas ... , se sofremos alguma derrota... Que ~rá
então da alma sem fortaleza... Como se levantará... e se
animará para combater de novo? ... ~ Üuitras vezes é o
próprio Deus que não só consente as tentações do inimigo...•
senão que Ele mesmo nos prova com tribulações .. . , dores ... ,
enfermidades ... , cruzes e sofrimentos... Como é fácil então,
cairmos oprimidos por uma cruz que julgamos de peso
insuportável. .. Quão necessária é então que a fortaleza nos

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Fortaleza 391

dê ânimo e nos sustenha, para levar ~udo o que Deus quiser


mandar-nos para nosso bem!
2.° Fortaleza de Maria nas lutas. - Maria foi isenta
por privilégio do Senhor, da luta da concupiscência ...
As paixões estavam n'Eia perfeitamente dominadas. - Con-
tudo Deus não A poupou às dificuldades e às contrariedades
· com as quais acrisolava mais e mais a sua virtude, e nas
quais Ela mostrou uma grande energia ... , uma fortaleza
extraordinál"ia ... Quanta fortaleza não necessitou para aquela
contínua vigilância que devia ter por causa da plenitude de
graças que tinha recebido do Senhor, para conservá-Ias e
para corresponder à altíssima vocação a que tinha sido
chamada 1- Nas mesmas circunstâncias hab~tuais e ordiná-
rias que rodearam a sua vida, quanta fortaleza não mostrou
a Santíssima Virgem !
Compara-A com aquelas boas mulheres de Nazaré ...
Que ideias ... , que afectos ... , que aspirações, que maneiras
tão diferentes! . . . E contudo, a Santíssima Virgem vive
naquele ambiente como se fosse o seu próprio..• , prodiga-
lizando amabilidades .. . , simpaltia ... , carinho por toda a
parte... Que violência não tinha que fazer para sustentar
naquele ambiente tão pouco propício, o seu amor à virgin-
dade ... , a sua humildade e modéstia ... , o seu recolhimento
constante ... , a sua vkla de oração e de união com Deus I
E mais tarde, na vida pública do seu Filho ... , que vio-
lênCia não rteve que fazer ao seu coração para estar separada
do seu Jesus ... , para não segui-lO para toda a parte ... ,
para não vê-10 ... , ouvi-10 ... , cuidar d'E!e ... , consolá-lo? .. .
Que fortaleza a sua no meio das perseguições e sobressaltos
da Igreja nascente! ..• Como Ela a todos animava ... , conso-
lava... e fortalecia na fé e na confiança em Deus ... , acei-
tando e vendo em tudo os planos da Divina Providência I
3.• Fortaleza nas provas. - Que fortes e eXItraordi,.
nárias provas não teve Ela que passar l Recorda as dúvida.<~
de S. José, de que já falámos. .. Como mantém., com uma

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392 Fortaleza

fortaleza admirável aquele seu silêncio e como passa por


aquela humilhação e prova da.s mais duras para uma esposa
e para uma virgem! - Depois a . viagem a Belém, semeada
de desprezo ... , de incomodidades ... , de privações sem conta ...
A pobreza da gruta ... , todas as circunstâncias do nasci-
mento do seu Filho ... , seriam mais que suficientes para
destruir uma virtude qúe não tivesse a fortaleza da de
Maria. Mais tarde, a circuncisão. . . Presencia a dolorosa
cerimônia de cortar a tenra e delicadíssima carne d~ Menino
Jesus ... ·; vê correr o Seu Sangue misturado com as lágrimas
que o sofrimento e a dor arrancam a Jesus ... - Vai per-
correndo as provas da Purificação . . . , com a profecia de
Simeão, que Lhe amargurou a vida para sempre ... a perda
do Menino e o enorme sofrimento daqueles dias até que O
encon<trou ... ; as profundas amarguras do seu coração, durante
toda a vida pública de Jesus ... , e finalmente, contempla
a Santíssima Virgem como a imagem ideal da fortaleza
aos pés da Cruz ... , sacudida pela fúria daquela tempes-
tade de dores e sofrimentos, desencadeada contra Ela no
Calvário. . . e contudo, como a luz do farol no meio das
ondas, sem vacilar. . . , sem tiitubear . .. , bebendo, serena, gota
a "ota até às fezes, aquele horrível e amargosíssi.mo cálix!
Aproxima-te bem junto d'Ela ... , põe-te em contacto
com o seu coração e pede-Lhe essa força ... , essa energia . .. ,
essa fortaleza varonil... para aceitar as provas que Deus
te envia... e a'té para desejá-las com santo entusiasmo, pois
elas te purificar:io e acrisolarão dando valor sólido e posi-
tivo à tua virtude.
4.• For:ta.leza nas suas decisões. - Não é a fortaleza
passiva que resiste às provas, às tribulações e às tentações ... ,
é a fo!'taleza activa que acomete com energia e empreende
com decisão. - O caso de 'M aria neste ponto é verdadei-
ramente admirável. .. , é simplesmente único .. . , incomparável.
Nada há de semelhante à fortaleza desta jovenzinha tão
débil e delicada, apenas com três anos ... , que decididamente

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Fortaleza 393

se arranca dos braços de seus pais para consagrar-se ao ser~


viço de Deus, no Templo .. . ; intrepidez com que sobre
os degraus do mesmo... e a decisão, ce!'1tamente sobre~
~humana , com que nele faz o seu voto de virgindade ao
Senhor!
Que assombro deve ter causado entre os próprios Anjos
do Céu!- E quando consentiu em ser Mãe de Deus, sabendo
perfeitamente os sacrifícios cruéis e heróicos que isto signi~
fi cava, onde encontrou forças para acometer uma empresa
tão grande como a de ser Corredentora do gênero humano? ...
- Simplesmente na fortaleza do seu coração - .A fortaleza,
é a virtude que faz os heróis e os santos.
Di:vse que a virtude não tem de feminino mais que o
nome . . . , pois supõe sempre energia .. . , decisão ... , valor ... ,
força; ora, tudo isto é dado pela fortaleza. - Pede~a à
Santíssima Virgem. - Pede~Lhe fortaleza .para sustentar.
conservar e defender a tua fé .. ,; fortaleza para lutar com as
tentações que vêm de fora ... e com as que vêm de ti mesmo,
que são piores ainda ... ; fortaleza para vencer e dominar
com energia a carne re~lde e a.ssim poder conservar a tua
pureza . .. ; fortaleza para sofrer e para cumprir com os teus
deveres quotidianos .. . ; fortaleza, enfim, para te santificares,
sem retroceder . .. , sem desmaiar ... , sem nunca te desalen~
tares . .. , crucificando-te na Cruz de Jesus Cristo e ali perma~
necendo sem baixar da Cruz, como Ele.

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· 21. Temperança

1.0 Virtude racional. - Bem pode chamar-se deste


modo esta bela virtude. - Todas as virtudes são, sem
dúvida, muito racionais ... , porém, a temperança é, na ver-
dade, própria e exclusiva da racionalidade ... , visto que por
ela, o homem procede como tal... e quando falta a esta
virtude, mais parece animal do que ho.mem.
Contempla o homem sem temperança no comer e beber•..
Não é a imagem exacta dos animais imundos, que se revol-
vem na própria comida? Vê o intemperan'te em gênio e
carácter, deixando-se levar da ira: não parece antes uma
fera que se sacia na sua vítima. -A temperança é uma
virtude que está relacionada com outras, como a mansidão
e doçura .. . e em especial com a mortificação, a tal ponto,
que bem pode considerar-se como uma parte ou um exercício
desta última. - Contudo, é bom que a consideremos sepa-
radamente, já que a Santíssima Virgem também é dela
modelo acabadissimo.
2.0 Na comida e bebida. - :É esta a primeira aplicação
que se faz da temperança ... , isto é, a moderação que se
deve guardar no comer e no beber. - Parecia não ser neces-
sário determo-nos nesta vil"tude, aplicada a este ponto... , pois
parece incompreensível que o homem possa exceder-se numa
coisa tão baixa .. . , tão degradante, como é o comer e o
beber. - Esta necessidade da natureza, é um verdadeiro

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Temp::rança 395

castigo de Deus... e todos nós sentimos a humilhação de


nos vermos nisto t otalmente semelhantes aos animais. -
A bondade de Deus suavizou este castigo, dando-nos o sen-
tido do gosto, para com ele saborear os manjares... e
estimulando o a c to de comer por meio do apetite ... , porém,
o homem, transtornou o plano de Deus e como se o gos;to
fosse o fim do comer parece que muitas vezes não procura
nele senão satisfazer esse .g osto com refinamentos e exquisi-
tices culinárias... ou saciar o a peite comendo e bebendo
com excesso. Segundo o que acabamos de ver, a tempe-
rança, neste ponto, há-de moderar não só a quanttidade, não
permitindo mais que o que seja conveniente ... , senão tam-
bém a quali'dade, desterrando todo o saborismo no preparar
e no apresentar a comida... e até no modo de a tomar com
excessiva complacência... ou com modos que indiquem uma
ânsia grosseira e insaciável... Como se aplica bem a isto
aquele princípio de que a educação e a verdadeira urbani-
dade contribuem poderosamente para a santidade! . . . Neste
caso vão tão juntas a temperança e as regras da boa edu-
cação, que se confundem uma com a outra.
Entra na casa de Nazaré e vê a Santíssima Virgem
preparando e cozinhando a comida daquela pequenina casa ...
o condimento principal é a pobreza... e a temperança... e,
sobretudo, o carinho e o amor com que a Virgem Santís-
sima a prepara e a serve. - Contempla aquela casa ... , os
Ultensílios que emprega ... ; tudo muito limpo, porém, tudo
muito pobre. - E, como comeriam aqueles três encantadores
seres? ... Que modos ... , que atitudes ... , que porte tão cor-
rec•to! . . . Que virtude da temperança tão divinamente pra-
ticada na casa de Nazaré!
Diz à Santíssima Virgem que te ensine... e que te
lembres d'Ela quando te sentares à mesa ... , quando te servem
alguma coisa de que não gostes, para que te venças e a
tomes ... , ou quando, pelo contrário, é alguma coisa que te
agrada muito, para que te contenhas e não te excedas ... Que

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396 Temp12rança

te lembres com a presença da Santíssima Virgem, de sobre-


naturalizar e dar um grande valor a este aCito tão degra-
dante e miserável, corno é o de comer ....; enfim, que nunca
te levantes da mesa, sem ter feito alguma mortificação eni
honra <:la tua querida Mãe ...
3.• No dormir.- Outro acto humilhante... , outra
triste necessidade da nossa natureza... Que espectáculo
degradante é o homem a dormir! ... Toda a sua vida racional
e espiritual, está por completo ausente ... ; é a imagem mais
perfei•ta de um cadáver ... Compara-se a morte com o sono,
e dá-se-lhe o mesmo nome ... Não é, portanto, uma aberração
digna de lástima convertê-lo em prazer desordenado?-Bem
está dormir o necessário e o conveniente, como é natu-
ral, não porém, com excesso ... , pois este excesso é muito
nocivo para a alma e até para o corpo
Não sabemos o tempo que a SanJtíssirna Virgem dava
ao descanso ... , nem como seria o seu leito ... , etc., porém,
será demais supor que se levantava com a aurora, antes
que saísse o sol, cantar o hino da gratidão que na alvo-
rada entoavam a Deus as avezinhas e toda a criação?
----'Não poderemos afirmar que muitas ... , .muitíssimas vezes
in•terromperia o seu sono para orar... e que muitas mais,
sem dúvída, encurtaria em grande parte o tempo do descanse
para falar na soledade da noite com Deus. .. e passaria
mesmo algumas noites inteiras na sua companhia 7... Não
o fez assim Jesus com frequência, como o indica o Santo
Evangelho? ... Pois, corno a Santíssima. Virgem deixaria de
imítá-10 nisto, corno em tudo o que lhe via fazer?
4:. 0 Noutras coisas. - Finalmente, a temperança esten-
de-se a moderar todos os gostos e prazeres que pode dis-
frutar o homem, rna.r cando claramente os limites do lícito
e do ilícito. - Pensa nas superfluidades da tua casa, talvez
só para bem parecer e fomentar até com isso o ~eu espírito
de vaidade ... Pensa na tua pessoa ... , no vestido e no modo
de te arranjares e de te compores.. .. Quão necessário e a

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Temp,~cança 397

propósito vem aqui a moderação para vir a dar no justo


equilíbrio! Que bem sabe o demônio disfarçar a sua acção
com razões aparentes, que sugere: - é necessário vestir
assim .. . , arranjar~se de tal modo... para não chamar a
a!tenção !... etc.; e a verdadeira razão é simplesmente a
vaidade ... e o desejo de parecer bem e agradar aos outros.
Nas recreações e diversões, ainda boas e sãs ... , com~
pletamente lícitas e convenientes ... , pensa na maneira como
as passas; como nelas se descobre a pessoa culta. .. edu~
cada .. . e .mortificada.- Moderação e temperança no falar ... ,
no rir ... , no brincar ... enfim em todos os actos, não pro~
curando o mais cômodo .. . , suave e efeminado... Assim
conseguirás dispor o teu corpo para agradar a Deus, vivendo
vida de mortificação e sacrifício ... ; dispor o teu coração
para a vida interior de oração e recolhimento... e. enfim,
dispor a tua alma para as práticas das virtudes sólidas e
perfeitas.
Aplica estes pontos à vida da Santíssima Virgem e
verás quão perfeitamente Ela esteve adornada com a senhoril
virtude da temperança. - Suplica~Lhe te conceda os frutos
tão excelentes desta virtude para o teu corpo ... , para o ~eu
coração ... , para a tua alma ... e examina~te bem sobre esta
virtude, para corrigires o que for necessário.

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22. Humildade

1·. 0 Humildade necessária.- Depois das virtudes teo~


Jogais e das cardeais, sem dúvida que vem. a humildade.
É aquela vii<tude da qual diz S. Francisco de Sales,
que é necessário em cada instante a todos, ai'nda aos mais
perfeitos ... ; a que é por todos considerada como o funda-
mento do edifício da santidade... e primeiro passo a dar
neste caminho. - A Igreja repete com frequência, no Ofício
Divino, aquilo de Santo Agostinho: Queres levantar uma
grande fbhnca de Santidade.? ... Pensa primJ~iro numa sólida
base de hum1'/dade .. . , porque quanto maior for o edifício
mais fundos hão-<k ser os alicerces
. É certo que a árvore que não lança raízes profundas,
não pode ter grande corpulência ... , nem resistir à fúria do
vendaval. - É um erro lamentável julgar-se alguém muito
adiantado na perfeição e não ter dominado a soberba ... ,
o orgulho ... , o amor próprio .. . , pois ainda que leve uma
vida de muitta piedade e intensamente espiritual, está muito
longe do princípio da perfeição se não é humilde... Ouve
a S. Tomás, que diz: Aquele que ni!io é humilde, airuút que
[aç_a milagres, não é pr-rfeito .. . , porque toda a sua vida está
falha de solidez.
Não duvides disto: se não chegaste já a maior santi-
dade, é porque ainda não és profundamente humilde.
Examina-te e verás que é o terrível amor próprio o que
prende as tuas asas e te não deixa voar a Deus e às ahturas
da perfeição. - Deus encanta-se por completo ·das almas

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Humildade 399

humildes e dá-se a elas sem reserva ... , elevando-as a uma


altura de santidade, sempre proporcionada ao aniquilamento
e à sua humildade ... Deus resiste aos soberbos ... , e dá a
sua graça aos humildes, diz S. Tiago. Todo o que se
humilha será exalta'do e o que se exalta será humilhado,
segundo o Evangelho.
Repete devagar e vol'ta a saborear o Magnificat da
Santíssima Virgem em que de um modo tão belo Ela canta
as excelências da humildade .. . E , como não? pois diz Santa
Teresa, que a humildade de Maria foi a que atraiu a Deus
do Céu às suas puríssimas entranhas e com ela O trazemos
também nós por um cabelo às nossas almas.
Considera, pois, mtúto devagar a grandeza de Maria .. . ,
a sua êxcelência quase divina ... , aquela sua pureza, com
todo o col'!tejo de virtudes que a acompanham, etc., e pensa:
qual será o fundamento proporcionado a essa santidade? ...
- Se n'Ela, por ser obra prima de Deus, tudo, tudo é
harmonioso, que humildade será necessária para formar o
conjunto e manter a harmonia com aquela grandeza?
Na verdade, se Deus, à vista da sua humildade, tanto
exaltou alguns saiJ!tos ... , que humildade teria visto em sua
Mãe quando assim a engrandeceu sobre todos os outros? ...
Extasia-te diante da virtude de Maria e condensa na sua
humildade toda a sua santidade, segundo aquilo de Santo
Agostinho: «Se me pergun1tas qual é primeiro e principal
meio para a perfeição, dir-te-ei : em primeiro lugar, a humil-
dade ... ; em segundo lugar... , a humildade, e em últímo caso,
a humildade»... Não porque tenhamos de desprezar as outras
virtudes ... , senão porque tendo-a a ela deveras, temo-las
todas .. . , pois se a soberba é mãe de todo o pecado... , a
humildade é mãe de 'toda a virtude. -Medita isto, ante o
exemplo da tua Mãe. Examina-te mtúto sobre este ponto ... ,
envergonha-te e suplica-Lhe ...
, 2.• Humildade verdadeira.-'- Adverte, pOrém, que tudo
isto se aplica unicamente à humildade sincera ou veroa-

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400 Humildade

deira, não à aparente e fingida... E, o que é uma e outra?


A humildade verdadeira é a resposta sincera a esta. dupla
pergunta: Quem é Deus?... Que.m sou eu?... Deste duplo
conhecimento brota, naturalmente, o conhecimento da nossa
baixeza em comparação da imensidade de Deus ... , da nossa
miséria ... , do nosso nada.... da nossa incapacidade para
.dar um único passo no caminho da santidade ... , dos nossos
pecados, que são ainda pior que o nada . . . ; das nossas con-
tínuas imperfeições e ingratidões com as quais tens deitado
.a perder tantas vezes as graças de Deus ... Vê o teu corpo ... ,
-quanta corrupção! ... Vê a tua alma; quanta miséria! ... Que
coisa mais natural que a humildade diante deste quadro tão
real e tão verdadeiro! - Por isso a hr.tmildade é a verdade,
.segundo Santa Teresa.
S. Francisco de Sales, tirava desta verdade estas con-
.sequências que muito devagar deves meditar:
a) Que não 1temos razão para nos termos por alguma
-coisa, senão que devemos ter um baixo conceito de nós
mesmos .... pois só devemos estimar e amar a Deus ...
b) Que não devemos procurar nem aceitar louvores
nem estima de nenhuma espécie ... , poi.s isto é tuma injustiça,
já que tudo é devido unicamente ao Senhor . . .
c) Que devemos ter amor pela obscuridade ... , pelo
desprezo ... , pelo esquecimento ... ; isto é o que se deve ao
nada e ao pecado .. . , e se Jesus Cristo sem pecado foi o
primeiro a fazer assim, nós, carregados de tanto.s, com. maior
motivo devemos fazer o mesmo.
Aplica tudo isto, ponto por ponto, à vida da Santís-
sima Virgem e verás quão fàcilmente encon1tras n'Eia o
modelo prático da verdadeira humildade .. . , daquela humil-
·dade, da qual Jesus Cristo dizia: Aprendei de mim, que sou
manso e humilde de core?;ão... Que boa disciplina foi a
Santíssima Virgem, pois aprendeu tão perfeitamente esta
]ição ! . . . Porque não a aprendes tu também assim? .. .

