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CRIME ORGANIZADO APRESENTAÇÃO 6 1. INTRODUÇÃO 7 2. EVOLUÇÃO LEGISLATIVA 7 LEI 9.034/95 7

CRIME ORGANIZADO

APRESENTAÇÃO

6

1. INTRODUÇÃO

7

2. EVOLUÇÃO LEGISLATIVA

7

LEI 9.034/957

7

NO PLANO INTERNACIONAL: CONVENÇÃO DE PALERMO8

8

LEI 12.694/20129

9

LEI 12.850/20139

9

2.4.1.

Juízos colegiados instalados antes da vigência da LCO

10

3. COMPARATIVO DOS CONCEITOS LEGAIS

10

4. SÍNTESE DA LEI 12.694/2012

12

5. INSTITUTO DO “JUIZ SEM ROSTO”

15

JUIZ SEM ROSTO NA COLÔMBIA15

15

JUIZ SEM ROSTO NO PERU16

16

JUIZ SEM ROSTONA LEI 12.694/2012 17

NA LEI 12.694/2012

17

6. APLICAÇÃO EXTENSIVA DA LEI DO CRIME ORGANIZADO (LCO)

19

7. CRIME ORGANIZADO POR NATUREZA

20

CRIME DE CONCURSO NECESSÁRIO21

21

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS ESTRUTURALMENTE ORDENADAPOR NATUREZA 20 CRIME DE CONCURSO NECESSÁRIO 21 21 PRESENÇA DE SERVIDOR PÚBLICO 22 ASSOCIAÇÃO DE

21

PRESENÇA DE SERVIDOR PÚBLICO22

22

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS CARACTERIZADA PELA DIVISÃO DE TAREFAS

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS CARACTERIZADA PELA DIVISÃO DE TAREFAS

22

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS AINDA QUE INFORMALMENTE

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS AINDA QUE INFORMALMENTE

22

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS COM O OBJETIVO DE OBTER, DIRETA OU INDIRETAMENTE, VANTAGEM DE QUALQUER NATUREZA

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS COM O OBJETIVO DE OBTER, DIRETA OU INDIRETAMENTE, VANTAGEM DE

23

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS MEDIANTE A PRÁTICA DE INFRAÇÕES PENAIS

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS MEDIANTE A PRÁTICA DE INFRAÇÕES PENAIS

23

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS MEDIANTE A PRÁTICA DE INFRAÇÕES PENAIS QUE SEJAM DE CARÁTER TRANSNACIONAL

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS MEDIANTE A PRÁTICA DE INFRAÇÕES PENAIS QUE SEJAM DE CARÁTER

23

8. OBJETO JURÍDICO E NÚCLEOS DO TIPO DO ART. 2º, CAPUT, DA LCO

23

RETROATIVIDADE E IRRETROATIVIDADE

RETROATIVIDADE E IRRETROATIVIDADE

24

9. SUJEITOS ATIVO E PASSIVO

24

10. ELEMENTO SUBJETIVO

24

11. CONSUMAÇÃO

25

12. MAIS DE UMA DENÚNCIA CONTRA A MESMA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

25

13. TENTATIVA

26

14. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES

26

TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO PELO DOMÍNIO SOCIAL27

27

DIFERENÇA DA TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO PELO DOMÍNIO SOCIAL (T.D.F. –

PABLO RODRIGO ALFLEN) E DA T.D.F. (CLAUS ROXIN) NA FORMA DOS APARATOS ORGANIZADOS DE PODER

27

15.

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA

27

ARMA DE FOGO27

27

PARTICIPAÇÃO DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE (I)28

28

AGENTE FUNCIONÁRIO PÚBLICO29

29

DESTINAÇÃO DO PRODUTO DO CRIME AO EXTERIOR29

29

CONEXÃO COM OUTRAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS29

29

TRANSNACIONALIDADE29

29

CONEXÃO COM OUTRAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS 29 TRANSNACIONALIDADE 29 CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 1
CONEXÃO COM OUTRAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS 29 TRANSNACIONALIDADE 29 CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 1
16. AFASTAMENTO CAUTELAR 30 AFASTAMENTO DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO 30 AFASTAMENTO DE DETENTORES DE MANDATO

16.

AFASTAMENTO CAUTELAR

30

AFASTAMENTO DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO30

30

AFASTAMENTO DE DETENTORES DE MANDATO ELETIVO30

30

17.

EFEITOS DA CONDENAÇÃO

32

LIMITES DOS EFEITOS32

32

SERVIDOR APOSENTADO33

33

MANDATO ELETIVO DE DEPUTADOS FEDERAIS E SENADORES33

33

18. INVESTIGAÇÃO EM CASO DE PARTICIPAÇÃO DE POLICIAL

35

19. IMPEDIMENTO OU EMBARAÇAMENTO À PERSECUÇÃO PENAL (OBSTRUÇÃO À

JUSTIÇA)

36

NÚCLEO DO TIPO36

36

SUJEITOS DO CRIME37

37

ELEMENTO SUBJETIVO37

37

CONSUMAÇÃO37

37

TENTATIVA37

37

20.

CRIMES OCORRIDOS NA INVESTIGAÇÃO E NA OBTENÇÃO DE PROVA

38

CARACTERÍSTICAS COMUNS 38

CARACTERÍSTICAS COMUNS

38

20.1.1. Finalidade

38

20.1.2. Bem jurídico

38

20.1.3. Ação penal

38

20.1.4. Procedimento

38

20.1.5. Prazo para encerramento da instrução

38

20.1.6. Elemento subjetivo

38

IDENTIFICAÇÃO CLANDESTINA DE COLABORADOR (ART. 18 DA LCO) 38

IDENTIFICAÇÃO CLANDESTINA DE COLABORADOR (ART. 18 DA LCO)

38

20.2.1. Núcleos

39

20.2.2. Sujeito ativo

39

20.2.3. Sujeito passivo

40

20.2.4. Elemento subjetivo

40

20.2.5. Consumação

40

COLABORAÇÃO CALUNIOSA OU INVERÍDICA (ART. 19) 40

COLABORAÇÃO CALUNIOSA OU INVERÍDICA (ART. 19)

40

20.3.1. Sujeito ativo

40

20.3.2. Sujeito passivo

40

20.3.3. Elemento subjetivo

41

20.3.4. Núcleos

41

20.3.5. Consumação

41

VIOLAÇÃO DE SIGILO DAS INVESTIGAÇÕES (ART. 20) 41

VIOLAÇÃO DE SIGILO DAS INVESTIGAÇÕES (ART. 20)

41

20.4.1. Núcleo

42

20.4.2. Sujeito ativo

42

20.4.3. Consumação

42

20.4.4. Tentativa

42

SONEGAÇÃO DE INFORMAÇÕES REQUISITADAS (ART. 21) 43

SONEGAÇÃO DE INFORMAÇÕES REQUISITADAS (ART. 21)

43

20.5.1. Objetivo

43

20.5.2. Núcleos

44

20.5.3. Confrontos

44

20.5.4. Sujeito ativo

44

20.5.5. Sujeito passivo

45

20.5.6. Elemento subjetivo

45

20.5.7. Consumação

45

passivo 45 20.5.6. Elemento subjetivo 45 20.5.7. Consumação 45 CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 2
passivo 45 20.5.6. Elemento subjetivo 45 20.5.7. Consumação 45 CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 2
20.5.8. Tentativa 45 20.5.9. Infração Penal de Menor Potencial Ofensivo (IMPO) 45 DIVULGAÇÃO INDEVIDA DE

20.5.8. Tentativa

45

20.5.9. Infração Penal de Menor Potencial Ofensivo (IMPO)

45

DIVULGAÇÃO INDEVIDA DE DADOS CADASTRAIS

DIVULGAÇÃO INDEVIDA DE DADOS CADASTRAIS

45

20.6.1. Sujeito ativo

46

20.6.2. Elemento subjetivo

46

20.6.3. Consumação

46

20.6.4. Tentativa

46

20.6.5. IMPO

46

DA INVESTIGAÇÃO E DOS MEIOS ESPECIAIS DE OBTENÇÃO DE PROVAS

47

2. TÉCNICAS ESPECIAIS DE INVESTIGAÇÃO

47

3. PARTICIPAÇÃO DO JUIZ NA 1ª FASE DA PERSECUÇÃO PENAL

48

4. POLÍTICAS DE PREVENÇÃO À CORRUPÇÃO E À CRIMINALIDADE ORGANIZADA

49

COMPLIANCE49

49

WHISTLEBLOWER50

50

4.2.1. Whistleblower X colaborador

50

4.2.2. Whistleblower X Compliance Officer

50

5. COLABORAÇÃO PREMIADA

50

INTRODUÇÃO50

50

CONCEITO E DEMONINAÇÕES51

51

VISÃO CRÍTICA52

52

5.3.1. Contras

52

5.3.2. Prós

52

NATUREZA JURÍDICA DO ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA53

53

PREVISÃO LEGAL53

53

PRÊMIOS LEGAIS55

55

5.6.1. Cumulação de prêmios

55

5.6.2. Prêmios não previstos em lei

56

5.6.3. Colaboração de preso cautelar

56

PERDÃO JUDICIAL

PERDÃO JUDICIAL

56

5.7.1. Natureza jurídica

56

5.7.2. Primariedade é requisito?

56

5.7.3. Disciplinamento na LCO

57

5.7.4. Correta interpretação do dispositivo

57

5.7.5. Previsão final do artigo 28 do CPP

57

LEGITIMIDADE DO DELEGADO DE POLÍCIA PARA REALIZAÇÃO DO ACORDO

LEGITIMIDADE DO DELEGADO DE POLÍCIA PARA REALIZAÇÃO DO ACORDO

58

LEGITIMIDADE DO ASSISTENTE DA ACUSAÇÃO

59

EFEITOS DA COLABORAÇÃO PREMIADA

59

5.10.1. Menor possibilidade de redução

60

5.10.2. Minorantes em conjunto

60

MOMENTO DA COLABORAÇÃO PREMIADA60

60

PROGRESSÃO DE REGIME60

60

BOM COMPORTAMENTO CARCERÁRIO61

61

SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE PELA RESTRITIVA DE DIREITOS

SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE PELA RESTRITIVA DE DIREITOS

61

NÃO OFERECIMENTO DA DENÚNCIA61

61

DIFERENÇAS DE ACORDOS62

62

PRESSUPOSTO FUNDAMENTAL PARA O PRÊMIO62

62

5.17.1.

Formalização escrita do acordo

62

PARA O PRÊMIO 62 5.17.1. Formalização escrita do acordo 62 CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 3
PARA O PRÊMIO 62 5.17.1. Formalização escrita do acordo 62 CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 3
5.17.2. Colaboração unilateral 62 5.17.3. Pedido de homologação 63 5.17.4. Colaboração efetiva e

5.17.2. Colaboração unilateral

62

5.17.3. Pedido de homologação

63

5.17.4. Colaboração efetiva e voluntária

64

5.17.5. Observância das circunstâncias objetivas e subjetivas

64

5.17.6. Eficácia objetiva da colaboração e vinculação judicial

64

5.17.7. Colaboração premiada (queen for a day/proffer session)

65

5.17.8. Homologação recusada e adequação judicial da proposta

65

5.17.9. Adequação do juiz a proposta

66

RESCISÃO, ANULABILIDADE E RETRATAÇÃO

RESCISÃO, ANULABILIDADE E RETRATAÇÃO

66

RENÚNCIA AO DIREITO AO SILÊNCIO E COMPROMISSO LEGAL DE DIZER A VERDADE

RENÚNCIA AO DIREITO AO SILÊNCIO E COMPROMISSO LEGAL DE DIZER A VERDADE

67

REGRA DA CORROBORAÇÃO X CORROBORAÇÃO RECÍPROCA/CRUZADA67

67

DIREITOS DO COLABORADOR68

68

REFLEXOS DA COLABORAÇÃO NA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA69

69

6. AÇÃO CONTROLADA

69

PREVISÃO LEGAL69

69

DENOMINAÇÕES69

69

ATO DE RETARDAR A INTERVENÇÃO ADMINISTRATIVA70

70

AUTORIZAÇÃO JUDICIAL70

70

NATUREZA: PRÉVIA COMUNICAÇÃO OU AUTORIZAÇÃO?71

71

7. ACESSO AOS DADOS CADASTRAIS

72

CONSTITUCIONALIZAÇÃO DA REQUISIÇÃO72

72

ACESSO A REGISTRO DE LIGAÇÕES TELEFÔNICAS73

73

8. QUEBRA DE ERB (ESTAÇÃO RÁDIO BASE)

74

ORDEM JUDICIAL

ORDEM JUDICIAL

74

VERIFICAÇÃO POR PMS DOS REGISTROS DE LIGAÇÕES NO MOMENTO DO FLAGRANTE*

VERIFICAÇÃO POR PMS DOS REGISTROS DE LIGAÇÕES NO MOMENTO DO FLAGRANTE*

75

VERIFICAÇÃO POR PMS DE CONVERSAS DE WHATSAPP NO MOMENTO DO FLAGRANTE

VERIFICAÇÃO POR PMS DE CONVERSAS DE WHATSAPP NO MOMENTO DO FLAGRANTE

75

VERIFICAÇÃO POR INVESTIGADORES DE CONVERSAS DEPOSITADAS EM APARELHOS APREENDIDOS POR FORÇA DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO

POR INVESTIGADORES DE CONVERSAS DEPOSITADAS EM APARELHOS APREENDIDOS POR FORÇA DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO

76

9. QUEBRA DO SIGILO FINANCEIRO, BANCÁRIO E FISCAL

76

AUTORIZAÇÃO JUDICIAL76

76

EXCEÇÃO76

76

SIGILO FISCAL – RECEITA FEDERAL – COMPARTILHAMENTO COM O MP RECEITA FEDERAL COMPARTILHAMENTO COM O MP

77

10.

