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as coisas. De fato, se ambos são necessários, o lazer é mais desejável que os negócios, e é o objetivo destes; temos portanto de perguntar: como de-

vemos fruir nosso lazer? Certamente não será jogando,

pois se assim fosse

os jogos seriam o objetivo

de nossa vida; como isto é impossível e as diversões

são mais úteis no tempo em que nos dedicamos aos negócios (quando se está fatigado tem-se necessidade de relaxar, e o relaxamento é o objetivo dos jogos, ao passo que os negócios são acompanhados de fadiga e concentração), ao introduzir as diversões na cidade devemos discernlr os momentos favoráveis para as usarmos, pois as empregamos como se fossem remédios; a sensação que elas criam na alma é relaxante para a mesma, e é relaxante por ser agradável.

Mas o lazer parece conter em si mesmo o prazer, a felicidade e a bem- aventurança de viver, e isto não está ao alcance dos homens ocupados, e sim

dos que usufruem o lazer; o homem de negócios se ocupa na busca de algum objetivo ainda não alcançado, mas a felicidade é um objetivo alcançado, que

todos os homens consideram acompanhado não pelo

sofrimento, e sim pelo

prazer; nem todos os homens, porém, definem este prazer da mesma forma; cada um o concebe segundo sua própria natureza e seu próprio caráter, e o . prazer que o melhor dos homens considera ligado à felicidade é o melhor prazer e provém das mais nobres fontes. ~ claro, portanto, que há ramos do conheci- mento e da educação que devemos cultivar apenas com vistas ao lazer dedicado à atividade intelectual, e tais ramos devem ser apreciados por si mesmos, enquanto as formas de conhecimento relacionadas com os negócios são culti-

vadas como necessárias e como meios para atingir

outros fins. Por esta razão

os antigos incluíram a música na educação, não por ser necessária (nada há de

necessário

nela), nem útil no sentido em que escrever e ler são úteis aos

negócios e à economia doméstica e à aquisição de conhecimentos e às várias atividades da vida em uma cidade, ou como o desenho também parece útil no sentido de tornar-nos melhores juízes das obras dos artistas, nem como nos dedicamos à ginástica, por causa da saúde e da força (não vemos qualquer destas duas resultarem da música); resta, portanto, que ela seja útil como uma diversão no tempo de lazer; parece que sua introdução na educação se deve

a esta circunstância, pois ela é classificada entre as diversões consideradas

próprias para os homens livres.

.

(Aristóteles, Política. Trad. de Mário da Gama Kury. Brasília, Ed. Universidade de Brasília, f985 , p. 269-270.)

62

Antiguidade romc: na :

a humanltas

. A Grécia vencida conqulsto~ ~or levou a civilização ao bárbaro t.acto. (Hor

sua vez o rude vencedor e

ácio)

_. As armas ,:,aotmha~ c

onse uido submetê-Ios a não ser .par- 9 domou. (Plutarco)

cialmente; foi a educaçao que os

Primeira parte Contexto histórico

1. Introdução

ao segundo milênio a.C., quando a

Os primeiros tempos remontam

,

da por tribos de provável

di

Ia se ac h a povoa

P arte centro-sul da peUin~u .

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à agricultura.

versos povos e mgua ,

dedicando-se alguns a~ pastorelO" e de comunidade primitiva, não ha~

O

povo latino

Vive ~m reglm, d da terra, Os membros do clã

vendo,

de início, a propnedade pn~;a~ a autoridade máxima do paier-

rendem culto aos antepassados e aLc~l, regl'-ao onde mais tarde, prova-

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envolto em lendas.

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No século VII a.C., os gre~os come M

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Grécia. Bem ao norte,

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península que passa a ser con

, mais adiantado e conhecedor

agna

na Etrúria (atual Toscana), ~ P~v~:I os etruscos iniciam sua expansão

escrita. Por' volta do mesmo se~~ o d Lácio onde o regime gentílico se

conquistando, inclusive, a reglao _o

,

achava em processo de .des~gregaç:~'a em três períodos:

Vamos dividir a hlstóna rem f d - de Roma à queda do último

• Realeza (de 753 a 509 a.C.): da un açao

rei etrusco.

63 .

República (de 509 a 27 a.C.): a República é marcada, de início, pela

luta entre patrícios e plebeus e, depois, pelo expansionismo militar.

• Império (de 27 a.C. a 476 d.C.): da instauração do Império à sua

queda com a invao dos bárbaros.

2. Realeza

No período da Realeza, a economia passa do pastoreio à cultura

de cereais. Roma, com o desenvolvimento do comércio,

transformar em urbs (cidade). A posse comum da terra

pela propriedade privada.

começa a se

é substituída

Surge, então, a divisão de classes:

de um lado a aristocracia de

nascimento, representada pelos patrícios, e de outro a maioria da popu-

lação, constituída de plebeus, geralmente homens livres (camponeses,

artesãos, comerciantes), mas sem direitos políticos. Há também uma

camada intermediária, os clientes, plebeus ou estrangeiros que se colocam

na dependência de uma família patrícia para obter proteção jurídica em

troca da prestação de serviços. Nessa época também há escravos, embora

ainda em número reduzido.

