AUTOR CARLOS JORGE PAIXÃO Doutor em Educação pela UNESP

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História da Educação

UNIDADE 1
HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA DA EDUCAÇÃO 1.1 CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA 1.1.1 Concepção Positivista O pensamento de Augusto Comte (1798-1857), denominado de Positivismo, surge no século XIX, com a pretensão de ser uma síntese definitiva da evolução humana pautada em elementos oriundos da lógica das ciências exatas e naturais, na busca do estado positivo ou científico. (PAIXÃO, 2001; 2003; 2004). Segundo Augusto Comte, em sua obra intitulada Curso de Filosofia Positiva, publicada em 1830: [...] O caráter fundamental da filosofia positiva é tomar todos os fenômenos como sujeitos as leis naturais invariáveis, cuja descoberta precisa e cuja redução ao menor número possível constituem o objetivo de todos os nossos esforços, considerando como absolutamente inacessível e vazia de sentido para nós a investigação das chamadas causas, sejam primeiras, sejam finais. (COMTE, 1830, p. ) Assim, a história, no sentido positivista, baseia-se nos fatos descritos e demonstrados nos documentos de origem oficial. 1.1.2 Concepção Marxista Marx (1818-1883) surge, no século XIX, colocando o homem e sua história como decorrência das condições materiais determinadas pela economia política. Os meios de produção e as classes sociais são fatores que se destacam na estruturação e organização da sociedade, a partir da distribuição das riquezas. Para Marx (1983, p. 194):
[...] temos que começar constatando o primeiro pressuposto de toda existência humana e por tanto de toda história, a saber, o pressuposto de que os homens precisam estar em condições de viver para poderem fazer história. Mas para viver é preciso antes de mais nada, comer e beber, morar, vestir e ainda algumas coisas mais. O primeiro ato histórico é, portanto, engendrar os meios para satisfação dessas necessidades, produzir a vida material mesma, e isto é um ato histórico, uma condição básica de toda a história que ainda hoje, como há milênios, precisa ser preenchida [...]

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No marxismo, a história é determinada pelos meios de produção que estabelecem a base material da sociedade. As idéias dependem das condições econômicas da sociedade, manifestadas na situação socioeconômica dos homens, distribuídos em classes sociais, nas quais quem detém o capital, domina os que estão destituídos deste. A metodologia para produção do conhecimento histórico baseia-se na dialética materialista. Segundo Gamboa (1996, p. 106), o método dialético aborda o fenômeno em suas contradições numa perspectiva histórica e dinâmica. 1.1.3 Concepção do Annales A História faz parte da vida dos homens e mulheres, que por sua vez, constroem a existência, em sociedade, com idéias e coisas, que surgem no cotidiano de uma espécie de cultura viva ou por outro lado de ambientes sofisticados e eruditos como as academias.

História da Educação O século XX, entre a década de 20 e a década de 60, ainda profundamente marcada pelas concepções positivistas e marxistas, assiste a um movimento de inovações na produção do conhecimento histórico em torno da Revista Os Annales, organizada por Marc Bloch e Lucien Febvre. O grupo da revista Os Annales sofre influências do marxismo (materialismo histórico e dialética materialista), porém deixa de incorporar a “luta de classes” como uma categoria de análise da História. Segundo Ciro Flamarion Cardoso (1981 apud LOPES, 1989), as principais características dos Annales são:
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Passagem da História Narração à História Problema; O caráter científico da História é dado, mesmo em se tratando de ciência em construção; Contato e debate com as outras ciências sociais (adoção de problemáticas, métodos e técnicas); Ampliação dos limites da História, abrangendo todos os aspectos da vida social: civilização material, poder e mentalidades coletivas; Insistência nos aspectos sociais, coletivos e repetitivos; Ampliação da noção de fonte para além da escrita (vestígios arqueológicos, tradição oral etc.); Construção de temporalidades múltiplas, ao contrário do tempo línea e simples da historiografia tradicional; Reconhecimento da ligação indissolúvel e necessária entre passado e presente no conhecimento histórico, reafirmando-se as possibilidades sociais do historiador. História Nova, que, de certa forma, prossegue a linha da inovação dos Annales, repousa sua novidade em três processos: ▪ Novos problemas – põem em causa a própria História; ▪ Novas contribuições – modificam, enriquecem, transformam os setores tradicionais da história; ▪ Novos objetos – no campo epistemológico da História.

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Goff e Nora (apud LE GOFF, 1990, p. 14), principais articuladores dessa nova busca de redefinição da História, explicam que:
[...] O essencial não é sonhar, hoje, com um prestígio de ontem ou de amanhã. É saber fazer a história de que temos hoje necessidade. Ciência do domínio do passado e da consciência do tempo, deve ainda definir-se como ciência da mudança, da transformação. Uma História Nova pautada nas necessidades de mudança da sociedade, que investigue os vestígios do homem do passado no presente, tendo o futuro como referência.

História da Educação 1.2 CONHECIMENTO HISTÓRICO Os estudiosos do conhecimento histórico, em sua maioria, demarcam a fundação da história, a partir dos estudos de Heródoto, que surgiram no século V antes de Cristo, na Grécia, tendo como conteúdo a descrição da guerra entre Gregos e Persas (490-479 a.C.). Para Heródoto, a História era mais que uma simples descrição dos eventos em torno de um fato grandioso realizado pelos homens; ela consiste em investigar, em pesquisar na tentativa de encontrar a verdade, informa Borges (1981). A partir da Grécia, a idéia de história sofre uma série de variações, dentro do espaço-tempo das civilizações com seus autores de estilos e de formações das mais diversas, produzindo uma série de definições sobre a mesma conforme demonstramos, a seguir. Marc Bloch (apud MENDES, 1993, p. 8) define que:
[...] O objeto da história é por natureza o homem. Melhor: os homens. Mais do que o singular, favorável à abstração, convém a uma ciência da diversidade o plural, que é o modo gramatical da relatividade [...]. O bom historiador, esse assemelha-se ao monstro da lenda. Onde farejar carne humana é que esta a sua caça [...] Ciência dos homens, dissemos nós. É ainda muito vago. Temos de acrescentar: dos homens do tempo. O historiador não pensa apenas o humano. A atmosfera em que o seu pensamento respira naturalmente é a categoria da duração.

A história não se basta com o singular, busca nas suas investidas o sentido da duração dos homens, nas diversas formas de expressão de sua humanidade, materializada nos monumentos e descrita nos documentos, que espelham a trajetória coletiva da cultura humana. É ciência que estabelece a identificação do ser humano dentro das cronologias, ao investigar e interpretar suas lembranças, resgatando suas recordações como "marcas", que ao serem decifradas colocam o homem diante de si, com seu retrovisor de feitos singulares e coletivos, um ser da consciência. Philippe Ariès (1986, p. 22) apresenta a seguinte reflexão:
[...] As culturas são, pois, necessariamente diferentes umas das outras, e cabe ao historiador apreender essas diferenças. Como? Através de um jogo de espelhos e de ricochetes, que o historiador vai aprendendo, na sua vida cotidiana. Vejamos um exemplo: leio, num artigo de Paul Veyne, que a alta sociedade romana preferia a adoção à filiação natural para a sucessão numa herança ou num determinado poder. Este fato interessa-me, primeiro, como um traço característico da civilização romana da época. Mas, em seguida, apercebo-me de que a preferência pela adoção desapareceu, durante a idade média e a época moderna, até que nos nossos dias começa a reaparecer. O fato em si, que é a adoção - e a não-adoção - torna-se o revelador de uma diferença fundamental entre várias culturas.

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Assim, a cultura pode alterar-se em um mesmo espaço, a mudança pode acontecer dentro de um determinado tempo em uma mesma sociedade. O fato histórico que em um determinado período, pode ser considerado determinante do comportamento de um grupo social, pode alterar-se, ou até desaparecer; este movimento, dentro da trajetória humana, estabelece a diferença cultural entre grupos sociais que habitam a mesma geografia. E o estudioso da história, deve neste caso, estabelecer uma periodização, pois sem este recorte no tempo, dificilmente, obterá sucesso em sua investigação. Segundo Ariès (1986, p. 24):
[...] A história é, e deve continuar a ser, o conhecimento das aparências, cuja ilusão não deve denunciar, mas da qual deve descobrir os elementos que, muitas vezes, estão ocultos e que dela fazem uma estrutura coerente. O historiador cedo se apercebe de que existem dois tipos de aparências, as que são manifestas e estão à

por outro lado. e as ocultas. possivelmente. que espelham a trajetória coletiva da cultura humana. INVESTIGAÇÃO E A CONSTRUÇÃO DE HISTORIOGRAFIAS As idéias e ações humanas são objetos de busca do historiador. encontrem um pouco de sua memória individual e coletiva. a história no decorrer do tempo e das culturas. apesar das variações da história. dar conta da escavação dos elementos acumulados ao longo das etapas e dos períodos componentes do passado. 144): 5 . apresentavam ora estudos historiográficos de fidelidade às determinações de grupos dominantes. para que. sofre as marcas das idéias no decorrer do tempo. subterrâneas. O homem é o centro da construção do conhecimento histórico. pretendia-se mostrar aos homens como é que Deus queria que eles agissem. A dimensão espacial está relacionada com a necessidade de localização geográfica da sociedade ou civilização escolhida para o desenvolvimento do estudo. o conjunto de idéias dentro de uma sociedade em geral. p. ocupava a cátedra de História e de Moral. das regras de cunho moral que fazem parte da interpretação constante na obra dos historiadores em diversas épocas. que foi variando ao longo dos tempos. um divertimento: o historiador sempre escreveu por prazer e para dar prazer aos outros. decretos. pela formação e pelos interesses de seus autores. Para Raoul Glaber. do público e. A história enquanto construção de um conhecimento sobre o homem.3 MÉTODOS. Espaço e tempo são duas categorias que se destacam na delimitação dos estudos históricos. os documentos são representados por cartas. garantindo os elementos mais importantes no retrovisor.História da Educação vista de todos. essa função consistia numa interpretação moral dos fatos: narrando os acontecimentos do passado. nas diversas formas de expressão de sua humanidade. é marcada pela personalidade. que situados em estados e instituições. coletando e tratando documentos. situado no tempo e no espaço de uma cultura de uma civilização. ora estudos críticos e revolucionários.. Todo conhecimento científico traz a marca de seu autor. Esta função de pedagogia moral manteve-se por muito tempo – Michelet. Georges Duby (1986. quando ensinava no Collège de France. Então. representa interesses de grupos e determina o desenvolvimento das políticas. os estudos históricos partem da investigação dos eventos do passado. evidências da ação dos agentes históricos em um determinado tempo e espaço de uma civilização. Para que serve a história? A história é. Dizemos que. legislações etc. que podem ser desenterrados. buscando dimensionar o que está na "vitrine".] Estamos aqui perante a questão da função da história. o produtor do conhecimento histórico deve ocupar-se das "aparências". Em geral. antes de mais nada. p. pela interpretação das obras mais clássicas e de fontes primárias investigadas e devidamente identificadas. O processo de investigar a história busca nas suas investidas o sentido da duração dos homens. materializada nos monumentos e descrita nos documentos. atas. apenas notadas pelos seus contemporâneos. 1. segundo Mendes (1993. Tradicionalmente. visível e contextual e.. um ponto comum é a tentativa dos historiadores de colocar o homem diante de si. ofícios.14) faz uma análise crítica da função e do desenvolvimento da história: [. nos seus diversos períodos da trajetória humana. todos ao lidarem com os estudos historiográficos. Mas também é verdade que a história sempre desempenhou uma função ideológica.