INFILTRAÇÃO DE AGENTES

77

CONCEITO E PREVISÃO LEGAL77

77

PRÓS E CONTRAS78

78

10.2.1. Contras

78

10.2.2. Prós

78

DISTINÇÕES CONCEITUAIS

DISTINÇÕES CONCEITUAIS

78

10.3.1. Agente x undercover

78

10.3.2. Agente infiltrado x agente provocador

78

LEGITIMIDADE PARA REQUERER78

78

LEGITIMADOS PARA EXECUTAR79

79

LIMITES E ALCANCE DA DECISÃO79

79

FRAGMENTARIEDADE E SUBSIDIARIEDADE80

80

ESPÉCIES80

80

DA DECISÃO 79 FRAGMENTARIEDADE E SUBSIDIARIEDADE 80 ESPÉCIES 80 CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 4
DA DECISÃO 79 FRAGMENTARIEDADE E SUBSIDIARIEDADE 80 ESPÉCIES 80 CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 4
PLANO OPERACIONAL DA INFILTRAÇÃO 81 10.9.1. Cessação da operação 81 10.9.2. Regra de atuação:
PLANO OPERACIONAL DA INFILTRAÇÃO 81

PLANO OPERACIONAL DA INFILTRAÇÃO

81

10.9.1. Cessação da operação

81

10.9.2. Regra de atuação: proporcionalidade

81

10.9.3. Natureza jurídica da exclusão da responsabilidade

82

81 10.9.3. Natureza jurídica da exclusão da responsabilidade 82 CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 5
81 10.9.3. Natureza jurídica da exclusão da responsabilidade 82 CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 5
APRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO

Olá!

Inicialmente, gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria.

O Caderno Legislação Penal Especial Organização Criminosa possui como base as aulas do professor Vinícius Marçal, do Curso G7 Jurídico.

Dois livros foram utilizados para complementar nosso CS de Legislação Penal Especial: a) Legislação Criminal para Concursos (Fábio Roque, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar), ano 2017 e b) Legislação Criminal Comentada (Renato Brasileiro), ano 2018, ambos da Editora Juspodivm.

Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito (www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da semana para ler no site do Dizer o Direito.

Ademais, no Caderno constam os principais artigos de lei, mas, ressaltamos, que é necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação.

Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina + informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você faça uma boa prova.

Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito importante!! As bancas costumam repetir certos temas.

Vamos juntos!! Bons estudos!!

Equipe Cadernos Sistematizados.

repetir certos temas. Vamos juntos!! Bons estudos!! Equipe Cadernos Sistematizados. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 6
repetir certos temas. Vamos juntos!! Bons estudos!! Equipe Cadernos Sistematizados. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 6
1. INTRODUÇÃO A Lei 12.850/13 conhecida como Lei do Crime Organizado, em seu art. 1º,

1. INTRODUÇÃO

A Lei 12.850/13 conhecida como Lei do Crime Organizado, em seu art. 1º, define o objeto do nosso estudo, qual seja: organização criminosa, bem como criminaliza a conduta de organizar- se criminosamente.

Observe o disposto em seu art. 1º:

Art. 1 o Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal a ser aplicado

2. EVOLUÇÃO LEGISLATIVA

criminal a ser aplicado 2. EVOLUÇÃO LEGISLATIVA LEI 9.034/95 No Brasil, a Lei 9.034/95 foi a

LEI 9.034/95

No Brasil, a Lei 9.034/95 foi a primeira a tratar sobre organizações criminosas.

Seu propósito era inovar o ordenamento jurídico brasileiro, para isso mencionou técnicas especiais de investigação (infiltração de agentes, delação premiada). Contudo, não as regulamentou.

Não bastasse a ausência de procedimentalização dos institutos amparados, a Lei nº 9.034/95 pecou em outros aspectos, conforme se pode verificar em seu art. 1º (já revogado):

Art. 1 o Esta Lei define e regula meios de prova e procedimentos investigatórios que versem sobre ilícitos decorrentes de ações praticadas por quadrilha ou bando ou organizações ou associações criminosas de qualquer tipo

Em relação à quadrilha ou bando, não havia dúvida, referia-se ao art. 288 do CP (atual, associação criminosa) e as associações criminosas, àquela época, estavam descritas na Lei do Genocídio (art. 2º) e na Lei de Drogas (art. 35).

Entretanto, não se sabia explicar no que consistiam as organizações criminosas, porque a Lei nº 9.034/95, apesar de mencionar o instituto, não o definiu, bem como não tipificou a conduta de integrar organizações criminosas.

Justamente por isso (ausência de definição), inúmeros doutrinadores classificaram a Lei nº 9.034/95 como “oca/vazia” e, consequentemente, ineficaz, sobretudo, nos pontos atrelados às organizações criminosas. Exemplo está descrito em seu artigo 6º que versava sobre delação premiada:

Art. 6º Nos crimes praticados em organização criminosa, a pena será reduzida de um a dois terços, quando a colaboração espontânea do agente levar ao esclarecimento de infrações penais e sua autoria

A delação premiada estava intimamente ligada à organização criminosa, ainda que não se soubesse no que consistia.

ligada à organização criminosa, ainda que não se soubesse no que consistia. CS – CRIME ORGANIZADO
ligada à organização criminosa, ainda que não se soubesse no que consistia. CS – CRIME ORGANIZADO
Por fim, cita-se a Lei de Segurança Nacional que, em seus arts. 16 e 25,

Por fim, cita-se a Lei de Segurança Nacional que, em seus arts. 16 e 25, também prevê espécies de associações criminosas, limitando-se, no entanto, à menção sem qualquer conceito.

limitando-se, no entanto, à menção sem qualquer conceito. NO PLANO INTERNACIONAL: CONVENÇÃO DE PALERMO A Convenção

NO PLANO INTERNACIONAL: CONVENÇÃO DE PALERMO

A Convenção de Palermo (Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado

Transnacional), promulgada internamente pelo Decreto Presidencial 5.015/2004, representou notável avanço no âmbito interno, pois trouxe o conceito de “grupo criminoso organizado” (ou

organização criminosa) em seu art. 2º, alínea “a”:

Art. 2º, a, Grupo estruturado de três ou mais pessoas, existente há algum tempo e atuando concertadamente com o propósito de cometer uma ou mais infrações graves ou enunciadas na presente Convenção, com a intenção de obter, direta ou indiretamente, um benefício econômico ou outro benefício material.

A previsão foi considerada significativa porque foi a primeira vez em que se definiu o que se

entendia por organização criminosa.

Ressalta-se que houve grande polemica envolvendo a Convenção de Palermo e a de Lei de Lavagem de Capitais (Lei nº 9.613/98), antes da sua alteração pela Lei nº 12.683/12, enquanto ainda era entendida como “lei de 2ª geração” (ampliação do rol de crimes antecedentes), especificamente, pela previsão do inciso VII do artigo 1º:

Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de crime:

VII - praticado por organização criminosa.

Note que a Lei de Lavagem de Capitais não criminaliza a conduta de “integrar organização criminosa”, porém sim a lavagem praticada “por meio de organização criminosa”.

A dúvida instalada abordou a possibilidade (ou não) de o conceito trazido pela Convenção

de Palermo ser aplicado na referida hipótese, para fins de tipificação do crime de lavagem de

capitais.

O STJ, numa primeira abordagem, posicionou-se positivamente fundado na premissa de que

o art. 1º, VII, da Lei de Lavagem de Capitais encerrava natureza de norma penal em branco.

Portanto, o crime “lavagem de dinheiro” se complementava com o conceito sustentado pela Convenção de Palermo. Em outras palavras, o crime estatuído naquele dispositivo era o de “lavagem de capitais”, e não o de “organização criminosa”.

STJ: Capitulação da conduta no inciso VII do art. 1º da Lei 9.613/98, não requer nenhum crime antecedente específico para efeito de configuração do crime de lavagem de dinheiro, bastando que seja praticado por organização criminosa (L9.034 + Conv.Palermo) (HC 77.771/SP, DJe 22/09/2008 + HC 171.912/SP, DJe 28/09/2011).

O STJ, por mais de uma vez, adotou esse entendimento.

A discussão chegou ao STF, que tomou partido diverso, em virtude de dois fundamentos:

discussão chegou ao STF, que tomou partido diverso, em virtude de dois fundamentos: CS – CRIME
discussão chegou ao STF, que tomou partido diverso, em virtude de dois fundamentos: CS – CRIME
• Princípio da Legalidade em Sentido Amplo Contempla quatro facetas, quais sejam: exige que a

Princípio da Legalidade em Sentido Amplo

Contempla quatro facetas, quais sejam: exige que a lei penal seja prévia, certa, estrita e

escrita.

De acordo com essa corrente, a lei penal (Convenção de Palermo) violava a legalidade, porque não era certa, dado à ausência de taxatividade e amplitude do conceito. Além disso, não se tratava de lei penal estrita, em sentido formal, por não respeitar a prévia discussão em Parlamento para, então, incorporação.

O conceito vale nas relações de direito internacional, não para o Direito Penal interno

Entendiam o conceito sustentado pela Convenção de Palermo como válido, mas aplicado, tão somente, no âmbito das relações internacionais.

LEI 12.694/2012tão somente, no âmbito das relações internacionais. STF: “TIPO PENAL – NORMATIZAÇÃO. A existência de

STF: “TIPO PENAL – NORMATIZAÇÃO. A existência de tipo penal

O crime de quadrilha não se

confunde com o de organização criminosa, até hoje sem definição na legislação pátria.” (HC 96007, DJe-027 de 07/02/2013) Idem: HC 108.715, DJe 29.05.2014.

pressupõe lei em sentido formal e material. [

]

A Lei nº 12.694/12 dispôs sobre o processo e julgamento colegiado, em 1º grau de jurisdição, de crimes praticados por organizações criminosas.

Para fins didáticos, são feitos três questionamentos a respeito da referida lei:

a) Deu o conceito de organização criminosa?

b) Tipificou-a como crime?

c) Revogou a Lei nº 9.034/95?

Em resposta, a lei trouxe o conceito de organização criminosa, não tipificou como crime a conduta de integrar organização criminosa e não revogou a Lei nº 9.034/95.

No período em que foi editada, existiam dois diplomas que tratavam do assunto “organizações criminosas no Brasil”: a Lei nº 9.034, embora “oca”, e a Lei nº 12.694/12 que, em seu art. 2º definiu o que era “organização criminosa”.

Art. 2º Para os efeitos desta Lei, considera-se organização criminosa a associação, de 3 (três) ou mais pessoas, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de crimes cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 (quatro) anos ou que sejam de caráter transnacional.

LEI 12.850/2013a 4 (quatro) anos ou que sejam de caráter transnacional. Expressamente, definiu e criminalizou a conduta.

Expressamente, definiu e criminalizou a conduta.

transnacional. LEI 12.850/2013 Expressamente, definiu e criminalizou a conduta. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 9
transnacional. LEI 12.850/2013 Expressamente, definiu e criminalizou a conduta. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 9
Assim, tem-se um conceito de crime organizado na Convenção de Palermo (2004), válido nas relações

Assim, tem-se um conceito de crime organizado na Convenção de Palermo (2004), válido nas relações internacionais; outro conceito na Lei nº 12.694/12 (2012). E, por fim, outro na Lei nº 12.850/13 nesse cenário reside a primeira grande divergência.

Não há dúvidas a respeito da validade da Lei nº 12.694/12. Porém, questiona-se se o conceito trazido por ela continua útil para fins de formação de juízo colegiado.

1ª C: Rômulo de Andrade Moreira, minoritariamente, defende que existem dois conceitos válidos de “organização criminosa” no Brasil, um para formação do juízo colegiado e outro para fins de complementação do crime de organização criminosa previsto no art. 2º da Lei nº 12.850/13.

2ª C: O posicionamento majoritário, por razões de segurança jurídica, legitima que a Lei nº 12.850/13, que é posterior à de 2012, revogou a Lei nº 12.694/12. Principalmente, no ponto em que conceitua organizações criminosas, de modo que, atualmente, existe apenas um conceito válido de organização criminosa, transcrito no §1º, do art. 1º da Lei nº 12.850/13:

§ 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

Além da segurança jurídica, a 2ª corrente fundamenta-se também no art. 2º, §1º, da LINDB. Vejamos:

§ 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o

declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.

Art. 2º (

),

Logo, a Lei nº 12.850/13 revogou definitivamente a Lei nº 9.034/95 e, quanto à Lei nº 12.964/12 revogou apenas o que estava relacionado ao conceito.

2.4.1.Juízos colegiados instalados antes da vigência da LCO

Questionamento também relevante é quantos aos eventuais juízos instalados antes da vigência da LCO, se seriam maculados (ou não) pelo surgimento do novo conceito.

Essa dubiedade instala-se porque o conceito das organizações criminosas, previsto na Lei nº 12.694/12, prescindia a reunião de 03 ou mais pessoas, enquanto na Lei nº 12.850/13 exigirá o agrupamento de 04 ou mais.

Caso o processo esteja em trâmite, vigora-se o tempus regit actum (o tempo rege o ato), ou seja, a lei que regeu o tempo. Portanto, se ao tempo da Lei nº 12.964/12 observou-se o conceito lá estabelecido, ainda que advenha a nova LCO e seja integralmente válida, não maculará os atos tomados com base na lei anterior.

3. COMPARATIVO DOS CONCEITOS LEGAIS

os atos tomados com base na lei anterior. 3. COMPARATIVO DOS CONCEITOS LEGAIS CS – CRIME
os atos tomados com base na lei anterior. 3. COMPARATIVO DOS CONCEITOS LEGAIS CS – CRIME
O estudo detalho dos conceitos é imprescindível, pois costumam ser cobrados em concursos públicos e,

O estudo detalho dos conceitos é imprescindível, pois costumam ser cobrados em concursos

públicos e, na maioria das vezes, em forma de “pegadinhas”.

Três eixos devem ser utilizados como parâmetro na diferenciação dos conceitos:

a) Número de integrantes;

b) Natureza das infrações praticadas;

c) Benefício material almejado pela organização criminosa;

Conforme visto acima, a Lei nº 9.034/95 não auferiu conceito para “organização criminosa”, apenas fez menção ao tempo.

A Convenção de Palermo, em seu art. 2º, alínea “a”, definiu-a como:

“grupo estruturado de

3 ou mais pessoas

, existente há algum tempo e

atuando concertadamente com o propósito de cometer

uma ou mais infrações

graves enunciadas

na presente Convenção, com a intenção de obter, direta

ou indiretamente,

um benefício econômico ou outro benefício material”.

 

O número de “3 ou mais pessoas” da Convenção de Palermo coincide com o previsto pelo art. 2º da Lei nº 12.964/12:

“considera-se organização criminosa a associação,

de

3

(três)

ou mais

pessoas

, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas,

ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente,

vantagem de qualquer natureza

, mediante a prática de crimes cuja pena

máxima seja igual ou superior a 4 (quatro) anos ou que sejam de caráter

transnaciona

l”.

