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A história da educação e a formação de professor - Gary McCulloch - 33 anped

A história da educação e a formação de professor - Gary McCulloch - 33 anped

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Palestra de Gary McCulloch na 33ª Anped - 2010.
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A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR1

Gary McCulloch Instituto de Educação da Universidade de Londres

Este artigo apresenta a situação de mudança da história da educação como campo de estudo da formação de professores. Nos últimos trinta anos, a história da educação na Inglaterra, assim como em muitos outros países, foi bastante afastada do currículo da formação de professores. Este desenvolvimento tem implicações significativas para a natureza da educação do professor sob o ponto de vista da relação entre prática e teoria. Ainda que a pesquisa na área da história da educação tenha prosperado, não se promoveu, no âmbito da formação do professor, a importante compreensão sobre a história do ensino, do professor, da pedagogia e da educação em geral. Argumenta-se que a presente pesquisa sobre a história do professor tem muito a contribuir com a formação do professor e que a lacuna entre a história e o currículo da educação do professor deve ser preenchida (vide também McCulloch 2004, 2011, no prelo). A perda da história Seria muito difícil argumentar mais claramente sobre a importância da história para o currículo da formação de professores, de forma mais eloqüente ou inspiradora, do que foi colocado pelo grande sociólogo da educação, o francês, Emile Durkheim. Há mais de um século, Durkheim apresentou, pela primeira vez, seu curso sobre a história da educação na França. Este curso tratou diretamente da relação entre a teoria e a prática, assim como relacionou as mudanças na educação com o contexto histórico de longo prazo (Fox, 1956). O assunto apresentado, no primeiro capítulo da versão publicada deste grande trabalho, é a formulação clássica do raciocínio lógico a respeito da história como parte dos estudos sobre a educação e do treinamento de professores em geral. Durkheim argumentou que o ensino médio sofria reformas importantes e previu que, se elas ocorressem, seria fundamental
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que

os

professores

responsáveis

por

encaminhá-las

as

Texto apresentado na 33ª reunião da Anped - 2010. 1

compreendessem inteiramente e as colocassem em prática. Assim, de acordo com Durkheim, “não é suficiente prescrever aos professores detalhadamente o que eles deverão fazer; eles precisam ser capazes de avaliar e apreciar estas prescrições para identificarem seus objetivos e suas características a fim de sanar as necessidades dos alunos.” (Durkheim 1977, p. 4). De certa forma, para que pudessem ser capazes de “tomar as decisões de forma independente e utilizando conhecimento adequado” (Durkheim 1977, p. 4), os professores deveriam estar familiarizados com os problemas relacionados à educação pela qual eram responsáveis e com os métodos sugeridos para resolvêlos. Este tipo de iniciação, continuou Durkheim, só poderia derivar de um estudo da teoria da educação, que precisava ser realizado enquanto o futuro professor cursasse a universidade, se fosse de alguma valia. Ele levantou este ponto importante para desenvolver a função principal do estudo da história. Durkheim (1977) indicou que, em primeiro lugar, o estudo do passado fundamentou a teoria da educação especialmente por que, em sua opinião, “é estudando o passado de forma cuidadosa que podemos prever o futuro e compreender o presente” (p. 9). Além disso, ele adicionou, a história foi um fator em seu próprio benefício, para revelar organizações e seus ideais ao longo do tempo e para compreender “o homem em sua totalidade no decorrer do tempo”. O presente foi por si só apenas “uma extrapolação do passado que não pode ser servido sem perder a parte mais importante de sua significância” (Idem, p. 12-15). Esta alegação veemente de que a história tem um papel central na formação do professor, enquanto que sem comparação com seu vigor, refletiu ao menos em um comprometimento geral em favor da inclusão da história no currículo da formação de professores. Conforme apontado por Richard Aldrich (1990), na Inglaterra, a história da educação foi formalmente incluída no currículo do colégio de treinamento para professores na década de 1890. Após a Segunda Guerra Mundial, seu ponto de vista parecia seguro e W. H. G. Armytage (1953) não foi o único a celebrar seu papel de assegurar que seus alunos poderiam se tornar conscientes sobre a herança acumulada da herança física, biológica, filosófica e sociológica que ele irá herdar e da qual através da transmissão pessoal de professores talentosos (nem todos em atividade assim tão qualificados) ele irá formar seu repertório de convicções. (p. 120).

