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ANÁLISE TÉCNICA

Introdução a Análise Técnica

Aula 1 – O que é análise técnica?

A Análise Técnica realmente funciona?


No mercado financeiro, há duas grandes escolas de pensamento na análise
de ativos. Uma dessas linhas defende a ideia de que os preços das ações são
determinados por dados e informações relacionados à saúde econômica e
financeira das empresas. Esses dados, projetados no tempo através de uma
metodologia denominada Valuation, ajudam a estimar qual seria o valor justo
da ação no futuro.

Os adeptos dessa escola são chamados de Analistas Fundamentalistas,


nome derivado da base utilizada por eles em suas análises, ou seja, os
fundamentos econômicos e financeiros da empresa.

Do outro lado, estão os Analistas Técnicos, que acreditam ser o preço de


uma ação a resultante de todo o conjunto de considerações a respeito da
empresa ou, como costuma-se dizer, o preço já desconta tudo. Dessa forma,
todos os fundamentos da empresa, da economia e do noticiário político já
estão refletidos no preço das ações.
Para os analistas técnicos, o comportamento passado das oscilações de preço
tende a se repetir na forma de padrões. Assim, se o investidor souber
reconhecer esses padrões, poderá extrair dinheiro do mercado valendo-se
do movimento dos preços, independentemente das causas desse
movimento.

O que é Análise Técnica?


A Análise Técnica é uma metodologia de apoio à tomada de
decisões sobre compra e venda de ativos, a partir dos dados de
comportamento dos preços, analisando-os estatística e probabilisticamente de
modo a estimar com a maior precisão possível seu comportamento futuro
provável.

Ela tem como elemento essencial o gráfico de preços que, como você verá,
pode se apresentar de diversas formas. Todo gráfico utilizado em análise
técnica terá basicamente dois eixos: um deles vertical, que mostrará ao
trader não somente o preço do ativo que está sendo praticado no momento
como também todo o histórico passado dos preços de negociação daq uele
ativo.

No eixo horizontal está o tempo. Os intervalos de tempo que podem ser


mostrados nesse eixo são determinados pelo trader, que poderá desejar ver
tudo o que acontece durante um dia inteiro em intervalos regulares de, por
exemplo, 5, 10 ou 15 minutos, ou então poderá ver o que aconteceu ao longo
do mês, dividindo o eixo do tempo em intervalos regulares de, por exemplo, 1
dia ou 1 semana.

Ao observarmos o gráfico, seremos capazes de ver a direção dos preços de


negociação entre os diversos agentes de mercado, e o reconhecimento
de padrões no desenho deixado pelos preços no gráfico permite que
saibamos de antemão as possíveis direções que o preço tende a seguir em um
futuro imediato.

Os movimentos de subida e descida dos preços no gráfico são reflexos


das flutuações entre oferta e demanda. Os analistas técnicos utilizam-se de
indicadores para tentar identificar tendências, pontos em que um determinado
nível de preço não consegue ser ultrapassado ou momentos em que o
mercado apresenta pouca liquidez. De posses dessas informações, o analista
técnico tenta prever os movimentos dos preços e suas chances de ocorrência
para tomar suas decisões de compra e venda.

Essa forma de análise, através da utilização do gráfico de preços em


conjunto com indicadores, é a Análise Técnica.
Aula 2 – Um pouco de história sobre Análise Técnica

Arroz à luz de velas

Durante o Japão feudal, após um período de muitas guerras e disputas por


territórios, a situação começou a se acalmar, trazendo estabilidade política e
econômica ao país. Isso propiciou o início de um período de grande
crescimento econômico, levando os mercados a se estenderem em direção a
uma escala nacional.

No final dos anos 1600, surgiu a primeira Bolsa de arroz do Japão, chamada
DRE – Dojima Rice Exchange (sigla do nome em inglês). Como se sabe, o
arroz sempre foi a base alimentar do povo japonês e, por essa razão, um
produto intensamente comercializado. Isso levou à necessidade da criação de
um centro de comércio de arroz para poder dar liquidez ao m ercado e
uniformidade aos preços.

Nascido em 1724, Munehisa Homma, que mais tarde se tornaria referência


nacional no comércio de arroz, desenvolveu uma extensa teoria sobre o
comportamento dos preços daquele produto, baseado em informações
históricas que levavam em conta, entre outros fatores, as condições do clima e
sua influência sobre os preços do arroz. Ele mantinha ainda um registro
histórico de suas próprias negociações. Sua grande capacidade de
observação, o fez perceber que o mercado se comportava de forma repetitiva
e que era possível identificar padrões para esse comportamento.

Inspirado pela iluminação das salas japonesas, que utilizavam candelabros


com velas, o Sr. Homma criou aquilo que hoje nós conhecemos
como candlestick (literalmente, “candelabro” em inglês). Utilizou-se então da
imagem das velas e seus pavios para representar graficamente a dinâmica
dos preços durante os dias de negociação.

Steve Nison, um atuante investidor de Wall Street, foi um dos responsáveis


pela popularização da novidade. Ao descobrir esse novo jeito de anotar os
preços no gráfico, Nison escreveu livros traduzindo a técnica para termos
ocidentais.

O mercado, obviamente, gostou e adotou rapidamente a novidade. Afinal, um


candle traz muitas informações sobre um determinado período de
negociações e o faz de forma visualmente fácil de identificar.

Nele, é possível identificar os preços


de abertura, máxima, mínima e fechamento de qualquer período de
negociações que se queira estudar. Sua cor ajuda a sabermos se aquele
período resultou em uma alta (candle de cor verde ou branca) ou de baixa de
preços (candle de cor vermelha ou preta).
Portanto, um candle representa graficamente uma disputa
entre compradores (que querem que o preço suba) e vendedores (que
querem que os preços caiam). O corpo do candle marca os preços de abertura
e fechamento do período de negociação, e os pavios (que são aquelas linhas
de tamanho variável que podem aparecer acima ou abaixo do corpo do candle)
marcam os valores máximos (na parte de cima) e mínimos (na parte de baixo)
atingidos durante o período de negociações.

Aula 3 – Análise Técnica ou Análise Fundamentalista?

É para ler ou para olhar?


Como vimos no início deste curso, existem basicamente duas correntes de
pensamento ligadas ao método utilizado para se determinar o valor de um
ativo e, com isso, estimar a probabilidade seu comportamento futuro.

Tanto uma quanto a outra funcionam muito bem, dependendo do período de


análise e do prazo de investimento.

A Análise Fundamentalista parte do princípio de que todo investidor de uma


Ação busca ficar sócio da empresa. Então, antes de comprar a Ação, ele faz
uma extensa pesquisa – a mesma que qualquer comprador de um negócio
faria. Ele, primeiramente, vai ver se a empresa está em um bom mercado,
quem são seus concorrentes, se o setor em que aquela empresa atua
apresenta boas perspectivas de médio e longo prazo, se ela está sujeita a
regulamentações e normas do governo e assim por diante.

Depois disso é hora de olhar para dentro da empresa e ver se ela tem
apresentado uma boa gestão, se tem conseguido obter lucros com sua
atividade, seu grau de endividamento, como ela investe o dinheiro que entra
na empresa e, finalmente, se está ganhando dinheiro com sua operação.
Além disso, o investidor de base Fundamentalista procurará saber qual é
o preço justo para aquela empresa, ou seja, quanto ela vale realmente. O
investidor sabe que, se ele souber o preço justo, saberá identificar uma
empresa de bons fundamentos cuja ação esteja barata.

Todos os ativos apresentam fundamentos, sejam os futuros agrícolas, o


mercado de índice, de dólar ou de juros. E todos esses ativos poderão ser
analisados dessa forma para a tomada de decisão de investimento.

Baseados nesses fundamentos, todos os investidores de prazo maior tomam


suas decisões de compra e de venda no mercado, o que faz movimentar os
preços.

Nesse momento, entram os investidores com base em Análise Técnica. Eles


entendem que, uma vez que o representado no gráfico é reflexo de decisões
tomadas pelos investidores, isso quer dizer que o preço que está no gráfico já
chegou ali considerando tudo o que pode afetar o preço de um ativo. É dessa
ideia que vem a famosa frase “o preço desconta tudo”.

Assim, enquanto a Análise Técnica assume que o valor praticado no mercado


em determinado momento já embute todas as variáveis a serem
consideradas no preço de um determinado ativo, a Análise Fundamentalista,
com base nos fundamentos financeiros e contábeis da empresa, como
Balanço, DRE e Fluxo de Caixa, busca determinar qual o preço justo daquele
ativo. Os Fundamentalistas entendem que as distorções pontualmente
encontradas entre o preço justo e o preço praticado serão corrigidas com o
tempo, enquanto os Técnicos aproveitam-se dessas distorções para lucrar
com a volatilidade do ativo.

Teoria de Dow
Aula 4 – Os preços descontam tudo?

