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MODELAGEM E CONTROLE DE QUADRIRROTORES

Pedro Henrique de Rodrigues Quemel e Assis Santana∗, Geovany Araújo Borges∗



Grupo de Robótica, Automação e Visão Computacional (GRAV)
Departamento de Engenharia Elétrica, Universidade de Brası́lia
Brası́lia, DF, Brasil

Emails: phrqas@ieee.org, gaborges@ene.unb.br

Abstract— This work concerns the mathematical modeling of quadrotors with cascaded control architectures
for stabilization. The dynamical model presented is used to show, through simulations, the viability of three
different linear and nonlinear control techniques.

Keywords— Quadrotor, modeling, cascaded control.

Resumo— Este trabalho trata da modelagem matemática de quadrirrotores que fazem uso de arquiteturas de
controle em cascata para estabilização de seus graus de liberdade. O modelo dinâmico apresentado é utilizado
para comprovar, por meio de simulações, a viabilidade de aplicação de três diferentes técnicas de controle linear
e não-linear ao sistema.
Palavras-chave— Quadrirrotor, modelagem, controle em cascata.

1 Introdução

Quadrirrotores são uma classe de helicóptero cuja


propulsão é feita por meio de quatro hélices dis-
postas, geralmente, como na Figura 1. De acordo
com Leishman (2000), quadrirrotores estiveram
entre os primeiros veı́culos HTA (do inglês, He-
avier Than Air ) com capacidade de decolagem
e pouso verticais de sucesso. Entretanto, o de-
sempenho ruim dos primeiros protótipos e a di-
ficuldade para estabilizá-los manualmente limita-
ram seu desenvolvimento como veı́culos aéreos de
transporte. Atualmente, quadrirrotores desper- Figura 1: Sistemas de coordenadas para modela-
tam interesse na forma de veı́culos aéreos minia- mento do quadrirrotor (Adaptado de Madani and
tura não-tripulados com sistemas eletrônicos em- Benallegue (2006)).
barcados para estabilizá-los. Suas aplicações estão
muitas vezes voltadas às áreas de vigilância, inspe-
ção, filmagem, fotografia e diversão, entre outras. controle de quadrirrotores cujos sistemas de es-
Segundo Bouabdallah (2007), seu tamanho redu- tabilização seguem a arquitetura em cascata mos-
zido e boa manobrabilidade permitem que estas trada na Figura 2. Nesta, uma malha externa
aeronaves sejam usadas tanto em ambientes inter- de controle para estabilização da aeronave trans-
nos quanto externos. mite referências de velocidade a malhas internas
A dinâmica de quadrirrotores é marcada pela de controle de rotação das hélices. Este tipo de
subatuação (seis graus de liberdade e apenas qua- arquitetura torna o sistema de estabilização me-
tro atuadores), pelo grande acoplamento entre os nos sensı́vel à dinâmica do sistema de propulsão,
modos e por não-linearidades desconhecidas (Das desde que a malha interna convirja mais rapida-
et al. (2008)). Trabalhos como Sanca et al. (2008) mente que a externa. Além disso, três técnicas de
e Amir and Abbass (2008) dedicam-se à deter- estabilização, lineares e não-lineares, presentes na
minação de modelos matemáticos abrangentes e literatura são descritas e aplicadas para estabili-
úteis aos problemas de simulação e controle. Ou- zação do modelo.
tros, além da modelagem matemática, apresen- Este trabalho está organizado da seguinte ma-
tam também técnicas de controle para quadrirro- neira. A Seção 2 descreve as hipóteses assumidas e
tores. Entre essas técnicas, podemos citar o con- as etapas de determinação do modelo dinâmico de
trole backstepping de Bouabdallah and Siegwart um helicóptero quadrirrotor, cujas equações foram
(2005) e Madani and Benallegue (2007); a com- utilizadas na construção de um simulador. Estra-
paração entre controle PID e LQ de Bouabdallah tégias de controle linear e não-linear para estabili-
et al. (2004); e a técnica de controle robusto Fuzzy zação deste tipo de aeronave são apresentadas na
de Coza and Macnab (2006). Seção 3. A Seção 4 apresenta os resultados das
O presente trabalho trata da modelagem e simulações. Por fim, são feitas as conclusões do
Para ângulos de inclinação φ, θ e ψ, a matriz
2 3
Cψ Cθ C ψ Sθ Sφ − Sψ C φ C ψ Sθ C φ + Sψ Sφ
R = 4 Sψ C θ Sψ Sθ Sφ + C ψ C φ Sψ Sθ C φ − Sφ C ψ 5
−Sθ C θ Sφ Cθ Cφ
(2)