A possibilidade de um homem contemporâneo. industriais e comemorativos. (PAIXÃO. o conhecimento produzido e acumulado nas obras (teoria). uma segunda impossibilidade – de ordem prática e inerente à própria natureza humana – prendese com o estudo de áreas demasiado extensas. caminha na direção de uma seleção dos dados de maneira a compor uma sucessividade de eventos que sejam capazes de traduzirem as ações e as expressões dos agentes históricos do passado. genericamente. o devagar de seu constituir-se [. 13): [. a história. 2001.. 1993). por meio do estudo realizado no tempo presente. Uma outra categoria fundamental. A . Em torno de um problema histórico selecionado. como uma forma geral de produzir sentido.] Pensar com a história não é o mesmo que pensar sobre a história. a investigação de sua possibilidade.] A história é a preocupação do homem. arquitetônicos. em geral. p. o que convencionamos chamar de uma época da cultura humana. tentam esgotar questões em torno de personagens. do homem. p. Pensar com a história implica o emprego dos materiais do passado e das configurações em que os organizamos e compreendemos para nos orientar no presente. é o tempo. sob pena de naufragar no oceano panorâmico dos “estudos universais”. a fim de nos definir por diferença ou semelhança a ele. de uma civilização. devido a dois fatores: impossibilidade de se extrapolarem conclusões de uma área estudada para outra que não tenha sido objeto de estudo. é a razão da existência da investigação histórica. Isso é o que os filósofos ou teóricos da história fazem. são dados que evidenciam um tempo-espaço. Buzzi (1994.. de um grupo humano. geralmente. (MENDES. 2003). pretensiosamente. denominado de "fontes". 6 Assim. pensamos com o produto substantivo da investigação histórica. Os materiais do passado são as fontes de abastecimento da produção do conhecimento histórico e a única maneira de orientar a investigação histórica no tempo presente. que. estudioso ou não. responsável pela seleção de acordo com o recorte eleito para a definição de seu objeto de estudo. A dimensão temporal torna-se imprescindível. com suas características culturais.. giram os agentes históricos. tratando-se de um quadro geográfico excessivamente amplo. pré-históricos. a demarcação cronológica é inevitável para que a pesquisa alcance viabilidade e validade. e o tipo de sociedade na qual se desenvolve o evento. apresentados como prova e os documentos – todo esse material. com a ilusão de se criar uma “grande história”. Para Schorske (2000. à nível do conhecimento – o qual... na ciência histórica. fatos e eventos. sempre que possível. a investigação histórica carece de uma delimitação no tempo e no espaço de uma sociedade. testemunhos. então. As fontes históricas. encontrar-se-ão dificuldades.. sobretudo. de se localizar no passado é devido aos vestígios e evidências deixadas por outros homens nas diversas formas de documentar a trajetória da civilização humana. da pesquisa das fontes e do tratamento de dados. Em um modo. Com efeito.. a correlação de forças entre eles. As fontes históricas podem apresentar-se em várias facetas: vestígios arqueológicos. na construção das historiografias. por vezes insuperáveis. monumentos artísticos. A problematização. a circulação de idéias. uma vez que dificilmente um pesquisador apresenta condições de estudar múltiplas cronologias.] A delimitação espacial de qualquer estudo histórico impõe-se. onde está localizado o investigador.História da Educação [. 72) destaca que: [. com as imagens que formamos do passado.. deve ser direto – da realidade em foco.] A árvore fala da natureza.

A preocupação do professor em dominar a história acaba por colocar a educação na penumbra. porém. consiste em tentar uma compreensão da parte. tomando como referência a teoria acumulada pelos historiadores. construirá uma história total (global). resultado da investigação sistemática de um tempo dentro de uma sociedade. em busca de resposta ao problema proposto. o método historiográfico analítico e o método historiográfico globalizante. história da ciência. de uma sociedade inteira com suas múltiplas determinações econômicas. em qualquer área. flores e frutos apresenta o florescimento da natureza. aparente e falso. mesmo que o método possa ser plenamente utilizado. segundo ele.] Dermeval Saviani. 1. passa a ser imprescindível para início do estudo e da investigação. como ciência que interpreta os atos humanos. Dificilmente. sem pretensão de produzir uma "grande história". que não é possível com um projeto de pesquisa dar conta da história total (global). mostrando que há uma tendência que dá ênfase à primeira palavra da locução – história –.4 HISTORIOGRAFIA DA EDUCAÇÃO Os estudos históricos ou historiografias derivam em geral. e nem é possível universalizar o estudo realizado. Entendemos que a demarcação espaço. 37). entendermos que uma posição pode ser anunciada após alguns anos trabalhando com estudos historiográficos. mas válido até os dias de hoje: "Sem teoria não se constrói o conhecimento científico". a segunda – educação – aparece como uma mera conseqüência. de uma civilização ou até de um determinado grupo humano. a necessidade do pesquisador de delimitar o seu problema. contribui com a pedagogia disponibilizando seus métodos e técnicas de investigação para que o educador possa apropriar-se dos eventos pedagógicos que ocorrem nas diversas épocas e nas diversas sociedades. em que a delimitação de um tempo (cronologia). com o apoio teórico-conceitual das obras de outros estudiosos.. é certo. o hominizar-se do homem. do conhecimento histórico acumulado. elegendo um foco para aprofundar e avançar com seu estudo. portanto. A história. Os caminhos da história são diversos. a história. dentro de uma determinada sociedade (espaço). que nos ensina cotidianamente. O outro caminho busca a construção de uma história de longo alcance temporal e geográfico.. São os atos humanos que o historiador busca estudar em cada cronologia e em cada espaço com os métodos de investigação adequados ao problema e o desenrolar dos fatos na época selecionada. mas que. Dois grandes caminhos vêm sendo trilhados. o caminho mais seguro. o ponto de 7 . analisando a posição de Saviani. preferencialmente. capaz de dar conta de uma grande época. onde os bens simbólicos da cultura são apresentados. já que. p. dentro de um contexto mais amplo. porque como nos diz um mote antigo. a ênfase e. história da psicologia etc. História gasta tempo para fazer o homem. concluiu que: [. o estudioso da história e de suas variantes (história da educação.). A proposta de Saviani é que se desloque a ênfase para a segunda palavra mesmo ocorrendo o risco de apenas inverter a hipertrofia.História da Educação árvore de mil folhas. Eliane Lopes (1989. tempo e personagens é uma exigência do fazer científico. história econômica. com o intuito de compor uma história total. O risco. buscando a Função do ensino de Filosofia da Educação e de História da Educação. produzidos ou reproduzidos na forma escolar e não escolar para a reconstrução da memória coletiva dos fenômenos educativos. Alguma lacuna há de ficar. Faz parte da natureza do processo de construção do conhecimento científico. pelos pesquisadores e estudiosos da história. O primeiro caminho constitui-se em um percurso por dentro da história com um itinerário parcial (história parcelar). faz a análise de questões ligadas ao magistério dessas disciplinas. buscando a universalização do estudo. políticas e sociais.

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A igreja. A Idade Média não é. caracterizando. Segundo Cambi (1999. de modo particular. absolutamente. que conjuga a presença da Igreja. por meio do fundamento cristão. a época do meio entre dois momentos altos de desenvolvimento da civilização: o mundo antigo e o mundo moderno. Um tempo de transformação política. em geral de subsistência. temos a Baixa Idade Média marcada pelo surgimento das cidades e da expansão do comércio. A cultura. fundaram o tempo do cristianismo católico. Foi. sobretudo. do empenho produtivo. A identidade da idade média está associada às duas classes que detêm o poder no período. o clero e a nobreza que. A economia do feudo é. a partir do ano 476 demarcação do fim do Império Romano e o ano 1492 da descoberta da América. econômica e cultural. o despertar das ciências e das artes. Assim como uma fase histórica que se coagulou em torno dos valores e dos princípios da religião. A sociedade medieval estrutura-se em torno do feudo. Um tempo caracterizado pela força da economia feudal e pela hegemonia do cristianismo. mas também aberturas proféticas e fragmentos utópicos que nos apresentam uma imagem mais complexa e mais rica da Idade Média. em troca de proteção. que se manifestam com toda a força nas criações artísticas e técnicas. reduzindo ao mínimo o intercâmbio e apresentando-se predominantemente agrícola. produzindo e consumindo in loco as mercadorias de que tem necessidade. nutre as mentalidades. a composição dos Estados Nacionais e a presença embrionária da nova classe – a burguesia. 9 . p. aos seus dogmas. (CAMBI. que impõe aos habitantes do feudo a obrigação à fidelidade e à submissão. A Idade Média costuma ser dividida em duas grandes fases: Alta Idade Média e Baixa Idade Média. desenvolvese somente no castelo do feudatário ou nas igrejas e. da identidade supranacional etc. A partir do ano mil. é a principal responsável pela formação dos homens na época. A Alta Idade Média corresponde ao período que vai das invasões bárbaras até as proximidades do ano mil.História da Educação UNIDADE 2 EDUCAÇÃO NA EUROPA MEDIEVAL E MODERNA 2.) como também um modelo de sociedade orgânica. A fé cristã. no centro da Europa. e o ressurgimento dos valores laicos. constrói os ideais e desenham um imaginário que atravessa as fronteiras das cronologias até os tempos modernos. heresias e revoltas camponesas. aos seus mitos. 155): O feudo é uma unidade territorial. por isso denominada também de sociedade feudal.1 O CONTEXTO MEDIEVAL A Idade Média corresponde ao longo período delimitado. no feudo. governada por um senhor que age dentro dele como fonte de direito. 1999). a época da formação da Europa cristã e da gestação dos pré-requisitos do homem moderno (formação da consciência individual. por meio da Igreja e do Império. sobretudo. respectivamente. mas enfraquecida que antes. nos mosteiros: ela se caracteriza por poucos intercâmbios e é toda devotada à fé cristã. marcada por forte espírito comunitário e uma etapa da evolução de alguns saberes especializados como a matemática e a lógica. que se empenha na sua defesa militar. e também uma identidade mais próxima de nós e de nossa sensibilidade. toda esta longa época: conferindo-lhe conotações de dramaticidade e de tensão.

para organismos diversos. por volta de 1150. . a partir do ensino dos valores do Cristianismo adaptado ao contexto dos mais pobres. dirigida pelo monge inglês Alcuíno de York (730-804). a via mística utilizará a razão para desenvolver o significado da fé e a sua relação com a vida social. É todo um mundo que vai se renovando. na Alta Idade Média. Como exemplo deste tipo de educação universitária da época. formalista e não-criativo caracterizado pela tradição e submissão à autoridade eclesiástica. que transformam as oficinas em ambientes de ensinoaprendizagem. mais locais e mais diluídos. [. agora.. jurídicas e até médicas. Nesse período.História da Educação 2.1. na escola catedral de Notre Dame que servirá de base para a fundação da Universidade de Paris. mas que. fundando os alicerces racionalistas e as sementes dos ideais de uma educação moderna e humanista. que inaugurou esse modelo de escola em seu próprio palácio. (LUZURIAGA. estão voltados para a laicização do intelecto do homem e de sua vida social. ferreiros. Já a educação na Baixa Idade Média sofre grandes modificações. conflitam entre si e deixam espaço. 1997). estabelecendo uma relação pedagógica entre mestres e aprendizes. embora amparado. por franciscanos e dominicanos.1 Educação na alta idade média e na baixa idade média A educação. segue uma pedagogia eclesiástica.] Também a educação não é estranha a este processo. Os estudos na universidade duravam de cinco a sete anos. Eram escolas construídas ao lado da igreja em que o bispo tem seu trono ou cátedra. Os títulos eram de bacharel com cinco anos e de magister. administradores do império e filhos da nobreza. Três tipos de escolas ganham destaque no período: as monásticas (ou abaciais). desenvolvida em escolas organizadas pela Igreja Cristã Católica. p. 173). Estes novos modelos pedagógicos ainda marcados pelo cristianismo. 1990). por exemplo). que implica cada vez mais competências especializadas e envolve cada vez mais indivíduos por conhecimentos e interesses comuns: nascem as corporações. tecelão. As escolas Monásticas (ou abaciais) cuidavam da formação religiosa por meio do estudo de textos sagrados e da meditação. a partir de agora. Além disso. onde o ensino visa à formação de religiosos. filosóficas. As escolas palacianas ou palatinas visavam formar eclesiásticos. as catedrais e as palacianas. como descreve Cambi (1999. conservador. (MANACORDA. Mudam as técnicas e transforma-se o trabalho. que passam a empregar método de ensino pautado no debate de questões teológicas. as ordens pauperistas e mendicantes. pelas pilastras universalistas da Igreja e do Império. por assim dizer. representadas. também surgem as primeiras universidades. após sete anos de estudo. distanciando-se do modelo escolástico apresentado pela Igreja Católica. isto é. que vê o povo cada vez mais protagonista ativo de movimentos ideais e de lutas sociais (as seitas pauperistas ou as lutas camponesas. temos o trabalho de Abelardo. desenvolvem seu apostolado. 10 As corporações que surgem na Baixa Idade Média são criadas em torno dos ofícios artesanais (alfaiates. por exemplo). também político. Renova-se a ideologia. As escolas Catedrais eram escolas com a missão de formar o clero secular com um modelo educativo didático. a partir das transformações das escolas catedrais.. principalmente. uma iniciativa do Imperador Carlos Magno (742-814). mas fortemente ativos na vida social (as cidades e as nações).

