Você está na página 1de 36

UNIRIO - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CURSO: LICENCIATURA EM PEDAGOGIA NA MODALIDADE A DISTÂNCIA


DA UNIRIO/UAB/CEDERJ
DISCIPLINA: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
PROFA COORDENADORA: NAILDA MARINHO DA COSTA BONATO

TEXTO 2
Título: EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE: a Paidéia e a formação do homem
grego1
INTRODUÇÃO
Você deve estar se perguntando: por que devo estudar a educação na
Antiguidade grega? A resposta é simples, porque este povo foi de marcante
influência para a educação e civilização ocidental. Podemos dizer que o que
denominamos “Educação”, no Ocidente, tem sua origem na Grécia e que, com os
gregos nasceu a figura do docente.

Figura 2.1 Templo de Hephaestus - Atenas


Fonte: Por maccosta
http://farm5.static.flickr.com/4034/4659744216_746e1778b9.jpg

1
Texto em versão preliminar sendo produzido como aula 4 para compor o Caderno Didático da disciplina
História da Educação do curso de Licenciatura em Pedagogia na modalidade a distância da
UNIRIO/UAB/CEDERJ. Deverá ser usado única e exclusivamente para as aulas de História da Educação,
não devendo ser disponibilizado de nenhuma forma para outro fim sem minha prévia autorização.
Você imaginava que a Grécia antiga era importante assim para a educação
atual? Se já tinha alguma noção sobre esse assunto, esse texto contribuirá com
novas e detalhadas informações, e se nem imaginava, melhor ainda! Vai
aprender ainda mais. Então, convido você para essa viagem que faremos juntos
no tempo para conhecer primeiramente o povo grego em sua origem, e o seu
legado para a educação hoje.

1. A EDUCAÇÂO NA ANTIGUIDADE GREGA – A PAIDÉIA

Neste texto farei uma exposição apresentando os períodos históricos da


civilização e educação grega. Para sua melhor compreensão, parto da
periodização dada por Maria Lucia Arruda Aranha em sua obra História da
Educação e da Pedagogia: Geral e Brasil, edição de 2006.

É importante dizer que na Europa surgiram duas grandes civilizações: a grega e


a romana. Neste texto, trataremos da educação na perspectiva da civilização
grega e, no texto 3, da civilização romana, cuja educação também nos influenciou
no Ocidente.

Os gregos denominam sua pátria de Hellás, ou Hélade, a si mesmo de helenos e


aos outros de “bárbaros”. Como nos ensina Aranha (2006, p.57) “Só mais tarde
essa região recebeu a designação latina de Graii, de que derivou Graecia (que se
lê ‘Grécia’).”

Após essas informações iniciais sobre a civilização e educação grega, veremos


na próxima seção sua divisão didática em períodos, que vão do século XII ao
século II a. C. seguindo a periodização dada por Aranha (2006)

2. PERÍODOS DA CIVILIZAÇÃO E EDUCAÇÃO GREGA

2.1 Período homérico (séculos XII a VIII a. C.)

Você já viu algum filme sobre a antiguidade grega? A filmografia é farta de heróis
gregos. Se você já viu algum desses filmes, como “Tróia” e “Helena de Tróia”,
como verá mais adiante, talvez você já saiba, que da cidade de Micenas, no

2
início do século XII a. C. partiram Agamêmnon (que governava Micenas), Aquiles
e Ulisses para conquistar Tróia, no litoral da Ásia Menor. A civilização micênica
reúne vários povos desde o segundo milênio a. C., entre eles os aqueus, que
eram naturais ou habitantes da Acaia, região da Grécia antiga, e se
estabeleceram com um regime de comunidade primitiva.

Figura 2.2 Suposta 'Máscara de Agamémnon', descoberta em 1876 em Micenas. Agamémnon,


exemplo de aqueu, foi um dos mais distintos heróis da história.
Fonte: Por MaskeAgamemnon.JPG/593px
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/

No final do século XII a. C, a Grécia é invadida pelos bárbaros dórios, com isso,
muitos aqueus fugiram para a Ásia Menor, onde fundaram colônias que mais
tarde prosperaram pelo comércio. Neste período a escrita já existia, restrita aos
escribas, porém desapareceu com a invasão dórica e ressurgiu somente por
volta do século VIII a.C., por influência do alfabeto fenício.
Figura 2.3 Escriba egípcio. ?
Fonte: Por GD-EG-Louxor-126.JPG/800px
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0a/

INÍCIO DO VERBETE
Escriba - Homem culto, que domina as letras, cultiva o poder e cumpre o dever de
obediência a seu soberano, expressa a imagem de homem ideal na civilização egípcia.
Respeitado, era o modelo ideal a ser seguido pelos jovens que desejavam o respeito e o
poder. Era visto como um sábio que podia ler as escrituras antigas e que escrevia para o
rei, podendo por isso instruir e guiar seus superiores. O escriba constituía uma minoria
destinada a exercer as funções para o Estado e que, por isso, gozava de condição
privilegiada.

FIM DO VERBETE

É por volta dos séculos IX ou VIII a.C. que teria vivido Homero. Nos tempos
homéricos (séculos XII a VIII a.C), as principais ocupações eram a agricultura e o
pastoreio.

4
INICIO DO BOXE EXPLICATIVO

Figura 2.4 Homero


Fonte da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Il%C3%ADada

Obras como o Dicionário da civilização grega, de Claude Mossé, Convite à filosofia, de


Marilena Chauí e História da educação e da pedagogia, de Maria Lúcia Arruda Aranha
apontam ser duvidosa a existência real de Homero e que pouco se sabe dele.
Diz-se que Homero correu o mundo de sua época, e que em Ítaca contraiu uma doença
nos olhos. No percurso de volta, anotou nomes, datas e características físicas, enquanto
recebia hospedagem em troca de poesias. Também se fala que Homero tinha origem
plebéia e que pode ter nascido cego, por conta da origem de seu nome em grego, que
significa "aquele que não vê". Conta-se ainda que a sua obra "Odisséia" tenha sido
escrita no fim de sua vida.
Fonte: www. educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u388.jhtm

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Os mitos gregos eram transmitidos oralmente em praça pública por cantores


ambulantes conhecidos como aedos e rapsodos, entre eles destacava-se
Homero. Assim a educação é de tradição oral.

INICIO DO VERBETE

Aedo e rapsodo
Aedos na Grécia antiga era o poeta que recitava ou cantava suas composições religiosas
ou épicas acompanhando-se à lira. Rapsodo era o cantor ambulante de rapsódia, que
pode ser entendida como cada um dos livros de Homero ou trecho de uma composição
poética.

FIM DO VERBETE
A obra Ilíada que trata da tomada de Tróia pelos gregos e tem como principal
personagem Aquiles, e a Odisséia que relata o retorno de Ulisses após a Guerra
de Tróia são duas epopéias atribuídas a Homero, que provavelmente as teria
redigido por volta do século VIII a. C.

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO

Guerra de Tróia
Conforme o Dicionário da civilização grega, de Claude Mossé, a Guerra de Tróia tem
como principais protagonistas, os gregos Agamêmnon, Menelau, Ulisses, Ájax e Aquiles
e os troianos Heitor, Enéias, Páris e Príamo e tem origem nos dois poemas atribuídos a
Homero: a Ilíada e a Odisséia. Porém, a Ilíada e a Odisséia não relatam especificamente
a Guerra de Tróia, acontecimento ainda não comprovado historicamente. A Ilíada narra
os poucos dias que separam a cólera de Aquiles da morte de Heitor, principal guerreiro
troiano, morto por Aquiles quando já havia mais de dez anos que os gregos sitiavam
Tróia. Já a Odisséia narra o regresso de Ulisses, após a tomada de Tróia, a sua pátria, a
ilha de Ítaca.