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Humild.3de 401

3.• HumildEJ.de falsa.- Não é, pois, verdadeira humil-


dade em que consiste em meras palavras ... , em acções pura-
mente exteriores... Quantas vezes, apesar de inclinar a
cabeça ... , trazer os olhos baixos ... , procurar o último lugar ... ,
e dizer mal de si mesmo, etc., se junta a tudo isto um refinado
amor próprio, que não sofre a menor contradição .. . e menos
ainda ver-se posto de parte .. . , que não é capaz de sofrer
uma correcção de um superior ou u.m aviso salutar de
pessoa amiga... que não sabe sofrer um injúria o;, um
-desprezo... , que anda sempre com comparações ou exigên-
cias . ditadas pela inveja, para não consentir preferências
de nenhuma espécie! ... etc. -Bem se vê que wna humildade
assim, não merece este nome, pois é humildade fingida e
aparente ... , puramente externa .. . , que não nasce de um cora-
ção verdadeiramen:te humilde.
É também falsa humildade, a que não quer reconhecer
as graças que recebeu de Deus, e julga que pensàr nisso é
ogrande soberba ... Como foi diferente a humildade de Maria,
quando n·ã o duvidou publicar que tinha recebido coisas
muito grandes do Senhor, e que por isso A chamariam bem-
-aventurada todas as gerações! . . . Mas disso não tirava outra
<:onc!usão .senão a da .glória ... , louvor e agradecimento· ao
Senhor... Reconhecer, não para envaidecer-se do que se
recebeu, senão para mais louvar, servir e amar a Deus, é a
verdadeira humildade.
Finalmente, é funesta humanidade a que, considerando
a sua baixeza e a sua miséria, de·duz, como fruto prático
<leia, o desalento ... , a desilusão ... , o abatimento.- A fór-
mula da verdadeira humildade é: Por mim nada sou .. . ,
nada posso, porém, tlldo posso n'Aquele qu;~ me conforta.
-Tudo; portanto, não há nada impossível.. ., nem sequer
a santidade, para o verdadeiro humilde. - Pede à San'tíssima
Virgem 'luzes para distinguir e conhecer bem estas duas
hu.mtldades para que, fugindo da falsa, com a sua ajuda te
fJrrnes bem ma ·verdadeira.

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23. Humildade

1. 0 O verdadeiro conhecimento.- Como a humildade


é a verdade ... , e funda-se na verdade ... e é fonte da verdade,
por isso é ela a que nos dá o verdadeiro e exacto conheci-
mento de nós mesmos.- Vê quão bem se conhecia a Santís-
sima Virgem a si mesma. -Ninguém tinha recebido de
Deus mais graças e privilégios extraordinários do que Ela . ..
Imaculada na Sua Conceição ... , cheia de graça, por i~so
mesmo, desde o seu primeiro instante ... , mais santa que
todos os santos e santas juntos . .. Rainha do Céu e corre-
dentora dos homens ... , bendita entre todas as mulheres ... ,
enfim com o título único que tudo resumia: Mãe de Deus! . ...
Assim se vai ·M aria, assim se conhecia a Si mesma.
e, não obstante... vê, como Ela é sempre humilde! Sabia
que tudo isto estava n'Eia ... , porém nada era d'Eia. .. ; tudo
era de Deus ... , tudo era porque se tinha dignado o Senhor
olhar para a sua escravazinha, com olhos de misericórdia . .. ,
como o cantou no seu Ma·gnificat ... ; tudo atribuía a Deus ... .
tinha uma consciência perfei'ta do seu nada... e assim se
considerava diante de Deus, como o mesmo nada ... , como
a última das suas criaturas ... , como a mais indigna das
escravas que O servem... Assim adorava Ela a Deus ... •
assim se aniquilava na sua presença ... , assim se subn1etia
em tudo e sempre à sua divina ·vontade ... , assim estava
toda a ·vida recebendo e praticando a sua fórmula sublime
de humildade ... · o ·programa da . vida do verdaC;Ieiro
humilde: E is aqui a escre.va do Senhor ... Fa!;a-se. tmJ. -min2

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Hwnildade 403

segundo a vossa palavra. -E .como 'tinha este conheci.m€nto


profundo de si mes:;na . . . e . operava sempre com este conheci~
mento e persuasão do seu nada, assim aparecia também
perante os outros. - É ·R ainha dos Anjos ... , poré.m., não o
mostra ... Com que reverência os trata! ... Vê neles os servos
fiéis de Deus ... , os seus emissários e embaixadores ... e por
isso se humilha diante deles ... Desgosta-se e perturba-se ao
ver-se reverenciada e louvada por eles. ·
Des•te mesmo modo trata com os hc.m.ens . .. Fixa-te,
especialmente, no seu porte humilde e respeitoso,. para com
os seus paLs ... , para cem os sacerdotes, para com os supe-
riores ... , para com S. José ... , enfim, para com todas aquelas
aldeãzinhas de Nazaré ..• Vê como vive exactamente igual
a ·elas ... como a humilde esposa de um carpinteiro ... e tiío
convencida estava de que era em Si mesma .. . , que Iião
aspirava a outra coisa, julgando que não tinha direito a
outro gênero de vida ... , e sempre contente com. a sua sorte,
e isto que era a Rainha do Céu! . . . Que exemplo ... , q.ue
~i&ão para nós!.. . Faz aplicações práticas à tua vida ... ,
compara-te com a Virgem Santíssima nalguns desses casos
que >tu perfeitamente conheces da tua vida, e verás cla r a~
m,ente, deste modo, a tua soberba ... , o teu amor p.róprio . .. ,
o teu orgulho refinàdo ... a tua falta de humildade ... e, por
isso me.smo, a tua falta de conhecimento sincero de ti
mesmo.
2. 0 A verdadeira grandeza. ~ Medita agora na gra,n-
deza que brota da humildade~ .. ; esta é a única que merece
este· nome. ·.. Todas as .outras grandezas são mentira.-
.(), bom em nunca é tão grande como quando está de joelho! ... ,
isto ·é, . quando se humilha e se confunde com o pp c;la , sua
.mi.$éria: .. Assim· se confundiu o publicano do Evangelho ~
§e· fez ~santo,-.. Assim se confundiu S. Pedro e no seu hum,i1de
arrependimento mereceu ser exaltado a'té à honra de p.rimeiro
.papa ... Assim, mais que todos os santos e mais, gue , todas
<;.~: Ci'iaturas, se confundiu ? Santí-ssi.n;J.a .Virgem ao confessar-s~

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HumildBáe

pilb1icaménte eS'cr:av.a do Senhor: e por isso foi elevada· à


dignidade de Mãe de Deus! . . . Que verdadeira grandeza a
da humildade diante de Deus e até diante dos homens f •• ,
Recorda a Lusbel no Céu .. . , a Adão no Paraíso... e
convencer.Jte-ás que a soberba, não só não conduz a espécie
alguma de grandeza, senão que leva à mais terrível e espan-
tosa queda. - Uma vez quiseram os homens levantar uma
torre que chegasse ao Céu, para desafiar o poder de D~us
e tornar i.mpossíveis os castigos da sua justiça ... , mas a
única coisa que fizeram foi tornarem-se ridículos ... , dignos
de desprezo e de troça de todas as gerações.
Compara agora com esta a conduta de Maria, que não
quei' passar da condição de serva e escrava, e não só de
palavra mas a valer; quer ser tida como tal... e viver sempre
assim ... ·Deus, porém, exalta-a .tanto, que também Ela exci-
tará a atenção de· todas as gerações ... , mas para A a dmira-
rem e bendizerem sempre. Como Deus cumpre bem a sua
palavra!... O que se humilha será exaltado ...
Do nada criou o mundo e tirou todas as coisas, e não
parece senão que agora também quer tirar do nosso nada
toda · a nossa .g randeza... Por isso exige como condição
indispensável, para fazer-nos grandes e santos, que tenhamos
diante dos nossos olhos o nosso nada ... , o puro nada que
somos e que podemos. - Sõmente ·a humildade é a que
levanta a altíssima torre ... , firme .. . e segura que ultrapassa
as ·n uvens e chega a1té aos Céus .. . , até ao trono do próprio
Deus.
3. 0 A verdadeí<ra fortaleza.- Finalmente é na humil-
dade que se encontra o ponto de partida para as grandes
façanhas, para os grandes beroís.mos. - 0 humilde descansa
em Deus ... , conta com o poder omnipotente de Deus, e
não há nadà que se lhe oponha ... , nem dificuldades que
não vença. ---' A humildade não é pusilanimidade nem ' retrai~
inezito, · .q ue nos faz cobardes... medrosos; pelo contrário; é
a vi~fuife' ' dos foites ... ; a ·que dá e ·gera a verdadeira fortaJ

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Humildad'e 405

leza.- Toda a sua corag<m varonil e a sua grande energia


e decisão em operar, dissemos que a tirou a Santíssima
Virgem da sua profunda humildade.
Na sua Purificação, passa Maria por uma das ma;ores
humilhações da sua vida .. . ; seria necessário, para apreciá-Ia
em toda a sua extensão, conhecer o amor da Santíssima
Virgem à sua pureza imaculada. - À dignidade de Mãe de
Deus teria anteposto ou preferido a sua virgindade. .. e
a~ora, tem que passar ao.s olhos das criaturas como uma
mulher igual às oU!tras. -A açucena puríssima aparece
como .rn.urcha p~rante os homens. .. Só Deus conhece o seu
candor e inocência ... - O amor próprio fàcilmente teria
pr9curado pretextos neste caso para proceder doutra maneira:
o zelo da glória de Deus ... , a edificação do PX:ÓYJmo.... a,
alegria daquele povo ao saber que já estava e~tre eles o
Messias, etc.- Maria não admi•te tais sugestões.. ,, obedece
à lei com tanto maior gosto quanto é para Ela in,ais humi-
lhante.. . Deus neste dia aprecia mais a sua pferenda que
todas as outras, porque nehuma se Lhe ofereç:_eu .COJ;ll mais
humildade ... - Ah I repara com que fortalez~ e virilidade
Mm·ía, nes•:a cerimônia, oferece a Deus o Seu FUho. .. e $C
~ntrega Ela mesma à imolação .. ., ao sacrifício .. ,,- . ·
Tu também necessitas de generosidade ... , virjlidade ... ,
fortaleza para oferecer a Deus o teu sacrifício.... o que
mais te custa e o mais necessário ... , o do teu ~r. próprio ...
Fá-lo com generosidade e fortaleza .. . ; na humildade a encon-
trarás... Pede à Santíssima Virgem um conl_lecimento de ti
mesmo e dos teus afectos ... , o conhecimento do teu proçe-
der. -Que reverência t~ns na oração... , com .o s anjos e
sant-os ... , com o.s -t eus superiores .. . , como pensai . d~:;les, ..
e .eómo te portas com eles? ... És respeitoso .. ., ,deferente ... ,
submisso a todos os que têm autoridade sobre , ti?... Coll;lQ
correspondes às graças de Deus ... A humildade .te , ~J:l.&inará
tudo isto... Pede-a as.sim à Santíssima Vírge!I), .. , i_nstt a e
roga~Lhe encarecidamente para que te não .negu,e Çsta .gr,qça.

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24. Pobreza

1.• A pol:>reza actzuú.- :E: a pobreza real · e efectiva,


que consiste na carência de bens de fortuna. - Pode ser
iniXJ{rmtác-ia quando por disposição da Providência, nos
encoll'tramos nessas circunstâncias ... , ou voluntária, quando
o coração se desprende de tudo o que possui e de facto
deixa e renuncia a tudo, para com maior liberdade, servir
a Deus e dar-se plenamente ao seu amor. - Esta segunda,
como também a primeira, -q uando se aceitam com gozo e
alegrià, constituem a virtude da pobreza actual. Es:ta vir-
tude, é "fõnte positiva de imensos bens e de grandes e verda-
deiras riquezas .. . , pois S. Paulo não duvida afirmar que a
avareza é a raiz de todos os males ... Jesus Cristo ·assim
o promete: O que deixarr ·a sua casa ... e fazenda .... receberá
rem vezes mais e deoois da vida eterna... E Ele mesmo
exi9iu es<te desprendi~ento como o primeiro passo para a
vida de perfeição ... ; Se queres ser perfeito, vende quanto
tens ...• dá-o a:os pobr1:::s . .. , e vem, segue-me... .
Eis porque a pobreza actual é um dos . votos essenciais
na vida religiosa ... e porque todos os santos tanto empenho
puseram em praticá-la e às vezes em grau heróico. ~Entre
todos, salienta-se o grande .S. Francisco que de tal mo.:lo
a constituiu como característica da sua vida. e do seu espírito
~ue ·não quis ser outra coisa senão o Pobrezinho de Assis,;.
E não é ·para estr-anhar, ··p0is não quis com isto ·ser sen.ão

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Pobreza 407

um imitador d'Aquele de quem diz S. Paulo que sendo


immsamente rico, se fez pobre por nós .a fim de nos fazer
a nós ricos com a sua pobreza. - Os Apóstolos tinham em
tanta consideração esta vida da pobreza e tão perfeitamente
a praticaram na escola de Jesu.s Cristo, que não duvidaram
impô-la aos primitivos cristãos, e assim todos se despren-
diam dos seus bens e os levavam com muito gosto aos pés
dos Após tclos, vivendo uma vida comum e igual de pobreza
e caridade ...
2. 0 A pobreza de Maria. -Contempla o ideal da
pobreza da Santíssima Virgem... Maria era pobre, não
possuía mais do que as pobres mulheres de Nazaré... Se
no seu nascimento não houve u.ma pobreza miserável. .. , e
uma falta total de bens, pois dizem que seus pais possuíam
u ma casita ... , deu tudo ao.s pobres e muito pobremente viveu.
De( ém-te a contemplar a casita de Nazaré ante~ e
depois de Ela viver com S. José ... Que pobreza, que simpli-
cidade! ... Percorre todos os quartos ... , examina santamente
todos os móveis ... , a baixela da cozinha .. . , a mesa e as
cadeiras .. . , a cama e a roupa de vestir ... A oficina de S. José
era uma pobre quadra, com quatro ferramentas, as mais
indispensáveis .. . , rústicas ... , muito usadas e .gastas... Ali
não há mais entradas do que o que diàriamente ganha
S. José .. . ; a ·p obreza então seria estreitíssima e talvez algum
dia permitisse Deus que lhes faltasse até o pobre alimento.
Assiste· a uma das refeições da Sagrada Família... Tudo
está impregnado de pobreza .. . , de temperança. - Era sem.-
pre as~im ... , às vezes, porém, ltinham que sofrer, de maneira
mais extraordinária, as privações da pobreza .. . ; Parece que
Deus se recreava naquela -p obreza ... - Recorda a - viagem
a Belém... Provàvelmente . S . José teria levado ao .matri~
mónio alguma.s economias, que teria feito com esse fim .. .
Era toda a sua esperança, para quando nascesse o Menino .. .
Com que satisfação as gastaria todas e mais que tivesse,
para.. preparar um bercinho jei'toso ao Filho de Deus ... ; .

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108 Pobreza
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a viagem, porém, a Belém suprime todas as suas ilusões ... ,


desfaz-lhe ·o s planos ... , e as suas pobres economias são
gastas na viagem .. . e, pior ainda, em pagar o tributo cruel... ,
bárbaro ... , injusto ... , ao César .. . ; e Jesus nascerá não na
pobreza, .senão na indigência mais extrema ... , sem. casa ... ,
sem berço ... , apenas com uns paninhos.
Voltam, novamente, para Nazaré e apenas S. José
com o seu trabalho dobra:io, consegue outra vez juntar
um pequenino pecúlio ... , outra v iagem .mais dura ... , mais
longa .. :, mais penosa o espera, a viagem ao Eg:pto! ... ;
mais uma vez os rigores da indigência ... Que dias aqueles,
os primeiros, passados no Egipto até que foi dando-se a
conhecer S. José .. . , e começou a adquirir alguma fregue-
sia! . . . Vivia sêmen te de esmola.
Finalmente, quando já se tinham acomodado e já podiam
respirar um pouco ... , outra vez de viagem . .. , de novo para
Nazaré ... , e começar mais uma vez a procurar enccm.e ndas
e trabalho... Repara na Santíssima Vil'gem, procurando
trabalho para S. José ... , Ela que é a herdeira da Coroa de
David! . . ., a Imperatriz do Céu! . . . a Rainha dos anjos e
dos homens ... , e não obstante, que contente ... , que ·s atis-
feita ... , que alegria está desposada com a pobreza f .. .
3. o Consequência desta pobreza. - Maria não só viveu
oculta e privadamente pobre ... , senão que public2mente teve
de aparecer sempre assim em muitas ocasiões. - Lembra-te
do mistério da Apre~entação e oferri a que então levou ...
Nem sequer teve para comprar um cordeirinho e teve que
contentar-·se com a oferta dos mais pobres, um par de
pombinhos.
·Is-to deu ocasião a Maria, de · muitos actos de virtude
que teve de praticar... Com que deprezo·, por exemplo,
A tratariam as outras mulheres que iam ao Templo, ·com
ricas ofertas! . .. Que pouca consideração da parte daqueles
sacerdotes·! ... Como costuma acontecer com os pobres ...:· não
fariam caso deles ... , abusariam, fazendo-os esperar mais do

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____________:P.~o~b~r~e=z=a~---------------------109

que devia .ser para atender a outros a quem mais lhe con-
vinha ter contentes... Que humilhações e desprezos não
causa a pobreza! . . . Por isso mesmo, o seu trato havia de
ser com gente ignorante . .. , inculta ... , grosseira ... , como
sucede com os pobres ... ; a Ela mesma assim A tratariam,
como uma de tantas .. . , e a seu Filho não lhe pôde dar uma
educação mais elevada .. . , até •talvez não lhe foi possível
enviá-lO às escolas dos rabinos . .. ; devia servir-se d'Ele
para os recados da casa e da oficina .. . e depois, ocupã-lo•ia
em ajudar a seu pai a ganhar para comer ... Deste modo
era conhecido Jesus, como filho do pobre carpinteiro ... , como
filho daquela pobre aldeã que se chamava Maria... Que
admiração tudo isto nos deve causar ! . . . Que desejos de
estudar os segredos que, dúvida, encerra .a pobreza! .. 1
Pergunta a Maria: porque a amou tanto? Pede-Lhe que te
ensine a razão, pela qual foi tão querida d~ Jesus e d'El<;~,
que não se apartaram desta virtude nem um só momento .. ;
Qual será? -Medita nisto muito devaga.r .em companhia .d~
tua Mãe.

' J

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25. Pobreza

1. 0 Pobreza de espírito. - É evidente que a pobreza


de espírito ou o espírito de pobreza é o que .:lá valor e mere-
cimento a esta virtude ... Não é virtude simplesmente a falta
de bens de fortuna ... e assim há muitos pobres que não
praticam esta virtude, apesar de não possuírem nada ... , e
pelo contrário, pode haver verdadeira pobreza de espírito
no méiõ. de grande opulência.
Esta pobreza de espíri•to, como a chame Jesus Cristo
nas suas bem-aventuranças, consiste no desapego do cora-
ção de toda a riqueza, fazenda e bens materiais .. . , de sorte
que nem se ponha a alma nas ric~rzeizas.. . nem as rique=
na alma, como diz S. Francisco de Sales. - A raiz disto
brota da p rofunda convicção que devemos ter de que nada
de quanto existe é nosso com pleno domínio ... , 'total... e
absoluto ... , ainda que possuamos com legítimo direito e
possamos dizer com verdade «isto é meu» ... , pois afinal. o
único dono e senhor absoluto de todos os bens é Deus.
Dos bens de fortuna nós não somos senão meros admi-
nistradores desse único e supremo senhor... , e, por isso
mesmo, não podemos dispor deles a nosso capricho, senão
dentro das ordens e disposições do seu legítimo dono.
O abusar das riquezas ... , o .:lesejá-las ... o trabalhar para
entesoirá-las ... , ou se não as possuímos, lamentar-se da sua
falta .. . , queixar-se a Deus e maldizer a sua sorte ... , ao

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Pobceza 411

mesmo tempo que se fomentam afectos de inveja dos que têm


muito .. .· tudo isto, é contrário à pobreza de espírito.
Escuta então S. Paulo, que ctiz: «tudo considere como
imundície asquerosa e desprezível, em comparação da única
riqueza que é ganhar a Cristo». - Portanto, o pobre de
espírito deve viver contente com a sua indigência, se Deus
o pôs nesse estado... compreendendo que com isso tem
facilitado, em sumo grau o caminho da santidade ... , e se
tem fortuna. há-de empregá-Ia em favor dos seus irmãos,
evitando a avareza ... , a ambição ... , o desejo de entesoiJ..ar
e aumentar mais e mais os seus cabedais ... , pondo o seu
coração nos bens eternos do Céu.. . e não o sepultando nos
miseráveis e caducos bens da terra.
. Assim procedeu a Santíssima Virgem, como já o d:s-
semos... Viveu sempre em pobreza actual, mas ao mesmo
tempo com um admirável espírito desta virtude... Que
desapego o seu! Que diferença! ... Que ·p ouco valor dava a
tudo isso que forma os bens de fortuna!- Os seus bens
e a •sua fortuna estavam concentrados num só cbjecto, o
o
seu Jesus! ... Era o que Ela ambicionava ... , que não quer:a
perder... Dai aquela avareza san~a em não desperdiçar nem
uma só das suas palavras . .. , nem uma só das suas acções ... ,
senão que as guardava todas no secreto do seu coração, para
a sós:... como o avarento com as suas riquezas, recrear-se
recordando-as ... , meditá-las ... , sa·b oreá-las. ~Com Jesus nada
mais Lhe importava desta terra. ~Os magos dão-Lhe uma
grande quan tidade de oiro ... ; aceita-a agradecida. mas,
segundo o sentir dos Santos Padres, repartiu-a logo entre
CS- po~rcs.- Que de.s prendimento do- oiro-! ...
·.. 2.• As sllas graru!l~s vantagens.- São tantas que · é
difícil o enumerá-las. - Antes de tudo, a pobreza de espírita
consti~ui o primeiro porrto do sermão da Montanha. ~E a
primeira de todas as bem-aventuranças, à qual Jesus Cristo
promete solenemente a pos.se de reino dos Céus.- A pobreza
constitui . um dos. temas mais importantes da sua pregação ...