3. República

Com a queda do último rei etrusco, inicia-se a República que re-

presenta os interesses dos patrícios, únicos a terem acesso aos cargos

políticos. O poder executivo é representado por dois cônsules eleitos.

O Senado, composto por membros vitalícios, é o principal órgão da

República.

No entanto, algumas camadas da plebe enriquecem _ sobretudo

aquelas que se dedicam ao comércio -, e são intensas as lutas para a

obtenção de iguais direitos políticos e civis. Os plebeus alcançam diversas

conquistas nos séculos V e IV a.C., como a criação do Tribunato da

Plebe, a publicação da Lei das Doze Tábuas, a permissão do casamento

misto etc.

O que de fato está ocorrendo é o surgimento de uma nova aristo-

cracia (não mais pelo nascimento, mas pela riqueza) que passa a ocupar

os altos cargos públicos. Os plebeus pobres continuam à margem do

processo político e têm sua situação econômica piorada com o aumento

da importação de escravos estrangeiros em razão das guerras de con-

quistas. Com isso, muitos pequenos agricultores perdem suas terras, e

os artesãos vêem o trabalho manual ser desvalorizado ao se tornar tra-

balho de escravos.

64

As conquistas começam

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já no século Il l a.C.

n~ se~~e~ dosa·ro~:nos. Começa, então, a

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toda a península se encontr~ e G p

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com as tres

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1 ti mente as mais diversas regioes ate

Em segui?a lsãO I occupa o =~t~e~i~~:râneo ~orna-se conhecido como Mare

que, no secu o a..,

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65

Evidentemente

são grandes as transformações

ocorridas. Intensifi-

cam-se as relações comerciais e surgem grandes fortunas. Aumenta con-

.sideravelmente

o número de escravos, conseguidos

nas guerras, pela

pirataria e por dívidas. Muitos deles pertencem ao Estado e se ocupam

com a construção de monumentais obras públicas. Outros são propriedade

de particulares

e trabalham no campo ou na cidade,' onde desempenham

até função de preceptores, quando instruídos. Às vezes tornam-se libertos,

geralmente por recompensa a serviços prestados. A situação em que se

encontram é tão brutal e desumana que, nos séculos II e I a.C., ocorrem

diversas revoltas de escravos, das quais a mais famosa foi a de Espár-

taco (73 a.C.).

A expansão romana altera profundamente

as tradições devido à in-

fluência estrangeira, sobretudo do helenismo (a Grécia fora anexada em

146 a.C.). A influência oriental também é marcante, fazendo-se sentir no

luxo dos costumes e nos governos cada vez mais personaHstas, à imagem

do despotismo oriental.

4. Império

As manobras

de César em busca do poder absoluto demonstram

a fragilidade da República. Em 27 a.C. Otávio recebe o título de Augusto

(filho dos deuses) e implanta o Império.

.

O "Século de Augusto" é conhecido pelo grande desenvolvimento

cu1turaL~rbano.

São construídos templos, aquedutos,

termas, estradas

e edifícios públicos. As artes são incentivadas

e, nessa época, Virgílio,

Horácio, Ovídio e Tito Lívio refletem nítida influência helenístíca.

Novos portos

e estradas abrem novos mercados e fazem expandir o

comércio. Grandes latifúndios

se especializam

em alguns produtos, e o

escravismo continua na base do processo econômico.

O Império. atinge sua extensão máxima no início do século II d.C.

e necessita uma incrível máquina burocrática

para manter a adminis-

tração. Daí a importância

dos funcionários' do governo, sobretudo para

o controle da arrecadação

dos impostos das províncias. Dada a comple-

xidade das questões de justiça, desenvolve-se

a instituição

do Direito

Romano.

O surgimento do cristianismo foi um fato importante.

Cristo nasceu

na época de Augusto,

e suas idéias foram levadas além da Palestina por

obra dos evangelístas

que convertiam

os pagãos. A doutrina

cristã é

considerada subversiva por não aceitar os deuses pagãos, não render culto

ao divino imperador e por ter, entre seus adeptos, os pobres e os escravos.

66

A perseguão aos cristãos se inicia com Nero (ano 64) e se repete

riodicamente

até que, em 313, Constantino

permite a liberdade

de

ulto. No final do século IV o cristianismo

se torna reHgião_ oficial A

..

própria

doutrina se modifica nesse t~mpo: ~onsegu!n.do a adesao ~a elite,

1\ sume

cada vez mais a estrutura hierarquizada

típica do Império, co~

 

representantes

em todas as suas partes. Numa. época em qu~ o próprio

Império se descentraliza e se fragmenta, a Igreja passa a surgir como um

 

pólo aglutinador.