projeta os vetores de SCB em SCE . Os termos Cα


e Sα são, respectivamente, cos(α) e sin(α). A pro-
jeção de (1) nas direções de SCE por meio de (2),
juntamente com a aplicação da 2a Lei de Newton,
resulta nas equações diferenciais
d2 x U
Figura 2: Arquitetura do sistema de controle. = (Cψ Sθ Cφ + Sψ Sφ ) , (3)
dt2 m
d2 y U
= (Sψ Sθ Cφ − Sφ Cψ ) , (4)
trabalho na Seção 5. dt2 m
d2 z U
= −g + (Cθ Cφ ) , (5)
2 Modelagem matemática dt2 m
em que m é a massa total da estrutura e g é a
Para a modelagem matemática de um quadrirro-
aceleração da gravidade local.
tor, considere os sistemas de coordenadas mostra-
dos na Figura 1. O sistema de coordenadas B
(SCB ), fixo no corpo, rotaciona e translada em 2.2 Equacionamento do movimento de rotação
relação ao sistema de coordenadas E (SCE ), fixo A complexidade da dinâmica angular do quadrir-
na Terra. As diferenças angulares e lineares entre rotor levou à escolha do formalismo de Euler-
esses dois sistemas definem o vetor Lagrange para determinação das equações diferen-

ζ= x y z φ θ ψ
T ciais para os ângulos de rotação.
O conceito de Lagrangiano é dado por
de postura do quadrirrotor, em que x, y, z são (
translações nas direções X, Y e Z de SCE ; φ é o L = E−V
d ∂L ∂L , (6)
ângulo de rolagem (roll ); θ é o ângulo de arfagem dt ∂ρi − ∂ρi = γi
(pitch); e ψ é o ângulo de guinada (yaw ).
O desenvolvimento das equações diferenciais em que E é energia cinética total, V é a energia
leva em conta as seguintes hipóteses sobre o sis- potencial total, ρi é a i-ésima coordenada genera-
tema: (1) a estrutura do quadrirrotor e as héli- lizada (grau de liberdade) e γi é a força resultante
ces são rı́gidas; (2) o centro de gravidade (CM ) e não-conservativa capaz de realizar trabalho na di-
a origem do sistema de coordenadas SCB coinci- reção de ρi .
dem; (3) a estrutura é simétrica; (4) os atuadores Seja pB = [xB yB zB ]T um ponto qualquer do
são idênticos; (5) o arrasto e o empuxo aerodinâ- quadrirrotor com coordenadas medidas em SCB .
micos são proporcionais ao quadrado das veloci- A posição de pB em SCE é
dades de rotação dos motores (Bouabdallah and 
pEx

Siegwart (2005)). Dado que a translação entre pE = R.pB = pEy  .
os sistemas de coordenadas SCB e SCE não in- pEz
fluencia a determinação das equações dinâmicas,
assume-se, para fins de modelagem e sem perda de O ponto pE tem energia cinética
generalidade, que as origens desses sistemas coin-  2
1 dpE dm,
cidem no restante desta Seção.

KpE = (7)
2 dt
2.1 Equacionamento do movimento de transla- em que kvk é a norma Euclidiana de v e dm é o
ção diferencial de massa associado a pE . Integrando
(7) ao longo de toda a estrutura C do quadrirrotor
A atuação simultânea dos quatro propulsores do e lembrando da hipótese de simetria, chega-se à
quadrirrotor gera um empuxo vertical U , direcio- expressão
nado para cima no sistema de coordenadas SCB , „ «2
dado por 1 dφ dψ
E = Ixx − sin(θ) (8)
2 dt dt
U = b(Ω21 + Ω22 + Ω23 + Ω24 ), (1) „ «2
1 dθ dψ
+ Iyy cos(φ) + sin(φ) cos(θ)
em que Ωi refere-se à velocidade angular do i- 2 dt dt
ésimo motor e b é o coeficiente de empuxo das 1

