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FACULDADE DE ENGENHARIA

E ARQUITETURA

Levantamento de
Poligonais

Prof.: Delson José Carvalho Diniz


Profª: Maria Ângela Villaça Diniz

- 2003 -
UNIVERSIDADE FUMEC - FEA 1

Levantamento de Poligonais

Assunto:

Levantamento de Poligonais – Método dos ângulos Internos – Método das


Deflexões – Relação entre Azimute e Deflexão – Relação entre Deflexões
– Estaqueamento de Poligonais – Levantamento de Detalhes – Erro
de Fechamento

1. Métodos Topográficos
Como vimos anteriormente, temos os métodos de levantamentos topográficos
segundo os quais poderemos obter a representação detalhada de um terreno a ser
estudado.
Os chamados MÉTODOS TOPOGRÁFICOS podem ser classificados do seguinte modo:

1.1 – Métodos Clássicos

Nos quais empregamos as operações clássicas estudadas, isto é, a


MEDIÇÃO DE ÂNGULOS, tanto horizontais como verticais (positivos ou
negativos) e a medição das distâncias que podem ser horizontais (ou
reduzidas) e verticais (ou diferenças de nível).

1.2 – Métodos Fotogramétricos

Nos quais empregamos as propriedades geométricas de fotografias do


terreno em estudo, tiradas tanto da terra quanto do ar.
As fotos tiradas de satélites ou aviões deram origem a um novo campo da
TOPOGRAFIA, que se denomina AEROFOTOGRAMETRIA. Essa ciência tomou
grande impulso após a última grande guerra e é largamente
empregada para levantamentos de grandes áreas.
Hoje empregamos a AEROFOTOGRAMETRIA na engenharia em
levantamentos de áreas para projetos de estradas, barragens, urbanização,
cadastramento, levantamento de riquezas minerais e vegetais, etc., devido à
sua grande precisão, rapidez e menor custo para áreas maiores.
O Brasil faz atualmente o recobrimento aerofotogramétrico do seu território
sendo que em Minas Gerais já tivemos, em 1997, quase o total do nosso
território mapeado nas escalas 1:50.000 e 1:100.000.
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Atualmente, grandes avanços podem ser observados no ramo da


Topografia. A ESTAÇÃO TOTAL, G.P.S., usando satélites especiais
determinam a posição de qualquer ponto sobre a superfície da terra, além
de fornecerem outros dados técnicos usados pela Topografia, Engenharia
Civil e outros.

2. Métodos Clássicos de Levantamento


2.1 – Métodos Clássicos

Estudamos os métodos básicos de levantamento topográfico (métodos


planimétricos) que são as poligonais abertas e fechadas, bem como
os métodos auxiliares, tais como: coordenadas retangulares,
coordenadas oblíquas, irradiações, etc.
Vimos que as poligonais servem de ponto de apoio para os levantamentos.
Tomando por base seus lados e seus vértices obteremos todos os pontos
necessários do terreno.

2.2 – Poligonais Abertas

Temos as poligonais abertas (figura 1) que são menos usadas, pois


não permitem a determinação da precisão do trabalho executado.

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2.3– Poligonais Fechadas

Temos ainda as poligonais fechadas (figura 2) que apresentam uma grande


vantagem sobre as primeiras, pois permitem, por ocasião do desenho, uma
verificação da precisão dos trabalhos feitos.

No campo, partimos do ponto inicial A, percorremos o caminhamento


medindo ângulos e distâncias e, finalmente, chegamos ao mesmo ponto de
partida A. Por ocasião do desenho, se não cometêssemos nenhum erro na
medição dos ângulos e das distâncias e nem no desenho dos mesmos, se
iniciamos o nosso desenho em um ponto A do papel, deveríamos chegar a
esse mesmo ponto.
Na prática, entretanto, isto não ocorre, sempre cometemos erros tanto no
campo como no desenho. Partindo de um ponto A no papel, e depois de
desenhado o caminhamento, chegamos a um ponto A1, próximo de A.
A distância AA1 = o é chamada de ERRO DE FECHAMENTO, cujo limite
poderemos calcular em função da precisão desejada e do perímetro
da poligonal.
Conhecendo o ERRO DE FECHAMENTO poderemos verificar se o nosso ERRO
está ou não dentro dos limites e, portanto, saber se o trabalho pode ou não
ser aceito. No caso de ser aceito, faremos a distribuição do erro.

