Você está na página 1de 8

CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIHORIZONTES CRIMES EM ESPÉCIE (CESPE)

Professora: Gabriela Dourado Nunes de Lima E-mail: gabriela.dourado@unihorizontes.br

Unidade 3 Crimes contra o Patrimônio.

3.1 Furto (capítulo I)

A) Furto (art. 155):

1) Tipo legal (artigo completo)  “Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel”;
2) Conduta (descrita no tipo)  subtrair (apropriar-se de; pegar para si) coisa alheia - crime
comissivo e omissivo próprio – simples – básico (caput) e qualificado (§§4º e 5º) –
plurissubsistente;
3) Bem jurídico  patrimônio - crime uniofensivo;
4) Objeto material (sobre o qual recai a conduta)  coisa alheia móvel – res furtiva – com valor
econômico e utilidade (ex: talão de cheques) - equiparação energia (§3º); coisas sem dono não
são objeto de furto! Furto de semoventes: forma qualificada (§6º);
5) Sujeito Ativo  qualquer pessoa - crime comum e unissubjetivo;
- Se for o proprietário: art. 346, CP (Greco e Bitencourt questionam)
6) Sujeito passivo (vítima, titular do bem jurídico tutelado)  qualquer pessoa – proprietário,
possuidor ou detentor da coisa móvel;
7) Meios e modos de execução  não previstos no caput: de forma livre; meios e modos
qualificam o crime (§4º);
8) Circunstâncias de tempo e lugar  não previstas no caput – de forma livre; Causa de
aumento prevista no §1º em razão de circunstância de tempo;
9) Relação de Causalidade (art. 13, CP - analisar a existência no caso concreto).
10) Resultado  crime de dano e material; é possível a tentativa;
Teses sobre a consumação (segundo Greco):
a)Teoria da contrectatio: basta tocar na coisa com a finalidade de subtrair;
b)Teoria da illactio: quando a coisa subtraída era levada para o lugar destinado;
c) Teoria da amotio: com o deslocamento da coisa;
d)Teoria da ablatio: com a apreensão e deslocamento da coisa;
 evolução e variações da teoria:
i. inversão da posse da coisa alheia, com a retirada da esfera de disponibilidade e vigilância
da vítima, ainda que sem a posse mansa e tranquila  Tribunais Superiores!
ii. inversão da posse da coisa alheia, com a retirada da esfera de disponibilidade e vigilância
da vítima, com a posse mansa e tranquila pelo agente, ainda que por pouco tempo  Greco,
Nucci, Mirabete e Bitencourt;

11) Elemento subjetivo  dolo (direto ou eventual) + especial fim de agir (“para si ou para
outrem” – finalidade de se tornar dono da coisa - delito de intenção); não há previsão de tipo
culposo;

 Ação penal pública incondicionada – exceção: art. 182 do CP;


 §1º: causa de aumento – repouso noturno;
 §2º: furto privilegiado: primariedade + pequeno valor da coisa – menor reprovação do agente –
direito subjetivo do réu;
 §4º: qualificadoras –
 §4º-A: qualificadora – uso explosivo! (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018) Atenção com
anteriorirdade!
 §5º - qualificadora – veículo para outro Estado ou País!
 §6º - qualificadora – Furto de gado – abigeato (forma qualificada para semoventes - Incluído
pela Lei nº 13.330, de 2016)
 §7º: qualificadora – furto explosivo! (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018) Atenção com
anteriorirdade!

 É possível furto qualificado privilegiado? Mesma lógica do homicídio!


“É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP nos casos de crime
de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e
a qualificadora for de ordem objetiva.” (STJ, Súmula 511, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
11/06/2014, DJe 16/06/2014)

 §§4º a 6º: formas qualificadas; no caso de concurso de qualificadoras (incisos do §4º) =


homicídio!
 Na forma básica (caput) cabe SUSPRO (art. 89 Lei nº 9.099/95)

 Furto de uso: subtração para apenas usufruir momentaneamente - figura atípica; previsto no
CP militar (art. 241)
 Ladrão que rouba (no caso furta) ladrão, tem 100 anos de perdão?
 Achado não é roubado?

