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CRIMES DE TRÂNSITO APRESENTAÇÃO 3 1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 4 DENOMINAÇÕES IMPORTANTES 4 BEM

CRIMES DE TRÂNSITO

APRESENTAÇÃO

3

1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

4

DENOMINAÇÕES IMPORTANTES4

4

BEM JURÍDICO5

5

CRIMES DE DANO VS CRIMES DE PERIGO6

6

2. DISPOSIÇÕES GERAIS

6

ARTIGO 291 DO CTB 6

ARTIGO 291 DO CTB

6

2.1.1. Exemplo de aplicação do CP

6

2.1.2. Exemplo de aplicação do CPP

7

2.1.3. Exemplo de aplicação da Lei nº 9.099/95

7

EXCEÇÕES AOS INSTITUTOS DESPENALIZADORES PREVISTOS NO ARTIGO 291 DO CTB

EXCEÇÕES AOS INSTITUTOS DESPENALIZADORES PREVISTOS NO ARTIGO 291 DO CTB

7

SUSPENSÃO OU PROIBIÇÃO: PERMISSÃO OU HABILITAÇÃO (COMO PENA) 8

SUSPENSÃO OU PROIBIÇÃO: PERMISSÃO OU HABILITAÇÃO (COMO PENA)

8

2.3.1. Duração e comprimento das penas de Suspensão e Proibição

9

2.3.2. Suspensão ou Proibição como Medida Cautelar

10

2.3.3. Eficácia da Medida Cautelar na tutela da ordem pública

11

EFEITO EXTRAPENAL E AUTOMÁTICO DA CONDENAÇÃO11

11

MULTA REPARATÓRIA11

11

2.5.1. Natureza jurídica

12

2.5.2. Necessidade do pedido expresso da Multa Reparatória

12

2.5.3. Multa Reparatória: 3ª via do Direito Penal

13

2.5.4. Multa Reparatória e os prejuízos imateriais

13

2.5.5. Valor da Multa Reparatória

14

2.5.6. Procedimento de Execução da Multa Reparatória

14

3. AGRAVANTES DOS CRIMES DE TRÂNSITO

15

4. PERDÁO JUDICIAL

17

5. IMUNIDADE AO FLAGRANTE

18

CABIMENTO DE PRISÃO TEMPORÁRIA18

18

CABIMENTO DE PRISÃO PREVENTIVA EM CRIME CULPOSO18

18

6. HOMICÍDIO CULPOSO DE TRÂNSITO

19

ELEMENTOS DO CRIME CULPOSO (CLÉBER MASSON)20

20

VIAS TERRESTRES20

20

6.2.1. Denominação

21

6.2.2. Ampliação legislativa

21

6.2.3. Locais dos crimes

21

6.2.4. Observações

21

ELEMENTO SUBJETIVO22

22

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA22

22

6.4.1. Confusão legislativa

24

6.4.2. Procedimento adotado para comprovar o estado de embriaguez do autor do

Homicídio Culposo Qualificado

26

7. LESÃO CORPORAL CULPOSA DE TRÂNSITO

27

OBSERVAÇÕES SOBRE O ARTIGO 303, CAPUT 27

OBSERVAÇÕES SOBRE O ARTIGO 303, CAPUT

27

8. OMISSÃO DE SOCORRO

28

ATIPICIDADE29

29

SUJEITO ATIVO29

29

CONSUMAÇÃO29

29

28 ATIPICIDADE 29 SUJEITO ATIVO 29 CONSUMAÇÃO 29 CS – CRIMES DE TRÂNSITO – 2019.1 1
28 ATIPICIDADE 29 SUJEITO ATIVO 29 CONSUMAÇÃO 29 CS – CRIMES DE TRÂNSITO – 2019.1 1
9. CRIME DO ARTIGO 305 DO CTB: 29 CRÍTICAS 30 10. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE 30

9.

CRIME DO ARTIGO 305 DO CTB:

29

CRÍTICAS 30

CRÍTICAS

30

10.

EMBRIAGUEZ AO VOLANTE

30

FORMAS DE CONSTATAÇÃO31

31

IMPORTÂNCIA DO DIREITO À CONTRAPROVA31

31

11. CRIME DO ARTIGO 307 DO CTB

31

 

12. RACHA

32

FORMAS QUALIFICADAS 33

FORMAS QUALIFICADAS

33

13. DIREÇÃO PERIGOSA

34

14. CRIME DE PESSOA QUE NÃO ESTÁ NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR

35

15. CRIME DO ARTIGO 311 DO CTB

35

16. FORMA ESPECIAL DE FRAUDE PROCESSUAL

36

17. ALTERAÇÃO DO CTB PELA LEI Nº 13.281/2016

36

18. JURISPRUDÊNCIA EM TESE

37

DO CTB PELA LEI Nº 13.281/2016 36 18. JURISPRUDÊNCIA EM TESE 37 CS – CRIMES DE
DO CTB PELA LEI Nº 13.281/2016 36 18. JURISPRUDÊNCIA EM TESE 37 CS – CRIMES DE
APRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO

Olá!

Inicialmente, gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria.

O Caderno Legislação Penal Especial Crimes de Trânsito possui como base as aulas do professor Vinícius Marçal, do Curso G7 Jurídico.

Dois livros foram utilizados para complementar nosso CS de Legislação Penal Especial: a) Legislação Criminal para Concursos (Fábio Roque, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar), ano 2017 e b) Legislação Criminal Comentada (Renato Brasileiro), ano 2018, ambos da Editora Juspodivm.

Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito (www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito), bem como com a Jurisprudência em Tese do STJ. Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da semana para ler no site do Dizer o Direito.

Ademais, no Caderno constam os principais artigos de lei, mas, ressaltamos, que é necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação.

Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina + informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você faça uma boa prova.

Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito importante!! As bancas costumam repetir certos temas.

Vamos juntos!! Bons estudos!!

Equipe Cadernos Sistematizados.

certos temas. Vamos juntos!! Bons estudos!! Equipe Cadernos Sistematizados. CS – CRIMES DE TRÂNSITO – 2019.1
certos temas. Vamos juntos!! Bons estudos!! Equipe Cadernos Sistematizados. CS – CRIMES DE TRÂNSITO – 2019.1
1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS A maioria esmagadora dos crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB)

1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

A maioria esmagadora dos crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é praticada através de veículo automotor.

A definição de veículo automotor, conforme prevê art. 4º do CTB, encontra-se no Anexo I do Código.

Art. 4º Os conceitos e definições estabelecidos para os efeitos deste Código são os constantes do Anexo I

De acordo com o conceito extraído do Anexo, veículo automotor é todo veículo a motor de propulsão que circule por seus próprios meios, e que serve normalmente para transporte viário de pessoas e coisas, ou para a tração viária de veículos utilizados para o transporte de pessoas e coisas. O termo compreende os veículos conectados a uma linha elétrica e que não circulam sobre trilhos (ônibus elétrico).

Portanto:

ABRANGE

NÃO ABRANGE

Automóveis

Caminhões

Caminhonetes

Tratores

Vans

Motocicletas

Ônibus

Ônibus elétricos

Veículos de propulsão humana (bicicleta)

Veículos de tração animal (carroças)

(bicicleta) Veículos de tração animal (carroças) DENOMINAÇÕES IMPORTANTES Crime em trânsito: “ São

DENOMINAÇÕES IMPORTANTES

Crime em trânsito: São aqueles em que somente uma parte da conduta ocorre em um país, sem lesionar ou expor a situação de perigo bens jurídicos de pessoas que nele vivem.” (Cléber Masson)

Exemplo: “A”, da Argentina, envia para os Estados Unidos uma missiva com ofensas a “B”, e essa carta passa pelo território brasileiro.

a “B”, e essa carta passa pelo território brasileiro. ATENÇÃO : “Crimes em trânsito” em nada
a “B”, e essa carta passa pelo território brasileiro. ATENÇÃO : “Crimes em trânsito” em nada
a “B”, e essa carta passa pelo território brasileiro. ATENÇÃO : “Crimes em trânsito” em nada
a “B”, e essa carta passa pelo território brasileiro. ATENÇÃO : “Crimes em trânsito” em nada
“Crime de circulação” é gênero que abrange os delitos praticados com dolo e com culpa,

“Crime de circulação” é gênero que abrange os delitos praticados com dolo e com culpa, ambos no emprego de direito automotor.

O CTB cuidará, tão somente, dos crimes de trânsito praticados com culpa.

Crime de trânsito: São os delitos cometidos na direção de veículos automotores, sejam de perigo abstrato ou concreto ou dano, desde que o elemento subjetivo constitua culpa. Ou seja, não se admite a nomenclatura de crime de trânsito para o crime de dano, cometido com dolo. Portanto, aquele que utiliza seu veículo para, propositalmente, atropelar e matar seu inimigo comete homicídio e não simples crime de trânsito.” (Guilherme de Souza Nucci)

simples crime de trânsito .” (Guilherme de Souza Nucci) BEM JURÍDICO Não há um único bem

BEM JURÍDICO

Não há um único bem jurídico protegido pelo CTB.

O artigo 302 do CTB, por exemplo, tutela a vida:

Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

§ 1 o No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena

é aumentada de 1/3 (um terço) à metade, se o agente:

I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;

II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;

III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à

vítima do acidente;

IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de

transporte de passageiros.

§ 3 o Se o agente conduz veículo automotor sob a influência de álcool ou de

qualquer outra substância psicoativa que determine dependência:

Penas - reclusão, de cinco a oito anos, e suspensão ou proibição do direito de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Já o artigo 303 do CTB protege a integridade física:

Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de

se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

§ 1 o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) à metade, se ocorrer qualquer das

hipóteses do § 1 o do art. 302.

§ 2 o A pena privativa de liberdade é de reclusão de dois a cinco anos, sem

prejuízo das outras penas previstas neste artigo, se o agente conduz o veículo com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência, e se do crime

resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima.

