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CRIMES AMBIENTAIS APRESENTAÇÃO 3 1. INTRODUÇÃO 4 CRÍTICA DE MIGUEL REALE JÚNIOR 4

CRIMES AMBIENTAIS

APRESENTAÇÃO

3

1. INTRODUÇÃO

4

CRÍTICA DE MIGUEL REALE JÚNIOR4

4

TERMINOLOGIAS4

4

2. CONCURSO DE PESSOAS E OMISSÃO AMBIENTALMENTE RELEVANTE

5

3. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA (PJ) NA CF/88

6

NATUREZA JURÍDICA DA PJ 6

NATUREZA JURÍDICA DA PJ

6

3.1.1. Teoria da Ficção Jurídica (Savigny)

7

3.1.2. Teoria da Realidade ou Organicista (Otto Gierke)

7

RESPONSABILIDADE PENAL DA PJ 7

RESPONSABILIDADE PENAL DA PJ

7

3.2.1.

Contras e prós da responsabilidade penal da PJ

8

RESPONSABILIDADE PENAL DA PJ DE DIREITO PÚBLICO10

10

DENÚNCIA GERAL VS PROCESSO PENAL KAFKIANO (CRIPTOIMPUTAÇÃO)10

10

4. ENCERRAMENTO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO AMBIENTAL

12

5. REQUISITOS LEGAIS PARA RESPONSABILIZAÇÃO PENAL DA PJ

13

6. SISTEMA DA DUPLA IMPUTAÇÃO OU DAS IMPUTAÇÕES PARALELAS

14

7. CRITÉRIOS PARA DOSIMETRIA DA PENA

15

CRITÉRIOS EXTRAÍDOS DO DISPOSITIVO LEGAL16

16

CARÁTER AUTÔNOMO E SUBSTITUTIVO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS15 CRITÉRIOS EXTRAÍDOS DO DISPOSITIVO LEGAL 16 16 PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS APLICÁVEIS ÀS PESSOAS

16

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS APLICÁVEIS ÀS PESSOAS FÍSICAS17

17

7.3.1. Prestação de serviços à comunidade

17

7.3.2. Interdição temporária de direitos

18

7.3.3. Suspensão das atividades da pessoa física

18

7.3.4. Prestação pecuniária

19

7.3.5. Recolhimento domiciliar

19

8. CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES

20

9. CIRCUNSTÂNCIAS

AGRAVANTES

21

10. PENAS APLICÁVEIS ÀS PJ’S

24

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE24

24

RESTRITIVA DE DIREITOS24

24

MULTA24

24

10.3.1.

Critério para aplicação e critério para triplicar

25

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS DA PESSOA JURÍDICA25

25

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE PELA PESSOA JURÍDICA26

26

LIQUIDAÇÃO FORÇADA26

26

11. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NA LCA

27

12. SURSIS SIMPLES NOS CRIMES AMBIENTAIS

27

13. SURSIS ESPECIAL (REPARAÇÃO DO DANO) NOS CRIMES AMBIENTAIS

27

14. SURSIS ETÁRIO E HUMANITÁRIO NOS CRIMES AMBIENTAIS E TRANSAÇÃO PENAL

28

15. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO NOS CRIMES AMBIENTAIS

29

16. APREENSÃO E VENDA DE INSTRUMENTOS DA INFRAÇÃO

30

17. NATUREZA DA AÇÃO NA LCA

30

18. POSSIBILIDADE DE HABEAS CORPUS (HC)

31

19. COMPATIBILIDADE COM O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

31

20. INTERROGATÓRIO DA PJ

31

21. COMPETÊNCIA

32

REGRA 32

REGRA

32

31 20. INTERROGATÓRIO DA PJ 31 21. COMPETÊNCIA 32 REGRA 32 CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
31 20. INTERROGATÓRIO DA PJ 31 21. COMPETÊNCIA 32 REGRA 32 CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
CASUÍSTICA 32 COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL 32 22. CRIMES EM ESPÉCIE 33 CRIME DO ARTIGO

CASUÍSTICA32

32

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL32

32

22.

CRIMES EM ESPÉCIE

33

CRIME DO ARTIGO 29 DA LCA33

33

ARTIGO 37 DA LCA – CIRCUNSTÂNCIAS ATÍPICAS CIRCUNSTÂNCIAS ATÍPICAS

35

CRIME DO ARTIGO 30 DA LCA35

35

CRIME DO ARTIGO 31 DA LCA35

35

CRIME DO ARTIGO 32 DA LCA36

36

ARTIGO 64 DA LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS (LCP)36

36

CRIME DO ARTIGO 49 DA LCA37

37

CRIME DO ARTIGO 54 DA LCA38

38

36 CRIME DO ARTIGO 49 DA LCA 37 CRIME DO ARTIGO 54 DA LCA 38 CS
36 CRIME DO ARTIGO 49 DA LCA 37 CRIME DO ARTIGO 54 DA LCA 38 CS
APRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO

Olá!

Inicialmente, gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria.

O Caderno Legislação Penal Especial Crimes de Ambientais possui como base as aulas do professor Vinícius Marçal, do Curso G7 Jurídico.

Dois livros foram utilizados para complementar nosso CS de Legislação Penal Especial: a) Legislação Criminal para Concursos (Fábio Roque, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar), ano 2017 e b) Legislação Criminal Comentada (Renato Brasileiro), ano 2018, ambos da Editora Juspodivm.

Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito (www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da semana para ler no site do Dizer o Direito.

Ademais, no Caderno constam os principais artigos de lei, mas, ressaltamos, que é necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação.

Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina + informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você faça uma boa prova.

Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito importante!! As bancas costumam repetir certos temas.

Vamos juntos!! Bons estudos!!

Equipe Cadernos Sistematizados.

repetir certos temas. Vamos juntos!! Bons estudos!! Equipe Cadernos Sistematizados. CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 3
repetir certos temas. Vamos juntos!! Bons estudos!! Equipe Cadernos Sistematizados. CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 3
1. INTRODUÇÃO CRÍTICA DE MIGUEL REALE JÚNIOR Quando a Lei nº 9.605/98 (Lei dos Crimes

1.

INTRODUÇÃO

CRÍTICA DE MIGUEL REALE JÚNIOR1. INTRODUÇÃO Quando a Lei nº 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais – LCA) surgiu, Miguel Reale

Quando a Lei nº 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais LCA) surgiu, Miguel Reale Júnior escreveu um artigo intitulado de “A Hedionda Lei dos Crimes Ambientais”, porque entendeu que o dispositivo transformou comportamentos irrelevantes em crimes.

Além disso, apontou o fenômeno da “abstratização do Direito Penal”, vislumbrado no ato de o legislador enquadrar inúmeras das infrações administrativas previstas em Decreto-Lei como crimes. Com essa postura, o Direito Penal ganha margem de populismo, renegando, inclusive, princípios que o caracterizam, tais como ultima ratio e intervenção mínima.

Também, segundo Reale, a LCA trouxe a figura da responsabilidade penal da pessoa jurídica sem que se tenha uma teoria do crime própria, isto é, importou-se a referida, mas não por completo. A denominada “Lei de Adaptação” que existe na França não foi transportada para o ordenamento jurídico brasileiro. Inexistem normas processuais que regulamentam a responsabilidade penal da pessoa jurídica na LCA.

Nesse contexto, assenta o doutrinador: “Incongruências e erros desse quilate apresenta a lei também no que respeita à previsão de novas penas alternativas e aos critérios de sua aplicação, além da criação inconstitucional da responsabilidade penal da pessoa jurídica e da admissão ampla e insegura da forma comissiva por omissão. A defesa imprescindível do meio ambiente não autoriza que se elabore e que o Congresso aprove lei penal ditatorial, seja por transformar comportamentos irrelevantes em crime, alçando, por exemplo, à condição de delito o dano culposo, seja fazendo descrição ininteligível de condutas, seja considerando crime infrações nitidamente de caráter apenas administrativo, o que gera a mais profunda insegurança.”

TERMINOLOGIASadministrativo, o que gera a mais profunda insegurança .” A LCA menciona termos que merecem atenção.

A LCA menciona termos que merecem atenção.

A figura da Lei Penal em Branco ao Quadrado, por exemplo, significa os casos de complemento normativo que reclamam outro complemento normativo, como ocorre no artigo 38 da Lei nº 9.605/98, por exemplo:

Art.

38.

Destruir

ou

danificar

 

floresta

considerada

de

preservação

permanente

, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência das

normas de proteção:

 

Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.

Para saber no que consiste “floresta de conservação permanente” deve-se atentar ao Código Florestal que, além de conceituar o termo, estabelece uma hipótese em que a área de preservação permanente (APP) será assim considerada, após declaração de interesse social por parte do Chefe do Poder Executivo.

Vide art. 6º da Lei nº 12.651/12:

social por parte do Chefe do Poder Executivo. Vide art. 6º da Lei nº 12.651/12: CS
social por parte do Chefe do Poder Executivo. Vide art. 6º da Lei nº 12.651/12: CS
Art. 6 o Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando declaradas de interesse social

Art. 6 o

Consideram-se,

ainda,

de

preservação

permanente,

quando

declaradas de interesse social por ato do Chefe do Poder Executivo,

as áreas

cobertas com florestas ou outras formas de vegetação destinadas a uma ou

mais das seguintes finalidades:

 

I - conter a erosão do solo e mitigar riscos de enchentes e deslizamentos de terra e de rocha; II - proteger as restingas ou veredas;

III - proteger várzeas;

 

IV - abrigar exemplares da fauna ou da flora ameaçados de extinção;

V - proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico, cultural ou

histórico;

VI

- formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias;

 

VII - assegurar condições de bem-estar público;

 

VIII

- auxiliar a defesa do território nacional, a critério das autoridades

militares.

IX

proteger áreas úmidas, especialmente as de importância

 
 
 

IX

- proteger

áreas

úmidas,

especialmente

as

de

importância

internacional.

2. CONCURSO DE PESSOAS E OMISSÃO AMBIENTALMENTE RELEVANTE

Art. 2º

Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos

nesta

Lei,

incide

nas

penas

a

estes

cominadas,

na

medida

da

sua

culpabilidade

, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e

de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la

A primeira parte do dispositivo (grifo) assemelha-se à previsão do art. 29 do CP, que

agasalha a “Teoria Unitária” ou “Teoria Monista”.

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a

este cominadas, na medida de sua culpabilidade

O restante do artigo prescreve que o omitente responde pelo resultado em razão do nexo

de evitação ou de não impedimento. Os demais sujeitos (mandatário, gerente, preposto) somente

responderão se os requisitos estiverem presentes.

Reforça-se que os agentes poderão responder tanto pela ação, quanto pela omissão ambientalmente relevante (semelhante ao art. 13, §2º do CP).

Art. 13 (

§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia

agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:

a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;

b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;

c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

)

c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. ) CS – CRIMES
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. ) CS – CRIMES
3. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA (PJ) NA CF/88 A Constituição Federal de 1988 estabelece

3. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA (PJ) NA CF/88

A Constituição Federal de 1988 estabelece dois mandados de criminalização da pessoa

jurídica, sendo um de menor citação e outro mais analisado.