A LCO, por sua vez, no §1º do art. 1º, previu:

“considera-se organização criminosa a associação de

4 (quatro) ou mais

pessoa

s estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas,

ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente,

vantagem de qualquer natureza

, mediante a prática de infrações penais cujas

penas máximas sejam

superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter

transnacional”.

 

Em suma:

 

QUADRO COMPARATIVO DOS CONCEITOS DE “ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA”

 

EIXOS

Lei nº 9.034/95

Convenção

Lei nº

Lei nº

de Palermo

12.964/12

12.850/13

(LCO)

Número de

(sem previsão)

3 ou +

3 ou +

4 ou +

integrantes

Natureza das infrações praticadas

(sem previsão)

1 ou + infrações graves

Crimes com pena máxima ≥ 4 anos ou

Infrações penais com pena máxima > 4 anos ou

pena máxima ≥ 4 anos ou Infrações penais com pena máxima > 4 anos ou CS
pena máxima ≥ 4 anos ou Infrações penais com pena máxima > 4 anos ou CS
    enunciadas na de caráter de caráter Convenção transnacional transnacional Benefício
   

enunciadas na

de caráter

de caráter

Convenção

transnacional

transnacional

Benefício almejado pela organização

 

Benefício

Vantagem de

Vantagem de

(sem previsão)

econômico ou

qualquer

qualquer

criminosa

material

natureza

natureza

4. SÍNTESE DA LEI 12.694/2012

A Lei do Juízo Colegiado de 1º Grau revelou-se, principalmente, como um escudo protetivo

para juízes, servidores e membros do Ministério Público que atuam no combate ao crime

organizado, trazendo, para isso, alguns instrumentos.

Essa lei dispôs sobre o processo e o julgamento, em 1º grau, de crimes praticados por organizações criminosas. Perceba que não alcança somente o crime organizado por natureza, previsto na LCO em seu artigo 2º ou o denominado “crime de organização”, porém todos aqueles praticados pela organização criminosa, ou seja, o crime de organização criminosa por extensão.

Em seu art. 1º dispõe sobre a formação do colegiado de juízes de 1º grau (acórdão) para a prática de atos processuais, em feitos que tenham por objeto crimes praticados por organizações criminosas:

Art. 1o Em processos ou procedimentos que tenham por objeto crimes

praticados por organizações criminosas, o juiz poderá decidir pela formação

de colegiado para a prática de qualquer ato processual, especialmente:

I - decretação de prisão ou de medidas assecuratórias;

II - concessão de liberdade provisória ou revogação de prisão;

III - sentença;

IV - progressão ou regressão de regime de cumprimento de pena;

V - concessão de liberdade condicional;

VI - transferência de preso para estabelecimento prisional de segurança

máxima; e

VII - inclusão do preso no regime disciplinar diferenciado.

O art. 2º previa o conceito de organização criminosa, porém foi revogado pela LCO. Observe

a redação:

Art. 2° para os efeitos desta Lei, considera-se organização criminosa a associação, de 3 (três) ou mais pessoas, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de crimes cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 (quatro) anos ou que sejam de caráter transnacional.

O art. 3º trata de medidas de reforço à segurança dos prédios da Justiça (controle de acesso,

câmeras de vigilância, detectores de metais):

Art. 3o Os tribunais, no âmbito de suas competências, são autorizados a tomar medidas para reforçar a segurança dos prédios da Justiça,

especialmente:

tomar medidas para reforçar a segurança dos prédios da Justiça, especialmente: CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1
tomar medidas para reforçar a segurança dos prédios da Justiça, especialmente: CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1
I - controle de acesso, com identificação, aos seus prédios, especialmente aqueles com varas criminais,

I - controle de acesso, com identificação, aos seus prédios, especialmente

aqueles com varas criminais, ou às áreas dos prédios com varas criminais;

II - instalação de câmeras de vigilância nos seus prédios, especialmente nas

varas criminais e áreas adjacentes;

III - instalação de aparelhos detectores de metais, aos quais se devem

submeter todos que queiram ter acesso aos seus prédios, especialmente às varas criminais ou às respectivas salas de audiência, ainda que exerçam

qualquer cargo ou função pública, ressalvados os integrantes de missão policial, a escolta de presos e os agentes ou inspetores de segurança próprios.

Já o art. 4º altera o art. 91 do CP, alargando o espectro do perdimento de bens e das medidas assecuratórias, de modo a alcançar bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime quando estes não forem encontrados ou se localizarem no exterior:

Art. 4o O art. 91 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 1o e 2o:

“Art. 91.

§ 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao

produto ou proveito do crime quando estes não forem encontrados ou quando

se localizarem no exterior.

§ 2o Na hipótese do § 1o, as medidas assecuratórias previstas na legislação

processual poderão abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou

acusado para posterior decretação de perda.” (NR)

O artigo 5º altera o CPP, prevendo a alienação antecipada (por deterioração ou dificuldade para a manutenção) como forma de preservação do valor do bem sobre o qual paire medida assecuratória:

Art. 5o O Decreto-Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo Penal, passa a vigorar acrescido do seguinte art. 144-A:

“Art. 144-A. O juiz determinará a alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua manutenção.

§ 1o O leilão far-se-á preferencialmente por meio eletrônico.

§ 2o Os bens deverão ser vendidos pelo valor fixado na avaliação judicial ou

por valor maior. Não alcançado o valor estipulado pela administração judicial, será realizado novo leilão, em até 10 (dez) dias contados da realização do

primeiro, podendo os bens ser alienados por valor não inferior a 80% (oitenta por cento) do estipulado na avaliação judicial.

§ 3o O produto da alienação ficará depositado em conta vinculada ao juízo

até a decisão final do processo, procedendo-se à sua conversão em renda para a União, Estado ou Distrito Federal, no caso de condenação, ou, no caso

de absolvição, à sua devolução ao acusado.

§ 4o Quando a indisponibilidade recair sobre dinheiro, inclusive moeda

estrangeira, títulos, valores mobiliários ou cheques emitidos como ordem de

pagamento, o juízo determinará a conversão do numerário apreendido em moeda nacional corrente e o depósito das correspondentes quantias em conta judicial.

§ 5o No caso da alienação de veículos, embarcações ou aeronaves, o juiz

ordenará à autoridade de trânsito ou ao equivalente órgão de registro e controle a expedição de certificado de registro e licenciamento em favor do

e controle a expedição de certificado de registro e licenciamento em favor do CS – CRIME
e controle a expedição de certificado de registro e licenciamento em favor do CS – CRIME
arrematante, ficando este livre do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores, sem prejuízo de

arrematante, ficando este livre do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores, sem prejuízo de execução fiscal em relação ao antigo proprietário.

§ 6o O valor dos títulos da dívida pública, das ações das sociedades e dos

títulos de crédito negociáveis em bolsa será o da cotação oficial do dia,

provada por certidão ou publicação no órgão oficial.

O art. 6º alterou o CTB para permitir placas “frias” para membros do Poder Judiciário e do

Ministério Público que atuam no combate ao crime organizado, de forma a impedir a identificação

de seus usuários:

Art. 6o O art. 115 da Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, passa a vigorar acrescido do seguinte § 7o:

“Art. 115.

§ 7º Excepcionalmente, mediante autorização específica e fundamentada

das respectivas corregedorias e com a devida comunicação aos órgãos de trânsito competentes, os veículos utilizados por membros do Poder Judiciário e do Ministério Público que exerçam competência ou atribuição criminal poderão temporariamente ter placas especiais, de forma a impedir a

identificação de seus usuários específicos, na forma de regulamento a ser emitido, conjuntamente, pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ, pelo Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP e pelo Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN.” (NR)

O art. 7º alterou o Estatuto do Desarmamento, ampliando a autorização para porte de arma

de fogo aos servidores do Judiciário e do Ministério Público que efetivamente estejam no exercício

de funções de segurança:

Art. 7o O art. 6o da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso XI:

“Art. 6o XI - os tribunais do Poder Judiciário descritos no art. 92 da Constituição Federal e os Ministérios Públicos da União e dos Estados, para uso exclusivo de servidores de seus quadros pessoais que efetivamente estejam no exercício de funções de segurança, na forma de regulamento a ser emitido pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ e pelo Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP.” (NR)

O art. 8º estipula que as armas de fogo utilizadas pelos servidores do Judiciário e do

Ministério Público, no exercício de funções de segurança, serão de propriedade, responsabilidade

e guarda das respectivas instituições, somente podendo ser utilizadas quando em serviço:

Art. 8o A Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7o-A:

“Art. 7º-A. As armas de fogo utilizadas pelos servidores das instituições descritas no inciso XI do art. 6o serão de propriedade, responsabilidade e

guarda das respectivas instituições, somente podendo ser utilizadas quando em serviço, devendo estas observar as condições de uso e de armazenagem estabelecidas pelo órgão competente, sendo o certificado de registro e a autorização de porte expedidos pela Polícia Federal em nome da instituição.

§ 1o A autorização para o porte de arma de fogo de que trata este artigo

independe do pagamento de taxa.

§ 2o O presidente do tribunal ou o chefe do Ministério Público designará os

servidores de seus quadros pessoais no exercício de funções de segurança

os servidores de seus quadros pessoais no exercício de funções de segurança CS – CRIME ORGANIZADO
os servidores de seus quadros pessoais no exercício de funções de segurança CS – CRIME ORGANIZADO
que poderão portar arma de fogo, respeitado o limite máximo de 50% (cinquenta por cento)

que poderão portar arma de fogo, respeitado o limite máximo de 50% (cinquenta por cento) do número de servidores que exerçam funções de segurança.

§ 3o O porte de arma pelos servidores das instituições de que trata este

artigo fica condicionado à apresentação de documentação comprobatória do preenchimento dos requisitos constantes do art. 4o desta Lei, bem como à formação funcional em estabelecimentos de ensino de atividade policial e à

existência de mecanismos de fiscalização e de controle interno, nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei.

§ 4o A listagem dos servidores das instituições de que trata este artigo deverá ser atualizada semestralmente no Sinarm.

§ 5o As instituições de que trata este artigo são obrigadas a registrar

ocorrência policial e a comunicar à Polícia Federal eventual perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de armas de fogo, acessórios e munições que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de ocorrido o fato.”

E, por fim, o art. 9º trata da proteção pessoal para juízes e membros do Ministério Público (e seus familiares), que atuam no combate ao crime organizado, a ser efetivada pela polícia judiciária; por órgãos de segurança institucional; por outras forças policiais; ou por todos, conjuntamente:

Art. 9o Diante de situação de risco, decorrente do exercício da função, das

autoridades judiciais ou membros do Ministério Público e de seus familiares,

o fato será comunicado à polícia judiciária, que avaliará a necessidade, o alcance e os parâmetros da proteção pessoal.

§ 1o A proteção pessoal será prestada de acordo com a avaliação realizada

pela polícia judiciária e após a comunicação à autoridade judicial ou ao

membro do Ministério Público, conforme o caso:

I - pela própria polícia judiciária;

II - pelos órgãos de segurança institucional;

III - por outras forças policiais;

IV - de forma conjunta pelos citados nos incisos I, II e III.

§ 2o Será prestada proteção pessoal imediata nos casos urgentes, sem

prejuízo da adequação da medida, segundo a avaliação a que se referem o

caput e o § 1o deste artigo.

§ 3o A prestação de proteção pessoal será comunicada ao Conselho

Nacional de Justiça ou ao Conselho Nacional do Ministério Público, conforme

o caso.

§ 4o Verificado o descumprimento dos procedimentos de segurança

definidos pela polícia judiciária, esta encaminhará relatório ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ ou ao Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP.

Veja que essa lei, além de prever a formação do colegiado de 1º grau e dispor sobre segurança dos prédios da Justiça, alterou o CP, o CPP, o CTB e o Estatuto de Desarmamento.

5. INSTITUTO DO “JUIZ SEM ROSTO”

de Desarmamento. 5. INSTITUTO DO “JUIZ SEM ROSTO” JUIZ SEM ROSTO NA COLÔMBIA CS – CRIME

JUIZ SEM ROSTO NA COLÔMBIA

de Desarmamento. 5. INSTITUTO DO “JUIZ SEM ROSTO” JUIZ SEM ROSTO NA COLÔMBIA CS – CRIME
de Desarmamento. 5. INSTITUTO DO “JUIZ SEM ROSTO” JUIZ SEM ROSTO NA COLÔMBIA CS – CRIME
O Código de Processo Penal Colombiano – Decreto 2.700/1991, em seu art. 158 previu o

O Código de Processo Penal Colombiano Decreto 2.700/1991, em seu art. 158 previu o

instituto do juiz sem rosto, preconizado no contexto do narcotráfico, após Pablo Escobar ter

assassinado o Procurador Geral da República, juízes, policiais, Ministro da Justiça, civis, candidatos

à presidência e Ministros da Corte Colombiana.

As consequências do cenário caótico provocado pelo Cartel de Medellín corroboraram para

a instituição do juiz sem rosto. O magistrado não mais assinaria a sentença, de modo que sua

decisão seria publicada, sem que houvesse sua identificação. Nas audiências, utilizaria máscaras

e até mesmo biombos de vidro, mecanismos de distorção de voz e outros.

Em 1993, a Corte Constitucional foi provocada para reconhecer a ilegalidade da figura do “juiz sem rosto”. Porém, na prolação da Sentença C-53, também devido à continuidade dos ataques de cartéis, reconheceu a constitucionalidade do instituto.

Três anos depois, em 1996, adveio a Ley 270 Ley Estatutaria de La Administración de Justicia como norma de transição determinando que a figura do “juiz sem rosto” duraria apenas até

1999.

Em 1999, a Ley/1999 suprimiu a reserva da identidade dos juízes, no entanto, manteve a possibilidade quanto aos fiscales e os testigos, ou seja, aos membros do Ministério Público e às testemunhas.

Em 2000, a Corte Constitucional foi novamente instigada para que averiguasse a legalidade do instituto e, dessa vez, na Sentença C-392, asseverou que a reserva de identidade preconizada pela Ley 504/1999 era inconstitucional, pois violava os princípios do devido processo legal, da publicidade, da imparcialidade e o direito ao confronto probatório.