Figura 2.5 A queda de Tróia, por Johann Georg Trautmann (1713–1769). Da coleção dos
granduques of Baden, Karlsruhe.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Il%C3%ADada [fonte da imagem e não do texto]

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

6
INICIO DO BOXE MULTIMIDIA

Título Original: Título Original:


"Helen of Troy" (2003) “Troy” (2004)

Para saber mais sobre a Guerra de Tróia, aconselhamos que você veja os filmes “Helena
de Tróia” (John Kent Harrison, 2003) e “Tróia” (Wolfgang Petersen, 2004).
Em “Helena de Tróia”, a bela Helena é o centro de uma das maiores histórias de amor de
todos os tempos. Raptada por Páris, líder dos troianos, Helena se torna o pivô de uma
batalha entre duas grandes civilizações - Tróia e Esparta - que duraria quase uma
década.
De forma semelhante, em “Tróia”, vemos que Páris provoca uma guerra ao afastar
Helena de seu marido, Menelau. Tem início então uma sangrenta batalha, que dura mais
de uma década. A esperança de Príamo, rei de Tróia, em vencer a guerra está nas mãos
de Aquiles, o maior herói da Grécia, e de seu filho Heitor.

FIM DE BOXE MULTIMIDIA

No período homérico, a concepção mítica de mundo ainda predominava.


Segundo essa concepção, o herói vivia na dependência dos deuses e do destino,
sofria interferência divina e, portanto faltava-lhe a noção de livre arbítrio. Ao
contrário do que você pode estar pensando, esta condição só o enaltece diante
dos homens comuns, pois ele foi escolhido pelos deuses.

INICIO DO VERBETE
Mítica - dos mitos ou da natureza deles.

FIM DO VERBETE

Ter sido escolhido pelos deuses é sinal de valor e em nada desmerece


a virtude, que para os gregos significa força, excelência e
superioridade, alvo do supremo herói. Trata-se da virtude [areté] do
guerreiro belo e bom. (ARANHA, 2006, p. 58)
INICIO DO VERBETE
Virtude – (Areté) – A virtude do guerreiro belo e bom são a coragem, a
prudência, a lealdade, a hospitalidade, a honra, a glória e o desafio à morte.

FIM DO VERBETE

Figura 2.6 Aquiles na corte do rei Nicomedes, estátua em mármore (240 d.C.).
Fonte: Por Lycomedes LouvreMa2120.jpg/420px
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/10/

Aquiles e Ulisses são os modelos idealizados de herói. O primeiro personifica o


guerreiro, com as habilidades de um lutador corajoso; o segundo é paradigma de
honra, oratória e superioridade no cumprimento do dever. Este constitui “o ideal
do processo educativo: o enaltecimento da superioridade individual para que seja
o melhor e supere os demais”. (MELLO, 2006, p.35).

Segundo esse ideal educativo a criança nobre permanece em casa até os sete
anos, quando é então enviada aos palácios de outros nobres para aprender,
como escudeiro, o ideal cavalheiresco; também podem ser contratados
preceptores para dar formação integral, formação baseada no afeto e no
exemplo. (ARANHA, 2006).

8
2.2 Período arcaico (séculos VIII a VI a. C)

Com o advento das cidades-estado (pólis), no período arcaico (séculos VIII a VI


a. C.) ocorrem grandes transformações sociais e políticas numa sociedade
caracterizada em classes e baseada na escravidão. Incrementa-se o comércio.

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO


Pólis. A Grécia, na Antigüidade, não formava uma unidade política. Ela se compunha de
várias Cidades-Estado como Esparta e Atenas. Essas cidades-estado – as pólis – tinham
em comum, o idioma, a religião e similaridades nas instituições sociais e políticas.
Conforme Chauí (1995), pólis em grego significa “cidade organizada por leis e
instituições”. (p.28). A pólis estava centralizada na ágora (praça pública), onde se
discutiam os problemas de interesse comum.

FIM DE BOXE EXPLICATIVO

É neste período arcaico que aparecem os primeiros filósofos e o pensamento


científico se desliga de preocupações míticas. O surgimento da filosofia é fruto de
milênios, tendo como marco as novidades introduzidas neste período. São elas: o
reaparecimento da escrita, a moeda, a lei, as instituições políticas e a “pólis”, o
aparecimento do filósofo. Assim a tradição mítica de mundo - que explica as
ações humanas como conseqüência do destino e do sobrenatural - predomina na
Grécia até por volta do século VI a. C. quando se passa a ter uma nova visão de
homem e de mundo.

No final desse período, lutas sociais denunciam uma crise social e política
resultante do conflito entre a aristocracia rural e os setores populares, estes
representados pelos comerciantes em ascensão. Legisladores como Drácon,
Sólon e Clístenes instituem a lei escrita. As reformas de Sólon favorecem o
acesso dos comerciantes ao poder e as de Clístenes no final do século VI a. C.
dão condições para o nascimento de uma nova ordem política, que é a
democracia. (Aranha, 2006). Essa nova ordem dá origem ao “cidadão da pólis”,
figura inexistente no mundo coletivista tribal.

Assim, no período arcaico surge uma nova concepção de virtude (Arete). Se


antes ela era ética, aristocrática, agora ela é política, com repartição do poder e
representando uma consequente reformulação das práticas educativas.
INÍCIO DO BOXE EXPLICATIVO

Coletivista tribal - a educação nas comunidades tribais


As comunidades tribais “primitivas” se caracterizam como uma “coletividade pequena,
assentada sobre a propriedade comum da terra e unida por laços de sangue, os seus
membros eram indivíduos livres, com direitos iguais, que ajustaram suas vidas às
resoluções de um conselho firmado democraticamente por todos os adultos, homens e
mulheres da tribo.” (PONCE, 1998, p.17). E a educação prática se constituía no treino
para obtenção de alimentos, vestiário e abrigo, imposições de sobrevivência para todos
os indivíduos. A essa educação Maria Lúcia Arruda Aranha (2006) vai chamar de
“educação difusa”, onde não existia a escrita e toda a comunidade assumia a função de
ensinar, de transmitir os conhecimentos necessários a sua existência.

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

2.3 Período clássico (séculos V e IV a. C.)

O período clássico (séculos V e IV a. C) representa o apogeu da civilização


grega. A produção nas artes, na literatura e na filosofia já delineia o que virá a ser
a herança cultural do mundo ocidental. A ginástica e a música eram valorizadas.
Na política, Péricles representa o auge do ideal grego da democracia. Ele funda a
“Confederação pan-helênica”, sob a hegemonia de Atenas e empreende grandes
obras públicas como o Parthenon (447-438 a. C.). (MELLO, 2006, p.35).

INÍCIO DO BOXE EXPLICATIVO

O Parthenon foi um templo da deusa grega Atena,


construído no século V a.C. na acrópole de Atenas.
Ornado com o melhor da arquitetura grega, suas
esculturas decorativas são consideradas um dos
pontos altos da arte grega. Símbolo duradouro da
Grécia e da democracia, é considerado um dos
maiores monumentos culturais do mundo. O nome
Parthenon parece derivar da monumental estátua de
Atena Parthenos, que foi esculpida em marfim e ouro,
e sua qualificação parthenos ("virgem", em grego)
refere-se ao estado virginal e solteiro da deusa.
Servia como tesouraria, onde se guardavam as
reservas de moeda e metais preciosos da cidade que
se tornou mais tarde o império ateniense. No século
VI foi convertido numa igreja cristã dedicada à Virgem
Maria e depois da conquista turca foi transformada
numa mesquita. Em 1687, um depósito de munição
instalado pelos turcos explodiu, depois de ser atingido por uma bala de canhão
veneziana, causando sérios prejuízos ao edifício e a suas esculturas. O Parthenon é hoje
um dos mais visitados sítios arqueológicos da Grécia e o Ministério da Cultura grego leva
adiante um programa de restauração e reconstrução do edifício.