O mandado menos versado está no artigo 173, §5º da CF/88:

Art. 173 ( ) § 5º A lei,

 

sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da

pessoa jurídica

,

estabelecerá a responsabilidade desta

, sujeitando-a às

punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular

Apesar da previsão, não houve tratamento da responsabilidade penal da pessoa jurídica, mas, tão somente, da responsabilidade individual.

O

mandado constitucional de responsabilização foi parcialmente cumprido.

O

outro dispositivo constitucional, de maior debate, é o artigo 225, §3º da CF/88:

Art. 225 ( ) § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados

Nesse caso, obedecendo ao mandado constitucional de criminalização, surgiu a Lei nº

9.605/98.

Pode uma lei infraconstitucional estabelecer a responsabilidade penal da PJ para outros casos (diversos daqueles previstos na CF/88)?

A grande maioria da doutrina é contra a extensão dessa responsabilidade penal para outras

hipóteses, inclusive, nos crimes ambientais. ENTRETANTO, o projeto do Novo Código Penal (NCP) trata da responsabilidade penal da PJ em outras hipóteses (crimes contra a administração pública).

Vide artigo 41 do Projeto de Lei 236 (Novo Código Penal):

 

Art. 41. As pessoas jurídicas de direito privado

serão responsabilizadas

penalmente pelos atos praticados contra a administração pública, a ordem econômica, o sistema financeiro e o meio ambiente, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, do seu órgão colegiado, no interesse ou benefício de sua entidade

Note que, no projeto, está claro que somente responderão as pessoas jurídicas de direito privado.

responderão as pessoas jurídicas de direito privado. NATUREZA JURÍDICA DA PJ Existem duas principais teorias que

NATUREZA JURÍDICA DA PJ

Existem duas principais teorias que disputam a natureza jurídica da PJ:

DA PJ Existem duas principais teorias que disputam a natureza jurídica da PJ: CS – CRIMES
DA PJ Existem duas principais teorias que disputam a natureza jurídica da PJ: CS – CRIMES
3.1.1. Teoria da Ficção Jurídica (Savigny) Tem como eixo algumas premissa s, sendo que a

3.1.1.Teoria da Ficção Jurídica (Savigny)

Tem como eixo algumas premissas, sendo que a principal é a de que “a pessoa jurídica não tem existência real”, portanto, não tem vontade própria e não pratica conduta.

Consequentemente, não pratica crimes.

3.1.2.Teoria da Realidade ou Organicista (Otto Gierke)

É oposta à anterior.

Para seus seguidores, a PJ é ente autônomo, real e distinto das pessoas físicas que a administram. Tem vontade própria institucional. É capaz de direitos e obrigações na vida civil e justamente por esses atributos é que pode cometer crimes.

e justamente por esses atributos é que pode cometer crimes. RESPONSABILIDADE PENAL DA PJ Têm-se cinco

RESPONSABILIDADE PENAL DA PJ

Têm-se cinco correntes a respeito:

1ª corrente (Paganella Boschi e Luiz Regis Prado)

A CF/88

não criou

a responsabilidade

penal da

PJ,

por

isso,

o

artigo 3º

da

LCA é

inconstitucional.

Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.

Para essa corrente, o art. 225, §3º da CF/88 deve ser lido de modo diverso.

Art. 225 ( ) § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados

Consoante seus defensores, o dispositivo deve ser lido da seguinte maneira:

“As condutas consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão aos infratores, pessoas físicas, a sanções penais, independentemente da obrigação de reparar os danos causados”.

E “as atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão aos infratores, pessoas jurídicas, a sanções administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados”.

Em suma, condutas e sanções se referem exclusivamente às pessoas físicas.

Por outro modo, atividades e sanções administrativas dizem menção às pessoas jurídicas.

modo, atividades e sanções administrativas dizem menção às pessoas jurídicas. CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 7
modo, atividades e sanções administrativas dizem menção às pessoas jurídicas. CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 7
2ª corrente Parte da premissa da Teoria da Ficção Jurídica . Se a PJ não

2ª corrente

Parte da premissa da Teoria da Ficção Jurídica. Se a PJ não é ente próprio, não pratica conduta e não detém vontade, logo, não pode praticar crimes.

Os entendimentos da 1ª e 2ª correntes embasam a perspectiva da doutrina majoritária (Luiz Luisi, Rogério Greco, Cézar Roberto Bitencourt, Paulo José da Costa Júnior, João Franco Muniz da Rocha, Eugenio Raúl Zaffaroni, Luiz Vicente Cernicchiaro, José Henrique Pierangeli e outros).

3ª corrente (Luiz Flávio Gomes)

A LCA instituiu, na verdade, um direito judicial sancionador, porque é aplicado pelo juiz e o

principal efeito estigmatizador típico das sanções penais (prisão) não está presente.

4ª corrente (Sílvio Maciel)

Há necessidade de uma Lei de Adaptação como a que existe na França. A CF/88 previu a responsabilidade penal da PJ, contudo, carece duma teoria do crime e de normas processuais compatíveis com a natureza fictícia das PJ’s.

5ª corrente (Damásio de Jesus, Sérgio Salomão Shecaira, Antônio Herman Benjamin e outros)

Fundada na Teoria da Realidade, conclui que a PJ pode cometer crimes, tal como previsto na CF/88 (leitura tradicional do artigo 225, §3º da CF/88).

A 5ª corrente reflete o posicionamento da maioria da jurisprudência.

Obs.: Se cobrado em prova objetiva, adota-se a 5ª corrente. Se questionado em provas subjetiva e oral, avançam-se com as demais correntes.

3.2.1.Contras e prós da responsabilidade penal da PJ

Contras

Desde o Direito Romano a sociedade não pode delinquir (societas delinquere non potest);

A PJ não possui consciência e vontade, não pratica condutas, portanto, ausente o elemento subjetivo. A vontade da PJ é, em verdade, a vontade das PF’s que a representam Teoria da Ficção Jurídica;

Como a PJ não é dotada de autoconsciência, não se consegue cumprir as funções da pena (prevenção e repressão);

PJ não tem culpabilidade. Não é imputável, somente o ser humano adquire capacidade de entender o caráter ilícito de um fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento;

A atuação da PJ é vinculada aos atos vinculados no seu estatuto social, não se incluindo a prática de crimes;

aos atos vinculados no seu estatuto social, não se incluindo a prática de crimes; CS –
aos atos vinculados no seu estatuto social, não se incluindo a prática de crimes; CS –
• Princípio constitucional da personalidade da pena (ou intranscendência): a punição da PJ alcançaria, ainda

Princípio constitucional da personalidade da pena (ou intranscendência): a punição da PJ alcançaria, ainda que indiretamente, seus integrantes;

Não se pode aplicar pena privativa de liberdade, característica indissociável do Direito Penal;

Viola o princípio da subsidiariedade do Direito Penal (Decreto Lei 6.514/2008 infrações administrativas idênticas);

Segundo Fernando da Costa Tourinho Filho: “conforme o artigo 3º da LCA, as PJ’s serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício de sua entidade”. A própria lei reconhece que ela não pode praticar crimes.

Prós:

A

PJ é um ente autônomo, dotado de consciência e vontade, razão pela qual pode

realizar condutas (“ação delituosa institucional”) e assimilar a natureza intimidatória da pena;

A

vontade da PJ resulta do somatório das vontades dos seus dirigentes. Ao lado da

“vontade individual”, passa-se a ter uma “vontade institucional”.

À culpabilidade penal individual clássica, deve-se somar a culpabilidade social (baseada na ideia da empresa como centro de emanação de decisões);

É

óbvio que o estatuto social de uma PJ não prevê a prática de crimes como uma de

suas finalidades. Da mesma forma, não contém em seu bojo a realização de atos ilícitos, o que não os impede de serem realizados (inadimplência, por exemplo);

A

punição da PJ não viola o princípio da personalidade da pena. Deve-se distinguir

a

pena dos efeitos decorrentes da condenação, os quais também se verificam com

a

punição da pessoa física;

O

direito penal não se limita à pena de prisão: conforme visto no artigo 28 da Lei de

Drogas e artigo 4º, §2º, da Lei nº 7.716.

Outros argumentos coerentes:

Insuficiência das sanções civis e administrativas para coibir as ações predatórias ao meio ambiente;

A

forte simbologia que tem a norma penal;

Punir apenas a pessoa física é criar um escudo para proteger aquele que mais se beneficia do crime ambiental: a PJ violadora das normas ambientais.

Relevante se faz a evidenciação da responsabilidade penal da PJ através de ação delituosa institucional calcada na vontade institucional + culpabilidade social.

delituosa institucional calcada na vontade institucional + culpabilidade social. CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 9
delituosa institucional calcada na vontade institucional + culpabilidade social. CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 9
A jurisprudência do STJ tem se valido dos fundamentos favoráveis à responsabilização da PJ. Culpabilidade

A jurisprudência do STJ tem se valido dos fundamentos favoráveis à responsabilização da

PJ.

Culpabilidade Social (Resp 564.960/Sc, 5ª T.Stj, Dj 13/06/2005)

“A responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais advém de uma escolha política, como forma não apenas de punição das condutas lesivas ao meio-ambiente, mas como forma mesmo de prevenção geral e especial. ( Se a pessoa jurídica tem existência própria

)

no ordenamento jurídico e pratica atos no meio social através da atuação de seus administradores, poderá vir a praticar condutas típicas e, portanto, ser

passível de responsabilização penal. VI. A culpabilidade, no conceito

moderno, é a responsabilidade social (

)”.

Em suma: “a responsabilidade penal desta, à evidência, não poderá ser entendida na forma tradicional baseada na culpa, na responsabilidade individual subjetiva, propugnada pela Escola

Clássica, mas deve ser entendida à luz der uma

nova responsabilidade

, classificada como

social
social

”.

RESPONSABILIDADE PENAL DA PJ DE DIREITO PÚBLICOuma nova responsabilidade , classificada como social ”. Acerca da responsabilidade penal da pessoa jurídica de

Acerca da responsabilidade penal da pessoa jurídica de Direito Público, dois são os entendimentos:

1ª corrente: É possível, pois a CF/88 não fez discrição entre pessoa jurídica de Direito Público e de Direito Privado.

2ª corrente: Não é possível, pois o Estado não se pode autopunir. A pena terminaria por prejudicar a própria coletividade, seja em face da lesão ao patrimônio público (multa, por exemplo); seja ainda com a suspensão ou interdição temporária de atividades (em franco juízo ao princípio da continuidade dos serviços públicos).

Posição do STJ – “responsabiliza-se apenas as pessoas jurídicas de Direito Privado”

Resp 564.960/SC, Rel. Min. Gilson Dipp, 5ª T.STJ, DJ 13/06/2005, obter dictum:

“Os critérios para a responsabilização da pessoa jurídica são classificados na doutrina como explícitos: 1) que a violação decorra de deliberação do ente coletivo; 2) que autor material da infração seja vinculado à pessoa jurídica; e 3) que a infração praticada se dê no interesse ou benefício da pessoa jurídica; e implícitos no dispositivo:

Que seja pessoa jurídica de direito privado; Que o autor tenha agido no amparo da pessoa jurídica; e Que a atuação ocorra na esfera de atividades da pessoa jurídica.”

