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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

PROF. FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS

CONFISSÃO

CONCEITO

Confissão é a declaração da parte que admite a verdade de um fato contrário ao seu interesse
e favorável à outra parte.
Vê-se assim que o objeto de confissão é apenas o fato que seja desfavorável, prejudicial ao
confitente e favorável ao seu adversário.
A admissão de fatos benéficos não é tecnicamente confissão e sim uma alegação.

NATUREZA JURÍDICA

Na teoria do fato jurídico, a confissão é um ato jurídico em sentido estrito, pois a vontade do
confitente limita-se a reconhecer a existência do fato, enquanto que os efeitos dessa declaração
decorrem diretamente da lei. Não se trata de um negócio jurídico unilateral em que a própria
declaração de vontade tem o poder de produzir o efeito jurídico almejado.
A confissão é um ato jurídico em sentido estrito de natureza pura e simples, isto é, não
admite termo e nem condição. O efeito da confissão, que é o de se considerar o fato provado, nem
sempre é desejado pelo confitente e, sendo assim, não se pode classificá-la como negócio jurídico.
Por outro lado, na teoria das provas, a confissão tem a natureza de meio de prova, mas
quando obtida em depoimento pessoal, revela-se como sendo o resultado desse meio.

DISTINÇÃO ENTRE CONFISSÃO E RECONHECIMENTO DO PEDIDO

A confissão refere-se a fato e pode emanar tanto do autor quanto do réu. O reconhecimento
do pedido só pode ser feito pelo réu, e consiste na admissão do pedido, isto é, do direito material
invocado pelo autor.
A confissão pode ser expressa ou tácita. O reconhecimento do pedido só é possível de forma
expressa.
A confissão é apenas meio de prova, não gera a extinção do processo. O reconhecimento do
pedido, quando total, é causa de extinção do processo com resolução do mérito (art. 487, III, a, do
CPC).
A confissão nem sempre ensejará uma sentença desfavorável ao confitente, pois o juiz
também analisará as outras provas. O reconhecimento do pedido sempre gerará uma sentença
desfavorável ao réu.
A confissão tem a natureza jurídica de ato jurídico em sentido estrito e de meio de prova. O
reconhecimento jurídico do pedido é um negócio jurídico unilateral e uma forma de
autocomposição dos litígios.

DISTINÇÃO ENTRE CONFISSÃO E ADMISSÃO

Confissão é a conduta positiva de aceitar a verdade de um fato. Admissão é a conduta


negativa, a omissão em impugnar, no momento oportuno, o fato afirmado pela parte contrária.
Também é admissão o não comparecimento injustificado para prestar depoimento pessoal e a
recusa em responder às perguntas formuladas durante o depoimento pessoal.
O procurador, para confessar, necessita de procuração com poderes expressos, mas para a
admissão não é preciso desses poderes.
A confissão é um ato jurídico, pois a parte deve ter a vontade de confessar; a admissão é um

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ato-fato jurídico, pois a vontade da parte é irrelevante.


O fato, que é objeto da confissão, não precisa ser necessariamente alegado pela outra parte,
ao contrário do que ocorre com o fato que é objeto da admissão.
A confissão pode ser judicial ou extrajudicial. A admissão é sempre judicial.
A confissão dispensa a prova do fato e ainda proíbe, diante da preclusão lógica, a produção de
prova em sentido contrário acerca do fato confessado.
A admissão também gera uma presunção relativa de veracidade,, mas, no entanto, admite
prova em sentido contrário.
As hipóteses de admissão são:
a) revelia;
b) não impugnação específica dos fatos;
c) não comparecimento da parte para depor;
d) a parte comparece mas se recusa a depor.
A admissão, na verdade, classifica-se como sendo uma confissão ficta.

QUEM PODE CONFESSAR

A confissão pode ser feita:


a) por quaisquer das partes, inclusive, pelos terceiros das intervenções de terceiros;
b) pelo procurador com poderes expressos. Com efeito, quanto ao procurador da parte, só
poderá confessar quando tiver poderes expressos para tanto e, segundo Pontes de Miranda, a
procuração ainda deverá especificar os fatos que poderão ser objeto de confissão. Sem os poderes
especiais, a confissão também não será nula e nem anulável, mas apenas ineficaz, podendo ser
aceita como prova testemunhal. Com efeito, o §2º do art. 392 do CPC dispõe que ͞a confissão feita
por um representante somente é eficaz nos limites em que este pode vincular o representado͟.
c) representante legal da pessoa jurídica ou preposto com poderes expressos para confessar.
Quanto ao representante legal do incapaz, a doutrina diverge se ele poderia ou não prestar
depoimento pessoal, mas é unânime no sentido de que ele não poderá confessar, sendo, pois,
ineficaz a sua eventual confissão, podendo o juiz recebê-la como prova testemunhal.

ESPÉCIES DE CONFISSÃO

A confissão pode ser:


a) judicial: é a feita em ato processual. Exemplos: na petição inicial, na contestação, na
réplica, no depoimento pessoal, etc.
b) extrajudicial: é a obtida fora do processo. Quando feita por escrito terá a mesma
eficácia que a confissão judicial, conforme art. 389 do CPC, mas se realizada oralmente só terá
eficácia nos casos em que a lei não exigir a prova escrita (literal), consoante dispõe o art. 394 do
CPC.
A confissão judicial, por sua vez, ainda pode ser:
a) espontânea: é a feita pela parte ou por seu procurador com poder especial em
qualquer ato processual, exceto no depoimento pessoal.
b) provocada: é a feita pela parte durante o depoimento pessoal. Nesse caso, apenas a
parte pode confessar, pois é vedado ao procurador, ainda que tenha poderes expressos para
confessar, realizar o depoimento pessoal.
A confissão ainda pode ser:
a) real: é a feita oralmente ou por escrito

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b) ficta: é a que decorre da omissão da parte, que não comparece para prestar depoimento
pessoal ou, comparecendo, se recusa a depor. Nesses casos, o legislador considera o fato como
ocorrido. A rigor, não se trata de uma verdadeira confissão e, sim, da chamada admissão. Outros
exemplos são a revelia e a não impugnação específica dos fatos.
Por fim, a confissão ainda pode ser:
a) simples: é a que se refere apenas à admissão dos fatos contrários aos interesses do
confitente.
b) qualificada: o confitente admite fatos desfavoráveis, mas nega os efeitos jurídicos
que a parte contrária pretende obter com o fato confessado. Exemplo: o réu admite que praticou o
ato ilícito, mas nega o nexo causal entre a sua conduta e o dano alegado pelo autor.
c) complexa: o confitente admite o fato, mas acrescenta fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos. Exemplo: confessa que causou o prejuízo alegado pelo autor, mas alega
a prescrição.

REQUISITOS DE EFICÁCIA DA CONFISSÃO

A confissão, para ser eficaz, deve observar os seguintes requisitos:


a) capacidade plena de confitente. A confissão feita por absolutamente ou
relativamente incapaz será ineficaz, conforme prevê o §1º do art. 392 do CPC. Note-se que não se
trata de nulidade da confissão e, sim, de sua ineficácia, ou seja, ela será válida mas sem o seu
peculiar efeito de dispensar a prova do fato, podendo, no entanto, o juiz valorá-la como prova
atípica. Portanto, não se invalida confissão por incapacidade da parte.
b) que a confissão não recaia sobre fato que exija prova escrita, isto é, forma especial.
Exemplos: o casamento, o óbito e o nascimento não admitem confissão. Em suma, os atos ou
negócios jurídicos formais ou solenes, que são aqueles que exigem forma escrita, não admitem a
confissão.
c) direito disponível. De acordo com o art. 392 do CPC ͞não vale como confissão a
admissão, em juízo, de fatos relativos a direitos indisponíveis͟. Um exemplo disso consta no
parágrafo único do art. 391 do CPC: ͞Nas ações que versam sobre bens imóveis ou direitos reais
sobre imóveis alheios, a confissão de um cônjuge ou companheiro não valerá sem a do outro, salvo
se o regime de casamento for o de separação absoluta de bens͟. Se, no entanto, versar sobre
direitos indisponíveis, a confissão não deverá ser anulada, ela simplesmente não valerá como
confissão, conforme consta no citado art. 392 do CPC, ou seja, ela não dispensará a prova do fato.
Será, contudo, uma prova válida, devendo ser analisada pelo juiz diante de todo o contexto
probatório produzido nos autos.

EFEITOS DA CONFISSÃO

A confissão comprova a existência do fato e ainda veda ao confitente a produção de qualquer


outra prova em sentido contrário acerca desse fato (art. 374, II, do CPC). Não se trata, porém, de
uma prova plena, que torna inócua as outras provas, pois o juiz, diante da análise das demais
provas constantes dos autos, pode, em relação ao fato confessado, afastar a presunção de
veracidade, desde que de forma fundamentada, reputando-o não comprovado.
A presunção de veracidade que a lei atribui ao fato confessado é, ao menos em relação ao
juiz, tida como relativa, por força do princípio do livre convencimento, previsto no art. 371 do CPC.
O juiz, antes de afastar essa presunção, deve avisar a parte, pois, como se sabe, é proibida a
decisão-surpresa.

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CONFISSÃO NO LITISCONSÓRCIO

Dispõe o art. 391 do CPC:


͞A confissão judicial faz prova contra o confitente, não prejudicando, todavia, os
litisconsortes͟.
No litisconsórcio unitário, que é aquele cuja sentença deve ser idêntica para todos os
litisconsortes, a confissão isolada de um deles é inócua até mesmo em relação ao que confessou,
pois nessa modalidade de litisconsórcio a eficácia da confissão só ocorrerá quando todos
confessarem.
Entretanto, no litisconsórcio simples, que é aquele cuja sentença pode tratar os litisconsortes
de forma distinta, a confissão será eficaz apenas para prejudicar aquele que confessou, mas não
atingirá os demais. Ressalte-se, contudo, que, no litisconsórcio simples, a confissão isolada sobre
fato comum será valorada, quanto aos demais litisconsortes, como prova testemunhal.

IRREVOGABILIDADE DA CONFISSÃO

Revogação é o desfazimento de um ato válido.


A confissão válida é irrevogável, conforme dispõe o art. 393 do CPC.
Portanto, quem confessa não pode desfazer a confissão e nem apresentar outra versão sobre
o fato confessado.

ANULAÇÃO DA CONFISSÃO

Anulação é o desfazimento de um ato inválido


O art. 393 do CPC, ao tratar das causas de anulação da confissão, citou apenas duas: o erro de
fato e a coação.
A contrario sensu, a confissão não poderá ser anulada por dolo, erro de direito e incapacidade
do confitente.
O erro de fato, que anula a confissão, é a conduta do confitente que se engana sobre a
existência do fato confessado. Exemplo: confessou que comprou da outra parte um relógio de ouro
quando, na verdade, o relógio era apenas dourado.
O erro de fato, a rigor, é sempre espontâneo, pois se for provocado pela má-fé alheia
denomina-se dolo.
O dolo, por interpretação extensiva, também anula a confissão, quando enganar o confitente
sobre o fato confessado, fazendo-o crer, de má-fé, que ocorreu certo fato que na realidade não
aconteceu.
Seria realmente ilógico o erro de fato espontâneo gerar a anulação da confissão e o erro de
fato provocado por dolo tornar o ato válido.
Ressalte-se, contudo, que o dolo que não gera erro de fato é incapaz de invalidar a confissão.
Assim, o dolo que induz a parte a confessar fato verídico não anula a confissão.
Em resumo, para se anular ou não a confissão, é irrelevante apurar se houve ou não dolo, isto
é, a má-fé da outra parte ou de um terceiro, pois o que é relevante é saber se o confitente se
enganou ou não sobre a ocorrência do fato confessado.
Frise-se, portanto, que o dolo, por si só, não anula a confissão, salvo quando gerar erro de
fato, induzindo a parte a supor como ocorrido um fato que não ocorreu.
Quanto às ações judiciais utilizadas para impugnar a confissão obtida por erro de fato ou
coação são duas:

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a) ação anulatória da confissão: é cabível enquanto não houver o trânsito em julgado


da sentença prolatada no processo em que ocorreu a confissão. Não se trata de um mero incidente
processual e, sim, de uma verdadeira ação, que é proposta perante o juízo de primeiro grau,
prevista no art. 393 do CPC.
b) ação rescisória: é cabível somente após o trânsito em julgado da sentença de mérito
prolatada no processo em que ocorreu a confissão. O objeto da ação rescisória é anular a sentença
ou acórdão, e não apenas a confissão. O fundamento dessa ação rescisória é o art. 966, III ou VI, do
CPC. Se, no entanto, a confissão em nada influenciou no julgamento da causa, tendo sido
desprezada pelo juiz, não será cabível a ação rescisória.
Tanto a ação anulatória quando a ação rescisória só podem ser propostas pela parte
confitente. Enquanto ela for viva essa legitimidade será exclusiva, mas se ela vier a falecer após a
propositura da ação os seus herdeiro poderão prosseguir com o processo, conforme parágrafo
único do art. 393 do CPC. Os herdeiros não têm legitimidade para propor essas ações, mas apenas
para fazê-las prosseguir.
Por fim, a nulidade absoluta da confissão pode ser decretada de ofício pelo juiz. Exemplo:
simulação ou colusão entre as partes para que uma delas confesse. Outro exemplo: confissão feita
com o propósito de fraudar a lei.

