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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE
PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/ REV 3.0

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CURSO DE
PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL

MÓDULO ÚNICO

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
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do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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SUMÁRIO

1 INTERPRETAÇÃO DO DIREITO PENAL


1.1 Espécies de Interpretação da Lei Penal
1.2 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA X PRINCÍPIO IN DUBIO PRO
REO
1.3 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL
1.4 Princípios do Direito Penal
1.5 O PRINCÍPIO DO NO BIS IDEM E O LIMITE DO PODER PUNITIVO DO
ESTADO
2 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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MÓDULO

1. INTERPRETAÇÃO DO DIREITO PENAL

O que seria interpretar a lei penal? Seria somente ler a norma? Seria retirar
da lei penal seu exato alcance e seu significado real? Sim, isso é interpretar a lei
penal? O Art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil (LICC) traz a resposta a esta
indagação, “a interpretação da Lei sempre deve buscar a finalidade da Norma”.
Portanto, interpretar uma norma significa captar seu significado, compreender,
esclarecer o seu sentido e sua finalidade. É importante salientar que a atividade de
interpretação da lei não pode sair do ordenamento jurídico, dissociando-se das
fontes do direito, tampouco do contexto histórico-cultural.
Para alcançar o seu fim a interpretação da lei utiliza-se de muitos métodos
ou processos, tais como:

Filológico, literal ou gramatical: Consiste na reconstrução do pensamento


do legislador legislativo através das palavras da lei. É a primeira atividade que deve
praticar quem quer interpretar a lei, recorrendo ao que as palavras dizem.

Lógico-sistemático e Teológico: Primeira etapa do processo


interpretativo, pois as palavras podem não espelhar a vontade da lei. Consiste em
indagar a vontade ou a intenção objetiva da lei; ocorrendo contradição entre as
conclusões da interpretação literal e lógica esta deve prevalecer, em razão do bem
comum e a finalidade social que a lei se destina.

Interpretação Analógica: Esta interpretação é permitida toda vez que uma


cláusula genérica se segue a uma forma casuística, devendo entender-se que
aquela só compreende os casos análogos aos mencionados por esta. Incumbe ao

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jurista perseguir sempre o escopo (objetivo) da lei, ou seja, o resultado prático que a
lei se propõe a realizar (a melhor interpretação é aquela feita no sentido de atender
a determinadas finalidades/necessidades). O intérprete não pode se limitar apenas
às operações de lógica, mas sim aplicar apreciações de interesse localizadas no
interior da norma. Portanto, devem levar em consideração os momentos lógicos e
teológicos da norma jurídica.

1.1 Espécies de Interpretação da Lei Penal

a) Quanto ao sujeito que elabora:

1. Autêntica ou legal: Aquela feita pelo próprio órgão encarregado da


criação do texto, ou seja, parte do próprio sujeito que criou o preceito interpretado. É
a única que tem força de lei. As outras (Judicial e Doutrinária) servem de apoio ao
operador do Direito. O Art. 150, § 4º do Código Penal (Violação de Domicílio) define
o que é “casa” (termo utilizado no crime de invasão de domicílio). A interpretação
autêntica subdivide-se em: Contextual (feita dentro do próprio texto interpretado,
exemplo do artigo 327 do Código Penal, que define o que vem a ser Funcionário
Público para os efeitos penais) e Posterior (a lei interpretadora entra em vigor
depois da interpretada).
Neste momento do estudo é importante estabelecer a diferença entre efeitos
ex nunc e ex tunc, vejamos:

Ex nunc: expressão de origem latina que significa “desde agora”. Assim, no


meio jurídico, quando dizemos que algo tem efeito ex nunc significa que seus
efeitos não retroagem, valem somente a partir da data da decisão tomada. Por
exemplo, a revogação de atos administrativos tem efeito ex nunc.
Ex tunc: expressão de origem latina que significa “desde então”, “desde a
época”. Assim, no meio jurídico, quando dizemos que algo tem efeito ex tunc,
significa que seus efeitos são retroativos à época da origem dos fatos a ele
relacionados. Por exemplo, a norma interpretada tem efeito ex tunc.

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Doutrinária ou Científica: Realizada pelos estudiosos do direito. A
Exposição de Motivos constante no Código Penal é exemplo de interpretação
Doutrinária, uma vez que não é lei.