Contudo, há um bem jurídico comum previsto para todos os tipos do CTB que é a proteção da segurança viária, conforme preveem os arts. 1º, §2º do CTB e art. 28 do CTB:

Art. 1º O trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do território nacional, abertas à circulação, rege-se por este Código

do território nacional, abertas à circulação, rege-se por este Código CS – CRIMES DE TRÂNSITO –
do território nacional, abertas à circulação, rege-se por este Código CS – CRIMES DE TRÂNSITO –
§ 2º O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos

§ 2º O

trânsito, em condições seguras, é um direito de todos

e dever dos

órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes

cabendo, no âmbito das respectivas competências,

adotar as medidas

destinadas a assegurar esse direito.

 

Art. 28. O condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu veículo,

dirigindo-o com atenção e cuidados

indispensáveis à segurança do trânsito.

 

CRIMES DE DANO VS CRIMES DE PERIGOindispensáveis à segurança do trânsito.   Para a maioria da doutrina somente existem dois crimes de

Para a maioria da doutrina somente existem dois crimes de dano descritos no CTB: o art. 302 do CTB (homicídio culposo de trânsito) e art. 303 do CTB (lesão corporal culposa de trânsito).

A maioria dos tipos previstos no CTB é constituída por delitos de perigo (que podem ser de perigo abstrato ou de perigo concreto).

Os delitos de perigo abstrato consumam-se com a prática da conduta, automaticamente. Não se exige a comprovação da produção da situação de perigo. Há presunção absoluta de que determinadas condutas acarretam perigo a bens jurídicos.

Exemplos: entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada (art. 310 do CTB) e embriaguez ao volante (art. 306 do CTB).

Os delitos de perigo concreto consumam-se com a efetiva comprovação, no caso concreto, da ocorrência da situação de perigo.

Exemplo: dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida permissão para dirigir ou habilitação, gerando perigo de dano (art. 309 do CTB).

2. DISPOSIÇÕES GERAIS

ARTIGO 291 DO CTBperigo de dano (art. 309 do CTB). 2. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 291. Aos crimes cometidos na

Art. 291. Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores,

previstos neste Código, aplicam-se as normas gerais do

Código Penal e do

 

Código de Processo Penal, se este Capítulo não dispuser de modo diverso,

O referido dispositivo prevê a aplicação subsidiária do Diploma Penal, do Código de Processo Penal e da Lei nº 9.099/95, ao CTB no que for compatível.

2.1.1.Exemplo de aplicação do CP

- Reincidência: apesar de citada pelo CTB, não foi, por ele, conceituada. Assim, vale aqui a definição trazida pelo CP.

- Fixação da pena base o legislador, através da Lei nº 13.546/17 (que acrescentou o §4º

ao art. 291 do CTB), determinou que o juiz, ao fixar a pena base, observe não apenas o disposto

determinou que o juiz, ao fixar a pena base, observe não apenas o disposto CS –
determinou que o juiz, ao fixar a pena base, observe não apenas o disposto CS –
no art. 59 do CP, mas que também dê especial atenção a três das circunstâncias

no art. 59 do CP, mas que também dê especial atenção a três das circunstâncias judiciais, quais sejam: culpabilidade do agente, circunstâncias e consequência do crime.

§

4º O juiz fixará a pena-base segundo as diretrizes previstas no art. 59 do

, dando

especial

atenção

à

culpabilidade

do

agente

e

às

circunstâncias

e

consequências do crime

 

.

2.1.2.Exemplo de aplicação do CPP

- Processamento do RESE

2.1.3.Exemplo de aplicação da Lei nº 9.099/95

- Vide §1º do artigo 291 do CTB:

§ 1 o Aplica-se aos crimes de trânsito de

lesão corporal culposa

o disposto

nos arts. 74, 76 e 88 da Lei n o 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se

o

agente estiver:

- sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência;

I

II

- participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição

automobilística, de exibição ou demonstração de perícia em manobra de

veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente;

 

III

- transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50

km/h (cinquenta quilômetros por hora).

 

O texto legal, propositalmente, não cita o art. 89 da Lei 9.099/95 (suspensão condicional do processo), porque a suspensão condicional do processo se aplica a todos os crimes de menor e médio potencial ofensivo.

O que é importante para sua incidência é a pena mínima prevista, portanto, preenchidas as condições, também será adotado no CTB.

preenchidas as condições, também será adotado no CTB . EXCEÇÕES AOS INSTITUTOS DESPENALIZADORES PREVISTOS NO

EXCEÇÕES AOS INSTITUTOS DESPENALIZADORES PREVISTOS NO ARTIGO 291 DO CTB

São três casos:

I - sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência;

Tanto é assim que foi acrescido o §2º ao art. 303 do CTB:

§ 2 o A pena privativa de liberdade é de reclusão de dois a cinco anos, sem prejuízo das outras penas previstas neste artigo, se o agente conduz o veículo com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência, e se do crime resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima

e se do crime resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima CS – CRIMES DE
e se do crime resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima CS – CRIMES DE
Dois são os motivos que justificam a não aplicação do presente instituto despenalizador na Lesão

Dois são os motivos que justificam a não aplicação do presente instituto despenalizador na Lesão Corporal Culposa: um é que, no caso do §2º, a infração não será mais de menor potencial ofensivo; outro é que basta que o delito seja cometido sob influência de álcool ou substâncias psicoativas.

II - participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição

automobilística, de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente;

III - transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50

km/h (cinquenta quilômetros por hora).

ATENÇÂO: Nessas hipóteses, ainda que de menor potencial ofensivo, obrigatoriamente, instaurado Inquérito Policial para apuração das infrações.

deverá

ser,

 
apuração das infrações. deverá ser,   SUSPENSÃO OU PROIBIÇÃO: PERMISSÃO OU HABILITAÇÃO (COMO

SUSPENSÃO OU PROIBIÇÃO: PERMISSÃO OU HABILITAÇÃO (COMO PENA)

Art. 292 do CTB:

Art. 292. A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação

para dirigir veículo automotor pode

para dirigir veículo automotor pode

ser imposta

isolada ou cumulativamente

com outras penalidades

A Permissão é o documento inicial, com validade de um ano, que antecede a Carteira

Nacional de Habilitação (CNH).

A Habilitação (CNH) é concedida ao final desse prazo.

A Suspensão é a penalidade imposta àquele que algum dia já possuiu a Permissão ou a

Habilitação.

A Proibição, pelo contrário, é destinada àquele que nunca obteve nem Permissão, tampouco Habilitação.

Para alguns doutrinadores, a Proibição de se obter Permissão ou Habilitação configura a sui generis espécie de “pena privativa de direito”.

Em alguns casos, o próprio CTB prevê de forma expressa as referidas penas conjuntamente com a pena privativa de liberdade e/ou pena de multa.

Exemplos: artigos 302, 303, 306, 307 e 308.

Assim, tem-se que o artigo 292 do CTB somente será aplicado aos demais crimes, que não estabelecem previsão específica da pena de Suspensão ou Proibição de obter a Permissão ou Habilitação.

Para mais, apesar da redação do art. 292, não se vislumbra a hipótese de aplicação isolada das penas nele previstas (não se podem desconsiderar os preceitos secundários de cada tipo penal).

Ainda analisando o texto legal, nota-se a expressão “pode”, que remete à opção facultativa

No entanto, se houver reincidência, a adoção da pena de Suspensão

de aplicação de pena.

(somente ela) será obrigatória. Vide art. 296 do CTB:

aplicação de pena. (somente ela) será obrigatória. Vide art. 296 do CTB: CS – CRIMES DE
aplicação de pena. (somente ela) será obrigatória. Vide art. 296 do CTB: CS – CRIMES DE
Art. 296. Se o réu for reincidente na prática de crime previsto neste Código, o

Art. 296. Se o réu for reincidente na prática de crime previsto neste Código,

o juiz aplicará a penalidade de suspensão da permissão ou habilitação para

dirigir veículo automotor, sem prejuízo das demais sanções penais cabíveis

ATENÇÃO: O art. 296 do CTB não cita as hipóteses de penalidade de Proibição. Portanto, havendo reincidência, somente será obrigatória a imposição da pena de Suspensão.

*(CESPE PC-ES 2011) No caso de réu reincidente em crime de trânsito, é obrigatório que o magistrado, ao julgar a nova infração, fixe a pena prevista no tipo, associada à suspensão da permissão ou habilitação de dirigir veículo automotor.

2.3.1.Duração e comprimento das penas de Suspensão e Proibição

Artigo 293 do CTB:

Art. 293. A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão

ou a habilitação, para dirigir veículo automotor,

tem a duração de dois meses

a

cinco anos

.

§ 1º Transitada em julgado a sentença condenatória, o réu será intimado a

entregar à autoridade judiciária,

em quarenta e oito horas, a Permissão para

Dirigir ou a Carteira de Habilitação.

 

Uma vez imposta a pena, cabe ao Poder Judiciário intimar o condenado para entregar em 48 horas a Permissão ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e comunicar os órgãos de trânsito competentes.

Se não atendida à intimação, o condenado incorrerá no crime previsto no art. 307, §único do CTB, como aconteceu no exemplo abaixo colacionado:

do CTB, como aconteceu no exemplo abaixo colacionado: (Denúncia exibida por Vinícius Marçal durante a aula)

(Denúncia exibida por Vinícius Marçal durante a aula)

Se o réu intimado a entregar sua CNH estiver preso, a penalidade não será iniciada, conforme prevê o art. 293, §2º do CTB:

§

2º A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou

a habilitação para dirigir veículo automotor

não se inicia enquanto o

a habilitação para dirigir veículo automotor não se inicia enquanto o CS – CRIMES DE TRÂNSITO
a habilitação para dirigir veículo automotor não se inicia enquanto o CS – CRIMES DE TRÂNSITO
Art. 295 do CTB: sentenciado, por efeito de condenação penal, estiver recolhido a

Art. 295 do CTB:

sentenciado,

por

efeito

de

condenação

penal,

estiver

recolhido

a

estabelecimento prisional.

