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SISTEMA DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA EM UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA COOPERATIVA: ANÁLISE DA VIABILIDADE ECONÔMICA E

SISTEMA DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA EM UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA COOPERATIVA: ANÁLISE DA VIABILIDADE ECONÔMICA E DA PERCEPÇÃO DOS SEUS ASSOCIADOS

Área Temática: Administração

Modalidade: Artigo Científico

Mileide Klitzke Gimenez (UNIOESTE) mileide_123@hotmail.com Geysler Rogis Flor Bertolini (UNIOESTE) geysler.bertolini@unioeste.br>

Resumo Neste artigo objetiva-se avaliar a viabilidade econômica para implantação de um sistema de energia fotovoltaica em uma instituição financeira cooperativa, além disso, visto tratar-se de uma Cooperativa, objetivou-se conhecer a percepção dos associados em relação a essa implantação. A pesquisa é de cunho descritiva e quantitativa, feita a partir de um levantamento bibliográfico das pesquisas na área, levantamento de custos para implantação do sistema de energia solar fotovoltaica e de um questionário contendo 33 questões assertivas, aplicado à uma amostra estratificada, totalizando 400 associados. Para a tabulação e análise dos dados utilizou-se planilhas eletrônicas e aplicação do Teste de Independência Qui- Quadrado, calculado por meio do software Action Stat. Os resultados obtidos por meio da análise de fluxo de caixa do projeto e do valor presente líquido (VPL), da Taxa Interna de Retorno (TIR) e do Índice de Lucratividade (IL), demonstram que a instalação do sistema de energia solar fotovoltaica é viável, além disso, conclui-se que a instalação de tal sistema, é percebida e valorizada pelos associados da Cooperativa.

Palavras chave: Sustentabilidade, Viabilidade, Percepção, Energia Fotovoltaica

1 Introdução

Devido ao incremento das atividades econômicas, a demanda por energia tem aumentado em todo o mundo (PINTO; AMARAL; JANISSEK, 2016). A luz do conceito de desenvolvimento sustentável, há necessidade de pensar nas alternativas que sejam economicamente viáveis, eficientes e ambientalmente corretas. A energia solar é a mais interessante, especialmente por ser uma fonte de energia limpa e inesgotável (BORGES; CHOTOE; VARELA, 2014; SHUKLA; SUDHAKAR; BAREDAR, 2016). Apesar disso, Santos (2009) ressalta que há desafios na criação de uma forma eficiente de converter a radiação solar em energia útil as necessidades humanas. As alternativas conhecidas até o

momento possuem custos mais elevados quando comparados as fontes de energias tradicionais (ORTIZ, 2013; SÁNCHEZ,

momento possuem custos mais elevados quando comparados as fontes de energias tradicionais (ORTIZ, 2013; SÁNCHEZ, 2013). De acordo com Iga e Iga (2015), o recurso solar como fonte de eletricidade, depende das condições climáticas e do padrão de consumo. Corroborando, Santos (2009) salienta que as condições climáticas são fatores de relevância considerando que a distribuição da irradiação solar sobre o planeta não ocorre de forma uniforme, entretanto, pela localização geográfica o Brasil se beneficia da disponibilidade desta fonte de energia já que está em uma zona privilegiada pela exposição solar. Dados retirados do Balanço Energético Nacional, denotam que a energia solar representa menos de 1% da matriz energética brasileira, contudo, devido a incentivos regulatórios, como por exemplo, compensação da energia excedente produzida, houve crescimento com destaque para a fonte de energia solar fotovoltaica (EPE, 2016). Outro dado importante constante no Balanço Energético Nacional, refere-se aos setores que utilizam a energia no Brasil, aproximadamente 70% de toda energia produzida é consumida pela indústria; comércio & serviço e transporte. Pelo consumo significativo de energia e considerando o papel de promotoras do desenvolvimento sustentável, o setor produtivo pode contribuir para o aumento da energia fotovoltaica no Brasil. Neste cenário, incluem-se as instituições financeiras que, embora inicialmente passaram à considerar o meio ambiente em seu modelo de negócio por imposição governamental e regulatória, possuem papel fundamental, pois, além de avaliarem os impactos ambientais decorrentes de seus processos, são agentes essenciais da sustentabilidade, tendo em vista que direta ou indiretamente financiam a atividade econômica (DE PAIVA, 2010). A vista da necessidade de se fomentar novas fontes de energia, e considerando que apesar de pouco expressiva a energia solar apresentou crescimento nos últimos anos, esta pesquisa apresenta a seguinte pergunta de pesquisa: Existe viabilidade econômica para a implantação de um sistema de energia fotovoltaica em uma agência de uma Instituição Financeira Cooperativa na cidade de Toledo-PR? A partir da questão de pesquisa, este trabalho objetiva avaliar a viabilidade econômica para a implantação de um sistema de energia fotovoltaica em uma agência de uma Instituição Financeira Cooperativa na cidade de Toledo-PR, e como objetivo específico, considerando que a organização objeto deste estudo é uma Cooperativa, torna-se pertinente conhecer a percepção dos associados em relação a implantação deste sistema. Estruturou-se o estudo em referência nas seguintes seções: na segunda, é apresentado a fundamentação teórica sobre o tema, em seguida, é descrita a metodologia de pesquisa e após a análise dos resultados. Finalmente, apresentam-se as considerações finais deste estudo e suas limitações.

2 Fundamentação Teórica

Este capítulo contempla as bases teóricas que embasaram este estudo, iniciando com as práticas de sustentabilidade nas organizações, as experiências anteriores de implantação de

energia fotovoltaica e finalizando com a percepção ambiental dos clientes. 2.1 Práticas de sustentabilidade nas

energia fotovoltaica e finalizando com a percepção ambiental dos clientes.