INDIVISIBILIDADE DE CONFISSÃO

A confissão é, em regra, indivisível, não podendo a parte que a quiser invocar como prova
aceitá-la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for desfavorável (art. 395, 1ª parte, do
CPC).
O termo confissão, sob o prisma técnico-jurídico, só pode ser invocado quanto aos fatos que
prejudicam o confitente. A admissão de fatos que lhe são favoráveis, a rigor, não é confissão e, sim
uma simples alegação.
A parte, no seu depoimento pessoal ou em outra declaração, pode reconhecer a existência de
alguns fatos que lhe são favoráveis e outros desfavoráveis. Nesse caso, em relação aos primeiros
haverá confissão, mas quanto aos segundos serão simples alegações.
Entretanto, o citado art. 395 do CPC refere-se a ambos como se fossem confissão com o
objetivo de deixar claro que os fatos admitidos nos depoimentos pessoais ou declarações não
podem ser cindidos e, por consequência, a parte que os invocam deverá aceitar a todos eles e não
apenas aqueles que lhe beneficiam.
Noutras palavras, a parte não poderá separar a confissão das alegações, pois as declarações
de vontade devem ser interpretadas em conjunto e não isoladamente.
Admite-se, no entanto, a cisão ou divisibilidade, conforme prevê a segunda parte do art. 395
do CPC, quando o confitente acrescentar à confissão fatos novos, capazes de constituir fundamento
de defesa de direito material ou de reconvenção.
A hipótese se refere à chamada confissão complexa em que o confitente, ao mesmo tempo
em que admite fatos que lhe são desfavoráveis, afirma a existência de fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos do direito da parte adversa. Exemplo: o réu confessa o débito, mas
alega que houve pagamento ou então prescrição. Nesse caso, a confissão é cindível, a parte
contrária poderá aceitar como prova a confissão do débito e rejeitar a alegação de pagamento ou
de prescrição.
Em suma, a indivisibilidade da confissão é a proibição de separá-la das alegações constantes
da mesma declaração de vontade. Admite-se, contudo, a divisão, isto é, que se separe a confissão
da alegação quanto aos fatos que constituem suporte de fundamento de defesa de direito material
ou de reconvenção.

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PERGUNTAS:

1) O que é confissão?
2) Qual o seu objeto?
3) Como se distingue da admissão?
4) Qual a natureza jurídica da confissão na teoria do fato jurídico e na teoria das provas?
5) Cite cinco diferenças entre confissão e reconhecimento do pedido.
6) Cite seis diferenças entre confissão e admissão.
7) Quais as hipóteses de admissão?
8) Como se classifica a admissão?
9) Quem pode confessar?
10) O procurador pode confessar?
11) E o representante legal do incapaz?
12) Qual a diferença entre confissão judicial e extrajudicial?
13) Qual a diferença entre confissão espontânea e provocada?
14) Qual a diferença entre confissão real e ficta?
15) Quais os requisitos de eficácia da confissão?
16) Qual o valor de uma confissão feita por incapaz?
17) E a feita por procurador sem poderes expressos?
18) E a que recai sobre direito indisponível?
19) Quais os efeitos da confissão?
20) A confissão feita por um litisconsorte é eficaz perante os outros litisconsortes? E perante o
litisconsorte que confessou?
21) É possível revogar a confissão?
22) Quais as causas de anulação da confissão?
23) O dolo anula a confissão?
24) Quais as ações cabíveis para impugnar a confissão inválida?
25) Quem pode mover estas ações?
26) O juiz pode decretar de ofício a nulidade da confissão?
27) A confissão é divisível?

EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

A exibição de documento ou coisa é um meio de prova que pode ser determinado de ofício
pelo juiz ou então mediante pedido formulado pela parte.
Entende-se por parte, no sentido processual, qualquer pessoa legitimada a postular em juízo
sob o contraditório e, diante disso, o pedido pode ser também formulado pelos terceiros
intervenientes, inclusive assistente simples, bem como pelo Ministério Público, quando atua como
fiscal do ordenamento jurídico, e não apenas pelo autor ou réu.
A exibição de documento ou coisa, quando determinada de ofício pelo juiz, não gera a
instauração de qualquer procedimento incidental, quer o documento ou coisa se encontre em
poder de uma das partes ou de terceiros.
Os fundamentos para que o juiz determine de ofício essa prova encontram-se nos arts. 370,

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378 e 396 do CPC.


Caso, no entanto, o pedido tenha sido formulado pela parte, a exibição de documento ou
coisa exigirá a instauração de procedimento incidental ou de ação incidental, conforme o
documento ou coisa se encontre em poder da outra parte ou de terceiro.

DOCUMENTO OU COISA EM PODER DA PARTE ADVERSÁRIA

O procedimento de exibição de documento ou coisa que se encontra com a parte contrária


deve ser deduzido por requerimento, que, de acordo com o art. 397 do CPC conterá:
a) a individualização, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa.
b) a finalidade da prova, indicando os fatos que se relacionam com o documento ou
com a coisa;
c) as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou a
coisa existe e se acha em poder da parte contrária.
Se requerido na audiência, o pedido pode ser formulado verbalmente, mas também terá que
observar os requisitos acima.
Instaurado o incidente, o requerido será intimado, através do seu advogado, para apresentar
a sua resposta em 5 (cinco) dias (art. 398 do CPC).
Trata-se de um mero incidente processual, e não propriamente de uma ação, que tramita nos
próprios autos, e não em apenso, sendo que o processo não será suspenso, salvo na hipótese do
art. 313, V, b, do CPC.
Na sua defesa, o requerido poderá:
a) afirmar que não possui o documento ou coisa. Nesse caso, o juiz permitirá que o
requerente prove, por qualquer meio, que essa declaração não corresponde à verdade (art. 398,
parágrafo único, do CPC);
b) alegar o direito de recusa à exibição. O direito de recusa em exibir o documento ou
coisa só é possível nas hipóteses do art. 404 do CPC;
c) não se manifestar, mas nesse caso o pedido de exibição será procedente.
Na decisão que julga procedente o pedido, consoante preceitua o art. 400 do CPC, o juiz já
admitirá como verdadeiros os fatos que, por meio do documento ou da coisa, a parte pretendia
provar se:
a) o requerido, no prazo que tinha para resposta, não efetuar a exibição nem fizer
nenhuma declaração;
b) a recusa for havida por ilegítima.
A presunção de verdade, no entanto, é relativa.
Vê-se assim que o efeito da recusa à exibição é a presunção da verdade do fato a que se
refere o documento ou a coisa e, diante disso, força convir que a referida exibição não é
propriamente um dever processual e, sim, um ônus processual.
Por consequência, não é cabível a multa cominatória pela não exibição do documento que se
encontra em poder da parte contrária, salvo quando for necessária esta exibição como na hipótese
de direitos indisponíveis.
Portanto, com a procedência do pedido, o documento ou coisa não precisa ser exibido em
juízo, pois os fatos a que se referem presumirão verdadeiros. Sendo, no entanto, necessário, o juiz
adotará as medidas necessárias para que o documento seja exibido, (parágrafo único do art. 400 do
CPC). De fato, quando o direito for indisponível ou a prova só puder ser feita por instrumento
público, além de outras hipóteses, não será possível a presunção e então será necessária a efetiva
exibição do documento.
Da decisão que resolve esse incidente caberá o recurso de agravo de instrumento, nos termos

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do art. 1.015, VI, do CPC.

DOCUMENTO OU COISA EM PODER DE TERCEIRO

Quando o documento ou coisa estiver em poder de terceiro e o juiz, de ofício, não determinar
a sua entrega, a parte terá que mover a ação de exibição, que tem caráter incidental, pois se
desenvolve no mesmo processo da ação principal.
Esta ação exige petição inicial que, malgrado o silêncio da lei, por uma questão de
organização processual, deverá ser autuada em apenso. Nesta petição, é preciso observar os
requisitos do art. 397 do CPC.
O terceiro, que figura como réu nesta ação, será citado pessoalmente e terá o prazo de 15
(quinze) dias para apresentar a sua resposta (art. 401 do CPC).
Se o terceiro contestar a ação para negar a obrigação de exibir ou negar que se encontra na
posse do documento ou coisa, o juiz designará audiência especial, tomando-lhe o depoimento, bem
como o das partes e, se necessário, o de testemunhas, e em seguida proferirá decisão (art. 402 do
CPC).
A decisão que julga procedente o pedido, ordenará que o terceiro deposite o documento ou a
coisa em cartório ou em outro lugar que o juiz designar no prazo de 5 (cinco) dias, impondo ao
requerente que o ressarça pelas despesas que tiver (art. 403 do CPC).
Se o terceiro descumprir a referida ordem judicial, o juiz expedirá mandado de apreensão do
documento ou da coisa, requisitando, se necessário, força policial e, além disso, o terceiro ainda
responderá pelo crime de desobediência e terá que pagar uma multa. O parágrafo único do art. 403
ainda autoriza o juiz a adotar outras medidas, inclusive coercitivas, como, por exemplo, multa
diária, para assegurar a efetivação da decisão. Por consequência, encontra-se cancelada a súmula
372 do STJ, que não admitia a multa diária na ação de exibição de documento ou coisa.
Note-se que o fato desta ação incidental ser julgada procedente não gera a presunção de
veracidade dos fatos a que se referem o documento ou coisa, ao contrário do incidente de exibição
de documento ou coisa que se encontra em poder da parte adversa.
O ato judicial que julga esta ação não é tecnicamente uma sentença, posto que o processo
prosseguirá para o julgamento da ação principal. Trata-se de uma decisão interlocutória de mérito,
impugnável pelo recurso de agravo de instrumento, conforme o art. 1.015, VI, do CPC.
Se, no entanto, o juiz julgar esta ação na mesma sentença que julgar a ação principal, o
recurso cabível será a apelação.
Por fim, em caso de urgência, a ação de exibição de documento ou coisa pode ser proposta
antes mesmo da propositura da ação principal e, nesse caso, o réu, ainda que seja ele a futura parte
contrária, será citado, e não apenas intimado, aplicando-se por analogia as normas que regem a
produção antecipada de provas (art. 381 a 383 do CPC).

ESCUSAS LEGÍTIMAS À EXIBIÇÃO DO DOCUMENTO OU COISA

De acordo com o art. 404 do CPC, a parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o
documento ou a coisa se:
I - concernente a negócios da própria vida da família;
II - sua apresentação puder violar dever de honra;
III - sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus parentes
consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar perigo de ação penal;
IV - sua exibição acarretar a divulgação de fatos a cujo respeito, por estado ou profissão,
devam guardar segredo;

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V - subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz, justifiquem a
recusa da exibição;
VI - houver disposição legal que justifique a recusa da exibição.
O parágrafo único acrescenta que se os motivos de que tratam os incisos I a VI do caput
disserem respeito a apenas uma parcela do documento, a parte ou o terceiro exibirá a outra em
cartório, para dela ser extraída cópia reprográfica, de tudo sendo lavrado auto circunstanciado.

Consoante o art. 399 do CPC, o juiz não admitirá a recusa se:


I - o requerido tiver obrigação legal de exibir;
II - o requerido tiver aludido ao documento ou à coisa, no processo, com o intuito de
constituir prova;
III - o documento, por seu conteúdo, for comum às partes.

INSPEÇÃO JUDICIAL

CONCEITO

Inspeção judicial, também chamada de inspeção ocular, é o meio de prova através do qual o
próprio juiz realiza o exame sobre pessoas ou coisas, com o fim de se esclarecer sobre fato que
interessa à decisão da causa.
A inspeção judicial pode recair sobre pessoas e coisas, inclusive, animais, bens móveis e bens
imóveis. Por analogia, também é possível a inspeção judicial de fenômenos (exemplos: barulho,
odor, etc.)

POSTULAÇÃO

A inspeção judicial será determinada pelo juiz, de ofício ou a requerimento da parte, em


qualquer fase do processo, desde que antes de prolatar a sentença.
É também cabível essa prova na fase recursal.

CABIMENTO

A rigor, a inspeção judicial sempre é cabível, desde que necessária ao esclarecimento de


determinado fato.
Não se trata de uma prova subsidiária ou necessariamente complementar ou secundária ou
ulterior, pois o juiz, antes de determiná-la, não precisa esgotar os outros meios de prova. Portanto,
pode também funcionar como prova principal e única, malgrado a opinião contrária de alguns
processualista que tratam a inspeção judicial como prova complementar de outras provas.

DIREITO DE NÃO SER INSPECIONADO

De acordo com o art. 379, II, do CPC, a parte tem o dever de colaborar com o juízo na
realização da inspeção judicial que for considerada necessária, sob pena de incidir na pena de
litigância de má-fé (art. 80, IV, do CPC). Além disso, a recusa injustificada será um forte indício da
presunção de veracidade do fato.
Entende-se, contudo, que a escusa da parte será legítima nas hipóteses dos arts. 388 e 404 do
CPC.

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Todavia, a parte não poderá ser constrangida fisicamente à realização da inspeção judicial.
Quanto ao terceiro, o art. 380 do CPC não lhe impõe o dever de se sujeitar à inspeção judicial,
mas é possível se extrair esse dever do art. 378 do CPC, segundo o qual ninguém se exime do dever
de colaborar com o Poder Judiciário para o descobrimento da verdade.