 

Art. 295. A suspensão para dirigir veículo automotor ou a proibição de se obter

a permissão ou a habilitação

será sempre comunicada pela autoridade

judiciária ao Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, e ao órgão de

trânsito do Estado em que o indiciado ou réu for domiciliado ou residente

 

A comunicação aos órgãos de trânsito competente é necessária por duas razões: a primeira é oportunizar a fiscalização pelos órgãos administrativos da medida imposta ao condenado; a segunda é evitar a má-fé.

Exemplo de má-fé: Sujeito que é intimado para entregar CHN ao Poder Judiciário e que, depois de concedida, solicita 2ª via do documento em Departamento de Trânsito.

2.3.2.Suspensão ou Proibição como Medida Cautelar

Art. 294 do CTB:

Art. 294.

Em qualquer fase da investigação ou da ação penal,

havendo

necessidade para a garantia da ordem pública, poderá o juiz, como medida cautelar, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público ou ainda mediante representação da autoridade policial, decretar, em decisão motivada, a suspensão da permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor, ou a proibição de sua obtenção. Parágrafo único. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida cautelar,

ou da que indeferir o requerimento do Ministério Público, caberá

recurso em

sentido estrito

, sem efeito suspensivo.

Conforme extraído do artigo supra, a Suspensão ou Proibição poderá ser aplicada em qualquer fase da investigação ou da ação penal, inclusive, de maneira cautelar.

Fundamento: o art. 312 do CPP prevê quatro fundamentos para a Prisão Preventiva. Nada obstante, apenas um deles será invocado para a aplicação da Proibição ou Suspensão como Medida Cautelar, qual seja: a garantia da ordem pública.

Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como

garantia da ordem

pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para

 

assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do

crime e indício suficiente de autoria. Parágrafo único. A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4 o ).

*(FCC DPE-AP 2018) Nos crimes de trânsito previstos na Lei nº 9.503/1997, em qualquer fase da investigação ou da ação penal, havendo necessidade para a garantia da ordem pública, poderá o juiz, como medida cautelar, ainda que de ofício, decretar, em decisão motivada, a suspensão da permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor, ou a proibição de sua obtenção

Cabimento de recurso - Art. 294, §único do CTB:

de sua obtenção Cabimento de recurso - Art. 294, §único do CTB: CS – CRIMES DE
de sua obtenção Cabimento de recurso - Art. 294, §único do CTB: CS – CRIMES DE
Art. 294 ( ) Parágrafo único. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida

Art. 294 ( ) Parágrafo único. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida cautelar,

ou da que indeferir o requerimento do Ministério Público, caberá

recurso em

sentido estrito

,

sem efeito suspensivo.

 

Da decisão que decretar ou indeferir a Medida Cautelar caberá Recurso em Sentido Estrito (RESE) sem efeito suspensivo.

2.3.3.Eficácia da Medida Cautelar na tutela da ordem pública

Na jurisprudência, tem se entendido que a Medida Cautelar será cabível contra investigados com histórico criminal ruim nos delitos de trânsito.

“Possuindo o investigado precedente envolvendo delitos de trânsito, necessária a imposição da medida cautelar de suspensão da habilitação para dirigir veículo automotor, a fim de garantir a ordem pública.” (TJMG RESE 1.0395.15.001862-4/001, publ. 03/03/2017)

“É imperiosa a suspensão cautelar da CNH daquele que já foi anteriormente flagrado na direção de veículo automotor com sinais de embriaguez.” (TJMG, RESE 1.0481.15.003483-5/001, publ. 22/07/2016).

ATENÇÃO: Após a reforma do CPP, dada pela Lei nº 12.403/2011, tem-se que a Cautelar na fase da Ação Penal pode ser efeutada pelo juiz ex officio. Já na fase de Investigação, o magistrado poderá fazê-la somente por provocação.

EFEITO EXTRAPENAL E AUTOMÁTICO DA CONDENAÇÃOo magistrado poderá fazê-la somente por provocação. Art. 160 do CTB: Art. 160. O condutor condenado

Art. 160 do CTB:

Art. 160. O condutor condenado por delito de trânsito

deverá ser submetido a

novos exames para que possa voltar a dirigir,

de acordo com as normas

estabelecidas pelo CONTRAN,

independentemente do reconhecimento da

prescrição, em face da pena concretizada na sentença.

 

§

1º Em caso de acidente grave, o condutor nele envolvido poderá ser

submetido aos exames exigidos neste artigo, a juízo da autoridade executiva estadual de trânsito, assegurada ampla defesa ao condutor.

§

2º No caso do parágrafo anterior, a autoridade executiva estadual de

trânsito poderá apreender o documento de habilitação do condutor até a sua aprovação nos exames realizados.

O efeito extrapenal e automático da condenação consiste na determinação de que ainda que sobrevenha a prescrição da pretensão executória, novos exames deverão ser feitos para que o condenado volte a dirigir.

MULTA REPARATÓRIAdeverão ser feitos para que o condenado volte a dirigir. Art. 297 do CTB: CS –

Art. 297 do CTB:

para que o condenado volte a dirigir. MULTA REPARATÓRIA Art. 297 do CTB: CS – CRIMES
para que o condenado volte a dirigir. MULTA REPARATÓRIA Art. 297 do CTB: CS – CRIMES
Art. 297. A penalidade de multa reparatória consiste no pagamento, mediante   depósito judicial em

Art. 297. A penalidade de multa reparatória consiste no pagamento, mediante

 

depósito judicial em favor da vítima, ou seus sucessores

, de quantia calculada

com base no disposto no § 1º do art. 49 do Código Penal,

sempre que houver

prejuízo material resultante do crime.

 

§

1º A multa reparatória não poderá ser superior ao valor do prejuízo

demonstrado no processo. § 2º Aplica-se à multa reparatória o disposto nos arts. 50 a 52 do Código

Penal.

 

§

3º Na indenização civil do dano, o valor da multa reparatória será

descontado.

 

2.5.1.Natureza jurídica

A classificação da natureza jurídica da Multa Reparatória sempre deu margem para polêmica na doutrina. Atualmente, assevera-se que por guardar semelhanças com a fixação do quantum indenizatório mínimo do CPP, tem natureza jurídica de efeito da sentença.

Vide art. 63, §único, do CPP:

Art. 63. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover- lhe a execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros. Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido.

2.5.2.Necessidade do pedido expresso da Multa Reparatória

Renato Brasileiro de Lima e Andrey Borges de Mendonça têm entendido que não é necessário pedido expresso da Multa Reparatória. Para eles, a Multa Reparatória tem efeito automático.

Esse entendimento, todavia, não convenceu a jurisprudência dos Tribunais Superiores. STJ e STF preconizam que o pedido expresso para que o juiz fixe o valor devido é fundamental, sob pena de eventual decisão extra petita.

“4. Entre diversas outras inovações introduzidas no Código de Processo Penal com a reforma de 2008, nomeadamente com a Lei nº 11.719/2008,

a reforma de 2008, nomeadamente com a Lei nº 11.719/2008, destaca-se a inclusão do inciso IV

destaca-se a inclusão do inciso IV ao artigo 387, que, consoante pacífica

do inciso IV ao artigo 387, que, consoante pacífica jurisprudência desta Corte Superior, contempla a

jurisprudência desta Corte Superior, contempla a viabilidade de indenização

para as duas espécies de dano o material e o moral -,

desde que tenha

havido a dedução de seu pedido na denúncia ou na queixa.” (REsp

 

1675874/MS, 3ª Seção/STJ, DJe 08/03/2018)

Em conformidade com o julgamento, constata-se também que, para o STJ, o quantum indenizatório se aplica tanto ao dano material, quanto ao moral e demanda pedido expresso.

Dada a similitude dos institutos previstos nos artigos 297 do CTB e 63, §único, com incurso no artigo 387, inciso IV, ambos do CPP, pode-se concluir que, para a multa reparatória, também se faz de rigor expresso pedido.

que, para a multa reparatória, também se faz de rigor expresso pedido. CS – CRIMES DE
que, para a multa reparatória, também se faz de rigor expresso pedido. CS – CRIMES DE
2.5.3. Multa Reparatória: 3ª via do Direito Penal Sistema de Dupla Via Segundo Cléber Masson,

2.5.3.Multa Reparatória: 3ª via do Direito Penal

Sistema de Dupla Via

Segundo Cléber Masson, o Sistema de Dupla Via admite as penas (1ª via) e as medidas de segurança (2ª via) como respostas estatais aos violadores das suas regras.

O Direito Penal de Dupla Via é o Sistema Penal Clássico

Rogério Greco, por seu turno, defende que “a introdução da relação autor-vítima-reparação no sistema de sanções penais nos conduz a um modelo de três vias, onde a reparação surge como uma terceira função da pena conjuntamente com a retribuição e a prevenção.”

A instituição da Multa Reparatória (e a fixação do quanto indenizatório mínimo do artigo 387,

inciso IV, do CPP) revela traços desse modelo de três vias (Justiça Restaurativa), ao viabilizar uma nova forma de composição das consequências do delito.

ATENÇÃO: note que Multa Reparatória não se confunde com os institutos da Multa Penal e/ou da Prestação Pecuniária.

EM SUMA:

Multa Penal

Art. 49. A pena de multa consiste

no

da quantia fixada

na sentença e calculada em dias- multa (

pagamento

ao

fundo
fundo

penitenciário

Multa Reparatória

Art. 297. A penalidade de multa

no

reparatória consiste

pagamento mediante depósito judicial em favor da vítima, ou

seus

sucessores

,

(

)

sempre

que

houver

prejuízo

 

material

resultante do crime.

≠≠≠

STJ: “A pena de prestação pecuniária, espécie de pena restritiva de direitos não se confunde com a multa reparatória do artigo 297 do CTB.” (REsp 772721) & “Não há qualquer incompatibilidade na aplicação cumulativa.” (REsp

736784)

Prestação Pecuniária

Art. 43. As penas restritivas de

direitos

são:

I.

prestação

pecuniária;

 

Art.

45,

§1º.

A

prestação

pecuniária

consiste

no

pagamento em dinheiro à vítima,

a

seus dependentes ou a

entidade pública privada ou com

destinação

social

,

de

importância fixada pelo juiz ( §2º. No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do

beneficiário,

a

prestação

pecuniária

pode

consistir

em

prestação de outra natureza

.

