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Abelhas: Entenda a importância ecológica para a manutenção da vida

 Rafaela Trajano  21 Março 2019

A mortandade de abelhas tem sido um tema recorrente no Rio Grande do Sul desde que produtores de mel da Região Central alegaram prejuízos com a perda
destes animais. O caso mobilizou autoridades do Estado e deixou o alerta sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos e seus danos.

Além de prejuízo à saúde e ao trabalho destes pro ssionais, a utilização de insumos químicos provoca impacto ambiental negativo, gerando danos ecológicos
incalculáveis. Com o pólen contaminado, o veneno acaba seguindo no corpo dos insetos até a colmeia, onde pode ainda ser transmitido inclusive às formas larvais
e às pupas que estão em desenvolvimento, afetando a reprodução e diminuindo as populações destas espécies como um todo.

Embora os números relativos à perda das abelhas sejam alarmantes, diferentemente do que pensamos, a abundância destes polinizadores não é o fator essencial
para que a produção de frutos e sementes ocorra, e sim a riqueza de espécies polinizadoras. Visto que cada grupo de invertebrados e de vertebrados realiza o
processo de diferentes formas, a morte destes animais em grande escala prejudica excessivamente o todo em que vivemos, como explica o Biólogo Ricardo Pablo
Klein, Mestrando em Ecologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Quanto mais diverso um ecossistema, maior é a taxa de sucesso da
polinização de plantas em oração e, consequentemente, a produção de sementes. Esta produção é responsável por manter a diversidade genética das plantas e a
manutenção de recursos alimentares para os animais”, salienta.

Enquanto países da Europa baniram o uso de alguns agrotóxicos devido aos riscos, o Brasil está entre as nações que mais comercializam estes insumos, mesmo
em um local onde mais de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas apenas nos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso
do Sul, entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, segundo apurações do site Repórter Brasil. Arriscando setores essenciais para a qualidade de vida dos
cidadãos como a saúde e o meio ambiente, poucas são as iniciativas governamentais efetivas de conservação destinadas para este grupo tão importante na
manutenção dos ecossistemas.

De acordo com o Biólogo Ricardo, a cidade de Curitiba merece destaque em relação à proteção das colmeias de abelhas sem ferrão. “A prefeitura pretende
espalhar colmeias pelos parques municipais com o intuito de educar os cidadãos sobre a importância destes animais”, destaca. Fora do país, com medidas
simples e baratas, cidades como Amsterdã estão sendo um exemplo de conservação, aumentando sua população de abelhas em 43% e seguindo um padrão
inverso do ocorrido no mundo inteiro. O plantio de ores nativas em parques municipais e a instalação de ninhos arti ciais pela cidade são alguns dos métodos
que a cidade encontrou para prevenir o problema.

Imagem: André Witt - CRBio 028103-03

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