2.1 Práticas de sustentabilidade nas organizações

Nos dois últimos séculos o crescimento econômico se deu com base na prosperidade material, sucesso individual, tecnologias e variedades a disposição do consumidor, onde as empresas, meios de comunicação e governos promoveram uma cultura fundamentada no consumismo, ou seja, houve influência das empresas no padrão de consumo atual (MICHAELIS, 2003). Atualmente as discussões que envolvem a sustentabilidade apontam a cultura do consumo como um dos principais fatores dos problemas socioambiental (DE OLIVEIRA; CORREIA; GOMEZ, 2016). Os padrões atuais são insustentáveis já que, embora sabendo que os recursos naturais são finitos, há exploração excessiva (ABRAMOVAY,

2012).

O relatório de Brundland (1987) conceitua desenvolvimento sustentável como “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. A partir disso, novos papéis são atribuídos às organizações, fruto das alterações de valores e ideologias da sociedade, onde além do econômico, as variáveis sociais e ambientais fazem parte da gestão empresarial (DONAIRE, 1994; TOSINI, VENTURA; CUOCO, 2008). Segundo Michaelis (2003) as organizações possuem papel fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável por meio das próprias práticas, como por exemplo, otimização de energia, água e gestão de resíduos, que podem contribuir para o desenvolvimento sustentável, pois, reduzindo o custo e utilização dos recursos, influenciam na consciência ambiental e padrões de consumo de seus stakeholders. Para isso, deve-se haver um equilíbrio entre o desenvolvimento de serviços, produtos e processos ambientalmente corretos e que simultaneamente satisfaçam as necessidades dos consumidores (NASCIMENTO; LEMOS; MELLO, 2008). A comunidade empresarial na maioria das vezes interpreta a questão sustentável, apenas sob a ótica do produto sustentável, esquecendo-se que por meio da eco eficiência as organizações estão contribuindo para desenvolvimento sustentável (MICHAELIS, 2003). Este olhar ao “produto” talvez seja explicado pelo fato de que a percepção do cliente à variável ambiental está mais sensível ao produto e não ao processo produtivo (BERTOLINI et al., 2013). Contudo, Lacoste (2016) aponta que a sustentabilidade envolve todo o processo de produção, definindo como “oferta completa”, ou seja, não apenas o produto em sim, mas todos os elementos envolvidos até a oferta ao consumidor final.

2.2 Experiências anteriores de implantação de energia fotovoltaica

Pinto, Amaral, e Janissek, (2016), ressaltam que a energia solar apresenta viabilidade financeira em tempo razoavelmente curto desde que sejam implantadas em condições adequadas de exposição solar. Além disso, apesar de ser a fonte mais abundante de energia na

Terra, existem fatores (poeira, umidade, sombreamento, poluição, entre outros) que reduzem a radiação solar que

Terra, existem fatores (poeira, umidade, sombreamento, poluição, entre outros) que reduzem a radiação solar que passa pela atmosfera terrestre (IGA; IGA, 2015).

A energia fotovoltaica está sendo utilizada por países europeus como Alemanha, a

pelo menos 30 anos demonstrando confiabilidade de geração e durabilidade. Segundo Santos (2009), trata-se de uma alternativa de energia limpa que utiliza diretamente a radiação solar. Corroborando, Cabral, Pinheiro e Leite (2015) apontam que em um sistema fotovoltaico, a dependência básica é a intensidade da luz e não necessariamente o brilho do sol incidindo diretamente sobre as placas, ou seja, em dias nublados basta ter a reflexão da luz do sol. Borges, Chotoe e Varela (2014) analisaram e compararam os custos econômicos das fontes de geração de energia disponíveis no Brasil, tendo em vista que a demanda por energia tem aumentado (média anual de 5% nos últimos 20 anos). Os resultados apontam que os menores custos estão nas fontes de energia solar e eólica, além do baixo custo, são consideradas fontes de energias renováveis.

A pesquisa de Cabral, Pinheiro e Leite (2015) buscou verificar a existência de

viabilidade na implantação de mini usinas fotovoltaicas com mini redes de distribuição a luz

do projeto Luz para Todos, nas regiões isoladas da Amazônia, por meio, da comparação entre

as matérias primas para a geração de energias. Os resultados da pesquisa denotam que existe viabilidade tecnologia, independentemente da localização do empreendimento. Além disso, os autores salientam que a forma de geração centralizada de energia no Brasil, pautado em unidades geradoras, acarretam custos consideráveis e aumentados quando comparados aos sistemas fotovoltaicos. Iga e Iga (2015) analisaram a implantação de um sistema fotovoltaico em duas residências na área metropolitana de Monterrey, Nuevo León, México, sendo uma das casas caracterizada pelo baixo grau de consumo e outra com elevado grau consumo. Os resultados demonstraram que na casa de alto grau de consumo, a recuperação do investimento é de no mínimo 15,8 anos, considerando a TIR em 4%, e seriam necessários 26 painéis fotovoltaicos, já na casa de baixo grau de consumo, o investimento não seria recuperável, tendo em vista que as tarifações de energia variam de acordo com o consumo, além de que neste país há políticas de subsidio governamental para os menos favorecidos.

