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Esquema rimático, novamente

Sofia Matos - Estudante - Lisboa,

[Pergunta]
Ao fazer o esquema rimático de um poema, a letra do alfabeto muda sempre consoante a
variação de som? É pertinente fazer o esquema rimático de um poema todo?

[Resposta] Como o que caracteriza a rima é a coincidência ou correspondência de


sons entre os versos de um poema, ao fazer-se o esquema rimático de um texto
poético, assinalam-se com a mesma letra do alfabeto os versos em que se verifique
identidade ou semelhança de sons, o que implica que se altere a letra sempre que
não haja correspondência dos mesmos sons. Só assim se torna útil o recurso a esta
«técnica» do esquema rimático, pois torna visível a rima de um poema através da
identificação por letras dos vários sons coincidentes, permitindo a sua classificação
dentro dos vários tipos de rimas (emparelhadas – aa-bb-cc, alternadas ou cruzadas
- ababab, interpoladas ou opostas – abba, e encadeadas – aba-bcb-cdc).
Geralmente, «as combinações rímicas processam-se dentro de unidades menores
do poema – as ESTROFES» (Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova Gramática do
Português Contemporâneo, 17.ª ed., Lisboa, Sá da Costa, 2002, p. 696) –, o que
nos leva a concluir que a análise da disposição da rima seja feita em cada estrofe.
De qualquer modo, para que se possa caracterizar a rima de um poema, é
necessário que se faça o esquema rimático de todo o texto, mesmo que se verifique
que grande parte dos versos sejam soltos ou brancos (sem rima) ou que se repita a
disposição das rimas nas várias estrofes. Todos estes aspetos da estrutura formal
de um texto são intencionais e a sua musicalidade contribui para a interpretação da
mensagem do texto.
Importa, também, não esquecer que, apesar de se pressupor de que a rima de um
poema implique a existência de versos que rimem entre si, isso não exclui a
importância dos versos sem rima – os chamados soltos ou brancos –, que, tal como
está convencionado, deverão ser indicados com uma letra do alfabeto.

Eunice Marta - 15/02/2007