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Na palestra como professor de educação da Universidade de Sheffield, em 1954, Armytage concluiu que a história deve oferecer os meios através dos quais os futuros professores irão obter uma “visão sinóptica” do speculum mentis ou do mapa do conhecimento (Armytage, 1954/1980). Na década de 1960, Brian Simon pôde declarar com confiança que não havia “necessidade de apresentar uma hipótese para o estudo da história da educação como um aspecto essencial do curso oferecido aos futuros professores”, já que havia sido “aceito há certo tempo assim como na maioria das faculdades e universidades e é quase que universalmente ensinado, em seu próprio direito, como parte do curso de educação” (Simon, 1966, p. 91). Menos de 20 anos depois, as políticas governamentais para a educação do professor prejudicaram bastante este papel existente há muito tempo. Até o início da década de 1980, a história da educação manteve uma posição significativa na educação do professor (vide Lowe, 1983). No final daquela década, seu papel havia se deteriorado a ponto de ser praticamente excluída do currículo da formação de professores, juntamente com outras abordagens teóricas e intelectuais que foram consideradas irrelevantes para o desenvolvimento de métodos e habilidades para o ensino. Em 1990 Aldrich lamentou o fato de, após um século sendo parte do currículo, “a história da educação ter sido praticamente eliminada dos cursos iniciais de educação do professor, pelo menos no nível de pós-graduação” (Aldrich, 1990, p. 47). O então secretário de Estado da Educação, Kenneth Clarke, insistiu, em 1992, que aprendizes de professor deveriam se preocupar com suas habilidades de sala de aula e não com a teoria acadêmica (Hugill, 1992). O resultado foi que professores em treinamento, num período de reformas importantes e contínuas que seriam colocadas em prática, tiveram pouca ou nenhuma oportunidade de compreender a história das organizações educacionais e de seus objetivos. Eles também estariam impossibilitados de se envolver com a história de sua própria profissão. Como apontado por David Vincent, um importante historiador sobre a alfabetização, devido à expulsão da história dos programas de treinamento de professor, os professores que iniciarem suas carreiras no começo do século 21, “provavelmente sabem menos sobre o passado de sua pedagogia do que aqueles que o treinamento formal foi iniciado há dois séculos” (Vincent, 2003, p. 420). Esta amnésia histórica também é observada em relatórios governamentais sobre os professores e sobre a educação do professor, que expressa muito pouca consciência do passado e menos interesse em seu potencial para compreender as
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mudanças da atualidade. De acordo com Durkheim, por servir-se de seu passado, a política perde a parte mais importante de sua significância (vide por ex. O Departamento da Educação e do Emprego, 1998). Isto proporcionou o início do aumento das dificuldades para o campo da história da educação em muitas instituições de educação superior. Conforme observado por Wendy Robinson, seu “nicho profissional” está em risco: O nicho profissional que os historiadores da educação uma vez ocuparam é agora ambíguo e contestado. A história da educação como uma matéria de estudo da graduação foi vastamente excluída do mundo da formação do professor onde habitou tradicionalmente. Na esfera do estudo de pósgraduação, a história da educação precisa competir com um mercado restrito e obcecado com o controle de qualidade, resultados mensuráveis e viabilidade financeira. Sua localização ambivalente, por ter domínios das duas rivais, história e educação, se tornou vulnerável a acusações de redução de status, valor e respeitabilidade na academia (2000, p. 51). Como resultado deste processo, de acordo com Vincent (2003), a história da educação na Inglaterra “quase caiu para categoria de subdisciplina, devido, parcialmente, aos responsáveis pela história da educação que tiraram a história do currículo dos programas de formação” (p. 420). Em relação aos avanços de suas pesquisas, a história da educação, na realidade, prosperou na Inglaterra nos últimos vinte anos e suas bases intelectuais se ampliaram, porém sua base institucional foi severamente ameaçada (vide também McCulloch, 2011). Campbell e Sherington (2002), com uma perspectiva australiana, traçam esta