10
Figura 2.9 Parthenon, em Atenas, Grécia
Fonte: Por Parthenon from west.jpg/800px
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ad/

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Além da valorização do ensino da música e da ginástica, por exemplo, com o


desenvolvimento da democracia, surge a escola do alfabeto ou escola de escrita.
Assim, junto dos mestres de ginástica e de música surge um novo mestre, o das
letras do alfabeto, o grammatistes. Entretanto, saiba que estamos falando de uma
democracia escravista, na qual os cidadãos que tinham acesso a essa
educação eram apenas os homens livres.

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO


Democracia escravista
Nas cidades gregas, uma minoria era considerada cidadã. Mulheres, estrangeiros e
escravos não desfrutavam da cidadania. Atenas tinha cerca de meio milhão de
habitantes, dos quais 300 mil eram escravos e 50 mil, metecos (estrangeiros). Excluídas
as mulheres e as crianças, apenas os 10% restantes tinham direito de decidir por todos!
(Aranha, 2006)
FIM DO BOXE EXPLICATIVO

O ócio digno era para aqueles que não precisavam cuidar da própria existência.
Porém, você não deve confundir isso com o não fazer nada. Pensar, guerrear e
governar eram ocupações nobres. As atividades artesanais eram realizadas pelo
braço escravo que desta forma “liberta” o cidadão para se dedicar às funções
teóricas, políticas e de lazer, consideradas mais dignas. Assim. A palavra grega
para escola – scholé significa inicialmente “o lugar do ócio.”

2.4 Período helenístico (Séculos III e II a. C)

No fim do século IV a. C., inicia-se a decadência das cidades-estados. A cultura


helênica se funde às civilizações que a dominam, formando o helenismo que se
estabelece por volta dos séculos III e II a. C. Essa decadência das cidades-
estados (as pólis) se dá por dissidências entre elas próprias.
INICIO DO VERBETE
Helênica - Relativo à Grécia, antiga Hélade.
FIM DO VERBETE

A Grécia nunca constituiu uma unidade política, e as cidades-estados ora se


rivalizam em poder e influência, ora se uniam contra um inimigo comum, como no
caso da ameaça persa. Ainda na época clássica, as desavenças entre as cidades
de Esparta e Atenas culminaram em guerra, da qual Atenas saiu derrotada.
Nesta situação, o rei Felipe da Macedônia conquista as cidades gregas
convulsionadas por conflitos internos. Mais tarde, seu filho Alexandre, o Grande,
ocupa a Grécia e expande suas conquistas pela Ásia Menor, Oriente Médio,
Mesopotâmia, Pérsia (atual Irã) e Índia. Na África, ele conquista o Egito,
fundando a cidade de Alexandria na foz do Rio Nilo, em 331 a. C.

INÍCIO DO BOXE EXPLICATIVO

Figura 2.10: Busto de Alexandre, o Grande

Alexandre o grande era filho do rei Filipe II, e foi uma das personalidades mais
fascinantes da história, responsável pela construção de um dos maiores impérios que já
existiu. Sua inteligência e gênio estratégico se tornaram lendários. Alguns de seus
contemporâneos chegaram a supor que ele fosse filho de Zeus, o líder dos deuses do
Olimpo. Porém, Alexandre não era um deus, mas apenas um homem com qualidades
excepcionais.
Com a morte do pai, Alexandre, que tinha vinte anos, se tornou o novo rei da Macedônia.
Mas antes de se tornar rei, o jovem Alexandre já tinha experiência política e militar.
Alexandre também era culto e sofisticado. Ele adquiriu uma sólida formação cultural
graças às aulas que recebeu de Aristóteles, um dos maiores filósofos da Antiguidade. Foi
ele quem difundiu a cultura grega para outras partes da Macedônia, região onde nasceu,
e do mundo.

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

12
Alexandre teve como mestre o filósofo Aristóteles, e com seu império divulga a
cultura grega. Por outro lado, a Grécia sofre a influência dos povos orientais.
Após sua a morte, em 323 a. C, o império se fragmenta. Por volta dos séculos II a
I a. C. os romanos se apropriam não só desses territórios, mas das expressões
culturais da civilização grega. Após a conquista romana, elementos da cultura
grega foram assimilados pelos romanos, o que se estendeu a outros povos por
meio da influência do Império Romano.

INICIO DE BOXE MULTIMIDIA


Alexandre, o Grande
Uma boa dica! Para que você saiba mais sobre as
conquistas alexandrinas, assista ao filme
“Alexandre,O Grande” (Oliver Stone, 2004). Uma
história sobre sabedoria, sangue e glória: um
comandante militar, guerreiro e herói da Macedônia,
Alexandre, o Grande, é um homem perturbado pelo
conflito entre a enorme sabedoria de seu professor,
Aristóteles, a lealdade a seu guerreiro pai, e seu
próprio desígnio grandioso de dominar o mundo. Em um mundo agitado de política
conturbada, este jovem ambicioso se ergue acima de todos os conflitos para unir os
continentes da Europa e Ásia e se tornar um dos maiores e mais famosos governantes
de todos os tempos.
FIM DE BOXE MULTIMIDIA

Até aqui você aprendeu sobre os períodos em que são divididas a civilização e
educação grega – homérico, arcaico, clássico e helenístico. Porém, deve estar
curioso para entender melhor sobre a Paidéia, título do texto. Então, vamos a ela
na nossa próxima seção!

3. O QUE É PAIDÉIA?
Você deve estar se perguntando, o que é a Paidéia? Até porque essa palavra
está no título da nossa aula! No período clássico, por volta do século V a. C. é
criada a palavra Paidéia, que de início significava apenas a criação dos meninos
(pais, paidós - criança). Posteriormente essa noção se ampliou, passando o
termo Paidéia a designar o processo de formação integral entre os gregos. Para
o helenista Werner Jaeger, no tempo democrático, o ideal educativo passa a ser
a formação do cidadão grego, adquirindo a palavra Paidéia nuances que a
tornam intraduzível.
INICIO DO BOXE EXPLICATIVO

Figura 2.11: Werner Jaeger.


Fonte: Por Max Liebermann (1915)
http://en.wikipedia.org/wiki/Werner_Jaeger

Werner Wilhelm JAEGER (1888-1961). Estudioso da cultura grega antiga. Entre


seus trabalhos se destaca Paidéia – a formação do homem grego. Nela o
historiador esclarece sobre os ideais de educação da Grécia antiga. (Paidéia,
2001)
FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Para Jaeger, expressões modernas como civilização, cultura, tradição, literatura


ou educação, nenhuma delas coincide realmente com o que os gregos entendiam
como Paidéia. Para abranger esse conceito teríamos de empregá-las de uma só
vez, diz na introdução de sua obra. Tentando dar uma definição, podemos dizer
que o termo grego paidéia, essencial da Pedagogia, significa formação integral
do homem grego. Mas o que seria essa formação integral? A Paidéia, entendida
como formação integral, seria a educação do corpo e do espírito, mesmo que ora
se enfatizasse mais para o preparo esportivo, ora o debate intelectual, conforme
a época e o lugar.