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112 Pokeza

Cómo anatematizava os ·ricos ! ... Que difícil lhes pôs 't


entrada do Céu! . . . Mais que a passagem de um came!o pelo
fundo de uma agulha.
Além disso quis dar-nos exemplo acabad íssimo da
pobreza .~['ectiva e efectiv.él. . . Quem O obrigou a nasce r, .. ,
a . viver ... , a morre.r tão pobremente?... .
A jóia preciosa com que qu!s adornar-se em sua · vlda,
fui .a pobreza. - Aos que deixaram •tudo para O seguir,
f.ê-los Apóstolos .•. , santos ... , porém, aos cobardes e ap egados
ao dinheiro, não lhes deu nada. O jovem do Evangel11o a
quem convinha a ser pobre per Ele, teria sido também ...
um dos seus apóstolos... ou seu discípulo ... , talvez . uma
grande figura na sua Igreja, e um grande santo no Céu ....
mas ele não quis deixar o que possuía, a sua fortuna, e já
se :não fala mais dele no Evangelho ... ; perdeu tudo por
não ter deixado tudo volun•tàriamente.
A pobreza, além disso, traz consi,go um · cortejo brilhan-
tíssiino de outras virtudes ... :
·a) Privações frequentes e mesmo contínuas no ali-
mento, no vestuário, na maneira de viver .. .
·· b) . Por isw mesmo, é um exerciCIO não interrompido·
de mortificações exteriores e corporais.. . e também das
interiores do espírito . ..
· c) Ao pobre, não lhe faltarão abandonos . . ., despre-
zos ..,., humilhações ... , indiferença .. ., ingratidões e faltas de·
cor·r .esponJência, por vezes dos poderosos, que desdenharão.
vê-lo ... , tratar com ele.
· d) Com esta pobreza vai unida a necessidade do · tra-
balho corporal. .. , molesto e fatigante ... , mas ao mesmo tempo-
fá-lo-á confiar mais e mais na Divina Providência, de quem
:vi:ve. e· de quem tudo espera ...
. · e) Por isso a pobreza gera espontãneamente um .grande
espírito.· de oração, pols ninguém melhor do · qu.e o pobr,e,
sen·:e a sua absoluta necessidade .. .
' f) : Finalmente, a pobr.e za torna · o .entendimento mais:

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Pobceza 413

-claro para compreender o verdadeiro valor das coisas da


terra ... , e o coração mais livre de apegos e preocupações,
.Para poder voar melhor para Deus sem nada que ate ou
ligue as suas asas
Medita bem em tudo isto, para que estimes, como se
.deve, esta virtude e verás então come não estranhas o amor
que lhe tinha a Santíssima Vir.gem e a alegria com que vivia
abraçada a ela.
3. 0 A nua pobreza de espí,ito.- Tens de trabalhar
por adquirir esta virtude tão necessária. - Se és rico, reparte
com os pobres e assim exercitarás a virtude da pobreza e
da caridade entre os pobres a quem deves socorrer . . . ; se
Dew:; te dá a sentir os efeitos da pobreza actual, sabe agra-
decer a Deus este benefício por ver-te semelhante a Cristo
e a :M aria pobres por nosso amor.- Nunca esqueças o
exemplo de um Judas, qu e por amor às riquezas e por sua
avareza, caiu em negra e horrível traição ... ; aprende de
Maria a trocar o ouro terreno dos Magos, pelo ouro precio-
síssimo da caridade com o próximo ... , pelo ouro valiosíssimo
da abnegação e do sacrifício.
Não pensaria Jesus Cristo em sua M 'ã e ... , no nosso
grande · modelo, quando proclamava a dita e a bem-aventu-
rança da pobreza? . . . Pareces-te nisto alguma coisa com
Ela?... Não tens aspirações mundanas de brilhar ... , de
louvores ... , de desejo de fazer figura? ... - Pensas muito
que o reino dos Céus é para os pobres de espírito e humil-
des de coração?. . . . Tens ·bam presente as palavras de tua
Mãe, de que «Deus enche de bens os pobres... e deixa de
mãos vazias os ricos do muado»?... Gostas de visi•tar os
pobres . .. , de tratar deles ... , de socorrê-los? . .. Envergo-
nhas-te talvez de ·que algum membro da tua família seja
pobre ·e vista pobremente? .. . Gostas de fazer alarde de
nobreza e de riquef:a entre os outros?- Pede a Jesus e a
Maria a saa pobreza, pois que essa é a sua herança.

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2ó. Obediência

1. 0 A excelência desta virtude. ~ Não é fácil adivi-


nhá-la e compreendê-la em todo o seu valor.- Da soberba
brota a rebeldia e a desobediência... da humildade, a obe-
diência.- Em Jesus Cristo estas duas virtudes estavam
intimamente unidas, como diz S. Paulc: humilhou'..,se e fez-se
obL"liiente.- Isto me<mo se deu com a Santíssima Virgem.
- A obediência é o distintivo e a característi ca do espírito
de -O isto ... ; a rebeldia é a do demônio, do mundo e d<} carne.
Escuta as primeiras palavras de Jesus Cristo: lvfeu Deus,
eu vim para faze:r a tua vontade ... e a tua lei está no mett
coração ... depois estas: O meu alimento é fazer a vontade
d'Aquele q.ue me enviolt.t... E assim compreenderás com
quanta razão pôde dizer o Apóstolo que a Sua obediência
foi até à morte e morte d'e Cruz Quantas veze.s pregou
Ele esta doutrina que praticava: Aquele que vos Ol.!Ve, a
mim ouve ... , e o que vos dlz-sobed>ece e despreza a mim me
despreza.
A obediênet'a não é virtude exclusiva dos conventos,
senão que to:los estamos obrigados a obedecer aos superiores
que, mandam .em nós, em nome de Deus. - S. Paulo disse:
Filhos, obedecei a vossos · pais. - Criados e seroos, . Íservi
e obedecei aos vo;:sos senhores, com respel'to e temor. -
Cidadãos, vivei submissos aos magistrados e às autoridâdes
e ob..oáecei às suas OTdens ... ; finalmente, obedecei' todos ao.~

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Obediência 415

vos30S superiores e prelados, já que eles vie.Zam por vós,


como quem terá de dar contas a Det!s d:óls vossas almas.
- Deus pôs tudo sob a obediência, de sorte que ninguém,
ne..T!l ainda os mesmos superiores, estão isentos dela. O supe-
rior deve ser o primeiro a obedecer . .. ; ninguém sabe mandar,
se antes não soube obedecer. - Há-de obedecer aos que são
superiores a eles ... e, em último caso, a Deus, pois de ta}
modo o superior deve representar a Deus. que tudo o que
manda e ordena, seja conforme ao que Deus lhe inspira e lhe
comunica na oração.
Pensa, se tens que mandar, que não o podes fazer con-
sultando o teu capricho ... , senão unicamen te expondo a teus
súbditos a vontade do Senhor, da qual deves ser fiel intér-
prete ... ; se assim não é, nem tu tens direito a mandar, nem
os teus súbditos obrigação de obedecer.
Vê ·quão excelente é a obediência, pois faz-nos conhecer
e praticar sem medo de nos enganarmos, em cada ·caso con-
creto da nossa vida, o que então Deus quer de nós . . .
2. o Os seus fnztos. - São também grandes e excelentes
os frutos que produz a obediência : 1. 0 - O .:kscanso e segu-
rança que dá à alma, que sabe de certeza .. . , e infalivel-
mente .. . , que enquanto obedece acerta sem jamais se enganar
com a vontade de Deus .. . 2. o - Como cons'e quência desta
seg urança, uma paz ,de alma e de coração... e um sossego
in-terior.. . verdadeiramente imperturbável, pois exclui total-
.m:entc toda a dúvida . .. vacilação ... escrúpulo, etc . . . 3. 0 -
Uma grande semelhança que a alma adquire com Jesus c
com a Santíssima Virgem, que não viveram senão subme-
tidos sempre às provas, às vezes dificílimas e heróicas da
obediência ... 1. 0 - Um grande espírito de sacrifício, que com
ela se adquire e se pratica .. . , visto que a obediência é a·
oblaçã!=> contínua do amor próprio.. . , do parecer próprio ... ,
.:la von~ade própria, que é o que mais custa e o que mais
agrada a ·Deus .. . : Melhor é a obe-Jiênci...' que qualquer·
outro sacrifício .. .

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·H6 Obediência

5.•- A obediência purifica, por isso mesmo, sem cessar,


a nossa intenção, pois per ela deixamos de nos busca.r a
nós ,mesmos, para procurar c encontrar infalivelmente a
Deus ... 6." - Com ela aumenta consideràvelmente o mérito
e o valor dos nossos actos, pois todos, ainda os mais insi-
gnificantes em si, a:lquirem um grau incalculável de mere-
cimento diante de Deus ... , ao contrário do oue acontece
quando operamos independentemente ou contr~ a obediên-
cia ... :Como então buscamos a nossa satisfação, já temos
nisso a recompensa dos nossos actos ... 7. 0 - Do mesmo
modo, com a obediência crescem e se fortificam conside-
ràvelmente •todas as virtudes... adquire-se e assegura-se com
ela a vitória final. pois diz o Espírito Santo; que o abed~ente
cantará vitória ...
8. • - Por isso mesmo, a obediência dá-nos armas ofen-
Sivas e defensivas cantra toJos os nossos inimigos... Não
tens notado o empenho do demónio quando •te tenta, para
te afastares do teu confessor ... , director ... ou superior? ...
Pois é por isso; ele bem sabe que enquanto obedeces, não
poderá nada contra ti ... , mas ai daquele que se afasta da
obediência e pretende querer comba·ter sôzinho! . . . Dificil-
mente triunfa! ... 9.•- Por fim o obediente tem direito a
contar com o poder de Deus ... , com a Providência de Deus,
que não pode deixar de sentir intimamente e mais do que
ninguém ... , porque o obediente é o que prà-ticamente se
lança e se abandona nos braços de Deus . .. , renuncia a si
mesmo, para ser todo de Deus e, por isso, com razão, tudo
espera d 'Ele.
3.• Exemplo de Maria. - Apesar de todas as suas
-excelências magníficas e dos seus tão preciosos frutos ... ,
·O que mais te deve animar à obediência e a exercitar-te na
prática da mesma, é o exemplo da Santíssima Virgem. -
Que modelo .de obediência o seu! ... Obedeceu sempre co.m
rendimento de · juízo·... , alegria de coração... e prontidão
·na execução.

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Obediência. 417

Vê a sua obediência ordinária ... , contínua a S. José.


a quem considera como cabeça daquela casa e represen-
tante imediato da autoridade de Deus. Não discute as suas
ordens ... , não contradiz as suas incÜ.cações . . . , não segue
outros conselhos e orientações, ainda nas coisas mais peque-
nas, senão as que ele lhe dá. - Melhor ainda diremos que
Ela nunca considerou como coisas pequenas as que ordenava
a obediência ... ; por isso aquela submissão total e completa
à vontade divina, mesmo manifestada por um superior que
sob muitos aspectos era inferior a Ela ... ; contudo obedece
como uma escrava, é sempre «a escrava do Senhor:» e dos
seus representantes .. . ; não tem liberdade... nem vontade ...
ne.m parecer próprio ... ; não tem direito a pensar ... nem a
ajuizar . .. menos ainda a criticar e a censurar o que da parte
de Deus lhe ordenam ... ; se assim não fizesse deixaria de
ser a «escr:a:va» .. . , pois e.s ta perdeu toda a sua personali-
dade .. . e Maria gosta tanto deste título, que dele fez o
programa da sua vida .. . ; renunciou livre ... espontânea ... e
generosamente a todos os seus direitos ... , a toda a sua
liberdade para escravizar-se totalmente a Deus.
Quem fez voto de obediência, veja a que se obrigou ...
Este é ·o modelo ... Não há outro niodo de cumpri-lo, senão
ser... e viver... totalmente escravizado na sua liberdade .. .•
na sua vontade .. . , no seu próprio parecer, ao dos superiores.
A imitação de Maria, aquele que faz voto de obediência
não poderá deter-se ·a examinar as razões ... ou os motivos
do que lhe é mandado . .. ; só deve saber se lhe é ordenado
ou não, e se no ordenado não há pecado e proceder conforme
a ordem dada, sem dilaçõe.s de nenhuma espécie. - Os que
não fizeram. esse voto, vejam também onde está o ideal desta
virtude ... e comparem a sua conduta com a da Santíssima
Virgem. -Faz um exame muito minucioso sobre este
',ponto ...• analisa bem a tua obediência.. . põe-na em paralelo
..com a de Maria e tira a conclusão do que hás-de fazer.
2T

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ii6 Obediência

5. 0 - A obediência purifica, por isso mesmo, sem cessar,


a nossa intenção, pois por ela deixamos de nos buscar a
nós mesmos, para procurar e encon trar infalivelmente a
Deus .. . 6." - Com ela aumenta consideràvelmente o mérito
e o valor dos nossos actos, pois todos, aind a os mais insi-
gnificantes em si, a:iquirem um grau incalculável de mere-
cimento diante de Deus . . . , ao contrário do que acontece
quan.i-o opera.m.os independentemente ou contra a obediên-
cia ... : Como então buscamos a nossa satisfação, já temos
nisso a recompensa dos nossos actos . . . 7.O- Do mesmo
modo, com a obediência crescem e se fortificam conside-
ràvelT.ente •todas as virtudes . .. adquire-se e assegura-se com
ela a vitória final, pois diz o Espírito Santo; que o obed,'e nte
cantar á vitória .. .
8. o - Por isso mesmo, a obediência dá-nos armas ofen-
!>ivas e defensivas c Gntra to .:los os nossos inimigos .. . Não
tens notado o empenho do demônio quando •te tenta, para
te afastares do teu confessor ... , director . . . ou superior? ...
Pois é per- isso; ele bem sabe que enquanto obedeces, não
poderá nada contra ti. .. , mas ai daquele que se afasta da
obediência e pretende querer comba·ter sõzinho! .. . Dificil-
mente triunfa! . .. 9. 0 - Por fim o obediente tem direito a
contar com o poder de Deus .. . , com a Providência de Deus,
que não pode deixar de sentir intimamente e mais do que
ninguém . .. , porque o obediente é o que prà·ticamente se
lança e se abandona nos braços de Deus ... , renuncia a si
mesmo, para ser todo de Deus e, por isso, com razão, tudo
espera. d'Ele.
3.0 .Exemplo de M ada. - Apesar de todas as suas
-excelências magníficas e dos seus tão preciosos frutos ... ,
·O que mais te deve animar à obediência e a exercitar-te na
prática da mesma, é o exemplo da Santíssima Virgem. -
Que modelo .de obediência o seu! . . . Obedeceu sempre com
rendimento de · juízo... , alegria de coração. .. e prontidão
.n a execução.

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O bediência 4 17

Vê a sua obediência ordiná ria .. . , coutínua a S. Josê.


a quem considera como cabeça daquela casa e represen-
tante imediato da autoridade de Deus. Não discute as suas
ordens ... , não contradiz as suas incÜ.cações ... , não segue
outros conselhos e orientações, ainda nas coisas mais peque-
nas, senão . as que ele lhe dá. - Melhor ainda diremos que
Ela nunca considerou como coisas pequenas as que ordenava
a obediência ... ; por isso aquela submissão total e completa
à voutade divina, mesmo manifestada por um superior que
sob muitos aspectos era inferior a Ela . .. ; contudo obedece
como uma escrava, é sempre «a escrava do Senhor» e dos
seus representantes .. . ; não tem liberdade... nem vontade ...
nem parecer próprio ... ; não tem direito a pensar... nem a
ajuizar . .. menos ainda a criticar e a censurar o que da parte
de Deus lhe ordenam ... ; se assim não fizesse deixaria de
ser a «escrava» ... , pois esta perdeu toda a sua personali-
dade ... e Maria gosta tanto deste título, que dele fez o
programa da sua vida ... ; renunciou livre ... espontânea ... e
generosamente a todos os seus direitos .. . , a toda a sua
liberdade para escravizar-se totalmenfe a Deus.
Quem fez voto de obediência, veja a que se obrigou ...
Este é o modelo.. . Não há outra modo de cumpri-lo, senão
ser ... e viver . . . totalmente escravizado na sua liberdade .. . ,
na sua vontade .. . , no seu próprio parecer, ao dos superiores.
À imitação de Maria, aquele que faz v oto de obediência
não poderá de ter-se a examinar as razões... ou os motivos
do que lhe é mandado . . . ; só deve saber se lhe é ordenado
ou não, e se no ordenado não há pecado e proceder conforme
a ordem dada, sem dilações de nenhuma espécie. - Os que
nã9 fizeram. esse voto, vejam também onde está o ideal desta
virtude ... e comparem a sua conduta com a da Santíssima
Virgem. - Faz um exame muito minucioso sobre este
p onto ... , analisa bem a tua obediência . .. põe-na em paralelo
.com a de Maria e tira a conclusão do que hás-de faze r .
.2T

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27. Obediência

1.• Obediência ver-dadeira. - É a que consiste na


submissão da parte .superior do nosso .ser, às disposições
daquele que manda .. . , isto é, pode ser que a pal'te inferior
se rebele .. , que se sinta repugnância ao obedecer ... ou temor
em face das dificuldades que nalguns casos suponha a obe~
diência.---; Jesus Cristo foi o primeiro a sentir essa repugnân-
cia e essa debilidade na parte inferior da sua natureza, que
se assustava em Getsemani perante aquela obediência
heróica ... , até à morte I e morte de Cruz !. .. a que ia ser
submetido. - Isto é muito humano .. . , .muito natural. .. ; o
contrário seria converter-nos em estátuas, com uma indife~
rença e insensibilidade anti~natural... e além disso, isto
tiraria valor e merecimento à obediência.
O mérito está e.m sentir isso... mas apesar de tudo
dizer como Cristo:- Para diante! não se faça a minha
vontade, senão a tua ... , haja o que houver ... , custe o que
custar ... Ah! como é precioso e agradável a Deus o sac ri~
fício que então lhe oferecemos.
Não deixa de ser verdadeira a obediência se expomos
aos nossos superiores, com simplicidade e Jmmildade, alguns
motivos e inconvenientes que necessitem - esclarecimento .. .,
sem intenção de protestar ... , ~em sequer de discordar do
mandado ... , senão com a intenção de simplesmente o escla-
recer ou cónsultar ... ; expor não é opor~se. - Recorda o caso

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Obediência 419

tão claro neste ponto da Santíssima Virgem ... ; disposta a


obedecer cegamente ... , não obstante, pergunta ao anjo ... ,
expõe as suas dúvidas ... , pede esclareci.mentos para melhor
saber a forma como há-de obedecer... e, uma vez conhecida
esta, já não tem lugar senão esta palavra: Piat, faça-se.
2.• A obediêncla perfeita. - A verdadeira obediência,
admite graus e assim pode ser mais ou menos perfeita ...
A obediência perfeita é a que reune as condições da
mesma já expostas numa das meditações da vida de Nazaré ... ,
a que obedece com prontidão e alegria ... , com espírito sobre-
natural, ünicamente por Deus, não por motivos naturais de
agrado ou simpatia ... , com rendimento total da vontade e
do entendimento, não para operar irracionalmente e contra
a nossa razão, mas sim para não ver com os olhos do nosso
próprio juízo e assim fazer cegamente o que se nos manda.
Numa palavra, a obediência perfeita obedece total-
mente .. . , sem limitação de tempo nem de coisas... ; não obe-
dece quando lhe apetece ... ou quando lhe agrada ... , não vê
as dificuldades ; mas sempre, e a todo o instante, cumpre
exactamente o que lhe foi ordenado ... , até nos mais pequenos
pormenores. - Esta é a grande obediência ... , tão louvada e
recomendada por todos os santos. -Que maravilhas não
disseram dela Santo Agostinho, S. Tomás... Santa Teresa
de Jesus ... , Santo Inácio de Loiola! - Toda a perfeição a
fizeram depender da obediência ... E o próprio Deus, quantas
vezes às almas que Ele m.esmo dirigia e inspirava directa-
mente, as obrigava depois a dar conta aos seus confessores
e directores .p ara submeter tudo à obediência I
3.0 Perf.eição dJe Maria.- Aplica todos estes pontos
à obediência da Santíssima Virgem, e vê a perfeição com que
Ela exercitou esta virtude.- Ontem meditávamos a sua
obediência ordinária e quotidiana, da qual ·nem um. momento
da sua vida prescindiu... Vê, além disso hoje a sua obe-
diência nos casos extraordinário.s que a Ela... como a ti
também às vezes o Senhor enviará.