A

,

A partir do século 11 d.C. inicia-se a decadência do Império: difi-

culdades em manter a máquina burocrática;

corrupção; lutas pelo poder,

que se torna cada vez mais personalista;

altos impostos; esvaziamento

dos cofres públicos e dissipação dos costumes, afrouxados

pelo luxo.

Com o cessar das guerras de expansão dá-se, no século 111, a crise

do escravismo, que faz surgir, lentamente,

o sistema de colonato. O de-

clínio do artesanato e do comércio leva a uma ruralização da economia.

Nas fronteiras, os bárbaros vão se infiltrando como colonos ou sol.dados.

No início do século V uma onda de guerreiros bárbaros,

de diversas

origens, invade o Império, fragmentando-o.

Em 395 é dividido em Impé-

rio Ocidental

(com sede em Roma) e Império Oriental (com sed~ em

Constan tinopla). Em 476 a Itália cai

em poder de Odoacro,

rei dos

hérulos.

Segunda parte A educação romana

1. Introdução

De maneira geral, podemos distinguir

três fases na educação .ro-

mana: de início, trata-se da educação latina original, de naturez~. patríar-

cal; depois, a admiração pelo helenismo é entremeada

com crítícas dos

defensores da tradição; por fim, dá-se a fusão da cultura romana

com a

 

helenística (que já supõe elementos orientais),

notando-se nítida

supre-

macia dos valores gregos.

A fusão dessas culturas traz um elemento novo, a bilingüismo

(e

às vezes até

o trilingüismo), pelo qual, desde cedo, as crianças aprendem

o latim e o

grego.

67

Vale ressaltar ainda alguns aspectos remanescentes da antiga edu-

cação, qual seja o papel da família, representado pela onipotência paterna

(que não é destituída

de afeto), e a ação efetiva da mulher, de que são

exemplos as célebres "mães romanas".

2. A educação herõíco-patrícía

. A educação dos patrícios (proprietários rurais e guerreiros) é de

cunho aristocrático, visando perpetuar os valores da nobreza de sangue

e cultuar os ancestrais da família.

B bom lembrar que não se trata da família nuclear moderna, mas

da ~xtensa família composta também pelos filhos casados, pelos escravos

e chentes, dos quais o paterfamilias é proprietário, juiz e chefe religioso.

Até os 7 anos as crianças permanecem sob os cuidados da mãe

ou de outra matrona ("mulher respeitável") da família. Depois dessa

idade, as meninas continuam no lar aprendendo os serviços domésticos,

enquanto o filho é assumido pelo pai, que se encarrega

sua educação.

pessoalmente da

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Os gregos

assimilaram a

invenção ienicle

do alfabeto e

provavelmente a

transmitiram aos

latinos durante a

colonização do

sul da Itália

e

da Slcllia.

Sendo essa uma sociedade agrícola, o menino aprende a cuidar da

terra, trabalho que, de início, colocava lado a lado o senhor e o escra-

vo. Aprende também a ler, escrever e contar, torna-se

destro no manejo

das armas, na natação, na luta e na equitação. Tais exercícios físicos

visam antes a preparação do guerreiro do que propriamente o esporte

desinteressado. O filho acompanha o pai às festas e acontecimentos mais

importantes, ouve o relato das histórias dos heróis e dos antepassados,

aprende de cor a Lei das Doze Tábuas. Isso desenvolve a consciência

histórica e o patriotismo.

68

Quando cresce um pouco mais (15 anos), acompanhao pai ao foro,

praça central onde são tratados os assuntos públicos e privados, e em

torno da qual se erguem os principais monumentos da cidade, inclusive

o tribunal. Aí o jovem aprende o civismo.

Caso o pai não pudesse desempenhar pessoalmente essas tarefas -

que às vezes ocorria devido às guerras -, elas eram assumidas por

um parente ou mesmo por um escravo instruído.

Aos 16 anos o jovem é encaminhado para a função militar ou

política. O que ressalta nessa educação

para a vida, a importância da imitação

é a aprendizagem pela vida e

(não só do pai, mas dos ante-

passados) e o caráter predominantemente moral e menos intelectual.

3. A educação cosmopolita

Já na época da República, o desenvolvimento do comércio, o enri-

quecimento de uma certa camada de plebeus e o início da expansão

romana tornam mais complexa a nova sociedade que está sendo cons-

tituída. Daí, a necessidade de um outro tipo de educação.