DENÚNCIA GERAL VS PROCESSO PENAL KAFKIANO (CRIPTOIMPUTAÇÃO)ocorra na esfera de atividades da pessoa jurídica.” A denúncia geral, aquela que imputa um fato

A denúncia geral, aquela que imputa um fato preciso a mais de uma pessoa, é absolutamente plausível no ordenamento jurídico, sobretudo, nos crimes de autoria coletiva.

Já a denúncia genérica que, ao contrário da denúncia geral, não detém fato precioso e realiza a imputação criptografada, não é admitida pelo STJ.

fato precioso e realiza a imputação criptografada, não é admitida pelo STJ . CS – CRIMES
fato precioso e realiza a imputação criptografada, não é admitida pelo STJ . CS – CRIMES
Na denúncia genérica - criptografada (inadmitida pelo STJ) o sujeito não sabe pelo que está

Na denúncia genérica - criptografada (inadmitida pelo STJ) o sujeito não sabe pelo que está sendo acusado. Nesse contexto é que surge o “processo penal Kafkiano.

Na obra “O Processo”, Frank Kafka conta a história de “Joseph K”, que foi preso arbitrariamente sem qualquer explicação. Resumidamente, quando Joseph K. indaga o porquê está detido, tem como resposta que não lhe cabiam explicar isso, que deveria ele retornar aos aposentos

e ali o esperar enquanto o inquérito, já em curso, corria. Durante todo o romance, Joseph K. insiste em saber pelo que está sendo acusado. O estilo kafkiano de ser processo é oriundo dessa história e reflete a situação em que são tolhidos os preceitos jurídicos. No decorrer do processo do personagem, são verificados obstáculo

os injustos e desumanos, de modo que não lhe era dado acesso aos autos, justamente para que não soubesse nada esclarecedor e que servisse de subsídios para elaboração de defesa. Nesse contexto, alude o autor: “De modo que os expedientes da justiça e, especialmente, o escrito de acusação eram inacessíveis para o acusado e o seu defensor, o que fazia com que não se soubesse em geral ou ao menos com precisão a quem devia se dirigir a demanda”.

É comum o erro do Ministério Público (MP), ao identificar um crime ambiental praticado por uma PJ, denunciar não só a PJ, como também seu sócio-diretor. Note que ser sócio ou gerente não

é crime. Quem recebe uma denúncia simplesmente porque gerencia uma empresa está sendo acusado de um nada, de um fato genérico, através de uma denúncia criptografada.

*MP-GO: “A doutrina denomina criptoimputação a imputação contaminada por grave situação de deficiência na narração do fato imputado, quando não contém os elementos mínimos de sua identificação como crime, como às vezes ocorre com a simples alusão aos elementos do tipo penal abstrato.”

Nos chamados crimes de autoria coletiva, “embora a vestibular acusatória não possa ser de todo genérica, é válida quando, apesar de não descrever minuciosamente as atuações individuais dos acusados, demonstra um liame entre o seu agir e a suposta prática delituosa, estabelecendo a plausibilidade da imputação e possibilitando o exercício da ampla defesa”. (RHC 68.903, Dje 20/05/2016)

A denúncia geral (ao contrário da genérica) se adequada aos princípios da ampla defesa e do contraditório.

Repercussão na LCA

Dessarte,

fática congruente, de modo a permitir o due process of law, descrevendo conduta típica que, “atentando aos ditmaes do art. 41 do CPP, qualifica os acusados, descreve o fato criminoso e suas circunstâncias. O fato, por si só, de o MP ter imputado ao recorrente a mesma conduta dos demais denunciados não torna a denúncia genérica, indeterminada ou impresa.” (HC 311.571, STJ, Dje 15/12/2015)

geral que apresenta uma narrativa

não é inepta a denúncia

“Não se pode confundir a denúncia genérica com a denúncia real, pois o direito pátrio não admite denúncia genérica, sendo possível, entretanto, nos casos de crimes societários e de autoria coletiva, a denúncia geral, ou seja, aquela que, apesar de não detalhar minudentemente as ações imputadas aos denunciados, demonstra, ainda que de maneira sutil, a ligação entre sua conduta e o fato delitivo. Da leitura da inicial, verifica-se que os recorrentes Cristiano e Maria da Graça foram denunciados apenas em virtude de serem sócios administradores da primeira recorrente, Caiçaras Empreendimentos

de serem sócios administradores da primeira recorrente, Caiçaras Empreendimentos CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 11
de serem sócios administradores da primeira recorrente, Caiçaras Empreendimentos CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 11
Imobiliários Ltda. A acusação limitou-se a vinculá-los ao crime porque eram sócios administradores da primeira

Imobiliários Ltda. A acusação limitou-se a vinculá-los ao crime porque eram sócios administradores da primeira recorrente, o que torna a denúncia

genérica e inadmissível. (

para reconhecer a inépcia da denúncia aepans com relação aos recorrentes CRISTIANO e MARIA DA GRAÇA, sem prejuízo do oferecimento de nova inicial acusatória, desde que observados os requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal.” (RHC 88.264/RS, 5ª T.STJ, Dje 21/02/2018)

Recurso em habeas corpus provido em parte,

)

Denúncia geral vs processo penal Kafkiano (criptoimputação)

“A denúncia e o aditamento, apesar de descreverem a conduta delitiva consistente na supressão de vegetação em APP, não expõem, nem mesmo de passagem, o nexo causal entre o comportamento dos recorrentes e o fato delituoso. A acusação limitou-se a vinculá-los ao crime ambiental porque

A mera

atribuição de uma qualidade não é forma adequada para se conferir determinada prática delitiva a quem quer que seja. Caso contrário, abre- se margem para formulação de denúncia genérica e, por via de consequência, para reprovável responsabilidade penal objetiva.” (RHC 70.395, Dje 14/10/2016)

eram sócios da empresa em que realizada a fiscalização. (

)

A mera condição de sócio, diretor ou administrador

de determinada pessoa

jurídica não enseja a responsabilização penal por crimes praticados no seu âmbito, sendo indispensável que o titular da ação penal demonstre uma mínima relação de causa e efeito entre a conduta do réu e os fatos narrados na denúncia, permitindo-lhe o exercício da ampla defesa e do contraditório.

) (

paciente foi imputada a prática de crime contra o meio ambiente pelo simples

fato de exercer o cargo de Diretor Presidente da companhia Paranaense de Energia Elétrica COPEL, não tendo o órgão ministerial demonstrado a mínima relação de causa e efeito entre os fatos que lhe foram assestados e a função por ele exercida na mencionada pessoa jurídica, pelo que se mostra imperioso o trancamento da ação penal contra ele instaurada” (STJ, HC 232751, Dje 15.03.2013).

No caso dos autos, da leitura da exordial acusatória percebe-se que ao

Não confundir denúncia geral (válida) com denúncia genérica (inválida).

4. ENCERRAMENTO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO AMBIENTAL

Observe a Súmula Vinculante 24:

SV 24: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.

Os delitos ambientais configuram infrações administrativas. No entanto, a doutrina e jurisprudência são uníssonas ao preconizar pela desnecessidade da conclusão do procedimento administrativo ambiental para a deflagração da persecução penal.

“2. No caso dos autos, muito embora os crimes ambientais pelos quais o paciente foi acusado (artigos 39 e 40 da Lei 9.605/1998) sejam materiais, dependendo da ocorrência de dano para que possam se caracterizar, não há dúvidas de que o Ministério Público não precisa aguardar a conclusão do

processo

a

administrativo

instaurado

junto

ao

IBAMA

para

deflagrar

respectiva ação penal. 3. Isso porque as esferas administrativa e penal são independentes, razão pela qual o Parquet, dispondo de elementos mínimos para oferecer a denúncia, pode fazê-lo, prescindindo-se da apuração dos

para oferecer a denúncia, pode fazê-lo, prescindindo-se da apuração dos CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 12
para oferecer a denúncia, pode fazê-lo, prescindindo-se da apuração dos CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 12
fatos pelo órgão administrativo competente. 4. Eventual celebração de termo de ajustamento de conduta não

fatos pelo órgão administrativo competente. 4. Eventual celebração de termo de ajustamento de conduta não impede a persecução penal, repercutindo apenas na dosimetria da eventual pena a ser cominada ao autor do ilícito ambiental. Precedentes.” (HC 160.525/RJ, 5ª T. STJ, Dje 14/03/2013)

5. REQUISITOS LEGAIS PARA RESPONSABILIZAÇÃO PENAL DA PJ

A responsabilização penal da PJ não surge automaticamente à vista de qualquer fato que tenha subsunção na LCA.

São dois os requisitos necessários, verificados no artigo 3º da Lei nº 9.605/98:

Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e

penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que

a infração seja

cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu

órgão colegiado

,

no interesse ou benefício da sua entidade

.

Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.

Esses requisitos são cumulativos (e não alternativos):

a infração seja cometida por decisão do representante legal ou contratual, ou órgão colegiado da PJ;

na prática se dê no interesse ou benefício da PJ.

Exemplos dados por Luís Flávio Gomes e Sílvio Rodrigues:

Se um funcionário de uma empresa, que trabalha com motosserra, resolve, por sua conta, avançar em APP e cortar árvores nesse local proibido; ausente o primeiro requisito, qual seja:

infração ser cometida por decisão de representante ou órgão colegiado.

Se o gerente de uma empresa autoriza o corte de árvores em uma APP, contra os interesses da empresa, causando-lhe inclusive prejuízos enormes (perda de incentivos fiscais, perda de contratos com a desmoralização pública); ainda que presente o primeiro requisito, o fato não foi praticado em interesse ou benefício da empresa (segundo requisito).

*CESPE: “Na hipótese de o diretor de uma empresa determinar a seus empregados que utilizem veículos e instrumentos a ela pertencentes, em horário normal de expediente, para extraírem e transportarem madeira de lei, sem autorização do órgão ambiental competente, destinada a construção particular daquele dirigente, fica caracterizada a responsabilidade penal da pessoa jurídica e da pessoa física.” – FALSO!

Questiona-se: o artigo 3º da LCA foi o primeiro dispositivo a dispor sobre a responsabilidade penal da pessoa jurídica no Brasil?

Não. Já havia no ordenamento jurídico uma contravenção penal que previa responsabilização da PJ caso lesionasse o meio ambiente do trabalho. Vide artigo 19, §2º da Lei nº

8.213/91:

Art. 19 (

)

meio ambiente do trabalho. Vide artigo 19, §2º da Lei nº 8.213/91: Art. 19 ( )
meio ambiente do trabalho. Vide artigo 19, §2º da Lei nº 8.213/91: Art. 19 ( )
§ 2º Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas

§ 2º Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho

6. SISTEMA DA DUPLA IMPUTAÇÃO OU DAS IMPUTAÇÕES PARALELAS

Artigo 3º, §único da Lei nº 9.605/98:

Art. 3º ( ) Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.

