Apostila de Historia Da Educacao

AUTOR CARLOS JORGE PAIXÃO Doutor em Educação pela UNESP

CNPJ-10.761.006/0001-49 Rua Senador Benedito Leite, 473, Centro CEP 65845.000 – Itapecuru-Mirim, Maranhão Fone: (98) 3463-1764

História da Educação

UNIDADE 1
HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA DA EDUCAÇÃO 1.1 CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA 1.1.1 Concepção Positivista O pensamento de Augusto Comte (1798-1857), denominado de Positivismo, surge no século XIX, com a pretensão de ser uma síntese definitiva da evolução humana pautada em elementos oriundos da lógica das ciências exatas e naturais, na busca do estado positivo ou científico. (PAIXÃO, 2001; 2003; 2004). Segundo Augusto Comte, em sua obra intitulada Curso de Filosofia Positiva, publicada em 1830: [...] O caráter fundamental da filosofia positiva é tomar todos os fenômenos como sujeitos as leis naturais invariáveis, cuja descoberta precisa e cuja redução ao menor número possível constituem o objetivo de todos os nossos esforços, considerando como absolutamente inacessível e vazia de sentido para nós a investigação das chamadas causas, sejam primeiras, sejam finais. (COMTE, 1830, p. ) Assim, a história, no sentido positivista, baseia-se nos fatos descritos e demonstrados nos documentos de origem oficial. 1.1.2 Concepção Marxista Marx (1818-1883) surge, no século XIX, colocando o homem e sua história como decorrência das condições materiais determinadas pela economia política. Os meios de produção e as classes sociais são fatores que se destacam na estruturação e organização da sociedade, a partir da distribuição das riquezas. Para Marx (1983, p. 194):
[...] temos que começar constatando o primeiro pressuposto de toda existência humana e por tanto de toda história, a saber, o pressuposto de que os homens precisam estar em condições de viver para poderem fazer história. Mas para viver é preciso antes de mais nada, comer e beber, morar, vestir e ainda algumas coisas mais. O primeiro ato histórico é, portanto, engendrar os meios para satisfação dessas necessidades, produzir a vida material mesma, e isto é um ato histórico, uma condição básica de toda a história que ainda hoje, como há milênios, precisa ser preenchida [...]

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No marxismo, a história é determinada pelos meios de produção que estabelecem a base material da sociedade. As idéias dependem das condições econômicas da sociedade, manifestadas na situação socioeconômica dos homens, distribuídos em classes sociais, nas quais quem detém o capital, domina os que estão destituídos deste. A metodologia para produção do conhecimento histórico baseia-se na dialética materialista. Segundo Gamboa (1996, p. 106), o método dialético aborda o fenômeno em suas contradições numa perspectiva histórica e dinâmica. 1.1.3 Concepção do Annales A História faz parte da vida dos homens e mulheres, que por sua vez, constroem a existência, em sociedade, com idéias e coisas, que surgem no cotidiano de uma espécie de cultura viva ou por outro lado de ambientes sofisticados e eruditos como as academias.

História da Educação O século XX, entre a década de 20 e a década de 60, ainda profundamente marcada pelas concepções positivistas e marxistas, assiste a um movimento de inovações na produção do conhecimento histórico em torno da Revista Os Annales, organizada por Marc Bloch e Lucien Febvre. O grupo da revista Os Annales sofre influências do marxismo (materialismo histórico e dialética materialista), porém deixa de incorporar a “luta de classes” como uma categoria de análise da História. Segundo Ciro Flamarion Cardoso (1981 apud LOPES, 1989), as principais características dos Annales são:
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Passagem da História Narração à História Problema; O caráter científico da História é dado, mesmo em se tratando de ciência em construção; Contato e debate com as outras ciências sociais (adoção de problemáticas, métodos e técnicas); Ampliação dos limites da História, abrangendo todos os aspectos da vida social: civilização material, poder e mentalidades coletivas; Insistência nos aspectos sociais, coletivos e repetitivos; Ampliação da noção de fonte para além da escrita (vestígios arqueológicos, tradição oral etc.); Construção de temporalidades múltiplas, ao contrário do tempo línea e simples da historiografia tradicional; Reconhecimento da ligação indissolúvel e necessária entre passado e presente no conhecimento histórico, reafirmando-se as possibilidades sociais do historiador. História Nova, que, de certa forma, prossegue a linha da inovação dos Annales, repousa sua novidade em três processos: ▪ Novos problemas – põem em causa a própria História; ▪ Novas contribuições – modificam, enriquecem, transformam os setores tradicionais da história; ▪ Novos objetos – no campo epistemológico da História.

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Goff e Nora (apud LE GOFF, 1990, p. 14), principais articuladores dessa nova busca de redefinição da História, explicam que:
[...] O essencial não é sonhar, hoje, com um prestígio de ontem ou de amanhã. É saber fazer a história de que temos hoje necessidade. Ciência do domínio do passado e da consciência do tempo, deve ainda definir-se como ciência da mudança, da transformação. Uma História Nova pautada nas necessidades de mudança da sociedade, que investigue os vestígios do homem do passado no presente, tendo o futuro como referência.

História da Educação 1.2 CONHECIMENTO HISTÓRICO Os estudiosos do conhecimento histórico, em sua maioria, demarcam a fundação da história, a partir dos estudos de Heródoto, que surgiram no século V antes de Cristo, na Grécia, tendo como conteúdo a descrição da guerra entre Gregos e Persas (490-479 a.C.). Para Heródoto, a História era mais que uma simples descrição dos eventos em torno de um fato grandioso realizado pelos homens; ela consiste em investigar, em pesquisar na tentativa de encontrar a verdade, informa Borges (1981). A partir da Grécia, a idéia de história sofre uma série de variações, dentro do espaço-tempo das civilizações com seus autores de estilos e de formações das mais diversas, produzindo uma série de definições sobre a mesma conforme demonstramos, a seguir. Marc Bloch (apud MENDES, 1993, p. 8) define que:
[...] O objeto da história é por natureza o homem. Melhor: os homens. Mais do que o singular, favorável à abstração, convém a uma ciência da diversidade o plural, que é o modo gramatical da relatividade [...]. O bom historiador, esse assemelha-se ao monstro da lenda. Onde farejar carne humana é que esta a sua caça [...] Ciência dos homens, dissemos nós. É ainda muito vago. Temos de acrescentar: dos homens do tempo. O historiador não pensa apenas o humano. A atmosfera em que o seu pensamento respira naturalmente é a categoria da duração.

A história não se basta com o singular, busca nas suas investidas o sentido da duração dos homens, nas diversas formas de expressão de sua humanidade, materializada nos monumentos e descrita nos documentos, que espelham a trajetória coletiva da cultura humana. É ciência que estabelece a identificação do ser humano dentro das cronologias, ao investigar e interpretar suas lembranças, resgatando suas recordações como "marcas", que ao serem decifradas colocam o homem diante de si, com seu retrovisor de feitos singulares e coletivos, um ser da consciência. Philippe Ariès (1986, p. 22) apresenta a seguinte reflexão:
[...] As culturas são, pois, necessariamente diferentes umas das outras, e cabe ao historiador apreender essas diferenças. Como? Através de um jogo de espelhos e de ricochetes, que o historiador vai aprendendo, na sua vida cotidiana. Vejamos um exemplo: leio, num artigo de Paul Veyne, que a alta sociedade romana preferia a adoção à filiação natural para a sucessão numa herança ou num determinado poder. Este fato interessa-me, primeiro, como um traço característico da civilização romana da época. Mas, em seguida, apercebo-me de que a preferência pela adoção desapareceu, durante a idade média e a época moderna, até que nos nossos dias começa a reaparecer. O fato em si, que é a adoção - e a não-adoção - torna-se o revelador de uma diferença fundamental entre várias culturas.

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Assim, a cultura pode alterar-se em um mesmo espaço, a mudança pode acontecer dentro de um determinado tempo em uma mesma sociedade. O fato histórico que em um determinado período, pode ser considerado determinante do comportamento de um grupo social, pode alterar-se, ou até desaparecer; este movimento, dentro da trajetória humana, estabelece a diferença cultural entre grupos sociais que habitam a mesma geografia. E o estudioso da história, deve neste caso, estabelecer uma periodização, pois sem este recorte no tempo, dificilmente, obterá sucesso em sua investigação. Segundo Ariès (1986, p. 24):
[...] A história é, e deve continuar a ser, o conhecimento das aparências, cuja ilusão não deve denunciar, mas da qual deve descobrir os elementos que, muitas vezes, estão ocultos e que dela fazem uma estrutura coerente. O historiador cedo se apercebe de que existem dois tipos de aparências, as que são manifestas e estão à

do público e.. pela formação e pelos interesses de seus autores. O processo de investigar a história busca nas suas investidas o sentido da duração dos homens. garantindo os elementos mais importantes no retrovisor. das regras de cunho moral que fazem parte da interpretação constante na obra dos historiadores em diversas épocas. p. o produtor do conhecimento histórico deve ocupar-se das "aparências". INVESTIGAÇÃO E A CONSTRUÇÃO DE HISTORIOGRAFIAS As idéias e ações humanas são objetos de busca do historiador. apresentavam ora estudos historiográficos de fidelidade às determinações de grupos dominantes. Georges Duby (1986.] Estamos aqui perante a questão da função da história. todos ao lidarem com os estudos historiográficos. situado no tempo e no espaço de uma cultura de uma civilização. os estudos históricos partem da investigação dos eventos do passado. materializada nos monumentos e descrita nos documentos. ocupava a cátedra de História e de Moral. que situados em estados e instituições. decretos. visível e contextual e. buscando dimensionar o que está na "vitrine". Então. Todo conhecimento científico traz a marca de seu autor. apenas notadas pelos seus contemporâneos. A dimensão espacial está relacionada com a necessidade de localização geográfica da sociedade ou civilização escolhida para o desenvolvimento do estudo. 144): 5 . pela interpretação das obras mais clássicas e de fontes primárias investigadas e devidamente identificadas. que espelham a trajetória coletiva da cultura humana. possivelmente. nas diversas formas de expressão de sua humanidade. Mas também é verdade que a história sempre desempenhou uma função ideológica.História da Educação vista de todos. quando ensinava no Collège de France. Em geral. p.14) faz uma análise crítica da função e do desenvolvimento da história: [. um divertimento: o historiador sempre escreveu por prazer e para dar prazer aos outros. o conjunto de idéias dentro de uma sociedade em geral. a história no decorrer do tempo e das culturas. e as ocultas. encontrem um pouco de sua memória individual e coletiva. 1. apesar das variações da história.3 MÉTODOS. ora estudos críticos e revolucionários. Para que serve a história? A história é. essa função consistia numa interpretação moral dos fatos: narrando os acontecimentos do passado. ofícios. atas. antes de mais nada. subterrâneas. nos seus diversos períodos da trajetória humana. coletando e tratando documentos. um ponto comum é a tentativa dos historiadores de colocar o homem diante de si. pretendia-se mostrar aos homens como é que Deus queria que eles agissem. para que. por outro lado. sofre as marcas das idéias no decorrer do tempo. Dizemos que. segundo Mendes (1993.. O homem é o centro da construção do conhecimento histórico. Para Raoul Glaber. Esta função de pedagogia moral manteve-se por muito tempo – Michelet. que foi variando ao longo dos tempos. os documentos são representados por cartas. A história enquanto construção de um conhecimento sobre o homem. representa interesses de grupos e determina o desenvolvimento das políticas. é marcada pela personalidade. Espaço e tempo são duas categorias que se destacam na delimitação dos estudos históricos. Tradicionalmente. legislações etc. dar conta da escavação dos elementos acumulados ao longo das etapas e dos períodos componentes do passado. evidências da ação dos agentes históricos em um determinado tempo e espaço de uma civilização. que podem ser desenterrados.

