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SISTEMA DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA EM UMA

INSTITUIÇÃO FINANCEIRA COOPERATIVA: ANÁLISE DA


VIABILIDADE ECONÔMICA E DA PERCEPÇÃO DOS SEUS
ASSOCIADOS

Área Temática: Administração

Modalidade: Artigo Científico

Mileide Klitzke Gimenez (UNIOESTE) mileide_123@hotmail.com


Geysler Rogis Flor Bertolini (UNIOESTE) geysler.bertolini@unioeste.br>

Resumo
Neste artigo objetiva-se avaliar a viabilidade econômica para implantação de um sistema de
energia fotovoltaica em uma instituição financeira cooperativa, além disso, visto tratar-se de
uma Cooperativa, objetivou-se conhecer a percepção dos associados em relação a essa
implantação. A pesquisa é de cunho descritiva e quantitativa, feita a partir de um
levantamento bibliográfico das pesquisas na área, levantamento de custos para implantação do
sistema de energia solar fotovoltaica e de um questionário contendo 33 questões assertivas,
aplicado à uma amostra estratificada, totalizando 400 associados. Para a tabulação e análise
dos dados utilizou-se planilhas eletrônicas e aplicação do Teste de Independência Qui-
Quadrado, calculado por meio do software Action Stat. Os resultados obtidos por meio da
análise de fluxo de caixa do projeto e do valor presente líquido (VPL), da Taxa Interna de
Retorno (TIR) e do Índice de Lucratividade (IL), demonstram que a instalação do sistema de
energia solar fotovoltaica é viável, além disso, conclui-se que a instalação de tal sistema, é
percebida e valorizada pelos associados da Cooperativa.

Palavras chave: Sustentabilidade, Viabilidade, Percepção, Energia Fotovoltaica

1 Introdução

Devido ao incremento das atividades econômicas, a demanda por energia tem


aumentado em todo o mundo (PINTO; AMARAL; JANISSEK, 2016). A luz do conceito de
desenvolvimento sustentável, há necessidade de pensar nas alternativas que sejam
economicamente viáveis, eficientes e ambientalmente corretas. A energia solar é a mais
interessante, especialmente por ser uma fonte de energia limpa e inesgotável (BORGES;
CHOTOE; VARELA, 2014; SHUKLA; SUDHAKAR; BAREDAR, 2016). Apesar disso,
Santos (2009) ressalta que há desafios na criação de uma forma eficiente de converter a
radiação solar em energia útil as necessidades humanas. As alternativas conhecidas até o
momento possuem custos mais elevados quando comparados as fontes de energias
tradicionais (ORTIZ, 2013; SÁNCHEZ, 2013).
De acordo com Iga e Iga (2015), o recurso solar como fonte de eletricidade, depende
das condições climáticas e do padrão de consumo. Corroborando, Santos (2009) salienta que
as condições climáticas são fatores de relevância considerando que a distribuição da
irradiação solar sobre o planeta não ocorre de forma uniforme, entretanto, pela localização
geográfica o Brasil se beneficia da disponibilidade desta fonte de energia já que está em uma
zona privilegiada pela exposição solar.
Dados retirados do Balanço Energético Nacional, denotam que a energia solar
representa menos de 1% da matriz energética brasileira, contudo, devido a incentivos
regulatórios, como por exemplo, compensação da energia excedente produzida, houve
crescimento com destaque para a fonte de energia solar fotovoltaica (EPE, 2016). Outro dado
importante constante no Balanço Energético Nacional, refere-se aos setores que utilizam a
energia no Brasil, aproximadamente 70% de toda energia produzida é consumida pela
indústria; comércio & serviço e transporte.
Pelo consumo significativo de energia e considerando o papel de promotoras do
desenvolvimento sustentável, o setor produtivo pode contribuir para o aumento da energia
fotovoltaica no Brasil. Neste cenário, incluem-se as instituições financeiras que, embora
inicialmente passaram à considerar o meio ambiente em seu modelo de negócio por imposição
governamental e regulatória, possuem papel fundamental, pois, além de avaliarem os
impactos ambientais decorrentes de seus processos, são agentes essenciais da
sustentabilidade, tendo em vista que direta ou indiretamente financiam a atividade econômica
(DE PAIVA, 2010).
A vista da necessidade de se fomentar novas fontes de energia, e considerando que
apesar de pouco expressiva a energia solar apresentou crescimento nos últimos anos, esta
pesquisa apresenta a seguinte pergunta de pesquisa: Existe viabilidade econômica para a
implantação de um sistema de energia fotovoltaica em uma agência de uma Instituição
Financeira Cooperativa na cidade de Toledo-PR?
A partir da questão de pesquisa, este trabalho objetiva avaliar a viabilidade econômica
para a implantação de um sistema de energia fotovoltaica em uma agência de uma Instituição
Financeira Cooperativa na cidade de Toledo-PR, e como objetivo específico, considerando
que a organização objeto deste estudo é uma Cooperativa, torna-se pertinente conhecer a
percepção dos associados em relação a implantação deste sistema.
Estruturou-se o estudo em referência nas seguintes seções: na segunda, é apresentado a
fundamentação teórica sobre o tema, em seguida, é descrita a metodologia de pesquisa e após
a análise dos resultados. Finalmente, apresentam-se as considerações finais deste estudo e
suas limitações.

2 Fundamentação Teórica

Este capítulo contempla as bases teóricas que embasaram este estudo, iniciando com
as práticas de sustentabilidade nas organizações, as experiências anteriores de implantação de
energia fotovoltaica e finalizando com a percepção ambiental dos clientes.