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e = ERRO DE FECHAMENTO

Essa correção somente é possível no caso de poligonais fechadas, daí o fato


de serem as mesmas mais usadas.

3. Métodos de Levantamento de Poligonais Fechadas ou Abertas


3.1 – Princípio

Para a obtenção de uma poligonal, medimos os comprimentos dos lados e


os ângulos entre eles que podem ser internos ou externos (também
chamados de DEFLEXÕES).

3.2 – Método dos Ângulos Internos

Consideremos a poligonal A B C D E F A na qual os lados AB, BC, CD, DE,


EF e FA são medidos por um processo qualquer (MEDIÇÃO DIRETA OU
INDIRETA).
Os ângulos iA, iB, iC, etc., são medidos com o teodolito instalado em cada
vértice correspondente.
Por ocasião da medição dos ângulos internos, aproveitamos a instalação
do teodolito em cada vértice e medimos também o rumo dos lados
da poligonal.

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Vemos pela figura 4, que o RUMO ou AZIMUTE em cada vértice pode ser
medido e também calculado em função do RUMO ou AZIMUTE anterior e do
ângulo interno.

Por exemplo, para os lados AB, BC e CD temos:


rAB = 180º - rFA - iA
rBC = iB - rAB
rCD = 360º - iC - rBC

Estas fórmulas que ligam o ângulo interno e o rumo não são genéricas
como vemos, devem ser estudadas e determinadas para cada vértice.

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3.3 – Métodos das Deflexões

Consideremos a poligonal A B C D E F A na qual os lados AB, BC, CD, DE,


EF e FA são medidos por um processo qualquer (MEDIÇÃO DIRETA OU
INDIRETA).

D
d

Os ângulos considerados aqui são os ângulos externos e são chamados de


DEFLEXÕES.

As DEFLEXÕES são, como podemos observar na figura, à DIREITA ou à


ESQUERDA, sempre tomando como base o alinhamento anterior.

3.3.1 – Exemplo de Medição

Vamos explicar como é feita a medição da deflexão de um lado BC de


uma poligonal.

Na figura 6.1, instalamos o teodolito no vértice B, nivelamos e fazemos


a coincidência de zeros.

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Figura 6.2 - Em seguida giramos a luneta em torno de seu eixo horizontal e visamos o
vértice anterior A, com a luneta invertida.

3.3.2 – Azimute e Rumo

Existem bússolas graduadas de 0º a 90º em cada quadrante e outras


graduadas de 0º a 360º.

Embora existam divergências entre autores, adotaremos a


seguinte nomenclatura por acharmos a mais real:

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RU M O:
É o ângulo que uma direção faz com a direção NORTE ou SUL de 0º à 90º
em cada quadrante. É obrigatória a indicação do quadrante.

R NE

O A E

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Figura 8 – Ao mesmo tempo em que fazemos a determinação das deflexões


de cada lado da poligonal, podemos levantar por irradiação
diversos pontos em torno de cada vértice.

Exemplo:

P ont o P 1 ângulo xº
distância BP1

P ont o P 2 ângulo yº
distância BP2

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A Z I M U T E:

É o ângulo que uma direção faz com a direção NORTE, de 0º à 360º


contados no sentido horário.

