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Matéria: Ética Profissional

Prof ª Luciana Façanha Nogueira.


Ética:

 Conceito:  Conjunto de preceitos sobre o que é moralmente certo ou errado.


Parte da filosofia dedicada aos princípios que orientam o comportamento
humano.

1- Introdução Geral De Ética


Sentido amplo de ética: a ética tem sido entendida como a ciência da conduta
humana perante o ser e seus semelhantes.
Envolvendo os estudos de aprovação ou desaprovação da ação dos homens e a
consideração de valor como equivalente de uma mediação do que é real e voluntarioso
no campo das ações virtuosas.
Encara a virtude como prática do bem e esta como a promotora da felicidade dos
seres, quer individualmente, quer coletivamente, mas também avalia os desempenhos
humanos em relação às normas comportamentais pertinentes.
Analisa a vontade e o desempenho virtuoso do ser em face de suas intenções e
atuações, quer relativos à própria pessoa, que em face da comunidade em que se insere.

2- Ética Como Doutrina Da Conduta Humana


Inicialmente é importante descrever o que é conduta humana:
 A conduta do ser é a sua resposta a um estímulo mental, ou seja, é uma ação que
segue ao comando do cérebro e que, manifestando-se variável, também pode ser
observada e avaliada.
É válido esclarecer que o comportamento humano também é uma resposta a um
estímulo cerebral, mas é constante, ou seja, ocorre sempre da mesma forma, e, nisto,
diferencia-se da conduta, pois esta sujeita-se à variabilidades de efeitos.
O que a Ética estuda, pois é ação que, comandada pelo cérebro, é observável
e variável, representando a conduta humana.
Tais diferenças conceituais nem sempre são respeitadas e os termos podem ser
encontrados para expressarem efeitos como se sinônimos fossem.

Rio Branco – Acre 2008.


Matéria: Ética Profissional
Prof ª Luciana Façanha Nogueira.

2.1 – Ética Concebida Como Doutrina da Conduta.

O estudo doutrinário e respeito do motivo que leva a produzir a conduta é um


específico esforço intelectual; buscar conhecer o que promove a satisfação, prazer ou
felicidade é, nessa forma de entender a questão, mais que analisar o bem como uma
coisa isolada ou ideal, simplesmente.
Deixa-se o estado apenas estático, ou como alguns expressam “contemplativo”
do bem, para conhecer razões que levam ao mesmo e as conveniências que ditam as
variações em torno dos estímulos mentias nessa mesma direção.
Não se busca, no caso o exame do ideal, mas, sim, do que leva a produzi-lo.
A vida feliz, prazerosa, adequada, o bem-estar, pela racional prática da virtude, a
sociedade, o Estado, as posições hedonísticas etc., como ideais imaginário para o bem,
como matérias que se tornam objetos de estudo através da ética, deixam de assumir o
papel principal como objeto isolado de indagação, quando se busca o conhecimento da
conduta, como prioridade.
Não é, pois, a coisa em si, mas como se pode consegui-la, quais os caminhos que
à mesma conduzem que se torna o embrião do que se busca conhecer como verdadeiro,
ou, pelo menos, lógico.
O que se torna predominante é a prática que o homem seguem e que provoca os
fenômenos, nessa forma de estudar –se Ética.
O bem passa a ser uma decorrência do móvel da conduta, ou ainda, o que se
consegue através de seguir-se tal ou qual direção.

3- Formação Evolução Ética


Sendo a conduta observável, uma conseqüência de vontade e esta de uma
consciência, tudo o que reside nas áreas da mente, do espírito, interessa ao estudo da
Ética.
Embora sem perder sua autonomia cientifica, a ética tem, por conseguinte,
ligações muito fortes como as doutrinas mentias e espirituais, pois, em verdade, são
fontes de conhecimentos que interessam diretamente à análise das virtudes.

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Tais territórios ainda reservam muitas surpresas no campo do conhecimento,
pois, muito existe a conquistar nesses domínios.
Os estudos científicos da mente chegaram a conclusões comuns no que tange à
influência dos conhecimentos adquiridos nas primeiras idades, em relação às estruturas
dos pensamentos, logo, das ações.
Parece não haver dúvidas de que a fonte das estruturas mentais, destinadas a
seguirem, ao longo da vida, como predominantes, são as havidas no passado.
Outros sentimentos de maior influência podem ocorre, mas encontram sempre a
barreira das impressões formadas nas primeiras idades.
A mudança das bases, podem, todavia, ocorrer, mas demandam esforços
apreciáveis e uma motivação deveras orientada para tais reformas.
O campo da infância é mias fértil é mias que de outras idades, especialmente no
que tange à formação moral. Na Espontaneidade infantil, no sei manifestar sincero,
existem áreas amplamente favoráveis para o desenvolvimento de toda a sorte de
conhecimentos.
Na medida que a criança convive como seus semelhantes, deles tende absorver,
por imitação, o que lhe apraz e por recalque o que lhe de3sagrada ou causa mau estar.
É a fase em que se deve estimular as virtudes, de forma afetuosa; também com
amor se deve repelir toda a tendência para o vício, como igualmente advertir sobre os
males do mesmo. É, ainda, a mesma época na qual se instalam os principais e mais
profundos complexos.
É, pois, nessa primeira fase, que as noções sobre as virtudes que sustentamos os
princípios éticos devem ser amplamente estimuladas.
Tal educação deve processar deve processar-se assegurando-se independência ao
educando para que ele pratique a virtude como algo natural, sem imposições e
constrangimentos, sem excessos de proteção paterna e materna que justifiquem
quaisquer transgressões.
A educação deve dedicar-se a implantação de tais bases, que no lar, quer na
escola e daí a importância máxima de ambos; em que pese as teses e doutrinas do valor
e que discutem sobre as estruturas educacionais do lar e da escola, é sempre a família
que se afirma como grande usinas de moldagem das consciências.

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Destacamos a família porque a educação nas escolas pode sofrer, como de
fato sempre tem sofrido, a influência de ações políticas do Estado, nem sempre tem
sofrido, a influência de ações políticas do Estado, nem sempre as mais convenientes
ao ser, mas afeita aos interesses do poder.
Do ponto de vista moral, quando a formação do lar é boa a educação tende a ser
mais proveitoso na família, que na escola. Não é sem justificativas que, na voz popular,
quando há referência a uma pessoa de probidade, diz-se ela tem berço.
Pais e mestres virtuosos tendem a influenciar sobre as virtudes dos seus
educando, assim como é de relevante importância a qualidade das companhias. Esta a
grande responsabilidade dos progenitores e professores; quando estes se degradam ou
produzem maus modelos de vida, quando não selecionam as companhias de seus filhos
e educandos, não só praticam o mal para consigo mesmos, como, podem criar futuros
delinqüentes.

4 - Influências Ambientais

A educação é todavia, vulnerável a um meio ambiente adverso, especialmente se


é ministrada com deficiências ou se enseja espaços para incompreensões.
O meio em que se vive tende a influir sobre nossa consciência, necessário sendo
um esforço para conviver em todas as esferas, sem, todavia, deformar nosso caráter.
Exercer, igualmente, papel degradante, as matérias da mídia eletrônica que,
através de programas de violência e perfídias, deformam o caráter dos tele e áudios-
espectadores, em difusões desqualificadas.
O que se tem oferecido como “infantil” em muitas matérias difundidas pelos
vídeos são expressões de terror, de violência, do “olho por olho, dente por dente”, dos
códigos do fanatismo normativo (quer religioso, quer social).
Como bem asseverava Russel, “ O apaixonamento fanático produz vitória ou
derrota – nunca estabilidade. ”
O mesmo ocorre com as publicações de revistas e livros de má literatura que, em
vez de motivarem a virtude, contrariamente, alimentam o vício e degradação de
costumes.

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Vivemos em uma época em que proliferam veículos de má qualidade e, sob o
pretexto de liberdade, é praticada uma corrosão moral educacional, tudo com a
complacência de muitos pais, professores e especialmente do Poder Público.
Na infância, pequenos erros podem representar grandes desastres na vida futura
do ser, sendo imprescindível adotar muita cautela, desde o primeiro ano de vida. Deve-
se evitar, na convivência com a criança, quaisquer lesões provocadas por imagens
distorcidas, principalmente as que atingem a estrutura moral.
A formação do “eu” onde se aninham os princípios que devem nortear a vida
moral, tem sofrido, infelizmente, o ataque de difusões que influem no pensamento,
criando imagens destorcidas de uma realidade necessária ao equilíbrio e ao respeito
social.
Aumenta a má formação, a preferência mórbida de certos veículos de imprensa
que oferecem mais destaque às notícias pessimistas, negativas, que aquelas que podem
motivar a prática do bem.
O culto do sensacionalismo, do pessimismo, é altamente lesivo à conduta
humana, conforme comprovam, contemporaneamente, muitos estudos sobre a energia
que preside nosso corpo.
Quando não ocorre a produção educacional básica, competente para influir mais
que a má qualidade de mídia eletrônica, a tendência é de que os elementos difundidos
formem modelos mentais contrários às virtudes.
Na adolescência, quando o jovem já se sente liberto, as referências que fizemos
à má qualidade de certa imprensa, ampliam-se prodigiosamente, especialmente quando
os progenitores não são se esforçam por ocupar a vida do jovem com trabalho, esporte,
artes, em suma, com utilidades.
Todos esses problemas, pois, devem ser considerados quando analisamos aas
questões de transgressões morais e éticas, em países onde existe uma falsa liberdade de
expressão que se transforma em libertinagem e ensejo do anti-social.
Como isso não desejamos afirmar ser impossível a reeducação, mas, sim, ser
imprescindível a vigilância das famílias e das classes sociais sobre o aperfeiçoamento
das virtudes e responsabilidades ou deveres éticos.

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5 - Educação na Família, como Sustentáculo

O processo psicológico da vida do lar pode ser realista, sem ser autocrático; o
critério de estimular as virtudes é melhor que o de impô-las.
As virtudes do amor a si mesmo e ao semelhante, do respeito ao próximo, da
solidariedade, da honestidade, do patriotismo, do trabalhado, do otimismo racional, do
interesse pela cultura, da reflexão, da temperança, da perseverança, da tolerância, da
racionalização de atitudes, da sensibilidade para o belo, da oportunidade, do zelo pela
saúdem do interesse pelo metafísico, da conquista de uma permanente liberdade, da
busca de uma permanente prosperidade, do valor da vida, do respeito à natureza, em
suma, de tudo que possa representar o exercício de espírito pela mente, consubstanciado
na ação consciente, formam esse prodigioso complexo educacional que deve formar a
base da educação moral, Ética, cívica, religiosa etc.
Nem todas essas virtudes são exigíveis de um cidadão na vida social (como, por
exemplo, a sensibilidade pelo belo, apenas para citar uma), mas não se deve excluir a
ambição de que os bem formados as possuam, em maior número possível.

Profissão e Efeitos de Sua Conduta

A expressão profissão provém do latim professione, do substantivo professio,


que teve diversas acepções naquele idioma, mas foi empregado por Cícero como “ação
de fazer profissão de”.
O conceito de profissão, na atualidade, aquele que aceito, representa: “trabalho
que se pratica com habitualidade a serviço de terceiro”, ou seja, “prática constante do
ofício”.
A profissão tem, pois, além de sua atualidade para o individuo, uma rara
expressão social e moral.
Vejamos alguns pontos que Cuvillier, destaca:
1. É pela profissão que o individuo de destaca e se realiza plenamente,
provando sua capacidade, habilidade, sabedoria e inteligência,
comprovando sua personalidade para vencer obstáculos;

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2. Através do exercício profissional, consegue o homem elevar seu nível
moral;´
3. É na profissão que o homem pode ser útil a sua comunidade e nela se
eleva e destaca, na prática dessa solidariedade.

De fato, se acompanharmos a vida de um profissional, desde sua formação


escolar até seu êxito final, vamos observar o quanto ele produz e recebe de
utilidade.

Valor Social da Profissão

A quase totalidade das profissões liberais possui grande valor social, o que varia
é sua forma de atuação e a natureza qualitativa dos serviços perante as necessidades
humanas.
A saúde, a educação, o lazer, a habitação, a vida empresarial e institucional etc.
são grandes objetivos que necessitam da atuação do profissional.
Médicos, professores, escritores, engenheiros, administradores, contadores,
advogados, psicólogos, biólogos, etc. são elementos indispensáveis à vida social, em
tarefas de relevante importância.

Valor da Profissão, Utilidade e Expressão Ética

A profissão, como a prática habitual de um trabalho, oferece uma relação entre


necessidade e utilidade, no âmbito humano que exige uma conduta específica para o
sucesso de todas as partes envolvidas – quer sejam os indivíduos diretamente ligados ao
trabalho, quer sejam os grupos, maiores ou menores, onde tal relação se insere.
Quem pratica a profissão dela se beneficia, assim, como o utente dos serviços
também desfruta de tal, utilidade. Isso não significa, entretanto, que tudo o que é útil
entre duas partes o seja para terceiros e para a sociedade.
O conceito profissional é a evidência, perante terceiros, das capacidades, e
virtudes de uma ser no exercício de um trabalho habitual de qualidade superior.

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Não se constrói um conceito pleno, todavia, sem que se pratique uma conduta
também qualificada.
O valor profissional deve acompanha-se de um valor ético para que exista uma
integral imagem de qualidade.
Quando só existe competência técnica e cientifica e não existe uma conduta
virtuosa, a tendência é de que o conceito, no campo do trabalho, possa abalar-se,
notadamente em profissões que lidam com maiores riscos.
Um advogado, por exemplo, que defenda o réu e sirva também ao autor, quebra
um principio ético e se desmerece, conceitualmente, como profissional.
No exemplo que utilizamos, o advogado serviu, sendo útil a uma das partes,
mas, eticamente, praticou uma conduta reprovável.
Ocorreu um ato útil para duas partes (advogados e ciente), mas com ausência de ética
(advogar para quem é autor onde o réu é empregador do profissional). O utilitário pode
ser também antiético, portanto, segundo determinadas circunstâncias

ÉTICA PROFISSIONAL

Ética e valores são partes do desenvolvimento humano. Ética se aprende em


casa, na escola, através da religião e de outras influências.

“Ética  Conjunto de preceitos sobre o que é moralmente


certo ou errado. Parte da filosofia dedicada aos princípios que
orientam o comportamento humano.

Moral  Conjunto de regras de conduta desejáveis num grupo


social. Estado de espírito; ânimo, determinação”. (Mini
dicionário da Língua Portuguesa – Houaiss)

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Ética profissional é o conjunto de princípios morais (normas) que se devem
observar no exercício de uma profissão, onde os conceitos básicos e as normas de
conduta e de caráter serão extraídos da formação familiar, passados à vida social e
transferidos à vida profissional.

Podemos citar como princípios morais/éticos que aplicamos profissionalmente:

 Boa educação e a cordialidade no dia a dia de uma empresa, desde a portaria até
a diretoria.
 Não utilizar de recursos da empresa para benefícios próprios e
 Trajar-se de forma adequada ao ambiente de trabalho.
 Não se apropriar da ingenuidade do cliente para explorá-lo;
 Nunca tentar contra por o mercado para se beneficiar.

O que é Ética Profissional?

É extremamente importante saber diferenciar a Ética da Moral e do Direito.


Estas três áreas de conhecimento se distinguem, porém têm grandes vínculos e até
mesmo sobreposições. Tanto a Moral como o Direito baseiam-se em regras que visam
estabelecer uma certa previsibilidade para as ações humanas. Ambas, porém, se
diferenciam. A Moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma
de garantir o seu bem-viver. A Moral independe das fronteiras geográficas e garante
uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo
referencial moral comum.

O Direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas


fronteiras do Estado. As leis têm uma base territorial, elas valem apenas para aquela
área geográfica onde uma determinada população ou seus delegados vivem. Alguns
autores afirmam que o Direito é um sub-conjunto da Moral. Esta perspectiva pode gerar
a conclusão de que toda a lei é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a
existência de conflitos entre a Moral e o Direito. A desobediência civil ocorre quando

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argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. Este é um
exemplo de que a Moral e o Direito, apesar de referirem-se a uma mesma sociedade,
podem ter perspectivas discordantes.

A Ética é o estudo geral do que é bom ou mau, correto ou incorreto, justo ou


injusto, adequado ou inadequado. Um dos objetivos da Ética é à busca de
justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo Direito. Ela é diferente de
ambos, pois não estabelece regras. Esta reflexão sobre a ação humana é que caracteriza
a Ética.

Ética Profissional: Quando se inicia esta reflexão?