É cediça a possibilidade de processamento das pessoas físicas e das pessoas jurídicas

(PJ’s).

Durante muitos anos, o STJ entendeu que o Sistema da Dupla Imputação ou das Imputações Paralelas era obrigatório, isto é, haveria de existir concurso necessário entre pessoas físicas e jurídicas para processamento, sem isso, seria a denúncia inepta.

De acordo com Luís Flávio Gomes: “O sistema de imputações paralelas, também chamado de sistema da dupla imputação, diz que, nos crimes ambientais, não é possível processar exclusivamente a pessoa jurídica. É preciso processar a pessoa física com a pessoa jurídica. É possível punir criminalmente a pessoa física sozinha ou então, em concomitância com a pessoa jurídica”.

“1. Para a validade de tramitação de feito criminal em que se apura o

cometimento de delito ambiental, na peça exordial devem ser denunciados tanto a pessoa jurídica com a pessoa física (sistema ou teoria da dupla imputação). Isso porque a responsabilização penal da pessoa jurídica não põe ser desassociada da pessoa física quem pratica a conduta com elemento subjetivo próprio. 2. Oferecida a denúncia somente contra a pessoa jurídica, falta pressuposto para que o processo-crime se desenvolva corretamente. 3. Recurso ordinário provido, para declarar a inépcia da denúncia e trancar, consequentemente, o processo-crime instaurado contra

a Empresa Recorrente, sem prejuízo de que seja oferecida outra exordial, válida.” (RMS 37.293/SP, 5ª T.STJ, Dje 09/05/2013)

Todavia, o referido sistema provocava injustiças. Tanto é que o posicionamento foi radicalmente alterado pelo STF ao entender que o Sistema da Dupla Imputação ou das Imputações Paralelas não era obrigatório.

“1.

O

artigo

225,

§23º

da

Constituição

Federal

não

condiciona

a

responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito da empresa. A norma constitucional não impõe a necessária dupla

imputação.

 

2. As organizações corporativas complexas da atualidade se caracterizam

pela descentralização e distribuição de atribuições e responsabilidades, sendo inerentes, a esta realidade, as dificuldades para imputar o fato ilícito a uma pessoa concreta.

3. Condicionar a aplicação do art. 225, §3º, da Carta Política a uma concreta

imputação também a pessoa física implica indevida restrição da norma constitucional, expressa a intenção do constituinte originário não apenas de ampliar o alcance das sanções penais, mas também de evitar a impunidade

de ampliar o alcance das sanções penais, mas também de evitar a impunidade CS – CRIMES
de ampliar o alcance das sanções penais, mas também de evitar a impunidade CS – CRIMES
pelos crimes ambientais frente às imensas dificuldades de individualização dos responsáveis internamente às

pelos crimes ambientais frente às imensas dificuldades de individualização dos responsáveis internamente às corporações, além de reforçar a tutela do bem jurídico ambiental. 4. A identificação dos setores e agentes internos da empresa determinantes da produção do fato ilícito tem relevância e deve ser buscada no caso concreto, como forma de esclarecer se esses indivíduos ou órgãos atuaram

ou deliberaram no exercício regular de suas atribuições internas à sociedade,

e ainda para verificar se a atuação se deu no interesse ou em benefício da

entidade

coletiva.

Tal

esclarecimento,

relevante

para

fins

de

imputar

determinado delito à pessoa jurídica, não se confunde, todavia, com

subordinar a responsabilização da pes

soa jurídica à responsabilização

conjunta e cumulativa das pessoas físicas envolvidas. Em não raras oportunidades, as responsabilidades internas pelo fato estarão diluídas ou parcializadas de tal modo que não permitirão a imputação de

(RE 548181, Rl. Min. Rosa Weber, 1ª

responsabilidade penal individual. ( T.STF, Dje-213 de 30-10-2014)

)”

ATENÇÃO: o sistema da Dupla Imputação existe, é legalmente previsto, mas é facultativo.

Ante as circunstâncias, o STJ acompanhou o STF e alterou seu próprio entendimento.

“Este Superior Tribunal, na ilha do entendimento externado pelo Supremo Tribunal Federal, passou a entender que, nos crimes societários, não é indispensável a aplicação da teoria da dupla imputação ou imputação simultânea, podendo subsistir a ação penal proposta contra a pessoa jurídica, mesmo se afastando a pessoa física do polo passivo da ação. Precedentes.” (AgRg no RMS 48.851/PA, 6ª T.STJ, Dje 26/02/2018)

*Pergunta de prova oral: o STF rejeita a dupla imputação nos crimes ambientais? O STF não nega a dupla imputação, que está expressa na lei. O que ele disse é que não é obrigatória!

7. CRITÉRIOS PARA DOSIMETRIA DA PENA

A LCA nada versou a respeito da dosimetria de pena. Justamente, por isso que se usa previsão do artigo 79 da Lei nº 9.605/98:

Art. 79. Aplicam-se subsidiariamente a esta Lei as disposições do

Código

Penal e do Código de Processo Penal

 

Ante o silêncio da lei, serão aplicadas as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal, porém, observadas algumas especificidades:

(1º) Para a fixação da pena base, observa-se primeiramente à previsão do artigo 6º da Lei nº 9.605/98 e, subsidiariamente, à do artigo 59 do CP;

(2º) Circunstâncias atenuantes e agravantes;

(3º) Causas de diminuição e de aumento de pena.

Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente

observará:

 

I

-

a

gravidade do fato

, tendo em vista os motivos da infração e suas

consequências

para a

saúde pública e para o meio ambiente;

 
consequências para a saúde pública e para o meio ambiente;   CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
consequências para a saúde pública e para o meio ambiente;   CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
II - os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental; III

II - os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de

interesse ambiental;

III - a situação econômica do infrator, no caso de multa.

Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:

I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;

II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;

III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;

IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie

de pena, se cabível.

CRITÉRIOS EXTRAÍDOS DO DISPOSITIVO LEGALaplicada, por outra espécie de pena, se cabível. • Gravidade do fato, motivo da infração e

Gravidade do fato, motivo da infração e consequências para a saúde pública e para o meio ambiente;

Antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação ambientais (ou seja, não exclusivamente penais, mas também normas administrativas);

Situação econômica do infrator no caso de multa + montante do prejuízo causado.

Vide artigo 19 da Lei nº 9.605/98:

Art. 19. A perícia de constatação do dano ambiental, sempre que possível, fixará o montante do prejuízo causado para efeitos de prestação de fiança e cálculo de multa. Parágrafo único. A perícia produzida no inquérito civil ou no juízo cível poderá ser aproveitada no processo penal, instaurando-se o contraditório.

CARÁTER AUTÔNOMO E SUBSTITUTIVO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOSno processo penal, instaurando-se o contraditório. Conforme dispõe o art. 7º da LCA, as penas restritivas

Conforme dispõe o art. 7º da LCA, as penas restritivas de direitos são autônomas, substituindo as privativas de liberdade nos seguintes casos:

Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando:

I

- tratar-se de crime culposo ou for

aplicada a pena privativa de liberdade

inferior a quatro anos;

 

No CP é diferente (artigo 44, inciso I: “aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo”).

II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do

condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que

a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime.

substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime. CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime. CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
→ Aborda o Princípio da Suficiência. Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que

Aborda o Princípio da Suficiência.

Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída.

Sem enormes diferenças com o previsto no artigo 55 do CP (As penas restritivas de direitos referidas nos incisos III, IV, V e VI do art. 43 terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída, ressalvado o disposto no § 4 o do art. 46).

Embora a LCA não contemple a previsão do artigo 44, inciso II, do CP (As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: II o réu não for reincidente em crime doloso), o reincidente em crime doloso (ainda que no mesmo crime) terá direito à substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos, conforme entendimento majoritário.

restritiva de direitos, conforme entendimento majoritário. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS APLICÁVEIS ÀS PESSOAS

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS APLICÁVEIS ÀS PESSOAS FÍSICAS

Artigo 8º da Lei nº 9.605/98:

Art. 8º As penas restritivas de direito são:

I - prestação de serviços à comunidade;

II - interdição temporária de direitos;

III - suspensão parcial ou total de atividades;

IV - prestação pecuniária;

 

V

- recolhimento domiciliar.

EM SUMA:

LCA, ART. 8º. AS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO (APLICÁVEIS ÀS PESSOAS FÍSICAS) SÃO:

CP, ART. 43. AS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS SÃO:

I prestação de serviços à comunidade;

IV

prestação de serviço à comunidade

ou

a entidades públicas;

II

interdição temporária de direitos;

 

V

interdição temporária de direitos;

IV prestação pecuniária;

 

I prestação pecuniária;

III

suspensão

parcial

ou

total

de

II perda de bens e valores;

atividades;

 

V

recolhimento domiciliar.

 

III limitação de fim de semana.

7.3.1.Prestação de serviços à comunidade

Artigo 9º da Lei nº 9.605/98:

Art. 9º A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a parques e jardins públicos e unidades

de

conservação, e, no caso de dano da coisa particular, pública ou tombada,

na

restauração desta, se possível

Tem finalidade íntima com a preservação e restauração do meio ambiente.

Tem finalidade íntima com a preservação e restauração do meio ambiente. CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
Tem finalidade íntima com a preservação e restauração do meio ambiente. CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
A diferença para o CP são as localidades em que são realizados, os serviços são

A diferença para o CP são as localidades em que são realizados, os serviços são prestados

em entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos.

Artigo 46, §4º do CP:

Art. 46 (

§ 4 o Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada.

)

A previsão do artigo 46,

§4º do CP será também aplicada à

LCA,

subsidiariedade prevista no artigo 79 da LCA.

7.3.2.Interdição temporária de direitos

Artigo 10 da Lei nº 9.605/98:

com base na

Art. 10. As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o

 

condenado contratar com o Poder Público

,

de receber incentivos fiscais ou

quaisquer outros benefícios

, bem como

de participar de licitações, pelo prazo

de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e de três anos, no de crimes

culposos

 

No CP, existem outras proibições diversas, tais quais:

exercer cargo, função, atividade pública, mandato eletivo;

exercer profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público; e

de frequentar determinados lugares (artigo 43, inciso V, do CP, com incurso no artigo 47, também do CP).

A doutrina critica sobremaneira os prazos previstos pelo artigo 10 da LCA, fundada na ideia

de que a LCA não prevê nenhum crime doloso com pena máxima de 5 anos, tampouco crime culposo com pena máxima de 3 anos. Portanto, não poderia a pena restritiva de direitos (que tem

caráter substitutivo) ser maior que a pena privativa de liberdade (substituída).

Trata-se de desproporcionalidade. Por essa razão, sugere a desconsideração desses patamares e invoca-se a previsão do artigo 7º, §único da LCA:

Art. 7º ( ) Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída

Aplica-se, portanto, a regra geral, de modo que a pena restritiva de liberdade tenha a mesma duração da pena privativa de liberdade.

