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EAD

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

Maria de Lourdes Cardoso da Silva Santos


HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

APRESENTAÇÃO

Perguntas De Um Operário Que Lê.

Quem construiu Tebas, a das sete portas?


Nos livros vem o nome dos reis,

Mas foram os reis que transportaram as pedras?


Babilônia, tantas vezes destruída,

Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas


Da Lima Dourada moravam seus obreiros?

No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde


Foram os seus pedreiros? A grande Roma

Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem


Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio

Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida

Na noite em que o mar a engoliu


Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias


Sozinho?

César venceu os gauleses.


Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?

Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha


Chorou. E ninguém mais?

Frederico II ganhou a guerra dos sete anos


Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.

Quem cozinhava os festins?


Em cada década um grande homem.

Quem pagava as despesas?


Tantas histórias

Quantas perguntas

Bertold Brecht

Caro aluno

O estudo da História e da Educação permite identificar as condições nas quais as

práticas sociais ocorreram. Precisamos conhecer os cenários que produzem as


sociedades nas diversas épocas e lugares. Dessa forma, poderemos perceber que

a educação também é um processo histórico e social e pode, dependendo da


ação do professor, ser reprodutora ou transformadora.
O poema de Brecht ajuda nessa reflexão. O fazer histórico e a reflexão sociológica
nos impõem a necessidade de formular várias perguntas, analisar de diferentes

ângulos, inquirir sobre os protagonistas e duvidar daquilo que parece definitivo.


A História, na formação do professor da Educação Básica, tem como propósitos

suscitar perguntas que ajudam a superar a visão construída sobre a lógica do


pensamento hegemônico. Coloca dúvidas para que o sentido da educação –

conhecer, interpretar e transformar – seja objeto permanente da prática docente.


Para que os conceitos sejam adequadamente analisados durante o processo de

realização da disciplina é imprescindível que haja dedicação aos estudos e que


você realize todas as leituras e se valha dos vários recursos que a educação a
distância oferece. A equipe em EAD da UNAR está à disposição para acompanhá-

lo e auxiliá-lo nessa trajetória.

Seja bem vindo e bom estudo.

PROGRAMA DA DISCIPLINA

PLANO DE ENSINO

Ementa:
O que é História. História e educação: aproximação necessária. Periodização

clássica - a trajetória do ocidente da antiguidade clássica aos tempos pós-


modernos. História da Educação no Brasil: processo histórico do desenvolvimento

do ensino no Brasil.

Objetivos
• Contribuir para a compreensão da História da educação e sua importância

na formação do professor da Educação Básica;


• Analisar a periodização da história da educação contextualizando com a

evolução da sociedade ocidental;


• Identificar os principais determinantes da história da educação na

sociedade ocidental e na evolução da sociedade brasileira.


• Estabelecer relação entre processos educativos escolares e o conceito de

democracia
• Identificar os principais movimentos da educação brasileira no século XX.
Programa da Disciplina

• Cultura, educação e desenvolvimento.


• Características da educação na antiguidade da paidéia ao costume

educativo.
• Características da educação medieval.

• Características da educação moderna – iluminismo: o ideal liberal de


educação.

• Características da educação contemporânea.

➢ Educação e ideologia.
➢ Mitos da educação Escola e reformas

➢ Conflitos ideológicos – sociedade industrial e educação.


➢ Escolanovismo .

➢ Novas emergências educativas.


• História da Educação no Brasil

➢ Movimento jesuítico.
➢ Reforma Pombalina.

➢ Educação no império.
➢ O movimento da escola nova.
➢ Educação e desenvolvimento indústria.
➢ Educação na república.

➢ Educação e o desenvolvimento brasileiro após 1930.


➢ Educação e autoritarismo – ditadura militar.

Bibliografia Básica

ARANHA, M. L. A. História da Educação. 3ª. ed. São Paulo: Moderna, 1998.


CAMBI, Franco. História da Pedagogia. Tradução de Álvaro Lorencini. São Paulo:

Editora UNESP. 1999.


ROMANELLI, O. O. História da educação no Brasil. 22. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.
Bibliografia Complementar

GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. São Paulo: Ática, 1998.
GHIRALDELLI JUNIOR, Paulo. História da Educação. São Paulo: Cortez, 1990.

MANACORDA, M. A. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 7ª. ed.


São Paulo: Cortez, 1999.

MONARCHA, Carlos (Org). História da Educação Brasileira: formação do campo.


Ijuí-RS: Ed. UNIJUI, 1999.

SAVIANI, D. Educação: do senso comum à consciência filosófica. São Paulo:

Cortez, 1989.
UNIDADE 01 - GRÉCIA NA HISTÓRIA E NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Conhecer aspectos importantes da História de Esparta e Atenas e analisar os

fundamentos do legado da pedagogia Grega para a História da Educação.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O PONTO DE PARTIDA: A PAIDÉIA


A palavra Paidéia é criada por volta do século V a.C. e, segundo Werner Jaeger,

seu significado é muito amplo e agrega os conceitos de cultura, civilização,


tradição, literatura e educação, todos ao mesmo tempo. Portanto, não existe

tradução que dê conta da plenitude do conceito de paidéia criado pelos gregos.


Cambi (1999, p. 87) define paidéia como:

Ideal de formação humana, da “formação de uma


humanidade superior” nutrida de cultura e de civilização, que
atribui ao homem, sobretudo uma identidade cultural e
histórica. “Ela não parte do indivíduo, mas da ideia. Acima do
homem-rebanho, e do homem pretensamente autônomo,
está o homem como ideia”, ou seja, “como imagem universal
e exemplar da espécie” (Jaeger) Nutrida de história e capaz
de realizar os princípios da vida contemplativa (bios
theoretikos). Esse humanismo (ou humanitas) ninguém o
possui por natureza, ele é fruto apenas da educação, e é o
desafio máximo que alimenta todos os processos de
formação.

Esse postulado de Cambi mostra a importância do legado dos gregos para a

História da Educação. Segundo esse autor, a transição que definiu o surgimento


da paidéia foi tão marcante para a humanidade que ficou conhecida como “o

milagre Grego”.
A EDUCAÇÃO GREGA: ESPARTA E ATENAS

Uma das características mais marcantes da Grécia era a inexistência de uma


unidade política. O território grego constitui-se pela existência de cidades-estado

denominadas polis1.
Vejamos como se organizou a educação em dois modelos diferentes de Cidades-

estados:
Educação Ateniense

Atenas destacou-se pelo caráter aristocrático da sua organização na qual

prevalecia e ideia de que o cidadão participava da vida política da polis Nesse


contexto, surgia uma categoria social composta por comerciantes e educação terá

como características:
• Cuidados com a educação física e intelectual.

• Após o século VI a.C. o Estado, começa a demonstrar interesse pela


perspectiva da educação em caráter coletivo.

• Após 7 anos as crianças são direcionadas para formações específicas:


➢ As meninas continuam sob os cuidados maternos, com formação para

afazeres domésticos.
➢ Os meninos são afastados da autoridade e da referência materna e
recebem instrução para a formação no campo da Educação Física, da
música e da alfabetização. Existe uma preocupação com a formação

integral. O conceito de educação física vai além da ideia de agilidade física,


agrega elementos da formação moral e estética.

• Três tipos de formação:

1
A polis Grega caracterizou-se pela existência de diversas cidades independentes. Não havia um poder
político centralizado. Em razão disso, cada uma delas desenvolveu seu próprio sistema de governo, suas
leis, seu calendário, sua moeda. O que caracteriza a civilização grega era o conjunto de elementos da
sua cultura.
1) Elementar. Por volta dos 13 anos se conclui esta etapa. As crianças de

origem mais simples se dedicam à busca de um ofício. Os que são de


famílias mais abastadas continuam nos estudos.

2) Secundária. Dos 16 aos 18 anos a educação assume um caráter cívico e de


preparação militar.

3) Superior. Este nível mais elevado de educação surge com a figura dos
sofistas. Neste estágio existe preocupação com a ampliação das disciplinas.

Educação espartana
Esparta caracterizou-se pela militarização da sua população. A educação nesta

cidade-estado se caracterizou pela valorização das atividades guerreiras, com


educação rígida e fundamentada em princípios militares, marcada por:

• Forte política de eugenia2


• Valorização das atividades guerreiras e formação severa, voltada para a

competência militar.
• Até os 07 anos as crianças permanecem sob os cuidados das famílias.

• Após 07 anos a educação é pública e obrigatória. Até os 12 anos as atividades


são, predominantemente, lúdicas. Destaque para as atividades com música,
canto e dança.
• Na adolescência, após os 12 anos, a formação adquire a forma de treino

militar (os adolescentes são treinados para suportar o rigor da fome, frio,
desconforto, educação moral, obediência, respeito aos mais velhos). Não há

preocupação com atividades voltadas para a formação intelectual, nem aos


argumentos da oratória.

2
Prática que estimulava as famílias a abandonarem as crianças que nasciam com alguma fragilidade ou
defeito. Essas crianças eram entendidas como inadequadas ao serviço da cidade–estado. As mulheres
também eram incentivadas a cuidarem da saúde do corpo com vistas a tornarem-se boas geradoras de
filhos sadios e compatíveis com a visão de sociedade guerreira.
• Mulheres participam de atividades físicas. Preocupação justificada pela

obsessão de geração de crianças saudáveis e aptas aos rigores da formação


militarizada.

Analisando as características dessas duas cidades-estados é possível inferir que foi

na Grécia que ocorreu o desenvolvimento das primeiras linhas conscientes da


ação pedagógica. Essas orientações influenciarão de modo decisivo, a cultura

ocidental e, até hoje, percebe-se sua presença nas práticas educativas escolares.

Para identificar as referências mais marcantes do legado grego adotaremos como


eixo analítico a divisão clássica da filosofia grega:

SOCRÁTICO (SÉCS. VII E VI A.C.)

É nesse período que ocorre o processo de separação entre a filosofia e o


pensamento mítico.

Para os pré-socráticos a origem do homem se explica por meio daquilo que


fundamenta o ser. A filosofia pressupõe divergências e pluralidade de explicações

levando as pessoas a exercícios reflexivos uma vez que problematiza a origem


humana e nega as explicações sobrenaturais.
É importante, porém, destacar que não há uma ruptura radical de pensamento. É
Heródoto que no século V a. C. conota a história de sentido objetivo,

desvinculando-a do pensamento mítico.


Esse lento e gradual processo de transformação das representações míticas por

elementos da racionalidade humana promove mudanças na pedagogia. Essas


mudanças se expressam na atitude dos filósofos que apresentam novas

concepções de homem e de mundo.


O PERÍODO SOCRÁTICO OU CLÁSSICO (SÉCULOS V E IV A.C.):

A sofística3, criticada por Sócrates, contribui para valorização da figura do


professor e para a sistematização do ensino. Forma um currículo de estudos no

qual estavam presentes a gramática, a retórica, a dialética, a aritmética, a


geometria, a astronomia e a música.

Sócrates (469-399 a.C.) destaca que o princípio da sabedoria é o reconhecimento


da própria ignorância. Foi condenado à morte por seus pensamentos

contraditórios aos valores vigentes.

Método socrático

Para Sócrates o princípio da sabedoria consiste, antes de qualquer coisa, no


reconhecimento da própria ignorância. Além disso, desenvolve o princípio de que

a filosofia dever ter por alvo favorecer a vida moral do homem. Desenvolve o
conceito de intelectualismo ético – doutrina que identifica o sábio e o homem

virtuoso.
Por suas ideias entendidas como corruptivas da mocidade, Sócrates foi

condenado a morte.
É possível inferir que o pensamento socrático trouxe como consequências para a
educação:
1) A ideia de que o conhecimento tem por fim tornar possível a vida moral;

2) A noção de que é por meio da educação que se desencadeia o processo para


adquirir o conhecimento e o diálogo;

3) A premissa de que nenhum conhecimento poder ser dado dogmaticamente;


4) A referência de que toda educação é essencialmente ativa e que

5) O conteúdo das discussões deve adotar como referência situações da vida


cotidiana.

3
Criação de educação intelectual. Ampliam a noção de Paidéia para a formação contínua, que repensa a
cultura de seu tempo. Foram criticados por abusarem da retórica. Segundo eles, que representavam
uma classe social nova de emergentes comerciantes a virtude pode ser ensinada.
O Pensamento de Platão (428-347 a.C.)

A obra que expressa com riqueza de detalhes o pensamento platônico é o Mito


da caverna. Esse trabalho, de acordo com Aranha (1989) permite desenvolver

análise do ponto de vista epistemológico e político.


No que diz respeito à dimensão do Epistemológico as coisas, para Platão, são

meras aparências e a doxa (opinião) faz com que as ideias sejam mais reais do
que as próprias coisas.

Na dimensão da análise Política a indagação que nos faz refletir sobre a sabedoria

humana pode ser formulada da seguinte maneira: como influenciar os homens


que não vêem?

Aristóteles (384 – 322 a. C.).

O pensamento aristotélico traz contribuições para a Pedagogia quando afirma


que importância da ação da vontade e o exercício repetido da ação boa levam ao

hábito.
Aristóteles ainda afirmava que o que difere o homem do animal e o conota do

sentido da perfeição é o exercício da sua capacidade de pensamento.


A organização da lógica formal marcou a produção aristotélica. Por esse
procedimento, que exige a compreensão das dimensões da análise e síntese,
indução e analogia contribuem para que se desenvolva o método lógico de

ensinar.

Período pós-socrático ou clássico (sécs. III e II a.C.)


Com o declínio da autonomia das cidades-estados ocorre uma inversão nas

reflexões filosóficas. Esse movimento de busca de explicação para os conflitos da


interioridade humana são muito bem representados por duas correntes filosóficas:

• Estoicismo: o domínio racional deve levar a aceitação do destino. Negação


do prazer e da materialidade.
• Epicurismo: a felicidade é busca do prazer. O homem deve evitar tudo que

se opõe a felicidade (temor, dor, sofrimento...)