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por Portugal e Espanha serão decisivas para as mudanças nos horizontes geográficos e o desenvolvimento mercantil. Transformações econômicas e sociais determinaram as mudanças no modelo jurídico-político. . LUZURIAGA. passando a estudos que consideram o tempo histórico e as condições naturais do homem. efetivamente. Assim. a escola ocupa um lugar cada vez mais central. competências das quais o sistema tem necessidade). portanto devem ser investigadas. caracterizou-se por grandes transformações nas estruturas da Europa Ocidental. prisões e manicômios) agem em função do controle e da conformação social. (CAMBI. portanto como uma revolução. início de uma economia de intercâmbio (mercadoria. para ser mais preciso 1789. os fins da educação destinam-se a um indivíduo ativo na sociedade. para a formação dos estados nacionais e a centralização do poder. nutrido da fé laica e aberto para o cálculo racional da ação e de suas conseqüências. a substituir as estruturações ideológicas do teocentrismo. DENIZE e OSCAR. ou o início do sistema capitalista. além da família e da igreja. CAMBI. O homem europeu passa a descobrir e valorizar a razão e tudo o que pode advir como produto da racionalidade. Isto é. bem como novas instituições sociais (hospitais. pelas novas estruturas ideológicas baseadas no antropocentrismo. econômico. 12    Mudam os meios educativos: toda sociedade se anima de locais formativos. político. As grandes navegações empreendidas. A ruptura da modernidade apresenta-se. marcando definitivamente esse tempo de mudança – os tempos modernos. (AQUINO. Essa transformação de base econômica tornará o terreno propício politicamente. social. (MANACORDA. Como revolução política: nascimento do estado moderno (Estado-nação e Estado-patrimônio). Entre essas instituições. também o exército e a escola. operando no sentido educativo. cada vez mais orgânico e funcional para o desenvolvimento da sociedade moderna: da sua ideologia (da ordem e da produtividade) e do seu sistema econômico (criando figuras profissionais. Como revolução na educação e na pedagogia: a formação do homem segue outros itinerários sociais. dinheiro. a partir do século XVI. Todas essas mudanças estruturais produziram um afastamento mais acentuado dos valores do cristianismo difundidos pela Igreja na Idade Média e uma aproximação maior da dimensão humana. 2003). Este longo período da segunda metade do século XV até o século XVIII. sistematicamente. ano da Revolução Francesa.História da Educação 2. 1997. JACQUES. 1999). liberado de vínculos e de ordens. posto como artífice de sua sorte no mundo em que vive. ideológico. a passagem do feudalismo para o pré-capitalismo. Como revolução social: afirmação da classe burguesa. 1999). de modo analítico e experimental. uma revolução em muitos âmbitos: geográfico. principalmente. 1990. como ainda da oficina. racionalização de recursos financeiros e humanos).  Como revolução econômica: fim do modelo feudal (agrícola). que.2 O CONTEXTO DA ÉPOCA MODERNA A Época Moderna ou Idade Moderna começa a partir do marco simbólico da descoberta da América (1492). um indivíduo mundanizado. As teorias pedagógicas tomam uma conotação histórica e empírica. cultural e pedagógico. a Europa começa.

4 Cortesão instruído e urbano. marcada pelo resgate da antiguidade clássica e pela construção de uma educação humanista. Socialmente: 1. 2.7 Estudo atraente e ameno. catedrais. 2. 2. uma nova fase da cultura humana.História da Educação 2. A diversidade de interesses de sua obra – que.3.4 maior riqueza econômica (laços comerciais / sistema de crédito ).): 1. 1. 1. 2. educação humanista (Grécia e Roma ). além de esculpir e pintar quadros e afrescos. 1. Os clássicos gregos e romanos inspiravam e ilustravam os homens da época na busca de inovações técnicas e artísticas.6 Espírito crítico. sistemas de distribuição de água para cidades.2 espírito cosmopolita: universalidade balizada pelas relações comerciais e pelos descobrimentos geográficos. provoca estranheza ainda hoje – refletia o caráter interdisciplinar da cultura técnica renascentista.1 desenvolvimento da cidade e estado-cidade / direção burguesa. homem culto: ilustrado com base nas idéias de Platão e Quintiliano. O norte e o centro da Itália destacaram-se das demais áreas pelo dinamismo comercial.3 A EDUCAÇÃO NA RENASCENÇA E A PEDAGOGIA HUMANISTA Dentro da época moderna temos o fenômeno da renascença. 2.5 Cultivo da individualidade. Seus trabalhos técnicos e artísticos são testemunhos da cultura da época – sua obra mais conhecida é a pintura intitulada Mona Lisa. 2. 37.2. 13 . Dentro desse cenário. 2. ao abarcar campos aparentemente tão díspares. p. redescobrimento da personalidade humana livre e independente da religião e da política. 2. Leonardo da Vinci (1452 – 1519) tornou-se um símbolo máximo do movimento renascentista.3 participação da mulher. os engenheiros italianos projetavam e construíam palácios.9 Cultivo do corpo e estética / boas maneiras e urbanidade. Diversas tradições técnicas foram desenvolvidas em algumas regiões da Europa. 2.1. Sob o patrocínio de nobres e prósperos comerciantes. Apresentamos a seguir uma caracterização da renascença elaborada por Luzuriaga (1990. Pedagogicamente: 2.8 Matérias realistas e científicas.

O homem passa a criar e inventar obras no campo das artes e das técnicas exercitando a razão e afastando-se dos saberes que derivam da teologia. a indicação mais explícita dessa dupla transformação. muda a imagem do homem que é formado por esse processo educativo: trata-se daquele homem mais laico. A nossa sociedade.4 SÉCULO XVII: A REVOLUÇÃO PEDAGÓGICA E A LAICIZAÇÃO EDUCATIVA O século XVII é o tempo da consolidação das novas estruturas que efetivam a modernidade como a época histórica da classe burguesa. 14 . nesse aspecto. por meio de sua obra principal denominada de Didática Magna (1657). mas também com a vontade e a práxis. Devemos a Áries e ao seu estudo de 1960 sobre História social da família e da infância. A civilização medieval tinha esquecido a “paidéia dos antigos” e não conhecia a educação dos modernos. língua e civilização. uma vez que. (CAMBI. desenvolvido em todas as suas potencialidades e realizado naquele pluralismo de capacidades e de dimensões. 2. depende do sucesso de seu sistema de educação. ciências e história.História da Educação 2. 2. A pedagogia humanista resulta. secularizado e laicizado pela pedagogia como uma ciência da educação universal. A família e a escola são as duas instituições que ganham importância na construção do novo sentido pedagógico. do sistema capitalista e do estado moderno. uma concepção de educação.3. de modo intensamente dinâmico e radicalmente dialético.1 Colégio humanista / escola secundária / estudo do latim e do grego. mudou o ensino e mudou a atitude da família em relação à criança. 1999). desse tempo. Um homem que quer ver a si próprio. Tem um sistema de educação. em que o homem e a sociedade tentam renascer a partir do resgate dos saberes produzidos na Grécia e Roma Antiga e das construções artísticas inspiradas em modelos humanos. segundo um modelo harmônico similar à “obra de arte”. o conhecimento é para todos. Um tempo humano. hoje. civil e do trabalho que vive como um micromundo no qual se reflete o macromundo e que é senhor do universo por dominá-lo com o pensamento e com a palavra. a nossa época é herdeira direta de uma mudança advinda com a Modernidade. deve ser disponibilizado aos homens. Comenius é maior pedagogo do século XVII. inaugurando a revolução pedagógica burguesa com um sentido utópico de “ensinar tudo a todos”. A estética torna-se assim o paradigma-guia da formação e o critério supremo da pedagogia em todas as suas formas (desde a teórica até a escolar). a partir da dimensão humana e se tornam as principais instâncias de formação dos sujeitos na modernidade. sobretudo em relação a este papel.10 Educação das massas. às mudanças na estrutura do pensamento e na formação de uma nova mentalidade pautada no “espírito científico”. 1999). que põe em relevo o papel social da educação e redefine as duas instituições (família e escola). Todo o universo da educação mudou. (CAMBI. antropocêntrico – o homem no centro da nova forma de pensar e construir novos bens simbólicos e uma nova moral pautada em valores afirmados na família e confirmados no processo de escolarização por meio dos estudos das humanidades (studia humanitatis) numa formação que conjuga o estudo das letras e história. O sentido de revolução diz respeito em especial. uma consciência de sua importância. E. nos fins e nos meios.

as explicações teológicas e metafísicas não mais satisfaziam o homem moderno cioso de uma objetividade que o levasse à compreensão dos fenômenos e leis que constituíam a natureza. deveria formular hipóteses e experimentá-las. significa que o homem passava a ver a natureza como objeto de sua ação e de seu conhecimento. Para uma compreensão da mudança revolucionária na pedagogia e o afastamento dos processos de formação dos valores religiosos difundidos pela teologia. o poder secularizado do Estado e a busca do conhecimento científico são fatores decisivos para as mudanças pedagógicas e a laicização educativa. no século XVII. 2003). DENIZE e OSCAR. ampliando o sentido do fazer pedagógico que. 281): [. Para Descartes (1596-1650) tudo era duvidoso. JACQUES. a não ser penso. inaugura um tempo de busca de processos educativos que seja “ensinado tudo a todos”. que afirma a universalidade da educação contra as restrições devidas as tradições e a interesses de grupos e de classes. e sua tarefa consistia em representá-la. desenha.. apesar de guardar ainda marcas da tradição escolástica. definitivamente. idéia central da Dúvida Metódica. (AQUINO. e a sua centralidade na vida do homem e da sociedade. continuamente. com sua obra Didática Magna (1657). na estrutura do pensamento. o homem. que leva a aceitar apenas aquilo que a razão possa compreender e que possa ser demonstrado. desenvolvido principalmente por Jan Amos Comenius. vejamos o que nos diz Cambi (1999.” (ARANHA. Assim.] Com o século XVII afirma-se um modelo de pedagogia explicitamente epistemológico e socialmente engajado. para se certificar da validade de sua representação. para chegar às estratégias educativas referentes ás diversas orientações da instrução. em que busca “justificar e legitimar o poder do Estado sem recorrer à intervenção divina ou qualquer explicação religiosa. ao captar seu objeto. para atingir tal objetivo era necessário um método para bem conduzir a razão e procurar a verdade nas ciências. nada podia ser considerado como certo. Com ele se delineiam pela primeira vez de maneira orgânica e sistemática alguns dos problemas já relevantes da pedagogia: desde o projeto antropológico-social que deve guiar o mestre até os aspectos gerais e específicos da didática. 15 Comenius. partem da tendência de secularização e laicização do pensamento político e filosófico. no período em questão. Definitivamente..História da Educação Tal mudança. MARTINS. em torno do Estado. As questões. p. Dessa forma. um novo tempo para a pedagogia moderna laica e capaz de viabilizar o conhecimento por meio da escola para todos os homens da sociedade. 2003) Os valores da burguesia. logo existo. .

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em que o “processo pedagógico” dos Jesuítas tem como principal objetivo enquadrar os indígenas na dinâmica mercantilista como mão-de-obra. representantes da Igreja Católica. por extensão. No cenário da época. eu ocupo a terra e. tem por finalidade a garantia do processo de colonização. como uma forma de administração política do local subordinada as ordens e diretrizes do Rei de Portugal e aos Padres Jesuítas. eu trabalho. . 3. destacamos a instituição do Governo Geral. eu cultivo o campo. O Governador geral deverá pautar as suas ações administrativas de acordo com a diretriz da nova política de D. fortalecendo as relações comerciais. a palavra colônia deriva do verbo latino Colo. A terra era propriedade de seu conquistador. e este passou a explorar tudo o que podia servir de divisas comerciais.anmfa. terra ou povo que se pode trabalhar e sujeitar. que pode ser traduzido como eu moro. especialmente. considerado para fins deste estudo de 1549 a 1822. 17 Engenho de açúcar Fonte: <www.1.1 EDUCAÇÃO NO BRASIL COLONIAL A Metrópole (Portugal) retira va da colônia todas as riquezas disponíveis. primeiro representante do poder político no Brasil Colônia. agora tendo a educação cristã como principal estratégia. que chegam como parceiros na implantação de um novo processo de dominação dos nativos. O termo Colo denota sempre quando de sua utilização alguma coisa de incompleto e transitivo.org> Segundo Bosi (1994). No início desta fase. a educação passa a compor a estratégia política da Coroa Portuguesa.1 A pedagogia dos jesuítas A criação do Governo Geral. O tempo colonial compreende o período histórico.História da Educação UNIDADE 3 EDUCAÇÃO NO BRASIL 3. João (17/12/1548) que pode ser sintetizada conversão dos indígenas à fé católica pela catequese e pela instrução. é a matriz de colônia enquanto espaço que se está ocupando. com a Inglaterra.