é o tempo. 2001. fatos e eventos. caminha na direção de uma seleção dos dados de maneira a compor uma sucessividade de eventos que sejam capazes de traduzirem as ações e as expressões dos agentes históricos do passado. Isso é o que os filósofos ou teóricos da história fazem.] A árvore fala da natureza.. A possibilidade de um homem contemporâneo. de se localizar no passado é devido aos vestígios e evidências deixadas por outros homens nas diversas formas de documentar a trajetória da civilização humana. tentam esgotar questões em torno de personagens. pré-históricos. na construção das historiografias. responsável pela seleção de acordo com o recorte eleito para a definição de seu objeto de estudo. sempre que possível. Buzzi (1994. na ciência histórica. sobretudo. a circulação de idéias.. deve ser direto – da realidade em foco. 1993). p. a investigação histórica carece de uma delimitação no tempo e no espaço de uma sociedade. Uma outra categoria fundamental. p. onde está localizado o investigador. Para Schorske (2000. a fim de nos definir por diferença ou semelhança a ele. com as imagens que formamos do passado. estudioso ou não. testemunhos. devido a dois fatores: impossibilidade de se extrapolarem conclusões de uma área estudada para outra que não tenha sido objeto de estudo. por vezes insuperáveis. a correlação de forças entre eles.] Pensar com a história não é o mesmo que pensar sobre a história. da pesquisa das fontes e do tratamento de dados.] A história é a preocupação do homem. 2003). denominado de "fontes". de um grupo humano. As fontes históricas. A dimensão temporal torna-se imprescindível. 72) destaca que: [. Os materiais do passado são as fontes de abastecimento da produção do conhecimento histórico e a única maneira de orientar a investigação histórica no tempo presente. A . arquitetônicos. de uma civilização.. do homem. por meio do estudo realizado no tempo presente. que. apresentados como prova e os documentos – todo esse material. sob pena de naufragar no oceano panorâmico dos “estudos universais”. como uma forma geral de produzir sentido. com suas características culturais.. genericamente. industriais e comemorativos. 6 Assim. giram os agentes históricos. 13): [. (MENDES..História da Educação [. o que convencionamos chamar de uma época da cultura humana. pretensiosamente. uma vez que dificilmente um pesquisador apresenta condições de estudar múltiplas cronologias. à nível do conhecimento – o qual. encontrar-se-ão dificuldades. o conhecimento produzido e acumulado nas obras (teoria). Com efeito. com a ilusão de se criar uma “grande história”. e o tipo de sociedade na qual se desenvolve o evento. (PAIXÃO. A problematização. Pensar com a história implica o emprego dos materiais do passado e das configurações em que os organizamos e compreendemos para nos orientar no presente. o devagar de seu constituir-se [. Em torno de um problema histórico selecionado. pensamos com o produto substantivo da investigação histórica. a demarcação cronológica é inevitável para que a pesquisa alcance viabilidade e validade. é a razão da existência da investigação histórica. monumentos artísticos.. são dados que evidenciam um tempo-espaço. então. tratando-se de um quadro geográfico excessivamente amplo. As fontes históricas podem apresentar-se em várias facetas: vestígios arqueológicos. em geral. uma segunda impossibilidade – de ordem prática e inerente à própria natureza humana – prendese com o estudo de áreas demasiado extensas.. geralmente. Em um modo. a história.] A delimitação espacial de qualquer estudo histórico impõe-se.. a investigação de sua possibilidade.

passa a ser imprescindível para início do estudo e da investigação. a ênfase e. faz a análise de questões ligadas ao magistério dessas disciplinas. é certo. Faz parte da natureza do processo de construção do conhecimento científico. p. o ponto de 7 . história econômica. mas que. mas válido até os dias de hoje: "Sem teoria não se constrói o conhecimento científico". A proposta de Saviani é que se desloque a ênfase para a segunda palavra mesmo ocorrendo o risco de apenas inverter a hipertrofia. a necessidade do pesquisador de delimitar o seu problema.4 HISTORIOGRAFIA DA EDUCAÇÃO Os estudos históricos ou historiografias derivam em geral.. em qualquer área. dentro de um contexto mais amplo. que não é possível com um projeto de pesquisa dar conta da história total (global). capaz de dar conta de uma grande época. entendermos que uma posição pode ser anunciada após alguns anos trabalhando com estudos historiográficos.). já que. que nos ensina cotidianamente. portanto. Os caminhos da história são diversos. e nem é possível universalizar o estudo realizado. A história. políticas e sociais.História da Educação árvore de mil folhas. pelos pesquisadores e estudiosos da história. O outro caminho busca a construção de uma história de longo alcance temporal e geográfico. a segunda – educação – aparece como uma mera conseqüência. 1. onde os bens simbólicos da cultura são apresentados.] Dermeval Saviani. o hominizar-se do homem. 37). elegendo um foco para aprofundar e avançar com seu estudo. o estudioso da história e de suas variantes (história da educação. de uma civilização ou até de um determinado grupo humano. como ciência que interpreta os atos humanos. porém. em busca de resposta ao problema proposto. do conhecimento histórico acumulado. de uma sociedade inteira com suas múltiplas determinações econômicas. com o intuito de compor uma história total. buscando a universalização do estudo. preferencialmente. flores e frutos apresenta o florescimento da natureza. o caminho mais seguro. o método historiográfico analítico e o método historiográfico globalizante. Dois grandes caminhos vêm sendo trilhados. Alguma lacuna há de ficar. consiste em tentar uma compreensão da parte. mostrando que há uma tendência que dá ênfase à primeira palavra da locução – história –. construirá uma história total (global). analisando a posição de Saviani. a história. concluiu que: [. Eliane Lopes (1989. A preocupação do professor em dominar a história acaba por colocar a educação na penumbra. porque como nos diz um mote antigo. segundo ele. Entendemos que a demarcação espaço. tempo e personagens é uma exigência do fazer científico. O risco. sem pretensão de produzir uma "grande história". História gasta tempo para fazer o homem. dentro de uma determinada sociedade (espaço). com o apoio teórico-conceitual das obras de outros estudiosos. São os atos humanos que o historiador busca estudar em cada cronologia e em cada espaço com os métodos de investigação adequados ao problema e o desenrolar dos fatos na época selecionada. contribui com a pedagogia disponibilizando seus métodos e técnicas de investigação para que o educador possa apropriar-se dos eventos pedagógicos que ocorrem nas diversas épocas e nas diversas sociedades. O primeiro caminho constitui-se em um percurso por dentro da história com um itinerário parcial (história parcelar). resultado da investigação sistemática de um tempo dentro de uma sociedade. Dificilmente. aparente e falso. tomando como referência a teoria acumulada pelos historiadores. mesmo que o método possa ser plenamente utilizado. história da psicologia etc. história da ciência.. buscando a Função do ensino de Filosofia da Educação e de História da Educação. em que a delimitação de um tempo (cronologia). produzidos ou reproduzidos na forma escolar e não escolar para a reconstrução da memória coletiva dos fenômenos educativos.

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1999). marcada por forte espírito comunitário e uma etapa da evolução de alguns saberes especializados como a matemática e a lógica. caracterizando. A Idade Média não é. por meio do fundamento cristão.1 O CONTEXTO MEDIEVAL A Idade Média corresponde ao longo período delimitado. econômica e cultural. produzindo e consumindo in loco as mercadorias de que tem necessidade. p. a partir do ano 476 demarcação do fim do Império Romano e o ano 1492 da descoberta da América. a época do meio entre dois momentos altos de desenvolvimento da civilização: o mundo antigo e o mundo moderno.História da Educação UNIDADE 2 EDUCAÇÃO NA EUROPA MEDIEVAL E MODERNA 2. sobretudo. governada por um senhor que age dentro dele como fonte de direito. Foi. 9 . fundaram o tempo do cristianismo católico. no centro da Europa. e o ressurgimento dos valores laicos. é a principal responsável pela formação dos homens na época. Segundo Cambi (1999. Um tempo de transformação política. A Alta Idade Média corresponde ao período que vai das invasões bárbaras até as proximidades do ano mil. em troca de proteção. aos seus mitos. em geral de subsistência. A identidade da idade média está associada às duas classes que detêm o poder no período. mas também aberturas proféticas e fragmentos utópicos que nos apresentam uma imagem mais complexa e mais rica da Idade Média. a época da formação da Europa cristã e da gestação dos pré-requisitos do homem moderno (formação da consciência individual. temos a Baixa Idade Média marcada pelo surgimento das cidades e da expansão do comércio. A igreja. que se empenha na sua defesa militar. Assim como uma fase histórica que se coagulou em torno dos valores e dos princípios da religião. que impõe aos habitantes do feudo a obrigação à fidelidade e à submissão. (CAMBI. o despertar das ciências e das artes. a composição dos Estados Nacionais e a presença embrionária da nova classe – a burguesia. respectivamente. e também uma identidade mais próxima de nós e de nossa sensibilidade. toda esta longa época: conferindo-lhe conotações de dramaticidade e de tensão. 155): O feudo é uma unidade territorial. A economia do feudo é.) como também um modelo de sociedade orgânica. A sociedade medieval estrutura-se em torno do feudo. de modo particular. A cultura. o clero e a nobreza que. mas enfraquecida que antes. que conjuga a presença da Igreja. por meio da Igreja e do Império. A fé cristã. que se manifestam com toda a força nas criações artísticas e técnicas. por isso denominada também de sociedade feudal. heresias e revoltas camponesas. nutre as mentalidades. nos mosteiros: ela se caracteriza por poucos intercâmbios e é toda devotada à fé cristã. reduzindo ao mínimo o intercâmbio e apresentando-se predominantemente agrícola. da identidade supranacional etc. A Idade Média costuma ser dividida em duas grandes fases: Alta Idade Média e Baixa Idade Média. Um tempo caracterizado pela força da economia feudal e pela hegemonia do cristianismo. do empenho produtivo. A partir do ano mil. sobretudo. absolutamente. no feudo. desenvolvese somente no castelo do feudatário ou nas igrejas e. aos seus dogmas. constrói os ideais e desenham um imaginário que atravessa as fronteiras das cronologias até os tempos modernos.

que transformam as oficinas em ambientes de ensinoaprendizagem. por franciscanos e dominicanos. por exemplo). que inaugurou esse modelo de escola em seu próprio palácio. conflitam entre si e deixam espaço. mais locais e mais diluídos. estabelecendo uma relação pedagógica entre mestres e aprendizes. Eram escolas construídas ao lado da igreja em que o bispo tem seu trono ou cátedra. formalista e não-criativo caracterizado pela tradição e submissão à autoridade eclesiástica. tecelão. a partir do ensino dos valores do Cristianismo adaptado ao contexto dos mais pobres.História da Educação 2. 10 As corporações que surgem na Baixa Idade Média são criadas em torno dos ofícios artesanais (alfaiates. (LUZURIAGA. desenvolvida em escolas organizadas pela Igreja Cristã Católica. como descreve Cambi (1999. Os títulos eram de bacharel com cinco anos e de magister. desenvolvem seu apostolado. para organismos diversos... agora. representadas. filosóficas. segue uma pedagogia eclesiástica. após sete anos de estudo. que passam a empregar método de ensino pautado no debate de questões teológicas. [. também surgem as primeiras universidades. na escola catedral de Notre Dame que servirá de base para a fundação da Universidade de Paris. (MANACORDA. conservador. fundando os alicerces racionalistas e as sementes dos ideais de uma educação moderna e humanista. 1990). Além disso. Estes novos modelos pedagógicos ainda marcados pelo cristianismo. onde o ensino visa à formação de religiosos. Renova-se a ideologia. dirigida pelo monge inglês Alcuíno de York (730-804). as catedrais e as palacianas. temos o trabalho de Abelardo. na Alta Idade Média. Os estudos na universidade duravam de cinco a sete anos. Três tipos de escolas ganham destaque no período: as monásticas (ou abaciais). principalmente. Nesse período. estão voltados para a laicização do intelecto do homem e de sua vida social. que implica cada vez mais competências especializadas e envolve cada vez mais indivíduos por conhecimentos e interesses comuns: nascem as corporações. Como exemplo deste tipo de educação universitária da época. As escolas Monásticas (ou abaciais) cuidavam da formação religiosa por meio do estudo de textos sagrados e da meditação. por exemplo). ferreiros. p. 1997). pelas pilastras universalistas da Igreja e do Império. embora amparado.1. mas que. administradores do império e filhos da nobreza. distanciando-se do modelo escolástico apresentado pela Igreja Católica. a partir de agora. É todo um mundo que vai se renovando.1 Educação na alta idade média e na baixa idade média A educação. por volta de 1150. As escolas palacianas ou palatinas visavam formar eclesiásticos. Já a educação na Baixa Idade Média sofre grandes modificações. a via mística utilizará a razão para desenvolver o significado da fé e a sua relação com a vida social. . isto é. Mudam as técnicas e transforma-se o trabalho. As escolas Catedrais eram escolas com a missão de formar o clero secular com um modelo educativo didático. uma iniciativa do Imperador Carlos Magno (742-814). mas fortemente ativos na vida social (as cidades e as nações). que vê o povo cada vez mais protagonista ativo de movimentos ideais e de lutas sociais (as seitas pauperistas ou as lutas camponesas. por assim dizer. a partir das transformações das escolas catedrais. também político. 173). as ordens pauperistas e mendicantes. jurídicas e até médicas.] Também a educação não é estranha a este processo.