Durante a produção da história grega é possível identificar significativas alterações

no ideal grego de educação.


➢ Cuidado com o corpo do ideal grego de beleza à ideia de obstáculo para

a racionalidade humana.
➢ Desvalorização da formação profissional e do trabalho manual

(predomínio do escravismo na Grécia).

➢ Primeiras teorias educacionais – tendências pluralistas.


➢ Natureza Humana – Racionalidade (Princípio da Ciência).

BUSCANDO SABERES

Acesse o sítio eletrônico abaixo indicado e leia o texto para aprofundar seu
conhecimento sobre a educação em Atenas e Esparta.

Boa leitura.
Fonte: https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/7618/7/7_CAP.pdf.
UNIDADE 02 - ROMA NA HISTÓRIA E NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Identificar os aspectos marcantes da História e da educação em Roma, bem como

seu legado para os tempos atuais.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O império romano viveu seu apogeu no período de 753 a.C. a 476 d.C.

Para entender a produção do legado que está presente em nossa estrutura social,
iniciaremos nosso estudo com a periodização do processo histórico que projetou

os romanos como potência na antiguidade:


Realeza (753 a 509 a.C.) – a marca desse período foi a transição da economia

baseada no pastoreio para a cultura de cereais. O desenvolvimento do comércio


desencadeia um crescimento das urbs (cidades). Esse processo propicia o

surgimento da propriedade privada e a divisão de classes: patrícios, plebeus e


cliente. Embora em número pouco expressivo, ainda existe nesse período a mão-

de-obra escrava.

República (509 a 27 a.C.) – esse período é marcado pelo republicanismo,


entendido como participação dos patrícios (representantes da aristocracia) nas

esferas políticas. Com o enriquecimento de alguns grupos que se dedicavam a


atividade comercial, iniciaram-se os conflitos pela participação nas esferas do

poder político. Nos séculos V e IV a.C. criou-se o Tribunato da plebe que


concedeu alguns benefícios aos plebeus (Lei das Doze tábuas e permissão de

casamento entre patrícios e plebeus). Essas conquistas marcam o surgimento de


uma nova classe aristocrática, que por força do enriquecimento decorrente das
atividades desenvolvidas, passa a ocupar projeção política em cargos públicos. Os
plebeus que não se projetaram economicamente mantiveram-se à margem desse

processo. A essa população o cenário piorou muito: perderam terras e o trabalho


manual converteu-se em atividade escrava.

Nesse período intensificaram-se as atividades de comércio. Realizam-se grandes


obras públicas. A prosperidade de romana é marcada por uma cruel exploração

do trabalho escravo. Fato que desencadeou várias revoltas entre os séculos II e I a.


C.

O expansionismo do território romano também foi marcado pelas transformações

nas tradições decorrentes da influência estrangeira. Com a anexação da Grécia


(146 a.C.) o movimento denominado helenismo trouxe profundas transformações.

Houve também influência dos povos orientais.


Império (27 a.C. – 476 d.C.) – Apogeu dos domínios romanos. Predomínio do

desenvolvimento das artes e grandes construções (aquedutos, termas, estradas e


prédios públicos). Novos mercados comerciais se estabelecem. Grandes

propriedades de terras desenvolvem atividades monocultura. A mão-de-obra


escrava ainda predomina no império romano. A necessidade controle do grande

império exige uma grande máquina pública (muitos funcionários e cobranças de


impostos).
O grande desenvolvimento e a complexidade das atividades do governo romano
fazem surgir o Direito romano.

Outro fato que marca indelevelmente a história deste período é o surgimento do


cristianismo. Que, por rejeitar os deuses pagãos, foi considerada subversiva e

rigorosamente perseguida. Apenas, no ano de 313 d.C. é permitida a liberdade de


culto. No final do século IV o cristianismo passa a fazer parte da estrutura oficial e

a igreja representa um polo aglutinador em um cenário de decadência e


descentralização do poder romano.

Após termos identificado as principais características dos diferentes períodos do


desenvolvimento do império romano, analisaremos na próxima unidade as
questões próprias da educação em cada desses períodos.
A EDUCAÇÃO EM ROMA
É importante identificar que a trajetória de Roma foi marca por três fases distintas:

1) Educação latina original


2) Período de debates entre a cultura helênica e os defensores da tradição

3) Fusão da cultura romana e helenística com marcas predominantemente


gregas.

Educação heroico-patrícia (Realeza)


A educação no período da realeza era destinada exclusivamente aos patrícios e

se caracterizava pela ênfase nos valores aristocráticos que era definido pela
consanguinidade. Para manter as tradições havia ênfase ao culto dos ancestrais de

família.
Até os sete anos as crianças permaneciam sob os cuidados da família. A figura

feminina predominava no papel de cuidados com a infância. Após essa idade os


meninos são assumidos como responsabilidade paterna e desenvolvem

habilidades para o cuidado com a terra, leitura, escrita e fazer contas. Era
necessário também que o jovem soubesse manejar armas, nadar, lutar e dominar
as técnicas da lida com os cavalos. Participava dos acontecimentos mais
importantes, aprendia leis. Aos 15 anos participava dos assuntos políticos e as

noções de civismo eram fortemente estimuladas. Com 16 anos iniciava sua função
militar ou política. A ênfase na formação dos jovens era marcada fortemente por

elementos da vida moral. Os aspectos da intelectualidade ainda não eram


entendidos como fundamentais para a boa formação.

Para as meninas, que não ocupavam papéis de relevância na vida social, ficava
reservada a formação voltada para as habilidades domésticas.
Educação cosmopolita (República)

Como já estudamos anteriormente, a humanidade estabelece suas relações por


meio do trabalho. Por esta razão, o surgimento do comércio produz outra

sociedade com necessidade de um tipo diferente de educação.


Após o século IV a.C. a formação era oferecida pelas escolas elementares

particulares – ludi magister – nas quais a aprendizagem acontecia por meio de


atividades lúdicas. Não existia ainda a figura de um mestre bem formado. Em

geral, os instrutores eram pessoas mal remuneradas e muito simples. Não existe

registro de formas de organização curricular, as atividades restringiam-se a alguns


rudimentos de leitura, escrita e habilidades com as contas.

A expansão territorial expõe os romanos ao contato direto com os povos


helênicos. Esse processo, vivido nos séculos III e II a.C. desencadeia a necessidade

de aprender o grego como idioma, iniciando uma educação bilíngue. Essa


situação faz com que surjam muitos professores Gregos.

Como resultado da inserção da tradição grega na educação romana, podemos


apontar o surgimento de uma educação enciclopédica representada pelas escolas

dos gramáticos. Estas ofereciam estudos das “disciplinas reais” geografia,


aritmética, geometria e astronomia. Além disso, valorizava as habilidades da
escrita e do domínio da fala.
O aperfeiçoamento das habilidades da escrita e da fala conduz à criação de uma

educação de nível terciário. Aquela destinada ao desenvolvimento da


competência com o uso da fala – retórica. Nestas escolas, que surgiram no

decorrer do século I a.C., os professores são muito bem remunerados, os jovens


que a frequentam são originários da elite romana e estudam política, filosofia e

direito além das demais disciplinas enciclopédicas. Além disso, entendia-se que
era necessário ao jovem em formação conhecer a Grécia e sua opulência cultural.

Os cuidados com a educação física são marcados pela preocupação com a


formação militar.
É possível notar que todo cuidado com a educação estava voltado para uma

formação para as elites, com atividades consideradas nobres e que não levavam
em conta as atividades relacionadas ao trabalho manual4.

Educação no Império (27 a.C. – 476 d.C.)

Nesse período a educação romana mantém basicamente as mesmas


características do período da república. O elemento que irá diferenciá-la é a

complexidade da sua organização.

O Estado passa gradualmente a intervir com mais rigor nas questões da educação
e a própria estrutura burocrática exige escolaridade mínima para seus

funcionários.
Primeiro o Estado inicia com uma forma de inspetoria, sem grandes pretensões de

controlar a estrutura educacional. Neste momento toda atividade educacional está


sob responsabilidade de iniciativas particulares.

Em um segundo momento, o Estado passa a subvencionar a educação.


Por fim, cria leis e assume como responsabilidade estatal toda a estrutura de

organização da educação. Suas principais medidas são:


• Séc. I a.C. – criação de escolas municipais em todo império.
• Séc. I d.C. – Os professores de ensino médio e superior são liberados de
impostos.

• Alimentação para estudantes pobres.


• Controle sobre nomeação – perseguição aos professores cristãos.

• Desenvolvimento de educação terciária – medicina, matemática, mecânica


e escolas de direito.

• Bibliotecas são criadas.


Para concluir o estudo sobre antiguidade clássica analisaremos alguns aspectos

que revelam semelhanças e diferenças entre esses dois povos:

4
Lembre-se que o trabalho em Roma foi marcado pela utilização da mão-de-obra escrava. Isso
contribuiu para a formação de uma mentalidade que desvaloriza o trabalho manual.
– As duas são Sociedades escravistas

– Trabalho manual é desvalorizado Semelhanças


– Atividade intelectual restrita a aristocracia

– Modelo do homem racional

- Na Grécia a pedagogia é fundada em visão filosófica


- Em Roma a reflexão filosófica não recebe atenção de forma tão sistemática.
Diferenças
- A Grécia nunca foi uma nação (cidades-estados) – Roma desenvolve a

concepção de Império – assimila o vencido.

BUSCANDO SABERES

Para entender melhor a importância do estudo histórico para o entendimento da

transformação da educação, leia o artigo disponível no sítio eletrônico indicado.


http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
863X2001000200008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
UNIDADE 03 – A IDADE MÉDIA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Nas unidades anteriores estudamos conceitos importantes na formação dos

grandes civilizações clássicas da antiguidade: Grécia e Roma. Nessa fase


estudaremos sobre o cenário histórico que caracterizou o longo período

denominado Idade Média e como se processou a formação do chamado


pensamento medieval. Além disso, identificaremos as marcas próprias das escolas

e do ensino nesse período. Verificaremos também que uma das marcas da força
arbitrária exercida pela Igreja durante a Idade Média foi a instalação do “Tribunal

do Santo Ofício”.

ESTUDANDO E REFLETINDO

CONTEXTO HISTÓRICO
Para localizar nosso estudo na cronologia histórica tradicional iniciamos

lembrando que a Idade Média é entendida como o período que se inicia com a
queda do Império Romano em 476 d.C. até a tomada de Constantinopla pelos

Turcos (1453).
As principais características do período medieval são definidas, historicamente,

por dois grandes eixos de estudo:

1) Alta Idade Média (séculos V ao X).


Esse longo período se caracteriza pela desagregação da antiga ordem e a divisão

em reinos Bárbaros. A transição foi lenta até o século X, marcada pela passagem
do escravismo (modo de produção da antiguidade greco-romana) para o

feudalismo (modo de produção da Idade Média). Destacamos como


características desse período:
• Processo de ruralização (Sociedade essencialmente agrária, auto-suficiente,

comércio muito restrito à base de trocas, quase desaparece a circulação de


moedas).

• Sociedade aristocrática determinada por vínculos de suserania e vassalagem.


• Pirâmide social: rei (poder enfraquecido pela autonomia dos senhores locais e

poder do papa), clero (que possui poder e propriedades rurais) e a alta e pequena
nobreza (duques, marqueses, condes...).

• Condição dos homens é determinada pela relação com a terra: proprietários –

nobreza e clero (possuem poder e liberdade) e aqueles que não são proprietários
de terras (prestam serviços).

• A religião se estabelece como elemento agregador. Há aliança entre Igreja e


Estado, sendo que a influência da Igreja é também política.

• O legado cultural das civilizações da Grécia e Roma fica restrito aos mosteiros.
• Importância do poder da Igreja em um mundo predominantemente iletrado

(nem nobres nem servos sabem ler). Cabia a igreja o controle da educação e
também de princípios morais, políticos e jurídicos da sociedade medieval.

É importante lembrar que muitas vezes esse período é identificado como um


tempo de pouca produção artística e intelectual. Essa forma de analisar a idade
Média é inadequada, pois o pensamento medieval foi produzido por significativas
expressões e produção cultural heterogênea, por exemplo:

• Século IX – fundam-se escola e reformula-se o ensino;


• Século XI – reaparecimento das cidades (burguesia comercial);

• Séculos XII e XIII – criação de universidades.


• Desde o século VIII – expansão do islamismo difunde cultura árabe (arte, ciência,

filosofia)

AS ESCOLAS NA ALTA IDADE MÉDIA (SÉCULOS V AO X)


• As escolas leigas pagãs: No processo de transição da antiguidade clássica para o
período medieval é provável que escolas marcadas por características da
pedagogia romana tenham continuado funcionando. Gradualmente a estrutura foi

se reconfigurando com a substituição de funcionários leigos por religiosos (os


únicos que sabiam ler e escrever).

• O monaquismo: Foi um movimento religioso, desenvolvido nos mosteiros.


Marcou a cultura medieval. Nesta se destacavam ações como o retiro, marcado

pela solidão e privações. Daí surge a figura dos ascetas (ascetismo-moral que
desvaloriza os aspectos corpóreos e sensíveis do homem).

Nas escolas monacais (junto aos mosteiros) se aprendia o latim e as humanidades.

Os Mosteiros assumem o monopólio da ciência e se tornam os únicos redutos de


cultura. Destaque para a figura dos monges copistas que reproduziam obras

clássicas e possibilitaram a preservação da cultura grego-romana.


• O renascimento carolíngio: Após o século VIII, os europeus perdem acesso ao

mar mediterrâneo. Em decorrência disso, ocorre o declínio do comércio e início


do processo de feudalização. Neste novo contexto, já analisado anteriormente, as

competências de Ler e escrever deixam de ser necessidade. Nos séculos VII e IX


Carlos Magno reforma a vida eclesiástica e o sistema de ensino. Surge a Escola

Palatina (funcionava ao lado do palácio), ocorrem a reestruturação das escolas


monacais, a fundação de escolas catedrais (funcionam ao lado de igrejas nas
cidades) e escolas paroquiais (elementar). O conteúdo ministrado nestas escolas
era baseado no estudo clássico trivium (gramática, retórico e dialética) e

quadrivium (geometria, aritmética, astronomia e música).

