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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BARRA MANSA

GUILHERME REGO DE ARAUJO

TIAGO NUNES DE CARVALHO

VINICIUS VIEIRA DIAS

ANÁLISE DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA DE MICRO CENTRAL


HIDRELÉTRICA RURAL

Barra Mansa

2017
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BARRA MANSA

GUILHERME REGO DE ARAUJO

TIAGO NUNES DE CARVALHO

VINICIUS VIEIRA DIAS

ANÁLISE DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA DE MICRO CENTRAL


HIDRELÉTRICA RURAL

Monografia apresentada ao Curso de


Engenharia Elétrica do Centro
Universitário de Barra Mansa – UBM
como pré-requisito para conclusão do
curso.

Orientador (a): Professora Bianca Ferraz

Barra Mansa

2017
SUMÁRIO

2 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................................... 3


2.1 CONCEITOS BÁSICOS .................................................................................................. 3
2.1.1 ENERGIA .................................................................................................................. 3
2.1.2 ENEGIA HIDRÁULICA ........................................................................................... 4
2.1.3 POTÊNCIA ELÉTRICA ............................................................................................ 5
2.1.4 BACIA HIDROGRÁFICA ........................................................................................ 5
2.1.5 VAZÃO ...................................................................................................................... 7
2.1.6 REGULAÇÃO DE VAZÃO .................................................................................... 10
2.1.7 VAZÃO CATASTROFIAL ..................................................................................... 11
2.2 APROVEITAMENTO HÍDRICO .................................................................................. 11
2.2.1 PANORAMA GERAL............................................................................................. 11
2.2.2 PEQUENOS APROVEITAMENTOS HIDRELÉTRICOS NO BRASIL .............. 15
2.2.3 LEGISLAÇÃO E ÓRGÃOS FISCALIZADORES ................................................. 17
2.3 USINAS HIDRELÉTRICAS .......................................................................................... 19
2.3.1 COMPONENTES .................................................................................................... 21
3 DESENVOLVIMENTO .....................................................................................................27
SUMÁRIO DE FIGURAS

FIGURA 1 - PARÂMETROS PARA CÁLCULO DA ENERGIA HIDRÁULICA ........2


FIGURA 2 – CICLO DA AGUA ..................................................................................... 3
FIGURA 3 – ESQUEMA DE MEDIÇÃO DE VAZÃO COM FLUTUADOR .............. 4
FIGURA 4 – ESQUEMA DE MEDIÇÃO DA ÁREA DA SEÇÃO DO CURSO
D’AGUA...........................................................................................................................5
FIGURA 5 – ESQUEMA DE MEDIÇÃO DE VAZÃO COM VERTEDOURO............6
FIGURA 6 - MOLINETE HIDRÁULICO OTT DE TRANSMISSÃO ELÉTRICA.......6
FIGURA 7 – MÉTODO DE MEDIÇÃO DE VAZÃO VOLUME/TEMPO ................... 7
FIGURA 8 – POTENCIAL HIDRELÉTRICO BRASILEIRO POR SUB-BACIA
HIDROGRÁFICA .......................................................................................................... 13
FIGURA 9 - VISTA DE UMA BARRAGEM DE TERRA .......................................... 19
FIGURA 10 - VISTA DE UMA BARRAGEM DE MADEIRA E DETALHES
CONSTRUTIVOS...........................................................................................................20
FIGURA 11 - IMPERMEABILIZAÇÃO E PROTEÇÃO DA BASE ........................... 20
FIGURA 12 - VISTA DA BARRAGEM AMBURSEN EM PERSPECTIVA. ............ 21
FIGURA 13 - VISTA DA RANHURA DE ENCAIXE DAS PLACAS EM
PERSPECTIVA...............................................................................................................21
FIGURA 14 - VISTA DA BARRAGEM DE MADEIRA E PEDRAS ......................... 22
FIGURA 15 - VISTA DE BARRAGEM DE CONCRETO .......................................... 23
FIGURA 16 - VISTA AÉREA E VISTA FRONTAL DE BARRAGEM COM O
VERTEDOURO...............................................................................................................23
FIGURA 17 – VISTA FRONTAL DE TOMADA D`AGUA.........................................24
FIGURA 18 - FOTO DE GRADE NA TOMADA D’ÁGUA. ..................................... 25
FIGURA 19 - DETALHE DA COMPORTA DO DESARENADOR ........................... 25
FIGURA 20 - VISTA DE UM CANAL DE TERRA BATIDA – TRAPEZOIDAL .... 26
FIGURA 21 - VISTA DE UM CANAL REVESTIDO COM SACOS COM TERRA,
AREIA OU MISTURA DE CIMENTO..........................................................................26
FIGURA 22 - VISTA DE UM CANAL REVESTIDO DE CONCRETO ................... 26
FIGURA 23 - VISTA DE CIMA DO ESQUEMA DE CÂMARA DE CARGA .......... 37
FIGURA 24 - RODA TANGENCIAL PELTON........................................................... 40
FIGURA 25 - TURBINA KAPLAN COM 5 PÁS ....................................................... 40
FIGURA 26 - TURBINA FRANCIS ............................................................................. 40
FIGURA 27- ESQUEMA TURBINA BAKIN .............................................................. 41
FIGURA 28 - ESQUEMA DE UMA TURBINA UMA TURBINA MICHEL BANKI E
PASSAGEM DE ÁGUA PELO ROTOR ...................................................................... 41
FIGURA 29 - ESQUEMAS DE ACOPLAMENTO DE TRANSMISSÃO COM
CORREIAS EM V...........................................................................................................44
FIGURA 30 - DESENHO ESQUEMÁTICO DE UM GERADOR SÍNCRONO
MOSTRANDO SUAS PARTES COMPONENTES.......................................................45
FIGURA 31 - DIAGRAMA TRIFILAR TÍPICO DA INSTALAÇÃO DOS
COMPONENTES ELÉTRICOS......................................................................................49
FIGURA 32 - MODELO ESQUEMÁTICO DO QUADRO DE COMANDO,
REFERENTE AO DIAGRAMA TRIFILAR, FIGURA X..............................................52
FIGURA 33 – MAPA SANTA RITA DE JACUTINGA X FAZENDA SANTA CRUZ
..........................................................................................................................................54

FIGURA 34 – FAZENDA SANTA CRUZ (CANAL DE


ADUÇÃO)....................54
FIGURA 35 – VISTA SUPERIOR DA BARRAGEM...................................................56
FIGURA 36 – IMAGEM FRONTAL DA BARRAGEM...............................................56
FIGURA 37 – ALTURA DA QUEDA............................................................................58
FIGURA 38 – VISTA FRONTAL E VISTA SUPERIOR DO CANAL........................59
FIGURA 39 – EXTRAVASOR LATERAL ...........................................................60
FIGURA 40 – CÂMARA DE CARGA...........................................................................61

FIGURA 41 – ALTERNADOR TOYAMA


TA10CT2...................................................63

FIGURA 42 – POLIAS DE TRANSMISSÃO ...............................................................64

FIGURA 43 – REGULADOR CENTRÍFUGO...............................................................65

FIGURA 44 – DIAGRAMA ELÉTRICO........................................................................66

FIGURA 45 – TRANSFORMADOR DE CORRENTE TIPO JANELA........................68

FIGURA 46 – AMPERÍMETRO DIGITAL....................................................................69

FIGURA 47 – SUPERVISOR DE REDE TRIFÁSICA..................................................70

FIGURA 48 – SUPERVISOR DE FREQUÊNCIA DE REDE.......................................70

FIGURA 49 – CONTATOR DE POTÊNCIA.................................................................71


SUMÁRIO DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 – GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA MUNDIAL POR FONTE (%) –


2012....10
GRÁFICO 2 – OFERTA INTERNA DE ENERGIA ELÉTRICA POR FONTE
............................................................................................................ ............................12
GRÁFICO 3 – GRÁFICO INDICATIVO DA MELHOR ALTERNATIVA DE TURBINAS
RELACIONANDO VAZÃO E QUEDA
............................................... .........................................................................................43
SUMÁRIO DE TABELAS

TABELA 1 - GERAÇÃO POR HIDRELÉTRICAS PELO MUNDO ......................... 10


TABELA 2 – OFERTA INTERNA DE ENERGIA........................................................12
TABELA 3 – CAPACIDADE INSTALADA DE GERAÇÃO ELÉTRICA EM
31/12/2014........................................................................................................................14
TABELA 4 - COEFICIENTES DE RUGOSIDADE......................................................28
TABELA 5 - COEFICIENTE DE TUBULAÇÃO DEFINIDO PELO MATERIAL
CONSTITUÍDO...............................................................................................................30
TABELA 6 - TABELA APRESENTANDO O VALOR DE 𝑄0,388,
PARA DETERMINAR DIÂMETRO INTERNO DA TUBULAÇÃO...........................31
TABELA 7 - APRESENTAÇÃO DO VALOR DE 𝑄0,204, PARA DETERMINAR
DIÂMETRO INTERNO DA TUBULAÇÃO..................................................................32
TABELA 8 - APRESENTAÇÃO DO VALOR DE 𝐿0,204, PARA DETERMINAR
DIÂMETRO INTERNO DA TUBULAÇÃO..................................................................33
TABELA 9 – VELOCIDADE MÁXIMA ADMISSÍVEL POR MATERIAL ..............34
TABELA 10 - VALORES DE KA PARA DIFERENTES MATERIAIS.......................36
TABELA 11 - TIPOS DE TURBINAS HIDRÁULICAS E SEUS LIMITES DE
ROTAÇÃO ESPECÍFICA................................................................................................43
TABELA 12 - CARACTERÍSTICAS TÍPICAS DAS TRANSMISSÕES
MECÂNICAS E SEUS RESPECTIVOS RENDIMENTOS............................................44
TABELA 13 - DEMANDA DE CONSUMO FAZENDA STA. CRUZ..........................55

TABELA 14 - MEDIÇÃO PARA CÁLCULO DE VAZÃO...........................................57

TABELA 15 - CAPACIDADE DE CONDUÇÃO DE CORRENTE DE CABOS


ELÉTRICOS.................................................................................................................... 68
1 INTRODUÇÃO

O termo eletricidade é oriundo da palavra grega “elektron”, que em português significa


“âmbar”, uma resina vegetal fóssil que, ao esfregada à peles e lãs adquire propriedades elétricas,
atraindo corpos leves, como palha, pedaços de madeira, algodão e penas. Efeito este que foi observado
pelo filósofo grego Tales de Mileto, ainda no século VI a.C., originando-se assim o estudo de uma
nova ciência.

Após longo período de latência, somente no ano de 1600 d.C. quando o cientista
inglês William Gilbert publicou o “De Magnete”, um elaborado estudo sobre magnetismo e
eletricidade, é que a “nova” ciência tomou novo impulso. Foi Gilbert quem denominou
“eletricidade” a propriedade do âmbar e de outros corpos atraírem pequenos objetos depois de
friccionados. Em 1660 Otto Von Guericke inventa a máquina eletrostática que é capaz de gerar cargas
elétricas por fricção e que, séculos depois, se tornaram instrumentos fundamentais nos estudos sobre
a ciência da eletricidade. Por volta do ano 1729 o físico amador inglês Stephen Gray, descobriu que
era possível transferir para outros corpos a eletricidade criada pelo atrito do vidro, ou seja, a
eletrização por indução, sobretudo observada nos corpos metálicos; explicando também, desta forma,
as propriedades de corpos condutores e isolantes de eletricidade.

A partir de então, o crescente interesse e fascínio por esta ciência renderam frutos que
permitiram a notória evolução humana nos últimos tempos. Com os estudos que remontam ao século
XVIII e início do século XIX, os cientistas Benjamin Franklin, André Maria Ampère, George Ohm,
Michael Faraday, James Maxwell, dentre outros, exerceram papel essencial no desenvolvimento da
eletricidade. Mas foi na segunda metade do século XIX é que se deram os maiores progressos na
engenharia elétrica. Através dos estudos de Nikola Tesla, Thomas Edison, George
Westinghouse, Werner von Siemens, Alexander Graham Bell e demais estudiosos, a energia elétrica
transformou-se em uma ferramenta fundamental da Segunda Revolução Industrial e, sobretudo, da
vida moderna.

Com a ascensão da energia elétrica ao posto de uma das principais fontes de energia no século
XX, senão a principal, a geração de energia elétrica se tornou um dos principais alicerces ao
desenvolvimento dos países em geral, onde cada um adotou o modelo de geração adequado às suas
condições. No ano de 2015 destacou-se como as duas maiores matrizes geradoras de eletricidade, as
usinas termoelétricas movidas a combustíveis fósseis, como o petróleo e derivados, gás natural e

1
carvão mineral, e as hidrelétricas, que juntas foram responsáveis por mais de 80% da eletricidade
gerada no mundo (EPE, 2015).

No Brasil a matriz de geração hidrelétrica é a principal fonte de geração, responsável por


quase 60% de toda a eletricidade gerada no país (MME, 2015). Todavia, apesar da não emissão de
poluentes, são conhecidos os impactos socioambientais ocasionados pela instalação das grandes
hidrelétricas. Com suas vastas áreas de alagamento usadas como reservatório causam, além da
desocupação de áreas ribeirinhas e alterações de ordem econômica na microrregião envolvida,
também uma profunda alteração nos ecossistemas impactados, afetando fauna e flora podendo, caso
estudos e medidas preventivas sejam descumpridos, levar ao desaparecimento de espécies. Somam-
se a isto, os elevados custos das obras civis necessárias para sua implementação, geralmente em
localizações longínquas, e da necessidade de grandes estruturas para transmissão/distribuição da
energia gerada, e têm-se um significativo obstáculo ao desenvolvimento do setor. Papel este,
assumido pelo estado durante décadas. Até que em 7 de Julho de 1995 a Lei 9074/95, conhecida como
Lei das Concessões, tornou objeto de concessões o aproveitamento de potenciais hidráulicos de
potência superior a 1.000 kW, com vistas à atração de novos investimentos; e permitiu a
implementação de usinas particulares, em especial de pequenos aproveitamentos, liberando os com
potência instalada igual ou inferior a 1000kW.

As centrais hidrelétricas de pequeno porte se multiplicaram a partir de então, aproveitando-se


das menores exigências legais, de sua flexibilidade e baixo custo de instalação e operação, tornaram-
se um recurso viável, principalmente em zonas rurais e que não contavam com atendimento das
concessionárias de energia. E, em casos específicos, o aproveitamento do potencial hídrico de
determinada localidade, mesmo que esta fosse atendida em fornecimento elétrico, justificava a
implementação de uma central, que teria seus custos de instalação pagos no médio/longo prazo,
através de economia nas contas de fornecimento.