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420 Ob~diencia

Não duvides de que o Senhor tem empenho em provar


á I).OSsa virtude ... P,:;s à prova a obediência dps Anjos . .".;
de 'Adão e Eva ... , de Abraão ... , de Moisés ... , etc., e tam-
bém provou a da Santíssima Virgem ... , não pOrque duvi~
dà~se d"Ela, mas sim para a fazer salientar mais aos JtOSSOS
olhos... e acrescentar maior merecimento ao que ordinària-
mente adquiria com a sua perfeitíssima obediência. ··
E verdade que uma obediência diáriq ... , constante ....
sempre em tudo perfeita, deixa de ser obediência vulgar.
p:ara converter-se em obediência extraordinária e até
heróica ... Que grande heroísmo o do vulgar. .. , do monó-
tqno ... , o de todos os dias!~ Pois bem, Maria além deste
héroismo e desta perfeição.... teve a da obediência à prova
em o casiões difíceis ... , eJCtraordinárias ... , nas que podia ter
ensejo, segundo a nossa· mentira de ver, de alguma des:
culpa para deixar de obedecer. - :Maria, porem, nunca
encontrou essa desculpa.
.. Vê a sua obediência a Deus que a inspirava ao yoto de
yirgindade .. . , Ela só ... , única ... , sem precedente .... expon-
·a o-se à desonra pública e ao.s escárneos dos outros ... , etc.
- i Maria não repara em nada, e alegre e delicadamente faz
o que o Senhor Lhe inspira. - Inspira-lhe também a vid<;~
de reconhecimento no Templo ... e é tal a sua prontidão, que
;aps três anos se desprende dos seus pais, deixa a sua ca:>a
e obedece à inspiração de Deus. - Mandam-na depóis os
Sacerdotes de.sposar-se com S. José, e obedece-lhes como ao
próprio Deus. - E o Anjo quem, da parte de Deus A chama
a ser Sua Mãe, e ainda que não entenda como isso há-de
ser... , sujeita-se à sua vontade e obedece ... e mais tarde, já
então na vida de Jesus, que obediência a sua nas divers'!S
viagens que D eu.s permite ... , no ~umprimento das leis que
'a ' Ela a não obrigavam ... Não necessita de ir ao Templo,
não precisa purificar-se de nada ... e, contudo, prefere ob~de~
cer naquilo em que não tem necessidade nem obrigação
antes do que faltar à obediência. ··

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Ob,'!diência 421

Na vida pública do seu Filho, inspira~Lhe Deus que


se retire e se esconda ... , e não aparece em nenhuma parte .. . ,
Diz~ Lhe que deve acompanhar a seu Filho até à Cruz ... ,
ei~IA decidida sem pensar no sacrifício enorme que isto
supunha. __, Obediente até à mol'te, como Seu Filho.
4.• A cõpi<I.- Tu deves .ser a cópia deste modelo
perfeitíssimo. __, Hás~e trabalhar para que a obediência seja
em ti também alguma coisa essencial na tua vida espiritual.
- Deves obedecer no ordinário e no extraordinário. - Obe~
diéncia universal em tudo e a t odos: Maria obedece ao
Anjo ... , não diz: Faç_a~se em mim a vontadl::! de Deus, senão
segunrlo a vossa palavra ... , de modo que ainda que seja
inferior, se representa a Deus, deves obedecer. ~Maria obe~
dece ao César, soberbo e ambicioso .. . , obedece à lei humi~
lhante ... , obedece a S. José ... , obedece aos Apóstolos e aos
seus sucessores e representantes. - Deves obedecer por Deus
c a Deus, seja quem for aquele que em seu nome te .manda.
-Deves entregar~te plenamente ... , simplesmente ... , confià~
damente a quem em seu nome e com a sua autoridade dirige
a tua alma ... ; só assim conseguirás ser verdadeiramente
obediente .. . ; só assim vencerás e dominarás a tua soberba .. . ,
o teu orgulho, que sob tant as formas se .manifesta e te
domina .. . ; só assim serás cópia exacta de tua Mãe ...

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28. A Castidade

•1.0 A virtude da: brancura:.- :É a virtude da beleza ....


da alvura da · alma.- Todas as virtudes são ornamento
riquíssimo da alma ... , nenhuma, porém, a adorna com tanta
9raça e formosura como esta ... Oh! Como é formosa, diz o
EspírHo Santo, a geraç:ão c.asta e pura, tdda resplande-
cenfe! . . . Como é apreciada de Deus e dos homens!
Flores belas e exquisito aroma são as outras virtu-
des ... , porém, a castidade é a açucena das mesmas ... , o lírio
que recreia e encanta o próprio Deus. - Assim o canta a
Igreja nos seus hinos, quando diz que Deus anda sempre
entre lírios .. . - Também reservou uma bem-aventurança
especial para ela: B?:~T~.-aveatwados as limpos de coração ...
É que ainda que •todo o pecado, toda a falta, é uma mancha
da alma ... parece que nenhuma a macula como a impureza ... ;
é o pecado feio ... ; imundo ... , vergonhoso, mais que nenhum
outro pecado. - É o que Deus mais aborrece ... , o que mais
ofende os olhos puríssimos e imaculados da nossa Mãe.
Para ele reservou Deus os maiores castigos, ainda
cá na terra: dilúvios de água e de fogo, não duvidou de os
mandar ao mundo para o purificar deste vício repugnante
e: abominável. Eis porque o demônio, no seu afã de vingar-se
de Deus, é o pecado que mais procura que cometam as
almas ... , e é sem dúvida o que mais almas leva ao inferno.

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A castidade 423

A castidade é a virtude mais delicada ... ; qualquer hálito


de carne a pode embaciar e fazer murchar.
É certo que não se perde esta virtude só por sentir a
tentação ... , ainda que esta seja forte ... , muito repugnante ... ,
muito molesta.- Muitíssimos sai!'tos, apesar da sua santi~
dade, passaram pela humilhação de sentir estas tentações
e não deixaram., por isso, de ser grandes santos... Peca~se
e perde~se a castidade, quando se consente livre e volun1à~
riamente em qualquer coisa, por pequena que seja ... e ainda
que seja por pouco tempo. Acautela~te bem, ainda que te
pareça pouca coisa ... ; se é impura, já é pecado ... , pois não
existe, neste ponto a chamada «parvidade de matéria>> ou
matéria leve... Como é delicada esta virtude!... Todo o
cuidado é sempre pouco ... ; nunca julgues que nisto podes
pecar por exagero... As alma.s mais puras, como a de S. Luís
Gonzaga, foram as mais exageradas nesta matéria.... Qual
seria, pois, a delicadeza extrema de ttua Mãe querida, se
esta foi a virtude que mais amou? ...
2." A virtude resplandecente. ~É a virtude da luz ...
A alma casta, está envolta na claridade da luz divina... Por
isso, os limpos de coração, são os únicos que vêem e verão
a Deus... Luz para o entendimento ... , luz para a alma e
coração ... Os pensamentos puros são diáfanos ... , mais res-
plandecentes que a luz... O amor puro é o amor sincero e
verdadeiro ... , o único que merece este nome... Nunca se
avilta tanto o amor como quando se baseia na impureza ...
Isso já não é amor ... , é uma paixão baixa, cheia de egoísmo
grosseiro e de concupiscência animal.
A pureza é luz para o nosso entendimento, ao passo
que a impureza é cegueira e obscuridade de espírito, que
priva o homem do conhecimento.
a) De si mesmo ... , isto é, da sua dignidade ... , do que
é ... , do que deve ser .. . , do deve a si mesmo... Se ao
cometer o pecado se lembrasse o homem do que é e do
que se torna depois, não o cometeria. - S. Paulo chama~lhe

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424 A castidade

«homem animal», isto é, homem carnal, incapaz de 1-erceber


as coisas de Deus. - S. Bernardo diz, que nos outros p ~cados,
por exemplo, de avareza ... , de soberba, etc., peca o hoMem ... .
porém, neste pecado, peca o animal. .. , porque esta paixão
é tão baixa e vil, que o põe ao nív el dos animais. Q ue
cegueira de si mesmo !
d ) Mas também priv a o homem do conhecimento mais
exacto do pecado que comete ... , porque este pecado conhe-
ce-.s e quando ainda não se cometeu ... ; então tem-se medo .. . ;
náusea ... , repugnância a este peqtdo. - Mas quando se
comete, este conhecimento debilita-se .. . , perde-se o medo e
a vergonha e chega-se ao escândalo .. . , ao endurecimento
do coração ... , ao cinismo mais desenvergonhado.
c) Enfim, priva o homem do conhecimento de Deus.
- A impiedade e a incredualidade e a própria apostasia, são
quase sempre efeitos da impureza. - A ideia da existência
de Deus é ideia que perturba o prazer do homem carnal
e para melhor se entregar ao seu pecado, renega a Deus
e aparta-se d'Ele.. . Foi o que fez Salomão ... , Lutero ...
e tantos outros.
3.• A virtude nobre.- Toda a nossa nobreza e digni-
dade depende da nossa parte espiritual. .. , mas esta é a que
cai v encida pela carne .. . , pela matéria em todo o pecado
carnal. - Há em nós uma contínua luta entre o espírito e a
carne ... ; o primeiro aspira subir para cima ... , para Deus que
é o seu modelo, uma vez que a alma é sua imagem ... ; a carne
tende para baixo ... , a arrastar-se no lodo da terra de onde
brotou ... Eis a luta constante que se sustenta no nosso inte-
rior. - Se o espírito sobe, há-de triunfar a carne ...,; é a
virtude da pureza.. . Se se deixa arrastar e é vencido pela
carne, temos o pecado impuro.
De sorte que a pureza é o resultado de uma vitória ...
e a impureza de uma vergonhosa derro·ta. - Por isso, a
pureza é a virtude nobre . .. , digna . .. , valente .. . , própria ta!I!-
bém dos valentes ... ; é por excelência a virtude viril. .. , enér-

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A castidad~ 425

gica.. .• que não admite a mais pequena claudicação ou


transigência.
4. • A virtude de Maria. - :É, certamente, a virtude
querida ... , mais procurada ... , mais bem guardada pela San-
1íssima Vir,gem. - Maria ê toda alvura, sem. mancha possí-
vel, menos ainda mancha carnal... Concebida toda branca,
persevera na sua brancura imaculada até ao fim da sua
vida.- M'aria é a Rainha da luz ... , que não tem quartos
minguantes, como a lua ... , nem ocasos, como o sol. .. , mas ...
sempre luz ... , toda luz, sem mistura de sombra de espécie
alguma.
Todas as almas, ainda as mais santas, tiveram alguma
mancha . .. , alguma sombra ... Maria é o único espelho puris-
l.limo da luz inextinguível e eterna de Deus... Que conheci-
mento profundo teria Ela de si mesma ... , do pecado ... , de
Deus... com essa luz? ... É pois, para estranhar que ame
tanto a pureza, se esta virtude é a virtude da claridade e da
luz... Não vês como o impuro gosta da escuridão e das
trevas? ... O seu ambiente é este: A escuridão do inferno.
Finalmente, contempla Maria acrisolando a sua pureza,
não com lutas e provas .. . , pois Deus não qu~s que Ela sen-
tisse o aguilhão da concupiscência ... , mas trabalhando ... ,
vigiando ... , orando .. . , mortificando-se como se a sentisse
e como se tivesse medo de perder a sua virtude... Que
simpática energia a sua para guardar e conservar aquela
jóia imaculada ! . . . Porque não serás tu também assim?

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29. A Castidade

1." A flor virgiTUJl. - Tudo quanto se disse da alvura ... ,


da claridade e hrilho ... , da nobreza e dignidade. da castidade,
há-de dizer-se sobretudo da castidade virginal.... que é o
grau mais perfeito e mais excelso aonde pode chegar esta
virtude ... ; é o grau máximo que a Santíssima Virgem escolheu
para a sua castidade.- Tanto mais meritória se torna a
castidade, quanto mais livre e voluntária for no homem.
A castidade é obrigatória em todos os estados de vida
que elegermos... Devem.os necessàriamente ser castos nos
pensamentos.... nos desejos ... , nas palavras e acções . .. ; a
isto se reduz o fiel e exacto cumprimento do sexto preceHo
da lei de Deus. ---'A virgindade, porém, é uma virtude
voluntária ... • a ninguém obriga . .. , senão que livre e espon-
tâneamente a abraça aquele que quiser.
Grande graça de Deus é esta, que supõe uma luz espe-
cial para que com ela se conheça a formosura ... , a beleza
divina da virgindade... e assim conhecendo-a não se pode
deixar de ficar encantado com ela .. . e recebê-la, não como
uma pesada carga, senão como um dom excelente que Deus
nos concede... Ditosas as almas que receberam esta luz! -
Se todo.s a recebessem.. . e conhecessem o que encerra a
virgindade, não havia ninguém que a não desejasse.-
É, portanto, o Tesoiro escondido do Evangelho: aquele que

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A castidéide 427

o encontra, dá tudo o que tem para o comprar e para nunca


o perder.
S. Paulo diz que n4o recebeu mandato de Deus para
impor a virgindade, mas que a acomelha como estado mais
perf.eito ... E dá a razão disso: O que não tem mulher, diz
preocupa-.se unicamente com as coisas de Deus, e como Lhe
há-de agradar ao seu marido... ; ftudo isto vos digo para
gar~se pel!lS coisas da terra e ach~se como que dividido
o seu coração.. . IDo mesmo modo, continua dizendo, a
mulher que quer ser virgem, só pensa em D'!:Us para ser
virgem, só pensa em Deus para ser santa no corpo e na
alma ... , mas a oEJSada, pensa nas coisas do mundo e como
há-de agradar ao seu marido .. . ; tudo isto vos df.go para
vosso p_roveito ... não para vos prend~r e enganar, senaõ para
vos exortar ao mais louvável e mais belo e ao que dá mals
facilidades para servir a Deus sem embaraço algum.
E depois de repetir estas ideias de diversas maneiras,
como para selá~las com toda a autoridade, termina dizendo:
B estou certo que ftudo isto que digo mo inspira o Espírito
de Deus. - Assim é; só Deus pode inspirar e dar a conhecer
a beleza inCQlllparável da virgindade .. .
2.0 A flor arogéli"ca. - Chama~se à castidade virtude e
flor angélica, mas estas palavras convêm singularmente à
virgindade .. . , porque esta virtude torna a alma virgem, sem e~
lhante aos anjos, visto que de tal modo dignifica e enobrece
aquele que a possui, que transforma ... , eleva e espiritualiza
a sua carne a ponto de parecer puro espírito desligado dos
laços grosseiros e materiais do corpo.
Muitos santos Padres comparam as almas virgens com
os anjos, e preferem aquelas a estes. - Santo Ambrósio diz:
Os Anjos vivem sem carne ... , as almas virgens triJUn[am da
carne. ...:..._ S. Pedro Crisólogo acrescenta: É mais belo co~
quistar a glória ang.élica, que recebé~la por natureza. .. ; a
virgindade conqunsta na luta, e depois de muitos esforços, o
que os anjos de Deus t.1eceberam naturalmente.

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428 A ca.st.'dade

S. Bernardo exclama: A alma virgem e o anjo só se


diferenciam em que a vil"gÍnda:de do anjo é mais ditosa, e .1
da alma vit<gem é maz1.s meritória ... Por fim, escreve S. Jeró~
nimo: Apenas entrou o Filho de Deus na terra, constif:!Uiu-se
lima nova família, nunca vista até entijo: a família das vir-
gens, para que Ele, CfU.e no Céu era adorado pelos anjos, o
fosse também por estes anjos da terra ...
Eis a razão por que esta virtude faz o homem tão amável
e querido dos anjos ... ; porque os anjos, como todos os seres,
amam os seus semelhantes... e assim não podem deixar de
amar aos que têm carne angélica, e que vivem como anjos
na própria natureza corpórea e material. -Por esta mesma
razão, a beleza des·ta flor é perene e eterna ... , como é a dos
anjos . .. , pois não se funda em razões carnais e materiais
que são corruptíveis. C arece de princípio de corrupção ... ;
e assim, quando tudo na terra se desfaz e se destrói... , se
estraga com o tempo, que tudo consome ... , a carne virginal
ainda que pareça que com a morte também se desfaz e
corrompe, conserva como em gérmen a incorrupção moral
e física ... e uma espécie de direito à imortalidade. -Esta é a
formosíssima e punss1ma ·geração das almas virgens ...
Parece que é como uma nova geração, distinta das outras,
que conserva ditosamente, no mundo, a lembrança daquele
estado de inocência e de pureza, em que foi criado o homem
por Deus, no Paraíso.
3. 0 A flor de Maria. - Esta virtude é, por antono-
másia, a flor predilecta da nossa querida Mãe ... , de tal sorte,
que é esta virtude a que faz denominar a Virgem - a Vir~
gem Santíssima. -Fixa~ te bem neste · nome e na força que
tem em designar assim a Maria ... Não a chamamos «a obe~
cliente ... , a humilde», etc., ainda que fosse tudo isso e modelo
acabado de todas as virtudes .. . ; mas chama-se~lhe «a Vir~
gem» e parece que com chamá-la des·te modo já está tudo dito.
E, é claro, Ela não quer outro título senão este ... , e teria
deixado o outro mais grandioso de Mãe de Deus se fosse

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A castl:dade 129

incompatível com a sua virgindade. -Nem nas tendas dos


Patriarcas. nem no seio do povo de Deus, se conhecia esta
virtude ... A esperança de .gerar o Messias, afas•tava a todas
as filhas de Israel de apreciar a virgindade... Maria não
encontra nem um só modelo deste gênero nos livros sagrados,
e é que Deus queria que o modelo fosse Ela ... e assim, com
a sua sublime abnegação, renuncia à possibilidade de ser
Mãe de Deus, com o acto de seguir a inspiração divina que
a inclina à vida virginal.- Quer dizer que em certo modo
renuncia ao próprio Deus para ser mais agradável a Deus ...
Que é de estranhar, portanto, que perante este exemplo
sublime, milhares de almas tenham querido alistar-se neste
exército branco, em que Maria er.gue radiante de amor a
bandeira puríssima da virgindade! - Só estas almas virginais
são e serão eternamente as formosas açucenas que, sem
dobrara a sua haste, e sempre direitas para o Céu, encantam
a Deus ... e O obrigam a comunicar-se com elas de um .modo
mais intimo ... , mais amoroso ... , mais divino.
Não é possível amar Maria sem inundar a gente o cora-
ção dos resplendores e aromas da Sua castíssima virgindade.
- Ela é o princípio da virgindade... O olhar de Maria ....
o trato e conversação com Maria, gera vir.g indade ... , irra-
dia-a por toda a parte ... , como por toda a parte o lírio
derrama a sua fragância.. . Porque não pões na virgindade
o teu ideal..., o de Maria ... , o de Deus ... Pois bem, o ideal
vale mais que a vida.~ Por ele tudo deves sacrificar ...
tudo encaminhar e dirigir para manter ... , conservar ... , defen-
der esse ideal tão grande, que levas e.m vaso de barro e
que se pode quebrar ...