A partir do século IV a.C., aparecem escolas elementares particula-

res, que se generalizam no século seguinte. São as escolas do ludi magister

tludus, ludi, "jogo, divertimento"; magister, "mestre"), onde dos 7 aos

l2 anos aprende-se demoradamente a ler, escrever e contar. Os mestres

são pessoas simples e mal pagas, ajeitando-se em qualquer espaço (uma

tenda, a entrada de um templo ou de um edifício público). As crianças

usam tabuinhas enceradas nas quais escrevem com estiletes. Tudo se apren-

de de cor, e o mestre, muitas vezes, recorre ao castigo.

Por volta dos séculos 111 e 11 a.C., as incursões militares e o co-

mércio colocam os romanos em contato com os povos helênicos, provo-

cando a exigência da aprendizagem do grego. Inicia-se a educação bilín-

güe, que resulta no aparecimento de inúmeros professores gregos.

Surgem então as escolas dos gramâticos, onde dos 12 aos 16 anos

os jovens entram em contato com clássicos gregos. Ampliam, assim, seus

conhecimentos literários e têm

acesso às "disciplinas reais" como geo-

grafia, aritmética, geometria e astronomia. Iniciam-se na arte de bem

escrever e bem falar. Seguindo a tradição helenística, consideram que o

homem livre deve ter uma educação encíclica, isto é, enciclopédica.

Tais novidades assustam os mais conservadores, e Catão, o Antigo,

critica aquilo que considera influência deformadora da tradição romana.

Com o tempo, o aperfeiçoamento da retórica exige o aprofundamen-

to do conteúdo e da forma do discurso. Surge, então, a necessidade de

um nível terciário de educação, representado pela escola do retor (pro-

69

fessor de retórica). Dos três tipos de professores, são os retores os mais

considerados e bem pagos.

'

Essas escolas desenvolvem-se no decorrer do século I a.C. (época de

Mas foi o imperador [uliano (ano 362) que praticamente

oficializou

o ensino ao exigir que toda nomeação de professor fosse confirmada pelo

stado. E bem verdade que esse imperador,

também chamado o Após-

Cícero) e crescem durante o Império. São freqüentadas

pelos jovens da

tata, opunha-se à expansão do cristianismo

e pretendia,

com essas me-

elite que se destacarão na vida pública e devem ser preparados

para as

didas, impedir a contratação

de professores cristãos.

assembléias e as tribunas. Estudam política, direito e filosofia, sem es-

Outro aspecto a ser destacado na época do Império é o desenvolvi-

quecer as disciplinas reais, próprias de um saber enciclopédico.

Acres-

mento da educação

terciária, com os cursos de filosofia e retórica a que

centa-se a isso uma viagem de estudos à própria Grécia.

já nos referimos, e a criação de cátedras de medicina, matemática,

me-

A educação física também merece a atenção dos romanos, mas com

cânica e, sobretudo, escolas de direito.

características

menos voltadas para o esporte e mais para

as artes 'mar-

Durante a República, a formação do jurista era informal, bastando

ciais. Em vez de freqüentarem

ginásios, lutam nos circos

e anfiteatros.

acompanhar com freqüência

os trabalhos dos tribunais.

Já no Império

Trata-se, afinal, de formar soldados.

exige-se a formação sistemática por quatro ou cinco anos, tal a comple-

Como se vê, predomina

a educação aristocrática,

não só porque

xidade que adquirira

a nova ciência do direito, cujos grandes centros

privilégio da elite, mas também por estar voltada para as atividades

consideradas

mais nobres e que excluem o trabalho manual.

4. A educação no Império

A educação romana durante o Império não é muito diferente da-

quela a que já nos referimos, a não ser quanto à sua complexidade

organização.

e

Um fato

notável é a crescente intervenção do Estado nos assuntos

educacionais.

Isso

se explica pelo fato de a administração

do Império

requerer uma bem montada máquina burocrática,

cujos funcionários

de-

'vem ter, pelo menos, instrução

elementar. A continuidade

dos estudos

é exigida no caso de se aspirar

a posições mais altas como cargos pró-

prios da justiça e da administração

superior.

De início o Estado é mero inspetor, mais ou menos distante das

atividades da educação, sempre restrita à iniciativa particular.

Com o

tempo, passa a oferecer subvenção,

depois controla por meio da legis-

lação e, por fim, toma para si a responsabilidade

da educação.

Assim, no século I a.C. é estimulada a criação de escolas municipais

em todo o Império. O próprio César concedera, nessa época, o direito

de cidadania aos mestres de artes liberais.

de estudo eram Roma e Constantinopla.

Inúmeras bibliotecas são criadas, e muitos manuscritos são apropria-

dos pelos romanos nas regiões conquistadas.

Os grandes centros de es-

tudos helênicos continuam florescendo, como o Museu de Alexandria,

o

Círculo de Pérgamo e a Universidade

de Atenas. Em Roma,

no século

11 d.C., Adriano funda o Ateneu, no Capitólio, que se torna

centro de

discussão e cultura. Também as distantes províncias da Espanha, Gália

e África recebem o estímulo imperial e criam importantes

escolas, onde

estudam homens da categoria de Sêneca, Ouintiliano

e, posteriormente,

Marciano Capella e Santo Agostinho.

