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Índice:

INTRODUÇÃO ........................................................................... 4
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO........................................... 8
O CASO BRASILEIRO ............................................................ 14
A HISTÓRIA RECENTE .......................................................... 19
A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. .............................. 26
DIRETAS, JÁ! E A UNIÃO DAS ESQUERDAS ..................... 35
O PERÍODO MILITAR DE 1964-1984 .................................... 47
ANTES DE 1964 ....................................................................... 58
OS PILARES ............................................................................. 64
CONCLUSÃO ........................................................................... 73

1
SOBRE O AUTOR

Eu sou Carlos Alberto Reis Lima. Sou


médico há 40 anos. Sou casado e tenho um
filho, John. Trabalho como médico há 30
anos na cidade gaúcha de Amaral
Ferrador/RS. Fui graduado em Medicina
pela Faculdade de Medicina da UFRGS em
1978. Em 1984 retornei à Universidade

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onde cursei História, e no final da década
iniciei um Mestrado de Ciência Política. Fui
colaborador por muitos anos de Olavo de
Carvalho escrevendo nos seus sites onde
me tornei conhecido pelos estudiosos que
há mais de 20 anos escrevem artigos sobre a
política brasileira, a educação, psicologia,
religião, entre outros assuntos. Carlos Reis
é o meu nome institucional e que nestes
anos todos foi autor de mais de 1.600
artigos que versam sobre o tema Brasil e o
mundo político. Esses artigos desde 2013
vieram ao lume no formato de vídeos no
YouTube onde conquistei muita simpatia e
reconhecimento com meus mais de 10.000
inscritos. Esse eBook é sobre as últimas
seis décadas da história política do Brasil.
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OS PILARES DA EDUCAÇÃO

POLÍTICA NA DEFESA DOS JOVENS

CONVERTIDOS AO SOCIALISMO

INTRODUÇÃO

O Brasil vive um momento único e inédito


na sua história. O ano de 2018 passará à
História nacional como um instante em que
a vontade popular cristalizada no voto de
137 milhões de cidadãos e cidadãs apontou
para um novo caminho. Uma hegemonia

4
política que vinha se formando há trinta
anos parece estar dando lugar à outra forma
de pensar a política, de viver a política e de
viver a cidadania em um país democrático.

Não houve nesse ano nenhuma interrupção


do processo democrático; tampouco houve
qualquer trauma às instituições. A verdade
que transparece é que um novo projeto
político se desenha em um horizonte muito
próximo, uma forma nova de governar sem
as amarras do compromisso político-
eleitoral, mas com amplo apoio popular. O
novo projeto injeta esperança no povo
brasileiro, pelo menos na maioria dos
cidadãos que o legitimaram pelo seu voto
livre e honesto.

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Do lado perdedor, do lado minoritário, além
da frustração impera um medo que se
manifesta por atos apaixonados de protesto
diante da nova realidade. A natureza, a
gênese, e a história desses atos passionais
serão exibidos nesse texto. Aqui o leitor
lerá como chegamos a esse estado de
coisas.

O embate que ora se trava no campo das


manifestações populares são nitidamente
obra do confronto de ideologias opostas.
Vivemos indiscutivelmente uma luta
ideológica que parece aumentar em
intensidade e violência, pelo menos
enquanto as águas revoltas não voltarem ao
seu leito de paz e reconciliação.

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O Brasil já passou muitas vezes em sua
história por momentos críticos, teve
rupturas e traumas sócio-politicos, mas
desta vez há um elemento novo, qual seja, a
derrota de um plano socialista que almejava
levar o país ao paraíso utópico comunista.
O povo, usando da última arma que lhe
restou, o voto, obstou o plano de uma
ditadura coletivista que, já nos trazendo
pobreza econômica, e miséria ética e moral,
ameaçava a própria democracia e a nossa
liberdade.

Indubitavelmente o colapso da credibilidade


do Partido dos Trabalhadores e de suas
lideranças, muitas delas cumprindo penas
em prisões por todo o país, fez ruir o sonho
(ou pesadelo) de um paraíso comunista
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almejado por profetas da morte e carrascos
da liberdade. O exemplo do nosso vizinho
próximo, a Venezuela, ajudou o povo
brasileiro a acordar do seu longo e letárgico
sono antes que este atingisse o estágio de
pesadelo – a ditadura totalitária – a pior
coisa que um regime político pode infligir a
seu próprio povo.

DIAGNÓSTICO E
TRATAMENTO

8
Mas muito mal foi feito, muito dano foi
causado às mentes, especialmente às mentes
jovens. Diante do mal causado aos jovens,
os nossos filhos e filhas, netos, sobrinhos,
primos, o irmão e a irmã mais nova, ofereço
o Diagnóstico e proponho um Tratamento.

O Diagnóstico é o conhecimento do mal, o


esclarecimento da situação, do estado a que
chegamos. Para isso ofereço uma ampla
visão na forma de Educação Política.
Chamo Educação Política ao conjunto de
9
informações recolhidas da Ciência Política,
da Sociologia Política, da História, da
Economia, e da Psicologia Social, além das
visões filosóficas sobre a natureza humana
e suas relações com o poder.

O Poder é o Estado e seus governos; a sua


contraparte é a cidadania, os súditos, os
homens e mulheres comuns que devem
obediência política a alguém, real ou
abstrato, para que possam viver em
sociedade. Os Pilares são os marcos e os
homens da História que sustentam as nossas
visões ideológicas, as nossas impressões
sobre a sociedade política, em suma, os que
influenciam e determinam em última
análise o nosso viver e nosso
comportamento na vida em sociedade. O
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conhecimento é o Diagnóstico, e este
antecede o Tratamento.

O uso dessas palavras dá a pista do que


estou tratando aqui: um mal ideológico
parasita a mente dos nossos jovens,
produzindo sintomas e sinais de doenças
pessoais, sociais, individuais e coletivas que
estão na nossa realidade, na nossa casa, na
nossa família. Há uma doença a ser tratada,
erradicada, curada para que a normalidade
da saúde social volte às famílias. Busco
ajudar a dor de quem perdeu um filho para
uma ideologia desagregadora da mente e do
corpo. A dor e a decepção de um pai que vê
um filho comportando-se de modo
nitidamente anormal, doentio e quase
insano depois de algumas semanas ou
11
meses estudando em uma faculdade pública
ou privada, atesta a realidade cruel desse
mal.