7.3.3.Suspensão das atividades da pessoa física

Artigo 11 da Lei nº 9.605/98:

7.3.3. Suspensão das atividades da pessoa física Artigo 11 da Lei nº 9.605/98: CS – CRIMES
7.3.3. Suspensão das atividades da pessoa física Artigo 11 da Lei nº 9.605/98: CS – CRIMES
Art. 11. A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às prescrições

Art. 11. A suspensão de atividades será aplicada quando

estas não estiverem

obedecendo às prescrições legais

 

Exemplo:

desenvolvimento

de

atividade

desconformidade com a obtida.

7.3.4.Prestação pecuniária

Artigo 12 da Lei nº 9.605/98:

impactante

sem

licença

ambiental

ou

em

Art. 12. A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou privada com fim social, de importância, fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual reparação civil a que for condenado o infrator

O

artigo 45, §1º e §2º do CP incide na LCA.

 

Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder-se- á na forma deste e dos arts. 46, 47 e 48. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998) § 1 o A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998) § 2 o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em prestação de outra natureza. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

O

descumprimento injustificado da prestação poderá acarretar a conversão em prisão, porque

é modalidade de pena restritiva de direitos, cuja conversão é perfeitamente possível quando não

forem cumpridas.

7.3.5.Recolhimento domiciliar

Artigo 13 da Lei nº 9.605/98:

Art. 13. O recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e senso de

responsabilidade do condenado, que deverá,

sem vigilância

, trabalhar,

frequentar curso ou exercer atividade autorizada, permanecendo recolhido

nos dias e horários de folga

em residência ou em qualquer local destinado à

 

sua moradia habitual, conforme estabelecido na sentença condenatória

Segundo Guilherme Nucci, a crítica que se faz ao artigo é que o legislador criou uma modalidade de prisão travestida de pena restritiva de direitos. Pela leitura do dispositivo, remete-se às penas de regime aberto.

Vide artigo 36 do CP:

Art. 36 - O regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado

regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
MPF – 21º Concurso: Em crimes ambientais, limitação de fim de semana NÃO é sinônimo

MPF 21º Concurso: Em crimes ambientais, limitação de fim de semana NÃO é sinônimo de recolhimento domiciliar. TJMG: A limitação de fim de semana prevista no art. 48 do CP não é equivalente ao recolhimento domiciliar estabelecido no art. 13 da LCA.

Artigo 48 do CP:

Art. 48 - A limitação de fim de semana consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado.

Nesse sentido, na prática pode haver semelhança entre a pena restritiva de direitos e a figura da prisão domiciliar, todavia, na previsão legal são institutos diferentes.

“II. Se o caótico sistema prisional estatal não possui meios para que o

paciente cumpra a pena restritiva de direitos em estabelecimento apropriado,

é de se autorizar, excepcionalmente, que a mesma seja cumprida em seu

domicilio. III. O que é inadmissível, é impor ao paciente o cumprimento da limitação de fim de semana em presídio, estabelecimento inadequado para tanto.” (HC 146.558/RS, 5ª Turma do STJ, DJe 05/04/2010)

8. CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES

Aplicação das atenuantes típicas e inominadas do CP na LCA

Artigo 14 da Lei nº 9.605/98.

Salienta-se que é absolutamente admitida a analogia in bonam partem, portanto, podem ser aplicadas as atenuantes previstas no CP à LCA.

Art. 14. São circunstâncias que atenuam a pena:

I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;

O inciso I do artigo 14 é semelhante ao “desconhecimento da lei” previsto no artigo 65, inciso II, do CP.

De acordo com Cléber Masson: “Embora o desconhecimento da lei seja inescusável (CP, art. 21) e não afaste o caráter criminoso do fato, funciona como atenuante genérica. Suaviza-se, no campo penal, a regra definida pelo art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro:

Justifica-se essa atenuante

‘Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a

elo fato de o ordenamento jurídico brasileiro ser composto por um emaranhado complexo de leis e atos normativos, constantemente revogados e em contínua modificação, dificultando por parte do cidadão a exata compreensão de seu significado e do seu alcance.”

*(Advogado do Senado FGV) Nos crimes previstos na Lei 9.605/98, o baixo grau de instrução ou escolaridade do agente constitui circunstância que atenua a pena.

II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do

dano, ou limitação significativa da degradação ambiental causada;

do dano, ou limitação significativa da degradação ambiental causada; CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 20
do dano, ou limitação significativa da degradação ambiental causada; CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 20
Em relação à reparação do dano, somente aplica-se ao infrator que reparar o dano APÓS

Em relação à reparação do dano, somente aplica-se ao infrator que reparar o dano APÓS o recebimento da denúncia. No entanto, se o reparar antes do recebimento da denúncia será beneficiado pelo Arrependimento Posterior (causa de diminuição de pena prevista no artigo 16 que aqui se aplica).

Atenção: não poderá ocorrer Arrependimento Posterior em caso de “limitação significativa da degradação ambiental causada”.

III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação

ambiental;

A comunicação exigida é prévia, ou seja, o dano ainda não ocorreu.

IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle

ambiental.

É chamada, impropriamente, por Roberto Delmanto Júnior, de Delação premiada ambiental.

Exemplo: se o infrator ambiental colaborar com a vigilância ambiental indicando o local do dano ambiental causado, terá sua pena atenuada.

ATENÇÃO: essa figura nada tem a ver com delação premiada, já que inexistentes bons prêmios.

9. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES

A

LCA criou um rol de 18 agravantes.

O

referido arrolamento é criticado pela doutrina, porque tais previsões, na sua maioria, não

são aplicadas, ora por já constituírem elementares de outros crimes, ora por funcionarem como causas de aumento de pena.

Trata-se, em verdade, de adornos legislativos sem qualquer aplicação prática.

Artigo 15 da Lei nº 9.605/98:

Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:

I - reincidência nos crimes de

natureza ambiental;

 

Somente agrava a pena a reincidência ambiental, ainda que não no mesmo delito.

O

período depurativo (artigo 64, I, do CP), em razão da previsão do artigo 79 da LCA, é aqui

aplicado.

II - ter o agente cometido a infração:

 

para

obter vantagem pecuniária

;

Majoritariamente, entende-se que basta a intenção de obtenção da vantagem.

b) coagindo outrem para a execução material da infração;

da vantagem. b) coagindo outrem para a execução material da infração; CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
da vantagem. b) coagindo outrem para a execução material da infração; CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
O coato, em se tratando de coação moral resistível, responderá com atenuante da pena. Em

O coato, em se tratando de coação moral resistível, responderá com atenuante da pena.

Em se tratando de coação moral irresistível, o coato não responderá, porque é causa de exclusão de imputabilidade.

Em se tratando de coação física irresistível, também não responderá, porque, nessa hipótese, não há sequer conduta.

O coator responderá sempre.

c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o

meio ambiente;

Se já foi valorado na primeira fase de fixação da pena, não pode incidir o mesmo critério como agravante (bis in idem).

d) concorrendo para danos à propriedade alheia;

Os crimes ambientais quase sempre causam danos à propriedade alheia, seja pública ou privada (bis in idem).

e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do

Poder Público, a regime especial de uso;

Causar dano dessa forma já é crime vide artigo 40 da LCA.

f)

atingindo

áreas

urbanas

ou

quaisquer

assentamentos

humanos;

Não se aplica quando funcionar como elementar, qualificadora ou causa de aumento de pena, como ocorre com o crime de poluição artigo 54, §2º da LCA.

g) em período de defeso à fauna;

Não se aplica quando se tratar de fauna silvestre (artigo 29, §4º, inciso II da LCA), bem como no artigo 34 da LCA (que é elementar).

h) em domingos ou feriados;

Atenção: o sábado não agrava a pena.

Mas, cuidado, não se aplica aos crimes contra flora, já que lá é causa de aumento de pena.

i) à noite;

Essa agravante também não se aplica aos crimes contra a flora artigo 54, §4º, II da LCA.

De igual modo, não será aplicada ao crime do artigo 29, §4º, III da LCA que é causa de aumento de pena.

j) em épocas de seca ou inundações;

Não se aplica nos crimes contra a flora.

l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;

contra a flora. l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
contra a flora. l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
Roberto Delmanto Júnior: abrangida pela alínea “e” do inciso I I (áreas de UC). Ainda

Roberto Delmanto Júnior: abrangida pela alínea “e” do inciso II (áreas de UC). Ainda que se considere a expressão da alínea “I” mais abrangente, “a redundância do legislador permanece já que, então, bastaria a previsão desta agravante, sendo desnecessária a existência da disposta na alínea e”.

m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;

Aplica-se aos crimes contra a fauna, inclusive no crime de abuso e maus tratos de animais (artigo 32 da LCA), que pode ser exercido com ou sem métodos cruéis.

n) mediante fraude ou abuso de confiança;

Exemplo de Guilherme de Souza Nucci: “confiada a um empregado de longos anos a guarda de uma propriedade, ele é descoberto danificando a floresta nativa, com intuito de lucro. Houve, nesse caso, crime ambiental com abuso de confiança”.

o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;

Inaplicável aos crimes previstos nos artigos 29, caput, e §1º, 55, 63 e 64 da LCA: abuso da licença como elementar.

p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas

públicas ou beneficiada por incentivos fiscais;

Justifica-se a previsão da presente circunstância atenuante.

q)

autoridades competentes;

atingindo

espécies

ameaçadas,

listadas

em

relatórios

oficiais

das

Não se aplica aos crimes contra a flora (artigo 53, II, “c” da LCA) e não se aplica aos crimes do artigo 29, caput e §1º, I a III e §2º, pois o artigo 29, §4º, I já prevê como causa de aumento de pena a prática de tais infrações contra espécies raras ou ameaçadas de extinção.

r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.

Havendo oferecimento ou recebimento de vantagem indevida, haverá concurso com crimes de corrupção ativa e passiva com o delito ambiental, sem a agravante.

Aplicação das agravantes dos artigos 61 e 62, ambos do CP na LCA

Luís Flávio Gomes e Sílvio Maciel entendem que as agravantes dos artigos 61 e 62, ambos do CP não podem ser aplicados na LCA por não haver previsão e tratar de analogia in malam partem.

Guilherme de Souza Nucci, por seu turno, entende que podem ser aplicados, desde que não haja conflito com o disposto no artigo 15 da LCA.

Aparentemente, o primeiro entendimento (Luís Flávio Gomes e Sílvio Maciel) é o majoritário.

*CESPE: Os crimes contra a fauna praticados durante a noite, aos sábados e aos domingos aumentam as respectivas penas - FALSO!

- Domingo, feriado e noite (agravantes de qualquer crime ambiental: art. 15, II,h, i)

- Domingo, feriado e noite (nos crimes contra a flora: art. 53, II, e)

II,h, i) - Domingo, feriado e noite (nos crimes contra a flora: art. 53, II, e)
II,h, i) - Domingo, feriado e noite (nos crimes contra a flora: art. 53, II, e)
- Noite (no crime do art. 29, §4º, III) *(FGV, Advogado do Senado) Nos crimes

- Noite (no crime do art. 29, §4º, III)

*(FGV, Advogado do Senado) Nos crimes previstos na Lei 9.605/98, a prática do crime no domingo

é circunstância que agrava a pena, quando não constitui elementar ou qualifica o crime.