AS ESCOLAS NA BAIXA IDADE MÉDIA (SÉCULOS XI AO XV)


• Renascimento das cidades: As cruzadas provocam as navegações no mar

mediterrâneo. O desenvolvimento do comércio modifica cenário social e


econômico: ocorre a reurbanização e surge uma nova classe social denominada

burguesia. No século XI ocorre o desenvolvimento do comércio, as moedas


voltam a circular, são criadas feiras e surgem os primeiros banqueiros. Como
consequência do crescimento das cidades ocorre mudanças em todos os níveis,
As relações deixam de ser exclusivamente entre nobres e servos e desponta o

poder da burguesia. Após o reflorescimento urbano passam a ser três os polos de


atividades: castelo, mosteiro e cidade. São três agentes de expressão de poder:

nobre, clérigo e burguês.


• As escolas seculares: Com o surgimento do comércio ressurge a necessidade de

aprendizagem da escrita e leitura. As escolas monacais e catedrais não dão conta


dos interesses da burguesia, que precisa de maiores competências para lidar com

a crescente e complexa atividade comercial.

No século XII surgem escolas com professores leigos. O ensino é marcado por
voltar-se para coisas práticas. O latim é gradualmente substituído pela língua

nacional. Ensina-se história, geografia e ciências naturais. Questionam o ensino


religioso (aspecto revolucionário).

No século XIII já despontam diferenças para a própria burguesia (rico patriciado


urbano, pequenos comerciantes e artesãos). Surge a necessidade de elementos da

erudição para a classe mais elitizada. O trabalho manual é colocado como


atividade menos nobre, por esta razão já surgem referências da profissionalização

nas escolas plebeias.


• A formação das “gentes de ofício”: O crescimento das cidades e as exigências
geradas por um novo tipo de vida promovem significativa ampliação da produção
artesanal. Isso faz com que se produza a educação gremial. Surgem as

“corporações de ofícios” que determinam e controlam os padrões para a


crescente diversidade e complexidade de produção.

• A formação militar: a educação do cavaleiro.


No século XI com as transformações na sociedade consolida-se a cavalaria.

Fundamentalmente uma instituição da nobreza. Marcada pela realização da


cerimônia da sagração (pajem – escudeiro – cavaleiro). Nesta instituição havia

grande atenção para a formação espiritual, das virtudes (honra, fidelidade, coragem,
fé e cortesia), do código de honra e da disciplina moral.
• As universidades: São resultados da influência da nova classe burgueses e da

busca de ascensão social.


No século XII a sociedade se torna mais complexa e gera a necessidade de

ampliação de estudos (filosofia, teologia, leis e medicina). Surgem mestres


independentes. São estabelecidas regras.

No século X é criada a Universidade de Salerno.


No século XII é criada a universidade de Paris.

À medida que cresce em prestígio a Universidade passa a ter seu controle

disputado por reis e Igreja.


No século XIV ocorre o início do processo de decadência das universidades. Esse

processo decorreu de das exageradas visões dogmáticas.


• A formação das mulheres: Não era aceita pela sociedade medieval que as

mulheres tivessem acesso a educação formal. As mulheres pobres trabalhavam


sob a tutela dos maridos. Já as mulheres de classes sociais mais favorecidas

recebiam uma formação com preceptores no castelo (música, religião e trabalhos


manuais), competências necessárias apenas para um bom desempenho nas

situações de convívio social.


• O servo da gleba: Em sociedade rigidamente estática e hierarquizada havia o
entendimento de que aos servos não havia necessidade de ensinar letramento e
outras competências da erudição. Ensinavam apenas elementos que conduzissem

à obediência e princípios cristãos, canções populares e religiosas. Assim como em


outras esferas da sociedade medieval, era muito forte a ação da igreja.

BUSCANDO SABERES

Franco Cambi (História da Pedagogia. Ed. UNESP, 1999. P. 141/142) chama atenção

para a revisão do conceito equivocado que se construiu da Idade Média. Vejamos


no quadro a seguir como este autor define este período:
“A imagem tradicional da Idade Média, elaborada pelos humanistas e relançadas

pelos iluministas, afirmada depois como um topos, girava em torno do princípio


dos “séculos obscuros”, caracterizados por uma profunda regressão da civilização

e pelo retorno a condições de vida de tipo arcaico: uma economia de subsistência,


uma sociedade regulada pela dependência e pela fidelidade e formas de quase

escravidão, uma técnica bloqueada, uma elaboração cultural repetitiva e reduzida,


um tipo de relações internacionais rarefeitas e inseguras, porém marcadas

também por migrações de povos, por conflitos de etnias, por explosões de

pauperismo. Certamente existe nessa imagem algo de verdadeiro, mas existe


também um lugar comum que não resistiu a revisão historiográfica, ativada já a

partir do romantismo. A Idade Média Não é absolutamente a época do meio


entre dois momentos altos de desenvolvimento da civilização: o mundo antigo e o

mundo moderno. Foi sobretudo a época da formação da europa cristã e da


gestação dos pré-requisitos do homem moderno (formação da consciência

individual; do empenho produtivo; da identidade supranacional etc.), como


também um modelo de sociedade orgânica, marcada por forte espírito

comunitário e uma etapa da evolução de alguns saberes especializados como a


matemática ou a lógica, assim como uma fase histórica que se coagulou em torno
dos valores e princípios da religião, caracterizando de modo particular toda essa
longa época: conferindo-lhe conotações de dramaticidade e de tensão, mas

também aberturas proféticas e fragmentos utópicos que nos apresentam uma


imagem mais complexa e mais rica da Idade Média; e também uma identidade

mais próxima de nós e de nossa sensibilidade. (...) A idade Média é o tempo do


cristianismo e da Igreja, mas também é a época dos povos e dos ideais comuns

da Europa: ideais-mito; ideais-tradições; ideais-legendas que construíram o


arcabouço fundamental (ideológico e imaginário) dos povos europeus."

LEITURA COMPLEMENTAR
O Tribunal do Santo Ofício. Disponível em http://assisbrasil.org/inquisi/oficio.html
UNIDADE 04 – O RENASCIMENTO E O HUMANISMO.

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Nessa unidade estudaremos o período denominado “Renascimento”. Como a

própria palavra nos revela estamos diante de uma situação de retomada, de um


“nascer de novo” da sociedade européia.

Refletiremos sobre o que significa, do ponto de vista da historiografia, esse


“Nascer novamente”. Analisaremos as principais características desse período, com

destaque para a Reforma Religiosa. Também serão objeto do nosso estudo as


transformações que promoveram uma nova imagem da sociedade gerando uma

forma de pensamento denominada Humanismo.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Uma retrospectiva das unidades que já estudamos irá nos revelar que começamos

este estudo pelas referências da antiguidade Clássica (Grécia e Roma). Nessa fase
foi possível perceber uma sociedade que se destacou pela transição da concepção

mítica de mundo para uma lógica de racionalidade humana. Essa transição foi
muito importante e produziu efeitos nas civilizações clássicas para a elaboração

de um ideal de humanidade (manifestações culturais, produção de grande


monumentos e modo de pensar que valorizava a capacidade humana de se

autoproduzir).
No período medieval essas referências foram gradualmente substituídas pelos

dogmas religiosos e a visão de mundo que prevaleceu foi o teocentrismo e a


organização de uma sociedade feudal quase estática.

Foi esse rigor de estratificação social que provocou interpretações equivocadas


sobre a Idade Média. Encontramos no texto de Franco Cambi elementos para
superar os equívocos interpretativos e perceber que a Idade Média foi o período

que permitiu elaborar o “arcabouço ideológico e imaginário dos povos europeus”.


Pois bem, decorre dessa compreensão de “superioridade” da cultura da

antiguidade clássica o termo renascimento atribuído ao período que sucedeu a


crise do sistema feudal e o ressurgimento das atividades comerciais e urbanas.

Após essa explicação sobre a ideia de “nascer de novo”, vejamos as principais


características desse período situado entre os séculos XV e XVI:

Significativas invenções como bússola, pólvora, imprensa e papel possibilitam a

ampliação da produção cultural e a potencialização do poder econômico e de


dominação de alguns povos sobre outros.

As grandes descobertas exemplificadas pelo Caminho para as Índias e pelo início


da ocupação do território americano no final do século XV, ampliaram a

configuração geográfica do mundo e promoveram o enriquecimento e


fortalecimento da burguesia comercial.

O acentuado desenvolvimento do comércio promoveu uma verdadeira revolução


comercial, que irá caracterizar a superação do modo de produção feudal e o

surgimento do capitalismo. Basicamente o feudalismo de sustentava pela


concentração de terras e no capitalismo emergente a atividade comercial definirá
outro tipo de vida e de sociedade, mediada pelas relações comerciais.
A formação das monarquias nacionais resulta das alianças entre a alta burguesia e

as representações das realezas.


A nova configuração de uma nova sociedade promove profundas reações aos

dogmas religiosos, gerando movimentos contestatórios a estrutura autoritária que


predominou durante a idade média. O movimento de ruptura a esta lógica foi

denominado Reforma religiosa e teve suas maiores representações no


luteranismo, calvinismo e anglicanismo. A reação da igreja para fortalecer-se

como referência religiosa ocorreu por meio do movimento denominado contra-


reforma.
A consequência desta sociedade em “ebulição” faz surgir uma nova corrente de

pensamento denominada humanismo, que procura uma nova imagem de homem


e de cultura, que vão além das explicações e preocupação exclusivamente

teocêntricas. O humanismo não ser apresentado como um movimento a-religioso,


apenas busca dar novas orientações e significados a existência humana,

retomando alguns valores da antiguidade clássica. Ressurgem as preocupações


pelos prazeres mundanos: vestimentas e alegrias da vida familiar e social. Ocorre

ampliação nos estudos (teoria do heliocentrismo de Copérnico). Desenvolvimento

das artes (pintura, literatura, escultura). Acentua-se a referência da individualidade,


do espírito da liberdade em contraposição ao princípio da autoridade

incontestável que perdurou na idade média.


Veja, nas obras de arte abaixo, exemplos das grandes transformações que

ocorreram na forma da humanidade ver o mundo por meio de manifestações


culturais.
http://www.girafamania.com.br/artistas/personalidade_michelangelo.htm
l
O RENASCIMENTO – REPRESENTANTES DA PEDAGOGIA HUMANISTA

O espanhol Juan Luis Vives viveu no período de 1492 a 1540. Sua principal obra foi
o Tratado de Ensino. Vives expressa as preocupações da sua época. Suas obras

refletem o cuidado com o corpo, com o aspecto psicológico da educação e o


ensino da língua materna. Desenvolveu também temas relacionados à educação

feminina, embora não tenha rompido com a imagem doméstica que esta
educação deveria ter.

Outro nome de destaque no pensamento renascentista foi o de Erasmo de


Rotterdam (1467-1536). Sua origem católica não o impediu de se colocar

radicalmente contra os desmandos da Igreja Católica. Embora não tenha aderido


plenamente ao movimento reformista, em muitas ocasiões apoiou as

manifestações de Martinho Lutero. Na sua obra de maior destaque – Elogio a


loucura – critica as estruturas de poder referenciadas pela tirania e pelas

superstições. Faz críticas também a severidade da educação da sua época e


sugere uma educação que não se orientasse pela obtenção de resultados

imediatos.
Também fez críticas rigorosas ao modelo de educação escolástica o pensador
François de Rabelais (1494-1553). Defendia as ideias de retomada do saber greco-
latino. Entretanto, entendia que era necessário não descuidar dos saberes da

emergente ciência. Por meio de seus romances Gargantua e Pantagruel promove


suas ideias sobre a educação. Com linguagem metafórica expressa a necessidade

de extirpar todo resquício do pensamento medieval de educação para que uma


nova mentalidade de ensino possa nascer na sociedade renascentista.

O Ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592) é outra obra que pode ser


apontada como uma critica ao rigor excessivo da educação. Enaltece o caráter

integral da formação humana, e afirma que isso somente será possível com a

superação de métodos que incluem castigos para obtenção de resultados. O ideal


de homem educado, para Montaigne, trás em si elementos das dúvidas e

contradições indicando a perspectiva de um relativo ceticismo.


O renascimento foi um período de grandes contradições. A nova configuração de

sociedade com ascensão dos burgueses a um padrão de vida aristocrática


demandará um tipo de educação mais condizente com a retomada dos valores

greco-romanos.
Embora a maior ênfase esteja na superação da autoridade dogmática da Igreja e

na necessidade de uma educação mais voltada às questões práticas da vida,


outros aspectos como a educação para a massa popular continuam excluídos das
pautas dos temas educacionais.

BUSCANDO SABERES

LEITURA COMPLEMENTAR

O movimento de reforma religiosa e cultural, iniciado por Lutero na Alemanha,


que tem importantes consequências na história da cultura europeia, assume

desde seus inícios um importante significado educativo. Seja Lutero ou


Melanchton, os dois maiores representantes da Alemanha reformada também no

que diz respeito ao campo pedagógico, embora com ênfases em partes


diferentes, voltam sempre a enfrentar o problema educativo. Se de fato a
“reforma” põe como seu fundamento um conto mais estreito e pessoal entre o

crente e as escrituras e, por conseguinte, valoriza uma religiosidade interior e o


princípio do “livre exame” do texto sagrado, resulta essencial para todo cristão a

posse dos instrumentos elementares da cultura (em particular a capacidade de


leitura) e, de maneira mais geral, para as comunidades religiosas, a necessidade

de difundir essa posse em nível popular, por meio de instituições escolares


públicas mantidas a expensas dos municípios. Pode-se dizer que, com o

protestantismo, afirmam-se em pedagogia o princípio do direito-dever de todo

cidadão em relação ao estudo, pelo menos no seu grau elementar, e o princípio


da obrigação e da gratuidade da instrução, lançando-se as bases para a afirmação

de um conceito autônomo e responsável de formação, não estando mais o


indivíduo condicionado por uma relação mediata de qualquer autoridade com a

verdade e com Deus. (CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: Ed.
UNESP, 1999)
UNIDADE 05 – IDADE MODERNA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Os dois séculos (XV e XVI) que caracterizaram o renascimento foram marcados

por grandes conflitos ideológicos e profundas transformações na sociedade. Na


História da Educação observaremos que no século XVII as transformações e

contradições ainda ocorrem: o comércio se intensifica, o processo de colonização


expande e a América se torna o grande pólo extrator de riquezas.