Tudo, ou quase tudo


Esta é uma frase famosa:

“os preços descontam tudo”


(alguns dizem que os índices descontam tudo, mas, na prática, significa o
mesmo). Essa frase surge com a compilação dos estudos de Charles Dow e
acabou se tornando uma de suas afirmações mais famosas, usadas
principalmente pelos defensores da análise gráfica.
Mas não pense que isso foi inventado por Charles Dow. Na verdade, esse
conceito foi emprestado da Teoria Econômica Clássica, em que é tratada
a hipótese do mercado eficiente que, grosso modo, afirma que os mercados
são eficientes de acordo com a informação disponível.

Essa hipótese é apresentada em três versões: fraca, semiforte e forte.

A fraca afirma que os preços negociados para os bens e ativos refletem toda a
informação disponível que se tem sobre eles.

A semiforte afirma que os preços refletem as informações disponíveis e que


imediatamente se corrigem no momento em que novas informações se tornam
públicas.

E a forte indica que os preços refletem não somente as informações


disponíveis, mas também as informações ocultas e privilegiadas.

Existe uma rivalidade histórica entre analistas fundamentalistas e técnicos.


Os primeiros não acreditam que um gráfico seja capaz de prever os
movimentos futuros de um ativo. E eles estão certíssimos – gráfico nenhum é
capaz de prever o futuro, o nome disso é bola de cristal, mas esta só existe na
ficção.

Já os segundos, os grafistas, afirmam que tudo está no preço. Quem está


certo?

Se observarmos com cuidado, ambos estão certos. A análise fundamentalista


parte do princípio de que os fundamentos da empresa são um forte indicador
de qual rumo o preço de suas ações vai tomar. Afinal, se uma empresa é
historicamente bem administrada, tem lucros constantes e crescentes, se ela é
uma das líderes de seu mercado e investe em inovação, a tendência é de
que cresça e se valorize, e isso será refletido nas ações mais cedo ou mais
tarde.

Charles Dow, em seus estudos, acreditava que todos os investidores, quando


tomaram suas decisões de investimento, seja comprando ou vendendo
ações, já fizeram todas as análises possíveis – inclusive as de base
fundamentalista – e, baseados naquilo que encontraram, já precificam a
expectativa futura do comportamento dos ativos.

Assim, se a empresa XPTO vem apresentando um ótimo desempenho e esta


semana tomou uma decisão de investimento que os analistas entendem como
benéfica para seu desempenho, esse fato será imediatamente refletido no
preço do ativo.

Grandes investidores contam com enormes equipes de analistas, tanto


técnicos quanto fundamentalistas, para estudar o mercado de todos os pontos
de vista. Isso inclui fatores macroeconômicos, microeconômicos, monetários,
geopolíticos e tudo o que mais possa, direta ou indiretamente, afetar a
valorização dos ativos.

Com base e como resultado de todos esses estudos, tomam suas decisões
de investimento. Esses são os grandes players, aqueles que têm o poder de
movimentar os mercados.

E, se é assim, para o grafista, nem seria preciso se dar ao trabalho de fazer


tanta pesquisa porque, se os grandes players contratam equipes enormes a
peso de ouro para tomar decisões de investimentos, certamente não fazem
isso para perder dinheiro.

Então, tudo o que eles fazem no mercado aparece nos gráficos sob a forma
de preço que, por tudo o que vimos, já vem considerando toda as análises que
fizeram.

Isso não quer dizer, absolutamente, que você deva negligenciar fatores
econômicos, monetários e políticos em suas operações de trading. É
fundamental que você acompanhe os índices mundiais, os movimentos dos
grandes players e dos grandes países.

Como nossa bolsa tem seu movimento, em grande parte, gerado pela atuação
dos estrangeiros, é fundamental que você acompanhe seus índices e
respectivos preços.

Afinal, os preços descontam tudo.

Aula 5 – O princípio da confirmação

Um olho no peixe, outro no gato


Quando Charles Dow e Edward Jones criaram o famoso índice, baseavam
suas análises no comportamento das principais indústrias dos Estados Unidos.
E, para evitar distorções na sua interpretação dos movimentos do mercado,
eles imaginaram que, se a indústria estivesse indo bem, certamente o setor de
transportes – na época, o ferroviário – deveria acompanhar o movimento do
mercado. Assim, se houver uma queda na produção, menos bens serão
fabricados, menos bens serão transportados e isso irá se refletir
no desempenho das empresas que transportam esses bens.

Por outro lado, se um índice estiver subindo e o outro descendo, isso apontará
uma divergência entre as informações, que precisará ser verificada. Dessa
forma, a ideia por trás desse princípio é que uma tendência deverá sempre
ser confirmada por empresas de setores que costumam andar juntos.

Com a evolução e o crescimento dos mercados, passamos a contar com


diversos outros índices que atendem a múltiplas necessidades, servindo
de referência para a confirmação de praticamente qualquer ativo que se
queira.

Assim, o índice Bovespa confirma e é confirmado pelas ações mais


representativas que formam o índice.

Isso não se limita ao mercado doméstico. Preços e


índices internacionaispodem servir como referência para o comportamento de
toda a Bolsa brasileira. O próprio índice Dow Jones é um exemplo
largamente utilizado pela maioria dos traders brasileiros. Outro índice
importante é o S&P 500, que representa a variação de preços do conjunto das
500 maiores empresas norte-americanas.

Preços futuros do minério de ferro e do petróleo antecipam movimentos que


poderão afetar alguns ativos brasileiros e, por conseguinte, os preços do
contrato futuro de índice Bovespa.

Índices setoriais, como o de materiais de construção ou de empresas de


energia elétrica, podem ajudar a explicar movimentos individuais de empresas
nesses setores. Empresas de material de embalagem confirmam o
crescimento de empresas industriais e assim por diante.

Uma vez escolhido o ativo que se quer operar, o trader deverá estudar seu
mercado e todos os fatores que podem influenciar sua movimentação.

Ainda que o preço desconte tudo, movimentos divergentes sempre poderão


ocorrer e o trader atento aos índices que mantêm correlações – tanto positivas
quanto negativas – com seu ativo será capaz de antever movimentos
possíveis, o que poderá impactar positivamente no resultado de suas
operações.

Aula 6 – O volume deve confirmar a tendência

Melhor se for com volume


Você já deve ter ouvido falar de Análise Gráfica ou Price Action. É aquela
técnica de trading que não utiliza indicadores. E, embora isso seja verdade,
há um tipo de indicador que pode – e deve – ser utilizado sempre que
possível: o volume.
Esse dado é tão importante que ele faz parte dos princípios da Teoria de
Dow. Isso faz sentido porque o volume é uma informação diretamente ligada à
liquidez do ativo.

Significa que altos volumes de negociação indicam que há muitos negócios


e, portanto, bastante interesse naquele ativo. Se, por exemplo, você vê um
candle de queda com um alto volume em relação a candles anteriores, isso é
sinal de que há muita gente interessada em vender aquele ativo, o que pode
nos dar uma ideia sobre o que o mercado pretende fazer.

Claro que não se pode analisar um único candle de forma isolada – é preciso
entender o contexto, a região do gráfico ou o momento em que esse volume
fica alto ou baixo.

Segundo a Teoria de Dow, para que um movimento de alta ou de baixa


seja validado, o volume de negócios deverá acompanhar a tendência,
confirmando que os investidores estão comprometidos com o movimento.

Dessa forma, em mercados de alta, os volumes aumentam, indicando cada


vez mais compradores e compras para aquele ativo; enquanto, no mercado
de baixa, os volumes aumentam porque cada vez mais investidores vendem
seus ativos. Embora isso pareça óbvio, devemos notar que tendências com
baixo volume serão mais fracas do que aquelas acompanhadas pelo
proporcional aumento de volume.

Vale reforçar a ideia de que volume alto ou baixo é um conceito relativo. Um


volume no valor de 1.000 depois de uma sequência de volumes na faixa de
120 será considerado alto. Por outro lado, o mesmo volume de 1.000 será
considerado baixo se vier após uma sequência de volumes na faixa de 12.000.

Existem traders especialistas em volume. Sabem que, quando o preço de um


ativo renova um topo com aumento de volume, isso é um sinal de que há mais
pessoas interessadas naquele movimento, assim como um fundo renovado
com aumento de volume mostra interesse na continuidade do movimento.

Há, ainda, as clássicas congestões: os preços ficam laterais durante algum


tempo, quando, repentinamente, há um rompimento daquela região de
congestão com um candle de tamanho maior do que os candles da congestão.

Nesse caso, há duas considerações: se o preço deixou no gráfico um candle


grande, mas não houve aumento de volume, pode ser que o movimento tenha
sido causado por um único player que entrou no mercado com uma mão maior
e, como o book estava relativamente vazio, esse movimento aconteceu.

Nesse caso, se não houver um aumento de volume acompanhando aquele


rompimento, significa que não há muita gente – além daquele player –
interessada naquele movimento.
Por essa razão, rompimentos que são acompanhados por aumentos
expressivos de volume apresentam maiores chances de movimentar o preço
para fora da congestão.

São muitos os casos de movimentos de preço que são confirmados – ou não –


pelo volume. O trader de sucesso está atento a esses movimentos, estuda-os
e aprende a extrair o máximo de seu Trading System, utilizando todas as
informações de que dispõe.

