História da educação

brasileira

Educação no Brasil
após 1930

a) O período situado entre 1930 e 1964
foi marcado, no Brasil, por profundas
mudanças estruturais nas áreas
econômica, política, social e por
importantes discussões educacionais. O
marco dessas transformações foi a
Revolução da 1930, que representou um
ponto de ruptura na sociedade brasileira;
b) é uma época caracterizada pela
transição de uma economia agrário-
exportadora para uma economia
industrial. Até então, a estrutura
econômica do país baseava-se na
monocultura do café. Porém, a partir dos
anos 1920 surgem riscos para a
estabilidade do sistema:
- concorrência de outros países
produtores;
- questionamento da política de
valorização do café;
- crise econômica mundial de 1929;
- disputas políticas entre as oligarquias
paulista, mineira e gaúcha;
c) a Revolução de 1930 quebrou o
monopólio oligárquico do poder político,
mas não representou a conquista da
supremacia política pela classe média
industrial nascente. Isso gerou uma
situação de ‘equilíbrio instável’ ou um
‘Estado de compromisso’;


d) é o período em que se desenvolve,
com maior intensidade, o processo de
industrialização e de urbanização;
e) desde a década de 1920 havia
efervescência e debates em torno da
educação nacional (entusiasmo pela
educação, otimismo pedagógico, ciclo de
reformas, escola nova). No entanto,
nesse período a rede escolar era
reduzida, bem como não apresentava
um padrão de organização nacional;
f) a partir de 1930 começaram a ser
tomadas medidas formais com vistas à
organização do sistema de ensino
motivadas, principalmente, pela
intensificação da industrialização e o
aparecimento de novas demandas
educacionais.

Ou seja,
se antes, na estrutura oligárquica, as
necessidade de instrução não eram
sentidas nem pela população, nem pelos
governos, a nova situação implantada na
década de 1930 modificou o quadro das
aspirações sociais em matéria de
escolarização e, em função disso, a ação
do governo;
g) nesse sentido, a primeira atitude foi a
criação do Ministério dos Negócios da
Educação e da Saúde Pública, em 1930,
e a edição de legislação que deu forma
jurídica e institucional ao sistema de
ensino;
h) a partir daí, a ênfase central da escola foi
relacionada ao projeto de desenvolvimento
econômico. Cabe destacar:

1º) os princípios educacionais defendidos
pelo Estado voltam-se para a consolidação
de uma sociedade urbano-industrial;
2º) a escola assumiu um caráter de
instrumento realizador de um projeto de
desenvolvimento econômico e social e foi
chamada pelo governo para exercer um papel
fundamental nesse processo;

3º) a escola devia deixar de ser considerada
como um mero saber decorativo. A ação
escolar vinculou-se à formação de um homem
modernizado e integrado à sociedade urbano e
industrial;



4º) a escola passou a ser entendida com
instância geradora das condições do
desenvolvimento.

i) Em termos escolares, o período
situado entre 1930 e 1964 foi
acompanhado por fortes conflitos
educacionais. Os dois principais
envolveram o Manifesto do pioneiros da
educação nova, de 1932, e a tramitação
do projeto de lei de diretrizes e bases da
educação nacional, entre 1948 e 1961;
j) o manifesto de 1932 se insere num
contexto de disputa que opôs
renovadores ou progressistas e católicos
ou conservadores e envolveu as
questões relacionadas à laicidade,
obrigatoriedade, gratuidade e co-
educação;
k) o processo de tramitação da LDB foi tenso e
marcado por conflitos entre esses mesmos
grupos. No contexto da tramitação da LDB se
insere a publicação do Manifesto dos
educadores democratas em defesa do ensino
público, em 1959. Esse manifesto trata do
aspecto social da educação, dos deveres e da
necessidade de o Estado manter escolas.
População com mais de 15 anos, analfabetos com mais
de 15 anos e taxa de analfabetismo no Brasil entre
1940 e 1960.
Ano População com
mais de 15 anos
Analfabetos com
mais de 15 anos
Taxa de
analfabetismo
1940 23.639.769 13.279.899 56,17%
1950 30.249.423 15.272.432 50,48%
1960 40.187.590 15.815.903 39,35%
Matriculados no ensino supletivo no Brasil
entre 1945 e 1959.
Ano Número de matriculados
1945 138.562
1950 707.934
1955 520.196
1959 484.498
População de 5 a 19 anos, matrículas no ensino
primário, matrículas no ensino médio e total de
matrículas no Brasil entre 1920 e 1960.
Ano População
de 5 a 19
anos
Matrículas
no primário
Matrículas
no médio

Total de
matrículas
1920 12.703.077 1.033.421 109.281 1.142.702
1940 15.530.819 3.068.269 260.202

3.328.471
1950 18.826.409 4.366.792 477.434

4.924.226
1960 25.877.611 7.458.002 1.177.427 8.635.429
Número de prédios escolares entre 1946 e
1969.
Ano Quantidade de prédios
1946 28.300
1958 77.000
1962 98.000
1964 107.411
1969 134.909
Legislação normatizadora do sistema de
ensino.
Decreto n. Data Ação
19.850 11-4-1931

Cria o Conselho Nacional de
Educação - CNE
19.851 11-4-1931

Dispõe sobre a organização do
ensino superior e adota o regime
universitário
19.852 11-4-1931

Dispõe sobre a organização da
Universidade do Rio de Janeiro
19.890 18-4-1931 Dispõe sobre a organização do
ensino secundário
20.158 30-6-1931

Organiza o ensino, comercial,
regulamenta a profissão de
contador e dá outras providências
21.241 14-4-1932

Consolida as disposições sobre a
organização do ensino secundário
-- 16-7-1934 Constituição de 1934
-- 10-11-1937 Constituição de 1937
421 11-5-1938

Regula o funcionamento de
estabelecimentos de ensino superior
4.048 22-1-1942

Cria o Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial - Senai
4.073 30-1-1942 Lei orgânica do ensino industrial
4.244, 9-4-1942

Lei orgânica do ensino secundário
6.141 28-12-1943 Lei orgânica do ensino comercial
8.529 2-1-1946

Lei orgânica do ensino primário
8.530 2-1-1946

Lei orgânica do ensino normal
8.621 e
8.622
10-1-1946

Criam o Serviço Nacional de
Aprendizagem Comercial - Senac
9.613 10-8-1946 Lei orgânica do ensino agrícola
-- 18-9-1946

Constituição de 1946

4.024 20-12-1961

Lei de diretrizes e bases da
educação nacional

Alguns órgãos vinculados ao sistema de
ensino.
Ano Ação
1930 Ministério dos Negócios da Educação e Saúde
Pública
1937 Instituto Nacional de Cinema Educativo
1937 Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional
1938 Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos –
Inep
1938 Comissão Nacional do Ensino Primário
1938 Conselho Nacional de Cultura
1939 Serviço Nacional de Radiofusão Educativa
1942 Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial -
Senai
1946 Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial -
Senac
1951 Conselho Nacional de Pesquisa - Cnpq
1951 Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior - Capes
1954 Campanhas de Aperfeiçoamento e Difusão do
Ensino Secundário - Cades
1955 Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais e
Centros Regionais de Pesquisas Educacionais
1955 Instituto Superior de Estudos Brasileiros - Iseb
1962 Conselho Federal de Educação - CFE

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