Terceira parte A pedagogia romana

1. Características gerais

Para compreender

algumas comparações

melhor a pedagogia romana, convém estabelecer

com a pedagogia grega. Ambas, Roma

e Grécia,

constituem, na Antiguidade,

sociedades escravistas. O trabalho

manual é

No século I d.C. Vespasiano libera de impostos os professores

de

desvalorizado,

enquanto a atividade intelectual é restrita à aristocracia,

ensino médio e superior e institui o pagamento de alguns cursos

de re-

a única a desfrutar do "ócio digno". Isso ocorre até na Atenas demo-

tórica, de que se beneficiou o famoso mestre

Ouintiliano.

Pouco tempo

crática, pois vimos que tal democracia se destina a uma parcela mínima

depois, Trajano manda alimentar os estudantes

pobres. Mais tarde, outros

imperadores legislam quanto à pontualidade

do pagamento feito aos pro-

fessores, pelos particulares,

e quanto ao montante a ser-lhes pago.

70

de cidadãos livres.

Resulta daí que o modelo de homem a ser-objeto das reflexões sobre

a educação é justamente o do homem racional, capaz de pensar corre-

71

tamente e se expressar de forma convincente. l! evidente que tal modelo

é o mais adequado à elite dirigente.

Agora vamos apontar algumas diferenças. Na Grécia, a pedagogia

(de Platão, por exemplo) é fundada em uma visão filosófica sistematizada

e também supõe que o próprio aluno, nos estágios superiores, se dedique

à filosofia no seu sentido mais amplo, incluindo sobretudo a metafísica.

Por outro lado, em Roma, a reflexão filosófica não recebe atenção

de forma tão sistemática. Quintiliano e outros até encaram a filosofia

com certa descrença e, quando recorrem a ela, têm preferência pelos

assuntos éticos e morais, influenciados que são pelos pensadores estóicos

e epicuristas do período helenístico. Isto se deve ao fato de os romanos

terem uma postura mais pragmática, voltada para a prática cotidiana,

para a ação política efetiva e não para a mera contemplação e teorização

do mundo. Percebe-se o prevalecimento da retórica sobre a filosofia. A

trama do discurso é sempre mais literária que filosófica e daí decorrem

os riscos do formalismo oco típico do peodo de decadência.

De fato,

com o tempo, há em Roma um declínio da formação científica e artística,

prevalecendo uma cultura de letrados, preocupados com as minúcias das

regras gramaticais e questões filológicas e com os artifícios que permitem

ao cidadão o brilho nas conversações.

Outra diferença entre Grécia e Roma é que a primeira, enquanto

autônoma, nunca constituiu uma nação, mas se dividia em inúmeras

póleis. Já a segunda desenvolve a concepção de Império e se estende por

vários povos diferentes. Mas Roma não discrimina o vencido e lhe con-

fere o direito de cidadania romana em troca do pagamento dos impostos.

Em vez de impor o latim, incorpora o idioma grego da civilização helêni-

ca, bem como vários padrões dessa cultura que se torna universal.

A cultura universalizada pode ser expressa na palavra humanitas,

o equivalente romano à paidéia grega. Mas distingue-se desta por ser

uma cultura predominantemente "humanística": busca no homem aqui-

lo que '0 caracteriza como homem, em todos os tempos e lugares, e

não se restringe ao ideal do sábio, mas também ao do homem virtuoso,

como ser moral, político e literário.

Com o tempo, o ideal da humanitas degenera, restringindo-se, como

já vimos, ao estudo das letras, mas descuidando-se das ciências.

2. Principais representantes

Assim como a produção filosófica é pequena entre os romanos,

também a pedagogia não merece tanta atenção e, quando existe, quase

sempre é voltada para questões práticas. Também é tardia, e os principais

72

presentantes aparecem sobretudo por volta dos século~ I a.C. e I d.C.,

figuras

de Cícero, Sêneca e Quintiliano. Mas, o mais antigo desses

nsadores é Catão, o Antigo (234-149 a.C.), cujos dois livros sobre

ducação desapareceram. Ele defende a tradição romana contra o início

da influência helênica, conclamando ao retorno às suas raízes.

Um século depois, Varrão (116-27 a.C.) representa bem a transição

que termina por aceitar a influência grega. Seu trabalho é sobretudo

prático, tendo escrito uma enciclopédia didática, que servirá de base a

trabalhos posteriores, onde discute o ensino da gramática. Escreveu tam-

rn sátiras que, por meio de máximas edificantes, orientam o jovem

na virtude.