10. PENAS APLICÁVEIS ÀS PJ’S

Artigo 21 da Lei nº 9.605/98

Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas jurídicas, de acordo com o disposto no art. 3º, são:

I - multa;

 

II - restritivas de direitos;

 

III - prestação de serviços à comunidade.

 
III - prestação de serviços à comunidade.   PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE Para as pessoas

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE

Para as pessoas jurídicas, a prestação de serviços à comunidade é pena autônoma.

Não está abarcada nas modalidades de penas restritivas de direito, conforme previsto para as pessoas físicas e na sistemática do Direito Penal.

RESTRITIVA DE DIREITOSpara as pessoas físicas e na sistemática do Direito Penal. Como têm natureza de penas principais,

Como têm natureza de penas principais, não substituem as penas privativas de liberdade e não comportam a marca da conversibilidade.

Com exceção do artigo 22, §3º da LCA, não há estipulação dos limites mínimos e máximos para fixação dessas penas. Justamente por isso, boa parte dos doutrinadores enxergam-na como uma mácula à constituição (artigo 5º, XXXIX da CF/88).

Como forma de solução, Luís Flávio Gomes e Sílvio Maciel entendem que deve ser aplicada

a pena restritiva de direitos de forma direta (não em substituição de pena de prisão) utilizando como limite o máximo da pena privativa de liberdade cominada no tipo penal, obedecendo ao critério trifásico do artigo 68 do CP.

obedecendo ao critério trifásico do artigo 68 do CP. MULTA Artigo 18 da Lei nº 9.605/98:

MULTA

Artigo 18 da Lei nº 9.605/98:

Art. 18. A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal; se revelar-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida

Sérgio Salomão Shecaira preconiza que dias-multa não deveria ser o critério para as pessoas jurídicas que cometem crimes ambientais, uma vez que se corre o risco de revelar-se

que cometem crimes ambientais, uma vez que se corre o risco de revelar-se CS – CRIMES
que cometem crimes ambientais, uma vez que se corre o risco de revelar-se CS – CRIMES
ineficaz frente à vantagem econômica auferida, por sua vez, sobremaneira maior do que o valor

ineficaz frente à vantagem econômica auferida, por sua vez, sobremaneira maior do que o valor da multa a ser paga. O critério mais adequado, consoante Shecaira, deveria ser dias-faturamento no entanto, essa não foi a opção legislativa.

10.3.1. Critério para aplicação e critério para triplicar

 

LCA

CP

Art. 6º. Para a

imposição

 

Art. 60. Na

fixação

da pena de multa o juiz

penalidade,

a

e gradação da competente

autoridade

deve atender, principalmente, à

situação
situação

observará:

 

econômica do réu

.

 

III.

a situação econômica do infrator, no

 

caso de multa. + Montante do prejuízo

causado (art. 19).

 

Art. 18. Se revelar-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser

§1º. A multa pode ser

aumentada até o

triplo

, se o juiz considerar que,

em virtude

aumentada até três vezes, tendo em vista

da situação econômica do réu

, é ineficaz,

o valor da vantagem econômica auferida

.

embora aplicada no máximo.

econômica auferida . embora aplicada no máximo. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS DA PESSOA JURÍDICA Artigo 22

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS DA PESSOA JURÍDICA

Artigo 22 da Lei nº 9.605/98:

Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são:

 

I - suspensão parcial ou total de atividades;

 

II

- interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;

 

III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter

subsídios, subvenções ou doações.

 

§

1º A

suspensão de atividades

será aplicada quando estas não estiverem

obedecendo às disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente.

§

2º A

interdição
interdição

será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade

estiver funcionando sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal ou regulamentar.

§

3º A proibição

3º A proibição

de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios,

subvenções ou doações

não poderá exceder o prazo de dez anos.

 

O prazo de dez anos do §3º é demasiadamente criticado pela doutrina, porquanto as penas previstas na LCA raramente passam de 03 anos. Há nítida incongruência na estipulação do prazo de dez anos.

Se o legislador comina uma pena máxima de 03 anos para determinado delito, entendendo esse patamar como suficiente para a prevenção e reprovação do crime, o que justificaria aplicar, para a mesma infração, uma pena de 10 anos de restrição de direitos? Nada justificaria.

Assim, Luís Flávio Gomes e Sílvio Maciel creem que, em obediência aos princípios da proporcionalidade (razoabilidade) e da individualização da pena, esse patamar máximo de 10 anos deve ser desconsiderado, devendo esta pena restritiva de direitos seguir os limites máximos da pena privativa de liberdade para a infração.

seguir os limites máximos da pena privativa de liberdade para a infração. CS – CRIMES AMBIENTAIS
seguir os limites máximos da pena privativa de liberdade para a infração. CS – CRIMES AMBIENTAIS
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE PELA PESSOA JURÍDICA Artigo 23 da Lei nº 9.605/98: Art.

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE PELA PESSOA JURÍDICAArtigo 23 da Lei nº 9.605/98: Art. 23. A prestação de serviços à comunidade pela

Artigo 23 da Lei nº 9.605/98:

Art. 23. A prestação de serviços à comunidade pela pessoa jurídica consistirá

em:

I - custeio de programas e de projetos ambientais;

 

II - execução de obras de recuperação de áreas degradadas;

 

III - manutenção de espaços públicos;

 

IV - contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas.

 

Por óbvio, essas previsões são diferentes daquelas destinadas às pessoas físicas.

Também não têm limites cominados, assim, utilizam-se como parâmetros os prescritos à pena privativa de liberdade da infração

Os incisos I, II e IV podem ser fixados em valores a serem pagos de uma só vez, não se falando, nessas hipóteses, em prazo de cumprimento.

Em relação aos valores, não há unanimidade, todavia, considerável parcela da doutrina sugere a aplicação do artigo 12 da LCA:

Art. 12. A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou privada com fim social, de importância, fixada pelo

juiz,

não inferior a um salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta

salários mínimos

. O valor pago será deduzido do montante de eventual

reparação civil a que for condenado o infrator

LIQUIDAÇÃO FORÇADAreparação civil a que for condenado o infrator Muitos denominam a liquidação forçada como a pena

Muitos denominam a liquidação forçada como a pena de morte da empresa.

Quando a PJ é constituída preponderantemente para a prática de crimes ambientais, não deterá função social alguma, por isso, deve “morrer”.

Artigo 24 da Lei nº 9.605/98

Art. 24. A pessoa jurídica

constituída ou utilizada, preponderantemente

, com

o

fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei terá

 

decretada

sua

liquidação

forçada

,

seu

patrimônio

será

considerado

instrumento do crime

 

e como tal perdido em favor do Fundo Penitenciário

Nacional.

 

O Fundo Penitenciário Nacional não guarda relações com os crimes ambientais. Fiquem atentos, isso costuma ser cobrado em concursos públicos.

Essa pena deve ser aplicada com cautela, apenas quando a PJ se entrega ao crime, apenas e tão somente.

O mecanismo para incidência da liquidação forçada, de acordo com uma corrente doutrinário, é uma ação penal que incidirá como efeito da condenação criminal, reclamando pedido expresso e motivação na sentença (Roberto Delmanto Júnior).

reclamando pedido expresso e motivação na sentença (Roberto Delmanto Júnior). CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 26
reclamando pedido expresso e motivação na sentença (Roberto Delmanto Júnior). CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1 26
Vladimir Passos de Freitas, por seu turno, leciona que pode ser um efeito da condenação,

Vladimir Passos de Freitas, por seu turno, leciona que pode ser um efeito da condenação, mas também pode ser Ação Civil Pública proposta pelo MP.

11. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NA LCA

Artigo 4º da Lei nº 9.605/98:

Art. 4º Poderá ser

desconsiderada a pessoa jurídica

sempre que sua

personalidade

for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à

qualidade do meio ambiente

 

Ocorrerá a desconsideração da personalidade jurídica na LCA quando a personalidade servir de obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.

Não tem caráter de sanção penal ou efeito da condenação, mas consiste num instituto relacionado ao Direito Civil e Direito Administrativo, conforme entendimento amplamente majoritário.

Aqui, não se exige abuso de direito. Independe da doação com excesso de poderes, por parte dos dirigentes, basta, por exemplo, o obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos.

A verificação da insuficiência patrimonial da PJ para reparar ou compensar os prejuízos por ela causados à qualidade do meio ambiente é satisfatória para desconsideração de sua personalidade jurídica.

12. SURSIS SIMPLES NOS CRIMES AMBIENTAIS

LCA

 

CP

Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a

Art. 77 - A execução da pena privativa de

suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação a pena

liberdade,

não superior a 2 (dois) anos

,

poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código.

privativa de liberdade

não superior a três
não superior
a três
anos.
anos.

A grande maioria da doutrina entende que os incisos I, II e III do artigo 77 do CP se aplicam também ao artigo 16 da LCA.

13. SURSIS ESPECIAL (REPARAÇÃO DO DANO) NOS CRIMES AMBIENTAIS

artigo 16 da LCA. 13. SURSI S ESPECIAL (REPARAÇÃO DO DANO) NOS CRIMES AMBIENTAIS CS –
artigo 16 da LCA. 13. SURSI S ESPECIAL (REPARAÇÃO DO DANO) NOS CRIMES AMBIENTAIS CS –
LCA Art. 17. A verificação da reparação a que se refere o § 2º do

LCA

Art. 17. A verificação da reparação a que se refere o § 2º do art. 78 do Código

Penal será

feita

mediante

laudo

de

reparação

do

dano

ambiental

,

e

as

condições

a serem impostas pelo juiz

deverão relacionar-se com a proteção ao

meio ambiente.

 

CP

Art. 78, §2º. Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a

exigência

aplicadas

cumulativamente: a) proibição de frequentar determinados lugares; b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades.

do

parágrafo

anterior

pelas
pelas

seguintes

condições

,

Diferentemente da LCA, as condições do CP não têm viés ambiental e não devem ser provadas mediante laudo.

14. SURSIS ETÁRIO E HUMANITÁRIO NOS CRIMES AMBIENTAIS E TRANSAÇÃO PENAL

A LCA foi silente em relação à aplicação do sursis Etário e Humanitário. Porém, pela previsão do artigo 79 da LCA entendem-se aplicáveis as disposições do CP aos crimes Ambientais.

Vide artigo 77, §2º do CP:

Art. 77 (

)

§ 2 o A execução da pena privativa de liberdade,

não superior a quatro anos

,

poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado

seja

 

maior de setenta anos de idade

, ou

razões de saúde justifiquem a suspensão

 

Existe uma peculiaridade na LCA, tal qual: a prévia reparação do dano.

Artigo 27 da Lei nº 9.605/98:

Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76

somente poderá ser formulada

desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata

 

o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade.