 Princípio da Insignificância ou da bagatela:


PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO. FURTO.
SUBTRAÇÃO DE UMA BICICLETA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO INCIDÊNCIA.
RECONHECIMENTO DA FIGURA PRIVILEGIADA. SUBSTITUIÇÃO DA PENA DE RECLUSÃO
POR DETENÇÃO. ILEGALIDADE. PENA NO MÍNIMO LEGAL.
SUBSTITUIÇÃO POR MULTA. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA.
1. Ressalvada pessoal compreensão diversa, uniformizou o Superior Tribunal de Justiça ser
inadequado o writ em substituição a recursos especial e ordinário, ou de revisão criminal,
admitindo-se, de ofício, a concessão da ordem ante a constatação de ilegalidade flagrante, abuso
de poder ou teratologia.
2. Sedimentou-se a orientação jurisprudencial no sentido de que a incidência do princípio da
insignificância pressupõe a concomitância de quatro vetores: a) a mínima ofensividade da
conduta do agente; b) nenhuma periculosidade social da ação; c) o reduzidíssimo grau de
reprovabilidade do comportamento e d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada.
3. Não restaram preenchidos os requisitos para a aplicação do princípio da insignificância,
porquanto o valor atribuído a res furtiva não é irrisório, aproximando-se a 17% do salário mínimo
vigente à época dos fatos (R$ 510,00), além do mais é o paciente contumaz na prática delitiva.
4. Entende esta Corte que a despeito de o paciente possuir ações penais em andamento, se
tecnicamente primário, de bons antecedentes e se fixada a pena no mínimo legal, a privilegiadora
constante do art. 155, § 2º, do Código Penal, deve ser aplicada em sua forma mais benéfica, qual
seja, a substituição da pena reclusiva por multa.
5. Habeas corpus não conhecido, mas ordem concedida, de ofício, para que o juízo das
execuções proceda ao arbitramento do valor da multa aplicada em substituição à pena detentiva,
em virtude do reconhecimento da privilegiadora constante do art. 155, § 2º, do Código Penal, em
sua forma mais benéfica. (STJ, HC 246.795/RS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA,
julgado em 17/03/2016, DJe 01/04/2016)

 Furto famélico (estado de necessidade, art. 24 – exclusão da ilicitude) o fato de afastar o


princípio da insignificância não impede o seu reconhecimento (STF);
 Furto X Estelionato (neste a vítima consente com o ato)
 Furto X Apropriação indébita (nesta possui posse desvigiada da coisa)
 Subtração mediante “trombada”: furto ou roubo?

 Sobre a tese de crime impossível – afastamento: “Sistema de vigilância realizado por


monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento
comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto”. (STJ, Súmula 567,
TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 24/02/2016, DJe 29/02/2016)
 Caso furto supermercado (STF- Min Dias Toffoli)

 Sobre crítica à pena do furto qualificado: “É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo
concurso de agentes, a majorante do roubo”. (STJ, Súmula 442, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
28/04/2010, DJe 13/05/2010)
B) Furto de coisa comum (art. 156)

1) Tipo legal (artigo completo)  “Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou para
outrem, a quem legitimamente a detém, a coisa comum”;
2) Conduta (descrita no tipo)  subtrair (apropriar-se de; pegar para si) coisa comum - crime
comissivo e omissivo próprio – simples – básico – plurissubsistente;
3) Bem jurídico  patrimônio - crime uniofensivo;
4) Objeto material (sobre o qual recai a conduta)  coisa comum;

5) Sujeito Ativo  condômino, co-herdeiro ou sócio - crime próprio e unissubjetivo;