dθ dψ
«2
hélices. + Izz sin(φ) − cos(φ) cos(θ)
2 dt dt
para a energia cinética total. são válidas, resultando no modelo simplificado
A energia potencial total é obtida por meio
d2 φ Iyy − Izz dψ dθ τx
de procedimento semelhante. Levando em conta = + , (15)
dt2 Ixx dt dt Ixx
a hipótese de que a aceleração gravitacional g é a
d2 θ Izz − Ixx dψ dφ τy
mesma para todo ponto do quadrirrotor, a energia = + , (16)
dt2 Iyy dt dt Iyy
potencial do ponto pE é dada por
d2 ψ Ixx − Iyy dθ dφ τz
= + (17)
dt2 Izz dt dt Izz
VpE = g.pEz .dm. (9)
para a dinâmica angular do quadrirrotor.
Integrando (9) ao longo de C, chega-se à expressão
Z 2.3 Transformação das entradas do sistema
V = g (−Sθ xB + Cθ Sφ yB + Cφ Cθ zB )dm
C
Embora o modelo matemático apresentado nas Se-
Z Z ções 2.1 e 2.2 apresente as forças τx , τy , τz e U
= xB dm(−gSθ ) + yB dm(gCθ Sφ ) como entradas do sistema, a arquitetura de con-
C C trole da Figura 2 necessita que o controlador de
estabilização atue sobre os controladores de mais
Z
+ zB dm(gCφ Cθ ) (10)
baixo nı́vel por meio da mudança das referências
C
de velocidade de rotação dos motores. Notando-se
para a energia potencial total do quadrirrotor. que as equações (1), (11), (12) e (13) formam um
sistema não-linear de quatro equações a quatro in-
As integrais em (10) correspondem às coorde- cógnitas, sua solução
nadas xCM , yCM e zCM do centro de massa do
quadrirrotor em relação ao SCB . Dada a hipótese
r
1 −bLτz + 2dτy − dLU
de que o centro de gravidade do quadrirrotor e a Ω1 = − > 0, (18)
2 bLd
origem de SCB coincidem, temos V = 0, podendo- 1
r
bLτz − dLU + 2dτx
se eliminar esse termo dos cálculos subseqüentes. Ω2 = − > 0, (19)
2 bLd
Voltando ao Lagrangiano (6), é claro que os
r
1 bLτz + 2dτy + dLU
graus de liberdade ρi são os ângulos φ, θ e ψ e as Ω3 = > 0, (20)
2 bLd
forças não-conservativas γi associadas são os tor- r
1 bLτz − dLU − 2dτx
ques em torno dos eixos x (τx ), y (τy ) e z (τz ), Ω4 = − > 0, (21)
2 bLd
respectivamente. Esses torques, cujas origens es-
tão no desbalanceio de empuxos entre os quatro
motores, são dados por determina as velocidades de rotação que devem
ser impressas aos motores das hélices de forma a
aplicar sobre o quadrirrotor os torques e o empuxo
τx = bL(Ω24 − Ω22 ), (11)
vertical necessários.
τy = bL(Ω23 − Ω21 ), (12)
τz = d(Ω21 − Ω22 + Ω23 − Ω24 ), (13)
3 Controle

em que b é o mesmo de (1), L é a meia enverga- Diferentes estratégias foram utilizadas na malha
dura do quadrirrotor e d é coeficiente de arrasto de controle de estabilização da Figura 2 durante
da estrutura. as simulações realizadas com o modelo descrito
A substituição de (8), (11), (12) e (13) em na Seção 2. Primeiramente, as Seções 3.1 e 3.2
(6) resulta nas equações diferenciais para a dinâ- apresentam estratégias de controle linear aborda-
mica angular do quadrirrotor, cujo resultado final das em Santana and Braga (2008) e Bouabdallah
é extenso e pode ser encontrado em Santana and et al. (2004). Em seguida, a Seção 3.3 descreve
Braga (2008) 1 . Por representarem um modelo di- um controlador não-linear backstepping baseado
nâmico mais completo, estas equações diferenciais nos projetos de Bouabdallah and Siegwart (2005)
foram utilizadas na construção do simulador. e Madani and Benallegue (2006).
Supondo ângulos de inclinação φ, θ e ψ pe-
quenos, as aproximações 3.1 Controle PID
 Esta estratégia de controle PID utiliza controla-
sin(α) ≈ 0,