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30. A Castidade

.f.. • O lírio entr:e espinhos. - Assim se chama esta vir-


tude, e com razão pois só entre os espinhos da mortificação,
que a guardam e defendem, pode crescer e desabrochar.
~Não esqueças que dissemos que era uma flor delicadís-
sima e muito mimosa ... ; qualquer pequena coisa a pode
fazer murchar ... , que há inimigos em toda a parte dispostos
a travar batalha, para no.s fazer cair ... ; que donde menos
talvez pensamos nos espreita o ladrão disposto a arrebatar-
-nos essa jóia, logo que possa e aproveitar qualquer des-
cuido ... , enfim, que o cofre que a .guarda é de barro
quebradiço e um só golpe pode atirar com ela e quebrá-la.
Por isso, a castidade requer um sacrifício constante ... ;
em muitos casos equivale a um verdadeiro martírio... pelo
esforço constante de sacrifício que exige. - Santo Inácio
Mártir diz: Q'ue se devem apreciar: e estimar as almas
virgens como Vl.er:dadeiros sacerdotes de Cristo, que no seu
coração e 7lJO seu corpo, oferecem sem cessar ver:da:deiros
holocarustos ao Senhoc. - Só Jesus Cristo podia faz·er esta
maravilha ... : que a fraqueza humana obtivesse este glorioso
triunfo do espírito sobre a carne. Esse triunfo é d'Ele ...
é pois glória sua, a castidade ... , a pureza ... , a virgindade.
- Fora de Cristo, fora da Igreja, não se dá esta flor. - Por
isso, Santo Atanásio che.gou a dizer que era a virgindade

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A castidade 431

uma nota ca.acterística da verdadeira lgre~ja .. . , pois nela e


exclusivamente nela se dá este heroísmo.
Mas precisamente por ser um heroísmo ... , um sacri~
fício constante ... , um holocausto total e perfeito do nosso
corpo e da nossa alma ao Senhor, por isso mesmo requer
esforço ... , cuidado ... , vigilância ... , enfim, a prática e exe~
cução dos meios indispensáveis para triunfar nesta luta.
~Nisto também a Santíssima Virgem é modelo ... Nem um
só descuido como já se indicou; portou~se s-empre na guarda
desta virtude como se tivesse medo ... , como se tivesse estado
cercada de grandes tentações e de ocasiões perigosas ... ; é
que amou tanto esta virtude, que julgava não fazer nunca
o bastante para conservar a alvura do lírio da castidade.
- Olha, pois, para tua Mãe .. . ; percorre estes meios indis~
pensáveis e medita~s devagar um por um.
2.0 Metes nea.ativos. ~ São os que podemos chamar
preventivos ... -mais vale prevenir que remediar!- Mas
sobretudo em matéria de castidade, como isto se toma uma
realidade palpável!- Há quedas tão mortais que parecem
irremediáveis sem uma difícil reparação:
a) O que primeiro temos que fazer, é fugir ... , evitar
as ocasiões ... ; esta fuga não é vergonhosa ... , não é de
cobardes, senão de prudentes e avisados. - Seria Imprudência
e loucura chegar~se ao fogo e não querer queimar~se ... , lou~
cura inexplicável seria passar junto dum leão que dorme e
despertá~lo ... Quem sabe o que sucederia depois?- O Espí-
rito Santo adverte~o com toda a clareza: Amaz- o perigo é
perecer nele ... S. Jerónimo exclama: Quem jamais dormiu
tranquilo junto de !Qma víbora? ... Lembra~te que não é a
saúde, senão a enfermidade a que se contagia.. . Portanto,
temos que fugir do contágio ... , temos que desconfiar de
tudo, muito prudentemente.
b) Não transigir com nada que se relacione com esta
matéria... Não andes à beira do precipício, nem vendo até

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432 A castidade

aonde podes chegar e até aonde pão . .. , que é matéria


resvaladiça e, uma vez no resvalaê!oiro, dificilmente nos
podemos deter e dizer: «daqui não passo».- Todas . as
grandes quedas vieram por pequenas escorregadelas ... , por
descuidos insignificantes.- Até os antigos pagãos diziam:
principiis obsta ... Dá pois muita importância aos princípios ... ,
não transijas com um princípio ainda que · pareça pequeno,
de enfermidade .. .
c) Pode fi.gurar entre estes meios negativos, a morti·
ficação e penitência, pois o seu fim não é tanto o castigar
e reparar o dano cometido, como o de preveni-lo, 1irando
as forças à carne e aos .s entidos e assim fazer com que a
tentação não encontre terreno apto para o seu desenvolvi-
mento ... S. Carlos Borromeu, diz: Sem a guarda dos sentidos
e as mecerações cor:pocais, ninguém consegui:r:á o dom da
castidade. - Todos os santos fizeram como S. · Paulo, cas·
tigando o seu corpo duramente e submetendo, como S. Jerô-
nimo, à força de jejuns, a sua carne para que se não
rebelasse.___, A melhor garantia e segurança da castidade é
a mortificação... Como alguém disse, é amarga como o
quinina, mas fortalece e tonifica como ele. - Mortificar é
ma·tar, não os princ1p10s vitais que nos sustêm, mas os
gérmens de enfermidade e de morte. - Ama a mortifi cação,
que .~ . mãe de pureza.
3. 0 Meios positivos. - a) A oração é, sem dúvida .
o primeiro e principal... Por isso Jesus Cristo tanto insistiu
nela para que não caíssemos e.m tentação. - A oração põe-
·nos em contacto com Deus, todo pureza ... ; aproxima-nos
.das coisas do Céu e afasta-nos da terra... Além dis.so.
· alcança-n~s de. Deus os auxílios necessários para combater e
para triunfar. - A oração é neces.s ária para tudo ... , para
toda a espécie de virtudes ... , para impetrar .todo o gênero
de graças, mas muito .mais indispensáveis é para esta virtude.
Diz Jesus Cristo no Evangelho: Há alguns géner:os de tenta-
ções qUI-:: só com a oração e o · jejum se podem vencer: ...

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A castidade 433

b) Os Santos Sacramentos ... A Penitência para lavar~


~nos e purificar-nos ... , é o Sacramento da limpidez ... , da
pureza; e mais ainda, se a este Sacramento se lhe junta a
Comunhão ... Comunhão, isto é, união comum, uma mesma
vida com Cristo ... Que admira, pois, que a Comunhão seja
fonte de casti dade e de virgindade !- O !.maculado ... , o Filho
da !maculada . ... o que se apascenta entre os lírios e açuce~
n as ... , c Esposo das almas virgens, feito pão branco para
gerar pureza e virgindade!-É impossível comungar bem,
e não ser puro ... , casto .. . , virgem ...
c ) Exercitar-se noutras virtudes, como a humildade,
tão unida à castidade, que, segundo S. Francisco de Sales,
n ão é [f!cil ser casto sem ser humilde; e, segundo dizem outros
santos, Deus às vezes castiga ao soberbo, deixando-o cair
na humilhente impurez.'! .. . E também é muito importante
o trabalho, pois no campo da ociosidade é onde se dá melhor
a impureza.
d) Finalmente, a verdadeira devoção à Santíssima
V irgem ... , mas devoção de imitação . .. Vê ccmo Ela apre-
ciava a sua pureza .. . , como cuidaVIa dela com a vida retirada
e silenciosa, sem aparecer e.m público senão quando a cari-
dade ou o serviço de Deus o exigiam ... ; como a con&ervava
com .a sua vida de trabalhe, evitando toda a ociosidade e
susllentando-se com o •trabalho das suas mãos . .. , com a
mortificação dos seus sentidos, da sua língua, dos seus
olhos, dos seus ouvidos, recolhendo~s com o maior recato
e modéstia ... , com a sua oração contínua, de tal modo que
jamais perdeu a presença de Deus. .. nem deixou de mergu-
lhar-se a cada instante na fonte divina da pureza. - Con-
templa-A ... , examina-A muito devagar até saber de cor tudo
o que fazia pela sua pureza virginal. -Invoca-A ... , cha-
mando-A com frequência ... , de modo . particular nas oca-
s:ões ... , nos perigos .. . , vai ter com Ela instintivamente e
diz-Lhe com o coração, mil vezes: «:Tende compah:ão de
mlm, . não me abaodonzis, minha Mãe ~ . ..
28

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·31. A Modéstia

1.• Virtude encantador:a. - A modéstia ttem tal paren~


tesco e relação com a castidade, que faz parte dela ... e, por
isso, se assemelha a ela na beleza .. . , na formosura e -encantos
divinos que a cercam. - A modéstia como a pureza é uma
virtude · agradabilíssima aos olhos de Deus e ttambé.m aos;
olhos dos homens. - Vê como se torna a borrecida a todos:
uma pessoa atrevida ... , desenvolta ... , descarada... e sem
vergonha. - Compara-a com uma outra de aparência tímida
e talvez acanhada ... , mas envolvida nesse véu celesti al de-
modés·tia .. . , de simplicidade . .. , de pudor ... , de rubor e de-
simpática vergonha.
É o complemento necessário e indispensável de uma
alma pura e, mais ainda, de uma alma virgem. - S. Fran-
cisco de Sales diz que em todos os nossos actos d'evemos.
ser se:mpr:e mv.ito modestos, pois estamos sempre na pr:esença
d'e Deus e à vista dos s:eus Ar~os. Vê bem como esta virtude-
recebe do Céu mesmo todo o seu encanto, di gnidade e atrac~
tiva beleza. - E assim compreenderás a razão por que a
Santíssima Virgem tanto amava esta virtude. - A reverência
que sentia pare com a majestade de Deus, a quem via e-
tinha· presente na pessoa de Seu Filho .. . , o amor santo, vene-
ração e respeito profundo que sentia para com a divindade ... ,
a sua perfeitíssima e contínua presença e conversação ·com·
Deus, . foram · a causa de que Ela aparecesse sempre como-.

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135

a Virgem modestíssima... Maria I que modelo 'de encan ta~


dora modéstia!- No seu semblante ... , no seu olhar... , nos
seus modos ... , no seu porte, aparecia uma santa gravidade e
seriedade acompanhada de uma inexplicável suavidade e de
uma doçura celestÍia! e divina.- Assim era a sua modéstia ...
grave e simpática ao .mesmo tempo... uma modéstia rigorosa
que não admite o mais pequeno descuido, mas sempre
natural e simples ... sem violência nem ridicularias ... , afável
e atraente sem leviandades nem gracejos ... , sem soberba
nem desconfiança. - Todos os que a viam ficaVlélm absortos
naquela modéstia e reca-to qu~ nada tinha de taciturno nem
de melancólico. - Jamais se viu n'Ela a mais pequenina
inconveniência nem a mínima incorrecção ... Que beleza tão
harmoniosa em todo o seu ser, produzida por esta tão enc an~
tadora modéstia!
2'. 0 lZirtude protectora. - A modéstia é a virtude pro--
tectora da castidade ... , é a sua melhor defensora ... , é o
baluarte natural da pureza. - Não é possível ter uma alma
pura, sem que todos os sentidos estejam refreados e regu-
lados pela modéstia. -A vista, o ouvido, a imaginação, ,são
outras tantas portas que se deixam abertas... ou· se abrem
deliberadamente a •todas as impressões que a elas chegam .. . ,
fàcilmente entrará por elas o pecado e a morte derivados da
concupiscência.
Além disso a modéstia isola-nos e separa-nos da vida
do mundo e facilita a vida de fervor, evitando a dissipação
que produz o derramamento dos sentidos, convertendo a
•a lma como que num templo onde Deus habita e com .quem
tem grande familiaridade. -Assim amava Maria a sua
modéstia.- como . a salvaguarda do seu virginal coração ... ,
como meio melliôr de desprender-se de todos os .atractivos
eX'teriores ... , como o modo mais prático de viver toda e só
para Deus. - E como manifestação desta sua profunda
modéstia, contempla com fervor aquela vergonha ... , aquele
rubor... mai.s que àngelical, que circunda o MU s~mblante.

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<::ontemp!a~A diante do Arcanjo na sua Anunciação, ·sur~
preendida pela vista inesperada daquele encantador maÕ~
Çebo ... , e ainda que Maria sabe que · é um Anjo ... e ainda
que nada possa •temer ... , contudo, ruboriza-se ... , tinge-se de
c;armi.m o seu rosto ... , perturba-se ... e presta, com essa per-
turbação uma homenagem à sua imaculada pureza e à sua
virginal modéstia.- Ah! como é simpática esta ver;gonha
que assim sobe ao rosto, de quem possui u.m. col'ação ino-
cente; delicado ... .- puro e modesto! ... Vê aquele jovem que
se chamou Estanislau Kostka, ruborizar-se ... , envergonhar-se
de tal modo, ao ouvir uma palavra inconveniente.... uma
expressão grosseira ou malsoante ... , a ponte do seu coração
fazer subir ao rosto todo o seu sangue ... , ficar· sem vida
e cair desmaiado. ~ De quem aprend"e u ele esta delicadeza ... ,
esta esquisita sensibilidade senão de sua Iv!"ãe? ... d'Aquela
a quem não po'dia deixar de amar -pois que era sua Mãe?
-A !Ilodéstia .... a vergonha .. . , o· rubor, é o distintivo do
homem .. . _; Entre o.s animais não se dá isto.... nem mesmo
entre os homens que chegaram. a essz estado de rebaixa-
men·to· irraci"onal próprio do pecado animal e sensual. -
A modéstia e a vergonha são a barreira que se levanta entre
o ho·mem e o animal. .. : e por isso mesmo a ver.gonha, na
·p resença do animal, ruboriza as faces com o que se chamou
a púrpura da castidade, que é o rubor.- Pede a tua Mãe
esta santa vergonha ... , este encantador rubor .que demons·tra
aô mundo, a tua paixão pela pureza ... , pela castidade ... ,
pda modéstia que a defende.
-3.• Virtúde edi[icante. -Quão formosa e edificante
ápareêe a todds os olhos a -modéstia !. ; . É qualquer coisa que
arrasta.: .. qtie se impõe.-.. ,' que se pega aos outros ... -Todos
qs petàdos· feitos na . presenÇa -do próximo, podem servir de
é:scáiláaló· e d"e" "mau exe.mplo. : ;; mas entre todos, o pecado
impuró é O: ·que· mais serve para escandalizar e o que com
Ír.iai~ · razã0: 1 :teín ·este ·nome de es'cãrtdalo: Do mesmo modo,
todas :as ' ·vitfúdis ··pOdem · servir de- êdi:ficação ao próximo.

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A mo!kstia 437

mas a modéstia leva a palma ... Que pode haver de maior


edificação que a modéstia no falar ... , no rir ... , no andar ...
em tcdo o porte de uma alma que assim se nos mostra no
exterior?- Ninguém olhou p<Jra Maria que niio se edificasse
e se não convencesse de que era a modéstia virginal a que
arras·tava a quantos a contemplavam, a amã-IA .. . e excitava
e;:n todos uma grande e irresistível · afeição à virtude e
à santidade.
Conta-se de S. Francisco de Assis, que pregava sõmenle
com a sua presença humilde c modesta c que .movia com
o seu recolhimento e gravidade à devoção, ao louvor de
Deus ... Que não diremos da Santíssima Virgem? Que cons-
tante e eficaz a sua p:egação I .. . Seria essa uma das obras
de zelo apostólico a favor das almas... O seu exemplo era,
~em dúvida, a suave e delicada e por vezes irresistível
maneira de difundir e até de impor aos outros, compostura e
~ccato nas palavras ... , modo o; e a titl.Jdes, etc. Quem se atre-
veria, em sua presenç~. a proceder de outro modo} Por que
não A imitas nisto?- Por que não te impões também para
que difundas em volta di: ti o amor à pureza e à modéstia ... ,
e para que todos saibam que na tua presença não se pode
p,roceder ... , falar ... ou apresentar-se de modó incorrecto é
,inconveniente?

' ;

\t" ..