No período helenístico (séculos III e II a. C), a Paidéia torna-se mais enciclopédia,


entendida como educação geral. Essa enciclopédia consiste numa ampla gama
de conhecimentos exigidos para a formação do homem culto. Cada vez mais
aumentam os estudos teóricos, restringindo-se o tempo dedicado aos exercícios
físicos. Ao lado do ensino elementar, orientado pelo gramático, nota-se o

14
desenvolvimento do nível secundário, sendo ainda ampliada a função do “retor”,
ou mestre de retórica. Retórica é arte de falar bem.

Organizam-se escolas com o conteúdo abrangente das disciplinas humanistas


(gramática, retórica e dialética) e das quatro disciplinas cientificas (aritmética,
música, geometria e astronomia), formando as sete artes liberais.
Espalham-se inúmeras escolas filosóficas e surgem as universidades,
destacando-se a Universidade de Atenas, que resulta da junção da Academia de
Platão e do Liceu de Aristóteles, foco de fermentação intelectual, o que perdura,
inclusive, no período da dominação romana, por volta dos séculos II a I a.C.

Outro centro importante de estudos superiores se encontra em Alexandria. A


cidade se transformou em um centro fecundo de pesquisa, constituído por escola,
museu e biblioteca. Por ela passaram muitos sábios como Ptolomeu (astronomia
geocêntrica), Arquimedes (física) e Euclides (geometria). Mais tarde lá também
se encontrava alguns Padres da Igreja (Patrística), como Clemente de
Alexandria.

Famosa pela coleção de manuscritos gregos, hebreus, egípcios e orientais, a


biblioteca de Alexandria era bem equipada e possuía funcionários para organizar
os documentos e produzir cópias. Foi destruída no século VII d. C. quando a
região foi conquistada pelos árabes. O califa que conquistou Alexandria teria
usado os livros como combustível para 4 mil banhos públicos durante seis meses.

Figura 2.12 O interior da antiga biblioteca de Alexandria


Fonte: Por Ancientlibraryalex.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/64/
O ideal da educação helenística era a formação do homem total, visando ao
equilíbrio e à harmonia completa do corpo e da alma, do caráter e do espírito, da
sensibilidade e da razão, nos diz Henri-Iréné Morrou (1975). Para esse autor, a
educação helenística é tão importante que devemos chamá-la de educação
clássica. Veja o que ele diz.

Essa educação é a de todo o mundo grego, quando se estabiliza após


as grandes aventuras da conquista de Alexandre e das guerras que se
sucederam após a sua morte. Ela permanece em voga, em todo o
mundo mediterrâneo, por tanto tempo quanto este merece ser
considerado antigo. Ultrapassa, com efeito, a era propriamente
helenística para estender-se pelo período romano. (MORROU, 1975,
p.154).

Para você ficar por dentro, até aqui exploramos uma visão geral da educação
grega em quatro diferentes períodos históricos, e dentro do último período citado,
o período helenístico (séculos III a II a. C, conhecemos melhor sua educação,
que tinha como ideal a Paidéia, ou seja, uma educação geral dos gregos que
incluía conhecimentos exigidos para a formação do homem culto. Agora, vamos
nos aprofundar melhor em como acontecia a educação nas duas das principais
pólis gregas que se desenvolviam no período helenístico. Vamos lá?!

4. A EDUCAÇÃO EM ESPARTA E ATENAS – DUAS CIDADES-ESTADO

Vamos sistematizar? Como você já sabe, as pólis gregas eram autônomas, não
constituíam uma unidade política, portanto suas práticas educativas podiam
variar. Para que você as conheça melhor, agora vamos apresentar as práticas
educativas em duas Cidades-estado: Esparta – a cidade militarizada e Atenas –
cidade iniciadora do ideal democrático; dois modelos diferentes de educação. O
primeiro modelo baseado no estatismo e no conformismo, o segundo baseado na
concepção de Paidéia. Lucrecia Stringhetta Mello, quanto à diferença entre
ambas, assim se pronuncia:

Embora em ambas as cidades houvesse a divisão social em classes,


com guerreiros e proprietários de terras e de escravos [...], a guerra era
vista como um modo de adquirir riquezas, a primeira priorizou as
virtudes guerreiras e a outra, o desenvolvimento do intelecto. (MELLO,
2006, p.36)

16
Você poderá identificar na educação grega alguns elementos de nossa educação
e pedagogia, mas também poderá estranhar alguns valores e práticas
pedagógicas desse povo grego. Mas lembre-se que estamos falando de uma
civilização com sua cultura determinada por um espaço e tempo histórico
específico.

4.1 A formação do homem grego: a educação e a pedagogia espartana

Figura 2.13 Leónidas foi rei e general de Esparta


Fonte: Por Leonidas Thermopylae.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/22/

Esparta se situava na península do Peloponeso. Diferente de Atenas, sua


educação severa valorizava as atividades guerreiras orientada para a formação
militar. Quem organizou o Estado e a educação em Esparta foi o legislador
Licurgo (cuja existência real é questionada), por volta do século IX a. C.
Patrocinada pelo Estado, essa educação militar é compartilhada por homens e
mulheres, tendo como finalidade assegurar a superioridade sobre as classes
submetidas. Licurgo por meio dessa finalidade impingiu o ideal pedagógico:
formar cidadãos respeitosos aos deuses, patriotas, bravos e fortes. (MELLO,
2006, p.37).

INÍCIO DO BOXE EXPLICATIVO


Cidadão - O número de espartanos considerados cidadãos – classes superiores,
era menor do que o número de habitantes submetidos ao poder destes cidadãos:
os ilotas (servos da gleba, no sentido empregado na Idade Média) e os periecos
(aproveitados no exército e na indústria).
FIM DO BOXE EXPLICATIVO

De início o preparo militar é entremeado com a formação esportiva e a musical.


Com o tempo – e, sobretudo, quando Esparta derrota Atenas, no século IV a. C –
a educação passa a ser mais rigorosa. Os espartanos desenvolviam o rigor físico
e as habilidades guerreiras por meio da prática da ginástica. Disciplinada e
austera, essa educação era controlada pelos éforos: os cinco magistrados que
exerciam, por delegação da nobreza, um poder absoluto para isso.
Os espartanos se comprometiam a prestar serviço militar, especialmente
guerreiro, de que o Estado necessitava para sua defesa e expansão, como
retribuição pelo uso da terra distribuída pela reforma de Licurgo.

INÍCIO DO BOXE EXPLICATIVO

Figura 2.14 Licurgo


Fonte da imagem: Por Lycurgus.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/

Reforma de Licurgo
Essa reforma, realizada pelo legislador Licurgo por volta do século IX a. C.,
distribuiu terras de forma equitativa entre nove mil famílias, assim como os
instrumentos de cultivo. Com o tempo, surgiu uma oligarquia que concentrou
apenas em suas mãos poder e terras, tirando-as dessas famílias. (MELLO, 2006)
FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Era costume pais abandonarem os filhos deficientes físicos ou débeis porque não

18
era interesse da família que a herança passasse para as mãos de um herdeiro
considerado incapaz. Essa prática era recomendada pelo Estado como uma
política de eugenia – prática de melhoramento da espécie – já que a criança não
apresentava condições de se constituir, por exemplo, como um futuro guerreiro
defensor desse Estado.