ESPÉCIES

A inspeção judicial pode ser:


a) direta: é a feita pelo juiz, sem assistência de qualquer perito.
b) indireta: é a feita pelo juiz sob a assistência de um ou mais peritos.

DISTINÇÃO ENTRE PERICIA E INSPEÇÃO JUDICIAL INDIRETA

A inspeção indireta é feita pelo próprio juiz e não pelo perito que o acompanha, ao passo que
perícia é realizada pelo perito.
A perícia só é possível para fatos que dependem de conhecimento técnico ou científico,
enquanto que a inspeção judicial recai sobre fatos que não dependem desses conhecimentos
especializados.

DISTINÇÃO ENTRE INSPEÇÃO JUDICIAL DE PESSOAS E INTERROGATÓRIO

Na inspeção judicial de pessoas, o juiz apura os fatos examinando ou perguntando, com o


intuito de apurar o estado ou situação da pessoa. A propósito, no processo de interdição, a
inspeção judicial do interditando é obrigatória, trata-se, por sinal, do único caso de inspeção judicial
obrigatória (art. 751 do CPC).
No interrogatório, o juiz apura, mediante pergunta, fatos diversos do estado da pessoa.

LOCAL DA INSPEÇÃO JUDICIAL

A inspeção judicial pode realizar-se em juízo ou noutro local, desde que no âmbito da
competência territorial do magistrado.

ACOMPANHAMENTO DAS PARTES

O art. 483 do CPC, dispõe que ͞o juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou a coisa
quando:
I - julgar necessário para a melhor verificação ou interpretação dos fatos que deva observar; II
- a coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis despesas ou graves
dificuldades;
III - determinar a reconstituição dos fatos͟.
O juiz também irá ao local quando a pessoa que for inspecionada não puder se deslocar.
As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e fazendo
observações que considerem de interesse para a causa (parágrafo único do art. 483 do CPC).
Entende-se também que as partes poderão indicar assistente técnico para acompanhar a
inspeção judicial, não obstante o silêncio da lei.
As partes devem ser intimadas previamente sobre o dia, hora e local em que se realizará a
inspeção judicial, preservando-se, destarte, o contraditório.

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AUTO E ATA DE INSPEÇÃO

Auto é o nome da documentação dos atos processuais realizados fora do juízo.


Ata ou termo de audiência é o nome da documentação dos atos processuais realizados em
juízo.
Feita a inspeção judicial em juízo, em audiência especialmente designada para esse fim, lavra-
se o termo ou ata de inspeção.
Se, no entanto, a inspeção judicial for realizada fora da sede do juízo, lavra-se o auto de
inspeção. Nesse caso, concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado,
mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa (art. 484 do CPC).
O auto poderá ser instruído com desenho, gráfico ou fotografia (parágrafo único do art. 484
do CPC).
Informação que não constar no termo ou no auto de inspeção não poderá ser utilizada como
prova.
O juiz, no termo ou auto de inspeção, não pode emitir juízos ou conclusões, sob pena de
emitir um pré-julgamento, devendo portanto se limitar a fazer narrativas.

PERGUNTAS:

1) Quem pode requerer a exibição de documento ou coisa?


2) O juiz pode determinar de ofício a exibição de documento ou coisa?
3) A exibição do documento ou coisa enseja a instauração de um procedimento incidental ou
de uma ação?
4) Quando o documento se encontra em poder da parte contrária, o pedido de exibição pode
ser verbal? Este incidente suspenderá o processo?
5) Na decisão que julga procedente o incidente de exibição de documento, o juiz mandará a
parte contrária exibir o documento? É cabível multa diária?
6) Qual o recurso cabível da decisão que julga o incidente de exibição de documento?
7) Quando o documento se encontra em poder de terceiro, a exibição exige um procedimento
ou uma ação?
8) Este terceiro será citado ou intimado?
9) A decisão que julgar procedente esta ação ordenará o quê ao terceiro?
10) Quais as consequências de o terceiro descumprir a ordem judicial de exibição?
11) Qual o recurso cabível da decisão que julga a ação de exibição de documento?
12) É cabível a ação de exibição antes da ação principal?
13) Quais as hipóteses em que é cabível a escusa à exibição de documento?
14) Quais as hipóteses em que o juiz não admitirá a escusa?
15) É possível a exibição parcial de documento?
16) O que é inspeção judicial?
17) Sobre o que pode recair a inspeção judicial?
18) Quem pode postular a inspeção judicial?
19) É cabível a inspeção judicial na fase recursal?
20) A inspeção judicial é uma prova complementar ou subsidiária?
21) A parte tem o direito de não ser inspecionada?

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22) Qual a consequência da recusa injusta?


23) Qual a diferença entre inspeção judicial direta e indireta?
24) Qual a diferença entre inspeção indireta e perícia?
25) Qual a diferença entre inspeção judicial de pessoas e interrogatório?
26) Qual o local da inspeção judicial?
27) Qual a diferença entre auto e ata de inspeção?
28) O juiz emite juízo de conclusão na ata ou auto de inspeção judicial?

PROVA DOCUMENTAL OU LITERAL (PARTE 1)

CONCEITO

Em sentido amplo, documento é a coisa que, por si só, comprova um fato. Exemplos:
fotografias, vídeos e outras formas de reprodução mecânica, como a fonográfica, a
cinematográfica, etc. Trata-se do conceito adotado pelo art. 422 do CPC que, em seu §1º, abrange
também as fotografias digitais e as imagens extraídas da internet.
Em sentido estrito, o documento é apenas o papel escrito com valor probatório. Exemplos:
cheques, contratos, certidões de casamento, etc. Este conceito é o adotado na área penal,
conforme delito previsto no art. 304 do CP.
O documento, no sentido adotado pelo CPC, não se confunde com a prova escrita. Tem a
prova documental não-escrita (exemplo: vídeos) e a prova escrita que não é documental (exemplo:
laudo pericial).
A prova documental, frise-se novamente, não é mais valiosa que as outras provas. No Brasil
vigora o princípio do livre convencimento motivado, podendo o juiz afastá-la e priorizar outras
provas. Não há assim hierarquia entre os meios de prova, de modo que a prova documental
encontra-se em pé de igualdade com os demais meios típicos ou atípicos de prova.
Acrescente-se, contudo, que quando a lei exige instrumento público como requisito da
substância do ato, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe falta (art. 406
do CPC). Exemplo: a propriedade do imóvel deve ser comprovada pela matrícula no Registro de
Imóveis, que é espécie de documento público. Outro exemplo: a morte deve ser comprovada por
certidão de óbito. Trata-se de um resquício do sistema da prova legal, também chamado de sistema
tarifado, pois, nesses casos, confere-se ao documento público um valor probatório exclusivo, que
afasta os demais meios de prova.

DOCUMENTO, MONUMENTO, INSTRUMENTO E PROVA DOCUMENTADA

O documento tem um suporte fático que permite o seu deslocamento até o juízo.
O monumento é o meio de prova cujo deslocamento até o juízo é inviável. Exemplo: a casa
em que ocorreu o ato ilícito.
Instrumento é a prova documental escrita. É uma espécie de documento, mas nem todo
documento é escrito.
Prova documentada é a que foi reduzida à escrito. Exemplo: depoimento da testemunha.
Outro exemplo: laudo do perito. Nem toda prova escrita configura documento. Assim, a prova
testemunhal e a prova pericial não são documentos.

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DOCUMENTOS AUTÓGRAFOS E HETERÓGRAFOS

Documento autógrafo é o redigido pela própria pessoa que o assinou.


Documento heterógrafo é o redigido por pessoa diversa da que o assinou. Exemplo: escritura
pública.

DOCUMENTOS DISPOSITIVOS E NARRATIVOS

Documentos dispositivos são os que contém uma declaração de vontade constitutiva,


modificativa ou extintiva de alguma relação jurídica. Exemplos: contrato, testamento, etc. As
declarações que constam em documento dispositivo presumem-se verdadeiras em relação ao
signatário que a escreveu e assinou ou somente a assinou (art. 408 do CPC). Note que uma
presunção em relação apenas ao signatário e não em relação a todas as demais pessoas. Há uma
presunção de verdade, em relação aos signatários, de que houve a declaração e da existência da
relação jurídica a que se refere esta declaração.
Documentos narrativos ou testemunhais são os que contém a declaração de ciência ou
descrição de algum fato. Exemplo: boletim de ocorrência. As declarações que constam nos
documentos narrativos comprovam apenas a ciência de determinado fato, mas não comprova o
fato em si, incumbindo o ônus de prová-lo ao interessado em sua veracidade (parágrafo único do
art. 408 do CPC). Estes documentos comprovam apenas que houve a declaração, mas não o fato
declarado.

DOCUMENTO PÚBLICO

Documento público é o elaborado por funcionário público no exercício de sua função,


mediante observância das formalidades legais.
O documento público comprova, por si só, os fatos que o servidor público declarar que
ocorreram em sua presença, conforme art. 405 do CPC. Exemplo: o auto de infração lavrado por
fiscal do trabalho tem presunção de veracidade.
Este efeito probatório, no entanto, restringe-se apenas aos fatos que foram presenciados
pelo funcionário público e não aos fatos que foram trazidos ao seu conhecimento pelas partes.
Vê-se assim que os documentos públicos que versam sobre fatos presenciados pelo
funcionário público têm uma fé pública mais ampla, pois o fato se presume verdadeiro em relação
a todas as pessoas e não apenas ao funcionário público signatário.
Trata-se, no entanto, de presunção relativa, que admite prova em contrário.

DOCUMENTO PÚBLICO NULO

O documento público nulo, que é o emanado do funcionário público incompetente ou sem a


observância das formalidades legais, sendo subscrito pelas partes tem a mesma eficácia do
documento particular (art. 407 do CPC).
Esta conversão do documento público em documento particular, no entanto, será inócua
quando a lei exigir o instrumento público como requisito de validade do ato.
Ao dizer que este documento público tem a mesma eficácia probatória que o documento
particular a lei quis deixar claro que a presunção de veracidade recairá apenas em relação ao
particular que o assinou. Se apenas o funcionário público o houver assinado, o documento público
nulo não provará nada contra ninguém.

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DOCUMENTO PARTICULAR

Documento particular é o que não é público. Obtém-se o conceito por exclusão.


Como se viu, também se considera documento particular o elaborado por funcionário público
incompetente, bem como o emanado do funcionário público competente sem a observância das
formalidades legais.
O documento particular também desfruta de fé pública, isto é, de presunção de veracidade,
todavia, esta presunção é restrita apenas ao signatário (art. 408 do CPC).
Note-se, contudo, que enquanto a presunção de veracidade do documento público abrange
também os fatos presenciados pelo funcionário público, no documento particular a declaração de
ciência não comprova a existência do fato, mas apenas que houve esta declaração e a sua ciência
por quem a subscreveu (parágrafo único do art. 408 do CPC). Se, por exemplo, ͞A͟ declara por
escrito que ͞B͟ dirigia na contramão em determinado horário e local, presume-se que é verdade
que ͞A͟ fez essa declaração, mas não se presume que é verdade o fato a que se refere essa
declaração. Se, no entanto, a declaração for feita por uma guarda de trânsito presume-se a
veracidade do fato.
Acrescente-se ainda que a fé pública do documento público tem efeito ͞erga omnes͟, atinge
todas as pessoas, ao passo que a fé pública do documento particular é restrita apenas a quem
subscreveu o documento.
Frise-se, contudo, que a fé pública, isto é, a presunção de verdade do documento público ou
do documento particular é relativa, pois admite-se prova em sentido contrário para se demonstrar
a sua falsidade.