Aula 7 – Conceito de Reversão

Figura 1 - Numa tendência de alta, por exemplo, o mercado não consegue romper o topo anterior, perde o suporte, e se inicia uma
tendência de baixa.
Figura 2 - Numa tendência de baixa, por exemplo, o mercado não consegue romper o fundo anterior, perde a resistência, e se inicia
uma tendência de alta.

Ele vai, até que uma hora volta


Diz a Teoria de Dow, em seu sexto princípio, que a tendência será mantida
até que surjam sinais de reversão.

Se o que caracteriza uma tendência de alta ou de baixa é, respectivamente, o


movimento de preços formando topos e fundos ascendentes ou
descendentes, então qualquer quebra nesse padrão será suficiente para
descaracterizar a tendência.

Embora existam críticas à Teoria de Dow, ela tem funcionado e servido de


base para toda a análise técnica ao longo de décadas, devendo, portanto, ser
profundamente estudada por todo trader que pretende dedicar-se com
seriedade ao estudo da análise técnica.

Ondas de Elliot
Junto com a Teoria de Dow, esse é outro dos pilares que fundamentam a
análise técnica. Criada por Ralph Nelson Elliot na virada do século XX, ela
fundamenta-se na psicologia do mercado, propondo que os preços se
desdobram ao longo do tempo em padrões específicos, formando ondas, fato
que ajudou a popularizar esse princípio pelo nome de Ondas de Elliott.

Segundo essa teoria, os investidores, coletivamente, movem-se em função do


otimismo ou do pessimismo em sequências naturais ao longo do tempo,
obedecendo a uma espécie de psicologia de massa.

Independentemente do tempo gráfico considerado, os preços movem-se em


ondas impulsivas e corretivas. Assim, em uma tendência de alta, os preços
sobem até certo ponto, retrocedendo um pouco para, em seguida, retomar a
tendência anterior, desenhando, então, ondas em formato de ziguezague no
gráfico. Esse movimento continua até que a sequência é revertida.

Para facilitar o reconhecimento de cada fase de desdobramento dos preços,


Elliott atribui nomes às ondas. Dessa forma, uma onda impulsiva seria
subdividida em ondas 1, 2, 3, 4 e 5 tomadas em conjunto. Isoladas, as
ondas 1, 3 e 5, seguiram a favor da tendência principal e as ondas 2 e
4seriam ondas de correção dentro dela.

Após este ciclo, o preço da tendência principal se corrige, realizando uma


reversão que também é dividida em ondas: A e C a favor da reversão, e onda
B, como correção da onda A.

Visualmente temos:
Fonte: "The Basis of the Wave Principle," October 1940, R.N. Elliott.

A partir da imagem anterior, podemos perceber que as ondas de Elliott formam


um padrão fractal que se repete indefinidamente qualquer que seja o tempo
gráfico considerado.

A ideia por trás desse conceito é que, se soubermos identificar corretamente a


fase de desenvolvimento dos preços, saberemos antecipar seu próximo
movimento.

Esse princípio também ajuda a compreender porque, mesmo em uma


tendência de alta, podemos realizar trades lucrativos contra a tendência.

Aula 8 – As 3 tendências

Figura 3 - Preto: Primária / Azul: Secundária / Laranja: Terciária


Como uma onda, ou melhor, várias
Um dos princípios fundamentais da Teoria de Dow é aquele que afirma: o
mercado move-se em tendências.

E como reconhecer uma tendência? Bem, a resposta é bastante simples:

Uma tendência de alta se caracteriza pelo desenho, no gráfico e em qualquer


tempo gráfico, de topos e fundos ascendentes. Dessa forma, o desenho
deixado no gráfico será algo parecido com um zigue-zague imperfeito que
respeitará esse princípio dos topos e fundos ascendentes.

Por outro lado, uma tendência de baixa se caracterizará pelo desenho, no


gráfico e em qualquer tempo gráfico, de topos e fundos descendentes. Dessa
forma, o desenho deixado no gráfico será algo parecido com um zigue-zague
imperfeito que respeitará esse princípio dos topos e fundos descendentes.

Na época em que a Teoria de Dow foi criada, eles obviamente não


tinham computadores para agilizar a coleta de dados do mercado. Por isso,
os livros mais antigos de análise técnica sempre mostram gráficos diários, ou
seja, gráficos em que cada candle representa um dia inteiro de negociação.
Esse era o menor tempo gráfico que os investidores utilizavam para tomar
suas decisões.

Acima disso existiam apenas os gráficos semanais, mensais e anuais, para


que pudessem acompanhar longas tendências.

Mas Charles Dow percebeu que os gráficos se comportam de maneira fractal,


ou seja, os padrões se repetem independentemente de que tempo gráfico seja
considerado.

Assim, uma determinada perna de alta de um zigue-zague desenhado em um


tempo gráfico maior era composta de zigue-zagues em um tempo menor. E
este também possuía pernas de alta e de baixa que se constituíam de zigue -
zagues em tempos menores.

Foi então que ele compreendeu que, em todos os mercados, as grandes


tendências são em número de três:

• Primária: os preços movimentam-se formando topos e fundos


ascendentes quando em tendência de alta e, ao contrário, topos e fundos
descendentes quando em tendência de baixa. Nesse movimento, o gráfico
mostrará pequenas correções formando um padrão visual de zigue-zague.
Independentemente de sua direção, a tendência primária é de longo prazo,
podendo perdurar por mais de um ano.
• Secundária: dentro de cada trecho da tendência primária, o gráfico
mostrará um padrão de zigue-zague menor, com trechos a favor e contra a
tendência primária. Sua duração será, em média, de 3 semanas a poucos
meses.
• Terciária: como em um movimento fractal, o gráfico mostrará movimentos
de zigue-zague menores dentro da tendência secundária. De curta
duração, esse movimento raramente perdurará por mais do que 3
semanas.
Esse princípio continua válido até os dias de hoje e o trader que decidir
trabalhar com position trading poderá utilizar esse conhecimento com bastante
vantagem.

Felizmente, o princípio é imutável para qualquer tempo gráfico. E também


felizmente temos computadores. Então, como o mercado se comporta de
maneira fractal, poderemos transportar a ideia de uma tendência primária,
uma secundária e outra terciária para qualquer conjunto de tempos gráficos
que queiramos utilizar.

É por essa razão que você invariavelmente vê pessoas utilizando três tempos
gráficos na tela de seu computador. Como, por exemplo, 15 minutos, 5
minutos e 2 minutos. Ou ainda, 60, 15 e 5 minutos. O tempo gráfico maior
seria a tendência primária do intraday, o intermediário seria a tendência
secundária e o tempo menor seria a tendência terciária.

Vemos, portanto, que a Teoria de Dow se aplica até hoje nos mercados e
pode ser utilizada para qualquer ativo que se queira operar, desde o clássico
mercado de ações, passando por futuros de índice, dólar, juros ou futuros
agrícolas, como boi, milho e café.
Aula 9 – As 3 Fases

Uma fase daquelas. Uma não, três!


Um dos princípios da Teoria de Dow afirma que o movimento dos preços nas
tendências primárias passa por fases reconhecíveis e repetíveis. Na verdade,
são seis as fases observadas por Charles Dow, mas divididas em duas partes
de três fases cada uma: 3 para tendência de alta e 3 para tendência de baixa.

As 3 fases da tendência de alta

Acumulação

Os preços caminham em tendência. Após uma tendência de alta, segue -se


uma tendência de baixa e, depois dela, uma nova tendência de alta.

É no final de uma tendência de baixa que se inicia a fase de acumulação.


Como essa fase marca o início de uma nova tendência, ela ainda não é
propriamente uma tendência e, por essa razão, fica difícil identificá-la.

O conjunto de investidores é formado pelos grandes players e pela população


em geral – pessoas físicas e pequenas empresas que investem nos ativos de
renda variável. O início de qualquer tendência ocorre logo após a desistência
da maioria dos investidores diante da queda recente nos preços.
Então, grandes investidores começam a comprar os ativos, mas isso ainda
não é suficiente para provocar uma elevação notável nos preços. Esses
investidores estão realmente comprando fundo (para, em breve, venderem
no topo) e esse dinheiro investido é conhecido no mercado pelo nome de
“Smart Money” ou dinheiro esperto.

Segundo Dow, eles são bem informados e experientes, e começam a


comprar papéis subvalorizados de empresas que apresentem bons
fundamentos. Ou seja, compram barato.

Nessa fase, a bolsa fica de lado por vários meses.

Participação pública

É nesse momento que investidores institucionais – cuja característica é


investir de modo seguro, já que cuidam do dinheiro de milhares de pessoas –
começam a fazer seus aportes.

As pessoas físicas ainda estão temerosas devido à última queda nos preços
e permanecem de fora dessa fase. A mídia ainda comenta a fase ruim pela
qual passaram as bolsas, assustando os investidores comuns.

Enquanto isso, os institucionais começam a entrar aos poucos, procurando


não chamar muito a atenção. Mas isso dura pouco porque, à medida que mais
investidores institucionais compram ativos, os preços começam a subir de
forma mais acelerada, até o ponto em que não se pode deixar de notar a
“recuperação das Bolsas”.

Excesso

Nessa fase, a boa nova se espalha e o noticiário econômico começa a


divulgar que a Bolsa está barata, que está subindo muito, e que investir em
renda variável é o negócio do século e a chance de ficar rico é agora.