História da Educação ATIVIDADE Aplicando nosso conhecimento sobre a Educação Medieval 1) Caracterize a Educação Medieval? • Na Alta Idade Média: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ • Na Baixa Idade Média: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 11 2) Busque e registre aqui evidências da Educação Medieval. __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ . nos dias atuais.

início de uma economia de intercâmbio (mercadoria. (CAMBI. . um indivíduo mundanizado. passando a estudos que consideram o tempo histórico e as condições naturais do homem. As teorias pedagógicas tomam uma conotação histórica e empírica. principalmente. cada vez mais orgânico e funcional para o desenvolvimento da sociedade moderna: da sua ideologia (da ordem e da produtividade) e do seu sistema econômico (criando figuras profissionais. Transformações econômicas e sociais determinaram as mudanças no modelo jurídico-político. efetivamente. dinheiro. que. (MANACORDA. Entre essas instituições. sistematicamente. cultural e pedagógico. de modo analítico e experimental. para ser mais preciso 1789. competências das quais o sistema tem necessidade). racionalização de recursos financeiros e humanos). CAMBI. Isto é. marcando definitivamente esse tempo de mudança – os tempos modernos. Essa transformação de base econômica tornará o terreno propício politicamente. Este longo período da segunda metade do século XV até o século XVIII. social.  Como revolução econômica: fim do modelo feudal (agrícola). A ruptura da modernidade apresenta-se. político. posto como artífice de sua sorte no mundo em que vive.História da Educação 2. DENIZE e OSCAR. a substituir as estruturações ideológicas do teocentrismo. operando no sentido educativo. 12    Mudam os meios educativos: toda sociedade se anima de locais formativos. Assim. (AQUINO. ano da Revolução Francesa. econômico. 1999). prisões e manicômios) agem em função do controle e da conformação social. portanto como uma revolução. como ainda da oficina. Como revolução na educação e na pedagogia: a formação do homem segue outros itinerários sociais. 1997. ou o início do sistema capitalista. Como revolução política: nascimento do estado moderno (Estado-nação e Estado-patrimônio). As grandes navegações empreendidas. portanto devem ser investigadas. Como revolução social: afirmação da classe burguesa. a Europa começa. liberado de vínculos e de ordens. também o exército e a escola. os fins da educação destinam-se a um indivíduo ativo na sociedade. uma revolução em muitos âmbitos: geográfico. ideológico. a partir do século XVI. a escola ocupa um lugar cada vez mais central. bem como novas instituições sociais (hospitais. 1999). pelas novas estruturas ideológicas baseadas no antropocentrismo. Todas essas mudanças estruturais produziram um afastamento mais acentuado dos valores do cristianismo difundidos pela Igreja na Idade Média e uma aproximação maior da dimensão humana. 1990. para a formação dos estados nacionais e a centralização do poder. 2003). além da família e da igreja. nutrido da fé laica e aberto para o cálculo racional da ação e de suas conseqüências. O homem europeu passa a descobrir e valorizar a razão e tudo o que pode advir como produto da racionalidade. a passagem do feudalismo para o pré-capitalismo. JACQUES.2 O CONTEXTO DA ÉPOCA MODERNA A Época Moderna ou Idade Moderna começa a partir do marco simbólico da descoberta da América (1492). caracterizou-se por grandes transformações nas estruturas da Europa Ocidental. por Portugal e Espanha serão decisivas para as mudanças nos horizontes geográficos e o desenvolvimento mercantil. LUZURIAGA.

p. Apresentamos a seguir uma caracterização da renascença elaborada por Luzuriaga (1990. marcada pelo resgate da antiguidade clássica e pela construção de uma educação humanista. uma nova fase da cultura humana. Leonardo da Vinci (1452 – 1519) tornou-se um símbolo máximo do movimento renascentista. Dentro desse cenário.3 A EDUCAÇÃO NA RENASCENÇA E A PEDAGOGIA HUMANISTA Dentro da época moderna temos o fenômeno da renascença.1.1 desenvolvimento da cidade e estado-cidade / direção burguesa. A diversidade de interesses de sua obra – que. 1.9 Cultivo do corpo e estética / boas maneiras e urbanidade. 2.6 Espírito crítico.4 Cortesão instruído e urbano. além de esculpir e pintar quadros e afrescos. Sob o patrocínio de nobres e prósperos comerciantes. educação humanista (Grécia e Roma ). 2. 13 . Seus trabalhos técnicos e artísticos são testemunhos da cultura da época – sua obra mais conhecida é a pintura intitulada Mona Lisa.3. catedrais.): 1. Socialmente: 1. 1. 2. 1. 2. ao abarcar campos aparentemente tão díspares.3 participação da mulher. sistemas de distribuição de água para cidades. 2. 2. provoca estranheza ainda hoje – refletia o caráter interdisciplinar da cultura técnica renascentista. os engenheiros italianos projetavam e construíam palácios.7 Estudo atraente e ameno. 2.2. homem culto: ilustrado com base nas idéias de Platão e Quintiliano. Pedagogicamente: 2. Diversas tradições técnicas foram desenvolvidas em algumas regiões da Europa.2 espírito cosmopolita: universalidade balizada pelas relações comerciais e pelos descobrimentos geográficos. redescobrimento da personalidade humana livre e independente da religião e da política.4 maior riqueza econômica (laços comerciais / sistema de crédito ). O norte e o centro da Itália destacaram-se das demais áreas pelo dinamismo comercial. 37. 2.5 Cultivo da individualidade. Os clássicos gregos e romanos inspiravam e ilustravam os homens da época na busca de inovações técnicas e artísticas.História da Educação 2. 2.8 Matérias realistas e científicas.

O sentido de revolução diz respeito em especial. a nossa época é herdeira direta de uma mudança advinda com a Modernidade.4 SÉCULO XVII: A REVOLUÇÃO PEDAGÓGICA E A LAICIZAÇÃO EDUCATIVA O século XVII é o tempo da consolidação das novas estruturas que efetivam a modernidade como a época histórica da classe burguesa. desse tempo. 14 . Todo o universo da educação mudou. Um tempo humano. nesse aspecto. hoje. depende do sucesso de seu sistema de educação. A pedagogia humanista resulta. A civilização medieval tinha esquecido a “paidéia dos antigos” e não conhecia a educação dos modernos. o conhecimento é para todos. 1999). secularizado e laicizado pela pedagogia como uma ciência da educação universal. ciências e história. (CAMBI.História da Educação 2. O homem passa a criar e inventar obras no campo das artes e das técnicas exercitando a razão e afastando-se dos saberes que derivam da teologia. língua e civilização. que põe em relevo o papel social da educação e redefine as duas instituições (família e escola). deve ser disponibilizado aos homens. muda a imagem do homem que é formado por esse processo educativo: trata-se daquele homem mais laico. A família e a escola são as duas instituições que ganham importância na construção do novo sentido pedagógico. uma consciência de sua importância. uma vez que. mudou o ensino e mudou a atitude da família em relação à criança. às mudanças na estrutura do pensamento e na formação de uma nova mentalidade pautada no “espírito científico”. Comenius é maior pedagogo do século XVII. desenvolvido em todas as suas potencialidades e realizado naquele pluralismo de capacidades e de dimensões.1 Colégio humanista / escola secundária / estudo do latim e do grego. 1999). 2. A nossa sociedade.10 Educação das massas. segundo um modelo harmônico similar à “obra de arte”. A estética torna-se assim o paradigma-guia da formação e o critério supremo da pedagogia em todas as suas formas (desde a teórica até a escolar). Um homem que quer ver a si próprio. uma concepção de educação. inaugurando a revolução pedagógica burguesa com um sentido utópico de “ensinar tudo a todos”. antropocêntrico – o homem no centro da nova forma de pensar e construir novos bens simbólicos e uma nova moral pautada em valores afirmados na família e confirmados no processo de escolarização por meio dos estudos das humanidades (studia humanitatis) numa formação que conjuga o estudo das letras e história. a indicação mais explícita dessa dupla transformação. do sistema capitalista e do estado moderno. mas também com a vontade e a práxis. Tem um sistema de educação. de modo intensamente dinâmico e radicalmente dialético. civil e do trabalho que vive como um micromundo no qual se reflete o macromundo e que é senhor do universo por dominá-lo com o pensamento e com a palavra. sobretudo em relação a este papel. em que o homem e a sociedade tentam renascer a partir do resgate dos saberes produzidos na Grécia e Roma Antiga e das construções artísticas inspiradas em modelos humanos. (CAMBI. nos fins e nos meios.3. E. 2. Devemos a Áries e ao seu estudo de 1960 sobre História social da família e da infância. a partir da dimensão humana e se tornam as principais instâncias de formação dos sujeitos na modernidade. por meio de sua obra principal denominada de Didática Magna (1657).

deveria formular hipóteses e experimentá-las. na estrutura do pensamento. Definitivamente. no período em questão. o homem. em torno do Estado. para chegar às estratégias educativas referentes ás diversas orientações da instrução. com sua obra Didática Magna (1657). Com ele se delineiam pela primeira vez de maneira orgânica e sistemática alguns dos problemas já relevantes da pedagogia: desde o projeto antropológico-social que deve guiar o mestre até os aspectos gerais e específicos da didática.História da Educação Tal mudança. Para uma compreensão da mudança revolucionária na pedagogia e o afastamento dos processos de formação dos valores religiosos difundidos pela teologia. desenvolvido principalmente por Jan Amos Comenius. 15 Comenius. e a sua centralidade na vida do homem e da sociedade. definitivamente. significa que o homem passava a ver a natureza como objeto de sua ação e de seu conhecimento. a não ser penso. JACQUES. ampliando o sentido do fazer pedagógico que. desenha. MARTINS. DENIZE e OSCAR. as explicações teológicas e metafísicas não mais satisfaziam o homem moderno cioso de uma objetividade que o levasse à compreensão dos fenômenos e leis que constituíam a natureza. (AQUINO.. As questões. partem da tendência de secularização e laicização do pensamento político e filosófico. inaugura um tempo de busca de processos educativos que seja “ensinado tudo a todos”. nada podia ser considerado como certo. que afirma a universalidade da educação contra as restrições devidas as tradições e a interesses de grupos e de classes. ao captar seu objeto. um novo tempo para a pedagogia moderna laica e capaz de viabilizar o conhecimento por meio da escola para todos os homens da sociedade. para se certificar da validade de sua representação.] Com o século XVII afirma-se um modelo de pedagogia explicitamente epistemológico e socialmente engajado. Dessa forma.” (ARANHA. Assim. 281): [. para atingir tal objetivo era necessário um método para bem conduzir a razão e procurar a verdade nas ciências. que leva a aceitar apenas aquilo que a razão possa compreender e que possa ser demonstrado. 2003). apesar de guardar ainda marcas da tradição escolástica.. idéia central da Dúvida Metódica. logo existo. 2003) Os valores da burguesia. Para Descartes (1596-1650) tudo era duvidoso. continuamente. vejamos o que nos diz Cambi (1999. p. . o poder secularizado do Estado e a busca do conhecimento científico são fatores decisivos para as mudanças pedagógicas e a laicização educativa. em que busca “justificar e legitimar o poder do Estado sem recorrer à intervenção divina ou qualquer explicação religiosa. e sua tarefa consistia em representá-la. no século XVII.

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tem por finalidade a garantia do processo de colonização.org> Segundo Bosi (1994). A terra era propriedade de seu conquistador. por extensão. No início desta fase. e este passou a explorar tudo o que podia servir de divisas comerciais. terra ou povo que se pode trabalhar e sujeitar. O tempo colonial compreende o período histórico.1.anmfa. O Governador geral deverá pautar as suas ações administrativas de acordo com a diretriz da nova política de D. é a matriz de colônia enquanto espaço que se está ocupando. representantes da Igreja Católica. 3. agora tendo a educação cristã como principal estratégia. a palavra colônia deriva do verbo latino Colo. que pode ser traduzido como eu moro. como uma forma de administração política do local subordinada as ordens e diretrizes do Rei de Portugal e aos Padres Jesuítas. . primeiro representante do poder político no Brasil Colônia. João (17/12/1548) que pode ser sintetizada conversão dos indígenas à fé católica pela catequese e pela instrução. No cenário da época. O termo Colo denota sempre quando de sua utilização alguma coisa de incompleto e transitivo.1 A pedagogia dos jesuítas A criação do Governo Geral. que chegam como parceiros na implantação de um novo processo de dominação dos nativos. destacamos a instituição do Governo Geral. considerado para fins deste estudo de 1549 a 1822. a educação passa a compor a estratégia política da Coroa Portuguesa. em que o “processo pedagógico” dos Jesuítas tem como principal objetivo enquadrar os indígenas na dinâmica mercantilista como mão-de-obra. 17 Engenho de açúcar Fonte: <www.1 EDUCAÇÃO NO BRASIL COLONIAL A Metrópole (Portugal) retira va da colônia todas as riquezas disponíveis. fortalecendo as relações comerciais. com a Inglaterra. especialmente. eu cultivo o campo. eu ocupo a terra e. eu trabalho.História da Educação UNIDADE 3 EDUCAÇÃO NO BRASIL 3.