DOCUMENTOS ELETRÔNICOS
Documento eletrônico é o que se encontra armazenado em um arquivo digital. Não é
preciso, para que o arquivo digital seja considerado documento, que ele contenha dados
escritos pois também se considera documento os desenhos, fotografias, sons, etc.
No processo em autos eletrônicos, os documentos devem ser juntados pelas partes de
forma digitalizada e, na impossibilidade técnica de digitalização devido ao grande volume ou
por se tornar ilegível, serão apresentados em cartório no prazo de dez dias contados do envio
da petição eletrônica e serão devolvidos a parte após o trânsito em julgado (art. 11, §5º, da lei
11.419/2006).
Os documentos digitalizados juntados no processo eletrônico com garantia de origem e
de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais (art. 11 da lei
11.419/2006). A arguição de falsidade de documento eletrônico será processada no processo
eletrônico. A autenticidade do documento digitalizado pode ser atestada pelo próprio
advogado que providenciou sua juntada (art.425, VI, do CPC).
Em contrapartida, a utilização de documento eletrônico em processo convencional, isto é,
de papel, dependerá de sua conversão à forma impressa e de verificação de sua autenticidade,
na forma da lei (art. 439 do CPC).
O art. 440 do CPC esclarece que Dzo juiz apreciará o valor probante do documento
eletrônico não convertido, assegurado às partes o acesso ao seu teordz. Assim, ainda que não
convertido em papel, o documento eletrônico não perderá o seu valor probatório, desde que as
partes tenham acesso ao seu teor. Este acesso ao conteúdo da mídia (CD, DVD, pen drive, etc)
poderá ser feito em audiência, intimando-se previamente as partes, conforme parágrafo único
do art. 434 do CPC.
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ANÁLISE DE ALGUMAS NORMAS SOBRE DOCUMENTO PARTICULAR

a) dúvida sobre a data


A data do documento particular, quando a seu respeito surgir dúvida ou impugnação
entre os litigantes, provar-se-á por todos os meios de direito (art. 409 do CPC).
Em relação a terceiros, considerar-se-á datado o documento particular:
I - no dia em que foi registrado;
II - desde a morte de algum dos signatários;
III - a partir da impossibilidade física que sobreveio a qualquer dos signatários;
IV - da sua apresentação em repartição pública ou em juízo;
V - do ato ou do fato que estabeleça, de modo certo, a anterioridade da formação do
documento (parágrafo único do art. 409 do CPC).
A presunção contida no citado parágrafo único é relativa, pois admite prova em contrário.

b) autoria do documento particular


De acordo com o art. 410 do CPC, considera-se autor do documento
particular: I - aquele que o fez e o assinou;
II - aquele por conta de quem ele foi feito, estando assinado;
III - aquele que, mandando compô-lo, não o firmou porque, conforme a experiência
comum, não se costuma assinar, como livros empresariais e assentos domésticos.
c) documento autêntico
Documento autêntico é aquele em que a autoria aparente corresponde à autoria real. É,
pois, o documento que promana do autor nele indicado.
O art. 411 do CPC trata da presunção de autenticidade, dispondo que: DzConsidera-se
autêntico o documento quando:
I - o tabelião reconhecer a firma do signatário;
II - a autoria estiver identificada por qualquer outro meio legal de certificação, inclusive
eletrônico, nos termos da lei;
III - não houver impugnação da parte contra quem foi produzido o documentodz.
O documento particular de cuja autenticidade não se duvida prova que o seu autor fez a
declaração que lhe é atribuída (art.412 do CPC).
d) indivisibilidade do documento particular
O documento particular admitido expressa ou tacitamente é indivisível, sendo vedado à
parte que pretende utilizar-se dele aceitar os fatos que lhe são favoráveis e recusar os que são
contrários ao seu interesse, salvo se provar que estes não ocorreram (parágrafo único do
art.412 do CPC).
A escrituração contábil também é indivisível, e, se dos fatos que resultam dos
lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são contrários, ambos
serão considerados em conjunto, como unidade (art.419 do CPC).
e) telegrama, radiograma ou qualquer outro meio de transmissão

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O telegrama, o radiograma ou qualquer outro meio de transmissão tem a mesma força
probatória do documento particular se o original constante da estação expedidora tiver sido
assinado pelo remetente (art. 413 do CPC).
A firma do remetente poderá ser reconhecida pelo tabelião, declarando-se essa
circunstância no original depositado na estação expedidora (parágrafo único do art.413 do
CPC).
O telegrama ou o radiograma presume-se conforme com o original, provando as datas de
sua expedição e de seu recebimento pelo destinatário (art. 414 do CPC).
f) documentos particulares sem assinatura
As declarações assinadas presumem-se verdadeiras em relação ao signatário, conforme
art. 408 do CPC, mas sem assinatura só haverá essa presunção nos casos especificados nos arts.
415, 416 e 417 do CPC.
Com efeito, o art. 415 dispõe que Dzas cartas e os registros domésticos provam contra
quem os escreveu quando:
I - enunciam o recebimento de um crédito;
II - contêm anotação que visa a suprir a falta de título em favor de quem é apontado como
credor;
III - expressam conhecimento de fatos para os quais não se exija determinada prova.
O art. 416, por sua vez, salienta que:
Dz A nota escrita pelo credor em qualquer parte de documento representativo de
obrigação, ainda que não assinada, faz prova em benefício do devedordz. Aplica-se essa regra
tanto para o documento que o credor conservar em seu poder quanto para aquele que se achar
em poder do devedor ou de terceiro (parágrafo único do art. 416 do CPC).
Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia,
demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem
à verdade dos fatos (art. 417 do CPC).
Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos por lei provam a favor de
seu autor no litígio entre empresários (art. 418 do CPC).
g) fotografias e outras formas de reprodução mecânica
Qualquer reprodução mecânica, como a fotográfica, a cinematográfica, a fonográfica ou de
outra espécie, tem aptidão para fazer prova dos fatos ou das coisas representadas, se a sua
conformidade com o documento original não for impugnada por aquele contra quem foi
produzida (art. 422 do CPC).
As fotografias digitais e as extraídas da rede mundial de computadores fazem prova das
imagens que reproduzem, devendo, se impugnadas, ser apresentada a respectiva autenticação
eletrônica ou, não sendo possível, realizada perícia (§ 1o do art. 422 do CPC).
Se se tratar de fotografia publicada em jornal ou revista, será exigido um exemplar
original do periódico, caso impugnada a veracidade pela outra parte (§ 2o do art.422 do CPC).
Aplica-se o disposto neste artigo à forma impressa de mensagem eletrônica (§ 3o do art.
422 do CPC).
h) cópias de documentos
As cópias têm o mesmo valor que o original quando certificada a autenticidade pelo

funcionário público competente, sendo que as cópias de peças do processo judicial podem ser

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declaradas autênticas pelo advogado. Acrescente-se ainda que a autenticidade dos extratos
digitais de bancos de dados públicos e privados podem ser atestadas pelo seu emitente.
Também tem o mesmo valor que o original as reproduções digitalizadas de qualquer
documento público ou particular, quando juntadas aos autos pelos órgãos da justiça e seus
auxiliares, pelo Ministério Público e seus auxiliares, pela Defensoria Pública e seus auxiliares,
pelas procuradorias, pelas repartições públicas em geral e por advogados, ressalvada a
alegação motivada e fundamentada de adulteração (art.425, VI, do CPC).
Os originais dos documentos digitalizados mencionados no inciso VI deverão ser
preservados pelo seu detentor até o final do prazo para propositura de ação rescisória (§ 1 o do
art. 425 do CPC).
Tratando-se de cópia digital de título executivo extrajudicial ou de documento relevante à
instrução do processo, o juiz poderá determinar seu depósito em cartório ou secretaria (§2o do
art. 425 do CPC).
i) Documento com entrelinha, emenda, borrão ou cancelamento.
O juiz apreciará fundamentadamente a fé que deva merecer o documento, quando em

ponto substancial e sem ressalva contiver entrelinha, emenda, borrão ou cancelamento

(art.426 do CPC).

PERGUNTAS:
1) O que é documento em sentido amplo e em sentido estrito?

2) O que é monumento?
3) O que é instrumento?
4) O que é prova documentada?
5) Qual o valor da prova documental?
6) Qual o resquício do sistema da prova legal?
7) Qual a diferença entre documento autógrafo e heterógrafo?
8) O que é documento dispositivo e qual o seu valor probatório?
9) O que é documento narrativo e qual o seu valor probatório?
10) Os fatos presenciados por funcionário público têm fé pública?
11) O que é documento público nulo? Qual o seu efeito?
12) O que é documento particular e qual o seu valor probatório?
13) Qual a diferença do valor probatório do documento público e do documento particular
quanto aos fatos presenciados por funcionário público ou particular e quanto às pessoas
atingidas pela presunção de verdade?
14) O que é documento eletrônico?
15) Em processo eletrônico é possível a juntada de documento não digitalizado?
16) O advogado pode declarar um documento eletrônico autêntico?
17) O documento eletrônico pode ser juntado em processo convencional?
18) Como se prova a dúvida sobre a data do documento?
19) O que é documento autêntico?
20) Explique a indivisibilidade do documento particular.
21) O telegrama de documento particular tem o mesmo valor que o original?
22) Documento particular sem assinatura tem valor probatório?
23) A cópia de documento particular tem o mesmo valor que o original?

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24) Quem pode autenticar um documento particular?

25) O advogado tem poder de autenticação?


26) Documento com borrão ou entrelinhas tem valor probatório?

PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL

O autor deve apresentar os documentos junto com a petição inicial e o réu junto com a
contestação, sob pena de preclusão (art. 434 do CPC).
Quando o documento consistir em reprodução cinematográfica ou fonográfica, a juntada
também deverá ser na petição inicial ou na contestação, mas a sua exposição será realizada em
audiência, intimando-se previamente as partes (parágrafo único do art. 434 do CPC). Vê-se assim
que a eventual degravação, isto é, transcrição escrita só poderá ser feita após as partes serem
intimadas para, em audiência, ouvirem previamente áudio.
Ressalte-se que os documentos essenciais à propositura da ação, bem como os essenciais
para se apurar a regularização da representação processual do réu, caso não sejam juntados na
petição inicial ou na contestação, o juiz ainda dará oportunidade para a juntada posterior, fixando
um prazo para a correção do vício, sob pena de indeferimento da petição inicial ou de revelia,
conforme esta incumbência couber ao autor ou réu, respectivamente.
Quanto aos documento não essenciais ao ajuizamento da ação, mas que são importantes
para a prova, a juntada não poderá ser feita após a petição inicial ou contestação, salvo nas
seguintes hipóteses:
a) fato novo. Se, por exemplo, o réu, na contestação, arguiu fato novo impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito do autor, este, na réplica, poderá juntar documentos para
contrapor a esse fato. Com efeito, dispõe o art. 434 do CPC: ͞Incumbe à parte instruir a petição
inicial ou a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações͟.
b) documento novo. Entende-se por documento novo aquele formado após a petição
inicial ou após a contestação, bem como o que só se tornou conhecido ou disponível após esses
atos. Nessas hipóteses, a parte, ao requerer a juntada, deverá comprovar o motivo que a impediu
de juntá-lo anteriormente (parágrafo único do art. 435 do CPC).
c) fato que, por motivo de força maior, não pode ser alegado no momento oportuno.
Nesse caso, a sua arguição é possível inclusive na apelação (art. 1.014 do CPC).
d) documento que se encontra em repartição pública. Nesse caso, é cabível a requisição
judicial (art. 438 do CPC).
e) documento que se encontra em poder da parte contrária ou de terceiro particular.
Nessas hipóteses, será cabível a medida de exibição (art. 396 e ss).

MOMENTO PARA MANIFESTAÇÃO SOBRE OS DOCUMENTOS

O réu deve se manifestar na contestação sobre os documentos anexados à inicial, e o autor


manifestar-se na réplica sobre os documentos anexados à contestação (art. 437 do CPC).
Nas demais hipóteses, sempre que uma das partes requerem a juntada de documentos aos
autos, o juiz intimará a outra parte que terá 15 (quinze) dias para:
a) impugnar a admissibilidade da prova documental. Exemplo: alegar que o documento foi
juntado fora do prazo.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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b) impugnar a autenticidade do documento. Exemplo: alegar que a fotocópia do


documento encontra-se sem o reconhecimento de firma.
c) suscitar a falsidade do documento, com ou sem deflagração do incidente de arguição
de falsidade.
d) manifestar-se sobre o conteúdo do documento.
Poderá o juiz, a requerimento da parte, dilatar o prazo para manifestação sobre a prova
documental produzida, levando em consideração a quantidade e a complexidade da documentação
(§2º do art. 437 do CPC).

REQUISIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA

São dois os meios de obtenção da prova documental:


a) exibição: quando o documento se encontra em poder da outra parte ou de terceiro
particular (art. 396 a 404 do CPC).
b) requisição quando o documento se encontra em alguma repartição pública. Com efeito, o
art. 438 do CPC dispõe que: ͞o juiz requisitará às repartições públicas, em qualquer tempo ou grau
de jurisdição:
I - as certidões necessárias à prova das alegações das partes;
II - os procedimentos administrativos nas causas em que forem interessados a União, os
Estados, o Distrito Federal, os Municípios ou entidades da administração indireta͟.
Recebidos os autos, o juiz mandará extrair, no prazo máximo e improrrogável de 1 (um) mês,
certidões ou reproduções fotográficas das peças que indicar e das que forem indicadas pelas
partes, e, em seguida, devolverá os autos à repartição de origem.
As repartições públicas poderão fornecer todos os documentos em meio eletrônico,
conforme disposto em lei, certificando, pelo mesmo meio, que se trata de extrato fiel do que
consta em seu banco de dados ou no documento digitalizado.
O citado art. 438 do CPC refere-se à requisição de certidões e de procedimentos
administrativos, sendo silente acerca da requisição de informações, mas o §3º do art. 256 do CPC
prevê expressamente a possibilidade de requisição pelo juízo de informações sobre o endereço do
réu nos cadastros de órgãos públicos ou de concessionárias de serviços públicos.

ARGUIÇÃO DE FALSIDADE

A falsidade documental pode ser material e ideológica.


A falsidade material é a formação de um documento inverídico ou a alteração de documento
verdadeiro. Nessa falsidade, o documento é formado ou modificado por quem não tinha
competência para tanto. Exemplo: o agente confecciona uma carteira de motorista. Outro
exemplo: o sujeito altera a data de nascimento constante do seu RG.
Vê-se assim que a falsidade recai tanto sobre conteúdo do documento quanto sobre o seu
aspecto formal, à medida que a criação do documento ou a inserção de dados posteriores emana
de uma pessoa incompetente.
Quando se tratar de documento, público ou particular, materialmente falso, o ônus da prova
da falsidade incumbirá à pessoa que a arguir e a fé pública do documento, seja ele público ou
particular, só ocorrerá mediante decisão judicial declarando-lhe a falsidade, conforme arts. 427 e
429, I, do CPC.
Por outro lado, na falsidade ideológica, o documento é formalmente perfeito, inclusive,
emana da pessoa competente, recaindo a falsidade apenas sobre o seu conteúdo. Exemplo: oficial
de justiça certifica falsamente que citou o réu quando na verdade não houve citação alguma.