Também é objetivo nessa unidade apresentar alguns representantes do


racionalismo e do empirismo de que caracterizaram a modernidade e construíram

as bases da estrutura educacional que até hoje, em grande medida, perdura.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O mercantilismo promove o fortalecimento do Estado e, em função disso, se

difundem as ideias liberais como reação ao demasiado controle do Estado sobre a


economia e as manifestações dos cidadãos para questionar o poder da realeza. O

grande expoente da ideias liberais foi John Locke (1632-1704).

Nesta atmosfera de intensas transformações são características do pensamento


moderno:

RACIONALISMO: Apresenta referências opositoras ao critério da fé x o poder da


razão, ao dogmatismo x a possibilidade da dúvida. Questiona o poder da Igreja e

assume atitude polêmica diante da tradição. Propõe a laicização do saber e luta


contra preconceito e intolerância.

Outra característica marcante do racionalismo é a sua tendência antropocêntrica e


a ênfase na referência do sujeito que conhece. Alguns pensadores indicam a
preocupação com a questão do método, ou seja, procedimentos da razão na

investigação da verdade.
SABER ATIVO: Durante os períodos anteriormente estudados – Antiguidade e

Idade Média – predominou uma Ciência própria das sociedades nas quais o
trabalho manual é desvalorizado: contemplativa e sem técnica. Com o surgimento

da burguesia e o crescente prestígio do novo modelo de homem e de sua


capacidade de trabalho, ocorre um processo de valorização da técnica.

Desse ambiente de transformação emerge as condições para o surgimento do

método científico que se apresenta como uma revolução, uma nova linguagem no
campo do conhecimento. Nesse contexto saber é poder e o renascimento

científico nasce como uma expressão da ordem burguesa.


Esse complexo conjunto de transformações na forma de pensar foi denominada

por alguns autores como a crise da consciência europeia, entendida como uma
verdadeira revolução espiritual marcada pela:

• Superação do “saber por saber” para “saber para transformar”


• Contraposição da teoria geocêntrica x teoria heliocêntrica.

• Alteração da concepção de universo.


• Ordem econômica também se modifica – surgimento de anseios liberais.
• Religião e moral x tendências a laicização.
Os efeitos observados na sociedade se fazem sentir também na educação. Assim,

no século XVII a educação se caracterizou por empreendimento de esforços para


institucionalização da escola. Elaboração de legislação para normatizar de

questões como obrigatoriedade, programas, níveis e métodos.


Embora tenha toda uma estrutura de novas demandas sociais determinadas pelo

mercantilismo e a formação de uma “nova mentalidade” ainda persistirá, por


muito tempo, o monopólio da igreja católica, que possui estrutura organizada,

porém tradicional e de desvalorização da ciência e filosofia moderna.


Como a orientação moderna é realista e exige novos métodos o que se viu foi um
grande empenho para romper com a visão dogmática perpetrada pela Igreja e
instaurar condições efetivas para uma estrutura adequadas às novas demandas

educacionais.
No que diz respeito ao desenvolvimento de ações para a criação de Educação

pública a Alemanha é pioneira. Regulamenta, em 1619, a obrigatoriedade escolar


para todas as crianças de 06 a 12 anos. Legisla sobre níveis, horas de trabalho,

exames e inspeção e formação de mestres.


Na França, no período de 1636-1689 as escolas são gratuitas para crianças pobres

e são fundados seminários para formação de professores. É verdade que os

maiores investimentos acontecerão na região de Lyon (importante centro fabril), o


que indica uma preocupação em “capacitar” uma nova demanda produtora,

preparando trabalhadores para a nova exigência do trabalho.


Além das escolas públicas surgem também outras congregações.

Os oratorianos que ofereciam educação para crianças ricas e já aceitavam a


influência das novas ciências e da filosofia. Ensinavam francês, latim, geografia,

história e estimulam a curiosidade científica. O número de alunos por turma era


pequeno e a disciplina não era tão rígida.

Os Jansenistas caracterizam pela aberta oposição aos jesuítas e pela pretensão de


promover reforma moral e espiritual na igreja católica. São Influenciados pelas
ideias de Santo Agostinho e acreditam que a finalidade da educação é impedir o
desenvolvimento da natureza corruptível do homem. Acreditavam que é

necessária vigilância constante dos atos dos alunos e por esta razão as turmas são
reduzidas numericamente. Valorizam a racionalidade e o combate às paixões.

Priorizam o ensino de francês e do latim. Os métodos são marcados pela


referência da memorização, erudição e oposição aos métodos dos jesuítas.

As academias surgem no século XVI e não são escolas institucionalizadas. É uma


referência importante, pois atendiam aos interesses da nobreza para a formação

adequada. No século XVII, com os novos tempos da racionalidade surgem as


academias científicas.
BUSCANDO SABERES

PRINCIPAIS REPRESENTANTES DA PEDAGOGIA MODERNA.

O chamado mundo moderno surge orientado por um novo paradigma: a lógica


do racionalismo. Porém, na Idade Moderna também se destacou outra corrente

para tratar as questões relacionadas ao conhecimento: o empirismo.


Como representante do racionalismo o grande nome que podemos apresentar é

o de Descartes (1596- 1650) que usa o recurso da dúvida metódica. Questiona


tudo. É dele a conhecida expressão Penso, logo existo. Para esse pensador as

ideias inatas - ideias da razão – são resultantes exclusivas da capacidade de


pensar.

Do grupo dos empiristas destacamos o pensamento de Locke (1632-1704). Esse


pensador defende o princípio de que não existem ideias inatas. Tudo passa pelos

sentidos.
Outro nome de destaque no grupo que defende o princípio do empirismo é o de

Bacon (1561-1626). O princípio da indução é valorizado em seu pensamento que


denuncia os preconceitos que, na sua interpretação, dificultam a interpretação da

realidade.
No que diz respeito aos aspectos próprios da educação destacaram-se neste

período três grandes pensadores: Comênio (1592-1670), Locke (1632-1704) e


Fenelon (1651-1715). Vejamos, agora alguns postulados defendidos por esses

pensadores:
Comênio

Empreende um caráter inovador e revolucionário da compreensão de ensino e de


escola. Na sua principal obra Didática Magna defende o princípio de que é

possível “ensinar tudo a todos”.

Para este autor o homem é a mais alta, a mais absoluta e a mais excelente das
criaturas e a educação deve ter por fim desenvolver condições para o exercício da
sua plenitude humana. Aponta três dimensões para a preparação para a
eternidade conhecermo-nos a nós mesmos (e conosco todas as coisas),

governarmo-nos e dirigirmo-nos para Deus. Aborda temas inovadores para sua


época e defende princípios revolucionários como a idéia de que é necessário, ao

mesmo tempo, formar a juventude e abrir escolas e que toda a juventude de


ambos os sexos deve ser enviada às escolas.
Em contraposição a visão elitizada, que mesmo na modernidade era preservada
pelo pensamento burguês, afirmava que nas escolas, a formação deve ser

universal e que as escolas podem ser reformadas.


Para Comênio a ordem perfeita da escola deve ir buscar-se à natureza e para essa
finalidade propunha procedimentos específicos para ensinar artes, línguas,

ciências, moral e incutir devoção. Na sua obra são fartas as referências para a
superação da educação dual (para ricos e para pobres). Anuncia a possibilidade

da universalização da educação como bem público e inalienável.

Locke
Antes de apresentar as bases do pensamento de Locke para a educação é

importante lembrarmos que foi ele também o grande precursor das idéias
liberais5.
Esse pensador não concorda com as ideias inatas apresentados por Descartes.
Para Locke a alma é como tábula rasa e é pela educação que se desenvolve as

ideias, por meio de duas fontes possíveis: 1) sensação que pode ser descrita como
a modificação feita na mente pelos sentidos e 2) reflexão que é o resultado da

percepção que a alma tem daquilo que nela ocorre. Não deprecia o trabalho da
razão, considera a experiência fundamental.

No campo da pedagogia Locke:

5 De acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa liberalismo (p. 835) é o conjunto de
ideias e doutrinas que visam assegurar a liberdade individual no campo da política, da moral,
da religião, etc, dentro da sociedade...
 Destaca o papel do mestre, que deve por meio da razão, oportunizar

experiências significativas aos seus alunos.


 Critica a preocupação com latim e o descaso com o cálculo.

 Enfatiza a importância do estudo da contabilidade e da escrituração


comercial.

 Propõe o estudo de história, geografia, geometria e ciências naturais.


 Valoriza a educação física como forma de ampliação da resistência e do

auto-domínio.

 Entende o jogo como desafio e superação dos limites.


 Defende o rigor para obtenção de “espírito dócil e obediente”.

 Ambiguamente argumenta que a educação deve ser alegre o educador


nada deve impor.

 Declara que as finalidades da educação devem ser a formação do caráter e o


desenvolvimento físico, moral e intelectual.

 Não propugna a universalização da educação.


 Infere que a educação deve ter modelos diferentes para os que governam e

os que são governados.

Fénelon
Do pensamento deste teólogo, poeta e escritor que viveu na França entre 1651 e

1715 destacam-se a sua preocupação com a educação feminina. É importante


tornar claro que Fénelon não rompe com os padrões da época nos quais a mulher

ocupava apenas papel secundário e doméstico na sociedade. Fénelon vê a mulher


como apêndice do mundo masculino.

A novidade é que ele atribui o comportamento “fútil” das mulheres a uma


educação inadequada. Para que ocorram mudanças no comportamento feminino

defende o princípio da educação pelo prazer, na qual prevaleçam aspectos da


instrução geral com ensino de gramática, poesia, história e leitura selecionada. A
formação intelectual não é prioritária.
Dá especial relevância para a educação religiosa e moral para a vida doméstica.
UNIDADE 06 – ILUMINISMO, LIBERALISMO E EDUCAÇÃO.

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Nesta unidade estudaremos o século XVIII como o período que marca a transição

do mundo moderno para o mundo contemporâneo. Analisaremos alguns eventos


que redefiniram a organização política e social do mundo. A grande marca

transformadora se assenta sobre o surgimento do pensamento liberal. Dois


grandes pensadores do século XVIII influenciaram decisivamente a educação

contemporânea: Rousseau e Kant.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Vamos iniciar esta unidade com uma afirmação:

O SÉCULO XVIII É O DIVISOR DE ÁGUAS


ENTRE O MUNDO MODERNO E O MUNDO
CONTEMPORÂNEO

Franco Cambi (1999) afirma que o século XVIII completa processo de laicização

que foi típico do mundo moderno.


Nesse período se consolida a emancipação dos poderes supranacionais, das

condições de vida e de produção de âmbito local e de uma concepção do mundo


dominada pelo modelo religioso.
O efeito mais perceptível dessa transição foi a liberdade de classes sociais e de

indivíduos.
Esse mesmo autor chama nossa atenção para outro aspecto muito importante do

século XVIII. Foi palco de Três revoluções: Independência Americana, Revolução


Francesa e Econômico-industrial na Inglaterra.

Diante de tudo isso o século XVIII coloca em crise o antigo regime sob um duplo
viés:

Político – com a afirmação de novas classes; de novos povos, de novos modelos

de Estado e de governo.
Cultural – com política de reformas radicais. A Europa caracterizada pelo

pluralismo, pelas tensões, pelos ideais de liberdade e de reforma que será típica
da contemporaneidade, ou seja, dos séculos XIX e XX.

Neste cenário a figura do intelectual adquire proporções de importância sem


precedentes. Atua como figura central, mediador entre sociedade e poder e tem

função educativa dupla: estimular ao novo e fazer convergir as massas para o


poder, assumindo papel paternalista da educação social.

Em outras palavras o intelectual desponta como o educador da sociedade civil.


Cambi afirma que:

No século XVIII, portanto, assistimos a uma potencialização (...) Do problema

educativo que é posto cada vez mais no centro da vida social: à educação é
delegada a função de homologar classes e grupos sociais, de recuperar todos os

cidadãos para a produtividade social, de construir em cada homem a consciência


de cidadão, de promover uma emancipação (sobretudo intelectual) que tende a

tornar-se universal (libertando os homens de preconceitos, tradições acríticas, fés


impostas, crenças irracionais). A educação se torna cada vez mais uma (ou a?)

Chave mestra da vida social, enquanto constitui o elemento que a consolida como
tal e manifesta seus mais autênticos objetivos: dar vida a um sujeito humano
socializado e civilizado, ativo e responsável, habitante da “cidade” e capaz de
assimilar e também renovar as leis do estado que manifestam o conteúdo ético da

sua vida de homem cidadão.

Outra dimensão das grandes transformações ocorridas neste período pode ser
caracterizada por uma tríade de constatações.

Primeiro de que as próprias instituições educativas devem laicizar-se como


resposta aos problemas emergentes da educação.

Em segundo lugar a família se reorganiza de forma a lidar com a gradual

assimilação dos efeitos gerados pela crescente industrialização.


Por último a escola se renovou radicalmente no nível da organização (sistema

escolar; competência laborativa; reprodução de ideologia), no nível dos


programas de ensino (novas ciência, línguas, recuo do modelo humanístico) e no

nível da didática (novos métodos)


Consequência dessa reorganização da escola é o entendimento, expresso por

Cambi, de que:

A escola contemporânea, com suas características públicas, estatais e civis, com


sua estrutura sistemática, com seu diálogo com as ciências e os saberes em
transformação, nasceu no século XVIII, já envolvendo também aquela confiança
na alfabetização e na difusão da cultura como processo de crescimento

democrático coletivo que permaneceu durante muito tempo, até ontem (ou hoje)
como uma crença sem incertezas da sociedade contemporânea.