História da Educação Em 1549. visando torná-los futuros sacerdotes. O projeto de transpor para a fala do índio a mensagem católica demandava um esforço de penetrar no imaginário do outro. matérias relativas à doutrina cristã. chega o Primeiro Governador Geral. 1991) diz que a política colonial: Se apresenta como um tipo particular de relações políticas. Os estudos de Bosi (1994). A Língua tornase o principal obstáculo a ser transposto para efetivação do processo de aculturação. A Ratio com os seus princípios educativos pautados na teologia cristã católica e na escolástica. No entanto. Assim. líder da Ordem dos Jesuítas. relações através das quais se estabelece o quadro institucional para que a vida econômica da metrópole seja dinamizada pelas atividades coloniais.1. sobre o Padre José de Anchieta. organizava-se iniciando a formação Superior por meio de cursos de humanidades. Para além de estruturar um modelo didático de ensino.2 Plano de estudo da Companhia de Jesus Para o Padre Nóbrega. 3. (NOVAIS. preferencialmente. Novais (1975 apud RIBEIRO. considerando que o trabalho de escolarização deveria atender os índios e os filhos de colonos portugueses. os índios catequizados pelos jesuítas seriam a nova força de trabalho para a exploração da terra. com dois elementos: um centro de decisão (metrópole) e outro (colônia) subordinado. neste e em outros casos extremos. principalmente para continuação dos estudos em Portugal na Universidade de Coimbra. Formar os filhos de colonos. canto ofeônico. 1975 apud RIBEIRO. nos apresentam a complexidade da tarefa de decifrar os códigos tupis e traduzi-los para a codificação da língua portuguesa. em sua companhia vem Manoel da Nóbrega. era em geral. os estudos seriam desenvolvidos a partir da seguinte estruturação que considerando um percurso curricular . os Jesuítas enfrentavam o problema cultural. espelhado na linguagem e nas alegorias que moldavam os rituais dos índios.iniciaria com o aprendizado do Português. a palavra pecado. o futuro destinado pelos Mestres Jesuítas aos descendentes dos colonizadores Portugueses. ao menos no registro que esta assumira ao longo da Idade Média européia? Anchieta. escola de ler e escrever. Com dizer aos tupis. a organização escolar no Brasil Colônia é construída estreitamente vinculada à política colonizadora dos portugueses. se eles careciam até mesmo da sua noção. filosofia. e este foi o empenho do primeiro apóstolo. Esta é uma adaptação da Ratio studiorum (Plano Pedagógico dos Jesuítas. feita por Nóbrega para a Educação Básica da época. 1991). Os braços de negros e índios seriam a garantia das divisas financeiras para o fortalecimento de Portugal no contexto da Europa. Tomé de Souza para administrar a colônia. publicado em 1599). para o índio apenas a formação cristã pelo método catequético. aprendizado profissional agrícola. prefere enxertar o vocábulo português no 18 . Na passagem de uma esfera simbólica para outra Anchieta encontrou óbices por vezes incontornáveis. para que este fosse facilmente dominado e colocado à disposição dos agentes da política de colonização da Coroa Portuguesa. música instrumental. curso de teologia e a viagem à Europa. Na lógica escravocrata do Governo Português. por meio do cultivo da cana e da produção de açúcar: a base da economia colonial até meados do século XVII. que compreendia o Primário e o Secundário. comandando seis religiosos. gramática latina e a culminância seria a viagem à Europa. por exemplo.

O Reino de Deus é Tupãretama. 65). Santa Maria. Isto porque. profeta voador. O mais comum é a busca de alguma homologia entre as duas línguas com resultados de valor desigual: Bispo é Pai-guaçu. Santa Maria. os Jesuítas conseguem uma estruturação básica para o funcionamento do processo de escolarização na Colônia. 28) diz que. comprometendo e comprovando as insuficiências do método escolástico medieval. Para afigura bíblico-cristã do anjo Anchieta cunha o vocábulo Karaibebê. nesta pedagogia. que vale tanto para toda sombra quanto para o espírito dos antepassados. A pesar das dificuldades com a língua Tupi. mas que reconheciam que esta era a única via de preparo intelectual.] se alguns forem amigos de novidades ou de espírito demasiado livre devem ser afastados sem hesitação do serviço docente". Isto. A nova representação do sagrado assim produzida já não era nem a teologia cristã nem a crença tupi. poderia aproximar os sujeitos de teorias científicas. com a palavra missa e com a invocação a Nossa Senhora: Ejorí. uma nova pedagogia. 19 A forma de educar dos Padres Jesuítas é o único caminho no período colonial para a formação sistemática da população local desejosa das primeiras letras para sair da escuridão do analfabetismo e buscar uma colocação dentro da ordem religiosa ou dentro da estrutura política e governamental que se esboça em torno do Governador Geral. Nossa Senhora às vezes aparece sob o nome de Tupansy. Objetivo da educação dos Jesuítas era formar religiosos.História da Educação tronco do idioma nativo. e 3) Elite (educação voltada para o trabalho intelectual dentro do modelo católico). "[. terra de Tupã.. visando assegurar também a educação dos filhos de colonos portugueses. protetora dos meus! Tais casos. diante do apoio real oferecido. . mas uma terceira esfera simbólica. 2) Feminina (boas maneiras e prendas domésticas). 25). afastando os alunos de qualquer novidade científica. diz uma das regras da Ratio. Demônio é anhangá. coerentemente é tupãóka. o mesmo faz. p. quer dizer pajé maior. / xe anáma rausubá! / Vem.1991.. 1994. mesmo que muitos de seus membros não chegassem a ser sacerdotes. a Educação dos Jesuítas pode ser dividida em: 1) Profissional (voltada para o aprendizado de técnicas rudimentares e o trabalho manual). Segundo Ribeiro (1991). e com fortes razões. espírito errante e perigoso. uma vez que. Plano de Estudo dos Jesuítas. p. a Companhia de Jesus se tornou a ordem dominante no campo educacional. Segundo Ribeiro (1991): A elite era preparada para o trabalho intelectual segundo o modelo religioso (católico). porém. mãe de Tupã. atípicos. fez com que os seus colégios fossem procurados por muitos que não tinham realmente vocação religiosa. (RIBEIRO. a busca de um novo método de conhecimento. p. (BOSI. Alma é anga. Paim (1967. por sua vez. A formação dada pela pedagogia dos jesuítas segue as regras da escolástica medieval. uma espécie de mitologia paralela que só a situação colonial tornara possível. casa de Tupã. Igreja.

1) Caracterize a Pedagogia dos Jesuítas e busque conexões desta pedagogia com a Educação atual. __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 20 2) Realize um levantamento sobre a Educação Indígena nos dias atuais. traçando um paralelo com a Educação dos Jesuítas.História da Educação Atividade Análise do texto estudado. __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ .

provocar algumas mudanças no Brasil. dentro do plano de recuperação nacional. O motivo apontado era o fato de eles serem um empecilho na conservação da unidade cristã e da sociedade civil – razão do Estado invocada na época por que: a) A Companhia de Jesus era detentora de um poder econômico que deveria ser devolvido ao Governo. apesar da expulsão dos Padres Jesuítas. deixando claro nas medidas administrativa. As reformas pombalinas visavam transformar Portugal numa metrópole capitalista.. que ao tempo dos Jesuítas era organizado em forma de curso – Humanidades –. José I. entre as quais as da instituição pública. a política que as condições econômicas e sociais do país pareciam reclamar”. As medidas administrativas de Pombal culminaram com a expulsão dos Jesuítas em 1759 (Companhia de Jesus).] As reformas. O ensino. Segundo Carvalho (1952 apud RIBEIRO. a exemplo do que a Inglaterra era há mais de um século. o Marquês de Pombal. os Padres trabalhavam na direção de efetivar o Projeto de salvação das almas da Ordem Religiosa Companhia de Jesus e fundavam Missões com relativa autonomia quanto às diretrizes do Rei de Portugal e isso incomodava as autoridades da corte. carecendo de uma autoridade que discipline alguns setores. no Brasil. O Ensino Secundário. traduzem. passou a sê-lo em aulas avulsas (aulas régias) de latim. filosofia e retórica. continuava marcado pelos métodos e pela pedagogia da Companhia de Jesus (Ratio). enquanto colônia. Visavam. à nova ordem pretendida em Portugal. Ministro do Rei D. 1991). 21 . com o objetivo de adaptá-lo. b) A Companhia de Jesus educava o cristão a serviço da ordem religiosa e não dos interesses do país. também. Uma dificuldade enfrentada por Pombal era que a formação dos professores da época era baseada nos valores e na “visão profissional” da Pedagogia dos Jesuítas. grego. orientou-se no sentido de recuperar a economia por meio de uma concentração do poder real e da modernização da cultura portuguesa. A presença de Pombal. Sebastião José de Carvalho e Melo. visto que.2 MARQUÊS DE POMBAL E A ESCOLARIZAÇÃO COLONIAL A relação entre os Padres Jesuítas e a Coroa Portuguesa já não era de correspondência quanto ao Plano de dominação dos Índios. colonos portugueses e escravos. faz parte de uma tentativa de organização administrativa e de estabelecimento da ordem em uma Colônia que cresce em torno do trabalho dos Jesuítas.História da Educação 3. informa Ribeiro (1991). “[..

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em 1813. que se instalou no Hospital Militar. O início do século XIX. cuja capital passa a ser o Rio de Janeiro. surge um terceiro personagem da educação nacional D. Os três primeiros séculos da educação brasileira apresentam em seu cenário duas grandes figuras: Padre Manoel da Nóbrega (Jesuíta) e o Marquês de Pombal (Reformador). o Rio de Janeiro passou a ser a sede administrativa. em 1874. Portugal é invadido pelas tropas francesas. a Revista carioca – O Patriota. 23 Chegada da Família Real no Brasil Fonte: <www. a conjugação de tais interesses (grupos coloniais e ingleses) obriga o príncipe regente a decretar a “abertura dos portos” em 1808 (RIBEIRO. a primeira revista (As Variações ou Ensaios de Literatura).3 A CORTE PORTUGUESA NO BRASIL A época contemporânea é demarcada pelos historiadores a partir da Revolução Francesa na segunda metade do Século XVIII.br> Desse modo. sob o comando de Napoleão. Em 1808 é criado o curso de cirurgia (Bahia). em 1812. Academia Real Militar em 1810 (que em 1858. que representam duas filosofias da educação bem diferentes. Escola Politécnica. Em 1808 circula o primeiro jornal (A Gazeta do Rio). . Jardim Botânico do Rio de Janeiro (1810). passou a chamar-se Escola Central. precisamente em 1807. chefiada por D. Biblioteca Pública (1810). e a família real. e hoje é a Escola Nacional de Engenharia). Na área educacional são criados alguns cursos com base nas necessidades imediatas do Brasil da época: Academia Real Marinha (1808). Museu Nacional (1818). João VI e a corte se vêem obrigadas a virem para o Brasil sob a guarda inglesa. com reformas de caráter cultural e educacional para adequar o Brasil como a sede da Coroa Portuguesa: a criação da Imprensa Régia (13/05/1808).com. Rei do Reino Unido de Portugal e do Brasil e do Algarves. A partir desta nova realidade são tomadas várias medidas no campo intelectual. No ano de 1808.casadeportinari. concentrando os órgãos de administração pública e justiça. João VI Rei de Portugal e. de 1815 em diante. e os cursos de anatomia e cirurgia no Rio. 1991).História da Educação 3.

pois em seu parágrafo 24 . Tanto assim que. o Brasil empenhado em organizar-se e em provar que se desenvolveria independente de Portugal. ameaçado por dentro e por fora. Jean-Jacques Rousseau O Ato Adicional de 1834. é a fase do romantismo: do romantismo literário. nesta época. repetido nos discursos diversas vezes depois: “A instrução primária é gratuita a todos os cidadãos”. em seu artigo 1º.resenet. Com a proclamação da Independência. estabelece a descentralização do poder político para as províncias com a criação de Assembléias Legislativas Provinciais em substituição aos Conselhos Gerais. Então.4 EDUCAÇÃO NO BRASIL APÓS 1822 De 1822 em diante. do indianismo e também do romantismo educacional. pois. Foram criadas duas cadeiras de inglês e um de francês no Rio. pois apenas tem-se notícia da criação de “mais de 60 cadeiras de primeiras letras”. o que estava escrito em Lei não se efetivava. o único acontecimento concreto e eficiente foi inserir. na Constituição de 11 de dezembro de 1823. Essas cadeiras e as de matemática SUPERIOR em Pernambuco (1809). em especial por “novas idéias”. a de desenho e história em Vila Rica (1817) e a de Retórica e filosofia em Paracatu (MG – 1821) integram-se a um conteúdo de ensino em vigor desde a época dos jesuítas. o célebre artigo 179.História da Educação Academia Real de Guardas-Marinha Fonte: <www. 3. Pedro I. por causa das idéias democratizantes de Rousseau e da Revolução Francesa. sendo criadas “pelo menos umas 20 cadeiras de gramática latina”. Mas. em 1822. em manter a unidade em seu vasto território.br/ahimtb/images/acarealgm. Este nível de ensino tem sua importância acentuada à medida que cresce o número de pessoas que vêem nele. preocupa-se. Este ato político reflete-se imediatamente na estruturação da educação. antes de mais nada.jpg> A estrutura do ensino imperial é composta de três níveis: quanto ao Primário – continua sendo um nível de instrumentalização técnica (escola de ler e escrever). promulgada por D. apesar do estabelecimento da obrigatoriedade do ensino elementar. O Ensino Secundário – permanece a organização de aulas régias.com. começa a preocupar os políticos brasileiros. o Brasil continuava uma “terra de analfabetos”. a educação. não só um preparo para o Secundário como também para pequenos cargos burocráticos.