Na passagem de uma esfera simbólica para outra Anchieta encontrou óbices por vezes incontornáveis. espelhado na linguagem e nas alegorias que moldavam os rituais dos índios. a palavra pecado. aprendizado profissional agrícola. para o índio apenas a formação cristã pelo método catequético. Com dizer aos tupis. filosofia. e este foi o empenho do primeiro apóstolo. feita por Nóbrega para a Educação Básica da época. que compreendia o Primário e o Secundário. Esta é uma adaptação da Ratio studiorum (Plano Pedagógico dos Jesuítas. 1975 apud RIBEIRO. o futuro destinado pelos Mestres Jesuítas aos descendentes dos colonizadores Portugueses. visando torná-los futuros sacerdotes. Novais (1975 apud RIBEIRO. No entanto. ao menos no registro que esta assumira ao longo da Idade Média européia? Anchieta. Os estudos de Bosi (1994). chega o Primeiro Governador Geral. curso de teologia e a viagem à Europa. principalmente para continuação dos estudos em Portugal na Universidade de Coimbra.2 Plano de estudo da Companhia de Jesus Para o Padre Nóbrega. nos apresentam a complexidade da tarefa de decifrar os códigos tupis e traduzi-los para a codificação da língua portuguesa. (NOVAIS. Assim. relações através das quais se estabelece o quadro institucional para que a vida econômica da metrópole seja dinamizada pelas atividades coloniais. em sua companhia vem Manoel da Nóbrega. Para além de estruturar um modelo didático de ensino. os estudos seriam desenvolvidos a partir da seguinte estruturação que considerando um percurso curricular . líder da Ordem dos Jesuítas. 3. gramática latina e a culminância seria a viagem à Europa. por meio do cultivo da cana e da produção de açúcar: a base da economia colonial até meados do século XVII. preferencialmente. os índios catequizados pelos jesuítas seriam a nova força de trabalho para a exploração da terra. publicado em 1599). neste e em outros casos extremos. A Língua tornase o principal obstáculo a ser transposto para efetivação do processo de aculturação. Tomé de Souza para administrar a colônia. Os braços de negros e índios seriam a garantia das divisas financeiras para o fortalecimento de Portugal no contexto da Europa. para que este fosse facilmente dominado e colocado à disposição dos agentes da política de colonização da Coroa Portuguesa. A Ratio com os seus princípios educativos pautados na teologia cristã católica e na escolástica. canto ofeônico.História da Educação Em 1549. 1991) diz que a política colonial: Se apresenta como um tipo particular de relações políticas. 1991). era em geral. música instrumental. com dois elementos: um centro de decisão (metrópole) e outro (colônia) subordinado. se eles careciam até mesmo da sua noção. por exemplo. escola de ler e escrever. a organização escolar no Brasil Colônia é construída estreitamente vinculada à política colonizadora dos portugueses. prefere enxertar o vocábulo português no 18 . Formar os filhos de colonos. os Jesuítas enfrentavam o problema cultural.1.iniciaria com o aprendizado do Português. considerando que o trabalho de escolarização deveria atender os índios e os filhos de colonos portugueses. O projeto de transpor para a fala do índio a mensagem católica demandava um esforço de penetrar no imaginário do outro. Na lógica escravocrata do Governo Português. organizava-se iniciando a formação Superior por meio de cursos de humanidades. sobre o Padre José de Anchieta. comandando seis religiosos. matérias relativas à doutrina cristã.

Segundo Ribeiro (1991). a busca de um novo método de conhecimento. Isto. Objetivo da educação dos Jesuítas era formar religiosos. 28) diz que. e com fortes razões. o mesmo faz. afastando os alunos de qualquer novidade científica. protetora dos meus! Tais casos. terra de Tupã. Igreja. 19 A forma de educar dos Padres Jesuítas é o único caminho no período colonial para a formação sistemática da população local desejosa das primeiras letras para sair da escuridão do analfabetismo e buscar uma colocação dentro da ordem religiosa ou dentro da estrutura política e governamental que se esboça em torno do Governador Geral..História da Educação tronco do idioma nativo. poderia aproximar os sujeitos de teorias científicas. O mais comum é a busca de alguma homologia entre as duas línguas com resultados de valor desigual: Bispo é Pai-guaçu. (RIBEIRO. Demônio é anhangá. mas que reconheciam que esta era a única via de preparo intelectual. Alma é anga. Segundo Ribeiro (1991): A elite era preparada para o trabalho intelectual segundo o modelo religioso (católico). A nova representação do sagrado assim produzida já não era nem a teologia cristã nem a crença tupi. Para afigura bíblico-cristã do anjo Anchieta cunha o vocábulo Karaibebê. nesta pedagogia. A pesar das dificuldades com a língua Tupi. visando assegurar também a educação dos filhos de colonos portugueses. Nossa Senhora às vezes aparece sob o nome de Tupansy. os Jesuítas conseguem uma estruturação básica para o funcionamento do processo de escolarização na Colônia. O Reino de Deus é Tupãretama. fez com que os seus colégios fossem procurados por muitos que não tinham realmente vocação religiosa. p. mas uma terceira esfera simbólica. uma vez que. quer dizer pajé maior. uma espécie de mitologia paralela que só a situação colonial tornara possível. Isto porque. com a palavra missa e com a invocação a Nossa Senhora: Ejorí. uma nova pedagogia. A formação dada pela pedagogia dos jesuítas segue as regras da escolástica medieval. coerentemente é tupãóka. comprometendo e comprovando as insuficiências do método escolástico medieval. a Companhia de Jesus se tornou a ordem dominante no campo educacional. p. p. profeta voador. atípicos. "[. e 3) Elite (educação voltada para o trabalho intelectual dentro do modelo católico). 2) Feminina (boas maneiras e prendas domésticas). Plano de Estudo dos Jesuítas. porém. espírito errante e perigoso.. 65). .1991. diz uma das regras da Ratio. Santa Maria. Santa Maria. / xe anáma rausubá! / Vem. Paim (1967. 1994.] se alguns forem amigos de novidades ou de espírito demasiado livre devem ser afastados sem hesitação do serviço docente". por sua vez. que vale tanto para toda sombra quanto para o espírito dos antepassados. (BOSI. mesmo que muitos de seus membros não chegassem a ser sacerdotes. diante do apoio real oferecido. mãe de Tupã. a Educação dos Jesuítas pode ser dividida em: 1) Profissional (voltada para o aprendizado de técnicas rudimentares e o trabalho manual). casa de Tupã. 25).

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traduzem. com o objetivo de adaptá-lo. Segundo Carvalho (1952 apud RIBEIRO. a exemplo do que a Inglaterra era há mais de um século. provocar algumas mudanças no Brasil. O Ensino Secundário. a política que as condições econômicas e sociais do país pareciam reclamar”. faz parte de uma tentativa de organização administrativa e de estabelecimento da ordem em uma Colônia que cresce em torno do trabalho dos Jesuítas.] As reformas.. deixando claro nas medidas administrativa. dentro do plano de recuperação nacional. informa Ribeiro (1991).2 MARQUÊS DE POMBAL E A ESCOLARIZAÇÃO COLONIAL A relação entre os Padres Jesuítas e a Coroa Portuguesa já não era de correspondência quanto ao Plano de dominação dos Índios. A presença de Pombal. 21 .. também. visto que. colonos portugueses e escravos. grego. Visavam. “[. O ensino. As reformas pombalinas visavam transformar Portugal numa metrópole capitalista. carecendo de uma autoridade que discipline alguns setores.História da Educação 3. Sebastião José de Carvalho e Melo. 1991). O motivo apontado era o fato de eles serem um empecilho na conservação da unidade cristã e da sociedade civil – razão do Estado invocada na época por que: a) A Companhia de Jesus era detentora de um poder econômico que deveria ser devolvido ao Governo. orientou-se no sentido de recuperar a economia por meio de uma concentração do poder real e da modernização da cultura portuguesa. continuava marcado pelos métodos e pela pedagogia da Companhia de Jesus (Ratio). filosofia e retórica. passou a sê-lo em aulas avulsas (aulas régias) de latim. que ao tempo dos Jesuítas era organizado em forma de curso – Humanidades –. Ministro do Rei D. entre as quais as da instituição pública. o Marquês de Pombal. Uma dificuldade enfrentada por Pombal era que a formação dos professores da época era baseada nos valores e na “visão profissional” da Pedagogia dos Jesuítas. enquanto colônia. b) A Companhia de Jesus educava o cristão a serviço da ordem religiosa e não dos interesses do país. José I. As medidas administrativas de Pombal culminaram com a expulsão dos Jesuítas em 1759 (Companhia de Jesus). os Padres trabalhavam na direção de efetivar o Projeto de salvação das almas da Ordem Religiosa Companhia de Jesus e fundavam Missões com relativa autonomia quanto às diretrizes do Rei de Portugal e isso incomodava as autoridades da corte. no Brasil. apesar da expulsão dos Padres Jesuítas. à nova ordem pretendida em Portugal.

História da Educação Atividade 2 Análise do filme “A missão”. __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 22 . filme com Al Pacino e elabore um breve comentário sobre o papel dos Jesuítas na organização da resistência contra a Coroa Portuguesa.Assista ao filme A Missão. .

surge um terceiro personagem da educação nacional D. chefiada por D. Escola Politécnica. 23 Chegada da Família Real no Brasil Fonte: <www. Na área educacional são criados alguns cursos com base nas necessidades imediatas do Brasil da época: Academia Real Marinha (1808). e hoje é a Escola Nacional de Engenharia). a primeira revista (As Variações ou Ensaios de Literatura). Os três primeiros séculos da educação brasileira apresentam em seu cenário duas grandes figuras: Padre Manoel da Nóbrega (Jesuíta) e o Marquês de Pombal (Reformador). e a família real. em 1874.casadeportinari. A partir desta nova realidade são tomadas várias medidas no campo intelectual.br> Desse modo. 1991). Em 1808 circula o primeiro jornal (A Gazeta do Rio).3 A CORTE PORTUGUESA NO BRASIL A época contemporânea é demarcada pelos historiadores a partir da Revolução Francesa na segunda metade do Século XVIII. o Rio de Janeiro passou a ser a sede administrativa. O início do século XIX. passou a chamar-se Escola Central. em 1812. João VI Rei de Portugal e. Biblioteca Pública (1810). concentrando os órgãos de administração pública e justiça. Museu Nacional (1818). . sob o comando de Napoleão. Academia Real Militar em 1810 (que em 1858. que representam duas filosofias da educação bem diferentes. Rei do Reino Unido de Portugal e do Brasil e do Algarves. precisamente em 1807. João VI e a corte se vêem obrigadas a virem para o Brasil sob a guarda inglesa. cuja capital passa a ser o Rio de Janeiro. de 1815 em diante. que se instalou no Hospital Militar. em 1813. Portugal é invadido pelas tropas francesas. a Revista carioca – O Patriota. a conjugação de tais interesses (grupos coloniais e ingleses) obriga o príncipe regente a decretar a “abertura dos portos” em 1808 (RIBEIRO.História da Educação 3. No ano de 1808.com. Em 1808 é criado o curso de cirurgia (Bahia). com reformas de caráter cultural e educacional para adequar o Brasil como a sede da Coroa Portuguesa: a criação da Imprensa Régia (13/05/1808). e os cursos de anatomia e cirurgia no Rio. Jardim Botânico do Rio de Janeiro (1810).

o célebre artigo 179. não só um preparo para o Secundário como também para pequenos cargos burocráticos. Este ato político reflete-se imediatamente na estruturação da educação.4 EDUCAÇÃO NO BRASIL APÓS 1822 De 1822 em diante. em seu artigo 1º. do indianismo e também do romantismo educacional. em especial por “novas idéias”. O Ensino Secundário – permanece a organização de aulas régias. a educação. o único acontecimento concreto e eficiente foi inserir. Mas. em 1822. o Brasil continuava uma “terra de analfabetos”. ameaçado por dentro e por fora. antes de mais nada. pois em seu parágrafo 24 . na Constituição de 11 de dezembro de 1823. começa a preocupar os políticos brasileiros. a de desenho e história em Vila Rica (1817) e a de Retórica e filosofia em Paracatu (MG – 1821) integram-se a um conteúdo de ensino em vigor desde a época dos jesuítas. 3. Então. estabelece a descentralização do poder político para as províncias com a criação de Assembléias Legislativas Provinciais em substituição aos Conselhos Gerais. nesta época. o que estava escrito em Lei não se efetivava. em manter a unidade em seu vasto território. Tanto assim que. preocupa-se. pois. repetido nos discursos diversas vezes depois: “A instrução primária é gratuita a todos os cidadãos”. é a fase do romantismo: do romantismo literário.com. Jean-Jacques Rousseau O Ato Adicional de 1834. pois apenas tem-se notícia da criação de “mais de 60 cadeiras de primeiras letras”.br/ahimtb/images/acarealgm. Pedro I. apesar do estabelecimento da obrigatoriedade do ensino elementar.História da Educação Academia Real de Guardas-Marinha Fonte: <www. Com a proclamação da Independência.jpg> A estrutura do ensino imperial é composta de três níveis: quanto ao Primário – continua sendo um nível de instrumentalização técnica (escola de ler e escrever). por causa das idéias democratizantes de Rousseau e da Revolução Francesa. Este nível de ensino tem sua importância acentuada à medida que cresce o número de pessoas que vêem nele.resenet. Essas cadeiras e as de matemática SUPERIOR em Pernambuco (1809). o Brasil empenhado em organizar-se e em provar que se desenvolveria independente de Portugal. Foram criadas duas cadeiras de inglês e um de francês no Rio. promulgada por D. sendo criadas “pelo menos umas 20 cadeiras de gramática latina”.