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O abuso do papel em branco, que é o preenchimento de um documento já assinado por


outrem com dizeres diversos do que havia sido pactuado entre as partes é um bom exemplo de
falsidade ideológica. Exemplo: ͞A͟ entrega a ͞B͟ um papel assinado em branco para que o preencha
com uma declaração de inexistência de débito, mas B maliciosamente faz constar uma confissão de
dívida. Note-se que o documento é formalmente perfeito, pois encontra-se assinado por ͞A͟ e
escrito por ͞B͟, que havia sido autorizado previamente a redigir a declaração, recaindo a falsidade
exclusivamente sobre o seu conteúdo. Se, no entanto, o preenchimento desse papel assinado em
branco houvesse sido feito por pessoa incompetente, a falsidade seria material.
Na falsidade ideológica de documento particular, cessa a fé público do documento com a
simples impugnação judicial da sua autenticidade, competindo à parte que produziu o documento o
ônus da prova da sua autenticidade, consoante dispõe os arts. 428, I e 429, II do CPC. Há, pois, uma
inversão do ônus da prova, salvo na questão do abuso do papel em branco, pois, nesse caso, o ônus
da prova do preenchimento abusivo será da parte que a arguir e não daquela que preencheu o
documento (art. 429, I, do CPC).
Outra diferença entre a falsidade material e a ideologia, é que a primeira é comprovada por
perícia (exame grafotécnico), ao passo que, na segunda, a perícia é inócua, posto que o documento
emana da pessoa competente, sendo ainda formalmente perfeito, de modo que a prova deverá ser
feita por outros meios (exemplo: testemunhas).
A arguição da falsidade pode se dar através de duas formas:
a) questão incidental;
b) ação declaratória incidental.
A opção por um ou outro meio é exclusiva da parte que a arguir, mas os efeitos serão
distintos.
Com efeito, se a parte simplesmente arguir a falsidade, sem propor a ação declaratória
incidental, a falsidade será resolvida como questão incidental, na motivação da sentença, que,
nesse tópico, só produzirá efeitos ͞endoprocessuais͟, isto é, no processo em que foi prolatada,
submetendo-se apenas à coisas julgada formal, de modo que o documento só será considerado
falso naquele processo, mas nada obsta que em outro processo, que envolva as mesmas partes,
uma outra sentença o repute válido, pois a falsidade de documento, quando decidida na motivação
da sentença, não faz coisa julgada material. A contrario sensu, é a interpretação que se extrai do
disposto no art. 433 do CPC. Trata-se, pois, de uma exceção ao §1º do art. 503 do CPC, que estende
a coisa julgada material às questões prejudiciais decididas incidentalmente na motivação da
sentença, mas que, no entanto, não é aplicável à falsidade documental.
Em contrapartida, arguida a falsidade documental através de ação declaratória incidental,
que, nesse aspecto, ainda remanesce por força do art. 19, II, do CPC, a falsidade, que será resolvida
como questão principal, constará da parte dispositiva da sentença e sobre ela incidirá também a
autoridade da coisa julgada material, conforme prevê o art. 430 do CPC, de modo que, em razão do
efeito ͞pan processual͟, o documento será também considerado falso em qualquer outro processo
que envolver as mesmas partes.
A falsidade, em caráter incidental ou mediante ação declaratória incidental, deve ser
suscitada:
a) na própria contestação, pelo réu, quando o documento falso houver sido juntado
com a petição inicial.
b) na própria réplica, pelo autor, quando a juntada do documento falso ocorrer junto
com a contestação.
c) no prazo de 15 (quinze) dias, por qualquer das partes, contados da intimação quando
o documento falso for juntado noutro momento processual.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
PROF. FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS

A arguição deve ser no prazo acima, sob pena de preclusão, mas a autenticidade do
documento pode ser afastada de ofício pelo juiz, com base no princípio do livre convencimento
motivado, podendo ainda ser objeto de ação rescisória em caso de erro de fato ou coação (art. 966,
III, do CPC).

A legitimidade para se arguir a falsidade do documento é tanto do autor quanto do réu, bem
como do Ministério Público quando atuar como fiscal do ordenamento jurídico. A parte que juntou
o documento não tem legitimidade para arguir a falsidade, pois é proibido o ͞venire contra factum
proprium͟.
A arguição da falsidade deve ser fundamentada. Com efeito, a parte exporá os motivos em
que se funda a sua pretensão e os meios com que provará o alegado (art. 431 do CPC).
A arguição será em face da parte que juntou o documento nos autos e se o documento foi
juntado por ordem do juiz, que agiu de ofício, a arguição será contra a parte beneficiada por esse
documento.
O juiz, sem suspender o processo, determinará a oitiva dessa parte no prazo de 15 (quinze)
dias (art. 432 do CPC). Não se trata de citação e, sim, de intimação através do respectivo advogado.
Após essa manifestação, o juiz designará a realização do exame pericial, quando se tratar de
falsidade material, pois, na falsidade ideológica, conforme já dito, a perícia é inócua.
Não se procederá à perícia se a parte que produziu o documento concordar em retirá-lo
(parágrafo único do art. 432 do CPC). Nesse caso, a arguição perde o objeto e o documento será
desentranhado dos autos ainda que a parte que arguiu a falsidade não concorde com essa retirada,
operando-se a extinção sem resolução do mérito da ação declaratória incidental.
Se, ao revés, a parte se opuser à arguição de falsidade, o juiz, se necessário, designará perícia.
A audiência de instrução e julgamento, quando houver, será a mesma da ação principal.
Na própria sentença da ação principal, o juiz também julgará a arguição da falsidade
documental. Conforme já dito, quando suscitada como questão incidental, o julgamento será na
motivação da sentença, mas quando constar como questão principal, em ação declaratória
incidental, constará da parte dispositiva da sentença (art. 433 do CPC).
Note-se que a ação declaratória incidental não precisa ser ajuizada para decidir com força de
coisa julgada as questões incidentais, salvo quando se tratar de falsidade documental.

PERGUNTAS:

1) Em que momento o autor e o réu devem juntar os documentos?


2) E quando se tratar de vídeos? Em que momento é feita a degravação?
3) O que acontece se os documentos não forem juntados na petição inicial ou na contestação?
4) Quais as hipóteses em que o documento pode ser juntado após a petição inicial ou após a
contestação?
5) Qual o momento para o autor ou o réu se manifestarem sobre os documentos?
6) O que pode ser alegado nesta manifestação?
7) Qual a diferença entre exibição e requisição de documentos?
8) O que é falsidade material?
9) Quem tem o ônus da prova da falsidade material?
10) O que é falsidade ideológica?
11) O abuso do papel em branco é um exemplo de falsidade material ou ideológica?
12) Em que momento cessa a fé pública na falsidade ideológica de documento? Há exceção?

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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13) As falsidades ideológica e material podem ser comprovadas por perícia?


14) Quais as duas formas de se arguir a falsidade material e ideológica?
15) Em termos de coisa julgada como se distingue a questão incidental da ação declaratória
incidental?
16) A questão prejudicial decidida na motivação da sentença faz coisa julgada material.
Há alguma exceção a essa regra?
17) A arguição da falsidade em caráter incidental ou mediante ação declaratória incidental deve
ser feita em qual peça processual?
18) Qual o prazo para essa arguição?
19) Quem tem legitimidade para arguir a falsidade?
20) Quem figura como legitimado passivo nessa arguição de falsidade?
21) Haverá uma nova citação nesse procedimento?
22) O que acontece se a parte que produziu o documento concordar em retirá-lo?

PROVA TESTEMUNHAL

CONCEITO

A prova testemunhal consiste no depoimento de uma terceira pessoa sobre fatos


relacionados ao processo.
A testemunha deve ser uma pessoa física distinta das partes e dos demais sujeitos
processuais.
Sob o prisma processual, não é testemunha aquele que conhece os fatos mas não foi arrolado
no processo para prestar depoimento.

CLASSIFICAÇÃO

A testemunha pode ser:


a) presencial ou ocular: é a que tomou conhecimento direto do fato. Exemplo: quem
presenciou o crime. Outro exemplo: quem ouviu os gritos da vítima. Mais um exemplo: quem sentiu
o mal cheiro no local.
b) de referência: é a que tomou conhecimento do fato através de outra pessoa.
c) referida: é a que foi citada nas declarações da parte ou de outra testemunha.
d) informante: é a que não presta compromisso. São os incapazes, suspeitos e impedidos de
depor. Caso deponha, o seu depoimento terá valor, mas não como prova testemunhal.

ADMISSIBILIDADE DA PROVA TESTEMUNHAL

A prova testemunhal, em regra, é sempre admissível, salvo nos casos em que a lei não a
admite (art. 442 do CPC).
Com efeito, não se admite a prova testemunhal nas seguintes hipóteses:
a) fatos já provados por documento ou confissão da parte (art. 443, I, do CPC);
b) fatos que só por documentos ou exame pericial puderem ser provados (art. 443, II, do
CPC).
Nessas situações, o juiz indeferirá a inquirição de testemunha sobre esses fatos.

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Acrescente-se ainda que o art. 55, § 3º, da lei 8.213/91 não admite, para efeito de
comprovação de tempo de serviço para fins previdenciários, a prova exclusivamente testemunhal.
A propósito, a súmula 149 do STJ também dispõe que: ͞A prova exclusivamente testemunhal não
basta à comprovação da atividade rurícola, para efeito da obtenção de benefício previdenciário͟.
Todavia, diante das peculiaridades do caso concreto, há julgados no próprio STJ admitindo a prova
exclusivamente testemunhal.
O art. 227 do Código Civil, que não admitia a prova exclusivamente testemunhal para
contrato acima de 10 (dez) salários mínimos, foi expressamente revogado pelo art. 1.072, II, do
CPC, de modo que, qualquer que seja o valor da obrigação, será possível comprová-la com prova
exclusivamente testemunhal.
Nos casos em que a lei exigir prova escrita da obrigação, é admissível a prova testemunhal em
duas hipóteses:
a) quando houver começo de prova por escrito, emanado da parte contra a qual se pretende
produzir a prova (art. 444 do CPC). Há aqui não uma vedação à prova testemunhal e, sim, uma
restrição;
b) quando o credor não pode ou não podia, moral ou materialmente obter a prova escrita da
obrigação (art. 445 do CPC). Exemplos: contrato celebrado com parente próximo, cuja exigência da
prova escrita seja constrangedora. Outro exemplo: contrato celebrado em local que, em razão das
práticas comerciais, se dispensa a forma escrita. Nessas situações, ainda que não haja começo de
prova escrita, será admitida a prova testemunhal.

CAPACIDADE PARA SER TESTEMUNHA

Em regra, a partir dos 16 (dezesseis) anos qualquer pessoa tem capacidade para ser
testemunha. Sendo necessário, o juiz pode admitir o depoimento das testemunhas menores (§5º
do art. 447 do CPC).
O §1º do art. 447 do CPC prevê o rol dos incapazes de testemunhar. São incapazes:
I - o interdito por enfermidade ou deficiência mental;
II - o que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram
os fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está habilitado a transmitir
as percepções;
III - o que tiver menos de 16 (dezesseis) anos;
IV - o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam.

IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO DA TESTEMUNHA

O impedimento e a suspeição consistem na incompatibilidade para testemunhar em razão da


falta de imparcialidade.
O impedimento, no entanto, é o fato objetivo, incontroverso, ao passo que a suspeição
revela-se subjetiva.
De acordo com o § 2o do art. 447 do CPC, são impedidos:

I - o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o


colateral, até o terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se
o exigir o interesse público ou, tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, não se puder
obter de outro modo a prova que o juiz repute necessária ao julgamento do mérito;
II - o que é parte na causa;

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III - o que intervém em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa
jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes.
Sobre o juiz, dispõe o art. 452 do CPC que, quando for arrolado como testemunha, ele
deverá:
I - declarar-se-á impedido, se tiver conhecimento de fatos que possam influir na decisão,
caso em que será vedado à parte que o incluiu no rol desistir de seu depoimento;
II - se nada souber, mandará excluir o seu nome.
Por outro lado, o § 3o do art. 447 do CPC prevê as hipóteses de suspeição. São
suspeitos: I - o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo;
II - o que tiver interesse no litígio.

Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores, impedidas
ou suspeitas (§ 4o do art. 447 do CPC).
Os depoimentos referidos no § 4o serão prestados independentemente de compromisso, e
o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer (§ 5o do art. 447 do CPC).
O juiz valorará o depoimento do informante como uma prova em sentido amplo e não
como uma prova testemunhal.
Aquele que foi condenado por falso testemunho ou que, por seus costumes, não é digno
de fé, pode depor, pois o CPC 2.015 não o considera suspeito, ao contrário da legislação
anterior.
DIREITO AO SILÊNCIO OU ESCUSA DE DEPOR
De acordo com o art. 448 do CPC, a testemunha não é obrigada a depor sobre fatos:

I - que lhe acarretem grave dano, bem como ao seu cônjuge ou companheiro e aos seus
parentes consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau;
II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo.
Note-se, contudo, que a testemunha não pode alegar objeção de consciência, isto é,
escusar-se a depor por motivos políticos ou religiosos.
LOCAL DO DEPOIMENTO

De conformidade com o art. 453 do CPC, as testemunhas depõem, na audiência de instrução


e julgamento, perante o juiz da causa, exceto:
I - as que prestam depoimento antecipadamente;
II - as que são inquiridas por carta. Trata-se de carta precatória, rogatória, arbitral ou de
ordem.
A oitiva de testemunha que residir em comarca, seção ou subseção judiciária diversa daquela
onde tramita o processo poderá ser realizada por meio de videoconferência ou outro recurso
tecnológico de transmissão e recepção de sons e imagens em tempo real, o que poderá ocorrer,
o
inclusive, durante a audiência de instrução e julgamento (§ 1 do art. 453 do CPC). Os juízos
deverão manter equipamento para a transmissão e recepção de sons e imagens a que se refere o §
o
1 . Esta oitiva evita a expedição de carta precatória. O recurso tecnológico, que permite a essa
oitiva pode ser, além do aparelho de vídeo conferência, o skype e outros meios que permitam ao
juiz visualizar a testemunha.
Quando a parte ou a testemunha, por enfermidade ou por outro motivo relevante, estiver
impossibilitada de comparecer, mas não de prestar depoimento, o juiz designará, conforme as
circunstâncias, dia, hora e lugar para inquiri-la (parágrafo único do art. 449 do CPC).
Por outro lado, o art. 454 preceitua que são inquiridos em sua residência ou onde exercem

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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sua função:
I - o presidente e o vice-presidente da República;
II - os ministros de Estado;
III - os ministros do Supremo Tribunal Federal, os conselheiros do Conselho Nacional de
Justiça e os ministros do Superior Tribunal de Justiça, do Superior Tribunal Militar, do Tribunal
Superior Eleitoral, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal de Contas da União;
IV - o procurador-geral da República e os conselheiros do Conselho Nacional do Ministério
Público;
V - o advogado-geral da União, o procurador-geral do Estado, o procurador-geral do
Município, o defensor público-geral federal e o defensor público-geral do Estado;
VI - os senadores e os deputados federais;
VII - os governadores dos Estados e do Distrito Federal;
VIII - o prefeito;
IX - os deputados estaduais e distritais;
X - os desembargadores dos Tribunais de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais, dos
Tribunais Regionais do Trabalho e dos Tribunais Regionais Eleitorais e os conselheiros dos Tribunais
de Contas dos Estados e do Distrito Federal;
XI - o procurador-geral de justiça;
XII - o embaixador de país que, por lei ou tratado, concede idêntica prerrogativa a agente
diplomático do Brasil.
O juiz solicitará à autoridade que indique dia, hora e local a fim de ser inquirida, remetendo-
o
lhe cópia da petição inicial ou da defesa oferecida pela parte que a arrolou como testemunha (§ 1
do art. 454 do CPC).
Passado 1 (um) mês sem manifestação da autoridade, o juiz designará dia, hora e local para o
o
depoimento, preferencialmente na sede do juízo (§ 2 do art. 454 do CPC).
O juiz também designará dia, hora e local para o depoimento, quando a autoridade não
comparecer, injustificadamente, à sessão agendada para a colheita de seu testemunho no dia, hora
o
e local por ela mesma indicados (§ 3 do art. 454 do CPC).
Esta prerrogativa que se atribui às chamadas pessoas egrégias só perdura durante a mandato.

JUNTADA DO ROL DE TESTEMUNHAS

Na decisão de saneamento, caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal, o


juiz fixará prazo comum não superior a 15 (quinze) dias para que as partes apresentem rol de
o
testemunhas (§ 4 do art. 357 do CPC).
Portanto, o prazo para arrolar testemunhas é aquele que o juiz fixar na decisão de
saneamento ao designar a data da audiência de instrução e julgamento. Este prazo não poderá ser
superior a 15 (quinze) dias.
Se o juiz designar audiência para prolatar a decisão de saneamento, conforme lhe autoriza o §
3º do art. 357 do CPC, as partes devem apresentar, nesta audiência, o respectivo rol de
testemunhas (§ 5º do art. 357 do CPC).
O rol de testemunhas deve ser apresentado de uma só vez, sendo vedada, diante da
preclusão consumativa, a complementação posterior.
O número de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no
o
máximo, para a prova de cada fato (§ 6 do art. 357 do CPC).
O juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta a complexidade da causa e
o
dos fatos individualmente considerados (§ 7 do art. 357 do CPC).
Note-se que o número máximo de 3 (três) testemunhas é para cada fato, ao passo que no

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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Juizado Especial o limite é de três testemunhas por parte (art. 34 da lei 9.099/95)
O rol de testemunhas conterá, sempre que possível, o nome, a profissão, o estado civil, a
idade, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas, o número de registro de identidade e
o endereço completo da residência e do local de trabalho. (art. 450 do CPC).
O juiz pode, de ofício, ou a requerimento da parte, ouvir as testemunhas referidas nas
declarações da parte ou das testemunhas (art. 461, II, do CPC).

SUBSTITUIÇÃO DA TESTEMUNHA
o o
De acordo com o art. 451 do CPC, depois de apresentado o rol de que tratam os §§ 4 e 5 do
art. 357, a parte só pode substituir a testemunha:
I - que falecer;
II - que, por enfermidade, não estiver em condições de depor;
III - que, tendo mudado de residência ou de local de trabalho, não for encontrada.
Fora dessas hipóteses, a substituição só será possível mediante concordância das partes.

INTIMAÇÃO DA TESTEMUNHA

Cabe ao advogado da parte informar ou intimar a testemunha por ele arrolada do dia, da hora
e do local da audiência designada, dispensando-se a intimação do juízo. (art. 455 do CPC).
A intimação deverá ser realizada por carta com aviso de recebimento, cumprindo ao
advogado juntar aos autos, com antecedência de pelo menos 3 (três) dias da data da audiência,
o
cópia da correspondência de intimação e do comprovante de recebimento (§ 1 do art. 455 do
CPC).
A parte pode comprometer-se a levar a testemunha à audiência, independentemente da
o
intimação de que trata o § 1 , presumindo-se, caso a testemunha não compareça, que a parte
o
desistiu de sua inquirição (§ 2 do art. 455 do CPC).
o
A inércia na realização da intimação a que se refere o § 1 importa desistência da inquirição
o
da testemunha (§3 do art. 455 do CPC).
o
De acordo com o § 4 do art. 455 do CPC, a intimação será feita pela via judicial
o
quando: I - for frustrada a intimação prevista no § 1 deste artigo;
II - sua necessidade for devidamente demonstrada pela parte ao juiz;
III - figurar no rol de testemunhas servidor público ou militar, hipótese em que o juiz o
requisitará ao chefe da repartição ou ao comando do corpo em que servir;
IV - a testemunha houver sido arrolada pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública;
V - a testemunha for uma daquelas previstas no art. 454.

CONDUÇÃO COERCITIVA
o o
A testemunha que, intimada na forma do § 1 ou do § 4 , deixar de comparecer sem motivo
o
justificado será conduzida e responderá pelas despesas do adiamento (§ 5 do art. 455 do CPC).

ORDEM DA INQUIRIÇÃO

O juiz inquirirá as testemunhas separada e sucessivamente, primeiro as do autor e depois as


do réu, e providenciará para que uma não ouça o depoimento das outras (art. 456 do CPC).
O juiz poderá alterar a ordem estabelecida no caput se as partes concordarem (parágrafo
único do art.456 do CPC).

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QUALIFICAÇÃO DA TESTEMUNHA

Antes de depor, a testemunha será qualificada, declarará ou confirmará seus dados e


informará se tem relações de parentesco com a parte ou interesse no objeto do processo (art. 457
do CPC).
Vale lembrar que o rol de testemunhas, sempre que possível, também deve qualificar as
testemunhas (art. 450 do CPC).

CONTRADITA

Contradita é o meio utilizado pela parte contrária para desqualificar a testemunha, em razão
de incapacidade, suspeição ou impedimento.
Com efeito, logo após a qualificação, é lícito à parte contraditar a testemunha, arguindo-lhe a
incapacidade, o impedimento ou a suspeição, bem como, caso a testemunha negue os fatos que
lhe são imputados, provar a contradita com documentos ou com testemunhas, até 3 (três),
o
apresentadas no ato e inquiridas em separado (§1 do art. 457 do CPC).
o
Sendo provados ou confessados os fatos a que se refere o § 1 , o juiz dispensará a
o
testemunha ou lhe tomará o depoimento como informante (§2 do art. 457 do CPC).
Vê-se assim que apresentação prévia do rol de testemunha tem a função de viabilizar a
eventual contradita.
O juiz costuma resolver, na própria audiência, o incidente de contradita, mas caso haja
necessidade de provas adicionais ele suspenderá a audiência para poder solucionar a contradita.
A contradita deve ser apresentada antes do início do depoimento, sob pena de preclusão,
mas há quem sustente que pode ser arguida até antes do fim do depoimento.

ESCUSA DE DEPOR

A testemunha pode requerer ao juiz que a escuse de depor, alegando os motivos previstos
o
neste Código, decidindo o juiz de plano após ouvidas as partes (§3 do art. 457 do CPC).
Os motivos que ensejaram essa escusa encontram-se no art. 448 do CPC.

COMPROMISSO

Ao início da inquirição, a testemunha prestará o compromisso de dizer a verdade do que


souber e lhe for perguntado (art. 458 do CPC).
O juiz advertirá à testemunha que incorre em sanção penal quem faz afirmação falsa, cala ou
oculta a verdade (parágrafo único do art.458 do CPC).

INQUIRIÇÃO DAS TESTEMUNHAS

As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, começando pela que
a arrolou, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com
as questões de fato objeto da atividade probatória ou importarem repetição de outra já respondida
(art. 459 do CPC).
O juiz poderá inquirir a testemunha tanto antes quanto depois da inquirição feita pelas partes
o
(§1 do art. 459 do CPC).
As testemunhas devem ser tratadas com urbanidade, não se lhes fazendo perguntas ou

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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o
considerações impertinentes, capciosas ou vexatórias (§2 do art. 459 do CPC).
o
As perguntas que o juiz indeferir serão transcritas no termo, se a parte o requerer (§ 3 do
art. 459 do CPC).
Quando o processo envolver discussão sobre fato relacionado a abuso ou a alienação
parental, o juiz, ao tomar o depoimento do incapaz, deverá estar acompanhado por especialista
(art. 699 do CPC).
De acordo com o art. 213 do CPP, aplicado por analogia ao processo civil, o juiz não permitirá
que a testemunha manifeste suas apreciações pessoais, salvo quando inseparáveis da narrativa do
fato.

DOCUMENTAÇÃO DO DEPOIMENTO

O depoimento poderá ser documentado por meio de gravação (art. 460 do CPC). Trata-se do
meio preferencial do registro de oitiva de testemunha.
Quando digitado ou registrado por taquigrafia, estenotipia ou outro método idôneo de
o
documentação, o depoimento será assinado pelo juiz, pelo depoente e pelos procuradores (§1 do
art. 460 do CPC).
Se houver recurso em processo em autos não eletrônicos, o depoimento somente será
o
digitado quando for impossível o envio de sua documentação eletrônica (§2 do art. 460 do CPC).
Tratando-se de autos eletrônicos, observar-se-á o disposto neste Código e na legislação
o
específica sobre a prática eletrônica de atos processuais (§3 do art. 460 do CPC).
Vale lembrar que a audiência também pode ser gravada por qualquer das partes,
independentemente de autorização judicial (§6º do art. 367 do CPC).

ACAREAÇÃO

É cabível a acareação quando o depoimento de uma testemunha conflitar com o de outra


testemunha, outrossim, quando conflitar com o depoimento pessoal de uma das partes.
Acareação é, pois, o confronto entre pessoas que prestaram depoimentos divergentes.
Só é cabível quando a contradição recair sobre fato relevante, isto é, que possa influir na
decisão da causa.
A acareação pode ser determinada pelo juiz, de ofício ou a requerimento da parte (art. 461 do
CPC).
Os acareados serão reperguntados para que expliquem os pontos de divergência, reduzindo-
o
se a termo o ato de acareação (§ 1 do art. 461 do CPC).
A acareação pode ser realizada por videoconferência ou por outro recurso tecnológico de
o
transmissão de sons e imagens em tempo real (§2 do art. 461 do CPC).

DIREITOS DAS TESTEMUNHAS

São direitos das testemunhas:


a) ser reembolsada das despesas que efetuou para comparecer à audiência. A testemunha
pode requerer ao juiz o pagamento da despesa que efetuou para comparecimento à audiência,
devendo a parte pagá-la logo que arbitrada ou depositá-la em cartório dentro de 3 (três) dias (art.
462 do CPC). No final, a parte que sucumbir ressarcirá a parte que arrolou a testemunha e que
antecipou essas despesas.
b) ser tratada com urbanidade. As testemunhas devem ser tratadas com urbanidade, não se
o
lhes fazendo perguntas ou considerações impertinentes, capciosas ou vexatórias (§ 2 do art. 459

28
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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do CPC).
c) não sofrer desconto do salário nem do tempo de serviço pelo dia que compareceu à
audiência. Assim, o depoimento prestado em juízo é considerado serviço público (art. 463 do CPC).
d) ser ouvida no foro do seu domicílio (§1º do art. 453 do CPC).