Esta reflexão sobre as ações realizadas no exercício de uma profissão deve


iniciar bem antes da prática profissional. A fase da escolha profissional, ainda durante a
adolescência muitas vezes, já deve ser permeada por esta reflexão. A escolha por uma
profissão é optativa, mas ao escolhê-la, o conjunto de deveres profissionais passa a ser
obrigatório. Geralmente, quando você é jovem, escolhe sua carreira sem conhecer o
conjunto de deveres que está preste a assumir tornando-se parte daquela categoria que
escolheu.

Toda a fase de formação profissional, o aprendizado das competências e


habilidades referentes à prática específica numa determinada área, deve incluir a
reflexão, desde antes do início dos estágios práticos. Ao completar a formação em nível
superior, a pessoa faz um juramento, que significa sua adesão e comprometimento com
a categoria profissional onde formalmente ingressa. Isto caracteriza o aspecto moral da
chamada Ética Profissional, esta adesão voluntária a um conjunto de regras
estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu exercício.

Mas pode ser que você precise começar a trabalhar antes de estudar ou
paralelamente aos estudos, e inicia uma atividade profissional sem completar os estudos
ou em área que nunca estudou, aprendendo na prática. Isto não exime você da
responsabilidade assumida ao iniciar esta atividade. O fato de uma pessoa trabalhar
numa área que não escolheu livremente, o fato de “pegar o que apareceu como

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emprego”, por precisar trabalhar, o fato de exercer atividade remunerada onde não
pretende seguir carreira, não isenta da responsabilidade de pertencer, mesmo que
temporariamente, a uma classe, e há deveres a cumprir.

Um jovem que, por exemplo, exerce a atividade de auxiliar de almoxarifado


durante o dia e, à noite, faz curso de programador de computadores, certamente estará
pensando sobre seu futuro em outra profissão, mas deve sempre refletir sobre sua
prática atual.

Ética Profissional: Como é esta reflexão?

Algumas perguntas podem guiar a reflexão, até ela tornar-se um hábito


incorporado ao dia-a-dia. Tomando-se o exemplo anterior, esta pessoa pode se perguntar
sobre os deveres assumidos ao aceitar o trabalho como auxiliar de almoxarifado, como
está cumprindo suas responsabilidades, o que esperam dela na atividade, o que ela deve
fazer, e como deve fazer, mesmo quando não há outra pessoa olhando ou conferindo.

Pode perguntar a si mesmo: Estou sendo bom profissional? Estou agindo


adequadamente? Realizo corretamente minha atividade?

É fundamental ter sempre em mente que há uma série de atitudes que não estão
descritas nos códigos de todas as profissões, mas que são comuns a todas as atividades
que uma pessoa pode exercer.

Atitudes de generosidade e cooperação no trabalho em equipe, mesmo quando a


atividade é exercida solitariamente em uma sala, ela faz parte de um conjunto maior de
atividades que dependem do bom desempenho desta. Uma postura pró-ativa, ou seja,
não ficar restrito apenas às tarefas que foram dadas a você, mas contribuir para o
engrandecimento do trabalho, mesmo que ele seja temporário.

Se sua tarefa é varrer ruas, você pode se contentar em varrer ruas e juntar o lixo,
mas você pode também tirar o lixo que você vê que está prestes a cair na rua, podendo
futuramente entupir uma saída de escoamento e causando uma acumulação de água
quando chover. Você pode atender num balcão de informações respondendo

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estritamente o que lhe foi perguntado, de forma fria, e estará cumprindo seu dever, mas
se você mostrar-se mais disponível, talvez sorrir, ser agradável, a maioria das pessoas
que você atende também serão assim com você, e seu dia será muito melhor.

Muitas oportunidades de trabalho surgem onde menos se espera, desde que você
esteja aberto e receptivo, e que você se preocupe em ser um pouco melhor a cada dia,
seja qual for sua atividade profissional. E, se não surgir, outro trabalho, certamente sua
vida será mais feliz, gostando do que você faz e sem perder, nunca, a dimensão de que é
preciso sempre continuar melhorando, aprendendo, experimentando novas soluções,
criando novas formas de exercer as atividades, aberto a mudanças, nem que seja mudar,
às vezes, pequenos detalhes, mas que podem fazer uma grande diferença na sua
realização profissional e pessoal. Isto tudo pode acontecer com a reflexão incorporada a
seu viver. E isto é parte do que se chama empregabilidade: a capacidade que você pode
ter de ser um profissional que qualquer patrão desejaria ter entre seus empregados, um
colaborador. Isto é ser um profissional eticamente bom.

Ética Profissional e relações sociais

O varredor de rua que se preocupa em limpar o canal de escoamento de água da


chuva, o auxiliar de almoxarifado que verifica se não há umidade no local destinado
para colocar caixas de alimentos, o médico cirurgião que confere as suturas nos tecidos
internos antes de completar a cirurgia, a atendente do asilo que se preocupa com a
limpeza de uma senhora idosa após ir ao banheiro, o contador que impede uma fraude
ou desfalque, ou que não maquia o balanço de uma empresa, o engenheiro que utiliza o
material mais indicado para a construção de uma ponte. Todos estão agindo de forma
eticamente em suas profissões, ao fazerem o que é correto, mesmo quando não estão
sendo observados, preocupando-se assim, não só com os deveres profissionais, mas
também com as pessoas.

As leis de cada profissão são elaboradas com o objetivo de proteger os


profissionais, a categoria como um todo e as pessoas que dependem daquele

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profissional, mas há muitos aspectos não previstos especificamente e que fazem parte
do comprometimento do profissional em ser eticamente correto, aquele que,
independente de receber elogios, faz A COISA CERTA.

Ética Profissional e Atividade Voluntária

Outro conceito interessante de examinar é o de Profissional, como aquele que é


regularmente remunerado pelo trabalho que executa ou atividade que exerce, em
oposição a Amador. Nesta conceituação, se diria que aquele que exerce atividade
voluntária não seria profissional, e esta é uma conceituação polêmica.

Em realidade, Voluntário é aquele que se dispõe, por opção, a exercer a prática


Profissional não-remunerada, seja com fins assistenciais, ou prestação de serviços em
beneficência, por um período determinado ou não. Aqui, é fundamental observar que só
é eticamente adequado, o profissional que age, na atividade voluntária, com todo o
comprometimento que teria no mesmo exercício profissional se este fosse remunerado.

Seja esta atividade voluntária na mesma profissão da atividade remunerada ou


em outra área. Por exemplo: Um engenheiro que faz a atividade voluntária de dar aulas
de matemática. Ele deve agir, ao dar estas aulas, como se esta fosse sua atividade mais
importante. É isto que aquelas crianças cheias de dúvidas em matemática esperam dele.
Se a atividade é voluntária, foi sua opção realizá-la. Então, é eticamente adequado que
você a realize da mesma forma como faz tudo que é importante em sua vida.

Ética Profissional - Pontos para sua reflexão

É imprescindível estar sempre bem informado, acompanhando não apenas as


mudanças nos conhecimentos técnicos da sua área profissional, mas também nos
aspectos legais e normativos. Vá e busque o conhecimento. Muitos processos ético-
disciplinares nos conselhos profissionais acontecem por desconhecimento, negligência.

Competência técnica, aprimoramento constante, respeito às pessoas,


confidencialidade, privacidade, tolerância, flexibilidade, fidelidade, envolvimento,

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afetividade, correção de conduta, boas maneiras, relações genuínas com as pessoas,
responsabilidade, corresponder à confiança que é depositada em você. Comportamento
eticamente adequado e sucesso continuado são indissociáveis.

Quem é o melhor colaborador?

Terminamos uma pesquisa com mais de 250 empregadores sobre as


características mais valorizadas em seus colaboradores. Afinal que é o melhor
colaborador?

 Não é o mais “inteligente” e “brilhante” – é o mais “comprometido”;


 É o que atende aos pedidos imediatamente – tanto dos chefes quanto dos clientes
e colegas de trabalho;
 É o sempre pronto a colaborar com seus colegas de trabalho – mesmo quando a
tarefa não é sua;
 É o que participa, dá opiniões, “briga pela empresa” – mesmo correndo o risco
de não ser bem compreendido;
 É o que termina as coisas que começa;
 É aquele presta atenção aos detalhes nas coisas que faz – procura fazer tudo bem
feito em seus detalhes;
 É o que demonstra estar feliz – abaixo os “entediados” no trabalho;
 É o que estar constantemente procurando saber mais sobre a empresa – para
poder servir melhor, clientes e colegas;
 É aquele que repassa as informações relevantes a seus subordinados e chefes –
não “guarda” informações relevantes para si como forma de demonstrar “poder”;
 É aquele que “não fica olhando o tempo todo para o relógio” – para saber a hora
de ir embora;
 É o ético – no sentido mais amplo da palavra – não mente, respeita os clientes e
os colegas – sejam superiores ou subordinados;
 É o “comprometido com a marca e com os produtos da empresa”;
 É aquele que “respeita” o ambiente de trabalho desde como se veste, até como se
comporta, até o que fala;

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 É o mais “polido” e “educado” – além de competente.

Essas são apenas algumas das respostas. Surpreso?


Pense nisso. Faça uma avaliação de si próprio.

Luiz Almeida Marins Filho, Ph D

Sigilo de Informações

Uma empresa independente de ser pequena média ou uma grande corporação


tem sua forma própria trabalhar, metas, dados estatísticos, etc.

As informações que tomamos conhecimento com nosso trabalho, devem ser


restritas a empresa, pois não é ético divulgar assuntos de interesse da empresa a pessoas
externas. Pode ocorrer de um colaborador tomar conhecimento de um assunto que não
lhe diz respeito, pois ficou sabendo “por acaso” e sair falando a todos inclusive dentro
da própria empresa a outros colegas, depois se o fato de forma diferente ou não ocorre,
todos ficarão sabendo da notícia e por onde ela começou.

Exemplos de comportamento inadequados:

Um colaborador do departamento de pessoal ouviu seu gerente falar com o diretor que
teriam um aumento de 10%, pronto a notícia se espalhou e aumento só era para os
cargos de chefia. As conseqüências não poderiam ser piores, uma insatisfação enorme.
Na fila do banco dois “boys” conversando, um deles divulga uma estratégia de
marketing da venda de sabonete SPERT e o outro escuta calmo e tranqüilo, quando
chega de volta a empresa em que trabalha procura seu chefe e divulga o fato, pois se
tratam de empresas concorrentes, cujo principal produto é o tal do sabonete.

Cuidados que devem ser tomados para não tropeçar num novo ambiente de
trabalho.

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O Passado

Ficou para trás. Por mais maravilhoso que tenha sido, evite referencias ao antigo
emprego. Ninguém está realmente interessado, e é preciso mostrar que você sabe pensar
adiante, certo? Falar mal de ex-colegas e ex-chefes – ainda que tenha sofrido todas as
injustiças – só irá prejudicá-lo.

O Presente

Se você está ali, é porque tem conhecimento e capacidade. Mas não precisa
mostrar de cara que conhece melhor os meandros e os projetos da empresa dos que
estão lá há anos. Ao menos no começo, procure não exibir toda a sua bagagem para não
ferir suscetibilidades.

O Seu Espaço

É possível que você tenha de ficar em algum lugar provisório quando chegar,
como na mesa de alguém que está de férias. Cuide direito do patrimônio dos outros,
com mais cuidado ainda do que se fosse seu. Quando já estiver em seu canto definitivo,
certifique-se de que não está invadindo mesas e salas alheias. E mais: nada de levar o
Kit escritório (porta-retratos, vasinhos, pesos de papel, amuletos e flâmulas de times)
nas primeiras semanas.

Eu sou o tal!

O ego não tem espaço nos escritórios modernos, onde coletividade é a palavra-
chave. Portanto evite frases com excesso de “eus”, do tipo: “Eu sempre faço assim”. É
infinitamente mais simpático perguntar: “Como costuma ser feito?, ou “Qual é a
estratégia usada nesses casos?”

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Fofoca

“Fifi” é coisa de novela das 6! Por mais que o assunto seja palpitante, não
comente e tampouco emita juízos. Você ainda não sabe quem é quem na empresa e de
que lado está às verdades.

Boca-De-Siri

Vá com calma no que se refere à opinião. Principalmente se ocupa um cargo de


chefia, onde elas têm um peso maior. Isto vale para tudo, desde a política da empresa até
times do coração, gurus, patrulhamento antifumo ou pró-naturalismo. Como novo
membro da turma, deixe para se manifestar no momento certo ou quando perguntarem a
sua opinião. Aí, diga o que pensa – mas sem aquele tom de catequese.

Virtudes Básicas Profissionais.

Muitas são as virtudes que um profissional precisa ter para que desenvolva com
eficácia seu trabalho, em verdade, múltiplas exigências existem, mas entre elas,
destacam-se algumas, básicas, sem as quais sem impossibilita a consecução do êxito
moral.
Quase sempre, na maioria dos casos, o sucesso, profissional se faz acompanhar
de condutas fundamentais corretas. Tias virtudes básicas são comuns a quase todas as
profissões, mas destacam-se, ainda, naquelas de natureza liberal.
Virtudes básicas profissionais são aquelas indispensáveis, sem as quais não se
consegue a realização de um exercício ético competente, seja qual for a natureza do
serviço prestado.
Tais virtudes devem formar a consciência ética estrutural, os alicerces do caráter
e, em conjunto, habilitarem o profissional ao êxito em seu desempenho.

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Matéria: Ética Profissional
Prof ª Luciana Façanha Nogueira.
Virtudes
Zelo: o zelo o cuidado com o que faz, começa, portanto, com uma
responsabilidade individual, ou seja, fundamentada na relação entre o sujeito e o objeto
do trabalho.
O zelo é uma virtude que, como as demais, muitos depende do próprio ser.
Pela qualidade do serviço mede-se a qualidade do profissional.
Quando alguém procura um contador, um advogada, um médico, um arquiteto,
seja que profissão for, entrega, ao mesmo, juntamente com o trabalho requerido, algo
imaterial muito preciosos – a confiança. Maus serviços são, pois, em princípio, traições
à confiança depositada.
É digno recusar um trabalho um trabalho sobre o qual não se tem convicção
sobre a dedicação que poderá ser dada. Indigno é aceitar uma tarefa, sem a certeza de
que é factível, dentro dos limites máximos do possível e sem que haja possibilidade de
ser realizada como desvelo.
Se falta, ao profissional, a certeza de que pode, com empenho e cuidado,
executar um trabalho, melhor será que o recuse e esclareça sobre a inviabilidade sua em
cumprir o que é requisitado.
Ninguém é obrigado a aceitar um emprego profissional, mas se obriga ao aceitá-
lo.
Algumas tarefas, todavia, representam casos perdidos, mas, mesmo assim, não
excluem o empenho e todas as tentativas para reverter o quando, dando a acontecer os
risco que envolve, a quem espera os resultados de sua atuação, sou seja, ao utente ou a
seu tutor ou responsável.
O importante é que não falte todo o esforço e cuidado para que o serviço se
execute em favor do utente, mesmo em condições adversas.
A historia está repleta de casos em que todas as aparências denotavam derrota e
que se transformam em vitórias. O cuidado com a tarefa envolve tudo o que a ele diz
respeito, desde a forma de compreender bem o que o utente deseja, até a entrega do
serviço com qualidade e no tempo marcado. o termo zelo é abrangente.

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Prof ª Luciana Façanha Nogueira.
Necessário ao zelo, pois, seguindo-se o conceito leibniziano, é tudo o que é
possível de ser o contrário dele e ele compreende, exatamente, o grau máximo de
responsabilidade pessoal do sujeito, com a abrangência total do objeto de trabalho.
Um profissional percebe, dentro de si mesmo, o que deveras é preciso fazer para
que a tarefa se desempenhe da melhor maneira possível e se não o sente é porque ainda
não está apto para ser um profissional.

Honestidade – virtude magma no campo profissional

A honestidade situa-se como uma compatível prática do bem com a confiança


depositada por terceiros em alguém. A desonestidade, por sua vez, é exatamente a
transgressão ao direito de terceiros, derivados dos: abusos de confiança, indução
maliciosa, arbitrariedade, pressão ou outro fator que venha a trair ou subtrair algo que
tenha sido confiado.

É necessário ser honesto, parecer honesto e ter o ânimo de sê-lo, para que exista
a prática do respeito ao direito de nosso semelhante.

Virtude do sigilo

Revelar o que se sabe, quando a respeito do conhecido, quem o confiou, pediu


reserva, é quebra de sigilo.

O respeito aos segredos das pessoas, dos negócios, das instituições, é protegido
legalmente, pois se trata de algo muito importante; eticamente, o sigilo assume o papel
de algo que é confiado e cuja preservação de silêncio é obrigatória.