Art. 44, §4º. A pena restritiva de

em privativa

de liberdade quando ocorrer o

descumprimento injustificado. )

direitos

converte-se

(

2.5.4.Multa Reparatória e os prejuízos imateriais

O quantum indenizatório mínimo pode abarcar, tranquilamente, os danos morais e os danos

materiais.

“TESE: Nos casos de violência contra a mulher praticados no âmbito doméstico e familiar, é possível a fixação de valor mínimo indenizatório a título de dano moral, desde que haja pedido expresso da acusação ou da

a título de dano moral, desde que haja pedido expresso da acusação ou da CS –
a título de dano moral, desde que haja pedido expresso da acusação ou da CS –
parte ofendida, ainda que não especificada a quantia e independentemente de instrução probatória.” (Resp

parte ofendida, ainda que não especificada a quantia e independentemente de instrução probatória.” (Resp 1675874/MS, 3ª Seção/STJ, Dje 08/03/2018)

No entanto, o CTB foi expresso ao citar que a penalidade de Multa Reparatória seria aplicada apenas os prejuízos MATERIAIS:

Vide artigo 297, caput, do CTB:

Art. 297. A penalidade de multa reparatória consiste no pagamento, mediante depósito judicial em favor da vítima, ou seus sucessores, de quantia calculada com base no disposto no § 1º do art. 49 do Código Penal, sempre que houver

prejuízo

 

material resultante do crime.

Nada obstante, nada impede a fixação de dano moral (quantum indenizatório) ao CTB por força do artigo 387, inciso IV, do CPP, em obediência à determinação de aplicação subsidiária do Direito Processual Penal ao CTB.

2.5.5.Valor da Multa Reparatória

A propósito, Guilherme de Souza Nucci afirma que “a referência feita ao art. 49, §1º, do CP,

é equivocada. Não se pode imaginar a fixação de uma reparação civil de dano com base em 1/30

do salário mínimo até o máximo de 5 salários. Seria, nitidamente, insuficiente em várias situações. Logo, o correto é interpretar ser cabível a fixação da multa reparatória nos termos do art. 49, caput

e §1º do CP. O magistrado escolhe um montante de 10 a 360 dias-multa. Após, estabelece o valor do dia-multa.”

Artigo 297, §1º do CTB:

Art. 297. (

)

§

1º A multa reparatória não poderá ser superior ao valor do prejuízo

demonstrado no processo.

 

Artigo 297, §3º do CTB:

Art. 297. (

)

 

§

Na indenização civil do dano, o valor da multa reparatória será

descontado.

 

O dispositivo acima reforça o cunho indenizatório da Multa Reparatória.

2.5.6. Procedimento de Execução da Multa Reparatória

Artigo 297, §2º do CTB:

Art. 297. ( ) § 2º Aplica-se à multa reparatória o disposto nos arts. 50 a 52 do Código Penal.

Conforme se extrai dos artigos 50 a 52 do CP, tem-se que o pagamento da Multa Reparatória será realizado dentro 10 dias depois de transitada a sentença, bem como que será admitido o seu parcelamento.

de transitada a sentença, bem como que será admitido o seu parcelamento. CS – CRIMES DE
de transitada a sentença, bem como que será admitido o seu parcelamento. CS – CRIMES DE
Contudo, o artigo 51 do CP merece zelo. ATENÇÃO: O legitimado do artigo 51 do

Contudo, o artigo 51 do CP merece zelo.

ATENÇÃO: O legitimado do artigo 51 do CP não será aplicado ao CTB.

Vejamos:

Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, aplicando-se-lhes as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição

A ação, no CTB, é movida pela própria vítima ou sucessor, e não pela Procuradoria da

Fazenda. Não teria sentido retirar a legitimidade do ofendido, já que essa multa, ao contrário da

penal, tem nítido caráter indenizatório e somente interessa à vítima ou seus sucessores.

3. AGRAVANTES DOS CRIMES DE TRÂNSITO

Artigo 298 do CTB:

Art. 298. São circunstâncias que

sempre agravam

as penalidades dos crimes

de trânsito ter o condutor do veículo cometido a infração:

O legislador equivocou-se ao prever a expressão “sempre”. Deve-se interpretar o texto

conforme a luz do artigo 61 do CP, ou seja, as circunstâncias agravarão as penalidades, quando

não constituírem ou qualificarem o crime.

I - com dano potencial para duas ou mais pessoas ou com grande risco de grave dano patrimonial a terceiros;

Esse inciso é criticado porque, nos crimes de dano (homicídio culposo ou lesão corporal culposa de trânsito), se o autor comete o crime contra mais de uma pessoa, será aplicada a regra do artigo 70 do CP (concurso formal).

Diferentemente, o autor de homicídio culposo que imprudentemente mata um motociclista e “tira um fino” de três pessoas próximas, compreenderá, na sua pena, a presente agravante.

Em relação aos crimes de perigo, o inciso é polêmico. Dois são os posicionamentos doutrinários:

corrente: defende que a ora agravante é aplicada também aos crimes de perigo.

corrente: a agravante não é aplicada aos crimes de perigo, pois o dano potencial a

pessoas ou o risco de grave dano patrimonial a terceiros configura bis in idem, haja vista que o

perigo já serviu para a tipificação da infração penal.

II - utilizando o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas;

o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas; Atenção: se for o próprio condutor do
o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas; Atenção: se for o próprio condutor do
o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas; Atenção: se for o próprio condutor do
o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas; Atenção: se for o próprio condutor do
III - sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação; Em algumas situações, não

III - sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;

Em algumas situações, não incidirá. Especialmente, a dos artigos 302 e 303 do CTB. Nesses crimes, a circunstância já funciona como causa de aumento de pena:

Art. 302, § 1 o No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) à metade, se o agente:

I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação”.

Não será aplicada também ao crime do artigo 309 do CTB, pois já constitui elementar do delito (Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para Dirigir ou Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano).

Igualmente, não será aplicada ao artigo 310 do CTB (Permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada, com habilitação cassada ou com o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem, por seu estado de saúde, física ou mental, ou por embriaguez, não esteja em condições de conduzi-lo com segurança).

Incidirá nos demais casos, como, por exemplo, embriaguez ao volante (artigo 306 do CTB) e crime de racha (artigo 308).

IV - com Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação de categoria diferente da do veículo;

Vide artigo 143 do CTB.

V

-

quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o

transporte de passageiros

ou de carga;

A primeira parte do inciso “quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais

com o transporte de passageiros” não será aplicada aos delitos dos artigos 302, §1º, inciso IV do

CTB e artigo 303, §único da Lei nº 9.503/97.

No caso do homicídio culposo (artigo 302 do CTB), já funciona como causa de aumento de pena. Assim, incidirá a agravante apenas se a profissão exigir cuidados especiais cm o transporte de carga.

Incidirá nos demais casos.

Exemplo: artigo 306 do CTB cometido por motorista de ônibus.

Pouco importa se o veículo está vazio (ou não), se existem passageiros (ou não), se existe carga (ou não), o que é relevante é o fato de o veículo ser destinado ao transporte de passageiros ou de cargas (José Almeida Sobrinho e STJ).

VI - utilizando veículo em que tenham sido adulterados equipamentos ou

características que

afetem a sua segurança

ou o seu funcionamento de

acordo com

os limites de velocidade prescritos nas especificações do

fabricante

;

O “envenenamento” do veículo gera um maior perigo à segurança viária.

Típico exemplo de incremento do risco: motor “tunado”.

viária. Típico ex emplo de incremento do risco: motor “tunado”. CS – CRIMES DE TRÂNSITO –
viária. Típico ex emplo de incremento do risco: motor “tunado”. CS – CRIMES DE TRÂNSITO –
Como é crime que deixa vestígios, exige perícia. VII - sobre faixa de trânsito temporária

Como é crime que deixa vestígios, exige perícia.

VII - sobre

faixa de trânsito temporária

ou permanentemente destinada a

pedestres

.

Faixas

de

trânsito

temporárias

são

aquelas

utilizadas

em

situações

especiais

ou

emergenciais, com o escopo de proteger pedestres, trabalhadores etc.

Essas faixas visam aumentar a segurança dos pedestres nos locais especificamente a eles destinados.

Não incide nos crimes dos artigos 302, §1º, inciso II, do CTB e artigo 303, §único da Lei nº 9.503/97, pois já é considerada causa de aumento de pena, que não se restringi às faixas temporárias ou permanentes, como alcança também as calçadas.

Vide artigo 302, §1º, II do CTB:

Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

§

1 o No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena

é

aumentada de 1/3 (um terço) à metade, se o agente:

II

- praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;

 

4. PERDÁO JUDICIAL

Artigo 300 do CTB (VETADO):

Art. 300. Nas hipóteses de homicídio culposo e lesão corporal culposa, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem, exclusivamente, o cônjuge ou companheiro, ascendente, descendente, irmão ou afim em linha reta, do condutor do veículo.

Questiona-se: o veto presencial significa rejeição à possibilidade de aplicação de perdão judicial aos artigos 302 e 303 do CTB?

Na época do veto, a questão foi objeto de inúmeras discussões doutrinárias.

1ª corrente (TACRIM-SP): “É inadmissível a concessão do perdão judicial ao agente

uma vez que inexiste tal previsão no Código

de Trânsito Brasileiro para os crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa, sendo certo que o referido benefício constitui causa extintiva da punibilidade de aplicação restrita aos caos legais, recaindo sobre as infrações especificamente indicas na lei, conforme dispõe o inciso IX do art. 107 do CP.” (Ap. 1252261-2, 2ª C., rel. Osni de Souza, 28.06.2001, v.u.).

condenado pelo delito do art. 302 da Lei 9.503/97 (

),

Essa corrente é demonstrada, tão somente, com finalidade histórica, já que não mais adotada por absolutamente ninguém.

