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Teste genético é saída para depressão que não melhora, como a de Pontual
02/02/2018 04h00

Thamires Andrade
Do VivaBem, em São Paulo

O correspondente da Globo em Nova York (EUA), Jorge Pontual revelou ter depressão e se tratar Reprodução/TV Globo

há 40 anos com o remédio errado. Ele fez um teste genético que revelou que metaboliza os
remédios tão depressa a ponto de não surtirem efeitos. "O resultado do teste veio com a lista de
antidepressivos que não funcionavam para mim, e eram justamente aqueles que tomei durante
décadas. A boa notícia é que veio também a lista dos antidepressivos que funcionam", afirmou.

De acordo com os especialistas ouvidos pelo VivaBem, os testes farmacogenéticos (nome do


teste feito por Pontual) servem para determinar como os medicamentos se comportam em cada
indivíduo a partir da análise do DNA. E servem para várias doenças como o câncer.

Leia também:
Da depressão à anorexia: pessoas contam como recuperaram sua saúde mental
Existe um sintoma da depressão que poucas pessoas conhecem

Wagner Gattaz, diretor do Laboratório de Neurociências do IPq-USP (Instituto de Psiquiatria da


USP), explica que cerca de 20 a 30% dos pacientes com depressão não reagem
adequadamente ao remédio e esse tipo de teste permite ao psiquiatra compreender o porquê
disso acontecer.

"O progresso da genômica permitiu que descobríssemos os genes das enzimas das células hepáticas responsáveis por metabolizar os
medicamentos. Cerca de 75% das pessoas faz esse processo em uma velocidade normal, enquanto o restante ou metaboliza ultrarrápido ou
lentamente", fala Gattaz.

O paciente que metaboliza rapidamente tem uma enzima que faz com que o fígado trabalhe muito rápido aquela substância e o medicamento nem
tem tempo para fazer efeito no corpo. Já os que metabolizam devagar, por sua vez, provocam acúmulo do medicamento no corpo, o que pode gerar
efeitos colaterais sérios, como intoxicação.

Por isso, se o paciente tem a característica de destruir rapidamente um determinado antidepressivo, como era o caso de Pontual, a
eficácia da droga será afetada. O teste, então, indica a característica de cada um e mostra quais são os remédios que o paciente tem chance de
responder melhor e quais são os que ele terá uma intolerância.

Teste ou tentativa e erro?


Tanto Gattaz quanto o psiquiatra Fernando Portela, membro da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), afirmam que o antidepressivo começa
a fazer efeito a partir da segunda semana, sendo que, após quatro semanas, o paciente precisa já sentir melhora em alguns dos
sintomas da depressão, como ansiedade, apatia, culpa, descontentamento, desesperança, irritabilidade, perda de apetite, fome excessiva e
insônia.

"Se o paciente não teve remissão dos sintomas nesse primeiro mês, cabe ao médico fazer uma avaliação para identificar se precisa trocar o
medicamento", fala Portela.

O membro da ABP explica que só indica o teste para pacientes que já tenham trocado de medicamentos pelo menos três vezes.
"Normalmente um bom psiquiatra consegue avaliar e diagnosticar bem seu paciente. Mas há casos em que é preciso recorrer aos testes para
entender por que ele não está respondendo a nenhuma droga".

Já Gattaz é a favor de recorrer ao teste sempre que possível, já que o interesse do médico e do paciente é descobrir o quanto antes qual é o
medicamento capaz de colocar "um fim no sofrimento gerado pela depressão".

O entrave, no entanto, é o preço dos testes que variam de R$ 1.300 a R$ 3.990. Além de não estar incluso no SUS (Sistema Único de Saúde)
também não consta no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), ou seja, os planos de saúde não cobrem o exame. No entanto,
segundo os psiquiatras ouvidos pelo VivaBem, alguns planos reembolsam parte do procedimento.

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