Já Ortiz (2013), não encontrou viabilidade econômica na implantação de sistemas

fotovoltaicos em uma escola na cidade de Bogotá, Colômbia. O autor argumenta que os custos de aquisição e instalação destes sistemas, ainda são altos quando comparados as alternativas tradicionais. Neste sentido, Proença (2007), faz uma análise das perspectivas de evolução dos sistemas fotovoltaicos e dos mercados associados a essa tecnologia. O autor conclui que devido aos custos elevados, o fotovoltaico só deverá ter um papel importante no fornecimento de energia global, a partir de 2020. Varella, Cavaliero e Silva (2008), enfatizam que o governo brasileiro têm incentivado o uso dos sistemas fotovoltaicos, contudo, na opinião dos autores, o país necessita de um

mecanismo regulatório específico de fomento, podendo ocorrer por meio de incentivos fiscais ou financeiros, como acontece em alguns países no mundo. Sánchez (2013) estabeleceu uma tarifa de alimentação residencial com o objetivo de incentivar a produção de energia fotovoltaica em Bogotá, Colômbia. Para realização dos

cálculos, utilizou a análise de ponto de equilíbrio proposta por Rigter e Vidican (2010), combinada

cálculos, utilizou a análise de ponto de equilíbrio proposta por Rigter e Vidican (2010), combinada com a representação de uma instalação fotovoltaica desenhada no programa Homer Energy. Os resultaram demonstram uma tarifa de alimentação de 4.359 pesos o quilowatt hora para um sistema fotovoltaico de 3 KW. O autor considera o valor relativamente alto, quando comparado as opções de energia tradicional e aos aspectos econômicos do estado colombiano, contudo, abre espaço para explorar programas piloto e estruturas alternativas.

2.3 Percepção ambiental dos clientes

As organizações podem obter vantagens competitivas na inclusão da variável ambiental em seus modelos de negócios, sendo uma das alternativas a produção mais limpa, ou seja, na execução de suas atividades produtivas, procurar causar o menor impacto possível ao meio ambiente. Isso envolve adequação contínua visando a prevenção à geração de resíduos e diminuição no uso de matéria-prima, água e energia (GARCIA et al., 2008). Para Monteiro et al., (2012), as organizações que visualizam vantagens competitivas por meio de postura ecológica devem adequar seus processos, produtos, preços, promoções e distribuição ecológica a fim de que seja percebida pelo consumidor verde. Contudo, conforme registrado por Bertolini, Possamai e Brandalise (2009), é necessário que o público alvo perceba e valorize essas ações. Ou seja, incorporar a variável ambiental no modelo de negócios, só terá vantagens para a organização, se houver percepção e valorização por parte do consumidor final. Assim, conhecer a percepção do consumidor em relação a variável ambiental, torna-se bastante importante, pois, fornece subsídio à tomada de decisão, no que diz respeito ao lançamentos de produtos e serviços, bem como, alterações nos processos internos (BRANDALISE; LEZANA; ROJO, 2009). Além disso, Monteiro et al. (2012), apontam que conhecer o comportamento do consumidor envolve aspectos relacionados às crenças e valores presentes no cotiado a que estão inseridos.

3 Metodologia

O estudo classifica-se como uma pesquisa aplicada, considerando que objetiva a geração de conhecimento para aplicação prática na solução de problemas específicos, envolvendo interesses locais (Silva e Menezes, 2005). Em relação aos objetivos, a pesquisa é caracterizada como descritiva, tendo em vista que tem por finalidade descrever as características de uma população e/ou fenômeno e estabelecer relação entre as variáveis (Beuren, 2009). Quanto a abordagem do problema, configura-se como quantitativa, pois visa medir a percepção dos associados em relação a implementação de um sistema de energia solar fotovoltaica. O estudo foi desenvolvido em uma agência de uma Instituição Financeira Cooperativa, na cidade de Toledo-PR. O levantamento de custos, compreendeu a apuração do consumo de energia do último ano que foi fornecido pela própria Cooperativa, informação básica para

dimensionamento do sistema de energia fotovoltaica. Considerando que os pesquisadores não possuem expertise na área

dimensionamento do sistema de energia fotovoltaica. Considerando que os pesquisadores não possuem expertise na área de engenharia, buscou-se orçamentos em empresas especializadas em painéis fotovoltaicos. Foram providenciados três orçamentos, confeccionados a partir do histórico de consumo para definição da quantidade de placas fotovoltaicas, e dos dados de irradiação solar fornecidos pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial). Para este estudo, considerou-se o orçamento de menor valor. Para os cálculos de viabilidade econômica, optou-se por utilizar as técnicas de análise de investimento: Taxa Interna de Retorno (TIR), Valor Presente Líquido (VPL) e considerou- se a taxa SELIC como Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Considerou-se também o reajuste médio da tarifa de energia elétrica dos últimos 10 anos disponibilizada pela Companhia de energia elétrica local COPEL. Para analisar a percepção dos associados, optou-se pela aplicação de um questionário estruturado, dividido em três grupos: no primeiro, coletaram-se os dados pessoais e características socioeconômicas; no segundo, informações relacionadas a conduta ambiental no cotidiano e seu comportamento de compra considerando a variável ambiental; e o terceiro, informações sobre a valorização da conduta das organizações em relação a variável ambiental. Os estudos utilizados como base para realização da revisão de literatura deste artigo, abordaram quatro variáveis principais (Tabela 1), condições climáticas e exposição solar; custos e cálculos de viabilidade; consumo médio e dimensionamento dos sistema (quantidade de placas necessárias pra suprir a demanda energética) e regulações e incentivos para a energia solar fotovoltaica. Não foram identificados estudos que contemplem a implementação da energia solar fotovoltaica por organizações com o intuito de obtenção de vantagem competitiva, dessa forma, torna-se importante conhecer a percepção dos stakeholders envolvidos (especificamente os clientes). Assim, a vantagem competitiva pode impulsionar a organizações a implementarem práticas sustentáveis em seus negócios.