2.1 Práticas de sustentabilidade nas organizações

Nos dois últimos séculos o crescimento econômico se deu com base na prosperidade
material, sucesso individual, tecnologias e variedades a disposição do consumidor, onde as
empresas, meios de comunicação e governos promoveram uma cultura fundamentada no
consumismo, ou seja, houve influência das empresas no padrão de consumo atual
(MICHAELIS, 2003). Atualmente as discussões que envolvem a sustentabilidade apontam a
cultura do consumo como um dos principais fatores dos problemas socioambiental (DE
OLIVEIRA; CORREIA; GOMEZ, 2016). Os padrões atuais são insustentáveis já que, embora
sabendo que os recursos naturais são finitos, há exploração excessiva (ABRAMOVAY,
2012).
O relatório de Brundland (1987) conceitua desenvolvimento sustentável como “o
desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das
gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. A partir disso, novos papéis são
atribuídos às organizações, fruto das alterações de valores e ideologias da sociedade, onde
além do econômico, as variáveis sociais e ambientais fazem parte da gestão empresarial
(DONAIRE, 1994; TOSINI, VENTURA; CUOCO, 2008).
Segundo Michaelis (2003) as organizações possuem papel fundamental na promoção
do desenvolvimento sustentável por meio das próprias práticas, como por exemplo,
otimização de energia, água e gestão de resíduos, que podem contribuir para o
desenvolvimento sustentável, pois, reduzindo o custo e utilização dos recursos, influenciam
na consciência ambiental e padrões de consumo de seus stakeholders. Para isso, deve-se haver
um equilíbrio entre o desenvolvimento de serviços, produtos e processos ambientalmente
corretos e que simultaneamente satisfaçam as necessidades dos consumidores
(NASCIMENTO; LEMOS; MELLO, 2008).
A comunidade empresarial na maioria das vezes interpreta a questão sustentável,
apenas sob a ótica do produto sustentável, esquecendo-se que por meio da eco eficiência as
organizações estão contribuindo para desenvolvimento sustentável (MICHAELIS, 2003). Este
olhar ao “produto” talvez seja explicado pelo fato de que a percepção do cliente à variável
ambiental está mais sensível ao produto e não ao processo produtivo (BERTOLINI et al.,
2013). Contudo, Lacoste (2016) aponta que a sustentabilidade envolve todo o processo de
produção, definindo como “oferta completa”, ou seja, não apenas o produto em sim, mas
todos os elementos envolvidos até a oferta ao consumidor final.

2.2 Experiências anteriores de implantação de energia fotovoltaica

Pinto, Amaral, e Janissek, (2016), ressaltam que a energia solar apresenta viabilidade
financeira em tempo razoavelmente curto desde que sejam implantadas em condições
adequadas de exposição solar. Além disso, apesar de ser a fonte mais abundante de energia na
Terra, existem fatores (poeira, umidade, sombreamento, poluição, entre outros) que reduzem a
radiação solar que passa pela atmosfera terrestre (IGA; IGA, 2015).
A energia fotovoltaica está sendo utilizada por países europeus como Alemanha, a
pelo menos 30 anos demonstrando confiabilidade de geração e durabilidade. Segundo Santos
(2009), trata-se de uma alternativa de energia limpa que utiliza diretamente a radiação solar.
Corroborando, Cabral, Pinheiro e Leite (2015) apontam que em um sistema fotovoltaico, a
dependência básica é a intensidade da luz e não necessariamente o brilho do sol incidindo
diretamente sobre as placas, ou seja, em dias nublados basta ter a reflexão da luz do sol.
Borges, Chotoe e Varela (2014) analisaram e compararam os custos econômicos das
fontes de geração de energia disponíveis no Brasil, tendo em vista que a demanda por energia
tem aumentado (média anual de 5% nos últimos 20 anos). Os resultados apontam que os
menores custos estão nas fontes de energia solar e eólica, além do baixo custo, são
consideradas fontes de energias renováveis.
A pesquisa de Cabral, Pinheiro e Leite (2015) buscou verificar a existência de
viabilidade na implantação de mini usinas fotovoltaicas com mini redes de distribuição a luz
do projeto Luz para Todos, nas regiões isoladas da Amazônia, por meio, da comparação entre
as matérias primas para a geração de energias. Os resultados da pesquisa denotam que existe
viabilidade tecnologia, independentemente da localização do empreendimento. Além disso, os
autores salientam que a forma de geração centralizada de energia no Brasil, pautado em
unidades geradoras, acarretam custos consideráveis e aumentados quando comparados aos
sistemas fotovoltaicos.
Iga e Iga (2015) analisaram a implantação de um sistema fotovoltaico em duas
residências na área metropolitana de Monterrey, Nuevo León, México, sendo uma das casas
caracterizada pelo baixo grau de consumo e outra com elevado grau consumo. Os resultados
demonstraram que na casa de alto grau de consumo, a recuperação do investimento é de no
mínimo 15,8 anos, considerando a TIR em 4%, e seriam necessários 26 painéis fotovoltaicos,
já na casa de baixo grau de consumo, o investimento não seria recuperável, tendo em vista
que as tarifações de energia variam de acordo com o consumo, além de que neste país há
políticas de subsidio governamental para os menos favorecidos.
Já Ortiz (2013), não encontrou viabilidade econômica na implantação de sistemas
fotovoltaicos em uma escola na cidade de Bogotá, Colômbia. O autor argumenta que os
custos de aquisição e instalação destes sistemas, ainda são altos quando comparados as
alternativas tradicionais. Neste sentido, Proença (2007), faz uma análise das perspectivas de
evolução dos sistemas fotovoltaicos e dos mercados associados a essa tecnologia. O autor
conclui que devido aos custos elevados, o fotovoltaico só deverá ter um papel importante no
fornecimento de energia global, a partir de 2020.
Varella, Cavaliero e Silva (2008), enfatizam que o governo brasileiro têm incentivado
o uso dos sistemas fotovoltaicos, contudo, na opinião dos autores, o país necessita de um
mecanismo regulatório específico de fomento, podendo ocorrer por meio de incentivos fiscais
ou financeiros, como acontece em alguns países no mundo.
Sánchez (2013) estabeleceu uma tarifa de alimentação residencial com o objetivo de
incentivar a produção de energia fotovoltaica em Bogotá, Colômbia. Para realização dos
cálculos, utilizou a análise de ponto de equilíbrio proposta por Rigter e Vidican (2010),
combinada com a representação de uma instalação fotovoltaica desenhada no programa
Homer Energy. Os resultaram demonstram uma tarifa de alimentação de 4.359 pesos o
quilowatt hora para um sistema fotovoltaico de 3 KW. O autor considera o valor
relativamente alto, quando comparado as opções de energia tradicional e aos aspectos
econômicos do estado colombiano, contudo, abre espaço para explorar programas piloto e
estruturas alternativas.