6) Sujeito passivo (vítima, titular do bem jurídico tutelado)  condômino, co-herdeiro ou sócio
que não seja o agente;
7) Meios e modos de execução  não previstos no caput: de forma livre;
8) Circunstâncias de tempo e lugar  não previstas – de forma livre;
9) Relação de Causalidade (art. 13, CP - analisar a existência no caso concreto).
10) Resultado  consumação com a inversão da posse da coisa alheia; crime de dano e
material; é possível a tentativa;
11) Elemento subjetivo  dolo (direto ou eventual) + especial fim de agir (“para si ou para
outrem” – finalidade de se tornar dono da coisa - delito de intenção); não há previsão de tipo
culposo;

 Crime de menor potencial ofensivo – JESP;


 Ação penal: condicionada a representação (§1º);
 §2º: exclusão do crime (subtração da parte que tem direito);
3.2 Roubo e Extorsão;

CAPÍTULO II DO ROUBO E DA EXTORSÃO

A) Roubo (art. 157, CP)

1) Tipo legal (artigo completo)  “Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante
grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
impossibilidade de resistência”;
2) Conduta (descrita no tipo)  subtrair (apropriar-se de) coisa alheia - crime comissivo e
omissivo próprio – simples – básico (caput) e qualificado (§3º) – plurissubsistente;
 conduta equiparada: §1º (roubo impróprio);
3) Bem jurídico  patrimônio + integridade física e psíquica e vida da pessoa (violência ou grave
ameaça) - crime completo e pluriofensivo;
4) Objeto material (sobre o qual recai a conduta)  coisa alheia móvel – res furtiva – com valor
econômico e utilidade + pessoa que sofre a violência ou grave ameaça;
5) Sujeito Ativo  qualquer pessoa - crime comum e unissubjetivo;
6) Sujeito passivo (vítima, titular do bem jurídico tutelado)  qualquer pessoa – proprietário,
possuidor ou detentor da coisa móvel e também aquele atingido pela violência, grave ameaça ou
redução da capacidade de resistência;
7) Meios e modos de execução  meios não previstos no caput: de forma livre; quanto aos
modos: violência a pessoa, grave ameaça ou redução da capacidade de resistência; meios e
modos majoram a pena do crime (§2º);
8) Circunstâncias de tempo e lugar  não previstas no caput – de forma livre;
9) Relação de Causalidade (art. 13, CP - analisar a existência no caso concreto).
10) Resultado  crime de dano e material; é possível a tentativa;
Teses sobre a consumação:
i. Inversão da posse da coisa alheia, com a retirada da esfera de disponibilidade e vigilância da
vítima, ainda que sem a posse mansa e tranquila  Tribunais Superiores + Bitencourt!
ii. Inversão da posse da coisa alheia, com a retirada da esfera de disponibilidade e vigilância da
vítima, com a posse mansa e tranquila pelo agente, ainda que por pouco tempo + cessação da
violência ou grave ameaça  Mirabete, Greco e Nucci (não abordam a violência);
§1º - consumação com o emprego de violência ou grave ameaça após a subtração; Divergência
sobre a possibilidade de tentativa!
§3º - lesão e morte decorrem da violência! Súmula 610 do STF: “Há crime de latrocínio, quando o
homicídio se consuma, ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima.” (DJ de
29/10/1984, p. 18114; DJ de 30/10/1984, p. 18202; DJ de 31/10/1984, p. 18286.)  Crime
hediondo (art. 1º, II, da Lei nº 8.072/1990)
11) Elemento subjetivo  dolo (direto ou eventual) + especial fim de agir (caput - “para si ou
para outrem” – finalidade de se tornar dono da coisa; §1º “a fim de assegurar a impunidade do
crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro” - delito de intenção); não há previsão de
tipo culposo;

 §§2º e 2º-A (causas de aumento): alterações pela Lei nº 13.654/0218 (entrou em vigor em
24/04/2018) Arma X Arma de fogo!
- atenção para não incorrer em bis in idem! O mesmo elemento não pode configurar a violência ou
grave ameaça do tipo básico e também majorar a pena!
- Critério para majoração: “O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo
circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a
mera indicação do número de majorantes.” (STJ, Súmula 443, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
28/04/2010, DJe 13/05/2010)