Variáveis

Frequência

Autores

Condições climáticas, radiação solar

Levantamento de custos e viabilidade (Payback, TIR, VPL)

Legislação, incentivos, e/ou experiência internacional Consumo médio e Dimensionamento do sistema

61%

54%

54%

46%

(ALVES, 2008); (CABRAL; PINHEIRO; LEITE, 2015); (IGA; IGA, 2015); (MARQUES et al., 2012); (ORTIZ, 2013); (PINTO; AMARAL; JANISSEK, 2016); (SANTOS, 2009); (SANTOS; FERREIRA, 2015). (ALVES, 2008); (BARP; SEHNEM; BENCKE, 2014); (BORGES; CHOTOE; VARELA, 2014); (IGA; IGA, 2015); (ORTIZ, 2013); (PINTO; AMARAL; JANISSEK, 2016); (SÁNCHEZ, 2013). (BARP; SEHNEM; BENCKE, 2014); (MARQUES et al., 2012); (ORTIZ, 2013); (PROENÇA, 2007); (SÁNCHEZ, 2013); (VARELLA et al., 2008). (ALVES, 2008); (BARP; SEHNEM; BENCKE, 2014); (IGA; IGA, 2015); (PINTO; AMARAL; JANISSEK, 2016); (SANTOS,

2009); (SANTOS; FERREIRA, 2015).

Tabela 1 - Variáveis em estudos relacionados a implantação de sistemas de energia fotovoltaica

Fonte: Pesquisa (2016)

As perguntas foram estruturadas de duas formas: questões com múltiplas escolhas,

com a possibilidade de incluir alternativas que não forma pré-definidas e questões com escala Likert.

com a possibilidade de incluir alternativas que não forma pré-definidas e questões com escala Likert.

A escala Likert, segundo Malhotra (2011), são escalas equilibradas de cinco pontos,

com números iguais de categorias de concordância e discordância, além de permitir respostas neutras. Usadas para medição do grau de concordância ou discordância à afirmações específicas. Nesta pesquisa, para a segunda etapa do questionário, empregou-se os rótulos:

Sempre, Frequentemente, Algumas Vezes, Pouquíssimas Vezes e Nunca, para a terceira etapa, empregou-se: Concordo Totalmente, Concordo Parcialmente, Não concordo e nem discordo, Discordo Parcialmente e Discordo Totalmente. Atualmente a Cooperativa com 20.029 associados, já implementou algumas ações visando diminuir os impactos que seu processo produtivo causa ao meio ambiente, uma delas

é a compensação de CO2 por meio do plantio de árvores. Para cálculo da amostra, assegurando um nível de confiança de 95% e a margem de erro de 5%, o cálculo resultou em uma amostra mínima de 392 associados, considerando que a Cooperativa atende três segmentos distintos, optou-se pela amostra estratificada proporcional, sendo que foram aplicados 432 questionários, destes 32 foram invalidados por não estarem completamente preenchidos. Dessa forma, a amostra considerada para a pesquisa foi de 88 associados do segmento Agro, 264 do segmento Pessoa Física e 48 associados Pessoas Jurídicas, totalizando 400 associados pesquisados. A aplicação da pesquisa ocorreu entre os dias 14 a 22 de Julho de 2016, durante as reuniões de Prestação de Contas, após o registro da presença no evento, o questionário foi entregue aos que se dispuseram à participar. Após a coleta de dados, os questionários foram tabulados em planilhas eletrônicas, em seguida avançou-se para a análise exploratória dos dados mediante a elaboração de tabelas de distribuição de frequência e tabelas de dupla-entrada objetivando o cruzamento entre as variáveis qualitativas. Com o intuito de verificar a existência ou não de relação entre as variáveis qualitativas, aplicaram-se testes de independência (qui-quadrado) a 5% (α%) de

significância no software Action Stat 3.1. Deste modo, quando o p-valor calculado for superior ao α%, quer dizer que a relação entre as variáveis não é significativa e não rejeita-se

a hipótese nula, já o contrário, expressa que a relação entre as variáveis é significativa e rejeita-se a hipótese nula.

4 Apresentação e análise dos resultados

A análise dos dados foi dividida em duas etapas, a primeira relacionada aos cálculos

para verificação da viabilidade econômica e a segunda a respeito da percepção dos associados.

4.1 Dimensionamento e viabilidade de um sistema fotovoltaico

A estrutura física da agência é composta por dois pavimentos, sendo 245,9 m² no

térreo e 231,25 m² no pavimento superior.

O histórico de consumo fornecido para elaboração dos orçamentos (Tabela 2), demonstra que os meses

O histórico de consumo fornecido para elaboração dos orçamentos (Tabela 2), demonstra que os meses com menores consumos são de Junho a Agosto, possivelmente, meses em que a utilização do ar condicionado é reduzida, devido ao inverno.

Mês

Consumo em kWh

Consumo em Reais (R$)

Janeiro-15

5.066

2.535,61

Fevereiro-15

5.230

2.770,92

Março-15

4.558

2.532,31

Abril-15

5.263

3.679,13

Maio-15

4.442

3.369,31

Junho-15

3.606

2.745,04

Julho-15

3.467

2.641,26

Agosto-15

2.878

2.466,56

Setembro-15

4.124

3.487,87

Outubro-15

4.560

3.786,31

Novembro-15

4.728

3.978,51

Dezembro-15

4.739

4.001,18

Tabela 2 - Histórico de consumo de energia elétrica

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Com base no orçamento de menor valor (Tabela 3) o custo estimado para implantação de um sistema fotovoltaico é de R$ 157.937,50, além dos custos de adequações elétricas e de infraestrutura estimados em R$ 15.000,00.

Descrição

Custo (R$)

96 Módulos Policristalino Canadian CS6P 265W Inversor ABB Trio 27.6-TL-OUTD Quadro elétrico de proteção em corrente contínua Estruturas Metálicas em Alumínio e Aço Inox Monitoramento Web Adequações de infraestrutura Total

157.937,50

15.000,00

172.937,50

Tabela 3 - Levantamento de custos para implantação de um sistema fotovoltaico

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Outras informações técnicas, constantes no orçamento (Tabela 4), consiste na média de consumo atendida pelo sistema fotovoltaico (87%). O orçamento também apresenta garantia de performance mínima de 90% nos primeiros 10 anos e 80% em 25 anos.