• estabelecimento das normas para o exercício da liberdade de ensino e de um sistema de preparação do professor primário (1854). Realizações: • criação da Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte (1854). • reformulação dos estatutos do Colégio de Preparatórios. do Artigo 10. A partir de 1840. Evolução esta exigida não só pelas necessidades internas. estabelece como competência das Assembléias Legislativas Provinciais. nas províncias mais distantes e mais pobres como a do Mato Grosso e a do Amazonas. 1991. edificar. restritas em sua maioria ao município da Corte. os positivistas iniciam suas manifestações contra o Ensino Superior. geral ou profissional. p. a passagem de uma sociedade exportadora com base rural-agrícola para urbano-agrícola-comercial. (RIBEIRO. e • reformulação dos estatutos da Aula de Comércio da Corte. 53). tomando-se por base programas e livros adotados nas escolas oficiais. atingindo um dos pontos essenciais da estrutura do sistema escolar. a super-estrutura do ensino superior. a década de 1850 é marcada por várias realizações. Segundo Ribeiro (1991). 75). na seqüência. 52). as cidades passam a ser os pólos dinâmicos de crescimento capitalista interno. (RIBEIRO. desta forma. Elas promovem: A) uma reorganização do trabalho urbano. p. p. o sucesso da lavoura cafeeira vem preencher os problemas financeiros gerados inicialmente pela decadência da mineração e. sobre base sólida e larga a educação comum.História da Educação 2º. 3. estava ocorrendo. instituída pelo Ato Adicional e mantida pela República. 25 . “legislar sobre a instrução pública e estabelecimentos próprios”. B) uma atração sobre o significativo contingente populacional (rendas altas. como também por exigências ou interesses do capitalismo internacional. o que já foi assinalado.4. pela crise na produção do açúcar. nem reduzir a distância intelectual entre as camadas inferiores e as elites do País. médias e baixas). no entanto. durante um século. Nesse período. não permitiu. 1991.1958. • reorganização do Conservatório de Música. quanto ao ensino primário. Em 1869. • reformulação do estatuto da academia de Belas Artes (1855). principalmente. segundo Fernando de Azevedo (1958): A descentralização do ensino fundamental.1 Algumas realizações Na educação. Isso causa uma série de problemas. Na época. (AZEVEDO. Os adeptos de Augusto Comte (1798-1857) eram contra a existência de Universidades e Faculdades por considerá-las fruto da Igreja Católica e do estado metafísico da humanidade. por força da Lei em vigor.

s/d. 2 – Investigue a História da Escola Normal no Maranhão e em Itapecuru Mirim. Em 1880 reabre. a última do Império e uma das que mais se destacaram no período. em 1871. continuando o Ensino Médio de sete anos e proibindo-se as transferências de um estabelecimento para outro. fecha em 1867. por estarem em nível secundário. (RIBEIRO. 26 . Pequena. em 1846. asseguram pela primeira vez na História da Educação de nossa sociedade a presença das mulheres com o papel social de cuidar da educação não só de seus filhos. reafirma a importância fundamental do Ensino Primário e a personalidade própria do Ensino Médio. trouxe pequena melhora ao ensino. A escola aberta em São Paulo. aparece a Reforma do Ministro Carlos Leôncio de Carvalho. a Reforma do Ensino de Luiz Pedreira Couto Ferraz. e a organização destas.História da Educação Depois do Ato Adicional de 1834. A Reforma Leôncio de Carvalho estabelecia que: “É completamente livre o Ensino Primário e Secundário no Município da Corte e o Superior em todo o Império. reabre em 1876.. afirma a obrigatoriedade do Ensino Primário e a instalação de escolas primárias de segundo grau e a criação em cada município. a primeira Escola Normal é fundada em 1835 em Niterói. a partir da memória de ex-alunas e Professoras de estabelecimentos de ensino do município. iniciadas na terceira década do Século XIX. 7247. segundo a qual ficam instituídas escolas primárias do primeiro e de segundo graus. no Brasil do Século XIX. devido à situação de instabilidade de tais cursos. de uma escola profissional primária. Várias Escolas Normais também surgem após o Ato Adicional. dando inicio a democratização do ensino feminino. 1 – Com base na pesquisa bibliográfica organize um texto síntese sobre a História da Escola Normal no Brasil. Neste mesmo ano é criada a primeira escola oficial no Rio de Janeiro. surgem várias reformas voltadas para a estruturação do ensino e também as primeiras Escolas Normais. pelo decreto n°. Atividade 3 Elaboração textual. Quanto as Reformas do Ensino. • A 19 de abril de 1879. p. 1991. • em 1870. (TOBIAS. TOBIAS s/d). destacamos: • no ano de 1854.207). O projeto de João Alfredo. apesar das dificuldades estruturais e pedagógicas dessa modalidade de ensino. o projeto de José Paulino Soares de Sousa trata da necessidade de se cumprir as leis educacionais. denunciando a influência da política nas questões educacionais. lembrando ser o Brasil o país que menos dinheiro aplica em educação. em seguida em 1842 é fundada a da Bahia. vindo a fechar novamente em 1877. salvo a inspeção necessária para garantir as condições de moralidade e higiene”. mas passando a trabalhar fora como educadoras de outras crianças de maneira oficial e sistemática. As Escolas Normais.

é indispensável ter. sem a indenização pretendida pelos senhores dos negros africanos.A. não tocava no problema da terra.U. O quadro traçado acima culmina com a Proclamação da República a 15 de novembro de 1889. (BASBAUM. Muitos proprietários de escravos. 03). É mais um dos falsos mitos de que impregnam a nossa história. são de fato bastante expressivos.. não se referia ao problema servil. somadas a um esforço de implantação da lógica das ciências exatas e naturais. assinada por Benjamin Constant Botelho de Magalhães. que não consultava os interesses populares. 3. os libertos sem profissão e sem trabalho. mas. com belas frases (”somos da América e queremos ser americanos”). no ano de 1890.1 A reforma de Benjamin Constant A Reforma da Instrução Pública Primária e Secundária do Distrito Federal. 215-216). com o apoio da nova aristocracia do café e de membros intelectualizados da classe média. a grande maioria do povo não se interessava pelos Partidos ou Clubes Republicanos. vão de forma oportunista fortalecer o movimento republicano e ingressar nas fileiras do Partido Republicano. Mas. O manifesto de 1870 era demasiado literário. considerado em seu conjunto. que é um reflexo de seu tempo: Para explicar convenientemente a verdadeira natureza e o caráter próprio da filosofia positiva. Comte expõe de maneira pedagógica a natureza de sua doutrina. pois uma concepção qualquer só pode ser bem conhecida por sua história. da Revolução Francesa e da Independência dos E. da mensuração e da crítica a quEm seu Curso de Filosofia Positiva (1988). não traduzia reivindicações de caráter econômico.1967. p. os ideais de liberdade ecoavam e atravessavam as fronteiras originarias. O positivismo de Augusto Comte (1798 – 1857) desponta no contexto do século XIX. na busca do conhecimento por meio do formalismo. os camponeses sem terra.História da Educação 3. • 2º que a República não era uma aspiração popular. nem as classes médias e muito menos as classes mais pobres. 1988. p. uma visão geral sobre a marcha progressiva do espírito humano. Os resultados dos embates eleitorais em que se meteram os chefes republicanos antes do 15 de novembro. sem a participação popular.5 EDUCAÇÃO NA REPÚBLICA Um fato decisivo para Proclamação da República é a Libertação dos Escravos por meio da Lei Áurea de 1888. o número de clubes e dos membros desses clubes. os operários. rendeiros. não o suficiente para despertar do interesse do povo. Um século marcado pela sombra das influências da Revolução Industrial. os posseiros. da experimentação.5. de início. descontentes com a medida. O fato de não haver sido a República uma aspiração popular se deve menos ao respeito e ao amor pela monarquia do que ao conteúdo vago – para não dizer vazio – do programa do Partido. sofre a influência da doutrina positivista. Socialmente não representava os interesses de uma classe definida. (COMTE. nem a lavoura nem a incipiente burguesia. 27 . Leôncio Basbaum (1967) apresenta a seguinte análise em torno do movimento de transição do Império para República: • 1° que de fato não havia uma tradição republicana no Brasil como querem alguns autores.

a existência humana deve ser determinada apenas pelo que é passível de verificação empírica. estendendo suas influências no processo de implantação da república por meio de Benjamin Constant. o presente e o futuro da humanidade. na classificação das ciências e na religião da humanidade. difundindo as idéias de Augusto Comte. Assim. quanto a inclusão de elementos da moral positivista na área educacional no final da segunda metade do século XIX. em 18 de outubro de 1836. Seu pai Leopoldo Henrique Botelho de Magalhães. cada indivíduo ao passar pelos “estados” propostos na sua doutrina reproduz a história da humanidade. teses etc.História da Educação A doutrina positivista considera o homem um produto da natureza. seja nos templos das Igrejas positivistas. É o conhecimento científico que determina a nova moral. da segunda metade do Século XIX. A esta lei de filiação meu Sistema de Filosofia Positiva sempre associou a lei de classificação. 28 Para Comte. seja nas tribunas dos intelectuais ilustrados ou se possível nas instituições de ensino público. natural de Torre de Moncorvo. por sua complicação crescente. por meio de discursos. a partir de um modelo pedagógico fundamentado na lei dos três estados. Bernardina Joaquina da Silva Guimarães. seguiu a carreira militar. passando a pertencer à 3ª Companhia do Corpo de Artilharia de Marinha. No Brasil. a ordem por base. uma mesma lei geral nos permite de agora em diante abarcar ao mesmo tempo o passado. Benjamin Constant Botelho de Magalhães nasceu no Porto do Méyer.] tudo começa. o seu principal representante. tanto no eixo centro-sul quanto em outras regiões do país. onde a matéria representa o fundamento de toda ordem existencial. Freguesia de São Lourenço no Município de Niterói (RJ). embora sem um movimento articulado nacionalmente. artigos. Desse modo. entrando para a classe dos avulsos”. Augusto Comte (1988) afirma que: [. Na ótica positivista. segundo a qual nossas diversas concepções participam de cada fase sucessiva. ou. Assim. o progresso por fim” – eis a fórmula positivista apresentada contra a anarquia e o atraso da sociedade católico-tomista. em 28 de novembro de 1833. Português por seu pai e brasileiro por sua mãe D. . desenvolvido mediante o processo evolucionista. sobrenatural e teológico cede lugar para o “novo deus”: a natureza una e soberana. passando pela argumentação metafísica.. com seus apóstolos da humanidade. com efeito. o conhecimento dos fenômenos naturais constituiu-se na via de mão única para o conhecimento do homem. para desembocar na demonstração positiva. garantindo a sua evolução progressiva dentro da sociedade humana. cuja aplicação dinâmica fornece o segundo elemento indispensável à minha teoria da evolução. mesmo enfrentando as perseguições dos segmentos católicos e as sanções das autoridades representativas do poder imperial. positivistas com visão ortodoxa. por meio de uma “nova vida” marcada pelo altruísmo. A idéia de um deus. Sabe-se que esta ordem está regulada pela generalidade decrescente dos fenômenos correspondentes. o que implica o mesmo. pela dedicação à família e à pátria. A moral positivista deve formar cientificamente o indivíduo. natural do Rio Grande do Sul. sob inspiração teológica. atuavam em diversas instituições.. determinando a ordem necessária. aos vinte anos alistou-se como voluntário no Regimento Provisório de Portugal. alcançando em 18 de outubro de 1829 o posto de 1º tenente. de onde foi “mandado desembarcar. devidamente adaptadas de acordo com a maior ou menor crença de seu autor e o ambiente intelectual de sua região. “O amor por princípio. “nossos positivistas” começam a apresentar as idéias morais de Augusto Comte em jornais e instituições de ensino.