Az

0 A E

B
S

CONVERSÃO DE RUMO EM AZIMUTE E VICE-VERSA:

Exemplos:
Transformar em Rumo:
AZ = 76º10’ r =
AZ = 124º16’ r =
AZ = 250º07’ r =
AZ = 301º11’ r =

Transformar em Azimute:
r = 79º01’ NE AZ =
r = 41º18’ SE AZ =
r = 11º12’ SO AZ =
r = 80º14’ NO AZ =

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Quadro para as transformações

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3.3.3 – Relação entre Rumo e Deflexão

Para conferirmos os trabalhos de campo, em cada vértice poderemos


ter na bússola o RUMO e calcular o mesmo em função da DEFLEXÃO e
do RUMO DO LADO ANTERIOR.

Temos os quatro quadrantes e em cada um deles dois casos, isto é:


para DEFLEXÕES À DIREITA e para DEFLEXÕES À ESQUERDA.
Abaixo, temos as fórmulas para todos os casos previstos.

3.3.4 – Problema

Calcular o rumo de um alinhamento cuja deflexão é 57º a esquerda e


seja 81º NO o rumo do lado precedente.

N
81º NO

C
C B E
57º 81º NO

42º SO
O A
S
C

r’ = r d, no nosso caso:
r’ = r + d = 81º NO + 57º
r’ = 138º NO
r’ = (180º - 138º) SO

r’ = 42º SO

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3.3.5 – Problema

Calcular o rumo de um alinhamento cuja deflexão é 26º D e seja 64º


NE o rumo do lado precedente.

90º NE
64º NE 26º D
B
O E
N

S
64º NE

A
O E

r’ = r d, no nosso caso:
r’ = r + d = 64º NE + 26º

r’ = 90º NE ou 90º SE

3.4 – Vantagens do Método das Deflexões Sobre o Método dos


Ângulos Internos

3.4.1 – As fórmulas para o cálculo dos rumos são mais simples e de


aplicação bastante fácil.

3.4.2 – Usamos rumos (contados de 0º a 90º em cada quadrante) e não


azimutes (de 0º a 360º no sentido horário) o que facilita bastante o
cálculo do caminhamento por não termos ângulos acima de 90º.

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3.4.3 – Em cada estação poderemos comparar o rumo lido com o calculado


fazendo a verificação imediata.

3.4.4 – Oferece-nos todos os elementos para o cálculo de coordenadas e de


áreas.

3.5 – Estaqueamento de Poligonais

Vimos que os vértices de uma poligonal podem ser denominados por


LETRAS ou NÚMEROS, por exemplo:

Poligonal A B C D E F A ou 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 1.

Entretanto, para facilitar a parte altimétrica do levantamento, poderemos


estaquear as poligonais de 20 em 20 metros, isto é, colocarmos piquetes
espaçados de 20 metros ao longo de seus lados.

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O vértice terá a denominação de VÉRTICE 0 (vértice zero). O segundo vértice terá a


denominação da estaca anterior a ele, no caso 3 mais a distância que vai da estaca
3 ao vértice considerado, isto é, 6,50 metros. O segundo vértice será, portanto, o
vértice 3 + 6,50.

A estaca 4 estará a 13,50 metros do vértice 3 + 6,50, pois entre 3 e 4 deveremos ter
20 metros.

O terceiro vértice será 8 + 9,00.

O quarto vértice será 12 + 17,50.

O quinto vértice será 17 + 2,50.

Como se trata de uma poligonal fechada, o último vértice (23 + 8,20) se


confunde com o vértice inicial 0.

A colocação de piquetes de 20 em 20 metros apresenta as seguintes vantagens:

Facilita o nivelamento da poligonal, pois já temos os piquetes


igualmente espaçados.

Facilita a obtenção de seções transversais passando pelos mesmos piquetes.