Cícero (106-43 a.C.) se destaca entre os grandes pensadores roma-

nos, se bem que sua filosofia não seja original,

mas ecléticà. Em todo

caso, ampliou sobremaneira o vocabulário latino a partir de .larga expe-

riência com o grego e uma vasta erudição. Famoso pela oratória brilhante

contundente, mais de uma vez interferiu nos rumos da política do

Império, do qual foi cônsul. Tal atividade política culmina com seu

assassinato.

Homem culto, de saber universal, Cícero valoriza a fundamentação

filosófica do discurso, no que difere de seus conterrâneos. E um dos

mais claros representantes da humanitas romana. Suas idéias pedagógicas

tratam da formação integral do orador, desde a importância da funda-

mentação filosófica, da cultura geral, da formação jurídica e dos aspectos

literários e até teatrais que o exercício da persuao requer. Preocupa-se

também com os aspectos psicológicos do educando, a partir do caráter

pessoal de cada um.

. A importância de Cícero não se

restringe à. Antiguid.ade, pois tor-

nou-se um dos principais modelos dos pedagogos renascentístas. A moda

do ciceronismo

Rabelais.

foi tão grande que chegou a merecer duras críticas de

Sêneca (4 a.C.-65)· nasceu na Espanha e tornou-se preceptor do

imperador Nero, por ordem de quem foi obrigado a abrir

veias. Filósofo de influência estóica, mas aberto a outras

~s p:óp~ias

influências,

compreende a filosofia corno um assunto prático, capaz de orientar o

homem pata o "bem viver". Para ele a filosofia tem a função docente

de ensinar a vida humana verdadeira, que não se confunde com o gozo

dos prazeres, mas com o domínio das paixões, pois a verdadeira felicidade

consiste na tranqüilidade da alma.

Sêneca apresenta uma visão prática da educação que deve prepa-

rar o homem para o ideal de vida estóico: o domínio dos apetites pessoais.

Por isso, ele enfatiza menos as qualidades do retórico e mais as da

73

formação moral do educando. Aponta também o valor da psicologia na

procura da individualidade

de cada um. Para Sêneca, a educação deve

ser prática, voltada para a vida e vivificada pelo exemplo.

Plutarco (45-c. 125) é de origem grega, tendo ensinado muito tempo

em Roma.

Sua formação

filosófica

também é eclética. Reconhece

na

educão a importância

da música e da beleza, bem como

a formação

do caráter.

Dentre suas obras destaca-se Vidas paralelas, onde reúne

valores gregos e romanos, fazendo uma comparação

biográfica

de fi-

 

guras importantes

das duas nacionalidades,

como, por exemplo, Péricles

e Fábio Máximo, Demóstenes e Cícero e assim por diante.

admirado pelo

seu talento filosófico, e o imperador Marco Aurélio (121-

180), que nos intervalos de longas guerras anotava suas reflexões, reu-

nidas depois em Meditações.

3. Outras tendências

Convém lembrar que a crescente desagregação

do Império Romano

leva Constantino a transferir, em 330, a sede do governo de Roma para

Constantinopla

(hoje Istambul). E quando, em 395, o Império é dividido

Um dos mais respeitados

pedagogos romanos foi Ouintiliano

(c.35-

em duas partes, o Império do Oriente (Bizâncio) continua durante todo o

c.95), nascido na Espanha. Em Roma abre uma escola de retórica, que

período subseqüente a desenvolver uma vida cultural e reli~ios~ i?tensa.

se toma famosa e onde leciona por 20 anos.

Bizâncio será, no início da Idade Média, o local da. efervescenCla mtelec-

Foi o primeiro retor a receber pagamento

diretamente

do governo

tual onde inúmeros copistas desenvolvem

as técnicas cuidadosas

 

de re-

do imperador Vespasiano.

Ao contrário

de Cícero, vê a filosofia com

uma certa desconfiança,

preferindo

discorrer sobre os aspectos técnicos

da educação, sobretudo da. formação do orador. Escreveu várias obras,

com destaque para A educação do orador.

Ouintiliano

individualidade

valoriza a psicologia como instrumento

para conhecer a

do aluno. Não se prende a discussões teóricas mas pro-

produção das obras clássicas.

,

~

.

,

Outro aspecto digno de nota, nesse penodo de decadência, e a cres-

cente importância da educação cristã. Inicialmente

essa educação é de

caráter exclusivamente

doméstico mas, à medida que o cristianismo atinge

maior nível de expansão e se torna religião oficial, surgem os teólogos,

que procuram adaptar os textos clássicos pagãos à, v~rdade ~evelada '. Por

uma questão didática, tratamos desse assunto no próximo capítulo, no ítem

cura fazer observações

técnicas e indicações práticas. Assim, considera

que os cuidados com a criança devem começar na primeira infância,

desde a escolha da ama. Ao iniciar a criança nas primeiras letras, sugere

a aprendizagem

simultânea da leitura e da escrita, criticando

as formas

vigentes que dificultavam

a aprendizagem.