Apreciando tal sociedade como simples instituição destinada a prolongar alem da mórte a proteção e o amparo que devemos nóssa família. André Negreiros de Sayão Lobato e Antonio Jozé de Araújo. Foi sócio do Montepio geral e como Ministro da Instituição P'blica criou o montepio obrigatório para os funcionários dessa reepartição. em homenagem a sua dedicação é que a instituição passou a se chamar Instituto Benjamin Constant. Comte..” Em agosto de 1862. Benjamin Constant dedicou seus maiores esforços a causa dos cegos. compósta de minha mãe viúva e quatro irmãos menóres e continuar os meus estudos. foi-me possível conseguir o duplo intuito que tinha em vista: . 1937. Tornou-se. que o ingrésso na referida irmandade da Crus dos Militares ezige do público a mais grave atenção. E nós o havemos de ver até o fim de sua vida apegado às suas idéias sobre sociedades de aussílios mútos e montepios. [..44).ser útil a minha família..] Nós o encontraremos filiado à Imperial Irmandade da Cruz dos Militares. diretor da referida instituição de ensino. Teixeira Mendes (1937) apresenta um comentário sobre a referida irmandade católica: Para ver-se até que ponto ião as consessões. Fui por muitos anos esplicador déstas matérias nas escólas Central. e ensinei também em alguns colégios. noivo da filha do Dr. Porque a sua ezistência impórta em segregar o destino dos que nos são caros da sórte geral dos nóssos similhantes. depois de fazer solene profissão de fé pozitivista e depois de ter fundado a república.. em carta dirigida ao Ex-Conselheiro João Alfredo. mesmo com a sua aproximação da doutrina de A. dois dias após a morte de Constant. lembraremos que o compromisso da irmandade esplícitamente determinada que só pódem ser admitidos néla os cidadãos que professárem a religião Católica Apostólica Romana ( art. aos poucos transformou-se em uma sociedade de auxílio mútuo. e manda que seja riscado qualquér irmão que abjurar a referida religião ( art. .] Por meus esfórços e pela fé com que me empenhava em aussiliar os meus esplicandos e dicípulos em seus estudos consegui no fim de alguns anos uma reputação por demais lizonjeira como professor de matemáticas elementares e superiores. apesar das regras escritas com o intuito de fortalecer o culto católico. em 1852. mas.. que aliás constituem o único apoio de tais agrupamentos. os Drs.1937. lutava contra as dificuldades financeiras que cercavam sua família. Antes de conhecer a doutrina positivista. garantindo ajuda as famílias pobres de seus associados. foi servir no 1º Regimento de Cavalaria. obtivera a cadeira de lente do Instituto dos Meninos Cegos. então. com a finalidade de divulgar o culto a Cruz de Cristo entre os católicos das forças armadas.História da Educação Aos 16 anos de idade. (MENDES.38). com destino a Escola Militar. chegando a assumir a direção do Instituto de 1869 a 1883.35). Cláudio Luís da Costa. Quanto à Benjamim Constant. já em 1854 era “explicador” de matemática elementar da referida escola. de 24 de janeiro de 1891. como todas as congêneres. p. Constant. a sua pernicióza influência pública e privada. 32).. Militar e de Marinha. apesar da pobreza. comenta que: Aussiliado pela confiança que em mim depozitávão meus dignos e venerandos lentes e amigos. Mas não é só sob o aspéto de uma incoerência. [. Benjamin Constant fez parte da "Imperial Irmandade da Cruz dos Militares". apenas esplicável pela relaxação geral dos costumes. Benjamin. por decreto do Presidente Deodoro da Fonseca. A "Imperial irmandade da Cruz dos Militares". De origem pobre. confraria instituída em 1628. 29 A respeito de sua carreira no magistério. éla patenteia. prevalecendo-se de várias ezistentes e instituindo outras . (MENDES. p.

30 Em 1867. uma outra versão circulava entre os membros da Escola Militar a partir de informações colhidas pelo Capitão Beviláqua de que. ao Instituto Politécnico do Rio de Janeiro. Benjamin defenderia uma concepção positivista do saber e da educação. em que era grande a influência da concepção matemática de Comte. redigindo o seu segundo relatório como diretor do Instituto de Meninos Cegos. surpreendendo por sua sabia previdencia as sciencias em seu termo e dando-nos. o capitão Pinto Peixoto. a Religião da Humanidade é a minha religião. sigo-a de coração com a differença porém de que para mim a família está acima de tudo. Sigo. Benjamin Constant assinalava que: “o meio mais poderoso de que um governo pode lançar mão para o engrandecimento moral e material de seu país é sem dúvida alguma a instrução”. Efetivamente. que se pode circunscrever atualmente em pouco mais dos limites de nossa instrução primária e como uma extensão dela. em 1857. que te amo mais que a tudo e que a todos neste mundo. que és a minha unica felicidade. no posto de capitão. Benjamin Constant apresenta na carta endereçada a esposa. como ressalta Teixeira Mendes. “acessível a todos os espíritos sãos” e “mais proveitoso ao indivíduo. a minha religião. particularmente a do parlamento. Para Constant a instrução deveria ser baseada num “bom sistema de educação científica”. fora levado a ler o 1º volume do Sistema de Filosofia Positiva por indicação de um lente da antiga Escolar Militar. entuziasmara-se pela espozição do Reformador. ao examinar as necessidades da Instituição que dirigia. tornou-se entre nós o maior admirador conhecido do Fundador da Religião da Humanidade. as idéias de Augusto Comte já faziam parte de suas reflexões. para o positivismo.História da Educação Participou ainda. embora.. Seja como for. e a unica que dimana naturalmente das leis que regem a natureza humana. É uma religião nova. lera-o. asseverou ter ouvido o próprio Benjamin Constant dizer que. suas crenças. Não podia ser a primeira porque ella depende do conhecimento de todas as leis da natureza. Em pleno cenário da guerra do Paraguay. Nessa época. menos de três anos mais tarde. destacando vários elementos que fazem parte dos princípios da moral positivista. na sua Religião Positiva – a religião definitiva da Humanidade. Mas. Segundo Teixeira Mendes (1937). o cérto é que desde então o seu ensino resentiu-se da incomparável influência do nósso Méstre e em tão alto grau que em bréve Benjamin Constant. tratando da instrução intelectual. Entretanto. Benjamin encontrara casualmente em um livreiro esse mesmo 1º volume. Em seu relatório. Benjamin Constant apresentava. lente da Escola Militar. como sabes. à família. todas as suas doutrinas. Acrescentando: “que este plano. e mandara imediatamente buscar as outras óbras do filózofo para si e dois amigos. a mais philosophica. ou seja. do que Clotilde de Vaux era para o sábio e honrado Augusto Comte. muito mais. o filósofo francês não seja uma só vez citado. e mesmo quando as diversas sciecias estavam em embryão: não teria ainda apparecido se ao genio admiravel de Augusto Comte não fosse dado pela vastidão de sua intelligencia transpor os seculos que hão de vir. 5 de junho de 1867. porém a mais racional. Comprara-o. portanto. Tu és para mim mais. à sociedade e à humanidade em geral”.. não podia apparecer na infância da razão humana. para o povo . chegando mesmo a insinuar a superioridade da Religião da Humanidade. sua “profissão de fé em Augusto Comte "positivista”. a minha unica ventura. como verificamos no trecho de uma carta enviada a sua esposa. onde diz: Lembra-te que sou o teu maior e verdadeiro amigo. da guerra contra a República do Paraguai para onde seguiu no ano de 1866. é uma consequencia natural desse conhecimento e. seus princípios. datada de Tuyuty. Deu-se isto. um trabalho sobre a teoria das quantidades negativas. Benjamin Constant iria chamar as atenções gerais.

os mestres são os menos culpados nesta imbecilização oficial da mocidade. além dos Pareceres de Rui Barbosa de 1882 sobre o Ensino Primário. a responsabilidade cabe quase toda à péssima direção do ensino popular. organizadas no governo do Conselheiro João Alfredo. contendo como dogmas de fé científica o maior número possível de princípios teóricos reduzidos a preceitos de imediatas aplicações gerais à vida prática. a Exposição Pedagógica de 1883 que reuniu os trabalhos que seriam apresentados no Congresso da Instrução desse mesmo ano. nas melhores escolas oficiais da localidade. vai marcar os meios intelectuais da época. O governo de Deodoro da Fonseca. As idéias de liberdade e igualdade da Revolução Francesa.. ensino seriado. condicionadas necessariamente. mas não monopolizar a administração do ensino elementar. Aliás. A nova maneira de pensar.. e por assim dizer usuais e domésticas”. tentou pôr em prática a idéia de uma Secretaria de Negócios da Instrução Pública.] para formação completa do nosso juízo. também não tiveram efetivação plena. Correios e Telégrafos. suas idéias repercutissem em toda sociedade. ensino religioso. criada em 19 de abril de 1890 e assumida por Benjamin Constant (Governo Provisório. por via de regra. .640-42) até a sua morte. a organização do novo regime realizouse em função das idéias dominantes entre aqueles que compunham o Governo Provisório. que como o congresso referido. pois. Muitos dos temas discutidos nesses trabalhos eram coincidentes. A reforma da Instrução Primária instituída por Constant surgiu num momento político em que se discutia a administração do ensino elementar.História da Educação uma espécie de religião. inclusive. contando com um momento histórico favorável para a fermentação de “novas idéias”. dentro do contexto da Revolução Industrial. as últimas décadas do Império foram marcadas por várias questões polêmicas como a eleitoral. demonstrando certa preocupação da sociedade civil com a instrução primária: dentre outras. inspirada na doutrina positivista. buscamos estudar a situação real das coisas no município neutro. liberdade de ensino. influenciando assim a Reforma Constant. numa tentativa de centralizar no estado. a religiosa. distribuição do tempo e das matérias. Decreto nº 346. a militar. a “Luz da ciência”. essas discussões já vinham acontecendo no Império e foram objeto de análise de muitos políticos. Além disso. muito embora. um repensar das tradições morais. 5 O pensamento de Comte vai encontrar em Benjamin Constant o seu principal divulgador no âmbito da educação. a escravista e por movimentos sociais a favor da federação e da República que. de Rui Barbosa. O relator de nossa comissão teve o desgosto de encontrar. Deste enorme pecado contra a pátria e contra a humanidade. vão estar presentes. Foram realizadas as Conferências Pedagógicas de 1873. dos valores e das formas de viver e organizar a sociedade brasileira. currículos. organização da escola. métodos de ensino. 19-04-1890. às condições sócio-culturais. Alguns eventos de cunho pedagógico vão marcar o final do império. programas. favorecia o espírito científico e a expansão do modelo capitalista. este desgraçado achaque. nas discussões e nos movimentos políticos. que dizia: [. produziram em conjunto. a recuperação econômica por meio do café. gerando uma nova maneira de encarar a vida em sociedade. em janeiro de 1891. havia reflexões sobre escolas mistas. 31 Um conjunto de tendências e interesses marcavam os primeiros anos do governo federal. obrigatoriedade do ensino. p. aos métodos e aos livros adotados. gratuidade. que contudo não se realizou.

resolve approvar para a Instrucção Primaria e Secundaria do distrito Federal o regulamento que a este acompanha assignado pelo General de brigada Benjamin Constant Botelho de Magalhães. em nome da Nação. que estabelece os princípios gerais da Instrução primária e secundária: DECRETOS DO GOVERNO PROVISÓRIO DECRETO N. Ministro e Secretario de Estado dos Negocios da Instrucção Pública. a campanha republicana. a que se refere o decreto desta data. O Generalissimo Manoel Deodoro da Fonseca. os riograndenses com o positivismo militantes. MANOEL DEODORO DA FONSECA Benjamin Constant Botelho de Magalhães Regulamento da Instrucção Primaria e Secundaria do Districto Federal. Demétrio Ribeiro.3010/3032). mas fora um meio ardiloso e delicado de afastar Benjamin Constant da pasta do ministério da guerra. 2º da Republica. a armada. Constant e Deodoro não se entendiam quando as questões ligadas à desordem no quartel e a lei de censura à imprensa. fazia parte desse jogo. p. Benjamin Constant. com Campos Sales. Correios e Telégrafos não correspondera. Apresentamos um trecho do decreto de Benjamin Constant. constituído pelo Exercito e Armada . Palacio do Governo Provisorio. Chefe do governo Provisorio da Republica dos Estados Unidos do Brazil.História da Educação Para Pedro Calmon (1963). submetida pelo Governo Provisório ao Congresso Constituinte. que assim o faça executar. bem como a reforma do ensino faziam parte dos arranjos dos interesses políticos. desde a primeira hora. Correios e Telégrafos. a uma necessidade imperiosa de caráter administrativo. (Decreto n°. 981. seu apóstolo da escola de guerra. Decreto n°. Nele figuravam a juventude das armas. É na vigência da Constituição de 23 de outubro de 1890.DE 8 DE NOVEMBRO DE 1890 Approva do Regulamento da Instrucção Primaria do districto Federal. 8-11-1890. que é promulgada a reforma da Instrução Pública Primária e Secundária do Distrito Federal assinada por Benjamin Constant (Governo Provisório. TITULO I Principios geraes da instrucção primaria e secundaria 32 . Dunsche de Abranches (1907) comentou que: A criação da Pasta da Instrução. A criação da Pasta da Instrução. o governo recém surgido visa: Conciliar os grupos na representação de suas tendências. mas. correios e Telegraphos. 981. 8 de novembro de 1890. Quintino e Aristides Lobo. p. com Vandenkolk. 914A. e o titular Benjamin Constant. a ala paulista. tudo estava sendo feito no sentido de consolidar a república num clima de paz entre os militares e civis. como se procurou justificar então esse ato.3474/3513).