Nem tudo é objeto de sigilo, mas preferível será sempre que o profissional se
reserve quanto a tudo o que se sabe e que lhe é revelado pelo cliente ou que ele veio
saber por força da expressão do trabalho.

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Além das características mencionadas acima, de um profissional se exige,
geralmente, seja qual for sua função, a prática das seguintes capacidades básicas como
virtudes, como valores necessários e compatíveis à prática de cada utilidade requerida.

Afabilidade Aptidão
Atenção Atitude
Caráter Cautela
Concentração Coragem
Criatividade Decisão
Determinação Disciplina
Eficiência Empenho
Estratégia Fidelidade
Honestidade Moderação
Otimismo Percepção
Perseverança Pontualidade
Prudência Reflexão
Solidariedade Tolerância
Vitalidade Vivacidade
Voluntariedade Firmeza

Inteligência Emocional e ética

A emoção é um sentimento que advém de estados biológicos e psicológicos e


que pode motivar o primeiro impulso para a ação. Quando algo é percebido por nossos
sentidos, é inicialmente recebido em uma zona de nosso cérebro que se denomina
“amígdala cortical”. Tal amígdala é como se fosse um armazém de memória específica,
que é a emocional. A afeição e a paixão operam-se nessa área do cérebro, que é
autônoma.
Conter o impulso emocional, dirigi-lo no sentido dos preceitos de uma
consciência moldada em princípios éticos, é função da inteligência emocional. A partir
disso, entende-se a inteligência emocional, como sendo o uso da razão para domínio da
emoção, através de uma condução competente do que sentimos, em favor de uma
verdade ética.

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Egoísmo, violência, avidez pelo material, embriaguez pelo poder, em suma, um
conjunto de defeitos habita hoje o mundo social, destruindo relações éticas, surgidas
quase sempre de uma supremacia emocional sobre o racional.
Os seres humanos agem diferentemente em face das emoções que atuam sobre
seus cérebros. A tendência é de que a falta do uso de uma inteligência emocional seja
poderoso inimigo de uma conduta sadia, afetando, portanto, o campo da ética.
A falta de motivação também age como complemento relevante na disciplina
emocional e tal falta compromete a ação dos seres, uns perante os outros.

Estratégias para motivação

“Entre um sonho e um projeto realizado, há muito, muito trabalho. As chances de


sucesso aumentam bastante se esse trabalho seguir uma estratégia e for realizado por
pessoas qualificadas e motivadas”.

Henrique Meirelles – presidente de FleetBoston Global

Multifuncionalidade - O conceito de variedade na tarefa é ampliado para o


conceito de multifuncionalidade, o mercado de trabalho moderno está exigindo
profissionais com várias habilidades, que são chamados também de multi-especialistas,
profissionais que possuem uma ou mais formações específicas, mas que apresentam
também noções genéricas sobre outros assuntos. Um exemplo para ilustrar essa nova
realidade é o caso do check-in das empresas de aviação. A mesma funcionária que faz a
recepção dos passageiros (tendo assim que possuir habilidades de atendimento e
recepção e certamente dominar idiomas e informática), recolhe os bilhetes de embarque
na porta da aeronave e direciona os passageiros (demonstrando conhecimentos dos
serviços de comissária de bordo) e retorna para um novo check-in, ou seja, não só
executa outras tarefas como realiza o trabalho de outras pessoas, condição indispensável
em tempos de estruturas enxutas. Uma frase do consultor Jan Carlzon ilustra bem a
situação “o importante não é ser 1.000% melhor em uma coisa e sim ser 1% melhor em
1.000 coisas”.

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Visibilidade no Mercado - Este é o fator que motiva o novo profissional o
surgimento de novas oportunidades. Você deve, passo a passo, criar uma boa
imagem pessoal e esforçar-se para mantê-la viva em sua comunidade
profissional. Mas, antes de tudo, devem ser mantidas as relações de
amizade, conservadas num processo de constante troca de informações,
por intermédio de telefonemas, e-mails, reuniões etc. Já que as empresas
possuem porta-vozes, você necessita ser, também, o seu próprio porta-
voz. Lembre-se do dito popular “quem não é visto, não é lembrado”.

Visão Estratégica - De acordo com Afonso Oncala Molina – diretor da AOM &
associados em artigo publicado no jornal o Estado de São Paulo “ O fator humano
influencia toda a organização e quando as pessoas conseguem, ampliar sua dimensão, e
se comprometem com os objetivos desta organização, são capazes de torná-la excelente
e competitiva.”A idéia chave da significância da tarefa era fazer o trabalhador acreditar
que está fazendo algo importante na sua organização e/ou sociedade, essa idéia passa
agora a ter um grau maior de importância”. A visão estratégica motiva o profissional a
prever, de forma rápida, para onde o mercado caminha e que mudanças deverão ocorrer
na sua carreira, possuir visão estratégica é uma condição indispensável para que o
profissional tenha um alto nível de adaptação.

Capacidade de Inovação - Mais do que responsabilidade e pró-atividade, exige-


se hoje que o profissional seja inovador, que faça parte da solução e não do problema, a
liberdade para criar é um fator motivacional moderno, as pessoas quando pertencentes a
ambientes rotineiros e metódicos tendem a se tornar desmotivadas ou acomodadas
resultando em baixa produtividade e alta rotatividade. Para trazer à tona o capital
humano já existente na organização, é necessário que se reduza ao mínimo às tarefas
que não envolvam raciocínio, a burocracia desnecessária e as pequenas disputas internas
improdutivas. Na era da informática, ninguém pode fazer uso ineficiente do capital
humano. Diante da concorrência acirrada, Jack Welch, presidente da GE, diz: “

“As únicas idéias que contam são as idéias nota 10. Não existe segundo lugar.
Isso significa que precisamos conseguir o envolvimento de todo mundo na

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organização. Se você fizer isso da maneira certa, as melhores idéias virão à
tona (...)”

Auto-parabéns – A maior novidade nesta proposta de motivação de carreiras está no


conceito de auto-parabéns, mais do que o retorno positivo ou negativo pelo serviço
executado, a idéia aqui presente é a de que cada profissional ao final de um dado
período (dia, mês, ano, etc.) saiba exatamente como está o seu desempenho por meio de
indicadores de performance. Você deve saber exatamente o que deve ser feito e ao fazê-
lo com eficácia não precisa ficar aguardando um feedback, pois você já sabe que o
serviço é bem feito, os indicadores ficam a critério de cada profissional ou cada carreira,
mas devem ser sempre associados a objetivos, por exemplo, quantos contatos você
fechou no mês, quantos clientes reclamaram de seus serviços neste mês em relação ao
anterior, etc., o importante é ter objetivos, no sentido de ambição (Desejo ardente de
alcançar um objetivo de ordem superior, aspiração relativa ao futuro – Dicionário
Aurélio). Os objetivos são uma grande fonte de motivação. Este conceito envolve um
atributo muito importante o do profissional que sabe exatamente o que faz, porque faz e
se identifica com isso, é muito comum encontrarmos pessoas que sabem o que fazem,
mas não sabem porque o fazem, conforme ilustra a seguinte anedota:

“Em uma ferrovia, um jovem ajudante foi contratado para checar a roda dos trens para
tal foi designado o funcionário mais antigo da ferrovia para lhe ensinar o trabalho, que
consistia em bater com um martelo nas rodas dos trens e notar se algum som estranho
era emitido, o jovem entendeu bem o serviço e nos dias seguintes já o fazia mais
rapidamente que o funcionário que havia lhe ensinado o serviço, de repente resolveu
esclarecer uma dúvida que o incomodava.

__ Meu colega, (perguntou o jovem ao funcionário mais velho) porque fazemos este
serviço?

__ O funcionário mais velho respondeu, você está aqui a alguns dias e já quer saber algo
que eu nesses trinta e cinco anos de carreira não sei.“

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Interpessoalidade – Refere - se a capacidade do profissional saber trabalhar em equipe
e se relacionar bem com pessoas.

“(...) O computador não é a rede. As pessoas é que formam a rede pela qual
devem transitar as informações que manterão vivos os negócios (...) a forma
de organização empresarial do século XXI, assume a forma de uma rede, sem
pontos centrais e com a disseminação das informações por toda a estrutura
(...) Ninguém entrará no serviço às 9h e sairá às 17h, mas as pessoas
trabalharão a qualquer hora que acharem conveniente, rumo a um
determinado resultado (..).”

O conceito acima, de Kenichi Ohmae – consultor – apresenta uma nova


realidade do mundo corporativo, as equipes em rede em que cada profissional deve ter
um alto nível de relacionamento interpessoal, assim o resultado e desempenho da equipe
serão atingidos pelo compartilhamento das informações. Um estudo do professor John
Morgan, da Universidade de Princeton, mostra que decisões em grupo são mais rápidas
e melhores. Em entrevista publicada na edição de fevereiro da revista Você S/A, ele
analisa as características necessárias para uma equipe trabalhar corretamente:

“Algumas circunstâncias fazem com que um grupo seja ótimo para tomadas
de decisão. Entre elas estão predisposições para discutir diferentes assuntos,
flexibilidade, capacidade de tratar as informações racionalmente – e não
emocionalmente – aceitar críticas honestas e opiniões conflitantes. Grupos
que encorajam esse tipo de prática vão aproveitar ao máximo as habilidades
individuais de seus membros”.

Os fatores expostos acima motivam os profissionais no desenvolvimento de suas


carreiras e sua importância merece ser reconhecida pela empresa, que deve ter ações
baseadas na estratégia para motivação e o desenvolvimento profissional dos empregados
e colaboradores.

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CRIATIVIDADE, QUE BICHO É ESSE?

Por: Armando Pilla (Brasil)

Talvez a palavra criatividade não retrate exatamente o que ela significa. Dita
assim "criatividade" sugere o aparecimento de uma obra instantânea, algo do tipo
inspiração. E criatividade não é isto.

Criatividade é sinônimo de SOLUÇÃO DE PROBLEMAS. Ela só existe, ela só


se exprime, em face de um problema real, como aplicação para um problema real.

Não há criatividade sem problema referente. Ela sempre parte de um problema,


na maioria esmagadora ou então vai ao problema em situações excepcionais. Contudo a
criatividade é sempre componente ativo de um problema, verdadeira razão de ser de
tudo o que se compreende como solução de problemas.

Ela sempre parte do problema. E aqui poderíamos citar milhares, milhões de


exemplos. Para ilustrar, pegaremos um bem clássico: Se o leitor fosse escolhido para
descer uma máquina em um buraco de 3 metros de profundidade, de diâmetro igual ao
do equipamento, como resolveria o problema? Aparentemente o problema é bem
complexo, mas de solução muito simples. Encha o buraco com água, congele-o e
coloque a máquina sobre o gelo. Aguarde o gelo derreter e com uma bomba vá tirando o
excesso de água que irá se formar. A máquina chegará sem muito esforço a seu destino.

O que queremos enfatizar no exemplo acima é que apesar da solução ser óbvia,
muitas vezes não nos damos conta de soluções simples e procuramos soluções
complicadas e mais demoradas. Certamente alguns teriam aumentado o buraco para nele
colocar uma rampa e posteriormente descer o equipamento. Outros teriam contratado
um arsenal de engenhocas envolvendo muitas pessoas e assim por diante.

Mas como acontece o processo criativo. As soluções não aparecem do nada


como que por encanto, mas são sim resultado de um processo criativo que evolui com o
passar do tempo. Bem vejamos como funciona tal processo que podemos dividir em
quatro fases distintas: preparação, incubação, iluminação e verificação.

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Esta divisão é arbitrária, e pode ser feita de maneiras distintas. Ela foi escolhida por
sintetizar o processo criativo de maneira mais prática. Vamos então ao processo criativo:

Preparação: Neste momento estamos à frente de um problema (qualquer que seja ele) e
partimos para a coleta do maior número de informações sobre ele. Dados, números, etc.
Após o levantamento de dados passamos a pensar sobre o problema com base nas
informações de que dispomos. Devemos ler, discutir, anotar, colecionar e cultivar nossa
atenção sobre o assunto.

Devemos "curtir" o objeto de nosso esforço. Devemos saber tudo sobre o


assunto, devemos conviver com ele dia e noite enquanto os nossos 10 bilhões de
neurônios se aquecem para responder a nossa crucial pergunta: o que devo fazer para
resolver tal problema?

Outras técnicas podem ser utilizadas nesta fase do processo criativo: ler o maior
número de catálogos, revistas, assistir filmes variados, prestar mais atenção em
conversas informais e nas pessoas caminhando nas ruas, observar mais o cotidiano.
Certamente estes referenciais servirão de elementos catalisadores no processo seguinte.

Incubação: Nesta fase do processo você se desliga, descansa do problema. Porém


mantém uma pequena luz acesa (dizendo que o problema ainda não foi resolvido).

O que acontece então: o inconsciente liberto do consciente procura fazer as


diversas conexões que são a essência da criação.

Nesta fase procure ir ao teatro, ao cinema, ouça música, toque um instrumento,


leia jornais, jogue, divirta-se. Quanto mais atividades você fizer mais rapidamente virá à
solução ou soluções para o seu problema. Era nesta fase que Eistein tocava violino.
Beethoven fazia longas caminhadas e rabiscava seus pensamentos.

Jamais tente resolver dois problemas ao mesmo tempo um no consciente e outro


no inconsciente. O esforço consciente é a preparação exaustiva para garantir o
combustível para o inconsciente. Thomas Edson dizia que "o trabalho inconsciente é
impossível se não for precedido pelo trabalho consciente. Já George F. Kneller dizia:” A

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inspiração não pode vir sem o trabalho do inconsciente, mesmo que seja por seis meses,
seis horas ou seis minutos “. Modernamente podemos acrescentar seis segundos”.

Na incubação todos os nossos referenciais pessoais, isto é, tudo que aprendemos


em nossa vida e que está arquivado em nossa memória é vasculhado. Estes referenciais
vão desde a fecundação de óvulo até o último segundo vivido. Nossas experiências de
vida também fazem parte desde grande arquivo que é manuseado pelo nosso
inconsciente.

Iluminação : Esta fase ocorre nos momentos mais inesperados de nossa vida. É o
momento em que as soluções aparecem repentinamente. É quando visualizamos a
solução do problema. É o clássico EUREKA de Arquimedes.

Muitas vezes a iluminação acontece na rua, no restaurante, no trânsito ou em qualquer


lugar, qualquer lugar mesmo.

Um Diretor de Criação de uma grande Agência de Publicidade brasileira estava


encarregado de criar uma campanha publicitária para um grande anunciante. As
soluções apresentadas eram medíocres e o prazo estava se esgotando. Um dia quando
estava indo para a agência, numa manhã de primavera, ficou preso num engarrafamento
dentro de um túnel por dez minutos. Quando finalmente saiu estava com as linhas gerais
da campanha pronta. Foi para sua sala reescreveu o texto que tinha rabiscado dentro do
túnel, desenvolveu os layouts e a campanha foi aprovada com louvor. A iluminação
aconteceu dentro do túnel, ele escreveu as idéias que afloravam e se encaixavam como
se fossem peças de quebra-cabeças.

A iluminação é o processo de maior clímax fulgurante em qualquer nível, seja


artístico, científico ou meramente publicitário. O autor sente-se tomado pela exaltação,
pois é uma das mais intensas alegrias que se conhece, é uma das mais gratificantes
faculdades da condição humana.

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Verificação: Neste estágio volta tudo à realidade. O intelecto tem de terminar a obra
que a imaginação iniciou. Neste momento o isolamento não é aconselhável, pois
necessitamos das reações alheias, através de testes, críticas, julgamentos e avaliações.

É o momento em que devemos começar a pensar física e mentalmente.


Mentalmente passamos a levantar o problema originário e devemos fazer com que a
mente mergulhe literalmente nele. Na parte física cabe-nos executar a criação.

Talvez o ponto mais difícil da verificação é começar. Neste momento tenho um


sugestão para o leitor: comece pelo início, sempre.

Organize-se de maneira que as "coisas" fluam naturalmente, que tudo se encaixe


como nos quebra-cabeças, pois cada peça tem seu lugar definido. Não tente chegar ao
final sem ter passado pelo início, pois, até agora o que fizemos foi passar por diversas
fases de um processo, portanto não tente atropelar a seqüência dos acontecimentos.
Você já esperou por bastante tempo, não custa esperar mais um pouco.

Sugiro que todas as idéias sejam anotadas, de alguma forma elas serão úteis em
algum momento. Não tente selecioná-las, apenas as escreva. Aquelas que não forem
aproveitadas deverão ficar arquivadas num "banco de idéias" para posterior utilização,
neste momento estaremos fazendo um brainstorm aonde todo o manancial do
inconsciente que veio à tona deve ser guardado para não se perder.