Possibilita a obtenção imediata do valor do comprimento dos lados, por exemplo, na


figura 14 temos:

O primeiro lado tem o comprimento de 3 trenadas de 20 metros mais 6,50, isto é:


3 x 20 + 6,50 = 66,50 m

O segundo lado tem comprimento de 8 trenadas de 20 metros mais 9,00


m menos o comprimento do lado anterior, 66,50 m, isto é, o segundo lado terá:

8 x 20 + 9,00 - 66,50 = 102,50 m

O terceiro lado tem o comprimento:

(12 x 20 + 17,50) - (8 x 20 + 9,00) = 257,50 - 169 = 88,50 m

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O quarto lado tem comprimento:

(17 x 20 + 2,50) - (12 x 20 + 17,50) = 342,50 - 257,50 = 85 m

O último lado tem comprimento:


(23 x 20 + 8,20) - (17 x 20 + 2,50) = 468,20 - 342,50 = 125,70 m

O perímetro será : 23 x 20 + 8,20 = 468.20 m

Tal valor deve coincidir com a soma dos comprimentos dos lados, isto é:

66,50
102,50
88,50
85,00
125,70
468.20 m

CADERNETAS - o levantamento de uma poligonal se apresenta, para o desenhista,


com a forma de uma caderneta, preenchida no campo, com todos os dados
necessários. A seguir daremos o exemplo de uma caderneta de levantamento feito
pelo método das deflexões, tendo sido feito inclusive, o estaqueamento
da poligonal. O exemplo citado será feito mais na frente.

RELAÇÃO ENTRE DEFLEXÕES - no caso de uma poligonal fechada e quando o


levantamento é feito pelo método das deflexões, poderemos determinar uma
relação entre à direita e à esquerda e, assim, determinar o erro total cometido (erro
angular) tendo uma idéia exata se tal erro está dentro dos limites permitidos,
podendo ou não ser aceito o trabalho.

Consideremos a poligonal abaixo.

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Na figura 15 temos:

n = número de vértices onde a deflexão é à direita

m = número de vértices onde a deflexão é à esquerda

dD = deflexões à direita
dE = deflexões à esquerda

i = ângulos internos

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Nos vértices em que temos DEFLEXÕES À DIREITA (n ao todo), observamos pela figura
15:
dAD + iA = 180º

dBD + iB = 180º
dDD + iD = 180º
dED + iE = 180º

dFD + iF = 180º
dGD + iG = 180º
dDI + iI = 180º

D
Somando: ∑ n. d + ∑ n. i = n.180° (1)

Nos vértices em que temos DEFLEXÕES À ESQUERDA (m ao todo), observamos pela


figura 15:
iC - dEC = 180º

iH - dHE = 180º

iJ - dJE = 180º

Somando: ∑ m. i - ∑ m. dE = m . 180º (2)

Somando membro a membro (1) e (2) teremos:


D E
∑ n . d + ∑ n . i + ∑ m . i - ∑ m . d = n .180º + m .180º (3)
D E
∑ n . d - ∑ m . d + ∑ (m + n) i = 180º (m + n) (4)

Mas ∑ (m + n) . i é a soma dos ângulos internos de uma poligonal e que pela geometria
sabemos ser igual a: S = (m + n – 2) . 180° (5)

Substituindo (5) em (4) teremos:


D E
∑n.d -∑ m . d + (m + n - 2) 180º = (m + n) 180º (6)
D E
∑ n . d - ∑ m . d + (m + n) 180º - 360º = (m + n) 180º (7)
D E
∑ n . d - ∑ m . d = 360º (8)

Portanto a soma das deflexões à direita menos a soma das deflexões à esquerda, é
igual a 360º.

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Quando ∑ m . dE > ∑ n . dD teremos:

E D
∑m . d - ∑ n . d = 360º (9)

Concluímos que a diferença aritmética entre a somatória das deflexões em um


sentido e a somatória das deflexões no sentido oposto é igual a 360º.

Com esta fórmula, poderemos verificar o erro de fechamento angular em uma poligonal
fechada cujo levantamento foi realizado pelo método das deflexões.