distinção de forma pontual. Por um lado, argumentam que a área floresceu e prosperou: “paradigmas interpretativos antigos foram rejeitados. Tentativas de relacionar pesquisa na área com as ciências sociais mais amplas e de estabelecer relações produtivas com a história foram, frequentemente, bem sucedidas. Historiadores da educação também tinham assuntos importantes para falar sobre a ampla história da infância e da adolescência, sobre as profissões e sobre as mulheres e a família.” (Campbell, Sherington, 2002, p. 47). Por outro lado, apontam que o campo está em declínio no que diz respeito à sua posição no currículo da formação de professores e na pesquisa educacional em geral. Argumentam, em síntese, que mesmo com seu vigor e com os avanços das pesquisas, a base institucional mais importante da área está se deteriorando e em grande perigo.
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Nos Estados Unidos, tendências semelhantes foram percebidas. De acordo com Robert A. Levin, as disciplinas educacionais de base estavam em “recuo” se não “retirada” desde 1980 (Levin, 2000, p. 155). Levin observou que ainda que os cursos de história da educação tivessem sido requisitos no início do século 20 em “escolas normais” de treinamento para futuros professores, eles desapareceram vastamente: “A história se tornou vítima dos programas com mais tendências metodológicas e do declínio da fé em seu propósito e potencial educativo” (Levin, 2000, p. 156). Levin acreditava que este fato se deu por que os historiadores da educação estavam presentes apenas em torno de 10 a 20% das 1.354 instituições que formavam professores nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, ele observou que a maioria das escolas de educação nas principais universidades incluía, ao menos, um historiador renomado e que como um grupo, “somos fortes e vibrantes” (Levin, 2000, p. 156-57). Em alguns outros países, onde a história da educação manteve-se proeminente no período inicial de formação do professor, também houve desafios para o campo de estudo. Na África do Sul, por exemplo, ainda que a história da educação tenha sobrevivido no período inicial da educação do professor, não desenvolveu um periódico ou uma comunidade acadêmica independente (Randall, 1987). No Japão, neste mesmo período, a história da educação era considerada matéria necessária no currículo da formação de professores, conforme a Lei da Escola Normal de 1886 (Normal School Act of 1886) e mesmo ela tendo sido passada para opcional, conforme a Lei da Certificação do Professor de 1949 (Teacher Certification Act of 1949), a história da educação manteve sua posição no currículo. No final do século, com o benefício de um grande interesse público na educação e de um programa de treinamento de professor que era “teoricamente bem fundamentado”, pode-se dizer que a história da educação no Japão estava “florescendo” (Katagiri, 1994, p. 639). Ao mesmo tempo, de acordo com Toshiko Ito, “na vida real, um número considerável de historiadores da educação não apenas desenvolve pesquisas sobre a história da educação, como também ensina a história da educação a alunos que são frequentemente candidatos a professor e ocasionalmente professores já atuando.” (Ito, 2010, p. 43). Isso indica que, como resultado, a história da educação no Japão tornou-se muito dependente de seu papel na educação do professor e nas necessidades da profissão do professor, em oposição aos propósitos acadêmicos da pesquisa, dando margem a novos argumentos sobre o futuro da área (Ito, 2010).
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Fóruns internacionais ocasionalmente se reúnem e promovem parcerias para promover a importância da história na formação dos professores. Um deles foi representado em uma coletânea publicada em 1993, intitulada Por que devemos ensinar a história da educação? (Salimova, Johanningmeier 1993). Este foi o resultado de uma série de encontros, de um grupo de trabalho, organizados pela Conferência Permanente Internacional para a História da Educação. Os editores, um da Rússia e o outro com base nos Estados Unidos, expressaram, na introdução, que compartilharam, com certa convicção otimista que, com a cena internacional no fim da Guerra Fria e a criação de uma nova organização para o mundo, “pela primeira vez na história da humanidade podemos garantir a realização do sonho mais desejado de viver em paz e da amizade.” (Idem, p. 6). Para