Sendo assim, também não inexiste a figura do juiz sem rosto na Colômbia, mormente porque

a Lei de Transição que havia determinado sua extinção em relação aos magistrados, persistindo

sua possibilidade, tão somente, a membros do Ministério Público e testemunhas, um ano depois

(2000), foi considerada inconstitucional pela Corte.

depois (2000), foi considerada inconstitucional pela Corte. JUIZ SEM ROSTO NO PERU Os art. 13 e

JUIZ SEM ROSTO NO PERU

Os art. 13 e 15 do Decreto-Lei 25.475/1992 preveem a figura do juiz sem rosto no Peru.

O caso de Castillo e Petruzzi x Peru foi fundamental para discussão do assunto. Os

acusados Cattilo, Petruzzi e outros foram processados por “traição à pátria” perante a Justiça Militar

e, neste processo, participaram de diversas audiências com juízes e membros do Ministério Público

mascarados.

Ao final, Castillo, Petruzzi e outros foram condenados pelo Peru. A questão chegou até a Corte Interamericana de Direitos Humanos que, por sua vez, entendeu-a como ofensiva aos princípios da imparcialidade e do juiz natural. Em relação à imparcialidade, se o juiz é mascarado, poderá fazer o que bem entender e desmesurando, quando do julgamento, sua carga de ódio e rancor. Por não ser identificado, há liberdade para análise das circunstâncias de um jeito ou outro, seja o melhor veredicto ou não.

No que diz respeito ao juiz natural, se a máscara impede a verificação daquele, impossibilita- se a verificação de ser ele o juiz legalmente investido para julgamento da causa.

se a verificação de ser ele o juiz legalmente investido para julgamento da causa. CS –
se a verificação de ser ele o juiz legalmente investido para julgamento da causa. CS –
Ante as incongruências, a Corte Interamericana de Direitos Humanos extirpou a figura do juiz sem

Ante as incongruências, a Corte Interamericana de Direitos Humanos extirpou a figura do juiz sem rosto, bem como determinou que o Estado Peruano proferisse novo julgamento sem quaisquer medidas de autoridades anônimas.

julgamento sem quaisquer medidas de autoridades anônimas. JUIZ SEM ROSTO NA LEI 12.694/2012 Na Lei nº

JUIZ SEM ROSTO NA LEI 12.694/2012

Na Lei nº 12.694/2012, os juízes que compõem o colegiado (1 natural e 2 escolhidos por sorteio eletrônico) assinam a decisão - não existe sentença apócrifa.

Assim, o colegiado, ao ser convocado para determinada providência, obriga a participação dos três magistrados, possibilitando, inclusive, a arguição de causa de impedimento e/ou suspeição dos juízes integrantes.

Em relação à convocação do colegiado de 1º grau, estabelecem-se alguns questionamentos:

a) Precisa haver requerimento?

Não é preciso requerer a instauração do juízo colegiado.

b) A formação do colegiado é impositiva?

Não.

c) Pode ser formado no Júri?

Poderá ser formado em qualquer caso que envolva crimes praticados por organizações criminosas, desde que presentes requisitos legais. A critério exemplificativo, até mesmo o Tribunal do Júri pode comportar magistrados colegiados. Certo que quem profere o julgamento é o povo, mas é possível sua instauração nas fases anteriores ou mesmo para que a presidência do Tribunal.

d) Pode acontecer em qualquer fase da persecução penal?

Sim. Qualquer fase da persecução penal admite a formação do órgão colegiado, nos termos do art. 1º da Lei 13.694/2012:

Art. 1o Em processos ou procedimentos que tenham por objeto crimes praticados por organizações criminosas, o juiz poderá decidir pela formação de colegiado para a prática de qualquer ato processual, especialmente:

e) O que deve fazer o magistrado para formar o colegiado?

Caberá ao magistrado a indicação dos motivos e circunstâncias que acarretam risco à sua integridade física (ou de seus familiares) em decisão fundamentada, resguardada a cautela com a eloquência acusatória.

Deverá ser dada ciência do requerimento à Corregedoria Geral da Justiça.

Nesse sentido dispõem os art. 9º e §1º do art. 1º, ambos da Lei nº 12.694/12:

Art. 9º Diante de situação de risco, decorrente do exercício da função, das autoridades judiciais ou membros do Ministério Público e de seus familiares, o fato será comunicado à polícia judiciária, que avaliará a necessidade, o alcance e os parâmetros da proteção pessoal.

que avaliará a necessidade, o alcance e os parâmetros da proteção pessoal. CS – CRIME ORGANIZADO
que avaliará a necessidade, o alcance e os parâmetros da proteção pessoal. CS – CRIME ORGANIZADO
Art. 1º, § 1º O juiz poderá instaurar o colegiado, indicando os motivos e as

Art. 1º, § 1º O juiz poderá instaurar o colegiado, indicando os motivos e as circunstâncias que acarretam risco à sua integridade física em decisão fundamentada, da qual será dado conhecimento ao órgão correicional.

f)

A Corregedoria pode revogar o ato?

O

entendimento amplamente majoritário é de que não, dado que o magistrado, ao atuar,

profere decisão jurisdicional.

A Corregedoria é cientificada, tão somente, para fins estatísticos e para que trace mapa de

juízes ameaçados e, assim, estabeleça política de segurança.

Eventual controle de constitucionalidade poderá acontecer, porém, no âmbito administrativo.

g) A decisão que convoca o colegiado é recorrível?

A lei é silente. No entanto, subtende-se que a formação do colegiado pode ocasionar

prejuízo e até deixar o réu em situação de perigo.

Se instaurado irregularmente e numa eventual decretação de prisão, nada impede a sua análise através de Habeas Corpus.

É possível até que os membros sorteados estabeleçam conflito negativo de competência por

entender ausentes as causas para formação do colegiado.

h)

Quantos juízes formam o colegiado?

 

Um

natural

e

dois

por

sorteio

eletrônico,

sendo

que

os

dois

sorteados

devem,

obrigatoriamente, estar investidos de competência criminal e exercem-na no 1º grau de jurisdição.

Considera-se o sorteio um meio é idôneo, porque preserva a essência do juiz natural. Isto é, não há designação casuística de julgadores.

i) Pode se formar diversos colegiados dentro da mesma persecução penal?

Preconiza o §3º do art. 1º da Lei nº 12.694/12:

Art. 1º, § 3º A competência do colegiado limita-se ao ato para o qual foi convocado.

Acerca da indagação, há quatro correntes, vejamos:

1ª C (Luís Flávio Gomes e Marcelo Rodrigues da Silva): defende que dentro de uma mesma

persecução penal só pode haver a instalação de um colegiado, que será chamado a se reunir

sempre que se fizer necessária a realização de algum ato processual.

2ª C (Eugenio Pacelli de Oliveira): assevera que somente pode ser instaurado um colegiado

dentro de cada persecução penal e uma vez praticado o ato para o qual foi convocado, extingue-

se, sem que volte a reunir-se na mesma persecução. A crítica funda-se na premissa de que a convocação para prática de vários atos da persecução acarreta verdadeiro juízo de exceção e consequente convocação arbitrária de vários e diferentes membros do judiciário para o mesmo caso.

arbitrária de vários e diferentes membros do judiciário para o mesmo caso. CS – CRIME ORGANIZADO
arbitrária de vários e diferentes membros do judiciário para o mesmo caso. CS – CRIME ORGANIZADO
3ª C (Márcio Cavalcante, Vinícius Marçal): a partir da previsão legal, compreende possível a convocação

3ª C (Márcio Cavalcante, Vinícius Marçal): a partir da previsão legal, compreende possível a convocação do colegiado pelo magistrado com extensão maior ou menor, a depender da circunstância. Esse entendimento, contudo, não tem prevalecido na prática.

4ª C (posicionamento que prevalece): apregoa que para cada ato que se fizer necessário o colegiado, ele será formado, o ato será praticado e, ao final, será dissolvido. Se novamente for necessária formação de colegiado, serão criados novos colegiados, sem que exista um limite para tanto. Isto é, dentro de uma mesma persecução penal podem ser instaurados tantos colegiados quanto bastem, sendo impossível uma convocação geral para todo o curso do inquérito ou do processo. A excepcional competência do órgão plural fica restrita à prática de cada ato específico.

Nesse sentido, é que o Provimento 11/2013 da Corregedoria Geral da Justiça Federal preceitua:

Art. 3º. Praticado o ato para o qual foi convocado, o colegiado encerrará o seu ofício, sendo dissolvido automaticamente, salvo na hipótese de embargos de declaração ou de reexame da matéria em virtude de recurso que permita juízo de retratação. Parágrafo único. Havendo a necessidade de uma nova convocação no mesmo processo, será realizado novo sorteio na forma prevista no art. 2º deste provimento.

Obs.: Em provas mais complexas, é fundamental demonstrar o conhecimento das quatro correntes.

Continuadamente, o §6º do art. 1º da Lei 12.694/2012 prevê:

Art. 1º ( ) § 6o As decisões do colegiado, devidamente fundamentadas e firmadas, sem exceção, por todos os seus integrantes, serão publicadas sem qualquer referência a voto divergente de qualquer membro.

Cleber Masson e Vinícius Marçal têm entendido que esse dispositivo fortalece a despersonalização e cria a chamada “artificialização da unanimidade”, porque ainda que haja voto divergente entre os magistrados, a lei determina uma “única voz”, portanto, uma decisão unânime.

Essa foi a diretriz seguida pelo TJ do Distrito Federal e dos Territórios na Resolução 10/2013- TJDFT, no artigo 9º:

Art. 9º. A decisão do colegiado é una e deverá ser firmada, sem exceção, por todos os seus integrantes, dela não constando nenhuma referência a eventual voto divergente de qualquer membro.

Na literatura jurídica, existem duas formas de entrega das prestações colegiadas:

a) Per curiam: homenageia a “voz única” e “artificialização da unanimidade”.

b) Per seriatim: integrantes do colegiado apresentam seus votos um a um opinião única do tribunal e simboliza voz da corte.

6. APLICAÇÃO EXTENSIVA DA LEI DO CRIME ORGANIZADO (LCO)

e simboliza voz da corte. 6. APLICAÇÃO EXTENSIVA DA LEI DO CRIME ORGANIZADO (LCO) CS –
e simboliza voz da corte. 6. APLICAÇÃO EXTENSIVA DA LEI DO CRIME ORGANIZADO (LCO) CS –
Inicia-se o estudo da LCO (Lei nº 12.850/13) a partir da pergunta: é possível a

Inicia-se o estudo da LCO (Lei nº 12.850/13) a partir da pergunta: é possível a aplicação da LCO caso as infrações penais não sejam praticadas por intermédio de organização criminosa?

Sim é possível, a própria lei apresenta duas possibilidades dispostas no §2º do art. 1º:

Art. 1º ( ) 2o Esta Lei se aplica também:

I - às infrações penais previstas em tratado ou convenção internacional

quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;

II - às organizações terroristas, entendidas como aquelas voltadas para a

prática dos atos de terrorismo legalmente definidos. (Redação dada pela lei

nº 13.260, de 2016)

Nada obstante, existem outras hipóteses em que poderá ser aplicada a LCO.

A Lei de Terrorismo (Lei nº 13.260/16) no seu art. 16 manda aplicar, no que couber, todos

os meios especiais de investigação na LCO:

Art. 16. Aplicam-se as disposições da Lei nº 12.850, de 2 agosto de 2013, para a investigação, processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei.

O mesmo se fala com relação à Lei do Tráfico de Pessoas (Lei nº 13.344/16) em seu art. 9º,

a ser lido em conjunto com o artigo 149-A do Código Penal (CP):

Art. 9º Aplica-se subsidiariamente, no que couber, o disposto na Lei no 12.850, de 2 de agosto de 2013.

Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo; II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo; III - submetê-la a qualquer tipo de servidão

IV - adoção ilegal; ou

V - exploração sexual.

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

São, portanto, amparados pela LCO, ainda que não praticados por organizações criminosas:

a) Infrações previstas em tratado ou convenção internacional que ocorrem à distância;

b) Infrações praticadas por organizações terroristas;

c) Procedimento da LCO na Lei de Terrorismo;

d) Infrações correlatas ao Tráfico de Pessoas;

7. CRIME ORGANIZADO POR NATUREZA

Observe o disposto no art. 2º, caput da LCO:

7. CRIME ORGANIZADO POR NATUREZA Observe o disposto no art. 2º, caput da LCO: CS –
7. CRIME ORGANIZADO POR NATUREZA Observe o disposto no art. 2º, caput da LCO: CS –
Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa:

Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas correspondentes às demais infrações penais praticadas.

Crime organizado por extensão são os crimes que a organização prática.

Trata-se de norma penal em branco homogênea de qualidade homovitelina, porque o completo está previsto em lei, em ato normativo igual ao que trata do crime e a também na mesma lei (§1º do art. 1º da LCO):

Art. 1º, § 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

Note que o art. 2º, em seu caput, encerra um crime de concurso necessário, traçando número mínimo de integrantes.

CRIME DE CONCURSO NECESSÁRIOnecessário, traçando número mínimo de integrantes. É um crime de concurso necessário, uma vez que exige

É um crime de concurso necessário, uma vez que exige a participação de, no mínimo, quatro pessoas.

Para diferenciar o número de integrantes, o Professor Vinícius Marçal ensina um macete. Observe:

a) Associação para o tráfico (Lei de Drogas, artigo 25): mínimo de 2 note que existem dois

“s”.

b) Associação criminosa (Código Penal, artigo 288): mínimo de 3 note que existem três

“s”.

c) Associação para fins de genocídio (Lei nº 2.889/56, artigo 2º) e Organização criminosa

(LCO, artigo 1º, §1º): mínimo de 4.

*MPSC (2016): Nos termos da Lei nº 12.850/13 (Organização Criminosa), considera-se organização criminosa a
*MPSC (2016): Nos termos da Lei nº 12.850/13 (Organização Criminosa), considera-se organização criminosa a
*MPSC (2016): Nos termos da Lei nº 12.850/13 (Organização Criminosa), considera-se organização criminosa a

*MPSC (2016): Nos termos da Lei nº 12.850/13 (Organização Criminosa), considera-se organização criminosa a associação de três ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com o objetivo de obter, direta ou indiretamente,

e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com o objetivo de obter, direta ou
e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com o objetivo de obter, direta ou
e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com o objetivo de obter, direta ou

vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam iguais ou superiores a quatro anos, ou que sejam de caráter transnacional ASSERTIVA ERRADA!

penas máximas sejam iguais ou superiores a quatro anos, ou que sejam de caráter transnacional –
penas máximas sejam iguais ou superiores a quatro anos, ou que sejam de caráter transnacional –
penas máximas sejam iguais ou superiores a quatro anos, ou que sejam de caráter transnacional –

Nos próximos itens, iremos analisar os requisitos para a configuração de uma organização criminosa.