  Radiação Global Radiação Solar no PL 22°AZ. 0° Produção Produção do Consumo Consumo
 

Radiação Global

Radiação Solar no PL 22°AZ. 0°

Produção

Produção do

Consumo

Consumo

Solar Horizontal

Específica

Sistema

Estimado

Mês

[kWh/m²]

[kWh/m²]

kWh

kWh

kWh

%

Janeiro

170,1

156

135,72

3.452,72

3.854

89,59%

Fevereiro

174,9

168,9

146,94

3.738,23

3.854

97,00%

Março

157,5

164,1

142,77

3.631,99

3.854

94,24%

Abril

137,4

158,1

137,55

3.499,20

3.854

90,79%

Maio

114,3

144

125,28

3.187,12

3.854

82,70%

Junho

93,3

121,5

105,71

2.689,14

3.854

69,78%

Julho

108,3

140,4

122,15

3.107,45

3.854

80,63%

Agosto

117,6

139,2

121,1

3.080,89

3.854

79,94%

Setembro

124,2

132,6

115,36

2.934,81

3.854

76,15%

Outubro

163,2

161,4

140,42

3.572,23

3.854

92,69%

Novembro

175,8

163,2

141,98

3.612,07

3.854

93,72%

Dezembro

191,7

172,5

150,08

3.817,91

3.854

99,06%

Total

1728,3

1821,9

1.585,05

40.323,75

46.248

87,19%

Média mensal

144,03

151,83

132,09

3.360,31

3.854

87,19%

Tabela 4: Consumo médio atendido pelo sistema de energia fotovoltaica

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Considerando essas informações o payback simples do investimento é estimado em 5 anos e 3 meses, tempo razoavelmente curto em relação ao total investido. O investimento em um sistema de energia fotovoltaica para o objeto em estudo, apresenta viabilidade econômica, visto que a Taxa Interna de Retorno (TIR) é maior que a Taxa Mínima de Atratividade (TMA), sendo 25,84% e 14,00% respectivamente. O VPL deste projeto é de R$ 204.288,31, além disso, o Índice de Lucratividade (IL) resultou em 2,18 (Tabela 5).

Investimento inicial

R$ R$ 172.937,50

Consumo atual (87%)

R$

33.054,81

Reajuste médio (2006 - 2016)

7,06%

TMA

14,00%

VPL

R$ 204.288,31

TIR

25,84%

IL

2,18

Tabela 5 - Análise da viabilidade para instalação de um sistema fotovoltaico para 25 anos

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

4.2 Percepção dos associados

Inicialmente, buscou-se identificar as características da amostra estudada. No total geral há um equilíbrio entre os gêneros, sendo 201 pertencentes ao gênero masculino e 199 ao gênero feminino.

Figura 1 – Gênero por segmento Fonte: Dados da pesquisa (2016) Dentre os segmentos, o
Figura 1 – Gênero por segmento Fonte: Dados da pesquisa (2016) Dentre os segmentos, o

Figura 1 – Gênero por segmento

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Dentre os segmentos, o gênero masculino se destaca no segmento Agro representado por 67,05%, enquanto que o feminino acentua-se no segmento Pessoa Física, representado por 55,68%, conforme evidenciado na Tabela 6.

Segmento

(%) Masculino

(%) Feminino

Total Geral

Agro

67,05

32,95

88

Pessoa Física

44,32

55,68

264

Pessoa Jurídica

52,08

47,92

48

Total Geral

50,25

49,75

400

Tabela 6 - Gênero dos pesquisados

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Em relação a idade dos entrevistados, do total geral há concentração nas faixas de 31 a 40 anos, com 25,5% do total amostrado e 41 a 60 anos, representada por 34,5% dos entrevistados. A faixa etária com maior representativa é a de 41 a 60 anos, sendo, 36,36% no segmento Agro, 31,82% na Pessoa Física e 45,83% na Pessoa Jurídica. Já a faixa etária com menos representatividade dos três segmentos é o público até 20 anos, sendo representada por 4,55% no segmento Agro, 8,33% na Pessoa Física e 4,17% na Pessoa Jurídica, (Figura 1).

8,33% na Pessoa Física e 4,17% na Pessoa Jurídica, (Figura 1). Figura 2 - Faixa Etária

Figura 2 - Faixa Etária

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

No que diz respeito ao grau de instrução, a maior ocorrência no total geral é

No que diz respeito ao grau de instrução, a maior ocorrência no total geral é percebida na alternativa até o ensino médio, significando 35% das respostas. Nos segmentos Agro e Pessoa Física, esse destaque permanece, representado por 40,91% e 34,85% das respostas respectivamente. Já no segmento Pessoa Jurídica, percebe-se maior incidência no nível de escolaridade pós-graduação, retratado por 33,33% dos pesquisados. Procedendo-se a análise dos dados, a renda familiar geral dos pesquisados enquadra-se na faixa de 4 a 6 salários mínimos, demonstrado por 40,25% das respostas. Essa faixa salarial também é evidenciada como a mais representativa em todos os segmentos, quando analisados de forma individual. Caracterizado o perfil da amostra, a próxima etapa avaliou a conduta ambiental no cotidiano e o comportamento de compra considerando a variável ambiental (Tabela 7). Com relação ao consumo, os entrevistados foram questionados quanto ao seu próprio comportamento, a maioria dos pesquisados (71,5%) considera que compra o suficiente, 12,5% consideram que seu padrão de consumo é aceitável quando comparado aos outros, 9% considera que compra mais do que precisa, 5% acha que compra menos do que necessita, e apenas 1,75% admite comprar por impulso.