O mal atende pelo nome de Comunismo,


um nome popular e genérico para algo mais
sofisticado: a ideologia marxista-leninista e
suas formas disfarçadas. Jovens perdidos,
desorientados, reagindo violentamente
contra os seus pais e sua família despertam
uma dor inimaginável; uma dor quase
comparável a perda irreversível da morte,
ou da doença terminal, ou da entrega sem
volta de alguém às drogas ou à
criminalidade. São muitos milhares de
famílias com esse problema.

12
Lembrem-se, o Diagnóstico é político; o
Tratamento é individual.

Mas ambos podem ser encontrados na


mesma pessoa que eu agora me proponho a
ajudar pela via do esclarecimento – a
Educação Política. Um pai ou um
responsável mais consciente do problema
terá rapidamente a Autonomia para salvar
seu jovem. Este mesmo jovem, em dado
momento, acordará para a sua liberdade e
independência – isto é Autonomia, a
condução própria da nossa vida com
responsabilidade, liberdade e
independência. Diz-se da criança como um
ser heterônomo, isto é, à espera de sua
autonomia, e é para a autonomia que nos

13
educamos em nossa casa e nas nossas
escolas.

O CASO BRASILEIRO

A tragédia da educação de Paulo Freire.

O ponto de partida do descaminho que


tomou a educação brasileira é a ideologia
socialista de Paulo Freire. Para os
socialistas e desavisados em geral esse
nome suscita respeito quando deveria
despertar objeções as mais severas. Ele é o
principal responsável pelo desastre da
educação brasileira; sua influência é nefasta
sobre todos os sentidos. Tudo o que ele fez
14
foi destruir a base educacional da cultura
brasileira substituindo-a por uma ideologia
do lasser-faire, tipo deixa o aluno em paz (
leave the kids alone): o erro pedagógico
fundamental de deixar ao aluno a decisão
do que ele quer saber e como vai saber. A
conseqüência que resultará fatalmente na
adoção de uma ideologia destruidora dos
valores típicos brasileiros será a negação
dos laços familiares e a retirada do papel
educador da família. Ademais, essa
ideologia fornece ao aluno, mesmo o mais
pequeno, desde as séries iniciais, o
desrespeito às leis, às regras, à ordem, à
moralidade, à religiosidade. Incentivando a
dissolução dos laços morais e familiares o
aluno que resulta é um revoltado mimado;
15
um revolucionário treinado a nada acreditar
senão na cartilha do marxismo; um jovem
neurótico violento e indiferente, sem amor
familial, sem respeito aos seus semelhantes.
Em suma, o marxismo educativo produz o
pior dos homens.

O Brasil emburrece a cada ano desde 1988.


Isto é fato; os indicadores apontam há anos
para essa constatação. As nossas crianças
não aprendem a ler senão em muitos anos;
as escolas se transformaram em centros de
doutrinação socialista. Nossos números são
vergonhosos. Abundam as estatísticas que
nos colocam sempre nos últimos lugares.

A escola não está mais na memória dos


alunos. Ao deixá-la os alunos de Paulo

16
Freire dela não terão lembrança. Chamo a
esse fenômeno ausência de “escolaridade”.
Que não se confunda esse novo conceito
com a titulação ou formação conferida em
diploma. Aqui estou falando da escola
física, do prédio, dos professores, dos
companheiros e colegas, das cores da
escola, lembranças afetivas que levamos no
coração pelo resto das nossas vidas. Assim
nós pais fomos criados. Isso foi destruído
porque a escola para a educação socialista
serve a outro fim: o fim da “formação da
cidadania”, a grande falácia da social-
democracia socialista. Em uma mente
egoísta não parece haver lugar para o afeto.

O aluno, agora na faculdade, ainda


heterônimo, isto é, infantil ou infantilizado,
17
é um militante político e ideológico. Ele
tem uma “causa” social ou política. Ele foi
ensinado a ter uma causa (da esquerda)
política e se sentir imbuído com uma
missão salvadora da sociedade, um agente
da transformação social.

Em alguns casos isso assume contornos de


doença mental grave, dissolutiva da
personalidade original em formação em
casa. O jovem transformado pela lavagem
cerebral agora não conhece mais os pais,
nem a família. Os desprezam; o seu novo
deus é o Estado. Ele só vive no coletivo
social abandonando a sua própria liberdade
e identidade pessoal. O individuo morre
nele para nele nascer um ser coletivizado

18
dotado de direitos positivos que o estado, o
seu novo deus, lhe dará com generosidade.

A dor de um pai com um filho destes pode


ser removida? Eu acredito que sim, e estou
aqui para ajudar. O primeiro passo é saber
de onde vem a dor, e isso se resolve com
Educação Política, com conhecimento, com
ilustração, no Diagnóstico. Leiam agora o
Diagnóstico (A Educação Política).

Logicamente esse assunto não se encerra


aqui neste ebook. O convido para me seguir
nas redes sociais para você dar os próximos
passos para ter o seu jovem de volta.