2ª corrente: É admissível a aplicação do Perdão Judicial, seja por analogia, seja pela previsão artigo 291 do CTB ou pelas razões do veto.

analogia, seja pela previsão artigo 291 do CTB ou pelas razões do veto. CS – CRIMES
analogia, seja pela previsão artigo 291 do CTB ou pelas razões do veto. CS – CRIMES
O veto presidencial NÃO significa rejeição à possibilidade de aplicação de perdão judicial aos artigos

O veto presidencial NÃO significa rejeição à possibilidade de aplicação de perdão judicial aos artigos 302 e 303 do CTB. É imperativa a aplicação analógica do §5º do artigo 121 e do §8º do artigo 129, ambos do CP, que são normas de caráter geral (CP, artigo 12).

Prevê o artigo 291 do CTB: “Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, previstos neste Código, aplicam-se as normas gerais do CP e do CPP, se este Capítulo não dispuser

de modo diverso, (

).”

Foram razões do veto: “O artigo trata do perdão judicial, já consagrado pelo Direito Penal.

 

Deve ser vetado, porém, porque as hipóteses previstas no §5º do art. 121 e §8º do art. 129 do

Código Penal disciplinam o instituto de forma mais abrangente

.

Atualmente, inexistem dúvidas de que incide o Perdão Judicial aos delitos de trânsito.

5. IMUNIDADE AO FLAGRANTE

Artigo 301 do CTB:

Art. 301. Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito

de que

resulte vítima

, não se imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá fiança,

se

prestar pronto e integral socorro àquela.

 

Excetuada a ocorrência do presente tipo, nos demais casos de acidentes culposos que resultem vítimas, a omissão constitui causa de aumento de pena tanto do Homicídio Culposo quanto da Lesão Corporal Culposa.

CABIMENTO DE PRISÃO TEMPORÁRIAdo Homicídio Culposo quanto da Lesão Corporal Culposa. Não será cabível a Prisão Temporária nos crimes

Não será cabível a Prisão Temporária nos crimes de trânsito, pois o rol que prevê suas possibilidades é restrito (artigo 1º, inciso III da Lei nº 7.960/89) e não traz em seu bojo qualquer possibilidade no contexto dos crimes do CTB.

CABIMENTO DE PRISÃO PREVENTIVA EM CRIME CULPOSObojo qualquer possibilidade no contexto dos crimes do CTB. Em relação à Prisão Preventiva, a priori,

Em relação à Prisão Preventiva, a priori, não há falar em sua decretação em crime culposo.

Vide artigo 313 do CPP:

Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva:

I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos;

(

)

Parágrafo único. Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida.

salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. CS – CRIMES DE TRÂNSITO – 2019.1
salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. CS – CRIMES DE TRÂNSITO – 2019.1
Excepcionalmente, segundo Andrey Borges de Mendonça, pode ser que caiba quando houver dúvida sobre a

Excepcionalmente, segundo Andrey Borges de Mendonça, pode ser que caiba quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la ou mesmo no caso de descumprimento da medida cautelar de Suspensão ou Proibição para dirigir e reiteração do comportamento imprudente.

é de se dizer que

não restam dúvidas quanto à existência de possíveis exceções, a justificar tratamento mais rigoroso em relação às infrações penais culposas, como ocorre, por exemplo, em delitos de trânsito, com ou sem embriaguez, mas com comprovada reiteração de comportamento imprudente. Quantas vidas foram e poderão ser ceifadas pela contumaz inobservância das regras exigidas para um tráfego

seguro, sobretudo em casos em que o agente é pilhado, repetidas vezes, em velocidade superior àquela permitida no local, ou, com mesmo grau de risco, em estado de embriaguez ao volante?

Eugênio Pacceli e Domingos Barroso da Costa assim o defendem “(

)

A maior parte da doutrina, no entanto, não concorda com a possibilidade de Prisão Preventiva em crimes culposos.

6. HOMICÍDIO CULPOSO DE TRÂNSITO

Artigo 302 do CTB:

Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

§ 1 o No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena

é aumentada de 1/3 (um terço) à metade, se o agente:

I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;

II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;

III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à

vítima do acidente;

IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de

transporte de passageiros.

§ 2 o

§ 3 o Se o agente conduz veículo automotor sob a influência de álcool ou de

qualquer outra substância psicoativa que determine dependência:

Penas - reclusão, de cinco a oito anos, e suspensão ou proibição do direito de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

-

Antes do CTB, a provocação da morte culposa por condução de veículo era abarcada pelo CP, em seu artigo 121, §3º. Não havia um diploma específico a respeito do assunto.

Na época antecedente à edição do CTB, verificou-se alto índice de mortes no trânsito que colocou o Brasil como recordista mundial. Assim, o legislador atendeu a um apelo social a respeito do tema e criminalizou de forma mais grave e especial o Homicídio Culposo no Trânsito dentro do CTB.

Atualmente, portanto, existem dois Homicídios Culposos: um descrito no CTB e outro no CP.

Em qualquer das hipóteses, deve-se examinar o que prevê artigo 18, inciso II, do CP:

das hipóteses, deve-se examinar o que prevê artigo 18, inciso II, do CP: CS – CRIMES
das hipóteses, deve-se examinar o que prevê artigo 18, inciso II, do CP: CS – CRIMES
Art. 18 - Diz-se o crime II - culposo, quando o agente deu causa ao

Art. 18 - Diz-se o crime

II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,

negligência ou imperícia

ELEMENTOS DO CRIME CULPOSO (CLÉBER MASSON)ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia VIAS TERRESTRES Artigo 1º do CTB: Art. 1º O

ou imperícia ELEMENTOS DO CRIME CULPOSO (CLÉBER MASSON) VIAS TERRESTRES Artigo 1º do CTB: Art. 1º

VIAS TERRESTRESou imperícia ELEMENTOS DO CRIME CULPOSO (CLÉBER MASSON) Artigo 1º do CTB: Art. 1º O trânsito

Artigo 1º do CTB:

Art. 1º O trânsito de qualquer natureza nas

vias terrestres do território

 

nacional, abertas à circulação, rege-se por este Código

§

1º Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e

animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga.

§

2º O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos

órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes

cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito.

§

3º Os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito

respondem, no âmbito das respectivas competências, objetivamente, por danos causados aos cidadãos em virtude de ação, omissão ou erro na

execução e manutenção de programas, projetos e serviços que garantam o exercício do direito do trânsito seguro.

§ 4º (VETADO)

 

§ 5º Os órgãos e entidades de trânsito pertencentes ao Sistema Nacional de

Trânsito darão prioridade em suas ações à defesa da vida, nela incluída a

preservação da saúde e do meio-ambiente.

 
nela incluída a preservação da saúde e do meio-ambiente.   CS – CRIMES DE TRÂNSITO –
nela incluída a preservação da saúde e do meio-ambiente.   CS – CRIMES DE TRÂNSITO –
Os fatos praticados na condução de veículos motorizados não terrestres (lanchas, jet-skis, aeronaves) não rendem

Os fatos praticados na condução de veículos motorizados não terrestres (lanchas, jet-skis, aeronaves) não rendem ensejo ao artigo 302 do CTB, podendo incorrer o autor, conforme o caso, no CP: artigos 121, §3º ou 261 (agravado pela morte culposa: artigo 258), que trata do crime denominado “atentado contra a segurança de transporte marítimo, fluvial ou aéreo”.

6.2.1.Denominação

Artigo 2º do CTB:

Art.

2º São

vias terrestres

urbanas e rurais as ruas,

as avenidas, os

logradouros, os caminhos, as passagens, as estradas e as rodovias

, que

terão seu uso regulamentado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre elas, de acordo com as peculiaridades locais e as circunstâncias especiais

6.2.2.Ampliação legislativa

Em 2015, o legislador esclarecendo o conceito de “vias terrestres”, acrescentou o §2º ao artigo 2º do CTB:

Parágrafo único. Para os efeitos deste Código, são consideradas vias terrestres as praias abertas à circulação pública, as vias internas pertencentes aos condomínios constituídos por unidades autônomas e as vias e áreas de estacionamento de estabelecimentos privados de uso coletivo

6.2.3.Locais dos crimes

O crime do artigo 302 do CTB, conforme aponta o caput, não ocorrerá somente em via públicas.

No Homicídio Culposo de Trânsito, o legislador não restringiu o local da ocorrência. Pode ser, pois, em qualquer lugar.

Exemplo: crime cometido no ato de tirar o veículo da garagem.

Ao contrário, os crimes inscritos nos artigos 308 e 309 apenas serão consumados se praticados em via pública.

6.2.4.Observações

Questiona-se: É possível haver morte culposa no trânsito sem a incidência do artigo 302 do CTB? É possível.

Para que ocorra o delito descrito no artigo 302 do CTB, o agente deve estar dirigindo veículo automotor.

Assim, não será tipificado nas seguintes hipóteses:

a) Ciclista que atravessa a pista de rolamento em momento e local inadequados (imprudência no trânsito por quem não estava na condução de veículo automotor), causando a queda e a morte de um motociclista.

de veículo automotor), causando a queda e a morte de um motociclista. CS – CRIMES DE
de veículo automotor), causando a queda e a morte de um motociclista. CS – CRIMES DE
b) “Caroneiro” que, por imprudência, balança a motocicleta e provoca a queda e morte do

b) “Caroneiro” que, por imprudência, balança a motocicleta e provoca a queda e morte do condutor.

c) Pessoa que:

Abre a porte de um carro sem olhar para trás e causa a morte de um motociclista;

Empurra um carro desligado, perde o seu controle e atropela alguém.

ELEMENTO SUBJETIVOum carro desligado, perde o seu controle e atropela alguém. Sempre será a culpa. Tanto é

Sempre será a culpa.

Tanto é que se, na direção de veículo automotor, Fulano acelerar seu carro para atropelar e matar seu desafeto tem-se o crime de Homicídio Doloso (CP).

Note que a embriaguez + direção que ocasiona morte não rende ensejo necessariamente ao dolo eventual.

Por outro lado, a embriaguez + direção que gerou morte, somada a outros elementos, pode, eventualmente, caracterizar o dolo eventual.