A política de eugenia ainda incluía o fortalecimento das mulheres para gerarem


filhos robustos e sadios, sendo elas mesmas incluídas nesta educação severa do
treino militar. Diferentemente de outras cidades-estado, em Esparta, as mulheres
mereceram atenção. Elas participavam de atividades físicas, como exercícios de
salto, lançamento de disco, corrida, dança. “Por ocasião das festividades, exibem
nos jogos públicos toda a força, a beleza e o vigor dos corpos bem treinados.”
(ARANHA, 2006, p.51)

Neste Estado guerreiro, até os sete anos a criança permanecia com a família,
quando então era retirada para o que lhe proporcionava educação pública e
gratuita. O jovem espartano era criado em comunidades de acordo com a idade.
Como todos os gregos, os espartanos desenvolviam o estudo da música, canto e
dança coletiva. Até os 12 anos predominavam as atividades lúdicas, mas com o
tempo, aumentava o rigor da aprendizagem e a educação física se transformava
em treino militar severo. A aprendizagem incluía: suportar a fome, o frio, dormir
com desconforto para transformá-los em rijos soldados. A educação moral
valorizava a obediência, a aceitação dos castigos, o respeito aos mais velhos. O
espartano permanecia até os 45 anos no exército ativo e até os 60 na reserva.
Era comum fomentar as práticas de amor homossexual, assim se estreitava os
laços de companheirismo e se mantinha os soldados unidos.
INÍCIO DO BOXE MULTIMIDIA

Fonte: http://stelladauer.files.wordpress.com/2007/04/wallpaper_06.jpg
Se você se interessou em saber mais sobre os espartanos, veja o filme “300.”
(Zack Snyder, 2007). O rei Leônidas e seus 300 guerreiros de Esparta lutam até
a morte contra o gigantesco exército persa do rei Xerxes. O sacrifício e a
dedicação destes homens valentes uniu toda a Grécia no combate contra o
inimigo persa. Que tal essa sessão?
FIM DO BOXE MULTIMIDIA

Como você já deve ter percebido, diferentemente dos atenienses, os espartanos


não eram educados para os refinamentos intelectuais, nem para os debates e os
discursos longos. Daí deriva a palavra “laconismo” que significa “maneira breve,
concisa, de falar ou escrever”. Lacônia era a região onde os espartanos viviam.
Agora vamos entender melhor como era a educação para os atenienses?

4.2 A formação do homem grego: a educação e a pedagogia ateniense

Figura 2.15 Universidade de Atenas


Fonte: Por: Athens University main building.jpg/800px
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/15/

20
Em vários textos sobre a educação grega, há uma concordância – se a Grécia
clássica pode ser considerada o berço da Pedagogia, Atenas foi a “escola de
toda a Grécia”. Sua concepção de Estado permite a emergência do cidadão
participante da pólis. Ao lado da educação física, a educação intelectual assume
grande importância.

No final do século VI a. C já aparecem algumas formas de escolas, porém o


ensino não se torna nem obrigatório nem gratuito, predominando a iniciativa
particular. A educação da criança durante os primeiros sete anos ficava sob a
responsabilidade da família, quando então seguia seu percurso educativo de
acordo com a diferença entre os sexos. Geralmente a menina permanecia no
Gineceu e o menino era entregue aos cuidados de um escravo – pedagogo,
responsável por acompanhar o menino à palestra, iniciando sua alfabetização e
a educação física e musical.

INICIO DO VERBETE
Gineceu - Parte da casa onde as mulheres se dedicavam aos afazeres
domésticos, atividades consideradas pouco importantes em um mundo
predominantemente masculino.
FIM DO VERBETE

INICIO DO VERBETE
Pedagogo - paidagogos - significa literalmente aquele que conduz a criança
(agogôs - que conduz), no caso o escravo que acompanha a criança à escola.
Com o tempo, o sentido se amplia para designar toda teoria da educação, a
(Pedagogia).
FIM DO VERBETE

INICIO DO VERBETE
Palestra - de “palaistra”, “lugar onde se luta”; “palaio”, “eu luto”, onde se pratica
exercícios físicos.
FIM DO VERBETE

Sob a orientação do pedótriba (instrutor físico), o menino era iniciado em corrida,


salto, lançamento de disco, de dardo e em luta, as cinco modalidades do
pentatlo, competição famosa de jogos na cidade de Olímpia, por isso jogos
olímpicos. Aprendia a fortalecer o corpo e a exercer domínio sobre si próprio, já
que a educação física vinha acompanhada pela orientação moral e estética.

Figura 2.16 Estádio em Olímpia, Grécia


Fonte: Por Olympia-stadion.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1c/

INICIO DO VERBETE
Pedótriba (Paidotriba). Em grego, castigador de crianças.
FIM DO VERBETE

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO


Jogos olímpicos - Organizados desde o século VIII a. C., os jogos olímpicos, eram um
dos festivais pan-helênicos que reuniam participantes de todo o mundo grego e que
aconteciam a cada quatro anos no verão. Por essa ocasião havia uma trégua sagrada,
interrompendo qualquer atividade guerreira. Os atletas disputavam diversos jogos, e os
vencedores eram coroados com folhas de oliveira, recebendo as homenagens das
cidades que representavam. Poetas e oradores falavam em praça pública.
FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Como já foi dito a você anteriormente, além do


preparo físico, e a educação musical é valorizada
da mesma forma, e por isso o pedagogo também
leva a criança ao citarista, ou ao professor de
cítara.

Figura 2.17 - Cítara


Fonte: Por Felipe Fonseca
http://farm1.static.flickr.com/158/414092815_aaa70742b7.jpg

22
INICIO DO BOXE EXPLICATIVO
Educação musical - Os gregos eram amantes da música (a arte das musas) de
significado amplo, abrangendo a educação artística em geral. A dança é
expressão abrangente que inclui exercício físico e a música.

Figura: 2.18 Lição de música com liras. cerâmica do século VI a.C.


Fonte: Por Music lesson Staatliche Antikensammlungen 2421.jpg/800px
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9b/

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Com o tempo, pode-se afirmar a existência de três níveis de educação:


elementar, secundária e superior. O ensino elementar da leitura e da escrita
merece menor atenção. O mestre é geralmente uma pessoa humilde, mal paga e
sem prestígio. Todo o prestígio é creditado ao instrutor físico (paidotriba).
Manacorda (1995) em seu livro História da educação: da Antiguidade aos nossos
dias, ao discutir a existência da escola do alfabeto ou escola de escrita voltada
para o nível elementar de ensino, nos apresenta a obra de Heródoto intitulada
Histórias, onde este autor nos conta um episódio trágico ocorrido em 496 a.C na
ilha de Quios. Esta obra sinaliza para a existência dessas escolas e
consequentemente desse tipo de ensino.
Naquela mesma época na cidade, antes da batalha naval
(desastradamente perdida), sobre um grupo de crianças que
aprendiam as letras caiu um teto e, de cento e vinte crianças, se
salvou só uma.” (HERÓDOTO in. MANACORDA, 1995, p.50)
O ensino profissional não é preocupação, pois os ofícios são aprendidos no
próprio mundo do trabalho. Uma exceção é a medicina, profissão altamente
considerada entre os gregos e baseada nos ensinamentos de Hipócrates (460-
377 a. C.). Segundo Werner Jaeger (2001), esta posição de prestígio decorre da
sua relação com a paidéia. Ao contrário do mestre de letras (educação
elementar) o médico é colocado no mesmo patamar social do pedótriba (instrutor
fisico), do músico e do poeta. “Se o homem sadio é um ideal grego, é preciso
entender que ginastas e médicos concebem a cultura física na sua dimensão
espiritual.” (ARANHA, 2006, p.53)

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO

Figura 2.19 Hipócrates


Fonte: Por Hippocrates.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7c/

Hipócrates (460-377 a. C.) - Natural da Ilha de Cós, fundador da Medicina como


ciência. O juramento hipocrático destaca o compromisso de exercer a Medicina
zelando de forma incondicional e atenta pela saúde dos pacientes.