É neste âmbito que o presente estudo se baseia. Através da análise da demanda de energia da
Fazenda Santa Cruz, no município de Santa Rita de Jacutinga-MG, dimensionando-se o potencial
hídrico de um ribeirão que corta a propriedade, com significativa vazão e queda d’água, e avaliando
técnica e economicamente, visa-se projetar uma micro central hidrelétrica, que seja capaz de suprir a
demanda apontada e justificar o investimento de sua implantação.

Buscou-se tratar o tema de maneira teórica, fundamentando-se cada passo do projeto. Desta
forma, o capítulo a seguir é dedicado a discorrer sobre os principais conceitos de geração de energia
elétrica. E na sequência a descrição da metodologia aplicada e os resultados obtidos no
dimensionamento dos componentes e equipamentos da micro central hidroelétrica.
2
2 REFERENCIAL TEÓRICO

Diminuir um espaço

2.1 CONCEITOS BÁSICOS

Diminuir um espaço

Neste item, apresentaremos conceitos usualmente utilizados na abordagem do assunto do


presente trabalho, geração hidrelétrica, para melhor entendimento do leitor.

2.1.1 ENERGIA

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Descreve-se, basicamente, energia, como sendo a capacidade de se gerar um efeito, ou


trabalho. Maxwell (1872) definiu como: aquilo que permite uma mudança na configuração de um
sistema, em oposição a uma força que resiste a esta mudança. Desta forma nota-se que a energia é,
fundamentalmente, utilizada para alterar o estado de um determinado sistema, vencendo a resistência
que o mesmo sistema impõe à mudança.

2.1.2 ENEGIA HIDRÁULICA

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A energia hidráulica resulta do ciclo hidrológico, que segundo REIS (2011, p. 71), é “o
processo de transferência da água para o continente e sua volta aos mares e mananciais de água doce.”
Sob o efeito do calor solar, a água de oceanos, solos, leitos de rios, lagos, florestas, evapora e depois
retorna a terra sob a forma de chuvas ou neve. Havendo retorno em regiões de elevada altitude, a
energia potencial acumulada, citada por Sears e Zemansky (2009, p. 213) como “a energia associada
com a posição da partícula”, se transforma, com o aumento de velocidade pelo desnível do solo em
energia cinética, através da força gravitacional, tornando-se capaz de realizar trabalho conforme
demonstrado na figura 1.

3
Figura 1 - Parâmetros para cálculo da energia hidráulica

FONTE: Ferrari et al. (2008, p. 2.3)

A numeração da figura é na parte de baixo da mesa. Tabela é acima.

Podemos calcular a potência hidráulica através da equação 1 demonstrada a seguir:

𝑃ℎ = 𝑄. 𝑔. ℎ (1)

Onde:

Ph - potência hidráulica [kW]


Q - vazão de água [m3/s]
g - aceleração da gravidade [m/s2]
h - altura de queda bruta disponível [m]

A energia elétrica gerada através da energia hidráulica se dá através de hidrogeradores, como


descreve Flórez (2014, p. 18):

A energia hidráulica corresponde a um processo de conversão de energia gravitacional,


originada no fluxo da água por meio dos condutos forçados. Ou seja, a energia hidráulica
fornecida à turbina equivale ao peso da água G deslocado no trecho compreendido entre a
seção de entrada e a saída dos condutos forçados.

2.1.3 POTÊNCIA ELÉTRICA

Niskier (1986, p.6) define a potência elétrica como sendo:

[...] o trabalho efetuado na unidade de tempo. Assim, como a potência hidráulica é dada pelo
produto do desnível energético pela vazão, a potência elétrica, para um circuito com
resistência é obtida pelo produto da tensão U pela intensidade da corrente I.

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A potência elétrica de acordo com Ferrari et al. (2008, p. 24) é dada pela equação 2.

𝑃𝑒𝑙𝑒 = 𝑄. 𝑔. ℎ. 𝜂𝑐𝑎. 𝜂𝑐𝑜. 𝜂𝑡𝑢. 𝜂𝑔𝑒. 𝜂𝑡𝑟. 𝜂𝑑𝑡 (2)


Onde: explicar Pele. Melhorar a sigla
4
Q – Vazão (m/s)
g – Aceleração da gravidade (m/s²)
h – Altura (m)
𝜂𝑐𝑜 – Rendimento das grades e canais
𝜂𝑡𝑢 – Rendimento condutos e válvulas
𝜂𝑔𝑒 – Rendimento global do gerador
𝜂𝑡𝑟 – Rendimento do transformador
𝜂𝑑𝑡 – Rendimento da linha de distribuição

2.1.4 BACIA HIDROGRÁFICA

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Bacia hidrográfica (BH) é uma área da superfície terrestre que armazena a água do ciclo
hidrológico demonstrado na figura 2.
É a responsável por captar a água das precipitações e levá-la ao curso da água. “O conceito de
BH envolve explicitamente o conjunto de terras drenadas por um corpo d’água principal e seus
afluentes e representa a unidade mais apropriada para o estudo qualitativo e quantitativo do recurso
água e dos fluxos de sedimentos e nutrientes”. (SCHIAVETTI; CAMARGO, 2002, p. 17).
O conjunto de vários fatores determina o possível aproveitamento econômico das bacias, entre
elas, Reis (2011, p. 72) cita:
Área da bacia hidrográfica; Topologia da bacia: declividades, depressões; Superfície do solo
e condições geológicas: vegetação, cultivos, geologia (rochas, camadas geológicas); Obras
de controle e uso d’agua a montante: irrigação, retificação do curso d’agua, barragens.

Figura 2 – Ciclo da agua

FONTE: Ferrari et al. (2008, p. 2.4)

Acredito que se escrever desta forma ficaria melhor:

Conforme mostrado na figura 2 o ciclo da água é:


5
1) O sol evapora a água dos lagos e oceanos;
2) O vapor d’água sob para a parte alta da atmosfera;
3) O vapor se condensa e se acumula nas nuvens;
4) A água se precipita na forma de chuva;
5) A água escoa formando os rios ou infiltra-se formando os lençóis freáticos.

2.1.5 VAZÃO

A vazão ou descarga, numa determinada seção é definida por Netto (2000, p. 45) como: “o
volume de líquido que atravessa essa seção na unidade de tempo”. É uma das características mais
importantes para o aproveitamento adequado de um curso d’agua. Reis (2011, p. 72) cita ainda que:
“Esta variável, usualmente medida em m³/s em conjunto com a queda d’água disponível em uma
seção do rio, determinará a potência elétrica que pode ser obtida nesse ponto”.
Corrigir em todas as citações entre aspas. O ponto final é após as aspas

2.1.5.1 CÁLCULO DE VAZÃO PARA PEQUENOS CURSOS D’AGUA

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Para determinar a potência instalada é necessário o cálculo da vazão do curso d’agua, que
pode ser determinada, através das técnicas citadas a seguir:

A) MÉTODO DO FLUTUADOR: Segundo De Sá (2012, p. 19), conforme demonstrado na figura 3


o método consiste em:

Escolhe-se um local no manancial, que apresente melhor regularidade em suas margens, com
águas tranquilas, sem corredeiras ou quedas acentuadas (desníveis). Em uma das margens
crava-se um piquete P1 e à uma distância d, um outro, P2. Nesses pontos, determina-se a área
da seção transversal do manancial [...].

Figura 3 – Esquema de medição de vazão com flutuador

6
FONTE: Braga.; Salecker (1999, p. 41)

A partir do 1° piquete solta-se o flutuador, que pode ser uma boia, garrafa vazia, pedaço de
madeira, ou qualquer outro objeto que flutue. Marca-se, através de um cronômetro o tempo que leva
para chegar ao 2° piquete. Repete-se esta operação por diversas vezes, pois a velocidade da água varia
conforme o percurso que o flutuador faz: próximo das margens ou do eixo central do manancial. Após
algumas medidas do tempo gasto pelo flutuador, determina-se, então, o tempo médio e conhecendo
a distância d, calcula-se a velocidade em m/s.
Conhecidas as áreas das seções transversais S1 e S2 exemplificadas na figura 4, determinamos
Sm (seção média). A vazão do manancial pode ser calculada através da equação 3.

𝑆𝑚 ×𝑑
𝑄= (3)
𝑡𝑚
Onde:
Q – Vazão (m³/s)
d – Comprimento da área de medição (m)
Sm – Seção média (m)
Tm – Tempo médio percorrido pelo flutuador (s)

Figura 4 – Esquema de medição da área da seção do curso d’agua

7
FONTE: Braga; Salecker (1999, p. 21)

B) MÉTODO DO VERTEDOURO: Segundo Sá (2012, p. 23), “A régua R usada para medir a altura
da lâmina d’agua h, deve ficar a uma distância de 30 a 50 cm do vertedouro.” Observando-se contudo,
que toda a água passe pela abertura do (vertedouro) conforme demonstrado na figura 5.

Figura 5 – Esquema de medição de vazão com vertedouro

FONTE: Sá (2012, p. 21)

O processo consiste em avaliar a altura da lâmina d’agua, em diversas posições, duas nas
extremidades e duas no centro a fim de se encontrar uma média, posicionando-se uma régua a uma
distância indicada do vertedouro.

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C) MÉTODO DO MOLINETE: Esse processo tem como base determinar a velocidade média da água
de um manancial numa determinada seção. A velocidade da água é medida em um dado ponto da
seção, através do molinete hidráulico demonstrado na figura 6 que é de simples operação e
funcionamento.

Figura 6 - Molinete Hidráulico OTT de transmissão elétrica

8
FONTE: Sá (2012, p. 23)

As velocidades lineares da água se converteu em velocidade angular, pelo giro das pás do
aparelho. A cada volta, fecha-se um contato e envia-se uma corrente elétrica que produz um som.
Com o auxílio de um cronômetro, marca-se o número de voltas em determinado período de tempo.
A medição deverá ser executada em uma seção reta de um curso d’agua, medindo-se a
velocidade em 2/10, 6/10 e 8/10 da profundidade. Essas linhas de medição devem estar distantes em
1 metro de uma para outra. Conhecidas as velocidades, em cada vertical, com a equação 4, aplicando-
se os valores, chega-se a uma aproximação, perfeitamente, adequada ao estudo da vazão de um rio
(DE SÁ, 2012, p.23):

𝑉2/10 +𝑉6/10+𝑉8/10
𝑉𝑚 = (4)
3

D) MÉTODO VOLUMÉTRICO: Este método é de simples execução. Muito utilizado para medir a
vazão de pequenos cursos d’agua. São necessários: um reservatório de volume conhecido, tubo ou
calha para canalizar a água em direção ao recipiente. Com a ajuda de um cronômetro, mede-se o
tempo para seu preenchimento, o método é demonstrado na figura 7. Conforme orienta o manual do
CERPCH (2008, p. 8.45), a vazão se dá pela equação 5.

𝑉
𝑄= (5)
𝑡

Onde:
Q – Vazão média [m³/s]
V – Volume do recipiente [m³]

9
T – Tempo [s]

Figura 7 – Método de medição de vazão volume/tempo

FONTE: Ferrari et al. (2008, p. 2.7)

2.1.6 REGULARIZAÇÃO DE VAZÃO

O processo de armazenamento da água de um córrego ou rio, em reservatório, através da


construção de barragens, afim de se manter uma vazão média para melhor aproveitamento do
potencial energético chama-se regularização de vazão. De acordo Reis (2011, p.76),
Considerando-se o comportamento variável das vazões de um rio, pode-se concluir que, se
nada for feito, apenas uma vazão muito pequena poderia ser usada na maior parte do tempo.
Se os aproveitamentos d’agua fossem feitos com base unicamente nessa vazão, tornar-se-
iam, em geral, antieconômicos, pois grande parte da água disponível não seria utilizada[...] é
conveniente que se armazene água de forma a permitir o uso mais constante de uma vazão
média d’agua superior àquela garantida apenas pelo comportamento natural do rio. Isso é
feito através de barragens de acumulação (e consequentes reservatórios) que permitem o
armazenamento da água para uso em modo e momento mais convenientes. Tais barragens
obviamente implicam, por um lado, aumento de custos, mas por outro, benefícios advindos
do fato de se poder obter uma vazão média mais alta.

Armazenando a água na barragem instalada, em períodos de pouco aproveitamento, pode-se


utilizar esta mesma água em períodos de aproveitamento alto, esse controle recebe o nome de vazão
regularizada.

2.1.7 VAZÃO CATASTROFAL

Vazão catastrofal ocorre geralmente em épocas de muita chuva, onde a vazão de um curso
d’agua aumenta consideravelmente. Para pequenos rios, Sá (2012) nos indica que há um aumento de

10
30 a 60 vezes a vazão mínima, que é a menor vazão obtida durante os dias de estiagem, geralmente
nos meses de junho e julho . A vazão catastrofal, (Qmáx), é indicada matematicamente pela equação
6.

Qmáx = (30 a 60). Qmin (6)

2.1.8 GOOGLE EARTH

O Google Earth é um aplicativo de mapas em três dimensões mantido pelo Google. Ele permite
passear virtualmente por qualquer lugar do planeta, graças às imagens capturadas por
satélite (TECHTUDO, 2005). Segundo Pena (2017) o aplicativo “integra uma combinação de imagens
de satélite, aerofotogrametrias e até imagens registradas nas ruas a fim de nos auxiliar na localização
e no deslocamento pelos diferentes lugares.”

Apesar de ser um programa de distribuição gratuita, o Google Earth pode ser uma ferramenta
útil para conceitos de Geoprocessamento. Dentre esses recursos, destacam-se: Como demarcar uma
área, como determinar um perímetro, e a análise topográfica de trajetos (POTTIER, 2016)

2.2 APROVEITAMENTO HÍDRICO

Nosso planeta é constituído em grande parte por água, formando oceanos, mares, lagos, rios,
córregos, sendo um elemento fundamental para a sobrevivência, possui diversas formas de utilização
como agricultura, navegação, saneamento, lazer, consumo, indústrias e também produção de energia.
Apesar das múltiplas necessidades que a água impõe, é também um dos grandes problemas,
no que se refere a atuação do homem em seu manejo, pela dificuldade da convivência harmoniosa
com os bens naturais. Havendo, portanto, consenso geral em estabelecer mundialmente parâmetros
para sua utilização racional.

2.2.1 PANORAMA GERAL

A eletricidade tem sido substancialmente usada pelo homem, nos tempos modernos, como
uma das principais fontes de energia. Todavia, em status quo, sua aplicação é limitada. Através de
sua conversão em energia luminosa, térmica, mecânica, é que seu emprego foi amplamente difundido,
sobretudo no século passado, sendo essencial até os dias atuais. A energia elétrica tem papel de grande

11
importância no mundo, satisfazendo necessidades humanas, promovendo desenvolvimento
econômico e qualidade de vida à população; sua contribuição nas mais diferentes demandas
demonstra sua efetiva importância na evolução humana, desde o século XIX, mesmo século da
construção da primeira hidrelétrica do mundo junto às quedas d’água das cataratas do Niágara,
quando o carvão era o principal combustível, e as pesquisas com petróleo ainda engatinhavam
(ATLAS DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL, 2002).