Ter idéias é descobrir relações novas entre coisas conhecidas. É por isto que
dizemos que as idéias mais simples são as melhores, Normalmente as pessoas
tentam complicar o simples e em cem por cento dos casos elas devem rever suas
soluções. A simplicidade faz parte da criatividade e muitas vezes a solução por ser tão
óbvia, não a vemos com tanta facilidade.

Criar é resolver problemas. O processo criativo é de domínio público, inerente a


cada um de nós. E consciente ou inconscientemente passamos pelos quatro estágios
acima relatados. O que sugerimos é que tomando conhecimento deste processo,
possamos acelerar as soluções ou simplesmente torná-las mais executável.

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Cabe-nos ressaltar também que além da criatividade, existem pessoas
"inspiradas". Além de criativas são sensíveis aos seus dons. Mozart, Da Vinci, Freud e
tantos outros gênios que conhecemos enquadram-se aqui.

Porém, se alguém lhe perguntasse qual a condição para um compositor compor


uma excelente sonata, certamente teríamos como resposta: a inspiração.

Não, posso responder com toda a minha convicção. A condição para um


compositor compor uma excelente sonata é ele ser um excelente compositor...

Na realidade o queremos dizer é que as pessoas possuem núcleos de capacidades


e conhecimentos (que nós poderíamos chamar de arquivos específicos). Jamais um
filósofo será um excelente relojoeiro. Neste caso seus referenciais de vida o levam a
trabalhar em áreas específicas. Muitos dos grandes teóricos da física e da matemática
nunca viram na prática o resultado de suas descobertas, pois eles eram pensadores.
Coube a outros provarem suas teorias, na prática.

Cabe-nos então achar a nossa parte na história da humanidade. E este é o


problema que deixo para ser resolvido, individualmente por cada um de nós.

Liderança

Definição

Liderança é o processo de influenciar pessoas no sentido de que ajam em prol dos


objetivos da instituição. Devem existir, segundo o conceito:

1. Existência do Grupo Humano;


2. Presença de um líder;
3. Observância dos Princípios psicológicos e sociológicos que regem o ser
humano;

A Liderança exige do líder:

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1. ATITUDE: predisposição para sacrifícios pessoais;
2. EXERCÍCIO: da ética militar, a sua observância;
3. EXERCÍCIO: conhecimento da liderança de outros líderes;
4. EXERCÍCIO: conhecimento do comportamento do ser humano;
5. CONHECIMENTO: de liderança;
6. AÇÃO: obtenção de experiência através da ação.

O líder precisa de OBEDIÊNCIA, CONFIANÇA, RESPEITO E COOPERAÇÃO


LEAL.

Fatores predisponentes:

1. Autoridade Organizacional (direito legal e funcional em exercer o comando);


2. Autoridade Moral (vem do líder e significam valores, crenças, idéias, formação,
objetivos e metas a seguir);
3. Competência (estabelece a ascendência do líder sobre os seguidores, conquista a
confiança).

Desenvolvimento de Liderança

As ferramentas de desenvolvimento de liderança concentram-se no


fortalecimento das capacidades de liderança em todos os níveis. Estas ferramentas
incluem auto-avaliações e exercícios de fortalecimento das habilidades concebidas para
ajudar no aumento da autopercepção e autoconfiança, e a desenvolver as habilidades e o
conhecimento necessários para colocar em prática uma liderança eficaz.

A liderança não é um estado final ao qual se chega, quer seja como individuo ou
como empresa. Deve ser conquistada todos os dias. Deve tornar-se uma maneira
contínua de pensar e de estar, independentemente do nível ou do cargo que se ocupa.

Os líderes:

 MANTÊM O FOCUS NOS RESULTADOS

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Os líderes mantêm o focus nos resultados, estabelecendo as prioridades corretas,


adotando os mais elevados padrões, sendo estrategicamente oportunistas e
concentrando-se nos nossos clientes.

 CRIAM UM AMBIENTE INTEGRADOR

Os líderes criam um ambiente integrador ao serem receptivos a novas idéias,


procurando sempre incluir os colegas no processo e assegurando que todos os gestores
façam o mesmo.

 ESTIMULAM A COMUNICAÇÃO ABERTA E O DEBATE

Os líderes escutam ativamente, incentivam a contribuição, aceitam criticas, moderam


habilmente reuniões e discussões e comunicam com eficácia.

 GEREM A MUDANÇA

Os líderes gerem a mudança, antecipando-a estrategicamente, tomando iniciativas e


planeando melhores processos de trabalho. Responsabilizam as pessoas para agir,
treinam agentes de mudança e procuram identificar melhores práticas.

 DESENVOLVEM AS PESSOAS

Os líderes desenvolvem as pessoas de muitas formas. Proporcionam feedback útil,


escutam ativamente, planejam visando o desenvolvimento e atuam como orientadores e
mentores.

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A SOCIEDADE BRASILEIRA DE COMPUTAÇÃO (SBC)

Fundada em 1978, SBC é uma sociedade científica, civil e sem fins lucrativos, formada
por professores universitários, pesquisadores, profissionais de Informática e outros
membros da comunidade técnico-científica da Computação brasileira.

A finalidade principal da SBC é contribuir para o desenvolvimento do ensino, da


pesquisa científica e tecnológica da Computação no Brasil e desdobra-se nos seguintes
objetivos:

1. incentivar atividades de ensino, pesquisa e desenvolvimento em Computação no


Brasil;
2. zelar pela preservação do espírito crítico, responsabilidade profissional e
personalidade nacional da comunidade técnico-científica que atua no setor de
computação no País;
3. ficar permanentemente atenta à política governamental que afeta as atividades de
computação no Brasil, no sentido de assegurar a emancipação tecnológica de
País;
4. promover por todos os meios acadêmicamente legítimos, por meio de reuniões,
congressos, conferências e publicações, o conhecimento, informações e opiniões
que tenham por objetivo a divulgação da ciência e os interesses da comunidade
de computação.

A SBC tem âmbito nacional, sede administrativa em Porto Alegre, RS, e possui cerca de
3.000 associados, oriundos de todas as regiões do Brasil.

POSIÇÃO DA SBC EM RELAÇÃO à REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO

A comunidade científica da computação brasileira vem discutindo a questão da


regulamentação da profissão de Informática desde antes da criação da SBC em 1978.

Fruto dos debates ocorridos ao longo dos anos, nos diversos encontros de sua
comunidade científica, em relação às vantagens e desvantagens de uma regulamentação
da profissão de informática, a SBC consolidou sua posição institucional em relação a

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esta questão pela formulação dos seguintes princípios, que deveriam ser observados em
uma eventual regulamentação da profissão:

1. Exercício da profissão de Informática deve ser livre e independer de diploma ou


comprovação de educação formal.
2. Nenhum conselho de profissão pode criar qualquer impedimento ou restrição ao
princípio acima.
3. A área deve ser Auto-Regulada.

Os argumentos levantado junto à comunidade da SBC e que nortearam a formulação


dos princípios acima estão detalhados na Justificação que acompanha o PL 1561/2003, o
qual é integralmente apoiado pela Sociedade de Computação.

Resumidamente, a SBS posiciona-se CONTRA o estabelecimento de uma reserva de


mercado de trabalho, geralmente instituída pela criação de conselho de profissão em
moldes tradicionais, o qual, como já ocorre em muitas outras áreas, pode levar a uma
indevida valorização da posse de um diploma em detrimento da posse do conhecimento,
que é a habilitação que ele deveria prover.

Por outro lado, a SBC é a FAVOR de liberdade do exercício profissional, sendo o


conhecimento técnico-científico e social, normalmente adquirido em curso superior de
boa qualidade, o principal diferencial de competência profissional. O diploma, com
todas as informações que o compõem, é o principal e melhor instrumento para proteção
da Sociedade.

A SBC está trabalhando na constituição de um Conselho Nacional de Auto-Regulação, a


ser formado por um conjunto de entidades representativas da Sociedade Civil com a
finalidade de definir, manter um Código de ética e aplicá-lo no setor de Informática,
visando a proteção da Sociedade e defesa da �rea do ponto de vista ético e político.

O cenário idealizado pela SBC para o exercício das atividades de Informática no País é
caracterizado pelos seguintes elementos conciliadores dos diversos interesses da
Sociedade e dos profissionais:

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Matéria: Ética Profissional
Prof ª Luciana Façanha Nogueira.
 regime de liberdade ao trabalho na profissão de Informática em todo o País;
 competência profissional e posse do conhecimento como principais diferenciais
a serem utilizados pela Sociedade e pelas empresas na contratação de serviços
profissionais;
 valorização do diploma de cursos superior como instrumento diferenciador de
capacidade tecno-científica e indicador de elevado potencial de competência
profissional;
 uso do controle de qualidade de produto para garantia da satisfação do
consumidor;
 uso da legislação pertinente (Cível, Penal, Comercial, Código do Consumidor,
etc) para resolver divergências, punir irregularidades e promover a defesa de
direitos;
 sindicatos atuantes para defender os interesses legítimos direitos da categoria
profissional;
 conselho de Auto-Regulação atuante para a defesa da Sociedade por meio da
vigilância do cumprimento da ética e de defesa da área do ponto de vista
político.

PROJETO DE LEI DA SBC PARA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO

A partir dos princípios acima, fruto do entendimento da questão produzido pelo debate
travado no âmbito da Comunidade Científica da Computação Brasileira, em suas
reuniões, Congressos e Simpósios, nos últimos 30 anos, a SBC, através de sua Diretoria
de Regulamentação da Profissão, preparou, em 2002, a proposta de projeto de lei de
regulamentação SBC, a qual foi aprovada por seu Conselho em dezembro de 2002 e
então encaminhada ao deputado Ronaldo Vasconcellos, que a transformou no PL
1561/2003, com sua apresentação no Plenário da Câmara Federal dos Deputados em 27
de julho de 2003, quando entrou em processo regular de TRAMITAÇÃO.

A comunidade científica da computação brasileira vem discutindo a questão da


regulamentação da profissão de Informática desde antes da criação da SBC em 1978.

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Fruto dos debates ocorridos ao longo dos anos, nos diversos encontros de sua
comunidade científica, em relação às vantagens e desvantagens de uma regulamentação
da profissão de informática, a SBC consolidou sua posição institucional em relação a
esta questão pela formulação dos seguintes princípios, que deveriam ser observados em
uma eventual regulamentação da profissão:

1. Exercício da profissão de Informática deve ser livre e independer de


diploma ou comprovação de educação formal.
2. Nenhum conselho de profissão pode criar qualquer impedimento ou
restrição ao princípio acima.
3. A área deve ser Auto-Regulada.

Os argumentos levantado junto à comunidade da SBC e que nortearam a


formulação dos princípios acima estão detalhados na Justificação que acompanha
o PL 1561/2003, o qual é integralmente apoiado pela Sociedade de Computação.

Diretrizes curriculares nacionais para a educação profissional de


nível tecnológico.

O DOCUMENTO OFICIAL

Os anos 80 mostraram-se pródigos em fatos históricos e movimentos sociais,


que pareciam evidenciar de forma contundente a volta da democracia brasileira, ao
contrário do que viriam mostrar os anos 90. Foram, também, anos contraditórios, pois,
simultaneamente à diminuição da distância entre Estado e sociedade civil,
acumulávamos o maior déficit produtivo e social de nossa história - uma forte
contradição aos olhos de qualquer observador atento. Nos anos 90, tornamo-nos o Brasil
das reformas. Ilustra esse traço da última década, um informe publicitário do Governo
de Fernando Henrique Cardoso sobre o caráter imprescindível das reformas no Brasil,
publicado no jornal Folha de S. Paulo, no qual, sob a manchete "Sem Reformas não há
Desenvolvimento", anunciava-as por meio do texto a seguir, valendo-se do slogan
"Estabilização e Reformas":

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Todo brasileiro quer viver em um país melhor. Um país com mais empregos,
melhores salários, mais saúde, mais habitação, mais transportes, educação para todos.
Um país mais desenvolvido e mais justo. O Brasil está avançando nessa direção.
Primeiro foi o Plano Real, que controlou a inflação e estabilizou a economia. Agora, os
brasileiros podem planejar a sua vida com mais tranqüilidade, e aqueles que ganham
menos podem consumir mais. Mas isso não basta. É preciso avançar na direção do
desenvolvimento e da melhoria das condições de vida dos brasileiros. Para que isso seja
possível, o governo elaborou um amplo programa de reformas que exigem mudanças na
Constituição do país. A Reforma Econômica já foi aprovada pelo Congresso Nacional e
significa o início da modernização do país. A abertura da economia e as privatizações
vão permitir que a iniciativa privada substitua o Governo nas áreas onde ela for mais
eficiente, como na siderurgia, nas ferrovias e na energia elétrica, entre outras. Isso se
traduz em mais oportunidades e mais empregos. E vai permitir ao Governo investir nas
áreas sociais, como saúde, educação, buscando a diminuição das desigualdades sociais.
A Reforma da Previdência, além de assegurar os direitos de quem já está aposentado ou
está para se aposentar, permitirá as primeiras conquistas na luta contra os privilégios e
desigualdades do sistema. (...) Outras reformas também estão sendo encaminhadas para
serem debatidas e votadas no Congresso Nacional. (...) O caminho do desenvolvimento
brasileiro precisa de reformas. Com elas, cada um vai poder cumprir seu papel no futuro
do país. E o Governo vai poder fazer a sua parte: assegurar o Plano Real e a estabilidade
da economia e investir mais na área social, para os milhões de cidadãos do Brasil.
(1996, p. 7)

Agora, já ao final da década, muitas das reformas - as que mais afetam


negativamente o plano social -, já estão aprovadas no Congresso Nacional e encontram-
se em fase de implantação e muitas estão em fase de regulamentação no Poder
Executivo. É o que vem acontecendo particularmente com a esfera educacional nos
vários níveis, por meio de leis, decretos-lei, portarias e demais instrumentos jurídicos.
No caso em estudo neste texto interessa o documento (Brasil, 1999) que trata das
Diretrizes Curriculares para a Educação Profissional de Nível Técnico, MEC/CNE, que
encerram em si as orientações lógicas do que tem ocorrido desde a educação infantil até
a pós-graduação e a pesquisa. Por isso, ainda que as conclusões aqui produzidas reflitam

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a especificidade do nível educacional em análise, a generalização delas vale para o
espaço social da educação brasileira neste final de século.

O documento considera que uma adequada compreensão da educação


profissional somente pode ocorrer se se levam em conta, de forma integrada, os
contextos econômico, político e social. Esta afirmação parece-nos correta. A ela se
segue uma outra: a de que os múltiplos fatores que constituem esses contextos se inter-
relacionam na educação profissional, "uma vez que a LDB parte de um referencial que
contempla as dimensões da educação, do trabalho, da ciência e da tecnologia" (p. 5). Há
aí pelo menos duas impropriedades. A primeira consiste em interpretar cada um desses
contextos como um conjunto de fatores. A segunda reside na redução da complexidade
de tais contextos e das relações que entre eles se estabelecem para suas particularidades,
de um lado, representadas pelas dimensões citadas e, de outro, para a particularidade das
relações entre tais dimensões.