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS ESTRUTURALMENTE ORDENADA ESTRUTURALMENTE ORDENADA

Não é necessário elevado grau de sofisticação ou estrutura empresarial (piramidal) com líderes e liderados para configuração da Organização Criminosa.

(piramidal) com líderes e liderados para configuração da Organização Criminosa. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 21
(piramidal) com líderes e liderados para configuração da Organização Criminosa. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 21
Ainda que alguns doutrinadores assim entendam, essa estrutura piramidal, quando imaginada, é relacionada a sistemas

Ainda que alguns doutrinadores assim entendam, essa estrutura piramidal, quando imaginada, é relacionada a sistemas de máfias. Contudo, com a crescente ocorrência de crimes de colarinho branco, por exemplo, verifica-se que essa organização criminosa horizontalizada, ou seja, com núcleos de idêntica importância. Há mais de um líder e não necessariamente segue-se disciplina de hierarquia.

Portanto, não é necessária a formação de sistema empresarial, a única exigência é a DIVISÃO DE TAREFAS, mesmo que num plano horizontal.

PRESENÇA DE SERVIDOR PÚBLICOé a DIVISÃO DE TAREFAS, mesmo que num plano horizontal. Durante muito tempo, parcela doutrinária entendia

Durante muito tempo, parcela doutrinária entendia que o servidor público era imprescindível para formação da Organização Criminosa.

Hoje é cediço que não é necessária a presença de servidor, tanto que, ocorrendo, será considerada como “causa de aumento de pena”.

Nesse sentido, dispõe o inciso II do §4º do art. 2º da LCO:

Art. 2º (

)

§

4o A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):

II

- se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa

dessa condição para a prática de infração penal;

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS CARACTERIZADA PELA DIVISÃO DE TAREFAS CARACTERIZADA PELA DIVISÃO DE TAREFAS

É nota marcante da Teoria do Domínio Funcional do Fato.

Para Claus Roxin, pode ter 3 vertentes:

- Domínio da ação (autoria imediata);

- Domínio da vontade (autoria mediata);

- Domínio funcional (imputação recíproca) aqui se insere a divisão de tarefas.

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS AINDA QUE INFORMALMENTE AINDA QUE INFORMALMENTE

Não há necessidade de “constituição formal” do grupo e documentação de “regras de conduta”. Todavia, não quer dizer que informalidade dispensa nível mínimo de organização.

A expressão “ainda que informalmente” deve ser compreendida em conjunto com aquela que lhe é anterior: estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas.

A informalidade significa a desnecessidade de se dividir tarefas e ordenar estruturalmente a

organização DE MODO FORMAL, por meio de instrumentos burocráticos e legais que compõem,

geralmente, estruturas empresariais lícitas.

burocráticos e legais que compõem, geralmente, estruturas empresariais lícitas. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 22
burocráticos e legais que compõem, geralmente, estruturas empresariais lícitas. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 22
ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS COM O OBJETIVO DE OBTER, DIRETA OU INDIRETAMENTE, VANTAGEM
ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS COM O OBJETIVO DE OBTER, DIRETA OU INDIRETAMENTE, VANTAGEM

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS COM O OBJETIVO DE OBTER, DIRETA OU INDIRETAMENTE, VANTAGEM DE QUALQUER NATUREZA

Reforça-se que há divergência com a Convenção de Palermo (2004) que exige a vantagem econômica/material.

Comumente, tratar-se-á de vantagem econômica, mas nada obsta qualquer outro benefício, tal qual ascensão a cargo, conquista ilícita de votos etc.

Quanto ao destinatário, a vantagem poderá ser obtida diretamente ou através de “laranjas” (sejam pessoas jurídicas ou físicas).

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS MEDIANTE A PRÁTICA DE INFRAÇÕES PENAIS MEDIANTE A PRÁTICA DE INFRAÇÕES PENAIS

Fernando Capez entendeu, EQUIVOCADAMENTE, que a LCO alcança grupos criminosos estruturalmente formatados para exploração exclusiva do “jogo do bicho”, calcado na previsão da expressão “infração penal” – isto porque, a Lei reclama que as infrações penais praticadas tenham penas superiores a 4 anos.

penais praticadas tenham penas superiores a 4 anos. ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS MEDIANTE A

ASSOCIAÇÃO DE QUATRO OU MAIS PESSOAS MEDIANTE A PRÁTICA DE INFRAÇÕES PENAIS QUE SEJAM DE CARÁTER TRANSNACIONAL

O caráter transnacional é contemplado quando os ilícitos penais não ficam restritos ao território nacional, ou seja, sendo transpostas as fronteiras brasileiras, com o alcance de outro(s) país(es). Da mesma forma, isso ocorrerá se a infração penal tiver sua gênese no exterior e terminar por atingir o território nacional.

ATENÇÃO: ao enquadrar a infração como transnacional, deixa de ser importante o patamar das penas estipuladas para os crimes.

8. OBJETO JURÍDICO E NÚCLEOS DO TIPO DO ART. 2º, CAPUT, DA LCO

Assim como ocorre no delito de Associação Criminosa, prevista no art. 288 do CP, o bem jurídico aqui protegido é a paz pública.

Os núcleos do tipo são quatro:

a) Promover (fomentar, anunciar);

b) Constituir (formar, dar existência);

c) Financiar (apoiar financeiramente, custear despesas) ou

d) Integrar (participar, associar-se), pessoalmente ou por interposta pessoa (“laranja”), organização criminosa (artigo 1º, §1º da LCO).

pessoa (“laranja”), organização criminosa (artigo 1º, §1º da LCO). CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 23
pessoa (“laranja”), organização criminosa (artigo 1º, §1º da LCO). CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 23
Há clássico tipo alternativo misto ou de conteúdo variado. Isto é, se o indivíduo, a

Há clássico tipo alternativo misto ou de conteúdo variado. Isto é, se o indivíduo, a um só tempo, promover e financiar organização criminosa incorrerá num único delito.

organização criminosa incorrerá num único delito. RETROATIVIDADE E IRRETROATIVIDADE O art. 2º da LCO não

RETROATIVIDADE E IRRETROATIVIDADE

O art. 2º da LCO não retroage para alcançar os fatos esgotados antes de sua vigência

trata-se de norma penal incriminadora (novatio legis incriminadora). Portanto, consoante estipula o

inciso XL do art. 5º da CF, “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”.

Todavia, dispõe a Súmula 711 do STF:

Súmula 711 - A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.

Em se tratando de crimes continuados ou permanentes, deve-se assentar a aplicabilidade da Lei 12.850/2013 ao caso, nada obstante dizer respeito a fatos, em tese, perpetrados antes da entrada em vigor do diploma legal. Essa compreensão deflui do singelo fundamento da natureza permanente do crime essa foi a orientação do STF no Inquérito 4112.

ATENÇÃO: nem todos os quatro núcleos do preceito averiguado encerram hipótese de crime permanente ou continuado.

9. SUJEITOS ATIVO E PASSIVO

O crime é comum, logo, qualquer pessoa pode ser sujeito ativo.

Inimputáveis com discernimento mínimo poderão integrar o polo ativo. O mesmo acontece com os membros não identificados que serão computados como sujeitos ativos, ainda que não discriminados.

Já em relação ao agente infiltrado, não será computado como sujeito ativo, eis que não fará parte dos membros da Organização. Seu animus, ao imiscuir-se é de conhecer o DNA da Organização para colheita de informações e posterior investigação.

ATENÇÃO: Não é correto dizer que somente se pode cogitar de uma organização criminosa formada por empresários quando estes fazem do crime seu “modo de vida”, e não quando suas atividades principais sejam praticadas licitamente. Ou seja, para que se tenha organização criminosa formada por empresários não é carecedor que tenham instituído empresa somente para essa finalidade.

Inexiste sujeito passivo - o crime é vago.

10. ELEMENTO SUBJETIVO

É preciso animus associativo de caráter estável e permanente aliado ao “objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza.

ao “objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1
ao “objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1
ATENÇÃO: Ausente o animus associativo de caráter estável e permanente, ainda que ocorra dolo, não

ATENÇÃO: Ausente o animus associativo de caráter estável e permanente, ainda que ocorra dolo, não haverá o crime organizado por natureza, configurando-se, tão somente, o concurso eventual de pessoas.

11. CONSUMAÇÃO

O crime organizado, por si só, não constitui crime permanente. Pode ser que adquira natureza de crime permanente, contudo, nem sempre assim o será.

O núcleo integrar será SEMPRE crime permanente.

Veja que a natureza de crime permanente fomenta repercussões drásticas. Exemplo:

Será possível a prisão em flagrante a qualquer tempo (art. 303 do CPP);

Prescrição da Pretensão Punitiva somente começará a fluir quando cessada a permanência (art. 111, inciso III, do CP);

Será possível a Busca e Apreensão sem mandado, desde que se notifique previamente os investigados.

Os núcleos financiar e promover podem ser permanentes ou não.

O núcleo constituir NÃO admite permanência porque é crime instantâneo.

Em qualquer caso, a natureza será formal, ou seja: será crime de consumação antecipada ou de resultado cortado, conforme previsto no art. 2º da LCO:

Art. 2º ( ) Pena reclusão, de 3 a 8 anos, e multa, sem prejuízo das penas correspondentes às demais infrações penais praticadas.

Responde-se pelo crime de organização, ainda que não tenha praticado qualquer delito.

12. MAIS DE UMA DENÚNCIA CONTRA A MESMA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Se, depois de recebida a denúncia pela prática do crime de organização por natureza, descobre-se que a societas sceleris continua em atividade, deverá ser efetuada nova denúncia.

Para fins de nova denúncia pelo crime de integrar organização criminosa, deve-se considerar cessada a permanência com o recebimento da denúncia.

Assim, se os membros da organização permanecerem na mesma atividade criminosa após o recebimento da exordial acusatória, “será possível que o agente seja novamente denunciado ou até mesmo preso em flagrante, sem que isso configure imputação pelo mesmo fato”. O que se percebe é a “existência de outro fato e, consequentemente, de novo crime que não poderá, por

de outro fato e, consequentemente, de novo crime que não poderá, por CS – CRIME ORGANIZADO
de outro fato e, consequentemente, de novo crime que não poderá, por CS – CRIME ORGANIZADO
óbvio, ser compreendido na acusação anterior” – eis entendimento do STF no HC 78821, 1ª

óbvio, ser compreendido na acusação anterior” – eis entendimento do STF no HC 78821, 1ª Turma, DJ 17.03.2000 + HC 123763, 5ª Turma do STJ, DJe 21/09/2009.

13. TENTATIVA

Quanto à tentativa, existem duas correntes.

1ª C: entende a tentativa no crime organizado como inadmissível, porque o delito é

condicionado à existência de estabilidade e durabilidade para que se configure. Antes disso, tem-

se irrelevante penal.

2ª C: divide os núcleos do tipo. Isto é, nos casos de constituir e integrar, a tentativa será

inadmissível, porquanto a consumação ocorre com a simples adesão de vontades. Porém, os

crimes eventualmente permanentes (promover e financiar), a tentativa é admissível.

Exemplo citado por Eduardo Araújo da Silva é a interceptação de panfleto tendente à promoção da organização ou de dinheiro remetido para fins de financiamento.

14. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES

Vide §3º do art. 2º da LCO (semelhante ao art. 62, I, do CP):

Art. 2º ( ) § 3 o A pena é agravada para quem exerce o comando, individual ou coletivo, da organização criminosa, ainda que não pratique pessoalmente atos de execução.

Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes

O líder/comandante da organização criminosa responderá pelo crime de organização

criminosa com a pena agravada, ainda que não pratique, pessoalmente, atos de execução.

ATENÇÃO: a responsabilização penal do comandante da organização criminosa pelo crime organizado por extensão não se operará de forma automática apenas em virtude de sua posição.

No ordenamento jurídico brasileiro, não existe o que se entende por “teoria do domínio da posição” – prevista no art. 28 do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional que dispensa o dolo.

Aqui, a responsabilização do comandante pelo crime organizado por extensão poderá se operar por sua atuação como (sem que seja executor direto):

- Autor intelectual (mentor do crime: partícipe);

(sem que seja executor direto): - Autor intelectual (mentor do crime: partícipe); CS – CRIME ORGANIZADO
(sem que seja executor direto): - Autor intelectual (mentor do crime: partícipe); CS – CRIME ORGANIZADO
- Autor de escritório (forma especial de autoria mediata, na espécie do domínio da organização);

- Autor de escritório (forma especial de autoria mediata, na espécie do domínio da organização);

- Autor pelo domínio social (teoria do domínio do fato pelo domínio social).

social ( teoria do domínio do fato pelo domínio social). TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO PELO

TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO PELO DOMÍNIO SOCIAL

Pablo Rodrigo Alflen idealizou a Teoria do Domínio do Fato pelo Domínio Social. Representa a possibilidade de denunciação do autor comandante da organização criminosa, mesmo que não tenha ele praticado atos correlatos ao crime, desde que se verifique a disposição condicionada do executor, que o faz para garantir sua posição dentro de uma estrutura ou para ascender no posto.

Em outros termos, o domínio social por parte do homem de trás pressupõe a disposição condicionada do executor, enquanto sujeito que dolosamente pratica atos materiais direcionados à produção do resultado condicionalmente à manutenção ou alteração de sua posição ou situação.

O executor age a fim de assegurar (ou elevar) a sua posição meio à determinada estrutura,

ilícita ou não. Exemplo: executor que teme, no caso de recusa, a perda de seu posto.

A disposição condicionada do executor, que pode agir movido por diversos interesses que o

submetem (o condicionem) ao autor de trás, elimina a insegurança em relação à ocorrência do

resultado, tornando certa para o comandante do grupo a sua ocorrência.

O controle sobre a realização do resultado ofensivo ao bem jurídico permanece nas mãos

do homem de trás, e se opera de acordo com as suas ordens.

A

expressão

que

ordena

a

presente

teoria

é

DISPOSIÇÃO

CONDICIONADA

DO

EXECUTOR que se sujeita de forma qualificada ao comandante, no anseio de perder seu posto. O último, diante da conduta do executor, tranquiliza-se quanto ao resultado.

Esse tema encerra novidade e é de extrema relevância.