2.3 Percepção ambiental dos clientes

As organizações podem obter vantagens competitivas na inclusão da variável


ambiental em seus modelos de negócios, sendo uma das alternativas a produção mais limpa,
ou seja, na execução de suas atividades produtivas, procurar causar o menor impacto possível
ao meio ambiente. Isso envolve adequação contínua visando a prevenção à geração de
resíduos e diminuição no uso de matéria-prima, água e energia (GARCIA et al., 2008).
Para Monteiro et al., (2012), as organizações que visualizam vantagens competitivas
por meio de postura ecológica devem adequar seus processos, produtos, preços, promoções e
distribuição ecológica a fim de que seja percebida pelo consumidor verde.
Contudo, conforme registrado por Bertolini, Possamai e Brandalise (2009), é
necessário que o público alvo perceba e valorize essas ações. Ou seja, incorporar a variável
ambiental no modelo de negócios, só terá vantagens para a organização, se houver percepção
e valorização por parte do consumidor final.
Assim, conhecer a percepção do consumidor em relação a variável ambiental, torna-se
bastante importante, pois, fornece subsídio à tomada de decisão, no que diz respeito ao
lançamentos de produtos e serviços, bem como, alterações nos processos internos
(BRANDALISE; LEZANA; ROJO, 2009). Além disso, Monteiro et al. (2012), apontam que
conhecer o comportamento do consumidor envolve aspectos relacionados às crenças e valores
presentes no cotiado a que estão inseridos.