Judicial: Realizada pelos órgãos jurisdicionais (Juízes e Tribunais) quando


aplica a lei ao caso concreto, não tem força obrigatória, somente valor para as
partes (eficácia inter partes).

Quanto aos meios empregados:

Gramatical, literal ou sintática: Leva em conta as regras de interpretação


do texto para descobrir o sentido da norma, ou seja, o sentido das palavras.

Lógica ou Teológica: Preocupa-se com a vontade da lei, buscando


atender os fins da lei.

Quanto ao resultado:

Declarativa: Há correspondência entre a palavra da lei e a sua vontade.

Restritiva: Quando a lei disser mais do que queria usa-se a interpretação


restritiva para restringir o alcance da lei até o sentido real. Ela diminui o alcance do
texto, em face de sua linguagem impropriamente excessiva. Exemplo: o Artigo 28,
inciso I do Código Penal, que trata da emoção e da paixão.

Extensiva: A lei ficou aquém da sua vontade, ou seja, a lei disse menos do
que queria. Neste caso usa-se a interpretação extensiva para ampliar o seu
significado. Exemplo: artigo 235 do Código Penal, que trata da do crime de Bigamia.
Por fim, a interpretação é um só: o que realmente difere são apenas os
métodos, pois somente no caso in concreto que o magistrado poderá preferir este ou
aquele método.

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1.2 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA X PRINCÍPIO IN DUBIO PRO
REO.

Os princípios da presunção de inocência e in dubio pro reo não são


sinônimos. O que se pode concluir é que existe uma relação entre eles, pois o
princípio in dubio pro reo decorre de dois princípios: presunção de inocência e do
princípio do favor rei, que proclama que “no conflito entre o jus puniendi do Estado,
por um lado, e o jus libertatis do acusado, por outro lado, a balança deve inclinar-se
a favor deste último se quiser assistir ao triunfo da liberdade”. (TOURINHO FILHO,
2003). Segundo Fernando Capez (2006), o princípio da presunção de inocência para
muitos só se aplica no campo da apreciação das provas, nunca para interpretar a
norma, outros ao contrário entendem que o princípio pro reo aplica-se na
interpretação da lei, ao usar a interpretação mais favorável ao réu.
O princípio da presunção de inocência encontra-se inserido na Constituição
Federal de 1988, em seu artigo 5º, inciso LVII que prescreve: “ninguém será
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
Para alguns doutrinadores e juristas o princípio in dúbio pro reo não vem sendo
aceito implicitamente em razão da distribuição do ônus da prova. Tourinho Filho
(2001), ao falar do assunto, diz que a regra do ônus da prova cabe ao autor da tese
(acusação). Cabe ao Promotor de Justiça na denúncia o ônus de provar que
determinado agente é o autor do crime, por exemplo, de lesão corporal. À defesa
cabe provar a inocência do agente, invertendo assim o ônus probandi.

1.3 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL

Assim como as demais ciências jurídicas o Direito Penal fundamenta-se em


certos princípios jurídicos, seja em normas constitucionais ou não. Os princípios
penais formam o centro fundamental do Direito Penal, servindo de base para a
construção da definição do delito, estabelecendo limites ao poder de punição por

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parte do Estado, sustentando-se para a interpretação e aplicação da lei penal.
Assim, definir quais são os princípios fundamentais de Direito Penal significa
determinar de que forma ele poderá interferir no conteúdo das regras jurídicas da
norma penal.
Faz-se necessário diferenciar Princípios de Direito Penal Constitucional dos
Princípios Propriamente Penais. Os primeiros estão previstos na Carta Magna
(Princípio da Legalidade, Princípio da Culpabilidade, etc), enquanto o segundo
integra o ordenamento do Direito Penal (Princípio da Reserva Legal).