DIFERENÇA DA TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO PELO DOMÍNIO SOCIAL (T.D.F. – PABLO RODRIGO ALFLEN) E DA T.D.F. (CLAUS ROXIN) NA FORMA DOS APARATOS ORGANIZADOS DE PABLO RODRIGO ALFLEN) E DA T.D.F. (CLAUS ROXIN) NA FORMA DOS APARATOS ORGANIZADOS DE PODER

Claus Roxin, ao conceder os aparatos organizados de poder, o fez pensando numa máquina de poder rompida do estado de legalidade e não em pessoas jurídicas licitamente constituídas. Não nega que essas pessoas podem praticar crimes, mas sim a T.D.F. para com elas.

Por outro lado, a T.D.F. de Pablo Alflen se aplica perfeitamente, seja criminalidade empresarial ou não. Aqui, também não é reclamada a existência de uma máquina de poder rompida com a ordem jurídica, nem a figura do executor fungível, como preconiza Roxin.

15. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA

fungível, como preconiza Roxin. 15. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA ARMA DE FOGO CS – CRIME

ARMA DE FOGO

fungível, como preconiza Roxin. 15. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA ARMA DE FOGO CS – CRIME
fungível, como preconiza Roxin. 15. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA ARMA DE FOGO CS – CRIME
Dispõe o § 2º do art. 2º da LCO: § 2 o As penas aumentam-se

Dispõe o § 2º do art. 2º da LCO:

§ 2 o As penas aumentam-se até a metade se na atuação da organização criminosa houver emprego de arma de fogo.

O emprego da arma pode se exteriorizar pelo efetivo uso do instrumento ou pelo seu porte

ostensivo, capaz de influir no ânimo do ofendido.

A situação é diversa da prevista no §único do artigo 288 do CP:

Art. 288 ( ) Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente

Diversamente do art. 157 do CP e do art. 288 do CP, a LCO não contempla armas brancas.

Em resumo: não basta que a organização criminosa seja armada, deverá ela empregar as armas, bem como devem essas ser de “fogo”, e não armas brancas.

Se a arma de fogo for defeituosa, a incidência ou não da causa de aumento de pena dependerá do grau de ineficácia da arma. A absoluta, por exemplo, não gerará a causa de aumento.

Já na hipótese de a arma estar desmuniciada, deve-se ficar atento. A jurisprudência antiga considerava a situação irrelevante, existia uma presunção de lesividade.

O

agente pode nela inserir projéteis a qualquer tempo e efetuar disparos. Cabível a causa de aumento de pena (HC 246/811/RJ, 5ª T.STJ, Dje 15.04.2014 & HC 102263, 1ª T.STF, Dje-100 04.06.2010 & RHC 115077, 2ª T.STF, Dje-176 09.09.2013) - essa era a jurisprudência antiga.

1ª corrente: configura

meio relativamente ineficaz (lesividade in re ispsa - presumida).

2ª corrente: arma desmuniciada

não rende ensejo à causa de aumento de pena porque é

desprovida de potencialidade lesiva

e não é capaz de ensejar maior perigo de dano à integridade

física da vítima ou de terceiros. (AgRg no AREsp 466.211/SP, 6ª T.STJ, Dje 09/10/2017 & HC 419.579/MS, 5ª T.STJ, Dje 31/10/2017) trata-se do posicionamento atual.

De igual modo, se a arma for de brinquedo também não incidirá a causa de aumento de pena (cancelada a Súmula 174 do STJ).

Também não será preciso a apreensão e nem a perícia da arma de fogo, desde que existam elementos concretos que assegurem que a associação criminosa empregou arma de fogo na sua conduta.

associação criminosa empregou arma de fogo na sua conduta. PARTICIPAÇÃO DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE (I) Art.

PARTICIPAÇÃO DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE (I)

Art. 2º ( ) § 4 o A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):

I - se há participação de criança ou adolescente;

Em relação ao inciso I, surge a dúvida se é aplicado o art. 244-B do ECA em concurso.

ao inciso I, surge a dúvida se é aplicado o art. 244-B do ECA em concurso.
ao inciso I, surge a dúvida se é aplicado o art. 244-B do ECA em concurso.
Para uma corrente não incide porque haveria bis in idem . Portanto, bastaria que as

Para uma corrente não incide porque haveria bis in idem. Portanto, bastaria que as pessoas integradas em organização criminosa com a participação de crianças fossem denunciadas pela associação, considerada a referida causa de aumento de pena.

Em oposição, outra corrente defende que não haveria bis in idem porque o bem jurídico é diverso e a consumação se dá em momentos diversos. Admitindo-se, portanto o concurso material.

diversos. Admitindo-se, portanto o concurso material. AGENTE FUNCIONÁRIO PÚBLICO Art. 2º ) ( § 4o A

AGENTE FUNCIONÁRIO PÚBLICO

Art. 2º

) (

§ 4o A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):

II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a prática de infração penal;

Não basta que exista um funcionário público dentro da organização criminosa é importante que essa condição seja instrumento para prática de crimes.

DESTINAÇÃO DO PRODUTO DO CRIME AO EXTERIORessa condição seja instrumento para prática de crimes. Art. 2º ( ) § 4o A pena

Art. 2º

(

)

§

4o A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):

III

- se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em

parte, ao exterior;

A maior dificuldade está em rastrear e confiscar o produto/proveito.

está em rastrear e confiscar o produto/proveito. CONEXÃO COM OUTRAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS Art. 2º ) (

CONEXÃO COM OUTRAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS

Art. 2º

) (

§ 4o A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):

IV - se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações

criminosas independentes;

Há exposição ainda maior do bem jurídico.

independentes; Há exposição ainda maior do bem jurídico. TRANSNACIONALIDADE Art. 2º ( ) § 4o A

TRANSNACIONALIDADE

Art. 2º

(

)

§

4o A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):

V

- se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da

organização.

Há divergência quanto à sua aplicação.

da organização. Há divergência quanto à sua aplicação. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 29
da organização. Há divergência quanto à sua aplicação. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 29
1ª corrente: não é aplicável porque a transnacionalidade é elementar do crime de organização criminosa.

1ª corrente: não é aplicável porque a transnacionalidade é elementar do crime de organização criminosa. Se elementar, ao aplicá-la também como causa de aumento de pena corre- se o risco de incidir em bis in idem.

Não é o melhor entendimento porque, nem sempre, a transnacionalidade será concretizada no tipo penal, portanto, é elemento acidental.

2ª corrente: entende ser aplicável, especialmente, porque a transnacionalidade não tem natureza puramente elementar, assim, não haveria que se falar em bis in idem.

16. AFASTAMENTO CAUTELAR

AFASTAMENTO DE FUNCIONÁRIO PÚBLICOque se falar em bis in idem. 16. AFASTAMENTO CAUTELAR Previsto no §5º do art. 2º

Previsto no §5º do art. 2º da LCO (similar ao art. 319, VI do CPP e art. 56, §1º da Lei de Drogas):

LCO Art. 2º, § 5º Se houver indícios suficientes de que o funcionário público integra organização criminosa, poderá o juiz determinar seu afastamento cautelar do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à investigação ou instrução processual.

CPP- Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão:

VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a

prática de infrações penais;

LEI DE DROGAS - Art. 56, § 1o Tratando-se de condutas tipificadas como infração do disposto nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 a 37 desta Lei, o juiz, ao receber a denúncia, poderá decretar o afastamento cautelar do denunciado de suas atividades, se for funcionário público, comunicando ao órgão respectivo.

A antiga discussão existente a respeito do prejuízo ou não da remuneração do servidor foi suprida pela previsão legal de que, em afastamento cautelar, não haverá prejuízo da remuneração.

Ressalta-se que o afastamento automático, sem requisitos de cautelaridade, é errado. Por isso, o art. 17-D da Lei 9.613/98 é taxado de inconstitucional. Tanto que a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI 4.9155 no STF.

Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado, sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz competente autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno

AFASTAMENTO DE DETENTORES DE MANDATO ELETIVOcompetente autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno De acordo com Nélson Hungria: “ tanto é

De acordo com Nélson Hungria: “tanto é funcionário público o presidente da República quanto o estafeta de Vila de Confins, tanto o senador ou deputado federal quanto o vereador do

de Vila de Confins, tanto o senador ou deputado federal quanto o vereador do CS –
de Vila de Confins, tanto o senador ou deputado federal quanto o vereador do CS –
mais humilde Município, tanto o presidente da Suprema Corte quanto o mais bisonho juiz de

mais humilde Município, tanto o presidente da Suprema Corte quanto o mais bisonho juiz de paz da Hinterlândia”.

Majoritariamente, sempre se entendeu que qualquer servidor público poderia ser afastado do cargo, inclusive, os detentores de mandato eletivo.

O Plenário do STF na Ação Cautelar 4.070, afastou o deputado federal Eduardo Cunha, não só da presidência da Câmara dos Deputados, mas também do Parlamento esse entendimento parece correto porque Deputados e Senadores podem ser presos em flagrante por crime inafiançável. Ou seja, tem-se 24 horas para remeter os autos da prisão à Casa respectiva para deliberação (art. 53, §2º da CF/88); mantida a prisão, serão os autos enviados em até 24 horas para STF (art. 306, §1º do CPP) e podem ser adotadas as previdências do art. 310 do CPP.

Exemplo: Delcídio do Amaral (Ação Cautelar 4.036, 2ª T. STF) entendeu-se que incorria em crime permanente e reconheceu requisitos da prisão preventiva, decretando a prisão cautelar do ex-Senador.

Importante destacarmos a decisão proferida na ADI 5.526, em outubro de 2017. Com a finalidade de melhor compreender o assunto, colacionamos a explicação do Prof. Márcio Cavalcante (Dizer o Direito), retirada do Informativo 881 do STF.

(Dizer o Direito), retirada do Informativo 881 do STF. Houve uma mudança de entendimento do STF?
(Dizer o Direito), retirada do Informativo 881 do STF. Houve uma mudança de entendimento do STF?

Houve uma mudança de entendimento do STF?

SIM. Em 2016, o Plenário do STF aplicou a medida cautelar do inciso VI do art. 319 do CPP e afastou o Eduardo Cunha do seu cargo de Deputado Federal e da função de Presidente da Câmara dos Deputados durante a tramitação dos inquéritos que ele respondia. Naquela ocasião, o

durante a tramitação dos inquéritos que ele respondia. Naquela ocasião, o CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1
durante a tramitação dos inquéritos que ele respondia. Naquela ocasião, o CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1
STF afastou Cunha do cargo e não cogitou dar à Câmara dos Deputados a possibilidade

STF afastou Cunha do cargo e não cogitou dar à Câmara dos Deputados a possibilidade de reverter essa decisão. Em outras palavras, no caso de Cunha, o STF impôs a medida cautelar e o Parlamento não pode se manifestar sobre isso. STF. Plenário. AC 4070/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 5/5/2016 (Info 579).

A posição manifestada pelo STF na ADI 5526/DF (poder do Parlamento de dar a última

palavra sobre as medidas cautelares) aplica-se também aos Deputados Estaduais?

O STF não apreciou este tema. No entanto, penso que o entendimento pode sim valer

também para os Parlamentares estaduais. Isso porque o art. 27, § 1º da CF/88 determina que deverão ser aplicadas aos Deputados Estaduais as mesmas regras previstas para os Deputados Federais e Senadores relacionadas com inviolabilidade, imunidades, perda de mandato, licença, impedimentos, entre outros.

17. EFEITOS DA CONDENAÇÃO

Dispõe o § 6º do art. 2º da LCO:

Art. 2º ( )

§ 6o A condenação com trânsito em julgado acarretará ao funcionário público

a perda do cargo, função, emprego ou mandato eletivo e a interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo de 8 (oito) anos subsequentes ao cumprimento da pena.

Os efeitos são extrapenais e automáticos, como aqueles que ocorrem na Lei de Tortura, no art. 1º, §5º, em contraponto ao que prevê o art. 92, I, §único do CP.

Obs.: Numa eventual prova, deve-se requerer, na denúncia, a perda do cargo e a interdição pelo prazo legalmente descrito, especialmente para demonstrar ao examinador que se tem conhecimento sobre os preditos efeitos, ainda que de aplicação automática.

os preditos efeitos, ainda que de aplicação automática. LIMITES DOS EFEITOS Indaga-se: esses efeitos abrangem

LIMITES DOS EFEITOS

Indaga-se: esses efeitos abrangem qualquer atividade que o agente esteja exercendo ao tempo da condenação?

Na doutrina, existem duas correntes:

1ª corrente (Paulo José da Costa Júnior, Júlio Frabbini Mirabete): anteriormente, esse era o

posicionamento majoritário de que, independentemente do cargo, seria perdido e interditado.

2ª corrente (Cézar Roberto Bitencourt): o afastamento está restrito ao cargo do sujeito à época em que praticou o crime. Se, eventualmente, mudar de cargo, não será do novo afastado.

Recentemente, a 5ª turma do STJ decidiu acerca da questão (Resp 1452935/PE, Dje 17/03/2017) crime enquanto empregado público dos Correios; quando da sentença, cargo na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE):

Correios; quando da sentença, cargo na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE): CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1
Correios; quando da sentença, cargo na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE): CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1
STJ: Em regra, a pena de perdimento deve ser restrita ao cargo público ocupado ou

STJ: Em regra, a pena de perdimento deve ser restrita ao cargo público ocupado ou função pública exercida no momento do delito, salvo se o magistrado a quo considerar, motivadamente, que o novo cargo guarda correlação com as atribuições do anterior, ou seja, naquele em que foram

praticados os crimes, mostra-se devida a perda da nova função, uma vez que

tal ato visa a anular a possibilidade de reiteração de ilícitos da mesma

natureza (

SERVIDOR APOSENTADOde reiteração de ilícitos da mesma natureza ( Questiona-se se seria possível aplicar a cassação da

Questiona-se se seria possível aplicar a cassação da aposentadoria se, ao tempo da condenação, o servidor estiver aposentado.

1ª corrente (STJ Resp 911405, Dje 14.02.2011), ainda que a lei preveja apenas a perda e afastamento do cargo, entendia-se que seria perfeitamente possível a cassação da aposentadoria esse é o pensamento antigo do STJ.

2ª corrente (STJ AgRg no Resp 1447549, Dje 09/03/2016) defende que não será possível a cassação de aposentadoria como efeito da condenação criminal essa é a jurisprudência atual.