Claro que todas as pessoas não especialistas ficarão animadas e voltarão a


comprar. Esse excesso de demanda acelera a curva de crescimento dos
preços, reforçando a ideia propagada pela mídia de que essa é a hora de
ganhar dinheiro. Ao ver os preços subirem vertiginosamente, mais pessoas
entram na Bolsa, muitas pela primeira vez em suas vidas, acreditando terem
encontrado a chave do cofre. Pena que já é tarde demais.

As 3 fases da tendência de baixa

Distribuição

Lembra daqueles investidores lá do começo? Discretos, começaram a comprar


quando todo mundo ainda estava desanimado com a queda recente. Nesse
momento, eles estão com um lucro potencial enorme e já é hora de pôr no
bolso. Ao começarem a realizar seus lucros, as vendas começam a se
sobressair, refreando um pouco aquele ímpeto altista que tanto animou os
investidores que acompanham o noticiário da TV. É quando o mercado fica um
pouco de lado. Esse é o momento da virada, ou seja, é quando a tendência de
alta anterior está prestes a reverter. Alguns ainda estão chegando porque
acreditam que os preços têm mais espaço para subir, mas infelizmente
chegaram no fim da festa.

Participação pública

O mercado começa a perceber que houve, de fato, uma desaceleração e a


notícia começa a se espalhar. A mídia já não está tão animada e as pessoas
começam a desconfiar de que aquela alta aparentemente colocou o pé no
freio. Ao perceberem uma possível reversão de tendência despontando no
horizonte, os investidores mais espertos procuram por um ponto de saída. Ao
saírem, aumentam naturalmente o ritmo das vendas, acelerando o processo
de fim de alta e início de reversão, até que o preço finalmente se reverte e
começa a apontar para baixo.

Pânico

Você se lembra daqueles investidores que chegaram no fim da festa? Pois é,


muito rapidamente eles descobrem que compraram topo e que terão
prejuízos se não saírem de suas posições rapidamente. Começam então as
vendas que aceleram ainda mais a tendência de queda. O medo é uma
emoção muito mais forte do que a ganância e, por isso, as pernas de
tendência de queda são bem mais inclinadas que as pernas de alta. Em pouco
tempo, o preço volta a patamares bastante baixos, possibilitando que um novo
ciclo comece.
Aula 10 – Considerações sobre a Teoria de Dow

Dos entretantos até os finalmentes


Até agora, você aprendeu sobre o principal fundamento da análise técnica,
que é a Teoria de Dow. Seus princípios, desenvolvidos há tanto tempo,
continuam válidos e acredita-se que continuarão funcionando para sempre.

Essa afirmação pode ser feita com certa tranquilidade porque toda Teoria está
calcada no comportamento de massas e, portanto, no comportamento
humano, fruto de sua natureza.

Não existe trader ou analista que tenha se profissionalizado e que não


conheça essa Teoria. Esse conhecimento é exigido em todos os exames de
certificação. Essa exigência existe porque sem esse conhecimento,
simplesmente não é possível alcançar o sucesso. Se você desconhece o que
está por trás do movimento dos preços, de seus padrões, da conduta
humana que está por trás das operações, suas chances de encontrar
operações com alta probabilidade se reduzem substancialmente.

Lembre-se que o mercado é fractal em seus movimentos. Isso significa que


eles e suas estruturas, como retrações, pivots, suportes, resistências,
reversões e etc. permanecem válidos e se repetem em qualquer escala.

Um pivot acontece no gráfico de 1 minuto, no de 3 minutos, no de 5, 14, 15,


27, 30, 60 minutos e assim por diante. Em qualquer tempo gráfico, por mais
maluco que ele possa parecer, os padrões estarão lá. E o que está por trás
disso tudo, o que rege esses movimentos, está definido pela Teoria de Dow.

Como trader iniciante, sua principal tarefa é estudar. Abra uma plataforma
gráfica e escolha um tempo gráfico – qualquer um. Então, verifique os
princípios da Teoria de Dow, as reversões, os suportes e resistências, a
formação das tendências. Depois troque de tempo gráfico, vá para tempos
maiores, tempos menores, tempos gigantes e teste tudo novamente.

É claro que, do ponto de vista exclusivamente intelectual, é fácil você entender


e acreditar que tudo irá funcionar. Mas o trading é uma atividade que exige
vivência, tempo de tela olhando gráficos e vendo padrões se repetirem. Por
isso, é importante que você pratique, e que faça esse estudo ativo. Quanto
mais o fizer, mais esse conhecimento fará parte do seu DNA como trader.

Procure bons livros. Ao final deste texto você encontrará os livros indicados
na videoaula (felizmente, os dois livros indicados têm versão em Português)
e mais um sobre Teoria de Dow. Adquira-os. Ter uma boa biblioteca sempre à
mão fará toda a diferença ao longo do desenvolvimento de sua carreira como
trader.
Livros para sua biblioteca

Prings, Martin J. Análise Técnica Explicada. Tradução de Márcio Noronha.

Noronha, Márcio. Análise Técnica: teoria, ferramentas e estratégias.

Ambos os livros, estão à venda exclusivamente no site do Márcio


Noronha: www.timing.com.br

Rhea, Albert. The Dow Theory. Editora Snow Ball Publishing.

(somente em inglês)

Aula 11 – Tipos de Gráficos: Linha, Barra, Candle e Atemporais

Com que roupa e vou?


O título deste texto foi retirado da famosa música composta por Noel
Rosa (cuja letra, com poucas adaptações, bem que poderia retratar
um pouco a vida do trader iniciante) e ajuda a nos lembrar que
temos muitas opções em nossa profissão, desde o tipo de gráfico
que podemos utilizar, passando por setups, trading systems, tempos
e formas operacionais.
As opções são tantas que o trader iniciante pode ficar confuso por
não saber definir qual opção é melhor para o seu trabalho.
No caso dos gráficos, as opções são diversas: linha, barras, renko
e candles, que são os mais comuns. Há também os menos
conhecidos, como Ponto e Figura, Bolha e RRG.
Barras
Um dos primeiros gráficos utilizados por traders e investidores de
todo o mundo ocidental foi o gráfico de barras. Se você já leu
algum livro clássico de Análise Técnica, desses mais antigos,
certamente já se deparou com esse tipo de gráfico.
Sua principal característica é que, no lugar dos candles, você
encontra linhas verticais com pequenos apêndices laterais.
O comprimento da linha indica a volatilidade ou os limites de
negociação do ativo, ou seja, sua máxima e sua mínima. Além disso,
do lado esquerdo, você encontra um pequeno traço horizontal que
indica o preço de abertura. Do lado direito, está o pequeno traço
horizontal que indica o preço de fechamento. Esses são os dados
que compõe a formação de uma barra, conhecidos também
como OHLC.
O (Open) – preço de abertura
H (High) – máxima
L (Low) – mínima
C (Close) – preço de fechamento
Dependendo da posição relativa em que se encontram os preços
de abertura e de fechamento, você será capaz de dizer se a barra foi
de alta ou de baixa.
Não são poucos os traders que ainda utilizam o gráfico de barras em
suas operações. Visualmente, apresentam vantagens e
desvantagens. A maior dificuldade está em acostumar-se ao
desenho das barras. Entre as vantagens, está a facilidade em se
determinar a força dos movimentos pelo alinhamento dos preços de
abertura e fechamento de cada barra.

Linhas
Os gráficos de linha são os mais conhecidos pela população em
geral. São eles que geralmente aparecem em jornais, revistas e
noticiários da TV. São claros e de fácil interpretação, pois mostram a
evolução do preço ao longo do tempo de forma inequívoca.
Sua construção é simples: basta interligar os preços de fechamento
de cada período de negociação.
Os gráficos de linha são uma ferramenta visual bastante
interessante quando queremos traçar suportes, resistências, canais
e linhas de tendência porque mostram, com alto grau de precisão, os
pontos de reversão em qualquer período gráfico.

Candles
Bastante populares nos dias de hoje, os gráficos de candle já
existem há bastante tempo. Seu apelo visual e a facilidade que
proporciona ao investidor de rapidamente identificar o
comportamento do preço tornaram esse tipo de gráfico um padrão
para todos os investidores.
O principal elemento que possibilita essa identificação é o fato de o
candle ser apresentado em cores. Pretos e brancos, verdes ou
vermelhos, ou qualquer cor configurada pelo usuário de plataformas
ajudam a tornar bem claras as forças dominantes do mercado. Uma
sequência de candles vermelhos ou pretos, por exemplo, torna
inequívoca a percepção de um movimento baixista.
Esse é o tipo de gráfico que utilizaremos ao longo de todo o curso,
e o que você verá em quase todos os livros modernos de Análise
Técnica.
Renko
Criado no Japão, o gráfico de Renko – derivado de uma palavra
japonesa que significa “tijolo” – tem se tornado bastante popular.
Isso porque seu aspecto visual é bastante limpo: os tijolinhos podem
ou não ter pavios, são coloridos diferenciando movimentos
ascendentes de movimentos descendentes, e desenham a evolução
de preços no gráfico em linhas inclinadas a 45 graus.
Assim, visualmente, é muito fácil observar preços em tendência ou
em congestão. Além disso, todos os conceitos de análise gráfica
como suportes, resistências, figuras e linhas de tendência também
funcionam nele.
A principal característica do gráfico de Renko é que, ao contrário
dos outros tipos de gráfico, ele leva em consideração apenas as
variações de preço, desconsiderando o tempo e o volume de
negociações. Dessa maneira, é possível que a formação de um
único tijolo demore muitos minutos para ser formado quando o
mercado está em congestão, ou então que um movimento inteiro de
tendência seja desenhado no gráfico em poucos segundos.
Aula 12 – O que é um Candle ou Candlestick?
Figura 4 - INDECISÃO DO MERCADO – PODE TER AS FORMAS DESENHADAS NA IMAGEM TAMBÉM
Figura 5 - Três candles com gaps entre eles, podem indicar uma reversão.