A HISTÓRIA RECENTE

19
Como chegamos a esse estágio quase
terminal? Para isso temos que consultar a
História e seus elementos fácticos e
teóricos. Mas, cuidado, que história é essa?
Certamente não se repetirá aqui o erro da
historiografia marxista-leninista, e não se
recorrerá a interpretações falsas, distorcidas
e desfiguradas, próprias do modo mentiroso
socialista. A historiografia leninista aqui
não se lerá; tampouco serão ouvidas as
falsas testemunhas que venderam a verdade
no balcão corrupto dos interesses
inconfessáveis contidos no portfólio
socialista. Esse Autor desde já adianta o seu
repúdio a Comissões da Verdade, e mais,
adverte para o uso irresponsável dessa

20
palavra. A propósito disso, lembra-nos
Michael Oakeshott:

“A função do governo não consiste em


impor outras crenças e atividades aos seus
súditos, nem em tutorá-los ou educá-los,
torná-los melhores ou mais felizes... Em
suma, a evidência do governo deve ser
encontrada no ritual, não na religião ou na
filosofia; no gozo do comportamento
ordenado e pacífico, não na busca da
verdade ou da perfeição” (sobre o
Racionalismo na Política)

Quem vos escreve não é discípulo nem


súdito do Big Brother orwelliano e do seu
Ministério da Verdade. A história que aqui
se contará não detém o monopólio da

21
verdade, mas tampouco se amedrontará
diante das mentiras mil vezes repetidas. A
arma da novilíngua orwelliana, uma
armadilha semântica feita para enganar,
corromper, e controlar o cidadão será desde
agora tema central dessa apresentação.

Crime de ódio, preconceito, racismo,


xenofobia, homofobia, fascismo, são todos
construtos falsos oriundos do mais cruel
sistema de dominação das vontades e da
inteligência que já se criou. Obra perfeita
dos regimes totalitários, as palavras de
sentido invertido e distorcido acabaram
com a educação dos nossos jovens criados
durante o governo da engenharia social
comunista, o Controlador incontrolável,
quase oculto, e sempre aterrorizante. Essas
22
palavras–conceitos infelizmente foram
assimiladas pelo povo brasileiro que as
ouve há décadas e que para ele soam
verdadeiras. Mas elas não verdadeiras; são
mentiras repetidas à exaustão segundo o
modelo do líder ideológico do nacional-
socialismo, Goebbels, e também fabricadas
em Lubianca (a prisão soviética cujo nome
era amorzinho, em russo) onde Stalin
torturava corpos e lavava cérebros. Será
uma tarefa de Hércules desfazer a confusão
criminosa e fazer revertê-las ao seu
verdadeiro significado. Tal dificuldade
decorre da lavagem cerebral socialista
pregada em salas de aula de crianças, em
cátedras universitárias, púlpitos comunistas
da Igreja Católica (CNBB), em palanques
23
de partidos de esquerda e até da direita
oportunista, em sindicatos, etc., por mais de
trinta anos. Levará muito tempo para a
população brasileira entender o porquê e o
como isso se estabeleceu como verdade.

Fruto da ideologia e do racionalismo de


políticos messiânicos – sendo Lula o maior
deles – a novilíngua é a marca registrada

24
dos destruidores do passado, das tradições e
da cultura dos povos.

Tendo isso em conta o que poderíamos


esperar de nós mesmos e de nossos filhos,
irmãos, sobrinhos, netos? Permitiríamos
que eles continuassem em erro, “erguendo
estranhas catedrais” e cultuando deuses
malditos como estivemos testemunhando?
Percebam o valor da mudança que ora
opera no Brasil; vejam o potencial de
transformação da sociedade, isto é, nós.
Precisamos urgente recuperar ou
desenterrar os pilares da nossa Educação
Política. Voltemos às raízes dela.

25
A CONSTITUIÇÃO
FEDERAL DE 1988.

Voltar aos poucos a um passado que para


mim já vai distante, o ano de 1988, o ano da
promulgação da constituição-cidadã, o
Estado Democrático de Direito, é uma boa
maneira de demonstrar a construção dessas
mentiras. A principal delas chama-se
Democracia. O Autor é contra a
Democracia, pode alguém perguntar? Não,
ele é apenas um crítico dessa democracia, a
qual desde há muito se revelou falaciosa,
um belo exemplo de novilíngua. A sua
mentira essencial se esconde no seu realce
idealístico altamente abstrato, no
26
racionalismo que nada tem a ver com a
felicidade do povo. A democracia não é um
fim; muito menos pode ser um valor
absoluto. A democracia é tão-somente um
meio, um método de se governar. Meios e
métodos não se confundem com fins, muito
menos com fins últimos e absolutos. A
democracia que embasa todo delírio sedutor
socialista não pode ser a finalidade última
na ordem social a qual necessita do
confortador contato no chão da realidade.
Quem vende lotes de nuvens dos reinos da
abstração e da racionalização não passa de
um farsante que brinca “com o menos pior
dos meios de governar os homens”
(Churchill). Esse é o fantasma que dá

27
sentido ao Estado “Democrático” de
Direito. A ele voltarei.

Antes, entretanto, devo mencionar que o


ano de 1988 foi pródigo em acontecimentos
pessoais e que se inter-relacionam com os
acontecimentos políticos do Brasil. Na
época eu estava próximo de concluir o
curso de História na UFRGS em Porto
Alegre, quando fui atraído pela
possibilidade de fazer um mestrado em
Ciência Política, cujo Programa se abria
28
depois de vinte anos suspenso. O ambiente
era revolucionário e tenso. Era ano de
eleições municipais as quais elegeriam dois
petistas, Luiza Erondina em São Paulo e
Olívio Dutra em Porto Alegre.
Ironicamente eu nada sabia das
possibilidades de vitória do candidato
gaúcho: dos treze participantes desse
Programa de Mestrado eu era o único que
não era petista. Todos os demais
trabalhavam para o Partido-Classe, detendo
as informações que lhes possibilitavam
saber adiantadamente (pelo menos um mês)
o vencedor do pleito. A Universidade
Federal gaúcha trabalhava para as
candidaturas petistas sem nenhum pudor.
Obviamente, eu, visto como um
29
reacionário, estava totalmente excluído das
projeções, das pesquisas internas, e das
análises de discurso, normais em cursos
desse tipo. Desnecessário dizer que fui
surpreendido pelos resultados favoráveis
aos revolucionários. Passadas as eleições
(ainda não havia segundo turno) meus
colegas me confessaram o trabalho secreto
que tinha sido feito. Esse testemunho prova
o grau do comprometimento ideológico das
Universidades brasileiras há exatos trinta
anos atrás! Não admira, portanto, o estágio
de degradação acadêmica que nós
testemunhamos nos dias de hoje. Também
desnecessário dizer que tive que abandonar
o Curso que me tratava como um outsider,
desprovido da Bolsa-CAPES pela minha
30
condição “burguesa’. Aliás, a minha
entrada no curso não foi apenas pelo meu
mérito, mas por eu ter aberto mão da
encantada bolsa pecuniária em troca de uma
vaga, justo em um momento de grande
dificuldade financeira. Entenda-se, eu já era
médico formado há dez anos e não exercia a
profissão por amor às Ciências Humanas.
Estava quebrado e quebrado foi o meu
sonho de então de ir para a Inglaterra com
uma bolsa de estudos. Mas a vida dá voltas
e eu pude “concluir” todos os cursos
superiores na companhia auspiciosa de
amigos na internet dotados de um saber e
uma cultura dez vezes superior à
“educação” tradicional. Sou muito grato a
Olavo de Carvalho, Heitor de Paola, Graça
31
Salgueiro, José Nivaldo Cordeiro e tantos
outros.