1.4 Princípios do Direito Penal

Princípio da Legalidade ou da Reserva Legal: O Princípio da Legalidade


possui enorme importância para o Direito Penal, servindo de certa forma como restrição
ao poder do Estado, garantindo os direitos do indivíduo. Assim, a legalidade não se
subsume apenas à observância da lei, mas sim a todo o sistema jurídico. Tem
origem na obra Dei delitti e delle pene de Beccaria e cujo termo foi traduzido pela
fórmula Nullum crimen, nulla poena sine praevia lege por Paul Johann Anselm von
Feuerbach.
O Princípio da Legalidade é um dos instrumentos normativos de controle do
poder punitivo do Estado quando do estabelecimento de normas incriminadoras,
bem como na fixação e execução das penas. Previsto no artigo 5º, inciso XXXIX da
Constituição Federal e no artigo 1º do Código Penal Brasileiro, assim prescreve:
“não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação
legal”. Este princípio também está previsto no art. 37º, caput, do nosso diploma
maior, que estabelece a vinculação de todo o ato administrativo do agente público à
legalidade.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 já tratava do
Princípio da Legalidade: “A lei não deve estabelecer senão penas estritas e
evidentemente necessárias e ninguém pode ser castigado senão em virtude de uma
lei estabelecida e promulgada anteriormente ao delito e legalmente aplicada”. Para
Mirabete (1999), trata-se da mais importante conquista de índole política, sendo a

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norma básica do Direito Penal. Este princípio assegura que não pode ser
considerado crime (infração penal) nem sanção penal (pena ou medida de
segurança) o fato que não estiver contido na norma.
Assinala ainda o jurista que o princípio da legalidade previsto no artigo 1º do
Código Penal Brasileiro compreende os princípios da reserva legal e da
anterioridade. Damásio de Jesus (2000) entende que no aspecto político o Princípio
da Legalidade serve como garantidor constitucional dos direitos do homem, somente
a lei pode fixar limites que destacam a atividade criminosa da legítima defesa. Não
haveria segurança ou liberdade se a lei punisse condutas consideradas lícitas e se
os magistrados punissem fatos ainda não considerados crimes pelo legislador.
Francisco de Assis Toledo, ao falar do Princípio da Legalidade, entende que
sem ele nenhum fato pode ser considerado crime e nenhuma pena criminal pode ser
aplicada sem que antes desse mesmo fato tenham sido instituídos por lei os tipos
delitivos e a pena respectiva constitui uma real limitação ao poder estatal de interferir
na esfera das liberdades individuais.
Alguns juristas entendem que o Princípio da Legalidade se desdobra em
quatro postulados:
 nullum crimen, nulla poena sine lege praevia;
 nullum crimen, nulla poena sine lege scripta;
 nullum crimen, nulla poena sine lege stricta;
 nullum crimen, nulla poena sine lege certa.

Luis Regis Prado (2008) preleciona que o Princípio da Reserva Legal possui
três Garantias:

Garantia Criminal e Penal: Não há crime nem pena sem lei em sentido
estrito, elaborada na forma constitucionalmente prevista.

Garantia Jurisdicional: Ninguém será processado nem sentenciado senão


pela autoridade competente, art. 5º, inciso LIII CF/88).

Garantia Penitenciária: A pena será cumprida em estabelecimento distinto,


de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado, art. 5º, inciso

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XLVIII, CF/ 88), a terceira Garantia é a da Irretroatividade (a lei penal não retroagirá,
salvo quando para beneficiar o réu, art. 5º, inciso XL, CF/88) a da Lei e sua Exceção
(em razões de política criminal).

Princípios Inerentes ao Princípio da Legalidade:

Princípio da Reserva Legal: O princípio da Reserva legal possui a função


de delimitar o conteúdo das leis penais, pois somente a lei pode definir crimes e
aplicar sanções. Esta função de legislar as matérias, conforme diretriz constitucional,
cabe ao legislador. A nossa Carta Magna reserva o seu artigo 5º, inciso XXXIX, ao
Princípio da Reserva Legal e o Código Penal Brasileiro dispõe no artigo 1º. Este
princípio consiste no fato de que só há crime e pena se há lei anterior que o
determine: nullum crimen, nulla poena sine praevia lege. Para Mirabete (1999), o
Princípio da Reserva Legal possui três características:

Reserva Absoluta da Lei: Nenhuma fonte inferior pode criar normas


penais, uma vez que a Constituição Federal de 1988 reserva tal função de forma
absoluta à lei. Assim, somente a lei aprovada pelo Poder Legislativo pode criar
crimes e impor sanções penais. É importante deixar claro que Medida Provisória,
apesar de possuir força de lei, não constitui lei, uma vez que não emana do Poder
Legislativo e, sim, do Poder Executivo.
A própria lei maior reconhece que as medidas provisórias não são leis e
proíbe materialmente que elas tratem sobre matérias de Direito Penal ou
Processual, ou seja, é expressamente vedada ao Poder Executivo a inclusão de
matérias criminais penais em seus atos normativos. Esta proibição constitucional
encontra base legal no Princípio da Reserva Legal, que tem como escopo a
proteção do cidadão contra a arbitrariedade do poder estatal. Tal entendimento se
estende às leis delegadas.