4. Limites de Erros

4.1 – Limite de Erros Angulares

4.1.1 – Limite de erro provável neste caso é:


2e N

onde: e = 2’30” para aparelhos de média precisão


e = 57” para aparelhos de grande precisão
N = número de lados da poligonal

4.1.2 – Levantamento por ângulos internos


Quando fazemos o levantamento de uma poligonal pelo método
acima, medimos todos os ângulos internos da poligonal.
Somando tais ângulos obteremos um certo valor X.
Sabemos que a soma dos ângulos internos de uma poligonal
qualquer é dada pela fórmula:

S = ( N – 2 ) . 180°

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A diferença entre o valor encontrado X para o valor teórico S será


erro angular e, que deverá ser menor ou igual que o limite, isto é:

ea ≤ 2 .e N

em caso contrário, o trabalho não poderá ser aceito.


4.1.3 – Levantamento por deflexões

Quando fazemos o levantamento de uma poligonal pelo método das


deflexões, somamos todas as deflexões à direita e todas
as deflexões à esquerda. Aplicamos a fórmula das RELAÇÕES
ENTRE DEFLEXÕES.
A diferença entre o valor encontrado para 360º, para mais ou para
menos, será o ERRO ANGULAR ea , que deverá ser igual ou
menor que o limite, isto é:

ea ≤ 2. e N

em caso contrário, o trabalho não poderá ser aceito.

4.2 – Limite de Erros Lineares

Quando fazemos o levantamento de uma poligonal pelo método dos ângulos


internos ou pelo processo das deflexões, se a poligonal é fechada, por
ocasião do desenho da mesma aparecerá, em planta, o ERRO DE
FECHAMENTO (ver item 2.3 deste capítulo).

O erro de fechamento E1 encontrado deverá ser menor ou igual que o limite,


isto é:

ef ≤ 2 . e1 k

onde: e1 = 0,20 m a 1,00 m conforme a precisão


k = perímetro poligonal em Kms.

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QUADRO RESUMO

1. ERRO ANGULAR

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QUADRO RESUMO

2. ERRO LINEAR

TIPO DE LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO

GRÁFICA ANALÍTICA

B D

A
Pelo processo de cálculo de coordenada
ef
A1
E

Somente poderíamos fazer a correção quando o erro de fechamento


linear, ef, for menor que o limite aceito para cada tipo de trabalho de
engenharia.

e f ≤ 2 e1 k

e1 = 0,20 m para o trabalho de grande precisão

e1 = 0,60 m para trabalhos de média precisão

e1 = 1,00 m para trabalhos de baixa precisão

k = número obtido depois de transformado o perímetro da poligonal


em km e eliminada a unidade, isto é, o número puro.

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5. Exemplo Completo de Uma Caderneta


Calcular a caderneta abaixo completando a mesma. Determinar ainda:

a) Os rumos calculados.

b) O comprimento dos lados.

c) O perímetro da poligonal.

d) O erro de fechamento angular.

e) Se a poligonal pode ou não ser aceita sendo o aparelho usado de grande


precisão.

f) Se a poligonal é aberta ou fechada.

a) A determinação dos rumos calculados

rl = r ± d = 26º 30’ NE + 137º 10’ = 163º 40’ NE


rl = (180º - 163º 40’) SE

rl = 16º 20’ SE
rl = r ± d = 16º 20’ SE + 151º 55’ 15’’ = 168º 15’ SE
rl = (180º - 168º 15’) NE
rl = 11º 45’ NE

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rl = r ± d = 11º 45’ NE + 116º 48’ = 128º 33’ NE


rl = (180º - 128º 33’) SE
rl = 51º 27’ SE

rl = r ± d = 51º 27’ SE - 109º 41’ = -58º 14’ SE


rl = +58º 14’ SO

rl = r ± d = 58º 14’ SO + 91º 58’ = 150º 12’ SO


rl = (180º - 150º 12’) NO

rl = 29º 48’ NO

rl = r ± d = 29º 48’ NO - 56º 17’ = - 26º 29’ NO


rl = + 26º 29’ NE

b) Cálculo do comprimento dos lados

b1 (6 x 20) + 9,80 = 129,80 m


b2 (16 x 20) - 129,80 = 320 - 129,80 = 190,20 m
b3 (24 x 20 + 18,00) - 320 = 498,00 - 320,00 = 178,00 m
b4 (38 x 20 + 18,00) - 498 = 778,00 - 498,00 = 280,00 m
b5 (53 x 20 + 4,00) - 778 = 1.064,00 - 778,00 = 286,00 m
b6 (68 x 20 + 10,00) - 1064 = 1.370,00 -1.064,00 = 306,00 m