- Sobre LATROCÍNIO:
a) Morte e roubo consumados = latrocínio consumado (Mirabete)
b) morte consumada e roubo tentado = latrocínio consumado, em razão da súmula! (Hungria e
STF) Era para ser tentado – Greco;
SÚMULA 610 - "Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não
realize o agente a subtração de bens da vítima. (STF, Data de Aprovação Sessão Plenária
de 17/10/1984; Fonte de Publicação; DJ de 29/10/1984, p. 18114; DJ de 30/10/1984, p.
18202; DJ de 31/10/1984, p. 18286.)
c) Morte e roubo tentados = latrocínio tentado;
d) Morte tentada e roubo consumado = latrocínio tentado; Greco

 Sobre a consumação do roubo:


- genericamente, Bitencourt afirma que independe da posse mansa e pacífica;
- O crime de roubo próprio consuma-se “com a retirada da coisa da esfera de disponibilidade da
vítima. (...) no momento em que o assaltante realiza a subtração plena da ‘res’”. (BITENCOURT,
Cezar Roberto. Tratado de direito penal. São Paulo: Saraiva, 2003. v. 3, p. 106)
- Esclareça-se que esta subtração plena do objeto do roubo somente ocorre quando o agente
detém a posse do bem, depois cessada a violência ou grave ameaça empregada na execução do
crime:
“RECURSO ESPECIAL. PENAL. ROUBO. CONSUMAÇÃO. TENTATIVA. Segundo precedentes,
"O delito de roubo se consuma no momento em que o agente torna possuidor da res subtraída
mediante grave ameaça ou violência". "Para que o agente se torne possuidor, é prescindível
que ele saia da esfera da vigilância do antigo possuidor, bastando que cesse a
clandestinidade ou a violência." (EREsp 78.434/SP, Rel. Min. Felix Fischer, DJU 06.10.97)
Recurso conhecido e provido.” (REsp 196.476/PR, Rel. Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA,
QUINTA TURMA, julgado em 21/10/1999, DJ 22/11/1999, p. 181)

“PENAL - ROUBO MAJORADO - CONSUMAÇÃO - IMPOSIÇÃO - AUMENTO DE PENA -


POSSIBILIDADE - ADEQUAÇÃO DAS CAUSAS DE AUMENTO DE PENA - MAJORAÇÃO NOS
TERMOS DA LEI. O delito de roubo consuma-se no momento em que, cessadas a violência
e a grave ameaça, o agente se torna possuidor da res furtiva, ainda que por breve espaço
de tempo. Mantém-se a pena-base fixada em patamar superior ao mínimo legal se desfavorável
parte das balizas judiciais. Considerando a existência de duas majorantes no delito de ROUBO,
consistentes em emprego de uma arma branca (faca) e concurso de três agentes, sendo dois
menores, mister a majoração, nos termos do art. 157, §2º, incisos I e II, do CP, no quantum de 1/3
(um terço).” (TJMG, AC 1.0105.09.286897-2/001(1), 4ª Câm. Crim., Des. JÚLIO CEZAR
GUTTIERREZ, julgado em 07/04/10, DJMG 28/04/10)
- STF – basta que cesse a violência, não sendo necessária a retirada da esfera de vigilância da
vítima;

 Não aplicação do art. 9 da Lei nº 8.072/1990 (CA relacionada ao art. 224 do CP – foi revogado
pela lei nº 12.015/2009) (Nucci e Greco)

 Concurso de crimes: crime único – patrimônio de marido e mulher; assalto a várias pessoas –
concurso formal;
 Se a intenção era de retenção da coisa até que seja saldada dívida: exercício arbitrário das
próprias razões (art. 345 do CP);
 Se a vítima se colocou em condição que dificultou a resistência (embriaguez) não configura
roubo, mas sim furto! (Greco);
 Se ao ser pego furtando, abandona as coisas e usa de violência para fugir, não é roubo
impróprio (Greco e Bitencourt);
 Não há que se falar em princípio da insignificância (crime complexo), roubo de uso (Greco
discorda) e crime impossível pela inexistência do bem a ser subtraído (Bitencourt discorda e
depois concorda – seria impropriedade relativa do objeto), diferentemente do FURTO;