Taxatividade e vedação ao emprego da analogia: Em razão do Princípio


da Reserva Legal é que surgiu a afirmação de que o Direito Penal positivo é um
sistema fechado. A Lei Penal (norma incriminadora) estabelece com a esfera do
ilícito uma incriminação taxativa, precisa. Impedindo sua atuação além dos limites

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estabelecidos, mesmo através da analogia. A norma penal tem que ser exata,
precisa, como uma adição matemática de números inteiros, pois um fato só poderá
ser delito (criminoso) se estiver perfeitamente moldado na lei que o criou (descreve).
A lei penal não permite que uma conduta delitiva que fora cominado uma
pena seja estendida à outra por ser assemelhada. Isto ocorre em razão da lei penal
(Princípio da Legalidade), que ao frisar que não há crime sem lei que o defina exigiu
da lei a descrição da conduta criminosa com todos os elementos. A taxatividade na
descrição da conduta típica para uma exata identificação do fato, como corolário da
legalidade, proíbe, portanto, a incriminação vaga e indeterminada do fato, e se não
fosse assim a elasticidade na tipificação do fato permitiria o livre arbítrio do juiz.
Mirabete trás a lição de Silva Franco:

Cada figura típica constitui, em verdade, uma ilha no mar geral do ilícito e
todo o sistema punitivo se traduz num arquipélago de ilicitude. Daí a
impossibilidade do Direito Penal atingir a ilicitude na sua totalidade e de
preencher, através dos processos integrativos da analogia, eventuais
lacunas. (FRANCO, 1999)

Em relação ao emprego da analogia é necessário, antes de tudo,


entendermos nem que seja superficialmente o seu conceito, uma vez que
reservamos um estudo mais minucioso no Módulo II. Vejamos sua definição:
Analogia é o meio pelo qual o intérprete, percebendo uma lacuna (espaço, vazio) no
corpo da lei, integra a norma penal, avaliando em cada caso concreto uma situação
assemelhada em outro ordenamento jurídico. Por esta razão, segundo os
ensinamentos de Cernicchiaro, o Princípio da Reserva Legal proíbe por inteiro o uso
da analogia em matéria de Direito Penal incriminador, encontrando-se esta limitação
no tipo penal (legal) correspondente.
Em razão, é vedada a aplicação da Analogia in malam partem (prejudica o
indivíduo), uma vez que amplia o número das infrações penais, ao contrário sensu,
permite o uso da Analogia in bonam partem (favorece o indivíduo).

Taxatividade e Descrição Genérica: O Princípio da Reserva Legal


determina que a descrição da conduta delitiva (criminosa) é específica, não se

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admitindo tipos genéricos. O que adiantaria exigir da lei a prévia definição do crime
se fosse permitido o uso de termos demasiadamente amplos, como por exemplo
“qualquer conduta contrária aos interesses nacionais”. Não se aplicam a crimes
culposos, em que a conduta que leva ao resultado pode ser infinitamente variável,
uma vez que o legislador não poderá descrever todas as condutas humanas que
coadunam com o tipo culposo, o que limita o legislador a dizer: “se o crime é
culposo, pena de tanto a tanto. A esses tipos penais a Doutrina definiu como
exemplo claro o crime de Homicídio Culposo (artigo 121, § 3º, do Código Penal
Brasileiro)”.

Conteúdo Material do Princípio da Reserva Legal: Mirabete (1999),


trazendo a lição de Silva Franco, assevera que no Estado Democrático de Direito o
simples respeito formal ao princípio da legalidade não é suficiente. Necessário é,
também, um conceito material ontológico de crime, segundo o qual somente podem
ser consideradas pelo legislador como delituosas as condutas que efetivamente
coloquem em risco a existência da coletividade. Seria absurdo, por exemplo, que
fosse considerado crime o ato de sorrir. Assim, a instituição de figura delitiva que
venha a afrontar o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana colide com um dos
fundamentos do Estado Democrático de Direito.