 dores independentes para os graus de liberdade φ,

 cos(α) ≈ 1,
 θ, ψ e z do quadrirrotor, procurando mantê-lo em
ωx ≈ dφ
dt , (14)
dθ vôo planado a uma altitude definida. Considera-
ω ≈ dt ,

y



dψ se vôo planado a situação em que o quadrirrotor
ωz ≈ dt ,

encontra-se estático com φ = θ = ψ = 0.
Sejam as equações de um controlador PID dis-
1 Se necessário, entre em contato com o primeiro autor. creto
Logo,
˛ ˛

ui (k) = ui (k − 1) + Kid T e(k), ∂f ˛˛ ∂f ˛˛
δ ξ̇ = δξ + δu. (26)
u(k) = Kpd e(k) + ui (k) + KTdd (e(k) − e(k − 1)), ∂ξ ˛ ξ = ξ¯ ∂u ˛ ξ = ξ¯
u = ū u = ū
(22)
Notando que (26) está na forma de espaço de
em que u(k) é o sinal de controle; ui (k) é a compo- estados linear, a lei de controle pode ser escrita
nente integral do controlador; Kpd , Kid , Kdd são, como 
respectivamente, os ganhos proporcional, integral  δξ = ξ − ξ̄,
e derivativo; e(k) é o sinal de erro; T é o perı́odo δu = −Kδξ, (27)
u = ū + δu.

de amostragem; e k é o número da amostra. Sendo
uj (k), j ∈ {φ, θ, ψ, z}, o sinal de controle para o A matriz de realimentação K determina a aloca-
j-ésimo grau de liberdade, as equações de controle ção dos oito pólos do sistema e pode ser determi-
são dadas por nada computacionalmente por meio da conhecida
    fórmula de Ackermann.
τx (k) uφ (k)
 τy (k)   uθ (k)  3.3 Controle não-linear backstepping
 = . (23)
 τz (k)   uψ (k) 
U (k) uz (k) + mg Sendo
X = [φ φ̇ θ θ̇ ψ ψ̇ z ż x ẋ y ẏ]T = [x1 x2 . . . x12 ]T
Os valores dos torques e do empuxo vertical
em (23) são convertidos por (18)-(21) em veloci- o vetor de estados do sistema e
dades de rotação para os motores. F = [τx τy τz U ]T
o vetor de entradas, o modelo dinâmico (3)-(5)
3.2 Controle por linearização de modelo e (15)-(17) do quadrirrotor pode ser escrito na
Assim como na Seção 3.1, o controlador desta Se- forma de espaço de estados como
ção visa à manutenção do quadrirrotor em situ-
2 3
x2
τ
ação de vôo planado a uma altitude definida. A 6
6 x 4 x 6 a 1 + b1 L x 7
7
dedução das equações de controle considera o mo- 6 x 4 7
6 τy 7
delo de translação (3)-(5) e o modelo angular sim-
6
6 x 2 x 6 a 2 + b2 L 7
7
x 6
plificado (15)-(17).
6 7
τ
6 7
6 x 4 x 2 a 3 + b 3
z 7
Sejam o vetor de estados Ẋ = f (X, F ) = 6
x
L 7 , (28)
8
6 7
6 7
T 6−g + (cos(x1 ) cos(x3 )) 1 U 7
 m 7
ξ= φ θ ψ z φ̇ θ̇ ψ̇ ż (24)
6
6
6 x10 7
7
1
6
6 u x m
U 7
7
e o vetor de entradas de atuação 4 x12 5
1
 T uy m U
u = τx τy τz U . em que
Iyy − Izz Izz − Ixx Ixx − Iyy
a1 = , a2 = , a3 = ,
O sistema dinâmico definido pelas variáveis de Ixx Iyy Izz
(24) pode ser escrito na forma de espaço de es- L L L
tados como b1 = , b2 = , b3 = ,
Ixx Iyy Izz
2
φ̇
3 ux = (cos(x1 ) sin(x3 ) cos(x5 ) + sin(x1 ) sin(x5 )), (29)
6 θ̇ 7 uy = (cos(x1 ) sin(x3 ) sin(x5 ) − sin(x1 ) cos(x5 )). (30)
6 7
6
6 ψ̇ 7
7 Para as Seções 3.3.1 e 3.3.2, considere o vetor de
6
6 ż 7
7 parâmetros do controlador
6 Iyy − Izz 7
ξ˙ = f (ξ, u) = 6
6 ψ̇ θ̇ + Iτxx
x
7.
7
(25) α = [α1 α2 . . . α12 ]T , αi > 0, i ∈ {1, 2, . . . , 12},
Ixx
6 Izz − Ixx
6 7
τy
ψ̇ φ̇ + Iyy o vetor de referências
7
6 7
6 Iyy 7
6 I −I
Xd = [x1d x2d . . . x12d ]T ,
7
6 xx yy
θ̇φ̇ + Iτzz
z 7
4 Izz 5
−g + cos(θ) cos(φ)U em que xid , i ∈ {1, 2, . . . , 12}, é a referência para
m
a i-ésima variável de estado e as mudanças de va-
Considerando ξ̄ = [0 0 0 href 0 0 0 0]T o vetor de riável
referência de estado e ū = [0 0 0 mg] a referência z2k = x2k − ẋ(2k−1)d − α(2k−1) z(2k−1) ,
para a entrada de controle, em que href é a al- z2k−1 = x(2k−1)d − x2k−1 , k ∈ {1, 2, 3, 4, 5, 6}.
titude desejada do quadrirrotor, a linearização de
(25) em torno do ponto (ξ, ¯ ū) resulta em Diferentemente dos controladores das Seções 3.1
e 3.2, o controlador backstepping aqui apresentado
procura levar todos os estados de X para valores
¯ ¯ ū) + ∂f (ξ − ξ)
ξ˙ = ξ̇ + δ ξ˙ ≈ f (ξ, ¯ + ∂f (u − ū).
∂ξ ∂u desejados Xd .
Tabela 1: Parâmetros do modelo do quadrirrotor.
Sı́mbolo Descrição Valor
m massa total 1, 5 kg
g gravidade local 9, 81 sm2
Ixx inércia do eixo x 0, 033 kg.m2
Iyy inércia do eixo y 0, 033 kg.m2
Izz inércia do eixo z 0, 066 kg.m2
L meia envergadura 0, 5 m
b coeficiente de empuxo 2, 64.10−4 N.s2
d coeficiente de arrasto 7, 5.10−7 N.m.s2