1958. Os adeptos de Augusto Comte (1798-1857) eram contra a existência de Universidades e Faculdades por considerá-las fruto da Igreja Católica e do estado metafísico da humanidade. principalmente. nem reduzir a distância intelectual entre as camadas inferiores e as elites do País. a super-estrutura do ensino superior. estabelece como competência das Assembléias Legislativas Provinciais. 53). 75). a década de 1850 é marcada por várias realizações. • reorganização do Conservatório de Música. edificar. A partir de 1840. Nesse período. desta forma. restritas em sua maioria ao município da Corte. Isso causa uma série de problemas. Evolução esta exigida não só pelas necessidades internas. quanto ao ensino primário. pela crise na produção do açúcar. p. tomando-se por base programas e livros adotados nas escolas oficiais. na seqüência. no entanto. nas províncias mais distantes e mais pobres como a do Mato Grosso e a do Amazonas. por força da Lei em vigor.História da Educação 2º. o que já foi assinalado. não permitiu. durante um século. 1991. como também por exigências ou interesses do capitalismo internacional. segundo Fernando de Azevedo (1958): A descentralização do ensino fundamental. geral ou profissional. “legislar sobre a instrução pública e estabelecimentos próprios”.1 Algumas realizações Na educação. 25 . p. 52). p. os positivistas iniciam suas manifestações contra o Ensino Superior. e • reformulação dos estatutos da Aula de Comércio da Corte. (RIBEIRO. (AZEVEDO. 1991. a passagem de uma sociedade exportadora com base rural-agrícola para urbano-agrícola-comercial. o sucesso da lavoura cafeeira vem preencher os problemas financeiros gerados inicialmente pela decadência da mineração e. estava ocorrendo. sobre base sólida e larga a educação comum. do Artigo 10. Realizações: • criação da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte (1854). (RIBEIRO. • reformulação dos estatutos do Colégio de Preparatórios. atingindo um dos pontos essenciais da estrutura do sistema escolar. • reformulação do estatuto da academia de Belas Artes (1855). • estabelecimento das normas para o exercício da liberdade de ensino e de um sistema de preparação do professor primário (1854). Em 1869. Elas promovem: A) uma reorganização do trabalho urbano. 3. as cidades passam a ser os pólos dinâmicos de crescimento capitalista interno. Segundo Ribeiro (1991).4. Na época. médias e baixas). instituída pelo Ato Adicional e mantida pela República. B) uma atração sobre o significativo contingente populacional (rendas altas.

segundo a qual ficam instituídas escolas primárias do primeiro e de segundo graus. Quanto as Reformas do Ensino. por estarem em nível secundário. reabre em 1876. Várias Escolas Normais também surgem após o Ato Adicional. reafirma a importância fundamental do Ensino Primário e a personalidade própria do Ensino Médio. a partir da memória de ex-alunas e Professoras de estabelecimentos de ensino do município. 26 . Neste mesmo ano é criada a primeira escola oficial no Rio de Janeiro. a última do Império e uma das que mais se destacaram no período. surgem várias reformas voltadas para a estruturação do ensino e também as primeiras Escolas Normais. afirma a obrigatoriedade do Ensino Primário e a instalação de escolas primárias de segundo grau e a criação em cada município. pelo decreto n°.207). asseguram pela primeira vez na História da Educação de nossa sociedade a presença das mulheres com o papel social de cuidar da educação não só de seus filhos. o projeto de José Paulino Soares de Sousa trata da necessidade de se cumprir as leis educacionais. fecha em 1867. 1 – Com base na pesquisa bibliográfica organize um texto síntese sobre a História da Escola Normal no Brasil. s/d. denunciando a influência da política nas questões educacionais. continuando o Ensino Médio de sete anos e proibindo-se as transferências de um estabelecimento para outro. (TOBIAS. trouxe pequena melhora ao ensino. aparece a Reforma do Ministro Carlos Leôncio de Carvalho. A Reforma Leôncio de Carvalho estabelecia que: “É completamente livre o Ensino Primário e Secundário no Município da Corte e o Superior em todo o Império.. As Escolas Normais. TOBIAS s/d). de uma escola profissional primária. iniciadas na terceira década do Século XIX. salvo a inspeção necessária para garantir as condições de moralidade e higiene”. Em 1880 reabre. (RIBEIRO. Pequena. apesar das dificuldades estruturais e pedagógicas dessa modalidade de ensino. em 1871. devido à situação de instabilidade de tais cursos. vindo a fechar novamente em 1877. • A 19 de abril de 1879. no Brasil do Século XIX. destacamos: • no ano de 1854.História da Educação Depois do Ato Adicional de 1834. em 1846. em seguida em 1842 é fundada a da Bahia. 2 – Investigue a História da Escola Normal no Maranhão e em Itapecuru Mirim. dando inicio a democratização do ensino feminino. 7247. O projeto de João Alfredo. a primeira Escola Normal é fundada em 1835 em Niterói. A escola aberta em São Paulo. mas passando a trabalhar fora como educadoras de outras crianças de maneira oficial e sistemática. p. lembrando ser o Brasil o país que menos dinheiro aplica em educação. • em 1870. Atividade 3 Elaboração textual. 1991. a Reforma do Ensino de Luiz Pedreira Couto Ferraz. e a organização destas.

da experimentação. Os resultados dos embates eleitorais em que se meteram os chefes republicanos antes do 15 de novembro. Um século marcado pela sombra das influências da Revolução Industrial. não traduzia reivindicações de caráter econômico. nem as classes médias e muito menos as classes mais pobres. considerado em seu conjunto. O fato de não haver sido a República uma aspiração popular se deve menos ao respeito e ao amor pela monarquia do que ao conteúdo vago – para não dizer vazio – do programa do Partido. na busca do conhecimento por meio do formalismo. • 2º que a República não era uma aspiração popular. os posseiros.1 A reforma de Benjamin Constant A Reforma da Instrução Pública Primária e Secundária do Distrito Federal. uma visão geral sobre a marcha progressiva do espírito humano. Mas. que é um reflexo de seu tempo: Para explicar convenientemente a verdadeira natureza e o caráter próprio da filosofia positiva. nem a lavoura nem a incipiente burguesia. pois uma concepção qualquer só pode ser bem conhecida por sua história. os operários. 03). O quadro traçado acima culmina com a Proclamação da República a 15 de novembro de 1889. assinada por Benjamin Constant Botelho de Magalhães. sofre a influência da doutrina positivista. 1988. sem a participação popular. os ideais de liberdade ecoavam e atravessavam as fronteiras originarias. não tocava no problema da terra. não o suficiente para despertar do interesse do povo. de início. (BASBAUM. não se referia ao problema servil.História da Educação 3. da mensuração e da crítica a quEm seu Curso de Filosofia Positiva (1988). os libertos sem profissão e sem trabalho. Muitos proprietários de escravos. Leôncio Basbaum (1967) apresenta a seguinte análise em torno do movimento de transição do Império para República: • 1° que de fato não havia uma tradição republicana no Brasil como querem alguns autores. sem a indenização pretendida pelos senhores dos negros africanos. O positivismo de Augusto Comte (1798 – 1857) desponta no contexto do século XIX. É mais um dos falsos mitos de que impregnam a nossa história.1967. é indispensável ter. 27 . com o apoio da nova aristocracia do café e de membros intelectualizados da classe média. mas. os camponeses sem terra. são de fato bastante expressivos. p. 215-216). Socialmente não representava os interesses de uma classe definida. O manifesto de 1870 era demasiado literário. 3. com belas frases (”somos da América e queremos ser americanos”). no ano de 1890. que não consultava os interesses populares. (COMTE. vão de forma oportunista fortalecer o movimento republicano e ingressar nas fileiras do Partido Republicano.. somadas a um esforço de implantação da lógica das ciências exatas e naturais.5. p.A. a grande maioria do povo não se interessava pelos Partidos ou Clubes Republicanos. rendeiros. Comte expõe de maneira pedagógica a natureza de sua doutrina. o número de clubes e dos membros desses clubes.U. da Revolução Francesa e da Independência dos E.5 EDUCAÇÃO NA REPÚBLICA Um fato decisivo para Proclamação da República é a Libertação dos Escravos por meio da Lei Áurea de 1888. descontentes com a medida.

Sabe-se que esta ordem está regulada pela generalidade decrescente dos fenômenos correspondentes. 28 Para Comte. a ordem por base. sobrenatural e teológico cede lugar para o “novo deus”: a natureza una e soberana. A moral positivista deve formar cientificamente o indivíduo. aos vinte anos alistou-se como voluntário no Regimento Provisório de Portugal. quanto a inclusão de elementos da moral positivista na área educacional no final da segunda metade do século XIX. Assim. passando pela argumentação metafísica. Assim. teses etc. de onde foi “mandado desembarcar. o presente e o futuro da humanidade. embora sem um movimento articulado nacionalmente. Na ótica positivista. entrando para a classe dos avulsos”. natural de Torre de Moncorvo. tanto no eixo centro-sul quanto em outras regiões do país. A esta lei de filiação meu Sistema de Filosofia Positiva sempre associou a lei de classificação. o seu principal representante. com efeito. “O amor por princípio.. ou. desenvolvido mediante o processo evolucionista. onde a matéria representa o fundamento de toda ordem existencial. seja nos templos das Igrejas positivistas. Benjamin Constant Botelho de Magalhães nasceu no Porto do Méyer. Bernardina Joaquina da Silva Guimarães. cuja aplicação dinâmica fornece o segundo elemento indispensável à minha teoria da evolução. na classificação das ciências e na religião da humanidade. em 18 de outubro de 1836. a existência humana deve ser determinada apenas pelo que é passível de verificação empírica. segundo a qual nossas diversas concepções participam de cada fase sucessiva. Augusto Comte (1988) afirma que: [. alcançando em 18 de outubro de 1829 o posto de 1º tenente. o progresso por fim” – eis a fórmula positivista apresentada contra a anarquia e o atraso da sociedade católico-tomista. devidamente adaptadas de acordo com a maior ou menor crença de seu autor e o ambiente intelectual de sua região. Seu pai Leopoldo Henrique Botelho de Magalhães. passando a pertencer à 3ª Companhia do Corpo de Artilharia de Marinha. cada indivíduo ao passar pelos “estados” propostos na sua doutrina reproduz a história da humanidade. seguiu a carreira militar. mesmo enfrentando as perseguições dos segmentos católicos e as sanções das autoridades representativas do poder imperial. artigos. o conhecimento dos fenômenos naturais constituiu-se na via de mão única para o conhecimento do homem. natural do Rio Grande do Sul. positivistas com visão ortodoxa. “nossos positivistas” começam a apresentar as idéias morais de Augusto Comte em jornais e instituições de ensino. atuavam em diversas instituições.. a partir de um modelo pedagógico fundamentado na lei dos três estados. sob inspiração teológica. em 28 de novembro de 1833. Desse modo. uma mesma lei geral nos permite de agora em diante abarcar ao mesmo tempo o passado. por sua complicação crescente. com seus apóstolos da humanidade. . por meio de discursos. determinando a ordem necessária. para desembocar na demonstração positiva.] tudo começa. É o conhecimento científico que determina a nova moral. garantindo a sua evolução progressiva dentro da sociedade humana. da segunda metade do Século XIX. No Brasil. difundindo as idéias de Augusto Comte. o que implica o mesmo. seja nas tribunas dos intelectuais ilustrados ou se possível nas instituições de ensino público. Português por seu pai e brasileiro por sua mãe D. Freguesia de São Lourenço no Município de Niterói (RJ). por meio de uma “nova vida” marcada pelo altruísmo. estendendo suas influências no processo de implantação da república por meio de Benjamin Constant. A idéia de um deus. pela dedicação à família e à pátria.História da Educação A doutrina positivista considera o homem um produto da natureza.