Figura 6 - É como se fosse um martelo, só que no topo.


Figura 7 - Pode ocorrer também em um fundo, caracterizando o Harami de Alta.
Texto de Apoio:

Price Action com indicadores


Como você já viu no início deste curso, o gráfico de candles foi criado há
muito tempo no Japão feudal pelo bem-sucedido comerciante de arroz,
Munehisa Homma. Diz a lenda que ele, utilizando essa técnica, realizou uma
centena de operações vencedoras sem nenhum Loss.

Steve Nison, que trouxe a novidade para o mundo ocidental, estudou


profundamente o comportamento dos preços baseados em análise gráfica e
criou as bases daquilo que hoje é conhecido com o pomposo nome de Price
Action.

Embora o nome chique, o Price Action nada mais é do que a velha


conhecida Análise Gráfica, que consiste basicamente na análise do
comportamento dos preços e dos volumes negociados de cada ativo.

O estudo dessa técnica ao longo dos séculos nos legou inúmeros conceitos
importantes como linhas de tendência, canais, figuras e padrões de reversão .

Uma vez que os candles no gráfico e o volume têm um caráter quantitativo,


ou seja, são mensuráveis, os matemáticos de plantão interessados na técnica
começaram a criar uma série de ferramentas baseadas na análise desses
dados. Surgem então os indicadores.

A partir dos dados OHLC (Open-High-Low-Close), ou seja, preços de abertura,


máxima, mínima e fechamento, além das medidas de volume de negócios, a
imaginação humana levou à criação de literalmente centenas de
indicadores diferentes.

Médias móveis, MACD, OBV, IFR, ATR, DI+/DI- e um rosário de siglas mais ou
menos estranhas desfilam diante do trader, cada uma delas trazendo
promessas de ganhos consistentes e riqueza rápida. Nada mais equivocado.

A análise gráfica e os indicadores que, em conjunto, formam aq uilo que é


conhecido pelo nome de Análise Técnica, nada mais são do que ferramentas
que auxiliam o trader a tomar suas decisões de compra e venda.

Faz isso a partir da atividade do mercado, ou seja, preço, volume e interesse


dos investidores. Seu objetivo é avaliar as chances de movimentos futuros de
preço e o faz baseando-se em três pilares fundamentais:

– O preço desconta tudo, ou seja, ele é o reflexo de todos os estudos


fundamentalistas, notícias, resultados de políticas econômicas, saúde das
empresas, expectativas dos investidores e tudo o mais que poderia afetar o
preço de negociação dos ativos.
– O preço se move em tendências. Trata-se de uma ideia estabelecida pela
Teoria de Dow e facilmente observável. Os preços deslocam-se em tendência
de alta ou de baixa e, periodicamente, realizam pequenas correções que são
provocadas pela realização de lucro dos investidores.

– A história se repete. O comportamento dos preços no mercado reflete o


comportamento dos investidores. Quem estuda psicologia das massas sabe
que o comportamento do coletivo tende a se repetir, e o faz principalmente por
estar ligado a diversos tipos de emoções. No trading, as emoções mais
presentes são o medo e a ganância – responsáveis por muitos erros quando
não forem devidamente controlados.

A análise técnica funciona? Claro que funciona. Nenhum erro persiste por
tantos séculos sem que alguém ligasse o desconfiômetro. Existem,
obviamente, muitos críticos à técnica. Quase a totalidade deles por duas
razões: ou não conhecem a técnica a fundo e não se dedicaram a estudá-la,
ou estudaram um pouco, fracassaram em suas tentativas (perderam dinheiro)
e ficaram com raiva por causa disso. Então, tornam-se detratores da técnica.

O que os críticos da Análise Técnica não perceberam que ela é apenas uma
ferramenta para tomar decisões. Com ela, escolhemos um ponto de entrada
nas operações e dois pontos de saída (um de Loss e um de Gain). Mas ela
sozinha não pode fazer muita coisa, assim como um martelo deixado em um
canto é incapaz de quebrar uma parede.

A consistência no trading está ligada ao uso da Análise Técnica combinado à


gestão financeira, de risco e ao controle psicológico do trader, que é quem
aperta o botão do mouse para comprar e vender seus ativos.

Para aqueles que utilizam a técnica com competência e possuem a disciplina


rigorosa para executar suas operações com critério, que têm um absoluto
controle de risco, financeiro e psicológico, o sucesso é praticamente g arantido.

Se você notar, a palavra DISCIPLINA está grifada. Este talvez seja o maior
segredo do trader bem-sucedido. Essa é a parte difícil do trading. Se quer ser
bem-sucedido em sua nova profissão, treine disciplina. Ela será a ferramenta
mais valiosa com que você poderá contar.

Sobre plataformas, sugerimos Metatrader, Protrader, Tryd e Profitchart


Conceitos Adicionais

Aula 13 – Tempos Gráficos

Tempos gráficos – a escolha é sua


Se você já manuseou uma plataforma de trading, percebeu que algumas
delas oferecem muita flexibilidade para mostrar gráficos em quaisquer
intervalos.

Desde o gráfico de ticks, em que um candle é formado a partir de


uma quantidade de negócios determinada pelo trader, até os gráficos por
tempo, é possível dispor os negócios realizados no mercado em qualquer
tempo.

Assim, você pode operar em gráficos de 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7...15, 17, 29, 71...


ou qualquer outro tempo gráfico que imaginar. O mercado convencionou
que os tempos mais comuns são os de 1, 2, 4, 5, 10, 15, 60, 120, 240, diário,
semanal e mensal, mas você é livre para escolher qualquer outro tempo
gráfico que quiser.

A escolha recairá, obviamente, no seu perfil operacional. Se você é um scalp


trader, certamente, jamais utilizará o gráfico de 60 minutos em suas
operações, assim como, se você realizar operações de swing trading, não
fará seu trailing stop pelo gráfico de 1 minuto. Para o scalper, gráficos de 2 e 5
minutos se mostram bastante adequados, e para o swinger, gráficos de 60
minutos e diários oferecem melhores respostas.

A escolha também poderá ser determinada pelo tipo de ativo que você opera.
Por exemplo, o contrato futuro de índice é um ativo bastante volátil e
operações em gráficos menores do que o de 5 minutos tendem a violinar
muito mais, o que deixa vulneráveis as operações em que o stop é muito
curto.

O fato é que, quanto menores os tempos gráficos, menos confiáveis são os


sinais da análise técnica e isso ocorre justamente por causa dos movimentos
bruscos realizados pelos grandes players.

A prática tem mostrado que, quanto maiores os tempos gráficos, maior a taxa
de acerto da maioria dos setups. Um setup de inside bar, por exemplo,
funciona muito melhor em um gráfico semanal do que em um gráfico de 1
minuto. Isso acontece porque os tempos gráficos maiores têm e spaço para
filtrar melhor a volatilidade dos ativos.
Ressaltamos que você é livre para escolher o tempo gráfico que preferir,
que mais de adeque ao seu jeito de operar, ao seu emocional e à sua
disponibilidade de tempo. Mas independentemente daquilo que escolher, é
fundamental que você teste.

Faça backtests de seu setup pelo maior tempo possível. Avalie a taxa de
acerto, anote tudo em uma planilha. Gaste muitas horas nisso – sua conta
bancária irá agradecer.

Depois dos backtests, é hora de ir para uma conta demo, testar na prática se
tudo o que você definiu em seu setup funciona para aquele tempo
gráfico. Teste em outros tempos gráficos, maiores e menores, procurando
anotar tudo e calculando onde você obtém os melhores resultados.

Somente depois disso – sim, leva bastante tempo, ninguém vira trader em
apenas um mês – você deve ir para a conta real, operar com dinheiro de
verdade. Mesmo assim, opere com o lote mínimo, porque agora entram outras
variáveis como seu emocional (afinal, se perder, perde dinheiro de verdade).

Quando estiver confiante no funcionamento do seu setup e satisfeito com o


tempo gráfico utilizado, é hora de praticar o gerenciamento financeiro para
aumentar o tamanho de sua mão com segurança.