§ único desse regulamento da Instrução Primária e Secundária que. os meios de instrução profissional de que possam carecer. Daí a publicação da Revista Pedagógica servir à veiculação dessas informações. desde que organizados segundo o plano desta escola. e os nomes dos professores. 1. o que gerava muito desconforto para os ministros e inviabilizava a materialização das reformas. Para dirigir estabelecimento particular de educação será exigida esta mesma prova e mais o certificado das boas condições hygienicas do edificio. § 2. O Pedagogium deveria constituir-se no centro propulsor das reformas e melhoramentos da instrução nacional. aos do ginásio nacional. o direito de matrícula nos cursos Superiores. Calmon (1956) confirma a situação de crise do governo: 33 . for dado às crianças no seio de suas familias. de ensino secundário. passado pelo delegado de hygiene do districto. os directores de estabelecimento particulares serão obrigados a franqueal-os à visita das autoridades incumbidas da inspecção escolar e da inspecção hygienica. Esta equiparação incluía não só a expedição de diplomas oficiais pelo sistema estadual ou pelo sistema particular.10 Para alguns monarquistas.º Depois de iniciados os trabalhos do ensino. e que não foi punido por demissão. viessem ocorrer nos estados e municípios. 38. assim como dos cursos. o ensino continuava em estado precário e seguindo de acordo com o movimento político. Apesar das tentativas de Constant. conferências e exposições havidos e de reconhecida utilidade para o aperfeiçoamento do professorado nacional. o ensino primario e secundario.3480). A criação do Pedagogium é uma outra manifestação da situação de referência que envolvia a reforma da instrução pública. p.História da Educação Art.º É inteiramente livre e fica isento de inspecção official o ensino que. sob as condções de moralidade. sob a vigilancia dos paes ou dos que fizerem suas vezes. com a finalidade de “oferecer ao público e ao professores em particular. propõe a equiparação dos exames de outros estabelecimentos.º Para exercer o magisterio particular bastará que o individuo prove que não sofreu condemnação judicial por crime infamante. § 3. é provável que a reforma pela sua importância naquele momento histórico e conjuntural fosse considerada modelo para o país e referência constante para as outras reformas que. § 4. a inspecção dos estabelecimentos particulares limitarse-há a verificar que elle nào seja contrario à moral e à saude dos alumnos. ao tratar do exame de madureza. o Pedagogium era um aproveitamento da idéia do ex-Museu Escolar Nacional. 8-11-1890. e a remetter à Inspectoria Geral mappas semestraes declarando o numero e alumnos matriculados. § 1. quaes os programmas e livros adoptados. Parece comprovar essa consciência de situação modelar o art. por força da descentralização administrativa e política do novo regime. no districto Federal. por meio de intercâmbio com autoridades e instituições congêneres dos demais estados do país e dos países estrangeiros. " É completamente livre aos particulares. também. mas. com um governo provisório mergulhado em uma “crise de confiança”. sua frequencia. 63 do presente decreto.º Na parte relativa ao ensino. de conformidade com o disposto no art. a exposição dos melhores métodos e do material de ensino mais aperfeiçoado” (Decreto nº 981. fundado em 1883. hygiene e estatistica definidas nesta lei. Apesar de se restringir à capital da República.

mas a política do Exército. Apesar da curta duração da reforma de Benjamin Constant. em relação à escola primária o ensino devia voltar-se para as “lições de coisas”. voltada para os súditos do império. a grandeza das leis morais e do civismo. quer dizer. Aliás. baseada nas regras da caserna. dos cálculos aritméticos. E sendo um positivista assumido vai mesclar em sua reforma educacional elementos do esquema moral comteano com os interesses das forças armadas. são os militares. Benjamin esperava. defendia a conciliação entre o caráter científico e articulações dentro do “jogo político”. em janeiro de 1891. como formulou posteriormente o general Goes Monteiro. da agronomia. representante do antigo regime. Por ser militar. sempre que houvesse o momento adequado para mostrar. com seus heróis e seus símbolos para manutenção da segurança da nação. este representa um grupo que. regenerar a sociedade. Representando. o que vai ser uma tônica em nossa sociedade. Como Comte. A educação ganha destaque como fator de “salvação nacional”. da língua pátria. sem dúvida que Benjamin Constant não está sozinho no poder. estabelecendo em seu lugar uma nova disciplina a Instrução Moral e Cívica: [.] que não constituía bem uma disciplina à parte. as virtudes cívicas e patrióticas. marcada pelo surgimento do cidadão da “res pública”. Finalmente. demarca o rompimento com os elementos determinantes da Igreja Católica. Os ministros demitiram-se coletivamente a 20 de janeiro. corresponderia à afirmação do direito individual e institucional à participação política.15 Benjamin Constant representa esse escalão intelectualizado dos militares no poder político do estado brasileiro. porque os escalões superiores têm sempre a sua peculiar maneira de fazê-lo). onde a educação passa a ser um elemento estratégico. Ou. A reforma Constant é a evidência principal da presença de elementos da doutrina e da moral positivista na educação brasileira. a política no Exército. assegurando a “evolução intelectual” dos indivíduos e o progresso da sociedade. José Murilo de Carvalho afirma que o positivismo estimulou as três “ideologias de intervenção” que orientaram as ações militares no início da história da República. mediante a reforma Constant. por meio da educação. a “intervenção moderadora” corresponderia a uma política da instituição.. com influências dos “ideais” da Revolução Francesa e da moral positivista. A Segunda. por meio da estruturação administrativa e curricular da escola primária. o “Regulamento da Instrução Primária e Secundária” de 1890. não se trataria de fazer. a do “soldado-profissional”. No Brasil. propugnando a não-participação (particularmente dos baixos escalões. a passagem da educação monárquica. para uma educação republicana. A primeira. 34 . e o Marechal Deodoro chamou para recompor o ministério o Barão de Lucena. que tem nessa “ordem” a certeza do “progresso” da sociedade. estimulados pela doutrina positivista.. através de exemplos vivos.História da Educação A crise de confiança atingiria seriamente o governo provisório. a do “soldadocidadão”. mas devia ser objeto de atenção e reflexão de todos os professores. intervindo também na organização do ensino brasileiro e na formação da mentalidade nacionalista. com o governo militar a República inicia um período assinalado por um entusiasmo nacionalista marcante que tinha na educação uma força importante para desenvolver o país ao nível do século. seria um contraponto institucional à primeira. Uma educação voltada para o cientificismo. sempre que possível as aulas estimulariam o acesso ao conhecimento prático dos fenômenos físicos e naturais.

pois que similhante medida ataca a autoridade patérna e destrói.História da Educação Além destas.16 A reforma do Ensino de 1890. elementos de língua francesa. não contempla todos os princípios do positivismo de forma ortodoxa. de direito pátrio e economia política. elementos de ciências físicas e história natural aplicáveis às indústrias. ginástica. que predominava na Europa e nos Estados Unidos.V. tomado este então como inteiramente destinado “a seu uso como se apresentasse. TOMO I. na Reforma Benjamin Constant. a apreensão do mundo exterior. o sistema métrico. Em matéria de ensino não se déve aceitar nenhuma impozição. p. e foi introduzida em nossa cultura por Rui Barbosa. ginástica e exercícios militares. os “positivistas ortodoxos”. que recebiam alunos de 13 a 15 anos. à agricultura e à higiene. que fez a tradução da obra do educador americano Norman Allison Calkins. e exercícios militares. e o Estado não póde impor méstres nem doutrinas. português. trabalhos manuais para meninos e de agulha para meninas. ao absurdo formalismo da escola antiga. trabalhos manuais para meninos e de agulha para meninas. de reduzir os ensinamentos às pesquisas de utilidade imediata. Quando se pretende submeter à sanção penal matéria que só comporta uma . sinão a que resulta da livre adezão de cada um às doutrinas em circulação. a leitura e escrita. como podemos conferir em um texto datado de: Rio. Benjamin tinha uma personalidade eclética. além da instrução moral e cívica (Governo Provisório. aritmética. geometria e trigonometria. relações íntimas e contínuas com sua existência”. centravam força. explica o significado do "ensino intuitivo". pelo cultivo complexo das faculdades de observação destinado a suceder triunfantemente aos processos verbalistas. em todos seus fenômenos.. 08-11-1889. pelo exercício reflexivo dos sentidos. álgebra elementar. elementos de música. pela realidade. 26 de Carlos Magno de 93 (13 de julho de 1886) . Já por vezes temos discutido ésta questão de ensino obrigatório e mostrado a incompetência do poder civil para decretá-lo. Inclusive. em 1866. Não se tratava. sobre "o ensino intuitivo". o contar e calcular. desenho de ornato.3475). bem antes da Reforma de Constant. a liberdade espiritual. desde de 1886. Decreto nº 981. 1886. o resultado da influência da Pedagogia de Henri Pestalozzi (1746-1827). música. noções. pela intuição. A obrigatoriedade do ensino é uma das muitas panacéias inventadas hoje para sanar males que não compórtão remédio legal e que só pódem ser debelados pela modificação gradual e lenta das opiniões e dos costumes. 1950). A obra do autor americano.] O Ensino pelo aspecto. figurado e topográfico.. como o fundamento das "lições de coisas": [. As "lições de coisas". intitulada Primary Object Lessons. (BARBOSA. buscando na maioria das vezes a conciliação com os demais personagens que faziam parte do processo de implantação da República. na qual consagrava as idéias pestalozzianas. 35 A ênfase no sentido prático do ensino devia receber especial atenção na escola primária de 1º grau que admitia alunos de 7 a 13 anos. mas de facilitar por meio da observação dos fatos. na crítica ao “ensino obrigatório”. como não póde impor padres nem religião. ainda. geografia e história. a escola primária do 1º grau abrangia. ao mesmo tempo. são também. Para as escolas primárias do 2º grau.. de paisagem.XIII. até porque.. o próprio Rui Barbosa. especialmente do Brasil. o mesmo regulamento indicava: caligrafia. recebeu o título em Português de Primeiras Lições de Coisas. contudo. no preâmbulo com que apresentou o livro.