Vejamos:

CULPA CONSCIENTE

“O Superior Tribunal

de

Justiça

se

manifestou no sentido de que

a embriaguez

manifestou no sentido de que a embriaguez por si só, sem outros elementos do caso concreto,
manifestou no sentido de que a embriaguez por si só, sem outros elementos do caso concreto,
manifestou no sentido de que a embriaguez por si só, sem outros elementos do caso concreto,
manifestou no sentido de que a embriaguez por si só, sem outros elementos do caso concreto,
manifestou no sentido de que a embriaguez por si só, sem outros elementos do caso concreto,
manifestou no sentido de que a embriaguez por si só, sem outros elementos do caso concreto,

por si só, sem outros elementos do caso concreto, não pode induzir à presunção, pura

e simples, de que houve intenção de matar

.”

(AgRg no Resp 1594185/RS, Dje 02/03/2018)

de matar .” (AgRg no Resp 1594185/RS, Dje 02/03/2018) “Homicídio na condução de veículo automotor.

“Homicídio na condução de veículo automotor.

Embriaguez ao volante. ( Sendo os crimes

)

de trânsito, em regra, culposos,

impõe-se a

indicação de elementos concretos que evidenciem a assunção do risco de produzir o

resultado, o dolo eventual.

(

)

o contexto

fático evidenciaria a

culpa consciente

, por se

tratar de motorista profissional que confiara em suas habilidades para impedir o resultado.” (AgRg no Resp 1041830, DJ e 03/11/2015)

DOLO EVENTUAL

A embriaguez não foi a única circunstância

externa

configuradora

do

dolo

eventual.

Assim,

entendeu, com base nas provas dos autos,

Corte de origem

na

espécie,

a

que o ‘recorrente

não está sendo processado

em razão de uma simples embriaguez ao

volante da qual resultou em uma morte

, mas

sim de dirigir em

velocidade incompatível

com

o local,

à noite
à noite

, na

contramão de direção

em

rodovia’. Tais circunstâncias indicam, em tese,

terem sido os crimes praticados com

dolo
dolo
eventual
eventual

.” (JC 303872, Dje 02/02/2017)

“(

)

o fato de o réu dirigir

embriago

veículo

 

fazendo

zigue-

atingir a vítima,

não

automotor em

via

pública,

ao

são

circunstâncias

 

pista e,que

que

indicam

eventual
eventual

que

o

paciente

agiu

com

.” (HC 226.338, Dje 28/04/2016)

dolo
dolo

AgInt no AREsp 1144049/GO, Dje 19/12/2017.

CAUSAS DE AUMENTO DE PENAdolo AgInt no AREsp 1144049/GO, Dje 19/12/2017. Artigo 302, §1º, do CTB: CS – CRIMES DE

Artigo 302, §1º, do CTB:

Dje 19/12/2017. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Artigo 302, §1º, do CTB: CS – CRIMES DE
Dje 19/12/2017. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Artigo 302, §1º, do CTB: CS – CRIMES DE
§ 1 o N o homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena

§ 1 o No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena

é aumentada de 1/3 (um terço) à metade, se o agente:

I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;

Não responderá pelo artigo 309 do CTB, que fica absorvido pelo artigo 302 do CTB (HC 128.921, STF, 2015).

*CESPE: Cláudia, penalmente responsável, ao dirigir veículo automotor sem habilitação, em via pública, atropelou e matou um pedestre. Nessa situação hipotética, Cláudia responderá por homicídio culposo em concurso material com o delito de falta de habilitação FALSO!!!

II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;

A conduta é mais grave nesse caso, uma vez que a vítima é atingida justamente em local destinado a lhe dar segurança.

Crime praticado em faixa de pedestre: sai a agravante do artigo 298 do CTB e entra a presente causa de aumento de pena.

III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente;

Requisitos para a causa de aumento de pena:

a) deixar de prestar socorro o causador do acidente.

b) sem risco pessoal para o condutor (ameaça de linchamento etc.)

Não incide a causa de aumento de pena:

a) a condutor culpado gravemente ferido, sem condições de agir;

b) socorro imediatamente prestado por terceiros (não há omissão);

c) socorro absolutamente inviável (morte evidente ≠ morte instantânea).

, tendo em vista que

não cAbe ao condutor do veículo, no instante do acidente,

gravidade das lesões resultou na morte para deixar de prestar o devido socorro” (AgRg no Ag 1140929/MG, Min. Laurita Vaz, 5ª T.STJ, Dje 08/09/2009 & AgRg no Ag 1371062/SC, Min. Og Fernandes, 6ª T.STJ, Dje

03/11/2011).

supor que a

“Irrelevante
“Irrelevante

o fato de a

vítima ter falecido imediatamente

o fato de a vítima ter falecido imediatamente Nos precedentes acima, o STJ considerou que, no

Nos precedentes acima, o STJ considerou que, no instante do acidente, o condutor não poderia “supor” que as lesões causadas na vítima foram de tal monta que redundaram sua morte. Note-se: esses casos não se tratam de morte evidente!

“No homicídio culposo,

a morte instantânea da vítima não afasta a causa de

aumento de pena prevista no art. 121, 4º, do CP deixar de prestar imediato

 

socorro à vítima , a não ser que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por qualquer pessoa. Com efeito, o aumento imposto à pena decorre do total desinteresse pela sorte da vítima. Isso é evidenciado por estar a majorante inserida no §4º do art. 121 do CP, cujo móvel é a observância do dever de solidariedade que deve reger as relações na sociedade brasileira (art. 3º, I,

que deve reger as relações na sociedade brasileira (art. 3º, I, CS – CRIMES DE TRÂNSITO
que deve reger as relações na sociedade brasileira (art. 3º, I, CS – CRIMES DE TRÂNSITO
da CF). Em suma, o que pretende a regra em destaque é realçar a importância

da CF). Em suma, o que pretende a regra em destaque é realçar a importância da alteridade. Assim, o interesse pela integridade da vítima deve ser demonstrado, a despeito da possibilidade de êxito, ou não, do socorro

que possa vir a ser prestado. (

)

Cumpre destacar, ainda, que

o dever

imposto ao autor do homicídio remanesce, a não ser que seja evidente a

morte instantânea, perceptível por qualquer pessoa

. Em outras palavras,

havendo dúvida sobre a ocorrência do óbito imediato, compete ao autor da conduta imprimir os esforços necessários para minimizar as consequências do fato. Isso porque ‘ao agressor, não cabe, no momento do fato, presumir as condições físicas da vítima, medindo a gravidade das lesões que causou e as consequências de sua conduta. Tal responsabilidade é do especialista médico, autoridade científica e legalmente habilitada para, em tais circunstâncias, estabelecer o momento e causa da morte’ (

EM SUMA:

 

ART. 302, §1º , INCISO III, DO CTB

 

ART. 304 DO CTB

 

-

A causa de aumento de pena se aplica

ao

-

O art. 304 incide quando o

condutor, que

 

não

condutor do veículo que age de forma culposa

 

age com culpa

(imprudência, negligência ou

e

se omite

.

imperícia),

deixa de prestar socorro à vítima.

 
- O conduto culpado
-
O
conduto
culpado

r do veículo que omitiu socorro, é

-

O condutor do veículo, que omitiu socorro,

(imprudência,

negligência

ou

 

não é culpado

pelo acidente.

 

imperícia) pelo acidente.

 
 

-

Ele deve prestar o socorro

mesmo cabendo

 

a culpa do sinistro à vítima ou a terceiro

. Se

não o fizer: art. 304 do CTB.

 

*(PCDF 2005 Delegado de Polícia) Quando conduzia veículo automotor, sem culpa, Fulano atropela um pedestre, deixando de prestar-lhe socorro, constituindo tal conduta, em tese, a prática de OMISSÃO DE SOCORRO, prevista no artigo 304 do CTB.

IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros.

Não é necessário que o condutor esteja conduzindo alguém. Basta que o veículo seja destinado ao transporte de passageiros.

A majorante do art. 302, parágrafo único, inciso IV, do CTB, exige que se trate de motorista profissional, que esteja no exercício de seu mister e

conduzindo

veículo

de

transporte

de

passageiros,

mas

não

refere

à

necessidade de estar transportando clientes no momento da colisão e não

distingue entre veículos de grande ou pequeno porte

.” (AgRg no REsp

1255562/RS, STJ, Dje 17/03/2014).

6.4.1.Confusão legislativa

O inciso V do artigo 302 do CTB foi revogado.

Previa como causa de aumento de pena o fato de o autor estar sob a influência de álcool ou substância tóxica ou entorpecente de efeitos análogos.

de álcool ou substância tóxica ou entorpecente de efeitos análogos . CS – CRIMES DE TRÂNSITO
de álcool ou substância tóxica ou entorpecente de efeitos análogos . CS – CRIMES DE TRÂNSITO
O propósito da revogação foi permitir o concurso entre crime do artigo 302 e artigo

O propósito da revogação foi permitir o concurso entre crime do artigo 302 e artigo 306, ambos do CTB. No entanto, a ideia não se desenrolou na prática.

Para muitos, é incogitável o concurso do crime de perigo com o crime de dano.

Segundo Guilherme de Souza Nucci: “Eliminou-se a causa de aumento com o objetivo de permitir a aplicação cumulativa de dois crimes: homicídio culposo em concurso formal com a embriaguez ao volante. Entretanto, não se admite que, concorrendo o crime de perigo (embriaguez ao volante) com o crime de dano (homicídio culposo), haja aplicação cumulativa dos dois tipos penais. Afinal, o delito de dano sempre absorve o de perigo. Diante disso, a eliminação da causa de aumento prejudicou o contexto do maior rigor exigível de quem dirige alcoolizado, causando

dano à coletividade. Para consertar o equívoco legislativo,(

acrescentando essa circunstância como qualificadora no §2º deste artigo

)

editou-se a Lei 12.971/2014,

 

ART. 302, §2º DO CTB

 

ART. 308, §2º DO CTB

 

“Se o agente conduz veículo automotor com a capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência OU Participa, em via, de corrida, disputada ou competição automobilística ou ainda de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente:

§

2 o

Se

da

prática do crime previsto

no caput resultar morte, e as circunstâncias demonstrarem que o agente não quis o resultado nem assumiu o risco de produzi-lo, a

pena privativa de liberdade é de reclusão

de 5
de 5

(cinco) a 10 (dez) anos

, sem prejuízo das

outras penas previstas neste artigo.