Atualmente, como demonstra o gráfico 1, as hidrelétricas são a segunda maior fonte de energia
elétrica, e representa cerca de 17% de toda a eletricidade gerada no mundo, o que demonstra sua
importância no cenário de geração.

Gráfico 1 – Geração de energia elétrica mundial por fonte (%) - 2012

FONTE: Anuário Estatístico De Energia Elétrica (2015, p. 37)

A tabela 1 demonstra a capacidade instalada de geração hidrelétrica em Giga-Watts (GW) dos


10 maiores países do mundo neste quesito, e que são grandes agentes atuantes no cenário econômico
mundial, evidenciando com isso a grande importância desta forma de geração, sobretudo devido ao
baixo custo de operação, por ser uma fonte renovável, pela ausência de emissão de poluentes e grande
potencial de geração, tornando este tipo de aproveitamento um dos mais importantes na matriz
energética global atualmente.
Com destaque para a China que detém mais de ¼ da capacidade mundial, o Brasil aparece em
segundo com capacidade levemente superior ao terceiro lugar, posto ocupado pelos EUA.
Na tabela aponta-se ainda, a evolução ano a ano da capacidade de geração em GW bem como
sua variação percentual (Δ%) e participação de cada país em % do global.

12
Tabela 1 - Capacidade instalada de geração hidrelétricas no mundo (GW)

FONTE: Anuário Estatístico De Energia Elétrica (2015, p. 30)

A história do Brasil como nação, e seu desenvolvimento econômico, se mistura à produção de


energia por intermédio de hidrelétricas. Durante décadas, a geração de energia foi responsabilidade
exclusiva do estado. Assim, as empresas eram as responsáveis por todas as etapas, desde a geração
até a distribuição. Para a implantação de usinas particulares por empreendedor privado, de qualquer
porte, era necessário passar por processo demorado e burocrático. “Hoje independentes, as
distribuidoras são o elo entre o setor elétrico e a sociedade: essas instalações recebem das companhias
de transmissão a maior parte do suprimento de energia elétrica destinado ao abastecimento do País.”
(PORTAL BRASIL, 2014)

Depois do projeto de reestruturação do setor elétrico Brasileiro, os processos foram


desburocratizados, permitindo a disseminação de geração de energia elétrica de micro e pequeno
porte. Conforme afirma Braga e Salecker (1999, Prefácio): “A lei 9074/95 de 07 de Julho/95 (lei das
concessões), entre outras determinações, libera todos os aproveitamentos hidrelétricos com potência
instalada igual ou inferior a 1000kW.”

De acordo com o BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL de 2015 emitido pelo Ministério


de Minas e Energia, a demanda brasileira por eletricidade cresceu mais de 40% entre os anos de 2005
e 2014. E tem como projeção um acréscimo ainda maior para os próximos 10 anos, conforme aponta
NOTA TÉCNICA DEA 03/15 divulgada pela EPE – Empresa de Pesquisa Energética. Evidencia-se,
assim, a escala de crescimento de consumo desta forma de energia no país.
13
A tabela 2 demonstra a participação das diferentes fontes de geração de energia elétrica na
matriz brasileira, bem como seu desenvolvimento ao longo dos anos de 2014 e 2015. Nota-se a grande
superioridade da fonte hidráulica como principal fornecedora de energia para conversão em
eletricidade, sendo a responsável por mais de 50% nos anos analisados.

Tabela 2 – Oferta interna de energia

FONTE: Resenha Energética Brasileira (2015, p. 4)

Atualmente no Brasil a energia hidráulica corresponde a principal fonte de energia elétrica,


Sua participação na matriz de geração corresponde a 64% conforme nos apresenta o gráfico 2, de
2016.

Gráfico 2 – Oferta interna de energia elétrica por fonte

14
FONTE: Balanço energético nacional (2016, p. 16)

Apesar da tendência de aumento da utilização de outras fontes, por restrições ambientais,


econômicas, sociais e de projetos, o cenário nacional indica que a energia hidráulica continuará sendo
a principal fonte de geração de energia elétrica no Brasil.
Embora os maiores potenciais remanescentes estejam localizados em regiões com fortes
restrições ambientais e distantes dos principais centros consumidores, estima-se que, nos
próximos anos, pelo menos 50% da necessidade de expansão da capacidade de geração seja
de origem hídrica (ATLAS DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL, 2002, p. 17).

Segundo o Atlas de Energia Elétrica no Brasil, o potencial hidrelétrico brasileiro fica dividido
da seguinte forma entre as bacias hidrográficas: 40,5% na Bacia Hidrográfica do Amazonas, 23%
Paraná, 10,6% na bacia do Tocantins, 10% na do São Francisco, 5% nas bacias do Uruguai e do
Atlântico Leste, nas bacias do Atlântico Sudeste e do Atlântico Norte/Nordeste juntas representam
5% do referido potencial. O valor estimado do potencial hidrelétrico brasileiro gira em torno dos 260
GW. “Apenas 63% desse potencial fora inventariado, portanto as proporções mudam em termos de
potencial catalogado” (ATLAS DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL, 2002, p. 19).

Figura 8 – Potencial hidrelétrico brasileiro por sub-bacia hidrográfica

15
FONTE: Atlas De Energia Elétrica Do Brasil (2002, p. 22)

Apesar do alto índice percentual na matriz energética brasileira, ainda há muito potencial a
ser explorado no país. Muito ainda sequer foi inventariado. De acordo com Plano Nacional de Recursos
Hídricos -caderno setorial de geração de energia elétrica Além dos grandes potenciais, para usinas de
grande porte, ainda existem os micro e pequenos aproveitamentos hídricos das bacias, conforme
demonstrou o mapa acima. (ATLAS DE ENERGIA ELÉTRICA DO BRASIL, 2002)

Diminuir um espaço

2.2.2 PEQUENOS APROVEITAMENTOS HIDRELÉTRICOS NO BRASIL

O Governo Brasileiro vem através de mudanças institucionais e na regulamentação,


incentivando, ainda que de forma tímida, interessados em investir em Micro e Pequenas Centrais
hidrelétricas, removendo barreiras à entrada de novos agentes no mercado de energia elétrica.
Segundo a ANEEL, a entrada em operação de novas usinas, em 2015, somou o montante de
6.610 MW, sendo 121 MW de pequenas usinas hidrelétricas, mostrando um crescimento de 5,1%
sobre o ano de 2014 ou 7 GW de expansão.

16
A tabela 3 detalha o cenário da geração elétrica no país por fonte geradora apontando sua
participação na matriz energética nacional.

Tabela 3 – Capacidade instalada de geração elétrica em dez/2015.

FONTE: Resenha Energética, 2015, p. 9

2.2.3 LEGISLAÇÃO E ÓRGÃOS FISCALIZADORES

No que diz respeito a legislação, o Brasil tem avançado no sentido de construir as bases para
o desenvolvimento sustentável, aliando as diversas formas de utilização da água, construindo uma
visão integrada entre os projetos de geração de energia elétrica e os demais usos da água. A criação
da ANA (Agência Nacional de águas), inserção dos projetos de geração nas normatizações ambientais
(EIA, Rima) e o estímulo para a instalação e funcionamento dos comitês das bacias hidrográficas que
tem o papel de fiscalizar e propor soluções, promovendo o uso sustentável da água.
Conforme cita Reis (2011, p. 63), “O código das Águas (1934), que é a lei do Direito da Água,
estabelece a harmonização dos aproveitamentos hidráulicos para a geração de energia com os outros
usos.” O art. 143 prevê: ‘Em todos os aproveitamentos de energia hidráulica serão satisfeitas as
exigências acauteladoras dos interesses gerais’:

a) Da alimentação e das necessidades das populações ribeirinhas.


b) Da salubridade pública.
c) Da navegação.
17
d) Da irrigação.
e) Da proteção contra inundações.
f) Da conservação e livre circulação do peixe.
g) Do escoamento e rejeição das águas.

Reis (2011, p.64) considera ainda que, na constituição de 1988, foi criado o SNGHR (Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos), que regulamenta a política nacional de recursos
hídricos que é guiada pelas premissas:
“A gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas.”
“A bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da politica nacional de
recursos Hídricos.”
“A outorga de uso dos recursos hídricos deverá preservar o uso múltiplo destes.”

Tem como objetivo:

“Coordenar a gestão integrada das águas”


“Arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos”
“Implementar a política Nacional de Recursos Hídricos”
“Regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação dos recursos hídricos.”
“Promover a cobrança pelo uso de recursos hídricos.”

São atribuições da Agência Nacional de Águas, conforme as Leis n° 9.984, de 2000, nº 12.058,
de 2009 e nº 12.334, de 2010:

- Supervisionar, controlar e avaliar as ações e atividades decorrentes do cumprimento da


legislação federal pertinente aos recursos hídricos;

- Disciplinar, em caráter normativo, a implementação, a operacionalização, o controle e a


avaliação dos instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos;

- Outorgar, por intermédio de autorização, o direito de uso de recursos hídricos em corpos de


água de domínio da União, observado o disposto nos arts. 5º, 6º, 7º e 8º;

- Fiscalizar os usos de recursos hídricos nos corpos de água de domínio da União;

- Elaborar estudos técnicos para subsidiar a definição, pelo Conselho Nacional de Recursos
Hídricos, dos valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos de domínio da União, com base
nos mecanismos e quantitativos sugeridos pelos Comitês de Bacia Hidrográfica, na forma do inciso
VI do art. 38 da Lei nº 9.433, de 1997;
18
- Estimular e apoiar as iniciativas voltadas para a criação de Comitês de Bacia Hidrográfica;

- Implementar, em articulação com os Comitês de Bacia Hidrográfica, a cobrança pelo uso de


recursos hídricos de domínio da União;

- Arrecadar, distribuir e aplicar receitas auferidas por intermédio da cobrança pelo uso de
recursos hídricos de domínio da União, na forma do disposto no art. 22 da Lei nº 9.433, de 1997;

- Planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os efeitos de secas e


inundações, no âmbito do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, em articulação
com o órgão central do Sistema Nacional de Defesa Civil, em apoio aos Estados e Municípios;

- Promover a elaboração de estudos para subsidiar a aplicação de recursos financeiros da


União em obras e serviços de regularização de cursos de água, de alocação e distribuição de água, e
de controle da poluição hídrica, em consonância com o estabelecido nos planos de recursos hídricos;

- Definir e fiscalizar as condições de operação de reservatórios por agentes públicos e


privados, visando a garantir o uso múltiplo dos recursos hídricos, conforme estabelecido nos planos
de recursos hídricos das respectivas bacias hidrográficas;

- Promover a coordenação das atividades desenvolvidas no âmbito da rede hidro


meteorológica nacional, em articulação com órgãos e entidades públicas ou privadas que a integram,
ou que dela sejam usuárias;

- Organizar, implantar e gerir o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos;

- Estimular a pesquisa e a capacitação de recursos humanos para a gestão de recursos hídricos;

- Prestar apoio aos Estados na criação de órgãos gestores de recursos hídricos;

- Propor ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos o estabelecimento de incentivos,


inclusive financeiros, à conservação qualitativa e quantitativa de recursos hídricos;

- Participar da elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos e supervisionar a sua


implementação;

- Regular e fiscalizar, quando envolverem corpos d'água de domínio da União, a prestação dos
serviços públicos de irrigação, se em regime de concessão, e adução de água bruta, cabendo-lhe,
inclusive, a disciplina, em caráter normativo, da prestação desses serviços, bem como a fixação de
padrões de eficiência e o estabelecimento de tarifa, quando cabíveis, e a gestão e auditagem de todos

19
os aspectos dos respectivos contratos de concessão, quando existentes; (Redação dada pela Lei nº
12.058, de 2009)

- Organizar, implantar e gerir o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de


Barragens (SNISB); (Incluído pela Lei nº 12.334, de 2010)

- Promover a articulação entre os órgãos fiscalizadores de barragens; (Incluído pela Lei nº


12.334, de 2010)

- Coordenar a elaboração do Relatório de Segurança de Barragens e encaminhá-lo,


anualmente, ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), de forma consolidada. (Incluído
pela Lei nº 12.334, de 2010).” (Planejamento Estratégico – ANA, 2016, p. 10)

Ainda pela ANEEL a Resolução Normativa 673/2015 determina em seu capítulo IV, Art. 21,
que:

- A implantação de aproveitamentos hidrelétricos com potência igual ou inferior a 3.000 KW


deverá ser comunicada à ANEEL.

§ 1º Para fins de comunicação, o interessado deverá cadastrar as informações sobre seu


empreendimento, após sua implantação, conforme determinações disponíveis no sítio da ANEEL na
internet.

§ 2º A comunicação não isenta o empreendedor das obrigações ambientais e exigências


requeridas pelos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, não gerando qualquer imputação
de responsabilidades ao Poder Concedente ou à ANEEL.

§ 3º O aproveitamento hidrelétrico descrito no caput que vier a ser afetado por aproveitamento
ótimo do curso d’água não acarretará ônus de qualquer natureza ao Poder Concedente ou à ANEEL,
nos termos da legislação vigente.

2.3 USINAS HIDRELÉTRICAS

As usinas ou centrais hidrelétricas são sistemas construídos para aproveitamento do potencial


energético de um dado curso d’agua. Transformam a energia hidráulica em energia elétrica, através
da movimentação das pás da turbina e acionamento do gerador, pelo movimento da água. Conforme
o Atlas da energia elétrica descreve abaixo:

20
A energia hidrelétrica é gerada pelo aproveitamento do fluxo das águas em uma usina na qual
as obras civis – que envolvem tanto a construção quanto o desvio do rio e a formação do
reservatório – são tão ou mais importantes que os equipamentos instalados. Por isso, ao
contrário do que ocorre com as usinas termelétricas (cujas instalações são mais simples), para
a construção de uma hidrelétrica é imprescindível a contratação da chamada indústria da
construção pesada. (ATLAS DA ENERGIA ELÉTRICA, 2008, p. 53 )

As estruturas pensadas e construídas para transformar a energia hidráulica em elétrica são


denominadas centrais hidrelétricas. Funciona basicamente utilizando a água para mover a turbina
hidráulica, transformando energia hidráulica em energia mecânica. Por acoplamento, o rotor do
gerador elétrico é acionado e por interação eletromagnética, produz energia elétrica.

As centrais hidrelétricas podem ser a fio d’agua, que segundo SCHREIBER “[...]são as que
não dispõem de uma bacia de acumulação d’água de dimensões significativas, e cuja produção
consequentemente é inconstante, dependendo da oscilação da vazão do rio.” Sua grande desvantagem
é não ser capaz de manter uma vazão regularizada, o que faz com que o sistema nacional tenha que
recorrer a usinas térmicas, com alto custo de geração para complementar a perda durante períodos de
estiagem.
As usinas com reservatório de acumulação, por conta da barragem, são capazes de armazenar
a vazão que não fora utilizada durante certo período e assim, produzir energia elétrica de forma
constante. O planejamento da regularização da vazão, é realizado em períodos a trimestral, semestral
ou anual, dependendo das características do curso d’agua. No caso das micro e pequenas hidrelétricas,
este planejamento não é um problema, visto que é feito diariamente.