 Crimes hediondos (art. 1º da Lei nº 8.072/1990): (Incisos incluídos pela Lei nº 8.930, de 1994)
II - latrocínio (art. 157, § 3o, in fine);
III - extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2o);
IV - extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ lo, 2o e 3o);
B) Extorsão (art. 158, CP)

1) Tipo legal (artigo completo)  “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e
com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que
se faça ou deixar de fazer alguma coisa”;
2) Conduta (descrita no tipo)  Constranger (forçar) - crime comissivo e omissivo próprio –
simples – básico (caput) e qualificado (§§2º e 3º) – plurissubsistente;
3) Bem jurídico  patrimônio e integridade física e psíquica da pessoa (violência ou grave
ameaça) - crime pluriofensivo;
4) Objeto material (sobre o qual recai a conduta)  alguém;
5) Sujeito Ativo  qualquer pessoa - crime comum e unissubjetivo;
6) Sujeito passivo (vítima, titular do bem jurídico tutelado)  qualquer pessoa;
7) Meios e modos de execução  não previstos no caput: de forma livre; meios e modos
majoram a pena do crime (§1º);
8) Circunstâncias de tempo e lugar  não previstas no caput – de forma livre; Relação de
Causalidade (art. 13, CP - analisar a existência no caso concreto).
9) Resultado  crime de dano e formal; é possível a tentativa; Consumação com a conduta
pratica pelo sujeito passivo (fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer)
10) Elemento subjetivo  dolo (direto ou eventual) + especial fim de agir (“intuito de obter para
si ou para outrem indevida vantagem econômica” – finalidade de proveito econômico - delito de
intenção); não há previsão de tipo culposo;

 §1º: causa de aumento;


 §§2º e 3º: formas qualificadas – remessa às penas do art. 157 e 159!
 ≠ do roubo: aqui há a possibilidade de escolha; o mal prometido e a vantagem econômica são
futuros;

C) Extorsão mediante sequestro (art. 159, CP)

1) Tipo legal (artigo completo)  “Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem,
qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate”;
2) Conduta (descrita no tipo)  Sequestrar (privar a liberdade) - crime comissivo e omissivo
próprio – simples – básico (caput) e qualificado (§§1º, 2º e 3º) – plurissubsistente;
3) Bem jurídico  patrimônio e integridade física e psíquica da pessoa (violência ou grave
ameaça) - crime pluriofensivo;
4) Objeto material (sobre o qual recai a conduta)  pessoa;
5) Sujeito Ativo  qualquer pessoa - crime comum e unissubjetivo;
6) Sujeito passivo (vítima, titular do bem jurídico tutelado)  qualquer pessoa;
7) Meios e modos de execução  não previstos no caput: de forma livre;
8) Circunstâncias de tempo e lugar  não previstas no caput – de forma livre; circunstância de
tempo qualifica o crime (§1º);
9) Relação de Causalidade (art. 13, CP - analisar a existência no caso concreto).
10) Resultado  crime permanente, de dano e formal; é possível a tentativa; Consumação com
privação da liberdade, independente da obtenção da vantagem;
11) Elemento subjetivo  dolo (direto ou eventual) + especial fim de agir (“com o fim de obter,
para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate” – finalidade de
proveito econômico e indevido, segundo a doutrina - delito de intenção); não há previsão de tipo
culposo;

 modalidade especial de extorsão; sequestro (art. 148) com especial fim!