Desse modo. Lavramos o nósso protésto desde já. si for necessário. Por ser matemático vai garantir como disciplina curricular a “lição das coisas”. instrução moral e cívica. o ensino “enciclopédico” tinha a pretensão de profundidade. depois elementos da física e química). mas de fornecer-lhe as luzes capazes de guiá-lo em todas as circunstâncias da vida (na profissão. e que não é. monárquico ou republicano.17 Mesmo apoiando algumas posições contrárias aos ortodoxos com relação ao ensino. Benjamin Constant. R. qualquer que seja o rótulo. de similhante governo. geografia. Sendo que o currículo da escola primária do 1º grau (7 aos 12 anos) era composto por onze disciplinas: português. chegando a ser considerado por Teixeira Mendes. a matemática para a mais complexa. Teixeira Mendes (Rua de Santa Izabel nº 10) N. história e ciências (história natural. Em Benjamin Constant. em vez da cultura estética e lingüística. mas também por todos os cidadãos que tivérem dignidade cívica e soubérem compreender que sem liberdade espiritual compléta não há outra alternativa sinão para os mais ferrenho e degradante despotismo. não só pelos nossos correligionários pozitivistas. como recomenda Comte. que tal problema póde ser rezolvido. 36 . o saber de tudo que existe no universo. copiando servilmente regulamentos de paízes estrangeiros e amalgamando-os com vistas colhidas aqui e ali na leitura de meia dúzia de publicistas alamóda. Uma das divergências entre Constant e Comte com relação a educação estava no conceito de cultura enciclopédica. e.História da Educação solução espiritual. como o verdadeiro “Fundador da República Brasileira” e um dos maiores divulgadores dos valores morais apresentados pela doutrina de Comte. uma vez que. de acordo com a “classificação das ciências” (da mais simples. voltaremos a discutir o assunto. a sociologia). Miguel Lemos (Rua de Santa Izabel nº 6) N. música. matemáticas (aritmética. como chefes de família e como pozitivistas. Nesse sentido não se tratava de fazer do homem um sábio especializado.. portanto. onde o ensino das crianças vai partir da observação e do contato direto com seres. esse saber era encadeado por sua própria natureza e unificado na escola enciclopédica. objetos e fatos. Para o comtismo. não era preciso conhecer tudo de cada uma delas. no entanto. mas que são radicalmente incompetentes. planta-se o absolutismo e lança-se o gérmen das reações violentas. o saber enciclopédico e o saber total em extensão. ao contrário de Comte. (. em Niterói a 25 de Novembro de 1854. geometria e álgebra). mas apenas o indispensável para a cultura intelectual e para o seu conhecimento. Benjamin Constant vai ser cultuado por esse grupo positivista. Ver-se-á então mais uma vês que a reforma do ensino público supõe nada menos do que a renovação filozófica e religióza da sociedade modérna. em Caxias a 5 de Janeiro de 1855. não segue a lei dos três estados e a classificação enciclopédica das ciências. cívicos ou sociais). vai priorizar o ensino das ciências e das matemáticas como base da Educação Infantil.) Temos fé em que nésta rezistência seremos acompanhados. nos deveres domésticos. como cidadãos..

(RIBEIRO. O positivismo é filtrado nas medidas expostas no regulamento de Benjamin Constant. Getúlio Vargas ocupa cronologicamente o período denominado Estado Novo. dentro da cultura brasileira. é criado o Ministério da Educação e Saúde. é necessária porque se refletirá na organização escolar. Do ponto de vista político. O código Epitácio Pessoa (1901) acentua a parte literária ao incluir a lógica e retirar a biologia. 37 . de valores construídos na prática pela prática. que não temos dúvidas deveriam começar já no Ensino Básico. a sociologia e a moral. Neste período. fornece os elementos centrais para o enraizamento de uma cultura escolar baseada nas “lições das coisas”. personagem responsável pela movimentação de idéias de reformas da educação na década anterior. por meio dessa reforma do ensino de 1890. voltada para a organização do Ensino Superior. A caracterização do reforçamento do traço de dependência na base da estrutura social durante os anos de 1894 a 1918. a partir de 1951. mas sem dúvida que. determinando ao final do século XIX as bases da estrutura e funcionamento da escola moderna brasileira. as idéias que norteiam a moral positivista penetram na organização da escola primária brasileira. apresentar o termo “enciclopédico” no sentido de superficial. em vez do fundamental delas. Ribeiro (1991) faz uma análise do efeito das Reformas Educacionais na primeira fase republicana apontando os traços deixados na cultura escolar e as influências de filosofias européias que passam pelo classicismo humanista até o realismo cientificista de cunho positivista. p. 3. 73). que vai de 1937 a 1945. por meio do voto. Além disso. tendo a frente Francisco Campos. que acabou de ser feita. ginástica.História da Educação desenho. noções de agronomia e trabalhos manuais – algumas subdivididas conforme avançavam as séries (ou classes) e contempladas com uma programação que pretendia abarcar “tudo de todas as ciências”. é lançada Reforma Francisco Campos. Daí. ser comum.5. a Reforma Rivadávia (1911) retoma a orientação positivista tentando infundir um critério prático ao estudo das disciplinas. Em 1931. reafirmando o traço de dependência cultural. Os resultados foram desastrosos. ampliando a aplicação do princípio de liberdade espiritual ao pregar a liberdade de ensino (desoficialização) e de freqüência. sem chance para as interpretações críticas. uma tradição da objetividade. com o objetivo de que o secundário se tornasse formador do cidadão e não do candidato ao nível seguinte. e transferindo os exames de admissão ao ensino superior para as faculdades. gerando para a escola primária (Ensino Fundamental) até os dias de hoje. 1991. abolindo o diploma em favor de um certificado de assistência e aproveitamento. A série de reformas pelas quais passa a organização escolar revela uma oscilação entre a influência humanista clássica e a realista ou científica.2 Educação na Década de Vargas Em 1930. no tratamento superficial dos conteúdos das disciplinas do currículo. retornando ao poder.

assim como a expansão capitalista não se fez da mesma forma em todo o território nacional. Observou-se. Júlio de Mesquita Filho. (ROMANELLI. OS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. o fato de expor-nos ao risco de enfrentar e até mesmo. ao lado de uma profunda e sofisticada preocupação pedagogizante. no contexto da qual se dá a maior parte dessa primeira fase de industrialização que vai de 1930 a 1961. o corpo propriamente dito do escrito. no entanto que. jamais um escrito teve repercussão semelhante ao Manifesto dos Pioneiros. (RIBEIRO. mas também a filosofia da educação social-radical. Afrânio Peixoto. Hermes Lima. composto de 46 páginas. que ainda não temos. cuja a superação está a exigir uma tradição cultural e educacional. em matéria de educação. 154) Para Romanelli (2001). falando de suas deficiências e propondo a reconstrução da educação. Raul Briquet. Anísio Spínola Teixeira. b). p. Ferreira de Almeida Junior. Lourenço Filho. que irá tomar conta inicialmente do eixo São Paulo – Rio. Roquette Pinto. em 22 páginas de autoria de Fernando de Azevedo. expunha não só a pedagogia da Escola Nova. 38 . a nosso ver. da autoria de 26 eminentes educadores. • a segunda. p. Mário Casassanta. Frota Pessoa. Delgado de Carvalho. e com isso. e depois de todo o país. Pascoal Lemme. duas ou mais épocas históricas simultaneamente. Para a autora. e de sermos com isso obrigados a resolver problemas que outros povos já resolveram há um século ou mais. Sampaio Dória.História da Educação Getúlio Vargas passa a exercer um papel central no âmbito da política brasileira. entre os quais: Fernando de Azevedo. enquanto enfrentamos situações mais complexas. E é sob sua liderança que se aplica a política do nacional-desenvolvimentismo. como nos demais aspectos da vida social. Noemy da Silveira. seus líderes desejavam mudar a educação de forma revolucionária. 1994. o que trouxe como conseqüência uma das contradições mais sérias do sistema educacional brasileiro. E a terceira??? Na História da Educação Brasileira. a implantação definitiva do capitalismo industrial no Brasil gerou modificações no horizonte cultural da época. 4. Cecília Meirelles. compõe-se de três partes: • a primeira. 60). republicado em 1932. 2001. de passar a viver o dualismo educacional que se traduz pela presença do analfabetismo e ausência de educação primária gratuita e universal. esta contradição pode ser sintetizada em dois pontos básicos: a) o fato de vivermos. a expansão da demanda escolar só se desenvolveu nas zonas em que se intensificaram as relações de produção capitalista. A demanda social da educação cresce e se consubstancia numa pressão cada vez mais forte pela expansão do ensino. focaliza o atual problema educacional brasileiro.

Inquéritos político-militares (IPM) são instalados. não à receptividade. a Reforma atribui ao Ensino Secundário a sua finalidade fundamental. publicada no Brasil. com o objetivo de servir de guia para toda a educação Nacional. que é a formação da personalidade do adolescente.. apresentam a alternativa da Educação Nova. ocupa-se principalmente do Ensino Médio e não tanto do Ensino Primário. p. Os movimentos sociais ligados a área da Educação que mais se destacaram foram os Centros Populares de Cultura (CPC). O uso a tortura como instrumento de obtenção de “confissões” generalizou-se e “aprimorou-se”.1. sob a chefia do general Golbery do Couto e Silva. Ribeiro (1994. Um evento histórico importante para a educação é a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.] Ao final do ano de 1964 havia 50 mil presos políticos em todo o país”. passam a infiltrar-se em toda parte. No trecho a seguir. cuja origem está ligada a Prefeitura de recife e no Rio Grande do Norte. Os agentes do Serviço Nacional de Informação (SNI). que antes mesmo da ocorrência do golpe já militava na causa da erradicação do analfabetismo e por conta desse trabalho ficou exilado de novembro de 1964 a junho de 1980. fazendo um apelo dos jardins de infância até a universidade. Como efeito do medo que se instala começam também as delações em grande escala. formada por princípios gerais.. pautada no espírito dinâmico. de 9 de abril de 1942. 4244. da alçada e jurisdição do governo central. Nesse contexto.. por isso mesmo. considerada arcaica e superada. de 20 de dezembro de 1961. 142): “[. que constitui o que se chama a Lei Orgânica do Ensino Secundário. 4024. mas a atividade criadora do aluno. do Presidente da República e seu Ministro. A Reforma de Gustavo Capanema. a sociedade civil engendrou várias formas de resistência.História da Educação declarando-se contra a educação Clássica. dava direito ao governo de cassar mandatos e suspender direitos políticos sem necessidade de justificação.d. Além do movimento de educação de base (MEB). 157) ilustra esta forma de governo no trecho abaixo: O Ato Institucional nº 1 (AI-1). apenas em 1975. A obra Pedagogia do Oprimido é a síntese da proposta freiriana para a educação de adultos. julgamento ou direito de defesa. tomando como base o percurso para a publicação da referida obra: 39 . o próprio Paulo Freire relata as dificuldades vivenciadas no período da ditadura militar. ligado a Confederação dos Bispos do Brasil (CNBB) e ao Governo Federal. 4. n°. podemos destacar o trabalho desenvolvido pelo educador pernambucano Paulo Freire. de 10-04-64. entre outras questões. Decreto-Lei n°. Militarismo e Educação no Brasil: os efeitos do Golpe de 64 O Militarismo e seus feitos na sociedade brasileira podem ser mesurados a partir da afirmação de Leôncio Basbaum (s. que aparece em 1961. com a campanha “De pé no chão também se aprende a ler”. A despeito da condição de profunda violação dos direitos humanos. Os militares passam a governar o país por meio de atos institucionais. ligados a União Nacional dos Estudantes (UNE) e os Movimentos de Cultura Popular (MCP).

1997. acusava o recebimento do material pedindo que esperasse por tempos mais favoráveis para a sua publicação. vivamos de novo a negação da liberdade. o ultraje a democracia. que gostaria de salientar. da democracia. Há mais um aspecto ligado a Pedagogia do oprimido e ao clima perverso antidemocrático do regime militar que se abateu sobre nós que forma singularmente raivosa. seria interessante que o texto datilografado chegasse às mãos de Fernando Gasparian. Aquela altura. (.. em nome da liberdade. Freire.). do respeito a coisa pública.. para o portador. mas também. e sobretudo. ou nos começos de 1971. que a si mesmo pitorescamente chamou de revolução (. 40 . tantos anos depois e cada vez mais convencido do quanto devemos lutar para que nunca mais. como nos impôs o golpe de estado de 1º de abril de 1964. da ética. mais ainda odienta. Sua publicação aqui. Mesmo sabendo que o livro não podia ser editado aqui [Brasil]. quando o livro já tinha sua primeira edição em inglês. A questão que se colocava era como remetêlo com segurança não só para os originais. Constant. p. começo dos anos 70. Gasparian.História da Educação Agora. 1 – Analise a relação entre o positivismo e Reforma de B.. ter sua primeira edição em Português. diretor da [editora] Paz e Terra. discretamente. Remeti o texto nos fins de 1970.) Dias depois.. 62-63) Atividade 4 Análise. já morávamos em Genebra. língua em que foi originalmente escrito. a enganação e a desconsideração da coisa pública. sua primeira impressão só foi possível em 1975 (FREIRE. que o publicaria. 2 – Faça um levantamento em bases convencionais e em bases virtuais de pesquisa sobre a Educação Nova na década de 30 do Século XX. 3 – Construa um texto histórico sobre a trajetória do Educador P.

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