2.3.1 COMPONENTES

2.3.1.1 BARRAGENS

As barragens têm a função principal, no caso da geração de energia elétrica, de regular a vazão
de um determinado rio para um melhor aproveitamento. Segundo Reis (2011, p. 83):
As barragens têm como principais finalidades: represar a água para a captação e desvio;
elevar o nível da água para aproveitamento elétrico e navegação; Represar a água para
regularização de vazões e amortecimento de ondas de enchentes.

O Manual de Micro Centrais Hidrelétricas da Eletrobrás (1985) enfoca também a função de


criar um desnível entre a lâmina d’agua do reservatório e a casa de máquinas, aumentando assim a
potência gerada pela usina.
A barragem é a estrutura componente do aproveitamento destinada a criar um desnível
hidráulico localizado. Assim sendo, a barragem deve elevar o nível das águas do rio,
permitindo o afogamento da tomada d’agua. No caso de microcentrais, a altura da barragem
prevista é da ordem de 3 metros (Manual De Microcentrais Hidrelétricas, ELETROBRÁS,
1985, p. 99).

21
As barragens podem ter várias configurações, dependendo das características do projeto,
procura-se o melhor custo benefício na construção, como afirma Reis (2011, p. 85):
A escolha do melhor tipo de barragem para uma determinada seção é um problema tanto de
viabilidade técnica quanto de custo. A solução técnica depende do relevo, da geologia e do
clima. O custo dos vários tipos de barragens depende principalmente da disponibilidade de
materiais de construção próximos ao local da obra e da acessibilidade de transportes.

As barragens podem ser feitas de diversos materiais e em formatos específicos para solucionar
problemas de engenharia. Dentre as quais, destacam Braga e Salecker (1999):

A) Barragem de terra

Esse tipo de barragem é relativamente simples de ser construída, apropriada para solos
argilosos ou arenosos /argilosos. Na sua construção é possível aproveitar a terra retirada para construir
o vertedouro e o canal de adução. Porém, apesar de simples, devem ser seguidas as técnicas de
construção de barragens. "Essa barragem exige que o vertedouro fique em uma das margens, uma vez
que se a água passar pelo corpo da mesma haveria sua completa destruição. Para tanto o local deve
permitir a construção dessa estrutura lateral” (BRAGA.; SALECKER 1999, p.10).
A barragem deve ter pelo menos 2 metros de crista, e para evitar a erosão, deve-se no talude
e a jusante plantar grama e a montante, cobrir com tapete de pedras. No corpo da barragem, pode-se
instalar uma tomada d’agua ou uma comporta de fundo com a finalidade de fazer a limpeza do
reservatório.
Figura 9 - Vista de uma barragem de terra

FONTE: Braga.; Salecker (1999, p.10)

B) Barragem de madeira

Conforme cita Braga e Salecker (1999, p. 13): “A barragem de madeira pode ser construída para cursos
d’agua inferiores a 7 metros, onde se observa a presença do vertedouro no corpo da barragem e dois troncos
para permitir a fixação das tábuas (pranchas).”
A montante do corpo da barragem, é indicada a colocação de um impermeabilizador na base,
e a jusante um tapete de pedras, para que a queda d’agua do vertedouro não cause erosão na base da
mesma.

22
Figura 10 - Vista de uma barragem de madeira e detalhes construtivos

FONTE: Braga.; Salecker (1999, p.14)

Figura 11 - Impermeabilização e proteção da base

FONTE: Braga.; Salecker (1999, p.15)

C) Barragem Ambursen

Segundo o Manual De Microcentrais Hidrelétricas da Eletrobrás (1985, p. 117) “barragem


tipo Ambursen consiste de uma estrutura aliviada, em que a estabilidade é assegurada pelo peso da
água sobre o paramento inclinado, de madeira ou eventualmente de peças pré-moldadas de concreto
armado. As pranchas de madeira ou concreto são encaixadas em ranhuras existentes nas faces laterais
dos contrafortes.”
O vertedouro, geralmente fica localizado na parte central da calha do rio, feito por um
rebaixamento, destinado a permitir a passagem das águas excedentes do reservatório.

Figura 12 - Vista da barragem Ambursen em perspectiva.

23
FONTE: Manual De Microcentrais Hidrelétricas da Eletrobrás (1985, p. 124)

Figura 13 - Vista da ranhura de encaixe das placas em perspectiva

FONTE: Manual De Microcentrais Hidrelétricas da Eletrobrás (1985, p. 124)

D) Barragem de madeira e pedras

Barragem de simples construção possui em sua composição pedra e madeira em sua estrutura
e é indicada para pequenos reservatórios. “Ela pode ser construída com uma malha de toras de
madeira formando planos, onde em cada uma das toras estão dispostas paralelamente e com uma
distância entre as mesmas de meio a um metro aproximadamente” (JR.; SALECKER 1999, p.16).
No interior preenche-se com pedras de todos os tamanhos compactadas. A montante deve-se
revestir o corpo (talude) com madeira (tábuas ou pranchas) ou plástico realizando no caso das tábuas
a devida impermeabilização.
Para evitar vazamentos pela base, colocam-se pranchas com aproximadamente meio metro,
enterradas junto a base. A montante indica-se colocar na base uma camada de material
impermeabilizante, como argila e pedras, e a jusante um tapete de pedras, para evitar a erosão causada
pela água vinda do vertedouro.

Figura 14 - Vista da Barragem de madeira e pedras

24
FONTE: Braga.; Salecker (1999, p.16)

E) Barragem de pedra e argamassa ou de concreto

Conforme cita o Manual De Microcentrais Hidrelétricas da Eletrobrás (1985, p. 131):


“consiste de um muro, cuja seção transversal se aproxima a de um triângulo retângulo, e que resiste
através do seu peso próprio à pressão da água do reservatório e à subpressão das águas que se infiltram
pelas fundações.”
Essas barragens são indicadas principalmente para vales estreitos, e onde a construção de
vertedouros laterais são inviabilizados em função das encostas íngremes e rochosas. No caso das
encostas não serem constituídas de material resistente a erosão, faz-se necessário a remoção do
material, o que pode inviabilizar o projeto economicamente.
A opção por pedra e argamassa ou concreto pode ser feita levando-se em conta o tempo de
construção. A barragem de concreto é de rápida construção, comparando-se com a de pedra e
argamassa, porém, de custo inferior, a barragem de argamassa e pedras pode ser a opção mais viável
economicamente.
Braga E Salecker (1999, p.16) comentam: “Nestas barragens o vertedouro é construído no
corpo da barragem, de preferência no local onde o rio apresentava seu maior vale.”

Figura 15 - Vista de barragem de concreto

FONTE: Manual De Microcentrais Hidrelétricas da Eletrobrás (1985, p. 132)

25
2.3.1.2 VERTEDOURO

O vertedouro tem como objetivo manter o nível do reservatório da barragem em um nível


seguro, onde não haja risco de danificar a estrutura. Pode ser construído com um canal lateral ou no
próprio corpo da barragem, sendo a opção preferencial sempre o canal lateral.

Figura 16 - Vista aérea e vista frontal de barragem com o vertedouro.

FONTE: Autoria Própria

2.3.1.3 TOMADA D’AGUA

As tomadas d’agua tem por finalidade captar a água para leva-la ao conduto que por sua vez,
levará as turbinas. Conforme diz Reis (2011, p.86) “Tomada d’agua tem por principal função permitir
a retirada de água do reservatório e proteger a entrada do conduto de danos e obstruções provenientes
de congelamento, tranqueira, ondas e correntes.”

Figura 17 – Vista frontal de tomada d`agua

FONTE: Autoria própria

26
Schreiber (1978, p.109) diz: “A tomada d’água tem a finalidade de captar e conduzir a água
aos órgãos adutores e daí as turbinas, impedir a entrada de corpos flutuantes, que possam danificar as
turbinas, e fechar a entrada d’agua quando for necessário. ”
A tomada d’agua pode ser ligada diretamente à tubulação forçada que leva a água à máquina
ou, dependendo da topografia do local, pode descarregar a água captada em um canal aberto de adução
ou, em uma tubulação de baixa pressão que transportará a água até o local mais adequado para a
implantação da tubulação forçada.
Segundo Braga e Salecker (1999, p. 24): “deve ser localizada em uma parte do reservatório
que seja reta ou côncava, uma vez que nas partes convexas ocorre maior deposição de sedimentos.”
A tomada d’água possui alguns equipamentos importantes para o pleno funcionamento da
usina esses são descritos a seguir:

A) Grades

As grades são estruturas de aço, construídas para impedir a passagem de objetos que possam
danificar as turbinas. Podem ser achatadas ou hidrodinâmicas, instaladas na posição vertical ou em
alguns casos inclinadas, apoiadas a uma estrutura de concreto. Conforme cita Schreiber (1978, p.
109):
As grades são geralmente construídas de barras chatas de aço. As perdas de carga podem ser
diminuídas dando-se as barras uma forma mais hidrodinâmica, porém a fabricação com essa
forma é relativamente cara e em geral o maior custo não é compensado pelo ganho de queda
nas turbinas. As barras são inclinadas e se apoiam em sua parte inferior, numa ranhura na
soleira da tomada; no centro se apoiam em vigas horizontais e na parte superior numa
construção de concreto, seja uma ponte de serviço que passe por cima da tomada, seja uma
laje curvada que reduza suavemente a área molhada na altura das grades para a seção das
comportas.

Figura 18 - Foto de Grade na tomada d’água.

FONTE: Ferrari et al. (2008, p. 8)

27
B) Comportas

A instalação de comportas é fundamental para se realizar a manutenção da tomada d’agua,


que deve ter pelo menos duas comportas. A manutenção consiste basicamente de limpeza que deve
ser realizada no desarenador, que tem o objetivo de armazenar os sedimentos. Recomenda-se, para
micro centrais, comportas de madeira, onde a espessura mínima deve ser de 4 cm (BRAGA;
SALECKER, 1999, p. 24).

Figura 19 - Detalhe da comporta do desarenador

FONTE: Autoria própria

2.3.1.4 SISTEMA ADUTOR

É o sistema que conduzirá a água desviada do curso d’agua até as turbinas da unidade
geradora. Possui componentes descritos abaixo:
A) Canal Adutor
“O canal de adução é um canal construído para se levar a água em direção à turbina, podendo
ser construído simplesmente por um canal utilizando o próprio terreno” (BRAGA; SALECKER,
1999, p. 25).
Dependendo das características do terreno onde se pretende instalar a usina, o canal de adução
pode ser construído em solo natural ou rocha, revestido de pedra e argamassa, concreto, sacos
contendo areia ou terra e cimento, sendo a escolha da solução mais adequada baseada na comparação
dos custos de cada opção. Para canais a céu aberto, em terra, observa-se a seção trapezoidal. Para
canais em alvenaria, adota-se o canal retangular.

Figura 20 - Vista de um canal de terra batida – Trapezoidal

FONTE: Sá, (2012, p. 82)


28
Figura 21 - Vista de um canal revestido com sacos com terra, areia ou mistura de cimento

FONTE: Braga (1999, p. 26)

Figura 22 - Vista de um canal revestido de concreto

FONTE: Sá, (2012, p. 83)

“O canal adutor deve ter uma declividade muito pequena, indispensável para manter a água
numa determinada velocidade (v), objetivando não reduzir a queda útil do manancial.” E segue
indicando que dependendo do material das paredes e fundo do canal, a velocidade (v) pode chegar,
em casos desfavoráveis: em terra argilosa, 0,25 m/s, em areia 0,65 m/s e leitos pedregosos 1,25 m/s
(SÁ, 2012, p. 80).
A declividade do canal de adução deve ser mínima e constante, sendo fixada de forma prática
em 0,4/1000, como afirma SÁ, ou seja, o fundo do canal deve descer em torno de 0,4 mm em cada
10 m de extensão. “Em canais de alvenaria, com paredes muito lisas, pode-se fazer (v) tão grande
quanto necessário, mas para se evitar a perda de queda útil, é conveniente que essa velocidade não
ultrapasse 1,25 m/s” (ELETROBRÁS, 1985, p. 92).

A declividade do canal é feita em função da velocidade desejada para a água no canal, é


encontrada empregando-se a fórmula de Bazin, conforme demostramos nas equações 7, 8, 9, 10 e 11.

87
𝑣= 𝛾 . √𝑅. 𝐼 (7)
1+
√𝑅

Fazendo:

29
87
𝐶= 𝛾 (8)
1+
√𝑅

Ficamos com:

v = C. √R. I (9)

𝑣²
𝐼= (10)
𝐶².𝑅

𝑆
𝑅= (11)
𝑃

Onde:
v – Velocidade (m/s)
I – Declividade (%)
C – Coeficiente de velocidade
R – Raio hidráulico (m)
S – Superfície líquida (m²)
P – Perímetro molhado (m)
𝛾 – Coeficiente de rugosidade (valor tabelado).

Tabela 4 – Coeficientes de rugosidade


Natureza das Paredes Y
Cimento liso 0,010
Argamassa de cimento 0,011
Pedras e tijolos rejuntados 0,013
Tijolos rugosos 0,015
Alvenaria ordinária 0,017
Canais com pedregulhos finos 0,020
Canais com pedras e vegetação 0,030
Canais em mau estado de 0,035
conservação
FONTE: Diretrizes para estudos e projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas. 2000. Disponível em:
<https://www.eletrobras.com/elb/data/Pages/LUMIS4AB3DA57PTBRIE.htm> Acesso em Agosto de 2016. (PÁG 116
PDF).

30
Conhecidos os valores da velocidade e da vazão do curso d’agua, podemos encontrar o valor
da seção do canal, em m², através da equação 12 demonstrada abaixo, como indica Sá:

𝑄
𝑆= [m²] (12)
𝑣

Para uma seção retangular, adotamos a equação 13, da área, conforme demonstrado abaixo:

𝑆 = 𝑏. ℎ [𝑚2 ] (13)
b – Base (m)
h – Altura (m)

Faz-se necessário, calcular as dimensões do canal, e do perímetro máximo molhado, numa


dada seção retangular conforme mostram as equações 14 e 15.