O novo cenário que propicia o “nascimento” da escola contemporânea também

traz para o palco das discussões novos sujeitos:


Mulheres – por meio do reconhecimento do direito à instrução e educação

específica.
Povo – Houve a percepção social do seu alijamento histórico. Reclama-se uma
educação que o liberte da condição de atraso.
Por toda essa “efervescência” social existe o reconhecimento de que as

transformações podem ser analisadas de forma desvinculada das orientações


religiosas:

Na economia – Ideias decorrentes do liberalismo clássico são representadas por


Adam Smith (1723-1790) e preconizam as leis naturais de distribuição de riquezas.

O liberalismo representa os interesses da burguesia em se livrar do controle do


estado sobre a produção de riquezas.

Na política – os fundamentos do liberalismo se opõem ao absolutismo

monárquico. Por meio de teoria contratualista, se constrói a ideia de que a


legitimidade do poder deve ser consequência do pacto entre indivíduos.

Rousseau, por meio da obra intitulada “Contrato Social” analisa o pacto entre
indivíduos sob uma ótica mais democrática. Suas ideias serão muito propagadas

na educação.
Na educação o liberalismo impõe seus efeitos, sobretudo por meio da difusão da

idéia de laicização. Deve princípio surgiram ideias como: ser o ensino atribuição
obrigatória do Estado, gratuidade e obrigatoriedade do ensino elementar,

racionalismo da educação, ênfase nas línguas vernáculas e orientação clara


voltadas para o ensino das ciências superando a visão exclusivamente humanista.
Entretanto, um aspecto fundamental permanece inalterado no campo da
educação: o princípio da escola dual. Manteve-se o entendimento da necessidade

de modelos preparatórios diferenciados para a classe popular e para os filhos das


famílias elitizadas. Esse princípio perdura ainda hoje na nossa forma de

organização dos sistemas de ensino.

BUSCANDO SABERES

O ILUMINISMO PEDAGÓGICO - ROUSSEAU E KANT.


Dois grandes pensadores do século XVIII que influenciaram decisivamente a

educação contemporânea: Rousseau e Kant.


Jean Jacques Rousseau (1712-1778),

Fonte: www.pedagogiaespirita.org/escolavirtual/modulo_1/Rousseau

Suíço de Genebra. Viveu na França e conviveu com os enciclopedistas. Suas obras


de maior destaque sobre política são: Discurso sobre origem e desigualdade dos

homens, Do contrato social. Nos temas sobre educação Emílio é a obra que

marcou profundamente a pedagogia contemporânea.


Rousseau revolucionou as concepções de educação quando propôs o

deslocamento do centro de toda preocupação para a formação plena da criança.


Cambi (1999) atribui a Rousseau o título de “pai” da pedagogia contemporânea;

“Viver é o que eu desejo ensinar-lhes. Quando sair das minhas mãos, ele não será

magistrado, soldado ou sacerdote, ele será, antes de tudo, um homem”.


(Rousseau)

É impossível fazer uma análise da obra de Rousseau separando suas idéias

políticas de seus postulados para a educação. Critica o absolutismo e vê o homem


como um ser naturalmente bom, que pode ser corrompido pela sociedade.

Desenvolve os conceitos de soberania (corpo coletivo que expressa a vontade


geral) e cidadão (homem ativo e soberano).
Em Emílio, Rousseau ilustra como seria a educação ideal de um jovem. Em sua

pedagogia naturalista propõe o retorno à espontaneidade original, livre dos


hábitos que escravizam o homem. Portanto, para educar a criança é necessário

tomar como ponto de partida seus interesses naturais. Há que se valorizar os


sentidos, as emoções e os sentimentos que antecedem ao pensamento.

A educação não se processa de “fora para dentro” evolui a partir do


desenvolvimento interno e orgânico da criança.

Em O Contrato, Rousseau desenvolve a ideia de uma educação socializada e

regulada pela intervenção do Estado.

Os estudos mais recentes sobre a pedagogia de Rousseau puseram em destaque


a existência na sua obra da maturidade, de dois modelos educativos, bem

diferenciados entre si e, as vezes, até mesmo opostos. De um lado, coloca-se o


modelo da educação natural e libertária que privilegia a formação do Homem,

típica do Emílio; de outro, o modelo de uma educação social e política,


desenvolvida pelo estado e ligada mais ao princípio da “conformação social” do

que ao da liberdade, e que encontramos desenvolvida, em particular, nas


Considerações sobre o governo da Polônia, obra póstuma de 1782. Educação do
homem e educação do cidadão são contrapostas por Rousseau já no início do
Emílio, onde segunda vem desvalorizada, uma vez, que “a instrução pública não

existe mais e não pode mais existir, já que onde não há mais pátria não pode mais
haver cidadãos”. Onde é possível, porém, reformar a sociedade e restituir-lhe um

espírito nacional, a educação do cidadão permanece ainda como a fórmula mais


justa e mais praticável. (Cambi, 1999. P. 353)

Immanuel Kant (1724-1804)

Da escola do racionalismo interessa-se por problemas da cosmologia e da lógica,


autor das obras crítica da razão pura (1781); crítica da razão prática (1788) e crítica
do juízo (1790).
Os principais aspectos da sua obra indicam para um pensamento pedagógico

marcado pelo objetivo de “transformar a animalidade em humanidade” e essa


transformação só poderá acontecer por meio da disciplina e da educação ética

como formação da consciência do dever. Para Kant é a educação que possibilita


ao homem atingir seu objetivo individual e social.

O pensamento de Kant traz como principal contribuição a tentativa de superar as


duas correntes epistemológicas do século XVII – o racionalismo e o empirismo.

Investiga a questão da natureza do conhecimento.

Nas suas obras valoriza a tolerância religiosa e preocupa-se com as superstições


desde muito cedo inculcadas nas crianças.

“Mandamos, em primeiro lugar, as crianças à escola, não na intenção de que nela

aprendam alguma coisa, mas a fim de que se habituem a observar pontualmente


o que se lhes ordene”. (Kant)
UNIDADE 07 - EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

O Século XIX marcou a pedagogia com grandes conflitos ideológicos, modelos

educativos e saberes da educação. Nosso propósito nessa unidade é conhecer os


postulados de educação referentes a esse período, bem como analisar as

perspectivas que se apresentam para a educação do século XXI.

ESTUDANDO E REFLETINDO

As grandes transformações ocorridas no século XIX indicaram para um processo

de “revolução cultural” e trouxe elementos para uma chamada pedagogia


romântica da qual foram expoentes:

Pestalozzi (1746-1827)
Fröebel (1782-1852)

Herbart (1776-1841)
Spencer (1820-1903)

A EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA – O SÉCULO XXI.

Para fazermos uma análise do atual cenário educacional vamos nos reportar a
obra de Cecília Braslavsky - DEZ FATORES PARA UMA EDUCAÇÃO DE

QUALIDADE PARA TODOS NO SÉCULO XXI. Editora Moderna, 2001.


O esquema a seguir ilustra as principais características do atual cenário educativo

e servirá de referência para o desenvolvimento da atividade que será solicitada ao


final da unidade.
O MUNDO DO FUTURO E AS PESSOAS DO MUNDO

• Educação  serve para que as pessoas atuem no mundo



Conhecendo-o, interpretando-o, transformando-o.

• As surpresas inevitáveis do século XXI:

1) Aumento na expectativa de vida;


2) A ciência e tecnologia permitem vida melhor, com mais lucidez, com

maior capacidade de leitura, compreensão e criação;


3) Aumento e aceleração da mobilidade das pessoas;

4) Crescimento exponencial do conhecimento – revolução científica e


tecnológica – renovação da relação com o conhecimento;

5) Aumento exponencial das comunicações;


6) Aumento das interdependências – aumento da competitividade

internacional e desigualdades.

As seis surpresas inevitáveis modificam significativamente o lugar das pessoas no mundo e o perfil educativo
que as pessoas necessitam e demandam (...) Exercem pressão para educar de outra maneira, mas também
oferecem pistas para pensar no sentido dessa educação, por que deixam uma ampla margem para o exercício
da liberdade e da vontade (...) para poder utilizar essa margem e essas pistas, é necessário desnaturalizar aquilo
que chamaremos de previsões e profecias descartáveis.
• As previsões e profecias descartáveis:
Braslavsky, 2001.

➢ Desigualitária: acirramento das desigualdades na distribuição da riqueza;

➢ Guerreira: sustenta a inevitabilidade da persistência e do acirramento da


violência

➢ Apocalíptica: sustenta que o meio-ambiente será destruído, pois os


recursos naturais só vão durar mais 20 ou 30 anos.
Nesse contexto, pode-se definir que uma educação de qualidade é aquela que permite que todas as pessoas
aprendam aquilo que é necessário para se beneficiar das surpresas inevitáveis e para evitar as previsões e
profecias descartáveis. Em outras palavras, trata-se de formar pessoas que possam distinguir melhor entre o que
acontecer, e o que deseja estimular, e aquilo que está acontecendo o que se apresenta como natural, quando
na realidade são tendências que poderiam ser evitadas.

Braslavsky, 2001

• As pessoas no mundo do século XXI

➢ Cenário de conflitos armados ou condições extremas de pobreza;

➢ Tendência em investir programas para melhorar a qualidade de


vida.

... A qualidade da educação deve ser avaliada também por sua capacidade de

criar uma rejeição visceral às condições que favorecem o surgimento e a


permanência de tais contextos de adversidade, também entre aqueles que, à

primeira vista e no curto prazo, não estão sujeitos a essas condições de forma
direta e pessoal.

Braslavsky, 2001

Características necessárias para beneficiar-se das surpresas inevitáveis e evitar as


previsões descartáveis:

1) Possibilidade de explicar sua própria vida e o mundo;


2) A autoestima e a estima pelos outros;

3) A possibilidade de realizar um projeto;


4) O domínio das capacidades necessárias para concluí-lo;

5) Estratégias para relacionar-se com os demais de maneira saudável.


BUSCANDO SABERES

DEZ FATORES PARA UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA TODOS NO SÉCULO

XXI.
1) Foco na relevância pessoal e social.

• Ser feliz não é sinônimo de ser hedonista.

2) A convicção, a estima e a autoestima dos envolvidos.


• Tensão criativa entre a convicção, a estima e a autoestima das

sociedades, dos dirigentes políticos e das administrações sobre o valor


da educação.

3) A força ética e profissional dos mestres e professores.


• Formação de qualidade.

• Atualização e aperfeiçoamento.
• Direção e supervisão.

• Dispositivos de mediação entre o saber elaborado e o saber escolar.


4) A capacidade de condução de diretores e inspetores.

5) O trabalho em equipe dentro da escolar e dos sistemas educacionais.


6) As alianças entre as escolas e os demais agentes educacionais.

7) O currículo em todos os seus níveis.


• Bases estruturais.

• Bases disciplinares.
• Bases cotidianas.

8) A quantidade, a qualidade e a disponibilidade de materiais educativos.


9) A pluralidade e a qualidade das didáticas.

• a qualidade da educação é mais bem sucedida quando as pessoas que


produzem s didáticas estão mais perto daquelas que a utilizam.

10) Condições materiais e incentivos socioeconômicos e culturais mínimos.


Tendências básicas do processo de construção de uma educação de qualidade

para todos
• O processo de uma educação de qualidade não termina nunca.

• As heranças perigosas.
➢ Não há progresso sem educação. Entretanto, a educação por si só –

e qualquer que seja a educação – não é garantia de progresso:


depende da sua qualidade.

➢ Precários resultados de leitura.

➢ Precários resultados em matemática e ciências.


➢ Déficit nas atitudes de produtividade e de solidariedade.

Indícios alentadores

• Algumas políticas adequadas aos contextos parecem apresentar resultados;


• Consegue-se formar pessoas racionais, boas e práticas.

• Em todas as partes encontram-se boas práticas.


UNIDADE 08 – EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO PERÍODO COLONIAL.

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Conhecer e analisar as principais características do processo de colonização

brasileira, identificando-o no contexto de transição para a modernidade.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O processo de ocupação do território brasileiro se dá no período da

modernidade, no início do século XVI, e em um contexto de grandes


transformações econômicas, políticas e sociais. A colonização brasileira traz

características que irão revelar a dimensão desse cenário de transformações e no


que diz respeito à educação serão evidenciadas as questões decorrentes do

movimento da reforma protestante, bem como das ações da Igreja Católica no


chamado movimento de Contra reforma com a ação dos jesuítas nas colônias.

No renascimento vimos que muitas transformações ocorreram na sociedade. Uma


dessas mudanças foi o movimento denominado reforma protestante que criticava

a atuação da Igreja Católica e preconizava a defesa da personalidade autônoma e

repudiava a hierarquia religiosa.


Nesse contexto a educação se torna importante instrumento de divulgação da

reforma. Como referências importantes para a difusão das ideias protestantes


para a educação destacaram-se Lutero (1483-1546) e Melanchthon (1497-1560)

que, de forma pioneira, lutaram pela implantação da escola primária para todos.
Lutero também postulava que a educação deveria ser incumbência e

responsabilidade do Estado.
É importante que destaquemos que idéia de universalização da oferta não
implicava em igualdade de formação. Aos mais pobres caberia um tipo mais
elementar de educação e para os ricos havia a possibilidade de ensino médio e

superior.
No contexto da reforma protestante, outro nome que se destaca é o de Calvino

(1509-1564).
Toda a referência para a educação protestante partia do princípio de uma

educação humanista com valorização de atividades físicas, repudio aos castigos


físicos e destaque para o estudo da história e da matemática.