Aula 14 – Suportes e Resistências


Do chão ao teto
Existem muitos métodos para se fazer trading, cada um com sua taxa de
acerto. Entre eles, o Price Action talvez seja o mais desafiador e efetivo
deles. Efetivo porque é um método que se utiliza exclusivamente da análise
do comportamento dos preços e seus padrões de formação deixados ao longo
do gráfico, sem a utilização de qualquer outro indicador.
De todos os modos de se operar graficamente, as operações de suporte e
resistência são as mais populares. Esses pontos, na maior parte das vezes,
sugerem que ali estarão se formando topos e fundos, que poderão ser
operados tanto nas reversões como nos rompimentos.

Se o objetivo de todo trader é comprar fundo e vender topo – o que permite


extrair o máximo de cada movimento –, suportes e resistências são o caminho
para atingir esse objetivo.

Claro que os stops são inevitáveis. Os mercados andam em tendência, as


tendências se revertem e isso significa que suportes e resistências
serão rompidos em algum momento. Por isso, existe a necessidade de se
manter um rígido controle de risco e gestão financeira.

Um suporte pode ser entendido como uma região onde o preço apresenta
dificuldades para ultrapassar quando está em queda. É como se houvesse
um chão ou uma rede de proteção. O preço chega por ali e fica tentando
ultrapassar, mas não consegue descer muito além daquele ponto.

Já a resistência apresenta o mesmo conceito, só que para preços que estão


subindo. É como se houvesse um teto ou telhado que dificulta a passagem do
preço para além daquela região.

Suportes e resistências mostram ao trader até quais níveis de preço os


grandes players estão dispostos a comprar ou a vender. É uma espécie de
“daqui não passa” e, por isso mesmo, funcionam muito bem como pontos
de reversão e também como alvos para as operações.

Pontos de pivot são um bom exemplo de suportes e resistências. São regiões


em que o preço faz uma correção para depois seguir seu movimento. Se, na
volta, o preço não conseguir passar daquele ponto de retorno, as chances
são grandes dessa região se tornar um ponto de suporte ou resistência.

Visualmente, não é difícil reconhecer essas regiões. Se você diminuir o zoom


de um gráfico a ponto de os candles ficarem tão pequenos que se pareçam
com linhas grossas e, em seguida, mover o cursor do mouse em cruz
verticalmente pela tela do seu computador, verá que, ao longo dos zigue-
zagues que o preço faz, existirão regiões em que o preço toca e volta com
certa frequência, como se houvesse uma espécie de repelente de candle
naquele lugar.

Você notará também que existirão regiões fáceis de ultrapassar e outras bem
mais difíceis. É o caso daquela resistência ou suporte em que o preço bate
uma vez, volta, e, quando chega ali novamente, ultrapassa sem apresentar
dificuldades.

Outras, contudo, se mostraram mais difíceis de serem ultrapassadas e, todas


as vezes que o preço passa por ali, acaba voltando.
Há momentos em que o preço fica, digamos, “preso” entre um suporte e uma
resistência, dando origem àquilo que denominamos congestão.

Outra característica importante dos suportes e resistências é que, uma vez


rompidos, passam a se comportar como seu oposto, ou seja, um suporte
rompido vira resistência e vice-versa.

Há traders conhecidos no mercado que vivem exclusivamente de operar


suportes e resistências. Estatisticamente, a maioria dos rompimentos falha.
Um bom suporte ou uma boa resistência resistirão a, no mínimo, dois toques
antes de serem rompidos.

Mas, uma vez ultrapassados aqueles níveis por duas ou mais vezes, eles já
não podem mais ser considerados suportes e resistências confiáveis e, nesses
casos, é preferível não os operar mais.

A operação de suportes e resistências é um método que se mostra


bastante lucrativo e com alto índice de acerto. Para isso, é necessário
adquirir um profundo conhecimento sobre o comportamento do mercado que
será revelado através da dinâmica dos preços. Dessa forma, Teoria de Dow,
Ondas de Elliot e leitura de candles, além de uma boa dose de vivência no
mercado, poderão ser de grande valia ao trader que decide operar topos e
fundos.
Aula 15 – Tendências
Para o alto e além, ou não
O mercado, como vimos, move-se em tendências. Essas tendências não são
sempre linhas retas ascendentes ou descendentes. No mundo real, os preços
oscilam de um modo que, a olhos não treinados, parece mesmo que o
movimento é randômico, aleatório.

Os ziguezagues observados no gráfico obedecem, na verdade, padrões mais


ou menos previsíveis que, se compreendidos e bem operados, poderão ajudar
a levar o trader a realizar operações bem-sucedidas.

Como os preços oscilam de acordo com uma volatilidade que pode ser
variável, é comum a ocorrência de Stops que se traduzem naturalmente por
perdas financeiras. Devemos, então, cuidar para que, ao tomar stop percamos
pouco e, ao acertarmos o trade, sejamos capazes de extrair o máximo que o
mercado puder oferecer.

Isso só será possível se soubermos aproveitar os movimentos direcionais


do preço, ou seja, se surfamos uma tendência, seja ela de alta ou de baixa.

Para que possamos lidar adequadamente com os movimentos direcionais


dos preços, é importante estudar a natureza e a formação de tendências. Por
isso, Teoria de Dow, Ondas de Elliot e Price Action formam o arcabouço
fundamental de conhecimentos que todo trader, sem exceção, deve construir
ao longo do tempo. O estudo constante e a prática ativa de mercado farão com
que o trader saiba extrair o máximo dos movimentos de tendência.

Você pode começar praticando a visualização de tendências no gráfico,


mesmo com o mercado parado. De posse de uma boa plataforma gráfica,
procure identificar os mais importantes pontos de inflexão, ou seja, os
ziguezagues desenhados pelos candles. A partir daí, marque topos e fundos.
Perceba que, em tendências de alta, os topos e fundos são ascendentes e,
nas tendências de baixa, descendentes. Note a força dos movimentos a partir
da inclinação da tendência no gráfico.

Em seus estudos, use as ferramentas de desenho disponíveis na plataforma


para interligar os fundos entre si (nas tendências de alta) ou interligar os topos
(nas tendências de baixa). Você verá que os preços claramente respeitam
essas linhas, conhecidas pelo nome de LTA (Linha de Tendência de Alta)
e LTB (Linha de Tendência de Baixa).
Os ziguezagues têm, na análise técnica um nome oficial, são
chamados Pivots (pronuncia-se pivô), que são formados a partir de um
retrocesso temporário na tendência principal. Assim, em uma tendência de
alta, os preços fazem uma breve reversão para baixo (contrária ao movimento
anterior, conhecida pelo nome de pullback), para depois reverterem
novamente em direção à tendência de alta original, ultrapassando o topo
anterior. O raciocínio inverso se aplica também aos movimentos de baixa.

Outro fato que poderá ser observado é que os conceitos de suporte e


resistência também se aplicam às tendências. Se ligarmos os topos ou os
fundos por uma linha desenhada no gráfico, veremos que essas formam
pontos de suporte e de resistência, que, se reconhecidos, poderão gerar
ótimas oportunidades de trading.

Os suportes e resistências formados por linhas de tendência podem co mbinar-


se originando canais de alta ou de baixa, movimento bastante comum que
pode ocorrer em todos os tempos gráficos.
Aula 16 – Entendendo o que são GAPS
Quando o buraco é mais em baixo... ou em cima
Ao observarmos um gráfico, poderemos notar que, eventualmente,
surgem espaços vazios entre os candles. Às vezes, são grandes espaços,
outras vezes, são muito pequenos, mas todos eles demonstram a ausência de
negociação ou, de outra forma, de interesse dos compradores e vendedores
em negociar um ativo em determinada faixa de preço.

Os gaps normalmente ocorrem entre o fechamento do mercado de um dia e


sua abertura no dia seguinte, mas são também encontrados durante o
pregão.

Muitos eventos podem causar um gap, como, por exemplo, uma notícia ou
decisão governamental que aconteça depois que o mercado de ações fechou
naquele dia. Então, no dia seguinte, o ativo começa a ser negociado a um
preço distante do preço de fechamento anterior.

Cria-se, então, uma lacuna ou intervalo de preços, evidenciando que algo


importante aconteceu com os fundamentos daquele ativo ou com a psicologia
dos investidores que o acompanhavam.

É bastante comum que gaps, em sua maioria, sejam fechados. Isso significa
que, em algum momento em um futuro próximo ou distante, os preços
voltarão àqueles patamares e completarão o intervalo deixado sem
negociação, como se aquilo fosse uma pendência a ser resolvida. Os gaps
podem ser de quatro tipos:
Gap de área – é o tipo mais comum de gap. Ocorre no meio de zonas de
congestão e não traz maiores implicações ao trading, sendo rapidamente
fechados.

Gap de fuga – ocorre geralmente no rompimento de uma congestão ou de


uma figura. Se houver aumento do volume em sua formação, isso tornará o
gap mais confiável.

Gap de continuação – depois de se iniciar um forte movimento de alta ou de


queda, o gap de continuação, embora mais raro, pode acontecer para
evidenciar a disposição dos investidores em alcançar novos patamares de
preço.

Gap de exaustão – é aquele que ocorre no final de um movimento de alta ou


de baixa. Indicando esgotamento da tendência anterior, será rapidamente
fechado pela reversão dos preços.

Há ainda um tipo especial de formação de gap chamado Ilha de Reversão.


