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29/01/2019 Poderes da Administração Pública (Administrativo) - Artigo jurídico - DireitoNet

ARTIGOS

Poderes da Administração
Pública
Os poderes da Administração Pública consistem em
prerrogativas especiais e instrumentos que o ordenamento
jurídico confere ao Estado para que este cumpra suas
nalidades institucionais para a busca do interesse público.

  Por Guaracy Francisco Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO | 17/NOV/2017

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1 INTRODUÇÃO

Os poderes da Administração são de natureza instrumental, isto é, surgem


como ordenamentos jurídicos para que o Estado possa preservar o interesse
público, ou seja, da coletividade, atingindo sua satisfação. Portanto, os
poderes da Administração são prerrogativas que ela possui para atingir a
nalidade pública. Assim, os poderes da Administração decorrem da
supremacia do interesse público.

O uso desses poderes é um poder-dever, pois é por meio deles que se irá
alcançar a preservação dos interesses da coletividade. A Administração tem a
obrigação de utilizá-los (e caso o administrador não use, ele pode ser
penalizado). Logo, são irrenunciáveis. O poder subordina-se ao dever, e
assim, torna-se evidente a nalidade de tais prerrogativas e suas limitações.

Se, no exercício desses poderes o administrador não buscar o interesse


público, haverá abuso de poder (na modalidade excesso de poder caso
ultrapasse os limites de suas atribuições, o que é vício de competência; na

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modalidade desvio de poder caso o agente vise nalidade diversa que deve
perseguir, o que é vício de nalidade).

A doutrina, geralmente destaca os seguintes poderes: poder vinculado; poder


discricionário; poder normativo; poder hierárquico; poder disciplinar e
poder de polícia.

2 OS PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

PODER VINCULADO

Trata-se do dever da Administração de obedecer a lei em uma situação


concreta em que ela só possui esta opção (a Administração ca inteiramente
presa ao enunciado da lei). Só há um único comportamento possível, e ele é o
que a lei determina. O administrador não tem liberdade de atuação, apenas
deve seguir o que a lei prescreve.

Como se vê, na expedição destes atos, ca o administrador condicionado ao


que diz a norma legal, ou seja, não tem liberdade de ação, pois se o ato for
praticado sem observância de qualquer dado constante na lei, é nulo,
situação que pode ser reconhecida pela própria Administração, ou pelo
Judiciário mediante provocação do interessado

Segundo Hely Lopes Meirelles, “Poder vinculado ou regrado é aquele que o


Direito Positivo – a lei – confere à Administração Pública para a prática de
ato de sua competência, determinando os elementos e requisitos necessários
à sua formalização”.

PODER DISCRICIONÁRIO

Este poder permite uma margem de liberdade ao administrador que exercerá


um juízo de valor de acordo com critérios de conveniência e oportunidade.

Desse modo, o administrador, no caso concreto, avaliará a situação em que


deve agir, adotando o comportamento adequado. Tal poder é necessário,
uma vez que seria impossível que o legislador previsse todas as situações
possíveis para os vários comportamentos administrativos.

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Entretanto, é importante ressaltar que toda a atividade administrativa


encontra limites na legalidade, devendo tais prerrogativas ser praticadas nos
limites impostos pela lei, sob pena de ser reconhecida a arbitrariedade e,
consequentemente, a ilegalidade do ato.

Celso Antônio Bandeira de Mello de ne os contornos deste princípio.


Segundo ele “a Administração ao atuar no exercício de discrição, terá que
obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional, em sintonia com o
senso normal de pessoas equilibradas e respeitosas das nalidades que
presidiram a outorga da competência exercida.

PODER NORMATIVO

Através deste poder a Administração pode expedir atos normativos.


Portanto, o poder que a Administração Pública tem para editar atos
normativos é o poder normativo ou regulamentar, e os atos normativos
advêm do Poder Executivo (Administração Pública).

São atos normativos: os regulamentos, as instruções, as portarias, as


resoluções, os regimentos etc. Dependem de lei anterior para serem
editados. Logo, o poder normativo é derivado da lei, do ato normativo
originário.