3 Metodologia

O estudo classifica-se como uma pesquisa aplicada, considerando que objetiva a


geração de conhecimento para aplicação prática na solução de problemas específicos,
envolvendo interesses locais (Silva e Menezes, 2005). Em relação aos objetivos, a pesquisa é
caracterizada como descritiva, tendo em vista que tem por finalidade descrever as
características de uma população e/ou fenômeno e estabelecer relação entre as variáveis
(Beuren, 2009). Quanto a abordagem do problema, configura-se como quantitativa, pois visa
medir a percepção dos associados em relação a implementação de um sistema de energia solar
fotovoltaica.
O estudo foi desenvolvido em uma agência de uma Instituição Financeira Cooperativa,
na cidade de Toledo-PR. O levantamento de custos, compreendeu a apuração do consumo de
energia do último ano que foi fornecido pela própria Cooperativa, informação básica para
dimensionamento do sistema de energia fotovoltaica. Considerando que os pesquisadores não
possuem expertise na área de engenharia, buscou-se orçamentos em empresas especializadas
em painéis fotovoltaicos. Foram providenciados três orçamentos, confeccionados a partir do
histórico de consumo para definição da quantidade de placas fotovoltaicas, e dos dados de
irradiação solar fornecidos pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial). Para este
estudo, considerou-se o orçamento de menor valor.
Para os cálculos de viabilidade econômica, optou-se por utilizar as técnicas de análise
de investimento: Taxa Interna de Retorno (TIR), Valor Presente Líquido (VPL) e considerou-
se a taxa SELIC como Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Considerou-se também o
reajuste médio da tarifa de energia elétrica dos últimos 10 anos disponibilizada pela
Companhia de energia elétrica local COPEL.
Para analisar a percepção dos associados, optou-se pela aplicação de um questionário
estruturado, dividido em três grupos: no primeiro, coletaram-se os dados pessoais e
características socioeconômicas; no segundo, informações relacionadas a conduta ambiental
no cotidiano e seu comportamento de compra considerando a variável ambiental; e o terceiro,
informações sobre a valorização da conduta das organizações em relação a variável ambiental.
Os estudos utilizados como base para realização da revisão de literatura deste artigo,
abordaram quatro variáveis principais (Tabela 1), condições climáticas e exposição solar;
custos e cálculos de viabilidade; consumo médio e dimensionamento dos sistema (quantidade
de placas necessárias pra suprir a demanda energética) e regulações e incentivos para a
energia solar fotovoltaica. Não foram identificados estudos que contemplem a implementação
da energia solar fotovoltaica por organizações com o intuito de obtenção de vantagem
competitiva, dessa forma, torna-se importante conhecer a percepção dos stakeholders
envolvidos (especificamente os clientes). Assim, a vantagem competitiva pode impulsionar a
organizações a implementarem práticas sustentáveis em seus negócios.
Variáveis Frequência Autores
(ALVES, 2008); (CABRAL; PINHEIRO; LEITE, 2015); (IGA;
Condições climáticas, IGA, 2015); (MARQUES et al., 2012); (ORTIZ, 2013); (PINTO;
61%
radiação solar AMARAL; JANISSEK, 2016); (SANTOS, 2009); (SANTOS;
FERREIRA, 2015).
(ALVES, 2008); (BARP; SEHNEM; BENCKE, 2014);
Levantamento de custos
(BORGES; CHOTOE; VARELA, 2014); (IGA; IGA, 2015);
e viabilidade (Payback, 54%
(ORTIZ, 2013); (PINTO; AMARAL; JANISSEK, 2016);
TIR, VPL)
(SÁNCHEZ, 2013).
Legislação, incentivos, (BARP; SEHNEM; BENCKE, 2014); (MARQUES et al., 2012);
e/ou experiência 54% (ORTIZ, 2013); (PROENÇA, 2007); (SÁNCHEZ, 2013);
internacional (VARELLA et al., 2008).
Consumo médio e 46% (ALVES, 2008); (BARP; SEHNEM; BENCKE, 2014); (IGA;
Dimensionamento do IGA, 2015); (PINTO; AMARAL; JANISSEK, 2016); (SANTOS,
sistema 2009); (SANTOS; FERREIRA, 2015).
Tabela 1 - Variáveis em estudos relacionados a implantação de sistemas de energia
fotovoltaica
Fonte: Pesquisa (2016)
As perguntas foram estruturadas de duas formas: questões com múltiplas escolhas,
com a possibilidade de incluir alternativas que não forma pré-definidas e questões com escala
Likert.
A escala Likert, segundo Malhotra (2011), são escalas equilibradas de cinco pontos,
com números iguais de categorias de concordância e discordância, além de permitir respostas
neutras. Usadas para medição do grau de concordância ou discordância à afirmações
específicas. Nesta pesquisa, para a segunda etapa do questionário, empregou-se os rótulos:
Sempre, Frequentemente, Algumas Vezes, Pouquíssimas Vezes e Nunca, para a terceira
etapa, empregou-se: Concordo Totalmente, Concordo Parcialmente, Não concordo e nem
discordo, Discordo Parcialmente e Discordo Totalmente.
Atualmente a Cooperativa com 20.029 associados, já implementou algumas ações
visando diminuir os impactos que seu processo produtivo causa ao meio ambiente, uma delas
é a compensação de CO2 por meio do plantio de árvores.
Para cálculo da amostra, assegurando um nível de confiança de 95% e a margem de
erro de 5%, o cálculo resultou em uma amostra mínima de 392 associados, considerando que
a Cooperativa atende três segmentos distintos, optou-se pela amostra estratificada
proporcional, sendo que foram aplicados 432 questionários, destes 32 foram invalidados por
não estarem completamente preenchidos. Dessa forma, a amostra considerada para a pesquisa
foi de 88 associados do segmento Agro, 264 do segmento Pessoa Física e 48 associados
Pessoas Jurídicas, totalizando 400 associados pesquisados. A aplicação da pesquisa ocorreu
entre os dias 14 a 22 de Julho de 2016, durante as reuniões de Prestação de Contas, após o
registro da presença no evento, o questionário foi entregue aos que se dispuseram à participar.
Após a coleta de dados, os questionários foram tabulados em planilhas eletrônicas, em
seguida avançou-se para a análise exploratória dos dados mediante a elaboração de tabelas de
distribuição de frequência e tabelas de dupla-entrada objetivando o cruzamento entre as
variáveis qualitativas. Com o intuito de verificar a existência ou não de relação entre as
variáveis qualitativas, aplicaram-se testes de independência (qui-quadrado) a 5% (α%) de
significância no software Action Stat 3.1. Deste modo, quando o p-valor calculado for
superior ao α%, quer dizer que a relação entre as variáveis não é significativa e não rejeita-se
a hipótese nula, já o contrário, expressa que a relação entre as variáveis é significativa e
rejeita-se a hipótese nula.

4 Apresentação e análise dos resultados

A análise dos dados foi dividida em duas etapas, a primeira relacionada aos cálculos
para verificação da viabilidade econômica e a segunda a respeito da percepção dos
associados.

4.1 Dimensionamento e viabilidade de um sistema fotovoltaico

A estrutura física da agência é composta por dois pavimentos, sendo 245,9 m² no


térreo e 231,25 m² no pavimento superior.
O histórico de consumo fornecido para elaboração dos orçamentos (Tabela 2),
demonstra que os meses com menores consumos são de Junho a Agosto, possivelmente,
meses em que a utilização do ar condicionado é reduzida, devido ao inverno.

Mês Consumo em kWh Consumo em Reais (R$)


Janeiro-15 5.066 2.535,61
Fevereiro-15 5.230 2.770,92
Março-15 4.558 2.532,31
Abril-15 5.263 3.679,13
Maio-15 4.442 3.369,31
Junho-15 3.606 2.745,04
Julho-15 3.467 2.641,26
Agosto-15 2.878 2.466,56
Setembro-15 4.124 3.487,87
Outubro-15 4.560 3.786,31
Novembro-15 4.728 3.978,51
Dezembro-15 4.739 4.001,18
Tabela 2 - Histórico de consumo de energia elétrica
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Com base no orçamento de menor valor (Tabela 3) o custo estimado para implantação
de um sistema fotovoltaico é de R$ 157.937,50, além dos custos de adequações elétricas e de
infraestrutura estimados em R$ 15.000,00.