Mas dizia eu, existem outras falácias da


novilíngua socialista. E todas elas são uma
maneira de acusar e destruir a reputação de
adversários, ou dito melhor, inimigos,
porque os socialistas não têm adversários,
mas inimigos. Fascismo, nazismo
(ocultando o nome verdadeiro nacional-
socialismo), e mais modernamente
homofóbico, são exemplos muitos atuais
desses estereótipos. Não surpreende a
freqüência com que são empregados como
insultos a quem se odeia. Tampouco estão
conscientes na cabeça de quem os profere
porquanto são slogans, e nada mais, a
espelhar o primitivismo do comportamento
32
de um rebanho adestrado. Não é irônico que
os inventores do crime de ódio orwelliano o
usem para atacar os seus inimigos e
denunciadores? E o mais estarrecedor de
tudo é ver que a Constituição Federal de 88
criou o “homem democrático”, o “cidadão”,
já vestido, treinado e adestrado para
obedecer ditames de uma vontade muito
particular, obra de adoradores dos regimes
coletivistas socialistas. E é precisamente
dessa roupa de que precisamos nos libertar
porque ao nos livrarmos dela e dos seus
males que poderemos superar esse atraso
que nos infelicitou. Talvez o ponto mais
alto desse ebook seja precisamente a
mudança do sentido dessa Constituição que
permita que os ares mais verdadeiros da
33
liberdade voltem a soprar sobre nós
levando-nos aos princípios validados pela
experiência civilizacional democrática no
bom uso dos costumes e da moral social.
Vejo nessa constituição em vigor um aceno
enganoso a nos distrair com algo – a
cidadania – a qual prescinde de uma
constituição. E, se não for possível nesse
tempo oportuno e próprio produzir em nós
mesmos a transformação necessária, algo
que de tão grave e urgente que não devemos
ter pressa, nos lamentaremos por muito
tempo. Assim estou afirmando o meu
otimismo nesses novos tempos – os tempos
de um novo homem brasileiro, mais
autônomo, finalmente descrente em
abstrações socialistas absolutas e
34
perseguidor do seu próprio coração.
Alguém perguntará: como? A esses
respondo: olhe as colunas, mirem os
pilares, eles ainda existem. Tais são os
princípios fundamentais do liberalismo e do
conservadorismo tão tristemente esquecidos
no texto constitucional.

DIRETAS, JÁ! E A UNIÃO


DAS ESQUERDAS.

Dando mais alguns passos atrás no tempo


histórico brasileiro surpreendemos a
aplicação da lição de Gramsci (o comunista
italiano Antônio Gramsci), a Revolução
Cultural. Sem precisar dar um tiro (exceto

35
na verdade) a lição de Gramsci usava a
informação disponível em cada país para,
através do seu domínio e monopólio,
disparar a seta envenenada do socialismo
que agiria lenta e insidiosamente no corpo
social. O socialismo triunfaria sem que as
pessoas sequer soubessem que ficaram
socialistas. Com exceção dos intelectuais
orgânicos, o tempo inteiro conscientes do
processo, a sociedade se transformava
seguindo a vontade do Partido-Classe. A
esses intelectuais (professores, jornalistas,
artistas, propagandistas, clérigos) se
somavam um exército de intelectuais
inorgânicos pouco ou nada informados do
trabalho que faziam, inadvertidos do que se

36
tratava, ou para quem ou qual objetivo
obravam.

O intento primeiro da Revolução Cultural


de Gramsci é a construção da Sociedade
Civil Organizada, passo essencial para a
garantia da hegemonia, o nome provisório
pelo qual atende o poder. A Hegemonia
gramscista é o domínio que antecede o
poder, ou, o poder sem investidura jurídica
e legal. Aqui não há espaço para detalhar a
37
sua instalação e funcionamento, bastando
por ora assinalar os conceitos-chaves dessa
transição ao socialismo. O povo brasileiro
médio, os educadores, professores,
informadores e consumidores de
informação política na hora e no espaço
oportuno saberão por mim a mecânica, a
estratégia, e as conseqüências disso para a
nossa vida.

Como se vê, são conceitos há muito


superficialmente assimilados pelo povo
brasileiro e que freqüentemente estão
presentes em discursos que são levados a
sério. Até o juiz Sergio Moro é flagrado
falando em sociedade civil organizada sem
se dar conta que isso é um slogan da
propaganda e da técnica socialista
38
gramscista. Aqui seria interessante indagar
sobre essa Sociedade Civil Organizada
quem a organizou. Mas essa pergunta nunca
foi feita e sequer permitiu-se que fosse
feita. Bastava uma maioria votante e uma
vontade ou intenção constituinte e tal
Sociedade estaria feita. Quando isso
começou?