PERGUNTAS:

1) O que é a prova testemunhal?


2) Quem pode ser testemunha?
3) Qual a diferença entre testemunha presencial, de referência, referida e informante?
4) Quais as hipóteses em que não é possível a prova testemunhal?
5) O contrato acima de dez salários mínimos admite prova testemunhal?
6) Quando a lei exige prova escrita da obrigação, é possível a prova testemunhal?
7) Quem tem capacidade para ser testemunha?
8) Quais são os incapazes de testemunhar?
9) Qual a diferença entre impedimento e suspeição?
10) Quem são os impedidos?
11) Quem são os suspeitos?
12) Os incapazes, impedidos e suspeitos podem depor?
13) Quem tem direito ao silêncio?
14) A testemunha pode alegar objeção de consciência?
15) Qual o local do depoimento da testemunha?
16) Quem pode ser indicar o dia, local e horário para ser ouvido como testemunha? E se não
indicar, o que acontece?
17) Qual o prazo para se arrolar testemunhas?
18) Qual o número máximo de testemunhas?
19) O juiz pode ouvir testemunhas de ofício?
20) É possível substituir testemunhas?
21) A quem compete informar ou intimar a testemunha que arrolou da data da audiência? É
preciso comunicar ao juízo esta intimação?
22) A parte pode levar a testemunha independentemente de intimação?
23) Quais as hipóteses em que a testemunha deve ser intimada judicialmente?
24) Como é a intimação da testemunha servidora pública ou militar?
25) Quando é cabível a condução coercitiva da testemunha?
26) Qual a ordem de inquirição das testemunhas?
27) Em que momento a testemunha é qualificada?
28) O que é contradita?
29) Até que momento pode ser feito a contradita?
30) Como se pode provar a contradita?
31) Se o juiz acolher a contradita, o que acontece?
32) A testemunha pode se escusar de depor?

29
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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33) Em que momento a testemunha presta compromisso?


34) O advogado pode formular perguntas diretamente para a testemunha?
35) Quem faz primeiro as perguntas?
36) Como é feita a documentação do depoimento da testemunha?
37) O que é acareação? Quando é cabível? O juiz pode determiná-la de ofício? Pode ser feita
por meios tecnológicos?
38) Quais são os direitos das testemunhas?

PROVA PERICIAL

CONCEITO

Perícia é o meio de prova que exige conhecimentos técnicos ou científicos para o


esclarecimento de determinados fatos.
Ainda que o juiz disponha de conhecimento técnico ou científico, ele deve nomear o perito,
pois a prova também se destina às partes.
É claro que não cabe perícia quando o conhecimento científico exigido for jurídico.
Para certas ações, a perícia faz parte do procedimento. São as chamadas perícias obrigatórias
ou necessárias. Exemplos: ações de acidente do trabalho; ações demarcatórias de terras
particulares, etc.

NATUREZA JURÍDICA DO PERITO

O perito é um auxiliar da justiça.


O perito pode ser uma pessoa natural ou integrante dos quadros profissionais de uma pessoa
jurídica ou de um órgão público especializado.
Ele ainda deve ser especializado no assunto, mas não precisa ter curso superior. A rigor, até o
analfabeto pode ser perito. Exemplo: jardineiro especializado em podar determinada planta.

ESPÉCIES DE PROVA PERICIAL

De acordo com o art. 464 do CPC, a prova pericial consiste em exame, vistoria e avaliação.
Exame é a perícia que recai sobre pessoas ou bens móveis, inclusive, sobre semoventes e
documentos.
Vistoria é a perícia que recai sobre bens imóveis.
Avaliação ou arbitramento é a perícia que fixa o valor em dinheiro de certo bem, direito ou
obrigação.
O perito classifica-se em:
a) perito percipiente: é o que faz apenas a narrativa dos fatos constatados por sentido
técnico.
b) perito judicante: é o que, além de narrar os fatos, ainda emite um juízo técnico sobre eles.

INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL

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O § 1º do art. 464 do CPC esclarece que o juiz indeferirá a perícia quando:


a) a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico. Exemplo: cálculos
aritméticos.
b) for desnecessária em vista de outras provas produzidas. Exemplo: confissão sobre o fato.
c) a verificação for impraticável. Exemplo: o objeto que deveria ser periciado não existe mais.
Outro exemplo: a ciência ainda não dispõe do conhecimento técnico.
Este rol não é taxativo, pois o juiz também pode indeferir a perícia com base em outros
fundamentos.

DISPENSA DA PERÍCIA

O juiz, consoante preceitua o art. 472 do CPC, poderá dispensar a prova prévia quando as
partes, na inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou
documentos elucidativos que considerar suficientes. Esta dispensa da perícia só será possível
quando ambas as partes estiverem de acordo com o parecer técnico ou documento. A propósito, o
referido parecer técnico ou documento não é propriamente uma prova pericial e, sim, documental,
pois foi produzida fora do processo, ao passo que a perícia é determinada no processo. Todavia,
inúmeros autores consideram esta prova como sendo uma perícia extrajudicial.

NOMEAÇÃO DO PERITO

A nomeação do perito, em regra, é função exclusiva do juiz (art. 465 do CPC). Quando tiver de
realizar-se por carta, poder-se-á proceder à nomeação de perito e à indicação de assistentes
o
técnicos no juízo ao qual se requisitar a perícia (§6 do art. 465 do CPC).
Caso o perito nomeado necessite de algum esclarecimento técnico fora de sua área, não
poderá por conta própria, para complementar o seu laudo, socorrer-se de outro profissional, posto
que a nomeação do perito é ato exclusivo do juiz.
A esta regra abrem-se as seguintes exceções:

a) nomeação do perito poderá ser feita pela direção da instituição oficial à qual o juiz
requisitou a perícia, em dois casos:
 ฀ perícia sobre a autenticidade ou a falsidade de documento;
฀ perícia de natureza médico-legal.
Nesses dois casos, o perito será escolhido, de preferência, entre os técnicos dos
estabelecimentos oficiais especializados, a cujos diretores o juiz autorizará a remessa dos autos,
bem como do material sujeito a exame (art. 478 do CPC). Anote-se, porém, que nas duas hipóteses
acima, o juiz, caso queira, poderá nomear o perito, pois se trata de mera faculdade sua delegar essa
atribuição à instituição oficial.
Quando o exame tiver por objeto a autenticidade da letra e da firma, o perito poderá
requisitar, para efeito de comparação, documentos existentes em repartições públicas e, na falta
destes, poderá requerer ao juiz que a pessoa a quem se atribuir a autoria do documento lance em
o
folha de papel, por cópia ou sob ditado, dizeres diferentes, para fins de comparação (§3 do art.
478 do CPC).

b) escolha consensual do perito


De acordo com o art. 471 do CPC, as partes podem, de comum acordo, escolher o perito,
indicando-o mediante requerimento, desde que:

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I - sejam plenamente capazes;


II - a causa possa ser resolvida por autocomposição.
As partes, ao escolher o perito, já devem indicar os respectivos assistentes técnicos para
o
acompanhar a realização da perícia, que se realizará em data e local previamente anunciados (§1
do art. 471 do CPC).
O perito e os assistentes técnicos devem entregar, respectivamente, laudo e pareceres em
o
prazo fixado pelo juiz (§2 do art. 471 do CPC).
A perícia consensual substitui, para todos os efeitos, a que seria realizada por perito nomeado
o
pelo juiz (§3 do art. 471 do CPC).
O perito consensual não precisa do cadastro prévio junto ao Poder Judiciário, por força da
aplicação analógica do §1º do art. 168 do CPC.

LIBERDADE DE ESCOLHA DO PERITO

A liberdade do juiz em escolher o perito, contudo, é limitada, pois os peritos serão nomeados
entre os profissionais legalmente habilitados em cadastros mantidos pelo tribunal ao que o juiz está
vinculado (§1º do art. 156 do CPC). Esta cadastro prévio também pode conter, além dos
profissionais autônomos, órgãos técnicos e científicos. Há, pois, em razão desse cadastro prévio, o
chamado ͞perito natural͟.
Para formação do cadastro, os tribunais devem realizar consulta pública, por meio de
divulgação na rede mundial de computadores ou em jornais de grande circulação, além de
consulta direta a universidades, a conselhos de classe, ao Ministério Público, à Defensoria
Pública e à Ordem dos Advogados do Brasil, para a indicação de profissionais ou de órgãos
técnicos interessados (§ 2o do art. 156 do CPC).
Os tribunais realizarão avaliações e reavaliações periódicas para manutenção do
cadastro, considerando a formação profissional, a atualização do conhecimento e a experiência
dos peritos interessados (§ 3o do art. 156 do CPC).
Na localidade onde não houver inscrito no cadastro disponibilizado pelo tribunal, a
nomeação do perito é de livre escolha pelo juiz e deverá recair sobre profissional ou órgão
técnico ou científico comprovadamente detentor do conhecimento necessário à realização da
perícia (§ 5o do art. 156 do CPC).
Dentre os cadastrados, o juiz escolherá o perito que for de sua confiança, não há, pois, um
setor de distribuição ou de rodizio entre os peritos.
PERÍCIA COMPLEXA
Perícia complexa é a que abrange mais de uma área de conhecimento especializado.
Nesse caso, o juiz poderá nomear mais de um perito, e a parte indicar mais de uma assistente
técnico (art. 475 do CPC).
A perícia complexa é uma única perícia elaborada por mais de um Dzexpertdz.

ESCUSA DO PERITO
O perito, em regra, não pode se escusar de cumprir o seu dever, salvo alegando motivo
legítimo (art. 157 do CPC). O prazo para escusa é de 15 (quinze) dias, contado da intimação da
nomeação ou do impedimento ou suspeição superveniente, sob pena de renúncia ao direito de
alegá-la (§ 1º do art. 157 do CPC).
SUBSTITUIÇÃO DO PERITO

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De acordo com o art. 468 do CPC, o perito pode ser substituído quando:

I - faltar-lhe conhecimento técnico ou científico;

II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado.
A expressão Dzmotivo legítimodz é uma janela aberta que permite abarcar inúmeras
situações. Exemplos: excesso de trabalho; inabilitação para o objeto da perícia, etc.
No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à corporação profissional
respectiva, podendo, ainda, impor multa ao perito, fixada tendo em vista o valor da causa e o
possível prejuízo decorrente do atraso no processo (§ 1o do art.468 do CPC).
O perito substituído restituirá, no prazo de 15 (quinze) dias, os valores recebidos pelo
trabalho não realizado, sob pena de ficar impedido de atuar como perito judicial pelo prazo de
5 (cinco) anos (§ 2o do art.468 do CPC).
Não ocorrendo a restituição voluntária de que trata o § 2o, a parte que tiver realizado o
adiantamento dos honorários poderá promover execução contra o perito, na forma dos arts.
513 e seguintes deste Código, com fundamento na decisão que determinar a devolução do
numerário (§3o do art.468 do CPC).
SUSPEIÇÃO OU IMPEDIMENTO DO PERITO
O perito ainda será substituído em caso de impedimento ou suspeição. A arguição de
impedimento ou suspeição do perito deve ser feita em petição específica, devidamente
fundamentada, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data que toma conhecimento do fato.
O juiz mandará processar o incidente em separado e sem suspensão do processo, ouvindo
se o perito no prazo de 15 (quinze) dias e facultando-lhe a produção de prova, quando
necessária (§ 2º do art. 148 do CPC).
Nos tribunais, a arguição de impedimento ou suspeição do perito será disciplinada pelo
regimento interno (§ 3º do art. 148 do CPC).
Da decisão do juiz que acolher ou não essa arguição não caberá recurso de agravo de
instrumento.
Quanto ao assistente técnico da parte, não se sujeita à alegação de impedimento ou
suspeição.
PREPARAÇÃO DA PROVA PERICIAL

a) deferimento da perícia

A prova pericial pode ser determinada de ofício pelo juiz ou a requerimento das partes. O
deferimento dessa prova é na decisão de saneamento. A prova pericial, em regra, é realizada fora
da audiência de instrução e julgamento.
Aliás, é cabível a perícia ainda que não haja audiência.
O perito não presta compromisso (art. 466 do CPC).

b) prazo para a entrega do laudo


O juiz, ao nomear o perito, fixa de imediato o prazo para a entrega do laudo (art. 465 do
CPC). Se o perito, por motivo justificado, não puder apresentar o laudo dentro do prazo, o juiz
poderá conceder-lhe, por uma vez, prorrogação pela metade do prazo originalmente fixado
(art. 476 do CPC).
O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos 20 (vinte) dias

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antes da audiência de instrução e julgamento (art. 477 do CPC).