Salama (1999), analisando as relações entre financeirização do capital e a


flexibilidade no processo produtivo na América Latina, no norte e no sudeste da Ásia,
por meio de um estudo comparativo, mostra dois caminhos diferentes para as mudanças
sociais em curso. No caso da América Latina, os anos 90 poderiam ser sinteticamente
caracterizados como um período de:

... recuperação econômica, (...) fim da inflação, e de abertura para o exterior. A


liberalização foi brutal em quase todos os mercados: as tarifas alfandegárias, assim
como as barreiras não tarifárias, foram reduzidas, suprimiram-se os subsídios e os
demais auxílios oferecidos pelo Estado, as privatizações se estenderam e os mercados
financeiros foram liberalizados em vários domínios, especialmente e sobretudo em
relação aos movimentos internacionais de capital. Mas as taxas de poupança e a taxa de
investimento aumentaram muito pouco e, com exceção do Chile, estão longe dos níveis
dos anos 50 a 70, equivalendo aproximadamente a três quintos daquelas observadas no
norte e no sudeste da Ásia. (Salama, 1999, p. 58)

Já em relação ao norte e sudeste da Ásia, prossegue Salama:

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Ao contrário da maior parte das economias latino-americanas, à exceção do
Brasil, nas economias chamadas de primeira geração (Cingapura, Taiwan e Coréia) o
Estado se antecipou regularmente à evolução da economia mundial e buscou impor as
inflexões necessárias ao aparelho produtivo, colocando em prática uma política
ambiciosa de pesquisa e formação de mão-de-obra, e se hoje há liberalização da
economia, ela é bastante controlada e dirigida. (Salama, 1999, p. 58)

Para, então, concluir sobre o reducionismo que é operado quando se toma a


complexa transformação pela qual vem passando o capitalismo nos últimos trinta anos:

Dois itinerários distintos e uma mesma pressão: a flexibilidade. Poder-se-ia


então pensar que a busca de maior flexibilidade do trabalho seria produto apenas de uma
pressão de ordem tecnológica, que por sua vez é estimulada pela liberalização do
comércio exterior. Essa pressão é real: os novos equipamentos impõem freqüentemente
uma reorganização do trabalho. Mas o vínculo entre a técnica e a organização do
trabalho é mais complexo do que parece. As novas formas de dominação sobre o
trabalho não têm como única origem essa pressão, e a dependência em relação a essas
formas apresenta graus diferenciados. Outros fatores intervêm, como a tradição
operária. O peso e a influência dos sindicatos, a intensidade da combatividade e - um
fator desprezado - a influência de variáveis financeiras. (Salama, 1999, p. 59)

No entanto, contrariamente a essa análise de caráter mais largo, o documento é


produzido a partir de um suposto que reduz suas possibilidades de análise, por tomar
como pedra de toque as transformações produtivas, com ênfase na evolução da ciência e
da tecnologia, em detrimento de uma análise mais complexa do trânsito do fordismo à
acumulação flexível. Os encaminhamentos feitos no documento ficam, por isso,
enviesados por tal condução analítica. O que impõe, para uma crítica às Diretrizes
Curriculares para a Educação Profissional de Nível Técnico, realizar o proposto pelo
documento - a análise contextual -, que tenha o cuidado de considerar as demais
dimensões não postas em pauta pelos autores do referido texto.

Um olhar mais acurado sobre o documento demanda, inicialmente, uma dupla


perspectiva de análise. A primeira diz respeito às relações entre educação, qualificação

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profissional e tecnologia. A segunda refere-se às relações entre o Ensino Médio e a
Educação Profissional Técnica, tal como proposto pelo MEC e enfatizado pelo
documento.

No primeiro caso deve-se notar que o documento faz referência ao trabalho


escravo e, depois, ao trabalho industrial de natureza taylorista-fordista, prevalecente
entre nós até meados dos anos 80, para ressaltar o caráter precário e a avaliação social
negativa de ambos, em virtude de serem de natureza manual e por exigirem pouca ou
nenhuma formação escolar, sendo esta, quando requisitada, de segunda categoria,
porque profissionalizante. Em contraposição destaca que, no rastro do que estaria
ocorrendo de forma generalizada nos países avançados, desde a década de 70, o Brasil
dos anos 90 estaria experimentando mudanças significativas no âmbito do trabalho, em
virtude da adoção de novas tecnologias de base física, bem como de inovações
organizacionais e de gestão. O texto enfatiza sobremaneira essa mudança, estabelecendo
uma questionável dicotomia entre tecnologias, processos de produção e organização do
trabalho vigentes, de um lado, nas empresas de cunho taylorista/fordista e, de outro, nas
de natureza integrada e flexível, desconsiderando ou minimizando as contribuições dos
estudos da sociologia do trabalho que destacam a heterogeneidade e a diversidade
observadas entre países (particularmente entre os mais avançados e os do terceiro
mundo), ramos produtivos, setores de produção e empresas quanto ao emprego de tais
inovações e quanto ao sucesso obtido em decorrência de sua implementação. Essa
ênfase leva o documento a estabelecer uma também questionável separação entre um
dado momento histórico, em que a produção seria predominantemente manual,
taylorista, rotineira, e outro, em que ela seria de natureza intelectual, flexível, integrada,
polivalente, fazendo tábula rasa das pesquisas que mostram a convivência entre uma e
outra forma de organização da produção, mesmo entre os países avançados, bem como
das investigações que evidenciam a funcionalidade dessa convivência até no interior de
uma única empresa. Vale destacar que as transformações no capitalismo e sua expressão
no Brasil têm origens estruturais na própria racionalidade de organização capitalista,
que produz crises cíclicas de superprodução, provocando a inauguração de novos
momentos históricos deste modo de produção, que demandam mudanças econômicas,
políticas, sociais e culturais, e a construção de uma nova individualidade humana

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própria do período que se vai institucionalizando. As conclusões a que o documento
chega com relação a tais questões são um corolário do reducionismo da análise de
conjuntura, circunscrita aos parâmetros da ciência e da tecnologia. Põe-se em relevo,
nesse sentido, que as análises e os diagnósticos que têm precedido as reformas, com
destaque para as da esfera educacional, têm sido orientados pelo desprezo à história dos
países ou mesmo de continentes inteiros. Tanto as análises como diagnósticos partem da
estaca inicial, como se, até então, nada tivesse sido produzido sobre o tema, e os povos
se encontrassem em seu estágio inicial de desenvolvimento, fazendo tudo parecer cenas
de um presente eterno e fragmentado, que tem como centro uma ditadura da aparência.

O documento comete, ainda, a impropriedade de atribuir as mudanças em curso


predominantemente ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Recai, assim, num
também questionável determinismo tecnológico como razão explicativa das mudanças
na produção e no trabalho e, por extensão, de forma direta, das mudanças nas demandas
em termos das qualificações não apenas dos operários mas, também, dos setores
responsáveis pela administração. No documento a qualificação é entendida,
inequivocamente, como conjunto de atributos individuais, de caráter cognitivo ou
social, resultantes da escolarização geral e/ou profissional, assim como das experiências
de trabalho (veja-se, por exemplo, na discussão sobre a educação profissional de nível
técnico, a referência à "flexibilidade de raciocínio, autonomia intelectual, pensamento
crítico, iniciativa própria e espírito empreendedor"). Com isso o texto incorre em outro
equívoco pois algumas correntes atuais da sociologia do trabalho, de origem francesa e
anglo-saxônica, têm apontado para o caráter limitado da noção que nele é tomada como
referência. Tais correntes têm chamado a atenção para a necessidade de compreender a
qualificação num sentido mais ampliado e mais complexo, em razão das observações de
que a definição do lugar ocupado pelos trabalhadores na instituição social empresa, bem
como de seu salário, das oportunidades de promoção etc., resulta, para além da posse de
saberes e habilidades específicos, da sua condição de classe, sexo, etnia, idade, do
prestígio social de sua ocupação, da sua capacidade organizativa como corporação,
tanto quanto do jogo político e da correlação de forças que envolve grupos de
trabalhadores em disputas internas ao seu coletivo ou que mobiliza esse mesmo coletivo
ou grupos específicos nos embates com a empresa. É compreensível que, na condição

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de educadores, nos preocupemos com o papel que a escola desempenha na formação
dos futuros profissionais. Por isso talvez sejamos mais suscetíveis a enfoques que
tendem a sobrevalorizar o desenvolvimento de atributos individuais, quase sempre
calcados numa visão de subjetividade de cunho mais psicológico que social. Corremos,
com isso, o risco de nos tornarmos pouco críticos ou pouco avisados quanto ao que se
espera de nós, podendo enveredar, por vieses como o do determinismo tecnológico
anteriormente apontado, conjugado a um processo de psicologização do conceito e da
prática que eventualmente dele decorre. Ao não considerar a história da educação
brasileira e assumir como inexorável a reestruturação produtiva, por meio do
determinismo tecnológico, busca-se, no documento, tão-somente atualizar as demandas
postas para o trabalhador na nova divisão técnica e social do trabalho. Tal abordagem,
trabalhando sobre as características aparentes de novos paradigmas, apenas reproduz o
psicologismo naturalizante das relações sociais conflitantes próprias do capitalismo.

No que diz respeito às relações entre a educação básica (particularmente o


Ensino Médio) e a Educação Profissional Técnica, o documento é suficientemente
explícito: a educação profissional é complementar à educação básica e não sua
concorrente. Ambas devem contribuir para a formação do trabalhador cidadão, ainda
que isso deva ser feito por meio de duas redes diferentes. À educação básica compete,
segundo a Lei de Diretrizes e Bases - LDB - , "desenvolver o educando, assegurar-lhe a
formação comum indispensável para o desenvolvimento da cidadania e fornecer-lhe
meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores", cabendo ao ensino médio,
como etapa final dessa educação, a "preparação básica para o trabalho e a cidadania do
educando para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com
flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores". A
educação profissional (sem especificação) é entendida como "importante veículo para
que os cidadãos tenham acesso às conquistas tecnológicas da sociedade como um todo"
(p. 8) e como instrumento para a compreensão do processo produtivo, assim como "de
apropriação do saber tecnológico, de reelaboração da cultura do trabalho e de domínio e
geração do conhecimento no seu campo profissional" (idem). Ambas, segundo o parecer
1º do artigo 1º da LDB, devem "vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social" (p.
16).

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Por considerar que, "na nova ordem mundial, a educação profissional é,
decisivamente, um fator estratégico de competitividade e de desenvolvimento", se
apoiada em sólida educação básica, o documento elege como prioridade nacional o
investimento em ambas, assim como a diversificação e a ampliação da primeira (sem
especificação), "em consonância com metas estratégicas de desenvolvimento econômico
e social da Nação" (p.17). No que respeita ao nível técnico, "para responder aos
constantes desafios do mundo produtivo, de modo original e criativo" (p. 18), a
educação profissional deverá formar o trabalhador polivalente, por meio de habilitações
profissionais que se caracterizem como grandes blocos ou áreas profissionais. Mas, ao
mesmo tempo, tal nível de educação, organizado em módulos,

... deverá proporcionar maior flexibilidade às instituições de educação profissional e


contribuir para a ampliação e agilização do atendimento às necessidades dos
trabalhadores, das empresas e da sociedade, uma vez que os cursos, programas e
currículos poderão ser reestruturados e renovados periodicamente, segundo as
emergentes e mutáveis demandas do mundo do trabalho, (p. 18-9)

preparando "profissionais que [aprendam] a aprender e a gerar autonomamente


conhecimento atualizado, inovador, criativo e operativo, que incorpore as mais recentes
contribuições científicas e tecnológicas das diferentes áreas do saber" (p. 37). Esse
conjunto de proposições merece uma análise mais detalhada.

É necessário chamar a atenção para o caráter extremamente ambicioso da


proposta considerada, analisando-a sob dois aspectos. No primeiro, tendo-se em vista as
condições objetivas do país, a drástica redução dos gastos sociais, em particular na
educação, as condições precárias das redes de ensino público, as reconhecidas
deficiências na formação de professores, parecem pouco realistas, tanto as diretrizes
curriculares para o ensino médio, quanto as presentes. Quais as condições objetivas para
se ofertar uma educação profissional (em geral) e técnica (em particular) em condições
de responder ao conjunto de responsabilidades que o documento lhe atribui,
especialmente no que se refere à produção e à atualização de conhecimento tecnológico
e ao atendimento das demandas emergentes e cambiantes do mercado? Aliás, cabe
perguntar como o ensino técnico conseguirá dar conta de responder a esses dois tipos de

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demanda uma vez que não são tão orgânicos como o documento implicitamente sugere.
A produção e a atualização de conhecimento tecnológico exigem investimentos em
pessoal, equipamentos, estrutura, material didático, etc. não necessariamente
compatíveis com as demandas mais urgentes do mercado, as quais são, em muitos
casos, de caráter estritamente pragmático, num contexto de desemprego estrutural e
tecnológico, e em uma conjuntura histórica na qual a dimensão política foi esvaziada e
passou por processo de tecnicismo de natureza gerencial.

Esta última possibilidade não pode ser descartada de pronto, uma vez que grande
parte daquilo que compõem o parque industrial brasileiro não se encontra no nível de
sofisticação tecnológica e organizacional que o documento indevidamente generaliza.
Aliás, mesmo que isso fosse verdadeiro, o caráter das demandas provavelmente seria o
mesmo, como sugerem não só as reformas de ensino em vários países avançados, mas
também o teor das críticas à antiga estrutura das escolas técnicas. Por outro lado, deve-
se perguntar que condições efetivas terão as escolas técnicas de formar os profissionais
polivalentes sofisticados que o documento propõe, na medida em que o conhecimento
orgânico que essa formação exige parece pouco compatível com a concepção implícita
na estrutura modular que toma tal conhecimento como somatório de várias habilitações
específicas, que poderão ser certificadas em diferentes escolas. Ou se pretende, de
forma pouco realista, a homogeneização de todas elas?

No segundo aspecto consideramos que o documento, também de forma pouco


realista, adere ao questionável discurso, para o caso de países como o Brasil, de que a
sólida educação básica, complementada pela educação profissional eficiente, "constitui
[tal como nos países desenvolvidos] a chave do êxito [...] num mundo pautado pela
competição, inovação tecnológica e crescentes exigências de qualidade, produtividade e
conhecimento" (p. 16). A educação é patrimônio nacional e certamente deve ser de boa
qualidade, sempre. Mas não se pode pedir a ela o que não pode certamente oferecer,
uma vez que, conforme assevera Singh,

... é difícil demonstrar que o ensino - particularmente o primário e o secundário -


seja necessariamente fator decisivo cujas deficiências possam frustrar o crescimento
econômico [dos países em desenvolvimento] (...). Não é um procedimento muito útil o

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de tentar estabelecer conclusões de princípio sobre o papel da educação no crescimento
econômico a partir de um modelo implícito, baseado no suposto do pleno emprego e da
perfeita competitividade, no qual se apóiam as análises nacionais comparativas. (1994,
p.198-9)

As recentes crises financeiras evidenciaram que as economias asiáticas, alçadas


entre nós à condição de parâmetros em termos econômicos e educacionais pelos
discursos que fazem apelo à centralidade da educação para o desenvolvimento
econômico, dependem muito mais de outras mediações que a da educação para serem
competitivas e encontrarem espaço no mercado global, como já afirmado anteriormente
e detalhado por Salama. Essa observação sobre o documento ratifica a hipótese sobre os
objetivos proclamados e os objetivos reais do documento em análise.

Supondo que, para fins de análise, tanto a primeira como a segunda interpretação
discutidas sejam incorretas, seria a educação, portanto, "a chave do êxito" do país na
competitiva economia global, bem como viável a efetivação do ensino médio e da
educação profissional proposta em ambos os documentos de diretrizes curriculares
produzidos pelo Conselho Nacional da Educação - CNE. Seria a educação assim
proposta, desejável? Isto implica perguntar sobre a extensão e a profundidade do
"vínculo da educação ao trabalho", como preceitua a LDB. Que a educação em geral e a
escolar, em particular, estejam, numa sociedade capitalista, vinculadas ao trabalho, de
forma implícita ou explícita, deliberada ou informal, é inegável. Que a educação
profissional mantenha esse vínculo de maneira mais direta é não só compreensível como
desejável. No entanto, isto não implica dizer que tanto uma quanto outra devam estar a
ele subordinadas. Para ser mais exato, o documento não defende explicitamente essa
posição. Contudo, tanto as diretrizes para o ensino médio quanto as propostas para a
educação profissional técnica estabelecem a relação entre a formação escolar e o
sistema produtivo de forma tão intensa e direta, pela via do "modelo de competência",
cujo desenvolvimento se torna o objeto central de preocupações, que se torna difícil
distinguir entre vínculo e subordinação, mesmo quando se trata da cidadania e dos
princípios orientadores de ambos: a estética da sensibilidade, a política da igualdade e a
ética da identidade. Mesmo quando o discurso se refere à cidadania em geral, o que

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subsiste é a imagem daquela cujos limites são dados pelos interesses da produção.
Talvez isso ajude a entender por que a concepção de educação parece tão larga e tão
pouco tecnicista e o ensino médio, em contraposição, tão "profissionalizante", conforme
a feliz expressão de Cunha (1997). A complementaridade dessas duas ordens de
educação parece manter a lógica da subordinação do setor educacional à economia, que
a partir do modelo de competência pretende transferir as responsabilidades sociais do
Estado sobre o emprego, a qualificação e a educação para a esfera da individualidade do
educando - um novo traço cultural do capitalismo atual.