Em 1984 foi deflagrada a campanha política


das Diretas, Já. Conforme a história essa
foi uma oportunidade única das esquerdas
se reunirem em torno de um programa
comum: anistia aos presos políticos,
eleições diretas para a Presidência da
República, e uma nova constituição
democrática, muito democrática, que
atendesse aos anseios das esquerdas. As
39
diferenças pequenas entre as esquerdas,
tanto as mais liberais quanto as mais
radicais, desapareceram nesse pacto
democrático. Davam-se as mãos terroristas
do passado recente, subversivos perigosos e
criminosos; comunistas fracassados em
seus golpes contra a democracia, e até uma
esquerda com muitos tons de rosa fabianos
para disfarçar e amenizar o ambiente. Desta
última surgiu a social-democracia de
origem fabiana com seu líder máximo,
Fernando Henrique Cardoso, o qual tentava
confessar que era um esquerdista mas que a
maioria barulhenta petista e muito mais
radical fingia não saber e acreditar. Muito
tenho a dizer sobre FHC.

40
Afinal, as eleições diretas não passaram,
prolongando-se o status anterior da velha
constituição autoritária de 1967 e sua
Emenda Número 1 de 1969: eleições
indiretas para presidente, as quais
colocaram no nosso colo, ao fim e ao cabo,
o oligarca nordestino José Sarney, egresso
das fileiras do autoritarismo civil-militar e
que agora, subitamente convertido ao
ideário de esquerda, acenava com a
esperança da chegada ao poder dos
socialistas revolucionários, dos sociais-
liberais, do socialismo democrático, do PC
do B, do PCB, enfim, de todos os nomes do
diabo vermelho. Eis os demônios a
exorcisar. Eis nossa missão; isso já não é

41
mais transformação; é purificação e
redenção.

Com amplo apoio parlamentar essa


esquerda informada e treinada no
gramscismo e na sua estratégia de lobo em
pele de ovelha levou a melhor sobre grupos
comunistas, criminosos demais, violentos
demais, e que poderiam comprometer o
plano de instituir uma ditadura do
proletariado ainda nos anos 80. Essa
estratégia deu certo com a promulgação em
3/10/1988 da Constituição Federal ora em
vigor. Gramsci do seu túmulo sem cruz
cristã e sem cruz alguma, comemorou. A
Constituição-Cidadã daria a base legal para
a revolução; protegeria os seus filhos,
blindando-os com privilégios
42
extraordinários, na prática tornando-os
quase inimputáveis, tudo isso queimando
no altar da Deusa Democracia.

Essa palavra merece a maior atenção.


Segundo Roger Scruton, a democracia é
feita para as necessidades imediatas de
grupos e interesses (inclusive
revolucionários, acrescento eu), e excluindo
os que ainda não nasceram e os que já
morreram. Este foi exatamente o caso. A
democracia ficou ainda maior até diante da
própria constituição.

Quanto a esta, há ainda outra qualidade que


favorecia o viés revolucionário: era
moldável segundo as paixões de última
hora, flexível para os amigos companheiros

43
de viagem, e pétrea para aqueles que não
vislumbravam um futuro socialista no
Brasil. O caráter de vendeta e revanche
sobre o status quo jurídico anterior somente
agora transparece. Nela os Direitos
Humanos, a Democracia absoluta, e a
Justiça Social desciam dos céus da
abstração racionalista socialista e pousavam
no leito amigável do Estado Democrático
de Direito, por isso mesmo Democrático de
Direito, como disse Scruton, uma
virtualidade estranha à realidade dos
homens vivos, dos que já morreram e dos
que ainda não nasceram. O constituinte só
pensava no passado recente e no seu
próprio futuro. Reafirmo, por isso é
obrigatório o tributo ao conservador Roger
44
Scruton, que na esteira de Edmund Burke
assinalou essa objeção. Essa qualidade ou
defeito sempre me provocou a pior das
impressões: o revanchismo lhe retirava a
legitimidade e longevidade, porque tal
sentimento de revolta com o passado não
pode durar muito pelo mesmo motivo que
não podemos dirigir um automóvel olhando
para o espelho retrovisor, porque em algum
momento bateremos o carro. Por outro lado,
a sua flexibilidade lhe roubava a
honestidade e a isenção. Enfim, os poderes
do equilíbrio da República com seus freios
e contrapesos sofreriam forte ameaça de
destruição como se vê pelas freqüentes
hermenêuticas (interpretações) e
“entendimentos” por parte de alguns
45
Ministros do STF transmutados em
legisladores a alterar ao seu bel prazer a não
tão fria letra da Lei maior.

E o povo? Essa constituição gramsciana


não foi feita para o povo, pelo simples e
singelo motivo que a Democracia
gramsciana não existe em governos e
sociedades socialistas para a classe
burguesa – seu alcance se limita aos
apaniguados e privilegiados do sistema ou
de uma nova ordem social perversa. Por
isso estão nela ausentes os princípios
liberais e conservadores. Hoje
presenciamos a agonia dessa constituição
que morre de contradição e corrupção
crônicas. Por isso, hoje, os defensores mais
intransigentes dessa Carta de 1988 reagem
46
com indignação à eleição de alguém para a
qual ela não foi feita, e que contra ela e seus
termos se insurgirá cedo ou tarde, ou tão
logo o povo disso seja advertido,
transformado e purificado.

O PERÍODO MILITAR DE
1964-1984

47
Esse foi o período em que assou a batata
comunista, produzindo para além de
desespero, choro e ranger de dentes por
parte daqueles amantes do seu sonho
favorito revolucionário, uma amargura
rancorosa. É desse período a gênese dos
estereótipos com que são brindados os
conservadores, os liberais, ou um qualquer
do povo cansado de ser roubado e de ter sua
48
moral e ética jogadas nas sarjetas. O
período se caracterizou pelo arrefecimento
da participação política, do direito do voto
do analfabeto e dos menores de dezoito
anos; além da censura dos propagadores da
fé profana marxista-leninista. Foi o tempo
das tentativas e dos golpes frustrados
violentos como os seqüestros de pessoas, de
aviões, de explosivos em aeroportos e
quartéis (com morte de pessoas), assaltos de
banco para prover dinheiro à revolução,
entre outros crimes. Lembrem-se, eu estava
lá e fui testemunha ocular da história. Das
janelas da Faculdade de Medicina de Porto
Alegre eu só assistia os macacos
barulhentos da Praça da Redenção. Eu não
tinha nenhum medo. A população inteira
49
não tinha nenhum medo. Pelo contrário,
dormíamos com as janelas abertas e
tínhamos uma sensação de incrível
tranqüilidade – não temíamos sermos
mortos ou assaltados violentamente nas
ruas. A Rede Globo de Televisão apoiava o
regime militar autoritário, aliás, como
sempre fez. Mas quanto aos comunistas...