 §§1°, 2º e 3º: formas qualificadas;
 §1º: concurso da qualificadora por bando ou quadrilha com o crime do art. 288 do CP! Bis in
idem?
D) Extorsão indireta (art. 160, CP)

1) Tipo legal (artigo completo)  “Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da
situação de alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou
contra terceiro”;
2) Conduta (descrita no tipo)  Exigir (ordenar) ou receber (aceitar) como garantia de dívida
documento que pode gerar processo criminal - crime comissivo e omissivo impróprio – misto
alternativo – básico - plurissubsistente;
3) Bem jurídico  patrimônio e integridade física e psíquica da pessoa - crime pluriofensivo;
4) Objeto material (sobre o qual recai a conduta)  documento que pode dar cuasa a processo
criminal;
5) Sujeito Ativo  qualquer pessoa – o credor da dívida - crime comum e unissubjetivo;
6) Sujeito passivo (vítima, titular do bem jurídico tutelado)  qualquer pessoa – o devedor;
7) Meios e modos de execução  meios não previstos no caput: de forma livre; modo:
abusando da situação de alguém;
8) Circunstâncias de tempo e lugar  não previstas no caput – de forma livre;
9) Relação de Causalidade (art. 13, CP - analisar a existência no caso concreto).
10) Resultado  crime de formal (divergência quanto ao receber, que seria material – Greco e
Bitencourt) e dano (Bitencourt); é possível a tentativa; Consumação com exigência ou com o
recebimento;
11) Elemento subjetivo  dolo (direto ou eventual) + especial fim de agir (finalidade de garantir
o pagamento pelo sujeito passivo, pela ameaça de processo penal); não há previsão de tipo
culposo;

 Cabimento SUSPRO (art. 89 da Lei nº 9.099/1995);


3.4 Dano (Capítulo IV – art. 163)

1) Tipo legal (artigo completo)  “Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia”;


2) Conduta (descrita no tipo)  Destruir (eliminar), inutilizar (tornar imprestável) ou deteriorar
(estragar, danificar) - crime comissivo e omissivo impróprio – misto alternativo – básico (caput) e
qualificado (pu) - plurissubsistente;
3) Bem jurídico  patrimônio - crime uniofensivo;
4) Objeto material (sobre o qual recai a conduta)  coisa alheia (deve ter valor econômico; ≠ do
furto, pode ser imóvel!);
5) Sujeito Ativo  qualquer pessoa, menos o proprietário! – crime comum e unissubjetivo;
6) Sujeito passivo (vítima, titular do bem jurídico tutelado)  qualquer pessoa – o proprietário ou
possuidor da coisa alheia; o titular do patrimônio pode qualificar o crime (inciso III do parágrafo
único);
7) Meios e modos de execução  não previstos no caput: de forma livre; mas qualificam o crime
(parágrafo único);
8) Circunstâncias de tempo e lugar  não previstas no caput – de forma livre;
9) Relação de Causalidade (art. 13, CP - analisar a existência no caso concreto).
10) Resultado  Consumação com efetiva distribuição, inutilização ou deteriorização da coisa
alheia; crime material e dano; é possível a tentativa;
11) Elemento subjetivo  dolo (direto ou eventual) [em sentido diverso, corrente minoritária,
Nelson Hungria e Mirabete: + especial fim de agir: intenção de causar prejuízo];  não há
previsão de tipo culposo;

 Guilherme de Souza Nucci, ao tratar desta qualificadora, exemplifica: “quem danifica


patrimônio alheio somente para satisfazer um capricho ou incentivar um desejo de vingança ou
ódio pela vítima deve responder mais gravemente pelo que faz.” (Código Penal Comentado.
2008, p. 765)
 Crime de ação penal pública incondicionada, exceto na forma qualificada prevista no art. 163,
caput e pu, IV, quando será ação penal privada (art. 167);
 Tipo básico (caput): crime de menor potencial ofensivo  JESP; a forma qualificada 
SUSPRO (art. 89 da Lei nº 9.099/1995).
 Pichação: deterioração da coisa alheia! Art. 62 ou 65 da Lei 9.605/97 – 1 a 3 anos e multa;
 Reparação do dano: arrependimento posterior (art. 16 CP)
 Pode ser crime-meio para outro crime (exemplo: furto e roubo)