Princípio da Anterioridade da Lei: Garantia constitucional do indivíduo


diante do poder punitivo do Estado, estabelecendo que os crimes e as penas,
respectivamente, serão considerados somente nos termos da lei vigente ao tempo
da prática do crime. Ou seja, para que uma ação ou omissão seja tida como crime é
preciso que a norma seja anterior ao fato.
A lei é editada para o futuro e não para o passado, aí está presente a
Irretroatividade da Lei (Módulo II). Faz-se necessário que a lei já esteja em vigor
(valendo) no momento (data) em que o fato delitivo é praticado. Segundo
Cernicchiaro 2007: “Dado o princípio da reserva, a relação jurídica é definida pela lei
vigente à data do fato”.
Na legislação brasileira este princípio está regulado pelo artigo 5º, inciso
XXXIX da Constituição Federal de 1988 e no Código Penal em seu artigo 1º: “não há

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crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”, ou
nullum crimen, nulla poena sine lege praevia.

Princípio da Insignificância ou da Bagatela: Princípio formulado por Claus


Roxin, relacionado com o axioma (sentença ou proposição que não é provada ou
demonstrada é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário
para a construção ou aceitação de uma teoria) mínima non cura praeter, as
infrações ínfimas não devem ser levadas ao conhecimento do Judiciário, eis que de
somenos relevância se mostra a danosidade ao bem jurídico protegido.
Luis Regis Prado (2008) é categórico ao afirmar que lesões a bens jurídicos
de menor valor não justificariam a aplicação de sanção penal. Este princípio é
tratado nos dias de hoje pela Teoria da Imputação Objetiva como critério para a
determinação do injusto penal, ou seja, é, utilizado como um meio para a exclusão
da Imputação Objetiva de Resultados. Para Damásio de Jesus (2000), a Teoria da
Imputação Objetiva seria atribuir uma conduta ou um resultado normativo ao
indivíduo cujo comportamento apresenta um risco legalmente proibido.
Seria uma conduta proibida antecipando um evento jurídico, por exemplo, o
pai que mata o assassino da filha quando este seria morto pelo Estado (um exemplo
típico de países em que a pena de morte é adotada). Enfim, consiste em analisar a
gravidade de uma conduta e a necessária intervenção do Estado. Alguns
doutrinadores estabelecem uma equiparação entre o instituto da adequação social
de Welzel com o critério da insignificância (orientada no bem jurídico protegido, ex:
furto de bagatela) criado por Roxin. O que seria realmente insignificante?
A adequação social não fora superada pelo critério da insignificância, como
no caso de furto de bagatela, pois não pode ser considerado como socialmente
adequado ou útil, sendo assim inaplicável será o seu uso. A solução está no uso do
Princípio da Insignificância, em razão do mínimo valor da coisa furtada. É de
observar que a aplicação desse princípio não deve ser utilizado com falta de
critérios, nem de interpretações subjetivas.

1.5 O PRINCÍPIO DO NO BIS IDEM E O LIMITE DO PODER PUNITIVO DO


ESTADO

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 Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo crime;
 Impedir mais de uma punição individual (pena ou agravante) pelo
mesmo fato delitivo;
 Tríplice identidade entre sujeito (aquele que pratica o crime), fato e
fundamento (lei);
 Serve de base à aplicação das leis penal, em especial ao concurso de
pessoas;
 Fundamentação: artigo oitavo, inciso IV da Convenção Americana sobre
Direitos Humanos: “O acusado absolvido por sentença passada em julgado
não poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos”.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BITTENCOURT, Cezar Roberto. Manual de Direito Penal – Parte Geral. 7. ed. São
Paulo: Saraiva, 2002.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.


Organização por Anne Joyce Angher. 12. São Paulo: Ridel, 2006.

CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal - Parte Geral. São Paulo: Saraiva,
2006.

GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal. 9. ed. v.1. ver. ampl. e atual. Rio de
Janeiro: Impetus, 2007.

JESUS, Damásio de. Direito Penal - Parte Geral. São Paulo: Saraiva, 1999.

LEAL, João José. Curso de Direito Penal. Porto Alegre: Sérgio Fabris, 1991.

MAGALHÃES, Edgard Noronha. Direito Penal. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de Direito Penal - Parte Geral. 23. ed. São
Paulo: Atlas, 2006.

______. Código Penal Interpretado. São Paulo: Atlas, 1999.

PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro - Parte Geral. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2008.

FIM DO CURSO

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