 
 

Redação

dada

pela

Lei

 

12.971/2014

 

Penas. Reclusão,

de 2 a 4 anos

, e suspensão

 

ou proibição de se obter a permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor.

Antes da Lei 13.281/2016, havia uma duplicidade de condutas típicas, pois a parte final do §2º do art. 302 e o art. 308 previam o mesmo comportamento com diferentes sanções.

Redação

dada

pela

Lei

12.971/2014

 

Revogada pela Lei nº 13.281/2016

 

PORTANTO, a morte culposa decorrente de racha configura o crime do artigo 308, §2º do

CTB.

Sobre a 1ª parte do extinto §2º do artigo 302 (se o agente conduz veículo automotor com a capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência), a revogação abriu a discussão sobre a possibilidade de concurso entre os delitos do artigo 302 e 306 do CTB:

1ª corrente: O concurso é possível. A Lei 11.705/08 revogou a causa de aumento de pena do artigo 302, §1º, inciso V, do CTB, a fim de permitir o concurso. Logo, não há falar em absorção do crime de embriaguez pelo de homicídio culposo, “pois aquele delito, de perigo abstrato, já estava consumado quando do acidente” (TJSP, Ap. 830.821.3/5, 30.03.2006).

2ª corrente: O concurso é inviável, porquanto o crime de dano (302) absorve o crime de perigo (306).

A divergência, no entanto, não tem mais razão de ser, eis porque fora acrescentado o §3º ao artigo 302 do CTB:

razão de ser, eis porque fora acrescentado o §3º ao artigo 302 do CTB: CS –
razão de ser, eis porque fora acrescentado o §3º ao artigo 302 do CTB: CS –
§ 3 o Se o agente conduz veículo automotor sob a influência de álcool ou

§ 3 o Se o agente conduz veículo automotor sob a influência de álcool ou de

qualquer outra substância psicoativa que determine dependência:

Penas - reclusão, de cinco a oito anos, e suspensão ou proibição do direito de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Esse §3º é mal escrito, pois dá a (falsa) impressão de que está a punir a embriaguez ao volante.

O legislador buscou vedar a possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por

restritiva de direitos, ao estipular pena mínima superior a 4 anos (ultrapassando o limite imposto

pelo artigo 44, inciso I, do CP).

No entanto, esqueceu-se de que a substituição é destinada também abrange os crimes culposos. Vejamos:

Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando I aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime

não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou,

qualquer que

seja a pena aplicada, se o

crime for culposo

 

Nada obstante, segundo Cléber Masson “é difícil imaginar a suficiência da substituição na situação em que o autor do crime, de forma irresponsável e leviana, embriaga-se, dirige e tira a vida alheia.

6.4.2.Procedimento adotado para comprovar o estado de embriaguez do autor do Homicídio Culposo Qualificado

Artigo 277 do CTB:

Art. 277. O condutor de veículo automotor envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito poderá ser submetido a teste,

exame clínico, perícia ou outro procedimento que, por meios técnicos ou científicos, na forma disciplinada pelo Contran, permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência.

§ 1 o (Revogado).

§ 2 o A infração prevista no art. 165 também poderá ser caracterizada

mediante imagem, vídeo, constatação de sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora ou produção de quaisquer outras provas em direito admitidas. § 3º Serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabelecidas no art. 165-A deste Código ao condutor que se recusar a se submeter a qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo.

A Resolução 432/13 do CONTRAN prevê como meios técnicos para comprovação do estado

de embriaguez:

- Etilômetro (vulgo “bafômetro”);

- Exame de sangue;

de embriaguez: - Etilômetro (vulgo “bafômetro”); - Exame de sangue; CS – CRIMES DE TRÂNSITO –
de embriaguez: - Etilômetro (vulgo “bafômetro”); - Exame de sangue; CS – CRIMES DE TRÂNSITO –
- Verificação dos sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora do condutor (exame clínico

- Verificação dos sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora do condutor (exame clínico por perito ou constatação pelo agente de trânsito);

- Também poderão ser utilizados prova testemunhal, imagem, vídeo ou qualquer outro meio de prova em direito admitido.

7. LESÃO CORPORAL CULPOSA DE TRÂNSITO

Artigo 303 do CTB:

Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

§ 1 o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) à metade, se ocorrer qualquer das

hipóteses do § 1 o do art. 302. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº

§ 2 o A pena privativa de liberdade é de reclusão de dois a cinco anos, sem

prejuízo das outras penas previstas neste artigo, se o agente conduz o veículo

com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência, e se do crime resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima.

resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima. OBSERVAÇÕES SOBRE O ARTIGO 303, CAPUT Trata-se de

OBSERVAÇÕES SOBRE O ARTIGO 303, CAPUT

Trata-se de infração de menor potencial ofensivo compatível, pois, com transação penal.

Igualmente, caberá a suspensão condicional do processo.

Será processado por Ação Penal Pública Condicionada à Representação.

A figura majorada do §1º do artigo 303, do CTB, ao contrário, não é infração de menor potencial ofensivo. Acolá, não caberá composição civil e transação penal. Porém, continua sendo válida a suspensão condicional do processo e será apurado por Ação Penal Condicionada à Representação, por força do artigo 88 da Lei 9.099/95:

Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas

ATENÇÃO: não perder de vista a previsão do artigo 291, §1º do CTB, hipóteses em que o fato, apesar de crime de menor potencial ofensivo, será investigado por Inquérito Policial:

Art. 291. Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores,

previstos neste Código, aplicam-se as normas gerais do Código Penal e do Código de Processo Penal, se este Capítulo não dispuser de modo diverso, bem como a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, no que couber.

§ 1 o Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto

nos arts. 74, 76 e 88 da Lei n o 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se

o agente estiver:

Lei n o 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver: CS
Lei n o 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver: CS
- sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência; I

- sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência;

I

II

- participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição

automobilística, de exibição ou demonstração de perícia em manobra de

veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente;

III

- transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50

km/h (cinqüenta quilômetros por hora).

 

§

2 o

Nas hipóteses previstas no § 1 o deste artigo, deverá ser instaurado

inquérito policial para a investigação da infração penal

 

Artigo 303, §2º do CTB:

Art. 303. (

)

§

2 o A pena privativa de liberdade é de

reclusão de dois a cinco anos

, sem

prejuízo das outras penas previstas neste artigo, se o agente conduz o veículo com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de

outra substância psicoativa que determine dependência,

e

se do crime

resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima.

 

Somente incidirá o §2º se o crime resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima.

Como o CTB não conceitua no que consistem as referidas lesões, atenta-se às previsões dos artigos 129, §1º e §2º, do CP:

Lesão corporal de natureza grave

§ 1º Se resulta:

I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;

II - perigo de vida;

III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;

IV - aceleração de parto:

Pena - reclusão, de um a cinco anos.

§ 2° Se resulta:

I - Incapacidade permanente para o trabalho;

II - enfermidade incuravel;

III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;

IV - deformidade permanente;

V - aborto:

Pena - reclusão, de dois a oito anos.

8. OMISSÃO DE SOCORRO

Artigo 304 do CTB:

Art. 304. Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar

imediato socorro à vítima, ou,

não podendo fazê-lo diretamente, por justa

causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública

:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa, se o fato não constituir elemento de crime mais grave. Parágrafo único. Incide nas penas previstas neste artigo o condutor do veículo, ainda que a sua omissão seja suprida por terceiros ou que se trate

de

vítima com morte instantânea ou com ferimentos leves.

se trate de vítima com morte instantânea ou com ferimentos leves. CS – CRIMES DE TRÂNSITO
se trate de vítima com morte instantânea ou com ferimentos leves. CS – CRIMES DE TRÂNSITO
Não existe opção do condutor. Somente considera-se a segunda forma ( deixar de solicitar auxílio

Não existe opção do condutor.

Somente considera-se a segunda forma (deixar de solicitar auxílio da autoridade pública) se, por justa causa, a pessoa não puder prestar o socorro.

se, por justa causa, a pessoa não puder prestar o socorro. ATIPICIDADE Haverá atipicidade na hipótese

ATIPICIDADE

Haverá atipicidade na hipótese de inviabilidade de socorro direto e de pedido de auxílio à autoridade pública.

Exemplo: condutor também gravemente lesionado.

SUJEITO ATIVOpública. Exemplo: condutor também gravemente lesionado. O sujeito ativo será o condutor de veículo envolvido,

O sujeito ativo será o condutor de veículo envolvido, sem culpa, no acidente.

Se houver culpa: haverá tipificação do artigo 302 ou artigo 303, ambos do CTB.

ATENÇÃO: O artigo 135 do CP (Omissão de Socorro do Código Penal) incidirá para aqueles que não foram envolvidos no acidente, tais como: outros condutores e pessoas que passaram pelo acidente e não prestaram socorro.

que passaram pelo acidente e não prestaram socorro . CONSUMAÇÃO Artigo 304, §único, do CTB: Parágrafo

CONSUMAÇÃO

Artigo 304, §único, do CTB:

Parágrafo único. Incide nas penas previstas neste artigo o condutor do

veículo, ainda que a sua omissão

seja suprida por terceiros ou que se trate

de vítima com morte instantânea ou com ferimentos leves.

 

Só há tipificação em caso de omissão suprida por terceiro. Não haverá crime se o terceiro foi mais ágil ou mais gabaritado (médico, por exemplo) pois, nesses casos, não há omissão.

No caso de morte evidente também não há crime.

Conforme afirma Guilherme de Souza Nucci: “Se a vítima morrer instantaneamente, situação

nítida e clara, torna-se ilógico exigir que o condutor do veículo preste socorro. (

de punir o condutor se o ofendido (morto instantaneamente) deixar de ser socorrido, mas não houver

certeza acerca da sua morte.”