Segmento

Compra menos do que

Compra o

suficiente

Aceitável quando

comparado com

Compra mais

do que

Compra

por

Total

Geral

necessita

os outros

necessita

impulso

Agro

0,00%

18,00%

3,00%

0,75%

0,25%

22,00%

Pessoa

Física

4,25%

46,00%

8,25%

6,00%

1,50%

66,00%

Pessoa

Jurídica

0,75%

7,50%

1,50%

2,25%

0,00%

12,00%

Total

Geral

5,00%

71,50%

12,75%

9,00%

1,75%

100%

Tabela 7 - Percepção em relação ao próprio comportamento de consumo

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Outra questão abordada relacionada ao comportamento do cotidiano, diz respeito ao ato de desligar as luzes e aparelhos após o uso (Tabela 8), a escolha pela alternativa “Sempre” se deu por 59,09% do segmento Agro, 68,56% dos associados Pessoa Física e 68,75% da Pessoa Jurídica.

Segmento

Sempre

Frequentemente

Algumas

Pouquíssimas

Nunca

Total Geral

vezes

vezes

Agro

59,09%

29,55%

6,82%

3,41%

1,14%

100%

Pessoa Física

68,56%

22,35%

6,82%

2,27%

0,00%

100%

Pessoa Jurídica

68,75%

22,92%

8,33%

0,00%

0,00%

100%

Total Geral

66,50%

24,00%

7,00%

2,25%

0,25%

100%

Tabela 8 - Desligar as luzes e aparelhos quando sai do ambiente

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Também perguntou-se aos entrevistados se na compra de aparelhos que demandam utilização de energia, a

Também perguntou-se aos entrevistados se na compra de aparelhos que demandam utilização de energia, a estimativa de consumo era verificada (Tabela 9). Os resultados demonstram que 46,59% dos segmentos Agro e Pessoa Física, “sempre” verificam essa questão, enquanto que no segmento Pessoa Jurídica, 47,92% dos entrevistado

Segmento

Sempre

Frequentemente

Algumas

Pouquíssimas

Nunca

Total Geral

vezes

vezes

Agro

46,59%

22,73%

18,18%

7,95%

4,55%

100%

Pessoa Física

46,59%

16,29%

17,42%

12,50%

7,20%

100%

Pessoa Jurídica

47,92%

31,25%

10,42%

8,33%

2,08%

100%

Total Geral

46,75%

19,50%

16,75%

11,00%

6,00%

100%

Tabela 9 - Verifica o consumo de energia quando da compra de um produto

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Em seguida, os pesquisados foram questionados quanto a consideração da variável ambiental no ato da compra, a concentração das respostas para o segmento Agro e Pessoa Física foi para a opção “Algumas Vezes”, sendo 47,73% e 37,88% respectivamente, enquanto que para Pessoa Jurídica a concentração se deu para a alternativa “Frequentemente” com

29,17%.

Segmento

Sempre

Frequentemente

Algumas

Pouquíssimas

Nunca

Total Geral

vezes

vezes

Agro

47,73%

15,91%

12,50%

13,64%

10,23%

100%

Pessoa Física

37,88%

17,05%

14,39%

17,42%

13,26%

100%

Pessoa Jurídica

25,00%

29,17%

12,50%

12,50%

20,83%

100%

Total Geral

38,50%

18,25%

13,75%

16,00%

13,50%

100%

Tabela 10 – Consideração da variável ambiental no ato da comproa

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Por meio do teste de independência Qui-quadrado, verificou-se que as variáveis segmento e consideração da variável ambiental no ato da compra, são independentes já que o p-valor (0,16) foi superior ao nível de significância de 5%, neste caso não rejeita-se a hipótese nula, ou seja, não há relação entre as variáveis. O teste foi possível considerando que todas as canselas apresentaram frequência observada acima de 5. Perguntou-se também quanto a valorização das posturas ecológicas por parte dos fabricantes ou prestadores de serviço, no ato da compra, os resultados demonstram que a concentração de resposta para os três segmentos está nas alternativas “Algumas Vezes” com 27,25% do total amostrado, e “Pouquíssimas vezes” com 23%. A menor concentração está em nunca com 15,25%, seguida por “Sempre” e “Frequentemente” com 17,25% cada uma.

Segmento Sempre Frequentemente A l g u m a s Pouquíssimas Nunca Total Geral vezes

Segmento

Sempre

Frequentemente

Algumas

Pouquíssimas

Nunca

Total Geral

vezes

vezes

Agro

11,36%

19,32%

28,41%

25,00%

15,91%

100%

Pessoa Física

17,80%

16,67%

27,27%

21,97%

16,29%

100%

Pessoa Jurídica

25,00%

16,67%

25,00%

25,00%

8,33%

100%

Total Geral

17,25%

17,25%

27,25%

23,00%

15,25%

100%

Tabela 10 - Valorização da postura ecológica das organizações no ato da compra

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Aplicou-se o teste de independência Qui-quadrado entre as variáveis segmento e valorização da postura ecológica das organizações no ato da compra, tendo em vista que o p- valor (0,65) é maior que o nível de significância de 5%, não rejeita-se a hipótese nula, e conclui-se que as variáveis estudadas são independentes. Contudo, aplicou-se o mesmo teste para as variáveis grau de instrução e valorização da postura ecológica das organizações no ato da compra, neste caso o p-valor (0,015) é menor que o grau de significância de 5%, assim, conclui-se que as variáveis são dependentes, ou seja, há relação significativas entre as duas variáveis. A pesquisa buscou saber a opinião dos entrevistados quanto a importância das empresas incorporarem práticas em seus negócios que visem a minimização dos impactos ao meio ambiente. A maioria dos três segmentos concordam totalmente com a assertiva, representada por 76,25% do total amostrado, 20% do total amostrado concordam parcialmente e, em nenhum dos segmentos houve a escolha da alternativa discordo totalmente.