 

Se o infrator não reparar o dano, será aplicada da transação penal, porque a lei não exigiu

a reparação do dano para haver a transação penal, mas sim a prévia composição do dano que, por vezes, ocorre num termo de ajustamento de conduta (TAC).

Se a transação é cumprida, mas o infrator deixa de reparar o dano, o MP não pode oferecer

denúncia, conforme preconiza a Súmula Vinculante 35. Nessa hipótese, a transação foi cumprida,

o que foi descumprida foi a reparação do dano. Se a transação penal foi efetuada significa que o

sujeito aceitou, previamente, a imposição de pena restritiva de direitos e multa. Se aceitar, cumprir

a imposição de pena restritiva de direitos e multa. Se aceitar, cumprir CS – CRIMES AMBIENTAIS
a imposição de pena restritiva de direitos e multa. Se aceitar, cumprir CS – CRIMES AMBIENTAIS
e, posteriormente, for denunciado também pelo fato de não ter reparado dano ambiental cumprirá novamente

e, posteriormente, for denunciado também pelo fato de não ter reparado dano ambiental cumprirá novamente uma pena. Não se pode cumprir duas penas em virtude do mesmo fato. Assim, não reparado o dano, executa-se o TAC.

Nesse sentindo, a Súmula Vinculante 35:

SV 25: A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial.

*VUNESP PC-BA 2018: No que concerne à aplicação da Lei n o 9.099/95 quanto às infrações penais ambientais previstas na Lei no 9.605/98, é correto afirmar que nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a transação penal somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, salvo em caso de comprovada impossibilidade

15. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO NOS CRIMES AMBIENTAIS

Artigo 28 da Lei nº 9.605/98:

aplicam-se aos

as seguintes modificações:

definidos nesta Lei, com

crimes de menor potencial ofensivo

A doutrina, em sua maioria, classifica a previsão do caput do artigo 28 da LCA como um

equívoco legislativo, visto que as disposições do artigo 89 da Lei nº 9.099/95 se aplicam não apenas aos crimes de menor potencial ofensivo, mas também aos de médio potencial ofensivo.

I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do artigo

referido no caput,

dependerá de laudo de constatação de reparação do dano

ambiental, ressalvada a impossibilidade

prevista no inciso I do § 1° do mesmo

artigo;

O laudo é indispensável, em regra.

II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a

reparação

, o prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o período

máximo previsto no artigo referido no caput, acrescido de mais um ano, com

suspensão do prazo da prescrição

;

O prazo da suspensão condicional do processo, ordinariamente, é de 02 a 04 anos.

Aqui, o período de prorrogação poderá ser de 05 anos, suspendendo-se a prescrição.

III

- no período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos II,

III

e IV do § 1° do artigo mencionado no caput;

 

IV

- findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo de

constatação de reparação do dano ambiental, podendo, conforme seu

 

resultado,

ser novamente prorrogado o período de suspensão, até o máximo

previsto no inciso II deste artigo, observado o disposto no inciso III

;

previsto no inciso II deste artigo, observado o disposto no inciso III ; CS – CRIMES
previsto no inciso II deste artigo, observado o disposto no inciso III ; CS – CRIMES
→ Pode-se prorrogar por mais 05 anos. Assim, a suspensão condicional na LCA pode durar

Pode-se prorrogar por mais 05 anos.

Assim, a suspensão condicional na LCA pode durar até 14 anos.

Ocorre que, na segunda prorrogação, o legislador esqueceu-se de prever a suspensão

da prescrição. Como deixou de prever,

há amplo entendimento na doutrina de que a suspensão da

prescrição NÃO acontece na segunda prorrogação.

 

V - esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção de punibilidade dependerá de laudo de constatação que comprove ter o acusado tomado as providências necessárias à reparação integral do dano.

Se não comprovadas as reparações durante os 14 anos, o processo estará fadado ao

insucesso. Assim, caso incorra nessa circunstância de sucessivas prorrogações, é interessante o

requerimento de produção antecipada de provas urgentes, sob pena de ineficácia processual.

16. APREENSÃO E VENDA DE INSTRUMENTOS DA INFRAÇÃO

Artigo 25 da Lei nº 9.605/98:

Art. 25. Verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos

( )

§5 o

a sua descaracterização por meio da reciclagem.

, garantida

s instrumentos utilizados na prática da infração serão vendidos

Quanto à previsão em destaque no §5º, a doutrina aponta os seguintes posicionamentos:

1ª corrente (Fernando Capez): Quaisquer instrumentos utilizados para a prática da infração ambiental podem ser apreendidos e vendidos, sejam ou não permitidos o seu porte, fabrico ou alienação.

2ª corrente (Luís Flávio Gomes e Sílvio Maciel): A regra do artigo 25, §5º, não é absoluta, e deve observar se a utilização do instrumento é reiterada em crime ambiental e se há proporcionalidade entre o valor do proveito e do bem. “Os objetos que devem ser confiscados são apenas aqueles usualmente utilizados na prática de delitos ambientais. Um objeto lícito, que muitas vezes representa o sustento do agente e de sua família, não pode ser confiscado porque, esporadicamente, foi utilizado irregularmente e caracterizou a prática de um delito ambiental. É preciso fazer a distinção, para não haver injustiças e abusos. Motosserras utilizadas por madeireiras clandestinas, barcos utilizados por pesqueiros ilegais devem, sem dúvida, ser confiscados; mas um barco de um humilde pescador, que eventualmente pescou peixes além da quantidade permitida, não tem necessidade de ser confiscado.”

17. NATUREZA DA AÇÃO NA LCA

Todos

os

crimes

Incondicionada.

previstos

na

LCA

se

processam

mediante

Ação

Penal

Pública

crimes Incondicionada. previstos na LCA se processam mediante Ação Penal Pública CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
crimes Incondicionada. previstos na LCA se processam mediante Ação Penal Pública CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
Artigo 26 da Lei nº 9.605/98: Art. 26. Nas infrações penais previstas nesta Lei, a

Artigo 26 da Lei nº 9.605/98:

Art. 26. Nas infrações penais previstas nesta Lei, a ação penal é pública incondicionada

18. POSSIBILIDADE DE HABEAS CORPUS

(HC)

Tecnicamente, não é cabível HC para PJ’s. Em eventual processo deve se valer de Mandado de Segurança.

19. COMPATIBILIDADE COM O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

1ª corrente: não é possível a aplicação do princípio da insignificância, em virtude do bem jurídico tutelado e da regência dos princípios da prevenção e precaução no Direito Ambiental (TRF- 3, RSE2004.61.24.001001-8).

2ª corrente: “Esta Corte tem entendimento pacificado no sentido de que é possível a aplicação do denominado princípio da insignificância aos delitos ambientais, quando demonstrada a ínfima ofensividade ao bem ambiental tutelado” (AgRg no AREsp 1051541/ES, DJE 04/12/2017).

Entendimento majoritário dos Tribunais Superiores é por ser compatível.

20. INTERROGATÓRIO DA PJ

Ada Pellegrini Grinover, inicialmente, entendia que o interrogatório como meio de prova deveria ser aplicado, por analogia ao disposto no artigo 843, §1º da CLT, ao preposto da empresa, que tenha conhecimento do fato.

Posteriormente, com o advento da Lei nº 10.792/03, Grinover alterou seu entendimento, lecionando que o interrogatório como meio de defesa deveria ser feito ao gestor da empresa, que é quem tem interesse em realizar a defesa da PJ, devendo-se observar todas as garantias constitucionais (presunção de inocência, direito ao silêncio etc.).

Na hipótese de o gestor também ser réu no processo que apura infração da PJ, serão realizados dois interrogatórios: um em sua defesa e outro em nome da PJ. Não se pode cogitar um único interrogatório, por economia processual, tendo em vista que a previsão artigo 191 do CPP:

Art. 191. Havendo mais de um acusado, serão interrogados separadamente.

“Se houver colidência de interesses entre as defesas da sociedade e do

) Acaso haja

incompatibilidade entre as defesas do diretor do qual emanou a ordem e da pessoa jurídica, por certo nesse processo a sociedade não será interrogada,

diretor, este não poderá representá-la no ato de interrogatório. (

a não ser que exista outro administrador integrante do colegiado, que não tenha sido acusado.” (TRF-4, MS 2002.04.01.013843-0, DJ 26.02.2003)

que não tenha sido acusado.” (TRF -4, MS 2002.04.01.013843-0, DJ 26.02.2003) CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
que não tenha sido acusado.” (TRF -4, MS 2002.04.01.013843-0, DJ 26.02.2003) CS – CRIMES AMBIENTAIS 2019.1
21. COMPETÊNCIA REGRA A competência para julgar crimes ambientais é da Justiça Estadual (STJ, CC

21. COMPETÊNCIA

21. COMPETÊNCIA REGRA A competência para julgar crimes ambientais é da Justiça Estadual (STJ, CC 88.013),

REGRA

A competência para julgar crimes ambientais é da Justiça Estadual (STJ, CC

88.013), uma vez que a proteção do meio ambiente é de competência comum da União, dos Estados e dos Municípios, e não há regra constitucional ou

legal que determine a Justiça competente (STJ, REsp 200200848713).

Excepcionalmente, se o delito ambiental causar dano direto e específico a interesse da União ou de suas entidades, será da Justiça Federal.

Se o delito atingir apenas interesse genérico e indireto daqueles entes, a competência será da Justiça Estadual.

CASUÍSTICAdaqueles entes, a competência será da Justiça Estadual. (artigo 225, §4º da CF/88), a saber, a

(artigo 225, §4º da CF/88), a saber, a Mata

Atlântica (STF, RE 299.856, e RE 300.244), a Floresta Amazônica, a Serra do Mar e o Pantanal

Mato-Grossense, que

Crime cometido em

áreas de patrimônio nacional

não são considerados patrimônio da União

(STJ, REsp 610.015).

Crime cometido em área particular (STJ, CC 30.260), ainda que tenham sido cortadas árvores ameaçadas de extinção (TRF 4, AC 200672060036627).

Crimes contra a “fauna praticados em

rios estaduais

é da JE, ainda que com a utilização de

petrechos proibidos em normas federais” (STJ, CC 36594/RS).

“O fato de o

em normas federais” (STJ, CC 36594/RS). “O fato de o IBAMA ser responsável pela administração e

IBAMA ser responsável pela administração e a fiscalização da APA, conforme

, a competência da Justiça Federal.” (STJ,

entendimento desta Corte Superior, HC 38.649/SC)

não atrai, por si só

desta Corte Superior, HC 38.649/SC) não atrai, por si só COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL Crime ocorrido

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL

Crime ocorrido em

UC federal

, como

parques nacionais

(STJ, CC 88.013);

Crime praticado em

ilha costeira de propriedade da União

;

Crime ocorrido em

642.957);

terreno de marinha

, por se tratar de bem da União (STJ, AGREsp

(artigo 20, inciso III e VI da CF),

especificamente: a) em rio interestadual (STJ, CC 35.058); b) em lago de usina hidrelétrica formado por rios interestaduais (STJ, CC 45.154); c) no mar territorial brasileiro (STJ, CC 33.333);

Quando o delito ocorrer em

águas de propriedade da União

Art. 20. São bens da União

III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio,

ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais

VI - o mar territorial

bem como os terrenos marginais e as praias fluviais VI - o mar territorial CS –
bem como os terrenos marginais e as praias fluviais VI - o mar territorial CS –
, tendo em vista o manifesto interesse do IBAMA, já que lhe incumbe, além de

, tendo em vista o

manifesto interesse do IBAMA, já que lhe incumbe, além de elaborar o levantamento e a listagem dos animais em vias de extermínio, a concessão de autorização prévia para a captura e a criação de tais espécimes (STJ, CC 37.1367).