c) proposta de honorários
o
De acordo com o §2 do art. 465 do CPC, ciente da nomeação, o perito apresentará em 5
(cinco) dias:
I - proposta de honorários;
II - currículo, com comprovação de especialização;
III - contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde serão dirigidas as
intimações pessoais.
As partes serão intimadas da proposta de honorários para, querendo, manifestar-se no prazo
comum de 5 (cinco) dias, após o que o juiz arbitrará o valor, intimando-se as partes para os fins do
o
art. 95 (§ 3 do art. 465 do CPC).
Caso a perícia seja requerida pela parte beneficiária da justiça gratuita, o juiz deve ordenar
que a perícia seja realizada por órgãos públicos.
Se o depósito prévio não for feito, a perícia não será realizada, logo o juiz extinguirá a prova
pericial prosseguirá. O prazo que o juiz fixa para o depósito, porém, não é preclusivo.
Se, após a perícia, a parte não depositar o restante dos honorários, o juiz mandará expedir
certidão contendo valor do débito, que servirá como título executivo judicial a favor do perito, nos
termos do art. 515, V, do CPC. Além disso, o juiz poderá aplicar-lhe a multa do §2º do art. 77 do
CPC.

d) prazo para a indicação de assistente técnico

Incumbe às partes dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de


nomeação do perito, indicar assistente técnico e apresentar quesitos (§1º do art. 465 do CPC).
Referido prazo não é preclusivo, pois o STJ admite que a parte indique assistente técnico e
formule quesitos após esse prazo, desde que faça antes do início da perícia. Trata-se assim de um
ônus processual impróprio, pois a omissão da parte não lhe acarretará necessariamente prejuízo.
As partes terão ciência da data e do local designados pelo juiz ou indicados pelo perito para
ter início a produção da prova (art. 474 do CPC). Assim, o assistente técnico tem o direito de
acompanhar os trabalhos do perito, preservando-se, destarte, o contraditório. O perito deve
assegurar aos assistentes das partes o acesso e o acompanhamento das diligências e dos exames
que realizar, com prévia comunicação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de 5
o
(cinco) dias (§ 2 do art.466 do CPC). O objetivo é preservar o contraditório e permitir a fiscalização
da perícia. Todavia, a falta de intimação só anulará a perícia se houver prejuízo.

e) quesitos

Sobre os quesitos, há três hipóteses:


a) quesitos ordinários: são os apresentados antes do início da perícia;
b) quesitos elucidativos: são os apresentados após a entrega do laudo pericial, visando sanar
as obscuridades;
c) quesitos complementares ou suplementares: são os apresentados durante a perícia. Com
efeito, dispõe o art. 469 do CPC que: ͞As partes poderão apresentar quesitos
suplementares durante a diligência, que poderão ser respondidos pelo perito previamente
ou na audiência de instrução e julgamento͟.
A apresentação dos quesitos suplementares é possível até antes do encerramento da perícia,

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mas a parte contrária , em homenagem ao princípio do contraditório, deverá ser intimada sobre a
formulação desses quesitos. A parte que não indicou assistente técnico também pode formular
quesitos, inclusive, quesitos suplementares.
O juiz também pode formular quesitos, bem como indeferir os quesitos impertinentes (art.
470 do CPC).
Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos podem valer-se de todos
os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que
estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo
com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao
o
esclarecimento do objeto da perícia (§ 3 do art. 473 do CPC).

f) conteúdo do laudo

De acordo com o art. 473 do CPC, o laudo pericial deverá


conter: I - a exposição do objeto da perícia;
II - a análise técnica ou científica realizada pelo perito;
III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser
predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou;
IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão
do Ministério Público.

No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem simples e com


o
coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões (§1 do art. 477 do CPC).
É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões
pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia.

g) entrega do laudo

O perito deve entregar o laudo em cartório no prazo fixado pelo juiz, pelo menos 20 (vinte)
dias antes da audiência de instrução e julgamento (art. 477 do CPC). Assim, o prazo para o perito
entregar o laudo é de 20 (vinte) dias entre o protocolo do laudo em cartório e a audiência. Se o
perito, por motivo justificado, não puder apresentar o laudo dentro do prazo, o juiz poderá
conceder-lhe, por uma vez, prorrogação pela metade do prazo originalmente fixado (art. 476 do
CPC). Trata-se de um prazo regressivo, que começa a fluir do primeiro dia útil anterior à data da
audiência e termina em dia igualmente útil.

h) manifestação sobre o laudo

As partes serão intimadas para, querendo, manifestar-se sobre o laudo do perito do juízo no
prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo o assistente técnico de cada uma das partes, em igual
o
prazo, apresentar seu respectivo parecer (§ 1 do art. 477 do CPC).

h) esclarecimentos do perito e do assistente técnico


o
De acordo com o § 2 do art. 477 do CPC, o perito do juízo tem o dever de, no prazo de 15
(quinze) dias, esclarecer ponto:
I - sobre o qual exista divergência ou dúvida de qualquer das partes, do juiz ou do órgão do
Ministério Público;

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II - divergente apresentado no parecer do assistente técnico da parte.


Se ainda houver necessidade de esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que mande
intimar o perito ou o assistente técnico a comparecer à audiência de instrução e julgamento,
o
formulando, desde logo, as perguntas, sob forma de quesitos (§ 3 do art. 477 do CPC).
Os esclarecimentos do perito e do assistente técnico podem ser requeridos pelas partes ou
determinados de ofício pelo juiz. Na audiência, esses esclarecimentos antecedem o depoimento
pessoal das partes, que não poderão inquirir o perito sobre pontos que não foram previamente
apresentados.
O perito e o assistente técnico só estarão obrigados a prestarem esclarecimentos quando
intimados com pelo menos 10 (dez) dias de antecedência, sendo que essa intimação se fará por
meios eletrônicos (§ 4º do art. 477 do CPC).

PERÍCIA SIMPLES OU INFORMAL

Perícia simples ou informal é a que não apresenta qualquer dificuldade e, diante disso, pode
ser realizada na própria audiência.
Com efeito, dispõe o §3º do art. 464 do CPC:
͞A prova técnica simplificada consistirá apenas na inquirição de especialista, pelo juiz, sobre
ponto controvertido da causa que demande especial conhecimento científico ou técnico͟.
A propósito, no Juizado Especial Estadual, a única perícia possível é a feita na própria
audiência com a inquirição do perito pelo juiz (art. 35 da lei 9.099/95).
O § 4º do art. 464 do CPC exige que, nessa perícia simples, o perito tenha formação
acadêmica. Ora, na perícia normal, dispensa-se essa formação e, por consequência, diante da falta
de razoabilidade, a referida norma revela-se inconstitucional.

SEGUNDA PERÍCIA OU NOVA PERÍCIA

O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de nova perícia quando


a matéria não estiver suficientemente esclarecida (art. 480 do CPC).
A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre os quais recaiu a primeira e destina-
o
se a corrigir eventual omissão ou inexatidão dos resultados a que esta conduziu (§ 1 do art. 480 do
CPC).
A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz apreciar o valor de uma e de outra
o
(§ 3 do art. 480 do CPC).
Vê-se assim que a segunda perícia versa sobre o mesmo fato da primeira. Não pode recair
sobre fato novo.
Não há hierarquia entre a primeira e a segunda perícia, pois uma não substitui a outra.
A decisão que ordena a segunda perícia é irrecorrível, mas o fato poderá ser alegado em
razões ou contrarrazões de uma futura apelação.
O juiz pode prolatar sentença com base na primeira ou na segunda perícia, ou com base
em ambas.
As regras da segunda perícia são as mesmas da primeira, conforme § 2º do art. 480 do
CPC, mas o perito deve ser outro. Assim, salvo decisão judicial em sentido contrário, não se
poderá alterar os quesitos nem o local da perícia e nem o prazo para a entrega do laudo da
segunda perícia.
O CPC não prevê a possibilidade de uma terceira perícia sobre o mesmo fato.

PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL

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O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com base em

outros elementos probatórios, conforme art. 479 do CPC.

É, pois, o juiz que irá valorar a perícia, podendo acolhê-la ou desconsiderá-la, mediante
fundamentação.
RESPONSABILIDADE DO PERITO
O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá pelos
prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de 2
(dois) a 5 (cinco) anos, independentemente das demais sanções previstas em lei, devendo o
juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção das medidas que entender
cabíveis (art. 158 do CPC).
Esta sanção, que é imposta pelo juiz do processo, depende de um prévio procedimento
incidental, assegurando-se ao perito acusado o contraditório e a ampla defesa. Trata-se de uma
decisão interlocutória de mérito, impugnável por agravo de instrumento (art. 1.015, II, do CPC).
HONORÁRIOS DO PERITO E DO ASSISTENTE TÉCNICO

a) responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais

Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que houver indicado, sendo a do
perito adiantada pela parte que houver requerido a perícia ou rateada quando a perícia for
determinada de ofício ou requerida por ambas as partes (art. 95 do CPC).

b) beneficiário da justiça gratuita


o
O §3 do art.95 do CPC acrescenta que ͞quando o pagamento da perícia for de
responsabilidade de beneficiário de gratuidade da justiça, ela poderá ser:
I - custeada com recursos alocados no orçamento do ente público e realizada por servidor do
Poder Judiciário ou por órgão público conveniado;
II - paga com recursos alocados no orçamento da União, do Estado ou do Distrito Federal, no
caso de ser realizada por particular, hipótese em que o valor será fixado conforme tabela do
tribunal respectivo ou, em caso de sua omissão, do Conselho Nacional de Justiça.
o
Na hipótese do §3 , o juiz, após o trânsito em julgado da decisão final, oficiará a Fazenda
Pública para que promova, contra quem tiver sido condenado ao pagamento das despesas
processuais, a execução dos valores gastos com a perícia particular ou com a utilização de servidor
público ou da estrutura de órgão público, observando-se, caso o responsável pelo pagamento das
o o
despesas seja beneficiário de gratuidade da justiça, o disposto no art. 98, §2 (§4 do art. 95 do
CPC).

c) honorários periciais provisórios e definitivos

Os honorários provisórios são os depositados pela parte antes da entrega do laudo, ao passo
que os honorários definitivos são os depositados somente após a entrega do laudo. Assim, o juiz
pode arbitrar honorários provisórios e relegar a fixação de honorários definitivos após a efetiva
entrega do laudo, quando então poderá avaliar melhor a extensão do trabalho do perito.
Em suma, o juiz poderá determinar que a parte responsável pelo pagamento dos honorários

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o
do perito faça o depósito prévio em juízo do valor correspondente aos honorários periciais (§1 do
art. 95 do CPC).
A quantia recolhida em depósito bancário à ordem do juízo será corrigida monetariamente e
o o
paga de acordo com o art. 465, §4 (§2 do art. 95 do CPC).
Ressalte-se, contudo, que o juiz não é obrigado a arbitrar os honorários provisórios. De fato, o
depósito antecipado, a que faz menção o §1º do art. 95 do CPC, não é regra e, sim, exceção, mas na
prática tornou-se regra.

c) pagamento do perito

O juiz poderá autorizar o pagamento de até cinquenta por cento dos honorários arbitrados a
favor do perito no início dos trabalhos, devendo o remanescente ser pago apenas ao final, depois
o
de entregue o laudo e prestados todos os esclarecimentos necessários (§4 do art. 465 do CPC).

d) Consequência da falta de depósito dos honorários provisórios

Na perícia determinada de ofício pelo juiz, se as partes não depositarem o valor dos
honorários periciais, o juiz lhes aplicará a multa de até vinte por cento do valor da causa, pois a
desobediência à ordem judicial configura ato atentatório à dignidade da justiça (art. 77, IV, e §2º do
CPC), e, além disso, ordenará a realização da perícia sem o referido depósito.
Na perícia requerida por uma das partes, a consequência será a não realização da perícia.

e) redução dos honorários

Quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir a remuneração


o
inicialmente arbitrada para o trabalho (§5 do art.465 do CPC).

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PERGUNTAS:

1) O que é perícia?
2) Se o juiz tem conhecimento técnico sobre o assunto, ele pode dispensar a perícia?
3) Qual a natureza jurídica do perito?
4) Quem pode ser perito?
5) O analfabeto pode ser perito?
6) Qual a diferença entre exame, vistoria e avaliação?
7) Qual a diferença entre perito percipiente e judicante?
8) Quais as hipóteses de indeferimento da prova pericial?
9) Quando o juiz pode dispensar a prova pericial, nos termos do art. 472 do CPC?
10) Quem escolhe o perito?
11) A escolha pode ser consensual?
12) Em caso de perícia médico-legal e sobre a autenticidade do documento, quem pode
escolher o perito?
13) A liberdade do juiz em escolher o perito é absoluta?
14) O que é perícia complexa?
15) É possível a escusa do perito?
16) É possível a substituição do perito?
17) Como deve ser requerida a suspeição ou o impedimento do perito?
18) Qual o prazo para a indicação de assistente técnico?
19) O que são quesitos ordinários?
20) O que são quesitos elucidativos?
21) O que são quesitos complementares?
22) Qual o prazo para a entrega do laudo pericial?
23) É possível perícia sem audiência de instrução e julgamento?
24) O que é perícia simples?
25) A segunda perícia substitui a primeira?
26) O juiz pode decidir contra o laudo pericial?
27) A responsabilidade do perito é objetiva ou subjetiva?
28) Quem deve antecipar as despesas do perito?
29) Quais as consequências da falta do depósito dos honorários provisórios?
30) O juiz pode reduzir o valor dos honorários periciais?

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