Descrição Custo (R$)


96 Módulos Policristalino Canadian CS6P 265W
Inversor ABB Trio 27.6-TL-OUTD
Quadro elétrico de proteção em corrente contínua 157.937,50
Estruturas Metálicas em Alumínio e Aço Inox
Monitoramento Web
Adequações de infraestrutura 15.000,00
Total 172.937,50
Tabela 3 - Levantamento de custos para implantação de um sistema fotovoltaico
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Outras informações técnicas, constantes no orçamento (Tabela 4), consiste na média


de consumo atendida pelo sistema fotovoltaico (87%). O orçamento também apresenta
garantia de performance mínima de 90% nos primeiros 10 anos e 80% em 25 anos.
Radiação Global Radiação Solar no Produção Produção do Consumo
Consumo
Solar Horizontal PL 22°AZ. 0° Específica Sistema Estimado
Mês [kWh/m²] [kWh/m²] kWh kWh kWh %
Janeiro 170,1 156 135,72 3.452,72 3.854 89,59%
Fevereiro 174,9 168,9 146,94 3.738,23 3.854 97,00%
Março 157,5 164,1 142,77 3.631,99 3.854 94,24%
Abril 137,4 158,1 137,55 3.499,20 3.854 90,79%
Maio 114,3 144 125,28 3.187,12 3.854 82,70%
Junho 93,3 121,5 105,71 2.689,14 3.854 69,78%
Julho 108,3 140,4 122,15 3.107,45 3.854 80,63%
Agosto 117,6 139,2 121,1 3.080,89 3.854 79,94%
Setembro 124,2 132,6 115,36 2.934,81 3.854 76,15%
Outubro 163,2 161,4 140,42 3.572,23 3.854 92,69%
Novembro 175,8 163,2 141,98 3.612,07 3.854 93,72%
Dezembro 191,7 172,5 150,08 3.817,91 3.854 99,06%
Total 1728,3 1821,9 1.585,05 40.323,75 46.248 87,19%
Média mensal 144,03 151,83 132,09 3.360,31 3.854 87,19%
Tabela 4: Consumo médio atendido pelo sistema de energia fotovoltaica
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Considerando essas informações o payback simples do investimento é estimado em 5


anos e 3 meses, tempo razoavelmente curto em relação ao total investido.
O investimento em um sistema de energia fotovoltaica para o objeto em estudo,
apresenta viabilidade econômica, visto que a Taxa Interna de Retorno (TIR) é maior que a
Taxa Mínima de Atratividade (TMA), sendo 25,84% e 14,00% respectivamente. O VPL deste
projeto é de R$ 204.288,31, além disso, o Índice de Lucratividade (IL) resultou em 2,18
(Tabela 5).

Investimento inicial R$ R$ 172.937,50


Consumo atual (87%) R$ 33.054,81
Reajuste médio (2006 - 2016) 7,06%
TMA 14,00%
VPL R$ 204.288,31
TIR 25,84%
IL 2,18
Tabela 5 - Análise da viabilidade para instalação de um sistema fotovoltaico para
25 anos
Fonte: Dados da pesquisa (2016)
4.2 Percepção dos associados

Inicialmente, buscou-se identificar as características da amostra estudada. No total


geral há um equilíbrio entre os gêneros, sendo 201 pertencentes ao gênero masculino e 199 ao
gênero feminino.
Figura 1 – Gênero por segmento
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Dentre os segmentos, o gênero masculino se destaca no segmento Agro representado


por 67,05%, enquanto que o feminino acentua-se no segmento Pessoa Física, representado por
55,68%, conforme evidenciado na Tabela 6.

Segmento (%) Masculino (%) Feminino Total Geral


Agro 67,05 32,95 88
Pessoa Física 44,32 55,68 264
Pessoa Jurídica 52,08 47,92 48
Total Geral 50,25 49,75 400
Tabela 6 - Gênero dos pesquisados
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Em relação a idade dos entrevistados, do total geral há concentração nas faixas de 31 a


40 anos, com 25,5% do total amostrado e 41 a 60 anos, representada por 34,5% dos
entrevistados. A faixa etária com maior representativa é a de 41 a 60 anos, sendo, 36,36% no
segmento Agro, 31,82% na Pessoa Física e 45,83% na Pessoa Jurídica. Já a faixa etária com
menos representatividade dos três segmentos é o público até 20 anos, sendo representada por
4,55% no segmento Agro, 8,33% na Pessoa Física e 4,17% na Pessoa Jurídica, (Figura 1).

Figura 2 - Faixa Etária


Fonte: Dados da pesquisa (2016)
No que diz respeito ao grau de instrução, a maior ocorrência no total geral é percebida
na alternativa até o ensino médio, significando 35% das respostas. Nos segmentos Agro e
Pessoa Física, esse destaque permanece, representado por 40,91% e 34,85% das respostas
respectivamente. Já no segmento Pessoa Jurídica, percebe-se maior incidência no nível de
escolaridade pós-graduação, retratado por 33,33% dos pesquisados.
Procedendo-se a análise dos dados, a renda familiar geral dos pesquisados enquadra-se
na faixa de 4 a 6 salários mínimos, demonstrado por 40,25% das respostas. Essa faixa salarial
também é evidenciada como a mais representativa em todos os segmentos, quando analisados
de forma individual.
Caracterizado o perfil da amostra, a próxima etapa avaliou a conduta ambiental no
cotidiano e o comportamento de compra considerando a variável ambiental (Tabela 7). Com
relação ao consumo, os entrevistados foram questionados quanto ao seu próprio
comportamento, a maioria dos pesquisados (71,5%) considera que compra o suficiente, 12,5%
consideram que seu padrão de consumo é aceitável quando comparado aos outros, 9%
considera que compra mais do que precisa, 5% acha que compra menos do que necessita, e
apenas 1,75% admite comprar por impulso.