STJ “I. A perda do cargo público somente pode ser declarada nas hipóteses

restritas e taxativamente previstas na lei, vedada a interpretação extensiva

ou analógica em desfavor do réu, sob pena de afronta ao princípio da

legalidade. II. A previsão legal é dirigida para a perda de cargo, função pública ou

mandato efetivo, o que não é a hipótese dos autos, considerando que o agravado, no decorrer da ação penal, aposentou-se. III. Consubstanciando a aposentadoria um ato jurídico perfeito, com

preenchimento de requisitos legalmente exigidos, não se pode desconstituí-

la

como efeito extrapenal específico da sentença condenatória, mesmo que

o

fato apurado tenha sido cometido quando o funcionário ainda estava ativo.

A

cassação da aposentadoria tem previsão legal, mas no âmbito

administrativo, não na esfera penal.

ATENÇÃO: Desde que prevista a penalidade no regime jurídico do servidor, nada impede que a prática de fato criminoso em serviço acarrete a cassação da aposentadoria em procedimento administrativo (Resp 1.317.487, Dje 22.08.2014).

MANDATO ELETIVO DE DEPUTADOS FEDERAIS E SENADORESadministrativo (Resp 1.317.487, Dje 22.08.2014). 1ª corrente (STF, Ação Penal 565) – entendimento

1ª corrente (STF, Ação Penal 565) entendimento proliferado por algum tempo. Fundamenta-se nos art. 55, VI e §2º, da CF/88, O Judiciário não pode decretar perda do mandato eletivo porque a CF estabelece que o afastamento é função do Congresso Nacional:

Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:

VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.

§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta,

mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado

no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.

Trata-se da escatológica figura do parlamentar-presidiário Natan Donadon (Ação Penal 396).

escatológica figura do parlamentar-presidiário Natan Donadon (Ação Penal 396). CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 33
escatológica figura do parlamentar-presidiário Natan Donadon (Ação Penal 396). CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 33
2ª corrente (STF – Ação Penal 470): fundamenta-se nos arts. 15, III e 55, da

2ª corrente (STF Ação Penal 470): fundamenta-se nos arts. 15, III e 55, da CF/88 e art. 92,

I, do CP entendendo que pode ocorrer a perda do mandato por decisão do Poder Judiciário:

Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão

se dará nos casos de:

III

- condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus

efeitos;

Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:

IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;

Art. 92 - São também efeitos da condenação:

I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:

a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior

a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever

para com a Administração Pública; b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos.

Justamente com base nesses dispositivos, o Judiciário tem força para impor essa perda, independentemente de qualquer opinião do Parlamento a respeito. Ao Parlamento cabe apenas o ato administrativo de declarar e não verificar se o Judiciário acertou ou não no afastamento do Parlamentar.

Não obstante aos dois posicionamentos antagônicos, recentemente, houve uma decisão deveras relevante da 1ª Turma do STF.

*IMPORTANTÍSSIMO!

3ª corrente (Ação Penal 694, Rel. Min. Rosa Weber, 1ª Turma do STF, Dje-195 de 31-08- 2017): o art. 55, VI, §2º da CF/88 se aplica como regra. Ou seja, é da competência das Casas Legislativas decidir sobre a perda do mandato do Congressista condenado criminalmente. Excepcionalmente, prevê o art. 55, III, da CF/88 a perda do mandato se, em cada sessão legislativa,

o congressista faltar a 1/3 das sessões ordinárias caso em que a perda ocorrerá automaticamente.

Assim, quando a condenação ultrapassar 120 dias em regime fechado, a perda do mandato será consequência lógica.

Nos casos de condenação em regime aberto ou semiaberto, há a possibilidade de autorização de trabalho externo, que inexiste em condenação em regime fechado.

A CF/88 “é clara ao estabelecer que o parlamentar que não comparecer a mais de 120 dias ou a 1/3 das sessões legislativas perde o mandato por declaração da Mesa, e não por deliberação do Plenário. Assim, para que está condenado à prisão em regime fechado, no qual deva permanecer por mais de 120 dias, a perda é automática”, cumprindo à Meda da Casa respectiva declará-la (§3º do inciso III do artigo 55 da CF/88):

§ 3º - Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será declarada pela

Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional,

assegurada ampla defesa.

de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 34
de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 34
18. INVESTIGAÇÃO EM CASO DE PARTICIPAÇÃO DE POLICIAL Está prevista no art. 2º, §7º da

18. INVESTIGAÇÃO EM CASO DE PARTICIPAÇÃO DE POLICIAL

Está prevista no art. 2º, §7º da LOC, observe:

Art. 2º ( ) § 7 o Se houver indícios de participação de policial nos crimes de que trata

esta Lei, a Corregedoria de Polícia instaurará inquérito policial e comunicará ao Ministério Público, que designará membro para acompanhar o feito até a

sua conclusão.

Não será a delegacia de polícia que instaurará a investigação essa previsão visa obstar práticas corporativistas e sim a Corregedoria de Polícia.

A comunicação ao Ministério Público é consectário lógico do art. 129, VII, da CF/88:

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público

VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei

complementar mencionada no artigo anterior;

O dispositivo refere-se, ordinariamente, à Polícia Judiciária. Portanto, em âmbito estatal, a Corregedoria acionada será a da Polícia Civil.

Todavia, a Lei nº 13.491/2017 ampliou, significativamente, o conceito de crime militar e passou-se a considerar como tal não apenas os delitos inscritos no Código Penal Militar, mas, também, os previstos na legislação penal (inclusive, LCO), se cometidos por militares da ativa em uma das condições do inciso II, artigo 9º, do CPM.

Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:

II os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando praticados:

a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na

mesma situação ou assemelhado;

b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à

administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou

assemelhado, ou civil;

c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de

natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil;

d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da

reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;

e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio

sob a administração militar, ou a ordem administrativa militar;

f) revogada

Para mais, se o crime for militar será a Corregedoria da Polícia Militar que deverá ser comunicada.

Esse dispositivo (§7º do art. 2º da LCO) não impediu a investigação pelo Ministério Público.

Vigora-se a força-tarefa ope legis (mandado legal de otimização das investigações).

a força-tarefa ope legis (mandado legal de otimização das investigações). CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 35
a força-tarefa ope legis (mandado legal de otimização das investigações). CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 35
Nesse sentido, por 10 a 1, o STF (RE 593.727) reconheceu o poder investigatório amplo

Nesse sentido, por 10 a 1, o STF (RE 593.727) reconheceu o poder investigatório amplo do Ministério Público.

Em suma, o dispositivo deu margem ao âmbito de investigação pela Corregedoria da Polícia sem, contudo, minimizar a amplitude investigativa do órgão ministerial.

19. IMPEDIMENTO OU EMBARAÇAMENTO À PERSECUÇÃO PENAL (OBSTRUÇÃO À JUSTIÇA)

Descrito no §1º do art. 2º da LCO:

Art. 2º ( ) § 1o Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva organização criminosa.

É

interessante

notar

que

essa

tipificação

obedece

ao

mandado

convencional

de

criminalização, previsto no art. 23 da Convenção de Palermo.

Trata-se de crime acessório (pressupõe a existência de organização criminosa anterior) e de concurso eventual (pode ser cometido por um ou mais autores).

Indaga-se: é possível obstrução ao processo?

1ª corrente: não há previsão de obstrução ao processo, dado que não se pode realizar analogia in malam partem. De acordo com essa corrente, quando a lei pretendeu se referir a “investigação” e a “instrução processual”, o fez expressamente (§5º do art. 2º da LCO).

2ª corrente: defende a possibilidade de interpretação extensiva porque o bem jurídico tutelado é outro (administração da justiça). Essa foi, indubitavelmente, a mens legis. Preconiza a interpretação extensiva, em razão de o dispositivo pecar por inadequação de linguagem e não por ser lacunoso.

Na interpretação extensiva, amplia-se a significação das palavras (investigação) até fazê- las coincidir com o espírito da lei.

até fazê- las coincidir com o espírito da lei. NÚCLEO DO TIPO Compreende perturbar). dois núcleos:

NÚCLEO DO TIPO

Compreende

perturbar).

dois

núcleos:

impedir

(impossibilitar,

Impedir é mais grave (tipo penal misto alternativo).

proibir)

e

embaraçar

(atrapalhar,

Há, ainda, elemento normativo implícito no tipo: “sem justa causa” e indevidamente.

Perceba que a conduta do advogado, ao exercer legitimamente seu múnus (§2º do art. 2º do Estatuto da OAB), eventualmente, vir a “embaraçar”, através de diversos requerimentos em favor de seu cliente, ou mesmo a “impedir” determinada persecução penal, encontrar-se-á no espectro do exercício regular de direito (ou da atipicidade conglobante).

-se-á no espectro do exercício regular de direito (ou da atipicidade conglobante). CS – CRIME ORGANIZADO
-se-á no espectro do exercício regular de direito (ou da atipicidade conglobante). CS – CRIME ORGANIZADO
SUJEITOS DO CRIME O sujeito ativo poderá ser qualquer pessoa – crime comum. Enquanto o
SUJEITOS DO CRIME O sujeito ativo poderá ser qualquer pessoa – crime comum. Enquanto o

SUJEITOS DO CRIME

O sujeito ativo poderá ser qualquer pessoa crime comum.

Enquanto o sujeito passivo será o Estado.

Indaga-se: o sujeito ativo precisa ser integrante de organização criminosa?

1ª corrente: há entendimento de que o sujeito ativo não poderá integrar organização criminosa, porquanto esse integrante que obstrui a investigação estará no legítimo direito de não produzir provas contra si mesmo. Assim, o embaraçamento da investigação não será fato punível.

De acordo com Cézar Roberto Bitencourt, as ações constituem mero desdobramento do nemo tenetur se detegere, de modo que a obstrução à justiça é post factum impunível.

2ª corrente: Cléber Masson e Vinícius Marçal refutam o citado entendimento e defendem que os mais interessados em obstruir são os integrantes da organização criminosa. Nada impede sua incidência também na obstrução porque:

a) os bens jurídicos tutelados pelos referidos tipos são diversos;

b) o direito de não produzir prova contra si não autoriza prática da obstrução à justiça;

c) há um Mandado Convencional de Criminalização (MCC) na Convenção de Palermo;

Esse é o entendimento que tem prevalecido.

ELEMENTO SUBJETIVOde Palermo; Esse é o entendimento que tem prevalecido. É o dolo. CONSUMAÇÃO Impedir será considerado

É o dolo.

que tem prevalecido. ELEMENTO SUBJETIVO É o dolo. CONSUMAÇÃO Impedir será considerado crime material, ou

CONSUMAÇÃO

Impedir será considerado crime material, ou seja, será necessário, de fato, impedir a investigação.

Embaraçar é compreendido como crime formal, basta a mera turbação.

é compreendido como crime formal, basta a mera turbação. TENTATIVA 1ª corrente (Guilherme de Souza Nucci):

TENTATIVA

1ª corrente (Guilherme de Souza Nucci): em ambas as hipóteses (impedir e embaraçar) será

possível, embora mais difícil na ação de embaraçar (elemento normativo “de qualquer forma”).

2ª corrente (Cézar Roberto Bitencourt): impedir comporta tentativa, já embaraçar não.

3ª corrente (Luiz Flávio Gomes): enxerga nesse delito um crime de atentado ou de empreendimento, de maneira que o legislador puniu, no mesmo tipo, duas condutas, sendo que uma significa a tentativa da outra. Veja, “embaraçar” é a tentativa de “impedir”. Portanto, não há porque falar em tentativa

é a tentativa de “impedir”. Portanto, não há porque falar em tentativa CS – CRIME ORGANIZADO
é a tentativa de “impedir”. Portanto, não há porque falar em tentativa CS – CRIME ORGANIZADO
20. CRIMES OCORRIDOS NA INVESTIGAÇÃO E NA OBTENÇÃO DE PROVA Inicialmente, abordaremos as analisarmos cada

20. CRIMES OCORRIDOS NA INVESTIGAÇÃO E NA OBTENÇÃO DE PROVA

Inicialmente,

abordaremos

as

analisarmos cada um deles.

características

CARACTERÍSTICAS COMUNSabordaremos as analisarmos cada um deles. características 20.1.1. Finalidade comuns dos delitos. Para depois, a Todos

20.1.1. Finalidade

comuns

dos

delitos.

Para

depois,

a

Todos esses crimes visam proteger as técnicas especiais de investigação previstas no art. 3º da LCO.

20.1.2. Bem jurídico

Ao contrário do art. 2º, “caput” que prevê a “paz pública”, aqui tem-se a “administração da

justiça”

20.1.3. Ação penal

Todos se processam por Ação Penal Pública Incondicionada.

20.1.4. Procedimento

Quaisquer dos crimes se processam pelo Rito Ordinário, conforme preconiza o art. 22 da LCO diferente do artigo 394, inciso III, §1º do CPP:

Art. 22. Os crimes previstos nesta Lei e as infrações penais conexas serão apurados mediante procedimento ordinário previsto no Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), observado o disposto no parágrafo único deste artigo.

20.1.5. Prazo para encerramento da instrução

É de cento e vinte dias, conforme §único do art. 22 da LCO:

Art. 22Parágrafo único. A instrução criminal deverá ser encerrada em prazo razoável, o qual não poderá exceder a 120 (cento e vinte) dias quando o réu estiver preso, prorrogáveis em até igual período, por decisão fundamentada, devidamente motivada pela complexidade da causa ou por fato procrastinatório atribuível ao réu.

20.1.6. Elemento subjetivo

O elemento subjetivo é sempre o dolo, nenhum desses crimes foi previsto na modalidade culposa.

IDENTIFICAÇÃO CLANDESTINA DE COLABORADOR (ART. 18 DA LCO)subjetivo é sempre o dolo, nenhum desses crimes foi previsto na modalidade culposa. CS – CRIME

na modalidade culposa. IDENTIFICAÇÃO CLANDESTINA DE COLABORADOR (ART. 18 DA LCO) CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1
na modalidade culposa. IDENTIFICAÇÃO CLANDESTINA DE COLABORADOR (ART. 18 DA LCO) CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1
Art. 18. Revelar a identidade, fotografar ou filmar o colaborador, sem sua prévia autorização por

Art. 18. Revelar a identidade, fotografar ou filmar o colaborador, sem sua prévia autorização por escrito:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

A lei menciona apenas o colaborador. Todavia, caso seja o infiltrado também configurará

crime (art. 20 da LCO).