tanto, argumentaram, seria necessário que valores específicos fossem encorajados em escolas e em treinamentos de professores, que poderiam se beneficiar da compreensão da história da educação: “a história da educação é uma das matérias sobre ensino que pode educar futuros professores em relação ao senso de coleguismo, compreensão mútua e respeito profundo por todas as nacionalidades do mundo.” (Idem, p. 6). Entre os colaboradores da coleção estão seis dos Estados Unidos (Hiner, Hinitz, Johanningmeier, Lascarides, Saslaw e Smith), três do Japão (Katagiri, Nakauchi e Seki), dois da Rússia (Rogacheva e Salimova), dois do Reino Unido (Aldrich e Simon), dois da Dinamarca (Kruchov e Norgaard), um da França (Compere), um da Bélgica (Depaepe), um da Índia (Ghosh), um da Noruega (Gundem), um da Suíça (Hager), um do Canadá (Mazurek), um da Polônia (Majorek) e um da Espanha (Sola). A própria coleção oferece sugestões sobre o assunto e sobre o conteúdo da história da educação, os objetivos da área de treinamento de professor e sobre programas desenvolvidos em diferentes países. No entanto, de maneira geral, os últimos cinqüenta anos testemunharam a perda da história no currículo da educação do professor em muitos países e, ainda mais profundamente, a perda da visão inspirada por Emile Durkheim na França, no início do século 20. Pesquisa histórica sobre professores e o ensino É extremamente irônico o fato de que quando a história passou a ser alienada da formação do professor, uma nova literatura se apresente buscando entender a formação histórica do ensino como profissão. Trabalhos recentes sobre a história dos professores e do ensino foram além das questões históricas que eram comuns
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até a década de 1970. Estes estudos anteriores tratavam, geralmente, da profissionalização gradual dos professores como reflexo do crescimento de suas associações profissionais. Na Grã-Bretanha, elas incluíam o retrato triunfalista de Asher Tropp do crescimento e do progresso da profissão do professor desde o século 19 (Tropp ,1957) e a pesquisa de Peter Gosden’s, sobre a contribuição das associações dos professores para a evolução do ensino escolar como uma ocupação profissional (Gosden, 1972). Tal abordagem refletia e informava o otimismo e o modelo liberal do progresso social que permaneceu proeminente naquele período. De maneira geral, eles também reforçaram a imagem dominante da habilidade e beneficência das profissões do ocidente que se difundiram, especialmente, no período pós-guerra. Estas suposições foram abaladas por um recuo social e político das profissões que demandavam mais reconhecimento pelos direitos do consumidor e contas públicas (ver, por exemplo, Perkin, 1989, Halsey, 1992, Freidson, 2001). No caso da educação na Grã-Bretanha, os professores sofreram constante ataque político, principalmente na década de 1980, dos governos conservadores liderados por Margaret Thatcher. Nessas circunstâncias, as histórias liberais e complacentes foram substituídas por críticas marxistas de professores e os procedimentos do trabalho. Esta nova literatura histórica enfatizou a posição marginal dos professores e de suas ligações com a classe trabalhadora organizada e com os sindicatos (por ex. Lawn, 1996). Nos últimos dez anos, esses elementos relacionados à classe parecem ter dado espaço para uma nova onda na história do professor. Esta nova literatura consiste de estudos críticos e refinados sobre o professor e sobre suas relações cotidianas e pedagogias baseadas em uma gama de teorias e metodologias. Se o trabalho das décadas do período pós-guerra afetou o projeto de profissionalização de longo prazo e se as produções escritas da década de 1980 tendiam a focar na proletarização, neste momento, o interesse passou a ser direcionado para a natureza do profissionalismo de professores. Isto é, historiadores começaram a explorar mais profundamente a interação dos professores com os estudantes, colegas e com o público em geral, assim como as próprias experiências diárias dos professores em relação às suas pedagogias e trabalho. Internacionalmente, novas pesquisas sobre a história dos professores e sobre o ensino também vão nesta direção. Nos Estados Unidos, Larry Cuban liderou o caminho, principalmente através de seu grande estudo histórico sobre a vida na sala de aula e sobre suas importantes continuidades e mudanças no último século 7