Compra Aceitável quando Compra mais Compra


Compra o Total
Segmento menos do que comparado com do que por
suficiente Geral
necessita os outros necessita impulso
Agro 0,00% 18,00% 3,00% 0,75% 0,25% 22,00%
Pessoa
4,25% 46,00% 8,25% 6,00% 1,50% 66,00%
Física
Pessoa
0,75% 7,50% 1,50% 2,25% 0,00% 12,00%
Jurídica
Total
5,00% 71,50% 12,75% 9,00% 1,75% 100%
Geral
Tabela 7 - Percepção em relação ao próprio comportamento de consumo
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Outra questão abordada relacionada ao comportamento do cotidiano, diz respeito ao


ato de desligar as luzes e aparelhos após o uso (Tabela 8), a escolha pela alternativa “Sempre”
se deu por 59,09% do segmento Agro, 68,56% dos associados Pessoa Física e 68,75% da
Pessoa Jurídica.

Algumas Pouquíssimas
Segmento Sempre Frequentemente Nunca Total Geral
vezes vezes
Agro 59,09% 29,55% 6,82% 3,41% 1,14% 100%
Pessoa Física 68,56% 22,35% 6,82% 2,27% 0,00% 100%
Pessoa Jurídica 68,75% 22,92% 8,33% 0,00% 0,00% 100%
Total Geral 66,50% 24,00% 7,00% 2,25% 0,25% 100%
Tabela 8 - Desligar as luzes e aparelhos quando sai do ambiente
Fonte: Dados da pesquisa (2016)
Também perguntou-se aos entrevistados se na compra de aparelhos que demandam
utilização de energia, a estimativa de consumo era verificada (Tabela 9). Os resultados
demonstram que 46,59% dos segmentos Agro e Pessoa Física, “sempre” verificam essa
questão, enquanto que no segmento Pessoa Jurídica, 47,92% dos entrevistado

Algumas Pouquíssimas
Segmento Sempre Frequentemente Nunca Total Geral
vezes vezes
Agro 46,59% 22,73% 18,18% 7,95% 4,55% 100%
Pessoa Física 46,59% 16,29% 17,42% 12,50% 7,20% 100%
Pessoa Jurídica 47,92% 31,25% 10,42% 8,33% 2,08% 100%
Total Geral 46,75% 19,50% 16,75% 11,00% 6,00% 100%
Tabela 9 - Verifica o consumo de energia quando da compra de um produto
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Em seguida, os pesquisados foram questionados quanto a consideração da variável


ambiental no ato da compra, a concentração das respostas para o segmento Agro e Pessoa
Física foi para a opção “Algumas Vezes”, sendo 47,73% e 37,88% respectivamente, enquanto
que para Pessoa Jurídica a concentração se deu para a alternativa “Frequentemente” com
29,17%.

Algumas Pouquíssimas
Segmento Sempre Frequentemente Nunca Total Geral
vezes vezes
Agro 47,73% 15,91% 12,50% 13,64% 10,23% 100%
Pessoa Física 37,88% 17,05% 14,39% 17,42% 13,26% 100%
Pessoa Jurídica 25,00% 29,17% 12,50% 12,50% 20,83% 100%
Total Geral 38,50% 18,25% 13,75% 16,00% 13,50% 100%
Tabela 10 – Consideração da variável ambiental no ato da comproa
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Por meio do teste de independência Qui-quadrado, verificou-se que as variáveis


segmento e consideração da variável ambiental no ato da compra, são independentes já que o
p-valor (0,16) foi superior ao nível de significância de 5%, neste caso não rejeita-se a hipótese
nula, ou seja, não há relação entre as variáveis. O teste foi possível considerando que todas as
canselas apresentaram frequência observada acima de 5.
Perguntou-se também quanto a valorização das posturas ecológicas por parte dos
fabricantes ou prestadores de serviço, no ato da compra, os resultados demonstram que a
concentração de resposta para os três segmentos está nas alternativas “Algumas Vezes” com
27,25% do total amostrado, e “Pouquíssimas vezes” com 23%. A menor concentração está em
nunca com 15,25%, seguida por “Sempre” e “Frequentemente” com 17,25% cada uma.
Algumas Pouquíssimas
Segmento Sempre Frequentemente Nunca Total Geral
vezes vezes
Agro 11,36% 19,32% 28,41% 25,00% 15,91% 100%
Pessoa Física 17,80% 16,67% 27,27% 21,97% 16,29% 100%
Pessoa Jurídica 25,00% 16,67% 25,00% 25,00% 8,33% 100%
Total Geral 17,25% 17,25% 27,25% 23,00% 15,25% 100%
Tabela 10 - Valorização da postura ecológica das organizações no ato da compra
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Aplicou-se o teste de independência Qui-quadrado entre as variáveis segmento e


valorização da postura ecológica das organizações no ato da compra, tendo em vista que o p-
valor (0,65) é maior que o nível de significância de 5%, não rejeita-se a hipótese nula, e
conclui-se que as variáveis estudadas são independentes. Contudo, aplicou-se o mesmo teste
para as variáveis grau de instrução e valorização da postura ecológica das organizações no ato
da compra, neste caso o p-valor (0,015) é menor que o grau de significância de 5%, assim,
conclui-se que as variáveis são dependentes, ou seja, há relação significativas entre as duas
variáveis.
A pesquisa buscou saber a opinião dos entrevistados quanto a importância das
empresas incorporarem práticas em seus negócios que visem a minimização dos impactos ao
meio ambiente. A maioria dos três segmentos concordam totalmente com a assertiva,
representada por 76,25% do total amostrado, 20% do total amostrado concordam parcialmente
e, em nenhum dos segmentos houve a escolha da alternativa discordo totalmente.