𝑏 = 2. ℎ (adotado para um canal com melhor custo benefício)

então:
𝑆 = 2. ℎ² (14)

𝑆
onde: ℎ=√
2

𝑆
e: 𝑏=

𝑄
e: 𝑆=
𝑣

𝑝 = 2. ℎ + 𝑏 (15)
Onde:
s- Seção (m²)
h – Altura (m)
b – Base (m)
Q – Vazão (m³/s)

31
v – Velocidade (m/s)
p – Perímetro molhado (m)

“Deve-se locar o eixo do canal, evitando cortes exagerados no terreno e aterros, utilizando-se
um menor número de curvas” (SÁ, 2012, p. 84).
A Eletrobrás (1985, p. 169) nos indica que o canal de adução deverá ser dotado de um
extravasor lateral que permita o desvio, com segurança, do excesso de descarga de pequeno volume
devido a ocorrência de oscilações de nível d’água. Neste caso, calcula-se o comprimento do
vertedouro com a equação 16:

𝑄
𝐿=2 (16)
.𝜇.ℎ.√2.𝑔.ℎ
3

Onde:
L – Comprimento do vertedouro [m]
Q – Vazão do canal [m³/s]
2/3 𝜇 – 0,63 (em casos gerais)
h – Altura da lâmina d’água [m]
g – Aceleração de gravidade [m/s²]

O extravasor deverá ser instalado o mais próximo possível da câmara de carga e de


preferência, fazendo escoar o excesso de vazão por talvegue natural, tendo um tapete de pedras para
a proteção, evitando erosão no choque da água com o solo.

2.3.1.5 TUBULAÇÕES

Nas centrais hidrelétricas, pode-se utilizar tubulações em alta pressão e em baixa pressão. Um
canal de adução a céu aberto é mais viável economicamente, porém, em casos onde a topografia e
geologia do local forem desfavoráveis, a construção de um canal pode se tornar inviável, e a opção é
levar a água por uma tubulação até a câmara de carga.
A tubulação forçada leva a água sob pressão, da câmara de carga até a turbina. A velocidade
da água na tubulação de aço não deve ser elevada por aumentar a perda da carga, aumentar o golpe
de aríete, obrigando com isso o aumento da espessura da chapa da tubulação e prejudicar as condições
de regulagem da turbina. O primeiro cálculo necessário para dimensionar essa tubulação é o diâmetro

32
interno. Conforme o Manual da Eletrobrás (1985, p. 184), determina-se os diâmetros internos das
tubulações pela equação 17.

𝐿0,204
𝐷 = 𝑘. 𝑄0,388 . (17)
𝐻 0,204
Onde:
D – Diâmetro interno da tubulação [cm]
𝑄 0,388 – Vazão do projeto [m³/s] (Tabelado)
𝐿0,204 – Comprimento da tubulação [m] (Tabelado)
𝐻 0,204 – Altura da queda d’agua bruta [m] (Tabelado)
K – Coeficiente de tubulação definido pelo material constituído.

Os valores tabelados relacionados acima podem ser encontrados nas tabelas que seguem abaixo.

Tabela 5 - Coeficiente de tubulação definido pelo material constituído


k
Material
Baixa Pressão Alta Pressão
Aço 66,07 52,81
Ferro fundido 66,91 ---
Concreto armado 68,45 54,67
Fibra de vidro c/ resina 63,38 50,62
FONTE: Ferrari et al. (2008, p. 7.5)

33
Tabela 6 - Tabela apresentando o valor de 𝑄0,388 , para determinar Diâmetro interno da tubulação

FONTE: Manual De Microcentrais Hidrelétricas da Eletrobrás (1985, p. 187)

34
Tabela 7 - Apresentação do valor de 𝑄0,204 , para determinar Diâmetro interno da tubulação

FONTE: Manual De Microcentrais Hidrelétricas da Eletrobrás (1985, p. 188)

35
Tabela 8 - Apresentação do valor de 𝐿0,204 , para determinar Diâmetro interno da tubulação

FONTE: Manual De Microcentrais Hidrelétricas da Eletrobrás (1985, p. 189)

Conhecidos os valores da vazão e do diâmetro interno da tubulação, pode-se então conhecer


a velocidade da água na tubulação, pela equação 18, observando-se as velocidades máximas indicadas
para o interior das tubulações conforme o material em que foram construídas conforme tabela 10.

36
Tabela 9 – Velocidade máxima admissível por material
Material Velocidade máxima admissível[m/s]

Aço – centrais de baixas quedas 3


Aço – centrais de médias e altas quedas 5
Ferro fundido 5
Concreto armado 3

𝑄 4𝑄
𝑉= = (18)
𝐴 3,1416.𝐷²

Onde:
V – Velocidade [m/s]
Q – Vazão [m³/s]
D – Diâmetro [m]
Uma das preocupações pertinentes é o golpe de aríete, definido por Sá (2012, p. 89), como
“uma sobrepressão exercida na parede interna da tubulação, quando o fluxo da água é interrompido,
bruscamente.”
A altura devido ao golpe de aríete é dada pela equação 19.

3 𝐿.𝑣
ℎ0 = . (19)
2 𝑔.𝑡

Onde:
ℎ0 – Altura devido ao golpe de aríete [m]
L – Comprimento da tubulação [m]
v – velocidade da água na tubulação [m/s]
g – Aceleração da gravidade [m/s²]
t – Tempo de fechamento total do registro da turbina (geralmente t=4s)

Por essa forma, percebe-se que quanto maior for o comprimento da tubulação e a velocidade
da água, maior será o valor da altura (ℎ0 ). Quanto maior for o tempo t de fechamento do registro,

menor será ℎ0 . O valor do tempo de fechamento é limitado a 4s, tempo necessário para que o
regulador de velocidade atue nas pás móveis, impedindo com isso a entrada de água no rotor da
turbina.

37
A espessura da tubulação em questão é dada pela equação 20.

𝑝.𝐷 𝐻
𝑒= + 𝑝= (20)
2.𝜎𝒕 10

0,10. H. D
e= +C
2. σ
Onde:
H – Queda bruta + altura correspondente ao “golpe de aríete”. [m]
D – Diâmetro interno da tubulação [mm]
σ – Carga de segurança à tração do material na tubulação (1000 a 1200 kg/cm²)
c – Coeficiente de segurança 2 a 3 [mm] ou 0,002 a 0,003 [m] para aço.

Faz-se importante também no projeto, o estudo das perdas hidráulicas, pois interferirá
diretamente na potência da central geradora. Alguns autores desconsideram tais perdas em micro
centrais hidrelétricas. Existem diversos métodos para a observância desse fenômeno em tubulações,
todos indicando valores aproximados, para efeito de estudo, utiliza-se neste trabalho o método
Scoobey, que consta no capítulo 6 do manual do CERPCH, dada pela equação 21.

𝐿 𝑣2
ℎ𝑝 = 410. 𝐾𝑎 . . (21)
𝐻 2.𝑔

Onde:
ℎ𝑝 – Perda de carga [m]
𝐾𝑎 – Coeficiente que leva em conta a natureza do material da confecção da tubulação.
𝐿 – Comprimento do conduto [m]
H – diferença da cota entre o início e o fim do conduto [m]
V – Velocidade média do escoamento [m/s]
g – aceleração da gravidade 9,81 [m/s²]

A tabela 11 mostra valores de Ka para diferentes materiais:

38
Tabela 10 - Valores de Ka para diferentes materiais
Tipos de Conduto Valores (K)
Plástico e cimento amianto 0,32
Alumínio com engates rápidos a cada 6 m 0,43
Aço galvanizado com eng. rápidos a cada 6 m 0,45
FONTE: disponível em: < http://sinop.unemat.br/site_antigo/prof/foto_p_downloads/fot_7057tabelas_hidbaulica_1_
pdf.pdf >. Acesso em 19 de set. 2016

Outro componente importante nas tubulações de centrais hidrelétricas são as chaminés de


equilíbrio, que é um reservatório de eixo vertical, podendo ser posicionadas ao final ou, ao longo do
comprimento da tubulação e tem por finalidade: Amortecer variações de pressão que se propagam
pelo tubo (golpe de aríete) em decorrência do fechamento de registros ou válvulas; Armazenar água
para fornecer ao conduto o fluxo inicial provocado pela nova abertura da turbina até que se estabeleça
novamente o fluxo (WOLSKI, 2013);
Válvulas são necessárias para controlar ou interromper o fluxo na tubulação ou proteger contra
surtos de pressão. As de abertura ou fechamento, podem ser tipo gaveta ou borboleta. Geralmente são
instaladas próximo as turbinas. Servem para controle de vazão, apenas em micro centrais
hidrelétricas, o que reduz os custos (CERPCH, 2008).
Ainda de acordo com o manual do CERPCH (2008), válvulas de alívio são as válvulas de
segurança que se abrem quando a pressão na tubulação alcança um valor pré-estabelecido. No caso
da ocorrência de um golpe de aríete, ela é capaz de abrir-se e permitir a saída de uma parte da água.

B) Câmara de Carga

A Câmara de carga demonstrada na figura 23 é responsável por fazer a transição entre o canal
de adução e a tubulação forçada. Faz-se necessário, na transição entre o canal e a tubulação forçada,
que a velocidade (v) da água, seja menor do que no canal, para que não haja esforço na estrutura de
entrada da tubulação e para decantação de areia e lama, material indesejável que pode trazer danos e
encurtar a vida útil da turbina.
Figura 23 - Vista de cima do esquema de câmara de carga

FONTE: Braga, Salecker (1999, p. 27).


39
A área da câmara de carga deve ser maior do que a do canal, pois, como dito anteriormente, a
velocidade da água precisa ser menor, em 1/2 ou até 1/3 como afirma Sá (2012). Portanto, utilizamos
as equações 22, 23, 24 e 25 para dimensionar as medidas da câmara:

ℎ𝑚 = ℎ𝑣 + (ℎ𝑣. 0.1) + ℎ (22)

𝑄
𝑆𝑚 = 𝑉𝑐𝑥 (23)

𝑆𝑚 = 𝑏. ℎ𝑚 (24)

𝑆𝑚
𝑏= (25)
ℎ𝑚
Onde:
Vcx – Velocidade da água na caixa. (1/2 ou 1/3 velocidade da água no canal). [m/s]
Sm – Seção média da caixa. [m]
b – Largura da caixa. [m]
ℎ𝑚 -Altura da caixa. [m]

O fundo deve possuir duas inclinações para acúmulo da areia e lama. Deve-se instalar uma
comporta para descarga desse detrito acumulado ao longo do tempo, na parte mais baixa do piso, para
facilitar a descarga.
Deve-se também prever uma comporta para descarga dos dejetos acumulados e um vertedouro
para extravasar o excesso de vazão caso seja necessário fechar a entrada da água que vai para a
turbina, em casos de manutenção ou desligamento do sistema.
Na entrada da tubulação forçada, prevê-se uma grade, mais fina do que a grade da tomada
d’agua, que tem a finalidade de impedir a passagem de pequenos objetos conduzidos pela água, pelo
canal. Essa grade, geralmente é constituída de ferros chatos, com espaçamento de 15 mm e espessura
das barras 1.1/4 x 1/4'’, e em número suficiente para o total cobrimento da caixa de sedimentação.

2.3.1.6 CASA DE FORÇA

Segundo a Eletrobrás (1985, p. 251), “A casa de máquinas é a edificação que abriga os grupos
geradores destinados à produção de energia elétrica, bem como os equipamentos auxiliares
necessários ao funcionamento da central hidrelétrica.” Segundo Scheiber (1978, p. 177) “[...] têm a
40
finalidade de alojar as máquinas e os equipamentos, possibilitar sua montagem e eventual
desmontagem e sua manutenção e operação”.
O local para a instalação da casa de força deverá ser convenientemente escolhido, baseado em
fatores de ordem econômica, de segurança e que permita o perfeito funcionamento da tubulação com
a turbina e que permita manter todo o equipamento elétrico fora do alcance de enchentes.
As dimensões devem ser pensadas para abrigar todos os equipamentos hidráulicos e elétricos,
da unidade geradora, listados a seguir:

A) Turbinas Hidráulicas

As turbinas hidráulicas são os equipamentos responsáveis pela conversão de energia


hidráulica em energia mecânica. Funciona basicamente com o fluxo de água, interagindo com as pás
da turbina, causando um movimento de rotação. É constituída de parte fixa e parte móvel.
Conforme afirma Schreiber (1978, p. 178) “Atualmente são usadas, nas usinas hidrelétricas,
dois tipos de turbinas hidráulicas, as de reação e as de ação.”
Turbinas hidráulicas de ação: são as que, o escoamento se dá através do rotor sem variação de
pressão. O trabalho mecânico é obtido pela energia cinética de escoamento da água, através do rotor.
A água sai do distribuidor à pressão atmosférica e toda energia potencial da queda se transfere ao
rotor em forma de energia cinética.
Turbinas hidráulicas de reação: são as que o escoamento se dá através do rotor com variação
de pressão. O trabalho mecânico é obtido pela transformação das energias cinética e de pressão da
água em escoamento, através do rotor. A água sai do distribuidor com uma certa pressão, vai
diminuindo à medida que a água passa pelas pás da turbina. Nessas turbinas a energia potencial se
transfere ao rotor em parte por energia cinética e em parte por pressão.

A potência de uma turbina é dada pela equação 26.

𝛾.𝑄.𝐻𝑙𝑖𝑞
𝑤= . 𝜂 [CV] (26)
75

Onde:
W – Potência da turbina [CV]
𝛾 – Peso específico da água (1000 Kg/m³) [kg/m³]
Q – Vazão [m³/s]
Hliq – Altura líquida (Hliq = Hb - ∑ perdas) [m]

41
∑ perdas = perda hidráulica na tomada d’água (m) + perda hidráulica no conduto forçado (m)
Hb – Altura bruta [m]
𝜂 – Rendimento da turbina [%]

Cada tipo de turbina existente possui características que as tornam adequadas a determinado
aproveitamento hídrico do projeto a ser implantado, como altura, vazão e rotação. Além dessas
características do local a ser implantada, as turbinas também carecem de, no caso das micro centrais
hidrelétricas, de ter características como facilidade de operação e manutenção e robustez. A seguir
serão citadas os tipos de turbinas e suas características.
Turbina Pelton é apropriada para grandes quedas H e pequenas vazões Q. Para se atingir
números específicos de rotação de 12 a 30 rpm, utiliza-se um jato d’agua, e de 30 a 50 rpm com dois
ou mais jatos, conforme afirma Sá (2012). A entrada da água pode ser feita através de um ou vários
bocais que lançam a água em direção tangencial a roda.

Figura 24 - Roda tangencial Pelton

FONTE: Ferrari et al. (2008, p. 8.17)

Ainda conforme Sá (2012), turbinas com hélice e Kaplan surgiu com a tendência de se
construir turbinas mais rápidas, chegou-se ao modelo hélice e Kaplan que são diferenciadas pela
capacidade de reposicionamento das pás afim de maior aproveitamento da energia hidráulica. Pode
chegar a um número de rotações específicas acima de 1000 rpm. São indicadas para pequenas quedas
H e grandes vazões Q.