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Com o tempo surge a figura do gramático ou didáscalo. Este costumava reunir,


em qualquer canto – sala, tenda, esquina ou praça pública – um grupo de alunos,
para ensinar a leitura e a escrita. As crianças escreviam em tabuinhas
enceradas e faziam cálculos com o auxílio dos dedos e do ábaco, instrumento de
contar constituído de pequenas bolas. O método de ensino exigia memorização,
silabação, repetição e declamação. As crianças aprendiam de cor, por exemplo,
os poemas de Homero.

24
INICIO DO VERBETE
Gramático ou didáscalo - O gramático (“grammata”, literalmente “letra”),
também chamado didáscalo (“didasko”, “eu ensino”),

FIM DO VERBETE

INICIO DO VERBETE
Tabuinhas enceradas
Tabuinhas de madeira recobertas de cera usadas por gregos e romanos para
gravar as letras que podiam depois ser apagadas.

FIM DO VERBETE

A educação elementar completava-se por volta dos 13 anos. As crianças mais


pobres não continuavam seus estudos, mas iam em busca de um ofício,
enquanto as de família rica continuavam seus estudos no ginásio.

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO


Ginásio – Inicialmente era o local para a cultura física onde, com freqüência, os
gregos se apresentavam despidos (daí sua origem etimológica: “gimnos”, “nu”).
Além da cultura física, atividades musicais, discussões literárias e assuntos
contidos nas artes liberais como matemática, geometria e astronomia são
trazidos sob a influência dos filósofos. Com o surgimento das bibliotecas e salas
de estudo, o ginásio adquire características de local de educação secundária.

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Por volta do século IV a. C, a educação do rapaz assume uma dimensão cívica


de preparação militar, conhecida como efebia (dos 16 aos 18 anos). Com a
abolição do serviço militar em Atenas, a efebia passa a constituir a escola em que
se ensinava filosofia e literatura.

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO


Efebia - De efebo que significa jovem. Na Grécia antiga, a homofilia (amizade
pelo igual) era aceita em um mundo em que as mulheres, nada instruídas,
restringiam-se às funções domésticas de reprodução. Mesmo que esses
costumes não fossem objeto de censura, estavam sujeitos a certas normas: era
tolerada a relação entre o senhor e o escravo, ou entre um adulto (sempre a
parte ativa) e um jovem (efebo). Entretanto, era condenada a relação entre dois
iguais e ainda, se o adulto ou o senhor agisse como parceiro passivo. Daí a
origem da palavra pederastia. Paiderastés (paidós - criança, e erastés -
apaixonado). A palavra denota a relação afetuosa entre mestre e aluno, marcada
pelo exemplo e admiração. Para saber mais sobre efebia veja a obra História da
sexualidade, de Michel Foucault.

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Na seção anterior, você conheceu modelos distintos de educação em duas


cidades-estado gregas: Esparta – cidade militarizada, e Atenas – cidade
iniciadora do ideal democrático. Agora, vamos conhecer como os sofistas, sábios
itinerantes de Atenas, contribuíram para a educação.

5.CONTRIBUIÇÕES DE SOFISTAS E FILÓSOFOS PARA A EDUCAÇÃO

No período clássico (séculos V e IV a. C) os novos mestres são os sofistas. A


docência propriamente dita, a atividade específica de ensinar, nasceu com os
sofistas sábios itinerantes que se encontravam em Atenas e que eram mestres
na arte denominada Retórica. Esta é a arte de falar bem e esses sofistas
cobravam pelos seus ensinamentos. Entre eles se destacou Protágoras de
Abdera (485-410 a. C.) que dizia “O homem é a medida de todas as coisas”,
neste sentido reafirmando o valor da individualidade.

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO


Sofista - Etimologicamente, vem de sophos, que significa sábio ou professor de
sabedoria. Pejorativamente, passou a significar homem que emprega sofismas, alguém
que usa de raciocínio capcioso, de má fé, com intenção de enganar outrem. Sócrates e
Platão criticavam os sofistas pelo costume de cobrarem por suas aulas.

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Com os sofistas nasce uma espécie de educação superior. Eles se dedicam à


profissionalização dos mestres e à didática, cuidando inclusive da ampliação das
disciplinas de estudo. Na nova ordem política, a virtude do cidadão da pólis está
na sua capacidade de discutir e deliberar nas assembléias. Por isso os sofistas
fascinam a juventude com sua retórica, ensinando a ensinar a arte da persuasão,
do convencimento, do discurso. Ensinamentos aproveitados na praça pública,
sede da assembléia democrática. Pode-se dizer que:

26
a) Os sofistas são os criadores da educação intelectual. Esta educação se
tornará independente da educação física e musical, predominantes nos
ginásios.
b) Ampliam a noção de paidéia: de simples educação da criança passa a ter
significado mais abrangente, estendendo-se à contínua formação do
adulto.
c) Sistematizaram o ensino, por terem formado um currículo de estudos
composto por gramática, retórica e dialética. E por influência dos
pitagóricos, desenvolveram a aritmética, geometria, astronomia e música,
constituindo a tradicional divisão das sete artes liberais.

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO


As sete artes liberais – São assim chamadas por se destinarem aos homens livres,
desobrigados das tarefas manuais. Esse currículo será melhor organizado no período
helenístico – que você já estudou nesta aula e constituirá, na Idade Média, o “trivium” e o
“quadrivium” – que estudará na aula 4.

FIM DE BOXE EXPLICATIVO

Os filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles também ministraram educação


superior. O primeiro informalmente em praça pública, o segundo em um dos
ginásios de Atenas, a Academia, e mais tarde o seu discípulo Aristóteles ensina
no Liceu.

Vamos saber um pouco mais sobre esses filósofos?

Sócrates passava horas discutindo nos locais públicos ou no ginásio. Interpelava


os transeuntes e fazia perguntas aos que se julgavam entender de determinado
assunto, deixando-os ao final sem saída e obrigados a reconhecer a própria
ignorância. Esse procedimento ficou conhecido por método socrático. Para seu
melhor entendimento, vamos explicar com mais detalhes. O método é composto
de duas partes: a ironia (do grego eironeia – pergunta fingindo ignorar) parte
destrutiva que leva a descoberta da própria ignorância, e a maiêutica (de
maieutiké – relativo ao parto) parte construtiva que consiste em dar a luz à novas
ideias. É de Sócrates a célebre frase “Só sei que nada sei”.
INÍCIO DO BOXE EXPLICATIVO

Figura 2.20 Sócrates – filósofo grego


Fonte: Por bencrowe
http://farm4.static.flickr.com/3109/2836991287_b4a4e
e6c42.jpg

Sócrates (c.469-399 a. C.) - Filósofo grego que viveu


em Atenas no século V a. C. Condenado a beber
cicuta por “corromper os jovens”, “negar os deuses da
cidade” e “introduzir novos deuses”, não rejeitou suas ideias mesmo diante de
sua morte. Não registrou por escrito o seu pensamento. Platão, seu discípulo, o
imortalizou através de seus diálogos. Em Apologia de Sócrates, narra o
julgamento de Sócrates.
Trazer a ilustração do livro de Fundamentos e a imagem de Sócrates.
FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Segundo Paul Monroe (1987) são pensamentos de Sócrates que contribuíram


para educação:

a) O conhecimento tem um valor prático ou moral, isto é, um valor funcional e,


conseqüentemente, é de natureza universal e não individualista;
b) O processo objetivo para se obter conhecimento é o da conversação; o
subjetivo é o da reflexão e organização da própria experiência;
c) O objetivo da educação é o desenvolvimento da capacidade de pensar, não
apenas de ministrar conhecimento.