Concordo Concordo Não concordo Discordo Discordo Total


Segmento
totalmente parcialmente nem discordo parcialmente totalmente Geral
Agro 70,45% 23,86% 4,55% 1,14% - 100%
Pessoa Física 78,03% 18,94% 3,03% 0% - 100%
Pessoa Jurídica 77,08% 18,75% 4,17% 0% - 100%
Total Geral 76,25% 20% 3,50% 0,25% - 100%
Tabela 11 - Importância das práticas sustentáveis nos negócios das empresas
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Tendo em vista que para aplicação do teste de independência Qui-quadrado não


podem ocorrer frequências esperadas igual a zero, realizou-se adaptações na tabela para
aplicação do teste em referência, desconsiderando a coluna discordo totalmente e juntando as
colunas adjacentes: discordo parcialmente e não concordo e nem discordo.
Verificou-se que as duas variáveis: Valorização da postura ecológica no ato da compra
e Importância da inclusão de práticas sustentáveis nos negócios apresentaram relação, já que o
p-valor (0,02) é menor que o nível de significância de 5%, dessa forma, rejeita-se a hipótese
nula, e conclui-se que as variáveis estudadas são dependentes.
Considerando isso, buscou-se saber a disposição dos entrevistados à pagar mais pela
incorporação das práticas sustáveis nos negócios das empresas, os resultados demonstram
concentração das respostas na alternativa “Concordo parcialmente”, representando 45% do
total amostrado, seguido pelas alternativas “Não concordo nem discordo” com 22%, e
“Concordo totalmente” com 21,5%.

Concordo Concordo Não concordo Discordo Discordo Total


Segmento
totalmente parcialmente nem discordo parcialmente totalmente Geral
Agro 18,18% 46,59% 20,45% 9,09% 5,68% 100%
Pessoa Física 21,59% 43,18% 24,24% 7,95% 3,03% 100%
Pessoa Jurídica 27,08% 52,08% 12,50% 8,33% 0,00% 100%
Total Geral 21,50% 45% 22% 8,25% 3,25% 100%
Tabela 12 - Disposição em pagar mais pela incorporação de práticas sustentáveis nos
negócios das empresas
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

A última etapa do questionário visou conhecer a percepção dos associados em relação


a implantação de um sistema de energia solar fotovoltaica, bem como verificar se conhecem
as ações já implantadas pela Cooperativa, pois a mesma já vem incorporando algumas ações
visando minimizar os impactos causados ao meio ambiente derivadas de suas atividades.
Além de produtos com viés ambiental (consórcio sustentável), a Cooperativa possui um
programa de compensação de por meio de plantio de árvores e um programa de educação
com crianças e adolescentes visando incorporar valores de cooperação e cidadania.
Primeiramente, os entrevistados foram questionados quanto ao conhecimento das
referidas ações, cerca de 43.56% dos entrevistados do segmento Pessoa Física; 42,05% do
segmento Agro e 20,83% do segmento Pessoa Jurídica, conhecem as ações realizadas pela
Cooperativa. Além disso, 21% do segmento Pessoa Jurídica; 20,45% do segmento Agro; e
18,94% dos entrevistados do segmento Pessoa Física, concordam parcialmente, neste caso,
pode ser que conheçam apenas uma das duas ações. Do total amostrado, 19,5% não
concordam nem discordam, 15% não conhecem e 5,5% discordam parcialmente.

Concordo Concordo Não concordo Discordo Discordo Total


Segmento
totalmente parcialmente nem discordo parcialmente totalmente Geral
Agro 42,05% 20,45% 14,77% 5,68% 17,05% 100%
Pessoa Física 43,56% 18,94% 18,56% 4,92% 14,02% 100%
Pessoa Jurídica 20,83% 20,83% 33,33% 8,33% 16,67% 100%
Total Geral 40,50% 19,50% 19,50% 5,50% 15,00% 100%
Tabela 13 - Conhecimento a respeitos das práticas sustentáveis da Cooperativa
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Foi perguntado aos entrevistados, se conheciam a energia solar por meio de painéis
fotovoltaicos, onde 82% dos respondentes do segmento Agro, 79% da Pessoa Jurídica e 70%
do segmento Pessoa Física, alegam que conhecem. Ainda, buscou-se saber se algum dos
entrevistados já possuía tais painéis em suas residências, do total de respondentes, apenas
4,25% afirmaram que sim.
A pesquisa ainda buscou-se identificar o interesse em possuir um sistema de energia
solar fotovoltaica, os resultados evidenciam que cerca de 80% dos segmentos Agro e Pessoa
Jurídica, e 61% do segmento Pessoa Física apresentam interesse em um sistema de energia
solar fotovoltaico. Aos associados que afirmaram interesse, solicitou-se que apontassem quais
motivos fariam mudar de ideia, sendo que 45,75% apontaram os custos como impedimento,
30,62% apontaram prazo de retorno do investimento superior a 5 anos e 23,61% apontou a
dificuldade de informação.
Segmento Sim Não Total Geral
Agro 80,68% 19,32% 100%
Pessoa Física 60,98% 39,02% 100%
Pessoa Jurídica 81,25% 18,75% 100%
Total Geral 67,75% 32,25% 100%
Tabela 14 - Interesse em possuir um sistema solar fotovoltaico
Fonte: Dados da pesquisa (2016)
Questionou-se por fim, quanto a instalação de tal sistema na Cooperativa. A maioria
aprova a instalação do sistema fotovoltaico na Cooperativa, tendo apenas 4 que discordaram e
36 optaram pela alternativa nula, não concordam e nem discordam. Uma questão interessante
verificada é que 91 dos entrevistados que concordam totalmente com a instalação do sistema
fotovoltaico na Cooperativa, não estão dispostos a instalar em suas residências.
Concordo Concordo Não concordo Discordo Discordo Total
Segmento
totalmente parcialmente nem discordo parcialmente totalmente Geral
Agro 69,32% 19,32% 11,36% 0,00% 0,00% 88
Pessoa Física 75,00% 16,67% 7,58% 0,76% 0,00% 264
Pessoa Jurídica 75,00% 8,33% 12,50% 0,00% 4,17% 48
Total Geral 73,75% 16,25% 9,00% 0,50% 0,50% 400
Tabela 15- Percepção em relação a instalação de um sistema fotovoltaico na Cooperativa
Fonte: Dados da pesquisa (2016)