A guerrilha urbana e rural foi sufocada no


início dos anos setenta. Antes disso, é
verdade, algumas garantias democráticas
tinham sido suprimidas e sonegadas aos
resistentes e aos militantes que
empunhavam armas e gritavam palavras de
ordem comunistas em louvor ao
sanguinário Fidel Castro e seu general Che
Guevara. Mas essas palavras tinham pouco
50
eco sobre o povo brasileiro que desfrutava
nesse período de relativa abundância de
comida, serviços, bens públicos, e ordem
institucional. Quanto aos comunistas...

Lembrem-se, eu estava lá e fui testemunha


ocular da história que estou contando.
Aqueles anos foram autoritários e de
supremacia da autoridade. Os militares e
uma maioria de civis governavam o Brasil.
Não havia militares parlamentares nem
padres revolucionários no parlamento, o
qual nunca foi fechado como ocorrera na
ditadura de Vargas em 1937 durante o
Estado Novo. Os militares e civis que
governaram o Brasil por vinte anos
NUNCA foram nacional-socialistas
(nazistas), nem fascistas, e muito menos
51
comunistas, os três tipos totalitários
prototípicos. É de se salientar à guiza de
informação para a atualidade que em 1973 o
Comitê Central do Partido Comunista
Brasileiro aprovou uma Resolução que
definia o regime brasileiro instaurado em
1964 como fascista! (A Revolução
Gramscistano Ocidente, Sergio Augusto de
Avellar Coutinho, 2002, Ed. Ombro a
Ombro). O rótulo maldoso não foi feito por
nenhuma universidade do mundo nem pela
Ciência Política, mas sim pelos comunistas
frustrados no seu intento revolucionário.
Hoje em dia as universidades brasileiras,
cobertas de sujeita, degradação e povoada
por zumbis pintados e drogados repetem
automaticamente essa palavra sem a
52
mínima noção de como e por quem ela
nasceu. Não é de admirar que o próprio
atual reitor da USP, acompanhado por
outros colegas do mesmo nível louvem os
zumbis. Um motivo bastante para eu
escrever esse ebook seria a seguinte
advertência: você, pai ou mãe, irmão ou
irmã, avô ou avó, quer que os jovens de sua
família alimentem esse exército zumbi?

Aliás, está na hora de definirmos


autoritarismo em contraposição ao
totalitarismo. Ao contrário do que quer
impingir a propaganda petista atual, o
autoritarismo militar e civil desse tempo se
enquadra perfeitamente na descrição de um
regime que, como já disse antes, não se
emocionava com muita participação
53
política; onde o indivíduo é mais homem do
que cidadão, e o Estado não se imiscuia em
sua vida privada e na sua intimidade diária,
apenas se contentando com o arrefecimento
do envolvimento político. Como escreve o
cientista político gaúcho José Antonio
Giusti Tavares:

“A despolitização autoritária retira o


homem da política, mas, estimulando a
indiferença quanto aos grandes problemas
da sociedade, lhe permite recolher-se à
intimidade e à autonomia de sua vida
pessoal civil”. (Totalitarismo Tardio, o
Caso do PT, 2000, Ed. Mercado Aberto,
Porto Alegre).

54
Seguindo o mesmo mestre, “o totalitarismo
que é o resultado de um processo de
extrema simplificação da realidade, a vida
política é percebida em termos de um
permanente enfrentamento entre dois pólos
– o de amor e o de ódio” (ibid).

Continuo eu, esses são os pólos opostos do


amor/ódio; amigo/inimigo; verdade/erro. É
do totalitarismo, o que o governo civil-
militar brasileiro NUNCA foi, que nasce o
ódio político e onde a democracia, quando
existe, é do tipo plebiscitário, aquela do
rude, brutal, e simplificador sim ou não, e
onde o indivíduo é esmagado sob o peso do
Estado e do tacão da bota policial. O Brasil
só foi um Estado policial no tempo de

55
Getúlio Vargas, herói dos trabalhistas e
aspirantes ao socialismo (que tentaram ser,
mas fracassaram) brizolistas.

Ainda, o totalitarismo oferece o risco e a


incerteza zero, onde todo o conflito
societário, de cidadão com cidadão, é
elidido. É uma falsa paz e um falso
sentimento de plenitude comprado barato às
consciência mal desenvolvidas, porquanto a
alma do homem desaparece na noite e no
nevoeiro – a única paz real é a paz dos
cemitérios. O messias salvador é o mesmo
carrasco que exige obediência total e
completa, e é o regime onde qualquer
dúvida ou hesitação diante do Grande Irmão

56
é vista como traição digna de pena de
morte.

Fica mais fácil entender agora o que se


chama fascista, racista, militarista,
nacionalista, torturador. Os excessos dos
governos militares NUNCA tiveram a
escala com que se mede a brutalidade
fascista, nacional-socialista ou stalinista.
Esses regimes mataram e continuam
matando milhões e não 342 comunistas
brasileiros que pegaram em armas.
Lembrem, eu estava lá. Eu fui testemunha
ocular dessa história – o meu professor de
História não contava mentiras e lorotas
comunistas.