Por outro lado, deve-se considerar que a reforma reproduz a dualidade histórica
do ensino brasileiro entre educação geral e profissional, uma vez que, diferentemente do
que afirma o documento, não apenas teremos a continuidade de uma educação
profissional dirigida aos que têm baixa escolaridade e inserção social desfavorável,
como também a teremos como paliativo ao desemprego gerado pelas mesmas
circunstâncias históricas e paradigma produtivo que leva o MEC a pautar a educação
pelo "modelo de competência". E a teremos, como sempre, também assistencialista,
contrariando o documento. A "educação profissional básica" é a expressão disso. Mas a
reforma operou a reprodução da dualidade, reconheçamos, de maneira muito
competente. Pois, ao mesmo tempo, negou-a pela articulação entre o ensino médio e o
ensino técnico em torno do objetivo básico de formação profissional do cidadão
produtivo e polivalente, detentor de um sem-número de competências, seja de caráter
amplo, seja de caráter específico. Tanto a educação profissional básica, como o ensino
médio, em seus documentos de políticas, buscam produzir uma contradição na formação
do educando - por um lado o fazem sujeito de seus fracassos e sucessos em relação ao
trabalho e à ascensão social; de outro, omitem-lhe todos os condicionantes históricos e
sociais que contribuem para seu fracasso ou seu sucesso. Trata-se da naturalização do
atual momento de organização, cujo arranjo do modo de produção capitalista está
operando a construção de um novo sujeito.

Tais considerações obrigam a discutir com um pouco mais de detalhe o "modelo


de competência" pois ele se afigura como a efetiva pedra de toque das diretrizes
curriculares do ensino médio e do ensino técnico. Como foi discutido antes, o

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documento aborda a qualificação de um ponto de vista bastante restrito, não porque a
vincule ao taylorismo/fordismo, mas porque, nesse âmbito, o faz considerando
especificamente a qualificação do trabalhador e, portanto, seus atributos pessoais, em
relação aos atributos das tarefas de postos de trabalho determinados e estanques. Daí
transita para o modelo de competência tendo por base as transformações no trabalho de
ordem tecnológica e organizacional que se vêm operando nos países avançados a partir
da década de 70, como destaca o texto. Nesse sentido, toma por parâmetro tais países na
transposição, seja do paradigma produtivo, seja da concepção sobre a educação e seu
papel em face de tais transformações. Sobre os problemas implicados na primeira
transposição já nos pronunciamos anteriormente. No caso da segunda são necessárias
algumas considerações.

Em primeiro lugar, deve-se considerar a transposição em si mesma. Torna-se


necessário que a discussão sobre o modelo de competência seja ampliada, envolvendo
inclusive os professores das escolas públicas, uma vez que o conhecimento a respeito do
assunto está restrito a alguns órgão oficiais, à academia e a algumas agências de
formação profissional, mesmo se se considerar que decisões oficiais em termos de
políticas já estão tomadas nesse sentido, como bem ilustra o documento sob análise. Na
hipótese de que o MEC pretenda fazer a transposição de um modelo, é imprescindível
explicitar que vertente do modelo de competência pretende adotar, porque, de um lado,
não há consenso sobre o significado do conceito de competência e, de outro, também
em face disso, mas não exclusivamente, porque os modelos variam de país para país.
Temos, por exemplo, notícias de que o Serviço Nacional da Indústria - SENAI - trabalha
com algo próximo ao modelo inglês. Mas há também, em outras esferas, referências a
um modelo argentino do qual estaria muito próximo o que se pretende introduzir no
Brasil. Na hipótese de que o MEC intente construir um modelo próprio, também é
imprescindível que ele esclareça em quais referências pretende se apoiar. O
esclarecimento é necessário porque, qualquer que seja a privilegiada, ele mapeia os
terrenos teórico e político em que o debate e as ações deverão se situar.

Em segundo lugar, independentemente da versão adotada, é preciso analisar o modelo


em si mesmo. Como nos indica Hirata (1994), o modelo de competência não é uma

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construção originária do campo da educação, mas dos negócios, o que reforça a leitura
acima de que as reformas recentes no ensino médio e no técnico implicaram decisões
que tendem a privilegiar os interesses de um setor social e não os da sociedade como um
todo (neste particular recomenda-se a leitura de recente e insuspeito testemunho de
Zarifian (1998) sobre a concepção dos empresários franceses a respeito do conceito de
competência e do papel a ser desempenhado pelo sistema escolar, tendo em vista o uso
desse conceito na produção). Por outro lado, o modelo de competência não avança em
relação ao estreito conceito de qualificação anteriormente referido, antes o confirma, na
medida em que apenas substitui determinados atributos pessoais dos trabalhadores por
outros. É verdade que os atributos atuais são mais nobres, referindo-se menos ao
trabalho manual e mais ao intelectual, embora sempre se deva estabelecer a distinção
entre simbólico e intelectual, uma vez que determinadas atividades hoje solicitadas de
alguns trabalhadores não são manuais, mas nem por isso podem ser ditas intelectuais, se
por isso queremos significar mais que a habilidade de manipular símbolos. Mas não é
essa a questão em pauta.

O que está em discussão é o próprio modelo de competência. Diante do conceito


muito mais rico de qualificação como construção social, o modelo de competência é
estreito, ainda que seja seu objetivo preparar o trabalhador polivalente, tanto técnica
quanto socialmente, para atividades mutáveis e sujeitas a imprevistos. O documento
nem se aproxima desse conceito mais rico de qualificação. Aliás, nem poderia fazê-lo
porque o modelo de competência implica a exacerbação dos atributos individuais, em
detrimento das ações coletivas na construção das identidades e dos espaços
profissionais. Na verdade, o modelo trabalha sobre o suposto de que tudo no campo
profissional se torna responsabilidade individual, desde a empregabilidade (a que o
documento, talvez levando em conta o desemprego crescente, denomina de
laborabilidade), até a definição dos negócios com que o indivíduo vai se envolver,
passando pelo tipo de treinamento, velocidade de promoção, salário, viagens, benefícios
de ordem diversa etc. A pedra de toque para essa carreira individual, da qual o sujeito se
torna gerente, conforme expressão usada em empresas, é sua carteira de competências, a
ser continuamente renovada.

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Tal enfoque tende a obscurecer o fato de que a definição, certificação e
valorização das competências (em termos salariais, inclusive), tal como ocorreu em
outros momentos com a definição das qualificações, não são questões meramente
técnicas, derivadas das mudanças no conteúdo do trabalho e da introdução de inovações
tecnológicas, mas políticas e históricas, uma vez que envolve interesses distintos e
antagônicos entre capital e trabalho, presentes num contexto em que se quer fazer crer
que tais distinções e antagonismos devem dar lugar a outro tipo de enfoque (a
negociação) em nome da produtividade, da competitividade, do mercado e da qualidade,
em que ela (a negociação) aparece como o estágio mais evoluído, democrático e
civilizado das relações capital/trabalho. Isso pode significar, no limite, a "naturalização"
da produção capitalista e a negação, como "atrasado", do embate político em torno de
interesses divergentes. Pode significar, também, a naturalização da competência como
alternativa à formação do trabalhador, secundarizando o fato de que sua instituição
depende da correlação de forças em disputa no interior da empresa e da sociedade
brasileira, neste momento histórico, correlação que impõe limites à sua utilização como
instrumento da produção. O tratamento técnico desmobiliza, portanto, a ação política e a
desqualifica, com base no argumento de que o primeiro se apóia na ciência, na
tecnologia, na produtividade, no mercado (na "realidade", enfim), enquanto a segunda
ganha cores de simples ideologia a serviço de "interesses meramente corporativos".
Ainda que se façam essas observações sobre o documento, mostrando sua lógica interna
e as conseqüências sociais que decorreriam de sua imediata aplicação, é preciso
entendê-lo no contexto de sua produção. É preciso ler o texto no seu contexto para o
entendimento de seus reais objetivos, em vez daqueles explicitamente proclamados. Isso
implica pôr em análise os elementos econômicos, políticos e culturais do atual momento
histórico de transição do capitalismo, bem como sua expressão no Brasil, como é, aliás,
proposto no próprio documento analisado neste trabalho.

Pensamos que para tal discussão seja necessário resgatar as observações já feitas
até aqui:

1. ainda que o documento indique a necessidade da análise do contexto para se


examinar a esfera educacional, em particular a profissionalizante, acaba por fazer uma

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análise centrada no determinismo tecnológico, fazendo tábula rasa da história do Brasil,
como se nada tivesse existido antes dos anos 90;

2. apesar de fazer referências explícitas à centralidade da educação e da necessária


formação geral, trata-a de forma subordinada ao processo produtivo, devido ao ponto de
partida citado no item anterior; e

3. os supostos das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de


Nível Técnico têm como pedra angular o modelo de competência e a outra face da
mesma moeda - a empregabilidade. Dessa forma torna-se necessária a análise das
transformações ainda em curso no Brasil: dos anos dourados à barbárie de fim de
milênio. Porém tal análise deve processar-se por meio de um distanciamento do quadro
conjuntural do presente para dar margem a maior capacidade analítica, uma vez que,
dessa forma, torna-se possível a distinção entre os elementos transitórios e aqueles que
estruturam a realidade e são, portanto, relevantes para o entendimento do tema. Esse
procedimento favorece a compreensão das modificações sofridas pela esfera
educacional no país, pois ajuda a encontrar elementos que aclarem as razões pelas quais
o modelo de competência torna-se a pedra de toque das reformas da educação
profissional e do ensino médio.

A TRANSIÇÃO CAPITALISTA DOS ANOS 70 E a EMERGÊNCIA DE UM


NOVO MOMENTO HISTÓRICO

A crise do capitalismo mundial produzida na década de 70 expressou a transição


entre diferentes modelos de desenvolvimento: do fordismo à nova ordem econômica
mundial. Elementos produtores do antigo modelo coexistiam com as forças históricas
que já delineavam o novo estágio de acumulação capitalista: a crise. No período
denominado por Hobsbawm (1995) de "anos dourados", que se inicia depois da
Segunda Guerra até os anos 1970, o fordismo atinge sua plenitude. Esse estágio do
capitalismo mundial caracteriza-se como um sistema econômico de acumulação
intensiva de capital associada à produção e ao consumo de massa, tendo, no Estado-

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Providência, a instituição estratégica produtora da sincronia entre a oferta e a procura,
equilíbrio alcançado mediante políticas de compensação social, com o objetivo de
reprodução, por meio de um fundo público, do capital e da força de trabalho. Esse
"modelo de desenvolvimento [contém] um paradigma industrial alicerçado em boa
medida na intensa utilização de formas tayloristas e fordistas de organização do
trabalho. Vale dizer, um padrão industrial caracterizado por um elevado grau de
mecanização e profunda divisão técnica do trabalho" (Lins, 1993, p.157). Disso decorre,
dada a hipertrofia política na constituição das relações sociais, a relevância dos aspectos
coletivos e públicos, uma vez que, por meio do Estado, a regulação se fazia por
intermédio de políticas sociais de atendimento da demanda da sociedade, desenhadas
por representantes do capital e do trabalho no interior do próprio Estado. As políticas e
os programas voltados para a demanda social, com destaque para a educação (Paiva,
1992), eram marcados por tais valores, especialmente o coletivismo e a dimensão
pública.

O processo de trabalho - vertente produtiva do fordismo -, no período em estudo,


passa a apresentar queda de produtividade em razão da obsolescência da base
tecnológica que lhes dava sustentação. Por outro lado, o capital invertido não produzia a
rentabilidade costumeira, em um mercado cada vez menor - relativo à produção em
parâmetros fordistas - e mais exigente. Esse cenário favoreceu o aparecimento do
desemprego e de um progressivo surto inflacionário, fatos que se agravaram com a crise
do petróleo, o principal combustível industrial nesse momento. O quadro econômico
contraditório e politicamente instável ensejou movimentos sociais com orientações
diferentes e até antagônicas, tornando explícita a crise que até então era apenas
potencial.

A reação a esta crise de produtividade e de rentabilidade nas economias


capitalistas avançadas assumiu duas formas principais. De um lado, as políticas de
austeridade direcionadas ao combate à inflação foram generalizadas pelo Estado. De
outro, o processo de internacionalização do aparelho produtivo destas economias foi
consideravelmente intensificado, sendo focalizada a busca de novos espaços de
valorização do capital. Em ambos os casos, o resultado talvez mais dramático nessas

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sociedades foi o agravamento da crise do emprego e do próprio Estado-providência,
elemento central da regulação monopolista. (Lins, 1993, p.159)

A vertente produtiva - estruturada a partir de uma base tecnológica metal-


mecânica, organizada de acordo com os pressupostos tayloristas-fordistas, assentada em
uma extrema divisão do trabalho - tem na articulação da microeletrônica, da
informática, da química e da genética, seu novo padrão tecnológico para a superação da
crise, por meio de um salto qualitativo de produtividade. O capital internacionalizou-se
de maneira intensa e privada - mediante os bancos e as multinacionais, hoje
denominadas transnacionais - diante das limitações impostas pelo mercado, de um lado,
e, por outro, pelas condições históricas dos países-destino e pela possibilidade técnica
de controle das informações, sustentada na microeletrônica e na informática. O Estado-
Providência entra em colapso. Possui uma grande estrutura de gastos e já não tem a
mesma posição estratégica que ocupava durante a predominância do fordismo.

A crise do fordismo, como forma de organização do trabalho e como modelo de


desenvolvimento do capitalismo, inaugura um novo momento histórico, em cujo centro
encontram-se a nova ordem econômica mundial e o neoliberalismo.

A nova ordem econômica mundial vai, pois, se delineando por meio da


superação das contradições produzidas historicamente pelo fordismo e pode ser
considerada como uma outra etapa do capitalismo ou como um outro ciclo da mais-valia
relativa ou, ainda, como um outro estágio de acumulação capitalista.

Nesta nova etapa histórica, a ciência, a tecnologia e a informação, de que se


servia o capital em fases anteriores, tornam-se suas forças produtivas centrais que se
desenvolvem sob seu monopólio. O dinheiro converteu-se no principal móvel
econômico em razão do modo de reprodução do capital concretizado pelo sistema
financeiro e pela globalização do mercado mundial. As corporações transnacionais
assumem os centros de poder em nível planetário, em detrimento dos Estados nacionais,
escudadas em organizações financeiras como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Banco Mundial etc. Decorrências e
componentes estruturais dessa nova fase, adquirem dimensão cada vez mais ampla o

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desemprego, a desestatização/privatização do Estado e a terceirização da economia,
legitimados pelas concepções e projetos neoliberais. (Sguissardi, Silva Jr., 1994, p. 5)

Na atual conjuntura, o conhecimento, a ciência e a tecnologia tornaram-se o


principal móvel da concorrência intercapitalista travada por blocos regionais - o Japão e
os Tigres Asiáticos, a União Européia, um terceiro conjunto constituído pelos EUA,
pelo Canadá e pelo México e por fim o recém-criado Mercosul, formado pela Argentina,
pelo Brasil, Paraguai e Uruguai - em um mercado mundializado. Os novos processos de
trabalho passam a ser sustentados por um outro padrão tecnológico, que lhes possibilita
características impossíveis na vertente produtiva do fordismo. O trabalho passa a ser
organizado tendo como objetivo a flexibilidade, ou seja, a possibilidade de alteração,
sem comprometimentos, da velocidade de produção, da qualidade do processo e do
produto; do próprio projeto; do processo de produção a partir da alteração feita no
projeto, e da execução das duas últimas funções simultaneamente. Por outro lado,
processos de fabricação de diferentes produtos são integrados e geridos a partir de uma
central de informações. Essas características conferem à nova base produtiva a
capacidade de mudanças rápidas, e sem prejuízos, dos produtos, dos processos,
tornando a nova empresa muito competitiva se domina esse novo padrão tecnológico1.

Vale destacar que, se, de um lado, o aumento da flexibilidade e da integração dos


processos produtivos confere alta competitividade às empresas em mercados também
muito competitivos e flexíveis - diante da heterogeneidade e do curto ciclo de vida dos
produtos -, de outro, impõe-lhes altíssima variabilidade e, com ela, em igual
intensidade, vulnerabilidade. Aos olhos dos empresários e de muitos educadores
preocupados com a educação profissional, tais condições situam os trabalhadores,
quando vistos tão-somente como força de trabalho, como alvos de necessária e
imprescindível requalificação orquestrada pelo governo federal de diversas formas.