Recomenda alternar trabalho

e recreação para que a atividade escolar seja mais proveitosa. Considera

importante

que a criança aprenda em grupo, pois a educação coletiva

favorece a emulação que ele considera altamente saudável e estimulante.

No ideal da formação enciclopédica,

Ouintiliano

inclui os exercícios

sicos, desde que sem exagero. No estudo da gramática, busca a clareza,

a correção, a elegância. Valoriza o recurso aos clássicos Homero e Vir-

gílio, reconhecendo

na literatura não só o aspecto estético mas, também,

o espiritual e o ético.

Por fim, na formação do orador, Ouintiliano

enfatiza as caracterís-

ticas morais. Baseando-se em Aristóteles,

analisa os aspectos físicos, psi-

cológicos e morais que compõem a figura do orador. Além disso, acres-

centa a importância

da instrução e dos exercícios que tornarão a apren-

. dizagem uma segunda natureza.

A repercussão

do trabalho de Ouintiliano

também não se restringe

a seu tempo, retomando

com vigor na época da Renascença.

Outros

representantes

do estoicismo romano são Epicteto (c. 50-130), ex-escravo

74

referente aos padres da Igreja.

Dropes

Pater _ A palavra [pater]

é a mesma em grego, em latim e em sãnscrito,

e assim podemos já concluir ser esta palavra. datada.d~ tem.po e~ que os ant~-

passados dos helenos, dos italianos e dos hindus vrvrarn aln~a Juntos ,n.a ÁSia

Central. Qual o seu sentido e que idéia podia representar en.tao ao ~SP.'~ltOdos

homens? Podemos conhecê-Ios porque guardou o seu significado prllT~ltlvo nas

fórmulas da linguagem rellgipsa e do vocabulário jurídico. (

...

1 ~m linguagem

religiosa aplicava-se esta expressão a todos os deuses; no vernacuio do foro,

a todo o homem que não dependesse de outro e tendo

autoridade sobre uma

família e sobre um domínio, paterfamilias. Os poetas mostram-nos que era

empregada indistintamente a todos quantos se desejava honrar. O escravo e o

cliente usam-na para com seu senhor. (

...

1 Encerrava, em si: n~o o con~eito de

paternidade, mas aquele outro de poder, de autoridade, de dignidade majestosa.

(Foustel de Coulangesl

2

Amas _ Era costume romano as famílias ricas recorrerem a amas-de-Ieite

rigorosamente escolhidas, que deveriam não só amamentar, mas também banhar,

cuidar e adormir

com o recém-nascido.

O que não se comenta

é que a

xemplos, tenham permitido

a você, sem dúvida, armaze~ar copi~sa doutrina

ama

é também mãe, e que seu próprio filho deveria ser desmamado, alimentado

lIIosófica, não considero tudo isso suficiente

à sua educaçao. Por ISSO, ac?nse-

com papas sem leite, rel~ado

a segundo plano.

3

É ~nteressante

observar

como foi importante

o papel desempenhado

pela

educaçao no processo de expansão do Império Romano.

Diz o argentino

Aníbal

Ponce: "o logo os exércitos

romanos

ocupavam

um novo país, os retores

instalavam as suas escolas junto às tendas dos soldados. O retor seguia as pe-

gadas dos comerciantes,

e isso tanto nas areias da África, quanto

nas neves

da

Bretanha. Plutarco descreveu

com que habilidade

foi necessário

servir-se

da

educação para habituar os espanhóis a viverem em paz com os romanos. 'As

armas não tinham conseguido ção que os domou' ".

submetê-Ios, a não ser parcialmente;

foi a educa-

Atividades

Questões

1. L~ia a citação de Horácio, constante da epígrafe deste capítulo, foi Horácio, o que é o Lácio e qual é o significado da frase.

  • 2. Mostre e justifique a importância

da educação pública durante

e explique quem

o Império.

  • 3. E:m que sentido a economia escravista determina o teor das concepções pedagó- gicas?

  • 4. Quais são as características comuns aos diversos pedagogos romanos?

Pesquisa

  • 5. "Mente sã em corpo são" (Mens sana in corpore sano), eis a famosa máxima do poeta Juvenal, Explique

o significado

dela para os povos da Antiguidade

greco-romana.

Em seguida, faça um levantamento

da história

da educação

subseqüente, para uma análise da questão, observando o lugar que a educação física passa a ocupar. Veja também os autores que a valorizam. Por fim, reflita sobre o fato de que, a partir da década de 60, e durante as décadas de 70 e 80

do culo XX deu-se uma explosiva valorização do corpo.

