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SŪTRA DA SABEDORIA ABSOLUTA

(SŪTRA DO CORAÇÃO
DA GRANDE
SABEDORIA COMPLETA)

摩訶 般若 波羅蜜多 心経
MAKA HANNYA HARAMITTA SHINGYŌ

Mahā Prajñā Paramitā Hridaya Sūtra

Comentários do Mestre

泰仙 弟子丸 老師
TAISEN DESHIMARU RŌSHI

Tradução e Apresentação da edição em


castelhano de Dokusho Villalba

Tradução da Edição Espanhola


Miraguano Ediciones – Madri – 1987
1
2
APRESENTAÇÃO 1

O 般若 心経 HANNYA SHINGYŌ é a quinta-essência do


Budismo e, particularmente, do Zen Budismo
( 禅 宗 ZEN-SHU). É o cerne da realização do Buda
Shākiamuni, transmitida de Buda em Buda, de Patriarca em
Patriarca, geração após geração.
Este Sūtra não é um texto escolástico nem filosófico. Não
é fruto de elucubração mental e não aspira a converter-se em
fundamento dogmático de uma escola de pensamento.
É simplesmente a límpida manifestação na linguagem de
uma profunda experiência interior expressada em palavras
simples, em frases curtas, esmagadoramente curtas e
densas. Esta experiência não é outra que a da verdadeira
natureza do mundo fenomenal.
Aproximar-se do 般若 心経 HANNYA SHINGYŌ através
do estudo filosófico, ou simplesmente através de um estudo
objetivo, é algo sem dúvida interessante e muito atraente,
entretanto não nos permitirá de maneira nenhuma penetrar
seu sentido profundo nem realizar a experiência vital
subjacente à suas afirmações e negações. É impossível
aproximar-se da Vacuidade ou do Vazio do
般 若 心 経 HANNYA SHINGYŌ através do pensamento
conceitual. A prática e o ensinamento do Zen Budismo
(禅宗 ZEN-SHU), cujo eixo fundamental é o 座禅 ZAZEN,
conduz-nos imperceptivelmente a esta experiência essencial
graças a qual despertamos para nossa natureza original.
É uma grande sorte que a partir de agora possamos
contar com a tradução em castelhano deste Sūtra e com os
comentários do Mestre 泰仙 弟子丸 TAISEN DESHIMARU,
sem os quais não poderíamos vislumbrar o alcance ilimitado
da sabedoria exposta no 般若 心経 HANNYA SHINGYŌ.

1
Da edição em castelhano. (N.T.)

3
Para a compreensão justa desta sabedoria, a leitura do
般 若 心 経 HANNYA SHINGYŌ deve ser sempre
acompanhada por uma prática assídua da meditação em
座 禅 ZAZEN, ao lado de um verdadeiro Mestre Zen da
Transmissão. Somente a partir deste estado justo de
consciência durante o 座禅 ZAZEN podemos compreender o
般若 心経 HANNYA SHINGYŌ. Durante o 座禅 ZAZEN, as
frases do Sūtra se abrem por elas mesmas, como formosas
flores de cujo perfume se impregna cada célula de nosso
corpo e cada ato de nossa vida cotidiana.
Isto é o que eu desejo, querido leitor, agora que você vai
submergir na leitura de uma obra prima da Humanidade, na
qual a consciência humana desperta para a realidade
substancial da existência, convertendo-se na Consciência de
um Buda.

Dokusho Villalba

4
INTRODUÇÃO

O Sūtra da Grande Sabedoria é o quinto texto


sagrado do Tch’an e do 禅 ZEN comentado pelo mestre 泰
仙 弟子丸 TAISEN DESHIMARU2. Esta obra que agora se
apresenta tem, por duas razões, um valor histórico. É a
primeira vez que este texto raiz do Budismo, se encontra
explicado no Ocidente 3 : O 摩訶 般 若 波 羅蜜 多 心 経
MAKA HANNYA HARAMITTA SHINGYŌ é um Sūtra que
condensa de maneira muito concisa a essência da literatura
Prajñā Paramitā, transcrição em 600 volumes dos
ensinamentos do Buda. Escrito originalmente em sânscrito,
foi amplamente estendido por Nāgārjuna (龍樹 RYŪJU), e
introduzido na China por Kumārajīva (鳩摩羅什 KUMARAJU)
(402-403) 4 e traduzido integralmente para o chinês antigo (漢
文 KANBUN). Texto fundamental de todo o Budismo, e
especialmente do ramo Mahāyāna (大乗 DAIJŌ), converteu-
se no Sūtra 禅 ZEN por excelência, já que a amplitude de
seus enunciados supera qualquer concepção.

2
Os quatro textos do Zen publicados anteriormente (em castelhano,
N.T.) são: “Hokyu Zan Mai”, “El Samadhi del Espejo Precioso”; “San
Do Kai”, “La Esencia y los Fenômenos se interpenetran”, ambos
publicados por Editorial Kairós, dentro da obra: La Práctica Del Zen,
1982: “Shodoka”, “El canto Del Inmediato Satori”. Vision Libros, 1981,
e Shin Jin Mei, “El poema de la Fe em el Espíritu”, Miraguano
Ediciones, 1988. (N. Ed.. Esp.)
Em português, temos “Shodoka – O canto do Satori Imediato”,
Editora Pensamento, 2ª Ed., 1997. (N.T.)
3
Em castelhano. (N.T.)
4
Ver os nomes próprios e os termos essenciais explicados no léxico,
ao final do volume. (N.Ed.Esp.)

5
Por outro lado, as 23 caligrafias que o ilustram 5 seguindo
exatamente o corpo do texto, foram realizadas em escrita
tradicional.
Este Sūtra também se encontra caligrafado assim em
apenas uma página. Mestre 弟子丸 DESHIMARU, por sua
parte, quis que o texto original seguisse seus comentários,
percorrendo o Sūtra tema por tema e destacando as palavras
chave mais importantes. A escolha definitiva destes
magníficos ideogramas foi feita entre mais de 300
documentos, que ele mesmo traçou durante o
攝 心 SESSHIN de Verão de 1979, voltando a recomeçar
incansavelmente até que cada caligrafia fosse a própria
imagem do gesto justo.
Com a ajuda dos “quatro tesouros do estudo de arte”,
com os diversos pincéis de pelos delicados, com o papel 6,
com o bastãozinho de tinta e a pedra tinteiro 7 , retomava
estes gestos milenares, entretanto sempre novos, que
convertem esta escrita em pintura da linguagem e que
expressam o essencial.
Na China antiga, a caligrafia era a forma de
expressão mais elevada, a arte mais consumada. A pintura
vinha apenas em segundo lugar. O ideograma é, com efeito,
“a única arte abstrata em que a forma e o conteúdo se unem
e se complementam reciprocamente: cada ideograma tem
um significado bem definido, um som único, uma história.
Independentemente de sua beleza simbólica, estes signos

5
Que não fazem parte desta tradução, tendo sido substituídas por
seus equivalentes em 漢字 KANJI, gerados por um editor eletrônico de
japonês. (N.T.)
6
Cuja invenção, recordemos, ocorreu na China. (N. Ed. Esp.)
7
Bloco de pedra cortado especialmente sobre o qual se esfrega o
bastão de tinta (feito de cola e fuligem) com um pouco de água.
(N. Ed. Esp.)