Como forma de reação a esse vigoroso movimento, a Igreja católica se organiza

para recuperar o espaço que vinha perdendo para as ideias protestantes. Inicia
um movimento denominado contrarreforma ou reforma católica.

As novas orientações e direcionamentos para o trabalho de recuperação da força


da Igreja são determinados pelo Concílio de Trento (1545-1563) que foi

organizado em diferentes períodos e marcado por sessões que abordaram


diferentes temas de relevância para a Igreja. Nestas sessões se reafirma a

supremacia do papa, princípios da fé, o poder inquisitorial e se decide que é


necessária a criação de seminários para formação de “quadros” religiosos para

fazer frente à expansão protestante.


No Brasil, o resultado prático que se observa do movimento de contrarreforma da
Igreja para impedir a dissidência religiosa, é notado pelo trabalho da Companhia
de Jesus.

Já com o primeiro governador Geral – Tomé de Souza – em 1549, chegaram os


primeiros jesuítas. Para cumprir seu papel de “propagação da fé” criam escolas,

seminários e missões e passam a intervir de maneira direta para ajudar a


assegurar a unidade política.

A força do trabalho de educação e catequese dos jesuítas se espalha por todo


território brasileiro e os jesuítas atuam hegemonicamente neste campo por mais

de 200 anos. Apenas em 1759, com a política adotada pelo Marques de Pombal
de fortalecimento do poder do Estado, os jesuítas são expulsos do país. Neste
momento, como veremos na unidade 04, a educação ficará sob os cuidados de

leigos.

CARACTERÍSTICAS DA EDUCAÇÃO JESUÍTICA


Agora que já sabemos que os jesuítas tiveram, por mais de 200 anos, uma grande

importância e uma atuação hegemônica na organização da estrutura educacional


do Brasil iremos tratar nesta unidade os aspectos relacionados às características

que marcaram o trabalho catequético e educativo da Companhia de Jesus.

As finalidades da educação jesuítica: Todo trabalho educativo realizado pelos


Jesuítas voltava-se para uma formação humanista nas quais conciliavam

postulados de obras clássicas como Sêneca, Ovídio, Virgílio e ideais cristãos.


Embora durante o século XVII tenham se intensificado as críticas a filosofia

medieval e os fundamentos da ciência moderna ganhavam força por meio de


descobertas científicas como Galileu e Isaac Newton, os jesuítas relutavam em

incorporar as novas orientações aos currículos escolares.


A grande referência para o desenvolvimento do trabalho pedagógico dos jesuítas

foi o Ratio Studiorum. Este documento, publicado em 1599, estabelecia


minuciosamente regras e procedimentos para todas as dimensões do trabalho
pedagógico.
Um dos aspectos de destaque é o tratamento dispensado pelos Jesuítas a questão

da disciplina. O lema predominante era proteção e vigilância, instaurando assim,


uma rotina de rigoroso controle na admissão de alunos e padres, bem como

disciplina que vinculava a conduta a um inflexível código hierárquico de


obediência. Todos – alunos e padres – deveriam submeter-se ao regime de

conduta virtuoso da obediência, distanciando-se de tudo que era entendido pela


igreja católica como referência de vida mundana.

Quando eram necessárias as sanções não deveriam caracterizar-se pelo emprego


da força física. As admoestações deveriam ocorrer pelo uso da palavra e quando
o recurso da punição física fosse entendido como absolutamente indispensável
deveria ser “aplicada” por um corretor (pessoa não vinculada aos quadros da

Companhia de Jesus).
Quanto aos procedimentos voltados ao ensino eram estabelecidas cinco horas de

estudo diárias. Os procedimentos para aprendizagem se fundamentavam na


prática da repetição com a finalidade de memorização. Aos grupos de estudantes

com maiores dificuldades era utilizado o sábado para as atividades de reforço.


A competição era estimulada por meio de premiações.

No que diz respeito aos conteúdos escolhidos para a organização do currículo

escolar nota-se ênfase humanista e os cursos eram divididos em Studia inferiora:


destinado às letras humanas, filosofia e ciências e Studia superiora: focado na

teologia e ciências sagradas.


Durante o século XVII com o desenvolvimento do pensamento iluminista o

ensino Jesuítico passa a ser alvo de críticas acentuadas. Para Aranha (1989) A
crença no poder da razão e na capacidade de cada um discernir seu próprio
caminho tem sua expressão máxima no Iluminismo do século XVIII, crítico severo
da intolerância religiosa. Os Jesuítas são considerados excessivamente
dogmáticos, autoritários e por demais comprometidos com o Santo Ofício.
No processo de colonização brasileira a obra Jesuítica se expressará de forma
intensa pela catequese, nos quais se destacaram personagens como os Padres
Manoel da Nóbrega, José de Anchieta e Vieira. No conturbado cenário de

ocupação do território os interesses se conflitavam, enquanto os jesuítas


objetivavam a conversão dos indígenas, os colonos desejavam utilizá-lo como

mão de obra escrava. Por esta razão instituíram-se as Missões que se


caracterizaram como lugares nos quais os índios eram “civilizados” e catequizados

pela Companhia de Jesus.


A influência do pensamento iluminista irá atingir sua expressão mais acentuada

em 1759 com a atuação do Marquês de Pombal.


REFORMA POMBALINA

A forma mais explícita e radical de intervenção à obra instaurada pelos Jesuítas no


período colonial se deu pela ação do Marquês de Pombal, que expulsou os

Jesuítas de Portugal do Brasil e das demais colônias portuguesas no ano de 1759.


É importante destacar que a intervenção do Marquês de Pombal na atuação da

Companhia de Jesus decorreu de uma concepção de modelo de Estado


Absolutista determinado pelos ideais iluministas no qual se destaca uma

acentuada preocupação com o fortalecimento do poder. Na visão de Pombal, a

Companhia de Jesus e sua forte inserção nas colônias, bem como a sua
hegemonia no controle das estruturas educacionais eram entendidas como uma

ameaça. Por esta razão, a intenção era criar um sistema educacional controlado e
fiscalizado exclusivamente pelo Estado.

O Brasil, nesse período, vivia os efeitos da economia mineradora que promovia


um processo de urbanização que ocasionou o aumento populacional e o

surgimento de uma nova classe social: a pequena burguesia. É nesse contexto que
os ideais de maior acesso aos bens culturais e o sentimento de nacionalismo e

emancipação política se prolifera.


Em contraposição a este desenvolvimento urbano e cultural, a expulsão dos
Jesuítas, ocasionou, na visão de grande parte dos historiadores, um retrocesso ao
sistema de ensino na colônia. Muito embora existissem críticas ao monopólio e

conservadorismo do ensino jesuítico o fato é que não havia nenhuma outra forma
de estrutura educacional organizada.

Somente a partir de 1772 são promovidas ações para preencher a lacuna


decorrente da expulsão dos jesuítas e organizar o sistema educacional da colônia.

As primeiras medidas consistiam em nomeação de professores leigos6 e


estabelecimento de planos de estudo e de fiscalização do ensino. As Aulas Régias,

que eram ministradas de forma isolada e autônoma e não se articulavam para dar
coesão ao currículo, substituem os cursos da studia inferiori.

6
Nesse contexto leigo tem a conotação de não religioso.
Grandes problemas, como a inexistência de cursos de formação de professores,

promovem a falta de continuidade dos programas de ensino. A centralização da


gestão em Portugal dificulta todos os procedimentos que são ineficazes e

morosos.
Este cenário produziu um contingente de professores mal preparados e mal

remunerados que somente foi alterado com a chegada da família real portuguesa
em 1808.

Para finalizar esta unidade podemos afirmar que a expulsão dos jesuítas do Brasil

foi uma medida decorrente de um pensamento iluminista que orientou uma


concepção de modelo de Estado. Embora não tenha produzido resultados

satisfatórios e eficientes para a educação, foi a primeira experiência desenvolvida


pela ação do Estado no sentido de assumir a responsabilidade pela educação.

BUSCANDO SABERES

Para contribuir neste estudo, apresentamos abaixo um fragmento do texto das

pesquisadoras Ana Paula Seco e Tania Amaral - em artigo intitulado “Marquês de


Pombal e a reforma educacional brasileira”7, no qual interpretam este processo:

É muito interessante perceber por quais vias o iluminismo implantou-se no Brasil.

É justamente através da política imperial de racionalização e padronização da


administração de Pombal que a educação passou para as mãos do Estado, mas

essa educação que passou a ser pública, não se faz para os interesses dos
cidadãos. Ela serviu aos interesses imediatos do Estado, que para garantir seu

status absolutista precisa manter-se forte e centralizado nas mãos e sobre


comando de uns poucos preparados para tais tarefas. Assim, mesmo que

7
Texto publicado no site www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/periodo_pombalino_intro.html - 68k
– acesso em 06 de março de 2008.
aparentemente as ações de Pombal induzam ao entendimento de uma política

despótica de benefícios individuais - ideia que não é de toda inválida - é preciso


acordar com a análise de Maxwell de que os lucros das reformas pombalinas

foram individuais, privados. Mas os interesses foram públicos - no sentido de


estatal - na medida em que naquele contexto, iluminismo, racionalidade e

progresso têm um significado muito diferente aos quais se deve estar atento:
iluminismo no contexto da colônia brasileira tratou-se, na verdade do

engrandecimento do poder do Estado e não das liberdades individuais, Dessa

forma, entender o projeto do iluminismo pombalino talvez seja a chave para


ajudar a perceber a tradição reformista nas tentativas de construção de um

sistema nacional de educação pública realmente voltado aos interesses públicos,


que até hoje não se consolidou no Brasil.
UNIDADE 09 - EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO PERÍODO MONÁRQUICO
E A TRANSIÇÃO PARA A REPÚBLICA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Analisar as marcas históricas mais relevantes do período que compreende entre a

chegada da família real portuguesa na colônia brasileira, a monarquia e o

processo de transição para a República.

ESTUDANDO E REFLETINDO

A vinda família real portuguesa para o Brasil em 1808 elevou a colônia à condição
de Reino Unido de Portugal e Algarves. Esta situação modificou radicalmente a

vida da colônia que precisou assimilar hábitos da nobreza na sua vida cotidiana.
Uma das primeiras medidas de impacto foi a liberação dos portos brasileiros para

transações comerciais com a Inglaterra que naquela época, era uma grande
potencia comercial. Além disso, foi revogada a proibição de instalação de

indústrias manufatureiras, fato que gradualmente, promoveu o desenvolvimento


industrial da colônia.

Além de medidas econômicas, o cenário cultural também se adaptou aos novos


tempos de nobreza: implantação da imprensa, instalação de museu, bibliotecas e

academias.
As transformações no campo da economia também repercutem na aristocracia

rural colonial, que se vê excluída das decisões políticas.


A chamada proclamação da independência em 1822, como podemos perceber, foi

o resultado de um processo de “maturidade” da colônia que se consolidou com o


estabelecimento da família real. O episódio que marca a emancipação não altera a

estrutura social que se organizou após 1808.


Após 1850 novos fatores mobilizam a vida no Brasil (agora Império): o

desenvolvimento da cafeicultura, a incipiente industrialização, a construção de


estradas de ferro, instalação de bancos, o desenvolvimento da comunicação

(telégrafo) e o processo de transição de mão-de-obra escrava para assalariada.


Essa conjugação de fatores inaugura uma sociedade mais complexa, na qual

cresce a burguesia urbana.


Em 1870, com o final da Guerra do Paraguai e os desgastes políticos decorrentes

desse grande conflito, associado às demais condições de transformação da

economia e sociedade, as condições para a abolição de escravidão (1888) e


proclamação da república são mais favoráveis.

É importante lembrar que apesar de todas as mudanças aqui apresentadas, a


marca do Brasil durante o período monárquico continuou acentuadamente

agrário, exportador e dependente do capital metropolitano e inglês.

O ensino no Império – a lógica invertida


As grandes mudanças sociais, econômicas e políticas inauguradas a partir de 1808

refletiram na organização da sociedade e, consequentemente, na educação no


Brasil como veremos:
1808 – Criação da imprensa.
1808 – Academia real da marinha.

1808 - Cursos médicos-cirúrgicos.


1810 – Academia real Militar.

1810 – Biblioteca pública.


1810 – Jardim Botânico.

1818 – Museu real.


1816 – Missão cultural francesa.

1827 – Cursos jurídicos.


A curiosidade é que o apressamento em resolver as questões decorrentes da
instalação da família real no Brasil, desenvolve um processo invertido. Primeiro
são investidos esforços para a criação de cursos superiores, fato que Haidar 8

explica:

Por circunstâncias históricas, nosso país teve ensino superior antes que nele se
organizasse, verdadeiramente, um ensino de tipo secundário: feita a

independência, necessitávamos, antes de tudo, de escolas que preparassem, tão


rapidamente quanto possível, as elites intelectuais e administrativas indispensáveis

para pôr as instituições a funcionar. Essas circunstâncias marcaram, em grande

parte, - e até hoje continuam a fazê-lo – o ensino brasileiro: este, apesar da


reformas, continua organizado “de cima para baixo”, as exigências dos graus

superiores determinando o conteúdo e a função dos inferiores, de tal forma que a


escola secundária (hoje ensino de 2º. Grau e a parte final do 1º. Grau) cede as suas

funções próprias à tarefa ancilar de curso preparatório para o ingresso no ensino


superior.

O que se observou nesse processo foi a valorização de uma educação

aristocrática voltada a atender as necessidades de uma reduzida elite em


detrimento a projetos voltados para a formação da população majoritária.
Prevaleceu um tipo de ensino enraizado na referência erudita da cultura europeia.
A origem da nossa formação escolar se dá adotando como referência o

pensamento hegemônico elitizado que caracteriza, em grande medida, até hoje


nosso sistema educacional.