 

Concordo

Concordo

Não concordo

Discordo

Discordo

Total

Segmento

totalmente

parcialmente

nem discordo

parcialmente

totalmente

Geral

Agro

70,45%

23,86%

4,55%

1,14%

-

100%

Pessoa Física

78,03%

18,94%

3,03%

0%

-

100%

Pessoa Jurídica

77,08%

18,75%

4,17%

0%

-

100%

Total Geral

76,25%

20%

3,50%

0,25%

-

100%

Tabela 11 - Importância das práticas sustentáveis nos negócios das empresas

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Tendo em vista que para aplicação do teste de independência Qui-quadrado não podem ocorrer frequências esperadas igual a zero, realizou-se adaptações na tabela para aplicação do teste em referência, desconsiderando a coluna discordo totalmente e juntando as colunas adjacentes: discordo parcialmente e não concordo e nem discordo. Verificou-se que as duas variáveis: Valorização da postura ecológica no ato da compra e Importância da inclusão de práticas sustentáveis nos negócios apresentaram relação, já que o p-valor (0,02) é menor que o nível de significância de 5%, dessa forma, rejeita-se a hipótese nula, e conclui-se que as variáveis estudadas são dependentes. Considerando isso, buscou-se saber a disposição dos entrevistados à pagar mais pela incorporação das práticas sustáveis nos negócios das empresas, os resultados demonstram concentração das respostas na alternativa “Concordo parcialmente”, representando 45% do

total amostrado, seguido pelas alternativas “Não concordo nem discordo” com 22%, e “Concordo totalmente” com

total amostrado, seguido pelas alternativas “Não concordo nem discordo” com 22%, e “Concordo totalmente” com 21,5%.

 

Concordo

Concordo

Não concordo

Discordo

Discordo

Total

Segmento

totalmente

parcialmente

nem discordo

parcialmente

totalmente

Geral

Agro

18,18%

46,59%

20,45%

9,09%

5,68%

100%

Pessoa Física

21,59%

43,18%

24,24%

7,95%

3,03%

100%

Pessoa Jurídica

27,08%

52,08%

12,50%

8,33%

0,00%

100%

Total Geral

21,50%

45%

22%

8,25%

3,25%

100%

Tabela 12 - Disposição em pagar mais pela incorporação de práticas sustentáveis nos negócios das empresas

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

A última etapa do questionário visou conhecer a percepção dos associados em relação a implantação de um sistema de energia solar fotovoltaica, bem como verificar se conhecem as ações já implantadas pela Cooperativa, pois a mesma já vem incorporando algumas ações visando minimizar os impactos causados ao meio ambiente derivadas de suas atividades. Além de produtos com viés ambiental (consórcio sustentável), a Cooperativa possui um programa de compensação de por meio de plantio de árvores e um programa de educação com crianças e adolescentes visando incorporar valores de cooperação e cidadania. Primeiramente, os entrevistados foram questionados quanto ao conhecimento das referidas ações, cerca de 43.56% dos entrevistados do segmento Pessoa Física; 42,05% do segmento Agro e 20,83% do segmento Pessoa Jurídica, conhecem as ações realizadas pela Cooperativa. Além disso, 21% do segmento Pessoa Jurídica; 20,45% do segmento Agro; e 18,94% dos entrevistados do segmento Pessoa Física, concordam parcialmente, neste caso, pode ser que conheçam apenas uma das duas ações. Do total amostrado, 19,5% não concordam nem discordam, 15% não conhecem e 5,5% discordam parcialmente.

discordam, 15% não conhecem e 5,5% discordam parcialmente.   Concordo Concordo Não concordo Discordo
 

Concordo

Concordo

Não concordo

Discordo

Discordo

Total

Segmento

totalmente

parcialmente

nem discordo

parcialmente

totalmente

Geral

Agro

42,05%

20,45%

14,77%

5,68%

17,05%

100%

Pessoa Física

43,56%

18,94%

18,56%

4,92%

14,02%

100%

Pessoa Jurídica

20,83%

20,83%

33,33%

8,33%

16,67%

100%

Total Geral

40,50%

19,50%

19,50%

5,50%

15,00%

100%

Tabela 13 - Conhecimento a respeitos das práticas sustentáveis da Cooperativa

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Foi perguntado aos entrevistados, se conheciam a energia solar por meio de painéis fotovoltaicos, onde 82% dos respondentes do segmento Agro, 79% da Pessoa Jurídica e 70% do segmento Pessoa Física, alegam que conhecem. Ainda, buscou-se saber se algum dos entrevistados já possuía tais painéis em suas residências, do total de respondentes, apenas 4,25% afirmaram que sim.

A pesquisa ainda buscou-se identificar o interesse em possuir um sistema de energia solar fotovoltaica,

A pesquisa ainda buscou-se identificar o interesse em possuir um sistema de energia

solar fotovoltaica, os resultados evidenciam que cerca de 80% dos segmentos Agro e Pessoa Jurídica, e 61% do segmento Pessoa Física apresentam interesse em um sistema de energia solar fotovoltaico. Aos associados que afirmaram interesse, solicitou-se que apontassem quais motivos fariam mudar de ideia, sendo que 45,75% apontaram os custos como impedimento, 30,62% apontaram prazo de retorno do investimento superior a 5 anos e 23,61% apontou a dificuldade de informação.