Benjamin Constant dedicou seus maiores esforços a causa dos cegos. compósta de minha mãe viúva e quatro irmãos menóres e continuar os meus estudos. aos poucos transformou-se em uma sociedade de auxílio mútuo.1937.] Por meus esfórços e pela fé com que me empenhava em aussiliar os meus esplicandos e dicípulos em seus estudos consegui no fim de alguns anos uma reputação por demais lizonjeira como professor de matemáticas elementares e superiores. em carta dirigida ao Ex-Conselheiro João Alfredo.35). mas... Apreciando tal sociedade como simples instituição destinada a prolongar alem da mórte a proteção e o amparo que devemos nóssa família. apenas esplicável pela relaxação geral dos costumes. com a finalidade de divulgar o culto a Cruz de Cristo entre os católicos das forças armadas. por decreto do Presidente Deodoro da Fonseca.” Em agosto de 1862. p. p.História da Educação Aos 16 anos de idade. e ensinei também em alguns colégios. chegando a assumir a direção do Instituto de 1869 a 1883. já em 1854 era “explicador” de matemática elementar da referida escola. Quanto à Benjamim Constant. 32). comenta que: Aussiliado pela confiança que em mim depozitávão meus dignos e venerandos lentes e amigos. [. E nós o havemos de ver até o fim de sua vida apegado às suas idéias sobre sociedades de aussílios mútos e montepios. Benjamin Constant fez parte da "Imperial Irmandade da Cruz dos Militares". que o ingrésso na referida irmandade da Crus dos Militares ezige do público a mais grave atenção. [. A "Imperial irmandade da Cruz dos Militares". em homenagem a sua dedicação é que a instituição passou a se chamar Instituto Benjamin Constant.. com destino a Escola Militar. Benjamin. como todas as congêneres. Porque a sua ezistência impórta em segregar o destino dos que nos são caros da sórte geral dos nóssos similhantes.. e manda que seja riscado qualquér irmão que abjurar a referida religião ( art. Fui por muitos anos esplicador déstas matérias nas escólas Central. éla patenteia. 29 A respeito de sua carreira no magistério.] Nós o encontraremos filiado à Imperial Irmandade da Cruz dos Militares. (MENDES. noivo da filha do Dr. Militar e de Marinha. dois dias após a morte de Constant. Cláudio Luís da Costa. Constant. Tornou-se. . que aliás constituem o único apoio de tais agrupamentos. então.ser útil a minha família. Antes de conhecer a doutrina positivista. depois de fazer solene profissão de fé pozitivista e depois de ter fundado a república. 1937. Teixeira Mendes (1937) apresenta um comentário sobre a referida irmandade católica: Para ver-se até que ponto ião as consessões. Foi sócio do Montepio geral e como Ministro da Instituição P'blica criou o montepio obrigatório para os funcionários dessa reepartição.44).. obtivera a cadeira de lente do Instituto dos Meninos Cegos.. confraria instituída em 1628.38). diretor da referida instituição de ensino. foi-me possível conseguir o duplo intuito que tinha em vista: . (MENDES. Comte. apesar das regras escritas com o intuito de fortalecer o culto católico. lutava contra as dificuldades financeiras que cercavam sua família. a sua pernicióza influência pública e privada. de 24 de janeiro de 1891. lembraremos que o compromisso da irmandade esplícitamente determinada que só pódem ser admitidos néla os cidadãos que professárem a religião Católica Apostólica Romana ( art. prevalecendo-se de várias ezistentes e instituindo outras . mesmo com a sua aproximação da doutrina de A. Mas não é só sob o aspéto de uma incoerência. apesar da pobreza. garantindo ajuda as famílias pobres de seus associados. foi servir no 1º Regimento de Cavalaria. André Negreiros de Sayão Lobato e Antonio Jozé de Araújo. os Drs. De origem pobre. em 1852.

“acessível a todos os espíritos sãos” e “mais proveitoso ao indivíduo. a minha unica ventura. que se pode circunscrever atualmente em pouco mais dos limites de nossa instrução primária e como uma extensão dela. entuziasmara-se pela espozição do Reformador. em 1857. e a unica que dimana naturalmente das leis que regem a natureza humana. porém a mais racional. onde diz: Lembra-te que sou o teu maior e verdadeiro amigo. muito mais. à sociedade e à humanidade em geral”. ao Instituto Politécnico do Rio de Janeiro. Em pleno cenário da guerra do Paraguay. fora levado a ler o 1º volume do Sistema de Filosofia Positiva por indicação de um lente da antiga Escolar Militar. Benjamin Constant apresenta na carta endereçada a esposa. do que Clotilde de Vaux era para o sábio e honrado Augusto Comte. todas as suas doutrinas. para o povo . tratando da instrução intelectual. Em seu relatório. que te amo mais que a tudo e que a todos neste mundo. o capitão Pinto Peixoto. ou seja..História da Educação Participou ainda. chegando mesmo a insinuar a superioridade da Religião da Humanidade. não podia apparecer na infância da razão humana. em que era grande a influência da concepção matemática de Comte. é uma consequencia natural desse conhecimento e. Efetivamente. 5 de junho de 1867. Não podia ser a primeira porque ella depende do conhecimento de todas as leis da natureza. tornou-se entre nós o maior admirador conhecido do Fundador da Religião da Humanidade. suas crenças. a mais philosophica. na sua Religião Positiva – a religião definitiva da Humanidade. Benjamin Constant assinalava que: “o meio mais poderoso de que um governo pode lançar mão para o engrandecimento moral e material de seu país é sem dúvida alguma a instrução”. Benjamin encontrara casualmente em um livreiro esse mesmo 1º volume. da guerra contra a República do Paraguai para onde seguiu no ano de 1866. Entretanto. lera-o. É uma religião nova. que és a minha unica felicidade. Benjamin Constant iria chamar as atenções gerais. e mandara imediatamente buscar as outras óbras do filózofo para si e dois amigos. particularmente a do parlamento. no posto de capitão. portanto. um trabalho sobre a teoria das quantidades negativas. destacando vários elementos que fazem parte dos princípios da moral positivista. como sabes. sua “profissão de fé em Augusto Comte "positivista”. o filósofo francês não seja uma só vez citado. ao examinar as necessidades da Instituição que dirigia. uma outra versão circulava entre os membros da Escola Militar a partir de informações colhidas pelo Capitão Beviláqua de que. embora. Sigo. para o positivismo. seus princípios. redigindo o seu segundo relatório como diretor do Instituto de Meninos Cegos. à família. asseverou ter ouvido o próprio Benjamin Constant dizer que. Deu-se isto. e mesmo quando as diversas sciecias estavam em embryão: não teria ainda apparecido se ao genio admiravel de Augusto Comte não fosse dado pela vastidão de sua intelligencia transpor os seculos que hão de vir. Seja como for. sigo-a de coração com a differença porém de que para mim a família está acima de tudo. Benjamin Constant apresentava. surpreendendo por sua sabia previdencia as sciencias em seu termo e dando-nos. Benjamin defenderia uma concepção positivista do saber e da educação.. Para Constant a instrução deveria ser baseada num “bom sistema de educação científica”. como verificamos no trecho de uma carta enviada a sua esposa. Nessa época. 30 Em 1867. como ressalta Teixeira Mendes. datada de Tuyuty. Comprara-o. Acrescentando: “que este plano. Tu és para mim mais. as idéias de Augusto Comte já faziam parte de suas reflexões. Mas. a Religião da Humanidade é a minha religião. o cérto é que desde então o seu ensino resentiu-se da incomparável influência do nósso Méstre e em tão alto grau que em bréve Benjamin Constant. lente da Escola Militar. Segundo Teixeira Mendes (1937). menos de três anos mais tarde. a minha religião.

inclusive. tentou pôr em prática a idéia de uma Secretaria de Negócios da Instrução Pública. Muitos dos temas discutidos nesses trabalhos eram coincidentes. mas não monopolizar a administração do ensino elementar.. além dos Pareceres de Rui Barbosa de 1882 sobre o Ensino Primário. 31 Um conjunto de tendências e interesses marcavam os primeiros anos do governo federal. que dizia: [. currículos. 5 O pensamento de Comte vai encontrar em Benjamin Constant o seu principal divulgador no âmbito da educação. gratuidade. contando com um momento histórico favorável para a fermentação de “novas idéias”. Foram realizadas as Conferências Pedagógicas de 1873.640-42) até a sua morte. e por assim dizer usuais e domésticas”. O governo de Deodoro da Fonseca. a organização do novo regime realizouse em função das idéias dominantes entre aqueles que compunham o Governo Provisório. por via de regra. produziram em conjunto. em janeiro de 1891. A reforma da Instrução Primária instituída por Constant surgiu num momento político em que se discutia a administração do ensino elementar. a religiosa. que como o congresso referido. ensino religioso. distribuição do tempo e das matérias. as últimas décadas do Império foram marcadas por várias questões polêmicas como a eleitoral. programas. muito embora. havia reflexões sobre escolas mistas. métodos de ensino. às condições sócio-culturais. Além disso. essas discussões já vinham acontecendo no Império e foram objeto de análise de muitos políticos. numa tentativa de centralizar no estado. nas discussões e nos movimentos políticos. um repensar das tradições morais. . vai marcar os meios intelectuais da época. este desgraçado achaque. dentro do contexto da Revolução Industrial. a Exposição Pedagógica de 1883 que reuniu os trabalhos que seriam apresentados no Congresso da Instrução desse mesmo ano. 19-04-1890. Decreto nº 346. a militar.] para formação completa do nosso juízo. organizadas no governo do Conselheiro João Alfredo. O relator de nossa comissão teve o desgosto de encontrar. dos valores e das formas de viver e organizar a sociedade brasileira. contendo como dogmas de fé científica o maior número possível de princípios teóricos reduzidos a preceitos de imediatas aplicações gerais à vida prática. gerando uma nova maneira de encarar a vida em sociedade. demonstrando certa preocupação da sociedade civil com a instrução primária: dentre outras. Deste enorme pecado contra a pátria e contra a humanidade. de Rui Barbosa.. organização da escola. a recuperação econômica por meio do café. As idéias de liberdade e igualdade da Revolução Francesa. p. vão estar presentes. suas idéias repercutissem em toda sociedade. condicionadas necessariamente. a “Luz da ciência”. favorecia o espírito científico e a expansão do modelo capitalista. liberdade de ensino. obrigatoriedade do ensino.História da Educação uma espécie de religião. a escravista e por movimentos sociais a favor da federação e da República que. aos métodos e aos livros adotados. que contudo não se realizou. inspirada na doutrina positivista. nas melhores escolas oficiais da localidade. a responsabilidade cabe quase toda à péssima direção do ensino popular. criada em 19 de abril de 1890 e assumida por Benjamin Constant (Governo Provisório. Aliás. influenciando assim a Reforma Constant. Correios e Telégrafos. buscamos estudar a situação real das coisas no município neutro. os mestres são os menos culpados nesta imbecilização oficial da mocidade. A nova maneira de pensar. ensino seriado. pois. também não tiveram efetivação plena. Alguns eventos de cunho pedagógico vão marcar o final do império.