Azevedo9 descreve essa situação de desigualdade de tratamento com a educação


das diferentes classes sociais. Para esse autor:

“Esse contraste entre a quase ausência de educação popular e o desenvolvimento

de formação de elites tinha de forçosamente estabelecer, como estabeleceu, uma

8
Haidar, Maria de Lourdes Mariotto. O Ensino secundário no império brasileiro. São Paulo: USP, 1972.
9
Azevedo, Fernando, A cultura brasileira, São Paulo: Melhoramento,
enorme desigualdade entre a cultura da classe dirigida, de nível extremamente

baixo, e a da classe dirigente, elevando uma grande massa de analfabetos, - ‘a


nebulosa humana desprendida do colonato’ -, uma pequena elite em que

figuravam homens de cultura requintada e que, segundo ainda, em 1890,


observava Max Leclerc, não destoaria entre as elites das mais cultas sociedades

europeias”.

Observemos a partir das iniciativas desencadeadas para a formação superior e

emergencial, produzida pelo cenário histórico do início do século XIX, como a


educação elementar e secundária no nosso país foi produzida.

O ensino elementar e secundário

A grande cisão entre a organização do ensino superior e o ensino elementar e


secundário resultou do Ato adicional à constituição de 1834. Por este dispositivo

legal ficou estabelecido que no artigo 10, parágrafo 2º que as províncias 10 têm o
direito de legislar sobre a instrução pública. Com essa medida ficou legitimada

uma dualidade de competências que possibilitava a existência de dois sistemas


paralelos de ensino: o provincial e geral.
No entendimento de muitos historiadores essa medida atribuiu status diferentes
aos níveis de formação: a formação superior (destinada às elites) ficava sob os

cuidados da coroa e formação elementar (popular) dependia da precariedade das


estruturas das provinciais.

Essa lógica de fracionamento da estrutura criou uma dependência direta da


organização dos currículos escolares. Estes são organizados para atender às

exigências da formação superior.


Em 1837 é fundado o Colégio Pedro II, no Rio de janeiro, com a finalidade de

servir de padrão de ensino. Esse Colégio, excepcionalmente, fica sob o encargo da

10
Divisão territorial administrativa. Atualmente recebe a denominação de estados.
coroa e tem autorização para realizar exames parcelados11 de davam acesso aos

cursos superiores.
Após 1860 os colégios particulares começam a se organizar, sobretudo os

católicos e alguns protestantes. Nota-se, nessa iniciativa o retorno a uma tradição


confessional católica da educação.

No ensino elementar a situação é mais precária. Como a economia, durante o


Império, ainda é predominante agrária, não há demanda suficiente para mobilizar

mudanças na oferta da educação elementar. Educação é luxo para poucos e

privilegiados. Para a maioria da população, não há uma relação direta entre


escolaridade e vida produtiva.

Como não havia vinculação entre os diferentes níveis de escolaridade, não era
obrigatória ter certificação de conclusão de um nível inferior para ingresso em

níveis mais avançados. Assim, os filhos da elite poderiam ser educados por
preceptores e posteriormente enviados a estudos superiores.

Para se ter uma ideia do papel que a escola institucionalizada ocupava na


sociedade monárquica, em 1867, apenas 10% da população escolar estava

matriculada nas escolas.


Como formas de melhorar o cenário educacional no Império, a partir de 1835, são
criadas as escolas de formação de professores. As famosas Escolas Normais. Elas
surgem como escolas para rapazes e, somente muito depois, vão se tornar espaço

de formação feminina.
No que diz respeito ao ensino técnico, a situação não é muito diferente. Em 1856

algumas escolas de comércio e o Liceu de artes e ofícios. Porém, não há grande


interesse para que estas se desenvolvam e prosperem.

Durante o longo período do império no Brasil, pode-se perceber que a


organização do sistema de ensino não chegou a se configurar como uma

11
Para Haidar (1972) o sistema de exames não apenas favorecia os estudos parcelados e assistemáticos,
(sic) como também instituíra, antes mesmo que leis e decretos dispusessem (sic) efetivamente sobre o
assunto, o regime da frequência livre na área dos estudos preparatórios: cada um que estudasse onde e
como quisesse (sic) e depois provasse nos exames, realizados na ordem que lhe aprouvesse, os
conhecimentos adquiridos. (p. 60)
prioridade de Estado. As medidas descentralizadoras produziram uma lógica de

educação dual (escola para ricos e escola para pobres) cujo legado está até hoje
enraizado no imaginário da população e, em grande medida, dos professores e

alunos.

BUSCANDO SABERES

O cenário de transição – Império/República

O período que revela o declínio do Império foi marcado, por profundas


transformações na sociedade brasileira: a abolição da escravidão e a adoção da

mão de obra assalariada, os melhoramentos urbanos, a expansão da lavoura


cafeeira e o desenvolvimento dos centros urbanos. Esses fatos lançaram o Brasil a

um cenário de desenvolvimento e ampliação de horizontes econômicos e sociais.


Porém, do ponto de vista da política, o incipiente regime republicano não rompeu

completamente com a tradição elitista.


Porém, é inegável que novas necessidades surgiram para a população e a

remodelação do modelo de Estado implicou em novas orientações para o sistema


educacional brasileiro.
A República, proclamada em 1889, desenvolve suas próprias características
próprias. Estabelece a naturalização de estrangeiros, liberdade de cultos e o

regime presidencialista.
Temas até então ausentes nas pautas políticas, emergiram como referências

fundamentais: democracia, maior poder para os estados - federalismo, incentivo à


industrialização e a necessidade de uma política de oferta de ensino para a

população analfabeta.
A força política e econômica no período de implantação do regime republicano

estava centralizada nas mãos dos cafeicultores e esta característica acentuou


práticas contraditórias ao ideal republicano (voto de cabresto, curral eleitoral,
entre outras).
Em 1891 é promulgada a primeira constituição republicana fortemente

influenciada pela constituição dos Estados Unidos da América.


Dois anos depois toma posse o primeiro presidente civil do Brasil: Prudente de

Moraes, representante das oligarquias cafeeiras que irá, por força dos interesses
oligárquicos, arrefecer o interesse por temas educacionais.

A lógica da economia agrário-exportadora e a centralidade do poder nas


oligarquias cafeeiras irá se abalar apenas depois do advento da primeira guerra

mundial (1914-1918) quando se inicia novo ciclo de desenvolvimento industrial e

uma propensão à nacionalização da economia expressa pela redução das


exportações.

A década de vinte será fortemente marcada por movimento como greves


operárias, o tenentismo, a Coluna Prestes, a criação do partido comunista e a

efervescência cultural – representada pela Semana de arte moderna de 1922.


O final da década de 20 foi marcada pela “grande depressão” e a quebra da Bolsa

de Nova Iorque em 1929, que no Brasil se manifestou pela crise da produção


cafeeira. Este fato abala o poder das oligarquias hegemônicas e inaugura um

novo ritmo de vida social urbana e de retomada do crescimento industrial.


Iniciam-se neste período as condições necessárias para a implantação de um
sistema de ensino que reagisse às novas demandas industriais e urbanas. A
população brasileira, neste período era predominantemente analfabeta, condição

inadequada para um pleno desenvolvimento econômico. Em 1930 é criado o


ministério da educação e da saúde pública com o forte propósito de criar uma

estrutura educacional compatível com as demandas desenvolvimentistas.


UNIDADE 10 – EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA REPÚBLICA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Identificar e analisar as principais características da educação brasileira após a


proclamação da república.

ESTUDANDO E REFLETINDO

A educação na primeira República (1889-1930)


12
Para Ghiraldelli Jr. Neste período destacaram-se três correntes pedagógicas: A
Pedagogia Tradicional, a Pedagogia Nova e a Pedagogia Libertária.

A vertente tradicional pode ter suas raízes identificadas no herbatismo


caracterizada por uma tendência de psicologizar a educação. Ghiraldelli Jr. (1990,

p. 22) afirma que o princípio da psicologia de Herbart dizia que desejo e vontade
não são autônomos, mas que são resultados da atividade intelectual responsável
pelas ideias e representações – ‘a volição tem suas raízes no pensamento’ –
enfatizou a psicologia herbartiana.
Essa tendência forjou em “método” que se caracteriza por etapas distintas ensino:
preparação, apresentação, associação, generalização e aplicação.

A pedagogia Nova marcou na história da educação com o denominado


movimento da Escola Nova. Essa forma de abordagem do ensino valoriza um

processo de ensino-aprendizagem orientado por “métodos ativos”. Ou seja,


valoriza a liberdade e o interesse da/o aluno/a, práticas de trabalho em grupos e

desloca o aluno para o centro do processo educativo (lugar antes ocupado pelo
professor).

Dewey (1859-1952) pode ser apontado como um dos expoentes dessa orientação
pedagógica o postulado dos “cinco passo para o funcionamento do raciocínio

12
Guiraldelli Jr, Paulo. História da Educação. São Paulo: Cortez, 1990.
indutivo” (tomada de consciência do problema, análise de elementos e coleta de

informações, sugestões para a solução do problema, experimentação e recusa ou


aceitação das soluções).

A pedagogia nova foi divulgada pelo conjunto de reformas ocorridas nos anos 20.
Grandes educadores brasileiros como Anísio Teixeira, Francisco Campos, Lourenço

Filho e Fernando Azevedo, contribuíram para a divulgação dos princípios da


pedagogia nova. A crítica que se formula a este movimento é sua exagerada

preocupação com aspectos técnicos que distancia os debates de temas

importantes como a oferta da educação popular.


A corrente libertária decorreu das manifestações originárias do crescente

proletariado urbano formado por imigrantes de várias origens (italianos,


portugueses, espanhóis). Associam-se a esta corrente pedagógica os ideais

anarquistas difundidos nesse período.


No que diz respeito a organização da estrutura de ensino este período foi

marcado pelas seguintes realizações:


• Reforma Benjamin Constant (1891) – elaborada com base nos princípio de

liberdade e laicidade do ensino.


• Lei orgânica Rivadávia Correia (1911) – estabelece o ensino livre e retira do
Estado
• Reforma Carlos Maximiano (1915)

• Reforma Luiz Alves/Rocha Vaz

A era Vargas e a educação (1930-1945).


Aranha13 afirma que na década de trinta a educação foi alvo de atenção

governamental nunca antes observada. Os movimentos dos educadores as


iniciativas governamentais promoveram grandes mudanças neste cenário.

1930 – É criado o ministério da instrução e da saúde pública (vide texto


complementar).

13
Aranha, Maria Helena de Arruda. História da Educação. São Paulo: Moderna, 1989.
1931 e 1932 – Reforma Francisco Campos.

1932 – É publicado o manifesto dos pioneiros da educação nova. Este documento


faz crítica ao sistema dual de educação e reivindica educação como dever do

Estado, leiga, gratuita e obrigatória.


1934 – É fundada a Universidade de São Paulo

1935 – É criada a Universidade do Distrito Federal


1937 – São diplomados no Brasil os primeiros professores licenciados para o

ensino secundário.

1942 – 1946 – Leis Orgânicas do ensino – Reforma Capanema.

A reforma Francisco Campos


A reforma Francisco Campos (1930-1931) foi marcada por um conjunto de

decretos (19.850, que cria o Conselho Nacional de Educação e os Conselhos


Estaduais de Educação; Decreto 19.851, dispõe sobre a organização do ensino

superior no Brasil e adota o regime universitário; Decreto 19.852, dispõe sobre a


organização da Universidade do Rio de Janeiro; Decreto 19.890, dispõe sobre a

organização do ensino secundário; Decreto 20.158, organiza o ensino comercial,


regulamenta a profissão de contador e dá outras providências; Decreto 21.241,
consolida as disposições sobre o ensino secundário.
Pode-se observar que no conjunto das ações realizadas não houve empenho na

organização da educação primária e no que diz respeito a formação de


professores. Quanto a organização do currículo, ela se deu de forma

acentuadamente enciclopédico o que imprimiu às escolas um caráter seletivo e


elitizante.

Em 1937, o governo de Getúlio Vargas revela tendência fascista. Após esse


período observa-se uma preocupação com o controle ideológico e partidário,

deslocando a tendência renovadora da educação para um plano secundário.


Outro conjunto de medidas que orientou o sistema educacional no governo de
Getúlio Vargas foram as Leis Orgânicas do ensino, decretos que orientaram a
organizou dos sistemas de ensino (O Decreto-lei 4.048, criou o SENAI; Decreto-lei

4.073, regulamentou o ensino industrial; Decreto-lei 4.244, regulamentou o ensino


secundário; O Decreto-lei 4.481, dispõe sobre a obrigatoriedade dos

estabelecimentos industriais empregarem um total de 8% correspondente ao


número de operários e matriculá-los nas escolas do SENAI; Decreto-lei 4.436,

amplia o âmbito do SENAI, atingindo também o setor de transportes, das


comunicações e da pesca; Decreto-lei 4.984, determina que as empresas oficiais

com mais de cem empregados devem manter, por conta própria, uma escola de

aprendizagem destinada à formação profissional de seus aprendizes; Decreto-lei


6.141, de regulamenta o ensino comercial). Nesse período (1934 a 1945) esteve à

frente do ministério da educação Gustavo Capanema que segundo Schwartzman14


desenvolveu uma proposta de ensino que visava conformar o cidadão político,

dedicado a construir e fortalecer a nação, ao passo que, em nossos dias, dá


preferência à formação do homem econômico, destinado a competir e
enriquecer, indiferente à solidariedade comunitária.

BUSCANDO SABERES

TEXTO COMPLEMENTAR – TEXTO EXTRAÍDO DO LIVRO A NOVA POLÍTICA DO


BRASIL – Tomo I – Da Aliança liberal às realizações do 1º ano de governo 1930-

1931 – Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro. 1938. P. 227/230.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E SAÚDE PÚBLICA


Questões interdependentes e correlatas por natureza e finalidade, as referentes à

educação e saúde pública só admitem solução comum.


O homem valoriza-se, é certo, pela cultura da inteligência, mas não poderá atuar,

no sentido de eficiência social, se, por efeito de causas congênitas ou adquiridas,

14
Schwartzman, Simon. Tempos de Capanema. São Paulo: Paz e Terra: FGV, 2000.
estiver fisicamente incapaz ou encontrar meio hostil. Inapto à vida saudável e sem

condições de adaptação produtiva.