Platão, discípulo de Sócrates, lecionou durante 40 anos na Academia, em


Atenas, um dos ginásios de ensino superior da cidade. Para Platão a educação
física proporciona ao corpo saúde perfeita, permitindo que a alma ultrapasse o
mundo dos sentidos e melhor se concentre na contemplação das ideias. Platão
recomenda ainda o ensino da geometria, e segundo uma tradição antiga parece
que na entrada da Academia destacava-se a inscrição ”Não entre aqui quem não
souber geometria”.

28
INICIO DO BOXE EXPLICATIVO
Platão
Figura 2.21 Platão – filósofo grego
Fonte: Por Platon-2.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/79/

O verdadeiro nome de Platão (428-347 a.C.) era


Arístocles, assim chamado talvez por possuir ombros
largos. Ateniense de família aristocrática,sentia-se
atraído pela política. É curioso destacar que após ser
bem recebido na Sicília por Dionísio, o Velho, foi
vendido como escravo. Reconhecido por um rico
armador, foi então libertado.

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Em A República Platão imagina uma cidade utópica, a “Callipolis”, “Cidade Bela”.


Em Callipolis, na utopia de Platão, são eliminadas a propriedade e a família, e
todas as crianças recebem educação do Estado. Como as pessoas não são
iguais, Platão propõe uma educação que considere as diferenças, a fim de que
cada pessoa ocupasse sua posição na sociedade. O que propõe é uma
“sofocracia” (etimologicamente “poder da sabedoria”). No pensamento platônico
cada classe deveria agir de acordo com a virtude que lhe é própria: “que os
filósofos pensem, que os guerreiros lutem, que os trabalhadores trabalhem para
os filósofos e os guerreiros.” (PONCE, 1986, p.58)

INICIO DO VERBETE
Utopia
Etimologicamente, “utopia” significa “em nenhum lugar” (do grego, “ou-topos”).
FIM DO VERBETE

No pensamento de Platão, a educação deveria ser a mesma para todos até os 20


anos. Porém, considerando o lugar de cada um na sociedade, as primeiras
pessoas a ficar de fora do processo educativo eram as de alma de bronze –
tinham uma sensibilidade grosseira que as qualificava para a agricultura, o
artesanato e o comércio; a elas seriam confiadas à subsistência da cidade. Com
a “alma de prata”, outras continuariam seus estudos por mais dez anos,
estabelecendo-se aí o segundo corte. Aqueles que têm a coragem dos guerreiros
interrompem os estudos a fim de constituir a guarda do Estado, como soldados
encarregados da defesa da cidade. Os mais notáveis seguem os estudos por sua
terem a “alma de ouro”, serão instruídos na arte de dialogar, atingindo o poder
aos 50 anos.

Aprendem, então, a filosofia, capaz de elevar a alma até o


conhecimento mais puro, fonte da verdade. Aos 50 anos, aqueles que
passaram com sucesso por essa série de provas estarão aptos a ser
admitidos no corpo supremo dos magistrados. Cabe-lhes o exercício do
poder, pois apenas eles têm a ciência da política. (ARANHA, 2006,
p.71).

Já Aristóteles foi discípulo de Platão, permanecendo por 20 anos na Academia.


Posteriormente foi preceptor do futuro imperador Alexandre, O Grande.
Aristóteles fundou em Atenas o Liceu, no ginásio de Apolo Lício, em uma
dependência chamada de “peripatos”, daí o fato de sua filosofia ser conhecida
como peripatética. Aristóteles dava suas aulas andando pelos jardins da escola,
no peripatos, (de Peri - ao redor e pateo - passear). Alguns autores discordam
dessa versão e afirmam que peripatos significa - passeios coberto, em uma
dependência que frequentemente existia nos edifícios. (ARANHA, 2006)

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO


Figura 2.22 Aristóteles – filósofo grego
Fonte: Por Aristoteles Louvre.jpg/450px
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/

Aristóteles (384-332 a. C.) nasceu na cidade de


Estagira, ao norte da Grécia. Filho de médico herdou
o gosto pela observação, tendo classificado cerca de
540 espécies de animais, o que mostra a importância
dada à investigação científica, também valorizada na
sua concepção pedagógica.

FIM DO BOXE EXPLICATIVO

Aristóteles, assim como Platão, entendia que cada um tinha o seu lugar na
sociedade e que uma sociedade fundada no trabalho escravo não podia

30
assegurar cultura para todos. Antecipou os tempos modernos profetizando que
“Quando os teares funcionarem sozinhos e as cítaras tocarem por si mesmas,
então já não necessitaremos de escravos, nem de patrões de escravos” (In.
PONCE, 1998, p.59)

Na sua obra Política, Aristóteles esboça uma teoria da educação, discutindo


como o Estado deve se ocupar com a formação para a cidadania que deveria ser
restrita aos homens livres, sobretudo para aqueles que dispõem de tempo para o
“ócio digno”.

Apoiado na noção de matéria e forma, explica o devir (o movimento). Segundo


ele, todo ser tende a atualizar a forma que tem em si como potência, tende a
atingir a perfeição que lhe é própria e o fim a que se destina. Assim, a semente
do carvalho, enterrada, tende a se desenvolver e se transformar no carvalho em
potência. O movimento é, pois, a passagem da potência para o ato. Para ele,
toda educação deve levar em conta o fato de o homem estar em constante devir.
A educação tem por finalidade ajudar o homem a alcançar a plenitude e a
realização do seu ser, a atualizar as forças que tem em potência – seria a
chamada Pedagogia da essência. Ver aranha

Assim o conhecimento constituía a finalidade da educação, essa finalidade era a


felicidade ou o bem. Para Aristóteles, a virtude estava na conquista da felicidade
ou do bem. O bem está no funcionamento da parte mais elevada da natureza
humana – na razão. “Para Aristóteles a função da razão é reger a conduta, de
modo a tingir o bem do intelecto e o bem do caráter. O primeiro é produzido e
ampliado pelo ensino e o segundo, pela experiência e o tempo.” (MELLO, 2006,
p.45).

Aristóteles enfatiza a ação da “vontade”, exercitada pela repetição, que conduz


ao hábito da virtude. “Daí ser a imitação o instrumento por excelência desse
processo, segundo o qual a criança se educa repetindo os atos de vida dos
adultos, adquirindo hábitos que vão formar uma “segunda natureza.” (ARANHA,
2006, p.75)
Os princípios de Aristóteles vão ressurgir na Idade Média, inicialmente por
intermédio dos árabes e, depois, incorporados pela escolástica, que faz uma
adaptação do seu paganismo às concepções cristã. Mas isso você só verá na
aula 5.

INÍCIO DO BOXE DE ATENÇÃO


Certamente você verá mais sobre sofistas e filósofos na disciplina Educação e Filosofia!
FIM DO BOXE DE ATENÇÃO

5. Para finalizar

Embora estejamos privilegiando a história da educação no Ocidente é importante


finalizar esta aula trazendo algumas informações sobre a educação na
Antiguidade Oriental, considerando que os gregos tiveram contato com as
civilizações orientais.