Como os professores ensinavam (Cuban, 1993). Linda Eisenmann indicou os usos em potencial do profissionalismo de professores como um instrumento analítico para a história do professor, especialmente por poderem estar informados das experiências das mulheres como estudantes, professoras, acadêmicas e administradoras (Eisenmann, 1991). Kate Rousmaniere produziu uma investigação histórica detalhada acerca das décadas de 1920 e 1930, com base em testemunhos orais de professores antigos (Rousmaniere, 1997). Identidades e memórias profissionais passaram a ser características fundamentais desta nova onda de pesquisa e as experiências dos próprios professores vieram à tona. O trabalho de Miriam Ben-Peretz, em Israel, também apontou esta tendência. Ela entrevistou 43 professores aposentados em uma tentativa de reconstruir o que ela descreveu como sendo “a história da prática ao longo do tempo” (1995, p. 3). Ben-Peretz sugere que o estudo sobre as memórias profissionais dos professores nos ajuda a entender o desenvolvimento da sabedoria dos profissionais e que isto talvez seja concebido como “a base para a construção e organização do conhecimento pessoal e profissional dos professores de forma que lhes permitam usá-lo” (p. 7-8). Tudo isso sustenta a posição básica de David Tyack, de que a história do ensino oferece um meio de contemplar questões contemporâneas na reforma do professor: Um estudo histórico de continuidade e constância de instrução (o “o que” e o “como”) deverá iluminar a profunda estrutura do ensino e revelar por que tentativas de alterar seu caráter fundamental sejam semelhantes a escrever sobre a neve. Incluindo uma dimensão temporal para etnografias atuais e outros estudos sobre instrução de sala de aula poderiam oferecer questões importantes negligenciadas nos debates sobre as políticas atuais. Implicitamente, também, isto lembrou as críticas severas de Durkheim acerca das profundas características históricas das instituições educacionais, dos ideais e da mudança. Trabalhos posteriores no contexto britânico desenvolveram estes temas detalhadamente. O estudo histórico de Wendy Robinson, sobre as tentativas dos professores de aprender por meio da prática, lidou com questões semelhantes. De acordo com Robinson, “ao buscar entender e definir os princípios do ensino os quais estão situados na compreensão clara da relação entre ensino e aprendizagem e com as complexidades da interação em sala de aula, esta perspectiva histórica pode informar e enriquecer novos pontos de partida” (2000, p.131).
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Estas preocupações também estavam no corpo de um importante estudo de Cunningham e Gardner (2004) - Tornando-se professores, que examinam o desenvolvimento histórico dos professores em formação nas primeiras décadas do século 20. Este foi um período em que a noção de formação de professor era debatida intensamente e contestada entre grupos de interesses rivais. Eles se focaram particularmente no esquema de formação do professor de 1907, criado para oferecer aos professores em treinamento uma visão da realidade do trabalho diário em uma escola de ensino fundamental e para lhes oferecer uma introdução prática do ensino em sala de aula. Por isso, eles fazem muito uso dos materiais escritos contemporâneos de diferentes tipos e também se baseiam nas memórias dos professores já aposentados, quando em formação. Estes foram entrevistados para o estudo e buscava-se compreender as experiências dos estudantes para professor a partir de suas próprias perspectivas. Cunningham e Gardner são claros sobre as implicações de seu estudo sobre a formação do professor e sobre a identidade profissional dos professores no século 21. Observam a marginalização do professor de classe nas políticas educacionais e lamentam o que vêem como “deslocamento desastroso” na compreensão do conhecimento profissional do professor. Na tentativa de tratar de problemas igualmente complicados, mencionam “atenção cuidadosa ao único recurso que sempre pertenceu à própria profissão do professor - sua própria história longa e acumulada de prática profissional” (Cunningham e Gardner 2004, p. 231). Um estudo histórico sobre treinamento de professor desenvolvido em Cambridge, por Hirsh e McBeth, oferece mais idéias sobre o assunto (Hirsh e McBeth, 2004). O trabalho tem como foco as iniciativas desenvolvidas por Oscar Browning e Elizabeth Hughes, os iniciantes das duas faculdades de treinamento de professor para homens e mulheres. Até certo ponto, este é um exercício que celebra educadores importantes em suas lutas contra a diversidade, mas ele também tem a intenção de reconstruir algo relacionado à interação de suas instituições e desenvolve uma análise proveitosa dos objetivos e ideais do treinamento de professor durante este período. Assim como o estudo de Cunningham e Gardner, eles nos lembram de modelos diferentes de preparação profissional, ao mesmo tempo que os problematizam. De acordo com Hirsch e McBeth, mesmo com suas idéias diferentes, ambos, Browning e Hughes, contribuíram significativamente para ajudar a estabelecer “um discurso viável sobre o valor do treinamento do professor, assim como sobre a teoria e praxis da pedagogia” (Hirsch, McBeth 2004, p. 209). O