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32. A Modéstia

1. 0 , Interior.-' Em geral, a modéstia é a virtude que


regula to'dós os actos externos, dand<rlhe a devida ccmpos-
tu'ra e decoro ... , apresentando-se assim aos olhares do pró-
ximo, . coino qualquer coisa digna, nobre e formosa. -Mas
a 'in'odéstia exterior necessàriamente há-de proceder da inte-
rior, qtie .c6nsiste em moderar e dirigir c,s movimentos de·s or-
deriad'os da alin.a segundo a divina vontade. - A modéstia
exterior :p6de-se fingir e será então um repugnante acto de
hipocrisia. '.. · P,. .modéstia interior é a única que pode dar vida
à ·modéstia · exterior.- Não deves, portanto, procurar con:.
seguir uma aparência de modéstia ... , uma modéstia postiç·a
e mentirosa, com porte e maneiras externas que pareçam
murto modestas, dei·xando depois que o teu coração seja
vítima das baixas inclinações da concupiscência.
Quando a verdadeira modéstia existe, é tal a união que
se dá entre a exterior e a interior, que uma não anda sem a
outra, as duas ajudam-se .mutuamente, de sorte que a com-
postura exterior deve proceder sempre dum interior perfeita-
mente composto e ordenado... e a interior encontrará a sua
.melhor defesa e sustentáculo na exterior. - São Francisco
de Sales explica isto com a seguinte comparação: Como o
fogo pro&uz a cinza ... e a cinza serVle aD.miràvelmente para
manter e conservar o fogo ... , assün sucede com estas duaiJ

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A modéstia 439

modéstias>, que a interior yroduz a exterior, e esta mantém e


.ccmserva a int.erior de onde brotou.
Esta modéstia interior, é de duas classes: uma que refreia
·os movimentos da concupiscência e os actos internos do
-entendimento ... , da imaginação e da vontade, que nos levam
.ao pecado da impureza ... , e a outra modéstia é a que modera
os mevimentos da alma, que tê.m relação com a soberba e
'Pelas suas virtudes ... , pela sua dignidade, podiam dar-se
-que não queremos ferir a sua modéstia... e outras vezes
:admiramos a modéstia de pessoas que pelos seus méritos ... ,
J>elas suas virtudes.... pela sua dignidade, podiam dar-se
mais importância.- Esta modéstia, como se vê, pràticamente
reduz-se ao exercido da verdadeira humildade; por isso a
alma humilde há-de ser necessàriamente modesta interior e
exteriormente.
Quanto a esta modéstia, é evidente que ninguém pôde
jamais comparar-se com a Santíssima Virg.e.m; ninguém
houve com mais merecimentos, virtudes, santidade, dign idade
e grandezas divinas... Quem foi, apesar disso, mais sim-
J>Ies ... , afável.. .. caritativa ... , pobre e humilde do que Ela?
- E portanto, quem mais modesta quanto ao desprezo que
fazia da importância da sua pessoa e da sua própria exce-
lência? ...
E quanto à modéstia oposta à concupiscência, onde
encontrar uma ordem .mais completa ... , uma submissão mais
per-feita de todos os seus pensamentos, sentimentos e afei-
ções à regra da razão e desta à vontade de Deus? .. .
e.• Exterior.- Vejamos, porém, mais em concreto esta
modéstia inferior reflectida em todos os actos exteriores do
corpo e principalmente nos seguintes:
Nas palavras.- Imagina como seriam as da Santíssima
Virgem, que estava persuadida ser a última das escravas do
Senhoc: .. , palavras de edificação e de encantadora modés·
tia ... ; ao considerar, cheia de gozo, os imensos benefícios de
que (} Senhor a cumulara; a Ele dirige o seu agrade-cimento

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440 A mockstia.

e os seus louvores: .. e ad.mirar~se~á que o Todo Poderoso


tenha posto os seus olhos na misfl,:-ia da sua. escrava ... Estãva
simplesmente e firmemente persuadida da falta de mereci~
mentos da sua parte e por isso quão longe estava em suas
palavras, de atribuir a si coisa alguma!- Aprende d'Ela
esta modéstia no falar ... , tanto no tom qa voz, não querendo
impor~te com .gritos, nem com palavras nervosas e excita~
das ... , como na simplicidade e caridade das tuas exp~essões.
À imitação de Maria, evita as palavras duras ... , brus~
cas ... , malsoantes. Vê como a linguagem da tua Mãe é
tranquila, afável, discreta, humilde ... , tornando~se simpática
·e atraente pela doçura de voz . .. , pela bondade .. . , pureza ... ,
caridade e até alegria santa das suas palavras.- Tem cui~
dado, em especial, com as disputas e aitercações; ainda que
tenhas razão, deves moderar o teu juizo próprio ... , cedendo,
sem ser pertinaz nem ter cabeça dura ... ; é melhor ceder e
calar com modéstia, que sair triunfante com teimosia e
soberba.
Não é compatível com a soberba a sã alegria que em
anedotas, .graças, passatempos e brincadeiras se pode JD.3ni~
festar. .. .M as, ah! como é fácil em tudo isto, passar os
limites da correcção e da modéstia! ·
3. 0 No vestido e nEJ h?.bitE>.:;Jo. -A pobreza da casa
de Nazaré, própria duma operária, faz qu·e nela tudo seja
humilde e modesto em último grau... A simplicidade . e
modéstia do seu vestido, avalia pela extrema necessidade·
de Belém e verás como nem em casa de Maria, ne.m. no
enxoval e vestido, encontrarás coisa alguma que indique
luxo ... , afectação da. sua pessoa ... , comodidade de algum
gênero.
Nas suas viagen.s não usará carruagens, nem mesmo-
as mais modestas de então... O Evangelho nada mais diz
senão que foi, por exemplo, a Jtlde"iá," com ·.grande · pressa ....
.pois a estimulava a· caridade... Eis toda a sua preparação
.e equipagem... : uma pobre trouxa de roupa e muito amor de

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A mod~stia +il

caridade para com Deus e para com o proxiiDo. .. Que


exemplo de simplicidade e modéstia! . . . Não é modéstia a
falta' de asseio ... , o desarranjo no vestuário ... ; ao contrário
pode haver modéstia em meio de uma sóbria elegância, con-
ta'nto que esta seja conforme o teu estado ... , a tua condição ...
e as circunstâncias que te rodeiam ... ; mas nunca se~á com-
patível com o luxo .... com a vaidade dos vestido.s ... e menos
ainda com qualque:- defeito por pequeno q~ seja, em m;;téria
de honestidade.
Tem muito cuidado neste último ponto e não esqueças,
que na igreja e na rua .... em público e em particular, deves
vestir sempre modestamente. - É intolerável o permi•tir-se,
ao estar em casa. modos de vestir impudicos ou pelo menos
muito livres ... ; não há pretexto nem razão que possa
autorizar isto... A modéstia deve acompanhar-te em todos
os instantes da tua vida.
4." Na s m"!neir••s. -lsto é, em todos os teus ac tos exte-
riores que realizas perante os outros .. . Modéstia no semblante
e particularmente nos teus olhos, não só para evitar os olha-
res pecaminos:>" ... , mas também para evitar a excessiva curio-
sidade de quem tudo quer ver e observar... M odéstia nas
posições do andar ... , ao sentar-te, não buscando precisamente
a posição mais cômoda, senão a mais conveniente .. . Modéstia
em tocos os teus movimentos, evitando tudo o que seja
leviandade e desenvoltura... e mui•tissimo mais tudo o que
não seja decoroso c digno.
Acostuma-te a esta modéstia, ainda estando só, para que
assim naturalmente a pratiques diante dos outros. - É muito
conhecido o caso de S. Francisco de Sales, que observado
quando se encontrava só no seu quarto, guardava os mais
pequenos preceitos da compostura e da modéstia. - Procedia
sempre como se o vissem os Anjos do · Céu e na presença
de Deus.
Nota, de modo especial. 1udo isto na Santíssima V<irgem

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442 A modéstia

-e verás o conjunto admirável de todos os seus actos ex:e~


.cutados com aquela naturalidade ... , simplicidade. ... fran~
queza... e ao mesmo tempo delicadeza ... , honestidade... e
.circunspecção próprios da santa modéstia. - Examina~te um
,pouco nesta matéria, e pergunta a ti mesma como 9uardas
a modéstia interior do teu coração... e a exterior do teu
corpo e de todas as tuas maneiras.

·. ·. .:

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33. Mortificação

t.• Mortificação exflerna.- É a chamada penitência


~orporal e reduz-se ao castigo de nosso corpo e à mortifi-
cação dos sentidos.- :E: esta uma virtude tão infiltrada em
todas as outras, que não é fácil separá-la da maior parte
delas.
' Q . exercício da pobreza ...• dai humildade ... , da castidade
-e da modéstia, etc., não é um exercício constante de morti-
ficação interior e de penitência exterior? ~ Contudo, convém
-estudá-la separadamente • pela sua importância na vida da
nossa alma.
Mals do que importante, é completamente necessário,
tanto .. pata preservar-nos de pecado, como para satisfazer
pelos já cometidos ... e para obter do Senhor abundantísslmas
.graças... Quantas luzes e inspirações especiais.... quama
paz .e alegria da alma .... quanto amor de Deus . ... não tem
colll!eguido a penitência das almas santas I- Não duvides;
sem a .penitência, não teriam chegado estas almas àS alturas
do ,amor e santidade a que chegaram!. .. -Recorda a S. Paulo
c~an.clo . o -seu corpo e regozijando-se de levar nele os
sinais ;de penitência ... , e a um S. João da Cruz. que dizia:
Ainda .que- visse alguém a fazer milagres, se não fosse perr)-
tente.. . llão.. acreditaria. na sua ssn!idade, e do mesmo modo
falam , t.Qdos, os santos. . Vê. porém. antes de mais nada, o
exemplo de Jesus e de Maria.- Quis Jesus que o seu Pre-

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Mortificação

cursor de assinalasse neS'ta virtude, e assim , se fo i ao deserto.


a jejuar e a comer manjares silvestres, vestido de peles de
camelo... que não eram senão um multo áspero cilício . .. , e
isto que S. João Baptista fora santificado antes de na<!:cer,
e não tinha que fazer peni•tência .. . Menos tinham que fazê-Ia
Jesus e Maria e, contudo, quão áspera não fai a que fizeram
na sua dura c austera vida de Nazaré ... , de Be!ém, do.
Egipto ... , do deserto ... , da Cruz! ... , Tanto mais dura e dolo-
rosa foi e~ta penitência, quanto o organismo de Jesus e o de
sua Mãe eram mais delicados e ma!s sensíveis, portanto, a
todo o sofri..'llento c do r.·- Analisa um pouco mais e apro-
funda estas penitências e verás o seguinte; . .
2.• Penitênci:Js necc~sãcias ou impostas .'.. as , que Deus.
enviava à Santíssima Virgem e que Ela, sem procurá;-.las,
recebia e ac ei•tava amorcsissimamente, isto é, não._só resigna-
damente, mas .gostosa e alegremente ... as infinitas inCÜ'\"DOOi-
dade.s daquelas viagens, ·nas circunstâncias etn que · as) tinha
de fazer ... ; a escassez de meios para resolver as · dific_u~da­
des ... ; as enormes incomodidades das hospedarias ... ,, dos.
caminhos ... , etc ... , as inclemências continuas do.' tempo,
abrasando-se 'às vezes com. c sol que naquelas regiõt!s •!antQ
queima ... , outras vezes, pass.ando frios e incomodidades .. ..
e ~empre exposta a mil perigos e sobressaltos, que :atllDentar
vam sem cessar a dureza daquela mortificação. · 'óc :: i · , ··
Contudo, penetra no seu coração e verás cÓ.'llo. se.. rego-
zijava Ela nestes sofrimentos e mol'tificações que '}he;vinham
das mãos do Senhor.- E tu, como levas e aceitas · as · ~ni­
tências necessárias que Deus te dá, e que queiras :c.u rnã:>
hás-de sofrer? ... as incomodidades e trabalhos .. ·. , "as - ·intem~
péries do tempo ... , o sofrirnen:o de uma doenÇa,- taivez
muito longa ... , crônica ... , dolorosa ... , o cansaço e fadigar·de·
uma viage.rn ....·, de uma ·coisa dçsagradável que; te• acc'nteée
contra a tua vontade?- Contempla .então a Santí·s sima Vjr-
geni' e pergunta a ti mesmo como aceitaria Ela essasi contra•
riedades. !) •.l.r1r·.·· ·

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Iviorrificação 445

Pensa, além disso, que estas são as melhores penitên,


cias, pois nelas não se pode pecar por indiscrição ou imp.ru,
dência ... , nem por ostentação ou espirito de vaidade .... nem,
~nfim , por desejo de singularizar-te e fazer coisas extraordi-
nárias... Não duvides, de que com estas penitências, agra,
darás muito ao Senhor e tirarás um fmto imenso para a tua
altna, se as fizeres com verdadeiro es pírito de mortificação.
3." Penit!imcias voluntáz·ias. - Não há dúvida que a
.ãn::ia de sofrer na Santíssima Virgem à imitação de Seu
.Fi!ho, não põde conten•tar,se com aceitar aquilo que D~us
lhe enviava, mas Ela mesma se impunha muito freq uentemente
.outras penitências .muito á speras e duras... Aquela oração
prolongada tantas vezes durai:F:e a noite, à cus ta do descanso
.e do sono que necessitava depois do trabalho incessante do
dia I ... Quantas noites inteiras passadas na oração!. .. Aquela
atHude dcvotíssima, de joelhos ... , prostrada ... , e assim horas
.seguidas... Aqueles jejuns tão repetidos e tão r~ gorosos a
pão e água ... , e por vezes nem isto.. . Pois, não imitaria
Ela o jejum no deserto de Seu Filho? ... Como passaria E la
<!queles <;juarcnta dias, visto que não ignorava a peni·tência
que Jesus estava fazendo no deserto?- Ensinada por este
~emp!o , quantas vezes a repetiria depois, e a ensinaria a
f-azer áàs primeiros cristãos?-Se Judit ... , Ester ... , etc., e
outras santas mulheres do Antigo Testam.ento, se assinalaram
nas suas vigílias ... , jejuns ... , vestidos de saco e cilício ... ,
que !Íão faria a Santíssima Virgem, pois que aquelas não
Ioram senão uma figura d'Ela?- Aprende de •tua Mãe a
castigar o teu corpe e a mortificar a tua carne voluntària,
mente, já que voluntàrlamentc tan•tas vezes pecaste... Dis-
tingue nisto várias espécies de penitências que deves fazer:
umas indispensáveis, são as que consistem em mortificar os
sentidos e a tê,los refreados para que não sejam portas
<k tentação ... : numa palavra, esta penitência consiste na
abstenção de todas as coisas ilícitas e proibidas pelas leis de
Deus e da Igreja ou que levem mais ou menos directamente

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446 Mortificação

a quebrantá-las. Porém, deve parecer-te isto muito pouco: ~


as outras penitências são de conselho, é verdade, mas muito•
úteis e frutuosas; consistem também em abster-te mesmo do
que é lícito e permitido, mortificando os teus sentidos nessas
coisas para que quando chegue a ocasião... ou a· .sugestão.
diabólila, estejam be.m dispo&tos para a luta. - E deves ter
em conta, nesta matéria, aquela admirável regra de Santo
Inácio, ao dizer: ciu,ando nos abstemos do supérfluo, isso niio
é penitência, seniio temp:::rança ... ; a ve~:dadei~:a penitência.
consiste em derxar ou em abste~:-te de alguma coisa con-
veniente e quanto mais se priv&" disso, maio~: e melhor será
a ·dita pl?nitência.
Finalmente, vê como além destas penitências que pode-
mos chamar negativas, que consistem em negar-se a gente
algum gosto lici•to ou ilícito ... , há outras positivas ou afli-
tivas, que consistem e.m castigar directamente o teu corpo.
causando-lhe alguma dor .. , alguma pena sensível... e são
as penitências exerdtadas por todos os santos e almas fer-
vorosas que querem, com isto, provar o seu grande amor
a· Cristo, inventando mil meios ... , engenhando--se de muití-s-
simas maneiras para mortificar-se.
Não esqueças que a penitência deve ser, em último
termo uma manifestação de amor... de desagravo e de repa-
ração ao Senhor pelos teus pecados e pelos alheios ... ; e
quando assim se faz a penitência por puro amor de Deus,
sem mistura de amor próprio, é quando tem -todo o. seu.
meredmento e eficácia ... Então po-derás dizer que im'tas o
amor puríssimo e mol'tificadíssimo de tua querida Mãe, a
Santíssima Virgem.

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31. Mortificação

f·.• Mortificaç{jo interna, das paixões. - É evidente que


esta é a penitência melhor e mais necessária.- Toda a mor-
tificação corporal que não fosse acompanhada da interior,
isto é, dos afectos ou paixões da alma, seria coisa inútil. ..
De que valeu ao fariseu do Evangelho jejuar duas vezes
por semana?... Em compensação o publicano que esmagava
o seu coração de dor h1.L!IlJlde e de contrição perfeita, tor-
nou-se santo. - Não ouviste dizer que vale mais um grama-
de mortificação interior do que muitos quilos de mol"tificação
corporal? ... Qual seria então a mor~ificação interior de M'aria
a julgar pelo seu porte exterior tão humilde e mortificado? !
N 'Ela não havia paixões a dominar ... nem más inclina-
ções a arrancar ... nem afectos ou sentimentos a ordenar ... ,
tudo estava ordenado e dominado por uma 9raça espedafu~
sima de Deus, que não consentiu em sua Mãe a rebeldia das
paixões, de qualquer espécie .. . ; mas mesmo sem esta graça
espedalissima a alma de Maria seria o modelo mais acabado
da harmonia e da paz, própnias do coração o!"denado e-
mortificado.
Não tinha que mortificar e mortificou-Se mais do que-
ninguém.. . Â mortificação rigorosa dos sentidos, que con-
servava bem recatados como se também para Ela fossem por-
.tas de tentação ... , uniu-se a mais decidida mortificação inte-
rior ... como se temesse que o seu carácter ... que as suas:

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448 Morlilicação

paixões ou sentimentos .. . cu que o seu coração se desman~


dassem.- Oh Virgem penitente e mortificada! ... Que ver-
gonha ol~ar para mim depois de olhar para Vós! Vós sem
paixões c tão mo.t'tificada! c cu, uma floresta de paixões
profundamente enraizadas e receb2ndo todas a força da
paixão dominante do teu coração! . . . Que pena ter dirloido
mal a força das minhas paixões!
Os Santos foram grandes pela direcção que deram às
.suas paixões . .. S. Inácio c. e Loycla tr<:nsforma a sua paixão
de vanglória na paixão da glória de Deus ... S. Francisco
Xavier. ambicioso de gló:ia, ·torna-se um ambic'cso de
ganhar almas e sonha com levar o .mundo inteiro aos pés
de Jesus Cristo ... Santa Teresa do Menino Jesus dirige para
Deus a paixão mais difícil de dirigir, a do amor, de tal
modo se entr.ega ao amor de Deus que ràpidamente sobe aos
altares.- Examina as tuas paixões... a tua paixão dom i~
.rJ.ante ... can <lliz<l-a e dirige-a .. ., não a deixes ·s air dos eixm,
isto é, fora da lei de Deus e não duvides de conseguir
assim a santidade. - A difícil a einpresa e custosa. .. Mas
um olhar à Santíssima VJrgem e para diante!- Ela te
ensinará ... te animará e te dará as forças necessárias.
2." O génio. - É um<l das paixões mais frequentes
e uma das fontes mais ordinárias das nessas quedas ...
O pior é que costumamos desculpar-nos dizendo: «Sou
assim» ... «é o ,meu feitio» ... «é o meu carácter>> .. . «que lhe
vamos a fazer?» ... Como se isso fosse motivo para darmos
liberdade ao nosso gênio e ao nosso carácter para fazer
o que lhe apetece, como costuma acontecer. - O do.tn.inar o
carácter parece-nos impossível e por isso é muito ordinário
o descuidar~se de o mo!'tifJcar.- Antes de mais nada deves
conhecer-te bem e saber quais são os sentimentos dom inantes
em ti. .. O teu génio é colérico... forte ... muito vivo? .. .
ou, pelo contrário, é suave ... doce .. . mamo e apagado? .. .
És de carácter triste... pouco sociável... ou expansivo .. .
alegre ... comunicativo? ... Na::!a disto e mau, nem imperfeito,

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Mortificação 4-49

nem, portanto, pecaminoso ... ; cada um tem o gemo e o


feitio que Deus lhe deu ... e é precisamente com esse gênio._.
com esse caráoter que tens, que Deus quer que te santifiques .. .
e com esse e não com outro podes e deves santificar-te.
O teu feitio ou gênio bem di.I igido e bem canallzado,
será para ti um instrumento de santifi cação ... O mal está em
que te vença a ti, de tal modo que não sejas tu ... nem o teu
coração .. . mas o 'teu gênio o que te dirija ou descarrila ..•
melhor.
Que escravidão tão vergonhosa! ... E às vezes por coisas
tão pequeninas deixamo-nos vencer do génio! ... Um abor~ci­
ment6 ... um contratempo ... uma mudança nos teus planos ou
projectos. .. às vezes uma demora... U!I1a dificuldade com
que não contavas... uma contradição ... , · etc.":"; a coisa mais
insi9nificante é muitas vezes suficiente para te descompores
e para te deixares levar do teu carácter. Em vencer e até
em mudar o seu carácter à força de mortificação, é modelo
S. Francisco de Sales, o qual sendo naturalmente muito vivo
e c-olérico, chegou a ser o santo protótipo da mansidão e da
doçura ... ; por isso podia muito bem dizer: Não há carácter,
por bom que seja, que não possa tomar-se mau cam os
rrraus hábitos ... ; e niJ:> há caráder tão mau que não possa
ck>minar-se com a graça de Deus e com a diligê=ia de
cada um.
·o teu carácter acompanhar-te-á toda a vida; pOr isSO,
se souberes aproveitar-te bem, dar-te-á sempre matéria
abundante de mortificação contínua. - Suaviza-a com a pre-
.sença e com o exemplo da Sanüssima Virgem. - Pens~ , nó
seu 9énio... no seu carácter. .. Que faria Ela, por exemplo,
nas contradições! . .. nos contratempos tão grandes e t~
frequentes que teV'e de sofrer? ... Era tal o seu domínio que
não se manifestou n 'Ela a .:ninima impaciência... nem o
mínimo ~rvosisJIIO..