Em obediência a esse princípio, geralmente aceito, o Governo Provisório resolver

unificar todos os serviços que dizem respeito ao desenvolvimento da instrução e


da assistência sanitária, constituindo com eles o Ministério da Educação e Saúde

Pública.
A nomenclatura da organização do novo Ministério foi calcada em moldes

técnicos, de acordo com as nossas necessidades reais e dentro de rigorosas

normas de economia. Distribuídos os respectivos serviços por uma secretaria


geral, nove repartições e quatro departamentos autônomos, o orçamento

correspondente é de 4.003:727$145, ouro, e de 66.408:231$243, papel, na


proporção de 3,505 % da despesa geral, na parte ouro, e 4,893 % na parte papel.

Reformas

A circunstância de se tratar de um novo departamento deu ensejo a uma série de


reformas que afetaram, não só a estrutura dos serviços administrativos, como

estabeleceram modernas diretrizes ao ensino superior e secundário e aos


trabalhos de assistência sanitária.
Entre essas reformas, devem ser destacadas: a do sistema universitário;
organização da Universidade do Rio de Janeiro do ensino secundário; criação do

Conselho nacional de educação; regulamentação do exercício da profissão


farmacêutica; instituição do ensino religioso; organização do ensino comercial.

Instrução primária e técnico-profissional

Em matéria de educação nacional, quase tudo está por fazer-se.


O ponto de partida é o ensino primário, e, para ministrá-lo com real

aproveitamento, não adotámos ainda uma fórmula satisfatória.


O Governo Provisório tem em alta conta o problema e procura enfrentá-lo, dando
unidade ao seu duplo aspecto – ensino primário de letras e técnico-profissional.
Seria, talvez, conveniente interessar diretamente, na sua solução, o Governo

Federal o Estado e o Município. Só assim tornar-se-ia possível provê-lo de


melhores recursos, â míngua dos quais não o temos desenvolvido e aperfeiçoado,

como se faz necessário.


Já existe, em estudos, um anteprojeto elaborado pó técnicos, em que se procura

reformar o ensino profissional nos estabelecimentos a cargo deste Ministério.

Ensino Superior e secundário

O ensino secundário, que vinha sendo considerado entre nós como um simples
instrumento de preparação dos candidatos ao ensino superior, despreza a sua

função de natureza educativa, que consiste, justamente, no desenvolvimento das


faculdades de apreciação de juízo e de critério, essenciais a todos os ramos da

atividade humana, e, particularmente, no treino da inteligência em colocar os


problemas nos seus termos exatos e procurar as suas soluções adequadas,

requeria urgente reforma, na qual atendesse às suas necessidades mais


prementes. O Governo Provisório soube desde logo solucionar a questão, dando

ao ensino secundário a sua função própria – formar o homem para todos os


grandes setores da atividade nacional, construindo no seu espírito todo um
sistema de hábito, atitudes e comportamento que o habilitem a viver por si
mesmo e a tomar, em qualquer situação, as decisões mais convenientes e mais

seguras, em lugar de constituir um simples curso de passagem e um mero sistema


de exames, destituído de virtudes educativas e reduzido ás simples linhas

essenciais de sua estrutura, estreitamente pragmática e utilitária, de instrumento


de acesso aos cursos superiores.

Na conformidade das novas disposições, O Departamento nacional de Ensino


procedeu ás verificações das condições materiais e didáticas de treze institutos de

ensino superior, situados em diferentes Estados, para os fins da inspeção


preliminar.
Quanto ao ensino secundário, coube ao departamento proceder às verificações

estipuladas no art. 45 do decreto nº. 19.890, de 18 de abril último, em todos os


estabelecimentos desta Capital e dos estados, que requereram inspeção

preliminar, de acordo com a reforma do ensino. Essas verificações se realizaram


em 144 instituições.
UNIDADE 11 – EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA REPÚBLICA: POPULISMO E
DITADURA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Identificar e analisar as os efeitos do populismo e da ditadura na educação

brasileira.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Educação e populismo no Brasil


Como vimos o governo de Getúlio Vargas, sobretudo o período denominado

Estado Novo (1937-1945), foi marcado por medidas acentuadamente autoritárias e


simpatizantes do nazismo.

Após a deposição de Vargas e com uma atmosfera mundial que refletia os


resultados da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com um cenário de

progressiva urbanização da sociedade e um crescente proletariado, o cenário


político começa a refletir essas transformações.

Partidos vanguardistas e que se apresentavam como posições de “esquerda” à


ordem instaurada no governo de Getúlio Vargas, iniciam um movimento de

reconstrução de suas bases. Neste cenário destaca-se a figura de Luís Carlos


Prestes, líder fundador do Partido Comunista que, em 1945, mobilizou os

militantes do partido e simpatizantes para a organização de comitês populares


com a finalidade de fortalecer o processo de redemocratização.

No cenário econômico a expectativa de uma crescente e acelerada


industrialização promove um mudanças de rumos. De uma orientação

essencialmente nacionalista difundida na era Vargas, passou-se para um otimismo


internacionalizante. Chegam as indústrias multinacionais e os ventos da

democracia orientam as ações do Estado brasileiro.


Em 1946 é instalada a Assembleia Constituinte que tem seu trabalho influenciado

pelo ciclo de movimentos e manifestações populares. No que diz respeito à


educação a constituição, promulgada em 1946, caracterizou-se por:

• Polêmica discussão sobre o caráter facultativo do ensino religioso nas


escolas.

• Ênfase no debate sobre o Estado ter papel supletivo na oferta de

educação, destacando a família como primeira responsável.


• Obrigatoriedade da oferta, pelo Estado, de 04 anos de escolaridade

mínima.
• Definir percentuais mínimos de investimento e de responsabilidades para

as diferentes esferas administrativas do poder público (município, estado e


Nação).

Sobre esse texto Constitucional é importante destacar que, com ele, iniciam-se as
Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e o processo de autonomia para

a oferta da educação pelos estados.


A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 4024/61 tramitará por
13 anos no Congresso nacional para ser aprovada. Essa lei retoma o princípio
defendido pelos pioneiros da educação nova e tem seu processo de discussão

marcado principalmente, pelos seguintes temas:


* Descentralização do ensino

* Campanha em defesa da escola pública


Esse período, marcado pela busca de construir uma identidade nacional,

oportunizou o surgimento de movimentos de educação popular: Centros


Populares de Cultura (1962-1964), Movimentos de Cultura Popular (196),

Movimentos de Educação de Base (1961)


Aranha15 afirma que para compreender melhor esses movimentos, é importante

situá-los no contexto da ideologia nacional-desenvolvimentista reinante e no


anseio de resolver o dramático e sempre desprezado problema da educação
brasileira: o da educação popular. (1989. p.252)
Nesse contexto de intensos debates políticos, são sedimentadas as condições para

crescer nos meios educacionais os princípios da pedagogia libertadora, que


Ghiraldelli Junior16 define da seguinte forma:

Segundo a pedagogia libertadora, a educação e a escola colaboravam com a


situação de mutismo do povo. A escola oficial, além de autoritária, estaria a

serviço de uma estrutura burocratizada e anacrônica incapaz de colocar-se ‘ao


lado dos oprimidos’. Como os escolanovistas dos anos 30, e principalmente dos

anos 50, e também de acordo com as teses do nacionalismo-desenvolvimentista


do ISEB, os principais textos de Paulo freire criticavam a educação verbalista, o

ensino baseado na memorização, o bacharelismo, e pregava uma ‘educação


voltada para a vida’, para os problemas circunstanciais (p. 122).

A obra de Paulo Freire expressa, em grande medida, as orientações provenientes


do movimento da educação libertadora.
Os debates sobre a popularização da educação e das demais dimensões da

participação política foram interrompidos com o golpe militar de 1964. Após esse
episódio o Brasil mergulhou em um cenário de supressão dos direitos políticos e

cerceamento das manifestações. Essa nova configuração política trará efeitos


catastróficos para o sistema educacional.

Educação e Ditadura Militar

15
Aranha, Maria Lucia Arruda. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989.
16
Ghiraldelli Junior, Paulo. História da Educação. São Paulo: Cortez, 1990.
Uma ditadura pode ser definida como um regime político no qual ocorre a

centralização dos poderes (legislativo, executivo e judiciário) na representação de


um único líder. O período iniciado com o golpe militar de 1964 revela um

processo recente da história do Brasil no qual foram suprimidos os direitos


individuais e as lideranças ou movimentos contrários à ordem determinada pelos

militares. Qualquer manifestação era silenciada por meio da violência.


A escola e o sistema educacional do nosso país sofreram e, em significativa

medida, reproduziram esta mentalidade.

Aranha17 infere que


No início da década de 60, o Brasil vive uma séria contradição entre a ideologia

política e o modelo econômico. A ideologia política é o nacionalismo, com seus


múltiplos aspectos: procura da identidade nacional, anseio de independência

econômica, populismo. O modelo econômico, no entanto, se internacionaliza


cada vez mais e se submete ao controle estrangeiro.

O golpe militar de 1964 opta pelo aproveitamento do capital estrangeiro e liquida


de vez o nacional-desenvolvimentismo. A ‘recuperação’ econômica que se segue

desenvolve um modelo concentrador de renda que favorece uma camada restrita


da população e submete os trabalhadores ao arrocho salarial. Com o êxodo rural,
as grandes cidades não têm condições de acolher a todos decentemente. Surgem,
então, sérios problemas decorrentes da situação de empobrecimento, que chega

a níveis de miserabilidade (p.252).

Neste cenário de extremas dificuldades, o brasileiro é submetido ao violento


cerceamento dos seus direitos políticos e da sua liberdade de expressão. Ocorre

uma sucessão de arbitrariedades com prisões, torturas, cassação de direitos


políticos, exílio e muitas outras formas de impedir manifestações e

questionamentos da nova ordem política.

17
Aranha, Maria Lucia Arruda. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989.
São criadas estruturas próprias para a efetivação do controle: Serviço Nacional de

Informação-SNI, Lei de Segurança nacional.


Na educação, o efeito mais imediato do recrudescimento do poder estatal sobre

as instâncias de participação democrática se faz sentir por meio da perseguição


aos movimentos estudantis. São proibidas as organizações estudantis em âmbito

nacional (UNE), toa forma de organização articulada e de grande projeção é


violentamente reprimida. Até nas escolas de nível médio a organização estudantil

é proibida e vigiada.

Na organização do currículo o controle estatal é promovido por meio da


supressão de disciplinas da área das humanidades como História e Geografia. Nos

lugar dessas disciplinas são criadas outras como EMC - Educação Moral e Cívica e
OSPB - Organização Social e Política do Brasil, com o claro propósito de inculcar

conceitos nacionalistas e ideológicos condizentes com a ditadura instaurada.


Para “organizar” toda estrutura social e educacional em conformidade com os

anseios ditatoriais, são desenvolvidos aparatos legais:


AI-5 (Ato Institucional nº. 5) – suprime todas as garantias individuais, públicas ou

privadas. O presidente da república concentra os poderes do legislativo e


executivo.
Decreto nº 477 – proíbe os professores, alunos e funcionários de escolas de
qualquer forma de manifestação política..

Lei 5540/68 – reforma universitária. Unifica o vestibular e cria o curso básico


(comum a todos os cursos). Institui sistema de créditos (matrícula por disciplinas).

Divisão em departamentos. Fragmenta as organizações com clara intenção


despolitizante.

Lei 5692/71 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Amplia a


obrigatoriedade da educação para 08 anos. Supressão dos exames de admissão.

Currículo organizado em duas partes: educação geral e de formação especial.


Ensino Técnico obrigatório para toda a educação secundária.
Para tentar solucionar o alto índice de analfabetismo no país, em 1967 é criado o

MOBRAL (Movimento brasileiro de Alfabetização).


No período da ditadura militar destacou-se nas orientações pedagógicas o

chamado tecnicismo. Movimento de orientação Norte-americana, cuja ênfase se


dava na aplicação dos princípios da administração e gerenciamento das escolas. A

base dessa orientação vem do Behaviorismo.


A preocupação com os aspectos técnicos da formação se expressa na assinatura

dos acordos “MEC-USAID”18, mecanismo pelo qual o Brasil assina convênio com a

agência de desenvolvimento norte Americana e passa a receber assessoria e


cooperação financeira para implantação da reforma.

Os pilares da reforma educacional imposta pelos governos militares se sustentou


em três orientações predominantes: educação e desenvolvimento (formação de

profissionais), educação e segurança (formação do cidadão – civismo e ideologia)


e educação e comunidade (conselhos e parcerias com empresas).

BUSCANDO SABERES

Para ajudar na compreensão do que significou para a educação brasileira os


acordos MEC/USAID leia o artigo de Fabiana Pina “Acordo MEC-USAID: ações e
reações (1966-1968)”, disponível no sítio eletrônico

18
Nome de um acordo que incluiu uma série de convênios realizados a partir de 1964, durante o
regime militar brasileiro, entre o Ministério da Educação (MEC) e a United States Agency for
International Development (USAID). Os convênios, conhecidos como acordos MEC/USAID, tinham o
objetivo de implantar o modelo norte americano nas universidades brasileiras através de uma
profunda reforma universitária. Segundo estudiosos, pelo acordo MEC/USAID, o ensino superior
exerceria um papel estratégico porque caberia a ele forjar o novo quadro técnico que desse conta do
novo projeto econômico brasileiro, alinhado com a política norte-americana. Além disso, visava a
contratação de assessores americanos para auxiliar nas reformas da educação pública, em todos os
níveis de ensino.

A discordância com os acordos MEC/USAID se tornaria na época a principal reivindicação do


movimento estudantil, cujas organizações foram em seguida colocadas na clandestinidade.
http://www.anpuhsp.org.br/sp/downloads/CD%20XIX/PDF/Autores%20e%20Artig

os/Fabiana%20Pina.pdf
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