Figura clássica, ocorre quando um ou mais candles separam-se
completamente da tendência anterior para, em seguida, haver uma forte
reversão que se iniciará com outro gap, mas, como os preços, em sentido
contrário, Assim, por exemplo, se a ilha de reversão ocorre em uma ten dência
de alta, ela ficará isolada por um gap de exaustão que a antecede e um gap
de fuga para baixo, que a sucede.
Aula 17 – Indicadores Técnicos: Rastreadores e Osciladores
Figura 8 - Rastreadoras de tendência

Figura 9 - Rastreador de tendência


Figura 10 - RSI - Oscilador -> melhor para lateralização

Figura 11 - Medidor de Volatilidade


Indicadores – não têm esse nome à toa
Como você já viu ao longo desse curso, tudo começou com a análise gráfica.
Bastava saber interpretar a disposição e o formato dos candles na tela para
compreender as intenções e a disposição do mercado.

Percebeu-se, então, que o volume poderia indicar a força dos movimentos –


este talvez tenha sido o primeiro indicador que existiu.

A partir daí, traders e matemáticos interessados no mercado financeiro


começaram a criar ferramentas auxiliares que pudessem indicar, no gráfico,
pontos de compra e venda mais favoráveis. Surgiam assim os primeiros
indicadores.

Com o desenvolvimento dessa especialização – que mais tarde veio a se


chamar análise técnica (que é a análise gráfica acrescida de indicadores) –
essas ferramentas puderam ser divididas em categorias.

Temos atualmente três grandes categorias de indicadores: os rastreadores,


excelentes para quem opera tendência; os osciladores, que são mais
adequados para se operar mercados em congestão e os indicadores
de volatilidade, ideais para captar rompimentos.

A seguir você verá os indicadores mais importantes utilizados na análise


técnica.
Médias Móveis

De todos os indicadores rastreadores de tendência, as médias móveis são


as mais populares e, por isso, as mais utilizadas em todo o mundo. A
construção desse indicador baseia-se no cálculo da média de preços nos
últimos períodos.

Existem, obviamente, diversas formas de se fazer esse cálculo. Ele pode ser
feito com base na média aritmética, na qual, por exemplo, são somados os
valores de fechamento dos preços nos últimos “n” períodos e o resultado da
soma é dividido por “n”. Pode-se ainda atribuir pesos maiores aos preços mais
recentes, ou aos mais antigos e assim por diante. Além disso, o cálculo poderá
ser realizado a partir dos preços de abertura, máximo ou mínimo.

Independentemente da forma de cálculo, as médias são intensamente


utilizadas nas operações de compra e venda de ativos por oferecerem uma
indicação visual relativa a respeito do posicionamento dos preços e sua
direção mais provável.

Um exemplo clássico é a média móvel de 9 períodos, que indica com bastante


precisão a mudança de tendência do preço de um determinado ativo.
Talvez a utilização mais conhecida desse indicador seja realizar operações a
partir do cruzamento de duas médias móveis: uma curta e uma longa. De fácil
identificação visual, as entradas ocorrem quando a média móvel curta cruza
a média móvel longa para cima, indicando compra, ou para baixo, indicando
venda.

HiLo

Versátil, o HiLo Activator funciona muito bem em todos os tempos gráficos,


em diversas estratégias, além de ser uma ferramenta de fácil compreensão,
operação e visualização.

Embora tenhamos nos acostumados ao seu aspecto visual em forma de


degraus – o que o tornou conhecido como “indicador escadinha” – ele nada
mais é do que o resultado do cruzamento de duas médias móveis de mesmo
período, calculadas sobre as médias das máximas e das mínimas dos preços,
sendo que uma dessas médias está deslocada da outra a um intervalo
determinado.

Inovador, portanto, não é o cruzamento de médias em si, mas a combinação


desse cruzamento com o deslocamento relativo entre as duas curvas atrelado
à base de cálculo das médias móveis que compõe o indicador.
Por ser construído a partir de médias móveis, o HiLo pertence à categoria
dos rastreadores de tendência e se presta muito bem a operações
seguidoras de tendência em todos os tempos gráficos.

Seu uso mais conhecido é como uma ferramenta auxiliar para o trader definir
pontos de stop.

No entanto, ele se presta muito bem como indicador de entradas para


operações seguidoras de tendência. Sua operação é bastante simples: preços
acima do HiLo indicam modo compra e, ao contrário, preços abaixo do HiLo,
indicam o modo venda.

IFR (RSI)

O IFR (Índice de Força Relativa) é um indicador do tipo oscilador. Isso


significa que ele mede a intensidade da variação do preço em um determinado
período, indicando essa variação em uma escala entre 0 e 100.

Assim, valores próximos de zero indicam que os preços do ativo


estariam sobrevendidos, e valores próximos de 100 indicariam
preços sobrecomprados. Entretanto, a ressalva que se faz é que esse
indicador funciona muito bem em mercados lateralizados.
A característica de um mercado lateralizado é que os preços oscilam dentro de
um intervalo, daí a utilização de um indicador do tipo Oscilador para medir o
comportamento do preço dentro dos limites daquele intervalo.

Por essa razão, o IFR não é um indicador apropriado para movimentos em


tendência já que, nela, os preços não oscilam dentro de um intervalo, mas
caminham de forma direcional.

Bandas de Bollinger

Na década de 1980, John Bollinger, um analista financeiro norte-americano


que até hoje publica análises dos mercados financeiros dos EUA criou este
importante indicador que leva seu nome.

Baseado na volatilidade dos preços, Bollinger entendeu que o preço


frequentemente se afasta de sua média para a ela depois retornar. Mais do
que isso, ao afastar-se, o preço desloca-se dentro de um desvio padrão. Com
isso, é possível determinar visualmente a volatilidade do ativo.

O indicador é composto por três curvas desenhadas no gráfico relativamente


ao preço do ativo. A curva central é uma média móvel simples, geralmente
de 20 ou 21 períodos. Acima e abaixo dela, são plotadas no gráfico mais duas
bandas cuja posição é determinada por um desvio padrão em relação à média
móvel central.
Tanto a banda central quanto o desvio padrão que servem de base para a
construção das bandas podem ser ajustados pelo usuário para que o
indicador se adeque aos seus propósitos.

As Bandas de Bollinger oferecem importantes indicações sobre o


comportamento do preço. Elas poderão indicar, por exemplo, que os preços
afastaram-se demasiadamente das médias, devendo a elas retornar,
possibilitando as operações de retorno à média.

Bandas muito próximas da média central fornecerão um indicador seguro de


períodos de congestão, facilitando a execução de trades de rompimento.

Aula 18 – Conceito de Setup e Backtest


Funcionar, funciona – mas é bom testar antes
Até agora, você viu inúmeras formas de se interpretar um gráfico.
As opções são muitas – operar com indicadores, operar sem indicadores, em
tempos gráficos maiores, menores, scalping, day trading, swing trading,
futuros financeiros, futuros agrícolas, ações... são tantas as opções que, no
começo, chegamos a ficar um pouco perdidos.

Mas não se preocupe. Sua primeira tarefa é testar tudo o que for possível –
obviamente, na conta demo, sem colocar um único centavo do seu dinheiro –
para você saber o que existe, ganhar alguma experiência e, finalmente, poder
escolher aquilo que vai operar.

Não se deixe levar pela maioria – na hora de escolher, leve em


consideração o seu perfil, a sua disponibilidade de tempo e o seu capital
disponível. Não é porque todo mundo opera dólar, que você será obrigado a
fazer o mesmo. Você está nesse mercado para fazer dinheiro, e não para
fazer parte de um grupo bacana.

Todo esse processo de conhecimento o conduzirá naturalmente à escolha de


um setup. Como você viu na aula, um setup nada mais é do que um conjunto
de regras que incluem sinais de preço, volume e indicadores técnicos e
determinam as entradas e as saídas nas operações, bem como o
gerenciamento de risco.

Embora seja fundamental ter um setup, não é ele sozinho que vai fazer você
ganhar dinheiro no mercado. O setup é tão-somente uma ferramenta que diz
quando entrar e quando sair de uma operação.

O setup vai te dar basicamente duas informações: onde entrar e onde sair,
seja por perda, seja por ganho, ou seja, um ponto de entrada, uma saída
por Loss, uma saída por Gain.

O grande benefício de se utilizar um setup está na chamada expectativa


matemática, que, grosso modo, significa: a cada N ocorrências de um
determinado sinal, qual o percentual de acerto daquele setup. Colocado de
outra forma, seria: o resultado médio esperado de uma operação feita
repetidas vezes sob as mesmas condições.

Digamos, por exemplo, que seu setup seja o cruzamento de médias móveis.
Suponha que, em seus testes para determinado ativo, você verificou que a
cada 100 trades, 67 você acerta e 33 você erra (ATENÇÃO: esses valores são
apenas didáticos. Não os utilize para seus trades). Dizemos então que esse
setup possui uma expectativa positiva e que se você, todas as vezes que
cruzar aquela média móvel, entrar na operação, terá chances de sair com
dinheiro no bolso, desde que seus ganhos absolutos nos acertos sejam
maiores do que suas perdas absolutas nos erros.
Em outras palavras, de nada adianta você acertar 70% das operações se,
cada vez que ganhar, você ganhe R$ 10,00 e, cada vez que perder, perca R$
2.000,00.