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-i 50 Mortificação

3.P As pot~ias interiores. - E agora contempla o


campo extenso de mortificação que te apresentam as tuas
faculdades interior-es: .
.a) O entendimento ... , com os seus pensamentos maus . . . ,
inconvenientes e perigosos ... , inúteis e inoportunos ... , o
desejo de saber tudo e de curiosiar tudo... e sobretudo a
facilidade em julgar temeràriamente dos outros ... e o desejo
de impor o •teu parecer aos outros de sorte que sempre
julgues ter razão e exijas que ta dê.em ... Oh! que dureza
de juízo! ... Que tenacidade às vezes tão irracional! ... Por-
que não aplicar essa tenacidade à santidade? ... Por que não
empenhar-te tenazmente em adquirir a sant idade, fazendo
deste objecto uma ideia fixa? ...
b) A imé!f)ill8.Çiio e a memória.- Que mister:osa é a
faculdade da imaginação, tão pouco conhecida e tão impor-
tante para a vida espiritual! ... Também ela deve ser objecto
de estudo e de mortificação especial... Repara como a ima-
ginação muda as coisas... quantas ilusões nos não forja! ...
quantos juízos errôneos nos não faz formar sobre o valor das
cojsqs ... ! Como aumenta e diminui a seu bel-prazer o que
.g,aer! ... dificuldades que não existem e que só ela vê . . ,
wfri.rnentos que representa sem ,existirem. .. gozos e prazeres
gue , não se dão . .. Quanta vigilância não requer esta «<oU;-
quínha da casa»! . . ., Passamos a maior parte da vida enga-
nados pela nossa imaginação.
Também não podes descuidar a memória . . . Hás-de' evitar
todas - ~5 lembranças que •te traga a memória ou todas as
representações de coisas passadas, mas ilícitas c pecami-
nos'ás... perigosas' ó'u inúteis ... · que te dissipam... que te
fazein perder tempo... que alteram à paz da •tua alma.. . e
qiiê' péde:ril. levar-te ' a verdadeiros pecados ... Não descuides,
pois, • a ' túa i.m,aginação' nem a tua memória .
.. , c) c· Ar vontade. ·-fÉ ;: a razão última de tudo ... , ; dO>
pecàdo· e . da virtude: •. ; o ·que se condena ;e o que se salva ...·
o qu~ é pecador cu santo é-o pela su,a vontade ... , isto é, por~

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Mortificação 151

que assim o quer.- Mortificar a vontade... não fazer


a tua vontade, senão a de Deus, manifestada pelos teus
.superiores ... ; desfazer a vontade própria ... dominar o amor
próprio... tudo isto é não só virtude mas a santidade ...
e sem isto não há santidade.- S. Bernardo diz: Tira a
vontade própria e não haverá infemo.
Pensa na imaginação e na memória... no entendimento
e na vontade da Santíssima Virgem ... , examina... estuda
devagar este modelo de mortificação... Em que pensa? ...
que imagina? ... que d~termina?... que deseja? ...
Pede-lhe auxilio para a imitares nesta tão necessária
mortificação interior.

··i

...

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35. Espírito de sacrifício

·1.• Na S1Ua virgindade. - Penetra hoje no coração da


Santíssima Virgem para que vejas o grande espírito de
sacrifício que nela existe... Parece que não pode viver sem
sacrifício ... ·Diríamos que Ela saboreia a dor como nós o
gozo. - Vê, por exemplo, o sacrifício da sua honra, · na
guarda secretíssima da sua virgindade. - Ninguém sabe o
seu voto ... nem o entende ... O próprio S . .José o ignora, e
Maria que sabe ser essa a vontade de Deus, abraça~se com
o sacrifício que isso suporia para Ela ... O seu esposo vai
duvidar da sua fidelidade ... , da sua virtude... Poderia
supor-se coisa mais humilhante e mais mortificativa para
Ela do que o passar por infiel na virtude que Ela mais
estimava?- Precisamente Ela, que era a Virge.m das vir-
gens... que foi concebida imaculada.. . que não tinha a
menor mancha... e que sempre foi cheia de graça... agora
passar por esta desonra! ...
O mais terrível do sacrifício era que Ela tinha nas suas
mãos a solução.. . e uma solução facílima ...
Duas palavras ... uma explicação rápida ao justo S~ José
de tudo o que se passava... e tudo ficaria arranjado.-
Maria vê a ocasião de fazer um ~rande sacrifício e não a
desperdiça: lança-se nos braços de Deus e caia-se... e
espera... sem defender-S'e nem sair por sua honra. É assim
que tu procedes?... Não costumas pular logo e mostrar o
teu desgosto e aborrecimento quando te dizem alguma
coisa 7... Nunca te falta tempo para te defenderes e des-
culpares, quando m.uHas vezes não tens razão e só te
enterras mais com as tuas desculpas.

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Espírito de sacr'ificio i5.3

Compara o espírito de sacrifício da Santíssima Virgem


cem o teu. - Repara como aceita este sacrifício da sua honra
e como o repete com o mem1o gosto, várias vezes na sua
vida ... por exemplo, na Purificação ... : na vida ordinária de
Nazaré ... em Belém ... e n.o Egipto .. . e em casa e no Tem~
pio. .. Não passava Maria, aos olhos dos sacerdotes e doll
l!eus vizinhos, por uma mulher qualquer... por uma de
tantas... por uma mãe ordinári a que tinha necessidade de
purificar-se e de que o sacerdote pedisse ao Senhor por Ela?.
Cada um destes passos da sua vida renovava n'Ela o
seu sacrifício.. . e sempre encontrava o seu coração igual-
mente disposto... Não foge .. . nem se assusta com o sacri-
fício, seja qual for. - Ah! se sempre te encontrasse cc.m esta
preparação a prova que o Senhor te manda!... Deus não quer
corações divididos nem sacrifícios a meias... Confia a tua
honra e a tua felicidade a Deus, espera n'Ele e ainda que
te prove, não ~emas ... Contempla. o sacrifício de Maria e
vê-la-ás sair dele mais ncbre ... mais bela ... mais digna acs
olhos de Deus... O mes.mo te acontecerá a ti · se tiveres o
amor e generosidade para o sacrifício como tua · Mãe ...
2.~ Na sua maternidade.---< Os homens teriam conce-
bido a maternidade divina, rodeada de homenagens e de
respei-to exterior... de e.splendcr e magnificência proporcio-
nados a tal dignidade ... , de delicias e consolações interiores
no coração da Santíssinla Virgem ... ; no entanto' Deus. 9~er
que em todo o memento seja acompanhada _d? s~cnhoo.
'-- Haverá consolações, alegrias, graças e pr1V1lég10s para
$UB Mãe como não podemos sequer ·s onhar ... ; mas também
não chegaremos a medir a profundidade das dores que 11
maternidade divina custaria à Santíssima Virgem.
Deus dá a sentir e a saborear as delícias do BCU amort
à medida que vai purificando as almas, nas chamas do sacri~
.ficio ... Maria vê em seu Filho, o próprio Filho ·de Deus.~·
o' ·Messias Libertador... , mas por isso mesmo• vê· também
n'Ele, «o varão cde dores e ignomínias»... «o Cordeiro que

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35. Espírito de sacrifício

·1. 0 Na SIUa virg indade. - Penetra hoje no coração d a


Santíssima · Virgem para que vejas o grande espírito de
.sacrifício que nela existe... Parece que não ·pode viv er sem
sacrifício ... ·· Diríamos que Ela saboreia a dor como nós o
gozo. -Vê, por exemplo, o sacrifício da sua honra, na
g.u arda secretíssima da sua virgindade. - N inguém sabe o
seu voto ... nem o entende ... O próprio S . .José o ignora, e
Maria que sabe ser essa a vontade de Deus, abraça~se com
o .sacrifício que isso suporia para Ela. .. O seu esposo vai
duvidar da sua fidelidade ... , da sua virtude.. . Poderia
supor~se coisa mais humilhante e mais mortificativa para
Ela do que o passar por infiel na virtude que Ela mais
estimava?- Precisamente Ela, que era a Virgem das vir~
gens... que foi concebida imaculada... qu·e não tinha a
menor mancha... e que sempre foi cheia de graça. .. agora
passar por esta desonra! ...
O mais terrível do sacrifício era que Ela tinha nas suas
mãos a solução. .. e uma solução facílima . ..
Duas palavras ... uma explicação rápida ao justo S~ José
de tudo o que se passava. . . e tudo ficaria arranjado.-
Maria vê a ocasião de fazer um ~rande sacrifício e não a
desperdiça: lança~se nos braços de Deus e cala~se... e
espera. . . sem defender~.s·e nem sair por sua honra. É assim
que tu procedes?.. . Não costumas pular logo e mostrar o
teu desgosto e aborrecimento quando te dizem alguma
coisa? ... Nunca te falta tempo para te defenderes e des~
culpares, quando mui,tas vezes não tens razão e só te
enterras mais com as tuas desculpas.

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Espírito· de sacrifício

Compara o espírito de sacrifício da SantíSsima Virgem


cem o teu. -Repara como aceita este sacrifício da sua honra
e como o repete com o me= gosto, várias vezes na sua
vida ... por exemplo, na Purificação .. . : na vida ordinária de
Nazaré ... em Belém ... e n.o Egipto ... e em casa e no Tem-
plo... Não passava Maria, aos olhos dos sacerdotes e dos
:seus vizinhos, por uma mulher qualquer... por u.rn.a de
tantas ... por uma mãe ordinária que tinha neces.sidade de
purificar-se e de que o sacerdote pedisse ao SenhOT por Ela?-
Cada um destes passos da sua vida renovava n'EJa o
seu sacrifício... e sempre encontrava o seu coração i~ual­
mente disposto... Não foge... nem se assusta com o sacri-
fício, seja qual for. - Ah! se sempre te encontrasse cc.m e:;ta
preparação a prova que o Senhor te mandai ... Deus não quer
corações divididos nem sacrifícios a meias... Confia a tua
honra e a tua felicidade a Deus, espera n'Ele e ainda que
te prove, não temas... Contempla- o sacrifício- de Maria e
vê-Ia-ás sair dele mais nobre... mais bela ... mais digna aos
olhos de Deus... O mesmo te acontecerá a ti se tiveres o
amor e generosidade para o sacrifício como tua· Mãe ...
2.• Na sua maternidade.~ Os homens teriam conce-
bido a maternidade divina, rodeada de homenagens e de
respei.to exterior... de esplendor e magnificência proporcio--
nados a tal dignidade .. . , de delicias e consolações interiores
no coração da Santíssima Virgem ... ; no entanto· Deus quer
que em todo o momento seja acompanhada do sacrifício.
,__. Haverá consolações, alegrias, graças e privilégios para
sua Mãe como não podemos sequer 'sonhar ... ; mas também
não chegaremos a medir a prcfundidade das dores que a
maternidade divina custaria à Santíssima Virgem.
Deus dá a sentir e a saborear as delicias ·do 5eu a.nwr1
à medida que vai purificando as almas, nas chamas do sacri.,.
.ficio... Maria vê em seu Filho, o próprio Filho ·de Deus'f'
o 1; Messias Libertador ... , mas por isso mesmo' vê·· também
n'Ele, «O varão ·de dores e ignomínias»... «o Cordeiro que

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Espírito de sacrJficio

vai ser io!IJ()Iado pela salvação dos homens» ... Ela compreende
melhor do que ninguém todo o sentido terrível das pro•
·fed as;. . e abrange com o seu olhar maternal o futuro que
espera a seu Filho, segundo os planos da bondade divina.
Vê-'0 ·nascer pobremente em Belém, contempla-o amea-
Çado de morte no berço m.esmo ... acompanha-o na sua fugida
c'omo prófugo para um país estranho .. . , vê-o humilde e des-
prezado pelos seus na •s ua própria terra... e assim passà
trinta anos. amargurado o seu coração, no meio das alegrias
·maternais,. pela espada de dor que nele leva atravessada .
..;.;..'Maria foi a Mãe das dores toda a vida ... A previsão que
teve dos · seus sofrimentos não a aliviou deles, antes lhos
acrescentou, prolongando em todos os instantes, o seu .mar-
'ti'tio incessante ...
·Antes de chegar a hora da consumação do sacrifício, Ela
adiantava-se a oferecê-lo ao Senhor ... Assim deves proceder
tu · também: · não· esperes que o Senhor te tire alguma coisa
'q ue 'te peça em sacrifício ....; adianta-te voluntàriamente a
oferecê-la ao Senhor... Um sacrifício obrigado, mesmo que
o aceites ao· chegar, não tem tanto méri•to como o sacrifício
voluntário ·que se adianta a desprender-se do que Deus quer
que lhe antregues. - Maria sofre na consumação do sacri;.
fício .'.., mas já antes se ofereceu sem limitação alguma e se
:adiantou a dar a Deus no seu coração, o que Ele depois
vai exigir-lhe, ..

3~ • :No ' seru próprio Filho. -Maria encontra em. seu


próprio Filho o motivo dos -seus maiores sofrimentos... dos
seus 'maiorés s~crifícios ... Jesus é o melhor dos filhos ... e
contudo, como sofre com Ele e por Ele! ... Não te admires.
pottanto, de Jesus não poupar sofrimentos aos que o seguem
de pertb e· o a.\nam ... Que sofrimento· não causa a sua Mãe
quando fica nci Templo!. .. E nem sequer se ocupa depois
a cortsolá-ia· com mostras especiais de carinho.. . Diz-lhe
:secamente· que essa era " vontade de seu Pai... e mais nada,

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Espírito de sacr?fí'Cio 455

-Mas à Virgem Santíssima isto basta: não há para Ela


consolação maior do que saber que está fazendo a vontade
de Deus.
E continua o sacrifício ainda maior quando se despede
para a vida pública e deixa a sua casa e a sua Mãe só. - Que
soledade a daquela casa sem Jesus!. .. Ac comer .. . ao dor-
mir... ao rezar .. . em todos os momentos do dia ... Não se
renovaria o sacrifício de Maria ao ficar sem c seu Filho? ...
E junta a isto as dores e os sobressaltos com que de longe
o acompanha. Que privações contínuas para Ela, que tem
de contentar-se com ouvir o que as outras pessoas dizem
das suas pregações... dos seus .milagres e curas... da sua
simpatia arrebatadora !
Junta mais o .sacrifício imenso da Paixão e Morte.
que já meditaste noutra .par.te... Mais cus toso que o
sacrifício da própria yida é o sacrifício e perda de uma pes-
soa amada. Nin9uém amou como Maria ... Logo, ninguém fez
este sacrifício cem tanta intensidade como Ela. -Finalmente.
<0 sacrifício da última despedida para subir aos Céus ... Jesus
vai-se e Ela fica aqui, ne&t·e desterro, a sofrer mais ... a con-
tinuar o sacrifício... a ensinar-nos a nós pràticamente a
completar em nós o que falta à Pa'Wcão de Cristo ... , que é a
aplicação dos seus méritos, medi ante a nossa incorporação
n'Ele ... , participando da sua vida ... do seu espírHo ... do seu
sacrifício... do seu amor à expiação e . à reparação... São
estes os teus anelos?... Trabalhas per uni-te como Maria
com Cristo crucificado ... atormentado ... e cheio de dores?
-Pede à Santíssima Virgem este espírito de sacrifício com
Q qual Ela trasborda de amor e de soi:ri.me'nto, para que te
possas oferecer como Cristo e com Cristo, como vítima da
expiação pelos teus pecados e pelos do mundo todo. -
Esforça-te, pois, po·r negar-te a ti mesmo em tudo... p·o r
tomar com toda a generosidade a tua Cruz de cada dia ...
e assim, nela crucificado, seguir a Cristo e a sua Mãe, que
também é tua, no caminho do sacrifício.

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36. Oração

1. 0 Excelência.- Várias vezes se tratou deste assunto


nas meditações da vida de Nossa Senhora ... , mas é tão
.importante e tão grande a sua excelência, que de novo nos
vamos deter e demoradamente nele ... Maria é o modelo mais
perfeito e a mestra mais prática da oração: temos portanto
muito que admirar nela neste particular.
· M-editemos primeiro, a excelência da oração. Ela
deduz-se da sua definição: orar !é elevar o coração a Dek!s .. . ,
é pôr-se em comunicação com Deus e conversar com Ele .. .
quer dizer, ao . orar estamos seguros de que fa·Jamos com
Deus ... , que Ele nos escuta e atende ... e ao mesmo tempo
estamos >Seguros de que Ele nos fala ... nos ensina ... nos. dá
luzes e inspirações para conhecer a sua santíssima vontade .. .
"- Podes imaginar coisa mais nobre... mais digna e exce-
lente ... , mais honrõsa para ti do que ser admitido ao trato
coi:n Deus ... , à comunicação com Deus ... , a falar e a tratar
intima e confidencialmente com Ele?... Que segredos te não
vai revelar I ... Que misteriosas .maravilhas te não vai ensinar!
Aloração, da -pa11te de Deils, é um abismo de bondade ... ;
da ·nossa parte, é uma fonte tle grandeza e excelência: "sermos
admitidos' à amizade íntima de Deus ! que .maior· grandeza.
e exaltação podíamos· sonhar? ! ... E incompreensível é . que
Deus se baixe tanto até aos homens e que estes se não apro-
·veitem desta dignação de Deus para dele conseguirem tudo

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Oração i 57

o que desejam ... , porque a oração é, de facto, a chave dl!


oiro que abre os imensos tesoiros das riquez~ infinl,tas de
Deus... Não há arca, por mais fechada e escondida que
esteja, nas alturas do Céu, que não se abra com esta chave ...
Na oração, a própria ornnipotência divina passa para as
nossas mãos e parece que o Senhor seate prazer em dar-nos
durante ela o ceptro da sua majestade infinita ...
É assim grande ... excelente ... omnipotente, a oração.
Mas se queres saber doutro medo. a excelência da ora-
ção pergunta às almas de oração, que são todos os san.tcs,
as consolações e doçuras experimentadas por elas I ...
Pára a contemplá-las ... embriagadas nessas doçuras divi-
nas, de que se afastam a seu pesar.~ V c, por exemplo,
S. Luís Gonzaga a orar sete horas seguidas... S. FrancJi>co
de Bórgia, que depois de oito horas seguidZls, peae que o
deixassem um pouco mais. . . E assim todos os santos. -
Depois meditaremos a fundo sobre a oração de Maria; mas
já agora podemos perguntar: como seria a sua oração? ...
Quais seriam as suas doçuras e consolações? . . . Quantas
graças receberia então?... Quanto tempo duraria a oração
de Maria? ...

2.0 Necessidade. - Mas antes demora-te a ver um pouco


a necessidade da oração. - É absolutamente necessária e
indispensável para a salvação e santificação.- Sem oração
não há graça ... ; sem graça não há nada que nos-·leve à vida
eterna ... ; sem oração não há Céu.
S. Afonso Maria de Ligõrio diz categoricamente: Todo
o 711?:gócio da salvação depende da oração ..• porque com a
oração estareis seguros da salvação ... e se não orais a vossa
conckn:ação é certa.
Ouve· agora ao próprio Cristo que encareceu tanto à
necessidade da oração que fez disto assunto frequente das
.SUas pre9ações : V..igiai e orai para que não venhais a cair
rra tenter;Io... É necessário orar sempre c- não se cansar

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458 Ocação

nunca de ocar ..• O car em todo o tzmpo ... E o que pregava,


cumpria-o Ele mesmo: d 'Eie diz o Evangelho que subia às
montanhas a orar e a passar ali a noite em oração... ; e
outras vezes diz que se ceticave. a um lugar solitário e ali
orava ...
É portanto certo que a oração era para Jesus uma
ocupação frequente e demorada. Não é pois de estranhar
que também a Santíssima Virgem passasse grande pal'te da
sua vida em oração.. . Ela era a dispensadora de todas as
graças . .. mas queria que soubéssemos que o meio ordinário . . .
e universal... e infalível de conseguir essas graças, é a
oração.
Já dissemos algures que cs Evangelistas nos apresentam
a · Maria muitas vezes em oração .. . de modo que, apesar do
pouco que nos dizem dela, repetidas vezes falam da sua
oração ... - A Anunciação e a Incarnação dão-se durante a
oração da Santíssima Virgem ... Sobe ao Templo, ainda sem
obrigação nenhuma, a · orar ... A Purificação e a ApreseiJJta-
ção no Templo são mistérios de oração ... Ora no Calvário,
junto à Cruz ... , ora no Cenáculo com os Apóstolos durante
oito dias .. .
Bem podes portanto dizer que · toda a sua vida foi· de
oração . . .