Segmento

Sim

Não

Total Geral

Agro

80,68%

19,32%

100%

Pessoa Física

60,98%

39,02%

100%

Pessoa Jurídica

81,25%

18,75%

100%

Total Geral

67,75%

32,25%

100%

Tabela 14 - Interesse em possuir um sistema solar fotovoltaico

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Questionou-se por fim, quanto a instalação de tal sistema na Cooperativa. A maioria aprova a instalação do sistema fotovoltaico na Cooperativa, tendo apenas 4 que discordaram e 36 optaram pela alternativa nula, não concordam e nem discordam. Uma questão interessante verificada é que 91 dos entrevistados que concordam totalmente com a instalação do sistema fotovoltaico na Cooperativa, não estão dispostos a instalar em suas residências.

 

Concordo

Concordo

Não concordo

Discordo

Discordo

Total

Segmento

totalmente

parcialmente

nem discordo

parcialmente

totalmente

Geral

Agro

69,32%

19,32%

11,36%

0,00%

0,00%

88

Pessoa Física

75,00%

16,67%

7,58%

0,76%

0,00%

264

Pessoa Jurídica

75,00%

8,33%

12,50%

0,00%

4,17%

48

Total Geral

73,75%

16,25%

9,00%

0,50%

0,50%

400

Tabela 15- Percepção em relação a instalação de um sistema fotovoltaico na Cooperativa

Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Pela aplicação do teste de independência Qui-quadrado, com adaptação da tabela pela junção das colunas adjacentes discordo totalmente e discordo parcialmente, não encontrou-se relação entre as variáveis: segmento e percepção em relação à instalação de um sistema fotovoltaico na Cooperativa, tendo p-valor (0,22) superior ao nível de significância de 5%, assim conclui-se que as variáveis são independentes, não tendo relação entre si.

5 Considerações finais

Este trabalho objetivou avaliar a viabilidade econômica em relação a implantação de um sistema fotovoltaico em uma das agências de uma Cooperativa de Crédito, bem como

conhecer a percepção dos associados em relação a implantação deste sistema em uma agência.

A partir dos resultados obtidos, conclui-se que existe viabilidade econômica para

implantação de tal sistema em uma instituição financeira cooperativa, com payback simples de 5 anos e 3 meses, além de um índice de lucratividade de 2,18, corroborando com Pinto, Amaral e Janissek, (2016), que afirmam que a energia solar fotovoltaica apresenta viabilidade

financeira em tempo razoavelmente curto desde que sejam implantadas em condições adequadas de exposição solar.

financeira em tempo razoavelmente curto desde que sejam implantadas em condições adequadas de exposição solar. Os resultados deste estudo são diferentes dos resultados alcançados por Iga e Iga

(2015) e Ortiz (2013), sendo que no primeiro estudo, a recuperação do investimento é de no mínimo 15,8 anos para a casa com alto padrão de consumo, e o investimento não é recuperável para a casa de baixo grau de consumo. E no segundo, não houve viabilidade para implantação de tal sistema em uma escola de Bogotá, Colombia.

A possibilidade de compensação de energia fornecido pelas companhias de energia

elétrica brasileiras é um dos mecanismos de incentivo à implementação da energia solar fotovoltaica, conforme apontado por Varella, Cavaliero e Silva (2008). Ainda assim, o país necessita de um mecanismo regulatório específico de fomento, podendo ocorrer por meio de

incentivos fiscais ou financeiros, como acontece em alguns países no mundo. Como resultado da percepção dos associados, evidenciou-se que se tratando de consumo de energia, há uma preocupação significativa tanto na hora da compra como na utilização dos produtos. Além disso, a maioria considera importante a incorporação de

práticas sustentáveis no cotidiano das organizações, e de certa forma, valorizam isso no ato da compra já que o somatório das alternativas “Sempre”, “Frequentemente” e “Algumas vezes”, representam 61% do total amostrado. Outro ponto interessante, é que existe a disposição em pagar mais pela incorporação de práticas sustentáveis, visto que somados as alternativas de concordância, representam 66,5% do total da amostra. Em relação as práticas sustentáveis já existentes na Cooperativa, 60% dos pesquisados conhecem alguma das ações realizadas, contudo, 40% ainda não conhecem nenhum das práticas já incorporadas. Conforme abordado no referencial teórico deste artigo, Bertolini, Possamai, e Brandalise (2009), apontam para a necessidade da percepção e valorização do público alvo, para que as ações se revertam em vantagem. Além disso, considerando o poder de influência que as organizações possuem na consciência ambiental e padrões de consumo de seus stakeholders, enfatizado por Michaelis (2003) é fundamental que a Cooperativa divulgue mais suas ações sustentáveis. Com relação ao sistema fotovoltaico, chama atenção que 26,5% da amostra não conhecem essa opção, contudo, há de se observar também que 4,55% já possui um sistema de energia solar fotovoltaica. Pelos resultados alcançados, pode-se concluir que os pesquisados valorizam essa ação, visto que 74% do total amostrado concordam totalmente com a implantação na Cooperativa.

A principal contribuição desta pesquisa é no sentido de demonstrar que na busca de

alternativas sustentáveis é possível ter retorno financeiro, além de acarretar em valorização

dos stakeholders. Por fim, como limitação deste estudo, aponta-se para a falta de expertise nas áreas de engenharia, por isso, o levantamento dos custos foi por orçamentos de empresas especializadas. Outra limitação encontrada nesta pesquisa, diz respeito à aplicação dos questionários, considerando a falta de disponibilidade dos pesquisadores, optou-se pela aplicação da pesquisa, nas reuniões de prestação de contas e nessas ocasiões os associados com menos tempo de associação não costumam comparecer.

Para trabalhos futuros, sugere-se a aplicação em outras Cooperativas, ou mesmo organizações de outros setores,

Para trabalhos futuros, sugere-se a aplicação em outras Cooperativas, ou mesmo organizações de outros setores, considerando que o setores produtivos consomem a maior parte da energia consumida no Brasil, e um dos fatores primordiais para viabilizar a implantação, é o consumo.

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