Por isso, o processo de escolher um setup é demorado. Você vai ter que
testar esse setup em todas as condições possíveis: em diversos tempos
gráfico, em diversas épocas do ano, em diversos dias da semana, com
diversos ativos e assim por diante, anotando cada resultado, até encontrar um
resultado que seja considerado ótimo dentro de sua bateria de testes.

Depois, você poderá testar um outro setup para comparar seu desempenho
àquele primeiro que testou. E, então, terá que passar por toda a bateria de
testes novamente.

O nome que se dá a esse processo é backtest e, como foi possível reparar,


isso dá uma trabalheira danada. É por essa razão que existem os robôs. Eles
são ferramentas ideais para a realização de backtests, uma vez que executam
todos esses passos de forma automatizada e muito mais rápido que qualquer
ser humano. São, de fato, uma mão na roda para acelerar a obtenção de
resultados nos backtests.

Se optar por um robô, escolha um que permita colocar diversos parâmetros, o


que dará a você bastante flexibilidade na hora da realização dos testes.

Mesmo fazendo isso tudo, não perca de vista que não existe o melhor
setup – todo setup pode funcionar. O importante é você ter um método que o
obrigue a ser disciplinado. Você terá que se comportar mais ou menos como
aquele robô, ou seja, obedecer rigorosamente aos critérios de seu setup. Só
assim a expectativa matemática trará para seu bolso os resultados que viu
durante a fase de testes.

De resto, a disciplina, o controle de risco e o bom gerenciamento financeiro


darão conta do trabalho.

Essa é a lição mais valiosa que você terá em toda sua vida de trader: o
mercado remunera a sua disciplina.
Aula 19 – Gestão de Risco através da Análise Técnica
Trading é probabilidade – aí estão as suas chances
Você viu na videoaula os principais critérios para se controlar o risco. Isso é
importante por uma razão muito simples: o único controle sobre o qual o trader
tem controle absoluto é sobre suas perdas.

Se você já tentou realizar algumas operações, deve ter percebido que maioria
das pessoas que começa a dar seus primeiros passos no trading logo percebe
que é muito mais fácil perder dinheiro do que ganhar. Isso ocorre porque
nosso cérebro ainda não se adaptou à lógica própria da atividade.

Tentamos, a todo custo, evitar o risco. É assim que fomos educados e é até
natural que assim seja. Poderíamos ir um passo além e dizer
com segurança que a vida, de um modo geral, é uma grande aposta.

Quando você se casa, não poderá afirmar de maneira absoluta que o


casamento dará certo. Quando você muda de emprego, não há nenhuma
garantia de que se dará bem. Todas as vezes que sai de casa, você não pode
afirmar que voltará naquele mesmo dia.

O mundo é repleto de incertezas e um número infinito de variáveis contribui


para mudar os rumos dos fatos. Algo pode acontecer no meio do caminho
que faz você mudar seus planos, suas decisões.

Se olharmos de perto, em todas as situações descritas nos parágrafos


anteriores, há algum grau de incerteza, mesmo que mínimo. Por isso,
buscamos a segurança. Não saber o que poderá acontecer causa
certo desconforto e, em alguns casos, medo.

É por conta da imprevisibilidade do mundo que colocamos nosso carro no


seguro, que fazemos um plano de aposentadoria, que namoramos por algum
tempo antes de tomarmos a decisão de nos casar e assim por
diante. Pensamos em termos de segurança, e não de risco.

O problema é que, no trading, nós devemos lidar justamente com o risco, com
a perda, e isso nos causa desconforto. Para nos livrarmos da sensaçãodo
desconforto, buscamos todas as formas de retornar à segurança. Ao invés de
controlarmos o risco, fixamo-nos em evitá-lo e, então, passamos a sabotar
nossa própria mente. Afastamos o stop loss toda vez que o preço chega perto
dele ("Ah, mas o preço vai voltar, é só um pullback mais forte!"), ou saímos no
gain, mas de forma prematura ("eu heim! Vai que o preço volta. Melhor b otar
dinheiro no bolso o quanto antes!").

Se prestar atenção à dinâmica que foi descrita, você notará que esse
comportamento, no final, aumenta o Loss e encurta o Gain – justamente o
contrário do que se quer fazer.
Trading é estatística, e o trader consistente é aquele que aprende a pensar
em termos de probabilidade. Você utiliza as ferramentas de análise apenas
para, baseado em um determinado comportamento do mercado, avaliar as
chances de o preço ir em determinada direção. Mas não há nenhuma garantia
de que ele vai – só chance.

E então, baseado nessa chance, você começa a fazer uma série de


avaliações como, por exemplo, até onde o preço poderá ir se tudo der certo e,
caso o preço volte contra a sua posição, em que momento você entende que
as premissas que fizeram você tomar a decisão de entrar no trade não são
mais válidas. Com base nisso, você define seu ponto de entrada, seu gain e
seu loss.

A única variável que está sob o controle absoluto do trader é, como dissem os,
o quanto ele está disposto a perder. É para isso que existe a ordem de stop
loss – para preservar seu capital, evitando que o preço volte repentinamente e
cause um prejuízo importante. Aliás, a tradução literal de Stop Loss é pare de
perder.

Pensar em termos de probabilidade juntamente como o uso correto do stop


loss está no centro da consistência. Ser capaz de limitar as perdas,
preservando seu capital e entrando em operações cujas chances de ganho
sejam maiores que as de perda, fará com que entre mais dinheiro na sua
conta do que saia.

Estatisticamente, se você entrar em certo número de operações mantendo


uma relação risco versus retorno favorável e maior do que 1 para 1, você nem
precisará alcançar uma taxa de acerto muito grande.

Por isso, é importante analisar muito bem quais são as chances de cada
operação antes de entrar nela. Saber ser paciente para esperar o surgirem as
condições que se ajustem ao seu setup fará com que você mantenha
uma uniformidade nas operações, o que contribuirá para que seus trades se
beneficiem da estatística e da lei das probabilidades.
Aula 20 – Combinações com outras Técnicas

Quando no mar, faça como os tubarões.


Quando dissemos que os preços descontam tudo, referimo-nos –
obviamente – à análise gráfica. Tudo o que um candle mostra sintetiza a soma
do conhecimento e das expectativas de todos os operadores do mercado.
Muitos desses operadores – a maioria, aliás – são grandes empresas
gestoras de fundos, grandes bancos, players internacionais que sabem
muito bem o que estão fazendo.

Esses grandes são chamados de tubarões. E nós, as sardinhas. Tubarões


comem sardinhas. Entretanto, há um peixe que o tubarão gosta muito – não
para comer, obviamente. São as rêmoras. Se você olhar para qualquer filme
que mostra tubarões em atividade, notará que eles invariavelmente estão
cercados por peixes de pequeno porte que ficam ali nadando junto com os
tubarões.

Notará também mais duas coisas: a primeira é que tubarões não comem
rêmoras. Elas são úteis porque fazem a limpeza dos tubarões. São elas que
limpam seus dentes do resto de comida (você sabe como é chato ficar com um
pedaço de bife enganchado no seu pré-molar).

A outra coisa que notará é que a rêmora fica junto dos tubarões justamente na
hora em que eles vão comer. Elas são espertas – sabem que onde há
tubarões, há comida.

Isso traz para nós, traders, duas lições importantes:


• Lição número 1: não queira lutar contra os grandes players – você será
jantado sem dó, nem piedade. É mais esperto ir junto com eles e fazer o
que eles estão fazendo.
• Lição número 2: vá somente na hora da "boia". Traduzindo para o nosso
mercado, só entre quando tiver fluxo. Você certamente conhece muita
gente que perdeu um monte de dinheiro insistindo em operar em um dia de
feriado nos EUA e na China.

E como fazer para ser como um tubarão?
Bem, os tubarões sabem onde a comida está, a que horas ela aparece (ou
onde ir encontrá-la) e que estratégias são as mais efetivas para capturar a
comida de que necessitam.

Faça o mesmo! Para fazer isso, você precisa se municiar de informações


que mostrem onde e quando os grandes fluxos acontecem. Se você opera
swing trading, acompanhe os fundamentos das empresas para saber se os
investidores estão em fluxo comprador ou vendedor em relação àquela
empresa.

Mas, se você opera futuros financeiros como índice, dólar e juros, deverá
acompanhar todos os movimentos de mercados correlacionados para
detectar momentos de fluxo. Notícias também influenciam muito os
movimentos desses mercados.

Se você opera agrícolas, acabará se tornando um especialista em previsão do


tempo, em políticas econômicas e fluxos na bolsa de Chicago.

Municiando-se de notícias e do calendário econômico, estará sendo como o


tubarão que sabe exatamente onde e como a comida aparece. Se você
souber isso, se acompanhar o fluxo do investimento estrangeiro (o Portal do
Trader pública esse relatório todos os dias de manhã em seu site), saberá
para onde vai o dinheiro.

Assim, para seu próprio bem e para o bem do seu bolso, deixe de ser sardinha
– seja rêmora.

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