MANOEL DEODORO DA FONSECA Benjamin Constant Botelho de Magalhães Regulamento da Instrucção Primaria e Secundaria do Districto Federal. Palacio do Governo Provisorio. Correios e Telégrafos. (Decreto n°. e o titular Benjamin Constant. como se procurou justificar então esse ato. constituído pelo Exercito e Armada . que assim o faça executar. 8 de novembro de 1890. em nome da Nação. correios e Telegraphos. Dunsche de Abranches (1907) comentou que: A criação da Pasta da Instrução. Quintino e Aristides Lobo. TITULO I Principios geraes da instrucção primaria e secundaria 32 . 981. 8-11-1890. Nele figuravam a juventude das armas.História da Educação Para Pedro Calmon (1963).DE 8 DE NOVEMBRO DE 1890 Approva do Regulamento da Instrucção Primaria do districto Federal. submetida pelo Governo Provisório ao Congresso Constituinte. que estabelece os princípios gerais da Instrução primária e secundária: DECRETOS DO GOVERNO PROVISÓRIO DECRETO N.3474/3513). resolve approvar para a Instrucção Primaria e Secundaria do distrito Federal o regulamento que a este acompanha assignado pelo General de brigada Benjamin Constant Botelho de Magalhães. a armada. mas. a uma necessidade imperiosa de caráter administrativo. com Vandenkolk. que é promulgada a reforma da Instrução Pública Primária e Secundária do Distrito Federal assinada por Benjamin Constant (Governo Provisório. os riograndenses com o positivismo militantes. seu apóstolo da escola de guerra. a ala paulista. É na vigência da Constituição de 23 de outubro de 1890. p. p. O Generalissimo Manoel Deodoro da Fonseca. com Campos Sales. Chefe do governo Provisorio da Republica dos Estados Unidos do Brazil. mas fora um meio ardiloso e delicado de afastar Benjamin Constant da pasta do ministério da guerra. bem como a reforma do ensino faziam parte dos arranjos dos interesses políticos. tudo estava sendo feito no sentido de consolidar a república num clima de paz entre os militares e civis. Constant e Deodoro não se entendiam quando as questões ligadas à desordem no quartel e a lei de censura à imprensa. desde a primeira hora. Demétrio Ribeiro. a que se refere o decreto desta data. 914A. Ministro e Secretario de Estado dos Negocios da Instrucção Pública. Apresentamos um trecho do decreto de Benjamin Constant. a campanha republicana. Decreto n°. Benjamin Constant. 2º da Republica. A criação da Pasta da Instrução. fazia parte desse jogo. 981. Correios e Telégrafos não correspondera. o governo recém surgido visa: Conciliar os grupos na representação de suas tendências.3010/3032).

o Pedagogium era um aproveitamento da idéia do ex-Museu Escolar Nacional.10 Para alguns monarquistas.º Na parte relativa ao ensino. ao tratar do exame de madureza. § 1. 63 do presente decreto. com um governo provisório mergulhado em uma “crise de confiança”. a exposição dos melhores métodos e do material de ensino mais aperfeiçoado” (Decreto nº 981. quaes os programmas e livros adoptados. for dado às crianças no seio de suas familias. desde que organizados segundo o plano desta escola. o que gerava muito desconforto para os ministros e inviabilizava a materialização das reformas. sob a vigilancia dos paes ou dos que fizerem suas vezes. os meios de instrução profissional de que possam carecer. e que não foi punido por demissão. Calmon (1956) confirma a situação de crise do governo: 33 . Daí a publicação da Revista Pedagógica servir à veiculação dessas informações. viessem ocorrer nos estados e municípios. propõe a equiparação dos exames de outros estabelecimentos. a inspecção dos estabelecimentos particulares limitarse-há a verificar que elle nào seja contrario à moral e à saude dos alumnos. e a remetter à Inspectoria Geral mappas semestraes declarando o numero e alumnos matriculados. é provável que a reforma pela sua importância naquele momento histórico e conjuntural fosse considerada modelo para o país e referência constante para as outras reformas que. também. aos do ginásio nacional. no districto Federal. por meio de intercâmbio com autoridades e instituições congêneres dos demais estados do país e dos países estrangeiros.º É inteiramente livre e fica isento de inspecção official o ensino que. § 4. conferências e exposições havidos e de reconhecida utilidade para o aperfeiçoamento do professorado nacional. p.3480). sua frequencia. de ensino secundário. A criação do Pedagogium é uma outra manifestação da situação de referência que envolvia a reforma da instrução pública. de conformidade com o disposto no art. Esta equiparação incluía não só a expedição de diplomas oficiais pelo sistema estadual ou pelo sistema particular. § 2. O Pedagogium deveria constituir-se no centro propulsor das reformas e melhoramentos da instrução nacional. o direito de matrícula nos cursos Superiores. com a finalidade de “oferecer ao público e ao professores em particular. assim como dos cursos. mas. " É completamente livre aos particulares. § 3. 38. fundado em 1883. os directores de estabelecimento particulares serão obrigados a franqueal-os à visita das autoridades incumbidas da inspecção escolar e da inspecção hygienica.º Para exercer o magisterio particular bastará que o individuo prove que não sofreu condemnação judicial por crime infamante. Apesar das tentativas de Constant. por força da descentralização administrativa e política do novo regime. passado pelo delegado de hygiene do districto. Parece comprovar essa consciência de situação modelar o art.História da Educação Art. sob as condções de moralidade. 1. hygiene e estatistica definidas nesta lei.º Depois de iniciados os trabalhos do ensino. Para dirigir estabelecimento particular de educação será exigida esta mesma prova e mais o certificado das boas condições hygienicas do edificio. § único desse regulamento da Instrução Primária e Secundária que. o ensino primario e secundario. e os nomes dos professores. Apesar de se restringir à capital da República. o ensino continuava em estado precário e seguindo de acordo com o movimento político. 8-11-1890.

A educação ganha destaque como fator de “salvação nacional”. porque os escalões superiores têm sempre a sua peculiar maneira de fazê-lo). assegurando a “evolução intelectual” dos indivíduos e o progresso da sociedade. dos cálculos aritméticos. a grandeza das leis morais e do civismo. o “Regulamento da Instrução Primária e Secundária” de 1890. através de exemplos vivos. não se trataria de fazer. Aliás. defendia a conciliação entre o caráter científico e articulações dentro do “jogo político”. seria um contraponto institucional à primeira. Como Comte. da língua pátria. como formulou posteriormente o general Goes Monteiro. baseada nas regras da caserna. a “intervenção moderadora” corresponderia a uma política da instituição. marcada pelo surgimento do cidadão da “res pública”. Ou. mas devia ser objeto de atenção e reflexão de todos os professores. este representa um grupo que. e o Marechal Deodoro chamou para recompor o ministério o Barão de Lucena. A primeira. sempre que houvesse o momento adequado para mostrar. regenerar a sociedade.História da Educação A crise de confiança atingiria seriamente o governo provisório. mas a política do Exército. demarca o rompimento com os elementos determinantes da Igreja Católica. a do “soldadocidadão”. com o governo militar a República inicia um período assinalado por um entusiasmo nacionalista marcante que tinha na educação uma força importante para desenvolver o país ao nível do século. 34 . em janeiro de 1891. com influências dos “ideais” da Revolução Francesa e da moral positivista.15 Benjamin Constant representa esse escalão intelectualizado dos militares no poder político do estado brasileiro. por meio da educação. mediante a reforma Constant.. Finalmente. são os militares. com seus heróis e seus símbolos para manutenção da segurança da nação. Benjamin esperava. Os ministros demitiram-se coletivamente a 20 de janeiro. sempre que possível as aulas estimulariam o acesso ao conhecimento prático dos fenômenos físicos e naturais. José Murilo de Carvalho afirma que o positivismo estimulou as três “ideologias de intervenção” que orientaram as ações militares no início da história da República. onde a educação passa a ser um elemento estratégico. estimulados pela doutrina positivista. a passagem da educação monárquica. representante do antigo regime. a política no Exército. quer dizer. corresponderia à afirmação do direito individual e institucional à participação política. propugnando a não-participação (particularmente dos baixos escalões. A Segunda. por meio da estruturação administrativa e curricular da escola primária.] que não constituía bem uma disciplina à parte. intervindo também na organização do ensino brasileiro e na formação da mentalidade nacionalista. estabelecendo em seu lugar uma nova disciplina a Instrução Moral e Cívica: [. o que vai ser uma tônica em nossa sociedade. para uma educação republicana. Uma educação voltada para o cientificismo. No Brasil. em relação à escola primária o ensino devia voltar-se para as “lições de coisas”. da agronomia. Apesar da curta duração da reforma de Benjamin Constant. que tem nessa “ordem” a certeza do “progresso” da sociedade. Representando. Por ser militar. A reforma Constant é a evidência principal da presença de elementos da doutrina e da moral positivista na educação brasileira. as virtudes cívicas e patrióticas.. a do “soldado-profissional”. sem dúvida que Benjamin Constant não está sozinho no poder. voltada para os súditos do império. E sendo um positivista assumido vai mesclar em sua reforma educacional elementos do esquema moral comteano com os interesses das forças armadas.

História da Educação Além destas. Em matéria de ensino não se déve aceitar nenhuma impozição. explica o significado do "ensino intuitivo". Para as escolas primárias do 2º grau. 26 de Carlos Magno de 93 (13 de julho de 1886) . buscando na maioria das vezes a conciliação com os demais personagens que faziam parte do processo de implantação da República. música. e o Estado não póde impor méstres nem doutrinas. centravam força. desde de 1886. relações íntimas e contínuas com sua existência”. na crítica ao “ensino obrigatório”. A obra do autor americano. Benjamin tinha uma personalidade eclética.16 A reforma do Ensino de 1890. à agricultura e à higiene. Não se tratava. de reduzir os ensinamentos às pesquisas de utilidade imediata. Inclusive. na qual consagrava as idéias pestalozzianas. elementos de língua francesa. pela realidade. português. e foi introduzida em nossa cultura por Rui Barbosa. sinão a que resulta da livre adezão de cada um às doutrinas em circulação. pois que similhante medida ataca a autoridade patérna e destrói. ginástica. Quando se pretende submeter à sanção penal matéria que só comporta uma . álgebra elementar. ainda. A obrigatoriedade do ensino é uma das muitas panacéias inventadas hoje para sanar males que não compórtão remédio legal e que só pódem ser debelados pela modificação gradual e lenta das opiniões e dos costumes. o mesmo regulamento indicava: caligrafia. no preâmbulo com que apresentou o livro. o próprio Rui Barbosa..3475). em todos seus fenômenos. os “positivistas ortodoxos”. são também. não contempla todos os princípios do positivismo de forma ortodoxa. trabalhos manuais para meninos e de agulha para meninas. que fez a tradução da obra do educador americano Norman Allison Calkins. em 1866. a leitura e escrita. (BARBOSA.. figurado e topográfico. geometria e trigonometria. a escola primária do 1º grau abrangia. como não póde impor padres nem religião. mas de facilitar por meio da observação dos fatos.. As "lições de coisas". pelo cultivo complexo das faculdades de observação destinado a suceder triunfantemente aos processos verbalistas. sobre "o ensino intuitivo". de direito pátrio e economia política. na Reforma Benjamin Constant. pelo exercício reflexivo dos sentidos. ginástica e exercícios militares. contudo. 1950). bem antes da Reforma de Constant. recebeu o título em Português de Primeiras Lições de Coisas.XIII.V. 08-11-1889. elementos de ciências físicas e história natural aplicáveis às indústrias. como podemos conferir em um texto datado de: Rio. o resultado da influência da Pedagogia de Henri Pestalozzi (1746-1827). elementos de música. geografia e história. como o fundamento das "lições de coisas": [. até porque. Já por vezes temos discutido ésta questão de ensino obrigatório e mostrado a incompetência do poder civil para decretá-lo. tomado este então como inteiramente destinado “a seu uso como se apresentasse. TOMO I. Decreto nº 981. e exercícios militares. ao mesmo tempo. o sistema métrico. que predominava na Europa e nos Estados Unidos. trabalhos manuais para meninos e de agulha para meninas. a apreensão do mundo exterior. aritmética. 1886. pela intuição. noções. p. desenho de ornato. intitulada Primary Object Lessons. além da instrução moral e cívica (Governo Provisório.. de paisagem. ao absurdo formalismo da escola antiga. especialmente do Brasil. 35 A ênfase no sentido prático do ensino devia receber especial atenção na escola primária de 1º grau que admitia alunos de 7 a 13 anos.] O Ensino pelo aspecto. o contar e calcular. que recebiam alunos de 13 a 15 anos. a liberdade espiritual.