Nas primeiras civilizações orientais que se desenvolveram no norte da África e na


Ásia (Oriente Próximo, Oriente Médio e Extremo Oriente), a educação era
permeada pelos livros sagrados com regras de conduta segundo prescrições
religiosas e morais. Entre elas podemos citar as civilizações do Egito,
Mesopotâmia (atual Iraque), China, Índia e Israel. Constituíram as primeiras
cidades, com templos, palácios e monumentos, destacando-se a invenção da
escrita.

O aparecimento da escrita não deve ser dissociado do aparecimento do Estado.


Vejamos como isso acontece. Inicialmente o conhecimento da escrita era restrito
e tinha caráter sagrado. No Egito – talvez a mais antiga dessas civilizações, por
volta de 3500 a. C. começa a valorização da palavra escrita. A escrita pictográfica
(hieróglifos – escrita sagrada) representava figuras e não sons como a escrita
fonética, e era composta por cerca de 600 sinais. Essa escrita era conhecida e
utilizada pelos escribas. (MELLO, 2006; ARANHA, 2006)

32
INICIO DO BOXE DE ATENÇÃO
Caso você ainda não conheça o significado de algumas palavras que estamos usando
aqui, procure um dicionário e não tenha vergonha de consultá-lo. Ele é sempre uma
grande ajuda.

FIM DO BOXE DE ATENÇÃO

Os egípcios escreviam em pedras de túmulos e monumentos, mas usavam


também a madeira e o papiro para o registro dos atos administrativos, da justiça
e do comércio.

INICIO DO BOXE EXPLICATIVO

Figura 2.23 Planta de papiro ("Cyperus papyrus")


Fonte: Por Papyrus plant.jpg/800px
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/12/

Papiro - Na Grécia, por volta do século VI a. C., era utilizado o rolo de papiro,
também conhecido por byblos (daí o nome bíblion - livro). O papiro é uma planta
do vale do Nilo, com que os egípcios fabricavam uma tira comprida de mais ou
menos 40 centímetros de altura e cerca de seis a nove metros de comprimento.
Sobre ela escrevia-se com uma pena de junco fino em colunas sucessivas na
direção em que era enrolada (sua maior dimensão). Não se deixavam espaços
entre as palavras, nem se usavam sinais de pontuação. No século III a. C. é
desenvolvido outro material para a escrita, o pergaminho (da cidade de Pérgamo,
na Ásia Menor), de pele de animal.
FIM DO BOXE EXPLICATIVO
Na Mesopotâmia, a escrita cuneiforme (inscrições em forma de cunha) também
era pictográfica. Mais tarde, a ideográfica e depois o sinal fonético.

Na China, encontramos a escrita ideográfica até meados do século XX. Neste


tipo de escrita os sinais gráficos representam ideias e não figuras. Calcula-se seu
número em mais ou menos 25 mil, excluindo-se as palavras obsoletas e os
sinônimos, sendo que poucos são usados no cotidiano. (MELLO, 2006, p.23).
Por volta do segundo milênio a. C, os fenícios inventaram o alfabeto ou o
aperfeiçoaram não se sabe ao certo, provocando uma maior difusão da escrita.
Os vinte e dois sinais criados representam sons diferentes permitindo diferentes
combinações. Isso torna mais prático o uso e a aprendizagem da escrita,
contribuindo para que aos poucos fosse perdendo o seu caráter sagrado e
deixando de ser monopólio de poucos.

Os gregos, por volta do século VIII a. C. assimilaram o alfabeto, transmitindo-o


posteriormente aos latinos, por meio dos quais chegou até nós. O alfabeto é
formado pelas primeiras letras fenícias aleph e bet, transformadas, pelos gregos,
em alpha e beta.

INÍCIO DO BOXE MULTIMÍDIA


Você poderá saber mais sobre a educação na Antiguidade grega consultando o artigo de
ALEXANDRE JUNIOR, Manuel. Paradigmas da educação na antiguidade Greco-romana.
Disponível em http://www1.ci.uc.pt/eclassicos/bd_pdfs_hum/28/art.28-
paradigmasdeeducacaogreco-romana.pdf

FIM DO BOXE MULTIMÍDIA

RESUMO
Nesta aula tratamos da educação na antiguidade grega desde os tempos
homéricos até ao período helenístico. Vimos que no mundo grego da Paidéia a
virtude (areté) e o pensar são imprescindíveis à formação do homem grego, do
cidadão da polis, sendo assim, a maior virtude é o saber. Os homens devem ser
educados para transformarem-se em cidadãos e também para defender, legislar
e governar a pólis. Destacamos a discussão em torno da definição de paidéia; a
educação e pedagogia em duas cidades-estado (pólis): Esparta e Atenas,

34
considerando diferenças e semelhanças; as contribuições de sofistas e filósofos
para a educação. Por fim, trouxemos algumas informações sobre a educação dos
povos orientais devido ao contato com os gregos.

REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia: Geral e


Brasil. 3ª ed. Rev. AmpL. São Paulo: Moderna, 2006.

CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995.

JAEGER, Werner Wilhelm, 1888-1961. Paidéia: a formação do homem grego.


Tradução Artur M. Parreira. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. (Paidéia)

MANACORDA, Mario Alighiero. História da educação: da Antiguidade aos


nossos dias. 4ª ed. São Paulo: Cortez, 1995.

MARROU, Henri Irénée. História da educação na Antiguidade. Tradução de Mário


Leônidas Casanova. 4ª Reimpl. São Paulo: E.P.U: Brasília, INL, 1975.

MELO, José Joaquim Pereira. Estado Romano e instituições escolares.


Disponível em:
http://www.ucdb.br/serieestudos/publicacoes/ed25/S_Estudos_n25_inteira.pdf
PONCE, Aníbal. Educação e luta de classes. São Paulo: Cortez; Autores
Associados, 1986

MELLO, Lucrécia Stringhetta. A educação na Antiguidade. In. SOUZA, Neusa


Maria Marques de (org.). História da educação: Antiguidade, Idade Média, Idade
Moderna, Contemporânea. São Paulo: Avercamp, 2006, p. 15-57.

MOSSÉ, Claude. Dicionário da civilização grega. Tradução Carlos Ramalhete,


com a colaboração de André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.

LEITURAS RECOMENDADAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia: Geral e


Brasil. 3ª ed. Rev. e atual. São Paulo: Moderna, 2006. Capítulos 1 e 2.

CAMBI, Franco. História da Pedagogia. Trad. Álvaro Lorencini. São Paulo:


Editora UNESP, 1999. (Encyclopaidéia)

CHÂTEAU, Jean. Os grandes pedagogistas. Tradução e notas de Luiz


Damasceno Penna e J. B. Damasceno Penna. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, v.133, 1978. (Atualidades Pedagógicas)

GAL, Roger. História da educação. São Paulo: Martins Fontes, 1989.


(Universidade hoje)

MARROU, Henri Irénée. História da educação na Antiguidade. Tradução de Mário


Leônidas Casanova. 4ª Reimpl. São Paulo: E.P.U: Brasília, INL, 1975. Introdução.

MELLO, Lucrécia Stringhetta. A educação na Antiguidade. In. SOUZA, Neusa


Maria Marques de (org.). História da educação: Antiguidade, Idade Média, Idade
Moderna, Contemporânea. São Paulo: Avercamp, 2006. Capitulo 1, Seção 1 e 2.

PONCE, Aníbal. Educação e luta de classes. São Paulo: Cortez; Autores


Associados, 1986. Capitulo 1 “A educação na sociedade primitiva”.

36