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legado duradouro de Browning foi para o estudo simultâneo de uma disciplina acadêmica e formação profissional, enquanto Hughes destacou-se por uma abordagem consecutiva encaminhada para estudo de pós-graduação. Outras pesquisas históricas recentes lançaram luz sobre as ligações entre o ensino e a aprendizagem, mais especificamente nas vidas de aprendizado dos professores. Trotman e O’Donoghue (2010), por exemplo, investigaram o período de aprendizagem de estudantes mulheres que estavam em processo de se tornarem professoras no oeste australiano na década de 1920. Através de uma abordagem histórica oral, mostram como estas mulheres jovens se definiam em termos do direcionamento do futuro de suas vidas adultas e de suas carreiras, ao mesmo tempo em que continuavam comprometidas com seu papel social de futuras esposas e mães. A natureza do trabalho do professor também foi investigada por estudos das realidades das escolas. Rousmaniere, por exemplo, refletiu sobre o que ela mesma descreveu como o “grande divino” entre as salas de aula e a sala do diretor e na sua localização física na escola e a organização cultural de um dia de aula: “Da mesma forma que são identificados como adultos à frente de quadros-negros e treinadores atléticos como adultos apoiando seus times, o diretor também é identificado como o adulto sentado a uma mesa em uma sala formal e fechada.” (Rousmaniere, 2009, p 18). Malcom Vick também discute as características do trabalho do professor através da análise de um conjunto de fotografias do método Montessori de uma escola em Sidney, na Austrália, no início do século 20 e as relaciona com as idéias de Butler sobre performatividade e com o conceito de Foucault das tecnologias do eu (Vick, 2009). Outros trabalhos recentes examinaram a mudança das imagens culturais associadas ao ensino e aprendizagem, traçados com base em uma variedade de fontes. Weber e Mitchell identificaram o que chamam de “texto cultural cumulativo” dos professores, através do qual imagens dominantes dos professores e do ensino são transmitidas de uma geração para a outra, mas que não é praticamente notada e examinada (Weber, Mitchell, 1995). Susan Ellsmore explorou as representações da profissão do professor em filmes (Ellsmore, 2005). Romances e peças de teatro também revelam continuidades importantes e mudanças nestas representações, por exemplo, da história da vida do Mr. Chipping, em Adeus Mr. Chips, de James Hilton (Hilton, 1934) aos nostálgicos arrependimentos de History boys, de Alan Bennett (Bennett, 2004; vide também McCulloch, 2009c). Christine Trimingham Jack (2009)
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avalia a vida de trabalho de uma professora com a utilização do romance infantil de Lucy Maude Montgomery, intitulado Anne de Avonlea (Montgomery, 1925/1994). Conclusões Estes trabalhos recentes contribuem, de forma interessante e relevante, para a história da educação. Eles também são definitivamente valiosos para futuros professores em formação profissional. Eles podem servir a tarefa importante de ajudar a cultivar uma memória profissional e de identidade aos professores e a reinstituir o senso de lugar e de pertencer que foi severamente atenuado nas gerações passadas. Isto foi, em certo momento, talvez a função mais importante do estudo da história da educação que se perdeu em muitos países na formação do professor. Além disso, as novas pesquisas podem ser capazes de gerar não apenas mitos funcionais e incidentes de progresso, que parecia ser o caso antes da década de 1970, como também uma profissão de professor mais reflexiva, autocrítica e consciente. Apenas assim, conforme insistiu Dukheim, os professores poderão “antecipar o futuro e compreender o presente” (1977, p. 9). Referências Aldrich, R. (1990) History of education in initial teacher education in England and Wales, History of Education Society Bulletin, n. 45, p. 47-53. Armytage, W. H. G. (1953) The place of the history of education in training courses for teachers, British Journal of Educational Studies, ½, p. 114-20. Armytage, W. H. G. (1954/1980) The role of an education department in a modern university. In: P. Gordon (ed), The Study of Education, vol 1, Early and modern, Woburn Press, London, p. 160-79. Bennett, A. (2004) The history boys, Faber and Faber, London Ben-Peretz, M. (1995) Learning from experience: memory and the teacher’s account of teaching, State University of New York Press, New York. Campbell, C. and Sherington, G. (2002) The history of education: the possibilities of survival, Change: Transformations in Education, 5/1, p. 46-64. Cuban, L. (1993) How teachers taught: constancy and change in american classrooms, 1880-1930, Teachers College Press, New York. Cunningham, P. and Gardner, P. (2004) Becoming teachers: texts and testimonies, 1907-1950, Woburn Press, London. Department for Education and Employment (1998) Teachers: meeting the challenge of change, Stationery Office, London. Durkheim, E. (1977) The evolution of educational thought: lectures on the formation and development of secondary education in France, RKP, London.
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