O colaborador é o sujeito que assina com autoridade o termo de acordo de colaboração

premiada (art. 4º, §§º 6º e 7º). Tem direito ao sigilo até determinado momento e é essa pessoa que

a lei visa proteger, porque a conduta de revelar, fotografar ou filmar atenta contra o Estatuto de

Proteção da Intimidade e da Incolumidade (E.P.I.I.) do colaborador, conforme o art. 5º, V, da LCO:

Art. 5º São direitos do colaborador:

V - não ter sua identidade revelada pelos meios de comunicação, nem ser fotografado ou filmado, sem sua prévia autorização por escrito;

A finalidade da incriminação é tutelar a eficácia da colaboração, preservando a intimidade e

a incolumidade física do colaborador.

20.2.1. Núcleos

Possui três núcleos:

Revelar a identidade (dar conhecimento a terceiros acerca das características pessoais que se prestem a individualizar o colaborador);

Fotografar ou filmar o colaborador trata-se de tipo misto alternativo, isto é, ainda que seja fotografo o colaborador e depois revelada sua identidade, responderá o autor por apenas um crime.

Consentimento: redunda em atipicidade, desde que o consentimento seja prévio e por escrito.

Consentimento posterior ou verbal não redundam em atipicidade.

O crime poderá ser cometido enquanto houver sigilo. Não se olvida que esse delito visa,

justamente, preservar a eficácia da colaboração premiada enquanto técnica especial de

investigação.

Sendo assim, se a avença já cumpriu o seu papel e perdeu o caráter sigiloso, o que invariavelmente ocorrerá com o recebimento da denúncia (art. 7º, §3º da LCO), não nos parece que, após esse termo final máximo, o descortinamento da identidade do colaborador possa agredir o bem jurídico principal tutelado pela norma Inquérito 4435 Agr/DF, 1ª Turma do STF.

20.2.2. Sujeito ativo

1ª corrente (Cézar Roberto Bitencourt e Paulo César Busato) é crime próprio e, portanto, somente quem participa da avença através de meios de comunicação é que poderiam ser autores do crime.

da avença através de meios de comunicação é que poderiam ser autores do crime. CS –
da avença através de meios de comunicação é que poderiam ser autores do crime. CS –
2ª corrente (majoritária) é como crime comum. Não é porque o sigilo é imposto por

2ª corrente (majoritária) é como crime comum. Não é porque o sigilo é imposto por lei, antes

do recebimento da denúncia, que o acordo de colaboração premiada está imune a vazamentos.

Um terceiro estranho ao acordo pode tomar conhecimento, apesar do sigilo.

20.2.3. Sujeito passivo

Estado e, indiretamente, o colaborador.

20.2.4. Elemento subjetivo

Dolo.

20.2.5. Consumação

Em relação ao verbo revelar, será preciso o alcance de uma terceira pessoa.

Já no que concerne ao verbo fotografar e filmar basta a prática da conduta.

Retrato falados e caricaturas não são fotografias. Contudo, um trabalho artístico bem feito pode encerrar a tipicidade revelar do núcleo.

bem feito pode encerrar a tipicidade revelar do núcleo. COLABORAÇÃO CALUNIOSA OU INVERÍDICA (ART. 19) Art.

COLABORAÇÃO CALUNIOSA OU INVERÍDICA (ART. 19)

Art. 19. Imputar falsamente, sob pretexto de colaboração com a Justiça, a prática de infração penal a pessoa que sabe ser inocente, ou revelar informações sobre a estrutura de organização criminosa que sabe inverídicas:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Em relação ao significado da expressão “sob pretexto de colaboração com a justiça” há dois entendimentos:

1ª corrente: não deve ser lida em sentido técnico, qualquer pessoa que tenha motivação de

colaborar com a Justiça e impute falsamente à pessoa que sabe inocente prática de infração penal,

incorreria nesse sentido.

2ª corrente (posição adotada): deve ser lida em sentido técnico, deve haver um acordo de

colaboração premiada, momento em que surge o dever de colaboração com a Justiça.

O artigo 19 da LCO não alcança os acordos de colaboração premiada celebrados fora do

contexto da criminalidade organizada.

20.3.1. Sujeito ativo

Trata-se de crime de mão própria, ou seja, somente o colaborador pode praticar.

20.3.2. Sujeito passivo

Estado e, indiretamente, a pessoa inocente contra a qual foi imputada a infração penal.

e, indiretamente, a pessoa inocente contra a qual foi imputada a infração penal. CS – CRIME
e, indiretamente, a pessoa inocente contra a qual foi imputada a infração penal. CS – CRIME
20.3.3. Elemento subjetivo “Sabe ser inocente” ou “sabe inverídicas” são reveladoras do dolo. Na dúvida:

20.3.3. Elemento subjetivo

“Sabe ser inocente” ou “sabe inverídicas” são reveladoras do dolo.

Na dúvida: não há crime, nem prêmio (salvo se eficaz).

20.3.4. Núcleos

Pode se referir a uma dupla falsidade, ambas embasadas na quebra dolosa do compromisso com a verdade (art. 4º, §4º, da LCO).

Colaboração caluniosa: imputar (atribuir) falsamente a pessoa (certa e determinada) que sabe ser inocente a prática de infração penal relacionada à organização criminosa recai sobre a pessoa.

*MP/PR cobrou o referido conceito recentemente.

Colaboração inverídica/fraudulenta: revelar (dar conhecimento a terceiro) informações que sabe inverídicas acerca da estrutura de organização criminosa recai sobre a burocracia da organização criminosa.

Visa impedir a ação de colaboradores pilotados que, guiados por terceiros interessados em atrapalhar o trabalho da justiça, atuam na obstrução através de informações fraudulentas ou caluniosas.

20.3.5. Consumação

Trata-se de crime formal.

Consuma-se na ocasião em que o colaborador presta colaboração caluniosa ou inverídica.

Diferente da Denunciação Caluniosa (art. 339 do CP), que tem natureza de delito material e se consuma com a efetiva instauração da investigação ou de processo contra alguém.

Aqui, não é preciso que se instaure investigação contra alguém. Todavia, se a partir da colaboração caluniosa ou inverídica for instaurada investigação, haverá migração do art. 19 da LCO para o art. 339 do CP, que prevê sanção mais severa.

ATENÇÃO: Ainda que guarde semelhança com o art. 138 do CP (calúnia), ao art. 19 da LCO, NÃO possível que retratação resulte na extinção da punibilidade do colaborador arrependido. Tal instituto é destinado às Ações Penais Privadas (artigo 143 do CP).

Por fim, a retratação prevista no âmbito da LCO não é a retratação do colaborador arrependido, mas daquele que deixa de querer a colaboração premiada.

mas daquele que deixa de querer a colaboração premiada. VIOLAÇÃO DE SIGILO DAS INVESTIGAÇÕES (ART. 20)

VIOLAÇÃO DE SIGILO DAS INVESTIGAÇÕES (ART. 20)

Art. 20. Descumprir determinação de sigilo das investigações que envolvam a ação controlada e a infiltração de agentes:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

infiltração de agentes: Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. CS
infiltração de agentes: Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. CS
Pode ser tanto sigilo legal como também sigilo judicial, mesmo que a sigilosidade deixe de

Pode ser tanto sigilo legal como também sigilo judicial, mesmo que a sigilosidade deixe de acontecer por alguma razão, se o juiz impuser sigilo por força do art. 23 da LCO, terá de ser ele respeitado. O descumprimento deste poderá redundar na prática do delito.

A quebra do sigilo macula a eficácia da técnica especial de investigação e expõe em

incolumidade tanto aquele que realize a ação controlada quanto daquele que está infiltrado.

ATENÇÃO: o art. 20 da LCO é especial em relação ao art. 325 do CP que prevê a violação do sigilo funcional.

20.4.1. Núcleo

Descumprir (deixar de acatar).

O meio de execução pode ocorrer através da ação (exposição do dado sigiloso a alguém)

ou omissão (omite cautelares para que 3º desautorizado acesse os dados protegidos).

Questiona-se: a quebra do sigilo do processo penal que envolva ação controla e infiltração configura crime?

1ª corrente (Rogério Sanches Cunha e Ronaldo Batista Pinto): não, dado que o tipo do art.

20 da LCO só alcança a investigação, a ação controlada e infiltração de agentes ocorre, geralmente, no âmbito investigativo. Para eles, a quebra do sigilo do processo final poderá gerar a incidência do

artigo 325 do CP, mas não do artigo 20 do CP.

2ª corrente (Luiz Regis Prado) - com a qual se concorda entende que o processo penal

também rende ensejo ao art. 20 da LCO, através de interpretação extensiva, justamente porque a lei é clara, em seu art. 3º, ao preconizar que todas as técnicas especiais de investigação lá previstas podem acontecer em qualquer momento da persecução penal.

20.4.2. Sujeito ativo

Aquele que tem o dever de guardar o sigilo natureza de crime próprio.

20.4.3. Consumação

Ocorre com a quebra do sigilo (ação ou omissão) em favor de terceiro (extraneus ou intraneus desautorizado).

20.4.4. Tentativa

É possível iter criminis é cindível.

Não ocorrerá, todavia, em eventual quebra do sigilo verbal.

Pergunta-se: O descumprimento de determinação de sigilo das investigações que envolvam a colaboração premiada configura crime?

Sim, o artigo 325 do CP.

que envolvam a colaboração premiada configura crime? Sim, o artigo 325 do CP. CS – CRIME
que envolvam a colaboração premiada configura crime? Sim, o artigo 325 do CP. CS – CRIME
Revelar a identidade, fotografar o colaborador é o crime do art. 18 da LCO. Por

Revelar a identidade, fotografar o colaborador é o crime do art. 18 da LCO. Por outro lado, se a pessoa que tem dever legal de proteção ao sigilo e o vaza, acontecerá o crime descrito no art. 325 do CP:

Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave. SONEGAÇÃO DE INFORMAÇÕES REQUISITADAS (ART.

SONEGAÇÃO DE INFORMAÇÕES REQUISITADAS (ART. 21)

Art. 21. Recusar ou omitir dados cadastrais, registros, documentos e informações requisitadas pelo juiz, Ministério Público ou delegado de polícia, no curso de investigação ou do processo:

Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem, de forma indevida, se apossa, propala, divulga ou faz uso dos dados cadastrais de que trata esta Lei.

20.5.1. Objetivo

Proteger as técnicas especiais de investigação do art. 3º, inciso IV, da LCO:

Art. 3o Em qualquer fase da persecução penal, serão permitidos, sem prejuízo de outros já previstos em lei, os seguintes meios de obtenção da prova:

IV - acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas, a dados cadastrais constantes de bancos de dados públicos ou privados e a informações eleitorais ou comerciais;

Dar concretude ao art. 21 da LCO, os arts. 15 e 16 ambos da LCO. Esses dispositivos preconizam a possibilidade de requisições diretas por parte das autoridades mencionadas no “caput“do art. 21 da referida lei.

Art. 15. O delegado de polícia e o Ministério Público terão acesso, independentemente de autorização judicial, apenas aos dados cadastrais do investigado que informem exclusivamente a qualificação pessoal, a filiação e o endereço mantidos pela Justiça Eleitoral, empresas telefônicas, instituições financeiras, provedores de internet e administradoras de cartão de crédito.

Art. 16. As empresas de transporte possibilitarão, pelo prazo de 5 (cinco) anos, acesso direto e permanente do juiz, do Ministério Público ou do delegado de polícia aos bancos de dados de reservas e registro de viagens.

Se sonegados os referidos dados, haverá a incidência no artigo 21 da LCO.

referidos dados, haverá a incidência no artigo 21 da LCO. ATENÇÃO: os dados previstos no art.
referidos dados, haverá a incidência no artigo 21 da LCO. ATENÇÃO: os dados previstos no art.
referidos dados, haverá a incidência no artigo 21 da LCO. ATENÇÃO: os dados previstos no art.
referidos dados, haverá a incidência no artigo 21 da LCO. ATENÇÃO: os dados previstos no art.
Art. 17. As concessionárias de telefonia fixa ou móvel manterão, pelo prazo de 5 (cinco)

Art. 17. As concessionárias de telefonia fixa ou móvel manterão, pelo prazo de 5 (cinco) anos, à disposição das autoridades mencionadas no art. 15, registros de identificação dos números dos terminais de origem e de destino das ligações telefônicas internacionais, interurbanas e locais.

Em momento algum há citação de mera requisição.

20.5.2. Núcleos

Recusar (rejeitar) ou omitir (deixar de fazer) dados cadastrais, registros, documentos e informações requisitadas pelo juiz, pelo Ministério Público ou por delegado, no curso de investigação ou do processo (que envolva criminalidade organizada).

Obviamente, o destinatário da ordem manifestadamente ilegal não será obrigado a cumpri-

la.

20.5.3. Confrontos

- Artigo 21 da LCO é especial (elementos especializantes) em relação ao crime previsto no artigo 330 do Código Penal:

Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público:

Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa.

- Artigo 21 da LCO se difere do crime de prevaricação (artigo 319 do CP):

Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

- Artigo 21 da LCO se difere do artigo 10 da Lei nº 7.347/85:

Art. 10. Constitui crime, punido com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, mais multa de 10 (dez) a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN, a recusa, o retardamento ou a omissão de dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério Público.

- Artigo 21 da LCO se difere do artigo 10, §único da Lei Complementar 105/01:

Art. 10. A quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicando-se, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem omitir, retardar injustificadamente ou prestar falsamente as informações requeridas nos termos desta Lei Complementar.

20.5.4. Sujeito ativo

informações requeridas nos termos desta Lei Complementar. 20.5.4. Sujeito ativo CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 44
informações requeridas nos termos desta Lei Complementar. 20.5.4. Sujeito ativo CS – CRIME ORGANIZADO 2019.1 44
1ª corrente (Guilherme de Souza Nucci, Flávio Cardoso Pereira, Rogério Sanches Cunha e Ronaldo Batista

1ª corrente (Guilherme de Souza Nucci, Flávio Cardoso Pereira, Rogério Sanches Cunha e Ronaldo Batista Pinto): qualquer pessoa pode incorrer no delito.

2ª corrente (Cléber Masson e Vinícius Marçal, Luiz Flávio Gomes, Marcelo Rodrigues da Silva): trata-se de crime próprio (a pessoa a quem foi dirigida a requisição, e que tenha o poder- dever de cumpri-la).