57
ANTES DE 1964

E antes de 1964? Como era o Brasil


político e a sociedade? Esta não tinha
atingido os níveis exigidos por uma
sociedade afluente e auto-suficiente. O
povo brasileiro, entretanto, retinha uma
moralidade e um sentido ético, encontrados
mesmo nas classes menos favorecidas.
Havia dignidade e moralidade, requisitos
para um saudável patriotismo e um
recomendável nacionalismo. O racismo não
era artificial e orquestrado; homofobia era o
crime, em geral passional, de homicídio
cometido por um homossexual contra outro.
Assim essa palavra era definida nos
tribunais, muito diferente da distorção que

58
virou verdade nos dias atuais. Votava-se
para presidente e até comunistas podiam ser
eleitos. Os crimes não eram chamados de
“violência” como hoje. Havia criminosos,
então, como sempre houve, e eles não eram
“vítimas da sociedade”. A população, até
mesmo a menos esclarecida não usava
estereótipos ofensivos como hoje é comum
se usar. Não havia o racismo importado dos
países ricos europeus e dos Estados Unidos.
As affirmative actions (cotas para negros)
não tinham sido inventadas pelos socialistas
fabianos como Bill Clinton, Tony Blair e
Fernando Henrique Cardoso como armas
para a divisão das pessoas, ou como motivo
para jogá-las umas contra as outras,
segundo o lema romano divide et impera. O
59
racismo não era institucional. Matar uma
mulher era um homicídio, e não um
feminicídio, cuja origem remonta a Engels
(A Origem da Família, da Propriedade, e
do Estado) no século XIX, e à Escola de
Frankfurt onde os estereótipos ganharam
um verniz marxista cultural. Mas esse
período, a propósito, foi propício à
propagação da Escola de Frankfurt e seus
temas favoritos contra a família, o
cristianismo, e os costumes. O
politicamente correto, a sexualidade
infantil, que na época não encontrava
espaço nas cátedras brasileiras, já
fermentava nas cabeças mais doidas. O
Brasil ainda não estava ideologizado pelas
esquerdas; o catolicismo era sadio. Em
60
suma, o Brasil era melhor do que hoje,
2018. Os anos 50, os anos da minha
infância e da minha escolaridade católica,
eram pacíficos com a grande exceção do
sobressaltado ocorrido em 1954 quando do
episódio do suicídio de Vargas. Meninos,
eu vi!

Era 24 de agosto e os céus de Porto Alegre


refletiam o vermelho dos incêndios. Ardia a
Radio Farroupilha no alto do Viaduto
Borges de Medeiros. Queimava a sede
gaúcha dos Diários Associados de
propriedade de Assis Chateaubriand, o
Diário de Notícias, e a Tribuna da Imprensa
de Carlos Lacerda, desafeto e quase vítima
fatal do atentado à bala da Rua dos

61
Toneleros, RJ. Tal incidente, parecido com
o incidente criminoso encomendado pelos
petistas contra Bolsonaro, levou Vargas ao
suicídio. As ruas de Porto Alegre viraram
uma praça de guerra. Esse foi o dia em que
eu, aos seis anos de idade, entrei para a
Política. E do lado certo. Lá estava eu, de
novo.

A linhagem de Vargas a Brizola nunca me


foi simpática. Ali há elementos de atraso,
anti-americanismo, nacionalismo de cunho
fascista, e o mais puro caudilhismo e
coronelismo que são melhor identificados
no grande e célebre livro de Victor Nunes
Leal, Coronelismo, Enxada e Voto.

62
Aquele Brasil da minha infância era
democrático desde a Constituinte de 1946
(eu nasci em 1948). Este ambiente foi
construído depois da queda de Getúlio
Vargas em 1945, um momento de glória
para o Brasil por conta da FEB, a Força
Expedionária Brasileira que lutara na
Europa (Itália) contra o nacional-socialismo
e o fascismo de Mussolini. Getúlio era
simpático a esses regimes totalitários, daí a
incompatibilidade de sua permanência na
ditadura desde 1937. Mas essas raízes são
por demais remotas na nossa memória e
aqui se encerra o meu depoimento e meu
testemunho político.

63
OS PILARES

Se você me acompanhou até aqui estará se


perguntando, e os pilares? Quem são?
Quais são? Você decerto pensou em
perguntar quem são os homens que se
erigiram em pilares ou construíram marcos
importantes no desenvolvimento da Ciência
Política, da Filosofia Política, e da
Sociologia Política. Afirmo que são muitos,
mas nada se compara com os grandes

64
filósofos da antiguidade, e aqui me detenho
em reverência aos gregos. Entre os maiores
de muitos grandes estão Platão e
Aristóteles. Refinando mais, me inclino
diante da grandeza de um gigante, talvez o
maior de todos e de todos os tempos,
Aristóteles (384-322 AC, nascido em
Estagira, Grécia). Sua história, sua
importância e relevância gerou milhares de
livros, comentários, artigos, aulas,
seminários e cursos inteiros por dois mil
anos. Aqui neste modesto ebook limitado
pelo espaço e pelo escopo Aristóteles é um
protótipo, um arquétipo, um símbolo a que
pode ser reduzido aquilo que considero o
pilar número um do conhecimento e da
Educação Política.
65
Aristóteles não inventou a Política, fez mais
do que isso, criou as palavras da política;
ele não criou as constituições, mas ofereceu
modelos de politeia para nós; ele deixou
que escolhêssemos aquela que seria melhor
para os cidadãos. Mas ele não falou bem da
Democracia. Como Platão, colocava um pé
atrás na sua implementação. Ele temia o
governo dos pobres que tirariam tudo o que
pudessem dos ricos se poder tivessem. E
esse tudo envolveria todas as virtudes
(arete; aretai) que lhe eram caras: o bem, a
justiça, a prudência, a coragem. Melhor
seria a politéia moderada entre dois ideais –
o da nobreza e o da democracia de
Clístenes. Para o estagirita tais virtudes
oriundas dos tempos homéricos dos reis e
66
dos deuses atuantes eram indispensáveis
para o animal político, e a sociedade desses
homens. Embora se perguntasse se um bom
homem podia ser um bom cidadão, já que
uma coisa não implica necessariamente na
outra, Aristóteles se respondia que sim,
algumas vezes, e em alguns momentos.
Aqui se lê reserva, prudência (phronesis),
equilíbrio (homonóia), mais do que a
sabedoria de Platão. Como era muito grego
imaginar um cidadão como igual a Lei que
o governa, ambos seriam a mesma coisa
(polis é cidade e cidadaia ao mesmo
tempo), Aristóteles procurava no homem
qualidades políticas de liderança, de
coragem, de equilíbrio e prudência, quase
iguais as condições do político ideal
67
conservador dos nossos dias ou dos dias de
Edmund Burke. Comparando as leis (a
constituição) de Sólon e Clístenes podia
deliberar entre as mais vantajosas para
todos e para alguns. Não deixou de ver
defeitos nas constituições e cidadãos
conduzidos por demagogos e aventureiros.
Em algumas passagens de sua Política
escreveu sobre suas suspeitas:

“É tão difícil reformar uma constituição antiga


quanto construir uma nova; tão difícil
desaprender uma lição quanto aprendê-la”.