Figura 3: Estabilização do quadrirrotor por con-


trole PID.

3.3.1 Controle de atitude e altitude


A técnica de controle backstepping aplicada às
componentes angulares do sistema (28) resulta nas
equações de controle
L
τx = (z1 − a1 x4 x6 − α1 (z2 + α1 z1 ) − α2 z2 ), (31)
b1
L
τy = (z3 − a2 x2 x6 − α3 (z4 + α3 z3 ) − α4 z4 ), (32)
b2
L Figura 4: Estabilização do quadrirrotor pela téc-
τz = (z5 − a3 x2 x4 − α5 (z6 + α5 z5 ) − α6 z6 ). (33)
b3 nica de linearização de modelo.
De maneira semelhante, chega-se à expressão para
o empuxo vertical do quadrirrotor
comprovada pelos resultados das simulações. A
(z7 + g − α7 (z8 + α7 z7 ) − α8 z8 ) Tabela 1 contém os parâmetros do modelo fı́sico
U =m (34) de quadrirrotor utilizados em todas as simulações.
cos(x1 ) cos(x3 )
As Figuras 3 e 4 mostram os resultados das
3.3.2 Controle de movimentação no plano simulações para os controladores lineares das Se-
XY ções 3.1 e 3.2, respectivamente. Nestas, apenas os
graus de liberdade angulares e a altitude do qua-
Como pode ser visto em (28), as componentes
translacionais x, y e z têm dinâmica dependente drirrotor foram controlados. Como já foi dito na
da atitude corrente do quadrirrotor. Entretanto, Seção 3, o objetivo desses controladores era man-
isso não se verifica para as componentes angula- ter o quadrirrotor em vôo pairado a uma altitude
res φ, θ e ψ, cujas dinâmicas independem da po- de referência, não havendo controle sobre as trans-
sição espacial do quadrirrotor. Mesmo sendo um
sistema subatuado, esse desacoplamento permite lações ao longo dos eixos x e y. Como pode ser
que os ângulos de rolagem (φ) e arfagem (θ) se- visto, tanto a técnica PID quanto a linearização
jam escolhidos em (29) e (30) de tal forma que o de modelo puderam levar o modelo de quadrirro-
empuxo vertical U promova o movimento neces- tor à situação de vôo pairado após um transitório
sário nas direções x e y. Para que haja garantia
de estabilidade, as condições de estabilização. O controlador backstepping, por
sua vez, foi utilizado para a condução de todos os
ux =
m
(z9 − α9 (z10 + α9 z9 ) − α10 z10 ), (35)
graus de liberdade do modelo a valores de referên-
U cia desejados, cujos transitórios de estabilização
m
uy = (z11 − α11 (z12 + α11 z11 ) − α12 z12 ),(36) estão apresentados na Figura 5.
U