Figura 25 - Turbina Kaplan com 5 pás

FONTE: De Sá (2012, p. 64)


42
Turbinas Francis pode ser construída para os tipos lento, normal, rápido e extra rápido. A água
atravessa as duas coroas do rotor, sendo desviada da direção radial, com que sai das pás diretrizes,
para a direção axial com que entra no tubo de secção. Indicada para quedas médias (acima de 10
metros) H e médias vazões Q.

Figura 26 - Turbina Francis

FONTE: disponível em: <http://www.learnengineering.org/2014/01/how-does-francis-turbine-


work.html >. Acesso em 12 de set. 2016

Turbina Banki ou fluxo cruzado é altamente indicada para uso em áreas rurais, particularmente
em micro e mini centrais geradoras. De tecnologia bastante simples requer poucos equipamentos para
a fabricação e manutenção, permitindo a construção em oficinas pouco sofisticadas. Indicada para
quedas de 3 a 100 metros e vazões de 0,02 a 2,0 m³/s. Pode apresentar rotações específicas entre 40
e 200 rpm (FURCHI, 2000).

Figura 27- Esquema Turbina Bakin

FONTE: disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Cross-flow_turbine#/media/File:Ossberger_turbine


.jpg>. Acesso em 16 de set. 2016

43
Figura 28 - Esquema de uma turbina uma turbina Michel Banki e passagem de água pelo rotor

FONTE: Ferrari et al. (2008, p. 8.17)

A regulação das turbinas é importante, como evidencia Sá (2012), por duas razões principais:
Estabilizar a turbina quando funcionar em condições variáveis, principalmente quanto ao fluxo de
água que passa pelo rotor; e estabilizar a turbina em diversas cargas, conservando a velocidade, pois
com as variações da cargas, a velocidade tende a se alterar, caso o fluxo de água não seja alterado.
Nas centrais hidrelétricas, as turbinas devem ter rotação constante para que a velocidade do alternador
permaneça também constante e também a frequência da energia elétrica. A frequência é dada pela
equação 27.

𝑃.𝑛
𝑓= (27)
60
Onde:
f – frequência [Hz]
P – número de pares de pólos do alternador
N – rotação [rpm]

A rotação nominal do grupo turbina/alternador é dada pela equação 28.

𝑓.60
𝑛= [rpm] (28)
𝑃

Em pequenas e micro usinas hidrelétricas é comum o uso do regulador de velocidade de pás


A escolha da turbina que mais se adequa ao projeto, para o melhor aproveitamento das
condições de vazão e altura apresentadas exigem especial atenção, pois influenciará diretamente na
geração da energia elétrica e em sua qualidade de fornecimento.

44
Gráfico 3 – Gráfico indicativo da melhor alternativa de turbinas relacionando Vazão e Queda

FONTE: disponível em: <http://meusite.mackenzie.com.br/mellojr/A%20turbina%20de%20fluxo/A%20turbina%


20de%20fluxo%20.htm>. Acesso em 13 de set. 2016

O gráfico 3 nos indica a opção mais adequada, relacionando a altura H e a vazão Q. Nele
vemos os espaços correspondentes às turbinas, com as siglas: P – Pelton, F - Francis, M - Fluxo
cruzado (Michell Banki), A – Axial (MELLO Jr., 1999).
Uma característica importante é a rotação específica de uma turbina, número adimensional
que define o formato do rotor que melhor se encaixa nas características de vazão e queda de uma
turbina.
Essa relação entre vazão, altura e rotação independe do tamanho do rotor. Assim, como
evidencia o manual do CERPCH – Centro Nacional de Referência em Pequenas Centrais
Hidrelétricas, dois rotores que tenham a mesma rotação específica terão o mesmo formato e o mesmo
comportamento hidráulico. Ainda, comentado no manual, para se obter bons rendimentos, é
necessário operar dentro de um limite de rotação específica. Isso faz com que este dado seja de suma
importância para a decisão da turbina mais adequada conforme mostra a tabela 12.

45
Tabela 11 - Tipos de turbinas hidráulicas e seus limites de rotação específica
Tipo de Turbina Nqa Mínimo Nqa Máximo
Pelton de 1 Jato 4 30
Pelton de 2 Jato 6 42
Pelton de 3 Jato 7 51
Pelton de 4 Jato 8 60
Pelton de 5 Jato 9 69
Pelton de 6 Jato 10 75
Francis Lenta 60 180
Francis Normal 180 260
Francis Rápida 260 350
Michel Banki 45 180
Deriaz 180 400
Axiais 260 1000
FONTE: Procedimentos Para Dimensionamento Básico de Micro e Minicentrais Hidrelétricas – CERPCH , 2008, p. 8.27)

Outro fator importante na escolha da turbina, diz respeito ao funcionamento com vazões mais
baixas, a vazão mínima operativa. Quando o equipamento é acionado e funciona com vazões baixas,
há a perda de rendimento, causa instabilidade e causa cavitação, diminuindo com isso a vida útil do
sistema. Abaixo, apresentam-se as expressões descritas no manual do CERPCH, as equações 30 e 31
são para o cálculo da vazão mínima operativa das turbinas Banki e Pelton.

𝑄𝑚𝑖𝑛 = 0,45. 𝑄𝑛𝑜𝑚 (29)


Vazão mínima operativa da turbina Banki

𝑄𝑚𝑖𝑛 = 0,25. 𝑄𝑛𝑜𝑚 (30)


Vazão mínima operativa da turbina Pelton

B) Acoplamento

A energia mecânica disponibilizada pela turbina deve ser conduzida de forma eficaz até o
gerador, que se faz pelo sistema de transmissão de energia mecânica, que também tem a função de
ajustar as rotações da turbina e do gerador, no ultimo caso, tem-se o multiplicador de velocidade, pois
quase sempre se faz necessário aumentar a rotação do eixo da turbina. O multiplicador de velocidade

46
é muito útil em micro centrais hidrelétricas pelo baixo custo relativo e facilidade na reposição de
peças e manutenção.

Figura 29 - Esquemas de acoplamento de Transmissão com correias em V

FONTE: Procedimentos Para Dimensionamento Básico de Micro e Minicentrais Hidrelétricas – CERPCH ,


2008, p. 8.38)

Tabela 12 - Características típicas das transmissões mecânicas e seus respectivos rendimentos.


Velocidade Max. relação de Rendimento
Tipo de transmissão máxima transmissão típico
m/s / %
Correias planas comuns 25 7 95 – 97
Correias planas especiais 50 10 95 – 98
Correias em v padrão 25 12 96
Correias em v alma de aço 50 12 96
Correntes 40 8 98
Redutor engrenagens paralelas 150 12 98
Redutor coroa e sem fim 20 100 75
FONTE: Procedimentos Para Dimensionamento Básico de Micro e Minicentrais Hidrelétricas – CERPCH , 2008, p. 8.36)

C) Geradores

O gerador é o responsável, no sistema gerador, por transformar a energia mecânica, fornecida


pela turbina, em energia elétrica. Quase toda a energia elétrica produzida no mundo, conforme o
manual do CERPCH (2008, p. 8.39), é gerada por geradores síncronos. SCHEIBER (1978, p. 195)
comenta que no Brasil, a energia elétrica nas redes de transmissão e distribuição é em corrente
alternada trifásica de 60 Hz (ciclos por segundo). Apesar dos aperfeiçoamentos nos projetos,
materiais e sistemas de resfriamento, a estrutura permanece basicamente a mesma de quando fora
concebida.
47
Os Grupos Geradores são como o coração das centrais hidrelétricas:
[...] pois respondem pelas transformações e qualidade das energias, pela estabilidade e
segurança operacional dos sistemas que conduzem e suportam as massas energéticas, além
de serem o ponto de partida para o dimensionamento das estruturas físicas da casa de
máquinas e os demais componentes utilizados na montagem e manutenção e operação
(SOUZA, 1999, p. 259).

Fisicamente o gerador é composto de uma parte fixa, estator e de uma parte rotativa, rotor. O
estator tem sua carcaça soldada, e apoia em seu interior o ferro ativo, composto por lâminas que levam
as ranhuras para as bobinas. O rotor é composto por um cubo com o eixo, que está diretamente
acoplado ao eixo da turbina e sustentado verticalmente pelo mancal de escora. Os pólos do rotor,
magnetizados pela corrente continua, passam pelas bobinas, induzindo uma corrente alternada.

Figura 30 - Desenho esquemático de um gerador síncrono mostrando suas partes componentes

FONTE: Procedimentos Para Dimensionamento Básico de Micro e Minicentrais Hidrelétricas – CERPCH ,


2008, p. 8.39)

Conforme o manual do CERPCH (2008, p. 8.39), a máquina síncrona possui uma estreita relação
entre sua velocidade de operação e a frequência da tensão gerada, relação essa que é dada pela
equação 32.
𝑓.60
𝑃= (31)
𝑛
Onde:
P – Número de pares de polos
f – frequência [Hz]
n – Rotações por minuto da turbina
Sá evidencia que com a mesma fórmula, conhecendo-se o numero de pares de pólos, pode-se
encontrar o número de rotações por minuto conforme demonstrado na equação 33.

𝑓.60
𝑛= (32)
𝑃

48
Conforme comenta Martignoni (1972, p.4), “[...] para uma determinada frequência o
alternador será tanto mais lento quanto maior for o número de pares de polos do seu sistema indutor”.
O número de pares de pólos do gerador é uma característica construtiva, e é definido no
momento do projeto e construção da máquina, só podendo ser alterado mediante
modificações nos enrolamentos da máquina. Isso posto, percebe-se pela equação anterior que
a freqüência da tensão gerada será proporcional à velocidade de rotação do gerador. Dessa
forma o gerador síncrono permite que a freqüência da tensão gerada seja ajustada em
qualquer valor desejado, dentro de sua faixa permissível, bastando para isso ajustar sua
velocidade de operação. Por outro lado, para que a freqüência da tensão gerada seja mantida
em um valor constante, que é o que se deseja, é preciso manter constante a velocidade de
acionamento, o que torna necessário o uso de reguladores de velocidade (CERPCH, 2008, P.
8.41).

A potência do gerador em kVA e em kW são dadas pelas equações 34 e 35 demonstradas


abaixo conforme expõe SÁ:

𝑊[𝑐𝑣].𝜂.0,736
𝑊= [𝑘𝑉𝐴] (33)
cos 𝜑

𝑊𝑘𝑊 = 𝑊𝑘𝑣𝑎. 𝑐𝑜𝑠𝜑 (34)

Onde:

W – Potência da turbina [CV]


𝜂 – Rendimento do gerador = 0,90
cos 𝜑 – Fator de potência = 0,80

Nos geradores, o número de pares de pólos é característica construtiva da máquina e é definido


na etapa de projeto. A equação 34 evidencia que a frequência da tensão gerada dependerá
proporcionalmente da velocidade de rotação do gerador. Assim, pode-se controlar a frequência da
tensão gerada, dentro de um determinado limite, controlando sua velocidade de rotação. A energia
gerada, vem de um campo magnético produzido no rotor, com os enrolamentos do estator. O sistema
de excitação é o responsável pela energia de produção do campo magnético. Em máquinas de baixa
potência, a excitação é provocada por transformadores.
Para a especificação do gerador a ser instalado, deve-se analisar alguns parâmetros, entre eles
estão: potência nominal, número de fases, forma de conexão, tensão nominal, aterramento, rotação
nominal e sistema de excitação.
A potência nominal do gerador será definida, como visto anteriormente, pela potência no eixo
da turbina, em kVA, levando-se em conta o rendimento, por conta das perdas, e seu fator de potência.
O rendimento e o fator de potência são dados pelas equações 36 e 37.
49
𝑃𝑒𝑙𝑒
𝜂𝐺 = (35)
𝑃𝑚𝑒𝑐

Onde:
𝜂𝐺 – Rendimento
𝑃𝑒𝑙𝑒 - potência elétrica ativa do gerador [kW]
𝑃𝑚𝑒𝑐 - potência mecânica da turbina [kVA]

𝑃𝑒𝑙𝑒
𝐶𝑜𝑠𝜑 = (36)
𝑆
Onde:
𝐶𝑜𝑠𝜑 – Fator de potência
Pele - potência elétrica ativa do gerador [kW]
S - potência elétrica aparente do gerador [kVA]
Conforme explica o manual do CERPCH (2008, p. 8.44), As máquinas síncronas possuem
rendimentos elevados, superiores a 90%. É comum especificar o fator de potência para máquinas de
micro centrais em 0,8.
Quanto ao número de fases, todos os geradores com potência acima de 5 kVA deverão ser
trifásicos. Os de menor potência podem ser monofásicos, pois barateiam os custos nas linhas de
distribuição e transformadores, porém, se houver na carga, motores de indução, deverá ser trifásico,
afim de permitir melhor desempenho.
Geradores trifásicos podem ser ligados em delta ou estrela. A conexão estrela permite um
ponto de neutro e duas tensões, entre fases e fase e neutro. Em micro e mini centrais hidrelétricas, as
conexões deverão ser em estrela, como afirma o manual do CERPCH (2008, p. 8.45).
A tensão nominal do gerador deve ser compatível com a tensão das cargas a serem
alimentadas. Caso não haja um transformador disponível, os geradores deverão ser especificados com
tensão nominal de 220 volts, conectados em estrela, fazendo com que seja disponível no sistema as
tensões de 127v fase - neutro e 220v fase – fase.
O aterramento do gerador, em conexão estrela, deverá ser feito de modo que o neutro esteja
diretamente ligado a haste de aterramento, aterramento sólido.
A rotação nominal do gerador será determinada pela rotação da turbina. Quando esta rotação
for menor que 1800 rpm, o gerador deverá ter acoplamento indireto, através de polias e correias que
adequarão sua velocidade. Em caso de rejeição de carga, conforme cita o manual do CERPCH (2008,
p. 8.45), o gerador trabalhando com potência nominal, a tendência é um aumento da velocidade de
rotação do conjunto, o que é a velocidade de disparo. No caso de turbinas para quedas abaixo de 20
metros, o gerador deverá suportar uma velocidade de disparo de 230%.
50
Os geradores com potência nominal de até 30 kW, poderão contar com auto regulação, opção
de excitação que, apesar de ser mais rudimentar, apresenta desempenho satisfatório e baixo custo.

D) Circuito e componentes

Os pequenos aproveitamentos, por conta da baixa potência, devem ser operados com o menor
custo possível para viabilizar o projeto. Os equipamentos devem se caracterizar pela operação simples
e pela robustez. Os instrumentos de medição e os dispositivos de controle são necessários para o
perfeito funcionamento e para orientar a operação da central.

51
Figura 31 - Diagrama trifilar típico da instalação dos componentes elétricos

FONTE: Manual De Microcentrais Hidrelétricas – ELETROBRÁS (1985 p. 245).

Amperímetro é o instrumento destinado a medir a intensidade de uma corrente elétrica.