c) Cálculo do perímetro

P = 68 x 20 + 10,00 = 1.370,00 m

Verif.: 129,80 + 190,20 + 178,00 + 280,00 + 286,00 + 306,00 = 1.370,00 m

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d) Determinação do erro de fechamento angular


∑ dD - ∑ dE = 360º ± ea
D
∑d = 137º 10’ + 116º 48 ' + 109º 41' + 91º 58' + 56º 17' = 511º 54'
E
∑d = 151º 55'
D E
∑d - ∑d = 511º 54' - 151º 55' = 359º 59'

A diferença para 360º será o erro angular, portanto: ea = 1’


e) Determinação do fato de poder ser a poligonal aceita ou não

O limite do erro angular para o aparelho citado (grande precisão) é:


2 .e n = 2x57’’ 6 = 4’39’’,24

f) Determinação do fato de ser a poligonal aberta ou fechada

A poligonal é fechada, pois:

∑ dD - ∑ dE = 360 ± ea

A caderneta preenchida ficará:

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6. Poligonais Auxiliares

Algumas vezes, devido à natureza acidentada do terreno estudado, parte do mesmo


não pode ser coberto ou visto dos vértices da poligonal. É o caso do trecho central da
figura 16, que para ser levantado, há necessidade de lançarmos poligonais
auxiliares, por exemplo: 3 A B C D 6.

2 4

3
5
A
1

C
B

6
7
Trecho central que não é
visto dos vértices da
poligonal

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As poligonais auxiliares são usadas também para o caso de grandes distâncias,


quando poderemos subdividir a poligonal geral 1, 2, 3, 4, 5, 6, etc, em várias outras P1,
P2, P3, etc.

4
2

1 3

P2 5
P1

P3
P5 6
8

P4

11

12 7
P6
9

10

7. Correção Gráfica do Erro de Fechamento


Já estudamos anteriormente o erro de fechamento em poligonais fechadas. A
correção de tais erros pode ser feita por dois processos:

A – PROCESSO ANALÍTICO

B – PROCESSO GRÁFICO

O processo analítico será estudado no capítulo sobre Cálculo de


Coordenadas. Quanto ao processo gráfico, consideremos a poligonal fechada A B C
D E F A. Se não cometêssemos nenhum erro, quer na direção dos ângulos e
distâncias no campo, quer no desenho dos ângulos e distâncias no papel, ao
desenharmos a poligonal, partindo do ponto A no papel (e na escala
escolhida), chegaríamos obrigatoriamente ao mesmo ponto de partida A.

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Na prática, entretanto, isto não ocorre. Ao desenharmos a poligonal, partimos do


ponto inicial A, marcamos os ângulos e comprimentos dos lados e, chegamos a um
ponto A1 próximo de A.

B1
D1
B C1 D

A C

ef
A1
F1
E1

F
E

A distância AA1 = ef será o nosso erro de fechamento, que deverá ser menor ou
igual que o limite citado no item 4.2.
A – Ligamos o ponto A ao ponto A1;

B – Dividimos a distância AA1 = ef em tantas partes iguais quanto são o número de


lados da poligonal (no nosso exemplo 6).

C – Dos vértices B, C, D, E e F E A1 deverão ser deslocados para A a fim


de eliminar o erro.
AA1
D – Um vértice qualquer será deslocado de uma distância xm, sendo m
6
número de lados anteriores ao vértice considerado.

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