devem ser satisfeitas. O ângulo de guinada (ψ) 5 Conclusões


pode ser escolhido livremente.
Este trabalho abordou a modelagem matemática
4 Resultados das simulações de quadrirrotores com arquiteturas de controle em
cascata para sua estabilização. A viabilidade de
Os controladores da Seção 3 foram aplicados, sob a aplicação de três diferentes técnicas de controle
arquitetura da Figura 2, ao modelo matemático de para este tipo de sistema foi mostrada por meio
quadrirrotor descrito na Seção 2 e sua viabilidade de simulações realizadas a partir do modelo dinâ-
Bouabdallah, S. and Siegwart, R. (2005). Backs-
tepping and sliding-mode techniques applied
to an indoor micro quadrotor, Proceedings of
the 2005 IEEE International Conference on
Robotics and Automation, pp. 2247–2252.
Coza, C. and Macnab, C. (2006). A new ro-
bust adaptive-fuzzy control method applied
to quadrotor helicopter stabilization, Annual
meeting of the North American Fuzzy Infor-
mation Processing Society, 2006. NAFIPS
2006. pp. 454–458.
Das, A., Subbarao, K. and Lewis, F. (2008).
Dynamic inversion of quadrotor with zero-
dynamics stabilization, IEEE International
Conference on Control Applications, 2008.
CCA 2008. pp. 1189–1194.
Leishman, J. (2000). Principles of Helicopter Ae-
rodynamics, Cambridge University Press.
Madani, T. and Benallegue, A. (2006). Con-
trol of a quadrotor mini-helicopter via full
state backstepping technique, 45th IEEE
Figura 5: Estabilização do quadrirrotor por con- Conference on Decision and Control, 2006
trole backstepping. pp. 1515–1520.
Madani, T. and Benallegue, A. (2007). Sliding
Mode Observer and Backstepping Control
mico descrito. Os próximos passos deste trabalho
seguem na direção de implementação dos resulta- for a Quadrotor Unmanned Aerial Vehicles,
dos aqui apresentados em um plataforma experi- American Control Conference, 2007. ACC
mental que está sendo atualmente aperfeiçoada. ’07 pp. 5887–5892.
O objetivo final é o desenvolvimento de um pro- Sanca, A. S., Alsina, P. J. and Cerqueira, J. a. d.
tótipo de quadrirrotor capaz de estabilizar-se em J. F. (2008). Dynamic modelling of a qua-
vôo sem a necessidade de assistência humana. drotor aerial vehicle with nonlinear inputs,
IEEE Latin American Robotic Symposium,
Agradecimentos 2008. LARS ’08. pp. 143–148.
Santana, P. and Braga, M. (2008). Concep-
Os autores agradecem ao Conselho Nacional de
ção de um veı́culo aéreo não-tripulado
Desenvolvimento Cientı́fico e Tecnológico (CNPq)
do tipo quadrirrotor, Trabalho de Gra-
pelo apoio parcial às atividades de pesquisa.
duação, Universidade de Brası́lia. Dis-
ponı́vel em http://www.lara.unb.br/
Referências ~phsantana/data/files/other/Santana_
Braga_Conception_Quadrotor.pdf.
Amir, M. and Abbass, V. (2008). Modeling of
quadrotor helicopter dynamics, International
Conference on Smart Manufacturing Appli-
cation, 2008. ICSMA 2008. pp. 100–105.

Bouabdallah, S. (2007). Design and control of


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dérale de Lausanne.

Bouabdallah, S., Noth, A. and Siegwart, R.


(2004). PID vs LQ Control Techniques Ap-
plied to an Indoor Micro Quadrotor, Procee-
dings of 2004 1EEE/RSJ International Con-
ference On Intelligent Robots and Systems
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