Conforme Cavalcanti (1993, p. 209): “O amperímetro é um galvanômetro preparado para medir
correntes”. Visto que o galvanômetro não possui escala, e sua agulha deflete totalmente com correntes
de baixos valores, algumas características foram acrescentadas para que este pudesse ser usado em
aplicações elétricas. Usa-se ligar uma resistência em paralelo ao galvanômetro (chamado de resistor
“Shunt”), que desvia o excesso de corrente permitindo a medição de correntes de maiores
intensidades, além de aplicar-se um fundo com mostrador graduado para que, à deflexão da agulha,
52
possa-se ler o valor de corrente que flui no galvanômetro e, proporcionalmente, nos condutores do
circuito principal. (CAVALCANTI, 1993)

Os amperímetros analógicos mais comuns são os que utilizam galvanômetro do tipo bobina
móvel, onde uma bobina com fio fino é montada em um eixo móvel e colocada entre os pólos de um
ímã permanente fixo. Ao circular uma corrente na bobina o campo magnético formado interage com
o campo do ímã fixo, e faz com que a agulha do galvanômetro se mova. Quando este for montado
sobre uma escala graduada, seu movimento indicará a corrente que circula pelo circuito principal a
ser medido, proporcionalmente.

O voltímetro é o instrumento utilizado para se medir a diferença de potencial entre dois pontos
de um circuito elétrico. De extrema importância para se conhecer o tamanho desta grandeza que
determina, tanto a qualidade da energia gerada, como garante a segurança dos demais componentes
e equipamentos do sistema.

Segundo Cavalcanti (1993, p. 210), “o voltímetro mede tensão. É um galvanômetro ligado em


série com um resistor (resistência multiplicadora), de modo que a corrente máxima que produz a
deflexão do ponteiro do galvanômetro não é ultrapassada, quando o conjunto é utilizado para efetuar
uma medição de tensão”. Este instrumento é ligado em paralelo aos pontos dos quais se deseja
conhecer a d.d.p.

À exemplo dos amperímetros, os voltímetros com galvanômetro de bobina móvel também são
bastante comuns por sua robustez, precisão, e baixo custo. Seguem o mesmo princípio de
funcionamento, mas com ligação em paralelo ao ponto à ser medido, e com o uso das resistências
multiplicadoras que produzem à escala adequada para medição da tensão do sistema.

Frequencímetro, como o próprio nome diz, é o instrumento destinado a medir a frequência da


corrente elétrica de um dado circuito. Esta medição é importante para garantir à qualidade da energia
gerada, bem como o bom funcionamento das cargas e demais componentes do sistema. No Brasil
(assim como na maior parte do mundo), adota-se a frequência nominal de 60Hz em sua rede de
energia, desta forma uma pequena variação deste valor, pode causar a queda de eficiência de
equipamentos, e até mesmo danificá-los. Os frequencímetros podem ser digitais, ou analógicos.

Os frequencímetros eletrônicos digitais fazem uso de uma base de tempo precisa (um cristal
de quartzo) e circuitos contadores digitais para realizar a medição da frequência. São muito
utilizados em laboratórios de eletrônica e medição em campo.
Além dos frequencímetros digitais, existem os eletromecânicos, usados para medir a baixa
frequência da rede elétrica. (AGOSTINHO, 2016).

Os frequencímetro analógico contém uma bobina que aplica o campo alternado da tensão da
rede num conjunto de lâminas de metal, cada qual com um comprimento levemente diferente
da outra. Em consequência desta diferença de comprimento, cada lâmina estará ressonante
53
numa frequência, formando assim uma escala que é centralizada justamente em 60 Hz (ou
outra frequência central determinada). Desta forma, se o campo criado pela bobina estiver
em 60 Hz a lâmina correspondente vibrará com muito maior amplitude o que será visível
facilmente na escala.(BRAGA, 2014)

Chave de comutação, nada mais é do que uma chave seletora, cujos contatos são ligados entre
o circuito principal e o circuito a ser alimentado, no caso do voltímetro. Desta forma, através da
seleção escolhida, será medido o nível de tensão da fase correspondente.

Os fusíveis, segundo Mamede (2014, p. 309), “São dispositivos destinados à proteção dos
circuitos elétricos e que se fundem quando percorridos por uma corrente de valor superior aquela para
a qual foram projetados”. Tem como principal função é limitar correntes de curto circuito.

O capacitor, conforme comenta Johnson (1994, p. 134), “[...] é um dispositivo de dois


terminais constituído por dois corpos condutores separados por um material não condutor. Este
material não condutor é conhecido como isolador ou dielétrico.” Esse dielétrico impede a passagem
de corrente que precisa utilizar-se de um circuito externo.

Para raios, segundo Mamede (2014, p. 291), “É um equipamento destinado à proteção de


sobretensões provocadas por descargas atmosféricas ou por chaveamento na rede”.

Franchi (2008) define disjuntores como dispositivos de manobra e proteção, simultaneamente,


empregados para efetuar a proteção elétrica do circuito com a detecção de curto-circuitos,
sobrecorrentes, circuitos abertos e etc., e permitem comandar, por meio de abertura e fechamento
voluntário sob carga, seus respectivos circuitos. Com ação multipolar evitam a ação desequilibrada
em circuitos trifásicos, geralmente suas características de disparo podem ser ajustadas, permitem ser
operados repetitivamente, e em alguns casos de maneira remota. Na maioria dos casos seu mecanismo
de acionamento é termomagnético onde pequenas e moderadas corrente acionam o dispositivo
térmico e correntes de curto circuito disparam o mecanismo eletromagnético.

Transformadores de medida são equipamentos que trabalham com uma taxa dos valores reais,
afim de se obter as medições de forma economicamente mais viável. Segundo Mamede (2011, p. 54),
“Transformadores de medida são equipamentos que permitem aos instrumentos de medição e
proteção funcionar adequadamente sem que seja necessário possuírem correntes e tensões nominais
de acordo com a corrente de carga e a tensão do circuito principal.”

Define-se ainda, os transformadores de corrente como:

“[...] os transformadores de corrente, TCs, operam com tensão variável, dependente da


corrente primária e da carga ligada no seu secundário [...], possuem um primário geralmente
de poucas espiras, e no secundário, a corrente nominal transformada, por meio do fenômeno

54
de conversão eletromagnética, atinge baixos valores, geralmente igual a 5A” (MAMEDE
2011, p. 54).

Desta forma é possível ligar os instrumentos de medição e proteção, em especial o


amperímetro, sem que haja risco de avaria ao galvanômetro ou circuito eletrônico destes.

Os transformadores de potencial, segundo Mamede (2011, p. 55), “É um equipamento capaz


de reduzir a tensão do circuito para níveis compatíveis com a tensão máxima suportável pelos
aparelhos de medida”. A tensão no primário é função do sistema elétrico em que está ligado, no
secundário, verifica-se um padrão, 115v. Podem ser ligados entre fases, fase e neutro ou fase e terra.

O comutador ou chave de comutação, nada mais é do que uma chave seletora, cujos contatos
são ligados entre o circuito principal e o circuito a ser alimentado, no caso do voltímetro. Desta forma,
através da seleção escolhida, será medido o nível de tensão da fase correspondente.

Também chamado de Controle Primário de Tensão, esse regulador atua no controle do


gerador. De acordo com Almeida (2004, p.55) os Reguladores Automático de Tensão (RAT)

[...]tentam manter a tensão terminal do gerador igual ao valor de referência definido pelos
operadores do sistema ou por controladores de nível mais elevado. Um RAT atua na excitatriz
de uma máquina síncrona, a qual fornece tensão e conseqüentemente corrente aos
enrolamentos de campo da máquina, podendo assim controlar a tensão terminal da mesma.

Os geradores síncronos atuais têm seus campos excitados por retificadores ou anéis coletores
acoplados ao seu próprio eixo que efetuam o controle de tensão. Este sistema utiliza pontes de
tiristores controlados (SCRs ou IGBTs) conectadas ao estator por um trafo abaixador. Este sistema
de controle compara a tensão do estator com sua referência e atua no ângulo de disparo dos tiristores,
alterando a tensão do campo do gerador.

O quadro de comando é o local onde são instalados os instrumentos de medição e dispositivos


de controle necessários para a operação do gerador.

Figura 32 - Modelo esquemático do quadro de comando, referente ao diagrama trifilar, figura X

FONTE: Manual De Micro centrais Hidrelétricas – ELETROBRÁS (1985, p. 246)

55
3 DESENVOLVIMENTO

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3.1 ÁREAS DE ESTUDO

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3.1.1 A cidade de Santa Rita de Jacutinga

Santa Rita de Jacutinga é um município brasileiro no interior do estado de Minas


Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se ao sul da capital do estado Belo Horizonte, distante 379
km, do Rio de Janeiro, 204 km, de São Paulo 345 km e de Volta Redonda 54,9km, na mesorregião
da Zona da Mata, 22° 08' 56" S 44° 05' 42" O. O município possui área de área de 437,555 km² e
uma população de população de 4 976 habitantes. Sua economia gira em torno de serviços,
agricultura e pecuária.

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3.1.2 A fazenda Santa Cruz

A fazenda fica localizada a 5,3 km do centro da cidade, conta com 2 residências, principal de
colono. Produz atualmente leite e madeira. Com recurso hídrico abundante, o que fez levantar-se a
hipótese de produzir energia para o consumo.

Figura 33: Mapa Santa Rita de Jacutinga x Fazenda Santa Cruz

Fonte: Google Earth, 2017.

56
3.2 PROJETO

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O local escolhido para a implantação da usina fica a 95,7 metros de distância do local de
captação da água na barragem e se justifica pela altura da queda produzida, interferindo diretamente
na potência gerada pela usina, bem como o custo x benefício do projeto, como indicado na imagem
extraída do Google Earth Pro.

Figura 34: Fazenda Santa Cruz (Canal de adução)

Fonte: Google Earth, 2017.

A fazenda já conta com abastecimento de energia elétrica da concessionária CEMIG, no


sistema padrão de fornecimento rural. O ponto de chegada do sistema é em sistema monofásico (F-
N), com tensão de 7.967 volts. Há um transformador em que o secundário fornece 3 saídas, 1 neutro e
2 fases, tendo tensões: F-F 220v, F-N 110v.

O projeto em questão visa atendimento da demanda, da casa principal que conta com 4
quartos, sala, cozinha, banheiro e varanda. Há ainda a parte de iluminação externa e do canil. Pode-
se ver abaixo a lista de equipamentos com consumo elétrico na residência.

57
Tabela 13: Demanda de consumo Fazenda Sta. Cruz
Equipamento Quantidade Potência Consumo mensal kWh/mês
Aspirador de Pó 1 600w 2,4
Carregador de Celular 4 15w 0,96
Ferro de Passar 1 1000w 4
Freezer 1 170w 16,32
Geladeira 1 190w 136.8
Lâmpadas de Led 16 60w 230,4
Liquidificador 1 300w 0,025
Aparelho de Som 1 15w 0,24
Tanquinho 1 270w 4,32
Televisão 1 160w 4,8
Ventilador 5 80w 25,6
Batedeira 1 180w 0,18
TOTAL - - 426 kwh / mês
Fonte: Autoria Própria

No córrego que corta a propriedade há uma barragem de concreto com as dimensões de 0,5
metros de largura, 8 metros de comprimento e 3,5 metros de altura que servirá para manter estável a
vazão. A tomada d’água possui 4 metros de comprimento e 1 metro de largura. Possui uma divisão,
a primeira, com uma comporta para o fechamento da água que vem da represa com 3 metros de
comprimento para acumulo de detritos que passam pela primeira grade e a segunda caixa com 1 metro
de comprimento que fornece a água aos canos que por sua vez, transfere água ao sistema de adução,
onde há uma segunda grade.

Figura 35: Vista superior da barragem

Fonte: Autoria Própria


58
Figura 36: Imagem frontal da barragem.

Fonte: Autoria Própria

3.2.1 Cálculos

O método escolhido para medir a vazão foi o método volumétrico pois a saída da captação da
água da barragem para a hidrelétrica é construída com três canos de 250mm de diâmetro, portanto o
método mais adequado. Foi utilizado um recipiente de 100 litros, que corresponde a 0,1 m³, e o
cronômetro do celular. Executou-se 6 medidas de tempo, descartando-se a de maior e de menor
tempo, fazendo a média, obteve-se o tempo. Depois, aplicando a fórmula, chegamos a vazão em litros
por segundo. Dividindo-se o resultado por 1000, chega-se ao valor da vazão em m³/s.

Os tempos medidos foram:

Tabela 14: Medição para cálculo de vazão


Medida Tempo
t1 1 segundo e 03 centésimos
t2 0 segundo e 98 centésimos
t3 0 segundo e 96 centésimos
t4 1 segundo e 02 centésimos
t5 0 segundo e 97 centésimos
t6 1 segundo e 04 centésimos
Fonte: Autoria Própria

59
Calculando a média, chega-se ao tempo de 1 segundo e 94 centésimos. Aplicando o tempo,
na fórmula, com o volume do recipiente conhecido, chega-se a vazão.

𝑡1+𝑡2+𝑡4+𝑡5 1,03+0,98+1,02+0,97
𝑇= = = 1 𝑠𝑒𝑔𝑢𝑛𝑑𝑜 (37)
4 4

𝑉 0,1𝑚³
𝑄= = = 0,1𝑚³/𝑠 (38)
𝑇 1𝑠

Sugiro melhorar a frase abaixo para dar um melhor sentido na explicação

Encontra-se o valor da altura da queda. Neste trabalho, optou-se por utilizar a ferramenta
Google Earth Pro, que nos forneceu uma queda de 9 metros. O comprimento do canal de adução será
de 90m, da saída da tomada d’agua até a câmara de carga.

Figura 37: Altura da Queda

Fonte: Google Earth, 2017.

Com os valores da vazão e da altura, podemos calcular o valor da potência hidráulica, dada
abaixo.

𝑃ℎ = 𝑄. 𝑔. ℎ = 0,1. 9,81.9 = 8,83𝑘𝑊 (39)

O sistema adutor empregado no projeto será o de concreto com perfil retangular, por ser a
opção viável ao projeto. Iniciam-se os cálculos do canal, encontrando a área da seção molhada no
60
canal onde, pela fórmula abaixo, utilizando a velocidade aconselhada para canais com revestimentos
1,2 m/s, obtemos:

𝑄 0,1 𝑚3 /𝑠
𝑆= = = 0,0833𝑚2 ≅ 0,09𝑚² (40)
𝑉 1,20 𝑚/𝑠

Adotando-se, para um canal de melhor custo benefício: b = 2.h, temos:

𝑆 0,09
ℎ = √2 = √ = 0,21𝑚 ≅ 0,25𝑚 (41)
2

𝑏 = 2 . ℎ = 2 . 0,25𝑚 = 0,5𝑚 (42)

Figura 38: Vista frontal e vista superior do canal

Fonte: Autoria Própria

Para a área da seção total do canal, adota-se uma altura maior do que a da passagem da água.
No projeto, adotaremos uma altura de 0,35 m. Encontrados os valores da base e da altura do canal,
podemos definir a velocidade real da água no canal e o máximo perímetro molhado no canal.