3.0 A tua v~da de on~r~o.- E 'tu, sabes viver esta


vida 7... Estás convencido da excelência e da necessidade
desta vida para a tua alma? . . . Necessitas de luz intensa que
te faça conhecer intimamente a Deus . .. , o que Ele é para ti
e o .. que '(jUer de ti ·a cada instante ... ; necessitas de luz que
te mostre os perigos que te rodeiam e os laços que te arma
sem cessar o demónio . . . assim como os meios de te defenderes
e de triunfares ... ; necessitas de luz que te ilumine 'todo o teu
interior para conhecer-te bem . . . , de luz que te mostre as tuas
inclinações e a tua paixão dominante ... , as tuas quedas e
J!le!:ados. com as suas causas e raízes ... , as tuas fraquezas

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458 Oração

nunca cli:! orar... Orar em todo o tempo... E o que pregava,


cumpria-o Ele mesmo: d"Eie diz o Evangelho que subia às
montanhas a orar e a passar ali a noite em oração... ; e
outras vezes diz que se retirava a um lugar solitário e ali
orava ...
!!: portanto certo que a oração era para Jesus u.ma
ocupação frequente e demorada. Não é pois de estranhar
que também a Santíssima Virgem passasse grande pa!"'te da
sua vida em oração. .. Ela era a dispensadora de todas as
graças .. . mas queria que soubéssemos que o meio ordinário ...
e universal... e infalivel de conseguir essas .graças, é a
oração.
Já dissemos algures que os Evangelistas nos apresentam
a Maria muitas vezes em oração ... de modo que, apesar do
pouco que nos dizem dela, repetidas vezes falam da sua
oração.. . -A Anunciação e a Incarnação dão-se durante a
oração da Santíssima Virgem ... Sobe ao Templo, ainda sem
obrigação nenhuma, a orar... A Purificação e a ApreseiJJta-
ção no Templo são mistérios de oração ... Ora no Calvário,
junto à Cruz ... , ora no Cenáculo com os Apóstolos durante
oito dias ...
Bem podes portanto dizer que toda a sua vida foi de
oração ...

3. 0 A tua v~rla de or2ç~o.- E •tu, sabes viver esta


vida 1... Estás convencido da excelência e da necessidade
desta vida para a tua alma? ... Necessitas de luz intensa que
te faça conhecer intimamente a Deus ... , o que Ele é para ti
e o que -quer de ti a cada instante ... ; necessitas de luz que
te mostre os perigos que te rodeiam e os laços que te arma
sem cessar o demônio ... assim como os meios de te defenderes
e de triunfares ... ; necessitas de luz que te ilumine 'todo o teu
interior para conhecer-te bem ... , de luz que te mostre as tuas
inclinações e a tua paixão dominante ... , as tuas quedas e
pecados com as suas causas e raizes ... , as tuas fraquezas

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O r:ação -461

seus discípulos que orassem e quando Ele .mesmo lhes ensi-


nou a . fórmula divina do P ai Nosso, que ê, sem dúvida, a
oração vocal mais perfeita e a que com maior gosto e devo-'
ção devemos repetir. -A Igreja recomenda-nos sem cessar
esta espêcie de oração, com o seu exemplo .. . Quantas ora-
ções vocais na sua liturgia, tão preciosas e tão cheias de
unção! ... Vê como chega a impor, sob pena de obrigação
grave, , aos seus sacerdotes a oração vocal diária com a
reza do Breviário.
Vejamos já como a Santíssima Virgem orava vocal-
mente. - Temos uma prova que nos indica claramente como
seria a . oração vocal de ·M aria.- Foi a recitação do seu
cãntico Magnificat ...
Qu.e hino tão cheio de gratidão e amor a Deus! .. . Ele
brota espontâneo do coração de Maria, como a expressão
incontida .do seu amor que necessita expandir-se, que tem
gosto .em manifestar exteriormente ... - I.magina a sua ati-
tude. /.·. a sua atenção ... o seu fervor .. . quando pronunciou
esta oração e aprende a orar vocalmente assim e não de
qualquer maneira ... , sem atropelar as palavras ... , sem correr
e sem querer acabar depressa ... mas saboreando o que dizes
e reparando que ê a Deus que estás a falar .
. E-. quando a Santíssima Virgem soube que seu Filho
ha>~ia composto o Pai Nosso, que empenho não poria Ela
em aprendê-lo de cor e em fixá-lo bem! ... Com que prazer
o não repetiria milhares de vezes ! . . . Com que fervor. o não
meditaria e saborearia quando .pronunciava todas e cada
unia das .. suas palavras·! ...
.Vê se é semelhante o apreço que tens de tão subl, me
oração ... , se a rezas devagar e reparando no que dizes e no
que · pedes ao Senhor. - Suplica à Santíssima Virgem que
te · i;ljude nas tuas orações vocais ... , especialmente naquelas
que , rezas com mais frequência, para que evites o rezar
maquinalmente e assim perder . o frU'to precioso da oração
vocal tão .. bela ...

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37. Oração

I.' Vocal.- É o primeiro modo de orar, o que consis te


em dedicar a Deus o belo dom da palavra, empregando--o
em louvá~lo.. . agrade cer~l he... e pedir~lhe mercês. - É a
oração mais na tural e espontânea, que brota do coração que
ama, segundo aquilo, que a boca fala do que lhe vai no -
coração.
Esta oração não é pois meramente mecânica: não hã~de
consistir na simples pronúncia verbal das palavras; estas
hã~de ser a expressão externa de sentimentos interiores.
FàcHmente compre-endes que um disco de gramofone ...
ou um papagaio, que reproduzem mais ou menos exactamente
as palavras que não entendem, não oram.
Fixa~te bem. Hãs~d e entender o que diz-es ... , hã~de
reparar no que pronuncias ... , ou, pelo menos, hãs~de saber
que estás a falar cam Deus c a honrá~lo com o que dizes.
ain<la que não o entendas, como acontece com as religiosas ·
que rezam o Ofício Divino em língua que desconhecem.
Se não fizeres assim , serás do nü.mero daqueles de quem
dizia Cristo: «que O honram com os lábios mas o seu cora-
ção está muito longe d 'Ele».
Que bela é a oração vocal bem feita ! ... Parece ser O •
ensaio aqui na terra dos louvores que eternamente havemos
de cantar a Deus no Céu.
A esta oração se referia Cristo, quando mandava· aos

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462 Oração

2. 0 Mental.- Mas contempla em especial a Santíssima


Virgem na sua oração mental ... , na sua meditação não· só
diária, mas de cada instante.
O Evangelho fala-nos ·também desta sua oração naquelas
palavras: «Maria guardava tudo isto para o meditar no seu
coração», como no melhor livro que podia escrever-se.
Representa-te a Maria nesta oração, o melhor que pude-
res .. . ; repara bem em todos o,s pormenores interiores e exte-
riores ... , pergunta a ti mesmo muitas vezes: como m-edi-
taria a Santíssima Virgem? ... sobre quê? ... quais seriam os
seus afectos?... os seus colóquios?... que fruto tiraria dela?
- A tua alma responderá fàcilmente a estas perguntas.
R epara na importância que a Santíssima Virgem dava
à oração mental.- Todos os santos seguiram nis.to a Maria
e foi na meditação dos mistérios e das lições da vida de
Cristo que eles aprender= a santidade, impregnando-se do
espírito de Cristo. - E por isso diz S. Inácio que esta oração
é o caminho mais cur~o para se fazer santo ... ; e S. Afonso
de Ligório diz: «que muitas almas, apesar das suas devoções
e orações vocais ou rezas, caíram em pecado e nele conti-
nuaram, mas que é completamente impossível meditar e
pecar.... fazer com frequí'ncia oração mental e continuar
pecando». - Conhecido é o dito de Santa Teresa de Jesus
que promete o céu a quem se entregar um quarto de bo:a
cada dia à meditação •
.Mas não creias que .meditar é estudar ... , é pensar
muito ... , é quebrar a cabeça a discorrer ... ; menos •ainda é
tratar de encontrar ideias novas e originais ... Nada disto se
requer para meditar bem.- Toda a gente sabe meditar ... :
a vida racional do homem é uma continua meditação .. .
Medita o homem de negócios para tirar os maiores.• lucros .. ..
medita a rapariga mundana para encontrar a forma de .éjgra-
dar- mais; medita até a criança sobre os seus jogos e traves-
suras... e. até o homem que anda atrás de um prazl'r·. illci!Q
medita no seu pecado e no modo de o praticar.. ,

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Oração 163.

Basta reflectir um pouco sobre alguma coisa que les.te


ou ouviste . . . ; seleccionando o que mais te convém, porque
nem tudo é para todos... Dá muita importância a esta selec-
ção, doutro modo perderás o tempo ... Aplica depois à tua
vida e ao teu proceder aquilo sobre que reflectes e verás
como naturalmente brotarão do teu coração sentimentos de
vergonha ... , de confusão ... , de arrependimento ... ou de ~ra-
decimento ... , de santa alegria e íntima satisfação. . . , ao mesmo.
tempo que formas espontâneamente propósitos para evitar
isto ... , para não tomar a cair naquilo ... etc.; e s·multãnea-
mente pedirás graça a Deus... ajuda à Santíssima Virgem
para tal caso particuler- e concn~to que prometeste e vais
cumprir.- E com is-to tens feito uma bela e pr ática med ita-
ção, que nisto consiste normalmente.
Deves fazer com que a meditação seja · cheia de unção
e que te to.me todo: considerações secas e frias demasiado
intelectuais não agarram nem prendem a voll'tade... Fala
com Jesus e com Maria, muito ... , desabafa com Eles . . . , diz-
-lhes as tuas penas ... , tentações . . . quedas e misér:as, etc.
-Vê se fazes assim a tua meditação ... , se te cansas de.'Ilais,
se a deixas ou a encurtas sob qualquer pretexto... ; se ·a
fazes em companhia de tua Mã-e ... olhando para E la ... ,
aprendendo d'Ela... ·

3.• Leitur-a meditada.- É outro meio de oração mui~o


relacionado com a oração mental. - Quando te atormenta
alguma grande preocupação . .. , alguma pena ... , qualquer coisa,
enfim que não podes alijar fàcilmente... e te é impo~sível'
recolher-te ... , e não podes pensar nem discorrer nada ... , faz
então, pelo rrienos, esta leitura repoisada ... , devagarinho ... ;
demora-te nesta frase ou naquela ... , neste ·· pen-samento . que
parece se acomoda melhor à tua situação actual... ; e ass m,
co.m esta leitura meditada supre a tua meditação... Dezoito.
anos meditou assim Santa Teresa de Jesus por- não pcxkr
díscoiTe1', diz ela, e muitas vezes, acrescenta ela, abrindo o

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461 Oração

l.i.vro já não et"a necessarl'O mais ... , outras vezes lia pouco ...
Ofltt'as, 171!/J.ito ... , conforme a merce ou graça que o Senhor
me fazia. - Isto indica~t~ que não deves prender~te ao livro,
mas sim prescindir dele; quando sentil'es que Deus se te
comunica·. .. deves interromper logo a leitura e demorar~te
o mais que puderes no sentimento ou pensamento que Oeus
te comu.ni.ca.
Também nisto deves olhar para Maria como para
modelo. - Quantas vezes não •tomaria em suas .mãos o rolo
das Sagradas Escr.ituras e se engolfaria na leitura das pro.fe~
cias f ••• E quantas vezes começaria uma frase e não a acaba~
ria ... porque o se.u entendimento e o seu coração levá~la~iam
a . :te.rminá~Ia a . seu modo, vendo o seu Jesus e fazendo apli~
·c ação à sua vida do que Ela ali estava lendo. .
Assim deves tu fazer. Lê com sentido ... , saboreia deva~
<Qí2r o que lês ... , faz as aplicações à tua vida e tal leitura
pro<;luz;irá ei!J. tua .alma os efeitos salutares da oração m.en~
taL.. pois não se trata de mera leitura mas de verdadeira
meditação... Tens feito assim?... Quando por doença,.. por
.m al estar... por desgostos não podias aplicar~te bem, ~;ecor~
.reste a este meio ou deixaste de todo a oração? .. . -Pro~
.mete · à Santíss~a Vir:ge.m proce,der .sempre assim.: tud~
:menos o deixar a oração e fazer esta do modo que .po.ssa sez:.

?.

'..·
.· . ... : .;,· , • •• ~· , , •• ' #

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38. Oração

1.0 Súplica.- A oração de súplica ou de petição é a


que mais entra em cheio na definição de oração «levantar o
coração de Deus e pedir~lhe mercês».- É além disso a ora~
ção .mais indispensável: não temos nada ... não somos nada ...
nada valemos nem podemos nada ... ; portanto temos de pedir
tudo ao Senhor, porque a oração é o meio universal e ordi~
nário de conseguir de Deus o que necessitamos.
É certo que Deus já sabe c que nos falta e o que nos
convém, ainda que nós lho não pedíssemos ; mas quer que
lhe peçamos tudo, para que nos humilhemos reconhecendo
que não podemos nada por nós mesmos nem possuímos
nada. - É admirável e consolador em extremo o que Cristo
disse sobre esta oração de súplica ou petição: Pedi e rece-
bereis ... , chamai e abrêr-se-vos~ã a porta ... ; tudo quanto
pedirdes ao Pai em meu nomle ser~vos-ã concedido ... ; se
tiverdes fé eu vos asseguro que tudo o que pedirdes na
oraç.:io vos será concedido. - E logo a seguir, a parábola
do amigo importuno, para nos ensinar a importunar a Deus,
até cansá-lo, se assim podemos falar, e obrigá-lo a que oiça
e atenda a nossa oração.~ Recorda ainda aquelas dukís~
simas expressões do Evangelho : Se vós, sendo maus, como
sois, não sabeis dar a vossos filhos senão coisas boas.
quanto melhor não será vosso Pai celestial em dar~vos as
coisas boas que lhe pedirdes?
110

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Oração

Atende particularmente ao modo de proceder da San-


t íssima Virgem neste ponto . . . A quem acudia Ela nas suas
dificuldades... nas suas provas e contradições?... Onde ia
encontrar a solução do que buscava?... o remédio, a con-
solação e a força para tudo?. . . As luzes e as graças que
recebia em tão grande abundância, donde lhe vinham senão
da oração? ... Não eram elas a resposta que Deus mandava
àquele coração de súplica e de petição com que constante-
mente acudia a Santisstrn.a V irgem ao trono de Deus a
depositar ali as suas penas e necessidades, sabendo que de
lá lhe viria o remédio infalível?
Traz à memória a sua oração: na Expectação do parto . .. ,
que súplicas e que petições fervorosas. . .. cheias de anelos
inenarráveis! . . . E foram tão poderosas que rasgaram os
Céus e fizeram descer o Filho de Deus ao seu puríssimo
seio, adiantando a hora da Incarnação. - E que petições
não faria a Deus no Templo ... ; nas suas viagens cheias de
inquietações e sustos .. . ; na sua fugida para o Egipto·. .. , ao
ver o seu Filho buscado para a morte ... ; na perda de Jesus
no Templo . . ..; enfim, a cada instante ... a cada passo ... para
qualquer coisa, acudia a Deus .. . Não fez assim nas bodas
de Caná? ... Pediu vinho não para Ela mas para os outros,
alcançou-o em grande abundância, como quis . . . Que poder
imenso o da oração!. .. Qual não será para que Deus se deixe
vencer por ele!. .. Por que não te convences da necessidade
que. tens da oração para teus males? . . . Quantas graças não
perdes por não pedi-las! ... Ouve a S. Tomás d'Aquino que
diz : .Todos estamos obrigados a orar porque temos obrig.eção
dJe alcançarmos os bens sobrenaturais qlile não vêm senão
de Deus e ünicamente ,pela oração.
2.• Presença de Deus. - Bem podemos incluir entre
as várias espécies de oração, o santo exercício da presença
de Deus. - Este exercício deve acompanhar sempre a nossa
oração e t anto maior será o fruto desta quanto melhor ~;ou­
ber.mos actuar-nos na presença de Deus. - Não descuides

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-467

isto nunca e tem bem presente a sua importância na oraçã~.


- Mas não só ao começar e ao continuar a oração, mas
também com frequência durante o dia deves renovar o acto
da presença de Deus, se quiseres conservar o fruto da ora~
ção e fazê~lo verdadeiramente prático.
Era a este exercício que S. Francisco de Sales ch~
mava <o pão nosso de cada dia:», porque assim como o pão
não falta em nenhuma mesa e acompanha todos os outros
alimentos, assim a presença de Deus deve sobrenaturalizar
todos os nossos actos, até os mais insignificantes e indi~
ierentes.
Se realmente vivemos tendo a Deus presente ... , com~
preendendo que Deus nos vê e nos contempla em tal caso ... ,
que penetra até aos mais secreto de nossas almas, lendo no
fundo do nosso coração todas as nossas intenções ... , senti~
mentos ... , desejos ... , pensamentos sem que nada se lhe
oculte ... , se o víssemos sempre tomando nota dos nossos
actos, para um dia os julgar e premiá~Ios ou castigá~los eter~
namente, quem não seria santo?... Seria possível ver a Deus
presente e pecar? ... Se fugimos de pecar à vista de outros!. ..
Se pois o víssemos assim, sensivelmente, em figura corporal,
ao nosso lado ... , se nos aparecesse no momento perigoso
da hesitação ... da vacilação ... da tentação ... , cairíamos ? ...
atrever~nos~íamos a estender a mão ao fruto proibido? -
E contudo isto não é suposição nem imaginação; é mais do
que verdade ... Deus vê-nos mais do que nós mesmos nos
vemos; vivemos imersos nos olhares de Deus; a sua pre~
sença envolve~nos completamente. E se Ele nos olha sem
cessar, por que não olharemos nós para Ele? Porque não nos
daremos conta desse olhar divino para nós?
E por aqui já vês como o pôr~se na presença de Deus
é já uma oração, porque este acto da presença de Deus não
é um acto meramente intelectual ou frio e seco mas é um
acto muito intimo e fervoroso que te põe em comunicação
directa com Deus e te leva a falar com Ele por meio de

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468 Oração

fervorosos afedos ... , ao mesmo tempo que te impulsa a


cumprir com toda a perfeição os teus deveres e tudo o que
o Senhor te pede.
Neste ponto muito pouco se pode dizer da Santíssima
Virg.em, porque seria um nunca acabar... Desperta a tua
imaginação e fàcilmente representarás a ·M aria em qualquer
acto da sua vida e vê-la-ás em todos eles procedendo como
se tivesse sempre a Deus presente. - E verdade que Ela
tinha a Deus presente em seu Filho; .mas antes e depois
da vida de Jesus também teve sempre a Deus presente.-
Se isto se diz de muitos santos, para louvar a sua santidade
- que andaram sempre na presença de Deus - que diremos
de Maria?
3." Jaculatórias. - E outro modo de orar.. . , muito
breve.. . .muito simples. .. muito prático. - A jaculatória é
como um comprimido da oração, contendo todo o fogo e
toda a eficácia da oração. - Lembra-te do que já conseguiste
com as jaculatórias nas tuas tentações ... nas tuas atrapalha-
ções .. . nas 't uas .g randes dificuldades ... quando não há meios,
nem tempo, nem facilidade de fazer oração por largo tempo ...
Então a jaculatória é o grande recurso. - Digo-te das jacula-
tórias o que disse da oração: nem todas são para todos ... ,
nem todas são para todas as ocasiões. - A jaculatória há-de
ser breve ... clara ... fervorosa ... oportuna. - A Igreja tem
indulgenciado muitas; mas tu escolhe dessas algumas ... pou-
cas ... de que possas lançar .mão com facilidade ... ; buscao as
que mais te convêm .. . , as que mais te falam ao coração .. .
e depois verás como a jaculatória bem sentida ê uma magní-
fica oração ... ; inventa tu alguma que seja como que uma
expansão da tua alma ... , um impulso do teu coração ... que
realmente saiba bem e agrade deveras ao teu coração. -
Imita a Santíssima Virgem que r.e novava incessantemente a
presença de Deus por