(Política, IV)

Reparem a atualidade de sua inquietação.


Eu mesmo estou motivado fortemente a
desconfiar da nossa Constituição de 1988 e

68
quase pelos mesmos motivos. Aliás,
Aristóteles é o meu maior aliado para a
“causa” da denuncia da nossa constituição e
da nossa democracia. Não posso esconder
mais a minha objeção às duas. Mas a frase
acima do estagirita me obriga tanto à
cautela vigilante quanto à prudência
corajosa. Esse tema soa revolucionário aos
ouvidos modernos, na medida em que, na
minha opinião, a democracia e a sociedade
que ela engendra são o solo mais fértil à
expansão dos regimes coletivistas – maus
cidadãos conduzem à tirania de um e de
poucos. Não são os mesmo temores de
Aristóteles?

69
De Platão, que o antecedeu, se valeu das
formulações clássicas dos bons e dos maus
governos. Para Aristóteles a democracia
tinha cinco tipos. A melhor delas ainda
assim não se comparava à melhor de todas
as formas de governo; a aristocracia. A
palavra aristós, os melhores, referia o
governos dos melhores. Para Platão os
kaloi-khagatoi, os bons e belos, lembrava a
mesma origem nobre dos tempos antigos de
Homero, a até de Sólon (594 AC). Esse
ideal nunca abandonou os dois grandes, por
isso a longa vida da monarquia (o governo
de um homem e bom) no séculso que se
seguriam, preferível aos governos de
muitos maus. A capa desse ebook é um
tributo a esses tempos heróicos, nobres, de
70
sabedoria política, tempos de deuses e
ideais, de fundamentos e contemplação a
polis e a phisis (cidade e natureza).
Aristóteles acreditava em uma ordem
natural ou em uma justiça universal anterior
aos homens. O Bem é o melhor que os
homens podem herdar dos deuses. Acredito
que esse ideal ainda poderia ser lembrado.

Quantos de nós estaremos preparados para


essas lições de sabedoria política? Quantos
de nós conhecem esse pilar? Que
ensinamento poderemos dar aos nossos
filhos, netos, irmãos mais novos, sobrinhos,
e amigos que amamos que podem
prescindir desse conhecimento acumulado,
cultivado, melhorado, sempre em busca da

71
verdade filosófica, da razoabilidade política
e da boa convivência social? Por fim,
quantos de nós estão atentos aos novos
tempos que agora podem ser revelados
depois de removida a obscura mentira
socialista que procurou abolir o passado, a
nobreza do homem, e a sua natureza mais
verdadeira? Ofereço por isso esse ebook
como chave que abrirá (ou reabrirá) os
horizontes perdidos da Educação Política, a
mais nobre e elevada educação do homem.

Nesse plano outros pilares serão revistos.


Eles também são muitos e grandiosos:
Hobbes, Locke, Rousseau, Kant, Hegel,
Marx, Burke, Weber, Pareto, Hayek, Mises.

72
Tudo terá o seu tempo. Por enquanto
aproveitem esse convite.

CONCLUSÃO

Os ciclos históricos tendem a se repetir


apenas como farsa, como diria Marx. Mas a
farsa comunista é mais do que teatro, é
tragédia. Vale a pena conhecê-la, revelá-la,
e denunciá-la para que ela não se repita. O
totalitarismo visto no livro de Orwell em
1948, ano em que eu nasci, é realidade na
Venezuela e em muitos outros lugares do
mundo. Psicopatas aqui no Brasil mantém o
fogo do inferno vermelho vivo, se
comprazendo em admirá-lo, incentivá-lo e
propagá-lo. Aqui no Brasil, o Foro de São

73
Paulo, ignorado pela imprensa cúmplice e
negado pelo Partido-Classe (PT) até onde
foi possível, manteve essa ideologia
assassina com o nosso dinheiro. Bilhões de
dólares foram gastos no financiamento do
comunismo internacional, seção latino-
americana. Mas o dinheiro roubado acabou;
Lula está preso, Dilma é um farrapo,
Haddad é um poste-réu! Finalmente o país
abriu os seus próprios olhos e fechará os
olhos da mídia cúmplice, o fakenews
corporativo, entre eles o mais rico e
poderoso, a Rede Globo de Televisão. No
momento em que ela se prepara para aderir
e se virar para o lado vencedor da eleição
deste ano, cabe uma advertência: nós somos
a mídia de agora em diante. O poder das
74
redes sociais é tal que pode revelar
instantaneamente o segredo antes bem
guardado do Foro de São Paulo. Eles sabem
disso e têm medo, muito medo.

Nos Pilares da Educação Política a


Revolução Cultural de Gramsci e todos os
assuntos alinhavados neste texto estarão ali
analisados e demonstrados. Sociedade/
Estado, Educação, Comunismo, Socialismo,
Liberalismo, Conservadorismo são os seus
nomes. Alguns tópicos que foram segredos
por décadas ali serão desnudados. Nessa
série terei os espaços adequados para o seu
desnudamento total contado passo a passo,
com muitos detalhes e aprofundamentos.
Tudo isso narrado e apresentado com

75
método, paciência, e com muita alegria,
muita alegria de compartilhar com meus
amigos a esperança de ver um Brasil
melhor do que o Brasil da minha infância:
mais rico, mais sadio, mais sábio. Estamos
no limiar do nascimento de um Homo
Novus Brasiliensis. Esse é o jovem cheio de
vida e de esperança, dotado de autonomia e
transformador das próximas gerações.

76