𝑄 0,1
𝑉= = = 0,8 𝑚/𝑠 (43)
𝑆 0,5 . 0,25

61
𝑃 = 2 . ℎ + 𝑏 = 2 . 0,25 + 0,5 = 1𝑚 (44)

A declividade do canal se dá através da expressão de Bazin. O valor do coeficiente de


rugosidade, segundo tabela é de 0,017 para alvenaria ordinária.

𝑆 0,09
𝑅= = = 0,09 (45)
𝑃 1

87 87
𝐶= 𝑌 = 0,017 = 82,33 (46)
1+ 1+
√𝑅 √0,09

𝑉² 0,8²
𝐼= = = 0,001 𝑚/𝑚 𝑜𝑢 1 𝑚/𝑘𝑚 (47)
𝐶 2. 𝑅 82,332 . 0,09

𝐼𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝐿 . 𝐼 = 96 . 0,001 = 0,096𝑚 ≅ 0,1𝑚 (48)

O canal de adução deve possuir um extravasor lateral, para aliviar possível aumento da vazão.
Como dito anteriormente, deve próximo a câmara de carga, que será calculada a seguir. O
comprimento do extravasor do canal será calculado com a equação abaixo.

𝑄 0,1
𝐿=2 = = 1,13𝑚 ≅ 1,15𝑚 (49)
.𝜇.ℎ.√2.𝑔.ℎ 0,63 .0,15 .√2 . 9,81 . 0,15
3

Figura 39: Extravasor lateral

Fonte: Autoria Própria

62
A área da câmara de carga é calculada, observando-se que a velocidade da água seja 1/3 da
velocidade da água do canal de adução. Calculou-se anteriormente a velocidade no canal com 0,8
m/s, portanto:

𝑉𝑐𝑎𝑛𝑎𝑙 0,8
𝑉𝑐𝑥 = = = 0,27𝑚/𝑠 ≅ 0,3𝑚/𝑠 (50)
3 3

A seção média da câmara de carga é dada pela equação abaixo:

𝑄 0,1
𝑆𝑚 = = = 0,33 𝑚2 ≅ 0,3𝑚² (51)
𝑉𝑐𝑥 0,3

O extravasor da câmara de carga deve ter o mesmo comprimento do extravasor do canal de


adução, calculado anteriormente em 1,15 m, para controlar o excesso de vazão quando fecha-se a
tubulação para possíveis manutenções. Considera-se a caixa com comprimento de 2,15 m, para alocar
a comporta de descarga de areia e sedimentos, com 0,5m neste projeto. O piso da câmara, deve ter
inclinação de 10% para acúmulo de sedimentos no sentido longitudinal. Assim encontramos a altura
média da câmara pela equação:

ℎ𝑚 = ℎ𝑣 + (ℎ𝑣. 0.1) + ℎ = 0,10 + (0,10 . 0,1) + 0,25 = 0,36 𝑚 (52)

De posse desse dado, encontra-se a largura da câmara.

𝑠𝑚 0,3
𝑏= = = 0,83 𝑚 ≅ 0,9 𝑚 (53)
ℎ𝑚 0,36

63
Figura 40: Câmara de carga

Fonte: Autoria Própria

O cálculo do diâmetro interno da tubulação é dado pela fórmula abaixo, com comprimento de
25m. Consideramos k como material liso (c/ resina ou pvc).

𝐿0,204 1,9283
𝐷 = 𝑘. 𝑄0,388 . = 63,38 . 0,4093 . = 31,95𝑐𝑚 ≅ 350 𝑚𝑚 (54)
𝐻 0,204 1,5655

Neste projeto, optamos por utilizar a tubulação de 350mm pois é o diâmetro comercial acima
do valor encontrado. Calcula-se a velocidade da água dentro da tubulação.

4 .𝑄 4 . 0,1
𝑉= = = 1,04 𝑚/𝑠 (55)
3,1416 .𝐷² 3,14 . 0,35²

Tendo em mãos a velocidade, calcula-se a perda na tubulação forçada.

𝐿 𝑣² 25 1,04²
ℎ𝑝 = 410 . 𝑘𝑎 . . = 410 . 0,32 . . = 20,09 𝑚𝑚 ≅ 0,02 𝑚
𝐻 2. 𝑔 9 2 . 9,81

Calcula-se a altura do golpe de aríete, para em seguida a espessura mínima externa da


tubulação.

3 𝐿. 𝑉 3 25 . 1,04
ℎ0 = . = . = 0,99 𝑚
2 𝑔. 𝑡 2 9,81 . 4

64
0,10. (H + H0). D 0,10 . (9 + 0,99) . 0,35𝑚
e= + 0,002 = + 0,002 = 0,00217𝑚 ≅ 2𝑚𝑚
2. σ 2 . 1000

Conhecido o valor da perda na tubulação, calcula-se o valor da queda líquida pela equação
abaixo:

𝐻𝑙𝑖𝑞 = 𝐻 − 𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 = 9 − 0,02𝑚 = 8,98𝑚

Com o valor da queda líquida, encontra-se a potência instalada da usina.

𝛾 . 𝑄 . 𝐻𝑙𝑖𝑞 1000 . 0,1 . 8,98


𝑊= .𝜂 = = 10,17 𝐶𝑉
75 75

Consultando o gráfico a escolha da turbina que melhor se adequa ao projeto é a turbina de


fluxo cruzado, Banki, com rotação específica de 40 a 200 rpm, quedas entre 3 e 100 metros e vazões
de 0,02 a 2 m³/s. A vazão operativa mínima no caso da turbina Banki é dada pela expressão abaixo.

𝑄𝑚𝑖𝑛 = 0,45 . 𝑄𝑛𝑜𝑚 = 0,45 . 0,1 = 0,045 𝑚3 /𝑠

A vazão mínima, fornecerá uma potência de 5,88 CV.

Para a escolha do gerador que melhor se adequa ao caso exposto, aplicamos primeiramente a
fórmula para encontrar a potência nominal em kVA e kW.

𝑊𝑐𝑣 . 𝜂 . 0,736 10,17 . 0,90 . 0,736


𝑊 𝑘𝑉𝐴 = = = 8,42 𝑘𝑉𝐴
cos 𝜑 0,8

𝑊 𝑘𝑊 = 𝑊 𝑘𝑣𝑎 . cos 𝜑 = 8,42 . 0,8 = 6,73 𝑘𝑊

Com a potência nominal de 8,42 kVA, define-se que o gerador será trifásico, com ligação em
estrela, tensão nominal de 220v, possibilitando obter-se tensão fase – fase 220v e fase – neutro com
127v. O aterramento será sólido, com ligação do neutro diretamente à haste de aterramento. Em
65
pesquisa de mercado, encontraram-se dois geradores, e posteriormente escolhido, por motivo de
custo, o Toyama, TA10CT2 com 1800 rpm auto excitado e autorregulado.

Figura 41: Alternador TOYAMA TA10CT2

Fonte: TOYAMA, Ficha Técnica, 2016.

Diminuir um espaço

Consideramos para o projeto uma turbina Banki de 200 rpm, portanto o gerador será acoplado
a turbina indiretamente, por sistema de polias afim de se atingir a rotação nominal de funcionamento
do gerador que é de 1800 rpm. Serão ligadas por correias em V com alma de aço, tendo 96 % de
rendimento. As polias da turbina e do gerador terão o diâmetros de com 1,5 m e 0,160 m ou 16 cm,
encontrados aplicando-se a fórmula abaixo.

𝑁1 𝐷2 200 𝑥
= = = = 160
𝑁2 𝐷1 1875 1500

Figura 42: Polias de Transmissão

Fonte: Autoria Própria

66
3.2.2 REGULAÇÃO DE FREQUÊNCIA

Conforme citado, o gerador/alternador a ser utilizado é auto excitado/autorregulado. Desta


forma a regulação de voltagem é realizada pelo próprio gerador, que dispõe de componentes internos
que realizam sua excitação e consequente regulação. Entretanto sabe-se que, ao aumentar a carga, e
a excitação do gerador como consequência, o torque exigido para se manter a rotação do conjunto
aumenta, e caso o componente motriz do sistema, a turbina, não disponha de tal torque, a rotação irá
diminuir, diminuindo a frequência de saída do gerador, consequentemente. Para evitar que isto
aconteça, é que se faz necessário um regulador de frequência, que atuará aumentando a vazão de água
para a turbina, aumentando o torque disponível e sua velocidade.

Figura 43: Regulador Centrífugo

Fonte: Autoria Própria

A Figura 44 o diagrama esquemático do circuito de geração. Com os valores já calculados do


projeto, passa-se ao dimensionamento dos dispositivos elétricos do circuito, que serão listados a
seguir.

67
Figura 44: Diagrama elétrico

Fonte: Autoria Própria

O gerador escolhido já conta com voltímetro e disjuntor.

-3 amperímetros para a medição da corrente do gerador, próprios para a ligação à


transformadores de corrente com escala de 0 – 50A / 5A;

-3 transformadores de corrente com relação de 50A / 5A e tensão de serviço de 220 volts;

-1 relé supervisor de rede trifásica, 220V, com operação por falta de fase, falta de
sincronismo, desequilíbrio de fase e sub ou sobretensão e saída auxiliar;
68
-2 relés de supervisão de frequência, com ajuste de limite superior e inferior e saída auxiliar;

-Chave seccionadora porta fusíveis;

-Chave contatora para manobras;

-Botoeira de emergência para desligar, instantaneamente, o circuito do gerador em caso de


perigo.

-Botoeira para religar o circuitor do gerador.

Os componentes serão montados em um painel de controle, devidamente abrigado do calor,


poeira, umidade e demais agentes nocivos ao seu funcionamento.

3.3 DIMENSIONAMENTO DE COMPONENTES

3.3.1 CORRENTE DE OPERAÇÃO

Para o devido dimensionamento dos componentes o primeiro passo deve ser o cálculo da
corrente nominal de operação 𝐼𝑎 , que irá nortear as pesquisas para se encontrar os componentes ideais,
levando-se em conta a segurança, a durabilidade, confiabilidade e robustez, e o custo benefício do
equipamentos a serem instalados.

𝑆𝑎 10𝜅
𝐼𝑎 = = = 36,5𝐴 (𝑎𝑝𝑟𝑜𝑥. )
𝑉𝑎 × cos 𝜑 × 𝜂 × √3 220 × 0,8 × 0,9 × √3

Todavia, adicionou-se 10% como margem de segurança para possível sobrecargas e margem
de atuação dos sistemas de proteção. O que nos fornece uma corrente máxima de trabalho de 40,15𝐴.

3.3.2 CABOS ELÉTRICOS

Com base na Tabela 16 com o uso de eletroduto, ou eletrocalha, aparente, será necessário o
uso de cabos condutores isolados de 10mm² de seção transversal, 750V de capacidade de isolação e
revestimento antichamas. Com base na confiabilidade da marca e bom custo-benefício, optamos pelo
Cabo Superastic da fabricante Prysmian. Para o sistema de controle utilizar-se-á cabos de 2,5mm² de
mesma marca e modelo.

69
Tabela 15: Capacidade de condução de corrente de cabos elétricos

Fonte: Tabela Prysmian de Baixa Tensão. Disponível em: < http://br.prysmiangroup.com/br/files/


dimensionamento _ bt.pdf> Acesso em jan. 2017.

3.3.3 TRANSFORMADOR DE CORRENTE

Com base na corrente nominal calculada pode-se especificar o TC (transformador de corrente)


utilizado para os instrumentos de medição e proteção do sistema. Em função de seu baixo custo,
elevada robustez e boa linearidade, foi selecionado o TC 50A/5A M.E.S-30 da JNG. Do tipo janela
fixa faz-se necessário que o circuito seja interrompido para sua instalação.

70
Figura 45: Transformador de corrente tipo janela

Fonte: http://www.eletricajmt.com.br/product.php?id_product=240

3.3.4 AMPERÍMETRO

Optou-se por utilizar amperímetros digitais (um por fase) com saída à relé que, ligado à saída
do TC, além de exibir a corrente que circula pelo condutor, têm uma saída digital chaveada que servirá
como proteção para os casos de sobrecorrente. O modelo escolhido foi o GLMA da DigiMec, que
conta com memória de programação e faixas de valores ajustáveis, além de 2 saídas para alarme e a
possibilidade de retransmissão de sinal com saída analógia de 4 a 20mA.

Figura 46: Amperímetro Digital

Fonte: http://www.digimec.com.br/produtos/381/amperimetros-microprocessados-com-alarme

3.3.5 CHAVE SECCIONADORA FUSÍVEL

Escolheu-se a chave seccionadora-fusível Siemens 3NP40 10-0CH01, por sua confiabilidade


e robustez. A mesma suporta fusíveis do tipo NH de até 100A e tem tensão de trabalho de até 690V.
Os fusíveis indicados pelo fabricante para a aplicação em estudo são do modelo 3NA3 820, com
atuação retardada e 50A de corrente nominal.

71
3.3.6 SUPERVISOR DE REDE TRIFÁSICA (MPST-1)

Para monitoramento e proteção da rede selecionou este relé de supervisão da fabricante


DigiMec pela versatilidade e simplicidade de operação e instalação. O mesmo protege o sistema
contra:

 Falta de fase.
 Desequilíbrio entre fases.
 Sequência de fase.
 Sub ou sobretensão

Com saída chaveada que deverá ser ligada no circuito de acionamento do contator K1,
desenergizando-o em caso de falha, desligando assim o circuito de potência do gerador. Conta ainda
com regulagem de sub e sobretensão, e retardo no ligamento e desligamento.

Figura 47: Supervisor de Rede Trifásica

Fonte: http://www.digimec.com.br/produtos/952/supervisores-de-redes-trifasicas

3.3.7 SUPERVISOR DE FREQUÊNCIA DE REDE (DPO-1)

O DPO-1 da DigiMec foi o dispositivo escolhido para supervisionar e proteger o sistema


contra oscilações na frequência da rede. Com ajustes de limite superior e inferior, sua saída chaveada
atua caso algum destes limites seja ultrapassado, desenergizando assim a bobina da chave contatora
K1, e desligando o fornecimento de energia.

72
Figura 48: Supervisor de Frequência de Rede (DPO-1)

Fonte: http://www.digimec.com.br/produtos/832/supervisor-de-frequencia-de-rede

3.3.8 CONTATOR

Selecionou-se o contator trifásico 220V 50A SIEMENS modelo 3RT10 36-1AN10, por sua
confiabilidade e robustez. Será o principal responsável por manobras de ligamento e desligamento do
sistema gerador de potência, tanto em situações de manutenções, como em caso de falha.

Figura 49: Contator de Potência

Fonte: http://www.lojaeletrica.com.br/contator-50a-220v-3rt10-36-1an10-siemens,product,2200303320128,dept,0. aspx

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