PODER HIERÁRQUICO

A hierarquia e consequentemente o poder hierárquico existem no âmbito das


atividades administrativas e compreende a prerrogativa que tem a
Administração para coordenar, controlar, ordenar e corrigir as atividades
administrativas dos órgãos e agentes no seu âmbito interno.

Não há hierarquia entre os Poderes do Estado (não há hierarquia entre


Legislativo, Executivo e Judiciário), há distribuição de competênciasé.

Pela hierarquia é imposta ao subalterno a estrita obediência das ordens e


instruções legais superiores, além de se de nir a responsabilidade de cada
um.

Do poder hierárquico são decorrentes certas faculdades implícitas ao


superior, tais como dar ordens e scalizar o seu cumprimento, delegar e

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avocar atribuições e rever atos dos inferiores.

Segundo Hely Lopes Meirelles, “Poder hierárquico é o de que dispõe o


Executivo para distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, ordenar e
rever a atuação de seus agentes estabelecendo a relação de subordinação
entre os servidores de seu quadro de pessoal”.

PODER DISCIPLINAR

É o poder atribuído a Administração Pública para aplicar sanções


administrativas aos seus agentes pela prática de infrações de caráter
funcional.

O poder disciplinar abrange somente sanções administrativas, como por


exemplo, a advertência, a multa, a suspensão e a demissão. De toda forma,
não se pode esquecer que existem sanções penais e civis que podem ser
aplicadas ao caso concreto, embora não façam parte do poder disciplinar.

Em regra, é um poder que se dirige àqueles sujeitos à autoridade interna da


Administração Pública, poder interno. Mas, segundo alguns, também pode
ser aplicado ao particular sujeito à disciplina da Administração e aos
contratados da Administração.

Em geral o poder disciplinar é discricionário de forma limitada. Outorga-se à


Administração a possibilidade de avaliar, no momento da aplicação da pena,
qual será a sanção correta, assegurado o contraditório e a ampla defesa, e
qual será a quanti cação da sanção.

PODER DE POLÍCIA

Poder de polícia é o poder conferido à Administração, para restringir, frenar,


condicionar, limitar o exercício de direitos e atividades econômicas dos
particulares para preservar os interesses da coletividade.

O poder de polícia abrange, ou se materializa, por atos gerais ou individuais.


O ato geral é aquele que não tem um destinatário especí co, está relacionado
com toda a coletividade, por outro lado, o poder de polícia pode se
materializar por ato individual, ou seja, aquele ato que tem um destinatário
especí co, situação concreta de cada indivíduo.

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Em geral, o poder de polícia deve prevenir danos e prejuízos que possam


dani car o bem-estar social, limitando os direitos individuais de liberdade e
propriedade dos particulares.

3 CONCLUSÃO

Os Poderes Administrativos são instrumentos que a Administração Pública


dispõe para consecução do interesse público. São verdadeiros deveres para a
Administração Pública, pois são conferidos instrumentos a serem utilizados
para alcance do bem da coletividade.

Os poderes da Administração Pública, previstos no ordenamento jurídico,


são de cumprimento obrigatório e instrumentos de sua atuação. O poder
regulamentar é exercido privativamente pelos Chefes do Poder Executivo na
edição de decretos de execução ao el cumprimento à lei. O poder
hierárquico é atribuído para a Administração Pública organizar-se.

O poder disciplinar prevê a aplicação de penalidade aos agentes pela prática


de infrações funcionais, cuja apuração é ato vinculado por meio de
sindicância ou processo administrativo disciplinar e cuja aplicação da
penalidade é ato discricionário. O poder de polícia limita e disciplina o
exercício de interesses, atividades, bens e direitos individuais ou coletivos, é
exercido pela polícia administrativa e pode ter caráter regulamentar ou
autônomo.

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DI PIETRO, Maria Sylvia. Direito Administrativo. São Paulo, Editora Atlas,


2014.

MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo brasileiro. 24ª edição, São


Paulo, Editora Malheiros, 2010.

MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. São


Paulo, Editora Malheiros, 2004

OAB Dicas, Breve análise dos poderes da administração pública, Disponível


em: https://www.em.com.br/app/noticia/direito-e-

https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/10429/Poderes-da-Administracao-Publica 5/7