Crime ambiental envolvendo

espécie da fauna em perigo de extinção

Crime ocorrido em

indícios

que

2004370100000945).

havia

de

terras indígenas

que

a

madeira

(TRF1, RCCR 200642000016992), como no caso em

de reserva indígena (TRF1, SER

fora

retirada

Quando

presente a internacionalidade

, como, p. ex: no caso dos delitos dos artigos 30, 31 e

29, inciso III, caracterizando o tráfico internacional de animais (TRF4, AC 200671150010947).

22. CRIMES EM ESPÉCIE

animais (TRF4, AC 200671150010947). 22. CRIMES EM ESPÉCIE CRIME DO ARTIGO 29 DA LCA Art. 29.

CRIME DO ARTIGO 29 DA LCA

Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:

Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.

Se o agente possuir a permissão ou autorização e agir dentro dos limites concebidos, não haverá crime (artigo 23, inciso III do CP).

Objeto material

É a fauna silvestre, terrestre e aquática, em qualquer fase de desenvolvimento (ovos, larvas, filhotes, adultos).

Vide §3º do artigo 29 da LCA:

§ 3° São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras

Exemplos: aves, mamíferos, répteis, anfíbios.

CUIDADO!!! Os insetos também estão protegidos pela legislação penal, por serem considerados animais. Possuem o corpo constituído por anéis ou segmentos que os dividem em três partes:

cabeça, tórax e abdome. Entre os insetos estão, p.ex., as borboletas (

os grilos

) (

),

as abelhas (

),

e as cigarras (

)”.

(Vladimir & Gilberto Passos de Freitas)

Se a conduta atingir uma única espécie, surgem duas correntes:

1ª corrente (Victor Eduardo Rios Gonçalves, José Paulo Baltazar Júnior): conquanto a lei faça referências a espécimes, no plural, a intenção do legislador foi estender como típica a morte ou aprisionamento de um só animal.

do legislador foi estender como típica a morte ou aprisionamento de um só animal. CS –
do legislador foi estender como típica a morte ou aprisionamento de um só animal. CS –
2ª corrente (Édis Milaré, Roberto Delmanto Júnior, Luís Régis Prado): como o tipo penal utiliza

2ª corrente (Édis Milaré, Roberto Delmanto Júnior, Luís Régis Prado): como o tipo penal utiliza a expressão “espécimes”, no plural, se a conduta atingir um único animal o fato é atípico – esse é o posicionamento majoritário.

O artigo 29 prevê também formas derivadas em seu §1º:

§ 1º Incorre nas mesmas penas:

I - quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo com a obtida;

II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural;

III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro

ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna

silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.

§2º do artigo 29 da LCA:

§

No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada

ameaçada de extinçã

o, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar

de

aplicar a pena

Exemplo: animais silvestres tidos como bichos de estimação: papagaio não ameaçado de extinção circunstâncias judiciais favoráveis perdão judicial.

Somente ocorrerá perdão judicial de animal silvestre não ameaçado de extinção.

Vide §6º do artigo 29 da LCA:

§

6º As disposições deste

artigo não se aplicam aos atos de pesca.

§ 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos atos de pesca.

Atenção: o artigo 29 alcança a fauna silvestre aquática. Exemplos: matar tartarugas marinhas que estejam na praia (artigo 29, caput); vender ou exportar seus ovos, filhotes ou cascos (artigo 29, §1º, inciso III).

Já os atos de pesca, esses têm incidência própria, nos artigos 34, 35 e 36 da LCA.

Vide §4º do artigo 29 da LCA:

§ 4º A pena é

aumentada de metade

, se o crime é praticado:

 

I - contra

espécie rara

ou considerada

ameaçada de extinção

, ainda que

somente no local da infração;

 
 

II - em período proibido à caça

;

III - durante a noite;

 

IV - com abuso de licença;

 

V - em unidade de conservação;

 

VI - com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar

 

destruição em massa

.

Deve-se tomar cuidado porque, além da previsão do aumento de pena pela metade, há a possibilidade de aumento até o triplo no caso de caça profissional, conforme prevê o §5º do artigo 29 da LCA

o triplo no caso de caça profissional, conforme prevê o §5º do artigo 29 da LCA
o triplo no caso de caça profissional, conforme prevê o §5º do artigo 29 da LCA
§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício

§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça

profissional

Exemplo: caçadores de jacaré do Pantanal.

profissional Exemplo: caçadores de jacaré do Pantanal. ARTIGO 37 DA LCA – CIRCUNSTÂNCIAS ATÍPICAS Art. 37.

ARTIGO 37 DA LCA CIRCUNSTÂNCIAS ATÍPICAS

Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado:

I - em

estado de necessidade

, para saciar a fome do agente ou de sua família;

II

- para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou

destruidora de animais,

desde que legal e expressamente autorizado pela

autoridade competente

;

III

(VETADO)

IV - por ser nocivo o animal,

desde que assim caracterizado pelo órgão

competente.

 

*FCC Pedro, em estado de necessidade, para saciar sua fome e de sua família, composta por esposa e cinco filhos, abateu animal da fauna amazônica. Segundo a LCA, tal fato não é considerado crime. *CESPE Com relação aos crimes contra o meio ambiente, a fauna e a flora, se um indivíduo, em estado de necessidade, abate um animal para saciar sua fome, sua conduta não será considerada crime.

CRIME DO ARTIGO 30 DA LCAsaciar sua fome, sua conduta não será considerada crime.   Art. 30. Exportar para o exterior

 

Art. 30. Exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis em bruto

,

sem a autorização da autoridade ambiental competente:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

A exportação devidamente autorizada será atípica.

A expressão “em bruto” significa “in natura”, isto é, sem manufatura ou transformação em produtos.

O tráfico interno não é abrangido pelo crime do artigo 30 da LCA, mas sim pelo artigo 29,

§1º, inciso III da LCA, e será de competência da JUSTIÇA FEDERAL.

O tipo não exige intenção de lucro.

Diferenciações relevantes

Se o agente exporta a pele ou coro de anfíbios e répteis o crime do artigo 30 da LCA.

em bruto (in natura)

comete

Se o agente exporta

confeccionados com a pele ou o couro dos

anfíbios e répteis (exemplo: bolsas e sapatos de jacaré) comete o crime do artigo 29, §1º, inciso III.

produtos ou objetos

o crime do artigo 29, §1º, inciso III. produtos ou objetos CRIME DO ARTIGO 31 DA

CRIME DO ARTIGO 31 DA LCA

do artigo 29, §1º, inciso III. produtos ou objetos CRIME DO ARTIGO 31 DA LCA CS
do artigo 29, §1º, inciso III. produtos ou objetos CRIME DO ARTIGO 31 DA LCA CS
Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico oficial favorável e licença expedida

Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico oficial favorável e licença expedida por autoridade competente:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Alcança qualquer espécime animal.

O

mero transporte desse animal dentro do país não enseja esse crime.

A

competência será da Justiça Federal, em razão da internacionalidade.

O

objeto jurídico será mácula ao equilíbrio ambiental e incolumidade pública.

“Se o animal exótico não tiver predador no Brasil, poderá ter uma disseminação exagerada. Poderá também ser um predador voraz e exterminar espécimes aqui existentes. Por outro lado, a introdução de animais destinados ao consumo humano, sem fiscalização e parecer das autoridades competentes, pode comprometer seriamente a saúde da população. Cite-se, por exemplo, o mal da vaca louca e a gripe aviária, que acometem alguns animais exóticos.”

CRIME DO ARTIGO 32 DA LCAa gripe aviária, que acometem alguns ani mais exóticos.” Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos,

Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

A CF/88 prevê em seu artigo 225, §1º a incumbência do Poder Público de proteger a fauna

e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que submetam os animais a crueldade.

Por isso, para boa parte da doutrina, há cumprimento do mandado constitucional de criminalização no artigo 32 da LCA.

Verifica-se o crime nas seguintes práticas cruéis: farra do boi, rinhas de galo e vaquejadas.

ARTIGO 64 DA LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS (LCP)cruéis: farra do boi, rinhas de galo e vaquejadas. Diante do afirmado, indaga-se se o referido

Diante do afirmado, indaga-se se o referido artigo estaria, portanto, revogado.

Art. 64. Tratar animal com crueldade ou submetê-lo a trabalho excessivo:

Pena prisão simples, de dez dias a um mês, ou multa, de cem a quinhentos mil réis.

1ª corrente (Victor Eduardo Rios Gonçalves, José Paulo Baltazar Júnior e Lélio Braga Calhau): Houve revogação do artigo 64 da LCP, pois artigo 32 da LCA tratou da matéria, posteriormente, e de maneira mais grave.

2ª corrente (Guilherme de Souza Nucci e Luís Paulo Sirvinskas): O artigo 64 da LCP não está revogado. O objeto do artigo 32 da LCA é, exclusivamente, animais silvestres. Domésticos, domesticados, nativos ou exóticos são, na verdade, qualidades desses animais (silvestres). Por isso, o artigo 64 da LCP continua em vigor, devendo ser aplicado aos maus-tratos contra animais não silvestres (exemplo: cães).

§1º do artigo 32 da LCA:

contra animais não silvestres (exemplo: cães). §1º do artigo 32 da LCA: CS – CRIMES AMBIENTAIS
contra animais não silvestres (exemplo: cães). §1º do artigo 32 da LCA: CS – CRIMES AMBIENTAIS
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em   animal

§

1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel

em

 

animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos,

quando existirem

recursos alternativos

 

Criminalizou-se, pois, a vissesecção.

Nem mesmo cientistas e professores estão, portanto, autorizados a causar sofrimento desnecessários nos animais, se dispuserem de recursos alternativos para realizar suas aulas, pesquisas e estudos. Apenas quando for inevitável a utilização de animais (não houver nenhum recurso alternativo) e quando o objetivo da experiência revelar um interesse socialmente mais relevante do que a proteção da integridade física do animal é que será lícita a vivissecção.” (Luís Flávio Gomes e Sílvio Maciel) Mesmo assim, observando-se o disposto no artigo 14, §5º da Lei 11.794/08: “experimentos que possam causar dor ou angústia desenvolver-se-ão sob sedação, analgesia ou anestesia adequadas”.

*MP-SC Promotor de Justiça: Somente com a presença do professor da disciplina específica é admitida, nos estabelecimentos de ensino fundamental, a prática da vissecção de animais FALSO!

§2º do artigo 32 da LCA:

§

2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre

morte do animal

Sempre será apli