Você está na página 1de 5

FAMÍLIA, AULA 1

INTRODUÇÃO E MODELOS DE FAMÍLIAS

Prof. Luiz Eduardo Alves de Siqueira

Na história universal – clãs – patriarcados, inicialmente pela força física, e,


depois, pelo vínculo religioso, especialmente com os povos hebreu, grego e
romano.
Após a queda de Roma, influência da Igreja Católica, por meio do direito
canônico, vedando o divórcio e a poligamia. Portugal adere incondicionalmente
a tal direito e, por conseguinte, o Brasil, que foi sua Colônia.
Brasil – família patriarcal (herança portuguesa), durante o Império e boa parte
século XX – crise. CC 1916 (mulher virgem, II livro do CC)
Processo de industrialização e êxodo rural. Algumas mudanças (DL 3.200/41 –
DL 4737/42 - Lei Teresoca, Lei n. 3.133/1957, Estatuto da Mulher Casada e Lei
do Divórcio). Diminuição do número de filhos. Mulher ingressando aos poucos
no mercado de trabalho.
Na Lei do Divórcio, em sua redação original, destaque-se que: o rompimento
do vínculo poderia se dar uma vez só (a partir de 1989, por diversas vezes), só
por meio judicial (a partir de 2007, por meio extrajudicial, caso não houvesse
litígio ou filhos menos), só para pessoas do mesmo sexo (a partir de 2011, o
STJ reconheceu o casamento homoafetivo) e era necessário tempo de
casamento ou de separação para que fosse concedido o divórcio (em 2010, a
Emenda Constitucional nº 66 dispensou tal requisito).
CF – passa a reconhecer a existência da união estável.
Paradigma anterior: o sangue. Paradigma atual: a afetividade.

Até 1988 – direito matrimonial, direito parental (parentesco) e direito


assistencial (pátrio poder, alimentos, tutela, curatela e ausência)

Após 1988 – o foco deixa de ser o matrimônio e certas áreas se tornam


microssistemas (criança, reconhecimento de paternidade, divórcio, criança e
adolescente, idoso). Passa a alcançar entidades familiares, direito parental,
patrimonial familiar e protetivo.

Pessoas vulneráveis: homossexuais, crianças, mulheres, idosos.

Família natural x família substituta


O direito atual é igualitário e solidário, ao menos no plano teórico e idealizado.

Composição da família: vínculos e grupos. Vínculos de sangue, de direito e de


afetividade. A partir dos vínculos de família é que se compõem os grupos:
conjugal, parental e secundário (demais parentes).
Perfil demográfico: famílias menores, monoparentais, aumento da população
idosa, mulheres mais longevas
Preocupação legal: matrimônio e patrimônio. Tratamento da filiação.
Socioafetividade (arts. 1593, 1596, 1597, V; 1605, 1614 do Código Civil)

Direito público ou privado?

Público – se a relação for juridicamente desigual sob o império do Estado

Privado – se a relação for entre pessoas privadas ou delas com o Estado,


quando não estiver investido de seu império

É privado, pois os sujeitos assim o são, apesar da existência de normas


cogentes ou de ordem pública. Nada é mais privado que a vida familiar. “A
família é uma ilha que o mar do direito pode apenas lamber”.

Tipos de famílias

Nuclear – pais e filhos

Matrimonial – decorre do casamento

Informal – decorre da união estável

Monoparental – um dos genitores com os filhos

Anaparental – só os filhos

Homoafetiva – pessoas do mesmo sexo

Eudemonista – vínculo afetivo (ou socioafetiva)

Avuncular – Tios e sobrinhos

Mosaico – cônjuges ou companheiros têm filhos próprios e comuns

Outras normas que falam em família sem dar limitações: usucapião urbana
(arts. 183 e 191 CF), art. 11 da Lei do Inquilinato, Lei n. 8.009/90 (bem de
família) e Lei Maria da Penha (11.340/2006) – comunidade formada por
indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais,
por afinidade ou por vontade expressa.

Vínculo com o direito sucessório – herança em função do parentesco

Tutela da privacidade e mediação (divórcio extrajudicial)

Responsabilidade – compromisso com o futuro e não consequências de


natureza negativa. E filhos havidos fora do casamento? Ilegítimos não podiam
ser reconhecidos. Idoso. União estável. Alimentos.

Direito intertemporal – só regime de bens (2.039 e 2.040). Pode alterar (1.639,


por autorização judicial), o que não cabe na união estável.

Demarcação jurídico-constitucional das entidades familiares

226 CF – primazia do casamento ou igualdade entre os tipos?

Tese a favor do casamento: 226, § 3º, CF, - “devendo a lei facilitar a conversão
em casamento”. A ideia, porém, não é subordinar a existência de validade à
conversão e casamento, mas sim na remoção de obstáculos para que os
companheiros se casem, se quiserem.

São iguais? Não, são faculdades.

Normas constitucionais de inclusão

226, § 4º - sem há referência a certo tipo de família

226, § 8º - combate à violência familiar

Do melhor interesse das pessoas humanas que integram as entidades


familiares

227 – em vez da proteção direta à família, às pessoas que a integram. Família


acaba sendo mais objeto de deveres que de direitos

Não é a família que é protegida, mas sim o local indispensável de realização e


desenvolvimento da pessoa humana.

Filhos iguais = comunhão de amor ou interesse afetivo

Divórcio direto (Emenda 66) – a afetividade é que sustenta as entidades


familiares, e não a lei
Reprodução assistida – possível, pois a família pode-se desejar seja
constituída.

Se morre o genitor, a família torna-se anaparental. Se se casam os filhos, o


genitor torna-se celibatário.

União homoafetiva

Possível? 226, § 3º, diz homem e mulher. Ocorre que o § 4º diz que também é
reconhecida.

Antes era sociedade de fato.

STF – art. 1.723 CC aplica união estável a pessoas mesmo sexo (ADI 4277).

Reconhecimento se deu porque:

a) Contramajoritariedade – direitos das minorias não podem ser excluídos


por força de valores da maioria
b) Princípio da laicidade – não prevalece entre nós o casamento
exclusivamente como instituição religiosa
c) Princípio da não discriminação
d) Princípio da vedação do preconceito
e) Princípio da igualdade de direitos das pessoas e das entidades
familiares que integram
f) Princípio da liberdade de escolha da entidade familiar
g) Princípio da busca da felicidade.

Casamento: REsp 1.183.378 – Res. 175/2013 do CNJ

Atualmente, não há entidade familiar autônoma, há casamento ou união


estável.

Filiação pode?

Sim, mas nem toda família tem filhos.

Procriação não é finalidade da família.

Adoção é permitida a qualquer pessoa, independente do estado civil (1.618


CC)

Registro de nascimento: dupla paternidade ou dupla maternidade. Não há mais


exigência de figurarem os nomes do pai e da mãe. Casal homossexual
feminino, quando uma for mãe biológica de uma criança, sem registro do pai,
pode a outra promover a adoção unilateral, não havendo adoção regular, pode
ser pleiteada a parentalidade socioafetiva.