)

Haveria condições

9. CRIME DO ARTIGO 305 DO CTB:

Artigo 305 do CTB:

Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída:

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

ser atribuída: Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa. CS – CRIMES
ser atribuída: Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa. CS – CRIMES
O presente dispositivo é alvo de muitas críticas. CRÍTICAS → Segundo a doutrina, a fuga

O presente dispositivo é alvo de muitas críticas.

O presente dispositivo é alvo de muitas críticas. CRÍTICAS → Segundo a doutrina, a fuga destinada

CRÍTICAS

Segundo a doutrina, a fuga destinada a evitar a responsabilização penal já configura

causa de aumento de pena (artigos 302 e 303 do CTB) ou crime autônomo (artigo 304 do CTB).

A fuga com o intuito de evitar a responsabilização civil afronta o artigo 5º, inciso LXVII, da CF/88 (prisão por dívida).

Não se pode obrigar o sujeito a se auto incriminar, permanecendo no local do crime para

sofrer as consequências de sua conduta.

Não há dispositivo semelhante em relação à prática de outros crimes (o ladrão que foge

não é responsabilizado por crime autônomo por ter se evadido).

Tanto é que vários TJ’s e TRF’s têm decidido pela inconstitucionalidade incidental do

artigo 305 do CTB.

O STF, no julgamento do RE 971.959, com repercussão geral, entendeu que o art. 305 do

CTB é constitucional, firmando a seguinte tese:

STF - A regra que prevê o crime do artigo 305 do CTB é constitucional posto não infirmar o princípio da não incriminação, garantido o direito ao silêncio e as hipóteses de exclusão de tipicidade e de antijuridicidade.

10. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE

Artigo 306 do CTB:

Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência: (Redação dada pela Lei nº 12.760, de 2012)

Penas -

detenção

, de seis meses a três anos,

multa

e

suspensão ou proibição

de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

 

§

1 o As condutas previstas no caput serão constatadas por:

I - concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue

ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar; ou II - sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora.

§

2 o A verificação do disposto neste artigo poderá ser obtida mediante teste

de alcoolemia ou toxicológico, exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal ou outros meios de prova em direito admitidos, observado o

direito à contraprova.

 

§

3 o O Contran disporá sobre a equivalência entre os distintos testes de

alcoolemia ou toxicológicos para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo.

São previstas três penas.

do crime tipificado neste artigo. São previstas três penas. CS – CRIMES DE TRÂNSITO – 2019.1
do crime tipificado neste artigo. São previstas três penas. CS – CRIMES DE TRÂNSITO – 2019.1
As redações anteriores exigiam o cometimento do delito em via pública. Atualmente, isso não mais

As redações anteriores exigiam o cometimento do delito em via pública. Atualmente, isso não mais persiste. Entende-se que o crime pode ser cometido até mesmo no pátio de uma concessionária ou no interior de uma fazenda.

FORMAS DE CONSTATAÇÃOpátio de uma concessionária ou no interior de uma fazenda. Artigo 306, §1º do CTB Art.

Artigo 306, §1º do CTB

Art. 306. (

)

§

1 o As condutas previstas no caput serão constatadas por:

I - concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar; ou

II - sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora

Artigo 306, §2º do CTB:

Art. 306. ( )

§ 2 o A verificação do disposto neste artigo poderá ser obtida mediante teste

de alcoolemia ou toxicológico, exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal ou outros meios de prova em direito admitidos, observado o direito à contraprova.

IMPORTÂNCIA DO DIREITO À CONTRAPROVAem direito admitidos, observado o direito à contraprova . Exemplo: condutor recusa o bafômetro e não

Exemplo: condutor recusa o bafômetro e não cede material para exame de sangue. Mesmo assim, foi preso em flagrante por apresentar sinais de que há alteração na capacidade psicomotora em razão da influência do álcool, o que se fez baseado em vídeo e no testemunho de policiais.

O preso poderá então solicitar a contraprova, que se dará exatamente pela realização dos

exames anteriores (de sangue ou bafômetro). Se tais exames resultarem negativos, a prisão deverá ser relaxada.

É pacífico na jurisprudência que o crime é de perigo abstrato.

no sentido de reconhecer a aplicabilidade

do art. 306 do CTB, não prosperando a alegação de que o mencionado

não é aceito pelo

STF: “A jurisprudência é pacífica

não é aceito pelo STF: “A jurisprudência é pacífica , dispositivo, por se referir a crime

,

dispositivo, por se referir a crime de perigo abstrato

ordenamento jurídico brasileiro” (ARE 985532 AgR Dje-214 de 6.10.2016)

, sendo que

suficiente para a sua caracterização que o condutor do veículo esteja com a capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou outra

substância entorpecente,

STJ: “O delito previsto no art. 306 do CTB é de perigo abstrato

delito previsto no art. 30 6 do CTB é de perigo abstrato dispensada a demonstração da

dispensada a demonstração da potencialidade

lesiva da conduta

 

“(

)

o delito de perigo abstrato

direção anormal do veículo

 

. (HC 342.422, Dje 09/03/2016)

(CTB, art. 306)

dispensa a demonstração de

.” (AgInt no REsp 1675592/RO, Dje 06/11/2017)

11. CRIME DO ARTIGO 307 DO CTB

(AgInt no REsp 1675592/RO, Dje 06/11/2017) 11. CRIME DO ARTIGO 307 DO CTB CS – CRIMES
(AgInt no REsp 1675592/RO, Dje 06/11/2017) 11. CRIME DO ARTIGO 307 DO CTB CS – CRIMES
Artigo 307 do CTB: Art. 307. Violar a suspensão ou a proibição de se obter

Artigo 307 do CTB:

Art. 307. Violar a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor imposta com fundamento neste Código:

Penas -

detenção

, de seis meses a um ano e

multa

, com nova

imposição

adicional de idêntico prazo de suspensão ou de proibição.

 

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre o condenado que deixa de entregar, no prazo estabelecido no § 1º do art. 293, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação.

Prevê três penalidades.

Trata-se de crime próprio, pois quem pode violar a permissão ou a proibição de se obter a habilitação será somente aquele que foi condenado às referidas penas.

O delito engloba tanto a suspensão ou proibição judicial como pena ou como medida cautelar, além da suspensão administrativa.

Artigo 307, §único, do CTB:

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre o condenado que deixa de

 

entregar, no prazo estabelecido no § 1º do art. 293, a Permissão para Dirigir

ou a Carteira de Habilitação.

Assim como no caput, aqui o crime também é próprio.

O sujeito ativo será aquele que foi regularmente intimado para fazer a entrega no prazo de 48 horas e não fez.

12. RACHA

Artigo 308 da Lei nº 13.546/17:

Art. 308.

Participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de

corrida, disputa ou competição automobilística

ou ainda de exibição ou

demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada

 

pela autoridade competente, gerando situação de risco à incolumidade pública ou privada:

Penas - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

A primeira parte do delito (participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística), a maior parte da doutrina entende tratar-se de concurso necessário.

De outro modo, a segunda parte (ou ainda de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor) é considerada concurso eventual.

em manobra de veículo automotor) é considerada concurso eventual. CS – CRIMES DE TRÂNSITO – 2019.1
em manobra de veículo automotor) é considerada concurso eventual. CS – CRIMES DE TRÂNSITO – 2019.1
Anteriormente, doutrinadores como Damásio de Jesus, entendiam que práticas como zerinho, ziguezague, cavalo de pau

Anteriormente, doutrinadores como Damásio de Jesus, entendiam que práticas como zerinho, ziguezague, cavalo de pau eram punidos a título de contravenção penal, quando gerasse perigo de dano.

Hoje, inexiste dúvida quanto à tipificação das referidas condutas.

É crime de perigo concreto, diferentemente do artigo 306 do CTB.

Todavia, não será necessário provar que pessoa certa e determinada tenha sido exposta a perigo. Na imensa maioria das vezes, por si só, o racha rebaixará o nível de segurança viária, de modo a caracterizar a infração penal.

viária, de modo a caracterizar a infração penal. FORMAS QUALIFICADAS Artigo 308, §1º, da do CTB:

FORMAS QUALIFICADAS

Artigo 308, §1º, da do CTB:

Art. 308. ( ) § 1 o Se da prática do crime previsto no caput

 

resultar lesão corporal de

natureza grave

, e as circunstâncias demonstrarem que

o

agente não quis o

resultado nem assumiu o risco de produzi-lo

, a pena privativa de liberdade é

de reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, sem prejuízo das outras penas previstas neste artigo.

EM SUMA,

Racha doloso + lesão corporal grave dolo direito ou eventual = artigo 308, §1º do CTB.

Racha doloso + lesão corporal grave + dolo direito ou eventual = CP.

Artigo 308, §2º, do CTB:

Art. 308. ( ) § 2 o Se da prática do crime previsto no caput resultar

 

morte

,

e

as

circunstâncias demonstrarem que

o agente não quis o resultado nem assumiu

 

o risco de produzi-lo, a pena privativa de liberdade é de reclusão de 5 (cinco)

a 10 (dez) anos, sem prejuízo das outras penas previstas neste artigo.

 

EM SUMA,

Racha doloso + morte dolo direito ou eventual = artigo 308, 2º do CTB.

Racha doloso + morte + dolo direito ou eventual = CP.

Conquanto a legislação tenha previsto a não ocorrência do delito, no caso de dolo eventual, a jurisprudência tende a reconhecer que, quando advém morte do racha, há dolo eventual.

“É cediço na Corte que, em se tratando de homicídio praticado na direção de

veículo automotor, em decorrência do chamado

A conclusão externada nas instâncias originárias no

sentido de que o paciente participava de

“racha”,
“racha”,

a conduta

configura
configura

homicídio doloso

.

(

)

“pega” ou “racha”, empregando alta

homicídio doloso . ( ) “pega” ou “racha”, empregando alta CS – CRIMES DE TRÂNSITO –
homicídio doloso . ( ) “pega” ou “racha”, empregando alta CS – CRIMES DE TRÂNSITO –
velocidade, momento em que veio a colher a vítima em motocicleta, impõe reconhecer a presença