Pela aplicação do teste de independência Qui-quadrado, com adaptação da tabela pela


junção das colunas adjacentes discordo totalmente e discordo parcialmente, não encontrou-se
relação entre as variáveis: segmento e percepção em relação à instalação de um sistema
fotovoltaico na Cooperativa, tendo p-valor (0,22) superior ao nível de significância de 5%,
assim conclui-se que as variáveis são independentes, não tendo relação entre si.

5 Considerações finais

Este trabalho objetivou avaliar a viabilidade econômica em relação a implantação de


um sistema fotovoltaico em uma das agências de uma Cooperativa de Crédito, bem como
conhecer a percepção dos associados em relação a implantação deste sistema em uma agência.
A partir dos resultados obtidos, conclui-se que existe viabilidade econômica para
implantação de tal sistema em uma instituição financeira cooperativa, com payback simples
de 5 anos e 3 meses, além de um índice de lucratividade de 2,18, corroborando com Pinto,
Amaral e Janissek, (2016), que afirmam que a energia solar fotovoltaica apresenta viabilidade
financeira em tempo razoavelmente curto desde que sejam implantadas em condições
adequadas de exposição solar.
Os resultados deste estudo são diferentes dos resultados alcançados por Iga e Iga
(2015) e Ortiz (2013), sendo que no primeiro estudo, a recuperação do investimento é de no
mínimo 15,8 anos para a casa com alto padrão de consumo, e o investimento não é
recuperável para a casa de baixo grau de consumo. E no segundo, não houve viabilidade para
implantação de tal sistema em uma escola de Bogotá, Colombia.
A possibilidade de compensação de energia fornecido pelas companhias de energia
elétrica brasileiras é um dos mecanismos de incentivo à implementação da energia solar
fotovoltaica, conforme apontado por Varella, Cavaliero e Silva (2008). Ainda assim, o país
necessita de um mecanismo regulatório específico de fomento, podendo ocorrer por meio de
incentivos fiscais ou financeiros, como acontece em alguns países no mundo.
Como resultado da percepção dos associados, evidenciou-se que se tratando de
consumo de energia, há uma preocupação significativa tanto na hora da compra como na
utilização dos produtos. Além disso, a maioria considera importante a incorporação de
práticas sustentáveis no cotidiano das organizações, e de certa forma, valorizam isso no ato da
compra já que o somatório das alternativas “Sempre”, “Frequentemente” e “Algumas vezes”,
representam 61% do total amostrado. Outro ponto interessante, é que existe a disposição em
pagar mais pela incorporação de práticas sustentáveis, visto que somados as alternativas de
concordância, representam 66,5% do total da amostra.
Em relação as práticas sustentáveis já existentes na Cooperativa, 60% dos pesquisados
conhecem alguma das ações realizadas, contudo, 40% ainda não conhecem nenhum das
práticas já incorporadas. Conforme abordado no referencial teórico deste artigo, Bertolini,
Possamai, e Brandalise (2009), apontam para a necessidade da percepção e valorização do
público alvo, para que as ações se revertam em vantagem. Além disso, considerando o poder
de influência que as organizações possuem na consciência ambiental e padrões de consumo de
seus stakeholders, enfatizado por Michaelis (2003) é fundamental que a Cooperativa divulgue
mais suas ações sustentáveis.
Com relação ao sistema fotovoltaico, chama atenção que 26,5% da amostra não
conhecem essa opção, contudo, há de se observar também que 4,55% já possui um sistema de
energia solar fotovoltaica. Pelos resultados alcançados, pode-se concluir que os pesquisados
valorizam essa ação, visto que 74% do total amostrado concordam totalmente com a
implantação na Cooperativa.
A principal contribuição desta pesquisa é no sentido de demonstrar que na busca de
alternativas sustentáveis é possível ter retorno financeiro, além de acarretar em valorização
dos stakeholders.
Por fim, como limitação deste estudo, aponta-se para a falta de expertise nas áreas de
engenharia, por isso, o levantamento dos custos foi por orçamentos de empresas
especializadas. Outra limitação encontrada nesta pesquisa, diz respeito à aplicação dos
questionários, considerando a falta de disponibilidade dos pesquisadores, optou-se pela
aplicação da pesquisa, nas reuniões de prestação de contas e nessas ocasiões os associados
com menos tempo de associação não costumam comparecer.
Para trabalhos futuros, sugere-se a aplicação em outras Cooperativas, ou mesmo
organizações de outros setores, considerando que o setores produtivos consomem a maior
parte da energia consumida no Brasil, e um dos fatores primordiais para viabilizar a
implantação, é o consumo.

Referências

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