Na esfera educacional, quando o Estado de Bem-Estar produzia o macroacordo


social realizando o compromisso de classes e a equilibração econômica, os projetos que
aí se desenvolviam tinham a mesma orientação, isto é, as propostas educacionais
objetivavam a dimensão coletiva e pública reforçando o objetivo maior do Estado-
Providência. No entanto, em tempos de mundialização do capital, mundialização

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financeira, desregulamentação, Estado mínimo, monetarismo, terceirização,
estratificação do mercado de trabalho, enfraquecimento de instituições políticas no
âmbito da sociedade civil, privatização das relações políticas entre Estado e sociedade,
hegemonia das organizações não governamentais em funções antes estatais,
flexibilização em geral etc., as novas políticas educacionais derivam de um novo
contrato social, pautado no individualismo, no empreendentismo e na busca da inclusão
social por meio de ações privadas pontuais, de orientação assistencialista2. Busca-se, por
vários meios, transformar a educação em um bem privado, em uma mercadoria, que por
alguma via se adquire e se torna propriedade privada do possuidor, acentuando ainda
mais o individualismo. Nesse contexto, o modelo de competência parece encaixar-se de
forma adequada, pois, como já dito, busca transferir os direitos sociais do trabalho, de
responsabilidade do Estado, para o trabalhador. As reformas educacionais, cuja
orientação sustenta-se em tal conceito, além de trazerem elementos epistemológicos
estranhos à esfera educacional (do "mundo dos negócios") - promovendo sua
subordinação ao trabalho e à economia -, exacerbam os conflitos intraclasses por meio
da intensificação do individualismo, despolitizando as contradições de classes,
tornando-as tecnicamente administráveis pela negociação entre a empresa e o
trabalhador tomado individualmente, sem a mediação política dos sindicatos ou de
outras instituições representativas do trabalho.

Do exposto acima não é difícil observar, a partir da mundialização da economia,


que a crise do fordismo e a gradual construção histórica do presente momento do
capitalismo exigiram a produção de novas relações sociais, de um novo contrato social
com o objetivo de alterar os mecanismos de regulação existentes, o que pede novas
expressões culturais, e, sobretudo, um homem que sente, pensa e vive diferente, o que
parece ser uma forte razão, dentre outras, para a infinidade de reformas havidas em
nível planetário, particularmente no Brasil, e para o que nos interessa neste artigo, as
reformas educacionais. Destacam-se nesse cenário tais reformas em face de a educação
ocupar um espaço institucionalizado central para a construção de um sujeito -
obviamente contraditório - moldado ao novo momento da história humana.

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TRANSFORMAÇÕES ECONÔMICAS E PRODUTIVAS DO CAPITALISMO
MUNDIAL NO BRASIL

O Brasil acumula um atraso produtivo cuja origem encontra-se no tardio


processo de industrialização. Enquanto a Inglaterra completava a 1ª Revolução
Industrial no início do século passado, o Brasil só veio a fazê-lo nas três primeiras
décadas deste século. Quanto à 2ª Revolução Industrial, a Inglaterra, seguida de outros
países, viu-a sedimentada por volta de 1870. No Brasil, esse estágio só se completou
com a implantação das indústrias de bens de consumo duráveis e de bens intermediários
de capital na época do "milagre econômico", prolongando-se, ainda, em ritmo menor,
até o ano de 1980. A década de 80, no plano internacional, é marcada pela crise
econômico-financeira e se reflete no Brasil mediante a cobrança da dívida. O Estado -
sujeito aos ajustes macroeconômicos impostos pelo FMI e permeado pela corrupção -
debilita-se em sua capacidade de investir em setores estratégicos para o
desenvolvimento da indústria brasileira. O capital nacional concentra-se nas aplicações
financeiras, atraído pelas altas taxas de juros praticadas pelo governo. Os anos 80
acumulam ainda mais o atraso produtivo do país, uma vez que, segundo Cano (1994), a
recomposição e modernização da infra-estrutura e da indústria

... só se efetivariam num horizonte muito maior do que 10 anos. Por exemplo, a
modernização do setor têxtil e de confecções demandaria o equivalente a cerca de 15
bilhões de dólares; a modernização e a ampliação do setor de energia elétrica e de
telefonia, cerca de 55 e 25 bilhões de dólares respectivamente; as obras para o
saneamento básico, cerca de 35 bilhões de dólares. Enfim, poderíamos enumerar vários
outros setores que só fariam crescer este considerável montante de recursos financeiros.
Se totalizarmos essas parcelas e confrontarmos seu montante com as necessidades de
investimentos é fácil deduzir que eles demandariam no mínimo um escalonamento
setorializado que exigiria um tempo cronológico de pelo menos 15 anos e já o nosso
atraso não seria de 15 a 20 anos e sim de 30 a 35 anos. (Cano, 1994, p.27)

Em trabalho publicado recentemente, Leite (1994) indica a possibilidade de uma


periodização do processo de transformação tecnológica e organizacional para o Brasil.
Na primeira fase, as modificações eram periféricas e, em geral, de natureza gerencial: os

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"círculos de controle de qualidade" são o melhor exemplo. Tal subperíodo inicia-se no
final dos anos 70 e início dos anos 80.

O segundo momento, que se inicia em 1984-85, a partir da retomada do


crescimento econômico (que sucede a profunda recessão dos primeiros anos da década)
e vai até o final dos anos oitenta, caracteriza-se por uma rápida difusão dos
equipamentos. Embora nessa fase as empresas também iniciassem a busca de novas
formas de organização do trabalho, baseadas sobretudo nas técnicas japonesas, vários
estudos enfatizaram o fraco desempenho empresarial em inovações organizacionais no
período (...), ainda que houvesse muita diferença entre os vários setores. (p. 567)

Apesar do atraso produtivo apontado por Cano, o terceiro momento realiza-se no


início dos anos 90. Os empresários brasileiros viram-se obrigados a enfrentar a
modernização tecnológica e das formas de gestão empresariais diante de dois fatores
determinantes: o acirramento da recessão econômica, que tornava o mercado interno
ainda menor, e a política de abertura da economia brasileira ao comércio internacional
promovida pelo presidente Fernando Collor de Mello. Isso explica, em parte, a
preocupação de grande parcela do empresariado e do governo com a esfera educacional
(Silva Jr., 1995). Diferentemente de momentos anteriores - quando as empresas apenas
adaptavam tecnologias e novas formas de organização do trabalho, amparadas pelo
escudo protecionista do Estado -, nesta primeira metade dos anos 90, as unidades
produtivas assumiram medidas conforme uma efetiva reestruturação produtiva. Essas
iniciativas pareciam mais integradas e, em geral, eram introduzidas a partir de
programas de qualidade total (Leite, 1994).

Essa tendência de transformação do processo produtivo brasileiro, impulsionada


pela nova ordem internacional e pela necessidade de inserção do Brasil na economia
mundial, obriga a aproximação dos setores produtivos dos centros elaboradores de
conhecimento, isto é, as universidades e os institutos de pesquisa do governo, em face
da centralidade ocupada pela ciência e pela tecnologia, em meio às vantagens
comparativas, no acirrado mercado mundial. De outro lado, a necessidade de
financiamento de laboratórios e formação de recursos para a pesquisa aproxima a
educação dos empresários, dada a tendência de reforma do Estado na direção da sua

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não-intervenção neste reordenamento. Vale destacar, ainda, a importância atribuída à
educação básica pelos organismos multilaterais, pelos formuladores oficiais de política,
pelos empresários, e, obviamente, pelos educadores, mesmo que com grandes diferenças
de abordagem do espaço educacional.

Diante desse quadro conjuntural, a ciência e a tecnologia e seu processo de


produção reorientam-se em relação à centralidade que agora ocupam no processo
produtivo e entre si. As áreas da ciência, que são indispensáveis para as inovações
tecnológicas, reorganização do trabalho e preparadoras de um novo tipo de homem
adaptável ao novo modelo de desenvolvimento do capitalismo mundial, tornam-se, ao
lado da pesquisa tecnológica, prioritárias. É nesse contexto que entendemos as
transformações das relações entre educação, trabalho, ciência e tecnologia. No entanto,
para melhor entendermos o modus operandi das reformas em geral, em particular as
educacionais, aparentemente democrático, é necessário compreendermos as
transformações políticas ocorridas nos anos 90, ainda que preparadas nos anos 80 a
partir da aparente contradição, já expressa no início deste texto, entre a
redemocratização da sociedade brasileira e o déficit social e produtivo do Brasil.

EXPRESSÃO POLÍTICA DAS TRANSFORMAÇÕES DO CAPITALISMO


MUNDIAL NO BRASIL

O Brasil, por razões específicas, acentua seu ajuste estrutural, inserindo-se na nova
ordem mundial, apenas na década de 90, com a assunção da Presidência da República
por Fernando Henrique Cardoso. Oliveira (1992) mostra como a Nova
República,durante a década de 80, é a preparação política para o ajuste estrutural
realizado nos anos 90, que possibilitou a hegemonia do Poder Executivo diante dos
demais poderes, fenômeno que chamamos de hiperpresidencialismo. A crise econômica
herdada do governo militar-autoritário é transformada, por meio de uma engenharia
política, em uma crise do aparelho do Estado e das instituições políticas em geral. Isso,
segundo Oliveira, teria possibilitado a hegemonia daquele poder.

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O que é específico da Nova república é a forma da crise política. Sem minimizar a crise
econômica (...) a rigor a viga mestra da crise global, a Nova República deslocou o
centro de gravidade da crise econômica para uma crise geral do Estado, do governo, das
instituições. É verdade que já havia sido crise econômica sob o último governo militar
que, forjando uma crise política, abriu o caminho para a total desmoralização do
governo militar, mas a crise política não careceu do solucionamento da crise econômica
para ser contornada: ao contrário, é em meio à intensidade da crise econômica que se dá
a construção da Nova República. Esta constituiu, exatamente, um movimento de
politização da economia: a crise econômica deveria ser resolvida pelo novo regime
democrático. Ao falhar nessa promessa, a Nova República potenciou o descrédito da
política, num movimento simétrico. (Oliveira, 1992, p.32)

Vale ainda destacar, um relato feito por Perry Anderson sobre o mesmo fenômeno:

Recordo-me de uma conversa que tive no Rio de Janeiro, em 1987, quando era
consultor de uma equipe do Banco Mundial e fazia uma análise comparativa de cerca de
24 países do Sul, no que tocava a políticas econômicas. Um amigo neoliberal da equipe,
sumamente inteligente, economista destacado, grande admirador da experiência chilena
sob o regime de Pinochet, confiou-me que o problema crítico durante a presidência de
Sarney não era uma taxa de inflação demasiado alta - como a maioria dos funcionários
do Banco Mundial tolamente acreditava-, mas uma taxa de inflação demasiado baixa.
"Esperemos que os diques se rompam", ele disse, "precisamos de uma hiperinflação
aqui, para condicionar o povo a aceitar a medicina deflacionária drástica que falta neste
país". Depois, como sabemos, a hiperinflação chegou ao Brasil, e as conseqüências
prometem ou ameaçam - como se queira - confirmar a sagacidade deste neoliberal
indiano. (Anderson, 1995, p. 22)

Com a legitimidade política e eleitoral, e em um clima de hiperpresidencialismo,


Fernando Henrique Cardoso transforma o Brasil no país das reformas e o submete,
apesar de suas peculiaridades, ao figurino do capital, desenhado, agora, pelos
organismos multilaterais, com especial destaque para o Banco Mundial.

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A reforma do Estado, que se tornou tema central nos anos 90 em todo o mundo, é uma
resposta ao processo de globalização em curso, que reduziu a autonomia dos Estados em
formular e implementar políticas, e principalmente à crise do Estado, que começa a se
delinear em quase todo o mundo nos anos 70, mas que só assume plena definição nos
anos 80. No Brasil, a reforma do Estado começou nesse momento, no meio de uma
grande crise econômica, que chega ao auge em 1990 com um episódio
hiperinflacionário. A partir de então, a reforma do Estado se torna imperiosa. (...) A
reforma do Estado, entretanto, só se tornou um tema central no Brasil em 1995, após a
eleição e a posse de Fernando Henrique Cardoso. Nesse ano, ficou claro para a
sociedade brasileira que essa reforma torna-se condição, de um lado, da consolidação do
ajuste fiscal do Estado brasileiro e, de outro, da existência no país de um serviço público
moderno, profissional, voltado para o atendimento dos cidadãos. (Pereira, 1996, p.269)

Portanto, as reformas do Estado no atual estágio do capitalismo mundial tendem para


um desmonte do Estado intervencionista na economia e nos setores sociais. A
globalização da economia e dos mercados e a divisão do globo em megablocos
econômicos impõem uma reforma dos Estados que propicie a expansão do mercado e de
sua lógica, sob o discurso da auto-regulação, bem como possibilita a introjeção da
racionalidade mercantil na esfera pública, como se pode depreender das propostas de
reforma administrativa do ministro Bresser Pereira. Dessa forma, na transição do
fordismo para o presente momento histórico do capitalismo mundial, o Estado de Bem-
Estar Social dá lugar a um Estado Gestor, que carrega em si a racionalidade empresarial
das empresas capitalistas transnacionais, tornando-se, agora, as teorias organizacionais,
antes restritas aos muros das empresas, as verdadeiras teorias políticas do Estado
moderno. A inserção do Brasil nesse processo provoca também uma transformação no
aparelho de Estado, que de interventor e estruturador da economia em favor do capital
nacional e internacional, desde a década de 30, passa, na década de 90, à condição de
Estado Gestor modernizado.

MUDANÇA DE PARADIGMA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS DIRETRIZES


PARA A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA

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Nesta ótica, o Estado reestrutura-se assumindo uma forma organizativa cuja
racionalidade espelha e reproduz a da empresa capitalista e, dessa forma, suas ações e
políticas públicas passam a orientar-se segundo um novo paradigma. Durante os anos
80, ainda que se acumulasse (ainda hoje se acumula) o déficit social e produtivo
enfatizado por Cano, a essência das políticas públicas, ao menos no plano discursivo,
parecia objetivar as demandas produzidas no âmbito da sociedade civil. Eram políticas
públicas com origem nas demandas sociais. Esse paradigma de políticas públicas exige
um aparelho de Estado no qual suas relações com a sociedade se caracterizam por um
regime político democrático, cuja esfera pública é ampla e cujo Poder Legislativo -
poder de maior capacidade de mediação entre Estado e sociedade - não se configura de
forma diminuída ou subalterna diante do Poder Executivo. Isto é, não se trata do
"Estado-Panópticom" já referido por Cardoso (1993). Porém, durante os anos 90,
assistimos à clara mudança dessa diretriz para as políticas públicas em geral, com
destaque para as da esfera da educação. As políticas públicas caracterizadas pela
demanda social são, agora, moldadas pelo que politicamente pode o Estado oferecer,
organizado segundo a lógica da esfera privada, segundo sua capacidade financeira para
manter o projeto político que passou a ser produzido pelo Governo Collor e acentuou-se
no Governo Fernando H. Cardoso.

De fato, as políticas públicas formuladas para a área social não são políticas sociais, mas
econômicas, em geral assemelhadas às sugeridas por conhecidos organismos
multilaterais. Ocorre mudança de paradigmas das políticas públicas brasileiras: do
paradigma da demanda social para o paradigma de oferta econômica, em meio a um
movimento, a um só tempo, de expansão da esfera privada em detrimento da esfera
pública e de hipertrofia do Poder Executivo em detrimento do Poder Legislativo.

Isso parece dever-se, em grande medida, à crise do capitalismo iniciada nos anos 70,
que se acirra no momento atual e que tem demandado complexos movimentos do
capital, entre os quais seu deslocamento para esferas sociais outrora por ele não
organizadas. Isto impõe mudanças sociais e redefinições das esferas pública e privadas.
Por outro lado, na esfera educacional, essa mudança de paradigma nas políticas públicas
provoca uma reforma sob essa mesma orientação, isto é, as recentes mudanças ocorridas

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na educação brasileira inauguram, por isso, um novo paradigma educacional, que se
orienta predominantemente pela racionalidade do capital (do "mundo dos negócios") e
conduz à inequívoca subsunção da esfera educacional à esfera econômica, em processo
que aqui se denomina de mercantilização da educação, orientado, no plano simbólico-
cultural, pela lógica da competência e pela ideologia da empregabilidade ou
laboralidade, nos casos do ensino médio e da Educação Profissional Técnica.

Enquanto o capital reorganiza a educação segundo sua própria racionalidade,


isto é, reestruturando-a com vistas a sua finalidade precípua - a acumulação -, confere-
lhe outra dimensão valorativa de natureza simbólico-cultural a impregnar as suas
instituições. Essa reestruturação no plano simbólico-cultural, como já destacado em
nossas observações iniciais, tende a orientar-se pela lógica do modelo de competência,
em um país onde a desindustrialização se acentua, conjugada com o maior déficit de
empregos já visto em nossa história3. Pochmann (1999, p. 78-9), analisando a estrutura
do mercado de trabalho brasileiro num longo intervalo de tempo - as décadas de 40 a 90
-, identifica dois períodos muito distintos. O primeiro caracterizado por:

Um movimento de estruturação do mercado de trabalho que ocorreu


simultaneamente ao processo de industrialização e institucionalização das relações e
condições de trabalho (1940/80), marcado pela expansão do emprego assalariado,
principalmente com registro, e das ocupações nos segmentos organizados da economia
(tipicamente capitalistas).