·6. "De que me serve saber dividir um campo, se o sei dividi-Io com um irmão?" (Sêneca). Diga que tipo de crítica Sêneca faz a uma certa educação. A partir

disso mostre o que,· para ele, é mais importante

ensinar. Mostre como essa

característica tamm aparece em outros pensadores romanos.

lho-o a fazer o mesmo que fiz para minha utilidade pessoal: servi-me da Imgua Iltlna e grega, não só para meus estudos de Filosofia, como também para meus

xercícios de Oraria. Assim agindo, você poderá adquirir

igual facilidade

no

p rfeito manejo de ambos os idiomas. Devido a iS~O, d~z-se que prestei. ~juda e

lavor, sem dúvida importantes,

aos nossos concídadãos, por ter facilitado

o

caminho do conhecimento

das letras gregas, não apenas aos que estavam pouco

versados nelas, senão também aos doutos que, por esse meio, puderam tirar

algum proveito no tocante à eloqüência, filosofia

e educação do gosto.

Deixo-o em liberdade,

portanto, para aproveitar-se,

quanto puder, e pelo

tempo que quiser, das lições do grande mestre, pncipe dos filósofos

de nosso

tempo; e você não deixará de querer prosseguir

estudando,

enquanto não lhe

pesar o muito que tiver aproveitado

e aprendido.

•.

.

_ Ao ler minhas obras de Filosofia, vera que, na essencia, nao discrepam

da

opinião dos peripatéticos;

coloque-se

em absoluta

liberdade

para seguir

seu

critério

próprio

e pessoal,

mas esta liberdade

de juízo, que de bom .grado

outorgo a você, não o impedirá, como lhe digo, de colher o fruto essencial da

leitura de meus escr.itos, o que tanto lhe riqueza de nossa Ifngua.

desejo:

enslná-lo a fazer

uso da

Não quisera

que alguém tomasse

por vaidade

minhas pala~ras,

porq~e,

embora aceite prazerosamente

o fato de muitos me serem superiores

na Filo-

sofia, no que concerne à Oratória, quer dizer, verossimilhança,.

claridade e el~-

ncia do discurso,

reclamo, com justiça, vantagem

sobre muitos outros, pOIS

consagrei minha vida inteira ao estudo e cultivo desse. ramo do _sabe!. Por esta rao, meu filho, exorto-o a ler com a máxima atençao, nao somente

meus discursos

forenses,

mas meus trabalhos

filosóficos,

estes

quase tão

numerosos quanto aqueles. Nos primeiros,

há elevão e eloqüência;

ma~, ne_m

por isso, desdenhe o estilo simples e ponderado dos segundos. Ademais.

nao

sei de nenhum grego que haja cultivado,

como eu, ao mesmo tempo, a elo-

qüência dos tribunais

e a tranqüila

simplicidade

das obras didáticas, a ~ã? ser

Demétrio

de Faleros, filósofo

sutil e orador pouco veemente,

mas suficiente-

mente delicado para deixar-se reconhecer

como discípulo de Teofrasto.

Quanto

a mim, o leitor estimará cultivei os dois.

(Cícero,

quantos progressos

obtive num e noutro gênero, posto

Dos deveres, in M. da Glória de Rosa, A história da

educação atras dos textos, p. 63-65.)

2. [A educação da criança]

Trazido o menino para o perito na arte de ensinar, este logo perceberá sua

 

inteligência

e seu caráter. Nas crianças, a memória é o principal índice de inte-

Leituras complementares

 

ligência, que se revela por duas

qualidades:

aprender faci.lmente a guardar ?o_m

fidelidade.

A outra qualidade é

a imitação que prognostica

\.~mbém _a aptidão

 

para aprender desde que a criança reproduza o que se lhe ensma, e nao apenas

 

1. Dos deveres

 

adquira certo 'aspecto, certa maneira de ser ou certos ditos ridículos.

( ...

)

.

 

o mestre deverá perceber de Que modo deverá ser tratado o espírito

~á um ano, querido filho Marcus, você

vem recebendo as lições de Cratipo,

do aluno. Existem alguns que relaxam, se não se insistir

com eles Incessante-

precisamente

em Atenas. Embora as lições

de tão grande mestre e a vida numa

mente. Outros se indignam com ordens; o medo detém alguns ~ enerva outros;

Cidade tão famosa, um com o tesouro

da Ciência,

outra com seus ilustres

alguns não conseguem êxito senão através de um trabalho contínuo:

em outros,

76

77

a violência traz mais resultados.

Dêem-me um menino a quem o elogio excite,

que ame a glória e chore, se vencido. Este deverá ser alimentado pela ambição;

a este

a repreensão ofenderá, a honra excitará; neste jamais recearei a preguiça.

A todos, entretanto,

deve-se dar primeiro

um descanso, porque não há nin-

guém que possa suportar um trabalho contínuo; mesmo aquelas coisas privadas

de sentimento

e de alma, para conserv