) Temos fé em que nésta rezistência seremos acompanhados. objetos e fatos. copiando servilmente regulamentos de paízes estrangeiros e amalgamando-os com vistas colhidas aqui e ali na leitura de meia dúzia de publicistas alamóda. esse saber era encadeado por sua própria natureza e unificado na escola enciclopédica. Uma das divergências entre Constant e Comte com relação a educação estava no conceito de cultura enciclopédica. instrução moral e cívica. mas apenas o indispensável para a cultura intelectual e para o seu conhecimento. no entanto. Em Benjamin Constant. história e ciências (história natural. o ensino “enciclopédico” tinha a pretensão de profundidade. Sendo que o currículo da escola primária do 1º grau (7 aos 12 anos) era composto por onze disciplinas: português. Miguel Lemos (Rua de Santa Izabel nº 6) N. uma vez que. a sociologia). geografia. o saber de tudo que existe no universo. como o verdadeiro “Fundador da República Brasileira” e um dos maiores divulgadores dos valores morais apresentados pela doutrina de Comte. planta-se o absolutismo e lança-se o gérmen das reações violentas. e. Por ser matemático vai garantir como disciplina curricular a “lição das coisas”. Teixeira Mendes (Rua de Santa Izabel nº 10) N. como recomenda Comte. Nesse sentido não se tratava de fazer do homem um sábio especializado. Lavramos o nósso protésto desde já.. mas que são radicalmente incompetentes. (. mas também por todos os cidadãos que tivérem dignidade cívica e soubérem compreender que sem liberdade espiritual compléta não há outra alternativa sinão para os mais ferrenho e degradante despotismo. matemáticas (aritmética. chegando a ser considerado por Teixeira Mendes. o saber enciclopédico e o saber total em extensão. portanto. Benjamin Constant.. onde o ensino das crianças vai partir da observação e do contato direto com seres. Ver-se-á então mais uma vês que a reforma do ensino público supõe nada menos do que a renovação filozófica e religióza da sociedade modérna. a matemática para a mais complexa. monárquico ou republicano. Desse modo.História da Educação solução espiritual. 36 . mas de fornecer-lhe as luzes capazes de guiá-lo em todas as circunstâncias da vida (na profissão. não segue a lei dos três estados e a classificação enciclopédica das ciências. música. e que não é. Benjamin Constant vai ser cultuado por esse grupo positivista. depois elementos da física e química). cívicos ou sociais). si for necessário. voltaremos a discutir o assunto. nos deveres domésticos. não era preciso conhecer tudo de cada uma delas. em Caxias a 5 de Janeiro de 1855.17 Mesmo apoiando algumas posições contrárias aos ortodoxos com relação ao ensino. como cidadãos. como chefes de família e como pozitivistas. de acordo com a “classificação das ciências” (da mais simples. vai priorizar o ensino das ciências e das matemáticas como base da Educação Infantil. não só pelos nossos correligionários pozitivistas. que tal problema póde ser rezolvido. ao contrário de Comte. Para o comtismo. qualquer que seja o rótulo. em Niterói a 25 de Novembro de 1854. geometria e álgebra). R. de similhante governo. em vez da cultura estética e lingüística.

que não temos dúvidas deveriam começar já no Ensino Básico. apresentar o termo “enciclopédico” no sentido de superficial. e transferindo os exames de admissão ao ensino superior para as faculdades. Daí. ser comum. Além disso. A caracterização do reforçamento do traço de dependência na base da estrutura social durante os anos de 1894 a 1918. uma tradição da objetividade. Neste período.História da Educação desenho. ampliando a aplicação do princípio de liberdade espiritual ao pregar a liberdade de ensino (desoficialização) e de freqüência. noções de agronomia e trabalhos manuais – algumas subdivididas conforme avançavam as séries (ou classes) e contempladas com uma programação que pretendia abarcar “tudo de todas as ciências”. tendo a frente Francisco Campos. reafirmando o traço de dependência cultural. a sociologia e a moral. voltada para a organização do Ensino Superior. com o objetivo de que o secundário se tornasse formador do cidadão e não do candidato ao nível seguinte. é necessária porque se refletirá na organização escolar. (RIBEIRO. em vez do fundamental delas. abolindo o diploma em favor de um certificado de assistência e aproveitamento. gerando para a escola primária (Ensino Fundamental) até os dias de hoje. O código Epitácio Pessoa (1901) acentua a parte literária ao incluir a lógica e retirar a biologia. Em 1931. as idéias que norteiam a moral positivista penetram na organização da escola primária brasileira. de valores construídos na prática pela prática.5. ginástica. A série de reformas pelas quais passa a organização escolar revela uma oscilação entre a influência humanista clássica e a realista ou científica. dentro da cultura brasileira. Do ponto de vista político.2 Educação na Década de Vargas Em 1930. é criado o Ministério da Educação e Saúde. no tratamento superficial dos conteúdos das disciplinas do currículo. é lançada Reforma Francisco Campos. 37 . que vai de 1937 a 1945. 1991. sem chance para as interpretações críticas. por meio dessa reforma do ensino de 1890. mas sem dúvida que. Os resultados foram desastrosos. que acabou de ser feita. Getúlio Vargas ocupa cronologicamente o período denominado Estado Novo. por meio do voto. Ribeiro (1991) faz uma análise do efeito das Reformas Educacionais na primeira fase republicana apontando os traços deixados na cultura escolar e as influências de filosofias européias que passam pelo classicismo humanista até o realismo cientificista de cunho positivista. 73). determinando ao final do século XIX as bases da estrutura e funcionamento da escola moderna brasileira. O positivismo é filtrado nas medidas expostas no regulamento de Benjamin Constant. retornando ao poder. a partir de 1951. personagem responsável pela movimentação de idéias de reformas da educação na década anterior. p. fornece os elementos centrais para o enraizamento de uma cultura escolar baseada nas “lições das coisas”. 3. a Reforma Rivadávia (1911) retoma a orientação positivista tentando infundir um critério prático ao estudo das disciplinas.

como nos demais aspectos da vida social. no entanto que. falando de suas deficiências e propondo a reconstrução da educação. mas também a filosofia da educação social-radical. b). • a segunda. no contexto da qual se dá a maior parte dessa primeira fase de industrialização que vai de 1930 a 1961. que irá tomar conta inicialmente do eixo São Paulo – Rio. compõe-se de três partes: • a primeira. o corpo propriamente dito do escrito. p. Lourenço Filho. Para a autora. 2001. da autoria de 26 eminentes educadores. duas ou mais épocas históricas simultaneamente. o que trouxe como conseqüência uma das contradições mais sérias do sistema educacional brasileiro. que ainda não temos. cuja a superação está a exigir uma tradição cultural e educacional. o fato de expor-nos ao risco de enfrentar e até mesmo. entre os quais: Fernando de Azevedo. focaliza o atual problema educacional brasileiro. E a terceira??? Na História da Educação Brasileira. em 22 páginas de autoria de Fernando de Azevedo. OS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. (RIBEIRO. jamais um escrito teve repercussão semelhante ao Manifesto dos Pioneiros.História da Educação Getúlio Vargas passa a exercer um papel central no âmbito da política brasileira. (ROMANELLI. Ferreira de Almeida Junior. assim como a expansão capitalista não se fez da mesma forma em todo o território nacional. esta contradição pode ser sintetizada em dois pontos básicos: a) o fato de vivermos. A demanda social da educação cresce e se consubstancia numa pressão cada vez mais forte pela expansão do ensino. composto de 46 páginas. Delgado de Carvalho. Hermes Lima. de passar a viver o dualismo educacional que se traduz pela presença do analfabetismo e ausência de educação primária gratuita e universal. Raul Briquet. enquanto enfrentamos situações mais complexas. 4. Noemy da Silveira. E é sob sua liderança que se aplica a política do nacional-desenvolvimentismo. Cecília Meirelles. Anísio Spínola Teixeira. em matéria de educação. Roquette Pinto. Pascoal Lemme. republicado em 1932. e depois de todo o país. seus líderes desejavam mudar a educação de forma revolucionária. Afrânio Peixoto. e de sermos com isso obrigados a resolver problemas que outros povos já resolveram há um século ou mais. Sampaio Dória. a expansão da demanda escolar só se desenvolveu nas zonas em que se intensificaram as relações de produção capitalista. Mário Casassanta. p. Júlio de Mesquita Filho. Frota Pessoa. 1994. Observou-se. 154) Para Romanelli (2001). a implantação definitiva do capitalismo industrial no Brasil gerou modificações no horizonte cultural da época. 38 . 60). ao lado de uma profunda e sofisticada preocupação pedagogizante. expunha não só a pedagogia da Escola Nova. e com isso. a nosso ver.

podemos destacar o trabalho desenvolvido pelo educador pernambucano Paulo Freire. Nesse contexto. a sociedade civil engendrou várias formas de resistência. n°. passam a infiltrar-se em toda parte. Os movimentos sociais ligados a área da Educação que mais se destacaram foram os Centros Populares de Cultura (CPC). No trecho a seguir. que antes mesmo da ocorrência do golpe já militava na causa da erradicação do analfabetismo e por conta desse trabalho ficou exilado de novembro de 1964 a junho de 1980. Militarismo e Educação no Brasil: os efeitos do Golpe de 64 O Militarismo e seus feitos na sociedade brasileira podem ser mesurados a partir da afirmação de Leôncio Basbaum (s. formada por princípios gerais. que constitui o que se chama a Lei Orgânica do Ensino Secundário. 142): “[. A despeito da condição de profunda violação dos direitos humanos. que aparece em 1961. fazendo um apelo dos jardins de infância até a universidade. Os militares passam a governar o país por meio de atos institucionais. O uso a tortura como instrumento de obtenção de “confissões” generalizou-se e “aprimorou-se”. julgamento ou direito de defesa. tomando como base o percurso para a publicação da referida obra: 39 . Um evento histórico importante para a educação é a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. que é a formação da personalidade do adolescente. A Reforma de Gustavo Capanema.d. 157) ilustra esta forma de governo no trecho abaixo: O Ato Institucional nº 1 (AI-1). cuja origem está ligada a Prefeitura de recife e no Rio Grande do Norte. 4244. Os agentes do Serviço Nacional de Informação (SNI). p. publicada no Brasil. Além do movimento de educação de base (MEB).] Ao final do ano de 1964 havia 50 mil presos políticos em todo o país”. pautada no espírito dinâmico. ocupa-se principalmente do Ensino Médio e não tanto do Ensino Primário. apresentam a alternativa da Educação Nova. por isso mesmo. Decreto-Lei n°. a Reforma atribui ao Ensino Secundário a sua finalidade fundamental. Ribeiro (1994. sob a chefia do general Golbery do Couto e Silva. 4024.1..História da Educação declarando-se contra a educação Clássica. dava direito ao governo de cassar mandatos e suspender direitos políticos sem necessidade de justificação.. com a campanha “De pé no chão também se aprende a ler”. ligados a União Nacional dos Estudantes (UNE) e os Movimentos de Cultura Popular (MCP). 4. ligado a Confederação dos Bispos do Brasil (CNBB) e ao Governo Federal.. do Presidente da República e seu Ministro. apenas em 1975. mas a atividade criadora do aluno. entre outras questões. com o objetivo de servir de guia para toda a educação Nacional. de 20 de dezembro de 1961. não à receptividade. o próprio Paulo Freire relata as dificuldades vivenciadas no período da ditadura militar. Como efeito do medo que se instala começam também as delações em grande escala. Inquéritos político-militares (IPM) são instalados. de 9 de abril de 1942. A obra Pedagogia do Oprimido é a síntese da proposta freiriana para a educação de adultos. de 10-04-64. considerada arcaica e superada. da alçada e jurisdição do governo central.

Gasparian. o ultraje a democracia.História da Educação Agora. a enganação e a desconsideração da coisa pública. (. Aquela altura. do respeito a coisa pública.. sua primeira impressão só foi possível em 1975 (FREIRE. começo dos anos 70. quando o livro já tinha sua primeira edição em inglês. Constant. já morávamos em Genebra. tantos anos depois e cada vez mais convencido do quanto devemos lutar para que nunca mais. p. 1997. 40 . ou nos começos de 1971. vivamos de novo a negação da liberdade. Há mais um aspecto ligado a Pedagogia do oprimido e ao clima perverso antidemocrático do regime militar que se abateu sobre nós que forma singularmente raivosa. como nos impôs o golpe de estado de 1º de abril de 1964. Remeti o texto nos fins de 1970. 62-63) Atividade 4 Análise. ter sua primeira edição em Português. acusava o recebimento do material pedindo que esperasse por tempos mais favoráveis para a sua publicação..). da ética. língua em que foi originalmente escrito. 2 – Faça um levantamento em bases convencionais e em bases virtuais de pesquisa sobre a Educação Nova na década de 30 do Século XX. mais ainda odienta. discretamente.) Dias depois. em nome da liberdade. que gostaria de salientar. diretor da [editora] Paz e Terra. seria interessante que o texto datilografado chegasse às mãos de Fernando Gasparian. que o publicaria. que a si mesmo pitorescamente chamou de revolução (. da democracia. 3 – Construa um texto histórico sobre a trajetória do Educador P. para o portador. Sua publicação aqui. A questão que se colocava era como remetêlo com segurança não só para os originais. mas também.. Mesmo sabendo que o livro não podia ser editado aqui [Brasil]. e sobretudo.. Freire. 1 – Analise a relação entre o positivismo e Reforma de B.

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