O segundo período depois de 1980:

... foi de reversão na trajetória geral das ocupações, com fortes sinais de uma
progressiva desestruturação do mercado de trabalho. O desassalariamento da parcela
crescente da População Economicamente Ativa e a expansão das ocupações nos
segmentos não-organizados e do desemprego têm ocorrido paralelamente ao abandono
do projeto de industrialização nacional e a adoção de políticas macroeconômicas de
reinserção internacional e enfraquecimento do estatuto do trabalho.

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Tal contexto nos lembra as sábias palavras de Gramsci, quando o capitalismo
enfrentava turbulências decorrentes da transição pela qual passava no início deste
século.

Interesse de Leon Davidov* [Trotski] pelo americanismo; seus artigos, suas


**
pesquisas sobre o byt e sobre a literatura; estas atividades eram menos desconexas
entre si do que poderiam parecer, pois os novos métodos de trabalho estão
indissoluvelmente ligados a um determinado modo de viver, de pensar e de sentir a
vida; não é possível obter êxito num campo sem obter resultados tangíveis no outro. Na
América, a racionalização do trabalho e o proibicionismo estão indissoluvelmente
ligados: os inquéritos dos industriais sobre a vida íntima dos operários, os serviços de
inspeção criados por algumas empresas para controlar a "moralidade" dos operários são
necessidades do novo método de trabalho. Quem risse destas tentativas (mesmo que
falidas) e visse nelas apenas uma manifestação hipócrita de "puritanismo", estaria
desprezando qualquer possibilidade de compreender a importância, o significado e o
alcance objetivo do fenômeno americano, que é também o maior esforço coletivo
realizado até agora para criar, com rapidez incrível e com uma consciência do fim
jamais vista na História, um tipo novo de trabalhador e de homem. (Gramsci, 1988, p.
396)

Pode-se levantar a hipótese de que as mudanças educacionais em geral, em


particular na esfera da educação profissional e do ensino médio, objetivam mais a
produção de um novo tipo de homem, do que, efetivamente, sua preparação para o
trabalho. Parece que se prepara um novo tipo de homem por meio de uma educação para
o trabalho em uma sociedade sem emprego, regida pela lógica da competência e a
ideologia da empregabilidade, ou, como afirmado no documento em tela, a ideologia da
laboralidade. Trata-se de uma hipótese bastante provável se tivermos em conta o
conteúdo e os pressupostos do documento sob análise, assim como dos que a ele se
articulam: as Diretrizes Curriculares Nacionais e os Parâmetros Curriculares Nacionais
para o Ensino Médio, elaborados a partir de uma análise de conjuntura no plano
mundial e brasileiro, que reduz todas as mudanças, incluindo aí as educacionais, as
transformações científicas e tecnológicas e suas repercussões no processo de trabalho

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nas dimensões física, organizacional e de gestão, tornando explícitas a tecnificação e a
instrumentalização tanto da formação geral quanto da formação profissional.

O documento parece expressar, de forma mais explícita, pelo fato de referir-se à


educação profissional, a tendência presente na educação em geral: a profunda
atualização do duplo movimento operado pela economia política, segundo Marx.

No início do Terceiro Manuscrito pode-se depreender o movimento de


explicitação teórica das relações entre trabalho, propriedade privada e a construção do
indivíduo no contexto da economia política. Marx indica um processo contraditório, no
qual o trabalho humano é entendido - por Smith e Ricardo - como produtor essencial da
propriedade privada, como produtor central da riqueza. Isto é, o homem é agora
socialmente tido como sujeito da produção da riqueza, antes atribuída, tão-somente, a
causas objetivas, exteriores a ele e às quais deveria subordinar-se para usufruir de seus
resultados e sobreviver. Com a economia política, o homem constitui-se socialmente
como sujeito por meio de seu trabalho - sua propriedade privada - que se torna "a
essência subjetiva" (Marx, 1989, p. 183).

No mesmo processo, no entanto, a dimensão antitética da afirmação humana na


produção de sua história, por meio do trabalho, revela-se nas condições objetivas de
realização da propriedade privada, da riqueza. A um só tempo, a economia política
afirma o homem como sujeito de sua história e o alheia do entendimento das condições
objetivas da propriedade privada e da riqueza, ou seja, da construção social. Nesse
sentido, a racionalidade capitalista é antes obscurecida que revelada, apresentando-se ao
homem como algo "natural", não como produção histórica.

No momento atual, com a mercantilização da educação e sua respectiva


redefinição no âmbito simbólico-cultural, com a sua subordinação ao econômico, ao
mercado, tendo como conseqüência a transposição de construtos teóricos do mundo da
produção para a esfera educacional, o duplo movimento contraditório tornado explícito
por Marx parece ter chegado ao seu ápice com a lógica da competência - que tudo
naturaliza -, a ponto de ter o trabalhador a responsabilidade total e individual pela
obtenção de um trabalho, no contexto de um mundo sem emprego. A Educação

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Profissional Técnica e o Ensino Médio- a se organizarem conforme suas diretrizes -
estarão contribuindo para a construção do novo homem no atual estágio do capitalismo.
Ambos, ensino médio e educação profissional, por meios distintos, parecem realizar um
mesmo objetivo: uma educação como bem privado para um homem, que é destituído,
diante do mercado, de sua condição de sujeito, num contexto da ditadura das aparências
e do automatismo total. Trata-se da ditadura mais acentuada do econômico, quando ele
mesmo torna-se a forma mais forte de ideologia.

Código de Ética e Conduta Profissional da ACM

INTRODUÇÃO:

O compromisso para a conduta profissional é esperado de todos os membros


(votantes, associados e estudantes) da ACM. Este código identifica várias questões que
os profissionais podem enfrentar, e prevê pautas para lidar com as mesmas. A seção 1
apresenta considerações éticas fundamentais, enquanto que a seção 2 apresenta
considerações adicionais de conduta profissional. As afirmações na seção 3 dizem
respeito mais especificamente para indivíduos que possuem um papel de liderança, seja
em estabelecimentos comerciais ou em organizações profissionais como por exemplo a
ACM. Pautas encorajadoras de acordo com este código são dadas na seção 4.

1 - CONSIDERAÇÕES ÉTICAS FUNDAMENTAIS

Como um membro da ACM eu devo:

1.1- Contribuir para a sociedade e bem-estar do ser humano.

O maior valor da computação é o seu potencial de melhorar o bem-estar do


indivíduo e da sociedade como um todo. Assim, profissionais da computação devem
estar comprometidos a desenvolver, expandir e usar a sua ciência para o benefício da
humanidade, minimizando as conseqüências negativas dos sistemas de computação,
incluindo ameaças à saúde e segurança. Um profissional da computação que projeta e
desenvolve sistemas deve estar alerta e alertar os outros para qualquer dano ao ambiente
local ou global.

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1.2- Evitar de prejudicar outros.

Este princípio proíbe o uso da tecnologia se esta resultar em dano a: usuários,


estado, empregados, empregadores. Ações nocivas incluem destruição ou modificação
intencional de arquivos e programas que conduzam a séria perda de recursos ou gasto
desnecessário de recursos humanos como o tempo e esforço requeridos para eliminar
"vírus" de sistemas. Para minimizar a possibilidade de prejudicar outros indiretamente,
os profissionais da computação devem minimizar problemas operacionais usando
padrões para projetar e testar sistemas.

1.3- Ser honesto e digno de confiança.

O profissional honesto não deve fazer declarações falsas ou queixas


depreciativas sobre um sistema ou projeto de sistema. Um profissional da computação
deve ser honesto a respeito de suas próprias qualificações e sobre quaisquer
circunstâncias que possam levar a conflitos de interesses.

1.4- Ser imparcial e realizar ações sem discriminação.

Os valores de igualdade, tolerância, respeito pelos outros, e os princípios de


justiça igualitária governam este item. Discriminações na base de qualquer característica
social como raça, sexo, religião, idade, invalidez ou origem é uma explícita violação da
constituição da ACM e não será tolerada. Em uma sociedade justa, todos os indivíduos
devem ter igualdade de oportunidades e de benefícios do uso de recursos
computacionais, a despeito de suas características.

1.5- Honrar direitos de propriedade incluído copyrights e patentes.

Violação de copyrights, patentes, acordos de licenciamento é proibida por lei na


maioria das circunstâncias. Mesmo não havendo proteção, estas violações são contrárias
ao comportamento profissional.

1.6- Conceder créditos apropriados para propriedades intelectuais.

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Profissionais da computação são obrigados a proteger a integridade da
propriedade intelectual. Especificamente, não é permitido usar idéias de outros ou obter
créditos por trabalho de outros, mesmo em casos onde o trabalho não está
explicitamente protegido por qualquer meio, incluindo copyright e patente.

1.7- Acessar recursos computacionais e de comunicação somente quando


autorizado.

Indivíduos e organizações têm o direito de restringir o acesso aos seus sistemas,


desde que não viole o item 1.4. Ninguém deve entrar ou usar sistemas, softwares ou
arquivos de outros sem permissão. Sempre deve ser obtida a aprovação antes de usar
recursos, incluindo canais de comunicação, arquivos, periféricos e tempo de máquina.

1.8- Respeitar a privacidade de outros.

É responsabilidade dos profissionais manter a privacidade e integridade de dados


de indivíduos. Isto inclui tomar precauções para assegurar a precisão dos dados, como
também protegê-los de acesso acidental a indivíduos não autorizados. Devem ser
planejados procedimentos para permitir aos indivíduos rever seus registros e corrigir
imprecisões. Este imperativo implica que somente a quantidade necessária de
informações pessoais deve ser armazenada em um sistema, que o período de retenção e
eliminação para estas informações devem ser claramente definidas e cumpridas e que
informações pessoais obtidas para um propósito específico não podem ser usada para
outros fins sem o consentimento do indivíduo.

1.9- Honrar a confidencialidade.

O princípio da honestidade se estende a questões de confidencialidade de


informações sempre que alguém faz uma promessa explícita de honrar a
confidencialidade ou, implicitamente, quando informações privadas não diretamente
relacionadas às obrigações de alguém se tornam disponíveis.

2 - CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS DE CONDUTA PROFISSIONAL

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Como um profissional de computação pertencente à ACM eu devo:

2.1- Esforçar-me para concluir com a mais alta qualidade todos os processos
e produtos do trabalho profissional.

O profissional da computação deve se esforçar para alcançar qualidade e


conhecer as sérias conseqüências negativas que podem resultar de um sistema de baixa
qualidade.

2.2- Adquirir e manter competência profissional.

Um profissional deve participar na determinação de padrões para níveis


apropriados de competência, e se esforçar para atingir estes padrões. A aquisição de
conhecimentos técnicos e competência pode ser feita de várias maneiras: através do
estudo independente; participando de seminários, conferências ou cursos; e se envolver
em organizações profissionais.

2.3- Conhecer e respeitar leis existentes ligadas ao trabalho profissional.

Membros da ACM devem obedecer leis locais, estaduais, nacionais e


internacionais, a menos que exista uma base ética para não fazê-lo* Políticas e
procedimentos de organizações onde o membro têm participação também devem ser
obedecidas. Se alguém decidir violar uma lei ou regra porque esta é vista como anti-
ética, ou por qualquer outra razão, ele deve aceitar na totalidade a responsabilidade e
conseqüências desta ação.

2.4- Aceitar e providenciar reciclagem profissional adequada.

A qualidade do trabalho profissional, especialmente na área da computação


depende da revisão e crítica profissional. Sempre que apropriado, membros devem
revisar o seu trabalho assim como o trabalho de outros.

2.5- Conceder estimativa compreensiva e cuidadosa de sistemas


computacionais e seus impactos, com especial ênfase nos possíveis risco.

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Profissionais da computação estão em uma posição de confiança especial, e
assim têm responsabilidade especial em provêr resultados objetivos e confiáveis para
empregadores, clientes, usuários e público. Quando fornecendo resultados, o
profissional deve também identificar qualquer conflito de interesse relevante, como
colocado no ítem 1.3.

2.6- Honrar contratos e responsabilidades especificadas.

Para um profissional da computação, isso inclui assegurar que os elementos do


sistema funcionam como o pretendido. Também, quando contratando para trabalho
outra parte, ele tem a obrigação de manter essa parte devidamente informada sobre o
andamento do trabalho. O principal ponto aqui é a obrigação de aceitar responsabilidade
pessoal pelo trabalho profissional. Em algumas ocasiões outros princípios éticos podem
ter maior prioridade.

2.7- Aperfeiçoar o entendimento público de computação e suas


conseqüências.

Profissionais da computação têm a responsabilidade de repartir conhecimento


técnico com o público através do encorajamento ao entendimento da computação,
incluindo os impactos de sistemas e suas limitações. Este imperativo implica na
obrigação de contrariar qualquer visão falsa relacionada à computação.

3 - CONSIDERAÇÕES RELATIVAS À LIDERANÇA

Como um membro da ACM e um líder organizacional, eu devo:

3.1- Articular responsabilidades sociais de membros de uma unidade


organizacional e encorajar aceitação plena destas responsabilidades.

Procedimentos organizacionais e atitudes orientadas no sentido de melhorar a


qualidade e o bem-estar da sociedade reduzirá malefícios ao público, dessa forma
servindo a interesses públicos e preenchendo responsabilidade social. Assim, líderes

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organizacionais devem encorajar participação total em encontrar responsabilidades
sociais assim como qualidade de desempenho.

3.2- Gerenciar pessoas e recursos para planejar e construir sistemas de


informação que aumente a qualidade da vida profissional.

Quando implementando um sistema computacional, as organizações devem


levar em consideração o desenvolvimento pessoal e profissional, segurança física e
dignidade humana de todos os empregados. Padroes ergonômicos apropriados devem
ser considerados no projeto do sistema e no local de trabalho.

3.3- Ter conhecimento e dar suporte apropriado e uso autorizado de uma


organização computacional e recursos de comunicação.

Como sistema de computação podem se tornar tanto instrumentos nocivos como


de benefícios em uma organização, a liderança tem a responsabilidade de definir
claramente os usos apropriados e inapropriados de recursos computacionais.

3.4- Garantir que usuários e outros que passam a ser afetados por um
sistema tenham suas necessidades claramente articuladas durante a tributação e
planejamento de requisitos, depois o sistema precisará ser validado para satisfazer
os requisitos.

Usuários normais do sistema, usuários potenciais e outras pessoas cujas vidas


podem sofrer o impacto de um sistema devem ter suas necessidades avaliadas e
incorporadas como requerimentos. A validação de um sistema deve assegurar
cumprimento desses requerimentos.

3.5- Articular e dar suporte a mecanismos de proteção à dignidade de


usuários e outros afetados por um sistema computacional.

Projetar ou desenvolver sistemas que deliberadamente ou inadvertidamente


degradam indivíduos ou grupos é eticamente inaceitável. Profissionais que estão em

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posição de tomar decisões devem verificar que sistemas são projetados e implementados
para proteger a privacidade pessoal e aumentar a dignidade pessoal.

3.6- Criar oportunidades para membros da organização aprender os


princípios e limitações de sistemas de computadores.

Oportunidades educacionais são essenciais para facilitar a participação de todos


os membros da organização. Oportunidades devem ser disponíveis para todos os
membros para auxiliá-los a melhorar seus conhecimentos e habilidades em computação,
incluindo cursos que familiarizam os membros com as conseqüências e limitações de
tipos particulares de sistemas.

4 - CONCORDÂNCIA COM O CÓDIGO

Como um membro da ACM, eu devo:

4.1- Apoiar e promover os princípios deste código.

O futuro da computação profissional depende tanto da excelência técnica quanto


ética. É importante para o indivíduo que trabalha na computação aderir a esses
princípios éticos e encorajar ativamente outros a fazê-lo.

4.2- Comprometer-se a realizar ações apropriadas se o código for violado.

Ao suspeitar que há uma violação a este código, deve-se começar colhendo


evidências para determinar se a suspeita pode ser provada. Se afirmativo, de que grau de
severidade foi a violação? O indivíduo pode desejar consultar outros membros da ACM
nessa investigação. Se for concluído que realmente houve uma violação, é justo e
conveniente trazer essa questão à atenção do violador. Se o problema não puder ser
resolvido de outra forma, ele deve se submeter ao acordado pelas políticas e
procedimentos da ACM.

4.3- Tratar violações deste código como incoerentes com a condição de


membros da ACM.

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A aderência de profissionais a um código de ética é uma questão voluntária. Se
um membro não aceitar ou não seguir este código, isso deve ser entendido que a

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